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Fundamentos do 
Direito
Sumário
 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
O direito e sua relação com a justiça e a moral
Classificações, ramos e fontes do direito
 Classificações do direito
 Ramos do direito
 Direito Público e Direito Privado
 Direito Público Interno
 Direito Constitucional
 Direito Administrativo
 Direito Penal
 Direito Previdenciário
 Direito Eleitoral
 Direito Processual
 Direito Tributário
 Direito Público Externo
 Direito Privado Interno
 Direito Civil
 Direito Empresarial
 Direito do Trabalho
 Direito Privado Externo
 Fontes do direito
 A Lei
6
16
Sumário
 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
 Costumes
 Jurisprudência
 Doutrina
 Princípios gerais do direito
 Analogia
Normas jurídicas, processos e procedimento
 Normas jurídicas
 Processo e procedimento
Teoria Geral do Estado
 Conceito e evolução história do Estado
 Elementos do Estado
 Povo
 Território
 Soberania
 Formas de Governo
Referências 
27
37
47
Objetivos Definição
Explicando Melhor Você Sabia?
Acesse Resumindo
Nota Importante
Saiba Mais Reflita
Atividades Testando
Para o início do 
desenvolvimento de uma 
nova competência;
Se houver necessidade 
de se apresentar um novo 
conceito;
Algo precisa ser melhor 
explicado ou detalhado;
Curiosidades indagações 
lúdicas sobre o tema em 
estudo, se forma necessárias;
Se for preciso acessar um 
ou mais sites para fazer 
download, assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
Quando for preciso se fazer 
um resumo acumulativo 
das últimas abordagens;
Quando forem necessárias 
observações ou 
complementações para o 
seu conhecimento;
As observações escritas 
tiveram que ser priorizadas 
para você;
Textos, referências 
bibliográficas e links para 
aprofundamento do seu 
conhecimento;
Se houver a necessidade 
de chamar a atenção 
sobre algo a ser refletido ou 
discutido sobre;
Quando alguma atividade 
de autoaprendizagem for 
aplicada;
Quando o desenvolvimento de 
uma competência for concluído 
e questões forem explicadas. 
@faculdadelibano_
1
O direito e sua 
relação com a 
justiça e a moral
Fundamentos do Direito Capítulo 1
O direito e sua relação com a 
justiça e a moral
Objetivos
Ao término deste capítulo, você será capaz de entender em que consiste 
a ciência do Direito e como ela está relacionada com a moral e com 
a justiça. Certamente isto será fundamental para a compreensão dos 
capítulos a seguir. Motivado para desenvolver esta competência? Então 
vamos lá. Avante!
Para darmos início ao estudo da disciplina, o nosso ponto de partida será entender o 
que é o direito. Pode parecer algo simples, mas conceituar o direito não é uma tarefa 
fácil, pois sua complexidade dificulta estabelecer uma única definição.
Antes de adentrarmos no assunto propriamente dito, precisamos pensar o mundo em 
que vivemos sob duas perspectivas distintas: o natural e o cultural. O mundo natural 
é aquele que nos foi dado, ou seja, aquele em que não há a interferência do homem. 
No mundo natural os fenômenos como a chuva, o cair de uma fruta da árvore ou até 
mesmo as estações do ano acontecem de acordo com as leis da Física, Matemática, 
Gravidade e não têm a interferência direta dos sujeitos.
FIGURA 1
Mundo natural
FONTE
Pixabay
Fundamentos do Direito O direito e sua relação com a justiça e a moral Capítulo 1
Já o mundo cultural é aquele que vem sendo construído pelo homem ao longo da história. 
Nele incluem-se a história, as tradições, os costumes, a moral e o direito. Desse modo, 
o homem tem o poder de planejar e construir esse mundo cultural, com base nas suas 
experiências e no modo de vida da sociedade e o direito segue o mesmo pensamento.
Portanto, o direito surge como fruto da cultura social, a partir das regras que foram 
conduzindo o comportamento humano ao longo dos tempos. Se consultarmos um 
dicionário, por exemplo, encontraremos o termo Direito definido como um “conjunto 
de normas e princípios legais que regulam as relações dos indivíduos em sociedade” 
(PRIBERAM, 2020).
Essa definição se assemelha à de Hans Kelsen, criador da Teoria Pura do Direito, a qual 
considerava ser o direito um conjunto de normas (KELSEN, 2003).
Sob outra perspectiva, Pontes de Miranda define o direito como algo que está em função 
da vida social, conceituando-o como um “processo de adaptação social, que consiste 
em se estabelecerem regras de conduta, cuja incidência é independente da adesão 
daqueles a que a incidência da regra jurídica possa interessar” (PONTES DE MIRANDA 
apud NADER, 2012, p. 20).
Perceba que como é complexo estabelecer um só conceito para o direito.
Tal dificuldade está relacionada com o fato de ser o direito um fenômeno que se 
manifesta em diferentes situações e momentos e por esse motivo é classificado como 
FIGURA 2
Mundo cultural
FONTE
Pixabay
Fundamentos do Direito O direito e sua relação com a justiça e a moral Capítulo 1
ciência, denominada de ciência jurídica ou ciência do direito, que nas definições de 
Miguel Reale, trata-se uma “ciência complexa que estuda o fenômeno jurídico em todas 
as suas manifestações e momentos” (REALE, 2003, p. 321).
Nesse ponto você já descobriu que o Direito é fruto do mundo cultural, consiste em uma 
ciência, mas afinal: o que é o Direito?
Levando em conta os diferentes posicionamentos acerca do tema, para fins de conceito 
trataremos o Direito como um conjunto de normas e condutas que regulam as relações 
humanas vigentes em uma sociedade, que devem ser observadas e seguidas por todos 
e todas.
Agora que você já sabe o que é o direito, é importante que você entenda a sua finalidade, 
para que ele serve. O direito busca a pacificação social e seu principal objetivo é promover 
a convivência em sociedade de forma harmônica e pacífica.
Nas lições de Paulo Nader, o direito está em função da vida social. A sua finalidade é a 
de favorecer o amplo relacionamento entre as pessoas e os grupos sociais, que é uma 
das bases do progresso da sociedade (NADER, 2003). 
Para que isso ocorra, é necessário que se estabeleçam limites às vontades individuais 
de cada um com o fim de proporcionar o bem comum, sendo o direito esse limite e a 
justiça esse equilíbrio. Por esse motivo, a balança é um dos símbolos do direito.
Você Sabia?
Quando o termo Direito for utilizado como sinônimo de ciência, deve ser 
usada a letra inicial maiúscula. Nos demais casos, deve-se utilizar a letra 
minúscula.
Fundamentos do Direito O direito e sua relação com a justiça e a moral Capítulo 1
Temos, portanto, que o direito serve para disciplinar as condutas humanas na sociedade 
e que os preceitos jurídicos que o integram devem buscar o bem comum e a realização 
da justiça.
Nesse ponto, faço-lhe outro questionamento: direito e justiça são a mesma coisa?
Essa é uma dúvida muito recorrente entre as pessoas, no dia a dia. Certamente você já 
ouviu alguém falar que “fulano foi pra justiça”, ao dizer que alguém ingressou ou está 
respondendo a um processo judicial. É importante que nesse ponto você tenha em 
mente que esses conceitos não se confundem, apesar de estarem relacionados.
Etimologicamente a palavra justiça deriva do latim iustitia, cujo conceito é abstrato, 
relacionado a um estado ideal e imparcial de interesses. Na Grécia antiga, a justiça era 
representada pela deusa Themis, que tinha três símbolos marcantes: os olhos vendados, 
a balança e a espada.
