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Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Unidade 1 Desenvolvimento sustentável e tecnologias limpas Aula 1 Introdução às tecnologias limpas Introdução Você já parou para pensar na relação entre as atividades humanas e o meio ambiente? Dependemos dos recursos naturais para a obtenção de alimentos, produtos, processos industriais, entre tantas outras necessidades. Entretanto, o meio ambiente, que nos fornece materiais e energia tão fundamentais para a humanidade, também é impactado pelo crescimento desenfreado das cidades e pela geração dos diversos tipos de poluição. E como resolver isso? É nesse momento que surgem as inovações tecnológicas, que são criadas para compatibilizar as atividades humanas com boas práticas ambientais. Nesta aula, você entenderá os principais impactos ambientais antrópicos, bem como os conceitos relacionados a tecnologias limpas, as quais são ferramentas técnicas que podem ser Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS utilizadas em ambientes empresariais para garantir o uso coerente dos recursos naturais. Não deixe de pesquisar acerca da temática e aprofundar seu conhecimento. Bons estudos! Toda atividade humana gera impacto ambiental? O processo de ocupação antrópica, acelerado principalmente a partir da revolução industrial, mudou drasticamente a relação do ser humano com o meio ambiente, uma vez que as pessoas passaram a se concentrar nas cidades, que começaram a contemplar inúmeras atividades humanas, inclusive as indústrias. Diante desse cenário, os recursos naturais contribuíram para a expansão de núcleos urbanos, visto que a facilidade de acesso à água era uma variável valorizada para a ocupação de novos territórios. Entretanto, todo esse uso intensivo acarretou uma alteração de inúmeros ecossistemas, desencadeando o que conhecemos como impactos ambientais. Mas, a�nal, o que signi�ca esse conceito? De acordo com Sanchez (2008), impacto ambiental é todo o processo antrópico que pode alterar a dinâmica de um ambiente natural. Se considerarmos as indústrias, por exemplo, quando estas não controlam seus passivos ambientais, podem ocasionar alteração da qualidade do ar, contaminação do solo e da água, entre tantas outras alterações malé�cas para o meio. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Outro conceito relacionado a esses impactos é o aspecto ambiental. Você sabe o que isso signi�ca? Aspecto ambiental é o elemento que, ao ser inserido no meio, poderá ocasionar impactos. Ficou confuso? Imagine o cenário da emissão atmosférica, na qual uma empresa lança poluentes no meio. Tais elementos poderão interagir com os gases da superfície, alterando as características desse espaço. Assim, a poluição seria o aspecto ambiental e, em contrapartida, a alteração da qualidade do ar seria o impacto (Figura 1). Figura 1 | Exemplo de aspecto e impacto ambiental. Fonte: adaptada de PxHere. Mas será que um aspecto ambiental está associado a apenas um impacto ambiental? Não, pois a inserção de um elemento no meio pode gerar inúmeras interações. Dessa forma, é possível entender que vários impactos ambientais poderão ser gerados a partir de um único aspecto. E todo impacto ambiental é negativo? Pense em uma indústria que se instalará em uma cidade. Nesse cenário, teremos a alteração da qualidade do solo por conta da impermeabilização da estrutura industrial, bem como os próprios impactos provenientes da poluição, porém a empresa poderá contratar pessoas, movimentar a economia, ou seja, gerar impactos positivos. Interessante, não? Com todos os conceitos apresentados, justi�ca-se a necessidade da adequação ambiental em organizações para que estas não gerem ou até mesmo controlem seus passivos ambientais, não é mesmo? E como isso pode ser feito? É nesse cenário que surgem as tecnologias limpas, que são entendidas como práticas que podem ser incorporadas nas organizações com o intuito de diminuir o uso de recursos naturais ou a geração de passivos ambientais. Com isso, é possível minimizar a geração de resíduos sólidos, economizar água e energia elétrica ou até mesmo mitigar o impacto dos e�uentes industriais em corpos hídricos. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS De acordo com Gomes (2020), vale ressaltar que o uso de tecnologias limpas não busca barrar o desenvolvimento econômico, mas sim diminuir o uso de recursos naturais ou compatibilizar os passivos de uma organização, de modo a garantir a sustentabilidade empresarial. A implementação de inovações tecnológicas tende, inclusive, a diminuir os custos em processos, angariando benefícios econômicos para a organização. O entendimento do conceito de aspecto e impacto ambiental atrelado a tecnologias limpas poderá estar associado a uma possível atuação pro�ssional, por isso não deixe de aplicar esse conhecimento no seu cotidiano! Bons estudos! Qual a relação entre tecnologias limpas e impactos ambientais? Vivemos em uma sociedade na qual o consumo em excesso é incentivado pelo próprio sistema. Ocorre uma larga produção de bens de consumo, os quais possuem obsolescência programada, ou seja, em um curto espaço de tempo são substituídos por aparelhos mais novos e tecnológicos. Mas você consegue imaginar um mundo sem os processos industriais? Difícil, não? Precisamos das empresas para a transformação de recursos em produtos. Entretanto, tais processos desencadeiam impactos ambientais. Diante de tantas catástrofes ambientais, é crescente a demanda pela adequação ambiental das organizações, as quais devem buscar compatibilizar suas atividades com boas práticas ambientais. Para tanto, a empresa precisa conhecer suas especi�cidades, a�nal os impactos ambientais são ocasionados pelos aspectos que ela produz. Por exemplo, uma indústria têxtil terá como aspecto ambiental relevante a geração de e�uentes industriais com alto teor de corantes com características tóxicas, já uma indústria alimentícia também poderá gerar e�uentes, porém esse passivo terá características distintas, com tendência de possuir alto teor de matéria orgânica (Figura 2). Interessante, não? Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 2 | Principais aspectos e impactos ambientais relacionados às atividades industriais. Fonte: adaptada de Pixabay. Observa-se o crescimento da aplicação de tecnologias limpas, as quais contribuem com inúmeros setores do ambiente industrial. Muitas vezes, ocorre a tendência de acreditarmos que as inovações tecnológicas estão distantes do nosso dia a dia, porém, se pensarmos, por exemplo, no crescimento da energia fotovoltaica residencial, já é possível concluir que tais estratégias estão mais viáveis do que se imagina. Nesse contexto, inúmeras são as iniciativas que também podem ser aplicadas em ambientes empresariais, como o uso de sensores para identi�car vazamentos em tubulações, equipamentos que permitam o reúso da água ou que tratem poluentes atmosféricos e até mesmo a utilização de fontes de energias limpas (Figura 3). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 3 | Exemplos de tecnologias limpas que podem ser incorporadas no ambiente empresarial e também em residências. Fonte: elaborada pela autora. Diante disso, de acordo com Pinheiro (2014), os objetivos das tecnologias limpas estão pautados na criação de produtos e processos com maior e�ciência e economia dos recursos naturais, na diminuição do uso de combustíveis fósseis atrelado ao aumento da participação de energias renováveis e na redução do consumo dos recursos naturais, de modo a promover a sustentabilidade empresarial. Mas será que isso é viável economicamente? De acordo com dados da World Resources Institute (LAYKE; HUTCHINSON, 2020), o investimento em inovações tecnológicas pautadas, por exemplo, em energias limpas pode gerar um retorno econômico três a oito vezes maior do que as fontes fósseis, tendo como outro aspecto positivo a menor variabilidade do preço de mercado, diferentemente das fontes fósseis, que variam de acordo com o preço do petróleo.mitigar isso, a implementação de tecnologias limpas pautadas no tratamento de emissões atmosféricas deve ser considerada. Dentre as tecnologias, tem-se: lavadores de gases (lavador Venturi), ciclones ou outras estratégias que visem tratar as emissões atmosféricas e diminuir seu teor de contaminação para cumprir a legislação ambiental vigente. A geração de e�uentes também é outro aspecto que, apesar de ocorrer em menor intensidade, caso não for tratada, poderá ocasionar a contaminação de corpos d’água. Nesse sentido, tecnologias de tratamento de e�uentes, tais como biorreatores ou lagoas de estabilização, podem ser incorporadas. A água consumida no processo pode ser recirculada por meio da estratégia de reúso. Dessa forma, é possível economizar o recurso natural e também diminuir o valor pago pela organização por esse elemento. Os ruídos podem ser tratados a partir de cortinas verdes, que basicamente são compostas de uma vegetação apropriada plantada no entorno do empreendimento. Tal estratégia, além de funcionar como barreira física para o ruído, também contribui para a melhoria da qualidade do ar. Essas são algumas soluções pautadas em tecnologias limpas que podem ser incorporadas no processo. No entanto, inúmeras outras podem ser pensadas a partir do contexto proposto. Por �m, para responder sobre a recerti�cação do sistema de gestão ambiental da empresa, é importante que você explique que a ISO 14001/2015 possui, em seu termo de referência, o diagnóstico da situação ambiental, o qual, a partir do levantamento dos aspectos e impactos ambientais, propõe melhorias para tratar os impactos mais signi�cativos. Assim, se todos os passivos ambientais forem tratados, a implementação do incinerador não prejudicará a recerti�cação. Além disso, vale ressaltar a importância de estudos de viabilidade econômica, os quais devem considerar o investimento para o tratamento dos passivos ambientais gerados. Somente dessa forma será possível concluir a viabilidade técnica, econômica e ambiental desse empreendimento. Resumo visual Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Vamos revisar o que foi visto na unidade? Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS E como implementar tudo isso nas empresas? Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Referências Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10004:2004: resíduos sólidos: classi�cação. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14001:2015: sistemas de gestão ambiental: requisitos e orientações para uso. Rio de Janeiro: ABNT, 2015. , Unidade 2 Ecologia industrial Aula 1 Ecologia Industrial Introdução As questões ambientais estão cada vez mais alinhadas com os novos modelos de produção. O setor industrial vem sofrendo uma forte transformação com a mudança de pensamento acerca dos recursos naturais, que passaram a ser compreendidos como recursos �nitos. A escassez desses recursos impacta diretamente os processos de produção e a manutenção da vida no Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS planeta Terra. Diante disso, a ecologia industrial surge como uma nova forma de produção, a �m de aproximar os atuais processos industriais dos sistemas naturais e alinhá-los com o estudo da gestão ambiental, assumindo, assim, um papel de protagonismo no setor industrial. Nesse contexto, conhecer e ser capaz de identi�car e analisar os principais fundamentos relacionados à ecologia industrial, bem como as questões de desenvolvimento sustentável, tecnologias limpas e produção mais limpa, é fundamental para os novos pro�ssionais. Para isso, aprofunde os seus conhecimentos com o nosso material. Bons estudos! Características gerais da ecologia industrial Ao falarmos sobre ecologia industrial, é comum encontrarmos uma certa resistência do público em geral pelo pensamento de que ecologia e indústria não se relacionam e encontram-se em lados opostos, uma vez que o setor industrial é considerado um dos maiores responsáveis pela geração de grandes impactos ambientais. No entanto, se compararmos os processos industriais com o funcionamento dos ecossistemas, é possível perceber semelhanças, como a organização dos �uxos de energia e transformações de energia e matéria (MELLO, 2016). A compreensão e a aplicação do que pode ser aprendido com os sistemas naturais nos ajudam a projetar sistemas industriais mais sustentáveis. Assim, por meio do termo ecologia industrial, �ca estabelecida a analogia entre esses dois sistemas. Dessa maneira, a ecologia industrial é um conceito que tem por objetivo promover uma inter- relação entre o setor industrial e o meio ambiente, de forma que todos os processos industriais, desde a extração da matéria-prima, perpassando pelo produto �nal até o descarte, estejam em conformidade com a visão de sustentabilidade. Gro Harlem Brundtland (1987, p. 46) explica que Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS “Desenvolvimento sustentável signi�ca suprir as necessidades do presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprirem as próprias necessidades”. Mesmo sendo um conceito formulado há mais de três décadas, tivemos que enfrentar grandes catástrofes ambientais para, de fato, começarmos a implementá-lo. Assim como o conceito de sustentabilidade, a de�nição de ecologia industrial já está presente na literatura há décadas. Robert Frosch e Nicholas Gallopoulos são considerados grandes nomes na construção do conceito de ecologia industrial. De acordo com esses autores, Um ecossistema industrial é a transformação do modelo tradicional de atividade industrial, no qual cada fábrica, individualmente, demanda matérias-primas e gera produtos a serem vendidos e resíduos a serem depositados, para um sistema mais integrado, no qual o consumo de energia e materiais é otimizado e os e�uentes de um processo servem como matéria-prima de outro. (FROSCH; GALLOPOULOS, 1989, p. 144). O centro da ecologia industrial é o estudo do metabolismo industrial. Esse processo busca compreender o funcionamento das interligações entre os processos das cadeias de produtos e a troca de material e energia com o meio ambiente. O metabolismo industrial caracteriza-se por trocas físicas minimizadas com o meio ambiente, com os ciclos de materiais internos sendo impulsionados por �uxos de energia renovável (BOURG; ERKMAN; CHIRAC, 2017). O sucesso da ecologia industrial está diretamente relacionado à transformação dos sistemas industriais lineares em sistemas cíclicos. O sistema linear, sistema tipo I (Figura 1A), é considerado o modelo de produção clássico desde a revolução industrial, caracterizado pela impressão de recursos naturais ilimitados e pela capacidade in�nita do planeta de absorver os resíduos. Nesse sistema de produção, resíduos e subprodutos não são reciclados, logo não pode ser considerado um processo sustentável. Já os sistemas cíclicos podem ser de dois tipos. O tipo II (Figura 1B) representa a maioria dos processos de produção atuais, em que parte dos resíduos retorna para o sistema de produção, mas uma parcela, ainda que pequena, é deixada como resíduo, possuindo uma certa dependência de recurso, ainda considerado não sustentável. O sistema do tipo III (Figura 1C) caracteriza-se pela contínua reciclagem dos materiais, sem dependência de recursos e sem geração de resíduos, tornando-se um ciclo fechado, dependente apenas da energia solar como fonte de energia externa ao sistema, constituindo-se como um sistema altamente sustentável. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 1 | Representação dos sistemas de produção linear e cíclicos: sistema tipo I (A), sistema tipo II (B) e sistema tipo III (C). Fonte: Giannetti (2006, p. 49). Princípios da ecologia industrial Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS De acordo com Veiga (2007), a ecologia industrial estuda todasas operações do sistema industrial a �m de reestruturá-lo, de forma que os processos industriais se tornem o mais próximo possível de um sistema natural. Lowe (2001) elenca os princípios da ecologia industrial: o princípio da conexão entre empresas individuais e ecossistemas industriais; o princípio do equilíbrio entre as entradas e saídas dos sistemas de produção com as capacidades naturais do ecossistema; e o princípio da reengenharia do uso industrial de energia e materiais (Figura 2). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 2 | Princípios da ecologia industrial. Fonte: adaptada de Lowe (2001, p. 33). Mesmo tendo percorrido um longo caminho no conhecimento teórico, a ecologia industrial ainda se apresenta de forma imatura na prática, reduzindo, assim, as oportunidades de o setor industrial mudar o sistema clássico de produção em direção a um modelo de gestão ambiental sustentável em coerência com políticas e legislações ambientais, objetivando o uso e�ciente dos recursos naturais para uma sociedade sustentável (FRAGOMENI, 2005). Por meio da ecologia industrial, é possível otimizar o �uxo de materiais dentro do sistema de produção para aumentar o aproveitamento e o balanceamento dos �uxos de entrada e saída, a �m de que o equilíbrio ambiental não seja alterado. Na legislação brasileira, a ecologia industrial está incorporada na Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). O art. 7 da referida lei determina os objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, como: proteção da saúde pública e da qualidade ambiental; não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos, bem como disposição �nal ambientalmente adequada dos rejeitos; estímulo à adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e serviços; adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias limpas como forma de minimizar impactos ambientais; Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS incentivo à indústria da reciclagem, tendo em vista fomentar o uso de matérias- primas e insumos derivados de materiais recicláveis e reciclados. (BRASIL, 2010, [s. p.]). Para além de uma mera conformidade legal, a mudança nos sistemas de produção aprimora o desempenho econômico das empresas, possibilitando que a aplicação de tecnologias relacionadas à ecologia industrial atraia investimentos tanto para os setores empresariais já existentes quanto para novos empreendimentos, proporcionando, assim, a geração de novos empregos e instalações industriais mais limpas. Os ecologistas industriais propõem que os sistemas industriais sustentáveis devem se assemelhar mais a um ecossistema do que a uma máquina, afastando-se da �loso�a do design industrial do século passado e buscando conexões entre objetivos e necessidades industriais, sociais e ambientais, em colaboração com o governo, pesquisadores e cidadãos (LOWE, 2001). Ferramentas da ecologia industrial Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS A ecologia industrial possui recursos para alcançar o nível de sistemas de produção fechados e, consequentemente, estar em conformidade com o desenvolvimento sustentável (Figura 3). De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o consumo sustentável é a base para uma melhor qualidade de vida e, nesse contexto, as ferramentas da ecologia industrial representam um fator de suma importância para minimizar a exploração dos recursos naturais, a geração de resíduos e a emissão de poluentes durante todo o ciclo de vida do produto ou serviço (MMA, 2011). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 3 | Ferramentas da ecologia industrial. Fonte: elaborada pelo autor. Ecoe�ciência A ecoe�ciência permite uma maior produção com menor uso de matérias-primas como água e energia. Está baseada nos princípios da rentabilidade econômica, compatibilidade ambiental e justiça social. Os três fatores primordiais da ecoe�ciência são: ênfase na qualidade de vida, uma visão do clico de vida e ecocapacidade (Figura 4). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 4 | Fatores primordiais da ecoe�ciência. Fonte: Britto (2003 apud TEXEIRA, 2005, p. 12). A ecoe�ciência cria produtos e serviços mais úteis e reduzem progressivamente o consumo de recursos e a poluição. Con�ra, a seguir, exemplos de práticas que podem tornar empresas mais ecoe�cientes (Figura 5). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 5 | Práticas ecoe�cientes para empresas. Fonte: elaborada pelo autor. O Museu do Amanhã, localizado na cidade do Rio de Janeiro, é considerado um exemplo de construção ecoe�ciente. Algumas das práticas adotadas foram a implementação de placas de energia solar que se movem de acordo com a trajetória do sol, melhorando a e�ciência da captação da energia, e a utilização das águas da Baía de Guanabara como �uido de troca térmica no trocador de calor do sistema de ar-condicionado por meio do bombeamento da água fria do fundo da Baía. Assim, o consumo de energia elétrica e de água potável é reduzido no sistema de refrigeração do museu (HOMERO, 2016). Avaliação do ciclo de vida do produto (ACV) A ACV é uma ferramenta que avalia o impacto ambiental gerado durante todas as fases de produção de um produto, desde a aquisição de matéria-prima até o descarte. Até pouco tempo, somente algumas pessoas se preocupavam em veri�car a procedência e o destino dos produtos consumidos. Entretanto, esse pensamento vem se modi�cando e a preocupação para com as questões ambientais tem aumentado. Essa mudança afeta signi�cativamente as indústrias, que têm procurado otimizar seus processos de produção. Os principais objetivos da ACV são: veri�car todas as entradas e saídas do processo de produção, identi�car como elas se relacionam entre si e com o meio ambiente e detectar quais impactos ambientais, sociais e econômicos são gerados em toda a cadeia. A avaliação do ciclo de vida de um produto está diretamente relacionada com os 6Rs da sustentabilidade: repensar, repor, reparar, reduzir, reutilizar e reciclar (UNEP, 2007). Simbiose industrial Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS A simbiose industrial baseia-se na sinergia entre diferentes atividades produtivas por meio do intercâmbio de resíduos, matéria-prima, energia e água, visando reduzir os impactos resultantes das atividades industriais. Permite uma alta integração entre as empresas, na qual resíduos de uma empresa passam a ser matéria-prima e fonte de energia para outra empresa (Quadro 1). Quadro 1 | Resíduos industriais e seus novos usos. Fonte: elaborado pelo autor. Produção mais limpa O termo “produção mais limpa” foi introduzido em 1989 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep), sendo de�nido como “a aplicação contínua de uma estratégia integrada de prevenção ambiental a processos, produtos e serviços, para aumentar a e�ciência de produção e reduzir os riscos para o ser humano e o ambiente” (GIANNETTI, 2006, p. 29). Na próxima aula, abordaremos o termo de forma mais aprofundada. Até lá! Videoaula: ecologia ambiental Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Nesta unidade, você aprofundou os seus conhecimentos sobre as características gerais da ecologia industrial, além de aprender sobre alguns conceitos relacionados ao termo e sobre a analogia da ecologia com a indústria. Você também conheceu os instrumentos da ecologia industrial e estudou algumas de suas ferramentas. Con�ra, no vídeo a seguir, um resumo do que aprendemos nesta aula sobre ecologia industrial. Saiba mais Sustentabilidade, inovação e tecnologia Ao pensarmos em sustentabilidade, muitas vezes levamos em conta apenas o meio ambiente, embora ela tenha trêspilares: econômico, social e ambiental. No vídeo indicado a seguir, Carlos Piazza, especialista em sustentabilidade, esclarece esse e outros mitos que povoam o imaginário a respeito da nova economia sustentável. https://youtu.be/0rz5uEh76kk https://youtu.be/0rz5uEh76kk Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Referências BOURG, D.; ERKMAN, S.; CHIRAC, P.J. Perspectives on industrial ecology. Londres: Routledge, 2017. BRASIL. Lei nº 12.305 de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a lei n.9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providencias. Diário O�cial da União, Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 26 nov. 2021. BRUNDTLAND, G. H. (Coord.). Relatório Brundtland: our common future. Nova York: United Nations, 1987. Disponível em: https://www.are.admin.ch/are/en/home/media/publications/sustainable- development/brundtland-report.html. Acesso em: 2 dez. 2021. FRAGOMENI, A. L. Parques industriais ecológicos como instrumento de planejamento e gestão ambiental cooperativa. 