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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Unidade 1
Desenvolvimento sustentável e tecnologias limpas
Aula 1
Introdução às tecnologias limpas
Introdução
Você já parou para pensar na relação entre as atividades humanas e o meio ambiente?
Dependemos dos recursos naturais para a obtenção de alimentos, produtos, processos
industriais, entre tantas outras necessidades. Entretanto, o meio ambiente, que nos fornece
materiais e energia tão fundamentais para a humanidade, também é impactado pelo crescimento
desenfreado das cidades e pela geração dos diversos tipos de poluição. E como resolver isso? É
nesse momento que surgem as inovações tecnológicas, que são criadas para compatibilizar as
atividades humanas com boas práticas ambientais.
Nesta aula, você entenderá os principais impactos ambientais antrópicos, bem como os
conceitos relacionados a tecnologias limpas, as quais são ferramentas técnicas que podem ser
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
utilizadas em ambientes empresariais para garantir o uso coerente dos recursos naturais. Não
deixe de pesquisar acerca da temática e aprofundar seu conhecimento. Bons estudos! 
Toda atividade humana gera impacto ambiental?
O processo de ocupação antrópica, acelerado principalmente a partir da revolução industrial,
mudou drasticamente a relação do ser humano com o meio ambiente, uma vez que as pessoas
passaram a se concentrar nas cidades, que começaram a contemplar inúmeras atividades
humanas, inclusive as indústrias. 
Diante desse cenário, os recursos naturais contribuíram para a expansão de núcleos urbanos,
visto que a facilidade de acesso à água era uma variável valorizada para a ocupação de novos
territórios. Entretanto, todo esse uso intensivo acarretou uma alteração de inúmeros
ecossistemas, desencadeando o que conhecemos como impactos ambientais. Mas, a�nal, o que
signi�ca esse conceito? 
De acordo com Sanchez (2008), impacto ambiental é todo o processo antrópico que pode alterar
a dinâmica de um ambiente natural. Se considerarmos as indústrias, por exemplo, quando estas
não controlam seus passivos ambientais, podem ocasionar alteração da qualidade do ar,
contaminação do solo e da água, entre tantas outras alterações malé�cas para o meio. 
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Outro conceito relacionado a esses impactos é o aspecto ambiental. Você sabe o que isso
signi�ca? Aspecto ambiental é o elemento que, ao ser inserido no meio, poderá ocasionar
impactos. Ficou confuso? Imagine o cenário da emissão atmosférica, na qual uma empresa
lança poluentes no meio. Tais elementos poderão interagir com os gases da superfície, alterando
as características desse espaço. Assim, a poluição seria o aspecto ambiental e, em
contrapartida, a alteração da qualidade do ar seria o impacto (Figura 1).
Figura 1 | Exemplo de aspecto e impacto ambiental. Fonte: adaptada de PxHere.
Mas será que um aspecto ambiental está associado a apenas um impacto ambiental? Não, pois
a inserção de um elemento no meio pode gerar inúmeras interações. Dessa forma, é possível
entender que vários impactos ambientais poderão ser gerados a partir de um único aspecto. E
todo impacto ambiental é negativo? Pense em uma indústria que se instalará em uma cidade.
Nesse cenário, teremos a alteração da qualidade do solo por conta da impermeabilização da
estrutura industrial, bem como os próprios impactos provenientes da poluição, porém a empresa
poderá contratar pessoas, movimentar a economia, ou seja, gerar impactos positivos.
Interessante, não?
Com todos os conceitos apresentados, justi�ca-se a necessidade da adequação ambiental em
organizações para que estas não gerem ou até mesmo controlem seus passivos ambientais, não
é mesmo? E como isso pode ser feito? É nesse cenário que surgem as tecnologias limpas, que
são entendidas como práticas que podem ser incorporadas nas organizações com o intuito de
diminuir o uso de recursos naturais ou a geração de passivos ambientais. Com isso, é possível
minimizar a geração de resíduos sólidos, economizar água e energia elétrica ou até mesmo
mitigar o impacto dos e�uentes industriais em corpos hídricos.
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
De acordo com Gomes (2020), vale ressaltar que o uso de tecnologias limpas não busca barrar o
desenvolvimento econômico, mas sim diminuir o uso de recursos naturais ou compatibilizar os
passivos de uma organização, de modo a garantir a sustentabilidade empresarial. A
implementação de inovações tecnológicas tende, inclusive, a diminuir os custos em processos,
angariando benefícios econômicos para a organização. 
O entendimento do conceito de aspecto e impacto ambiental atrelado a tecnologias limpas
poderá estar associado a uma possível atuação pro�ssional, por isso não deixe de aplicar esse
conhecimento no seu cotidiano! Bons estudos!
Qual a relação entre tecnologias limpas e impactos ambientais?
Vivemos em uma sociedade na qual o consumo em excesso é incentivado pelo próprio sistema.
Ocorre uma larga produção de bens de consumo, os quais possuem obsolescência programada,
ou seja, em um curto espaço de tempo são substituídos por aparelhos mais novos e
tecnológicos. 
Mas você consegue imaginar um mundo sem os processos industriais? Difícil, não? Precisamos
das empresas para a transformação de recursos em produtos. Entretanto, tais processos
desencadeiam impactos ambientais. Diante de tantas catástrofes ambientais, é crescente a
demanda pela adequação ambiental das organizações, as quais devem buscar compatibilizar
suas atividades com boas práticas ambientais. 
Para tanto, a empresa precisa conhecer suas especi�cidades, a�nal os impactos ambientais são
ocasionados pelos aspectos que ela produz. Por exemplo, uma indústria têxtil terá como aspecto
ambiental relevante a geração de e�uentes industriais com alto teor de corantes com
características tóxicas, já uma indústria alimentícia também poderá gerar e�uentes, porém esse
passivo terá características distintas, com tendência de possuir alto teor de matéria orgânica
(Figura 2). Interessante, não? 
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Figura 2 | Principais aspectos e impactos ambientais relacionados às atividades industriais. Fonte: adaptada de Pixabay.
Observa-se o crescimento da aplicação de tecnologias limpas, as quais contribuem com
inúmeros setores do ambiente industrial. Muitas vezes, ocorre a tendência de acreditarmos que
as inovações tecnológicas estão distantes do nosso dia a dia, porém, se pensarmos, por
exemplo, no crescimento da energia fotovoltaica residencial, já é possível concluir que tais
estratégias estão mais viáveis do que se imagina. 
Nesse contexto, inúmeras são as iniciativas que também podem ser aplicadas em ambientes
empresariais, como o uso de sensores para identi�car vazamentos em tubulações,
equipamentos que permitam o reúso da água ou que tratem poluentes atmosféricos e até
mesmo a utilização de fontes de energias limpas (Figura 3). 
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Figura 3 | Exemplos de tecnologias limpas que podem ser incorporadas no ambiente empresarial e também em residências.
Fonte: elaborada pela autora.
Diante disso, de acordo com Pinheiro (2014), os objetivos das tecnologias limpas estão pautados
na criação de produtos e processos com maior e�ciência e economia dos recursos naturais, na
diminuição do uso de combustíveis fósseis atrelado ao aumento da participação de energias
renováveis e na redução do consumo dos recursos naturais, de modo a promover a
sustentabilidade empresarial. 
Mas será que isso é viável economicamente? De acordo com dados da World Resources Institute
(LAYKE; HUTCHINSON, 2020), o investimento em inovações tecnológicas pautadas, por exemplo,
em energias limpas pode gerar um retorno econômico três a oito vezes maior do que as fontes
fósseis, tendo como outro aspecto positivo a menor variabilidade do preço de mercado,
diferentemente das fontes fósseis, que variam de acordo com o preço do petróleo.mitigar isso, a implementação de tecnologias limpas pautadas no tratamento de emissões
atmosféricas deve ser considerada. Dentre as tecnologias, tem-se: lavadores de gases (lavador
Venturi), ciclones ou outras estratégias que visem tratar as emissões atmosféricas e diminuir seu
teor de contaminação para cumprir a legislação ambiental vigente. 
A geração de e�uentes também é outro aspecto que, apesar de ocorrer em menor intensidade,
caso não for tratada, poderá ocasionar a contaminação de corpos d’água. Nesse sentido,
tecnologias de tratamento de e�uentes, tais como biorreatores ou lagoas de estabilização,
podem ser incorporadas. 
A água consumida no processo pode ser recirculada por meio da estratégia de reúso. Dessa
forma, é possível economizar o recurso natural e também diminuir o valor pago pela organização
por esse elemento. 
Os ruídos podem ser tratados a partir de cortinas verdes, que basicamente são compostas de
uma vegetação apropriada plantada no entorno do empreendimento. Tal estratégia, além de
funcionar como barreira física para o ruído, também contribui para a melhoria da qualidade do
ar. 
Essas são algumas soluções pautadas em tecnologias limpas que podem ser incorporadas no
processo. No entanto, inúmeras outras podem ser pensadas a partir do contexto proposto. 
Por �m, para responder sobre a recerti�cação do sistema de gestão ambiental da empresa, é
importante que você explique que a ISO 14001/2015 possui, em seu termo de referência, o
diagnóstico da situação ambiental, o qual, a partir do levantamento dos aspectos e impactos
ambientais, propõe melhorias para tratar os impactos mais signi�cativos. Assim, se todos os
passivos ambientais forem tratados, a implementação do incinerador não prejudicará a
recerti�cação. 
Além disso, vale ressaltar a importância de estudos de viabilidade econômica, os quais devem
considerar o investimento para o tratamento dos passivos ambientais gerados. Somente dessa
forma será possível concluir a viabilidade técnica, econômica e ambiental desse
empreendimento. 
Resumo visual
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Vamos revisar o que foi visto na unidade?
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E como implementar tudo isso nas empresas?
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Referências
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ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10004:2004: resíduos sólidos:
classi�cação. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14001:2015: sistemas de gestão
ambiental: requisitos e orientações para uso. Rio de Janeiro: ABNT, 2015.
,
Unidade 2
Ecologia industrial
Aula 1
Ecologia Industrial
Introdução
As questões ambientais estão cada vez mais alinhadas com os novos modelos de produção. O
setor industrial vem sofrendo uma forte transformação com a mudança de pensamento acerca
dos recursos naturais, que passaram a ser compreendidos como recursos �nitos. A escassez
desses recursos impacta diretamente os processos de produção e a manutenção da vida no
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planeta Terra. Diante disso, a ecologia industrial surge como uma nova forma de produção, a �m
de aproximar os atuais processos industriais dos sistemas naturais e alinhá-los com o estudo da
gestão ambiental, assumindo, assim, um papel de protagonismo no setor industrial.
Nesse contexto, conhecer e ser capaz de identi�car e analisar os principais fundamentos
relacionados à ecologia industrial, bem como as questões de desenvolvimento sustentável,
tecnologias limpas e produção mais limpa, é fundamental para os novos pro�ssionais. Para isso,
aprofunde os seus conhecimentos com o nosso material. Bons estudos!
Características gerais da ecologia industrial
Ao falarmos sobre ecologia industrial, é comum encontrarmos uma certa resistência do público
em geral pelo pensamento de que ecologia e indústria não se relacionam e encontram-se em
lados opostos, uma vez que o setor industrial é considerado um dos maiores responsáveis pela
geração de grandes impactos ambientais. No entanto, se compararmos os processos industriais
com o funcionamento dos ecossistemas, é possível perceber semelhanças, como a organização
dos �uxos de energia e transformações de energia e matéria (MELLO, 2016). A compreensão e a
aplicação do que pode ser aprendido com os sistemas naturais nos ajudam a projetar sistemas
industriais mais sustentáveis. Assim, por meio do termo ecologia industrial, �ca estabelecida a
analogia entre esses dois sistemas. 
Dessa maneira, a ecologia industrial é um conceito que tem por objetivo promover uma inter-
relação entre o setor industrial e o meio ambiente, de forma que todos os processos industriais,
desde a extração da matéria-prima, perpassando pelo produto �nal até o descarte, estejam em
conformidade com a visão de sustentabilidade. Gro Harlem Brundtland (1987, p. 46) explica que
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
“Desenvolvimento sustentável signi�ca suprir as necessidades do presente sem afetar a
habilidade das gerações futuras de suprirem as próprias necessidades”. Mesmo sendo um
conceito formulado há mais de três décadas, tivemos que enfrentar grandes catástrofes
ambientais para, de fato, começarmos a implementá-lo. 
Assim como o conceito de sustentabilidade, a de�nição de ecologia industrial já está presente na
literatura há décadas. Robert Frosch e Nicholas Gallopoulos são considerados grandes nomes na
construção do conceito de ecologia industrial. De acordo com esses autores, 
Um ecossistema industrial é a transformação do modelo tradicional de atividade
industrial, no qual cada fábrica, individualmente, demanda matérias-primas e gera
produtos a serem vendidos e resíduos a serem depositados, para um sistema mais
integrado, no qual o consumo de energia e materiais é otimizado e os e�uentes de um
processo servem como matéria-prima de outro. (FROSCH; GALLOPOULOS, 1989, p.
144).
O centro da ecologia industrial é o estudo do metabolismo industrial. Esse processo busca
compreender o funcionamento das interligações entre os processos das cadeias de produtos e a
troca de material e energia com o meio ambiente. O metabolismo industrial caracteriza-se por
trocas físicas minimizadas com o meio ambiente, com os ciclos de materiais internos sendo
impulsionados por �uxos de energia renovável (BOURG; ERKMAN; CHIRAC, 2017).
O sucesso da ecologia industrial está diretamente relacionado à transformação dos sistemas
industriais lineares em sistemas cíclicos. O sistema linear, sistema tipo I (Figura 1A), é
considerado o modelo de produção clássico desde a revolução industrial, caracterizado pela
impressão de recursos naturais ilimitados e pela capacidade in�nita do planeta de absorver os
resíduos. Nesse sistema de produção, resíduos e subprodutos não são reciclados, logo não pode
ser considerado um processo sustentável. 
Já os sistemas cíclicos podem ser de dois tipos. O tipo II (Figura 1B) representa a maioria dos
processos de produção atuais, em que parte dos resíduos retorna para o sistema de produção,
mas uma parcela, ainda que pequena, é deixada como resíduo, possuindo uma certa
dependência de recurso, ainda considerado não sustentável. O sistema do tipo III (Figura 1C)
caracteriza-se pela contínua reciclagem dos materiais, sem dependência de recursos e sem
geração de resíduos, tornando-se um ciclo fechado, dependente apenas da energia solar como
fonte de energia externa ao sistema, constituindo-se como um sistema altamente sustentável. 
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Figura 1 | Representação dos sistemas de produção linear e cíclicos: sistema tipo I (A), sistema tipo II (B) e sistema tipo III (C).
Fonte: Giannetti (2006, p. 49).
Princípios da ecologia industrial
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De acordo com Veiga (2007), a ecologia industrial estuda todasas operações do sistema
industrial a �m de reestruturá-lo, de forma que os processos industriais se tornem o mais
próximo possível de um sistema natural. Lowe (2001) elenca os princípios da ecologia industrial:
o princípio da conexão entre empresas individuais e ecossistemas industriais; o princípio do
equilíbrio entre as entradas e saídas dos sistemas de produção com as capacidades naturais do
ecossistema; e o princípio da reengenharia do uso industrial de energia e materiais (Figura 2).
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Figura 2 | Princípios da ecologia industrial. Fonte: adaptada de Lowe (2001, p. 33).
Mesmo tendo percorrido um longo caminho no conhecimento teórico, a ecologia industrial ainda
se apresenta de forma imatura na prática, reduzindo, assim, as oportunidades de o setor
industrial mudar o sistema clássico de produção em direção a um modelo de gestão ambiental
sustentável em coerência com políticas e legislações ambientais, objetivando o uso e�ciente dos
recursos naturais para uma sociedade sustentável (FRAGOMENI, 2005). 
Por meio da ecologia industrial, é possível otimizar o �uxo de materiais dentro do sistema de
produção para aumentar o aproveitamento e o balanceamento dos �uxos de entrada e saída, a
�m de que o equilíbrio ambiental não seja alterado.
Na legislação brasileira, a ecologia industrial está incorporada na Lei nº 12.305, de 2 de agosto
de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). O art. 7 da referida lei
determina os objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, como:
proteção da saúde pública e da qualidade ambiental; 
não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos
sólidos, bem como disposição �nal ambientalmente adequada dos rejeitos;
estímulo à adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e
serviços; 
adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias limpas como forma
de minimizar impactos ambientais;
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incentivo à indústria da reciclagem, tendo em vista fomentar o uso de matérias-
primas e insumos derivados de materiais recicláveis e reciclados. (BRASIL,
2010, [s. p.]).
Para além de uma mera conformidade legal, a mudança nos sistemas de produção aprimora o
desempenho econômico das empresas, possibilitando que a aplicação de tecnologias
relacionadas à ecologia industrial atraia investimentos tanto para os setores empresariais já
existentes quanto para novos empreendimentos, proporcionando, assim, a geração de novos
empregos e instalações industriais mais limpas. 
Os ecologistas industriais propõem que os sistemas industriais sustentáveis devem se
assemelhar mais a um ecossistema do que a uma máquina, afastando-se da �loso�a do design
industrial do século passado e buscando conexões entre objetivos e necessidades industriais,
sociais e ambientais, em colaboração com o governo, pesquisadores e cidadãos (LOWE, 2001). 
Ferramentas da ecologia industrial
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A ecologia industrial possui recursos para alcançar o nível de sistemas de produção fechados e,
consequentemente, estar em conformidade com o desenvolvimento sustentável (Figura 3). De
acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o consumo
sustentável é a base para uma melhor qualidade de vida e, nesse contexto, as ferramentas da
ecologia industrial representam um fator de suma importância para minimizar a exploração dos
recursos naturais, a geração de resíduos e a emissão de poluentes durante todo o ciclo de vida
do produto ou serviço (MMA, 2011).
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Figura 3 | Ferramentas da ecologia industrial. Fonte: elaborada pelo autor.
Ecoe�ciência
A ecoe�ciência permite uma maior produção com menor uso de matérias-primas como água e
energia. Está baseada nos princípios da rentabilidade econômica, compatibilidade ambiental e
justiça social. Os três fatores primordiais da ecoe�ciência são: ênfase na qualidade de vida, uma
visão do clico de vida e ecocapacidade (Figura 4).
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Figura 4 | Fatores primordiais da ecoe�ciência. Fonte: Britto (2003 apud TEXEIRA, 2005, p. 12).
A ecoe�ciência cria produtos e serviços mais úteis e reduzem progressivamente o consumo de
recursos e a poluição. Con�ra, a seguir, exemplos de práticas que podem tornar empresas mais
ecoe�cientes (Figura 5).
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Figura 5 | Práticas ecoe�cientes para empresas. Fonte: elaborada pelo autor.
O Museu do Amanhã, localizado na cidade do Rio de Janeiro, é considerado um exemplo de
construção ecoe�ciente. Algumas das práticas adotadas foram a implementação de placas de
energia solar que se movem de acordo com a trajetória do sol, melhorando a e�ciência da
captação da energia, e a utilização das águas da Baía de Guanabara como �uido de troca térmica
no trocador de calor do sistema de ar-condicionado por meio do bombeamento da água fria do
fundo da Baía. Assim, o consumo de energia elétrica e de água potável é reduzido no sistema de
refrigeração do museu (HOMERO, 2016).
Avaliação do ciclo de vida do produto (ACV)
A ACV é uma ferramenta que avalia o impacto ambiental gerado durante todas as fases de
produção de um produto, desde a aquisição de matéria-prima até o descarte. Até pouco tempo,
somente algumas pessoas se preocupavam em veri�car a procedência e o destino dos produtos
consumidos. Entretanto, esse pensamento vem se modi�cando e a preocupação para com as
questões ambientais tem aumentado. Essa mudança afeta signi�cativamente as indústrias, que
têm procurado otimizar seus processos de produção. 
Os principais objetivos da ACV são: veri�car todas as entradas e saídas do processo de
produção, identi�car como elas se relacionam entre si e com o meio ambiente e detectar quais
impactos ambientais, sociais e econômicos são gerados em toda a cadeia. A avaliação do ciclo
de vida de um produto está diretamente relacionada com os 6Rs da sustentabilidade: repensar,
repor, reparar, reduzir, reutilizar e reciclar (UNEP, 2007).
Simbiose industrial
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A simbiose industrial baseia-se na sinergia entre diferentes atividades produtivas por meio do
intercâmbio de resíduos, matéria-prima, energia e água, visando reduzir os impactos resultantes
das atividades industriais. Permite uma alta integração entre as empresas, na qual resíduos de
uma empresa passam a ser matéria-prima e fonte de energia para outra empresa (Quadro 1).
Quadro 1 | Resíduos industriais e seus novos usos. Fonte: elaborado pelo autor.
Produção mais limpa
O termo “produção mais limpa” foi introduzido em 1989 pelo Programa das Nações Unidas para
o Meio Ambiente (Unep), sendo de�nido como “a aplicação contínua de uma estratégia integrada
de prevenção ambiental a processos, produtos e serviços, para aumentar a e�ciência de
produção e reduzir os riscos para o ser humano e o ambiente” (GIANNETTI, 2006, p. 29).
Na próxima aula, abordaremos o termo de forma mais aprofundada. Até lá!
Videoaula: ecologia ambiental
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Este conteúdo é um vídeo!
Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no
aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet.
Nesta unidade, você aprofundou os seus conhecimentos sobre as características gerais da
ecologia industrial, além de aprender sobre alguns conceitos relacionados ao termo e sobre a
analogia da ecologia com a indústria. Você também conheceu os instrumentos da ecologia
industrial e estudou algumas de suas ferramentas. Con�ra, no vídeo a seguir, um resumo do que
aprendemos nesta aula sobre ecologia industrial.
Saiba mais
Sustentabilidade, inovação e tecnologia
Ao pensarmos em sustentabilidade, muitas vezes levamos em conta apenas o meio ambiente,
embora ela tenha trêspilares: econômico, social e ambiental. No vídeo indicado a seguir, Carlos
Piazza, especialista em sustentabilidade, esclarece esse e outros mitos que povoam o imaginário
a respeito da nova economia sustentável. 
https://youtu.be/0rz5uEh76kk
https://youtu.be/0rz5uEh76kk
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Referências
BOURG, D.; ERKMAN, S.; CHIRAC, P.J. Perspectives on industrial ecology. Londres: Routledge,
2017.
BRASIL. Lei nº 12.305 de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos;
altera a lei n.9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providencias. Diário O�cial da União,
Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 26 nov. 2021.
BRUNDTLAND, G. H. (Coord.). Relatório Brundtland: our common future. Nova York: United
Nations, 1987. Disponível em:
https://www.are.admin.ch/are/en/home/media/publications/sustainable-
development/brundtland-report.html. Acesso em: 2 dez. 2021.
FRAGOMENI, A. L. Parques industriais ecológicos como instrumento de planejamento e gestão
ambiental cooperativa. 2005. 122 f. Tese (Mestrado em Ciências em Planejamento Estratégico) –
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. Disponível em:
http://www.ppe.ufrj.br/images/publica%C3%A7%C3%B5es/mestrado/Ana_Luiza_Moura_Fragome
ni.pdf. Acesso em: 26 nov. 2021. 
FROSCH, R. A.; GALLOPOULOS, N. E. Strategies for manufacturing. Scienti�c American, v. 261, n
.3, p. 144-152,1989. Disponível em: https://doi.org/10.1038/scienti�camerican0989-144. Acesso
em: 2 dez. 2021.
GIANNETTI, B. F. Ecologia industrial. São Paulo: Blucher, 2006. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521215011/. Acesso em: 26 nov. 2021.
HOMERO, V. Rede Rio conecta o Museu do Amanhã. Faperj, 3 ago. 2016. Disponível em:
http://www.faperj.br/?id=3229.2.0. Acesso em: 2 dez. 2021.
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
LOWE, E. A. Eco-Industrial Park Handbook for Asian Developing Countries. Oakland, EUA: Indigo
Development, 2001.
MELLO, R. F. L. Ecologia industrial e sustentabilidade antropossocial. Educação em Foco, edição
8, p. 13-23, 2016. Disponível em: https://portal.unisepe.com.br/uni�a/wp-
content/uploads/sites/10001/2018/06/002_eco_industrial.pdf. Acesso em: 26 nov. 2021.
MMA. Ministério do Meio Ambiente. Plano de ação para produção e consumo sustentáveis:
subsídios para elaboração. Brasília: MMA, 2011. Disponível em:
https://antigo.mma.gov.br/images/arquivos/responsabilidade_socioambiental/producao_consu
mo/PPCS/PPCS_VolumeII.pdf. Acesso em: 28 nov. 2021.
TEXEIRA, M. G. Aplicação de conceitos da ecologia industrial para a produção de materiais
ecológicos: o exemplo do resíduo de madeira. 2005. 159 f. Dissertação (Mestrado em
Gerenciamento e Tecnologias Ambientais no Processo Produtivo) – Escola Politécnica,
Universidade Federal da Bahia, Bahia.
UNEP. United Nations Environmental Program. Life cycle management: a business guide to
sustainability. Paris: Unep, 2007. Disponível em:
https://wedocs.unep.org/bitstream/handle/20.500.11822/7894/DTI0889PA.pdf?
sequence=3&amp%3BisAllowed=. Acesso em: 02 dez. 2021.
VEIGA, L. B. E. Diretrizes para a implantação de um parque industrial ecológico: uma proposta
para o PIE de Paracambi, RJ. 2007. 233 f. Tese (Doutorado em Ciências em Planejamento
Energético) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
Aula 2
Produção mais limpa: conceitos e principais metodologias
Introdução
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Os processos de produção têm como �nalidade satisfazer as necessidades da sociedade. No
entanto, diversos impactos ambientais são gerados como resultado da produção e do descarte
de resíduos sólidos. Nesse sentido, a produção mais limpa – uma ferramenta da ecologia
industrial – tem a capacidade de transformar os processos de produção por meio da
implementação de estratégias que ajudam a minimizar os efeitos dos impactos ambientais.
Portanto, conhecer e ser capaz de identi�car e analisar os principais fundamentos relacionados à
produção mais limpa é fundamental para quali�car pro�ssionais na otimização do setor
industrial em concordância com o desenvolvimento sustentável. Aprofunde os seus
conhecimentos com o nosso material. Bons estudos!
Características gerais da produção mais limpa
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
A produção mais limpa, também conhecida pela sigla P+L, pode ser de�nida como uma
ferramenta que utiliza estratégias que possibilitam a maximização da produção, minimizando o
uso de recursos naturais, como água, energia e insumos em geral, além da redução ou
eliminação de produtos tóxicos. Trata-se de uma ferramenta ambiental preventiva para mitigar os
impactos ambientais visando melhorar a e�ciência, a produtividade e a competitividade das
empresas (UNEP, 2001). De acordo com o relatório Produção mais limpa e o consumo
sustentável na América Latina e Caribe (PNUMA, 2004), a produção mais limpa possui quatro
temas principais:
1. Uso e�ciente de água: implementação de ações que reduzam o consumo não consciente e
o desperdício de água e promovam o reúso dos e�uentes. 
2. Uso e�ciente de energia: implementação de ações que reduzam o consumo de energia e
promovam a utilização de fontes de energia renovável.
3. Minimização de resíduos sólidos: implementação de ações que diminuam a geração de
resíduos e promovam o reúso, a reciclagem e a redução do uso de embalagens. 
4. Minimização de poluentes atmosféricos: implementação de ações que promovam a
redução das emissões nas fontes, bem como o uso de combustíveis mais limpos.
É importante ressaltar que a P+L não tem o tratamento de resíduos como prioridade, mas
direciona o foco à prevenção para que eles não sejam gerados. A P+L atua de forma diferente da
maioria dos programas de gestão ambiental tradicionais, que se concentram principalmente no
tratamento dos resíduos e emissões gerados durante o processo produtivo, conhecido como
“produção �m-de-tubo”. No Quadro 1, a seguir, podemos observar uma síntese das principais
diferenças entre a produção mais limpa e a “produção �m-de-tubo”. Enquanto a última se dedica
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à solução do problema sem questioná-lo, na primeira é feito um estudo direcionado às causas da
geração do resíduo e ao entendimento desses agentes.
Quadro 1 | Produção �m-de-tubo e Produção mais limpa: diferenças. Fonte: CNTL (2003, p. 12).
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Lowe (2001) apresenta cinco instrumentos que, por meio de políticas governamentais, podem
moldar o comportamento ambiental da indústria com a aplicação da produção mais limpa:
Regulação: liberação de licenças de funcionamento para empresas somente mediante o
cumprimento das normas ambientais e, caso não as obedeçam, as empresas estarão
sujeitas a penalidades �nanceiras ou criminais.
Programas voluntários: incentivo à aplicação da produção mais limpa pelas empresas de
forma voluntária, mantendo um diálogo interativo com as organizações, enfatizando o
compartilhamento e a disseminação de informações e experiências. 
Instrumentos baseados no mercado: utilização de variáveis econômicas, como redução de
impostos e tarifas, subsídios e outros métodos semelhantes para levar as empresas em
direção a decisões ambientalmente bené�cas.
Transparência: disseminação de relatórios ambientais sobre os perigos dos poluentes e
divulgação pública dos relatórios de impactos ambientais das empresas para gerar pressão
pública sobre as organizações.
Informação e educação: investir na educação com a intenção de criar consciência sobre os
riscos dos poluentes para a saúde humana e o meio ambiente.
A importância da ação governamental por meio de políticas públicas voltadas para a P+L se dá
no sentido de que muitas empresas apenas modi�cam os seus sistemas de produção para estar
em conformidade com a legislação. Não há um real compromisso com as questões ambientais
pormeio da conscientização. Nesse sentido, os instrumentos propostos podem representar
grandes mudanças na forma como grandes empreendimentos atuam no mercado.
Histórico da produção mais limpa no Brasil
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No Brasil, foi criado o Centro Nacional de Tecnologias Limpas (CNTL) junto ao Serviço Nacional
de Aprendizagem Industrial (Senai) do Rio Grande do Sul com o apoio da United Nations
Industrial Development Organization (Unido) e do Unep. Posteriormente, por meio do Conselho
Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), foram criados núcleos de
P+L em todos os estados brasileiros, formando, assim, a Rede Brasileira de Produção Mais
Limpa (PEREIRA; SANT’ANNA, 2012). De acordo com o CEBDS (2005), os objetivos da articulação
da P+L nos estados seriam:
Colaborar para a redução ou minimização dos impactos ambientais.
Disseminação das práticas de produção mais limpa.
Fortalecimento de ações integradas entre aspectos de qualidade ambiental, segurança e
saúde.
Promoção de pesquisa e desenvolvimento e transferência de tecnologias limpas.
Consolidação das experiências dos integrantes da rede em um banco de dados. (CEBDS,
2005, p. 3).
Mesmo que avanços signi�cativos tenham sido alcançados, a Rede Brasileira de P+L encerrou as
suas atividades no ano de 2009. Desde então, não há políticas governamentais que determinem
a obrigatoriedade da P+L (KANNO et al., 2017). Todas as políticas hoje existentes são de
implementação voluntária. No Quadro 2, a seguir, é possível veri�car alguns dos programas
existentes de acordo com o seu órgão responsável.
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Quadro 2 | Órgãos públicos e privados com ações direcionadas para a P+L. Fonte: adaptado de Pereira e Sant’Anna (2012, p.
23).
Nas últimas décadas, o pensamento em torno da produção mais limpa passou por incrementos
em função da regulamentação com políticas ambientais, pressão de consumidores e da
competição do mercado, promovendo uma re�exão sobre produção e consumo sustentável.
Agregadas a isso, encontram-se as crescentes preocupações com o aquecimento global e a
extrapolação dos limites da biocapacidade do planeta por meio da produção e do consumo. O
CEBDS (2003) de�ne o princípio básico da produção mais limpa da seguinte maneira:
O princípio básico da metodologia de Produção Mais Limpa é eliminar ou reduzir a
poluição durante o processo de produção e não no �nal. Isso porque todos os
resíduos gerados pela empresa custam dinheiro, pois foram comprados a preço de
matéria-prima e consumiram insumos como água e energia. Uma vez gerados,
continuam a consumir dinheiro, seja sob a forma de gastos de tratamento e
armazenamento, seja sob a forma de multas pela falta desses cuidados ou ainda
pelos danos à imagem e reputação da empresa. A P+L é, portanto, um método
preventivo de combate à poluição que leva à economia de água, de energia e de
matéria-prima, proporcionando um aumento signi�cativo de lucratividade e
competitividade. (CEBDS, 2005, p. 7).
Mesmo que a produção mais limpa tenha seu conceito e estratégias muito bem de�nidos, ainda
é necessário um esforço para que tais teorias sejam aplicadas na prática, uma vez que a adoção
da ferramenta P+L ainda é uma adesão voluntária por parte dos empreendimentos. Ações
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governamentais são essenciais para promover soluções inovadoras a toda e qualquer empresa,
oferecendo oportunidade de competitividade no mercado.
Aplicação da produção mais limpa
A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos – USEPA (1998) elenca os principais
benefícios de aplicação da ferramenta de produção mais limpa (Quadro 3). 
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Quadro 3 | Benefícios da aplicação da produção mais limpa. Fonte: Usepa (1998).
O estado do Rio Grande do Norte, em parceria com o Sebrae, por meio de cursos de capacitação,
formou a primeira turma de consultores em P+L do estado no ano de 2003 com o objetivo de
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aplicar a metodologia em empresas na região. Inicialmente, seis organizações foram
bene�ciadas com as consultorias e o investimento girou em torno de R$ 21.000,00, tendo um
retorno superior a R$ 150 mil em apenas um ano, como é possível observar no Quadro 4, a
seguir:
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Quadro 4 | Investimento, retorno e benefícios ambientais após implementação de metodologias P+L em empresas do estado
do Rio Grande do Norte no ano de 2005. Fonte: Pimenta (2007, p. 21).