Os olhos vendados simbolizam sua imparcialidade e ausência de preconceitos, a 
balança em suas mãos simboliza a desigualdade e a necessidade de equilíbrio e a 
espada simboliza seu poder.
FIGURA 3
Balança da justiça
FONTE
Pixabay
Fundamentos do Direito O direito e sua relação com a justiça e a moral Capítulo 1
Pensadores desde a idade antiga tentam estabelecer definições sobre o que seria a 
justiça. Aristóteles define justiça como uma igualdade proporcional, no sentido de 
tratar de forma igual entre os iguais e desigual entre os desiguais, na proporção de suadesigualdade.
Já Platão reconhece a justiça como uma harmonia social, sendo considerado justo tudo 
o que está de acordo com a lei.
Na Idade Média, São Tomás de Aquino definiu justiça como a vontade de dar a cada um 
o que é seu. Já na idade moderna, Hanks Kelsen define justiça como felicidade social 
utópica, considerando ser impossível de ser alcançado, pois se o objetivo é alcançar a 
felicidade e que a felicidade tem uma definição para cada um, a justiça seria inalcançável.
Partiremos dessa crítica estabelecida por Kelsen para discutir a questão da justiça e 
seus valores morais.
Pense no seguinte exemplo: uma mulher dá à luz a uma criança e entrega-a para outra 
pessoa para que a criança não morra de fome. Digamos que após o ato da entrega, a 
mãe biológica dedicou-se dia após dia ao trabalho com o fim de retomar a guarda de 
sua filha. A mãe adotiva, por sua vez, passou os cinco anos dedicando-se aos cuidados 
da pequena criança. 
FIGURA 4
Representação da Themis/
Deusa da Justiça
FONTE
Pixabay
Fundamentos do Direito O direito e sua relação com a justiça e a moral Capítulo 1
Eis que a mãe biológica procura a mãe adotiva para requerer a guarda da criança de 
volta e a mãe adotiva se nega a entregá- la. O que seria justo nesse caso? Há quem 
diga que deve a criança ficar com a mãe biológica e há quem defenda a mãe adotiva.
O caso mencionado anteriormente nos serve de referência para refletirmos como o 
conceito de justiça está equiparado a outros fatores, como concepções morais, religiosas 
e pessoais.
Certamente ao se decidir pelo caso anterior, você valorou questões, como a 
vulnerabilidade da criança, o fator biológico, o elo afetivo da mãe adotiva, entre outros. 
Note que involuntariamente sua concepção de justiça foi ventilada por uma série de 
preceitos e concepções que vão além de uma simples definição.
Nesse sentido, não podemos negar a relação que se estabelece entre o direito, a justiça 
e a moral para a definição de normas de conduta de uma sociedade.
Em um sentido amplo, a moral é um conjunto de normas e de comportamentos que 
foram criados e aceitos pela sociedade ao longo dos tempos e está relacionada com 
comportamentos subjetivos do homem.
Note que não se confunde com os conceitos de direito e nem de justiça.
O direito distingue-se da moral quando a moral permite que o indivíduo tenha uma 
liberdade de escolha entre o certo e errado ao praticar determinados atos, referindo-se 
a um sujeito, cujas consequências são individuais.
Já o direito não proporciona tal discricionariedade, pois há uma norma a ser seguida, uma 
regra de conduta posta, cujas consequências são voltadas ao integrante da sociedade, 
não havendo liberdade de escolha e com consequências ante a desobediência.
Explicando Melhor
Enquanto as normas morais consistem nos valores individuais e 
coletivos da sociedade, as normas jurídicas são impositivas, devendo 
ser obedecidas por todos, sob pena de punição.
Fundamentos do Direito O direito e sua relação com a justiça e a moral Capítulo 1
Apesar de espécies diferentes derivadas do mesmo gênero, é possível que haja 
coincidência entre as normas morais e jurídicas.
É o caso de algumas condutas tipificadas no código penal, como roubo, homicídio, 
estupro. Além de serem normas de condutas reprovadas pela ótica da moral, também 
são vedadas pelas normas jurídicas, mais especificamente nos artigos 157, 121 e 129 do 
Código Penal, cuja pena é a de reclusão.
É importante que você saiba que mesmo que seja possível que as normas jurídicas e 
morais coincidam, tal fato nem sempre é uma regra, pois existem fatos que, apesar de 
condenados moralmente, não constituem qualquer infração legislativa.
EXEMPLO:
Ana é filha de Carla. Por um capricho, Ana abre a carteira de sua mãe e furta considerável 
quantia de dinheiro. A conduta de Ana, apesar de ser reprovada moralmente, é isenta de 
pena, por força do art. 181, II do Código Penal.
Neste ponto destacamos que o conceito de moral não se confunde com o conceito de 
ética, também importante para o nosso estudo aqui dentro dessa disciplina.
A ética está relacionada com a avaliação fundamentada dos comportamentos humanos 
morais dentro da sociedade. A ética, portanto, consiste no conjunto de conhecimentos 
extraídos dessa avaliação do comportamento humano ao avaliar as normas morais de 
forma racionalizada, fundamentada, a partir da ciência e da teoria.
Nota
A ética é uma reflexão da moral.
Em termos práticos, a ética e a moral possuem finalidades semelhantes, no sentido de 
construir bases para guiar o comportamento humano dentro da sociedade.
 
Fundamentos do Direito O direito e sua relação com a justiça e a moral Capítulo 1
São as normais morais e éticas responsáveis por construir as bases que irão guiar a 
forma de agir do homem, moldar seu caráter, construir conceitos de altruísmo e virtudes.
São exemplos de ações que levam em conta os princípios éticos e morais.
De cada indivíduo o ato de ajudar a quem precisa, de cometer ou não ato ilícitos, jogar 
lixo na rua, furar fila, maltratar animais, prejudicar colegas de trabalho para alcançar 
objetivos, entre outros.
Nesse sentido, podemos concluir que os valores que formam a moral influenciam na 
construção das normas jurídicas, mas não necessariamente vinculam uma a outra. 
Embora ambos sejam normas de conduta humana, direito e moral não se confundem.
Aprendemos que a moral orienta o comportamento do homem a partir das normas 
instituídas pela própria sociedade ou por um grupo social, fazendo as leis parte desse 
conjunto de normas.
Saiba Mais
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte 
fonte de consulta e aprofundamento: Vídeo: “Saber Direito - Filosofia do 
Direito” (TV JUSTIÇA), acessível por este link: https://www.youtube.com/
watch?v=4obVcQkYirc
Sobre o que conversamos relacionados à moral, sugerimos o vídeo a 
seguir para o aperfeiçoamento dos seus conhecimentos. Vídeo “Casa 
do Saber – O que é Moral – Clovis de Barros Filho, acessível por este link: 
https://www.youtube.com/watch?v=Jsjn49FxJLc
Fundamentos do Direito O direito e sua relação com a justiça e a moral Capítulo 1
Resumindo
E então? Gostou de tudo até aqui? Agora, só para termos certeza de 
que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos 
resumir tudo o que vimos. Você iniciou esse capítulo aprendendo sobre 
a diferença do mundo natural e mundo cultural, este último ao qual o 
direito faz parte e pode entender sobre a influência do homem para sua 
criação e transformação. Além disso, você conheceu algumas definições 
sobre o que é Direito dadas por pensadores como Kelsen e Pontes de 
Miranda e pode entender o porquê do direito ser considerado uma 
ciência. Além disso, definimos que direito é um conjunto de normas que 
regulam as relações humanas e qual é a finalidade do direito: regular 
tais relações, busca a pacificação social. Vimos também a relação entre 
direito e justiça, o significado da representação mitológica pela famosa 
Themis e as definições de justiça dadas ao longo da história. Por fim, 
você pode entender sobre a relação entre o direito e a moral e como 
essas regras de conduta podem influenciar a vida em sociedade.