2005. 122 f. Tese (Mestrado em Ciências em Planejamento Estratégico) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. Disponível em: http://www.ppe.ufrj.br/images/publica%C3%A7%C3%B5es/mestrado/Ana_Luiza_Moura_Fragome ni.pdf. Acesso em: 26 nov. 2021. FROSCH, R. A.; GALLOPOULOS, N. E. Strategies for manufacturing. Scienti�c American, v. 261, n .3, p. 144-152,1989. Disponível em: https://doi.org/10.1038/scienti�camerican0989-144. Acesso em: 2 dez. 2021. GIANNETTI, B. F. Ecologia industrial. São Paulo: Blucher, 2006. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521215011/. Acesso em: 26 nov. 2021. HOMERO, V. Rede Rio conecta o Museu do Amanhã. Faperj, 3 ago. 2016. Disponível em: http://www.faperj.br/?id=3229.2.0. Acesso em: 2 dez. 2021. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS LOWE, E. A. Eco-Industrial Park Handbook for Asian Developing Countries. Oakland, EUA: Indigo Development, 2001. MELLO, R. F. L. Ecologia industrial e sustentabilidade antropossocial. Educação em Foco, edição 8, p. 13-23, 2016. Disponível em: https://portal.unisepe.com.br/uni�a/wp- content/uploads/sites/10001/2018/06/002_eco_industrial.pdf. Acesso em: 26 nov. 2021. MMA. Ministério do Meio Ambiente. Plano de ação para produção e consumo sustentáveis: subsídios para elaboração. Brasília: MMA, 2011. Disponível em: https://antigo.mma.gov.br/images/arquivos/responsabilidade_socioambiental/producao_consu mo/PPCS/PPCS_VolumeII.pdf. Acesso em: 28 nov. 2021. TEXEIRA, M. G. Aplicação de conceitos da ecologia industrial para a produção de materiais ecológicos: o exemplo do resíduo de madeira. 2005. 159 f. Dissertação (Mestrado em Gerenciamento e Tecnologias Ambientais no Processo Produtivo) – Escola Politécnica, Universidade Federal da Bahia, Bahia. UNEP. United Nations Environmental Program. Life cycle management: a business guide to sustainability. Paris: Unep, 2007. Disponível em: https://wedocs.unep.org/bitstream/handle/20.500.11822/7894/DTI0889PA.pdf? sequence=3&%3BisAllowed=. Acesso em: 02 dez. 2021. VEIGA, L. B. E. Diretrizes para a implantação de um parque industrial ecológico: uma proposta para o PIE de Paracambi, RJ. 2007. 233 f. Tese (Doutorado em Ciências em Planejamento Energético) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. Aula 2 Produção mais limpa: conceitos e principais metodologias Introdução Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Os processos de produção têm como �nalidade satisfazer as necessidades da sociedade. No entanto, diversos impactos ambientais são gerados como resultado da produção e do descarte de resíduos sólidos. Nesse sentido, a produção mais limpa – uma ferramenta da ecologia industrial – tem a capacidade de transformar os processos de produção por meio da implementação de estratégias que ajudam a minimizar os efeitos dos impactos ambientais. Portanto, conhecer e ser capaz de identi�car e analisar os principais fundamentos relacionados à produção mais limpa é fundamental para quali�car pro�ssionais na otimização do setor industrial em concordância com o desenvolvimento sustentável. Aprofunde os seus conhecimentos com o nosso material. Bons estudos! Características gerais da produção mais limpa Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS A produção mais limpa, também conhecida pela sigla P+L, pode ser de�nida como uma ferramenta que utiliza estratégias que possibilitam a maximização da produção, minimizando o uso de recursos naturais, como água, energia e insumos em geral, além da redução ou eliminação de produtos tóxicos. Trata-se de uma ferramenta ambiental preventiva para mitigar os impactos ambientais visando melhorar a e�ciência, a produtividade e a competitividade das empresas (UNEP, 2001). De acordo com o relatório Produção mais limpa e o consumo sustentável na América Latina e Caribe (PNUMA, 2004), a produção mais limpa possui quatro temas principais: 1. Uso e�ciente de água: implementação de ações que reduzam o consumo não consciente e o desperdício de água e promovam o reúso dos e�uentes. 2. Uso e�ciente de energia: implementação de ações que reduzam o consumo de energia e promovam a utilização de fontes de energia renovável. 3. Minimização de resíduos sólidos: implementação de ações que diminuam a geração de resíduos e promovam o reúso, a reciclagem e a redução do uso de embalagens. 4. Minimização de poluentes atmosféricos: implementação de ações que promovam a redução das emissões nas fontes, bem como o uso de combustíveis mais limpos. É importante ressaltar que a P+L não tem o tratamento de resíduos como prioridade, mas direciona o foco à prevenção para que eles não sejam gerados. A P+L atua de forma diferente da maioria dos programas de gestão ambiental tradicionais, que se concentram principalmente no tratamento dos resíduos e emissões gerados durante o processo produtivo, conhecido como “produção �m-de-tubo”. No Quadro 1, a seguir, podemos observar uma síntese das principais diferenças entre a produção mais limpa e a “produção �m-de-tubo”. Enquanto a última se dedica Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS à solução do problema sem questioná-lo, na primeira é feito um estudo direcionado às causas da geração do resíduo e ao entendimento desses agentes. Quadro 1 | Produção �m-de-tubo e Produção mais limpa: diferenças. Fonte: CNTL (2003, p. 12). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Lowe (2001) apresenta cinco instrumentos que, por meio de políticas governamentais, podem moldar o comportamento ambiental da indústria com a aplicação da produção mais limpa: Regulação: liberação de licenças de funcionamento para empresas somente mediante o cumprimento das normas ambientais e, caso não as obedeçam, as empresas estarão sujeitas a penalidades �nanceiras ou criminais. Programas voluntários: incentivo à aplicação da produção mais limpa pelas empresas de forma voluntária, mantendo um diálogo interativo com as organizações, enfatizando o compartilhamento e a disseminação de informações e experiências. Instrumentos baseados no mercado: utilização de variáveis econômicas, como redução de impostos e tarifas, subsídios e outros métodos semelhantes para levar as empresas em direção a decisões ambientalmente bené�cas. Transparência: disseminação de relatórios ambientais sobre os perigos dos poluentes e divulgação pública dos relatórios de impactos ambientais das empresas para gerar pressão pública sobre as organizações. Informação e educação: investir na educação com a intenção de criar consciência sobre os riscos dos poluentes para a saúde humana e o meio ambiente. A importância da ação governamental por meio de políticas públicas voltadas para a P+L se dá no sentido de que muitas empresas apenas modi�cam os seus sistemas de produção para estar em conformidade com a legislação. Não há um real compromisso com as questões ambientais pormeio da conscientização. Nesse sentido, os instrumentos propostos podem representar grandes mudanças na forma como grandes empreendimentos atuam no mercado. Histórico da produção mais limpa no Brasil Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS No Brasil, foi criado o Centro Nacional de Tecnologias Limpas (CNTL) junto ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) do Rio Grande do Sul com o apoio da United Nations Industrial Development Organization (Unido) e do Unep. Posteriormente, por meio do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), foram criados núcleos de P+L em todos os estados brasileiros, formando, assim, a Rede Brasileira de Produção Mais Limpa (PEREIRA; SANT’ANNA, 2012). De acordo com o CEBDS (2005), os objetivos da articulação da P+L nos estados seriam: Colaborar para a redução ou minimização dos impactos ambientais. Disseminação das práticas de produção mais limpa. Fortalecimento de ações integradas entre aspectos de qualidade ambiental, segurança e saúde. Promoção de pesquisa e desenvolvimento e transferência de tecnologias limpas. Consolidação das experiências dos integrantes da rede em um banco de dados. (CEBDS, 2005, p. 3). Mesmo que avanços signi�cativos tenham sido alcançados, a Rede Brasileira de P+L encerrou as suas atividades no ano de 2009. Desde então, não há políticas governamentais que determinem a obrigatoriedade da P+L (KANNO et al., 2017). Todas as políticas hoje existentes são de implementação voluntária. No Quadro 2, a seguir, é possível veri�car alguns dos programas existentes de acordo com o seu órgão responsável. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Quadro 2 | Órgãos públicos e privados com ações direcionadas para a P+L. Fonte: adaptado de Pereira e Sant’Anna (2012, p. 23). Nas últimas décadas, o pensamento em torno da produção mais limpa passou por incrementos em função da regulamentação com políticas ambientais, pressão de consumidores e da competição do mercado, promovendo uma re�exão sobre produção e consumo sustentável. Agregadas a isso, encontram-se as crescentes preocupações com o aquecimento global e a extrapolação dos limites da biocapacidade do planeta por meio da produção e do consumo. O CEBDS (2003) de�ne o princípio básico da produção mais limpa da seguinte maneira: O princípio básico da metodologia de Produção Mais Limpa é eliminar ou reduzir a poluição durante o processo de produção e não no �nal. Isso porque todos os resíduos gerados pela empresa custam dinheiro, pois foram comprados a preço de matéria-prima e consumiram insumos como água e energia. Uma vez gerados, continuam a consumir dinheiro, seja sob a forma de gastos de tratamento e armazenamento, seja sob a forma de multas pela falta desses cuidados ou ainda pelos danos à imagem e reputação da empresa. A P+L é, portanto, um método preventivo de combate à poluição que leva à economia de água, de energia e de matéria-prima, proporcionando um aumento signi�cativo de lucratividade e competitividade. (CEBDS, 2005, p. 7). Mesmo que a produção mais limpa tenha seu conceito e estratégias muito bem de�nidos, ainda é necessário um esforço para que tais teorias sejam aplicadas na prática, uma vez que a adoção da ferramenta P+L ainda é uma adesão voluntária por parte dos empreendimentos. Ações Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS governamentais são essenciais para promover soluções inovadoras a toda e qualquer empresa, oferecendo oportunidade de competitividade no mercado. Aplicação da produção mais limpa A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos – USEPA (1998) elenca os principais benefícios de aplicação da ferramenta de produção mais limpa (Quadro 3). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Quadro 3 | Benefícios da aplicação da produção mais limpa. Fonte: Usepa (1998). O estado do Rio Grande do Norte, em parceria com o Sebrae, por meio de cursos de capacitação, formou a primeira turma de consultores em P+L do estado no ano de 2003 com o objetivo de Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS aplicar a metodologia em empresas na região. Inicialmente, seis organizações foram bene�ciadas com as consultorias e o investimento girou em torno de R$ 21.000,00, tendo um retorno superior a R$ 150 mil em apenas um ano, como é possível observar no Quadro 4, a seguir: Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Quadro 4 | Investimento, retorno e benefícios ambientais após implementação de metodologias P+L em empresas do estado do Rio Grande do Norte no ano de 2005. Fonte: Pimenta (2007, p. 21). O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (2005) desenvolveu um guia para a implementação da metodologia de P+L em projetos empresariais que visem à eliminação ou à redução dos impactos ambientais. O material apresenta 18 etapas de implementação: Etapa 1 – É de fundamental importância que a direção e a gerência da empresa apoiem o trabalho para obtenção de bons resultados. Etapa 2 – Sensibilização dos funcionários por meio da realização de palestras, eventos e informativos a respeito do programa, a �m de informar e mobilizar os colaboradores. Etapa 3 – Formação do ecotime: escalação de um funcionário de cada setor da empresa, que será responsável por transmitir as informações aos colegas de trabalho. Etapa 4 – Estabelecimento das metas da P+L: realização de reuniões com o ecotime para apresentar as etapas e os objetivos do programa. Etapa 5 – Pré-avaliação: avaliação dos conhecimentos da empresa em relação à legislação ambiental. Visitas a todos os setores da fábrica a �m de educar o ecotime com relação ao meio ambiente. Etapa 6 – Avaliação de entradas e saídas: elaboração de �uxogramas para identi�car tudo que entra e tudo que é gerado na produção, a �m de visualizar o processo produtivo. Etapa 7 – Tabelas quantitativas: elaboração de tabelas que quanti�cam em massa e em unidade monetária os itens apontados nos �uxogramas. Etapa 8 – De�nição de indicadores: comparação e análise dos dados gerados com base na produção anual da empresa. Etapa 9 – Avaliação dos dados coletados: discussão do ecotime sobre os indicadores, levando em conta os custos, a toxicidade de resíduos gerados e legislações ambientais. Etapa 10 – Identi�cação de barreiras: discussão sobre as di�culdades encontradas para a realização do programa. Etapa 11 – Seleção do foco de avaliação e priorização: de�nição das etapas, processos ou produtos a serem priorizados. Etapa 12 – Balanços de massa e de energia: construção do �uxograma quantitativo de entradas e saídas dos �uxos de massa e energia para o processo/produto priorizado na etapa anterior. Etapa 13 – Avaliação das causas de geração dos resíduos: discussão do ecotime sobre as causas de geração dos resíduos. Etapa 14 – Geração das opções de P+L: identi�cação de oportunidades de melhorias na produção. Etapa 15 – Avaliação técnica, ambiental e econômica: veri�cação da origem da matéria- prima, observação dos benefícios ambientais que poderão ser obtidos pela empresa e estudo do período necessário para retorno do investimento. Etapa 16 – Seleção da opção: após a avaliação das opções identi�cadas na etapa 14, faz- se a escolha daquela que apresenta melhor condição técnica, com os maiores benefícios ambientais e econômicos. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Etapa 17 – Implementação da opção escolhida. Etapa 18 – Plano de monitoramento e continuidade. Videoaula: produção mais limpa - conceitos e principais metodologias Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Nesta aula, você aprofundou os seus conhecimentos sobre as características gerais da produção mais limpa, aprendeu alguns conceitos relacionados ao termo e o seu objetivo. Além disso, também foipossível conhecer as bases da produção mais limpa, bem como os seus benefícios. Por �m, estudamos as etapas de aplicação da produção mais limpa. Con�ra, no vídeo a seguir, um resumo do que aprendemos nesta aula sobre produção mais limpa e conheça uma de suas metodologias de aplicação. Saiba mais Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Centro Nacional de Tecnologias Limpas (CNTL) Neste portal, você poderá acompanhar diversas notícias, casos de negócios, dicas, leis, certi�cações, cartilhas e outras informações sobre como aplicar a sustentabilidade nas empresas. Essas orientações ajudam a implementar a gestão sustentável nos projetos ambientais das organizações, contribuindo para novas oportunidades de negócio e crescimento com a implementação de práticas sustentáveis e cada vez mais competitivas no mercado. Con�ra alguns cases de sucesso a partir da implementação de tecnologias limpas. Referênciais CEBDS. Guia da produção mais limpa: faça você mesmo. Rio de Janeiro: CEBDS, 2005. Disponível em: https://cebds.org/publicacoes/guia-para-producao-mais-limpa-faca--voce- mesmo/#.YHnuwCWSnIU. Acesso em: 5 dez. 2021. CNTL. Centro Nacional de Tecnologias Limpas. Implementação de Programas de Produção mais limpa. Porto Alegre: CNTL SENAI-RS/UNIDO/UNEP, 2003. Disponível em: https://www.senairs.org.br/documentos/implementacao-de-programas-de-producao-mais-limpa. Acesso em: 5 dez. 2021. KANNO, R. et al. Produção mais limpa: conceito, panorama atual no Brasil e análise de casos de sucesso. In: SEMINÁRIO SOBRE TECNOLOGIAS LIMPAS, 7, 2017, Porto Alegre. Anais... Porto Alegre: UFRGS, 2017. Disponível em: http://www.abesrs.uni5.net/centraldeeventos/_arqTrabalhos/trab_2_5389_20171113232939.pd Acesso em: 5 dez. 2021. https://www.senairs.org.br/institutos/cases https://www.senairs.org.br/institutos/cases Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS LOWE, E. A. Eco-Industrial Park Handbook for Asian Developing Countries. Oakland, EUA: Indigo Development. 2001. PEREIRA, G. R.; SANT’ANNA, F. S. P. Uma análise da produção mais limpa no Brasil. Brazilian Journal of Environmental Sciences, v. 24, p. 17-26, 2012. Disponível em: http://rbciamb.com.br/index.php/Publicacoes_RBCIAMB/article/view/321. Acesso em: 5 dez. 2021. PIMENTA, H. C. D. Ganho de competitividade e sustentabilidade em micro e pequenas empresas do Rio Grande do Norte através da Produção Mais Limpa. In: PIMENTA, H. C. D.; GOUVINHAS, R. P. (Org.). Ferramentas de gestão ambiental, competitividade e sustentabilidade. Natal: CEFET-RN, 2007. Disponível em:https://memoria.ifrn.edu.br/handle/1044/1004. Acesso em: 5 nov. 2021. PNUMA. Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. A produção mais limpa e o consumo sustentável na América Latina e Caribe. São Paulo: CETESB, 2004. Disponível em: https://cetesb.sp.gov.br/consumosustentavel/wp- content/uploads/sites/20/2013/11/pl_portugues.pdf. Acesso em: 5 dez. 2021 USEPA. United States Environmental Protection Agency. Principles of Pollution Prevention and Cleaner Production: an International Training Course People’s. Filadél�a [EUA]: Usepa, 1998. Disponível em: http://recp.ge/wp-content/uploads/2015/12/POLLUTION-PREVENTION-AND- CLEANER-PRODUCTION-EPA.pdf. Acesso em: 5 nov. 2021. Aula 3 Produção mais limpa em processos produtivos Introdução Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Por meio da aplicação da metodologia de produção mais limpa (P+L), o setor industrial passa a ter a competência técnica e as habilidades gerenciais necessárias para desenvolver estratégias que tornem possível projetar novos produtos e serviços, o que levará a uma sociedade mais sustentável. Práticas ecoe�cientes permitem que os empreendimentos reduzam o consumo de recursos e, consequentemente, seu impacto ambiental, enquanto satisfazem as necessidades da sociedade de forma mais e�caz e com custos menores. Já a abordagem de ecodesign ajuda os designers de produto a considerarem o meio ambiente no processo de criação desse espaço. As ecoinovações e o ecodesign compartilham objetivos semelhantes de melhoria, mudança e criação de produtos e processos. Portanto, conhecer e ser capaz de identi�car e analisar os principais fundamentos relacionados a produção mais limpa, ecoe�ciência e ecodesign é de suma importância. Aprofunde seus conhecimentos com o nosso material. Bons estudos! Aplicação da produção mais limpa no setor empresarial Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS A aplicação de estratégias de P+L nas empresas permite prevenir possíveis impactos ao meio ambiente. Elas podem ser incorporadas ao longo de todo o ciclo de vida de um produto, desde a aquisição de matéria-prima até o descarte �nal. Com base nesse modelo de reestruturação da produção, Giannetti (2006) propõe quatro oportunidades para a aplicação da produção mais limpa nas empresas: Substituição de matérias-primas. De�nição da real necessidade de insumos e avaliação da reutilização/reciclagem de subprodutos. Avaliação das implicações ambientais de embalagens e da distribuição do produto (emissões por transporte). Estudo para transformação do produto �nal em produto intermediário, fazendo com que o ele possa ser reutilizado ou reciclado no �nal de sua vida útil. A seguir, veremos dois casos de sucesso por meio da aplicação de estratégias de produção mais limpa, lembrando que a P+L não considera o tratamento de resíduos, a incineração e até a reciclagem, tendo seu foco direcionado às mudanças dos processos produtivos para prevenir a geração de resíduos. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Alteração da pressão do ar da pistola para pintura Uma empresa do ramo de pintura realizou uma análise do seu processo e veri�cou um desperdício de tinta no uso das suas pistolas de pressão. Foi identi�cado que a partir de uma alteração na pressão do ar das pistolas de tinta, de 60 lbf/in2 para 40 lbf/in2, era possível obter uma redução do consumo de tinta. A identi�cação do desperdício e a alteração na tecnologia utilizada proporcionou um benefício econômico de R$ 44.633,26/ano (RODRIGUEZ et al., 2014). Alteração no método de aplicação de adesivo na indústria metalmecânica Uma indústria metalmecânica utilizava espátulas para aplicação de adesivo, precisando fazer a limpeza das sobras geradas. Após um estudo, a empresa adquiriu pistolas para aplicação de adesivo nas peças, o que provocou uma redução do consumo de matéria-prima e uma menor geração de resíduo. O investimento foi de R$ 1.194,00, resultando em um benefício econômico de R$ 6.562,00/ano e um benefício ambiental da minimização do resíduo de adesivo em 51% (RODRIGUEZ et al., 2014). Rossi e Barata (2009) apresentam, no entanto, algumas possíveis barreiras, por setor, para a implementação das oportunidades de produção mais limpa em empresas de pequeno e grande porte: Setor econômico: Indisponibilidade de fundos e custos elevados. Falta de política com relação aos preços dos recursos naturais. Não incorporação dos custos ambientais nas análises de investimento. Planejamento inadequado dos investimentos. Critério de investimento ad hoc pela restrição de capital. Falta de incentivos �scais relativos ao desempenho ambiental. Sistêmica: Carência ou falha na documentação ambiental. Sistema de gerenciamento inadequado ou ine�ciente. Falta de treinamento dos funcionários. Organizacional: Falta de envolvimento dos funcionários. Excessiva ênfase na quantidade de produção em detrimento da minimização dos problemas ambientais. Concentração das tomadas de decisão nas mãos da alta direção. Alta rotatividade dos técnicos. Ausência de motivação dos funcionários. Técnica: Falta de recursos necessários à coleta de dados. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Recursos humanos limitados ou indisponíveis. Limitação ao acesso de informações técnicas. Limitação de tecnologia. Dé�cit tecnológico. Limitação das próprias condições de manutenção. Comportamental: Falta de cultura em “melhores práticas operacionais”. Resistência a mudanças.Falta de liderança. Supervisão de�ciente. Trabalhos realizados com o propósito de manutenção do emprego. Medo de errar. Governamental: Política inadequada de estabelecimento de preço da água. Concentração de esforços no controle “�m-de-tubo”. Mudanças repentinas nas políticas industriais. Falta de estímulo para atuar na minimização da poluição. Ainda que existam barreiras, os cases de sucesso no setor industrial são diversos. No site da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB, 2021), é possível veri�car uma lista completa de diversos cases, por setor. Conhecer as barreiras para a implementação de estratégias de P+L nos oferece um melhor preparo para a sua aplicação. Ecodesign e ecoe�ciência Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS São diversas as estratégias, tecnologias e ferramentas consideradas para a aplicação da produção mais limpa, dentre elas o ecodesign e a ecoe�ciência. A incorporação das questões ambientais no desenvolvimento do projeto de um produto, sobretudo no seu design, associada à di�culdade das indústrias em implantar o ecodesign fez com que a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) elaborasse uma norma técnica, a ABNT NBR ISO 14006:2011, que normaliza as diretrizes para incorporar o ecodesign em qualquer organização, independentemente do tipo, do tamanho e do produto fornecido. A ABNT (2011) de�ne o ecodesign da seguinte maneira: Ecodesign pode ser compreendido como um processo integrado no projeto e desenvolvimento de produto que visa reduzir impactos ambientais e melhorar continuamente o desempenho ambiental dos produtos, durante todo o seu ciclo de vida, desde a extração da matéria-prima até o �m da vida. A �m de bene�ciar a organização e assegurar que ela atinja seus objetivos ambientais, pretende- se que o ecodesign seja realizado como parte integral das operações de negócio da organização. O ecodesign pode ter implicações para todas as funções de uma organização. As suas práticas podem incluir a escolha de materiais de baixo impacto ambiental, projetos voltados a simplicidade a �m de reduzir o uso de matéria-prima e energia na fabricação de produtos, gerenciamento de resíduos, não utilização de substâncias perigosas, entre outros quesitos que podem ser observados no processo produtivo e que possam reduzir os impactos ambientais negativos gerados pelas indústrias. (ABNT, 2011, p. 6). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Entretanto, apesar de o conceito de ecodesign estar presente em norma técnica, a sua aplicação ainda não é amplamente difundida. Isso acontece pela falta de treinamento de designers para a implementação da ecologia nos seus processos criativos, bem como pelo grau de conhecimento das questões ambientais, que ainda é tímido nos seus processos de formação (DEUTZ et al., 2013). Quando falamos sobre ecoe�ciência, devemos ter em mente a ideia de “produzir mais com menos”, mantendo o setor econômico aquecido, porém aplicando práticas de economia de energia, recursos naturais e redução de emissões. Segundo Madden et al. (2005, p. 3), a ecoe�ciência pode ser de�nida como a “entrega de produtos com preços competitivos e serviços que atendem às necessidades humanas e trazem qualidade de vida, ao mesmo tempo em que reduzem os impactos ecológicos e a intensidade dos recursos ao longo do ciclo de vida para um nível pelo menos em linha com a capacidade de carga estimada da Terra”. Oportunidades de ecoe�ciência podem surgir em qualquer ponto de todo o ciclo de vida de um produto. Assim, é importante que os funcionários estejam integrados no processo de implementação do programa de ecoe�ciência e entendam o seu conceito, o valor que o projeto pode trazer para a empresa e como fazê-lo acontecer. Isso, por sua vez, requer construção de habilidades e compreensão, a �m de integrar a ecoe�ciência a todas as operações, abrindo espaço para inovação e criatividade. Direcionamentos para aplicação do ecodesign e da ecoe�ciência Madden (2006) identi�cou cinco aspectos para que a ecoe�ciência se torne um elemento estratégico nas empresas: Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Ecoinovação: fabricação mais inteligente usando novos conhecimentos para tornar produtos antigos mais e�cientes em termos de recursos, produção e uso. Otimização de processos: mudar de soluções caras de produção �m-de-tubo para abordagens que evitem a poluição em primeiro lugar. Reciclagem: reciclagem de resíduos por meio da utilização de resíduos de produtos de uma indústria como matéria-prima e recursos = resíduo zero. Novos serviços: investir no aluguel de produtos, e não na venda, o que muda as percepções das empresas, estimulando uma mudança para a durabilidade e reciclagem do produto. Organizações virtuais. A seguir, temos algumas práticas simples, consideradas ecoe�cientes: Uso consciente da água: a má utilização da água é considerada um dos maiores desperdícios. Portanto, planejar um ciclo de utilização e reutilização proporciona grandes economias �nanceiras que podem ser investidas em outros setores da produção. A indústria da cerveja no Brasil, segundo a CervBrasil, vem adotando medidas e�cazes para a redução do consumo de água, como a recirculação da água no processo produtivo e a captação da água da chuva. Essa água, depois de tratada, é usada para a lavagem dos equipamentos, entre outros �ns (PRADO, 2019). Uso consciente de energia elétrica: utilize lâmpadas frias (LED), que gastam menos energia, e faça uso de painéis solares. No Brasil, o mercado para implantação de painéis solares que transformam energia solar em energia elétrica, denominada energia fotovoltaica, tem aumentado. Existem startups que alugam os painéis a custo zero, disponibilizando gratuitamente um aplicativo por meio do qual o cliente acessa o sistema de gerenciamento solar (OLIVEIRA, 2021). Investimento em biocombustíveis: as emissões de gases de efeito estufa geram preocupações com relação ao aquecimento global. Assim, investir em combustíveis produzidos a partir de óleo de cozinha, cana-de-açúcar e biomassa é uma forma de gerar menos poluentes atmosféricos. Fornecedores locais: priorize fornecedores locais, pois dessa forma haverá redução no uso de combustíveis e emissão de poluentes, diminuindo a pegada de carbono da empresa. A indústria e o mercado de produtos de manufatura têm dado passos importantes para a aplicação do ecodesign, melhorando o desenvolvimento de produtos e serviços em nível operacional. Estratégias de ecodesign envolvem o uso de materiais reciclados ou recicláveis, design com durabilidade, design facilitador da desmontagem dos componentes do produto, de modo que tais itens possam ser prontamente substituídos, reparados ou melhorados, reduzindo também o número de componentes e o consumo de matéria-prima. Outro exemplo de ecodesign foi apresentado pela empresa Lincoln Luxury, companhia de automóveis de luxo da Ford Motor Company, que usou a �bra de folha de bananeira para a fabricação dos tapetes do SUV Lincoln MKT em função de sua excelente resistência ao calor (ROCHA, 2010). O design ecológico também é usado na elaboração de embalagens sustentáveis, como no caso da empresa iFood, que utiliza fécula de mandioca na fabricação de bioembalagens sustentáveis, que viram adubo em até 90 dias após enterradas. Além disso, a embalagem usa Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS cem vezes menos água para ser produzida e tem benefícios em todas as etapas do seu ciclo de vida (IFOOD, 2021). Ao mesmo tempo, o design ecológico se aplica à indústria da construção civil com relação ao uso e�ciente da energia. Como exemplos, temos o uso de vidros duplos, que melhoram o isolamento térmico e acústico, e o investimento em painéis solares para geração de energia. Videoaula: produção mais limpa em processos produtivos Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexãoà internet. Nesta aula, você aprofundou os seus conhecimentos sobre as etapas para a aplicação da produção mais limpa nas empresas e conheceu algumas das barreiras relacionadas à sua implementação. Além disso, foi possível estudar conceitos importantes sobre ecoe�ciência e ecodesign, bem como algumas práticas de ecoe�ciência. Con�ra, no vídeo a seguir, um resumo do que aprendemos nesta aula sobre produção mais limpa, ecoe�ciência e ecodesign. Saiba mais Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Projetos de produto No portal da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), você terá a oportunidade de conhecer quatro casos de sucesso de tecnologias limpas aplicadas ao projeto de produtos. Os projetos incluem desde substituição de matéria-prima até reciclagem de embalagens. Referências https://bit.ly/3EM8X8s Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14006: sistema de gestão ambiental: diretrizes para incorporar o ecodesign. Rio de Janeiro: ABNT, 2011. CASOS de Sucesso. Cetesb, 19 jul. 2018. Disponível em: https://cetesb.sp.gov.br/consumosustentavel/casos-de-sucesso/. Acesso em: 18 dez. 2021. CNTL. Centro Nacional de Tecnologias Limpas. Cinco fases da implantação de técnicas de produção mais limpa. Porto Alegre: Unido; Unep; SENAI-RS, 2003. Disponível em: https://www.senairs.org.br/sites/default/�les/documents/manual_cinco_fases_da_produthoo_m ais_limpa.pdf. Acesso em: 10 dez. 2021. DEUTZ, P.; MCGUIRE, M.; NEIGHBOUR, G. Eco-design practice in the context of a structured design process: an interdisciplinary empirical study of UK manufacturers. Journal of Cleaner Production, v. 39, p. 117-128, 2013. GIANNETTI, B. F. Ecologia industrial. São Paulo: Blucher, 2006. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521215011/. Acesso em: 10 dez. 2021. IFOOD triplica fornecedores de embalagens sustentáveis nos últimos meses. iFood, 29 jul. 2021. Disponível em: https://bdm.unb.br/bitstream/10483/28805/1/2021_LeticiaDeCarvalhoRocha_tcc.pdf. Acesso em: 15 dez. 2021. MADDEN, K. et al. The ecoe�ciency learning module. Geneva, Switzerland: World Business Council for Sustainable Development (WBCSD); Five Winds International, 2005. Disponível em: http://docs.wbcsd.org/2006/08/E�ciencyLearningModule.pdf. Acesso em: 10 dez. 2021. OLIVEIRA, B.; CUNHA, B.; MARTINS, S. A aplicação de tecnologias limpas para o desenvolvimento urbano sustentável através da implantação de energia fotovoltaica. Direito e Desenvolvimento, v. 12, n. 1, p. 158-179, jul. 2021. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS PRADO, L. Reúso de água gera energia limpa na indústria de cervejas. Bios Consultoria Ambiental, 12 set. 2019. Disponível em: https://www.biosconsultoria.com.br/geracao-de-energia-limpa- reuso-de-agua/. Acesso em: 15 dez. 2021. ROCHA, L. C. Ecodesign no setor automotivo: o uso de materiais ecológicos em componentes de veículos leves faz diferença na intenção de compra do consumidor? 2021. 86 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Administração) – Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Gestão de Políticas Públicas, Universidade de Brasília, Brasília. Disponível em: https://bdm.unb.br/bitstream/10483/28805/1/2021_LeticiaDeCarvalhoRocha_tcc.pdf. Acesso em: 15 dez. 2021. RODRIGUEZ, G. et al. Produção mais limpa: estudo de caso Plataforma Offshore Piranema. Rio de Janeiro: Rede Sirius, 2014. Disponível em: https://www.rsirius.uerj.br/pdfs/plataforma_offshore.pdf. Acesso em: 15 dez. 2021. ROSSI, B. M. T.; BARATA, M. M. L. Barreiras à implementação de produção mais limpa como prática de ecoe�ciência em pequenas e médias empresas no estado do Rio de Janeiro. In: INTERNATIONAL WORKSHOP ADVANCES IN CLEANER PRODUCTION, 2, 2009, São Paulo. Anais… São Paulo: ACPN Network, 2009. Disponível em: http://www.advancesincleanerproduction.net/second/�les/sessoes/4a/1/M.%20T.%20B.%20Ros si%20-%20Resumo%20Exp.pdf. Acesso em: 10 dez. 2021. Aula 4 Indicadores de desempenho ambiental Introdução Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS As operações industriais vêm passando por mudanças radicais com implicações signi�cativas, principalmente com a introdução das normas de gestão pela qualidade ambiental, a exemplo da série ISO 14000. No entanto, para que as indústrias alcancem de fato um desenvolvimento industrial sustentável, é preciso mais do que uma certi�cação de conformidade com a série das normas técnicas. É fundamental que se faça uma modi�cação nos processos de produção no sentido de alcançar um sistema de fabricação mais limpo e e�ciente. Diante disso, conhecer e ser capaz de identi�car e analisar as principais normas técnicas relacionadas às tecnologias limpas e seus indicadores de desempenho ambiental é de suma importância para os novos pro�ssionais. Para isso, aprofunde os seus conhecimentos com o nosso material. Bons estudos! As normas da série ISO 14000 Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS A International Organization for Standardization (ISO) é reconhecida como uma federação mundial que determina normatizações técnicas internacionais para diversos setores. A ISO é formada por representantes de países-membros, sendo, no Brasil, simbolizada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Em 1996, a ISO o�cializou, com base na norma britânica BS 7750, as primeiras normas da série ISO 14000, procurando estabelecer diretrizes para a implementação de sistemas de gestão ambiental nas diversas atividades econômicas que podem afetar o meio ambiente e para a avaliação e certi�cação desses sistemas, com metodologias uniformes e aceitas internacionalmente (DENIS; DE OLIVEIRA, 2018). A série ISO 14000 é composta por uma série de normas internacionais sobre gestão ambiental (Quadro 1). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Quadro 1 | Normas da série ISO 14000 e suas atribuições. Fonte: ABNT (1996). A produção mais limpa, como ferramenta da ecologia industrial, está inserida dentro do conceito de gestão ambiental, a qual enfatiza a prevenção da poluição na sua origem e o aumento da qualidade ambiental de processos e produtos (BAAS, 2007). De acordo com Furtado (2000), os empreendimentos industriais que possuem conformidade com a ISO 14001 tornam-se ainda mais e�cazes, com melhoria no desempenho ambiental, quando são aplicados os princípios e objetivos da produção mais limpa, que tem foco direcionado à prevenção da produção de resíduos e emissões. Em 2015, a norma ISO 14001 passou por uma atualização, apresentando uma metodologia para melhorar a organização, a responsabilidade e a e�cácia de seus sistemas com relação à proteção ambiental, denominada ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act) (RAMOS, 2019), descrito na Unidade 1 desta disciplina. A norma ISO 14001 adota uma abordagem sistêmica que possibilita à empresa atingir o sucesso sustentável a longo prazo por meio de: Proteção do meio ambiente pela prevenção ou mitigação dos impactos ambientais adversos; Mitigação de potenciais efeitos adversos das condições ambientais na organização; Auxílio à organização no atendimento aos requisitos legais e outros requisitos; Aumento do desempenho ambiental; Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Controle ou in�uência no modo em que os produtos e serviços da organização são projetados, fabricados, distribuídos, consumidos e descartados, utilizando uma perspectiva de ciclo de vida que possa prevenir o deslocamento involuntário dos impactos ambientais dentro do ciclo de vida; Alcance dos benefícios �nanceiros e operacionais que podem resultar da implementação de alternativas ambientais que reforçam a posição da organização no mercado; Comunicação de informações ambientais para as partes interessadas pertinentes. (ABNT, 2015a, p. 8). A obtenção de uma certi�cação ISO atesta que o sistema de gestão adotado pelas empresas é potencialmente capaz de produzirresultados sem, no entanto, especi�car a velocidade com que esses resultados aparecerão. O desconhecimento dos limites e objetivos de um processo de certi�cação por uma norma técnica pode levar uma empresa a incorrer em diversos riscos decorrentes da visão distorcida de que basta um bom processo normatizado para a obtenção de resultados (ARAÚJO, 2004). Produção mais limpa como um componente da gestão ambiental Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Diante da preocupação global com as questões ambientais, diversas legislações, diretrizes e normas foram criadas para orientar os sistemas de produção de bens e serviços do setor industrial. Nesse sentido, a certi�cação ISO 14001 é considerada um importante instrumento para atestar o desempenho e a expansão dos negócios. Entretanto, somente por meio da certi�cação ambiental não há garantia de que os sistemas de produção �quem alinhados com a responsabilidade ambiental total. Logo, a produção mais limpa se torna um importante componente da gestão ambiental, uma vez que a ISO 14001 tem seu foco voltado à produção �m-de-tubo. A produção mais limpa, quando comparada à norma ISO 14001, apresenta as seguintes vantagens: Potencial para o desenvolvimento de soluções econômicas, com redução na quantidade de materiais e energia utilizados. Possibilidade de inovação empresarial, como resultado da avaliação do processo de produção; minimização de resíduos, e�uentes e emissões. Redução de riscos nas áreas de obrigações ambientais e eliminação de resíduos. A produção mais limpa pode ser caracterizada como um complemento para as normas técnicas da série ISO 14001. Veja, no Quadro 2, as características comparativas de ambas as vertentes. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Quadro 2 | Comparação entre um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) certi�cado pela ISO 14001 e um SGA com aplicação de estratégias de produção mais limpa. Fonte: adaptado de Kiperstok et al. (2002, p. 149). A partir do Quadro 2, podemos perceber que a produção mais limpa é um instrumento de gestão complementar para empresas que possuem uma certi�cação ISO 14000 e que desejam se concentrar na direção da minimização de resíduos. Para veri�carmos os efeitos decorrentes das estratégias ambientais implementadas pelas indústrias, os indicadores de desempenho ambiental são uma forma de atestar os efeitos das técnicas e dos processos empregados pela organização sobre o meio ambiente. A norma ISO 14031 tem como �nalidade fornecer diretrizes para a avaliação de desempenho ambiental por meio de indicadores relevantes para diversos tipos de empreendimentos, independentemente do seu tamanho, natureza ou localização. Há duas categorias de indicadores: os indicadores de desempenho ambiental (IDA) e os indicadores de condição ambiental (ICA). Os IDA fornecem informações sobre o desempenho ambiental de uma organização e se subdividem em (PEROTTO et al., 2008): Indicadores de Desempenho de Gestão (MPI): fornecem informações sobre os esforços de gestão para in�uenciar o desempenho ambiental de uma organização. Exemplo: o percentual de conformidade da empresa com os requisitos legais. Indicadores de Desempenho Operacional (OPI): fornecem informações sobre o desempenho ambiental das operações de uma organização. Exemplo: a quantidade de emissões de poluentes reduzida pela companhia. Os indicadores de condição ambiental (ICA) referem-se às atividades e operações que podem ter um impacto na qualidade do meio ambiente. Um fator-chave é garantir que as emissões para a Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS atmosfera, os lançamentos para os cursos d’água e o descarte de resíduos estejam em conformidade com a legislação. A avaliação de desempenho ambiental é um instrumento que também pode veri�car o atendimento às estratégias de produção mais limpa implementadas por parte dos empreendimentos industriais, de forma a obter a melhoria contínua e uma maior e�ciência nos processos. Indicadores de desempenho ambiental De acordo com a ABNT (1996, p. 6), o desempenho ambiental é de�nido como “resultados mensuráveis do sistema de gestão ambiental, relativos ao controle de uma organização sobre seus aspectos ambientais com base na sua política, seus objetivos e metas ambientais”. Na escolha dos indicadores de desempenho ambiental de um empreendimento, algumas características devem ser consideradas, como: Simplicidade e facilidade de interpretação: escolha métricas que mostrem objetivamente a evolução do indicador com o tempo; Gastos otimizados: procure selecionar indicadores que possam ser obtidos sem necessidade de exames e análises complexas que geram custos altos; Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Agilidade para calcular: dê preferência a dados acessíveis com rápida execução de cálculos; Usar unidades de medidas conhecidas: medidas objetivas dão clareza aos indicadores. (ESFERA ENERGIA, 2021, [s. p.]). Para Pegado, Melo e Ramos (2001), a avaliação de desempenho ambiental auxilia na tomada de decisão em todos os níveis do empreendimento, sendo possível, assim, aperfeiçoar as estratégias de gestão ambiental, tendo como vantagens: A capacidade de sintetizar e melhorar a comunicação das informações entre os processos. A melhoria na identi�cação das áreas prioritárias de intervenção. A fácil identi�cação da evolução nos processos no sentido de alcance das metas ambientais determinadas pela estratégia ambiental escolhida. Os indicadores devem re�etir adequadamente os aspectos ambientais signi�cativos e os impactos da organização. Além disso, precisam ser selecionados por responsáveis pelo controle, monitoramento e de�nição de metas. A seguir, veremos alguns exemplos de indicadores ambientais relevantes para os empreendimentos industriais (DANTES, 2006). Indicadores de emissão de gases de efeito estufa Quanti�cação de emissões anuais totais de dióxido de carbono pela empresa. Quanti�cação de emissões de dióxido de carbono por funcionário, por unidade de produção. Comparação das emissões totais de dióxido de carbono ou emissões por funcionário com os anos anteriores. Indicadores de consumo de água Quanti�cação do consumo total anual de água. Quanti�cação do consumo de água por funcionário e por unidade de produção. Comparação do consumo total ou por funcionário com os anos anteriores. Indicadores de geração de resíduos Quanti�cação da produção anual total de resíduos em toneladas. Quanti�cação da produção de resíduos por funcionário e por unidade de produção. Quanti�cação do desperdício total ou desperdício por funcionário em comparação com os anos anteriores. Por meio do uso de diferentes indicadores ambientais, é possível avaliar o desenvolvimento de tecnologias mais limpas em direção a uma cultura industrial sustentável. Portanto, a escolha de indicadores ambientais precisa estar alinhada com as estratégias de produção mais limpa implementadas. Adicionalmente, o comprometimento com as questões ambientais é um diferencial na competitividade empresarial. Demonstre essa responsabilidade na sua vida pro�ssional! Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Videoaula: indicadores de desempenho ambiental Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Nesta aula, você aprofundou os seus conhecimentos sobre as normas técnicas da série ISO 14000, conheceu a sua composição e a sua relação com a produção mais limpa. Além disso, foi possível aprender alguns conceitos relacionados aos indicadores de desempenho ambiental e formas de realizar a quanti�cação dos indicadores. Con�ra, no vídeo a seguir, uma explicação mais detalhada sobre a relação entre as normas técnicas ISO e a produção mais limpa. Saiba mais Para saber mais, leia o Livro Gestão ambiental na empresa ! Nesta obra, disponível na nossa Biblioteca Virtual, você poderá aprofundar seus conhecimentossobre os conceitos e ferramentas para implementar ou aprimorar a gestão da sustentabilidade nas organizações. Os autores selecionaram conteúdos relevantes, embasados na prática e teoria https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597017168/epubcfi/6/2%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dcover%5D!/4/2/2%4051:1 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597017168/epubcfi/6/2%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dcover%5D!/4/2/2%4051:1 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597017168/epubcfi/6/2%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dcover%5D!/4/2/2%4051:1 Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS disponíveis, apresentados de forma acessível para leitores que não são especialistas, dando destaque a uma riqueza de informações que certamente contribuem para a consolidação dos conhecimentos dos leitores em uma temática complexa, transversal e transdisciplinar. Referências ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14004: sistemas de gestão ambiental: diretrizes gerais sobre princípios, sistemas e técnicas de apoio. Rio de Janeiro: ABNT, 1996. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14001:2004: sistema de gestão ambiental: especi�cações e diretrizes para uso. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14001:2015: sistema de gestão ambiental: especi�cações e diretrizes para uso. Rio de Janeiro: ABNT, 2015a. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14031:2015: sistema de gestão ambiental: especi�cações e diretrizes para uso. Rio de Janeiro: ABNT, 2015b. ARAÚJO, M. C. C. C. Mapeamento da qualidade ambiental nas organizações privadas de Santa Catarina: ISO 14000 e produção mais limpa. 2004. 93 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. BAAS, L. To make zero emissions technologies and strategies become a reality, the lessons learned of cleaner production dissemination have to be known. Journal of Cleaner Production, v. 15, p. 1205-1216, 2007. DENIS, D.; DE OLIVEIRA, E. C. Gestão ambiental na empresa. 3 ed. São Paulo: Grupo GEN, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597017168/. Acesso em: Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS 17 dez. 2021. ENVIRONMENTAL Performance Indicators, EPI. DANTES, [s. d.]