O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (2005) desenvolveu um
guia para a implementação da metodologia de P+L em projetos empresariais que visem à
eliminação ou à redução dos impactos ambientais. O material apresenta 18 etapas de
implementação:
Etapa 1 – É de fundamental importância que a direção e a gerência da empresa apoiem o
trabalho para obtenção de bons resultados.
Etapa 2 – Sensibilização dos funcionários por meio da realização de palestras, eventos e
informativos a respeito do programa, a �m de informar e mobilizar os colaboradores.
Etapa 3 – Formação do ecotime: escalação de um funcionário de cada setor da empresa,
que será responsável por transmitir as informações aos colegas de trabalho.
Etapa 4 – Estabelecimento das metas da P+L: realização de reuniões com o ecotime para
apresentar as etapas e os objetivos do programa.
Etapa 5 – Pré-avaliação: avaliação dos conhecimentos da empresa em relação à legislação
ambiental. Visitas a todos os setores da fábrica a �m de educar o ecotime com relação ao
meio ambiente.
Etapa 6 – Avaliação de entradas e saídas: elaboração de �uxogramas para identi�car tudo
que entra e tudo que é gerado na produção, a �m de visualizar o processo produtivo.
Etapa 7 – Tabelas quantitativas: elaboração de tabelas que quanti�cam em massa e em
unidade monetária os itens apontados nos �uxogramas.
Etapa 8 – De�nição de indicadores: comparação e análise dos dados gerados com base na
produção anual da empresa.
Etapa 9 – Avaliação dos dados coletados: discussão do ecotime sobre os indicadores,
levando em conta os custos, a toxicidade de resíduos gerados e legislações ambientais.
Etapa 10 – Identi�cação de barreiras: discussão sobre as di�culdades encontradas para a
realização do programa.
Etapa 11 – Seleção do foco de avaliação e priorização: de�nição das etapas, processos ou
produtos a serem priorizados.
Etapa 12 – Balanços de massa e de energia: construção do �uxograma quantitativo de
entradas e saídas dos �uxos de massa e energia para o processo/produto priorizado na
etapa anterior.
Etapa 13 – Avaliação das causas de geração dos resíduos: discussão do ecotime sobre as
causas de geração dos resíduos.
Etapa 14 – Geração das opções de P+L: identi�cação de oportunidades de melhorias na
produção.
Etapa 15 – Avaliação técnica, ambiental e econômica: veri�cação da origem da matéria-
prima, observação dos benefícios ambientais que poderão ser obtidos pela empresa e
estudo do período necessário para retorno do investimento.
Etapa 16 – Seleção da opção: após a avaliação das opções identi�cadas na etapa 14, faz-
se a escolha daquela que apresenta melhor condição técnica, com os maiores benefícios
ambientais e econômicos.
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Etapa 17 – Implementação da opção escolhida.
Etapa 18 – Plano de monitoramento e continuidade.
Videoaula: produção mais limpa - conceitos e principais metodologias
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Nesta aula, você aprofundou os seus conhecimentos sobre as características gerais da produção
mais limpa, aprendeu alguns conceitos relacionados ao termo e o seu objetivo. Além disso,
também foipossível conhecer as bases da produção mais limpa, bem como os seus benefícios.
Por �m, estudamos as etapas de aplicação da produção mais limpa. Con�ra, no vídeo a seguir,
um resumo do que aprendemos nesta aula sobre produção mais limpa e conheça uma de suas
metodologias de aplicação.
Saiba mais
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Centro Nacional de Tecnologias Limpas (CNTL)
Neste portal, você poderá acompanhar diversas notícias, casos de negócios, dicas, leis,
certi�cações, cartilhas e outras informações sobre como aplicar a sustentabilidade nas
empresas. Essas orientações ajudam a implementar a gestão sustentável nos projetos
ambientais das organizações, contribuindo para novas oportunidades de negócio e crescimento
com a implementação de práticas sustentáveis e cada vez mais competitivas no mercado.
Con�ra alguns cases de sucesso a partir da implementação de tecnologias limpas.
Referênciais
CEBDS. Guia da produção mais limpa: faça você mesmo. Rio de Janeiro: CEBDS, 2005. Disponível
em: https://cebds.org/publicacoes/guia-para-producao-mais-limpa-faca--voce-
mesmo/#.YHnuwCWSnIU. Acesso em: 5 dez. 2021.
CNTL. Centro Nacional de Tecnologias Limpas. Implementação de Programas de Produção mais
limpa. Porto Alegre: CNTL SENAI-RS/UNIDO/UNEP, 2003. Disponível em:
https://www.senairs.org.br/documentos/implementacao-de-programas-de-producao-mais-limpa.
Acesso em: 5 dez. 2021.
KANNO, R. et al. Produção mais limpa: conceito, panorama atual no Brasil e análise de casos de
sucesso. In: SEMINÁRIO SOBRE TECNOLOGIAS LIMPAS, 7, 2017, Porto Alegre. Anais... Porto
Alegre: UFRGS, 2017. Disponível em:
http://www.abesrs.uni5.net/centraldeeventos/_arqTrabalhos/trab_2_5389_20171113232939.pd
Acesso em: 5 dez. 2021. 
https://www.senairs.org.br/institutos/cases
https://www.senairs.org.br/institutos/cases
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LOWE, E. A. Eco-Industrial Park Handbook for Asian Developing Countries. Oakland, EUA: Indigo
Development. 2001.
PEREIRA, G. R.; SANT’ANNA, F. S. P. Uma análise da produção mais limpa no Brasil. Brazilian
Journal of Environmental Sciences, v. 24, p. 17-26, 2012. Disponível em:
http://rbciamb.com.br/index.php/Publicacoes_RBCIAMB/article/view/321. Acesso em: 5 dez.
2021.
PIMENTA, H. C. D. Ganho de competitividade e sustentabilidade em micro e pequenas empresas
do Rio Grande do Norte através da Produção Mais Limpa. In: PIMENTA, H. C. D.; GOUVINHAS, R.
P. (Org.). Ferramentas de gestão ambiental, competitividade e sustentabilidade. Natal: CEFET-RN,
2007. Disponível em:https://memoria.ifrn.edu.br/handle/1044/1004. Acesso em: 5 nov. 2021.
PNUMA. Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. A produção mais limpa e o
consumo sustentável na América Latina e Caribe. São Paulo: CETESB, 2004. Disponível em:
https://cetesb.sp.gov.br/consumosustentavel/wp-
content/uploads/sites/20/2013/11/pl_portugues.pdf. Acesso em: 5 dez. 2021
USEPA. United States Environmental Protection Agency. Principles of Pollution Prevention and
Cleaner Production: an International Training Course People’s. Filadél�a [EUA]: Usepa, 1998.
Disponível em: http://recp.ge/wp-content/uploads/2015/12/POLLUTION-PREVENTION-AND-
CLEANER-PRODUCTION-EPA.pdf. Acesso em: 5 nov. 2021.
Aula 3
Produção mais limpa em processos produtivos
Introdução
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Por meio da aplicação da metodologia de produção mais limpa (P+L), o setor industrial passa a
ter a competência técnica e as habilidades gerenciais necessárias para desenvolver estratégias
que tornem possível projetar novos produtos e serviços, o que levará a uma sociedade mais
sustentável. Práticas ecoe�cientes permitem que os empreendimentos reduzam o consumo de
recursos e, consequentemente, seu impacto ambiental, enquanto satisfazem as necessidades da
sociedade de forma mais e�caz e com custos menores. Já a abordagem de ecodesign ajuda os
designers de produto a considerarem o meio ambiente no processo de criação desse espaço. As
ecoinovações e o ecodesign compartilham objetivos semelhantes de melhoria, mudança e
criação de produtos e processos.
Portanto, conhecer e ser capaz de identi�car e analisar os principais fundamentos relacionados a
produção mais limpa, ecoe�ciência e ecodesign é de suma importância. Aprofunde seus
conhecimentos com o nosso material. Bons estudos!
Aplicação da produção mais limpa no setor empresarial
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A aplicação de estratégias de P+L nas empresas permite prevenir possíveis impactos ao meio
ambiente. Elas podem ser incorporadas ao longo de todo o ciclo de vida de um produto, desde a
aquisição de matéria-prima até o descarte �nal. Com base nesse modelo de reestruturação da
produção, Giannetti (2006) propõe quatro oportunidades para a aplicação da produção mais
limpa nas empresas:
Substituição de matérias-primas.
De�nição da real necessidade de insumos e avaliação da reutilização/reciclagem de
subprodutos.
Avaliação das implicações ambientais de embalagens e da distribuição do produto
(emissões por transporte).
Estudo para transformação do produto �nal em produto intermediário, fazendo com que o
ele possa ser reutilizado ou reciclado no �nal de sua vida útil.
A seguir, veremos dois casos de sucesso por meio da aplicação de estratégias de produção mais
limpa, lembrando que a P+L não considera o tratamento de resíduos, a incineração e até a
reciclagem, tendo seu foco direcionado às mudanças dos processos produtivos para prevenir a
geração de resíduos. 
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Alteração da pressão do ar da pistola para pintura
Uma empresa do ramo de pintura realizou uma análise do seu processo e veri�cou um
desperdício de tinta no uso das suas pistolas de pressão. Foi identi�cado que a partir de uma
alteração na pressão do ar das pistolas de tinta, de 60 lbf/in2 para 40 lbf/in2, era possível obter
uma redução do consumo de tinta. A identi�cação do desperdício e a alteração na tecnologia
utilizada proporcionou um benefício econômico de R$ 44.633,26/ano (RODRIGUEZ et al., 2014).
Alteração no método de aplicação de adesivo na indústria metalmecânica
Uma indústria metalmecânica utilizava espátulas para aplicação de adesivo, precisando fazer a
limpeza das sobras geradas. Após um estudo, a empresa adquiriu pistolas para aplicação de
adesivo nas peças, o que provocou uma redução do consumo de matéria-prima e uma menor
geração de resíduo. O investimento foi de R$ 1.194,00, resultando em um benefício econômico
de R$ 6.562,00/ano e um benefício ambiental da minimização do resíduo de adesivo em 51%
(RODRIGUEZ et al., 2014).
Rossi e Barata (2009) apresentam, no entanto, algumas possíveis barreiras, por setor, para a
implementação das oportunidades de produção mais limpa em empresas de pequeno e grande
porte:
Setor econômico:
Indisponibilidade de fundos e custos elevados.
Falta de política com relação aos preços dos recursos naturais.
Não incorporação dos custos ambientais nas análises de investimento.
Planejamento inadequado dos investimentos.
Critério de investimento ad hoc pela restrição de capital.
Falta de incentivos �scais relativos ao desempenho ambiental.
Sistêmica:
Carência ou falha na documentação ambiental.
Sistema de gerenciamento inadequado ou ine�ciente.
Falta de treinamento dos funcionários.
Organizacional:
Falta de envolvimento dos funcionários.
Excessiva ênfase na quantidade de produção em detrimento da minimização dos
problemas ambientais.
Concentração das tomadas de decisão nas mãos da alta direção.
Alta rotatividade dos técnicos.
Ausência de motivação dos funcionários.
Técnica:
Falta de recursos necessários à coleta de dados.
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Recursos humanos limitados ou indisponíveis.
Limitação ao acesso de informações técnicas.
Limitação de tecnologia.
Dé�cit tecnológico.
Limitação das próprias condições de manutenção.
Comportamental:
Falta de cultura em “melhores práticas operacionais”.
Resistência a mudanças.Falta de liderança.
Supervisão de�ciente.
Trabalhos realizados com o propósito de manutenção do emprego.
Medo de errar.
Governamental:
Política inadequada de estabelecimento de preço da água.
Concentração de esforços no controle “�m-de-tubo”.
Mudanças repentinas nas políticas industriais.
Falta de estímulo para atuar na minimização da poluição.
Ainda que existam barreiras, os cases de sucesso no setor industrial são diversos. No site da
Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB, 2021), é possível veri�car uma lista
completa de diversos cases, por setor. Conhecer as barreiras para a implementação de
estratégias de P+L nos oferece um melhor preparo para a sua aplicação.
Ecodesign e ecoe�ciência
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São diversas as estratégias, tecnologias e ferramentas consideradas para a aplicação da
produção mais limpa, dentre elas o ecodesign e a ecoe�ciência. A incorporação das questões
ambientais no desenvolvimento do projeto de um produto, sobretudo no seu design, associada à
di�culdade das indústrias em implantar o ecodesign fez com que a Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT) elaborasse uma norma técnica, a ABNT NBR ISO 14006:2011, que
normaliza as diretrizes para incorporar o ecodesign em qualquer organização,
independentemente do tipo, do tamanho e do produto fornecido. A ABNT (2011) de�ne o
ecodesign da seguinte maneira:
Ecodesign pode ser compreendido como um processo integrado no projeto e
desenvolvimento de produto que visa reduzir impactos ambientais e melhorar
continuamente o desempenho ambiental dos produtos, durante todo o seu ciclo de
vida, desde a extração da matéria-prima até o �m da vida. A �m de bene�ciar a
organização e assegurar que ela atinja seus objetivos ambientais, pretende- se que o
ecodesign seja realizado como parte integral das operações de negócio da
organização. O ecodesign pode ter implicações para todas as funções de uma
organização. As suas práticas podem incluir a escolha de materiais de baixo impacto
ambiental, projetos voltados a simplicidade a �m de reduzir o uso de matéria-prima e
energia na fabricação de produtos, gerenciamento de resíduos, não utilização de
substâncias perigosas, entre outros quesitos que podem ser observados no processo
produtivo e que possam reduzir os impactos ambientais negativos gerados pelas
indústrias. (ABNT, 2011, p. 6).
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Entretanto, apesar de o conceito de ecodesign estar presente em norma técnica, a sua aplicação
ainda não é amplamente difundida. Isso acontece pela falta de treinamento de designers para a
implementação da ecologia nos seus processos criativos, bem como pelo grau de conhecimento
das questões ambientais, que ainda é tímido nos seus processos de formação (DEUTZ et al.,
2013). 
Quando falamos sobre ecoe�ciência, devemos ter em mente a ideia de “produzir mais com
menos”, mantendo o setor econômico aquecido, porém aplicando práticas de economia de
energia, recursos naturais e redução de emissões. Segundo Madden et al. (2005, p. 3), a
ecoe�ciência pode ser de�nida como a “entrega de produtos com preços competitivos e serviços
que atendem às necessidades humanas e trazem qualidade de vida, ao mesmo tempo em que
reduzem os impactos ecológicos e a intensidade dos recursos ao longo do ciclo de vida para um
nível pelo menos em linha com a capacidade de carga estimada da Terra”.
Oportunidades de ecoe�ciência podem surgir em qualquer ponto de todo o ciclo de vida de um
produto. Assim, é importante que os funcionários estejam integrados no processo de
implementação do programa de ecoe�ciência e entendam o seu conceito, o valor que o projeto
pode trazer para a empresa e como fazê-lo acontecer. Isso, por sua vez, requer construção de
habilidades e compreensão, a �m de integrar a ecoe�ciência a todas as operações, abrindo
espaço para inovação e criatividade.
Direcionamentos para aplicação do ecodesign e da ecoe�ciência
Madden (2006) identi�cou cinco aspectos para que a ecoe�ciência se torne um elemento
estratégico nas empresas:
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Ecoinovação: fabricação mais inteligente usando novos conhecimentos para tornar
produtos antigos mais e�cientes em termos de recursos, produção e uso.
Otimização de processos: mudar de soluções caras de produção �m-de-tubo para
abordagens que evitem a poluição em primeiro lugar.
Reciclagem: reciclagem de resíduos por meio da utilização de resíduos de produtos de uma
indústria como matéria-prima e recursos = resíduo zero.
Novos serviços: investir no aluguel de produtos, e não na venda, o que muda as percepções
das empresas, estimulando uma mudança para a durabilidade e reciclagem do produto.
Organizações virtuais.
A seguir, temos algumas práticas simples, consideradas ecoe�cientes:
Uso consciente da água: a má utilização da água é considerada um dos maiores
desperdícios. Portanto, planejar um ciclo de utilização e reutilização proporciona grandes
economias �nanceiras que podem ser investidas em outros setores da produção. A
indústria da cerveja no Brasil, segundo a CervBrasil, vem adotando medidas e�cazes para a
redução do consumo de água, como a recirculação da água no processo produtivo e a
captação da água da chuva. Essa água, depois de tratada, é usada para a lavagem dos
equipamentos, entre outros �ns (PRADO, 2019).
Uso consciente de energia elétrica: utilize lâmpadas frias (LED), que gastam menos energia,
e faça uso de painéis solares. No Brasil, o mercado para implantação de painéis solares
que transformam energia solar em energia elétrica, denominada energia fotovoltaica, tem
aumentado. Existem startups que alugam os painéis a custo zero, disponibilizando
gratuitamente um aplicativo por meio do qual o cliente acessa o sistema de gerenciamento
solar (OLIVEIRA, 2021).
Investimento em biocombustíveis: as emissões de gases de efeito estufa geram
preocupações com relação ao aquecimento global. Assim, investir em combustíveis
produzidos a partir de óleo de cozinha, cana-de-açúcar e biomassa é uma forma de gerar
menos poluentes atmosféricos. 
Fornecedores locais: priorize fornecedores locais, pois dessa forma haverá redução no uso
de combustíveis e emissão de poluentes, diminuindo a pegada de carbono da empresa. 
A indústria e o mercado de produtos de manufatura têm dado passos importantes para a
aplicação do ecodesign, melhorando o desenvolvimento de produtos e serviços em nível
operacional. Estratégias de ecodesign envolvem o uso de materiais reciclados ou recicláveis,
design com durabilidade, design facilitador da desmontagem dos componentes do produto, de
modo que tais itens possam ser prontamente substituídos, reparados ou melhorados, reduzindo
também o número de componentes e o consumo de matéria-prima. 
Outro exemplo de ecodesign foi apresentado pela empresa Lincoln Luxury, companhia de
automóveis de luxo da Ford Motor Company, que usou a �bra de folha de bananeira para a
fabricação dos tapetes do SUV Lincoln MKT em função de sua excelente resistência ao calor
(ROCHA, 2010). O design ecológico também é usado na elaboração de embalagens sustentáveis,
como no caso da empresa iFood, que utiliza fécula de mandioca na fabricação de bioembalagens
sustentáveis, que viram adubo em até 90 dias após enterradas. Além disso, a embalagem usa
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cem vezes menos água para ser produzida e tem benefícios em todas as etapas do seu ciclo de
vida (IFOOD, 2021).
Ao mesmo tempo, o design ecológico se aplica à indústria da construção civil com relação ao
uso e�ciente da energia. Como exemplos, temos o uso de vidros duplos, que melhoram o
isolamento térmico e acústico, e o investimento em painéis solares para geração de energia.
Videoaula: produção mais limpa em processos produtivos
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Nesta aula, você aprofundou os seus conhecimentos sobre as etapas para a aplicação da
produção mais limpa nas empresas e conheceu algumas das barreiras relacionadas à sua
implementação. Além disso, foi possível estudar conceitos importantes sobre ecoe�ciência e
ecodesign, bem como algumas práticas de ecoe�ciência. Con�ra, no vídeo a seguir, um resumo
do que aprendemos nesta aula sobre produção mais limpa, ecoe�ciência e ecodesign.  
Saiba mais
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Projetos de produto
No portal da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), você terá a oportunidade
de conhecer quatro casos de sucesso de tecnologias limpas aplicadas ao projeto de produtos.
Os projetos incluem desde substituição de matéria-prima até reciclagem de embalagens.
Referências
https://bit.ly/3EM8X8s
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ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14006: sistema de gestão ambiental:
diretrizes para incorporar o ecodesign. Rio de Janeiro: ABNT, 2011.
CASOS de Sucesso. Cetesb, 19 jul. 2018. Disponível em:
https://cetesb.sp.gov.br/consumosustentavel/casos-de-sucesso/. Acesso em: 18 dez. 2021.
CNTL. Centro Nacional de Tecnologias Limpas. Cinco fases da implantação de técnicas de
produção mais limpa. Porto Alegre: Unido; Unep; SENAI-RS, 2003. Disponível em:
https://www.senairs.org.br/sites/default/�les/documents/manual_cinco_fases_da_produthoo_m
ais_limpa.pdf. Acesso em: 10 dez. 2021.
DEUTZ, P.; MCGUIRE, M.; NEIGHBOUR, G. Eco-design practice in the context of a structured 
design process: an interdisciplinary empirical study of UK manufacturers. Journal of Cleaner
Production, v. 39, p. 117-128, 2013.
GIANNETTI, B. F. Ecologia industrial. São Paulo: Blucher, 2006. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521215011/. Acesso em: 10 dez. 2021.
IFOOD triplica fornecedores de embalagens sustentáveis nos últimos meses. iFood, 29 jul. 2021.
Disponível em:
https://bdm.unb.br/bitstream/10483/28805/1/2021_LeticiaDeCarvalhoRocha_tcc.pdf. Acesso
em: 15 dez. 2021.
MADDEN, K. et al. The ecoe�ciency learning module. Geneva, Switzerland: World Business
Council for Sustainable Development (WBCSD); Five Winds International, 2005. Disponível em:
http://docs.wbcsd.org/2006/08/E�ciencyLearningModule.pdf. Acesso em: 10 dez. 2021.
OLIVEIRA, B.; CUNHA, B.; MARTINS, S. A aplicação de tecnologias limpas para o desenvolvimento
urbano sustentável através da implantação de energia fotovoltaica. Direito e Desenvolvimento, v.
12, n. 1, p. 158-179, jul. 2021.
Disciplina
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PRADO, L. Reúso de água gera energia limpa na indústria de cervejas. Bios Consultoria Ambiental,
12 set. 2019. Disponível em: https://www.biosconsultoria.com.br/geracao-de-energia-limpa-
reuso-de-agua/. Acesso em: 15 dez. 2021.
ROCHA, L. C. Ecodesign no setor automotivo: o uso de materiais ecológicos em componentes de
veículos leves faz diferença na intenção de compra do consumidor? 2021. 86 f. Trabalho de
Conclusão de Curso (Bacharel em Administração) – Faculdade de Economia, Administração,
Contabilidade e Gestão de Políticas Públicas, Universidade de Brasília, Brasília. Disponível em:
https://bdm.unb.br/bitstream/10483/28805/1/2021_LeticiaDeCarvalhoRocha_tcc.pdf. Acesso
em: 15 dez. 2021.
RODRIGUEZ, G. et al. Produção mais limpa: estudo de caso Plataforma Offshore Piranema. Rio de
Janeiro: Rede Sirius, 2014. Disponível em: 
https://www.rsirius.uerj.br/pdfs/plataforma_offshore.pdf. Acesso em: 15 dez. 2021. 
ROSSI, B. M. T.; BARATA, M. M. L. Barreiras à implementação de produção mais limpa como
prática de ecoe�ciência em pequenas e médias empresas no estado do Rio de Janeiro. In:
INTERNATIONAL WORKSHOP ADVANCES IN CLEANER PRODUCTION, 2, 2009, São Paulo. Anais…
São Paulo: ACPN Network, 2009. Disponível em:
http://www.advancesincleanerproduction.net/second/�les/sessoes/4a/1/M.%20T.%20B.%20Ros
si%20-%20Resumo%20Exp.pdf. Acesso em: 10 dez. 2021.
Aula 4
Indicadores de desempenho ambiental
Introdução
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
As operações industriais vêm passando por mudanças radicais com implicações signi�cativas,
principalmente com a introdução das normas de gestão pela qualidade ambiental, a exemplo da
série ISO 14000. No entanto, para que as indústrias alcancem de fato um desenvolvimento
industrial sustentável, é preciso mais do que uma certi�cação de conformidade com a série das
normas técnicas. É fundamental que se faça uma modi�cação nos processos de produção no
sentido de alcançar um sistema de fabricação mais limpo e e�ciente.
Diante disso, conhecer e ser capaz de identi�car e analisar as principais normas técnicas
relacionadas às tecnologias limpas e seus indicadores de desempenho ambiental é de suma
importância para os novos pro�ssionais. Para isso, aprofunde os seus conhecimentos com o
nosso material. Bons estudos!
As normas da série ISO 14000
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
A International Organization for Standardization (ISO) é reconhecida como uma federação
mundial que determina normatizações técnicas internacionais para diversos setores. A ISO é
formada por representantes de países-membros, sendo, no Brasil, simbolizada pela Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Em 1996, a ISO o�cializou, com base na norma britânica
BS 7750, as primeiras normas da série ISO 14000, procurando estabelecer diretrizes para a
implementação de sistemas de gestão ambiental nas diversas atividades econômicas que
podem afetar o meio ambiente e para a avaliação e certi�cação desses sistemas, com
metodologias uniformes e aceitas internacionalmente (DENIS; DE OLIVEIRA, 2018). A série ISO
14000 é composta por uma série de normas internacionais sobre gestão ambiental (Quadro 1). 
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Quadro 1 | Normas da série ISO 14000 e suas atribuições. Fonte: ABNT (1996).
A produção mais limpa, como ferramenta da ecologia industrial, está inserida dentro do conceito
de gestão ambiental, a qual enfatiza a prevenção da poluição na sua origem e o aumento da
qualidade ambiental de processos e produtos (BAAS, 2007). De acordo com Furtado (2000), os
empreendimentos industriais que possuem conformidade com a ISO 14001 tornam-se ainda
mais e�cazes, com melhoria no desempenho ambiental, quando são aplicados os princípios e
objetivos da produção mais limpa, que tem foco direcionado à prevenção da produção de
resíduos e emissões. 
Em 2015, a norma ISO 14001 passou por uma atualização, apresentando uma metodologia para
melhorar a organização, a responsabilidade e a e�cácia de seus sistemas com relação à
proteção ambiental, denominada ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act) (RAMOS, 2019), descrito na
Unidade 1 desta disciplina. A norma ISO 14001 adota uma abordagem sistêmica que possibilita à
empresa atingir o sucesso sustentável a longo prazo por meio de:
Proteção do meio ambiente pela prevenção ou mitigação dos impactos
ambientais adversos;
Mitigação de potenciais efeitos adversos das condições ambientais na
organização;
Auxílio à organização no atendimento aos requisitos legais e outros requisitos;
Aumento do desempenho ambiental;
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Controle ou in�uência no modo em que os produtos e serviços da organização
são projetados, fabricados, distribuídos, consumidos e descartados, utilizando
uma perspectiva de ciclo de vida que possa prevenir o deslocamento
involuntário dos impactos ambientais dentro do ciclo de vida;
Alcance dos benefícios �nanceiros e operacionais que podem resultar da
implementação de alternativas ambientais que reforçam a posição da
organização no mercado;
Comunicação de informações ambientais para as partes interessadas
pertinentes. (ABNT, 2015a, p. 8).
A obtenção de uma certi�cação ISO atesta que o sistema de gestão adotado pelas empresas é
potencialmente capaz de produzirresultados sem, no entanto, especi�car a velocidade com que
esses resultados aparecerão. O desconhecimento dos limites e objetivos de um processo de
certi�cação por uma norma técnica pode levar uma empresa a incorrer em diversos riscos
decorrentes da visão distorcida de que basta um bom processo normatizado para a obtenção de
resultados (ARAÚJO, 2004).  
Produção mais limpa como um componente da gestão ambiental
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Diante da preocupação global com as questões ambientais, diversas legislações, diretrizes e
normas foram criadas para orientar os sistemas de produção de bens e serviços do setor
industrial. Nesse sentido, a certi�cação ISO 14001 é considerada um importante instrumento
para atestar o desempenho e a expansão dos negócios. 
Entretanto, somente por meio da certi�cação ambiental não há garantia de que os sistemas de
produção �quem alinhados com a responsabilidade ambiental total. Logo, a produção mais limpa
se torna um importante componente da gestão ambiental, uma vez que a ISO 14001 tem seu
foco voltado à produção �m-de-tubo. A produção mais limpa, quando comparada à norma ISO
14001, apresenta as seguintes vantagens:
Potencial para o desenvolvimento de soluções econômicas, com redução na quantidade de
materiais e energia utilizados.
Possibilidade de inovação empresarial, como resultado da avaliação do processo de
produção; minimização de resíduos, e�uentes e emissões.
Redução de riscos nas áreas de obrigações ambientais e eliminação de resíduos.
A produção mais limpa pode ser caracterizada como um complemento para as normas técnicas
da série ISO 14001. Veja, no Quadro 2, as características comparativas de ambas as vertentes.
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Quadro 2 | Comparação entre um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) certi�cado pela ISO 14001 e um SGA com aplicação de
estratégias de produção mais limpa. Fonte: adaptado de Kiperstok et al. (2002, p. 149).
A partir do Quadro 2, podemos perceber que a produção mais limpa é um instrumento de gestão
complementar para empresas que possuem uma certi�cação ISO 14000 e que desejam se
concentrar na direção da minimização de resíduos. 
Para veri�carmos os efeitos decorrentes das estratégias ambientais implementadas pelas
indústrias, os indicadores de desempenho ambiental são uma forma de atestar os efeitos das
técnicas e dos processos empregados pela organização sobre o meio ambiente. A norma ISO
14031 tem como �nalidade fornecer diretrizes para a avaliação de desempenho ambiental por
meio de indicadores relevantes para diversos tipos de empreendimentos, independentemente do
seu tamanho, natureza ou localização. 
Há duas categorias de indicadores: os indicadores de desempenho ambiental (IDA) e os
indicadores de condição ambiental (ICA). Os IDA fornecem informações sobre o desempenho
ambiental de uma organização e se subdividem em (PEROTTO et al., 2008): 
Indicadores de Desempenho de Gestão (MPI): fornecem informações sobre os esforços de
gestão para in�uenciar o desempenho ambiental de uma organização. Exemplo: o
percentual de conformidade da empresa com os requisitos legais.
Indicadores de Desempenho Operacional (OPI): fornecem informações sobre o
desempenho ambiental das operações de uma organização. Exemplo: a quantidade de
emissões de poluentes reduzida pela companhia.
Os indicadores de condição ambiental (ICA) referem-se às atividades e operações que podem ter
um impacto na qualidade do meio ambiente. Um fator-chave é garantir que as emissões para a
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
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atmosfera, os lançamentos para os cursos d’água e o descarte de resíduos estejam em
conformidade com a legislação. A avaliação de desempenho ambiental é um instrumento que
também pode veri�car o atendimento às estratégias de produção mais limpa implementadas por
parte dos empreendimentos industriais, de forma a obter a melhoria contínua e uma maior
e�ciência nos processos.
Indicadores de desempenho ambiental
De acordo com a ABNT (1996, p. 6), o desempenho ambiental é de�nido como “resultados
mensuráveis do sistema de gestão ambiental, relativos ao controle de uma organização sobre
seus aspectos ambientais com base na sua política, seus objetivos e metas ambientais”. 
Na escolha dos indicadores de desempenho ambiental de um empreendimento, algumas
características devem ser consideradas, como:
Simplicidade e facilidade de interpretação: escolha métricas que mostrem objetivamente a
evolução do indicador com o tempo;
Gastos otimizados: procure selecionar indicadores que possam ser obtidos sem
necessidade de exames e análises complexas que geram custos altos;
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Agilidade para calcular: dê preferência a dados acessíveis com rápida execução de
cálculos;
Usar unidades de medidas conhecidas: medidas objetivas dão clareza aos indicadores.
(ESFERA ENERGIA, 2021, [s. p.]).
Para Pegado, Melo e Ramos (2001), a avaliação de desempenho ambiental auxilia na tomada de
decisão em todos os níveis do empreendimento, sendo possível, assim, aperfeiçoar as
estratégias de gestão ambiental, tendo como vantagens: 
A capacidade de sintetizar e melhorar a comunicação das informações entre os processos.
A melhoria na identi�cação das áreas prioritárias de intervenção.
A fácil identi�cação da evolução nos processos no sentido de alcance das metas
ambientais determinadas pela estratégia ambiental escolhida.
Os indicadores devem re�etir adequadamente os aspectos ambientais signi�cativos e os
impactos da organização. Além disso, precisam ser selecionados por responsáveis pelo controle,
monitoramento e de�nição de metas. A seguir, veremos alguns exemplos de indicadores
ambientais relevantes para os empreendimentos industriais (DANTES, 2006).
Indicadores de emissão de gases de efeito estufa
Quanti�cação de emissões anuais totais de dióxido de carbono pela empresa.
Quanti�cação de emissões de dióxido de carbono por funcionário, por unidade de
produção.
Comparação das emissões totais de dióxido de carbono ou emissões por funcionário com
os anos anteriores.
Indicadores de consumo de água
Quanti�cação do consumo total anual de água.
Quanti�cação do consumo de água por funcionário e por unidade de produção.
Comparação do consumo total ou por funcionário com os anos anteriores.
Indicadores de geração de resíduos
Quanti�cação da produção anual total de resíduos em toneladas.
Quanti�cação da produção de resíduos por funcionário e por unidade de produção.
Quanti�cação do desperdício total ou desperdício por funcionário em comparação com os
anos anteriores.
Por meio do uso de diferentes indicadores ambientais, é possível avaliar o desenvolvimento de
tecnologias mais limpas em direção a uma cultura industrial sustentável. Portanto, a escolha de
indicadores ambientais precisa estar alinhada com as estratégias de produção mais limpa
implementadas. Adicionalmente, o comprometimento com as questões ambientais é um
diferencial na competitividade empresarial. Demonstre essa responsabilidade na sua vida
pro�ssional!
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Videoaula: indicadores de desempenho ambiental
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Nesta aula, você aprofundou os seus conhecimentos sobre as normas técnicas da série ISO
14000, conheceu a sua composição e a sua relação com a produção mais limpa. Além disso, foi
possível aprender alguns conceitos relacionados aos indicadores de desempenho ambiental e
formas de realizar a quanti�cação dos indicadores. Con�ra, no vídeo a seguir, uma explicação
mais detalhada sobre a relação entre as normas técnicas ISO e a produção mais limpa. 