@faculdadelibano_
2
Classificações, 
ramos e fontes do 
direito
Fundamentos do Direito Capítulo 2
Classificações, ramos e
fontes do direito
Objetivos
Ao término deste capítulo, você será apresentado às subdivisões, aos 
ramos e às fontes do direito, de modo que você possa compreender aas 
peculiaridades e diferenças dessa ciência tão fascinante. Motivado para 
desbravar esse novo universo? Então vamos lá.
Classificações do direito
O termo direito pode ser empregado com diversos significados. Aqui chamaremos de 
classificações do direito, mas quero que você tenha em mente que não se trata de 
formas diferentes de direito, mas sim de diferentes significados para esse mesmo termo. 
Tudo bem?
O direito natural, como o próprio nome já diz, é aquele proveniente da natureza, da 
existência humana.O direito natural não precisa estar escrito, criado por alguém ou 
formulado pelo Estado. Trata-se de direitos que são originados na própria existência ou 
razão do homem. 
Alguns acreditam que o direito natural deriva da vontade de Deus (teólogos), outros, 
que correspondem à natureza cósmica (helenistas), bem como há quem acredite que 
o direito natural derive da razão humana (racionalistas).
EXEMPLO:
São exemplos de direito natural o direito à vida, a liberdade, à reprodução, à constituição 
de uma família.
Fundamentos do Direito Classificações, ramos e fontes do direito Capítulo 2
O direito positivo, por sua vez, consiste no conjunto de normas jurídicas que podem 
ser escritas ou não, vigentes em determinada sociedade, impostas pelo Estado. O 
direito positivo surgiu a partir do século XIX, na transição da Idade Média para a Idade 
Moderna, diante da revolta da população com os reis absolutistas da época, que, sob o 
argumento de serem enviados por Deus, praticavam injustiças com as classes sociais 
menos privilegiadas.
 
EXEMPLO:
É um exemplo de direito positivo a Constituição e as leis de um Estado.
O direito natural inspira e norteia a formação do direito positivo e tem uma importante 
influência na definição dos princípios gerais que norteiam o direito.
O direito objetivo está relacionado com as normas jurídicas, com o conjunto de regras 
que regulam a vida em sociedade. O direito objetivo estabelece regras de conduta 
social, a forma com que os indivíduos devem ou não agir. Já o direito subjetivo está 
relacionado com uma situação jurídica, com o direito do indivíduo. 
O direito subjetivo está relacionado com a faculdade de agir e com o direito de um 
beneficiário da justiça invocar a aplicação das normas a seu favor.
Agora que você já aprendeu sobre as classificações do direito, vamos aprender um 
pouco mais sobre os ramos do direito? Vem comigo!
Explicando Melhor
O Código Civil prevê a obrigação dos genitores prestarem alimentos 
(pensão alimentícia) a seus filhos. Esse é um direito objetivo previsto no 
Código Civil. Joana mora com a avó e não recebe pensão de seu pai, 
Jorge. Joana possui o direito subjetivo de requerer alimentos a Jorge.
Fundamentos do Direito Classificações, ramos e fontes do direito Capítulo 2
Ramos do direito
Conforme você já aprendeu, integram o direito as normas jurídicas que se destinam 
a regular a convivência social. Considerando as múltiplas formas de relações sociais, 
quero que você pense as classificações do direito como ramos de uma árvore, 
subdivididos para facilitar a sua compreensão sobre o tema (não havendo o que se 
falar em diferenças nas categorias aqui apresentadas).
FIGURA 5
Ramos do direito
FONTE
Elaborada pela autora (2021).
Direito Público e Direito Privado
A primeira categoria que iremos abordar, o primeiro ramo nossa árvore será a diferença 
entre direito público e privado. Direito Público consiste nas normas jurídicas que são 
voltadas para a coletividade, para o todo, enquanto o Direito Privado está relacionado a 
normas que regulam as relações particulares entre os sujeitos.
O Direito Público possui um maior poder normativo e uma menor margem de escolha 
das pessoas a ele subordinada, tendo em vista que no direito público o que prevalece 
Fundamentos do Direito Classificações, ramos e fontes do direito Capítulo 2
é o interesse público, pois é voltado para a construção de normas coletivas. Já o Direito 
Privado consiste em um conjunto de normas que permitem uma maior liberdade de 
escolha por parte do indivíduo, considerando sua aplicabilidade nas relações entre 
particulares, associações civis e sociedades. Ainda mentalizando nossa árvore, o ramo 
do Direito Público se subdivide em duas categorias, o Direito Público Interno e o Externo.
Direito Público Interno
O Direito Público interno divide-se em sete categorias, sendo elas: Direito Constitucional, 
Direito Administrativo, Direito Penal, Direito Previdenciário, Direito Eleitoral, Direito Processual 
e Direito Tributário, as quais trataremos pormenorizadamente a seguir.
Direito Constitucional
O Direito Constitucional é o ramo do direito que inevitavelmente está relacionado com 
todos os demais ramos do direito, uma vez que se refere ao que se encontra previsto na 
Constituição. Dessa forma, ele engloba os direitos fundamentais, a política, as formas de 
governo do Estado e a organização da sociedade.
Direito Administrativo
O Direito Administrativo é ramo do direito responsável por reger tudo o que diz respeito à 
Administração Pública. Enquanto o Direito Constitucional determina a estrutura político-
administrativa do Estado, as regras de funcionamento e observância dessa estrutura 
são ditadas pelo Direito Administrativo.
Direito Penal
O Direito Penal, terceiro integrante da categoria de Direito Público Interno, é o responsável 
por disciplinar os crimes e as contravenções penais. Sua principal finalidade é a 
manutenção da ordem pública e proteção dos direitos fundamentais, como a vida, a 
liberdade e a propriedade.
Fundamentos do Direito Classificações, ramos e fontes do direito Capítulo 2
Direito Previdenciário
O Direito Previdenciário é um ramo do direito público interno que cuida dos direitos 
sociais. Esse ramo do direito é o responsável por regular a relação entre o Estado e os 
segurados que dele dependem.
Direito Eleitoral
O Direito Eleitoral é o ramo do direito que está relacionado com o processo eleitoral, 
estabelecendo regras desde a candidatura até a prestação de contas do mandato.
Direito Processual
O Direito Processual, sétima categoria do Direito Público Interno, disciplina em suma as 
normas jurídicas para o exercício do direito, ou seja, as formalidades e regras a serem 
obedecidas pelas partes no litígio. O direito processual subdivide-se em categorias, de 
acordo com a área do direito ao qual se refere, podendo ser do trabalho, civil, penal. 
Apesar dessa subdivisão, a finalidade é a mesma, ou seja, regular a aplicação do direito.
Direito Tributário
O Direito Tributário, por sua vez, rege as relações tributárias entre o fisco (Estado) e o 
contribuinte (indivíduo), de modo a garantir a receita do Estado e a prestação de serviços 
essenciais previstos na Constituição.
Direito Público Externo
O Direito Público Externo, denominado de Direito Internacional Público, cuida das relações 
públicas exteriores do Estado. Esse ramo do direito é o responsável por disciplinar as 
relações exteriores, ou seja, com outros Estados, nas esferas políticas, econômicas e 
sociais. É por meio desse ramo do direito que são celebrados acordos e tratados 
internacionais.
Fundamentos do Direito Classificações, ramos e fontes do direito Capítulo 2
Direito Privado Interno
Assim como o direito público, ele subdivide-se em interno e externo. O direito privado 
interno divide-se em quatro categorias: Civil, Empresarial, Trabalho e Direito Internacional 
Privado.