. Disponível em: https://dantes.info/Tools&Methods/Environmentalinformation/enviro_info_spi_epi.html. Acesso em: 17 dez. 2021. FURTADO, J. S. Atitude ambiental na construção civil: ecobuilding e produção limpa. São Paulo: Fundação Vanzolini, 2000. KIPERSTOK, A. et al. Prevenção da poluição. Brasília: Senai/DN, 2002. O QUE são indicadores de desempenho ambiental? Esfera Energia, 2021. Disponível em: https://esferaenergia.com.br/2021/10/12/. Acesso em: 17 dez. 2021. PEGADO, C.; MELO, J.; RAMOS, T. Ecoblock: método de avaliação do desempenho ambiental. In: CONGRESSO NACIONAL DE ENGENHEIROS DO AMBIENTE, 2001, Lisboa. Anais... Lisboa: APEA, 2001. PEROTTO, E. C. et al. Environmental performance, indicators and measurement uncertainty in EMS context: a case study. Journal of Cleaner Production, v. 16, n. 4, p. 517-530, 2008. RAMOS, G. Sustentabilidade na manufatura - práticas e metodologias aplicáveis à norma ISO 14001. LinkedIn Pulse, 11 fev. 2019. Disponível em: https://www.linkedin.com/pulse/sustentabilidade-na-manufatura-pr%C3%A1ticas-e- aplic%C3%A1veis-gisela-ramos/. Acesso em: 17 dez. 2021. Aula 5 Revisão da unidade Ecologia industrial e produção mais limpa para o desenvolvimento sustentável Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Os processos industriais são responsáveis por diversos impactos ambientais que envolvem desde a extração da matéria-prima até o descarte do produto. Como forma de minimizar esses impactos, a ecologia industrial pretende reduzir o estresse ambiental causado pela indústria, ao mesmo tempo em que incentiva a inovação, a e�ciência dos recursos e o desenvolvimento sustentável. Sabemos que as indústrias continuarão operando e se expandindo, visto que esse é um processo necessário para o nosso desenvolvimento econômico. Entretanto, a ecologia industrial propõe uma indústria ambientalmente consciente e que gere menos carga sobre o planeta. A ecologia industrial tem por objetivo promover uma interação da indústria com a natureza, incentivando a utilização de resíduos e subprodutos como insumos nos processos de produção, unindo o gerenciamento industrial e a tecnologia, englobando diversos conceitos e ferramentas, como produção mais limpa (P+L), ecoe�ciência, ecodesign, tecnologias limpas, entre outros elementos. A adoção de estratégias de produção mais limpa é fundamental para se obter resultados positivos no caminho do desenvolvimento industrial sustentável. Tais estratégias envolvem a conservação de recursos naturais e energia, a eliminação de matérias-primas tóxicas, a redução da quantidade de emissões de poluentes no ar e na água e a minimização da geração de resíduos sólidos, a diminuição da camada de ozônio, do aquecimento global, da degradação da paisagem, da acidi�cação do ambiente natural e construído, da poluição visual e da biodiversidade. A implementação de uma produção mais limpa envolve a redução dos impactos ambientais ao longo de todas as fases de produção, desde a extração da matéria-prima até a disposição �nal, além da promoção de uma melhoria contínua nas tecnologias aplicadas ou a instauração de novas tecnologias. A produção mais limpa caracteriza-se como um sistema proativo, uma vez que suas estratégias têm como propósito a prevenção dos impactos ambientais por meio da melhoria de tecnologias Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS e da minimização de resíduos, diferentemente da maioria dos processos industriais tradicionais, que utilizam as tecnologias limpas principalmente no tratamento dos resíduos, em um processo conhecido como produção �m-de-tubo, um sistema reativo. Nesse contexto, a série de normas técnicas internacionais ISO 14000 surgiram como forma de estabelecer diretrizes para a implementação de um sistema de gestão ambiental (SGA) nas diversas atividades econômicas. O conjunto de normas detalha os requisitos mínimos para que um SGA seja passível de certi�cação, com foco principalmente direcionado ao tratamento de resíduos, emissões e e�uentes líquidos. A produção mais limpa é, portanto, um instrumento de gestão ambiental complementar para empresas que possuem uma certi�cação ambiental ISO e que desejam se concentrar na direção da minimização da geração de resíduos e demais descartes. Nesse caso, o uso de indicadores de desempenho ambiental alinhados com as estratégias de P+L possibilita avaliar o avanço das tecnologias limpas para uma cultura industrial sustentável. Diante desse cenário, pro�ssionais quali�cados que entendam a importância da relação entre o ser humano e a natureza são fundamentais para o processo de mudança nos sistemas industriais. À medida que novos pro�ssionais identi�cam as questões ambientais como essenciais para a manutenção da biocapacidade do planeta, mais perto estaremos de alcançar o desenvolvimento sustentável, satisfazendo as nossas necessidades presentes, sem comprometer as necessidades das futuras gerações. Videoaula revisional da unidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Nesta unidade, você teve a oportunidade de aprender sobre a ecologia industrial e conhecer algumas de suas ferramentas, bem como sua aplicação. No vídeo a seguir, faremos uma revisão dos conceitos e aplicações que você estudou, contextualizando com o desenvolvimento sustentável e a importância da quali�cação para novos pro�ssionais diante de uma mudança de paradigma no setor industrial. Estudo de caso Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS As indústrias alimentícias são compostas por diversosramos, como: cervejarias, laticínios, �bras, carnes, emulsi�cantes, entre outros. Esse setor industrial apresenta uma série de processos capazes de inferir em diversas categorias de impactos ambientais relacionados com a geração dos mais diferentes tipos de resíduos e emissões. Vemos, como exemplos de resíduos sólidos desse tipo de indústria, a pasta celulósica, produtos dani�cados e vencidos, embalagens, garrafas quebradas, terra de diatomácea (usada na �ltração da cerveja), lodo, bagaço do malte, cinzas, levedura adicional, meio de cultura e pallets de madeira. Já como exemplos de emissões, podemos citar os gases da combustão, poeiras, gases refrigerantes, gás amônia, dióxido de carbono (CO2), vapores e elementos como odor, ruído e calor (SANTOS, 2005). Indústrias de bebidas, como a da produção de cerveja, utilizam um grande volume de água em sua produção. O Brasil ocupa o terceiro lugar como maior produtor de cerveja do mundo, com produção de 14 bilhões de litros somente no ano de 2018 (SOLDERA, 2020). Você, como gestor ou engenheiro ambiental de uma empresa do ramo de bebidas, é chamado para realizar um estudo de avaliação dos processos produtivos. Como resultado, você veri�cou um alto consumo de água e energia. Você foi convidado a desenvolver um projeto de implementação de práticas de produção mais limpa, com foco na redução do consumo de água e energia. Com base nos princípios da ecologia industrial e da produção mais limpa, apresente uma proposta que atenda às demandas da empresa. Sua sugestão deve conter os seguintes itens: objetivo, justi�cativa, propostas e resultados esperados. _______ Re�ita Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Você imagina quanto de água e energia é utilizado no processo de fabricação de bebidas? Uma produção de cerveja usa, em média, de 4 a 7L de água para produzir 1L de cerveja (VAN DER MERWE; FRIEND, 2002). Contabiliza-se, também, a água utilizada na limpeza dos equipamentos do processo de produção. Videoaula: resolução do estudo de caso Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Objetivo: a proposta tem como objetivo estabelecer práticas para produção mais limpa a �m de reduzir custos de produção e adotar medidas ambientalmente responsáveis com o melhor aproveitamento de recursos naturais, como água e energia. Justi�cativa: a implementação de práticas mais limpas, além de promover uma redução nos custos de operação, contribui para minimizar os impactos causados ao meio ambiente, funcionando como uma estratégia econômica e ambiental preventiva, de forma a cooperar para o aumento da ecoe�ciência, promovendo um meio ambiente seguro e saudável e minimizando o esgotamento dos recursos naturais. Em nível gerencial, a adoção de práticas mais limpas torna possível o estabelecimento de metas de gestão quanto aos indicadores de água e energia, visando a um programa de melhoria contínua da produção. Você deve imaginar que o conhecimento do processo de produção de cervejas facilita a proposição de estratégias de P+L, não é mesmo? Vamos, então, concentrar nossa atenção inicialmente em medidas simples, sem a necessidade de investimentos vultuosos em novos equipamentos, tais como: Uso racional da água na lavagem das garrafas de vidro. Redução do volume de água na limpeza dos equipamentos. Realização de inspeções regulares para prevenir e eliminar vazamentos. Instalação de válvulas automáticas de controle para reduzir o consumo da água. Reutilização da água da lavagem dos equipamentos para limpeza das áreas externas. Reutilização do condensado de vapor d’água descartado para aquecimento em outra etapa do processo produtivo como forma de economia de energia e reúso de água. Utilização de fontes de energias renováveis, como a energia fotovoltaica, o biogás e biocombustíveis, visando à redução do consumo de energia. Após isso, levar em consideração a aquisição de novos equipamentos com novas tecnologias de redução do consumo de energia. Promoção de um programa de educação ambiental para sensibilização dos funcionários sobre o uso consciente de água e da energia. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Como resultado, vários benefícios são esperados, como: Otimização do consumo da água. Otimização do consumo de energia. Maior ecoe�ciência dos processos. Redução dos custos de produção. Aumento da competitividade empresarial. Formação de equipe de trabalho motivada com relação às questões ambientais. Resumo visual Para �xar bem o conteúdo, veja o resumo visual da unidade! Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Referências Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS SANTOS, M. S. dos; MIRANDA, F. de. Cervejas e refrigerantes. São Paulo: CETESB, 2005. Disponível em: https://cetesb.sp.gov.br/consumosustentavel/wp- content/uploads/sites/20/2013/11/cervejas_refrigerantes.pdf. Acesso em: 20 dez. 2021. SOLDERA, B. Como a água é importante na produção de bebidas. Instituto Água Sustentável, 22 dez. 2020. Disponível em: https://www.aguasustentavel.org.br/conteudo/blog/99-como-a-agua-e- importante-na-producao-de-bebidas. Acesso em: 20 dez. 2021. VAN DER MERWE, A. I.; FRIEND, J. F. C. Water management at a malted barley brewery. Water SA, v. 28, n. 3, p. 313-318, 2002. , Unidade 3 Fundamentos gerais sobre resíduos Aula 1 Conceitos e caracterização de resíduos Introdução Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Você já parou para pensar que qualquer atividade realizada pelo ser humano gera resíduos? Podem ser resíduos domésticos, hospitalares, industriais, entre outros. Não importa o tipo, todos precisam de uma destinação ambientalmente adequada. A má gestão dos resíduos sólidos causa diversos impactos no meio ambiente, os quais afetam a qualidade de vida da população, como poluição visual, atmosférica, do solo e hídrica. Além disso, dependendo do tipo de resíduo, pode haver danos à saúde dos cidadãos. Mas como isso pode ser resolvido? Com a separação, a destinação e o tratamento correto desses resíduos de acordo com a sua classi�cação. Nesta aula, você conhecerá os principais conceitos relacionados aos resíduos sólidos industriais e sua caracterização. Não deixe de pesquisar a respeito da temática para aprofundar seus conhecimentos. Bons estudos! Resíduos sólidos industriais Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Para iniciar os estudos, é importante que você conheça alguns conceitos relacionados com a temática a ser analisada, a �m de facilitar a sua compreensão no decorrer das aulas. Como você sabe, todas as atividades humanas produzem um tipo de resíduo. A Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, de�ne resíduo sólido como material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação �nal se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível. (BRASIL, 2010, [s. p.]). Existem vários tipos de resíduos sólidos, dentre os quais podemos citar os hospitalares, agrícolas, de varrição, comerciais, domésticos, recicláveis, não recicláveis e industriais. Esse último é considerado o maior responsável pela poluição ambiental (PHILIPPI JÚNIOR, 2005). É válido lembrar que os resíduos recicláveis deixam de ser resíduos e passam a ser chamados de matéria-prima secundária. Já os resíduos que não têm nenhum aproveitamento econômico são denominados rejeitos. A classi�cação dos resíduos produzidos pelas indústrias será realizada de acordo com a atividade que os gerou. Em virtude do caráter poluidor dessesOutro ponto fundamental é a geração de emprego e renda, que tende a ser mais signi�cativa quando se considera o sistema tradicional. Falando em sustentabilidade, ressalta-se que esse termo é utilizado para aferir a respeito da compatibilização das esferas ambientais, sociais e econômicas. Com isso, é muito importante que todas as atividades humanas busquem considerar não apenas a economia, mas também a sociedade na qual estão inseridas e, é claro, os recursos naturais, que são a fonte de nossa subsistência (SANTOS, 2004). Conseguiu assimilar a importância dos conceitos aqui tratados? Não deixe de aplicá-los no seu dia a dia, pois dessa forma a disciplina �cará ainda mais atrativa e interessante! Bons estudos! Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Como aplicar a avaliação de impactos e as tecnologias limpas em empresas? Os processos industriais diferenciam-se de acordo com a atividade desenvolvida. Nesse contexto, a geração de aspectos e impactos ambientais será distinta em cada indústria, variando segundo o porte, a localização, o uso de recursos naturais, entre outras variáveis. Mas se temos essa diversidade, por onde devemos começar? Torna-se fundamental o que chamamos de caracterização da área de estudo, ou seja, entender a dinâmica da organização, buscando identi�car os principais impactos ambientais para que estes sejam tratados de maneira coerente. Com isso, é possível utilizar ferramentas, tal como a matriz de impactos ambientais, que basicamente é uma forma de estabelecer parâmetros para identi�car os impactos ambientais mais signi�cativos. De acordo com Sanchez (2008), alguns elementos podem ser usados, como mostra o Quadro 1, a seguir. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Quadro 1 | Critérios de signi�cância que podem ser utilizados em uma análise de impacto ambiental em ambiente empresarial. Fonte: adaptado de Sanchez (2008, p. 323) e Santos (2004, p. 114). A partir disso, é possível identi�car os impactos ambientais mais signi�cativos utilizando a metodologia descrita por Sanchez (2008), a qual dita que a intensidade de um impacto ambiental é o resultado da multiplicação dos índices obtidos pela análise da classe, severidade, abrangência e frequência. Quanto maior o valor obtido, maior o dano ocasionado (Quadro 2). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Quadro 2 | Relação entre pontuação e signi�cância para avaliação de impactos ambientais. Fonte: adaptado de Sanchez (2008, p. 332) e Santos (2004, p. 116). Diante de todas as informações de aspecto e impacto ambiental, a matriz poderá ser preenchida, geralmente considerando a ordem dos impactos mais signi�cativos para os de menor importância (Quadro 3). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Quadro 3 | Exemplo de uma matriz de impactos ambientais. Fonte: elaborado pela autora. Quando conseguimos identi�car os impactos ambientais mais signi�cativos, é o momento de se dedicar a encontrar possíveis soluções. Com isso, você pode propor a utilização de tecnologias limpas, as quais poderão, além de melhorar a imagem da empresa perante o consumidor, diminuir o uso exacerbado de recursos naturais, desencadeando uma melhoria no desempenho ambiental e nos cursos de processos. Vamos a um exemplo? Imagine que você aplicou a matriz de impacto ambiental em uma indústria têxtil, constatando que o principal impacto ambiental gerado é o uso exacerbado de recursos hídricos, o que, além de prejudicar o meio ambiente, onera economicamente a organização. Uma possível solução é a implementação de sistemas de reúso da água, ação que pode contribuir para a diminuição do uso de recursos naturais, bem como para a amenização da conta de água da empresa. O uso de combustíveis fósseis ainda é latente em vários ramos industriais. Caso o impacto ambiental de uma empresa esteja associado a esse aspecto, é possível pensar em combustíveis alternativos, como os biocombustíveis, que estão em expansão por causa de sua viabilidade econômica. Viu como aplicar a avaliação de impactos ambientais pode ser importante em sua atuação pro�ssional? Não deixe de aprofundar seu conhecimento. Bons estudos! Videoaula: introdução às tecnologias limpas Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Você já se imaginou trabalhando no setor de meio ambiente de uma empresa? Se esse é o seu sonho, é fundamental entender os conceitos relacionados a aspectos e impactos ambientais, não é mesmo? Neste vídeo, daremos destaque a esse assunto, associando todo esse conhecimento ao uso de tecnologias limpas, que podem ser consideradas ferramentas para compatibilizar as atividades industriais com boas práticas ambientais. Não deixe de conferir! Saiba mais Quando falamos na diversidade de ramos industriais que compõem a economia brasileira, logo pensamos nas inúmeras interações que os aspectos ambientais gerados podem ocasionar no meio, não é mesmo? Mas como podemos identi�car os principais impactos ambientais de cada empreendimento? Além de estudar e conhecer os processos industriais, é possível utilizar ferramentas que já direcionam sobre os possíveis impactos ambientais. Diante disso, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) disponibiliza uma plataforma na qual é possível consultar empreendimentos e seus possíveis impactos ambientais. Vamos conferir? http://creaweb.crea-pr.org.br/IAP/consultas/menu_consultas_iap.aspx http://creaweb.crea-pr.org.br/IAP/consultas/menu_consultas_iap.aspx Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Referências GOMES, M. F. Tecnologias limpas. São Paulo: InterSaberes, 2020. LAYKE, J.; HUTCHINSON, N. Três razões para investir em energia renovável agora. World Resources Institute, 10 jun. 2020. Disponível em: https://wribrasil.org.br/pt/blog/2020/06/3- razoes-para-investir-em-energia-renovavel-agora. Acesso em: 2 dez. 2021. PINHEIRO, A. L. da F. B. Tecnologias sustentáveis: impactos ambientais urbanos, medidas de prevenção e controle. São Paulo. Saraiva Educação SA., 2014. SANCHEZ, L. E. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e métodos. São Paulo: O�cina de Textos, 2008. SANTOS, R. F. Planejamento ambiental: teoria e prática. São Paulo: O�cina de Textos, 2004. Aula 2 Pegada ambiental Introdução Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Qual é o impacto ambiental que suas atividades ocasionam no planeta? Muitas vezes, é comum associarmos os impactos ambientais a indústrias, agricultura, expansão das cidades, entre outros segmentos econômicos. No entanto, tais atividades funcionam justamente no intuito de fornecer bens de consumo para o ser humano. Os recursos naturais utilizados para a concepção de um produto não se restringem ao seu material, mas também à quantidade de água, energia e a demais elementos que compõem o meio. Diante desse cenário, a pegada ambiental é um indicador que relaciona o montante de recursos gastos pelas atividades antrópicas com a capacidade de regeneração do planeta. Como tal demanda é crescente, torna-se necessário o uso de materiais alternativos e estratégias de educação ambiental, visto que são ferramentas que buscam harmonizar as atividades humanas com boas práticas ambientais. Se interessou pelo assunto? Não se esqueça de rever seus hábitos e ser protagonista das mudanças propostas! Existe relação entre a pegada ambiental e a educação ambiental? Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Qual o planeta que você pretende deixar para as futuras gerações? Você já deve ter ouvido essa clássica pergunta. Contudo, diante de tantas modi�cações ocasionadas pelas atividades antrópicas, o questionamento muda de foco e busca responder justamente o contrário: quais pessoas pretendemos deixar para o planeta? Toda essa discussão esbarra na importância de entendermosresíduos, é necessário que seja Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS feito o gerenciamento adequado por parte das indústrias, de forma que a conservação e a proteção do meio ambiente sejam garantidas. Além disso, a saúde humana também pode ser afetada pelo descarte incorreto desses materiais. É importante que a indústria tome iniciativas para gerenciar os resíduos gerados e elabore procedimentos para todas as etapas do processo (geração, coleta, segregação, estocagem, transporte, processamento, tratamento, recuperação e disposição). Para que esse sistema funcione de forma adequada, é necessário um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS). O PGRS englobará todos os resíduos gerados pela empresa, identi�cará em qual setor eles são produzidos, as alternativas mais adequadas para cada etapa do manuseio até a disposição �nal, o custo e os riscos potenciais a curto, médio e longo prazo. É válido ressaltar a importância de documentar todo o processo de gerenciamento dos resíduos para que exista um controle e uma padronização das medidas que devem ser tomadas em cada situação. O gerenciamento de resíduos sólidos ideal é aquele que se baseia na adoção de medidas de eliminação ou minimização dos resíduos gerados no processo, direcionando o foco para a redução, reutilização e reciclagem desses materiais. Somente quando todas as opções anteriores forem descartadas é que a empresa deve optar pela disposição �nal, a qual precisa ser feita de acordo com o estipulado na legislação vigente. Infelizmente, essa ainda não é a realidade encontrada nas empresas. A maioria das organizações opta por fazer a disposição �nal ou a remediação da área contaminada, que são resultado do depósito inadequado dos resíduos sólidos. Vale lembrar que o acondicionamento correto é importante para diminuir problemas com odores, contaminação e proliferação de vetores. Os conceitos relacionados à gestão de resíduos sólidos serão fundamentais para sua atuação pro�ssional, visto que todas as atividades humanas geram resíduos que precisam ter a destinação adequada. Panorama dos resíduos sólidos industriais no Brasil Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS A gestão de resíduos sólidos tem demandando cada vez mais atenção ao redor do mundo durante a última década. No Brasil não é diferente, principalmente por in�uência da Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada em agosto de 2010 (Lei nº 12.305/2010). É importante ressaltar que o monitoramento contínuo do setor é de total importância para orientar os ajustes necessários e apontar o melhor caminho a ser seguido. A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE, 2021) publicou o panorama atualizado dos resíduos sólidos urbanos (RSU) produzidos no Brasil na última década. Nesse período, a geração desses materiais cresceu 19%, passando de 67 para 79 milhões de toneladas por ano. Desse montante, 49,8% correspondem à região sudeste. O lado bom é que a quantidade de RSU coletados no país cresceu para 24%, atingindo 72,7 milhões de toneladas, dentre os quais 60% tiveram destinação apropriada. Entretanto, os números referentes à destinação incorreta subiram 16%, impactando diretamente a saúde da população e gerando um custo de USD 1 bilhão por ano. A disposição �nal adequada é fundamental para a prevenção da contaminação e proliferação de doenças. Nesse setor, observou-se um aumento de 10 milhões de toneladas por ano num período de dez anos, o que totaliza 43 milhões de toneladas por ano de RSU que tiveram uma destinação adequada. No entanto, a quantidade de RSU dispostos inadequadamente passou de 25 milhões de toneladas por ano para mais de 29 milhões de toneladas por ano. Tratando-se de resíduos sólidos industriais, você