Saiba mais
Para saber mais, leia o Livro Gestão ambiental na empresa !
Nesta obra, disponível na nossa Biblioteca Virtual, você poderá aprofundar seus conhecimentossobre os conceitos e ferramentas para implementar ou aprimorar a gestão da sustentabilidade
nas organizações. Os autores selecionaram conteúdos relevantes, embasados na prática e teoria
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
disponíveis, apresentados de forma acessível para leitores que não são especialistas, dando
destaque a uma riqueza de informações que certamente contribuem para a consolidação dos
conhecimentos dos leitores em uma temática complexa, transversal e transdisciplinar. 
Referências
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14004: sistemas de gestão
ambiental: diretrizes gerais sobre princípios, sistemas e técnicas de apoio. Rio de Janeiro: ABNT,
1996.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14001:2004: sistema de gestão
ambiental: especi�cações e diretrizes para uso. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14001:2015: sistema de gestão
ambiental: especi�cações e diretrizes para uso. Rio de Janeiro: ABNT, 2015a.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14031:2015: sistema de gestão
ambiental: especi�cações e diretrizes para uso. Rio de Janeiro: ABNT, 2015b.
ARAÚJO, M. C. C. C. Mapeamento da qualidade ambiental nas organizações privadas de Santa
Catarina: ISO 14000 e produção mais limpa. 2004. 93 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de
Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.
BAAS, L. To make zero emissions technologies and strategies become a reality, the lessons
learned of cleaner production dissemination have to be known. Journal of Cleaner Production, v.
15, p. 1205-1216, 2007.
DENIS, D.; DE OLIVEIRA, E. C. Gestão ambiental na empresa. 3 ed. São Paulo: Grupo GEN, 2018.
Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597017168/. Acesso em:
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
17 dez. 2021.
ENVIRONMENTAL Performance Indicators, EPI. DANTES, [s. d.]. Disponível em:
https://dantes.info/Tools&Methods/Environmentalinformation/enviro_info_spi_epi.html. Acesso
em: 17 dez. 2021.
FURTADO, J. S. Atitude ambiental na construção civil: ecobuilding e produção limpa. São Paulo:
Fundação Vanzolini, 2000.
KIPERSTOK, A. et al.  Prevenção da poluição. Brasília: Senai/DN, 2002.
O QUE são indicadores de desempenho ambiental? Esfera Energia, 2021. Disponível em:
https://esferaenergia.com.br/2021/10/12/. Acesso em: 17 dez. 2021.
PEGADO, C.; MELO, J.; RAMOS, T. Ecoblock: método de avaliação do desempenho ambiental. In:
CONGRESSO NACIONAL DE ENGENHEIROS DO AMBIENTE, 2001, Lisboa. Anais... Lisboa: APEA,
2001.
PEROTTO, E. C. et al. Environmental performance, indicators and measurement uncertainty in
EMS context: a case study. Journal of Cleaner Production, v. 16, n. 4, p. 517-530, 2008.
RAMOS, G. Sustentabilidade na manufatura - práticas e metodologias aplicáveis à norma ISO
14001. LinkedIn Pulse, 11 fev. 2019. Disponível em:
https://www.linkedin.com/pulse/sustentabilidade-na-manufatura-pr%C3%A1ticas-e-
aplic%C3%A1veis-gisela-ramos/. Acesso em: 17 dez. 2021. 
Aula 5
Revisão da unidade
Ecologia industrial e produção mais limpa para o desenvolvimento
sustentável
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Os processos industriais são responsáveis por diversos impactos ambientais que envolvem
desde a extração da matéria-prima até o descarte do produto. Como forma de minimizar esses
impactos, a ecologia industrial pretende reduzir o estresse ambiental causado pela indústria, ao
mesmo tempo em que incentiva a inovação, a e�ciência dos recursos e o desenvolvimento
sustentável. Sabemos que as indústrias continuarão operando e se expandindo, visto que esse é
um processo necessário para o nosso desenvolvimento econômico. Entretanto, a ecologia
industrial propõe uma indústria ambientalmente consciente e que gere menos carga sobre o
planeta. 
A ecologia industrial tem por objetivo promover uma interação da indústria com a natureza,
incentivando a utilização de resíduos e subprodutos como insumos nos processos de produção,
unindo o gerenciamento industrial e a tecnologia, englobando diversos conceitos e ferramentas,
como produção mais limpa (P+L), ecoe�ciência, ecodesign, tecnologias limpas, entre outros
elementos. A adoção de estratégias de produção mais limpa é fundamental para se obter
resultados positivos no caminho do desenvolvimento industrial sustentável. Tais estratégias
envolvem a conservação de recursos naturais e energia, a eliminação de matérias-primas tóxicas,
a redução da quantidade de emissões de poluentes no ar e na água e a minimização da geração
de resíduos sólidos, a diminuição da camada de ozônio, do aquecimento global, da degradação
da paisagem, da acidi�cação do ambiente natural e construído, da poluição visual e da
biodiversidade. A implementação de uma produção mais limpa envolve a redução dos impactos
ambientais ao longo de todas as fases de produção, desde a extração da matéria-prima até a
disposição �nal, além da promoção de uma melhoria contínua nas tecnologias aplicadas ou a
instauração de novas tecnologias.
A produção mais limpa caracteriza-se como um sistema proativo, uma vez que suas estratégias
têm como propósito a prevenção dos impactos ambientais por meio da melhoria de tecnologias
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
e da minimização de resíduos, diferentemente da maioria dos processos industriais tradicionais,
que utilizam as tecnologias limpas principalmente no tratamento dos resíduos, em um processo
conhecido como produção �m-de-tubo, um sistema reativo. 
Nesse contexto, a série de normas técnicas internacionais ISO 14000 surgiram como forma de
estabelecer diretrizes para a implementação de um sistema de gestão ambiental (SGA) nas
diversas atividades econômicas. O conjunto de normas detalha os requisitos mínimos para que
um SGA seja passível de certi�cação, com foco principalmente direcionado ao tratamento de
resíduos, emissões e e�uentes líquidos.
A produção mais limpa é, portanto, um instrumento de gestão ambiental complementar para
empresas que possuem uma certi�cação ambiental ISO e que desejam se concentrar na direção
da minimização da geração de resíduos e demais descartes. Nesse caso, o uso de indicadores
de desempenho ambiental alinhados com as estratégias de P+L possibilita avaliar o avanço das
tecnologias limpas para uma cultura industrial sustentável. 
Diante desse cenário, pro�ssionais quali�cados que entendam a importância da relação entre o
ser humano e a natureza são fundamentais para o processo de mudança nos sistemas
industriais. À medida que novos pro�ssionais identi�cam as questões ambientais como
essenciais para a manutenção da biocapacidade do planeta, mais perto estaremos de alcançar o
desenvolvimento sustentável, satisfazendo as nossas necessidades presentes, sem
comprometer as necessidades das futuras gerações.
Videoaula revisional da unidade
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Nesta unidade, você teve a oportunidade de aprender sobre a ecologia industrial e conhecer
algumas de suas ferramentas, bem como sua aplicação. No vídeo a seguir, faremos uma revisão
dos conceitos e aplicações que você estudou, contextualizando com o desenvolvimento
sustentável e a importância da quali�cação para novos pro�ssionais diante de uma mudança de
paradigma no setor industrial.
Estudo de caso
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
As indústrias alimentícias são compostas por diversosramos, como: cervejarias, laticínios,
�bras, carnes, emulsi�cantes, entre outros. Esse setor industrial apresenta uma série de
processos capazes de inferir em diversas categorias de impactos ambientais relacionados com a
geração dos mais diferentes tipos de resíduos e emissões. Vemos, como exemplos de resíduos
sólidos desse tipo de indústria, a pasta celulósica, produtos dani�cados e vencidos, embalagens,
garrafas quebradas, terra de diatomácea (usada na �ltração da cerveja), lodo, bagaço do malte,
cinzas, levedura adicional, meio de cultura e pallets de madeira.
Já como exemplos de emissões, podemos citar os gases da combustão, poeiras, gases
refrigerantes, gás amônia, dióxido de carbono (CO2), vapores e elementos como odor, ruído e
calor (SANTOS, 2005). Indústrias de bebidas, como a da produção de cerveja, utilizam um grande
volume de água em sua produção. O Brasil ocupa o terceiro lugar como maior produtor de
cerveja do mundo, com produção de 14 bilhões de litros somente no ano de 2018 (SOLDERA,
2020).
Você, como gestor ou engenheiro ambiental de uma empresa do ramo de bebidas, é chamado
para realizar um estudo de avaliação dos processos produtivos. Como resultado, você veri�cou
um alto consumo de água e energia. Você foi convidado a desenvolver um projeto de
implementação de práticas de produção mais limpa, com foco na redução do consumo de água
e energia.
Com base nos princípios da ecologia industrial e da produção mais limpa, apresente uma
proposta que atenda às demandas da empresa. Sua sugestão deve conter os seguintes itens:
objetivo, justi�cativa, propostas e resultados esperados.
_______
Re�ita
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Você imagina quanto de água e energia é utilizado no processo de fabricação de bebidas? Uma
produção de cerveja usa, em média, de 4 a 7L de água para produzir 1L de cerveja (VAN DER
MERWE; FRIEND, 2002). Contabiliza-se, também, a água utilizada na limpeza dos equipamentos
do processo de produção.
Videoaula: resolução do estudo de caso
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Objetivo: a proposta tem como objetivo estabelecer práticas para produção mais limpa a �m de
reduzir custos de produção e adotar medidas ambientalmente responsáveis com o melhor
aproveitamento de recursos naturais, como água e energia.
Justi�cativa: a implementação de práticas mais limpas, além de promover uma redução nos
custos de operação, contribui para minimizar os impactos causados ao meio ambiente,
funcionando como uma estratégia econômica e ambiental preventiva, de forma a cooperar para o
aumento da ecoe�ciência, promovendo um meio ambiente seguro e saudável e minimizando o
esgotamento dos recursos naturais. Em nível gerencial, a adoção de práticas mais limpas torna
possível o estabelecimento de metas de gestão quanto aos indicadores de água e energia,
visando a um programa de melhoria contínua da produção.
Você deve imaginar que o conhecimento do processo de produção de cervejas facilita a
proposição de estratégias de P+L, não é mesmo? Vamos, então, concentrar nossa atenção
inicialmente em medidas simples, sem a necessidade de investimentos vultuosos em novos
equipamentos, tais como:
Uso racional da água na lavagem das garrafas de vidro.
Redução do volume de água na limpeza dos equipamentos.
Realização de inspeções regulares para prevenir e eliminar vazamentos.
Instalação de válvulas automáticas de controle para reduzir o consumo da água.
Reutilização da água da lavagem dos equipamentos para limpeza das áreas externas.
Reutilização do condensado de vapor d’água descartado para aquecimento em outra etapa
do processo produtivo como forma de economia de energia e reúso de água.
Utilização de fontes de energias renováveis, como a energia fotovoltaica, o biogás e
biocombustíveis, visando à redução do consumo de energia.
Após isso, levar em consideração a aquisição de novos equipamentos com novas
tecnologias de redução do consumo de energia.
Promoção de um programa de educação ambiental para sensibilização dos funcionários
sobre o uso consciente de água e da energia.
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Como resultado, vários benefícios são esperados, como:
Otimização do consumo da água.
Otimização do consumo de energia.
Maior ecoe�ciência dos processos.
Redução dos custos de produção.
Aumento da competitividade empresarial.
Formação de equipe de trabalho motivada com relação às questões ambientais.
Resumo visual
Para �xar bem o conteúdo, veja o resumo visual da unidade!
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Referências
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
SANTOS, M. S. dos; MIRANDA, F. de. Cervejas e refrigerantes. São Paulo: CETESB, 2005.
Disponível em: https://cetesb.sp.gov.br/consumosustentavel/wp-
content/uploads/sites/20/2013/11/cervejas_refrigerantes.pdf. Acesso em: 20 dez. 2021.
SOLDERA, B. Como a água é importante na produção de bebidas. Instituto Água Sustentável, 22
dez. 2020. Disponível em: https://www.aguasustentavel.org.br/conteudo/blog/99-como-a-agua-e-
importante-na-producao-de-bebidas. Acesso em: 20 dez. 2021.
VAN DER MERWE, A. I.; FRIEND, J. F. C. Water management at a malted barley brewery. Water SA,
v. 28, n. 3, p. 313-318, 2002.
,
Unidade 3
Fundamentos gerais sobre resíduos
Aula 1
Conceitos e caracterização de resíduos
Introdução
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Você já parou para pensar que qualquer atividade realizada pelo ser humano gera resíduos? 
Podem ser resíduos domésticos, hospitalares, industriais, entre outros. Não importa o tipo, todos
precisam de uma destinação ambientalmente adequada. A má gestão dos resíduos sólidos
causa diversos impactos no meio ambiente, os quais afetam a qualidade de vida da população,
como poluição visual, atmosférica, do solo e hídrica. Além disso, dependendo do tipo de resíduo,
pode haver danos à saúde dos cidadãos. Mas como isso pode ser resolvido? Com a separação, a
destinação e o tratamento correto desses resíduos de acordo com a sua classi�cação. Nesta
aula, você conhecerá os principais conceitos relacionados aos resíduos sólidos industriais e sua
caracterização. Não deixe de pesquisar a respeito da temática para aprofundar seus
conhecimentos. Bons estudos!
Resíduos sólidos industriais
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Para iniciar os estudos, é importante que você conheça alguns conceitos relacionados com a
temática a ser analisada, a �m de facilitar a sua compreensão no decorrer das aulas. Como você
sabe, todas as atividades humanas produzem um tipo de resíduo. A Lei nº 12.305, de 2 de agosto
de 2010, de�ne resíduo sólido como
material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em
sociedade, a cuja destinação �nal se procede, se propõe proceder ou se está obrigado
a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em
recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede
pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou
economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível. (BRASIL, 2010,
[s. p.]).
Existem vários tipos de resíduos sólidos, dentre os quais podemos citar os hospitalares,
agrícolas, de varrição, comerciais, domésticos, recicláveis, não recicláveis e industriais. Esse
último é considerado o maior responsável pela poluição ambiental (PHILIPPI JÚNIOR, 2005). É
válido lembrar que os resíduos recicláveis deixam de ser resíduos e passam a ser chamados de
matéria-prima secundária. Já os resíduos que não têm nenhum aproveitamento econômico são
denominados rejeitos.
A classi�cação dos resíduos produzidos pelas indústrias será realizada de acordo com a
atividade que os gerou. Em virtude do caráter poluidor dessesOutro ponto
fundamental é a geração de emprego e renda, que tende a ser mais signi�cativa quando se
considera o sistema tradicional. 
Falando em sustentabilidade, ressalta-se que esse termo é utilizado para aferir a respeito da
compatibilização das esferas ambientais, sociais e econômicas. Com isso, é muito importante
que todas as atividades humanas busquem considerar não apenas a economia, mas também a
sociedade na qual estão inseridas e, é claro, os recursos naturais, que são a fonte de nossa
subsistência (SANTOS, 2004). 
Conseguiu assimilar a importância dos conceitos aqui tratados? Não deixe de aplicá-los no seu
dia a dia, pois dessa forma a disciplina �cará ainda mais atrativa e interessante! Bons estudos!
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Como aplicar a avaliação de impactos e as tecnologias limpas em empresas?
Os processos industriais diferenciam-se de acordo com a atividade desenvolvida. Nesse
contexto, a geração de aspectos e impactos ambientais será distinta em cada indústria, variando
segundo o porte, a localização, o uso de recursos naturais, entre outras variáveis. Mas se temos
essa diversidade, por onde devemos começar?
Torna-se fundamental o que chamamos de caracterização da área de estudo, ou seja, entender a
dinâmica da organização, buscando identi�car os principais impactos ambientais para que estes
sejam tratados de maneira coerente. Com isso, é possível utilizar ferramentas, tal como a matriz
de impactos ambientais, que basicamente é uma forma de estabelecer parâmetros para
identi�car os impactos ambientais mais signi�cativos. De acordo com Sanchez (2008), alguns
elementos podem ser usados, como mostra o Quadro 1, a seguir.
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Quadro 1 | Critérios de signi�cância que podem ser utilizados em uma análise de impacto ambiental em ambiente
empresarial. Fonte: adaptado de Sanchez (2008, p. 323) e Santos (2004, p. 114).
A partir disso, é possível identi�car os impactos ambientais mais signi�cativos utilizando a
metodologia descrita por Sanchez (2008), a qual dita que a intensidade de um impacto ambiental
é o resultado da multiplicação dos índices obtidos pela análise da classe, severidade,
abrangência e frequência. Quanto maior o valor obtido, maior o dano ocasionado (Quadro 2). 
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Quadro 2 | Relação entre pontuação e signi�cância para avaliação de impactos ambientais. Fonte: adaptado de Sanchez
(2008, p. 332) e Santos (2004, p. 116).
Diante de todas as informações de aspecto e impacto ambiental, a matriz poderá ser preenchida,
geralmente considerando a ordem dos impactos mais signi�cativos para os de menor
importância (Quadro 3). 
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Quadro 3 | Exemplo de uma matriz de impactos ambientais. Fonte: elaborado pela autora.
Quando conseguimos identi�car os impactos ambientais mais signi�cativos, é o momento de se
dedicar a encontrar possíveis soluções. Com isso, você pode propor a utilização de tecnologias
limpas, as quais poderão, além de melhorar a imagem da empresa perante o consumidor,
diminuir o uso exacerbado de recursos naturais, desencadeando uma melhoria no desempenho
ambiental e nos cursos de processos. 
Vamos a um exemplo? Imagine que você aplicou a matriz de impacto ambiental em uma
indústria têxtil, constatando que o principal impacto ambiental gerado é o uso exacerbado de
recursos hídricos, o que, além de prejudicar o meio ambiente, onera economicamente a
organização. Uma possível solução é a implementação de sistemas de reúso da água, ação que
pode contribuir para a diminuição do uso de recursos naturais, bem como para a amenização da
conta de água da empresa. 
O uso de combustíveis fósseis ainda é latente em vários ramos industriais. Caso o impacto
ambiental de uma empresa esteja associado a esse aspecto, é possível pensar em combustíveis
alternativos, como os biocombustíveis, que estão em expansão por causa de sua viabilidade
econômica. 
Viu como aplicar a avaliação de impactos ambientais pode ser importante em sua atuação
pro�ssional? Não deixe de aprofundar seu conhecimento. Bons estudos!
Videoaula: introdução às tecnologias limpas
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
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Você já se imaginou trabalhando no setor de meio ambiente de uma empresa? Se esse é o seu
sonho, é fundamental entender os conceitos relacionados a aspectos e impactos ambientais,
não é mesmo? Neste vídeo, daremos destaque a esse assunto, associando todo esse
conhecimento ao uso de tecnologias limpas, que podem ser consideradas ferramentas para
compatibilizar as atividades industriais com boas práticas ambientais. Não deixe de conferir!
Saiba mais
Quando falamos na diversidade de ramos industriais que compõem a economia brasileira, logo
pensamos nas inúmeras interações que os aspectos ambientais gerados podem ocasionar no
meio, não é mesmo? Mas como podemos identi�car os principais impactos ambientais de cada
empreendimento? Além de estudar e conhecer os processos industriais, é possível utilizar
ferramentas que já direcionam sobre os possíveis impactos ambientais. Diante disso, o Conselho
Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) disponibiliza uma plataforma na qual é possível
consultar empreendimentos e seus possíveis impactos ambientais. Vamos conferir? 
http://creaweb.crea-pr.org.br/IAP/consultas/menu_consultas_iap.aspx
http://creaweb.crea-pr.org.br/IAP/consultas/menu_consultas_iap.aspx
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Referências
GOMES, M. F. Tecnologias limpas. São Paulo: InterSaberes, 2020. 
LAYKE, J.; HUTCHINSON, N. Três razões para investir em energia renovável agora. World
Resources Institute, 10 jun. 2020. Disponível em: https://wribrasil.org.br/pt/blog/2020/06/3-
razoes-para-investir-em-energia-renovavel-agora. Acesso em: 2 dez. 2021. 
PINHEIRO, A. L. da F. B. Tecnologias sustentáveis: impactos ambientais urbanos, medidas de
prevenção e controle. São Paulo. Saraiva Educação SA., 2014. 
SANCHEZ, L. E. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e métodos. São Paulo: O�cina de
Textos, 2008.
SANTOS, R. F. Planejamento ambiental: teoria e prática. São Paulo: O�cina de Textos, 2004.
Aula 2
Pegada ambiental
Introdução
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Qual é o impacto ambiental que suas atividades ocasionam no planeta? Muitas vezes, é comum
associarmos os impactos ambientais a indústrias, agricultura, expansão das cidades, entre
outros segmentos econômicos. No entanto, tais atividades funcionam justamente no intuito de
fornecer bens de consumo para o ser humano.
Os recursos naturais utilizados para a concepção de um produto não se restringem ao seu
material, mas também à quantidade de água, energia e a demais elementos que compõem o
meio. Diante desse cenário, a pegada ambiental é um indicador que relaciona o montante de
recursos gastos pelas atividades antrópicas com a capacidade de regeneração do planeta.
Como tal demanda é crescente, torna-se necessário o uso de materiais alternativos e estratégias
de educação ambiental, visto que são ferramentas que buscam harmonizar as atividades
humanas com boas práticas ambientais. Se interessou pelo assunto? Não se esqueça de rever
seus hábitos e ser protagonista das mudanças propostas!
Existe relação entre a pegada ambiental e a educação ambiental?
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Qual o planeta que você pretende deixar para as futuras gerações? Você já deve ter ouvido essa
clássica pergunta. Contudo, diante de tantas modi�cações ocasionadas pelas atividades
antrópicas, o questionamento muda de foco e busca responder justamente o contrário: quais
pessoas pretendemos deixar para o planeta? Toda essa discussão esbarra na importância de
entendermosresíduos, é necessário que seja
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
feito o gerenciamento adequado por parte das indústrias, de forma que a conservação e a
proteção do meio ambiente sejam garantidas. Além disso, a saúde humana também pode ser
afetada pelo descarte incorreto desses materiais.
É importante que a indústria tome iniciativas para gerenciar os resíduos gerados e elabore
procedimentos para todas as etapas do processo (geração, coleta, segregação, estocagem,
transporte, processamento, tratamento, recuperação e disposição). Para que esse sistema
funcione de forma adequada, é necessário um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos
(PGRS).
O PGRS englobará todos os resíduos gerados pela empresa, identi�cará em qual setor eles são
produzidos, as alternativas mais adequadas para cada etapa do manuseio até a disposição �nal,
o custo e os riscos potenciais a curto, médio e longo prazo. É válido ressaltar a importância de
documentar todo o processo de gerenciamento dos resíduos para que exista um controle e uma
padronização das medidas que devem ser tomadas em cada situação.
O gerenciamento de resíduos sólidos ideal é aquele que se baseia na adoção de medidas de
eliminação ou minimização dos resíduos gerados no processo, direcionando o foco para a
redução, reutilização e reciclagem desses materiais. Somente quando todas as opções
anteriores forem descartadas é que a empresa deve optar pela disposição �nal, a qual precisa
ser feita de acordo com o estipulado na legislação vigente.  
Infelizmente, essa ainda não é a realidade encontrada nas empresas. A maioria das organizações
opta por fazer a disposição �nal ou a remediação da área contaminada, que são resultado do
depósito inadequado dos resíduos sólidos. Vale lembrar que o acondicionamento correto é
importante para diminuir problemas com odores, contaminação e proliferação de vetores. Os
conceitos relacionados à gestão de resíduos sólidos serão fundamentais para sua atuação
pro�ssional, visto que todas as atividades humanas geram resíduos que precisam ter a
destinação adequada.
Panorama dos resíduos sólidos industriais no Brasil
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
A gestão de resíduos sólidos tem demandando cada vez mais atenção ao redor do mundo
durante a última década. No Brasil não é diferente, principalmente por in�uência da Política
Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada em agosto de 2010 (Lei nº 12.305/2010). É
importante ressaltar que o monitoramento contínuo do setor é de total importância para orientar
os ajustes necessários e apontar o melhor caminho a ser seguido.
A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE, 2021)
publicou o panorama atualizado dos resíduos sólidos urbanos (RSU) produzidos no Brasil na
última década. Nesse período, a geração desses materiais cresceu 19%, passando de 67 para 79
milhões de toneladas por ano. Desse montante, 49,8% correspondem à região sudeste.
O lado bom é que a quantidade de RSU coletados no país cresceu para 24%, atingindo 72,7
milhões de toneladas, dentre os quais 60% tiveram destinação apropriada. Entretanto, os
números referentes à destinação incorreta subiram 16%, impactando diretamente a saúde da
população e gerando um custo de USD 1 bilhão por ano.
A disposição �nal adequada é fundamental para a prevenção da contaminação e proliferação de
doenças. Nesse setor, observou-se um aumento de 10 milhões de toneladas por ano num
período de dez anos, o que totaliza 43 milhões de toneladas por ano de RSU que tiveram uma
destinação adequada. No entanto, a quantidade de RSU dispostos inadequadamente passou de
25 milhões de toneladas por ano para mais de 29 milhões de toneladas por ano.
Tratando-se de resíduos sólidos industriais, você pode acessar o painel de geração de resíduos
disponibilizado pelo Ibama em parceria com o Ministério do Meio Ambiente. Uma análise feita
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
em 62.098 empresas mostrou que a produção de resíduos sólidos não perigosos diminuiu de
321 milhões de toneladas no ano de 2012 para aproximadamente 261 milhões de toneladas no
ano de 2019. Por outro lado, a geração de resíduos sólidos perigosos subiu para 10 milhões de
toneladas por ano nesse mesmo período, como mostra a Figura 1.
Figura 1 | Painel de produção de resíduos sólidos industriais no Brasil. Fonte: Ibama (2020).
Essa diminuição na produção de resíduos sólidos ocorreu, possivelmente, por estratégias de
minimização na produção, logística reversa e pela reciclagem, que vem crescendo ao longo dos
anos. Um exemplo disso são as embalagens de defensivos agrícolas recolhidas pelo Sistema
Campo Limpo, operado pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV),
que teve uma evolução em seu processo de 31.266 toneladas em 2010 para 45.563 toneladas no
ano de 2019. Desse total, cerca de 94% das embalagens primárias (aquelas que têm contato com
o produto) foram recicladas e os outros 6% foram enviados para incineração (ABRELPE, 2020).
Apesar dos dados positivos, os índices de reciclagem no Brasil ainda são muito baixos, visto que
permanecem inferiores a 4% na média nacional. Isso se dá por vários motivos, dentre eles a
ausência de instrumentos econômicos tributários e o não reconhecimento da importância da
gestão adequada de resíduos. Os dados apresentados mostram que ainda existe um longo
caminho a ser percorrido para atingirmos uma gestão de resíduos sólidos que seja totalmente
e�ciente em nosso país, porém é importante ressaltar que os avanços observados na última
década são fundamentais para alcançarmos o objetivo.
Caracterização dos resíduos industriais
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Os resíduos sólidos industriais são bastante variados e muitos desses materiais, que são
produzidos em decorrência do processo industrial ou pelas sobras dos insumos, podem provocar
diversos problemas ao meio ambiente à saúde pública quando não destinados adequadamente.
Anteriormente, a destinação �nal dos resíduos consistia na disposição em ambientes sem
controle apropriado, conhecidos como “lixões”. Tal prática acarreta impactos ambientais e,
justamente por isso, é importante levar em consideração a destinação �nal propícia, que abrange,
por exemplo, os aterros sanitários. 
Para que o processo de destinação �nal seja e�ciente, é essencial que os resíduos sólidos sejam
caracterizados e classi�cados de maneira pertinente. Vale lembrar que os resíduos industriais
apresentam características diversi�cadas que dependerão do processo que os originou. Sendo
assim, é necessário fazer a identi�cação do processo ou da atividade que produziu os resíduos e
seus constituintes, das respectivas características e a comparação com listagens conhecidas de
resíduos e substâncias e seus impactos ao meio ambiente e à saúde da população.
Existem algumas dúvidas sobre o que seria a caracterização dos resíduos e como ela é feita.
Muitos confundem caracterização com classi�cação, acreditando que os dois conceitos têm o
mesmo signi�cado dentro do gerenciamento de resíduos. Entretanto, são etapas distintas
efetuadas durante o gerenciamento de resíduos.
A caracterização é um processo em que se determina a composição de um resíduo e suas
propriedades físicas, químicas e biológicas, qualitativa e/ou quantitativamente. Os parâmetros
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
analisados dependem da �nalidade para a qual serão utilizados, e os analíticos auxiliam na
classi�cação do resíduo. Dessa forma, é possível fazer a melhor escolha quanto à destinação.
Esse processo deve ser realizado considerando uma necessidade especí�ca, ou seja, sempre
deverá ser feito de acordo com parâmetros de�nidos caso a caso. Realizar caracterizações
somente para se ter em mãos dados gerais sobre o resíduo não é viável para a empresa.
É de extrema importância que a caracterização seja feita por pro�ssionais especializados,
seguindo os procedimentos adequados de coleta, transporte e análiseslaboratoriais, a �m de
que sejam desenvolvidos testes especí�cos baseados nas normas ABNT NBR 10004:2004,
10005:2004 e 10006:2004.
O processo de caracterização é feito em três passos, começando pela descrição detalhada da
origem dos resíduos. Nessa etapa, é necessário descrever o estado físico em que se encontra o
resíduo, o aspecto geral, cor, odor e grau de heterogeneidade (se é um resíduo homogêneo ou
heterogêneo). No segundo passo, é realizada a denominação do resíduo com base no processo
de origem. Ou seja, identi�ca-se em qual atividade da empresa o resíduo foi gerado e o
constituinte principal (substância predominante que compõe o resíduo). O terceiro estágio é a
destinação ambientalmente correta, que dependerá dos resultados analíticos dos resíduos, os
quais servirão de base para a classi�cação desses elementos. A destinação dos resíduos pode
ser realizada em diferentes locais, como em aterro para resíduo perigoso, aterro sanitário (não
perigoso) e tratamento térmico (compostagem, incineração, coprocessamento, etc.).
Durante o processo de caracterização do resíduo, não se pode cometer erros, já que, caso o
resíduo possua uma substância perigosa não identi�cada, ele poderá causar diversos impactos
ambientais. Além disso, a caracterização dos resíduos é uma parte importante que compõe a
correta gestão desses materiais dentro das empresas, podendo, inclusive, constituir uma futura
demanda de atuação pro�ssional, uma vez que as empresas precisam dessa atividade na gestão
dos resíduos. Por isso, não deixe de aprofundar seu conhecimento na temática!
Videoaula: conceitos e caracterização de resíduos
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Olá, estudante! Neste vídeo, você terá um direcionamento de estudo sobre os principais
conceitos relacionados aos resíduos sólidos industriais, seu panorama na última década no
Brasil e o passo a passo de como realizar a caracterização desses materiais, processo que serve
de base para a classi�cação e o destino dos resíduos. Bons estudos!
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Saiba mais
Como podemos saber a situação atual dos resíduos sólidos no Brasil? Buscando responder a
esse questionamento, foi elaborada a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Vamos conferir?
Além disso, no site do Ibama, é possível ter acesso ao panorama de produção de resíduos
sólidos industriais no Brasil.
Referências
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm
https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiNjVkNmZhNjgtNTFjYS00NTEwLTkyZDQtNGE3Y2VlNzc2MzdkIiwidCI6IjM5NTdhMzY3LTZkMzgtNGMxZi1hNGJhLTMzZThmM2M1NTBlNyJ9
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10004: classi�cação de resíduos sólidos.
2. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10005: lixiviação de resíduos sólidos. 2.
ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10006: solubilização de resíduos sólidos.
2. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.
BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos;
altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União,
Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 1 dez. 2021.
PAINEL da Geração de Resíduos no Brasil. Ibama, 2020. Disponível em:
https://app.powerbi.com/view?
r=eyJrIjoiNjVkNmZhNjgtNTFjYS00NTEwLTkyZDQtNGE3Y2VlNzc2MzdkIiwidCI6IjM5NTdhMzY3LT
ZkMzgtNGMxZi1hNGJhLTMzZThmM2M1NTBlNyJ9. Acesso em: 6 dez. 2021.
PANORAMA dos Resíduos Sólidos no Brasil – 2021. Abrelpe, 7 dez. 2021. Disponível em:
https://abrelpe.org.br/panorama/. Acesso em: 12 dez. 2021.
PHILIPPI JÚNIOR, A. Saneamento, saúde e ambiente: fundamentos para um desenvolvimento
sustentável. Barueri: Manole, 2005.
Aula 2
Minimização de resíduos no setor industrial
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Introdução
Em virtude da evolução industrial e do crescente número populacional, a preocupação com a
produção e destinação dos resíduos sólidos está cada vez maior. O cenário de melhorias
referentes a geração, segregação, tratamento, transporte e destinação �nal dos resíduos sólidos
teve como marco importante a publicação da Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que instituiu
a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). 
Além disso, essa lei trouxe o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), que é uma
importante ferramenta para auxiliar os geradores a fazerem o correto gerenciamento de resíduos.
A elaboração do PGRS deve ser conduzida por pro�ssionais habilitados e seguir as
especi�cidades das legislações federais, estaduais e municipais referentes ao assunto. Inclusive,
você poderá produzir esse documento, então não deixe de assimilar tudo o que será analisado
neste material. Bons estudos!
Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) e os resíduos
industriais
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
O poder público (executivo, legislativo e judiciário) tem um papel de extrema importância na
gestão dos resíduos sólidos urbanos, principalmente no que se refere a regularização e
normatização dos aspectos sociais, ambientais, culturais, econômicos, sanitários, entre outros.