Direito Civil
O Direito Civil é o ramo que regula as relações civis individuais em geral, desde o 
nascimento até a morte do indivíduo, disciplinando questões relativas a negócios 
jurídicos, casamento, filiação e sucessão. O Código Civil é dividido em 2.046 artigos e é 
objeto do estudante de direito durante toda a graduação.
Direito Empresarial
O Direito Empresarial é o ramo do Direito que trata da relação jurídica entre o indivíduo 
e empresas e/ou a sociedade empresarial. Em geral ele é formado por normas que 
regulam a atividade do empresário, atribuindo-lhe deveres e garantias.
Direito do Trabalho
O Direito do Trabalho é o responsável por regular as relações de emprego e trabalho. 
Derivado do Direito Civil, esse ramo do Direito surgiu no ordenamento jurídico para 
estabelecer medidas de proteção e proporcionar aos trabalhadores condições dignas 
de trabalho.
Direito Privado Externo
Integra a categoria de Direito Privado Externo um único ramo do direito, o Direito 
Internacional Privado. Esse ramo do direito é o responsável por estabelecer as normas 
que serão aplicadasàs relações jurídicas particulares com outros Estados.
Fundamentos do Direito Classificações, ramos e fontes do direito Capítulo 2
Explicando Melhor
O Direito Público Externo e o Direito Privado Externo estarão sempre 
relacionados com as relações exteriores do Estado, ou seja, com o Direito 
Internacional.
Agora que você já pode entender quais são os ramos dessa árvore do direito, quero te 
convidar a conhecer as fontes do direito, vamos nessa?
 
Fontes do direito
 
Quando falamos de fontes do direito, estamos falando da origem, da causa. A fonte do 
é onde nasce o direito, pense em algo semelhante a uma fonte de água, de onde tudo 
começa. De acordo com Reale, “por fonte do direito designamos os processos ou meios 
em virtude dos quais as regras jurídicas se positivam com legítima força obrigatória, isto 
é, com vigência e eficácia no contexto de uma estrutura normativa” (REALE, 2003, p. 140).
As fontes do direito servem como uma espécie de garantia, auxiliando os operadores 
a aplicarem o direito ao caso concreto e delimitando a atuação do juiz, de modo a 
impedir que sejam aplicadas concepções pessoais nos casos concretos.
As fontes do direito classificam-se em: primárias (também chamadas de diretas ou 
imediatas) ou secundárias (indiretas ou mediatas); materiais ou formais.
As fontes primárias, também denominadas de fontes diretas ou fontes imediatas, são 
as normas jurídicas criadas pelo Estado, que emanam do Poder Legislativo ou do Poder 
Constituinte. São exemplos de fontes primárias a Constituição Federal, o Código Civil e o 
Código Penal.
As fontes secundárias, também denominadas de fontes indiretas ou mediatas, são 
aquelas que atuam como auxiliares na aplicação das leis, auxiliando na interpretação 
de uma fonte primária. São exemplos de fontes secundárias os costumes, a analogia, 
os princípios gerais do direito, a jurisprudência e a doutrina. Trataremos de cada uma 
dessas fontes a seguir.
Fundamentos do Direito Classificações, ramos e fontes do direito Capítulo 2
A Lei
Principal fonte do Direito, o termo lei refere-se ao conjunto de normas gerais abstratas 
e de caráter imperativo existentes no ordenamento jurídico brasileiro. Fazem parte 
dessa classificação a Constituição, as emendas constitucionais, as leis ordinárias, as leis 
delegadas, as medidas provisórias, os decretos e as resoluções legislativas. Todas essas 
normas de caráter legislativo integram a classificação de lei.
Costumes
Os costumes, classificados como fonte indireta ou imediata, referem-se ao conjunto 
de atos praticados por um povo reiteradamente e que, ao longo do tempo, passam 
a se tornarem obrigatórios. Os costumes se assemelham às leis, pois devem ser 
obrigatoriamente observados pelo aplicador do direito.
As normas jurídicas que derivam dos costumes são denominadas de normas 
consuetudinárias. Importante destacar que um costume não pode ser imposto pelo 
Estado, nem revogar ou contrariar com uma lei, devendo os costumes servirem como 
fonte do direito de forma secundária, ou seja, na ausência de lei específica para regular 
o caso.
Jurisprudência
A jurisprudência consiste no conjunto de decisões uniformes e constantes dos tribunais, 
proferidas para a solução judicial de conflitos, envolvendo casos semelhantes (DINIZ, 
2016). Nesse sentido, jurisprudência é “a forma de revelação do Direito” resultante do 
exercício da jurisdição, decorrente de uma “sucessão harmônica de decisões dos 
tribunais (REALE, 2003, p. 167). 
Explicando Melhor
Via de regra, diante de um conflito entre costume e lei, prevalecerá 
sempre a lei.
Fundamentos do Direito Classificações, ramos e fontes do direito Capítulo 2
Aqui salientamos que não se tratam de julgamentos isolados sobre determinado 
assunto, mas sim julgamentos reiterados sobre o mesmo tema.
A jurisprudência criada por esses tribunais pode, além de guiar o magistrado na decisão 
sobre assuntos que não possuem legislação específica sobre o tema, dar origem às 
súmulas. As súmulas consistem na publicação do enunciado de uma jurisprudência de 
forma resumida. Elas proporcionam uma maior estabilidade jurídica à jurisprudência. Uma 
espécie de súmula são as súmulas vinculantes, que entraram em vigor no ordenamento 
jurídico, com a aprovação e aplicação da Emenda Constitucional nº 45/2004.
Doutrina
A doutrina, outra espécie de fonte indireta, é o fruto do estudo de operadores e 
pesquisadores da ciência do direito, por meio dos escritos publicados em formato de 
livro, artigo ou periódico. Apesar de não ser uma norma jurídica, a doutrina exerce uma 
importante função ao auxiliar na interpretação e aplicação da lei ao caso concreto.
Princípios gerais do direito
Os princípios gerais do direito estão para a ciência de direito como uma espécie de 
bússola, auxiliando os operadores do direito a alcançarem a justiça para o caso concreto.
Como define Miguel Reale, “princípios gerais de direito são enunciações normativas de 
valor genérico, que condicionam e orientam a compreensão do ordenamento jurídico, 
quer para a sua aplicação e integração, quer para a elaboração de novas normas”. 
(REALE, 2002, p. 305)
Importante
Julgamentos isolados de casos criam precedentes, mas não 
jurisprudência.
Fundamentos do Direito Classificações, ramos e fontes do direito Capítulo 2
Os princípios podem estar previstos expressamente na Constituição, como é o caso do 
princípio da soberania, da cidadania, da dignidade da pessoa humana, mas também 
podem estar relacionados especificamente a determinados ramos do direito, como o 
princípio da autonomia da vontade e da afetividade.
Analogia
A analogia consiste em um método de interpretação jurídica que deve ser utilizado 
quando da ausência de uma norma jurídica específica para um caso e da existência 
de uma norma jurídica semelhante. Um exemplo clássico para você entender sobre a 
analogia está relacionado com união estável e o código civil. A união estável passou a 
ser reconhecida após a edição Código Civil, de modo que não há na lei civil nenhuma 
menção à união estável. Desse modo, os juristas analogicamente aplicam, no que não 
houver conflito, as disposições relativas ao casamento à união estável.