pode acessar o painel de geração de resíduos disponibilizado pelo Ibama em parceria com o Ministério do Meio Ambiente. Uma análise feita Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS em 62.098 empresas mostrou que a produção de resíduos sólidos não perigosos diminuiu de 321 milhões de toneladas no ano de 2012 para aproximadamente 261 milhões de toneladas no ano de 2019. Por outro lado, a geração de resíduos sólidos perigosos subiu para 10 milhões de toneladas por ano nesse mesmo período, como mostra a Figura 1. Figura 1 | Painel de produção de resíduos sólidos industriais no Brasil. Fonte: Ibama (2020). Essa diminuição na produção de resíduos sólidos ocorreu, possivelmente, por estratégias de minimização na produção, logística reversa e pela reciclagem, que vem crescendo ao longo dos anos. Um exemplo disso são as embalagens de defensivos agrícolas recolhidas pelo Sistema Campo Limpo, operado pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), que teve uma evolução em seu processo de 31.266 toneladas em 2010 para 45.563 toneladas no ano de 2019. Desse total, cerca de 94% das embalagens primárias (aquelas que têm contato com o produto) foram recicladas e os outros 6% foram enviados para incineração (ABRELPE, 2020). Apesar dos dados positivos, os índices de reciclagem no Brasil ainda são muito baixos, visto que permanecem inferiores a 4% na média nacional. Isso se dá por vários motivos, dentre eles a ausência de instrumentos econômicos tributários e o não reconhecimento da importância da gestão adequada de resíduos. Os dados apresentados mostram que ainda existe um longo caminho a ser percorrido para atingirmos uma gestão de resíduos sólidos que seja totalmente e�ciente em nosso país, porém é importante ressaltar que os avanços observados na última década são fundamentais para alcançarmos o objetivo. Caracterização dos resíduos industriais Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Os resíduos sólidos industriais são bastante variados e muitos desses materiais, que são produzidos em decorrência do processo industrial ou pelas sobras dos insumos, podem provocar diversos problemas ao meio ambiente à saúde pública quando não destinados adequadamente. Anteriormente, a destinação �nal dos resíduos consistia na disposição em ambientes sem controle apropriado, conhecidos como “lixões”. Tal prática acarreta impactos ambientais e, justamente por isso, é importante levar em consideração a destinação �nal propícia, que abrange, por exemplo, os aterros sanitários. Para que o processo de destinação �nal seja e�ciente, é essencial que os resíduos sólidos sejam caracterizados e classi�cados de maneira pertinente. Vale lembrar que os resíduos industriais apresentam características diversi�cadas que dependerão do processo que os originou. Sendo assim, é necessário fazer a identi�cação do processo ou da atividade que produziu os resíduos e seus constituintes, das respectivas características e a comparação com listagens conhecidas de resíduos e substâncias e seus impactos ao meio ambiente e à saúde da população. Existem algumas dúvidas sobre o que seria a caracterização dos resíduos e como ela é feita. Muitos confundem caracterização com classi�cação, acreditando que os dois conceitos têm o mesmo signi�cado dentro do gerenciamento de resíduos. Entretanto, são etapas distintas efetuadas durante o gerenciamento de resíduos. A caracterização é um processo em que se determina a composição de um resíduo e suas propriedades físicas, químicas e biológicas, qualitativa e/ou quantitativamente. Os parâmetros Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS analisados dependem da �nalidade para a qual serão utilizados, e os analíticos auxiliam na classi�cação do resíduo. Dessa forma, é possível fazer a melhor escolha quanto à destinação. Esse processo deve ser realizado considerando uma necessidade especí�ca, ou seja, sempre deverá ser feito de acordo com parâmetros de�nidos caso a caso. Realizar caracterizações somente para se ter em mãos dados gerais sobre o resíduo não é viável para a empresa. É de extrema importância que a caracterização seja feita por pro�ssionais especializados, seguindo os procedimentos adequados de coleta, transporte e análiseslaboratoriais, a �m de que sejam desenvolvidos testes especí�cos baseados nas normas ABNT NBR 10004:2004, 10005:2004 e 10006:2004. O processo de caracterização é feito em três passos, começando pela descrição detalhada da origem dos resíduos. Nessa etapa, é necessário descrever o estado físico em que se encontra o resíduo, o aspecto geral, cor, odor e grau de heterogeneidade (se é um resíduo homogêneo ou heterogêneo). No segundo passo, é realizada a denominação do resíduo com base no processo de origem. Ou seja, identi�ca-se em qual atividade da empresa o resíduo foi gerado e o constituinte principal (substância predominante que compõe o resíduo). O terceiro estágio é a destinação ambientalmente correta, que dependerá dos resultados analíticos dos resíduos, os quais servirão de base para a classi�cação desses elementos. A destinação dos resíduos pode ser realizada em diferentes locais, como em aterro para resíduo perigoso, aterro sanitário (não perigoso) e tratamento térmico (compostagem, incineração, coprocessamento, etc.). Durante o processo de caracterização do resíduo, não se pode cometer erros, já que, caso o resíduo possua uma substância perigosa não identi�cada, ele poderá causar diversos impactos ambientais. Além disso, a caracterização dos resíduos é uma parte importante que compõe a correta gestão desses materiais dentro das empresas, podendo, inclusive, constituir uma futura demanda de atuação pro�ssional, uma vez que as empresas precisam dessa atividade na gestão dos resíduos. Por isso, não deixe de aprofundar seu conhecimento na temática! Videoaula: conceitos e caracterização de resíduos Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Neste vídeo, você terá um direcionamento de estudo sobre os principais conceitos relacionados aos resíduos sólidos industriais, seu panorama na última década no Brasil e o passo a passo de como realizar a caracterização desses materiais, processo que serve de base para a classi�cação e o destino dos resíduos. Bons estudos! Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Saiba mais Como podemos saber a situação atual dos resíduos sólidos no Brasil? Buscando responder a esse questionamento, foi elaborada a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Vamos conferir? Além disso, no site do Ibama, é possível ter acesso ao panorama de produção de resíduos sólidos industriais no Brasil. Referências http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiNjVkNmZhNjgtNTFjYS00NTEwLTkyZDQtNGE3Y2VlNzc2MzdkIiwidCI6IjM5NTdhMzY3LTZkMzgtNGMxZi1hNGJhLTMzZThmM2M1NTBlNyJ9 Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10004: classi�cação de resíduos sólidos. 2. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10005: lixiviação de resíduos sólidos. 2. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10006: solubilização de resíduos sólidos. 2. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 1 dez. 2021. PAINEL da Geração de Resíduos no Brasil. Ibama, 2020. Disponível em: https://app.powerbi.com/view? r=eyJrIjoiNjVkNmZhNjgtNTFjYS00NTEwLTkyZDQtNGE3Y2VlNzc2MzdkIiwidCI6IjM5NTdhMzY3LT ZkMzgtNGMxZi1hNGJhLTMzZThmM2M1NTBlNyJ9. Acesso em: 6 dez. 2021. PANORAMA dos Resíduos Sólidos no Brasil – 2021. Abrelpe, 7 dez. 2021. Disponível em: https://abrelpe.org.br/panorama/. Acesso em: 12 dez. 2021. PHILIPPI JÚNIOR, A. Saneamento, saúde e ambiente: fundamentos para um desenvolvimento sustentável. Barueri: Manole, 2005. Aula 2 Minimização de resíduos no setor industrial Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Introdução Em virtude da evolução industrial e do crescente número populacional, a preocupação com a produção e destinação dos resíduos sólidos está cada vez maior. O cenário de melhorias referentes a geração, segregação, tratamento, transporte e destinação �nal dos resíduos sólidos teve como marco importante a publicação da Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Além disso, essa lei trouxe o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), que é uma importante ferramenta para auxiliar os geradores a fazerem o correto gerenciamento de resíduos. A elaboração do PGRS deve ser conduzida por pro�ssionais habilitados e seguir as especi�cidades das legislações federais, estaduais e municipais referentes ao assunto. Inclusive, você poderá produzir esse documento, então não deixe de assimilar tudo o que será analisado neste material. Bons estudos! Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) e os resíduos industriais Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS O poder público (executivo, legislativo e judiciário) tem um papel de extrema importância na gestão dos resíduos sólidos urbanos, principalmente no que se refere a regularização e normatização dos aspectos sociais, ambientais, culturais, econômicos, sanitários, entre outros. O art. 225, § 2, da Constituição Federal de 1988 estabelece que “aquele que explorar recursos minerais �ca obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei” (BRASIL, 1988, [s. p.]). Ou seja, a problematização acerca dos resíduos sólidos começa na extração da matéria-prima, já que esses materiais são gerados durante tal processo, como acontece nas atividades de mineração. Também é válido ressaltar que, mesmo depois do tratamento e acondicionamento do resíduo sólido, ainda existirá um problema ambiental. Isso acontece por causa do passivo ambiental provocado. Por essa razão, a elaboração de uma Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) é de grande relevância. No Brasil, em 2007, o poder executivo enviou ao Congresso Nacional o projeto de lei que trata sobre o assunto, o qual foi iniciado na década de 1990. Finalmente, no dia 7 de julho de 2010, o Senado Federal aprovou o Projeto de Lei nº 354/1989, que trata da PNRS. Em 2 de agosto de 2010, a Lei nº 12.305, que instituiu a PNRS, foi publicada e passou a ser considerada um marco na legislação ambiental brasileira. Essa Lei contextualizou novas perspectivas sobre a gestão dos resíduos sólidos urbanos e legalizou a responsabilidade municipal pelo gerenciamento dos resíduos gerados em seu território. Ou seja, a responsabilidade da coleta, acondicionamento e disposição �nal dos resíduos gerados pela Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS população passou a ser do município. A legislação também priorizou as iniciativas de soluções consorciadas ou compartilhadas entre dois ou mais municípios. A PNRS inovou ao de�nir metas para a eliminação e recuperação de lixões, associadas à inclusão social e à emancipação econômica de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis. Podemos perceber que a Lei veio com o intuito principal de preservação, principalmente do solo, já que os lixões são simplesmente depósitos de resíduos com fatores que os tornam inadequados para a disposição, como falta de impermeabilização do solo e de tratamento de chorume e gases gerados no local. A Lei é um demonstrativo de como deve acontecer o gerenciamento dos resíduos sólidos desde a sua geração até o destino �nal, incluindo processos como reciclagem, reaproveitamento e logística reversa. Além dessas vertentes, a PNRS se estende e trata de muitos outros assuntos, como as ordens de prioridade para evitar geração de resíduos, o plano de gerenciamento dessesmateriais em cada nível e a determinação de algumas tecnologias que podem ser utilizadas para a geração de energia a partir do resíduo. Ou seja, a PNRS ajuda o pro�ssional a gerenciar os resíduos sólidos corretamente, por isso não deixe de se aprofundar nesse assunto. Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS O crescimento populacional e o modo de vida urbano têm gerado uma quantidade e diversidade de resíduos sólidos cada vez maiores, tornando necessário um sistema de coleta, tratamento e destinação ambientalmente adequada, já que existem inúmeros fatores de risco para o meio ambiente e para a saúde humana. Por causa da variedade que os resíduos sólidos apresentam, a gestão desses materiais é de extrema importância e complexidade. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) ajuda os pro�ssionais a fazerem o correto gerenciamento desses resíduos. Para tanto, é necessário um documento no qual seja descrita a origem, características, classi�cação, tratamento e destinação �nal dos resíduos sólidos. Esse estudo é chamado de Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS). É nele que os responsáveis pelo resíduo sólido gerado indicam e elencam as ações relativas ao manejo desse material. O PGRS abrange aspectos referentes a geração, segregação prévia, acondicionamento, transporte interno, armazenamento, coleta, transporte externo, tratamento, destinação �nal e disposição �nal ambientalmente adequada dos resíduos sólidos, de forma a proteger a saúde e o meio ambiente. Em resumo, o PGRS é um estudo ambiental documentado que compreende técnicas e procedimentos com o intuito de auxiliar as empresas na identi�cação de pontos de Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS geração de cada tipo de resíduo e na promoção da redução e reutilização de resíduos segregados corretamente. A �m de garantir que a execução do PGRS seja e�caz, atinja seus objetivos e metas, além de respeitar prazos e leis especí�cas referentes a cada tipo de resíduo, a empresa pode adotar metodologias de gestão empresarial, como o ciclo PDCA, do inglês Plan, Do, Check, Act, que signi�ca planejar, fazer, veri�car e agir. Trata-se de uma técnica de gestão interativa que consiste nesses quatro passos, objetivando melhorar o processo de forma contínua. Na Figura 1, a seguir, é possível observar o esquema da ferramenta. Figura 1 | Esquema da ferramenta PDCA. Fonte: elaborada pela autora. Acredita-se que, por meio do gerenciamento adequado dos resíduos gerados na instituição, é possível obter a melhoria da qualidade ambiental. É interessante que exista o envolvimento de diversas áreas pro�ssionais na busca de novas tecnologias e resolução de problemas identi�cados em cada tipo de resíduo produzido. Para trabalhar no desenvolvimento do PGRS, o pro�ssional precisa ter domínio sobre leis e normas especí�cas desse setor, além de conhecer tecnologias para a destinação �nal ambientalmente adequada de resíduos. As empresas estão investindo cada vez mais na quali�cação de seus funcionários, para que estes possam assumir o cargo de responsáveis pelo gerenciamento de resíduos sólidos da organização. Diante disso, uma das competências fundamentais a esse pro�ssional é conhecer o processo de produção e o ciclo de vida dos produtos, sendo capaz de apontar diferentes formas de tratamento dos resíduos sólidos gerados pela companhia. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Etapas constituintes do PGRS O Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) é uma ferramenta de grande valia utilizada pelos municípios e pelas empresas para o correto gerenciamento dos resíduos. Esse recurso é um documento descritivo com todas as etapas que devem ser realizadas pelo potencial gerador na hora de fazer o devido acondicionamento, tratamento e destinação do material produzido. O estudo deve abranger procedimentos e técnicas que garantam a efetividade das ações tomadas e ajudem a empresa a identi�car aspectos referentes a geração e possíveis desperdícios no processo produtivo. O art. 20 da Lei Federal nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), de�ne quais empresas geradoras de resíduos sólidos são sujeitas à elaboração do PGRS. De acordo com a listagem, é possível deduzir que quase todos os órgãos públicos nas esferas federal, estadual e municipal são obrigados a elaborar, aplicar e publicar os planos de gerenciamento de resíduos sólidos, com exceção dos órgãos sem geração signi�cativa, como escritórios de software e a�ns. A obrigatoriedade do PGRS existe desde a publicação da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (BRASIL, 1998), no entanto sua formatação atual e principalmente seu acato para o licenciamento ambiental foram instituídos pela Política Nacional de Resíduos Sólidos. A elaboração do PGRS deverá ser baseada nos requisitos contidos nas legislações federais, estaduais e municipais e nas Normas Técnicas Brasileiras (NBRs). Ou seja, é importante levar em Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS consideração as especi�cidades de cada município e estado para que o documento seja desenvolvido corretamente. De uma forma geral, a construção de um PGRS se inicia basicamente pelo levantamento dos insumos utilizados na operação da empresa. Em seguida, deve ser feita a descrição do processo produtivo e o levantamento dos pontos geradores de resíduos ao longo do procedimento. Também é necessário realizar a avaliação dos resíduos aptos para reutilização ou reciclagem. Posteriormente, escolhem-se o tratamento e a destinação �nal de acordo com o que está exposto na legislação. As etapas do gerenciamento dos resíduos estão dispostas na Figura 2, a seguir. Figura 2 | Etapas do processo de elaboração do PGRS. Fonte: elaborada pela autora. Vale lembrar que cada município apresentará especi�cidades, as quais deverão ser cumpridas por cada empresa. Inclusive, o próprio processo de licenciamento ambiental se difere de acordo com o porte e estrutura das cidades. Com isso, são elaborados termos de referência, os quais são baseados na Política Nacional de Resíduos Sólidos (BRASIL, 2010). Por essa razão, é de extrema importância que o pro�ssional da área esteja atualizado no que se refere às legislações pertinentes ao gerenciamento dos resíduos, tanto em nível federal como estatual e municipal. Lembre-se de que a elaboração de um PGRS poderá fazer parte de suas atribuições pro�ssionais futuramente. Por isso, aprofunde seus conhecimentos e aplique os conceitos aprendidos no seu dia a dia. Bons estudos! Videoaula: minimização de resíduos no setor industrial Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Você já parou para pensar como deve ser feita a gestão correta dos resíduos sólidos? No vídeo a seguir, vamos abordar as legislações pertinentes a esse assunto e detalhar os princípios do Plano de Gestão de Resíduos Sólidos, bem como as etapas necessárias para a sua elaboração. Quer saber mais sobre o tema? Não deixe de assistir ao vídeo! Saiba mais Para entender melhor as particularidades da legislação relativa aos resíduos sólidos, faz-se necessário conhecer os tópicos abordados pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010). Referências http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil [recurso eletrônico]. Brasília: Supremo Tribunal Federal, Secretaria de Documentação, 2019. Disponível em: https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/legislacaoConstituicao/anexo/CF.pdf. Acesso em: 10 dez. 2021. BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de1998. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 13 fev. 1998. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm. Acesso em: 10 dez. 2021. BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 6 dez. 2021. Aula 3 Disposição �nal de resíduos Introdução Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS O processo de gerenciamento dos resíduos sólidos por parte das empresas tem fundamental importância na minimização dos impactos ambientais causados por esses materiais. Atualmente, existem várias legislações pertinentes acerca do assunto que auxiliam a organização no processo de gerenciamento de resíduos, contemplando desde a geração desses elementos até o encaminhamento para a destinação �nal. Logo, é necessário que a empresa esteja atenta ao processo produtivo, pois assim será possível incluir estratégias que contribuirão com a redução, o reúso e até mesmo a reciclagem dos resíduos. Além disso, é preciso fazer o tratamento e a destinação adequada do material gerado para que os impactos negativos sejam minimizados. Legislação ambiental acerca dos resíduos sólidos Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS A gestão incorreta de resíduos sólidos provoca muitos impactos ambientais, como poluição do solo, água, ar, proliferação de vetores e danos à saúde da população. Por essas razões, os geradores de resíduos sólidos que não se comprometem, perante a lei, a fazer o manejo desses materiais de forma adequada sofrem penalidades legais, que vão desde uma simples advertência até o fechamento do estabelecimento atribuído de multas altíssimas. Sendo assim, é fundamental falarmos sobre as legislações relativas aos resíduos sólidos. Vamos começar pela popularmente conhecida Lei do Lixo, a Lei nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Nela, encontram-se as diretrizes para que as empresas e os órgãos públicos façam a correta destinação de seus resíduos sólidos (BRASIL, 2010). Além da PNRS, existem várias leis, decretos, resoluções e normativas que abordam esse assunto, tanto em nível federal quanto estadual e municipal. Embora boa parte das normas tenha sido criada antes da PNRS, todas auxiliam e se submetem a essa lei. A PNRS determina que a responsabilidade pelo resíduo sólido é do gerador, ou seja, é a empresa que deve fazer o tratamento e a destinação desse material. Essa lei também aponta quais organizações têm obrigatoriedade quanto à elaboração do Plano de Gerenciamento dos Resíduos Sólidos (PGRS), um documento no qual se descreve a origem, quantidade, classi�cação, tratamento e como deve ser realizada a destinação dos resíduos sólidos. As normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) também são de grande valia para que seja feito o correto gerenciamento dos resíduos sólidos. Dentre as principais normas relacionadas a essa temática, está a ABNT NBR 10004:2004, que classi�ca os resíduos industriais levando em consideração os riscos que cada material pode causar para o meio ambiente e para a saúde da população. Além dessa norma, ainda há outras diretrizes que orientam os geradores quanto ao armazenamento, tratamento, transporte e destinação �nal de resíduos. Em relação aos resíduos perigosos, existem normas especí�cas, como a Resolução da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) n° 5232/2016 e a norma geral para transporte de Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS resíduos, a ABNT NBR 13221:2021. No ano de 2020, foi publicada como ferramenta de gestão e documento declaratório de implantação e operacionalização do plano de gerenciamento de resíduos a Portaria nº 280/2020, que institui o Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR) nacional e dispõe sobre o Inventário Nacional de Resíduos Sólidos. O pro�ssional que trabalha com o manejo de resíduos sólidos deve sempre estar atento às legislações estaduais e municipais. Vale lembrar que deve ser obedecida a legislação que for mais restritiva. Além disso, é importante sempre veri�car quais normas ainda estão em vigor ou foram atualizadas, no intuito de evitar os impactos negativos causados pelos resíduos. Por isso, é essencial se aprofundar mais no assunto. Disposição �nal de resíduos industriais Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Os resíduos industriais são considerados um potencial contaminante para o meio ambiente e para a população. Por esse motivo, é fundamental fazer a destinação �nal adequada desses materiais. Atualmente, existem várias alternativas para o despejo de resíduos industriais. Quando há uma gestão ambiental e�ciente na empresa, devem-se apresentar as diferentes opções disponíveis para que seja possível escolher a que melhor se enquadra para cada tipo de resíduo. Para iniciarmos, é muito importante que você saiba a diferença entre lixão, aterro controlado e aterro sanitário. Por muitos anos, o lixão foi utilizado como destino �nal de resíduos sólidos. É uma área de disposição sem nenhuma preparação anterior. Ou seja, o solo não possui nenhum tipo de impermeabilização, não tem sistema de tratamento do e�uente líquido (chorume) nem Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS sistema de dispersão de gases produzidos pelos resíduos, o que contribui para a contaminação do solo e do lençol freático. Além disso, não é feita a correta separação do material, deixando-o a céu