O art. 225, § 2, da Constituição Federal de 1988 estabelece que “aquele que explorar recursos
minerais �ca obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica
exigida pelo órgão público competente, na forma da lei” (BRASIL, 1988, [s. p.]). Ou seja, a
problematização acerca dos resíduos sólidos começa na extração da matéria-prima, já que esses
materiais são gerados durante tal processo, como acontece nas atividades de mineração.
Também é válido ressaltar que, mesmo depois do tratamento e acondicionamento do resíduo
sólido, ainda existirá um problema ambiental. Isso acontece por causa do passivo ambiental
provocado.
Por essa razão, a elaboração de uma Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) é de grande
relevância. No Brasil, em 2007, o poder executivo enviou ao Congresso Nacional o projeto de lei
que trata sobre o assunto, o qual foi iniciado na década de 1990. Finalmente, no dia 7 de julho de
2010, o Senado Federal aprovou o Projeto de Lei nº 354/1989, que trata da PNRS.
Em 2 de agosto de 2010, a Lei nº 12.305, que instituiu a PNRS, foi publicada e passou a ser
considerada um marco na legislação ambiental brasileira. Essa Lei contextualizou novas
perspectivas sobre a gestão dos resíduos sólidos urbanos e legalizou a responsabilidade
municipal pelo gerenciamento dos resíduos gerados em seu território. Ou seja, a
responsabilidade da coleta, acondicionamento e disposição �nal dos resíduos gerados pela
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
população passou a ser do município. A legislação também priorizou as iniciativas de soluções
consorciadas ou compartilhadas entre dois ou mais municípios.
A PNRS inovou ao de�nir metas para a eliminação e recuperação de lixões, associadas à inclusão
social e à emancipação econômica de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis.
Podemos perceber que a Lei veio com o intuito principal de preservação, principalmente do solo,
já que os lixões são simplesmente depósitos de resíduos com fatores que os tornam
inadequados para a disposição, como falta de impermeabilização do solo e de tratamento de
chorume e gases gerados no local.
A Lei é um demonstrativo de como deve acontecer o gerenciamento dos resíduos sólidos desde
a sua geração até o destino �nal, incluindo processos como reciclagem, reaproveitamento e
logística reversa. Além dessas vertentes, a PNRS se estende e trata de muitos outros assuntos,
como as ordens de prioridade para evitar geração de resíduos, o plano de gerenciamento dessesmateriais em cada nível e a determinação de algumas tecnologias que podem ser utilizadas para
a geração de energia a partir do resíduo. Ou seja, a PNRS ajuda o pro�ssional a gerenciar os
resíduos sólidos corretamente, por isso não deixe de se aprofundar nesse assunto.
Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS)
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
O crescimento populacional e o modo de vida urbano têm gerado uma quantidade e diversidade
de resíduos sólidos cada vez maiores, tornando necessário um sistema de coleta, tratamento e
destinação ambientalmente adequada, já que existem inúmeros fatores de risco para o meio
ambiente e para a saúde humana. Por causa da variedade que os resíduos sólidos apresentam, a
gestão desses materiais é de extrema importância e complexidade. 
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) ajuda os pro�ssionais a fazerem o correto
gerenciamento desses resíduos. Para tanto, é necessário um documento no qual seja descrita a
origem, características, classi�cação, tratamento e destinação �nal dos resíduos sólidos. Esse
estudo é chamado de Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS). É nele que os
responsáveis pelo resíduo sólido gerado indicam e elencam as ações relativas ao manejo desse
material.
O PGRS abrange aspectos referentes a geração, segregação prévia, acondicionamento,
transporte interno, armazenamento, coleta, transporte externo, tratamento, destinação �nal e
disposição �nal ambientalmente adequada dos resíduos sólidos, de forma a proteger a saúde e o
meio ambiente. Em resumo, o PGRS é um estudo ambiental documentado que compreende
técnicas e procedimentos com o intuito de auxiliar as empresas na identi�cação de pontos de
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geração de cada tipo de resíduo e na promoção da redução e reutilização de resíduos
segregados corretamente. 
A �m de garantir que a execução do PGRS seja e�caz, atinja seus objetivos e metas, além de
respeitar prazos e leis especí�cas referentes a cada tipo de resíduo, a empresa pode adotar
metodologias de gestão empresarial, como o ciclo PDCA, do inglês Plan, Do, Check, Act, que
signi�ca planejar, fazer, veri�car e agir. Trata-se de uma técnica de gestão interativa que consiste
nesses quatro passos, objetivando melhorar o processo de forma contínua. Na Figura 1, a seguir,
é possível observar o esquema da ferramenta.
Figura 1 | Esquema da ferramenta PDCA. Fonte: elaborada pela autora.
Acredita-se que, por meio do gerenciamento adequado dos resíduos gerados na instituição, é
possível obter a melhoria da qualidade ambiental. É interessante que exista o envolvimento de
diversas áreas pro�ssionais na busca de novas tecnologias e resolução de problemas
identi�cados em cada tipo de resíduo produzido. Para trabalhar no desenvolvimento do PGRS, o
pro�ssional precisa ter domínio sobre leis e normas especí�cas desse setor, além de conhecer
tecnologias para a destinação �nal ambientalmente adequada de resíduos. 
As empresas estão investindo cada vez mais na quali�cação de seus funcionários, para que
estes possam assumir o cargo de responsáveis pelo gerenciamento de resíduos sólidos da
organização. Diante disso, uma das competências fundamentais a esse pro�ssional é conhecer o
processo de produção e o ciclo de vida dos produtos, sendo capaz de apontar diferentes formas
de tratamento dos resíduos sólidos gerados pela companhia.
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Etapas constituintes do PGRS
O Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) é uma ferramenta de grande valia
utilizada pelos municípios e pelas empresas para o correto gerenciamento dos resíduos. Esse
recurso é um documento descritivo com todas as etapas que devem ser realizadas pelo
potencial gerador na hora de fazer o devido acondicionamento, tratamento e destinação do
material produzido. O estudo deve abranger procedimentos e técnicas que garantam a
efetividade das ações tomadas e ajudem a empresa a identi�car aspectos referentes a geração e
possíveis desperdícios no processo produtivo.
O art. 20 da Lei Federal nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos
(PNRS), de�ne quais empresas geradoras de resíduos sólidos são sujeitas à elaboração do
PGRS. De acordo com a listagem, é possível deduzir que quase todos os órgãos públicos nas
esferas federal, estadual e municipal são obrigados a elaborar, aplicar e publicar os planos de
gerenciamento de resíduos sólidos, com exceção dos órgãos sem geração signi�cativa, como
escritórios de software e a�ns. A obrigatoriedade do PGRS existe desde a publicação da Lei nº
9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (BRASIL, 1998), no entanto sua formatação atual e
principalmente seu acato para o licenciamento ambiental foram instituídos pela Política Nacional
de Resíduos Sólidos.
A elaboração do PGRS deverá ser baseada nos requisitos contidos nas legislações federais,
estaduais e municipais e nas Normas Técnicas Brasileiras (NBRs). Ou seja, é importante levar em
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consideração as especi�cidades de cada município e estado para que o documento seja
desenvolvido corretamente.
De uma forma geral, a construção de um PGRS se inicia basicamente pelo levantamento dos
insumos utilizados na operação da empresa. Em seguida, deve ser feita a descrição do processo
produtivo e o levantamento dos pontos geradores de resíduos ao longo do
procedimento. Também é necessário realizar a avaliação dos resíduos aptos para reutilização ou
reciclagem. Posteriormente, escolhem-se o tratamento e a destinação �nal de acordo com o que
está exposto na legislação. As etapas do gerenciamento dos resíduos estão dispostas na Figura
2, a seguir.
Figura 2 | Etapas do processo de elaboração do PGRS. Fonte: elaborada pela autora.
Vale lembrar que cada município apresentará especi�cidades, as quais deverão ser cumpridas
por cada empresa. Inclusive, o próprio processo de licenciamento ambiental se difere de acordo
com o porte e estrutura das cidades. Com isso, são elaborados termos de referência, os quais
são baseados na Política Nacional de Resíduos Sólidos (BRASIL, 2010). Por essa razão, é de
extrema importância que o pro�ssional da área esteja atualizado no que se refere às legislações
pertinentes ao gerenciamento dos resíduos, tanto em nível federal como estatual e municipal.
Lembre-se de que a elaboração de um PGRS poderá fazer parte de suas atribuições pro�ssionais
futuramente. Por isso, aprofunde seus conhecimentos e aplique os conceitos aprendidos no seu
dia a dia. Bons estudos!
Videoaula: minimização de resíduos no setor industrial
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
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Olá, estudante! Você já parou para pensar como deve ser feita a gestão correta dos resíduos
sólidos? No vídeo a seguir, vamos abordar as legislações pertinentes a esse assunto e detalhar
os princípios do Plano de Gestão de Resíduos Sólidos, bem como as etapas necessárias para a
sua elaboração. Quer saber mais sobre o tema? Não deixe de assistir ao vídeo!
Saiba mais
Para entender melhor as particularidades da legislação relativa aos resíduos sólidos, faz-se
necessário conhecer os tópicos abordados pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº
12.305/2010). 
Referências
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil [recurso
eletrônico]. Brasília: Supremo Tribunal Federal, Secretaria de Documentação, 2019. Disponível
em: https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/legislacaoConstituicao/anexo/CF.pdf. Acesso em: 10
dez. 2021.
BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de1998. Dispõe sobre as sanções penais e
administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras
providências. Diário O�cial da União, Brasília, 13 fev. 1998. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm. Acesso em: 10 dez. 2021.
BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos;
altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União,
Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 6 dez. 2021.
Aula 3
Disposição �nal de resíduos
Introdução
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
O processo de gerenciamento dos resíduos sólidos por parte das empresas tem fundamental
importância na minimização dos impactos ambientais causados por esses materiais.
Atualmente, existem várias legislações pertinentes acerca do assunto que auxiliam a
organização no processo de gerenciamento de resíduos, contemplando desde a geração desses
elementos até o encaminhamento para a destinação �nal. 
Logo, é necessário que a empresa esteja atenta ao processo produtivo, pois assim será possível
incluir estratégias que contribuirão com a redução, o reúso e até mesmo a reciclagem dos
resíduos. Além disso, é preciso fazer o tratamento e a destinação adequada do material gerado
para que os impactos negativos sejam minimizados.
Legislação ambiental acerca dos resíduos sólidos
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
A gestão incorreta de resíduos sólidos provoca muitos impactos ambientais, como poluição do
solo, água, ar, proliferação de vetores e danos à saúde da população. Por essas razões, os
geradores de resíduos sólidos que não se comprometem, perante a lei, a fazer o manejo desses
materiais de forma adequada sofrem penalidades legais, que vão desde uma simples
advertência até o fechamento do estabelecimento atribuído de multas altíssimas. 
Sendo assim, é fundamental falarmos sobre as legislações relativas aos resíduos sólidos. Vamos
começar pela popularmente conhecida Lei do Lixo, a Lei nº 12.305/2010, que institui a Política
Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Nela, encontram-se as diretrizes para que as empresas e
os órgãos públicos façam a correta destinação de seus resíduos sólidos (BRASIL, 2010). Além da
PNRS, existem várias leis, decretos, resoluções e normativas que abordam esse assunto, tanto
em nível federal quanto estadual e municipal. Embora boa parte das normas tenha sido criada
antes da PNRS, todas auxiliam e se submetem a essa lei.
A PNRS determina que a responsabilidade pelo resíduo sólido é do gerador, ou seja, é a empresa
que deve fazer o tratamento e a destinação desse material. Essa lei também aponta quais
organizações têm obrigatoriedade quanto à elaboração do Plano de Gerenciamento dos
Resíduos Sólidos (PGRS), um documento no qual se descreve a origem, quantidade,
classi�cação, tratamento e como deve ser realizada a destinação dos resíduos sólidos.
As normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) também são de
grande valia para que seja feito o correto gerenciamento dos resíduos sólidos. Dentre as
principais normas relacionadas a essa temática, está a ABNT NBR 10004:2004, que classi�ca os
resíduos industriais levando em consideração os riscos que cada material pode causar para o
meio ambiente e para a saúde da população. Além dessa norma, ainda há outras diretrizes que
orientam os geradores quanto ao armazenamento, tratamento, transporte e destinação �nal de
resíduos.
Em relação aos resíduos perigosos, existem normas especí�cas, como a Resolução da Agência
Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) n° 5232/2016 e a norma geral para transporte de
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
resíduos, a ABNT NBR 13221:2021. No ano de 2020, foi publicada como ferramenta de gestão e
documento declaratório de implantação e operacionalização do plano de gerenciamento de
resíduos a Portaria nº 280/2020, que institui o Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR)
nacional e dispõe sobre o Inventário Nacional de Resíduos Sólidos.
O pro�ssional que trabalha com o manejo de resíduos sólidos deve sempre estar atento às
legislações estaduais e municipais. Vale lembrar que deve ser obedecida a legislação que for
mais restritiva. Além disso, é importante sempre veri�car quais normas ainda estão em vigor ou
foram atualizadas, no intuito de evitar os impactos negativos causados pelos resíduos. Por isso,
é essencial se aprofundar mais no assunto.
Disposição �nal de resíduos industriais
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Os resíduos industriais são considerados um potencial contaminante para o meio ambiente e
para a população. Por esse motivo, é fundamental fazer a destinação �nal adequada desses
materiais. Atualmente, existem várias alternativas para o despejo de resíduos industriais. Quando
há uma gestão ambiental e�ciente na empresa, devem-se apresentar as diferentes opções
disponíveis para que seja possível escolher a que melhor se enquadra para cada tipo de resíduo.
Para iniciarmos, é muito importante que você saiba a diferença entre lixão, aterro controlado e
aterro sanitário. Por muitos anos, o lixão foi utilizado como destino �nal de resíduos sólidos. É
uma área de disposição sem nenhuma preparação anterior. Ou seja, o solo não possui nenhum
tipo de impermeabilização, não tem sistema de tratamento do e�uente líquido (chorume) nem
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
sistema de dispersão de gases produzidos pelos resíduos, o que contribui para a contaminação
do solo e do lençol freático. Além disso, não é feita a correta separação do material, deixando-o a
céu aberto, fato que acarreta a proliferação de vetores, como moscas, ratos, baratas e pássaros.
Já no aterro controlado, como o próprio nome já diz, a disposição do resíduo é desenvolvida de
forma controlada e o material recebe uma cobertura de solo. Porém, esse espaço também não
possui impermeabilização do solo nem sistema de tratamento do chorume e dos gases. Existe a
recirculação do chorume, que, depois de coletado, é jogado em cima da pilha de resíduos com
objetivo de diminuir sua absorção pelo solo. Os aterros controlados são normalmente uma célula
remediada junta ao lixão, recebendo cobertura de grama e argila.
Por outro lado, nos aterros sanitários a disposição dos resíduos é feita de forma adequada, já
que o solo é impermeabilizado. Para alcançar o nivelamento do terreno, aplicam-se argila e
mantas de PVC (comumente a geomembrana) na base. Além disso, uma rede de drenagem de
gases e chorume é instalada. O chorume é encaminhado para tratamento e os gases são
queimados. Os resíduos são cobertos com solo e, posteriormente, compactados por tratores, o
que di�culta a proliferação de vetores. Existem, ainda, poços de monitoramento aberto próximos
ao aterro. Dessa forma, é possível realizar a inspeção da qualidade da água.
Há, também, os aterros industriais, que têm a mesma estrutura dos aterros sanitários, mas se
destinam apenas à disposição de resíduos provenientes de indústrias. É importante ressaltar que
a Política Nacional de Resíduos Sólidos proibiu a existência de aterros controlados e lixões,
estabelecendo como locais ambientalmente adequados para a destinação dos resíduos os
aterros sanitário e industrial.
Outra opção para o despejo de resíduos industriais é a incineração, que consiste na queima
desses materiais em fornos de usinas próprias. Nesse processo, associam-se altas temperaturas
ao oxigênio em excesso. O resultado é uma cinza inerte, reduzindo de 70% a 90% do volume dos
materiais. A destinação �nal dos resíduos sólidos é muito importante na gestão desses
elementos, por isso não deixe de pesquisar mais sobre o assunto.
Estratégias de gerenciamento de resíduos sólidos industriais
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
A gestão dos resíduos sólidos industriais vem colaborando cada vez mais com asempresas na
minimização dos impactos negativos causados pelos materiais gerados nos processos de
produção. Além disso, a ausência de uma gestão de resíduos sólidos pode ocasionar multas
elevadas para a indústria e atrapalhar parcerias, principalmente com empresas internacionais,
em virtude da falta de responsabilidade ambiental.
Para que a gestão de resíduos sólidos seja e�ciente, é essencial que exista um planejamento, e
as diretrizes e estratégias são fundamentais nesse processo, devendo salientar a
sustentabilidade ambiental e econômica, além de trazer clareza sobre qual é a ordem de
prioridade imposta pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), começando pela não
geração e seguindo para a redução, reutilização e reciclagem, tratamento e disposição �nal.
Assim, as diretrizes são as linhas norteadoras, e as estratégias indicam como elas serão
implementadas. É por meio desses componentes do planejamento que as ações e os programas
necessários para atingir as metas traçadas pela empresa serão de�nidos. As diretrizes,
estratégias, metas e ações deverão ser delineadas considerando-se os diversos tipos de
responsabilidades presentes no processo de gestão compartilhada dos resíduos.
As principais estratégias utilizadas para o gerenciamento adequado dos resíduos sólidos
industriais seguem o princípio dos 5Rs, que são basicamente cinco ações que devem ser
implementadas de modo integrado: repensar, recusar, reduzir, reutilizar e, por último, reciclar.
Além dessas práticas, a promoção de sistemas de tratamento e a disposição �nal correta de
resíduos complementam o processo.
Repensar os hábitos da empresa signi�ca fazer a avaliação da real necessidade da companhia,
pois assim a organização passará a adquirir apenas o indispensável. Essa etapa vai além da
empresa; é necessário re�etir sobre a produção, distribuição e também sobre como seu cliente
fará o descarte do produto após o consumo. O segundo R vem de recusar, ou seja, envolve a não
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aquisição do que não é necessário. Nessa etapa, é preciso ser crítico em relação ao que
compramos, analisar se um determinado produto causa danos ao meio ambiente ou aos
animais, recusar e buscar outra opção que esteja de acordo com seus ideais ecológicos. 
Quando falamos em reduzir, signi�ca diminuir a quantidade de resíduos na fonte, enfatizando a
não produção do resíduo, como a redução do excesso de embalagens que chega até o
consumidor junto com o produto. A maior vantagem para a empresa é a minimização de gastos.
Já a reutilização requer criatividade, podendo ser usada no próprio processo de geração de
resíduos ou ser encaminhada para outra atividade. Nada mais é do que o reúso do material sem
que exista algum tipo de tratamento que altere suas características físico-químicas. Ou seja,
consiste em dar uma nova função para o resíduo. Como exemplo, podemos citar o uso de vidros
de conserva para guardar condimentos. Essa prática contribui para aumentar a vida útil do
material e diminui a quantidade de resíduos que chega os aterros sanitários.
O último R vem de reciclar, que é uma prática muito importante na gestão de resíduos sólidos,
podendo ser considerada uma forma de tratamento desses materiais. A reciclagem é um
processo que transforma os resíduos sólidos em matéria-prima na produção de um novo
produto. Assim é possível diminuir a extração de recursos naturais e, na maioria das vezes, esse
processo gasta menos energia quando comparado à produção original do produto. É de extrema
importância ter o conhecimento das ações que podemos tomar no dia a dia para contribuir com
esse procedimento.
Videoaula: disposição �nal de resíduos
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Olá, estudante! Você sabia que atitudes diárias em relação à geração e à destinação dos resíduos
sólidos fazem toda a diferença no gerenciamento desses materiais? No vídeo de hoje, vamos
falar sobre o despejo correto de resíduos e as estratégias que podem ser utilizadas pelas
empresas para diminuir o volume de materiais que precisam ser encaminhados para a
destinação �nal. Não deixe de assistir ao vídeo. Bons estudos!
Saiba mais
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Para entender melhor o processo de gerenciamento dos resíduos sólidos, é interessante acessar
o plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos da sua cidade, que é disponibilizado
no site de cada prefeitura. No link a seguir, você encontrará o Plano Municipal de Gestão
Integrada de Resíduos Sólidos – PMGIRS da Cidade do Rio de Janeiro. Não deixe de acessar o
material para saber mais sobre o assunto.
Referências
http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/3372233/4160602/PMGIRS_Versao_final_publicacao_DO_dezembro2015_19_ABR_2016_sem_cabecalho1.pdf
http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/3372233/4160602/PMGIRS_Versao_final_publicacao_DO_dezembro2015_19_ABR_2016_sem_cabecalho1.pdf
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ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10004:2004: resíduos sólidos:
classi�cação. 2. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13221:2021: transporte de resíduos:
classi�cação. 6. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2021.
BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos;
altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União,
Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 20 dez. 2021.
BRASIL. Portaria n° 280, de 29 de junho de 2020. Regulamenta os arts. 56 e 76 do Decreto nº
7.404, de 23 de dezembro de 2010, e o art. 8º do Decreto nº 10.388, de 5 de junho de 2020,
institui o Manifesto de Transporte de Resíduos - MTR nacional, como ferramenta de gestão e
documento declaratório de implantação e operacionalização do plano de gerenciamento de
resíduos, dispõe sobre o Inventário Nacional de Resíduos Sólidos e complementa a Portaria nº
412, de 25 de junho de 2019. Diário O�cial da União, Brasília, n. 123, seção 1, 30 jun. 2020.
Disponível em: https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-n-280-de-29-de-junho-de-2020-
264244199. Acesso em: 21 dez. 2021.
BRASIL. Resolução ANTT nº 5232, de 14 de dezembro de 2016. Aprova as Instruções
Complementares ao Regulamento Terrestre do Transporte de Produtos Perigosos, e dá outras
providências. Diário O�cial da União, Brasília, n. 241, seção 1, 16 dez. 2016. Disponível em:
https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/24783215. Acesso
em: 11 dez. 2021.
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Aula 4
Avaliação de Ciclo de Vida
Introdução
Na hora de fazer a gestão de um produto ou serviço, a empresa pode se bene�ciar do uso de
algumas estratégias que auxiliam e facilitam as tomadas de decisão. Uma dessas ferramentas é
a avaliação de ciclo de vida (ACV), a qual permite que a organização implemente uma análise
sistemática a respeito das etapas da vida do produto, abrangendo desde o seu desenvolvimento
até a disposição �nal. Tal recurso avalia as consequências ambientais que estão associadas a
algum produto. O modelo é dividido em cinco etapas: desenvolvimento, introdução, crescimento,
maturidade e declínio do produto ou serviço. Tudo isso pode ser aplicado à gestão de resíduos
sólidos, sendo uma ferramenta instituída pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº
12.305/2010). Assim, quando essa avaliação for efetuada de forma correta, a empresa poderá
tomar a melhor decisão em relação a cada etapa do processo de produção. Por isso, não deixe
de entender essa temática. Bons estudos!
O conceito de avaliação de ciclo de vida (ACV)
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
O ciclo de vida é um modelo que explora cada fase pela qual um produto passaao longo da sua
vida, desde o começo até o �nal. É uma ferramenta administrativa utilizada na gestão ambiental
para analisar e avaliar os impactos ambientais de um processo ou produto. O começo do ciclo de
vida de um produto é representado pelo seu projeto e vai até a retirada desse item do mercado,
perpassando pelo lançamento, crescimento e maturidade (venda).
O conceito veio de um estudo feito por um economista alemão chamado Theodore Levitt (1965)
na Universidade de Harvard (LEVITT, 1990). O modelo possui quatro etapas, porém, se você
considerar o estágio de desenvolvimento, passa a ter cinco fases (Figura 1). 
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
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Figura 1 | Etapas do ciclo de vida de um produto. Fonte: elaborada pela autora.
Como as etapas são sequenciais, só será possível ir para a próxima fase se a anterior for bem
executada. Sendo assim, não faz sentido seguir para as estratégias de crescimento se o produto
não tiver sido devidamente introduzido. Para entender melhor, vamos detalhar cada etapa.
A primeira fase compreende o desenvolvimento do produto. Esse estágio é considerado bem
sensível por apresentar ideias que ainda precisarão ser lapidadas corretamente para que
comecem a gerar receitas. Para isso, é preciso realizar testes, validar todas as hipóteses
inicialmente levantadas e, em seguida, fazer os ajustes necessários. A etapa de desenvolvimento
já representa uma preocupação para a empresa, pois mesmo não exigindo esforço de venda,
manifesta a necessidade de começar a divulgação.
Quando o produto passa pelos critérios de desenvolvimento e está pronto para ser lançado no
mercado, inicia-se a segunda etapa: a introdução. Essa fase pode apresentar um período lento de
vendas. Isso acontece porque o público ainda não teve contato com o produto. Além disso, por
causa dos custos de introdução do produto no mercado, o retorno �nanceiro acaba sendo baixo.
É a fase do ciclo de vida que mais precisa de investimento em marketing e de uma de�nição
minuciosa do público-alvo.
O crescimento é a terceira etapa do ciclo, na qual o consumidor já tem conhecimento do produto,
as vendas começam a crescer e, consequentemente, há o aumento do lucro. Não é possível
saber quanto tempo esse processo levará para acontecer, pois depende do produto e do mercado
em que ele está inserido.
A quarta etapa é a maturidade, considerada o ponto alto do ciclo de vida do produto. É nessa
etapa que o produto alcança seu potencial máximo de venda. Quando chega ao pico, não é mais
possível crescer. Logo, nesse momento é importante que a empresa garanta que o produto não
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retroceda, mantendo os bons resultados por um longo período. Para isso, é necessário que a
organização não se acomode.
O declínio é a quinta e última etapa, em que as vendas do produto começam a cair, o que pode
ocorrer por conta de um novo concorrente ou pelo surgimento de novas tecnologias. Por essa
razão, é de grande importância que a empresa mantenha seu produto atualizado.
Independentemente do motivo, a companhia precisa saber quando não compensa mais investir
no produto. Além da questão econômica, a partir desse conceito é possível prever os impactos
ambientais e mitigá-los. A ACV pode ser aplicada, por exemplo, à gestão de resíduos sólidos.
Assim, é uma ferramenta capaz de trazer benefícios à empresa, facilitando a tomada de decisão.
Não deixe de se aprofundar sobre o assunto!
Aplicação da avaliação de ciclo de vida (ACV)
A avaliação do ciclo de vida de um produto é uma ferramenta administrativa que permite fazer a
análise do produto contemplando desde seu desenvolvimento até a retirada desse item do
mercado. Tal recurso não se limita apenas a produtos. Se fosse assim, o público que pode fazer
uso da ACV acabaria sendo restringido. Mesmo que o ciclo de vida funcione de forma mais
efetiva para indústrias por causa de suas características, esse método pode ser adaptado.
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Vamos usar como exemplo uma empresa que tem várias �liais instaladas em diferentes cidades.
Cada �lial pode ser considerada um produto, bastando analisar o desempenho individual de cada
uma. Dependendo da atividade, é possível substituir o produto por serviço na utilização da
ferramenta.
O ciclo de vida também pode ser aplicado à gestão de resíduos sólidos. De acordo com a Lei nº
12.305/2010 (que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos), as etapas a serem seguidas
são: desenvolvimento, obtenção de matérias-primas e insumos, processo de produção, consumo
e disposição �nal (BRASIL, 2010). 
Além disso, tal documento legal cita a importância da responsabilidade compartilhada no ciclo
de vida, englobando, assim, os fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e até
mesmo os consumidores �nais. Inclusive, tal conceito está alinhado à importância de se
implementar os sistemas de logística reversa dos produtos, os quais precisam estar em
conformidade com as características do resíduo gerado e com os respectivos planos de gestão e
gerenciamento de resíduos sólidos (BRASIL, 2010). 
Para a empresa, ter consciência do ciclo de vida do produto tem a mesma importância do
tratamento de resíduos em si, já que se pode reduzir signi�cativamente a quantidade de
materiais gerados no processo à medida que as técnicas de logística reversa são
implementadas. 
A ferramenta em questão faz a avaliação da cadeia produtiva, com o propósito de mostrar os
impactos ambientais causados durante toda a vida do resíduo. Consequentemente, é um recurso
que ajuda a empresa na busca pelo desenvolvimento sustentável. Assim, a organização
incorpora a logística reversa como parte da avaliação do ciclo de vida, de�nindo o destino de
cada resíduo que faz parte do processo de produção.
A mudança no foco das empresas está relacionada com a perspectiva do ciclo de vida, trazendo
uma postura ambientalmente mais responsável frente à cadeia produtiva de atuação das
companhias. Dessa forma, as organizações passam de um cenário em que a avaliação dos
impactos ambientais era feita enquanto estes estavam em seu poder para um panorama no qual
é necessário enxergar e avaliar em quais pontos se pode controlar e/ou in�uenciar o ciclo de
vida.
Podemos usar como exemplo a avaliação e a escolha feitas por empresas acerca das matérias-
primas que causam menor impacto ambiental, optando, muitas vezes, por matérias provenientes
de fontes renováveis em vez de fontes não renováveis. Outro exemplo é a preferência por
transportes mais ecológicos, como os carros elétricos.
É importante que os objetivos e o escopo da avaliação de ciclo de vida sejam claramente
de�nidos e consistentes para facilitar o processo de implementação desse recurso. Deve constar
no objetivo qual será a aplicação pretendida, as razões pela qual será realizada e o alvo a ser
atingido. Já o escopo deverá ser compatível com o objetivo e precisará de�nir os parâmetros sob
os quais o estudo será desenvolvido. A ACV é uma ferramenta de grande valia dentro das
empresas, por isso não deixe de aprender mais sobre essa temática.
Limitações relacionadas à avaliação de ciclo de vida (ACV)
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A avaliação de ciclo de vida permite que a empresa desenvolva uma análise sistemática a
respeito das consequências ambientais que estão associadas a algum produto. O uso dessa
ferramenta viabiliza a veri�cação dos balanços ambientais, quantidades de resíduos a serem
descartados para o ar, água e solo e os efeitos causados ao meio ambiente e à comunidade.
Diversos setores utilizam a avaliação do ciclo de vida, dentre os quais podemos citar as áreas de
construção civil, embalagens, mineração, agropecuária, automobilismo, energia, química, entre
outras. Mesmo sendo usada em diversos segmentos, a aplicação da ACV encontra diversas
barreiras que devem ser superadas para que haja uma aplicação e�ciente, como a falta de
pro�ssionais habilitados.
A técnica da avaliação do ciclo de vida ainda estáem evolução e, por essa razão, deve-se ter
cautela ao fazer análises comparativas de processos e de produtos. Em virtude das limitações,
deve-se obedecer ao que descreve a norma ABNT NBR ISO 14040:2009, a qual determina a
estrutura, os princípios, os requisitos e as diretrizes que precisam constar em um estudo de
avaliação do ciclo de vida (Figura 2). Também é necessário destacar que podem existir algumas
incertezas na qualidade dos dados e dos resultados, bem como uma tendência decorrente do
julgamento e discernimento por parte do pro�ssional encarregado do estudo.
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Figura 2 | Estrutura da avaliação de ciclo de vida de acordo com a ABNT NBR ISO 14040:2009. Fonte: ABNT (2009, p. 8).
A obtenção de informações e bases de dados con�áveis e completas para a elaboração do
inventário é uma di�culdade encontrada para a aplicação da avaliação do ciclo de vida. Esse
problema pode ser atribuído ao fato de que muitas empresas têm receio de divulgar seus
processos produtivos. Outra questão é a análise dos impactos negativos causados pelo
transporte do produto, já que o setor de transporte ainda é um dos grandes poluidores que pouco
tem feito para minimizar os efeitos provocados pela queima de combustíveis.
Existem muitas fontes de incertezas relacionadas à avaliação de ciclo de vida, como a escolha
equivocada de uma unidade funcional, o que pode levar a distorções nas análises. Outro erro que
pode ocorrer na aplicação da técnica é deduzir incorretamente que alguma etapa do processo
não in�uencia o resultado da avaliação e, por isso, pode ser desconsiderada. Essas limitações
acabam interferindo na con�abilidade do resultado �nal.
As avaliações de impactos e suas relações de causa e efeito são difíceis de serem descobertas,
já que mesmo sendo possível medir ou estimar as entradas e saídas de um processo industrial,
pode não �car clara a ligação desses fatores com os impactos ambientais gerados. Ainda que
apresente diversas limitações, a ACV continua sendo uma ferramenta importante. 
É possível utilizar a avaliação do ciclo de vida para elaborar estratégias direcionadas à melhoria
dos produtos e do processo. Além disso, os benefícios do uso da ferramenta se sobressaem, já
que sua aplicação auxilia o processo de tomada de decisão, o que acaba favorecendo o
planejamento estratégico da empresa. Mesmo com a sua complexidade, essa avaliação pode
contribuir para o desenvolvimento sustentável e agregar valor à imagem da companhia. Por isso,
entenda esses conceitos e faça a diferença no mercado de trabalho! Bons estudos!
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Videoaula: avaliação de Ciclo de Vida
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Olá, estudante! Você sabia que existem ferramentas que ajudam as empresas no
desenvolvimento do produto e na aplicação da logística reversa, permitindo que a companhia
tenha uma gestão ambiental mais efetiva? A ferramenta que estudaremos de forma mais
detalhada no vídeo a seguir é a avaliação do ciclo de vida. Por isso, não deixe de assistir. Bons
estudos!