Resumindo
E então? Gostou de tudo até aqui? Agora, só para termos certeza de 
que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos 
resumir tudo o que vimos. Você iniciou esse capítulo aprendendo sobre 
as classificações do direito, oportunidade em que você foi apresentado 
aos conceitos de direito natural, direito positivo, direito objetivo e direito 
subjetivo. Além disso, trabalhamos nesse capítulo com os ramos do direito 
e você aprendeu sobre a divisão do Direito Público e Privado e as áreas 
derivadas dessa classificação. Por fim, trabalhamos as fontes do direito, 
a classificação entre fontes primárias, secundárias, materiais e formais 
e quanto às fontes formais, você pode entender em que consiste a lei 
e sua diferença para as demais fontes formais, como a jurisprudência, 
doutrina e os princípios gerais do direito. Nesse capítulo eu espero que 
você tenha entendido como que o direito é uma construção social, fruto 
da evolução da sociedade, criado a partir da necessidade de regulação 
das condutas vividas ao longo dos tempos. Bom, chegamos à metade 
do caminho. Vamos continuar nessa jornada incrível em busca do 
conhecimento junto comigo?
@faculdadelibano_
3
Normas jurídicas, 
processos e 
procedimento
Fundamentos do Direito Capítulo 3
Normas jurídicas, processos 
e procedimento
Objetivos
Ao término deste capítulo, iremos identificar as espécies normativas e a 
diferença entre processo e procedimento, de modo que você entenda 
quais são as espécies normativas e como se dá a sua aplicação nos 
casos concretos. Preparado? Então vamos lá.
Normas jurídicas
Conforme já aprendemos, as normas jurídicas consistem em uma fonte formal do 
direito que traduzem as normas de conduta determinadas pelo Estado. Consistem na 
vontade do Estado, traduzida pelo legislador e materializada na lei.São características 
das normas jurídicas:
a. Generalidade – obriga a todos, sem exceção.
b. Abstratividade – as normas abarcam situações abstratas, cabendo ao operador do 
direito aplicá-las aos casos concretos.
c. Bilateralidade – as normas jurídicas estabelecem deveres e resguardam direitos.
d. Imperatividade – trata-se de comandos imperativos, ou seja, que devem ser 
obrigatórios.
e. Coercibilidade – sua não observância gera consequências aplicadas pelo Estado.
f. Heteronomia – o comando é vindo de um único ente, o Estado.
Quanto à esfera do Poder Público, as normas jurídicas podem ser municipais, estaduais 
ou federais. A própria Constituição estabelece as competências legislativas de cada 
ente da Federação e tal competência deve ser observada com rigor, sob pena de ser 
declarada a inconstitucionalidade.
Fundamentos do Direito Normas jurídicas, processos e procedimento Capítulo 3
EXEMPLO:
Ao município não cabe legislar sobre questões estaduais.
Assim como há uma hierarquia entre os entes da federação, também existe uma 
hierarquia entre as normas jurídicas, tendo em vista a ordem de subordinação entre 
elas. Kelsen, a partir da sua teoria pura do Direito, é o autor de uma valiosa ilustração 
que traduz essa hierarquia das normas, conhecida popularmente como a pirâmide de 
Kelsen.
No primeiro plano dessa hierarquia figura a Constituição Federal e as Emendas 
Constitucionais, pois elas possuem o condão de condicionar a existência das demais 
normas bem como de revogá-las.
FIGURA 6
Pirâmide de Kelsen
FONTE
Elaborada pela autora 
(2021).
Você Sabia?
Qualquer norma jurídica que seja de categoria diversa e que tenha 
disposições contrárias ao que está estabelecido na constituição é 
considerada inconstitucional.
Fundamentos do Direito Normas jurídicas, processos e procedimento Capítulo 3
Em segundo plano encontram-se as normas complementares, que são normas previstas 
com o fim de complementar as normas constitucionais, por meio de lei complementar. 
A aprovação desse tipo de norma requer um procedimento legislativo especial, previsto 
no artigo 69 da Constituição Federal.
Em terceiro plano encontram-se as normas ordinárias. Consistem em normas ordinárias 
as leis ordinárias, as leis delegadas, as medidas provisórias, as leis delegadas e os 
decretos.
A lei ordinária é residual, de modo que será lei ordinária tudo o que não for lei 
complementar, decreto ou resolução. A lei delegada, por sua vez, é fruto de uma 
delegação de competência do poder legislativo para o poder executivo. O art. 68 §1º da 
Constituição estabelece as hipóteses em que é vedada tal delegação.
As medidas provisórias consistem em normas que precisam que ser criadas com 
urgência, diante de situações excepcionais. Elas possuem um trâmite mais célere do 
que as leis, mas possuem um período de vigência limitado a 120 (cento e vinte) dias.
O decreto legislativo consiste em uma espécie de norma que traduz atos individuais ou 
gerais emanados dos chefes do Poder Executivo (Presidente da República, Governador 
e Prefeito) enquanto a resolução é uma espécie de norma privativa para regular atos 
internos do poder legislativo. Ambos possuem competência residual, para tratar de 
assuntos que não sejam objeto de lei.
Por fim, na base da pirâmide de Kelsen encontram-se os negócios jurídicos e os atos 
celebrados por particulares. Derivados das relações privadas, o objeto dessa classificação 
são as relações entre particulares, como contratos e acordos.
Agora que você já aprendeu sobre as classificações das normas, vamos aprender o 
processo legislativo que as coloca em vigor?
O processo legislativo consiste no caminho que um projeto de lei deve seguir 
obrigatoriamente, até que ele se torne uma lei em vigor, sob pena da lei ser inconstitucional. 
Todas as determinações que você encontrar aqui estão expressamente inscritas na 
Constituição.
Fundamentos do Direito Normas jurídicas, processos e procedimento Capítulo 3
O primeiro ponto que é importante você saber que hoje, no Brasil, Vigora o regime 
bicameral, ou seja, que para uma lei ser aprovada, via de regra, ela deve passar 
obrigatoriamente pela Câmara e pelo Senado Federal. Nesse sentido, o projeto legislativo, 
via de regra, deve criado e apresentado para a casa revisora.
Um projeto de lei pode ser proposto por qualquer deputado, qualquer senador, qualquer 
comissão da Câmara, do Senado ou do Congresso, pelo Presidente da República, pelo 
Procurador Geral da República, pelo Supremo Tribunal Federal, pelos tribunais superiores 
e pelo povo obedecidas as regras da iniciativa popular.
A etapa de revisão do projeto de lei, obrigatória dentro do processo legislativo, é feita 
pela casa oposta que criou o projeto. Isso significa dizer que se quem propôs o projeto 
foi a Câmara, cabe ao Senado fazer a revisão e o mesmo se aplica ao contrário.
Após a revisão, o projeto de lei será encaminhado ao Chefe do Executivo. Uma das 
funções do Chefe do Executivo (prefeito, governador ou presidente) é a de sancionar as 
leis. Nesse sentido, o chefe do executivo terá duas opções: ou sancionar a lei ou vetá-la.
Caso o Chefe do Executivo vete a lei, caberá ao Congresso (câmara + senado), dentro 
do prazo de 30 dias, para reapreciar o projeto e regularizar suas inconsistências.
Caso o Chefe do Executivo sancione (aprove) a Lei, ela deverá entrar em vigor por meio 
de publicação no Diário Oficial. Passados 45 (quarenta e cinco) dias da publicação da 
lei, ela é considerada em vigor.
Você Sabia?
O povo pode propor projetos de lei, desde que respeitados os requisitos 
estabelecidos na Constituição. A Lei da Ficha Limpa (LC135/2010) foi fruto 
de um projeto de lei que surgiu a partir da iniciativa popular.
Fundamentos do Direito Normas jurídicas, processos e procedimento Capítulo 3
Bom, agora que você já está ambientado no mundo jurídico e está afiado no que diz 
respeito às leis, doutrinas, jurisprudências, vamos aprender a aplicação dessas leis nos 
casos concretos? Tenho certeza que você não vai se arrepender.