Saiba mais
Para obter um melhor entendimento acerca da avaliação do ciclo de vida, é necessário que você
se aprofunde nos temas estudados nesta etapa de aprendizagem. É interessante acessar artigos
que abordem essas temáticas. Con�ra um estudo de comparação de cenários de tratamento de
resíduos sólidos urbanos por meio da técnica de avaliação do ciclo de vida.
https://www.scielo.br/j/esa/a/dbK94bttFv6xGnHsbWsnMDh/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/esa/a/dbK94bttFv6xGnHsbWsnMDh/?lang=pt
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Referências
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. ISO 14040: gestão ambiental: avaliação do
ciclo de vida: princípios de estrutura. Rio de Janeiro: ABNT, 2009.
BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos;
altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União,
Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 13 dez. 2021.
LEVITT, T. A imaginação do marketing. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1990.
MERSONI, C.; REICHERT, G. A. Comparação de cenários de tratamento de resíduos sólidos
urbanos por meio da técnica da Avaliação do Ciclo de Vida: o caso do município de Garibaldi,
RS. Engenharia Sanitária e Ambiental, v. 22, p. 863-875, 2017. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/esa/a/dbK94bttFv6xGnHsbWsnMDh/?lang=pt. Acesso em: 13 dez. 2021.
Aula 5
Revisão da unidade
A importância da Política Nacional de Resíduos Sólidos e os principais
conceitos sobre resíduos
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Todas as atividades desenvolvidas pelos seres humanos geram algum tipo de resíduo, seja
doméstico, hospitalar, de varrição, industrial, entre outros. Independentemente da espécie de
resíduo, todos precisam de uma destinação adequada, já que, quando descartados em locais
indevidos, causam diversos efeitos negativos, como a poluição das águas, solo e ar, e,
consequentemente podem ocasionar danos à saúde da população e aumentar a proliferação de
doenças. Sendo assim, é essencial que seja feita a gestão adequada desse material, com a
correta separação, tratamento e destinação �nal, de acordo com a classi�cação de cada
resíduo. 
Para isso, é fundamental que a empresa desenvolva um Plano de Gerenciamento de Resíduos
Sólidos (PGRS), que é uma importante ferramenta para ajudar os geradores a fazerem o
gerenciamento apropriado desse material. A elaboração dessa ferramenta deve ser conduzida
por um pro�ssional habilitado e seguir as especi�cidades das legislações federais, estaduais e
municipais. 
A Lei nº 12.305, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), é considerada um
marco na legislação ambiental brasileira, pois contextualizou novas perspectivas sobre a gestão
dos resíduos sólidos urbanos. Além disso, legalizou a responsabilidade municipal pelo
gerenciamento dos resíduos gerados em seu território. A PNRS passou a ser um auxílio aos
pro�ssionais na hora de gerenciar os resíduos sólidos de forma correta. 
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
É muito importante que os resíduos sólidos sejam descartados adequadamente. Para isso, é
necessário conhecer as formas de destinação desses materiais. Vamos começar falando dos
lixões, que são locais considerados inapropriados para a disposição de detritos. De acordo com a
legislação brasileira, é crime ambiental levar resíduos para esses espaços.
Outra forma de destinação são aterros controlados, os quais, por mais que façam a cobertura
dos resíduos com uma camada de solo, também são entendidos como locais de crime
ambiental, visto que apresentam um método de destinação incorreto. Já os aterros sanitários
são espaços propícios para a destinação dos resíduos sólidos. Antes de receber o material, o
solo é impermeabilizado e é feita a instalação de um sistema de tratamento de chorume e
queima dos gases. Além disso, o material recebe uma cobertura de solo que evita a proliferação
de vetores causadores de doenças. 
Existem, também, os aterros industriais, que se diferem dos aterros sanitários apenas pelo tipo
de resíduo recebido. Nesses locais, depositam-se apenas resíduos industriais. Outra opção de
destinação dos resíduos industriais é a incineração desses materiais, que consiste na queima em
fornos e em usinas próprias.
Para que a gestão correta dos resíduos seja feita, existem algumas estratégias e ferramentas
que podem ser seguidas. Uma delas é a política dos 5Rs, que faz referência a cinco
palavras: repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar. Outra técnica é a avaliação do ciclo de
vida (ACV), um recurso desenvolvido para a mensuração dos possíveis impactos ambientais
causados comoresultado da fabricação e utilização de determinado produto ou serviço. É um
modelo denominado de ciclo de vida do produto, o qual possui cinco fases: desenvolvimento,
introdução, crescimento, maturidade e declínio. É fundamental que o pro�ssional conheça
técnicas e ferramentas para a correta gestão dos resíduos. Não deixe de se aprofundar. Bons
estudos!
Videoaula revisional da unidade
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Olá, estudante! Você sabia que o gerenciamento de resíduos sólidos industriais é muito
importante para diminuir a contaminação do meio ambiente e evitar danos à saúde humana? É
fundamental que o pro�ssional conheça as etapas do processo e as estratégias e técnicas que
podem contribuir e auxiliar a tomada de decisão e a melhor classi�cação desses materiais.
Neste vídeo, vamos abordar os principais conceitos acerca desse assunto. Não deixe de assistir!
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Estudo de caso
Cada vez mais as indústrias têm buscado investir em sistemas de controle para reduzir perdas e
impactos ambientais durante o processo de produção. A gestão dos resíduos gerados por essas
companhias representa uma excelente alternativa para alcançar tais objetivos. O Plano de
Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) é um conjunto de ações que são aplicadas em
diferentes etapas de um processo. O PGRS facilita a identi�cação do produto ou material, sua
classi�cação, segregação, recolhimento, transporte e destinação �nal. O gerenciamento de
resíduos deve ser feito de forma integrada, abrangendo desde a não geração de resíduos até a
disposição �nal.
Nesse contexto, imagine que você foi contratado para compor uma equipe que realizará a gestão
ambiental em uma empresa do setor moveleiro, a qual possui cerca de 100 funcionários e pode
ser considerada um empreendimento de médio porte. Em uma primeira reunião, é explicado que
a organização busca a certi�cação ISO 14001:2015, que é a norma referente ao sistema de
gestão ambiental. Você �cará responsável por classi�car, segregar e destinar os resíduos da
empresa de forma adequada. Os dados atuais da geração de resíduos estão dispostos na Figura
1, a seguir.
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Figura 1 | Fluxograma da situação atual da geração e destinação de resíduos. Fonte: elaborada pela autora.
Ao olhar o �uxograma, é possível perceber que, após a transformação da matéria-prima, os
resíduos sólidos gerados pelas atividades do empreendimento não possuem destinação
adequada, o que pode causar acidentes de trabalho e aumentar a reprodução de vetores, como
ratos, baratas e outros insetos capazes de afetar a saúde humana. Sendo assim, você deverá
classi�car os resíduos, organizar a segregação e armazenamento interno desses elementos, o
transporte e a destinação �nal de cada um deles.
________
Re�ita
Você já parou para pensar na quantidade de resíduos que é gerada diariamente em sua cidade?
Agora, leve esse pensamento a um nível global. A quantia passa a ser quase imensurável.
Quando descartados de forma incorreta, esses resíduos geram impactos negativos ao meio
ambiente, como contaminação do solo, da água e do ar e, por consequência, afetam a saúde da
população.
Por essa razão, a gestão dos resíduos é tão importante. Além disso, ter o conhecimento das
ferramentas que podem ser utilizadas nesse contexto ajuda muito os pro�ssionais a colocarem
em prática o manejo e a destinação correta dos materiais. Também é extremamente importante
dominar a legislação aplicada a essa temática. Atualmente, há diversas legislações de nível
federal, estadual e municipal. Vale lembrar que quando existe divergência entre as legislações,
passa a valer a que tem maior restrição.
Existem, ainda, estratégias como a política dos 5Rs, que podem ser utilizadas pelas empresas
para auxiliar o sistema de gestão dos resíduos sólidos. Outra ferramenta muito relevante é a
análise do ciclo de vida, que, além de auxiliar na gestão dos resíduos sólidos, também ajuda na
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tomada de decisão da empresa. Independentemente da metodologia escolhida, o importante é
que a gestão dos resíduos sólidos permita reduzir a quantidade de material gerada e que seja
feita a destinação correta. 
Videoaula: resolução do estudo de caso
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Primeiramente, é essencial que você entenda a importância da gestão adequada dos resíduos
sólidos. Nessa etapa, são de�nidos aspectos fundamentais para que o PGRS seja executado de
forma efetiva para a empresa. É importante começar fazendo a classi�cação dos resíduos de
acordo com a Resolução Conama nº 313/2002, que dispõe sobre o Inventário de Resíduos
Industriais, e com a Norma NBR 10004 – Classi�cação de Resíduos Sólidos, em que cada
resíduo é classi�cado em classes conforme seu grau de periculosidade: 
Classe I – perigosos: aqueles que apresentam riscos à saúde humana ou ao meio
ambiente, como in�amabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade.
Classe II A não inertes: possuem propriedades como biodegradabilidade, combustibilidade
ou solubilidade em água.
Classe II B inertes: quaisquer resíduos que, quando amostrados de uma forma
representativa, segundo a ABNT NBR 10007, e submetidos a um contato dinâmico e
estático com água destilada ou deionizada, à temperatura ambiente, conforme ABNT NBR
10006, não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores
aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor. 
No caso, a apresentação dos dados pode ser feita da seguinte forma:
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Quadro 1 | Classi�cação dos resíduos sólidos. Fonte: ABNT (2004).
Manejo dos resíduos 
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Para obter uma melhor organização do ambiente, diminuição de vetores como ratos e baratas,
higiene do local e ética ambiental, propõe-se a implantação de um sistema de coleta dos
resíduos para o empreendimento. Todos os passos, que envolvem desde a coleta até a
disposição �nal, estão descritos nos tópicos a seguir:
Coleta: será efetuada por funcionários devidamente treinados e equipados com luvas,
botas e materiais de proteção adequados, os quais, semanalmente farão o recolhimento
dos resíduos previamente selecionados na empresa e acondicionados corretamente.
Acondicionamento: será feito no local de armazenamento, que �ca no pátio interno, com as
seguintes características físicas: área coberta, cimentado, onde os resíduos recolhidos e
previamente selecionados serão dispostos de forma organizada, com identi�cação
padronizada, obedecendo à seguinte classi�cação:
1. Orgânicos: serão depositados em lixeiras que possuem identi�cação padronizada, com a
etiqueta “orgânicos”.
2. Reutilizáveis: serão depositados em tambores metálicos de 200 litros que possuem
identi�cação padronizada, com a etiqueta “peças reutilizáveis”.
3. Recicláveis: serão depositados em lixeiras que possuem identi�cação padronizada, com a
etiqueta “recicláveis”.
4. Resíduos contendo substâncias tóxicas: os resíduos de MDF serão armazenados em
tambores metálicos de 200 litros ou outro material similar que possuem identi�cação
padronizada, com a etiqueta “MDF”, em piso impermeável e área coberta. As latas de cola e
thinner serão armazenadas em baias identi�cadas com a etiqueta “latas”, sob área coberta
e piso impermeável. 
A empresa selecionada pelo empreendedor recolherá esses resíduos para destinação adequada,
de acordo com a Resolução Conama nº 313/2002, que dispõe sobre o Inventário de Resíduos
Industriais.
Destinação �nal dos resíduossólidos 
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Quadro 2 | Proposta de destinação dos resíduos. Fonte: elaborado pela autora.
É interessante que seja feito um levantamento de empresas especializadas na coleta, transporte,
recepção, tratamento e destinação �nal dos resíduos sólidos, classe tipo I e classe tipo II-A. Viu
como é importante saber elaborar um PGRS? Bons estudos!
Resumo visual
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Veja a seguir o resumo visual do conteúdo estudado!
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Referências
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10004:2004: resíduos sólidos:
classi�cação. 2. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13221:2021: transporte de resíduos:
classi�cação. 6. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2021.
BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos;
altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União,
Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 20 dez. 2021.
BRASIL. Portaria n° 280, de 29 de junho de 2020. Regulamenta os arts. 56 e 76 do Decreto nº
7.404, de 23 de dezembro de 2010, e o art. 8º do Decreto nº 10.388, de 5 de junho de 2020,
institui o Manifesto de Transporte de Resíduos - MTR nacional, como ferramenta de gestão e
documento declaratório de implantação e operacionalização do plano de gerenciamento de
resíduos, dispõe sobre o Inventário Nacional de Resíduos Sólidos e complementa a Portaria nº
412, de 25 de junho de 2019. Diário O�cial da União, Brasília, n. 123, seção 1, 30 jun. 2020.
Disponível em: https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-n-280-de-29-de-junho-de-2020-
264244199. Acesso em: 21 dez. 2021.
BRASIL. Resolução ANTT nº 5232, de 14 de dezembro de 2016. Aprova as Instruções
Complementares ao Regulamento Terrestre do Transporte de Produtos Perigosos, e dá outras
providências. Diário O�cial da União, Brasília, n. 241, seção 1, 16 dez. 2016. Disponível em:
https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/24783215. Acesso
em: 11 dez. 2021.
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Unidade 4
Tratamento de resíduos
Aula 1
Separação e acondicionamento de resíduos
Introdução
Olá, estudante! 
Vamos aprender, nesta aula, sobre as características físicas, químicas e biológicas dos resíduos
sólidos, as quais são importantes para classi�car esses materiais dentro das normas vigentes e
separá-los corretamente, a �m de evitar uma possível contaminação do solo, dos cursos d’água,
das pessoas e dos animais. 
Além disso, a segmentação correta tem como objetivo o reaproveitamento máximo dos resíduos
sólidos, com a reciclagem ou recuperação, e uma geração mínima de rejeitos a serem enviados
para a disposição �nal em aterros sanitários controlados.
É chegada a hora de conhecermos as melhores formas de acondicionamento e transporte dos
resíduos, bem como as leis e normas que regem a gestão desses materiais.
Espero que você aprenda muito!
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Importância da separação e do acondicionamento correto dos resíduos
O aumento populacional e o consequente crescimento da produção e do consumo têm como
efeito a geração cada vez maior de resíduos que, se não forem geridos com responsabilidade,
causam impactos signi�cativos, prejudicando o meio ambiente, a saúde da atual geração e das
futuras, além de limitar a oferta de recursos naturais disponíveis.
Nesse contexto, foi criada, em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) (Lei nº
12.305/2010), a qual é essencial para que as empresas diminuam o impacto causado pela sua
atuação, aumentem os lucros em virtude da redução, reutilização e recuperação dos resíduos
gerados e se destaquem perante os consumidores por causa de sua gestão ambientalmente
responsável. 
A PNRS tem 15 objetivos, dentre os quais se sobressaem: o �m dos lixões, os quais
representavam uma solução prejudicial ao meio ambiente e traziam riscos à saúde; a busca pelo
máximo reaproveitamento e reciclagem, com a minimização dos rejeitos; a determinação de que
os resíduos sejam armazenados e acondicionados de forma correta para evitar potenciais
impactos ao meio ambiente; e a instituição da responsabilidade compartilhada, em que todos os
participantes da cadeia, desde os produtores, passando pelos distribuidores e chegando ao
consumidor �nal, possuem responsabilidade sobre a gestão dos resíduos e podem sofrer
sanções no caso de não adotarem as medidas propostas (BRASIL, 2010).
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
É importante de�nir que os resíduos sólidos, diferentemente do lixo ou rejeito, são materiais que
podem ser reaproveitados, reciclados ou recuperados. Para que um sistema de gestão de
resíduos seja efetivo, é preciso minimizar a produção desses materiais desde o início do ciclo
com a redução na fonte geradora, o reaproveitamento, quando for possível, fazendo a
recuperação e/ou recilagem dos resíduos passíveis de reutilização e a disposição �nal apenas
dos resíduos restantes que não puderam ser reduzidos nas ações anteriores.
Após as etapas de redução na produção e consumo e de reaproveitamento, os resíduos
remanescentes devem ser separados e acondicionados da maneira correta e seguir,
posteriormente, para a recuperação e disposição �nal. 
Para que a separação seja feita de forma efetiva, evitando riscos ao meio ambiente e ao homem,
com o máximo de recuperação e o mínimo de rejeitos, é preciso conhecer os resíduos e suas
características físicas, químicas e biológicas, a �m de que a divisão e o acondicionamento sejam
realizados corretamente. É necessário, por exemplo, entender a composição química dos
resíduos para que eles possam ser destinados à incineração, já que gases tóxicos podem ser
liberados, ou avaliar a presença de componentes de alta periculosidade, coliformes e patógenos
para classi�car o resíduo e armazenar com segurança.
A caracterização dos resíduos é a análise das características qualitativas intrínsecas a esses
materiais, como a sua composição química e sua quanti�cação, enquanto o diagnóstico de
resíduos é uma avaliação da situação do material naquele momento. 
O diagnóstico inclui a caracterização, os fatores envolvidos nas etapas de gestão dos resíduos
(geração, separação, acondicionamento, transporte, recuperação e destinação �nal) e os
aspectos legais incidentes. É no diagnóstico que identi�camos possíveis anormalidades. 
Conhecer as leis e normas vigentes e as etapas de gestão dos resíduos é essencial para o
desenvolvimento de um plano de gestão de resíduos e�ciente.
Separação e acondicionamento de resíduos
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Para cumprir as etapas de separação e acondicionamento dos resíduos, precisamos classi�cá-
los em grupos, a �m de que sejam destinados e armazenados corretamente, com o maior
aproveitamento possível e com o mínimo de rejeitos, sem prejudicar o meio ambiente e a saúde
humana.
Algumas das características mais importantes para a classi�cação e posterior separação e
recuperação dos resíduos sólidos são:
Características físicas: composição gravimétrica, peso especí�co, teor de umidade e grau
de compactação.
Características químicas: composição química, relação carbono/nitrogênio, pH.
Características biológicas: presença de coliformes e patógenos.
A separação dos resíduos deve seguir a classi�cação proposta pela NBR 10004:2004 – Resíduos
sólidos: classi�cação (ABNT, 2004a), a partir de amostras coletadas dos resíduos de acordo com
a NBR 10007:2004 – Amostragem de resíduos sólidos (ABNT, 2004d), norma que possui
determinações responsáveis por de�nir a quantidade mínima de resíduos, evitar contaminações
e indicar a representatividade do resíduo a ser caracterizado.
A classi�cação segundo a NBR 10004:2004separa os resíduos perigosos (Classe I) dos resíduos
não perigosos (Classe II). Estes, por sua vez, são ainda divididos entre não inertes (Classe II-A) e
inertes (Classe II-B), que não oferecem riscos à saúde e ao meio ambiente. 
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Os resíduos perigosos, de Classe I, são assim classi�cados por possuírem propriedades que
apresentam risco à saúde pública ou ao meio ambiente e, por isso, devem ser manuseados
apenas com o uso de equipamentos de proteção individual próprios. Algumas das propriedades
que esses resíduos podem conter são: 
Corrosividade, quando a amostra for aquosa e apresentar pH inferior ou igual a 2, ou
superior ou igual a 12,5, ou se for líquida e corroer o aço em velocidade e condições
determinadas em norma.
Reatividade, quando uma amostra for instável, reagir ou formar misturas potencialmente
explosivas com a água, gerar gases e possuir em sua constituição substâncias
potencialmente explosivas.
Toxicidade, quando uma amostra for testada e apresentar a capacidade de intoxicação por
ingestão, inalação ou contato com a pele, bem como potencial de lixiviação, testado
segundo a norma NBR 10005:2004 – Lixiviação de resíduos, ou possuir em sua
constituição substâncias constantes da listagem de periculosidade da norma.
Patogenicidade, quando o resíduo contiver microrganismos ou toxinas capazes de produzir
doenças, com exceção dos resíduos domésticos.
In�amabilidade, quando uma amostra for líquida com ponto de fulgor inferior a 60 °C ou
não líquida, mas capaz de produzir fogo com chama persistentemente, em condições
determinadas pela norma ASTM D93/2020.
Os resíduos classi�cados como não perigosos, ou de Classe II, não apresentam nenhuma das
características mencionadas anteriormente e podem ser divididos em:
Classe II-A – Não inertes: como descreve a ABNT NBR 10006:2004, possuem ao menos um
de seus constituintes solubilizado ou lixiviado quando em contato com a água. Apresentam
propriedades como: biodegradabilidade, combustibilidade e solubilidade em água
Classe II-B – Inertes: são aqueles que não têm nenhum de seus constituintes solubilizados
ou lixiviados quando em contato com a água.
Veja na Figura 1, a seguir, como é feita a classi�cação dos resíduos (Figura 1):
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Figura 1 | Exempli�cação da classi�cação dos resíduos pela NBR 10004:2004. Fonte: adaptada de ABNT (2004a).
Conhecer as características dos resíduos e saber classi�cá-los é essencial para a efetividade da
gestão dos resíduos, evitando contaminações e diminuindo os rejeitos. 
Acondicionamento e transporte de resíduos
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A gestão de resíduos sólidos, respeitando a Política Nacional de Resíduos Sólidos e as normas
regulamentadoras, normalmente contempla as seguintes etapas (Figura 2):
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Figura 2 | Etapas aplicadas à gestão dos resíduos sólidos. Fonte: adaptada de Brasil (2010b).
Após a correta separação dos resíduos gerados e até que eles sejam transportados para a área
de recuperação, é importante que seja feito o armazenamento correto, a �m de viabilizar uma
coleta adequada e evitar acidentes, a proliferação de vetores e a contaminação de pessoas,
animais, do solo e de cursos d’água.
O armazenamento é realizado em recipientes adequados, de maneira temporária e segura, até a
retirada para reciclagem, recuperação ou disposição �nal, seguindo as normas NBR 12235:1992
– Armazenamento de resíduos sólidos perigosos: procedimento (ABNT, 1992) e NBR 11174:1990
– Armazenamento de resíduos classes II – não inertes e III – inertes: procedimento (ABNT, 1990),
as quais têm como premissa a proteção do meio ambiente e da saúde.
De acordo com essas diretrizes, durante o armazenamento, os resíduos classe I – perigosos não
devem ser acondicionados juntamente com os demais resíduos não perigosos. Além disso,
todos os tipos de resíduos precisam �car em área cobertas e ventiladas, sobre base
impermeável, impedindo a lixiviação e contaminação do solo e da água, com área de drenagem
para captação de líquidos e identi�cação própria.
Alguns tipos de recipientes apropriados para o armazenamento de resíduos são:
Caçambas, para resíduos da construção civil, por exemplo.
Compactadores estacionários, utilizados para comprimir, reduzindo o volume, e para
acondicionar resíduos orgânicos.
Contêineres, contentores de plástico, sacos de lixo, tambores e bombonas, para resíduos
industriais e laboratoriais. 
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Após a fase de acondicionamento, é feito o transporte para a recuperação ou para o destino �nal
dos resíduos, seguindo a norma NBR 13221/07 – Transporte terrestre de resíduos (ABNT, 2007),
que tem como objetivo determinar os requisitos para que o transporte de resíduos não gere
impactos ao meio ambiente e à saúde pública. Essa diretriz é aplicável ao transporte terrestre de
todas as classes de resíduos. Além de contemplar essa norma, os resíduos especiais ainda
devem respeitar normas especí�cas em função de sua periculosidade.
A norma mencionada anteriormente exige que o equipamento de transporte obedeça às
regulamentações pertinentes e a normas ambientais especí�cas, esteja em bom estado de
conservação e não permita vazamentos ou derramamento do resíduo a ser transportado, de
forma que este esteja protegido de intempéries.
Além das normas citadas, outras ordenações devem ser consideradas na gestão de resíduos,
como a Lei nº 12.305/2010, que instituiu a PNRS, a qual, por sua vez, é regulamentada pelo
Decreto Federal nº 7.404/2010, que estabelece normas de execução, e pelo Decreto Federal nº
9.177, que dispõe sobre a �scalização, além de leis, decretos e normas estaduais. Vale ressaltar,
ainda, que empresas com um sistema de gestão de resíduos ideal podem receber a certi�cação
ISO 14001, diminuindo os impactos negativos e melhorando sua imagem perante a sociedade. 
O conhecimento das normas, leis e etapas de gestão dos resíduos quali�cará você para ser
responsável por projetos de qualidade realmente capazes de diminuir o impacto ambiental.
Videoaula: separação e acondicionamento de resíduos
Este conteúdo é um vídeo!
Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no
aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet.
Veja, agora, um aprofundamento dos conteúdos que aprendemos nesta aula sobre a importância
da classi�cação e do acondicionamento correto dos resíduos sólidos. Falamos sobre as
propriedades físicas, químicas e biológicas desses materiais, que são importantes para de�nir o
tipo de armazenamento seguro e a melhor forma de recuperação de resíduos. Conhecemos,
ainda, as leis e normas que regulamentam a separação e o acondicionamento dos resíduos. Não
deixe de assistir ao vídeo! Bons estudos!
Saiba mais
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Para saber mais sobre a separação e o acondicionamento de resíduos, acesse o portal do
Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir), do Ministério do
Meio Ambiente, onde você poderá encontrar diversos dados, normas, manuais e outras
publicações sobre gestão de resíduos, logística reversa e mais temas pertinentes aos seus
estudos.
Referências
https://sinir.gov.br/
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10004:2004: resíduos sólidos:
classi�cação. Rio de Janeiro: ABNT, 2004a.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10005: lixiviação de resíduos. Rio de
Janeiro: ABNT, 2004b.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10006: solubilização de resíduos. Rio de
Janeiro: ABNT, 2004c.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10007: amostragem de resíduos. Rio de
Janeiro: ABNT, 2004d.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 11174: armazenamento de resíduos
classes II – não inertesque nosso conforto é subsidiado pelo uso de recursos naturais: você está
utilizando energia em seu celular ou até mesmo na luz acesa. Também precisou tomar banho,
alimentar-se, comprar roupas e calçados. Atividades simples e cotidianas impactam a
disponibilidade de recursos, fazendo com que cada vez mais iniciativas busquem entender essa
relação e propor soluções mitigadoras. 
Em 1976, o pesquisador Nicholas Georgescu-Roegen discutiu pela primeira vez as relações
desarmônicas do ser humano com a natureza, a�rmando, com base na Lei da Entropia, que
nossos hábitos não são sustentáveis e tendem a alterar a qualidade do meio, degradando de
maneira irreversível os recursos naturais (DIAS, 2015). 
Após isso, o conceito de pegada ambiental cresceu, sendo muito utilizado atualmente como um
indicador ambiental. Mas o que esse conceito signi�ca? De acordo com Dias (2015), a pegada
ambiental pode ser entendida como um indicador que busca associar as atividades humanas
com a quantidade de recurso natural utilizada. A ferramenta também leva em consideração a
capacidade regenerativa do planeta, ou seja, o tempo de recuperação natural dos recursos
gastos. E você acredita que estamos em débito ou crédito? Infelizmente, estamos em débito. De
acordo com dados da World Wildlife Fund (WWF, 2008), estamos consumindo 50% a mais de
recursos naturais do que temos disponíveis, ou seja, para sustentar nossos hábitos atuais, seria
necessário 1,5 planeta (Figura 1).
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Figura 1 | Pegada ecológica mundial e brasileira. Fonte: WWF (2008). 
O que fazer para reverter essa situação? O primeiro ponto é a conscientização das pessoas, uma
vez que são os hábitos individuais que, ao serem somados, impactam o meio em que vivemos.
Com isso, a educação ambiental assume um papel fundamental, sendo até mesmo citada em
nossa Constituição Federal de 1988, a qual determina que essa área do ensino deve ser
concebida em todos os níveis de escolaridade (BRASIL, 2019). 
Mas o que é educação ambiental? De acordo com Santos e Ru�no (2003), é uma estratégia que
busca implementar ações com o intuito de fazer com que o indivíduo repense suas atitudes e
procure melhorar sua qualidade de vida e a sociedade onde vive em harmonia com o meio. 
Tal estratégia pode in�uenciar os hábitos cotidianos da população, favorecendo, assim, boas
práticas ambientais. Um exemplo pode ser visto em sua própria residência. Você separa seu lixo?
Sabia que a segregação é fundamental para que as cooperativas consigam reciclar os resíduos?
E acredita que isso pode, inclusive, aumentar a vida útil do aterro? Uma atitude simples pode
transformar a sociedade e o meio ambiente! 
Já que falamos em reciclagem, outro conceito importante é o uso de materiais alternativos na
concepção de novos produtos. A substituição de matérias-primas que ocasionam impactos
ambientais por outras advindas da reciclagem é uma excelente maneira de economizar recursos
naturais e contribuir com a adequação ambiental de organizações. Viu só como tudo está
relacionado? Não deixe de contribuir para essa mudança e de pensar sempre em novos hábitos
no seu percurso pro�ssional. Bons estudos!
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Entendendo o contexto de materiais alternativos, educação ambiental e
consumo consciente
Qual é a relação entre os conceitos de pegada ecológica e a preservação dos recursos? De
acordo com Dias (2015), da mesma forma que um economista precisa incorporar os custos
relacionados ao processo e distribuição de um produto, a pegada propõe a análise dos custos
associados aos recursos naturais na concepção de determinado bem ou produto. Ou seja,
analisam-se os números relacionados aos parâmetros de solo, água, emissões, entre outras
variáveis que in�uenciarão não somente a disponibilidade do recurso, mas também sua
qualidade. Com isso, a pegada ambiental, também chamada de pegada verde ou pegada
ecológica, pode utilizar inúmeras metodologias, sendo que a maioria baseia-se em indicadores
categorizados em pesos, isto é, quanto maior for o impacto de determinada variável, maior será
seu peso na somatória �nal de cálculo da pegada. 
Justamente por isso que a educação ambiental é fundamental! Carvalho (2017) a�rma que a
educação ambiental também está relacionada com a formação ética, política, econômica, social
e cultural, e não apenas ecológica, como alguns grupos acreditam erroneamente.
Diante disso, Reigota (1999) fala acerca das concepções humanas. De acordo com o autor, é
possível classi�car as visões humanas em três categorias distintas: a visão naturalista, que
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associa o meio ambiente a algo intocado; a visão antropocêntrica, que é aquela na qual o ser
humano acredita que os recursos naturais possuem como principal �nalidade o bem-estar
humano; e, por �m, a visão globalizante, que insere o ser humano no conceito de meio ambiente,
sem considerar um aspecto dominante sobre os recursos naturais, promovendo uma harmonia
entre as esferas ambientais, sociais e econômicas. Tudo isso pode ser aplicado na gestão de
resíduos, por exemplo. Inclusive, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010),
em seus objetivos, deixa claro que o foco da gestão de resíduos deve ser a não geração desses
elementos e somente depois que todas as possíveis soluções estiverem esgotadas é que o
resíduo poderá ser destinado a um aterro sanitário ou industrial (Figura 2). 
Figura 2 | Ordem de prioridade dos objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Fonte: adaptada de Brasil (2010).
Analisando a Figura 2, observamos que a reutilização e a reciclagem são citadas como formas
de gerenciar os resíduos sólidos. Com isso, o uso de materiais alternativos, inclusive os advindos
da reciclagem, pode ser uma solução para as empresas, uma vez que diminui a necessidade de
utilização constante de matéria-prima virgem, contribuindo, assim, para a economia de recursos.
Vale ressaltar, porém, que no processamento de materiais orgânicos (plástico, borracha, papel)
ocorre a perda de qualidade da matéria-prima. Ou seja, será necessário destinar os resíduos de
tais materiais para outros processos industriais menos exigentes em relação às propriedades do
produto �nal. Em contrapartida, o alumínio, por exemplo, não perde suas propriedades, sendo,
inclusive, o material mais reciclado do Brasil, com índice de 97,6% (ABRELPE, 2021).
Demajorovic e Lima (2019) a�rmam que o fundamento para a utilização de materiais alternativos
é sua funcionalidade, ou seja, as propriedades e características desse material devem ser
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adequadas à função do produto �nal. Além disso, tal elemento deve ter conformidade com as
normas técnicas vigentes e, é claro, qualidade e facilidade de manutenção. 
O custo também é algo que deve ser levado em consideração, visto que pode haver a
necessidade de modi�cação de processos de fabricação de um produto quando existe
incorporação de novos materiais. No entanto, se tais estratégias forem pensadas de maneira
efetiva, podem contribuir para a adequação ambiental das organizações, subsidiando a melhoria
de sua imagem perante os consumidores e a preservação ambiental. Não deixe de estudar sobre
o assunto, uma vez que isso poderá lhe auxiliar no exercício da pro�ssão.
Materiais alternativos e pegada ecológica: como aplicar na empresa?
Como aplicar a pegada ecológica nas indústrias? Para uma organização, torna-se fundamental
entender a geração de seus passivos ambientais ao longo do processo de fabricação ou
bene�ciamento de materiais, uma vez que isso poderá ser utilizado para a própria veri�cação da
e�ciência do processo com relação à utilização dos recursos naturais, permitindo a identi�cação
de falhas. Todas essas informações podem subsidiar o surgimento de uma política ambiental da
empresa ou o próprio atendimento à legislação, evitando, assim, um dé�cit ambiental. 
Por exemplo, ao analisarmos a produção dee III – inertes – procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 1990.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 12235: armazenamento de resíduos
sólidos perigosos: procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 1992. 
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13221: transporte terrestre de resíduos.
Rio de Janeiro: ABNT, 2007.
ALBUQUERQUE, J. B. T. Resíduos sólidos. São Paulo: Independente Editora e Distribuidora de
Livros, 2011. 
BRASIL. Decreto nº 7.404, de 23 de dezembro de 2010. Regulamenta a Lei nº 12.305, de 2 de
agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, cria o Comitê
Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Comitê Orientador para a
Implantação dos Sistemas de Logística Reversa, e dá outras providências. Brasília: Presidência
da República, 2010a. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/decreto/d7404.htm. Acesso em: 5 dez. 2021.
BRASIL. Decreto nº 9.177, de 23 de outubro de 2017. Regulamenta o art. 33 da Lei nº 12.305, de 2
de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, e complementa os art. 16
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e art. 17 do Decreto nº 7.404, de 23 de dezembro de 2010 e dá outras providências. Brasília:
Presidência da República, 2017. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2017/decreto/d9177.htm. Acesso em: 5 dez. 2021.
BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos;
altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União,
Brasília, 3 ago. 2010b. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 5 dez. 2021.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão de
Resíduos Sólidos (SINIR), 24 jul. 2019. Disponível em: https://sinir.gov.br/. Acesso em: 5 dez.
2021.
CAIXETA-FILHO, J. V. et al. Logística ambiental de resíduos sólidos. São Paulo: Atlas, 2011.
FIRMO, A. L. B. et al. Gestão de resíduos sólidos urbanos com baixas emissões de GEE. Brasília:
Ministério de Desenvolvimento Regional/Plansab, 2019. Disponível em:
https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosSNSA/Arquivos_PDF/plansab/2-
CadernotematicoGestaodeRSUcombaixasemissoesdeGEE.pdf. Acesso em: 5 dez. 2021.
GRIPPI, S. Lixo: reciclagem e sua história. Rio de Janeiro: Interciência, 2006. 
JACOB, P. (Org.). Gestão compartilhada dos resíduos sólidos no Brasil: inovação com inclusão
social. São Paulo: Annablume, 2006. 
LOPES, L. Gestão e gerenciamento integrados dos resíduos sólidos urbanos: alternativas para
pequenos municípios. 2006. 113 f. Dissertação (Mestrado em Geogra�a) – Faculdade de
Filoso�a, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo. 
ZVEIBIL, V. Z. et al. Manual de gerenciamento integrado de resíduos sólidos. Rio de Janeiro:
IBAM, 2002.
Aula 2
Tratamento e recuperação de resíduos
Introdução
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Olá, estudante! 
Conhecendo as características dos resíduos, sua classi�cação, separação, armazenamento e
transporte, estaremos prontos para entender mais detalhes sobre as formas de recuperação
desses materiais, como reciclagem, compostagem, queima, biometanização e sistema
mecânico-biológico.
Nesta etapa de aprendizagem, vamos estudar sobre a produção de energia a partir do biogás,
bem como sobre os gases gerados durante a decomposição dos resíduos sólidos depois que
são enviados para seu destino �nal, que pode ser o aterro sanitário ou industrial.
Outro conceito importante é a parte �nal do ciclo de gestão dos resíduos sólidos, que abrange as
formas corretas de realizar a disposição �nal em aterros sanitários ou aterros industriais dos
rejeitos que não puderam ser reaproveitados, reciclados ou recuperados.
Espero que você aprenda muito!
Formas de tratamento e recuperação de resíduos
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Antes de seguir o caminho da gestão de resíduos determinado pela Política Nacional de
Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) (PNRS), é importante de�nir a diferença entre a
disposição �nal ambientalmente adequada citada na lei e a destinação �nal.
A disposição �nal é a solução apropriada somente para os rejeitos, aqueles resíduos que não são
mais passíveis de nenhum tipo de tratamento. Já a destinação �nal é o rumo seguido pelos
resíduos que ainda são passíveis de tratamento. Inclui os processos de reutilização, reciclagem,
compostagem, recuperação e aproveitamento energético do material descartado.
O tratamento de resíduos engloba uma série de procedimentos que, de forma controlada, alteram
as características físicas, químicas e/ou biológicas desses materiais para que a quantidade de
elementos não aproveitáveis seja reduzida, além de eliminar ou minimizar os possíveis poluentes
que tornariam o resíduo perigoso, tratando-o para que possa ser disposto no solo de forma
segura ou para que seja recuperado e reintroduzido no mercado.
Alguns processos de recuperação de resíduos são a compostagem de resíduos orgânicos, a
biometanização, a incineração e a pirólise, para redução de volume e geração de energia, e o
sistema mecânico-biológico.
A decomposição dos resíduos tem potencial de emissão de gases de efeito estufa (GEE), como o
dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4). Por isso, é preciso conhecer o potencial de geração
de gases que cada uma das formas de recuperação ou disposição dos resíduos possui. 
As estratégias ambientalmente corretas são a não geração, a redução na produção, a
reutilização, a reciclagem e a compostagem, seguidas pela recuperação energética ou
incineração, biometanização e pelos tratamentos mecânico-biológicos.
Os métodos que mais emitem GEE são a disposição em aterros sanitários com captura de CH4 e
com captura e queima de CH4. A forma de disposição �nal com maior potencial poluidor, que
hoje está proibida no Brasil, é o despejo em lixões a céu aberto.
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A compostagem ou tratamento bioquímico é o processo de decomposição biológica dos
resíduos orgânicos. Produz CO2, vapor d’água, minerais e o produto orgânico estabilizado, que
chamamos de composto orgânico ou adubo (SOUZA, 2018).
O sistema mecânico-biológico é um procedimento de tratamento de resíduos sólidos com baixa
emissão de gases em que, durante a fase mecânica, são retirados os materiais que podem ser
reaproveitados e aqueles que podem ser nocivos ou perigosos, de modo que o restante é
triturado e homogeneizado para redução do volume. Na etapa seguinte, é feito o tratamento
biológico por meio da decomposição anaeróbica de substâncias orgânicas. Os rejeitos são
dispostos no solo, em aterros sanitários (SOUZA, 2018).
A biometanização, ao contrário da compostagem, é um procedimento anaeróbico de
decomposição da matéria orgânica a partir de microrganismos. Esse processo emite o chamado
biogás, uma mistura de gases metano, que pode ser fonte de energia e dióxido de carbono
(VILELA, 2015).
Já a incineração é o processo de decomposição térmica (combustão) controlada a temperaturas
acima de 900 °C para eliminação da porção orgânica e redução do volume e da toxicidade dos
resíduos. Produz escórias e cinzas e libera energia, porém requer altos investimentos, mão de
obra especializada e controle de poluentes (CHIRICO, 2013). 
Agora que você conhece mais sobre as formas de recuperação dos resíduos sólidos, está pronto
para avançar no seu plano de gestão e evitar danos ao ambiente e à saúde das pessoas e
animais.
Aterro sanitário e aterro industrial
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Posteriormente à correta separação dos resíduos seguindo a norma brasileira ABNT NBR
10004:2004 e ao tratamento desses materiais para que a maior quantidade possível seja
recuperada ou reaproveitada, o rejeito restante deve ser enviado para disposição �nal adequada.
A lei brasileira nº 12.305/2010 (PNRS) indica, em seu art. 9º, que “Na gestão e gerenciamentode
resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução,
reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição �nal ambientalmente
adequada dos rejeitos” (BRASIL, 2010, [s. p.]).
Uma disposição correta é aquela que possui “Distribuição ordenada de rejeitos em aterros,
observando normas operacionais especí�cas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e
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à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos” (BRASIL, 2010, [s. p.]).
No Brasil, a solução adequada e mais utilizada, após a proibição da disposição em lixões, é o
aterro sanitário para resíduos não perigosos e o aterro industrial para resíduos provenientes de
indústrias. Esses tipos de aterros não deixam os rejeitos expostos a céu aberto, possuem
proteção do solo para evitar contaminação e recebem o tratamento do chorume e dos gases
gerados durante a decomposição dos rejeitos.
Existem normas especí�cas para a construção, implantação e operação de aterros no Brasil,
como a ABNT NBR 13896:1997 – Aterros de resíduos não perigosos: critérios para projeto,
implantação e operação; e a ABNT NBR 10157:1987 – Aterros de resíduos perigosos: critérios
para projeto, construção e operação.
Os aterros sanitários devem con�nar os rejeitos na menor área possível, reduzindo seu volume e
cobrindo-os com uma camada de terra diariamente. O local é dividido em setores de preparação,
execução, onde há a separação dos resíduos, e setor concluído, no qual é necessária a
revegetação sobre a camada de terra em aterros que já atingiram a capacidade máxima. Deve
existir um monitoramento da qualidade da água do lençol freático e das emissões atmosféricas
(Figura 1).
Figura 1 | Desenho esquemático de um aterro sanitário. Fonte: Resíduos Alagoas (2015).
Esses espaços podem receber rejeitos não recuperados e que são classi�cados como Classe II –
Não inertes, bem como resíduos sólidos urbanos, hospitalares, da construção civil e industriais,
desde que não sejam resíduos perigosos ou de Classe I.
Já os aterros industriais, que possuem estrutura similar aos aterros sanitários, recebem apenas
resíduos industriais, os quais devem ser tratados previamente para diminuir sua periculosidade,
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perpassando pelos processos de estabilização, solidi�cação, encapsulamento e neutralização.
Precisam contar com uma dupla impermeabilização com manta sintética, a �m de resistir a
intempéries, como ciclos de umedecimento, e proteger o meio de contaminação. Além disso,
devem apresentar uma camada de argila associada ao recobrimento com solo e vegetação. Não
podem ser instalados em áreas inundáveis, de recarga de aquíferos, em espaços de proteção de
mananciais, mangues, hábitat de espécies protegidas, ecossistemas de áreas frágeis, conforme
estipula a legislação brasileira.
Também devem contar com o tratamento dos e�uentes gerados, como o chorume, e dos gases
possivelmente liberados, com frequente acompanhamento da qualidade do ar e da água no seu
entorno. Os aterros industriais também possuem classi�cação em função da periculosidade dos
resíduos neles dispostos. O aterro Classe I recebe resíduos perigosos, os de Classe II, resíduos
não perigosos e não inertes e os de Classe III, não perigosos e inertes.
Você precisa conhecer as formas apropriadas de destinação �nal dos resíduos urbanos e
industriais para concluir o seu plano de gestão de maneira correta e segura.
Reaproveitamento de resíduos por meio da geração de energia
Depois de dispostos em aterros seguros, os rejeitos tendem a produzir subprodutos de sua
decomposição, como os gases metano (CH4) e o dióxido de carbono (CO2), conhecidos como
BIOGÁS. Como estes são gases que contribuem para o efeito estufa, devem ser capturados por
meio de drenos e tratados antes que sejam liberados para a atmosfera. 
Uma forma de mitigar a emissão de biogás que ocorre em função da decomposição dos
resíduos é tratando-os previamente, diminuindo seu potencial poluidor e seu volume, e
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convertendo-os em energia térmica ou elétrica em usinas de recuperação energética (URE), visto
que o vapor liberado durante o tratamento movimenta as pás da turbina de um gerador,
fornecendo energia sem geração de e�uentes líquidos e a partir de produtos como dióxido de
carbono, 20 vezes menos nocivo ao ambiente que o gás metano, originalmente produzido pela
decomposição dos resíduos (OECO, 2014).
As cinzas restantes ainda poderão ser utilizadas para a produção de cimento. Algumas formas
de tratamento usadas são a incineração, gasei�cação e pirólise, digestão anaeróbia e o
coprocessamento em fornos de clínquer. Os processos de tratamento mais adotados, por serem
os mais vantajosos economicamente, são os diferentes tipos de queima dos resíduos.
A incineração é feita em uma caldeira que converte o calor da queima em eletricidade e vapor,
devendo existir �ltragem dos gases liberados. A pirólise também queima os resíduos, porém sem
realizar a combustão completa. É uma forma mais acessível que a incineração tanto no aspecto
tecnológico quanto econômico.
A digestão anaeróbica é efetuada em usinas à baixa temperatura, com decomposição dos
resíduos acelerada por microrganismos, gerando biogás, o qual deve ser tratado antes que seja
liberado para a atmosfera. O coprocessamento em fornos de clínquer usa alguns tipos de
resíduos para fabricação de cimento.
Além disso, os gases liberados (biogás) também podem ser capturados e concentrados para
alimentação de redes de gás, enviados a usinas biogênicas para produção de calor e eletricidade
ou queimados em caldeiras a vapor para geração de calor, com liberação de vapor.
De acordo com a Portaria no 274, de 2019, podem ser utilizados para produção de energia os
resíduos domiciliares, de limpeza urbana e demais resíduos classi�cados como não perigosos,
inclusive os recicláveis.
Os resíduos devem, ainda, ser avaliados quanto à certi�cação da viabilidade técnica, ambiental e
econômica para recuperação energética. Também é necessário atentar-se à liberação de material
residual na atmosfera, água ou solo, com limites de emissão preestabelecidos, fazendo um
monitoramento contínuo.
No Brasil, temos atualmente mais de 600 plantas de usinas que tratam o biogás, convertendo-o
em algum tipo de energia, conforme pode ser visto na �gura a seguir. No entanto, vale ressaltar
que o potencial de produção é 45 vezes maior (CIBIOGÁS, 2021) (Figura 2).
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Figura 2 | Volume de biogás tratado no Brasil. Fonte: Cibiogás (2021, p. 8).
Aprendendo mais sobre o biogás, somos capazes de planejar um tratamento adequado para
evitar a poluição atmosférica e ainda obter vantagens com a produção de energia.
Videoaula: tratamento e recuperação de resíduos
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computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no
aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet.
Veja, agora, um pouco mais do que aprendemos nesta aula sobre as etapas �nais da gestão de
resíduos sólidos, isto é, a recuperação desses materiais, quando for possível, e a disposição �nal
em aterros sanitários ou aterros industriais dos rejeitos que não puderam ser recuperados.
Conheça, ainda, a produção de biogás e a geração de energia a partir dos gases emitidos pela
decomposição dos rejeitos em aterros. 
Bons estudos!
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Saiba mais
Para saber mais sobre a gestão de resíduos sólidos, acesse o portal do Movimento Nacional dos
Catadores de Materiais Recicláveis, onde você encontrará uma série de livros e manuais sobre
reciclagem, políticas públicas e implantação da gestão de resíduos no Brasil. 
Referências
https://www.mncr.org.br/biblioteca/publicacoes/livros-guias-e-manuais
https://www.mncr.org.br/biblioteca/publicacoes/livros-guias-e-manuaisDisciplina
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10004:2004: classi�cação de resíduos
sólidos. Rio de Janeiro: ABNT, 2015.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10157:1987: aterros de resíduos
perigosos: critérios para projeto, construção e operação. Rio de Janeiro: ABNT, 1997a.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13896:1997: aterros de resíduos não
perigosos: critérios para projeto, implantação e operação. Rio de Janeiro: ABNT, 1997b.
ATERRO sanitário de resíduos sólidos urbanos. Resíduos Alagoas, 2 abr. 2015. Disponível em
http://www.residuossolidos.al.gov.br/sistemas/aterro-sanitario. Acesso em: 8 dez. 2021.
BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos;
altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União,
Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 8 dez. 2021.
CHIRICO, V. D. Incineração de resíduos urbanos. Zürich: Schweizerische Rückversicherungs-
Gesellschaft, 2013. Disponível em:
http://www5.ensp.�ocruz.br/biblioteca/dados/txt_349995799.pdf. Acesso em: 8 dez. 2021. 
CIBIOGÁS. Nota técnica: nº 001/2021: panorama do biogás no Brasil 2020. Foz do Iguaçu:
Cibiogás, 2021. Disponível em: https://abiogas.org.br/wp-content/uploads/2021/06/PANORAMA-
DO-BIOGAS-NO-BRASIL-2020-v.8.0-1_1.pdf. Acesso em: 5 dez. 2021.
GASES do efeito estufa: dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4). ((o))eco, 30 abr. 2014.
Disponível em: http://www.oeco.org.br/dicionario-ambiental/28261-gases-do-efeito-estufa-
dioxido-de-carbono-co2-e-metano-ch4/. Acesso em: 5 dez. 2021.
LIVROS guias e manuais. Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, 24 out.
2015. Disponível em: https://www.mncr.org.br/biblioteca/publicacoes/livros-guias-e-manuais.
Acesso em: 5 dez. 2021.
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
SOUZA, P. S. Análise comparativa das usinas de tratamento mecânico-biológico brasileiras. 2018.
133 f. Dissertação (Mestrado em Recursos Naturais) – Programa de Pós-Graduação em
Recursos Naturais, Centro de Tecnologia e Recursos Naturais, Universidade Federal de Campina
Grande, Paraíba.
VILELA, F. R. Biometanização: estudo da in�uência do lodo e da serragem no tratamento
anaeróbio da fração orgânica dos resíduos sólidos urbanos (FORSU). 2015. 229 f. Dissertação
(Mestrado em Ciências: Engenharia Hidráulica e Saneamento) – Universidade de São Paulo, São
Carlos, SP.
Aula 3
Resíduos especiais
Introdução
Olá, estudante! 
Conhecendo as características dos resíduos, sua classi�cação, separação, armazenamento e
transporte, seremos capazes de enviar, com segurança, a maior quantidade possível de materiais
para recuperação em tratamentos como reciclagem, compostagem, queima, biometanização e
sistema mecânico-biológico, bem como a menor quantidade possível de rejeitos para a
destinação �nal em aterros sanitários e industriais.
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Mas os resíduos sólidos não são apenas aqueles gerados nas nossas residências. 
As indústrias, instituições de saúde e a construção civil, por exemplo, produzem diversos tipos de
resíduos que, em alguns casos, são considerados perigosos e precisam de tratamento e
disposição especiais, de acordo com as normas e leis vigentes.
É sobre isso que falaremos nesta aula.
Bons estudos!
Geração de resíduos especiais
Os resíduos sólidos urbanos, de acordo com a ABNT NBR 10004:2004, são classi�cados em
perigosos e não perigosos. No entanto, a norma deve ser apoiada por outras normas e
resoluções quando se trata de resíduos especiais, como aqueles gerados em indústrias, na
construção civil e em serviços de saúde.
Todos esses resíduos especiais devem ser separados dos demais, manuseados e armazenados
com o uso de equipamentos de proteção próprios, pois trazem potencial risco à saúde e ao meio
ambiente. Também devem receber tratamento adequado para diminuir sua periculosidade antes
da disposição �nal em aterros especí�cos.
Além dos resíduos produzidos nesses locais, que podem ser hospitais, indústrias ou canteiros de
obra na construção civil, também é necessário considerar a geração de resíduos especiais e
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potencialmente perigosos por fontes difusas, como o descarte de pilhas e eletrônicos em
residências, no comércio, ferros-velhos e outros espaços.
Para além de sua periculosidade, os resíduos também podem ser considerados especiais pelo
grande volume gerado, como no caso, por exemplo, de veículos em �m de vida, os quais
precisam receber atenção especial para a recuperação de partes aproveitáveis e a destinação
�nal com tratamento prévio, como a compactação, de forma a ocupar o menor espaço possível
nos aterros.
Se os processos de classi�cação, segregação e reaproveitamento não forem feitos da forma
correta, o volume e os custos de destinação e disposição �nal aumentarão consideravelmente.
Por isso, é importante a elaboração de um plano de gestão de resíduos especiais bem detalhado,
que considere as particularidades dos materiais e todas as etapas de gestão, desde a diminuição
no consumo até o reaproveitamento, reciclagem, recuperação e, por �m, o tratamento e envio
para a destinação �nal.
É relevante, ainda, salientar a importância da responsabilidade compartilhada também para os
resíduos especiais, instituída pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em que cada
parte da cadeia de gestão de resíduos é corresponsável pelos resíduos gerados (BRASIL, 2010). 
A mesma lei, em seu art. 33, impõe a obrigatoriedade da instalação de um sistema de logística
reversa por fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de produtos como:
agrotóxicos, pilhas e baterias, pneus, óleos, lâmpadas e itens eletroeletrônicos, todos resíduos
especiais (BRASIL, 2010).
A PNRS, Lei nº 12.305, de agosto de 2010, classi�ca os resíduos em perigosos e não perigosos,
mas também os quali�ca quanto à fonte de geração em dez categorias. São elas:
1. Resíduos da construção civil, como telhas de amianto, tintas e solventes.
2. Resíduos industriais, como solventes e tintas.
3. Resíduos de serviço da saúde (RSS), como materiais infectantes, químicos, radioativos ou
perfurocortantes.
4. Resíduos domiciliares, que podem ser comuns ou perigosos, como remédios, algodão,
preservativos, tintas, solventes e eletroeletrônicos em �m de vida.
5. Resíduos públicos de saneamento básico, como o lodo de estações de tratamento de
esgoto.
�. Resíduos de serviços de transporte.
7. Resíduos da atividade agrossilvipastoril, como embalagens de agrotóxicos.
�. Resíduos da mineração, como aqueles gerados na extração de carvão, pirita, ferro, sílica,
ouro e outros elementos.
9. Resíduos do comércio e prestadores de serviços, que também podem ser perigosos ou
não.
10. Resíduos da limpeza urbana, como folhas da limpeza de vias, ou perigosos, como pilhas e
baterias (BRASIL, 2010).
É importante conhecer as fontes geradoras de resíduos comuns e especiais para elaborar um
plano de gestão efetivo!
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Caracterização e classi�cação de resíduos especiais
Os resíduos sólidos gerados pela CONSTRUÇÃO CIVIL devem ser geridos seguindo a norma
brasileira ABNT NBR 15113:2004, que classi�ca os resíduos e determina condições para
implantação e operação de aterros de resíduos sólidos da construção civil, sempre com o
objetivo de proteger o meio ambiente e a saúde, com o máximo de reaproveitamento (ABNT,
2004b).
A norma ABNT NBR 15113:2004 classi�ca os resíduos em: Classe A, para aqueles que são
reutilizáveis ou recicláveis; Classe B, para resíduos recicláveis comuns, como o plástico; Classe
C, para os que não podem ser aproveitados, como o gesso; e Classe D, para resíduos perigosos,
como tintas e solventes. Sua gestão deve respeitar os critérios e procedimentos estabelecidos
pela Resolução Conama nº 307, de 2002,que busca a redução dos impactos ambientais gerados
pelos resíduos da construção (BRASIL, 2002).
Já os resíduos produzidos pelos serviços de saúde ou lixo hospitalar, gerados em postos de
saúde, clínicas e hospitais, normalmente são incinerados para evitar potenciais contaminações,
mas existem outras alternativas de destinação, como a reciclagem, o aproveitamento energético,
a desinfecção química, autoclavagem, ionização, tratamento por micro-ondas, desativação
eletrotérmica e plasma (MARTINI, 2016). Após os tratamentos, os rejeitos devem ser enviados
para aterros especiais ou valas sépticas com cal.
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Esses materiais são classi�cados e geridos segundo as recomendações da norma brasileira
ABNT NBR 12808:1993 – Resíduos de serviços da saúde, da Resolução Anvisa RDC nº 306/2004,
que regulamenta a gestão de resíduos da saúde, e da Resolução Conama nº 358/2005, que
de�ne formas de tratamento e disposição �nal desses resíduos.
Os resíduos hospitalares são classi�cados em: Grupo A, que engloba resíduos com possível
presença de agentes biológicos e risco de infecção; Grupo B, para aqueles que contêm
substâncias químicas perigosas; Grupo C, para materiais que englobem radionuclídeos que não
possam ser aproveitados; Grupo D, para materiais que não são perigosos; e Grupo E, para os
perfurocortantes.
Já os resíduos industriais são classi�cados pela ABNT NBR 10004:2004 em Classe I, para
aqueles perigosos, e Classe II, para não perigosos e resíduos comuns. Os resíduos industriais
perigosos, no entanto, devem passar por tratamento para diminuir seu volume e periculosidade.
Além disso, precisam ser enviados para aterros industriais próprios.
Os resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos (REEE), como celulares, por exemplo, que
têm vida útil curta, também são perigosos por causa da presença de diversos tipos de metais
pesados, como o cádmio, que é carcinogênico, o chumbo, que pode causar danos ao sistema
nervoso, e o mercúrio (ASTDR, 2011). Esses materiais devem ser tratados para recuperação e
reaproveitamento de metais, como o cobre, e dispostos de forma adequada, seguindo as
instruções da Resolução Conama nº 401/2008, que estabelece os limites de chumbo, cádmio e
mercúrio para pilhas e baterias e determina os destinos que não são permitidos.
Já resíduos radioativos são os materiais resultantes de atividades que contenham
radionuclídeos, os quais não devem ser reutilizados. A gestão desses materiais segue a norma
da Comissão Nacional de Energia CNEN-NE-6.02 – Licenciamento de instalações radiativas
(BRASIL, 2002).
Além dessas diretrizes, ainda há normas especí�cas para pneus inservíveis (Resolução Conama
nº 416/2009), agrotóxicos e suas embalagens (Resolução Conama nº 465/2014) e óleos
lubri�cantes (Resolução Conama nº 450/2012).
Conhecer, compreender e saber aplicar as normas e a legislação vigente contribui para uma
melhor gestão, sem riscos à saúde, além de diminuir os impactos ao meio ambiente.
Tratamento e destinação �nal de resíduos especiais
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Conhecendo a proveniência dos resíduos especiais, suas características, classi�cações, normas
e leis que regem sua administração, estaremos prontos para a última etapa da gestão de
resíduos, que envolve o tratamento, para diminuição da periculosidade e do volume dos resíduos
ou para reaproveitamento de materiais, e, posteriormente, a disposição �nal adequada dos
rejeitos que não puderam ser reaproveitados.
Para o tratamento dos resíduos, também há normas que devem ser observadas, como a
Resolução Conama nº 05/1993, que regulamenta o tratamento de resíduos provenientes de
serviços de saúde, portos e aeroportos (BRASIL, 1993). 
A caracterização quali-quantitativa dos materiais deve levar em consideração: o estado físico
dos resíduos – se é líquido ou sólido, por exemplo; a quantidade gerada de cada tipo de resíduo;
suas características físicas, químicas e biológicas; e fatores de periculosidade, como toxicidade
e presença de contaminantes. Também é necessário analisar a fonte geradora e todo o processo
de gestão, como as condições de armazenamento disponíveis, o custo de cada método de
tratamento e disposição �nal, a situação dos locais de tratamento e disposição, veri�cando, por
exemplo, a presença de cursos d’água no entorno ou de comunidades locais próximas. 
A primeira etapa do tratamento dos resíduos é a realização de um processo para diminuir a
periculosidade desses materiais especiais, como a autoclavagem, a incineração de resíduos
contaminantes ou a desativação eletrotérmica (ETD).
Depois desse estágio, ainda é possível reutilizar componentes de alguns tipos de resíduos por
meio de um processo de valorização, como a reutilização e a reciclagem, a extração de metais
para reaproveitamento e a conversão em energia. Apenas após esse procedimento, os rejeitos
são enviados para disposição �nal em aterros classe I, para materiais perigosos, incinerados, e,
em seguida, passam por biorremediação ou landfarming.
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Os aterros Classe I, de resíduos perigosos, são locais que possuem dupla impermeabilização,
drenam líquidos, como o chorume produzido pela decomposição dos rejeitos, e estão em
constante monitoramento. São construídos seguindo as normas ABNT NBR 10157:1987.
A incineração é o processo mais indicado para tratamento �nal de resíduos da saúde que
contêm, por exemplo, materiais contaminantes, bem como de óleos e graxas, que não podem ser
dispostos nos aterros em quantidades acima do estabelecido pela ABNT NBR 10157:1987. O
objetivo da queima controlada é destruir compostos tóxicos. É um procedimento rápido, e o
vapor gerado pela queima pode ser utilizado como combustível auxiliar. A incineração segue a
norma ABNT NBR 11175:1990, a qual estabelece que deve haver o controle dos gases emitidos
pela queima dos resíduos.
O landfarming é a incorporação de resíduos oleosos que não são passíveis de recuperação ao
solo, em condições controladas e isoladas, para que seja feita a degradação de contaminantes
perigosos, seguindo a norma ABNT NBR 13894:1997. A SOLIDIFICAÇÃO é um tratamento
realizado em resíduos perigosos para mantê-los em suas formas menos solúveis ou menos
tóxicas, melhorando as características físico-químicas para transporte e disposição �nal.
Por �m, o coprocessamento é a aplicação do resíduo de um processo em outro processo, no
qual ele possa se tornar matéria-prima, como a produção de energia ou pneus, em que há
borracha a ser reaproveitada.
Conhecer os resíduos, suas características, a fonte geradora e elaborar o melhor projeto de
gestão de resíduos especiais é importante para preservar a qualidade do meio ambiente e a
saúde de pessoas envolvidas no processo de produção.
Videoaula: resíduos especiais
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aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet.
Olá, estudante!
Neste vídeo, você aprenderá um pouco mais sobre os resíduos especiais, ou seja, aqueles
resíduos gerados em indústrias, hospitais e na construção civil. Entenderemos em quais
circunstâncias e onde esses materiais são gerados, além de compreendermos como devem ser
tratados antes da sua disposição �nal ambientalmente adequada. Falaremos sobre as leis e
normas que regem a gestão de resíduos especiais, bem como sobre os potenciais impactos ao
meio ambiente e à saúde do homem e dos animais.
Espero que você aprenda bastante. Bons estudos!
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Saiba mais
Con�ra o manual a seguir: um plano de gerenciamento de resíduos elaborado pelo Superior
Tribunal de Justiça, o qual mostra os tipos de resíduos, suas classi�cações e legislações
relacionadas a cada um deles. O texto indica, ainda, a melhor forma de tratamento para cada um
dos materiais. 
Referências
https://www.stj.jus.br/static_files/STJ/Institucional/Educa%C3%A7%C3%A3o%20e%20cultura/socioeducativo/plano_gerenciamento_residuos.pdfDisciplina
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10004:2004: resíduos sólidos:
classi�cação. Rio de Janeiro: ABNT, 2004a.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10157: aterro de resíduos perigosos:
critérios para projeto, construção e operação: procedimentos. Rio de Janeiro: ABNT, 1987.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 12808:1993: resíduos de serviços da
saúde: classi�cação. Rio de Janeiro: ABNT, 1993.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 15113:2004: resíduos sólidos da
construção civil e resíduos inertes: aterros: diretrizes para projeto, implantação e operação. Rio
de Janeiro: ABNT, 2004b.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 13894:1997: 13894: tratamento no
solo (landfarming). Rio de Janeiro: ABNT, 1997.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 11175:1990: incineração de resíduos
sólidos perigosos: padrões de desempenho. Rio de Janeiro: ABNT, 1990.
ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada nº 306, de 7
de dezembro de 2004. Dispõe sobre o Regulamento Técnico para o gerenciamento de resíduos
de serviços de saúde. Diário O�cial da União, Brasília, 22 dez. 2000.
BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos;
altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União,
Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 22 fev. 2022.
BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Comissão Nacional de Energia Nuclear.
Norma CNEN NN 6.02: licenciamento de instalações radiativas. Dispõe sobre o licenciamento de
instalações radiativas que utilizam fontes seladas, fontes não-seladas, equipamentos geradores
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de radiação ionizante e instalações radiativas para produção de radioisótopos. Brasília:
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, 2002.
CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução Conama nº 416/2009. Dispõe sobre
a prevenção à degradação ambiental causada por pneus inservíveis e sua destinação
ambientalmente adequada, e dá outras providências. Brasília: Conselho Nacional do Meio
Ambiente, 2009.
CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução Conama nº 465/2014. Dispõe sobre
os requisitos e critérios técnicos mínimos necessários para o licenciamento ambiental de
estabelecimentos destinados ao recebimento de embalagens de agrotóxicos e a�ns, vazias ou
contendo resíduos. Brasília: Conselho Nacional do Meio Ambiente, 2014.
CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução Conama nº 450/2012. Altera os arts.
9º, 16, 19, 20, 21 e 22, e acrescenta o art. 24-A à Resolução nº 362, de 23 de junho de 2005, do
Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama, que dispõe sobre recolhimento, coleta e
destinação �nal de óleo lubri�cante usado ou contaminado. Brasília: Conselho Nacional do Meio
Ambiente, 2012.
CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 307, de 5 de julho de 2002.
Estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil.
Brasília: Conselho Nacional do Meio Ambiente, 2002.
CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 05, de 05 de agosto de 1993.
Brasília: Conselho Nacional do Meio Ambiente, 1993.
CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 313, de 29 de outubro de 2002.
Dispõe sobre o Inventário Nacional de Resíduos Sólidos Industriais. Brasília: Conselho Nacional
do Meio Ambiente, 2002.
CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 358, de 29 de abril de 2005.
Dispõe sobre o tratamento e a disposição �nal dos resíduos dos serviços de saúde e dá outras
providências. Brasília: Conselho Nacional do Meio Ambiente, 2005.
CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 401, de 5 de novembro de 2008.
Estabelece os limites máximos de chumbo, cádmio e mercúrio para pilhas e baterias
comercializadas no território nacional e os critérios e padrões para o seu gerenciamento
ambientalmente adequado, e dá outras providências. Brasília: Conselho Nacional do Meio
Ambiente, 2008.
MARTINI, A. A. Estudo de alternativa de valorização de resíduos de serviços de saúde advindos
de processo de desinfecção por desativação eletrotérmica (ETD). 2016. 78 f. Dissertação
(Mestrado em Ciências) – Universidade de São Paulo, São Paulo.
STJ. Superior Tribunal de Justiça. Plano de gestão de resíduos sólidos. Brasília: STJ, 2020.
Disponível em:
https://www.stj.jus.br/static_�les/STJ/Institucional/Educa%C3%A7%C3%A3o%20e%20cultura/so
cioeducativo/plano_gerenciamento_residuos.pdf. Acesso em: 17 dez. 2021.
SUBSTANCE Priority List. Agency for Toxic Substances and Disease Registry, 2011. Disponível
em: http://www.atsdr.cdc.gov/spl/index.html. Acesso em:15 dez. 2021. 
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Aula 4
Recuperação de ambientes contaminados
Introdução
Olá, estudante! 
Elaborar um projeto de gestão de resíduos que considere as características desses materiais,
sua classi�cação, separação, armazenamento, transporte, tratamento e disposição �nal
adequada é essencial para evitar a contaminação do meio ambiente, solo, ar, bem como para
proteger a saúde das pessoas e animais. 
Quando o plano de gestão não é bem formulado, não conta com um acompanhamento quanto à
sua correta aplicação ou simplesmente não é feito, os impactos no meio ambiente são diversos.
Devemos, portanto, conhecer as formas de mitigação e recuperação dos efeitos nocivos
relacionados à contaminação da água ou do solo causada pela falta de tratamento ou pela
disposição �nal inadequada de resíduos, como em lixões, por exemplo. 
É sobre isso que falaremos nesta aula.
Bons estudos!
Tratamento e disposição inadequada dos resíduos sólidos
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Todo tipo de resíduo, seja perigoso ou não perigoso, comum ou especial, deve receber atenção
particular em todas as fases do seu ciclo de vida, a �m de evitar prejuízos ao meio ambiente e à
saúde de homens e animais decorrentes da má gestão desses materiais. Portanto, deve haver
um plano de gestão de resíduos que considere as particularidades de cada elemento e as etapas
previstas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que são: não geração ou diminuição
da geração dos resíduos; reutilização, quando for possível; reciclagem; reaproveitamento;
separação; tratamento, seja para reutilizar o resíduo, seja para diminuir seu volume ou sua
periculosidade; e a disposição �nal adequada (BRASIL, 2010).
Quando há ausência ou falha de uma ou mais dessas importantes fases da gestão de resíduos, o
impacto negativo será observado na saúde da população e na contaminação de ambientes onde
os resíduos estão dispostos. 
Por isso, é importante conhecer os efeitos que podem ser gerados e saber remediar ou recuperar
essas áreas infectadas pela presença de substâncias potencialmente causadoras de danos à
saúde e ao meio ambiente.
A contaminação pode ocorrer: pela disposição irregular de resíduos não tratados, contrariando
as leis e normas vigentes; pela emissão de contaminantes por parte das indústrias, como os
gases de efeito estufa; pela utilização de agrotóxicos acima do limite recomendado; além de
outras atividades humanas que impactam o ambiente.
Os três principais compartimentos da biosfera podem ser afetados, que são a água, o ar e o solo,
elementos essenciais para a vida e que podem ter sua qualidade comprometida quando
acumulam poluição. Contudo, a contaminação pode comprometer quaisquer áreas, instalações
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ou edi�cações que receberem materiais (organismos patogênicos, substâncias tóxicas) em
concentrações su�cientes para causar danos ao local e aos seres vivos do entorno.
Quando um ambiente é contaminado, deve passar por um processo de remediação para que
esteja livre da periculosidade potencial.Isso ajuda a evitar, também, que a contaminação se
propague para outras regiões por meio de corpos hídricos e do ar.
O principal responsável por tais contaminações é a disposição inadequada de rejeitos em lixões
a céu aberto. No entanto, esse destino �nal foi proibido pela PNRS por ser potencialmente
prejudicial aos corpos hídricos, ao ar e ao solo, em função da falta de impermeabilização,
tratamento e cobertura dos resíduos dispostos.
A contaminação ainda pode ocorrer pela armazenagem de substâncias tóxicas sem proteção,
aplicação de insumos e defensivos agrícolas, vazamentos nas tubulações ao entorno de áreas
industriais e residenciais, por causa da mineração e pela emissão de poluentes e gases de efeito
estufa por parte de veículos de transporte e indústrias.
A Decisão de Diretoria nº 256/2016 lista 85 substâncias contaminantes do solo e da água, dentre
as quais estão os contaminantes orgânicos, como os hidrocarbonetos, e os inorgânicos, como
os metais tóxicos, alcalinos e alcalinos terrosos, além de patógenos (CETESB, 2016). 
Conhecer as fontes de poluição e contaminação do ambiente é essencial para iniciar um plano
de recuperação de áreas degradadas efetivo, seguindo as normas e leis vigentes.
Recuperação de ambientes contaminados
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Para a recuperação de ambientes contaminados, é necessário conhecer as fontes e os tipos de
contaminação, bem como sua área de abrangência. Depois de realizar os estudos do local a ser
recuperado, escolhe-se uma forma de remediação em função da caracterização feita nas
avaliações preliminares.
O objetivo da remediação é minimizar ou eliminar o risco de contaminação de um determinado
local por meio de estabilização física, química e/ou biológica, com base em diferentes métodos.
As formas de remediação podem ser classi�cadas de várias maneiras, uma delas é pela área de
execução da remediação ambiental: in situ ou ex situ.
A remediação ambiental in situ compreende as técnicas executadas na área contaminada,
garantindo economia e minimizando riscos de contaminações secundárias. A remediação ex situ
envolve intervenções mais caras e demanda que seja feita uma escavação no local afetado para
remoção e transporte dos resíduos contaminantes até o espaço de tratamento e/ou disposição
�nal, como os aterros sanitários.
Alguns exemplos de tratamento in situ são:
A instalação de barreiras para contenção da contaminação e posterior retenção natural.
A biorremediação, técnica que degrada resíduos, especialmente orgânicos e
contaminantes, por meio da digestão de microrganismos.
O bombeamento de resíduos e materiais contaminantes do solo e da água, impedindo a
proliferação ou contaminações secundárias.
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Os Processos Químicos Avançados (PQA), que degradam componentes tóxicos mediante a
oxidação química.
A solidi�cação, também chamada de estabilização, um processo físico-químico que
remove ou imobiliza contaminantes, como os metais pesados do solo ou da água.
A imobilização de metais, que os remove do solo e da água contaminados.
A remoção ou extração de vapores do solo, feita com equipamentos que criam um vácuo
para drenar e tratar vapores e gases tóxicos antes de devolvê-los à atmosfera.
Dentre os sistemas de remediação ex situ, ou seja, nos quais há transporte dos resíduos e
materiais contaminados, podemos citar:
O envio de resíduos para o aterro sanitário, um local apropriado para a disposição �nal desses
materiais e planejado para evitar contaminações.
A técnica de biopilhas, uma estrutura construída em uma base impermeável para impedir a
lixiviação e a contaminação do solo. Por meio do controle de aeração, umidade e nutrientes do
solo, esse método busca reduzir a concentração de hidrocarbonetos a partir da degradação
biológica.
Também é possível citar a dessorção térmica, cuja intenção é diminuir ou eliminar
completamente os hidrocarbonetos presentes no solo, como óleos e combustíveis, separando do
solo os compostos voláteis presentes, com o uso de energia térmica. Alguns resíduos ainda
podem ser aproveitados para a produção de energia ou de outras matérias-primas, como o
cimento, em um procedimento chamado coprocessamento.
Os resíduos, a água e os solos contaminados também podem ser recuperados por meio da
incineração, da oxidação química com injeção de ozônio, da extração multifásica, que promove
uma bioventilação a vácuo, eliminando compostos tóxicos, e do bombeamento dos líquidos e
vapores tóxicos presentes no solo para posterior tratamento.
Conhecer as técnicas de remediação de áreas contaminadas é importante para escolher a
melhor forma de tratamento e elaborar um plano de recuperação de áreas degradadas efetivo.
Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD)
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A remediação de áreas contaminadas é a diminuição ou neutralização da contaminação de um
local. Esse procedimento também deve seguir normas e leis vigentes, como a Política Nacional
do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981), que estabelece como princípio a recuperação de áreas
degradadas, e a Resolução Conama nº 01/1986, que institui o PRAD como obrigatório no Estudo
de Impacto Ambiental e no Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA).
Essa atividade é de�nida pela Resolução Conama nº 420/2009 como “uma das ações de
intervenção para reabilitação de área contaminada, que consiste em aplicação de técnicas,
visando a remoção, contenção ou redução das concentrações de contaminantes” (CONAMA,
2009, [s. p.]).
Já o gerenciamento de áreas contaminadas é o conjunto de medidas planejadas e tomadas para
minimizar a contaminação e evitar mais riscos, com o propósito de desenvolver um projeto
efetivo. Deve seguir um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), que tem como
objetivo estudar o ambiente afetado, os motivos e fontes da degradação, bem como planejar as
melhores formas de recuperação, para que o espaço se torne o mais próximo possível de sua
condição original. Normalmente, compreende as seguintes etapas:
Avaliação inicial: fase de veri�cação inicial do local para avaliação da suspeita de
contaminação e de quais são as possíveis causas dessa ocorrência.
Caracterização: coleta de amostras de ar, solo e água para caracterizar e quanti�car o nível
de contaminação, identi�car o alcance das áreas afetadas e realizar o levantamento do
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histórico local.
Investigação con�rmatória: veri�ca quais são as fontes de poluição e determinação do raio
de contaminação no ambiente e se há contaminações secundárias.
Análise de riscos: identi�ca detalhadamente potenciais riscos físicos, químicos e
biológicos à saúde e ao meio ambiente para avaliar a necessidade de isolamento da área
afetada.
Planejamento de intervenção: momento de elaborar o projeto de remediação e promover os
métodos de intervenção cabíveis para o tipo de degradação, a �m de que seja feita a
mitigação e a remediação da área contaminada.
Execução: realização das medidas de remediação da área contaminada, como isolamento
do ambiente e transporte do material perigoso para tratamento.
Manutenção: tratamento contínuo dos resíduos e adaptação da fonte geradora de materiais
contaminantes para que a atividade passe a ser feita de forma adequada e segura ao meio
ambiente e à saúde.
Monitoramento: acompanhamento do ambiente recuperado para con�rmar resultados da
remediação e evitar novas contaminações (ALMEIDA, 2016).
O PRAD, inicialmente pensado para áreas de mineração, tornou-se obrigatório na Constituição de
1988, segundo a qual “Aquele que explorar recursos minerais �ca obrigado a recuperar o meio
ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na
forma da lei” (BRASIL, 1988, [s. p.]).
Posteriormente, o PRAD foi regulamentado pelo Decreto nº 97.632/1989 e, hoje, é parte
integrante do processo de licenciamento ambiental, podendo, ainda, ser exigido após sanções
ambientais administrativas em função dadegradação causada.
A elaboração de um PRAD deve ser embasada em estudos sobre a área degradada e possíveis
causas dessa ocorrência, além de seguir exigências mínimas instituídas pela Instrução
Normativa nº 04/2011 do Ibama, como a descrição do objetivo da recuperação, da metodologia
utilizada e das etapas de manutenção e de monitoramento. Além disso, o PRAD precisa ser
produzido por um pro�ssional habilitado.
Conhecer as etapas do Plano de Recuperação de Áreas Degradadas permite que você construa
um projeto efetivo e seguro, bene�ciando o meio ambiente de forma mais adequada.
Videoaula: recuperação de ambientes contaminados
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Olá, estudante!
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Vamos, agora, falar sobre as consequências da não elaboração de um plano de gestão de
resíduos que considere todos os aspectos relacionados a proveniência, características,
tratamento e disposição dos resíduos, bem como sobre os efeitos negativos gerados caso o
plano seja mal aplicado, isto é, quando há ausência de acompanhamento e monitoramento, falta
de um correto tratamento ou disposição �nal inadequada. Além disso, abordaremos a
problemática dos lixões no Brasil e formas de recuperação de áreas contaminadas por meio de
um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD). Bons estudos!
Saiba mais
Para aprofundar seus conhecimentos e aprender a elaborar um Plano de Recuperação de Áreas
Degradadas (PRAD), acesse a Instrução Normativa nº 04/2011 do Ibama, que estabelece os
requisitos mínimos para a construção de um plano e�ciente.
Caso queira complementar suas pesquisas, acesse, também, um ótimo resumo sobre os temas
estudados nesta aula disponível no Guia de elaboração de planos de intervenção para o
gerenciamento de áreas contaminadas, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas
do Estado de São Paulo (IPT).
Referências
https://www.ima.al.gov.br/gestao-florestal/plano-de-recuperacao-de-areas-degradadas-prad/
https://www.ipt.br/download.php?filename=1159-Guia___Gerenciamento_de_Areas_Contaminadas___1a_edicao_revisada.pdf
https://www.ipt.br/download.php?filename=1159-Guia___Gerenciamento_de_Areas_Contaminadas___1a_edicao_revisada.pdf
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14001:2015: sistemas de gestão
ambiental: requisitos e orientações para uso. Rio de Janeiro: ABNT, 2015.
ALMEIDA, D. S. Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD). In: ALMEIDA, D. S.
Recuperação ambiental da Mata Atlântica [online]. 3. ed. Ilhéus, BA: Editus, 2016, p. 140-158.
Disponível em: https://static.scielo.org/scielobooks/8xvf4/pdf/almeida-9788574554402.pdf.
Acesso em: 10 dez. 2021.
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil [recurso
eletrônico]. Brasília: Supremo Tribunal Federal, Secretaria de Documentação, 2019. Disponível
em: https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/legislacaoConstituicao/anexo/CF.pdf. Acesso em: 10
dez. 2021.
BRASIL. Decreto nº 97.632, de 10 de abril de 1989. Dispõe sobre a regulamentação do artigo 2°,
inciso VIII, da Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, e dá outras providências. Diário O�cial da
União, Brasília, 12 abr. 1989. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1980-
1989/d97632.htm. Acesso em: 10 dez. 2021.
BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio
Ambiente, seus �ns e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Diário
O�cial da União, Brasília, 2 set. 1981. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm. Acesso em: 10 dez. 2021.
BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos;
altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União,
Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 10 dez. 2021. 
CETESB. Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. Decisão de Diretoria nº 256/2016/E.
Dispõe sobre a aprovação dos “Valores Orientadores para Solos e Águas Subterrâneas no Estado
Disciplina
TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
de São Paulo – 2016” e dá outras providências. Diário O�cial Estado de São Paulo, Caderno
Executivo I (Poder Executivo, seção I), n. 126 (219), p. 55-56, 24 nov. 2016.
CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 01, de 23 de janeiro de 1986.
Dispõe sobre critérios básicos e diretrizes gerais para a avaliação de impacto ambiental. Brasília:
Conselho Nacional do Meio Ambiente, 1986.
CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 420, de 28 de dezembro de 2009.
Dispõe sobre critérios e valores orientadores de qualidade do solo quanto à presença de
substâncias químicas e estabelece diretrizes para o gerenciamento ambiental de áreas
contaminadas por essas. Brasília: Conselho Nacional do Meio Ambiente, 2009.
IBAMA. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Instrução
Normativa no 4, de 13 de abril de 2011. Diário O�cial da União, Brasília, seção 1, n. 72, p. 100-103,
14 abr. 2011.
MORAES, S. L.; TEIXEIRA, C. E.; MAXIMIANO, A. M. S. (Orgs.). Guia de elaboração de planos de
intervenção para o gerenciamento de áreas contaminadas. São Paulo: IPT/BNDES, 2014.
Disponível em: https://www.ipt.br/download.php?�lename=1159-
Guia___Gerenciamento_de_Areas_Contaminadas___1a_edicao_revisada.pdf. Acesso em: 20 dez.
2021.
PLANO de Recuperação de Áreas Degradadas – PRAD. Instituto do Meio Ambiente do Estado de
Alagoas, 28 de jun. de 2017. Disponível em https://www.ima.al.gov.br/gestao-�orestal/plano-de-
recuperacao-de-areas-degradadas-prad/. Acesso em: 10 dez. 2021.
Aula 5
Revisão da unidade
Técnicas de segregação, tratamento e recuperação de resíduos
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
O meio ambiente e a saúde de pessoas e animais são afetados pela produção de resíduos, de
forma que estes, hoje gerados em grande volume, precisam passar por um gerenciamento
segundo a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981), a �m de minimizar possíveis
efeitos por eles causados.
Para que um sistema de gestão de resíduos seja efetivo, é preciso diminuir a produção desses
materiais desde o início do ciclo de vida do produto a partir da redução na fonte geradora, com o
reaproveitamento, quando for possível, fazendo a recuperação e/ou reciclagem dos resíduos
passíveis de reutilização e realizando a disposição �nal apenas dos resíduos restantes que não
puderam ser minimizados nas ações anteriores, depois de uma etapa de tratamento para reduzir
seu volume e periculosidade.
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Figura 1 | Classi�cação dos resíduos pela NBR 10004:2004. Fonte: adaptada de ABNT (2004).
Depois da separação feita de forma correta, os resíduos devem seguir para a etapa de
tratamento, que, de maneira controlada, altera as características desses materiais para minimizar
a quantidade de rejeitos e sua periculosidade.
Alguns processos de recuperação de resíduos são a compostagem de resíduos orgânicos, a
biometanização, a incineração e a pirólise, para redução de volume e geração de energia, e o
sistema mecânico-biológico.
Após o tratamento, os rejeitos, aqueles que não puderam ser aproveitados, seguem para a
disposição �nal adequada segundo a lei brasileira nº 12.305 de 2010 (PNRS), como os aterros
sanitários e industriais (BRASIL, 2010). 
Depois de dispostos em aterros seguros, os rejeitos tendem a produzir subprodutos de sua
decomposição, como o biogás, que contribui para o efeito estufa e deve ser capturado e tratado. 
Com a queima do biogás, é possível fazer o aproveitamento do vapor gerado para produção de
energia térmica ou elétrica, operação que tem produtos como dióxido de carbono,20 vezes
menos nocivo ao ambiente que o gás metano, originalmente produzido pela decomposição dos
resíduos (OECO, 2014).
Além dos resíduos comuns, temos os resíduos especiais, que são aqueles produzidos em locais
como hospitais, indústrias e canteiros de obras na construção civil. Esses materiais são tratados
separadamente, pois, além de sua periculosidade, também podem ser considerados especiais
pelo grande volume gerado.
Depois da classi�cação e antes da disposição �nal adequada dos rejeitos, ainda é possível
reutilizar alguns componentes de certos tipos de resíduos por meio de um processo de
valorização, como a reutilização e a reciclagem, a extração de metais para reaproveitamento e a
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
conversão em energia. Apenas após esses procedimentos, os rejeitos são enviados para a
disposição �nal em aterros classe I, para materiais perigosos, são incinerados e passam por
biorremediação ou landfarming.
Quando há ausência ou falha de uma ou mais dessas importantes fases da gestão de resíduos, o
impacto negativo será observado na saúde da população e na contaminação de ambientes onde
os resíduos estão dispostos. Nesse caso, é preciso fazer a recuperação de espaços infectados
com o objetivo de minimizar ou eliminar o risco de contaminação de um determinado local, por
meio da estabilização física, química e/ou biológica com base em diferentes métodos.
As formas de remediação são classi�cadas pela área de execução: in situ, quando a remediação
ambiental é efetuada na área contaminada; ou ex situ, quando deve ser feita uma escavação no
local afetado para remoção e transporte dos resíduos contaminantes até o espaço de tratamento
e/ou disposição �nal, como os aterros sanitários.
Conhecendo e aplicando todas as etapas da gestão de resíduos, você contribuirá para um mundo
mais sustentável!
Videoaula revisional da unidade
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Olá, estudante! 
Neste vídeo, revisaremos o conteúdo referente ao tratamento de resíduos.
Vamos lembrar as características e a classi�cação dos resíduos comuns e especiais, segundo as
normas vigentes, além de falarmos sobre o plano de gestão de resíduos sólidos e suas etapas,
como a separação e o acondicionamento seguro de resíduos, os tratamentos disponíveis para
reaproveitamento e minimização da periculosidade e o volume desses materiais antes da
disposição �nal adequada. 
Contextualizaremos, ainda, as áreas contaminadas pela má gestão de resíduos e possíveis
formas de recuperação.
Bons estudos!
Estudo de caso
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Uma usina do ramo sucroalcooleiro acaba de completar 60 anos na produção de açúcar. Foi
fundada na década de 1960 por uma família, que ainda é proprietária do estabelecimento, e
sempre foi gerida pelos membros, os quais não possuem formação no setor agroambiental.
A empresa nunca se preocupou em elaborar um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos
(PGRS) para minimizar os impactos gerados pela sua produção e distribuição de açúcar. 
Dos resíduos produzidos pela usina, apenas o bagaço da cana é aproveitado para geração de
energia, mas outros resíduos, como a torta de �ltro, o melaço e a vinhaça, não são utilizados. Seu
descarte sem tratamento, como é atualmente feito pela empresa, promove a emissão de biogás,
que contribui para o efeito estufa.
Como um Plano de Gestão de Resíduos Sólidos é indispensável para a manutenção da licença
ambiental da usina, o novo diretor decidiu contratar um consultor ambiental a �m de elaborar um
PGRS que já considere a problemática da emissão do biogás que poderia ser aproveitado, a
logística reversa de suas embalagens de matéria-prima e de produto �nal, a qualidade de vida
dos seus funcionários e da comunidade local e a recuperação do ambiente degradado no
entorno da usina, em virtude da emissão de gases poluentes.
Você, como consultor ambiental contratado, �cou responsável por levantar pontos importantes e
propor medidas de adequação ambiental que futuramente poderão compor o PGRS da empresa.
Sua missão é ajudar a imagem e a lucratividade da organização com seu projeto.
_______
Re�ita
Você já parou para pensar que os objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS) da
Organização das Nações Unidas (ONU) foram desenvolvidos na intenção de buscar um mundo
sustentável, social, ambiental e economicamente viável? Conhecer os 17 objetivos e saber aplicá-
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
los já é meio caminho andado para pensar em soluções direcionadas a empresas que têm algum
tipo de problema ambiental!
Videoaula: resolução do estudo de caso
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Olá, estudante! Tudo bem?
Preparado para este desa�o pro�ssional? Vamos retomar o estudo de caso? Você é consultor
ambiental de uma empresa do setor sucroalcooleiro e �cou responsável por levantar pontos
positivos e negativos sobre a gestão de resíduos da empresa e propor medidas cabíveis para
levar a companhia a uma gestão ambientalmente correta. A partir disso, foi pedido que você
relacionasse pontos importantes e propusesse medidas de adequação ambiental que
futuramente pudessem compor o PGRS da empresa. 
Diante disso, você pode identi�car, por exemplo, que a empresa não tem aproveitado todos os
resíduos da produção de açúcar e que a disposição inadequada desses materiais tem gerado
biogás, o que contribui para o efeito estufa.
Algumas das medidas a serem propostas por você podem considerar os objetivos do
desenvolvimento sustentável sugeridos pela ONU. Contemplando o ODS 2 – Fome zero e
agricultura sustentável, você poderá criar iniciativas que cooperem para a sustentabilidade da
sua plantação de cana, como a reutilização da palha para fertilização do solo.
Com base no ODS 7 – Energia limpa e acessível e no ODS 12 – Ação contra a mudança global do
clima, você pode pensar na queima do biogás para geração de energia com a emissão de gases
menos poluentes.
Outra oportunidade de melhoria na gestão sustentável da empresa é a inclusão de um projeto de
logística reversa com o retorno e a destinação adequada para as embalagens de insumos
comprados e produtos vendidos. Um projeto de educação ambiental é essencial para a
sensibilização ambiental dos colaboradores, parceiros, fornecedores, clientes e comunidade. 
A estratégia mais importante, no entanto, é o aproveitamento dos resíduos gerados pela empresa
com a captura e utilização do biogás para produção de energia e de combustíveis, bem como o
reaproveitamento desses materiais na própria cadeia produtiva, de forma a diminuir os rejeitos e
aumentar a lucratividade. 
Algumas opções são: uso do bagaço para geração de energia, produção de combustível, celulose
e alimentação animal; da torta de �ltro, resíduo da �ltração mecânica, para fertilização; do
melaço, produto do re�no de açúcar, para fabricação de álcool etílico; e da vinhaça, para
alimentação animal e fertilização, visto que a produção gera, para cada tonelada de cana
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
processada, 280 kg de bagaço, 20 a 40 kg de torta de �ltro e de 40 a 60 kg de melaço (ALCARDE,
2008). Implementando todas essas estratégias, você poderá melhorar o processo produtivo da
empresa, além de diminuir os passivos ambientais gerados!
Resumo visual
Olá, estudante! Quanta informação, não é? Para assimilar todo esse conhecimento de maneira
mais efetiva, veja o infográ�co a seguir, que resume três das etapas mais importantes da gestão
de resíduos comuns e especiais: a classi�cação, o tratamento, para reaproveitamento,
diminuição do volume ou periculosidade, e a disposição �nal adequada.
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TECNOLOGIAS LIMPASE
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Referências
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10004:2004: resíduos sólidos:
classi�cação. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.
ALCARDE, A. R. Árvore do conhecimento: cana-de-açúcar. Ageitec, 20 set. 2008. Disponível em:
https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/cana-de-
acucar/arvore/CONTAG01_108_22122006154841.html. Acesso em: 22 fev. 2022.
BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos;
altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União,
Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 22 fev. 2022.
GASES do efeito estufa: dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4). ((o))eco, 30 abr. 2014.
Disponível em: http://www.oeco.org.br/dicionario-ambiental/28261-gases-do-efeito-estufa-
dioxido-de-carbono-co2-e-metano-ch4/. Acesso em: 22 fev. 2022.alimentos, sabemos que ocorre a geração de
passivos ambientais, como os resíduos, e�uentes e emissões atmosféricas no ambiente
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
empresarial. No entanto, o transporte, o uso de energia, água ou até mesmo a área ocupada pela
agricultura alteram signi�cativamente o meio, in�uenciando, dessa forma, a biocapacidade do
ambiente em que vivemos. Na implementação de inovações, como reúso da água, substituição
de fontes de energia fósseis por renováveis e melhoria de processos, estamos contribuindo para
a amenização do uso de recursos naturais. 
Carvalho (2017) elenca os principais pontos que são levados em consideração no cálculo da
pegada ecológica:
Alimentação: a crescente demanda por alimentos faz com que haja a expansão de áreas
agricultáveis, as quais alteram o ecossistema.
Moradia: nesse contexto, engloba-se toda a infraestrutura necessária para a ocupação
humana, a qual é responsável pela alteração da paisagem e impermeabilização do solo. 
Bens de Consumo: todo produto que é concebido exige o uso de recursos naturais em
maior ou menor escala.
Energia: toda atividade necessita de energia para que os processos ocorram. Com isso, a
demanda por esse recurso é cada vez mais signi�cativa. 
Transporte: temos um percentual relevante de meios de transporte que utilizam
combustíveis fósseis, acarretando impactos signi�cativos (Figura 3).
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Figura 3 | Variáveis que in�uenciam a pegada ecológica. Fonte: Becker et al. (2012, p. 33).
O entendimento de todo esse processo favorece a proposição de alternativas. Por exemplo,
pensando em estratégias de educação ambiental dos funcionários e treinando-os quanto a
pequenas iniciativas no ambiente empresarial, é possível melhorar a pegada ambiental de uma
organização. Isso também é válido para nosso cotidiano: você pode tentar diminuir sua pegada a
partir da adoção de pequenos hábitos, como separar o lixo, preferir caminhar em vez de usar
automóveis, não comprar produtos desnecessários, entre outras possibilidades. 
Além disso, a utilização de materiais alternativos também é uma excelente opção. Na indústria
da construção civil, inúmeras são as iniciativas já implementadas, as quais apresentam uma
excelente viabilidade técnica e econômica. Quer conhecer algumas? 
A telha e o tijolo ecológicos são produtos manufaturados a partir da reutilização de recicláveis de
alumínio e �bras naturais. Por isso, apresentam um custo menor do que os demais, sendo leves,
o que permite o manuseio fácil, e otimizam o conforto térmico de uma residência, visto que
re�etem com maior efetividade a luz solar. 
As empresas que utilizam embalagens plásticas estão optando cada vez mais por recipientes
advindos de materiais alternativos, uma vez que, dessa forma, é possível diminuir a pegada
ambiental de uma organização. Por exemplo, canudos de plástico estão caindo em desuso,
tendo como solução alternativa o uso de materiais como o metal ou o papel, que geram menor
impacto ambiental.
Dessa forma, é fundamental pensar em soluções tecnológicas e materiais alternativos, uma vez
que isso pode ser um diferencial de sua organização perante o mercado. Bons estudos!
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Videoaula: pegada ambiental
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Você já parou para pensar em como nossos hábitos fazem a diferença na qualidade e
disponibilidade dos recursos? Se nós impactamos o meio, imagine só as indústrias? Pensando
nisso, você aprenderá a respeito da pegada ecológica, veri�cando como esse conceito está
alterando os ambientes organizacionais. Abordaremos a possibilidade de utilização da educação
ambiental e de fontes de materiais alternativos. Ficou curioso? Não deixe de aplicar tais
conceitos em sua vida pessoal e pro�ssional!
Saiba mais
Quantos planetas são necessários para que você mantenha seu ritmo de consumo? Para
descobrir a resposta, utilize a calculadora de pegada ecológica, que, por meio da identi�cação de
seus hábitos cotidianos, demonstrará seu impacto no meio. Ficou curioso?  
http://www.pegadaecologica.org.br/
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Referências
BECKER, M. et al. (Coords.). A pegada ecológica de São Paulo – Estado e capital e a família de
pegadas. Brasília: WWF-Brasil, 2012. Disponível em:
https://wwfbr.awsassets.panda.org/downloads/pegada_ecologica_de_sao_paulo.pdf. Acesso
em: 9 dez. 2021. 
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil [recurso
eletrônico]. Brasília: Supremo Tribunal Federal, Secretaria de Documentação, 2019. Disponível
em: https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/legislacaoConstituicao/anexo/CF.pdf. Acesso em: 6 dez
2021.
BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos;
altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Brasília: Presidência da
República, 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 1 dez. 2021.
CARVALHO, I. C.M. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. 6. ed. São Paulo:
Cortez, 2017.
DEMAJOROVIC, J.; LIMA, M. Cadeia de reciclagem: um olhar para os catadores. São Paulo:
Senac-SP, 2019.
DIAS, G. F. Pegada ecológica e sustentabilidade humana. São Paulo: Global Editora e
Distribuidora LTDA, 2015.
PANORAMA dos Resíduos Sólidos no Brasil – 2021. Abrelpe, 7 dez. 2021. Disponível em:
https://abrelpe.org.br/panorama/. Acesso em: 9 dez. 2021.
PEGADA ecológica? O que é isso? WWF, 8 abr. 2011. Disponível em:
https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/o_que_e_pegada_ecolo
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
gica/. Acesso em: 6 dez. 2021.  
REIGOTA, M. Ecologia, elites e intelligentsia na América Latina: um estudo de suas
representações sociais. São Paulo: Annablume, 1999.
SANTOS, S. A. M.; RUFFINO, P. H. P. Proposta do programa de educação ambiental (introdução).
In: SCHIEL, D. et al. (Orgs.). O estudo de bacias hidrográ�cas: uma estratégia para educação
ambiental. 2. ed. São Carlos: Rima, 2003, p. 9-13.
WWF. World Wildlife Fund. Pegada ecológica, 4 jun. 2008. Disponível em:
http://www.pegadaecologica.org.br/. Acesso em: 6 dez. 2021.  
Aula 3
Tecnologias limpas em processos industriais
Introdução
No nosso dia a dia, consumimos muitos produtos advindos das indústrias, seja aquele alimento
favorito, os objetos de vestuário, os materiais utilizados na construção civil ou até mesmo o
combustível que permite nossa locomoção. Você já imaginou se, por acaso, comprasse seu
chocolate favorito, mas ele sempre apresentasse um sabor diferente de acordo com a data da
compra? Isso seria um problema, não é mesmo? Justamente por isso, é extremamente
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
TRATAMENTO DE RESÍDUOS
importante termos processos industriais mapeados em uma organização, pois dessa forma
conseguimos garantir a preservação das características e da qualidade dos produtos. 
Diante disso, utilizam-se inúmeras ferramentas de mapeamento de processos para que seja
possível investigar as falhas desses sistemas, possibilitando, assim, sua otimização e
contribuindo não só para a melhoria das características de determinado produto, mas também
para a economia de recursos naturais. Não deixe de entender este conteúdo, pois ele será
fundamental para sua atuação pro�ssional! Bons estudos!  
O que são processos industriais?
Os processos industriais estão presentes no nosso dia a dia. Mas o que são processos? Uma
de�nição básica trazida por Gayer (2020) nos diz que processos podem ser entendidos como um
conjunto de operações, as quais são responsáveis pela modi�cação das características da
matéria-prima, visando transformá-la em um produto.
Dessa forma, entender como funcionam os processos industriaisé fundamental, uma vez que
assim conseguimos identi�car as falhas e as oportunidades de melhorias dentro de uma
organização. Nesse contexto, também vale ressaltar um aspecto importante: diferentes
segmentos organizacionais podem compor processos distintos, os quais, muitas vezes, não são
divulgados em virtude do sigilo industrial. De maneira simpli�cada, podemos entender os
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
processos industriais direcionando o foco a três etapas especí�cas: a entrada, a transformação e
a saída. 
Na entrada, que são os inputs, consideramos a matéria-prima e os insumos, ou seja, os
componentes auxiliares do processo (água, energia elétrica e outros), sendo possível acrescentar
características ou somente compor o processo industrial, as informações necessárias para o
funcionamento do processo, os documentos que o compõem, entre outros dados. Na
transformação, ocorre o processamento das matérias-primas ou serviço que sairão do processo
(output) como produto �nal. Assim, a qualidade do produto �nal está diretamente relacionada às
condições da matéria-prima e do processo e, por isso, é fundamental mapear, mensurar e
controlar os processos (Figura 1).
Figura 1 | Esquema simpli�cado de um processo. Fonte: elaborada pela autora.
Mas será que é só na transformação de materiais e insumos em produtos que temos processos?
Não! De acordo com Toledo et al. (2017), os processos fazem parte de toda a organização,
estando presentes, inclusive, nas decisões gerenciais. Por isso, o autor classi�cou os processos
em primários, de suporte e gerenciais. Os processos primários estão relacionados à produção
dos produtos ou serviços entregues ao cliente. Já os processos de suporte são aqueles que
administram os recursos para que os primários funcionem de maneira coerente. Por �m, os
processos gerenciais estão ligados à própria tomada de decisão da empresa ou setor. 
Os processos industriais se caracterizam por sua natureza repetitiva. Assim, é necessário
entender e mapear o processo, cujo objetivo é garantir o padrão de qualidade dos produtos ou
serviços e sua melhoria contínua, a satisfação do cliente e as boas práticas ambientais.