Processo e procedimento
A definição de processo e procedimento não se confunde, mas se correlaciona. O 
processo consiste no instrumento de provocação da jurisdição, o meio em que leva a 
pretensão de um indivíduo ao conhecimento do poder judiciário. Já o procedimento 
consiste na materialização do processo, no caminho a ser percorrido em busca da 
prestação jurisdicional do Estado.
A relação jurídica processual consiste na relação entre autor, réu e o juiz. O autor figura 
como quem invoca ao Estado postulando um direito, o réu consiste na pessoa contra 
quem esse direito está sendo requerido e o juiz é o representante do Estado e aplicador 
do direito. Nesse sentido, a relação jurídica processual é triangular e via de regra pública.
Você Sabia?
O prazo de 45 dias entre a publicação e a entrada em vigor da lei é 
chamado de vacatio legis. O legislador pode optar por um período 
diferente ou até suprimi-lo, a depender do caso concreto.
Fundamentos do Direito Normas jurídicas, processos e procedimento Capítulo 3
O juiz, dentro da estrutura processual, exerce a jurisdição, ou seja, o poder conferido pelo 
Estado de interpretar as leis e aplicá-las ao caso concreto. Nas lições de Maria Helena 
Diniz:
Na determinação do direito que deve prevalecer no caso concreto, o juiz 
deve verificar se o direito existe, qual o sentido da norma aplicável e se 
esta norma aplica-se ao fato sub judice. Portanto, para a subsunção é 
necessária uma correta interpretação para determinar a qualificação 
jurídica da matéria fática sobre a qual deve incidir uma norma geral. (DINIZ, 
2016, p.423)
É possível que o juiz se depare com casos que não se enquadram perfeitamente nas 
normas jurídicas existentes, ou que quanto à determinada ocasião a lei seja omissa, 
obscura ou ambígua. Diante desses casos, caberá ao juiz utilizar técnicas de interpretação 
do direito para aplicá-lo ao caso concreto.
Considerando que a estrutura judiciária brasileira se encontra cada vez mais abarrotadade processos, há uma tendência moderna de que as pessoas procurem meios 
alternativos de resolução de conflitos. Nesses casos não será o juiz quem irá exercer a 
jurisdição, mas sim esses órgãos e sujeitos que promovem a resolução dos litígios.
 
FIGURA 1
Sujeitos 
processuais
FONTE
Elaborada pela 
autora (2021)
Fundamentos do Direito Normas jurídicas, processos e procedimento Capítulo 3
É muito comum que nessa etapa da disciplina os alunos se questionem sobre a estrutura 
do judiciário, sobre como é escolhido o juiz que julgará o caso e será sobre isso que 
vamos aprender agora.
O Poder Judiciário brasileiro encontra-se organizado por meio das competências 
que integram os âmbitos estaduais e federais. Toda a matéria relativa à organização 
encontra-se tipificada no artigo 92 da Constituição.
O primeiro órgão integrante do Poder Judiciário é o Supremo Tribunal Federal (STF). 
O STF é órgão máximo do judiciário e guardião da Constituição. Ele é composto por 
onze ministros que devem ser reconhecidos pelo seu amplo saber jurídico e por sua 
reputação ilibada. O STF é denominado de guardião da Constituição, pois cabe a ele 
julgar as ações relativas a assuntos constitucionais. O presidente do STF é eleito pelos 
próprios ministros e tem um mandato de dois anos.
O segundo órgão integrante do Poder Judiciário é o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). 
O CNJ é o responsável pelo controle dos atos administrativos e financeiros de todos os 
órgãos integrantes do Poder Judiciário, além de ser o responsável por supervisionar e 
fiscalizar as atividades de seus integrantes.
Seguindo, temos o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Esse órgão é o composto 
por 33 ministros e consiste na última instância de julgamento do Brasil de crimes 
infraconstitucionais, ou seja, que não sejam de competência do STF. Cabe ao STJ, entre 
outras coisas, a homologação de sentenças estrangeiras.
Temos, no âmbito superior, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que figura como última 
instância no julgamento de causas de Direito Eleitoral, principalmente relacionadas aos 
direitos políticos da população. O TSE é composto por sete membros, sendo que três 
deles são escolhidos por meio de votação entre os ministros do STF; dois, entre os do STJ; 
e os outros dois são nomeados pelo presidente da República.
Assim como o TSE está para o Direito Eleitoral, integra o Poder Judiciário o Tribunal 
Superior do Trabalho, cuja função é apreciar em última instância os casos relacionados 
com o Direito do Trabalho.
Fundamentos do Direito Normas jurídicas, processos e procedimento Capítulo 3
Compõem esse tribunal vinte e sete ministros, que são nomeados pelo Presidente da 
República.
Também integra o Poder Judiciário em sede superior o Tribunal Superior Militar (TSM), 
que é a mais antiga corte do país, especializado no julgamento de casos envolvendo a 
Marinha, a Aeronáutica e o Exército. O TSM é composto por quinze ministros, sendo eles 
três ministros são da Marinha, quatro do Exército e três da Aeronáutica, os outros cinco 
são civis.
Você Sabia?
Os tribunais superiores ficam todos localizados em Brasília, no Distrito 
Federal.
Os tribunais regionais integram a segunda instância e podem ser divididos de acordo 
com a competência.
Os Tribunais Regionais do Trabalho (TRT) integram a justiça do trabalho no Brasil, 
juntamente com as varas do trabalho e o Superior Tribunal do Trabalho (TST). Existem 
atualmente no Brasil 24 tribunais regionais, distribuídos nos estados da federação por 
região, sendo que o estado de São Paulo é o único que conta com dois tribunais.
Os Tribunais Regionais Eleitorais (TRE) estão presentes em cada um dos estados brasileiros 
e, juntamente com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), integram a justiça eleitoral. Os TREs 
são compostos por sete julgadores: dois desembargadores do Tribunal de Justiça; um 
juiz do Tribunal Regional Federal, dois juízes de direito e dois advogados indicados pelo 
Tribunal de Justiça.
Os Tribunais de Justiça integram a segunda instância e são os responsáveis por decidirem 
os processos em grau de recurso, após o julgamento do juiz singular. Eles podem ser 
estaduais ou federais, a depender da matéria de julgamento.
Por fim, integra o Poder Judiciário os Juízes Singulares, magistrados que devem ser 
aprovados em concurso público que integram o juízo de primeira instância. Esses 
Fundamentos do Direito Normas jurídicas, processos e procedimento Capítulo 3
magistrados são os responsáveis, via de regra, a decidirem primeiro os casos. Integram a 
categoria de juízes singulares os juízes estaduais, federais, do trabalho, eleitoral e militar.
Esses órgãos foram estabelecidos justamente com o objetivo de garantir a imparcialidade 
dos processos, de modo que qualquer pessoa que ingresse com um processo no Poder 
Judiciário hoje pode recorrer às três instâncias.
Saiba Mais
Quer se aprofundar neste tema? Que tal uma leitura rápida à Constituição, 
principalmente no Capítulo 3? Acesse e confira no link: https://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
Resumindo
E então? Gostou de tudo até aqui? Agora, só para termos certeza de 
que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos 
resumir tudo o que vimos. Iniciou esse capítulo aprendendo retomando os 
ensinamentos sobre as normas jurídicas como fontes formais objetivas do 
direito e descobrindo suas classificações: generalidade, abstratividade, 
bilateralidade, imperatividade, coercitividade e heteronomia. Além disso, 
aprendemos que as normas jurídicas podem ser municipais, estaduais 
ou federais, a depender do assunto sobre o que elas tratam. Aprendemos 
nessa unidade sobre a hierarquia das normas e a importância da 
Constituição perante as demais normas, além de conhecermos a 
diferença entre leis ordinárias, complementares e delegadas. Por fim, 
aprendemos a importância dos decretos legislativos e resoluções, além 
dos negócios jurídicos. Nesse capítulo você foi apresentado ao processo 
legislativo, de todo o caminho percorrido por um projeto de lei até que ele 
se torne uma lei em vigor. Por fim, aprendeu a diferença entre processo e 
procedimento e pode conhecer a estrutura do poder judiciário brasileiro.
@faculdadelibano_
4
Teoria Geral do 
Estado
Fundamentos do Direito Capítulo 4
Teoria Geral do Estado
Objetivos
Agora que você já aprendeu o que é o direito, seus conceitos, suas áreas, 
suas fontes, seus ramos, iremos trabalhar neste capítulo noções básicas 
sobre a Teoria Geral do Estado, abordando suas formas de organização 
e seus regimes políticos. Preparados para nosso quarto e último capítulo 
desta unidade?
Conceito e evolução história do Estado
O Estado consiste na organização política e jurídica de uma sociedade. De maneira 
sintetizada, constitui Estado uma ordem jurídica soberana que objetiva o bem de um 
povo situado em determinado território. A partir desse conceito, podemos concluir que 
são elementos constitutivos do Estado o povo, o território e um governo soberano.
Nota
Cuidado para não confundir o conceito de Estado com o de estados-
membros. Pense em Estado como o Brasil e estados como Rio de Janeiro, 
São Paulo, Minas Gerais, por exemplo.
O primeiro registro de Estado existente na sociedade é o denominado Estado Antigo 
surgiram nas antigas civilizações. Na época não havia muita distinção sobre a família, 
o Estado e, portanto, o pensamento político da época era um misto de moral, filosofia e 
religião.
Esse período foi marcado pela unidade do Estado (não havia divisões entre estados 
e municípios) e o domínio da religiosidade, esta última utilizada como instrumento de 
coação e modo de agir, sob alegação de ser “a vontade de Deus.
Fundamentos do Direito Teoria Geral do Estado Capítulo 4
Seguindo a linha do tempo, tem-se como evolução do Estado Antigo o Estado Grego, 
cujas características eram o fortalecimento do Estado e o aumento da participação das 
pessoas na organização deste. Surge nessa época o conceito de cidades bem como se 
valorizao pensamento de filósofos e cientistas.
É no Estado Grego que surgem as primeiras noções do que é a democracia e a sociedade 
política, denominada de polis.
A seguir surge o Estado Romano, cuja base organizacional do Estado eram as civitas, 
formadas por grupos familiares que possuíam privilégios e eram considerados os 
herdeiros e descendentes do próprio Estado.
O Estado Romano foi marcado pela forte presença do cristianismo e onde surgiram os 
primeiros registros da figura do Magistrado para a resolução de conflitos do povo.
Já na era medieval passou a vigorar o Estado Medieval, considerado por muitos um 
Estado cruel e desigual e, por outros, um importante período de transformação.
Essa era sofreu uma forte influência do cristianismo e do feudalismo e foi marcada por 
conflitos entre os imperadores e papas da época, que viriam a acabar com o surgimento 
do Estado Moderno.
Dos conflitos e batalhas travadas na Idade Média surge o Estado Absolutista, cujas 
principais características era o poder soberano e generalizado concentrado nas mãos 
do monarca.
Essa forma de Estado foi construída a partir das ameaças que a Igreja Católica vinha 
sofrendo na época por conta do surgimento do liberalismo religioso e da filosofia 
racionalista que passou a questionar atos da Igreja na época.
Fadado ao fracasso por conta da exagerada forma de controle social adotada pelo 
Absolutismo, surge a figura do Estado Moderno, época em que os senhores feudais 
passaram a questionar as exigências dos monarcas da época que cada vez impunham 
o aumento de tributos para custearem seus luxos e patrocinarem guerras enquanto a 
população vivia em situação miserável.
Fundamentos do Direito Teoria Geral do Estado Capítulo 4
O despertar do povo fez com que buscassem a unidade de um poder soberano, supremo, 
em prol da coletividade. É no Estado Moderno que surgem os primeiros elementos 
essenciais do Estado.
Ainda sobre a evolução das formas de Estado cumpre destacar o Estado Liberal. Guiado 
pelas regras do direito natural, essa forma de Estado valoriza o pensamento racional e 
político do homem. Podendo variar a forma de governo como monarquia ou república, o 
Estado Liberal passou a traduzir os ideais presentes nas revoluções francesas, americanas 
e inglesas, trazendo a soberania nacional, o regime constitucional assegurado pela 
supremacia da lei, a tripartição dos poderes, a separação do direito em público e privado, 
a laicidade do Estado e a liberdade do homem, a não intervenção do poder público na 
esfera privada, entre outros.
Apesar de tentador, após o histórico de autoritarismo e desigualdade vivido ao longo da 
história, o Estado Liberal passou a ser um ideal a ser alcançado e não uma realidade, 
tendo em vista os problemas vividos na sociedade da época que não eram compatíveis 
com essa forma de Estado. Surge, portanto, o Estado Constitucional, cujas raízes são fruto 
da queda do sistema político medieval, marcado por sua crueldade e desigualdade.
Influenciado pelo jusnaturalismo, o Estado Constitucional privilegia a soberania do 
indivíduo, condena o absolutismo monárquico, lutando pela limitação do poder dos 
governantes e valoriza o racionalismo político.
Fruto da luta da sociedade pela queda dos regimes autoritários, o Estado Constitucional 
consagra a Constituição como a legislação soberana e absoluta que consagre o 
interesse de todo o povo, devendo conjugar os valores individuais e sociais do próprio 
povo. Pode-se dizer que o Estado Constitucional foi um marco na conquista de direitos 
e deveres da sociedade.
 
Elementos do Estado
Ao nos referirmos aos elementos do Estado estamos tratando do conjunto de requisitos 
essenciais para a existência do Estado. Esses elementos consistem no povo, território e 
soberania, os quais trataremos mais detalhadamente a seguir.
Fundamentos do Direito Teoria Geral do Estado Capítulo 4
Povo
O povo consiste no conjunto humano de uma ordem estatal sujeito às mesmas leis. Para 
fazer parte do povo é preciso que esse conjunto humano exerça a cidadania, ou seja, 
que tenha participação política ativa no Estado. O povo é a entidade jurídica do Estado.
O conceito de povo não se confunde com o conceito de população. Enquanto o povo 
consiste no conjunto de cidadãos de um Estado, a população é a soma aritmética 
dos habitantes que vivem dentro de uma fronteira, respeitando as mesmas leis de um 
determinado país (Estado).
FIGURA 8
População
FONTE
Pixabay
Já a cidadania, mencionada como elemento essencial a ser exercido pelo povo, consiste 
na participação ativa civil e política de todos os atos praticados pelo Estado.
 
Relacionado com esse elemento estatal, é importante definirmos o que se entende por 
nação. A nação consiste no conjunto de pessoas reunidas por um interesse e ideais em 
comum.
A nação é uma entidade histórica e é formada por um conjunto de pessoas que se 
encontram ligadas por vínculos que podem ser de sangue, idioma, religião. A nação é o 
elemento moral do Estado e não é sinônimo de Estado.
Fundamentos do Direito Teoria Geral do Estado Capítulo 4
EXEMPLO:
A nação coreana está separada entre a República da Coreia (Coreia do Sul) e a República 
Democrática Popular da Coreia (Coreia do Norte).
Ainda sobre a população, o critério raça constitui caráter exclusivamente biológico e 
antropológico, irrelevante para o Estado.