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TRATAMENTO DE RESÍDUOS
Tal fato é tão importante que temos normas e legislações internacionais que utilizam o conceito
de processo na dinâmica gerencial da empresa, como a International Organization for
Standardization (ISO). De acordo com a norma ISO 9000 de 2015, o processo é de�nido como
“conjunto de atividades inter-relacionadas ou interativas que utilizam entradas para entregar um
resultado pretendido” (ABNT, 2015, [s. p.]). Dessa forma, os processos de gestão devem ser
implementados para atender às exigências internacionais e aos consumidores cada vez mais
exigentes. 
Todo o processo de gestão de uma organização precisa ser formalizado e, dessa forma, em sua
atuação pro�ssional, você poderá se deparar com normas, documentações, �uxogramas ou até
mesmo ferramentas de mapeamento de processos. Logo, entender esses conceitos poderá lhe
auxiliar em uma futura atuação pro�ssional.
Como podemos mapear o processo de uma empresa?
Você já ouviu falar do ciclo PDCA? Essa ferramenta de gestão, concebida por Shewhart e
difundida por Deming, busca a melhoria contínua em processos, sendo amplamente aplicada.
Basicamente, ela consiste na implementação de melhorias por etapas, procurando
primeiramente planejar (Plan), executar (Do), checar (Check) se o processo está funcionando de
maneira coerente e agir (Act), melhorando os pontos falhos ou difundindo estratégias que
contribuam para o aprimoramento do processo (BRITTO, 2016) (Figura 2). 
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Figura 2 | Ciclo PDCA. Fonte: Tribunal de Contas do Estado do Paraná (2020).
Contudo, para que possamos utilizar todos esses conceitos relevantes, inicialmente precisamos
conhecer o processo. Diante disso, podemos usar ferramentas de mapeamento de processos.
Mas o que é o mapeamento? De acordo com Toledo et al. (2017), essa estratégia consiste na
identi�cação de todas as etapas relacionadas a um processo, buscando entender suas
especi�cidades, materiais e demais recursos necessários para o bom funcionamento do
sistema. Dentre as possíveis ferramentas, destacamos os �uxogramas (Figura 3), que são uma
forma simples de representar a realização de qualquer tarefa no ambiente empresarial. 
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Figura 3 | Desenho esquemático representando um �uxograma de processo. Fonte: Peinado e Graeml (2007, p. 151).
Visando facilitar o entendimento, simbologias são utilizadas para se referir a cada etapa,
permitindo analisar o tempo, os recursos, os responsáveis pela fase em questão e toda a
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dinâmica da organização na concepção de determinado produto ou serviço (Figura 4). A adoção
de um padrão de símbolos concede aos gestores mais agilidade na compreensão dos
processos.
Principais simbologias adotadas em �uxogramas de processo. Fonte: Peinado e Graeml (2007, p. 539).
No entanto, não basta apenas conhecer o processo, também é necessário buscar a construção
de indicadores que realmente demonstrem seu funcionamento coerente. Além disso, quando se
busca a adequação ambiental, é possível a elaboração de processos que levem em consideração
o uso dos recursos naturais, os quais devem compor o �uxograma de entrada e saída. Como
exemplo, temos a utilização da água, um importante insumo industrial que pode ser incorporado
em qualquer etapa do processo, visto que é considerado uma matéria-prima auxiliar que,
posteriormente, poderá sair parcialmente do processo como e�uente industrial. Mas como saber
se um processo está funcionando de maneira adequada? 
É nesse momento que podemos utilizar indicadores, os quais ajudam a empresa a cumprir seus
objetivos, uma vez que mensuram resultados da e�ciência dos processos, subsidiando, assim, a
tomada de decisão acerca de determinada falha ou a identi�cação de potenciais melhorias.
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Quadro 1 | Exemplos de indicadores que podem ser utilizados nas organizações. Fonte: adaptado de Corrêa e Corrêa (2006, p.
60).
Entender os processos e propor indicadores são ações que poderão contribuir para a melhoria da
produção, direcionando o foco à compatibilização dos recursos econômicos com boas práticas
ambientais. Dedique-se e seja um excelente gestor!
Otimização de processos industriais
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O entendimento do processo industrial de uma organização é o ponto de partida para a
possibilidade de proposição de melhorias. Vale lembrar que quando falamos em tecnologias
limpas e otimização de processos, também estamos buscando promover lucros à organização.
Por exemplo, se conseguirmos diminuir o uso da água em um processo, não existem apenas
benefícios ambientais, mas também econômicos, uma vez que a empresa paga pelo recurso
hídrico consumido. Mas por onde começar? É nesse momento que se torna ainda mais
imprescindível entender o processo industrial. A partir da elaboração de �uxogramas,
conseguimos veri�car possibilidades de mudanças, as quais poderão ser atrativas para a
organização (Figura 5). 
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Figura 5 | Exemplo de alguns pontos que podem ser analisados a partir de �uxogramas de processos. Fonte: Peinado e
Graeml (2007, p. 541).
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Para que possamos propor qualquer melhoria, é necessário conhecer profundamente os
problemas associados. Para tanto, podemos utilizar algumas ferramentas de gestão da
qualidade, como diagrama de causa e efeito, histograma, análise de Pareto, diagrama de
dispersão, entre outras inúmeras alternativas. Falando especi�camente a respeito dos recursos
naturais em processos, uma ferramenta interessante é a associação dos �uxogramas com as
entradas e saídas dos recursosnaturais e passivos ambientais. A Figura 6, a seguir, apresenta
um �uxograma das etapas do processamento industrial de uma indústria de papel e celulose. 
Figura 6 | Fluxograma simpli�cado de entradas e saídas de uma indústria de papel e celulose. Fonte: Nicolao (2018, p. 81).
Muitas vezes, é possível identi�car, nos �uxogramas, os passivos ambientais gerados no
processo, como os resíduos advindos do corte da madeira e as emissões de material particulado
em uma indústria de móveis de madeira. Dessa forma, é possível propor um sistema de
tratamento das emissões atmosféricas e a destinação adequada dos resíduos. 
Com isso, a otimização do desempenho de unidades produtivas se associa à economia de
recursos naturais. Nesse sentido, algumas das soluções que podem ser incorporadas nas
atividades industriais estão listadas a seguir: 
Reúso dos recursos naturais: é crescente a adaptação de processos que permitem a
recirculação da água. Nesse caso, ocorre a economia de recursos naturais e a melhoria de
processos. Assim, é gerada uma menor quantidade de e�uentes, diminuindo o uso das
Estações de Tratamento de E�uentes. 
Substituição de combustíveis: o uso de combustíveis não renováveis aumenta os passivos
ambientais da organização. Dessa forma, é possível substituí-los por fontes renováveis,
como os biocombustíveis. 
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Adesão a energias alternativas: não só processos consomem energia, mas a organização
como um todo. Logo, soluções que invistam em energia fotovoltaica e eólica são
estratégias para diminuir o custo com o funcionamento da empresa.
Materiais alternativos: podem ser advindos da reciclagem ou do uso de polímeros naturais.
Diminuem a geração de resíduos e podem minimizar os gastos relacionados à aquisição de
matéria-prima.
Uso de equipamentos adequados: dispositivos que possuam melhor e�ciência energética
podem contribuir para o aprimoramento de processos. Assim, é possível propor a
substituição de equipamentos de acordo com as características da empresa. 
Existem outras inúmeras soluções alternativas. Desse modo, o primeiro passo é entender o
processo e suas especi�cidades, identi�car as falhas e não conformidades e, a partir disso,
implementar soluções, as quais devem estar pautadas não apenas no fator econômico, mas
também na esfera ambiental e social. 
Entendendo como mapear processos, as possíveis ferramentas e algumas soluções
tecnológicas, você estará apto para fazer a diferença no ambiente empresarial, visto que são
habilidades exigidas em toda organização que busque a conformidade legal e as certi�cações
ambientais. Bons estudos!
Videoaula: tecnologias limpas em processos industriais
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Os processos existem em toda e qualquer empresa. No vídeo a seguir, você aprenderá sobre os
principais conceitos relacionados à elaboração de �uxogramas de processos. Com essas
informações valiosas, entenderemos como podemos implementar estratégias de otimização nas
organizações, buscando sempre adequá-las às exigências legais das esferas ambiental e
econômica. Assim, você estará apto a aplicar tais conceitos em uma empresa e se destacar no
mercado de trabalho! Sucesso!
Saiba mais
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A adequação ambiental de empresas pode ocorrer a partir da implementação de soluções
alternativas para a economia de recursos naturais em vários processos industriais. Nesse
sentido, um estudo realizado por Paiva e Maria (2018) buscou analisar a gestão e o
reaproveitamento dos resíduos na indústria sucroalcooleira.
Referências
http://revista.ecogestaobrasil.net/v5n9/v05n09a10a.html
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ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 9000: sistema da qualidade: diretrizes
para seleção e uso. Rio de Janeiro: ABNT, 2015. 
BRITTO, E. Qualidade total. São Paulo: Cengage, 2016.
CICLO PDCA. Tribunal de Contas do Estado do Paraná, 21 jan. 2020. Disponível em:
https://www1.tce.pr.gov.br/conteudo/ciclo-pdca/235505/area/46. Acesso em: 15 dez. 2021.
CORRÊA, H. L.; CORRÊA, C. Administração de produção e operações: manufatura e serviços: uma
abordagem estratégica. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2006.
GAYER, J. A. C. A. Gestão da qualidade total e melhoria contínua de processos. Curitiba:
Contentus, 2020.
NICOLAO, F. Proposição e implantação de melhorias de processo com base no método MASP:
estudo de caso em uma indústria de papel e celulose do estado do Paraná. O Papel, v. 79, n. 3, p.
79-84, mar. 2018. Disponível em: http://www.revistaopapel.org.br/noticia-
anexos/1523340672_492b34cd979ca7e0a7392c29b102f40d_2131385090.pdf. Acesso em: 15
dez. 2021. 
PAIVA, F. F. G. de; MARIA, V. P. K. de. Gestão ambiental de resíduos industriais: análise de gestão
e reaproveitamento de resíduos da indústria sucroalcooleira. Revista Brasileira de Gestão
Ambiental e Sustentabilidade, v. 5, n. 9, p. 157-166, 2018. Disponível
em: http://revista.ecogestaobrasil.net/v5n9/v05n09a10a.html. Acesso em: 12 dez. 2021.
PEINADO, J.; GRAEML, A. Administração da produção: operações industriais e de serviços.
Curitiba: UnicenP, 2007.
TOLEDO, J. C. de et al. Qualidade gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. 
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Aula 4
Gestão ambiental nas empresas
Introdução
A legislação ambiental é fundamental para a regulação das atividades humanas. Imagine se não
existissem padrões de lançamento de e�uentes, de qualidade da água ou de qualidade do ar?
Com certeza teríamos uma incidência muito maior de doenças, bem como impactos ambientais
e sociais imensuráveis! 
Justamente por isso, é fundamental que as empresas sigam tais padrões, que são
condicionantes do licenciamento ambiental e do alvará de atividades no Brasil. Além dos
mecanismos legais obrigatórios, as empresas também podem aderir às certi�cações, que são de
adesão voluntária e buscam melhorar processos e colaborar com a preservação dos recursos. 
Nesse contexto, destaca-se o conjunto de normas ISO 14000 que estabelecem o Sistema de
Gestão Ambiental (SGA). As empresas que aderem a essas estratégias, além de expandir sua
área de atuação, também demonstram aos consumidores seu compromisso ambiental. Não
deixe de se aprofundar nessa temática tão importante nos dias atuais. Bons estudos!
Gestão ambiental nas organizações
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Dentre as inúmeras exigências para a instalação de uma empresa, destaca-se a questão da
legislação ambiental. Você sabia que antes mesmo de um empreendimento se instalar em um
lugar, ele deve passar por licenciamento ambiental? É justamente para se adequar aos
mecanismos legais vigentes que precisamos conhecê-los. 
A primeira legislação de importância signi�cativa é a Política Nacional do Meio Ambiente
(PNMA), regida pela Lei nº 6.938/1981. Tal fundamento legal marcou uma nova era na esfera
ambiental brasileira, subsidiando, inclusive, a criação de um capítulo especí�co relacionado ao
meio ambiente na Constituição Federal de 1988.
A PNMA (Figura 1) trouxe inúmeros instrumentos que são muito utilizados no planejamento e
gestão ambiental, tal como a instituição de padrões de qualidade, zoneamento ambiental,
avaliação de impactos ambientais, licenciamento ambiental, entre outras disciplinas de extrema
relevância (BRASIL, 1981).
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Figura 1 | Estrutura da Política Nacional do Meio Ambiente. Fonte: adaptada de Brasil (1981).
Na PNMA, é estabelecido o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), que é o conjunto de
órgãos públicos pautados na preservação dos ecossistemas, de�nindo, inclusive, os
responsáveis pela �scalização ambiental (BRASIL, 1981). Considerando as empresas, temos a
atuação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) na criação dospadrões de qualidade
ambiental e dos órgãos seccionais, tanto estaduais como municipais, que atuam na �scalização
das atividades que possam ocasionar impactos ambientais. 
Com relação à �scalização, um instrumento administrativo é o licenciamento ambiental, que
busca fazer com que a organização identi�que seus impactos ambientais e proponha soluções
mitigadoras. Assim, a Resolução Conama nº 001/1986 estabelece o Estudo de Impacto
Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), documentos exigidos para
empreendimentos que possuem o elevado potencial de ocasionar impactos ambientais, como
mineradoras, hidroelétricas e linhas de transmissão.
Já o procedimento administrativo de licenciamento é trazido pela Resolução Conama n°
237/1997, que, dentre as informações pertinentes, denota sobre as etapas desse procedimento
e, no seu Anexo I, sobre os empreendimentos sujeitos ao licenciamento.
Para as atividades que não possuem o potencial de ocasionar impactos ambientais
signi�cativos, temos o licenciamento simpli�cado, que pode ser realizado por órgãos municipais
ou estaduais, dependendo da localização da empresa e de suas especi�cidades (Figura 2).
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Figura 2 | Processo de licenciamento ambiental. Fonte: Araújo (2017, p. 59).
Além das licenças, outros mecanismos legais precisam ser cumpridos e, nesse contexto, vale
pesquisar as legislações às quais o empreendimento está condicionado. Geralmente, o
cumprimento das normas legais está associado aos passivos que a empresa gera (emissões
atmosféricas, e�uentes, resíduos, uso da água) (Quadro 1). 
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Quadro 1 | Principais mecanismos legais na esfera federal que podem ser exigidos nas empresas. Fonte: elaborado pela
autora.
Com isso, sempre busque saber sobre a legislação aplicável a seu empreendimento, uma vez que
o não cumprimento das normas acarreta penalidades, como determina a Lei de Crimes
Ambientais. Com certeza, em algum momento de sua atuação pro�ssional, você precisará
consultar as leis, então não deixe de se aprofundar no assunto!
Certi�cações ambientais e a adequação ambiental das empresas
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A gestão ambiental é um conceito que apresenta expansão, uma vez que busca compatibilizar as
esferas ambientais, sociais e econômicas. Dessa forma, inúmeras são as vantagens de se
implementar essa estratégia nas empresas (Figura 3). 
Figura 3 | Benefícios da gestão ambiental nas empresas. Fonte: elaborada pela autora.
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Para que esse conceito seja incorporado em uma empresa, primeiramente é importante entender
os passivos ambientais que essa organização apresenta a partir da Avaliação de Impactos
Ambientais (AIA). Tal ferramenta pode ser incorporada ao entendimento do processo industrial,
principalmente utilizando o �uxograma de entradas e saídas. Depois disso, é a hora de pensar em
melhorar a e�ciência dos processos. Tudo isso pode ser ainda mais vantajoso quando se pensa
em incorporar um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) na organização. Você já ouviu falar sobre
ele? 
Os Sistemas de Gestão Ambiental (SGAs) permitem a descrição e formalização dos processos
operacionais de uma organização, facilitando o monitoramento dos impactos causados sobre o
ecossistema. Valle (2002) descreve o SGA como um conjunto de medidas e procedimentos com
os quais é possível identi�car e controlar os impactos ambientais gerados no exercício da
atividade. Esse formato incentiva a melhoria contínua dos processos, visando à prevenção da
poluição e ao menor consumo de recursos, viabilizando, assim, a construção de uma interação
sociedade/ambiente mais sustentável.
O SGA é regido pela norma ISO 14001/2015, que é de adesão voluntária. No entanto, por causa
das inúmeras pressões relacionadas ao mercado de exportação, é crescente a busca por
certi�cações ambientais. Com isso, para que a empresa se certi�que, é importante se atentar à
possibilidade de mudança de sua estrutura organizacional, de�nindo responsabilidades,
planejando ações e modi�cando processos onerosos. A empresa também precisará destinar
recursos para que o SGA seja implementado (Figura 4).
Figura 4 | Etapas para a incorporação do Sistema de Gestão Ambiental na empresa. Fonte: elaborada pela autora.
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De acordo com a ABNT NBR ISO 14001:2015, os requisitos do Sistema de Gestão Ambiental a
serem implantados e seguidos são: Requisitos Gerais (de�nição e documentação do escopo do
SGA); Planejamento (objetivos, metas e programas); Implementação e Operação (controle de
documentação operacional, resposta à emergência, recursos, de�nição de responsabilidades e
competências); Veri�cação (controle de registros, auditoria interna e propostas de correção em
caso de não conformidades); e Análise pela Administração (de�ne que a alta administração deve
assegurar a e�cácia do SGA) (ABNT, 2015a). 
Todo esse processo é pautado na melhoria contínua, ou seja, não é porque uma empresa possui
certi�cação que ela não precisará mais adequar seu sistema ou melhorá-lo frequentemente,
a�nal sempre podemos otimizar processos e adequá-los às demandas relacionadas à economia,
à saúde e ao meio ambiente.
Ao implementar um SGA, a empresa também poderá integrá-lo a outros sistemas, como o da
qualidade (ISO 9001/2015) e de segurança do trabalho. Vale ressaltar que a certi�cação só
ocorre a partir da contratação de uma auditoria externa, a qual precisa estar credenciada junto ao
Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), que é o órgão responsável
pelas auditorias no Brasil. 
Diante da alta demanda por soluções na área ambiental, entender o processo de certi�cação
poderá destacar você no mercado de trabalho. Não deixe de utilizar este material e aprofundar os
conceitos trazidos nesta etapa de aprendizagem. Bons estudos!
Como incorporar a gestão ambiental nas empresas?
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Para que uma empresa obtenha a certi�cação, ela deverá atender a todos os requisitos citados
na ISO 14001/2015 (ABNT, 2015). As normas ISO baseiam-se no ciclo do PDCA (Figura 5). 
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Figura 5 | Ciclo do PDCA e a ISO 14001/2015. Fonte: ABNT (2015a, p. 10).
Nesse contexto, é fundamental que a cultura de mudança seja expandida para toda a
organização, uma vez que o engajamento dos funcionários e o comprometimento da alta direção
trarão melhores resultados. Mas por onde começar? O primeiro passo para a implementação do
SGA é criação da política ambiental da empresa, que reforça a responsabilidade com a melhoria
contínua, o atendimento à legislação e o controle da poluição. A política deve ser escrita com
linguagem clara, sendo amplamente divulgada. A partir disso, ocorre o planejamento, que
estabelece os objetivos, metas e programas a serem alcançados pela organização (Figura 6). 
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Figura 6 | Diferença entre objetivo, meta e programa. Fonte: elaborada pela autora.
Nessa etapa, é importante estabelecer objetivos e metas alcançáveis. De nada adianta sugerir
uma grande mudança de processos se a organização não possui estrutura para isso. O
planejamento é o aspecto mais importante para o bom funcionamento do SGA, uma vez que a
partir dele é que são executadas as demais fases. Depois de pensarmos em todos os detalhes,
chega a hora de executar tudo o que foi proposto. No estágio de implementação e operação, é
fundamental de�nir o controle dos documentos, como o licenciamento ambiental, alvarás e
procedimentos operacionais. Além disso, a empresa precisará traçar planos de resposta à
emergência e de�nir responsabilidades e competências. 
Fazendo analogia ao ciclo do PDCA, qual é a etapa que vem após a fase de execução? É o
estágio de veri�cação! É nesse momento que a empresa precisa checar se tudo está
funcionandocorretamente e, caso algo não esteja em conformidade, é possível pensar em
soluções corretivas. Durante essa etapa, pode ser necessária a execução de auditorias internas,
que são procedimentos que buscam veri�car se a empresa está atendendo a um documento de
referência – nesse caso, a ISO 14001/2015 (ABNT, 2015a). 
O processo também precisa ser analisado pela administração, setor responsável por garantir que
o SGA realmente está sendo efetivo no controle de passivos ambientais e na otimização dos
processos. Se todos esses elementos estiverem funcionando de forma adequada, chega a hora
de escolher a empresa certi�cadora e pagar uma auditoria externa, a qual é realizada por órgãos
credenciados. Nesse procedimento, a empresa poderá angariar seu certi�cado de SGA ou ter seu
sistema reprovado, de modo que será necessário arcar com alterações e o pagamento de uma
nova auditoria (Figura 7).
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Figura 7 | Implementação de um Sistema de Gestão Ambiental. Fonte: elaborada pela autora. 
Vale ressaltar que auditorias externas são onerosas. Logo, a organização deve realmente ter
implementado a cultura de melhoria contínua, atendendo a todos os requisitos para que não haja
possibilidade de reprovação do sistema. O uso de auditorias internas pode favorecer o preparo
da organização. Recomenda-se, inclusive, sua execução a cada seis meses para veri�car a
efetividade do sistema sugerido. O processo de certi�cação está delineado na Figura 8, a seguir. 
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Figura 8 | Etapas da certi�cação pautada na ISO 14001/2015. Fonte: elaborada pela autora.
Atender às exigências legais e do mercado é um grande desa�o para as empresas de todos os
tamanhos e segmentos. Entendendo os conceitos, você pode promover a mudança no ambiente
empresarial. Bons estudos!
Videoaula: gestão ambiental nas empresas
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aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet.
Qual a relação da legislação ambiental com a adequação ambiental de empresas? Neste vídeo,
você entenderá os mecanismos legais vigentes na esfera ambiental que podem ser aplicados
visando à compatibilização do uso dos recursos naturais. Além disso, você conhecerá a ISO
14001/2015, que dispõe sobre o Sistema de Gestão Ambiental. Ficou curioso? Aproveite o
conteúdo desenvolvido especialmente para você!
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Saiba mais
Apesar de termos legislações especí�cas pautadas no licenciamento ambiental, esse
procedimento administrativo pode se diferenciar de acordo com as diretrizes adotadas para cada
estado ou município. Pensando em solucionar tal problemática, o Ministério do Meio Ambiente
elaborou um manual de licenciamento ambiental, que explica sobre as diretrizes adotadas em
cada estado. Ficou curioso? Leia quais são as medidas implementadas em seu estado.
Referências
http://pnla.mma.gov.br/images/2018/08/VERS%C3%83O-FINAL-E-BOOK-Procedimentos-do-Lincenciamento-Ambiental-WEB.pdf
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ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14001:2015: sistemas de gestão
ambiental: requisitos e orientações para uso. Rio de Janeiro: ABNT, 2015a.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 9000: sistema da qualidade: diretrizes
para seleção e uso. Rio de Janeiro: ABNT, 2015b. 
ARAÚJO, D. Educação no processo de licenciamento ambiental: uma re�exão sobre o setor de
mineração em Goiás. 2017. 119 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual de Campinas,
Instituto de Geociências, Campinas, SP. Disponível em:
http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/322025. Acesso em: 13 dez. 2021. 
BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio
Ambiente, seus �ns e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Diário
O�cial da União, Brasília, 2 set. 1981. 
BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e
administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras
providências. Diário O�cial da União, Brasília, 13 fev. 1998.
BRASIL. Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Dispõe sobre o Estatuto das cidades.
Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política
urbana e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 11 jul. 2001. 
BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos;
altera a Lei n° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União,
Brasília, 3 ago. 2010.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Procedimentos de licenciamento ambiental do Brasil.
Brasília: MMA, 2016. Disponível em: http://pnla.mma.gov.br/images/2018/08/VERS%C3%83O-
FINAL-E-BOOK-Procedimentos-do-Lincenciamento-Ambiental-WEB.pdf. Acesso em: 13 dez. 2021.
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CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução n° 001, de 23 de janeiro de 1996.
Dispõe sobre os CritériosBásicos e Diretrizes Gerais para a Avaliação de Impacto Ambiental.
Diário O�cial da União, Brasília, 19 dez. 1997.
CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução n° 237, de 19 de dezembro de 1997.
Dispõe sobre o Licenciamento Ambiental. Diário O�cial da União, Brasília, 19 dez. 1997.
CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução n° 357, de 17 de março de 2005.
Dispõe sobre a classi�cação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu
enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de e�uentes, e dá
outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 17 mar. 2005.
CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução n° 430, de 13 de maio de 2011.
Dispõe sobre as condições e padrões de lançamento de e�uentes, complementa e altera a
Resolução nº 357, de 17 de março de 2005, do Conselho Nacional do Meio Ambiente –CONAMA.
Diário O�cial da União, Brasília, 13 maio 2011.
CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução n° 491, de 19 de novembro de 2018.
Dispõe sobre os padrões de qualidade do ar. Diário O�cial da União, Brasília, 19 dez. 2018.
VALLE, C. E. Qualidade ambiental: ISO 14000. 4. ed. São Paulo: Senac, 2002.
Aula 5
Revisão da unidade
Tecnologias limpas para o desenvolvimento sustentável
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As atividades humanas estão associadas à alteração das características naturais do meio,
desencadeando impactos ambientais, que são entendidos como qualquer modi�cação das
propriedades físicas, químicas ou biológicas dos recursos naturais resultante do lançamento de
qualquer forma de matéria ou energia advinda das atividades humanas. 
Nesse contexto, vale ressaltar que os conceitos de aspecto e impacto ambiental se
complementam, porém não são sinônimos! Os aspectos ambientais são os elementos que, ao
interagir com o meio, provocam impactos ambientais. Por exemplo, a disposição inadequada de
resíduos é um aspecto ambiental que poderá gerar como impacto a contaminação do solo e da
água. Assim, precisamos pensar em soluções para compatibilizar as atividades humanas com o
aspecto social e ambiental. Diante disso, surgem as tecnologias limpas, que são entendidas
como estratégias que buscam diminuir o uso dos recursos naturais, prevenindo ou minimizando
os impactos ambientais. Como resultado, é possível melhorar processos, substituir matérias-
primas lesivas ao meio, buscar fontes de energias alternativas, entre outras possibilidades.
Ao implementar tecnologias limpas no ambiente empresarial, geralmente se obtém vantagens
�nanceiras e a expansão do mercado de atuação da empresa, visto que os consumidores estão
cada vez mais exigentes! Mas por onde começar? É nesse momento que se destaca a
importância de a companhia entender seus passivos ambientais, e a pegadaambiental é um dos
indicadores que podem ser utilizados no controle desses passivos. Nas organizações, a pegada
ambiental pode ser interpretada como a quantidade de recursos naturais que são consumidos
em seus processos. Com essas informações, a empresa é capaz de diminuir sua pegada
ambiental, contribuindo, assim, para a melhoria da qualidade ambiental. 
Alinhada com as mudanças tecnológicas nas empresas, destaca-se a educação ambiental, a
qual pode ser implementada nas organizações para promover mudanças de hábitos, a�nal todos
somos responsáveis pela preservação do meio ambiente, não é mesmo? Assim, para entender os
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TECNOLOGIAS LIMPAS E
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passivos ambientais das empresas, torna-se fundamental a caracterização de seus processos
industriais, os quais compreendem o conjunto de ações que são utilizadas para transformar a
matéria-prima em bens ou serviços. 
Dependendo das atividades organizacionais, o processo pode ser complexo, fazendo com que
seja necessário o uso de �uxogramas, os quais descrevem as etapas do procedimento, podendo
incorporar os recursos naturais utilizados e os passivos ambientais gerados. Esse conhecimento
auxilia na tomada de decisão para a otimização do processo, diminuindo os impactos ambientais
e também o uso de recursos como a água, elemento fundamental em toda indústria. 
Assim, é possível fazer o reúso da água, substituir combustíveis fósseis por biocombustíveis,
implementar energia fotovoltaica, entre outras possibilidades. Mas se a empresa realmente
deseja realizar sua adequação ambiental, como poderá provar isso para os fornecedores e
consumidores? A partir da certi�cação ambiental, tendo como principal norma a ISO
14001/2015.
Para obter tal certi�cado, a empresa precisa atender a todos os requisitos citados na norma,
inclusive a legislação na esfera federal, estadual e municipal. Todos esses esforços são capazes
de melhorar o ambiente em que vivemos, a�nal, com o passar do tempo, os recursos naturais
estão se tornando escassos em quantidade e qualidade. Diante disso, não deixe de fazer a
diferença no ambiente empresarial, buscando sempre implementar os conceitos aprendidos e
garantir que as empresas se tornem cada vez mais sustentáveis. Bons estudos!
Videoaula: revisão da unidade
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Toda atividade gera impactos ambientais, não é mesmo? Mas como podemos compatibilizar o
uso antrópico dos recursos naturais com a preservação desses elementos? Começamos pelo
entendimento de conceitos importantes, tal como pegada ambiental, tecnologias limpas e
sistemas de gestão ambiental. Diante disso, é fundamental que você saiba como aplicar esses
saberes no ambiente empresarial, e é justamente isso que você aprenderá neste vídeo! Não
perca! Este conteúdo fará diferença em sua vida!
Estudo de caso
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Por causa das inúmeras alterações ambientais causadas no meio, é crescente a necessidade de
adotar iniciativas sustentáveis relacionadas às atividades antrópicas. Com isso, a adequação
ambiental de empresas é um assunto muito recorrente, uma vez que ocorrem demandas do
mercado externo e dos consumidores, os quais estão cada vez mais exigentes. Assim, um dos
segmentos que apresentam expansão é o de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos
perigosos.
Diante disso, imagine uma situação em que você trabalhe numa empresa do setor de gestão e
gerenciamento de resíduos industriais, a qual pretende expandir o seu negócio a partir da
aquisição de um incinerador de resíduos perigosos, que são aqueles enquadrados como resíduos
de Classe I na ABNT NBR 10004 de 2004, ou seja, possuem o potencial in�amável, corrosivo,
reativo, tóxico ou patogênico (ABNT, 2004). 
A capacidade do equipamento a ser utilizado é de 100 kg de resíduo incinerado por hora, porém
essa quantidade pode variar de acordo com a umidade do resíduo em questão. A seguir, é
demonstrado o �uxograma de entradas e saídas do processo de incineração (Figura 1). 
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Figura 1 | Fluxograma de entradas e saídas do processo de incineração de resíduos perigosos. Fonte: elaborada pela autora.
Na reunião para apresentação da proposta, um dos gerentes da empresa questiona a viabilidade
do projeto no quesito ambiental, uma vez que o incinerador gera passivos ambientais. A
organização já possui certi�cação ISO 14001/2015 e o receio da alta direção é de que esse
equipamento prejudique a recerti�cação do setor. 
Desse modo, você, como o responsável pelo setor de saúde e meio ambiente, é requisitado para
avaliar os possíveis aspectos e impactos ambientais associados ao incinerador. Com isso, pede-
se que você responda às questões a seguir:
Quais são os principais impactos ambientais signi�cativos associados à incineração de
resíduos? Elenque pelo menos cinco. 
Esses impactos podem ser solucionados a partir de tecnologias limpas? 
A partir da análise realizada, a aquisição desse equipamento poderá inviabilizar a
recerti�cação ISO 14001/2015 da empresa? 
Você deve elaborar um relatório buscando responder a todas essas perguntas para apresentar na
próxima reunião à alta gerência. Não deixe de utilizar os conceitos aprendidos! 
_______
Re�ita
As tecnologias limpas podem ser utilizadas para inúmeras funcionalidades no ambiente
empresarial. Entretanto, existe uma discussão acerca da viabilidade econômica dessas
estratégias. Assim, como tais iniciativas podem ser compatibilizadas com a esfera econômica
dentro das organizações?
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Videoaula: resolução do estudo de caso
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Vamos resolver o estudo de caso proposto? Voltando ao contexto de aprendizagem, você é o
responsável pelo setor de saúde e meio ambiente de uma empresa que trabalha com a gestão de
resíduos sólidos. Buscando a expansão de sua atividade, a organização almeja novas soluções
tecnológicas e está estudando a possibilidade de implementar um incinerador de resíduos
perigosos. Dessa forma, você precisa responder a algumas perguntas para a alta gerência,
visando auxiliá-los na tomada de decisão. Agora é hora de colocar a mão na massa!
A primeira pergunta é acerca dos aspectos e impactos ambientais. Questiona-se quais são os
impactos ambientais mais signi�cativos associados à atividade. Para responder, precisamos nos
ater às informações apresentadas no �uxograma da Figura 1. Assim, os principais aspectos
ambientais são: a geração de emissões atmosféricas, de resíduos (cinzas) e de e�uentes. Diante
disso, é possível elaborar uma lista com essas modi�cações efetuadas no meio para podermos
associá-los aos impactos (Quadro 1).
Quadro 1 | Identi�cação dos aspectos e impactos signi�cativos relacionados à atividade. Fonte: elaborado pela autora.
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No entanto, observe que os impactos ambientais estão associados ao funcionamento do
incinerador sem considerar as possíveis soluções mitigadoras, que inclusive já estão descritas
no �uxograma, sendo importante destacá-las, uma vez que a avaliação de impactos ambientais
considera o empreendimento e suas especi�cidades para auxiliar no entendimento dos passivos
ambientais e nas possíveis soluções mitigadoras. A partir desses impactos, podemos pensar nas
possíveis soluções relacionadas a tecnologias limpas. Vamos lá? Analisando os aspectos
signi�cativos, notamos a questão das emissões atmosféricas, as quais, se não forem tratadas de
maneira correta, poderão ocasionar a alteração da qualidade do ar e sua contaminação. Para

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