Território
O território, segundo elemento essencial do Estado, está ligado à geografia de um Estado, 
onde sua ordem jurídica é validada e exercida. Dessa forma, consiste na base física do 
Estado e não se confunde com o povo e a nação.
O conceito de território não se confunde com o de fronteira, pois enquanto o território 
consiste na área pertencente a um Estado. A fronteira está relacionada com os limites 
do território, suas bordas, ou seja, uma linha que delimita a área entre dois ou mais 
territórios.
Um exemplo de fronteira interessante é o existente na cidade de Foz do Iguaçu, que 
reúne as fronteiras dos países Brasil, Argentina e Paraguai.
FIGURA 9
Território e fronteiras
FONTE
Wikimedia
Fundamentos do Direito Teoria Geral do Estado Capítulo 4
Soberania
 
A soberania consiste no poder do Estado e pode se manifestar tanto interna quanto 
externamente. Internamente, a soberania se manifesta por meio da criação de leis, por 
exemplo, e de forma externa por meio de acordos entre os Estados. Segundo a escola 
clássica, possui as seguintes características:
a. Una – exercida por somente uma autoridade, não podendo existir mais de uma 
autoridade soberana dentro do mesmo território.
b. Indivisível – o poder conferido ao Estado permite a delegação de funções ou a 
repartição de algumas competências, mas jamais a divisão do poder conferido a 
alguém.
c. Inalienável – a soberania não permite que a autoridade que a detém comercialize 
seus bens, pois a propriedade dos bens do Estado pertence ao povo.
d. Imprescritível – a soberania não pode ter “prazo de validade” devendo nascer 
definitivamente junto com o estado.
 
A soberania não é absoluta e é limitada pelos princípios oriundos do direito natural bem 
como dos costumes de modo a permitir um convívio pacífico dos povos.
Formas de Governo
O Governo, na estrutura estatal, consiste no conjunto de funções necessárias para 
manter a ordem jurídica de um Estado e administrar os bens públicos. Conforme vimos 
a partir da trajetória histórica dos Estados, existem diferentes as formas de governo, as 
quais detalharemos pormenorizadamente a seguir.
Para fins didáticos, adotaremos a classificação de Aristóteles, que separou as formas de 
governo como em puras ou impuras (baseando-se no critério moral) e quanto ao número 
de governantes. Para tanto, seriam formas puras de governo a monarquia (governo de 
um só), aristocracia (governo de vários) e democracia (governo do povo). As formas 
impuras de governo são a tirania (corrupção da monarquia), oligarquia (corrupção da 
aristocracia) e demagogia (corrupção da democracia).
Fundamentos do Direito Teoria Geraldo Estado Capítulo 4
A monarquia consiste em uma forma de governo cujo poder é concentrado nas mãos 
do monarca. O cargo de monarca é vitalício, ou seja, só será extinto com a morte e diante 
da morte, o próximo monarca a assumir o cargo deverá seguir a linha de sucessão. As 
críticas que se fazem a esse regime de governo estão relacionadas com o fato de que 
o futuro de um Estado não pode estar atrelado aos interesses de uma família, além do 
fato de ser um regime antidemocrático, ou seja, não há nenhuma participação do povo 
nas decisões do governo.
EXEMPLO:
Um exemplo de país que adota o regime da monarquia que prevalece até os dias atuais 
é a Inglaterra, comandada pela família real britânica composta pela rainha Elisabeth e 
seus familiares.
FIGURA 10
Família Real Britânica
FONTE
Wikimedia
Diante de tais críticas surge a república, forma de governo que se opõe à monarquia e 
aproxima-se da democracia. Sua origem foi marcada pelas lutas em prol da soberania 
popular. Suas características principais são a duração do mandato, que é por tempo 
limitado, a eletividade do chefe de Estado que é feita pelo povo e a responsabilidade do 
chefe de Estado por suas ações nas esferas civil e penal. A república pode ser dividida 
em aristocracia, que é quando uma classe privilegiada por direitos de nascimento ou 
conquista é a responsável pela administração pública, ou pela democracia, forma de 
governo em que todo o poder emana do povo.
Fundamentos do Direito Teoria Geral do Estado Capítulo 4
A democracia é o regime de governo que vigora no Brasil desde a Proclamação da 
República em 1889. A palavra democracia tem origem grega e significa que o poder 
emana do povo. A democracia surge no Estado Moderno e consiste em um regime 
político que o poder é do povo e exercido em prol dos interesses da coletividade, os 
mandatos são temporários e eletivos e a ordem pública é baseada na Constituição 
suprema e na tripartição dos poderes (executivo, legislativo e judiciário). Além disso, há 
pluralidade de partidos políticos, respeito aos direitos fundamentais, é assegurada a 
supremacia da lei e há responsabilidade dos governantes por seus atos.
 
Os mecanismos de participação do povo na democracia são o sufrágio universal (voto 
direito, secreto e de igual valor para todos), o plesbicito (os eleitores decidirem os destinos 
da sociedade – possui efeito vinculante), referendo (possui a função de confirmar – ou 
não – um ato de governo) e a iniciativa popular (poder de propor determinado projeto 
de lei).
A democracia é o regime político adotado pelo Brasil.
As eleições brasileiras acontecem em todo ano par, e é o meio utilizado para eleger 
prefeitos, vereadores, deputados, governadores, senadores e o presidente da república.
A urna eletrônica é o meio utilizado pelos brasileiros, sendo destaque ao redor do mundo 
por conta de se tratar de um mecanismo desenvolvido aqui no Brasil.
FIGURA 11
Urna eletrônica brasileira
FONTE
Wikimedia
Fundamentos do Direito Teoria Geral do Estado Capítulo 4
Saiba Mais
Gostou desse assunto? Recomendamos a leitura do seguinte material 
para se aprofundar um pouco mais sobre esse tema: CABRAL, João 
Francisco Pereira. “Os Regimes políticos e as Formas de governo segundo 
Aristóteles “; Brasil Escola. Disponível no link: https://brasilescola.uol.
com.br/filosofia/os-regimes-politicos-as-formas-governo-segundo-
aristoteles.htm
Ainda sobre o tema democracia, sugerimos a leitura do artigo a seguir 
caso você queira aprender um pouco mais sobre a evolução da 
democracia no Brasil. 
“Uma história política da transição brasileira: da ditadura militar à 
democracia” (Adriano Nervo Codato). Disponível no link: https://www.scielo.
br/j/rsocp/a/yMwgJMTKNWTwGqYTZMZcPhM/?format=pdf&lang=pt
Resumindo
Nesse capítulo você foi apresentado à Teoria Geral do Estado. Iniciamos 
o capítulo aprendendo sobre o conceito e a evolução histórica do 
Estado, desde o Estado Antigo até o Estado Moderno, passando pelos 
Estados Gregos, Romano e Medieval. Além disso, trabalhamos os 
elementos do Estado, povo, território e soberania, e as formas de governo 
existentes ao longo da história como a monarquia, aristocracia e, em 
especial, a democracia, forma de governo à qual prevalece no Brasil. 
Por fim, aprendemos sobre os mecanismos de participação do povo 
na democracia, como o sufrágio universal, o plebiscito, referendo e a 
iniciativa popular.
Fundamentos do Direito
Referências
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. 
Brasília, DF: Presidência da República, [1988]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/constituicao/ constituicao.htm Acesso em: 20 jan. 2020.
DINIZ, M.H. Curso de Direito Civil Brasileiro. Saraiva: São Paulo, 2016.
DIREITO. In: DICIONÁRIO da língua portuguesa. Lisboa: Priberam Informática, 1998. Disponível 
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