aberto, fato que acarreta a proliferação de vetores, como moscas, ratos, baratas e pássaros. Já no aterro controlado, como o próprio nome já diz, a disposição do resíduo é desenvolvida de forma controlada e o material recebe uma cobertura de solo. Porém, esse espaço também não possui impermeabilização do solo nem sistema de tratamento do chorume e dos gases. Existe a recirculação do chorume, que, depois de coletado, é jogado em cima da pilha de resíduos com objetivo de diminuir sua absorção pelo solo. Os aterros controlados são normalmente uma célula remediada junta ao lixão, recebendo cobertura de grama e argila. Por outro lado, nos aterros sanitários a disposição dos resíduos é feita de forma adequada, já que o solo é impermeabilizado. Para alcançar o nivelamento do terreno, aplicam-se argila e mantas de PVC (comumente a geomembrana) na base. Além disso, uma rede de drenagem de gases e chorume é instalada. O chorume é encaminhado para tratamento e os gases são queimados. Os resíduos são cobertos com solo e, posteriormente, compactados por tratores, o que di�culta a proliferação de vetores. Existem, ainda, poços de monitoramento aberto próximos ao aterro. Dessa forma, é possível realizar a inspeção da qualidade da água. Há, também, os aterros industriais, que têm a mesma estrutura dos aterros sanitários, mas se destinam apenas à disposição de resíduos provenientes de indústrias. É importante ressaltar que a Política Nacional de Resíduos Sólidos proibiu a existência de aterros controlados e lixões, estabelecendo como locais ambientalmente adequados para a destinação dos resíduos os aterros sanitário e industrial. Outra opção para o despejo de resíduos industriais é a incineração, que consiste na queima desses materiais em fornos de usinas próprias. Nesse processo, associam-se altas temperaturas ao oxigênio em excesso. O resultado é uma cinza inerte, reduzindo de 70% a 90% do volume dos materiais. A destinação �nal dos resíduos sólidos é muito importante na gestão desses elementos, por isso não deixe de pesquisar mais sobre o assunto. Estratégias de gerenciamento de resíduos sólidos industriais Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS A gestão dos resíduos sólidos industriais vem colaborando cada vez mais com asempresas na minimização dos impactos negativos causados pelos materiais gerados nos processos de produção. Além disso, a ausência de uma gestão de resíduos sólidos pode ocasionar multas elevadas para a indústria e atrapalhar parcerias, principalmente com empresas internacionais, em virtude da falta de responsabilidade ambiental. Para que a gestão de resíduos sólidos seja e�ciente, é essencial que exista um planejamento, e as diretrizes e estratégias são fundamentais nesse processo, devendo salientar a sustentabilidade ambiental e econômica, além de trazer clareza sobre qual é a ordem de prioridade imposta pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), começando pela não geração e seguindo para a redução, reutilização e reciclagem, tratamento e disposição �nal. Assim, as diretrizes são as linhas norteadoras, e as estratégias indicam como elas serão implementadas. É por meio desses componentes do planejamento que as ações e os programas necessários para atingir as metas traçadas pela empresa serão de�nidos. As diretrizes, estratégias, metas e ações deverão ser delineadas considerando-se os diversos tipos de responsabilidades presentes no processo de gestão compartilhada dos resíduos. As principais estratégias utilizadas para o gerenciamento adequado dos resíduos sólidos industriais seguem o princípio dos 5Rs, que são basicamente cinco ações que devem ser implementadas de modo integrado: repensar, recusar, reduzir, reutilizar e, por último, reciclar. Além dessas práticas, a promoção de sistemas de tratamento e a disposição �nal correta de resíduos complementam o processo. Repensar os hábitos da empresa signi�ca fazer a avaliação da real necessidade da companhia, pois assim a organização passará a adquirir apenas o indispensável. Essa etapa vai além da empresa; é necessário re�etir sobre a produção, distribuição e também sobre como seu cliente fará o descarte do produto após o consumo. O segundo R vem de recusar, ou seja, envolve a não Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS aquisição do que não é necessário. Nessa etapa, é preciso ser crítico em relação ao que compramos, analisar se um determinado produto causa danos ao meio ambiente ou aos animais, recusar e buscar outra opção que esteja de acordo com seus ideais ecológicos. Quando falamos em reduzir, signi�ca diminuir a quantidade de resíduos na fonte, enfatizando a não produção do resíduo, como a redução do excesso de embalagens que chega até o consumidor junto com o produto. A maior vantagem para a empresa é a minimização de gastos. Já a reutilização requer criatividade, podendo ser usada no próprio processo de geração de resíduos ou ser encaminhada para outra atividade. Nada mais é do que o reúso do material sem que exista algum tipo de tratamento que altere suas características físico-químicas. Ou seja, consiste em dar uma nova função para o resíduo. Como exemplo, podemos citar o uso de vidros de conserva para guardar condimentos. Essa prática contribui para aumentar a vida útil do material e diminui a quantidade de resíduos que chega os aterros sanitários. O último R vem de reciclar, que é uma prática muito importante na gestão de resíduos sólidos, podendo ser considerada uma forma de tratamento desses materiais. A reciclagem é um processo que transforma os resíduos sólidos em matéria-prima na produção de um novo produto. Assim é possível diminuir a extração de recursos naturais e, na maioria das vezes, esse processo gasta menos energia quando comparado à produção original do produto. É de extrema importância ter o conhecimento das ações que podemos tomar no dia a dia para contribuir com esse procedimento. Videoaula: disposição �nal de resíduos Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Você sabia que atitudes diárias em relação à geração e à destinação dos resíduos sólidos fazem toda a diferença no gerenciamento desses materiais? No vídeo de hoje, vamos falar sobre o despejo correto de resíduos e as estratégias que podem ser utilizadas pelas empresas para diminuir o volume de materiais que precisam ser encaminhados para a destinação �nal. Não deixe de assistir ao vídeo. Bons estudos! Saiba mais Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Para entender melhor o processo de gerenciamento dos resíduos sólidos, é interessante acessar o plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos da sua cidade, que é disponibilizado no site de cada prefeitura. No link a seguir, você encontrará o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – PMGIRS da Cidade do Rio de Janeiro. Não deixe de acessar o material para saber mais sobre o assunto. Referências http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/3372233/4160602/PMGIRS_Versao_final_publicacao_DO_dezembro2015_19_ABR_2016_sem_cabecalho1.pdf http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/3372233/4160602/PMGIRS_Versao_final_publicacao_DO_dezembro2015_19_ABR_2016_sem_cabecalho1.pdf Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10004:2004: resíduos sólidos: classi�cação. 2. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13221:2021: transporte de resíduos: classi�cação. 6. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2021. BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 20 dez. 2021. BRASIL. Portaria n° 280, de 29 de junho de 2020. Regulamenta os arts. 56 e 76 do Decreto nº 7.404, de 23 de dezembro de 2010, e o art. 8º do Decreto nº 10.388, de 5 de junho de 2020, institui o Manifesto de Transporte de Resíduos - MTR nacional, como ferramenta de gestão e documento declaratório de implantação e operacionalização do plano de gerenciamento de resíduos, dispõe sobre o Inventário Nacional de Resíduos Sólidos e complementa a Portaria nº 412, de 25 de junho de 2019. Diário O�cial da União, Brasília, n. 123, seção 1, 30 jun. 2020. Disponível em: https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-n-280-de-29-de-junho-de-2020- 264244199. Acesso em: 21 dez. 2021. BRASIL. Resolução ANTT nº 5232, de 14 de dezembro de 2016. Aprova as Instruções Complementares ao Regulamento Terrestre do Transporte de Produtos Perigosos, e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, n. 241, seção 1, 16 dez. 2016. Disponível em: https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/24783215. Acesso em: 11 dez. 2021. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Aula 4 Avaliação de Ciclo de Vida Introdução Na hora de fazer a gestão de um produto ou serviço, a empresa pode se bene�ciar do uso de algumas estratégias que auxiliam e facilitam as tomadas de decisão. Uma dessas ferramentas é a avaliação de ciclo de vida (ACV), a qual permite que a organização implemente uma análise sistemática a respeito das etapas da vida do produto, abrangendo desde o seu desenvolvimento até a disposição �nal. Tal recurso avalia as consequências ambientais que estão associadas a algum produto. O modelo é dividido em cinco etapas: desenvolvimento, introdução, crescimento, maturidade e declínio do produto ou serviço. Tudo isso pode ser aplicado à gestão de resíduos sólidos, sendo uma ferramenta instituída pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010). Assim, quando essa avaliação for efetuada de forma correta, a empresa poderá tomar a melhor decisão em relação a cada etapa do processo de produção. Por isso, não deixe de entender essa temática. Bons estudos! O conceito de avaliação de ciclo de vida (ACV) Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS O ciclo de vida é um modelo que explora cada fase pela qual um produto passaao longo da sua vida, desde o começo até o �nal. É uma ferramenta administrativa utilizada na gestão ambiental para analisar e avaliar os impactos ambientais de um processo ou produto. O começo do ciclo de vida de um produto é representado pelo seu projeto e vai até a retirada desse item do mercado, perpassando pelo lançamento, crescimento e maturidade (venda). O conceito veio de um estudo feito por um economista alemão chamado Theodore Levitt (1965) na Universidade de Harvard (LEVITT, 1990). O modelo possui quatro etapas, porém, se você considerar o estágio de desenvolvimento, passa a ter cinco fases (Figura 1). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 1 | Etapas do ciclo de vida de um produto. Fonte: elaborada pela autora. Como as etapas são sequenciais, só será possível ir para a próxima fase se a anterior for bem executada. Sendo assim, não faz sentido seguir para as estratégias de crescimento se o produto não tiver sido devidamente introduzido. Para entender melhor, vamos detalhar cada etapa. A primeira fase compreende o desenvolvimento do produto. Esse estágio é considerado bem sensível por apresentar ideias que ainda precisarão ser lapidadas corretamente para que comecem a gerar receitas. Para isso, é preciso realizar testes, validar todas as hipóteses inicialmente levantadas e, em seguida, fazer os ajustes necessários. A etapa de desenvolvimento já representa uma preocupação para a empresa, pois mesmo não exigindo esforço de venda, manifesta a necessidade de começar a divulgação. Quando o produto passa pelos critérios de desenvolvimento e está pronto para ser lançado no mercado, inicia-se a segunda etapa: a introdução. Essa fase pode apresentar um período lento de vendas. Isso acontece porque o público ainda não teve contato com o produto. Além disso, por causa dos custos de introdução do produto no mercado, o retorno �nanceiro acaba sendo baixo. É a fase do ciclo de vida que mais precisa de investimento em marketing e de uma de�nição minuciosa do público-alvo. O crescimento é a terceira etapa do ciclo, na qual o consumidor já tem conhecimento do produto, as vendas começam a crescer e, consequentemente, há o aumento do lucro. Não é possível saber quanto tempo esse processo levará para acontecer, pois depende do produto e do mercado em que ele está inserido. A quarta etapa é a maturidade, considerada o ponto alto do ciclo de vida do produto. É nessa etapa que o produto alcança seu potencial máximo de venda. Quando chega ao pico, não é mais possível crescer. Logo, nesse momento é importante que a empresa garanta que o produto não Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS retroceda, mantendo os bons resultados por um longo período. Para isso, é necessário que a organização não se acomode. O declínio é a quinta e última etapa, em que as vendas do produto começam a cair, o que pode ocorrer por conta de um novo concorrente ou pelo surgimento de novas tecnologias. Por essa razão, é de grande importância que a empresa mantenha seu produto atualizado. Independentemente do motivo, a companhia precisa saber quando não compensa mais investir no produto. Além da questão econômica, a partir desse conceito é possível prever os impactos ambientais e mitigá-los. A ACV pode ser aplicada, por exemplo, à gestão de resíduos sólidos. Assim, é uma ferramenta capaz de trazer benefícios à empresa, facilitando a tomada de decisão. Não deixe de se aprofundar sobre o assunto! Aplicação da avaliação de ciclo de vida (ACV) A avaliação do ciclo de vida de um produto é uma ferramenta administrativa que permite fazer a análise do produto contemplando desde seu desenvolvimento até a retirada desse item do mercado. Tal recurso não se limita apenas a produtos. Se fosse assim, o público que pode fazer uso da ACV acabaria sendo restringido. Mesmo que o ciclo de vida funcione de forma mais efetiva para indústrias por causa de suas características, esse método pode ser adaptado. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Vamos usar como exemplo uma empresa que tem várias �liais instaladas em diferentes cidades. Cada �lial pode ser considerada um produto, bastando analisar o desempenho individual de cada uma. Dependendo da atividade, é possível substituir o produto por serviço na utilização da ferramenta. O ciclo de vida também pode ser aplicado à gestão de resíduos sólidos. De acordo com a Lei nº 12.305/2010 (que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos), as etapas a serem seguidas são: desenvolvimento, obtenção de matérias-primas e insumos, processo de produção, consumo e disposição �nal (BRASIL, 2010). Além disso, tal documento legal cita a importância da responsabilidade compartilhada no ciclo de vida, englobando, assim, os fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e até mesmo os consumidores �nais. Inclusive, tal conceito está alinhado à importância de se implementar os sistemas de logística reversa dos produtos, os quais precisam estar em conformidade com as características do resíduo gerado e com os respectivos planos de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos (BRASIL, 2010). Para a empresa, ter consciência do ciclo de vida do produto tem a mesma importância do tratamento de resíduos em si, já que se pode reduzir signi�cativamente a quantidade de materiais gerados no processo à medida que as técnicas de logística reversa são implementadas. A ferramenta em questão faz a avaliação da cadeia produtiva, com o propósito de mostrar os impactos ambientais causados durante toda a vida do resíduo. Consequentemente, é um recurso que ajuda a empresa na busca pelo desenvolvimento sustentável. Assim, a organização incorpora a logística reversa como parte da avaliação do ciclo de vida, de�nindo o destino de cada resíduo que faz parte do processo de produção. A mudança no foco das empresas está relacionada com a perspectiva do ciclo de vida, trazendo uma postura ambientalmente mais responsável frente à cadeia produtiva de atuação das companhias. Dessa forma, as organizações passam de um cenário em que a avaliação dos impactos ambientais era feita enquanto estes estavam em seu poder para um panorama no qual é necessário enxergar e avaliar em quais pontos se pode controlar e/ou in�uenciar o ciclo de vida. Podemos usar como exemplo a avaliação e a escolha feitas por empresas acerca das matérias- primas que causam menor impacto ambiental, optando, muitas vezes, por matérias provenientes de fontes renováveis em vez de fontes não renováveis. Outro exemplo é a preferência por transportes mais ecológicos, como os carros elétricos. É importante que os objetivos e o escopo da avaliação de ciclo de vida sejam claramente de�nidos e consistentes para facilitar o processo de implementação desse recurso. Deve constar no objetivo qual será a aplicação pretendida, as razões pela qual será realizada e o alvo a ser atingido. Já o escopo deverá ser compatível com o objetivo e precisará de�nir os parâmetros sob os quais o estudo será desenvolvido. A ACV é uma ferramenta de grande valia dentro das empresas, por isso não deixe de aprender mais sobre essa temática. Limitações relacionadas à avaliação de ciclo de vida (ACV) Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS A avaliação de ciclo de vida permite que a empresa desenvolva uma análise sistemática a respeito das consequências ambientais que estão associadas a algum produto. O uso dessa ferramenta viabiliza a veri�cação dos balanços ambientais, quantidades de resíduos a serem descartados para o ar, água e solo e os efeitos causados ao meio ambiente e à comunidade. Diversos setores utilizam a avaliação do ciclo de vida, dentre os quais podemos citar as áreas de construção civil, embalagens, mineração, agropecuária, automobilismo, energia, química, entre outras. Mesmo sendo usada em diversos segmentos, a aplicação da ACV encontra diversas barreiras que devem ser superadas para que haja uma aplicação e�ciente, como a falta de pro�ssionais habilitados. A técnica da avaliação do ciclo de vida ainda estáem evolução e, por essa razão, deve-se ter cautela ao fazer análises comparativas de processos e de produtos. Em virtude das limitações, deve-se obedecer ao que descreve a norma ABNT NBR ISO 14040:2009, a qual determina a estrutura, os princípios, os requisitos e as diretrizes que precisam constar em um estudo de avaliação do ciclo de vida (Figura 2). Também é necessário destacar que podem existir algumas incertezas na qualidade dos dados e dos resultados, bem como uma tendência decorrente do julgamento e discernimento por parte do pro�ssional encarregado do estudo. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 2 | Estrutura da avaliação de ciclo de vida de acordo com a ABNT NBR ISO 14040:2009. Fonte: ABNT (2009, p. 8). A obtenção de informações e bases de dados con�áveis e completas para a elaboração do inventário é uma di�culdade encontrada para a aplicação da avaliação do ciclo de vida. Esse problema pode ser atribuído ao fato de que muitas empresas têm receio de divulgar seus processos produtivos. Outra questão é a análise dos impactos negativos causados pelo transporte do produto, já que o setor de transporte ainda é um dos grandes poluidores que pouco tem feito para minimizar os efeitos provocados pela queima de combustíveis. Existem muitas fontes de incertezas relacionadas à avaliação de ciclo de vida, como a escolha equivocada de uma unidade funcional, o que pode levar a distorções nas análises. Outro erro que pode ocorrer na aplicação da técnica é deduzir incorretamente que alguma etapa do processo não in�uencia o resultado da avaliação e, por isso, pode ser desconsiderada. Essas limitações acabam interferindo na con�abilidade do resultado �nal. As avaliações de impactos e suas relações de causa e efeito são difíceis de serem descobertas, já que mesmo sendo possível medir ou estimar as entradas e saídas de um processo industrial, pode não �car clara a ligação desses fatores com os impactos ambientais gerados. Ainda que apresente diversas limitações, a ACV continua sendo uma ferramenta importante. É possível utilizar a avaliação do ciclo de vida para elaborar estratégias direcionadas à melhoria dos produtos e do processo. Além disso, os benefícios do uso da ferramenta se sobressaem, já que sua aplicação auxilia o processo de tomada de decisão, o que acaba favorecendo o planejamento estratégico da empresa. Mesmo com a sua complexidade, essa avaliação pode contribuir para o desenvolvimento sustentável e agregar valor à imagem da companhia. Por isso, entenda esses conceitos e faça a diferença no mercado de trabalho! Bons estudos! Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Videoaula: avaliação de Ciclo de Vida Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Você sabia que existem ferramentas que ajudam as empresas no desenvolvimento do produto e na aplicação da logística reversa, permitindo que a companhia tenha uma gestão ambiental mais efetiva? A ferramenta que estudaremos de forma mais detalhada no vídeo a seguir é a avaliação do ciclo de vida. Por isso, não deixe de assistir. Bons estudos! Saiba mais Para obter um melhor entendimento acerca da avaliação do ciclo de vida, é necessário que você se aprofunde nos temas estudados nesta etapa de aprendizagem. É interessante acessar artigos que abordem essas temáticas. Con�ra um estudo de comparação de cenários de tratamento de resíduos sólidos urbanos por meio da técnica de avaliação do ciclo de vida. https://www.scielo.br/j/esa/a/dbK94bttFv6xGnHsbWsnMDh/?lang=pt https://www.scielo.br/j/esa/a/dbK94bttFv6xGnHsbWsnMDh/?lang=pt Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Referências ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. ISO 14040: gestão ambiental: avaliação do ciclo de vida: princípios de estrutura. Rio de Janeiro: ABNT, 2009. BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 13 dez. 2021. LEVITT, T. A imaginação do marketing. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1990. MERSONI, C.; REICHERT, G. A. Comparação de cenários de tratamento de resíduos sólidos urbanos por meio da técnica da Avaliação do Ciclo de Vida: o caso do município de Garibaldi, RS. Engenharia Sanitária e Ambiental, v. 22, p. 863-875, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/esa/a/dbK94bttFv6xGnHsbWsnMDh/?lang=pt. Acesso em: 13 dez. 2021. Aula 5 Revisão da unidade A importância da Política Nacional de Resíduos Sólidos e os principais conceitos sobre resíduos Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Todas as atividades desenvolvidas pelos seres humanos geram algum tipo de resíduo, seja doméstico, hospitalar, de varrição, industrial, entre outros. Independentemente da espécie de resíduo, todos precisam de uma destinação adequada, já que, quando descartados em locais indevidos, causam diversos efeitos negativos, como a poluição das águas, solo e ar, e, consequentemente podem ocasionar danos à saúde da população e aumentar a proliferação de doenças. Sendo assim, é essencial que seja feita a gestão adequada desse material, com a correta separação, tratamento e destinação �nal, de acordo com a classi�cação de cada resíduo. Para isso, é fundamental que a empresa desenvolva um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), que é uma importante ferramenta para ajudar os geradores a fazerem o gerenciamento apropriado desse material. A elaboração dessa ferramenta deve ser conduzida por um pro�ssional habilitado e seguir as especi�cidades das legislações federais, estaduais e municipais. A Lei nº 12.305, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), é considerada um marco na legislação ambiental brasileira, pois contextualizou novas perspectivas sobre a gestão dos resíduos sólidos urbanos. Além disso, legalizou a responsabilidade municipal pelo gerenciamento dos resíduos gerados em seu território. A PNRS passou a ser um auxílio aos pro�ssionais na hora de gerenciar os resíduos sólidos de forma correta. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS É muito importante que os resíduos sólidos sejam descartados adequadamente. Para isso, é necessário conhecer as formas de destinação desses materiais. Vamos começar falando dos lixões, que são locais considerados inapropriados para a disposição de detritos. De acordo com a legislação brasileira, é crime ambiental levar resíduos para esses espaços. Outra forma de destinação são aterros controlados, os quais, por mais que façam a cobertura dos resíduos com uma camada de solo, também são entendidos como locais de crime ambiental, visto que apresentam um método de destinação incorreto. Já os aterros sanitários são espaços propícios para a destinação dos resíduos sólidos. Antes de receber o material, o solo é impermeabilizado e é feita a instalação de um sistema de tratamento de chorume e queima dos gases. Além disso, o material recebe uma cobertura de solo que evita a proliferação de vetores causadores de doenças. Existem, também, os aterros industriais, que se diferem dos aterros sanitários apenas pelo tipo de resíduo recebido. Nesses locais, depositam-se apenas resíduos industriais. Outra opção de destinação dos resíduos industriais é a incineração desses materiais, que consiste na queima em fornos e em usinas próprias. Para que a gestão correta dos resíduos seja feita, existem algumas estratégias e ferramentas que podem ser seguidas. Uma delas é a política dos 5Rs, que faz referência a cinco palavras: repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar. Outra técnica é a avaliação do ciclo de vida (ACV), um recurso desenvolvido para a mensuração dos possíveis impactos ambientais causados comoresultado da fabricação e utilização de determinado produto ou serviço. É um modelo denominado de ciclo de vida do produto, o qual possui cinco fases: desenvolvimento, introdução, crescimento, maturidade e declínio. É fundamental que o pro�ssional conheça técnicas e ferramentas para a correta gestão dos resíduos. Não deixe de se aprofundar. Bons estudos! Videoaula revisional da unidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Você sabia que o gerenciamento de resíduos sólidos industriais é muito importante para diminuir a contaminação do meio ambiente e evitar danos à saúde humana? É fundamental que o pro�ssional conheça as etapas do processo e as estratégias e técnicas que podem contribuir e auxiliar a tomada de decisão e a melhor classi�cação desses materiais. Neste vídeo, vamos abordar os principais conceitos acerca desse assunto. Não deixe de assistir! Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Estudo de caso Cada vez mais as indústrias têm buscado investir em sistemas de controle para reduzir perdas e impactos ambientais durante o processo de produção. A gestão dos resíduos gerados por essas companhias representa uma excelente alternativa para alcançar tais objetivos. O Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) é um conjunto de ações que são aplicadas em diferentes etapas de um processo. O PGRS facilita a identi�cação do produto ou material, sua classi�cação, segregação, recolhimento, transporte e destinação �nal. O gerenciamento de resíduos deve ser feito de forma integrada, abrangendo desde a não geração de resíduos até a disposição �nal. Nesse contexto, imagine que você foi contratado para compor uma equipe que realizará a gestão ambiental em uma empresa do setor moveleiro, a qual possui cerca de 100 funcionários e pode ser considerada um empreendimento de médio porte. Em uma primeira reunião, é explicado que a organização busca a certi�cação ISO 14001:2015, que é a norma referente ao sistema de gestão ambiental. Você �cará responsável por classi�car, segregar e destinar os resíduos da empresa de forma adequada. Os dados atuais da geração de resíduos estão dispostos na Figura 1, a seguir. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 1 | Fluxograma da situação atual da geração e destinação de resíduos. Fonte: elaborada pela autora. Ao olhar o �uxograma, é possível perceber que, após a transformação da matéria-prima, os resíduos sólidos gerados pelas atividades do empreendimento não possuem destinação adequada, o que pode causar acidentes de trabalho e aumentar a reprodução de vetores, como ratos, baratas e outros insetos capazes de afetar a saúde humana. Sendo assim, você deverá classi�car os resíduos, organizar a segregação e armazenamento interno desses elementos, o transporte e a destinação �nal de cada um deles. ________ Re�ita Você já parou para pensar na quantidade de resíduos que é gerada diariamente em sua cidade? Agora, leve esse pensamento a um nível global. A quantia passa a ser quase imensurável. Quando descartados de forma incorreta, esses resíduos geram impactos negativos ao meio ambiente, como contaminação do solo, da água e do ar e, por consequência, afetam a saúde da população. Por essa razão, a gestão dos resíduos é tão importante. Além disso, ter o conhecimento das ferramentas que podem ser utilizadas nesse contexto ajuda muito os pro�ssionais a colocarem em prática o manejo e a destinação correta dos materiais. Também é extremamente importante dominar a legislação aplicada a essa temática. Atualmente, há diversas legislações de nível federal, estadual e municipal. Vale lembrar que quando existe divergência entre as legislações, passa a valer a que tem maior restrição. Existem, ainda, estratégias como a política dos 5Rs, que podem ser utilizadas pelas empresas para auxiliar o sistema de gestão dos resíduos sólidos. Outra ferramenta muito relevante é a análise do ciclo de vida, que, além de auxiliar na gestão dos resíduos sólidos, também ajuda na Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS tomada de decisão da empresa. Independentemente da metodologia escolhida, o importante é que a gestão dos resíduos sólidos permita reduzir a quantidade de material gerada e que seja feita a destinação correta. Videoaula: resolução do estudo de caso Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Primeiramente, é essencial que você entenda a importância da gestão adequada dos resíduos sólidos. Nessa etapa, são de�nidos aspectos fundamentais para que o PGRS seja executado de forma efetiva para a empresa. É importante começar fazendo a classi�cação dos resíduos de acordo com a Resolução Conama nº 313/2002, que dispõe sobre o Inventário de Resíduos Industriais, e com a Norma NBR 10004 – Classi�cação de Resíduos Sólidos, em que cada resíduo é classi�cado em classes conforme seu grau de periculosidade: Classe I – perigosos: aqueles que apresentam riscos à saúde humana ou ao meio ambiente, como in�amabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade. Classe II A não inertes: possuem propriedades como biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água. Classe II B inertes: quaisquer resíduos que, quando amostrados de uma forma representativa, segundo a ABNT NBR 10007, e submetidos a um contato dinâmico e estático com água destilada ou deionizada, à temperatura ambiente, conforme ABNT NBR 10006, não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor. No caso, a apresentação dos dados pode ser feita da seguinte forma: Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Quadro 1 | Classi�cação dos resíduos sólidos. Fonte: ABNT (2004). Manejo dos resíduos Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Para obter uma melhor organização do ambiente, diminuição de vetores como ratos e baratas, higiene do local e ética ambiental, propõe-se a implantação de um sistema de coleta dos resíduos para o empreendimento. Todos os passos, que envolvem desde a coleta até a disposição �nal, estão descritos nos tópicos a seguir: Coleta: será efetuada por funcionários devidamente treinados e equipados com luvas, botas e materiais de proteção adequados, os quais, semanalmente farão o recolhimento dos resíduos previamente selecionados na empresa e acondicionados corretamente. Acondicionamento: será feito no local de armazenamento, que �ca no pátio interno, com as seguintes características físicas: área coberta, cimentado, onde os resíduos recolhidos e previamente selecionados serão dispostos de forma organizada, com identi�cação padronizada, obedecendo à seguinte classi�cação: 1. Orgânicos: serão depositados em lixeiras que possuem identi�cação padronizada, com a etiqueta “orgânicos”. 2. Reutilizáveis: serão depositados em tambores metálicos de 200 litros que possuem identi�cação padronizada, com a etiqueta “peças reutilizáveis”. 3. Recicláveis: serão depositados em lixeiras que possuem identi�cação padronizada, com a etiqueta “recicláveis”. 4. Resíduos contendo substâncias tóxicas: os resíduos de MDF serão armazenados em tambores metálicos de 200 litros ou outro material similar que possuem identi�cação padronizada, com a etiqueta “MDF”, em piso impermeável e área coberta. As latas de cola e thinner serão armazenadas em baias identi�cadas com a etiqueta “latas”, sob área coberta e piso impermeável. A empresa selecionada pelo empreendedor recolherá esses resíduos para destinação adequada, de acordo com a Resolução Conama nº 313/2002, que dispõe sobre o Inventário de Resíduos Industriais. Destinação �nal dos resíduossólidos Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Quadro 2 | Proposta de destinação dos resíduos. Fonte: elaborado pela autora. É interessante que seja feito um levantamento de empresas especializadas na coleta, transporte, recepção, tratamento e destinação �nal dos resíduos sólidos, classe tipo I e classe tipo II-A. Viu como é importante saber elaborar um PGRS? Bons estudos! Resumo visual Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Veja a seguir o resumo visual do conteúdo estudado! Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Referências ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10004:2004: resíduos sólidos: classi�cação. 2. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13221:2021: transporte de resíduos: classi�cação. 6. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2021. BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 20 dez. 2021. BRASIL. Portaria n° 280, de 29 de junho de 2020. Regulamenta os arts. 56 e 76 do Decreto nº 7.404, de 23 de dezembro de 2010, e o art. 8º do Decreto nº 10.388, de 5 de junho de 2020, institui o Manifesto de Transporte de Resíduos - MTR nacional, como ferramenta de gestão e documento declaratório de implantação e operacionalização do plano de gerenciamento de resíduos, dispõe sobre o Inventário Nacional de Resíduos Sólidos e complementa a Portaria nº 412, de 25 de junho de 2019. Diário O�cial da União, Brasília, n. 123, seção 1, 30 jun. 2020. Disponível em: https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-n-280-de-29-de-junho-de-2020- 264244199. Acesso em: 21 dez. 2021. BRASIL. Resolução ANTT nº 5232, de 14 de dezembro de 2016. Aprova as Instruções Complementares ao Regulamento Terrestre do Transporte de Produtos Perigosos, e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, n. 241, seção 1, 16 dez. 2016. Disponível em: https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/24783215. Acesso em: 11 dez. 2021. , Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Unidade 4 Tratamento de resíduos Aula 1 Separação e acondicionamento de resíduos Introdução Olá, estudante! Vamos aprender, nesta aula, sobre as características físicas, químicas e biológicas dos resíduos sólidos, as quais são importantes para classi�car esses materiais dentro das normas vigentes e separá-los corretamente, a �m de evitar uma possível contaminação do solo, dos cursos d’água, das pessoas e dos animais. Além disso, a segmentação correta tem como objetivo o reaproveitamento máximo dos resíduos sólidos, com a reciclagem ou recuperação, e uma geração mínima de rejeitos a serem enviados para a disposição �nal em aterros sanitários controlados. É chegada a hora de conhecermos as melhores formas de acondicionamento e transporte dos resíduos, bem como as leis e normas que regem a gestão desses materiais. Espero que você aprenda muito! Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Importância da separação e do acondicionamento correto dos resíduos O aumento populacional e o consequente crescimento da produção e do consumo têm como efeito a geração cada vez maior de resíduos que, se não forem geridos com responsabilidade, causam impactos signi�cativos, prejudicando o meio ambiente, a saúde da atual geração e das futuras, além de limitar a oferta de recursos naturais disponíveis. Nesse contexto, foi criada, em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) (Lei nº 12.305/2010), a qual é essencial para que as empresas diminuam o impacto causado pela sua atuação, aumentem os lucros em virtude da redução, reutilização e recuperação dos resíduos gerados e se destaquem perante os consumidores por causa de sua gestão ambientalmente responsável. A PNRS tem 15 objetivos, dentre os quais se sobressaem: o �m dos lixões, os quais representavam uma solução prejudicial ao meio ambiente e traziam riscos à saúde; a busca pelo máximo reaproveitamento e reciclagem, com a minimização dos rejeitos; a determinação de que os resíduos sejam armazenados e acondicionados de forma correta para evitar potenciais impactos ao meio ambiente; e a instituição da responsabilidade compartilhada, em que todos os participantes da cadeia, desde os produtores, passando pelos distribuidores e chegando ao consumidor �nal, possuem responsabilidade sobre a gestão dos resíduos e podem sofrer sanções no caso de não adotarem as medidas propostas (BRASIL, 2010). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS É importante de�nir que os resíduos sólidos, diferentemente do lixo ou rejeito, são materiais que podem ser reaproveitados, reciclados ou recuperados. Para que um sistema de gestão de resíduos seja efetivo, é preciso minimizar a produção desses materiais desde o início do ciclo com a redução na fonte geradora, o reaproveitamento, quando for possível, fazendo a recuperação e/ou recilagem dos resíduos passíveis de reutilização e a disposição �nal apenas dos resíduos restantes que não puderam ser reduzidos nas ações anteriores. Após as etapas de redução na produção e consumo e de reaproveitamento, os resíduos remanescentes devem ser separados e acondicionados da maneira correta e seguir, posteriormente, para a recuperação e disposição �nal. Para que a separação seja feita de forma efetiva, evitando riscos ao meio ambiente e ao homem, com o máximo de recuperação e o mínimo de rejeitos, é preciso conhecer os resíduos e suas características físicas, químicas e biológicas, a �m de que a divisão e o acondicionamento sejam realizados corretamente. É necessário, por exemplo, entender a composição química dos resíduos para que eles possam ser destinados à incineração, já que gases tóxicos podem ser liberados, ou avaliar a presença de componentes de alta periculosidade, coliformes e patógenos para classi�car o resíduo e armazenar com segurança. A caracterização dos resíduos é a análise das características qualitativas intrínsecas a esses materiais, como a sua composição química e sua quanti�cação, enquanto o diagnóstico de resíduos é uma avaliação da situação do material naquele momento. O diagnóstico inclui a caracterização, os fatores envolvidos nas etapas de gestão dos resíduos (geração, separação, acondicionamento, transporte, recuperação e destinação �nal) e os aspectos legais incidentes. É no diagnóstico que identi�camos possíveis anormalidades. Conhecer as leis e normas vigentes e as etapas de gestão dos resíduos é essencial para o desenvolvimento de um plano de gestão de resíduos e�ciente. Separação e acondicionamento de resíduos Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Para cumprir as etapas de separação e acondicionamento dos resíduos, precisamos classi�cá- los em grupos, a �m de que sejam destinados e armazenados corretamente, com o maior aproveitamento possível e com o mínimo de rejeitos, sem prejudicar o meio ambiente e a saúde humana. Algumas das características mais importantes para a classi�cação e posterior separação e recuperação dos resíduos sólidos são: Características físicas: composição gravimétrica, peso especí�co, teor de umidade e grau de compactação. Características químicas: composição química, relação carbono/nitrogênio, pH. Características biológicas: presença de coliformes e patógenos. A separação dos resíduos deve seguir a classi�cação proposta pela NBR 10004:2004 – Resíduos sólidos: classi�cação (ABNT, 2004a), a partir de amostras coletadas dos resíduos de acordo com a NBR 10007:2004 – Amostragem de resíduos sólidos (ABNT, 2004d), norma que possui determinações responsáveis por de�nir a quantidade mínima de resíduos, evitar contaminações e indicar a representatividade do resíduo a ser caracterizado. A classi�cação segundo a NBR 10004:2004separa os resíduos perigosos (Classe I) dos resíduos não perigosos (Classe II). Estes, por sua vez, são ainda divididos entre não inertes (Classe II-A) e inertes (Classe II-B), que não oferecem riscos à saúde e ao meio ambiente. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Os resíduos perigosos, de Classe I, são assim classi�cados por possuírem propriedades que apresentam risco à saúde pública ou ao meio ambiente e, por isso, devem ser manuseados apenas com o uso de equipamentos de proteção individual próprios. Algumas das propriedades que esses resíduos podem conter são: Corrosividade, quando a amostra for aquosa e apresentar pH inferior ou igual a 2, ou superior ou igual a 12,5, ou se for líquida e corroer o aço em velocidade e condições determinadas em norma. Reatividade, quando uma amostra for instável, reagir ou formar misturas potencialmente explosivas com a água, gerar gases e possuir em sua constituição substâncias potencialmente explosivas. Toxicidade, quando uma amostra for testada e apresentar a capacidade de intoxicação por ingestão, inalação ou contato com a pele, bem como potencial de lixiviação, testado segundo a norma NBR 10005:2004 – Lixiviação de resíduos, ou possuir em sua constituição substâncias constantes da listagem de periculosidade da norma. Patogenicidade, quando o resíduo contiver microrganismos ou toxinas capazes de produzir doenças, com exceção dos resíduos domésticos. In�amabilidade, quando uma amostra for líquida com ponto de fulgor inferior a 60 °C ou não líquida, mas capaz de produzir fogo com chama persistentemente, em condições determinadas pela norma ASTM D93/2020. Os resíduos classi�cados como não perigosos, ou de Classe II, não apresentam nenhuma das características mencionadas anteriormente e podem ser divididos em: Classe II-A – Não inertes: como descreve a ABNT NBR 10006:2004, possuem ao menos um de seus constituintes solubilizado ou lixiviado quando em contato com a água. Apresentam propriedades como: biodegradabilidade, combustibilidade e solubilidade em água Classe II-B – Inertes: são aqueles que não têm nenhum de seus constituintes solubilizados ou lixiviados quando em contato com a água. Veja na Figura 1, a seguir, como é feita a classi�cação dos resíduos (Figura 1): Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 1 | Exempli�cação da classi�cação dos resíduos pela NBR 10004:2004. Fonte: adaptada de ABNT (2004a). Conhecer as características dos resíduos e saber classi�cá-los é essencial para a efetividade da gestão dos resíduos, evitando contaminações e diminuindo os rejeitos. Acondicionamento e transporte de resíduos Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS A gestão de resíduos sólidos, respeitando a Política Nacional de Resíduos Sólidos e as normas regulamentadoras, normalmente contempla as seguintes etapas (Figura 2): Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 2 | Etapas aplicadas à gestão dos resíduos sólidos. Fonte: adaptada de Brasil (2010b). Após a correta separação dos resíduos gerados e até que eles sejam transportados para a área de recuperação, é importante que seja feito o armazenamento correto, a �m de viabilizar uma coleta adequada e evitar acidentes, a proliferação de vetores e a contaminação de pessoas, animais, do solo e de cursos d’água. O armazenamento é realizado em recipientes adequados, de maneira temporária e segura, até a retirada para reciclagem, recuperação ou disposição �nal, seguindo as normas NBR 12235:1992 – Armazenamento de resíduos sólidos perigosos: procedimento (ABNT, 1992) e NBR 11174:1990 – Armazenamento de resíduos classes II – não inertes e III – inertes: procedimento (ABNT, 1990), as quais têm como premissa a proteção do meio ambiente e da saúde. De acordo com essas diretrizes, durante o armazenamento, os resíduos classe I – perigosos não devem ser acondicionados juntamente com os demais resíduos não perigosos. Além disso, todos os tipos de resíduos precisam �car em área cobertas e ventiladas, sobre base impermeável, impedindo a lixiviação e contaminação do solo e da água, com área de drenagem para captação de líquidos e identi�cação própria. Alguns tipos de recipientes apropriados para o armazenamento de resíduos são: Caçambas, para resíduos da construção civil, por exemplo. Compactadores estacionários, utilizados para comprimir, reduzindo o volume, e para acondicionar resíduos orgânicos. Contêineres, contentores de plástico, sacos de lixo, tambores e bombonas, para resíduos industriais e laboratoriais. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Após a fase de acondicionamento, é feito o transporte para a recuperação ou para o destino �nal dos resíduos, seguindo a norma NBR 13221/07 – Transporte terrestre de resíduos (ABNT, 2007), que tem como objetivo determinar os requisitos para que o transporte de resíduos não gere impactos ao meio ambiente e à saúde pública. Essa diretriz é aplicável ao transporte terrestre de todas as classes de resíduos. Além de contemplar essa norma, os resíduos especiais ainda devem respeitar normas especí�cas em função de sua periculosidade. A norma mencionada anteriormente exige que o equipamento de transporte obedeça às regulamentações pertinentes e a normas ambientais especí�cas, esteja em bom estado de conservação e não permita vazamentos ou derramamento do resíduo a ser transportado, de forma que este esteja protegido de intempéries. Além das normas citadas, outras ordenações devem ser consideradas na gestão de resíduos, como a Lei nº 12.305/2010, que instituiu a PNRS, a qual, por sua vez, é regulamentada pelo Decreto Federal nº 7.404/2010, que estabelece normas de execução, e pelo Decreto Federal nº 9.177, que dispõe sobre a �scalização, além de leis, decretos e normas estaduais. Vale ressaltar, ainda, que empresas com um sistema de gestão de resíduos ideal podem receber a certi�cação ISO 14001, diminuindo os impactos negativos e melhorando sua imagem perante a sociedade. O conhecimento das normas, leis e etapas de gestão dos resíduos quali�cará você para ser responsável por projetos de qualidade realmente capazes de diminuir o impacto ambiental. Videoaula: separação e acondicionamento de resíduos Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Veja, agora, um aprofundamento dos conteúdos que aprendemos nesta aula sobre a importância da classi�cação e do acondicionamento correto dos resíduos sólidos. Falamos sobre as propriedades físicas, químicas e biológicas desses materiais, que são importantes para de�nir o tipo de armazenamento seguro e a melhor forma de recuperação de resíduos. Conhecemos, ainda, as leis e normas que regulamentam a separação e o acondicionamento dos resíduos. Não deixe de assistir ao vídeo! Bons estudos! Saiba mais Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Para saber mais sobre a separação e o acondicionamento de resíduos, acesse o portal do Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir), do Ministério do Meio Ambiente, onde você poderá encontrar diversos dados, normas, manuais e outras publicações sobre gestão de resíduos, logística reversa e mais temas pertinentes aos seus estudos. Referências https://sinir.gov.br/ Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10004:2004: resíduos sólidos: classi�cação. Rio de Janeiro: ABNT, 2004a. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10005: lixiviação de resíduos. Rio de Janeiro: ABNT, 2004b. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10006: solubilização de resíduos. Rio de Janeiro: ABNT, 2004c. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10007: amostragem de resíduos. Rio de Janeiro: ABNT, 2004d. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 11174: armazenamento de resíduos classes II – não inertesque nosso conforto é subsidiado pelo uso de recursos naturais: você está utilizando energia em seu celular ou até mesmo na luz acesa. Também precisou tomar banho, alimentar-se, comprar roupas e calçados. Atividades simples e cotidianas impactam a disponibilidade de recursos, fazendo com que cada vez mais iniciativas busquem entender essa relação e propor soluções mitigadoras. Em 1976, o pesquisador Nicholas Georgescu-Roegen discutiu pela primeira vez as relações desarmônicas do ser humano com a natureza, a�rmando, com base na Lei da Entropia, que nossos hábitos não são sustentáveis e tendem a alterar a qualidade do meio, degradando de maneira irreversível os recursos naturais (DIAS, 2015). Após isso, o conceito de pegada ambiental cresceu, sendo muito utilizado atualmente como um indicador ambiental. Mas o que esse conceito signi�ca? De acordo com Dias (2015), a pegada ambiental pode ser entendida como um indicador que busca associar as atividades humanas com a quantidade de recurso natural utilizada. A ferramenta também leva em consideração a capacidade regenerativa do planeta, ou seja, o tempo de recuperação natural dos recursos gastos. E você acredita que estamos em débito ou crédito? Infelizmente, estamos em débito. De acordo com dados da World Wildlife Fund (WWF, 2008), estamos consumindo 50% a mais de recursos naturais do que temos disponíveis, ou seja, para sustentar nossos hábitos atuais, seria necessário 1,5 planeta (Figura 1). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 1 | Pegada ecológica mundial e brasileira. Fonte: WWF (2008). O que fazer para reverter essa situação? O primeiro ponto é a conscientização das pessoas, uma vez que são os hábitos individuais que, ao serem somados, impactam o meio em que vivemos. Com isso, a educação ambiental assume um papel fundamental, sendo até mesmo citada em nossa Constituição Federal de 1988, a qual determina que essa área do ensino deve ser concebida em todos os níveis de escolaridade (BRASIL, 2019). Mas o que é educação ambiental? De acordo com Santos e Ru�no (2003), é uma estratégia que busca implementar ações com o intuito de fazer com que o indivíduo repense suas atitudes e procure melhorar sua qualidade de vida e a sociedade onde vive em harmonia com o meio. Tal estratégia pode in�uenciar os hábitos cotidianos da população, favorecendo, assim, boas práticas ambientais. Um exemplo pode ser visto em sua própria residência. Você separa seu lixo? Sabia que a segregação é fundamental para que as cooperativas consigam reciclar os resíduos? E acredita que isso pode, inclusive, aumentar a vida útil do aterro? Uma atitude simples pode transformar a sociedade e o meio ambiente! Já que falamos em reciclagem, outro conceito importante é o uso de materiais alternativos na concepção de novos produtos. A substituição de matérias-primas que ocasionam impactos ambientais por outras advindas da reciclagem é uma excelente maneira de economizar recursos naturais e contribuir com a adequação ambiental de organizações. Viu só como tudo está relacionado? Não deixe de contribuir para essa mudança e de pensar sempre em novos hábitos no seu percurso pro�ssional. Bons estudos! Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Entendendo o contexto de materiais alternativos, educação ambiental e consumo consciente Qual é a relação entre os conceitos de pegada ecológica e a preservação dos recursos? De acordo com Dias (2015), da mesma forma que um economista precisa incorporar os custos relacionados ao processo e distribuição de um produto, a pegada propõe a análise dos custos associados aos recursos naturais na concepção de determinado bem ou produto. Ou seja, analisam-se os números relacionados aos parâmetros de solo, água, emissões, entre outras variáveis que in�uenciarão não somente a disponibilidade do recurso, mas também sua qualidade. Com isso, a pegada ambiental, também chamada de pegada verde ou pegada ecológica, pode utilizar inúmeras metodologias, sendo que a maioria baseia-se em indicadores categorizados em pesos, isto é, quanto maior for o impacto de determinada variável, maior será seu peso na somatória �nal de cálculo da pegada. Justamente por isso que a educação ambiental é fundamental! Carvalho (2017) a�rma que a educação ambiental também está relacionada com a formação ética, política, econômica, social e cultural, e não apenas ecológica, como alguns grupos acreditam erroneamente. Diante disso, Reigota (1999) fala acerca das concepções humanas. De acordo com o autor, é possível classi�car as visões humanas em três categorias distintas: a visão naturalista, que Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS associa o meio ambiente a algo intocado; a visão antropocêntrica, que é aquela na qual o ser humano acredita que os recursos naturais possuem como principal �nalidade o bem-estar humano; e, por �m, a visão globalizante, que insere o ser humano no conceito de meio ambiente, sem considerar um aspecto dominante sobre os recursos naturais, promovendo uma harmonia entre as esferas ambientais, sociais e econômicas. Tudo isso pode ser aplicado na gestão de resíduos, por exemplo. Inclusive, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), em seus objetivos, deixa claro que o foco da gestão de resíduos deve ser a não geração desses elementos e somente depois que todas as possíveis soluções estiverem esgotadas é que o resíduo poderá ser destinado a um aterro sanitário ou industrial (Figura 2). Figura 2 | Ordem de prioridade dos objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Fonte: adaptada de Brasil (2010). Analisando a Figura 2, observamos que a reutilização e a reciclagem são citadas como formas de gerenciar os resíduos sólidos. Com isso, o uso de materiais alternativos, inclusive os advindos da reciclagem, pode ser uma solução para as empresas, uma vez que diminui a necessidade de utilização constante de matéria-prima virgem, contribuindo, assim, para a economia de recursos. Vale ressaltar, porém, que no processamento de materiais orgânicos (plástico, borracha, papel) ocorre a perda de qualidade da matéria-prima. Ou seja, será necessário destinar os resíduos de tais materiais para outros processos industriais menos exigentes em relação às propriedades do produto �nal. Em contrapartida, o alumínio, por exemplo, não perde suas propriedades, sendo, inclusive, o material mais reciclado do Brasil, com índice de 97,6% (ABRELPE, 2021). Demajorovic e Lima (2019) a�rmam que o fundamento para a utilização de materiais alternativos é sua funcionalidade, ou seja, as propriedades e características desse material devem ser Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS adequadas à função do produto �nal. Além disso, tal elemento deve ter conformidade com as normas técnicas vigentes e, é claro, qualidade e facilidade de manutenção. O custo também é algo que deve ser levado em consideração, visto que pode haver a necessidade de modi�cação de processos de fabricação de um produto quando existe incorporação de novos materiais. No entanto, se tais estratégias forem pensadas de maneira efetiva, podem contribuir para a adequação ambiental das organizações, subsidiando a melhoria de sua imagem perante os consumidores e a preservação ambiental. Não deixe de estudar sobre o assunto, uma vez que isso poderá lhe auxiliar no exercício da pro�ssão. Materiais alternativos e pegada ecológica: como aplicar na empresa? Como aplicar a pegada ecológica nas indústrias? Para uma organização, torna-se fundamental entender a geração de seus passivos ambientais ao longo do processo de fabricação ou bene�ciamento de materiais, uma vez que isso poderá ser utilizado para a própria veri�cação da e�ciência do processo com relação à utilização dos recursos naturais, permitindo a identi�cação de falhas. Todas essas informações podem subsidiar o surgimento de uma política ambiental da empresa ou o próprio atendimento à legislação, evitando, assim, um dé�cit ambiental. Por exemplo, ao analisarmos a produção dee III – inertes – procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 1990. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 12235: armazenamento de resíduos sólidos perigosos: procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 1992. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13221: transporte terrestre de resíduos. Rio de Janeiro: ABNT, 2007. ALBUQUERQUE, J. B. T. Resíduos sólidos. São Paulo: Independente Editora e Distribuidora de Livros, 2011. BRASIL. Decreto nº 7.404, de 23 de dezembro de 2010. Regulamenta a Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, cria o Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Comitê Orientador para a Implantação dos Sistemas de Logística Reversa, e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 2010a. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/decreto/d7404.htm. Acesso em: 5 dez. 2021. BRASIL. Decreto nº 9.177, de 23 de outubro de 2017. Regulamenta o art. 33 da Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, e complementa os art. 16 Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS e art. 17 do Decreto nº 7.404, de 23 de dezembro de 2010 e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 2017. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015- 2018/2017/decreto/d9177.htm. Acesso em: 5 dez. 2021. BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 3 ago. 2010b. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 5 dez. 2021. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão de Resíduos Sólidos (SINIR), 24 jul. 2019. Disponível em: https://sinir.gov.br/. Acesso em: 5 dez. 2021. CAIXETA-FILHO, J. V. et al. Logística ambiental de resíduos sólidos. São Paulo: Atlas, 2011. FIRMO, A. L. B. et al. Gestão de resíduos sólidos urbanos com baixas emissões de GEE. Brasília: Ministério de Desenvolvimento Regional/Plansab, 2019. Disponível em: https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosSNSA/Arquivos_PDF/plansab/2- CadernotematicoGestaodeRSUcombaixasemissoesdeGEE.pdf. Acesso em: 5 dez. 2021. GRIPPI, S. Lixo: reciclagem e sua história. Rio de Janeiro: Interciência, 2006. JACOB, P. (Org.). Gestão compartilhada dos resíduos sólidos no Brasil: inovação com inclusão social. São Paulo: Annablume, 2006. LOPES, L. Gestão e gerenciamento integrados dos resíduos sólidos urbanos: alternativas para pequenos municípios. 2006. 113 f. Dissertação (Mestrado em Geogra�a) – Faculdade de Filoso�a, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo. ZVEIBIL, V. Z. et al. Manual de gerenciamento integrado de resíduos sólidos. Rio de Janeiro: IBAM, 2002. Aula 2 Tratamento e recuperação de resíduos Introdução Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Olá, estudante! Conhecendo as características dos resíduos, sua classi�cação, separação, armazenamento e transporte, estaremos prontos para entender mais detalhes sobre as formas de recuperação desses materiais, como reciclagem, compostagem, queima, biometanização e sistema mecânico-biológico. Nesta etapa de aprendizagem, vamos estudar sobre a produção de energia a partir do biogás, bem como sobre os gases gerados durante a decomposição dos resíduos sólidos depois que são enviados para seu destino �nal, que pode ser o aterro sanitário ou industrial. Outro conceito importante é a parte �nal do ciclo de gestão dos resíduos sólidos, que abrange as formas corretas de realizar a disposição �nal em aterros sanitários ou aterros industriais dos rejeitos que não puderam ser reaproveitados, reciclados ou recuperados. Espero que você aprenda muito! Formas de tratamento e recuperação de resíduos Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Antes de seguir o caminho da gestão de resíduos determinado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) (PNRS), é importante de�nir a diferença entre a disposição �nal ambientalmente adequada citada na lei e a destinação �nal. A disposição �nal é a solução apropriada somente para os rejeitos, aqueles resíduos que não são mais passíveis de nenhum tipo de tratamento. Já a destinação �nal é o rumo seguido pelos resíduos que ainda são passíveis de tratamento. Inclui os processos de reutilização, reciclagem, compostagem, recuperação e aproveitamento energético do material descartado. O tratamento de resíduos engloba uma série de procedimentos que, de forma controlada, alteram as características físicas, químicas e/ou biológicas desses materiais para que a quantidade de elementos não aproveitáveis seja reduzida, além de eliminar ou minimizar os possíveis poluentes que tornariam o resíduo perigoso, tratando-o para que possa ser disposto no solo de forma segura ou para que seja recuperado e reintroduzido no mercado. Alguns processos de recuperação de resíduos são a compostagem de resíduos orgânicos, a biometanização, a incineração e a pirólise, para redução de volume e geração de energia, e o sistema mecânico-biológico. A decomposição dos resíduos tem potencial de emissão de gases de efeito estufa (GEE), como o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4). Por isso, é preciso conhecer o potencial de geração de gases que cada uma das formas de recuperação ou disposição dos resíduos possui. As estratégias ambientalmente corretas são a não geração, a redução na produção, a reutilização, a reciclagem e a compostagem, seguidas pela recuperação energética ou incineração, biometanização e pelos tratamentos mecânico-biológicos. Os métodos que mais emitem GEE são a disposição em aterros sanitários com captura de CH4 e com captura e queima de CH4. A forma de disposição �nal com maior potencial poluidor, que hoje está proibida no Brasil, é o despejo em lixões a céu aberto. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS A compostagem ou tratamento bioquímico é o processo de decomposição biológica dos resíduos orgânicos. Produz CO2, vapor d’água, minerais e o produto orgânico estabilizado, que chamamos de composto orgânico ou adubo (SOUZA, 2018). O sistema mecânico-biológico é um procedimento de tratamento de resíduos sólidos com baixa emissão de gases em que, durante a fase mecânica, são retirados os materiais que podem ser reaproveitados e aqueles que podem ser nocivos ou perigosos, de modo que o restante é triturado e homogeneizado para redução do volume. Na etapa seguinte, é feito o tratamento biológico por meio da decomposição anaeróbica de substâncias orgânicas. Os rejeitos são dispostos no solo, em aterros sanitários (SOUZA, 2018). A biometanização, ao contrário da compostagem, é um procedimento anaeróbico de decomposição da matéria orgânica a partir de microrganismos. Esse processo emite o chamado biogás, uma mistura de gases metano, que pode ser fonte de energia e dióxido de carbono (VILELA, 2015). Já a incineração é o processo de decomposição térmica (combustão) controlada a temperaturas acima de 900 °C para eliminação da porção orgânica e redução do volume e da toxicidade dos resíduos. Produz escórias e cinzas e libera energia, porém requer altos investimentos, mão de obra especializada e controle de poluentes (CHIRICO, 2013). Agora que você conhece mais sobre as formas de recuperação dos resíduos sólidos, está pronto para avançar no seu plano de gestão e evitar danos ao ambiente e à saúde das pessoas e animais. Aterro sanitário e aterro industrial Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Posteriormente à correta separação dos resíduos seguindo a norma brasileira ABNT NBR 10004:2004 e ao tratamento desses materiais para que a maior quantidade possível seja recuperada ou reaproveitada, o rejeito restante deve ser enviado para disposição �nal adequada. A lei brasileira nº 12.305/2010 (PNRS) indica, em seu art. 9º, que “Na gestão e gerenciamentode resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição �nal ambientalmente adequada dos rejeitos” (BRASIL, 2010, [s. p.]). Uma disposição correta é aquela que possui “Distribuição ordenada de rejeitos em aterros, observando normas operacionais especí�cas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos” (BRASIL, 2010, [s. p.]). No Brasil, a solução adequada e mais utilizada, após a proibição da disposição em lixões, é o aterro sanitário para resíduos não perigosos e o aterro industrial para resíduos provenientes de indústrias. Esses tipos de aterros não deixam os rejeitos expostos a céu aberto, possuem proteção do solo para evitar contaminação e recebem o tratamento do chorume e dos gases gerados durante a decomposição dos rejeitos. Existem normas especí�cas para a construção, implantação e operação de aterros no Brasil, como a ABNT NBR 13896:1997 – Aterros de resíduos não perigosos: critérios para projeto, implantação e operação; e a ABNT NBR 10157:1987 – Aterros de resíduos perigosos: critérios para projeto, construção e operação. Os aterros sanitários devem con�nar os rejeitos na menor área possível, reduzindo seu volume e cobrindo-os com uma camada de terra diariamente. O local é dividido em setores de preparação, execução, onde há a separação dos resíduos, e setor concluído, no qual é necessária a revegetação sobre a camada de terra em aterros que já atingiram a capacidade máxima. Deve existir um monitoramento da qualidade da água do lençol freático e das emissões atmosféricas (Figura 1). Figura 1 | Desenho esquemático de um aterro sanitário. Fonte: Resíduos Alagoas (2015). Esses espaços podem receber rejeitos não recuperados e que são classi�cados como Classe II – Não inertes, bem como resíduos sólidos urbanos, hospitalares, da construção civil e industriais, desde que não sejam resíduos perigosos ou de Classe I. Já os aterros industriais, que possuem estrutura similar aos aterros sanitários, recebem apenas resíduos industriais, os quais devem ser tratados previamente para diminuir sua periculosidade, Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS perpassando pelos processos de estabilização, solidi�cação, encapsulamento e neutralização. Precisam contar com uma dupla impermeabilização com manta sintética, a �m de resistir a intempéries, como ciclos de umedecimento, e proteger o meio de contaminação. Além disso, devem apresentar uma camada de argila associada ao recobrimento com solo e vegetação. Não podem ser instalados em áreas inundáveis, de recarga de aquíferos, em espaços de proteção de mananciais, mangues, hábitat de espécies protegidas, ecossistemas de áreas frágeis, conforme estipula a legislação brasileira. Também devem contar com o tratamento dos e�uentes gerados, como o chorume, e dos gases possivelmente liberados, com frequente acompanhamento da qualidade do ar e da água no seu entorno. Os aterros industriais também possuem classi�cação em função da periculosidade dos resíduos neles dispostos. O aterro Classe I recebe resíduos perigosos, os de Classe II, resíduos não perigosos e não inertes e os de Classe III, não perigosos e inertes. Você precisa conhecer as formas apropriadas de destinação �nal dos resíduos urbanos e industriais para concluir o seu plano de gestão de maneira correta e segura. Reaproveitamento de resíduos por meio da geração de energia Depois de dispostos em aterros seguros, os rejeitos tendem a produzir subprodutos de sua decomposição, como os gases metano (CH4) e o dióxido de carbono (CO2), conhecidos como BIOGÁS. Como estes são gases que contribuem para o efeito estufa, devem ser capturados por meio de drenos e tratados antes que sejam liberados para a atmosfera. Uma forma de mitigar a emissão de biogás que ocorre em função da decomposição dos resíduos é tratando-os previamente, diminuindo seu potencial poluidor e seu volume, e Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS convertendo-os em energia térmica ou elétrica em usinas de recuperação energética (URE), visto que o vapor liberado durante o tratamento movimenta as pás da turbina de um gerador, fornecendo energia sem geração de e�uentes líquidos e a partir de produtos como dióxido de carbono, 20 vezes menos nocivo ao ambiente que o gás metano, originalmente produzido pela decomposição dos resíduos (OECO, 2014). As cinzas restantes ainda poderão ser utilizadas para a produção de cimento. Algumas formas de tratamento usadas são a incineração, gasei�cação e pirólise, digestão anaeróbia e o coprocessamento em fornos de clínquer. Os processos de tratamento mais adotados, por serem os mais vantajosos economicamente, são os diferentes tipos de queima dos resíduos. A incineração é feita em uma caldeira que converte o calor da queima em eletricidade e vapor, devendo existir �ltragem dos gases liberados. A pirólise também queima os resíduos, porém sem realizar a combustão completa. É uma forma mais acessível que a incineração tanto no aspecto tecnológico quanto econômico. A digestão anaeróbica é efetuada em usinas à baixa temperatura, com decomposição dos resíduos acelerada por microrganismos, gerando biogás, o qual deve ser tratado antes que seja liberado para a atmosfera. O coprocessamento em fornos de clínquer usa alguns tipos de resíduos para fabricação de cimento. Além disso, os gases liberados (biogás) também podem ser capturados e concentrados para alimentação de redes de gás, enviados a usinas biogênicas para produção de calor e eletricidade ou queimados em caldeiras a vapor para geração de calor, com liberação de vapor. De acordo com a Portaria no 274, de 2019, podem ser utilizados para produção de energia os resíduos domiciliares, de limpeza urbana e demais resíduos classi�cados como não perigosos, inclusive os recicláveis. Os resíduos devem, ainda, ser avaliados quanto à certi�cação da viabilidade técnica, ambiental e econômica para recuperação energética. Também é necessário atentar-se à liberação de material residual na atmosfera, água ou solo, com limites de emissão preestabelecidos, fazendo um monitoramento contínuo. No Brasil, temos atualmente mais de 600 plantas de usinas que tratam o biogás, convertendo-o em algum tipo de energia, conforme pode ser visto na �gura a seguir. No entanto, vale ressaltar que o potencial de produção é 45 vezes maior (CIBIOGÁS, 2021) (Figura 2). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 2 | Volume de biogás tratado no Brasil. Fonte: Cibiogás (2021, p. 8). Aprendendo mais sobre o biogás, somos capazes de planejar um tratamento adequado para evitar a poluição atmosférica e ainda obter vantagens com a produção de energia. Videoaula: tratamento e recuperação de resíduos Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Veja, agora, um pouco mais do que aprendemos nesta aula sobre as etapas �nais da gestão de resíduos sólidos, isto é, a recuperação desses materiais, quando for possível, e a disposição �nal em aterros sanitários ou aterros industriais dos rejeitos que não puderam ser recuperados. Conheça, ainda, a produção de biogás e a geração de energia a partir dos gases emitidos pela decomposição dos rejeitos em aterros. Bons estudos! Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Saiba mais Para saber mais sobre a gestão de resíduos sólidos, acesse o portal do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, onde você encontrará uma série de livros e manuais sobre reciclagem, políticas públicas e implantação da gestão de resíduos no Brasil. Referências https://www.mncr.org.br/biblioteca/publicacoes/livros-guias-e-manuais https://www.mncr.org.br/biblioteca/publicacoes/livros-guias-e-manuaisDisciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10004:2004: classi�cação de resíduos sólidos. Rio de Janeiro: ABNT, 2015. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10157:1987: aterros de resíduos perigosos: critérios para projeto, construção e operação. Rio de Janeiro: ABNT, 1997a. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13896:1997: aterros de resíduos não perigosos: critérios para projeto, implantação e operação. Rio de Janeiro: ABNT, 1997b. ATERRO sanitário de resíduos sólidos urbanos. Resíduos Alagoas, 2 abr. 2015. Disponível em http://www.residuossolidos.al.gov.br/sistemas/aterro-sanitario. Acesso em: 8 dez. 2021. BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 8 dez. 2021. CHIRICO, V. D. Incineração de resíduos urbanos. Zürich: Schweizerische Rückversicherungs- Gesellschaft, 2013. Disponível em: http://www5.ensp.�ocruz.br/biblioteca/dados/txt_349995799.pdf. Acesso em: 8 dez. 2021. CIBIOGÁS. Nota técnica: nº 001/2021: panorama do biogás no Brasil 2020. Foz do Iguaçu: Cibiogás, 2021. Disponível em: https://abiogas.org.br/wp-content/uploads/2021/06/PANORAMA- DO-BIOGAS-NO-BRASIL-2020-v.8.0-1_1.pdf. Acesso em: 5 dez. 2021. GASES do efeito estufa: dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4). ((o))eco, 30 abr. 2014. Disponível em: http://www.oeco.org.br/dicionario-ambiental/28261-gases-do-efeito-estufa- dioxido-de-carbono-co2-e-metano-ch4/. Acesso em: 5 dez. 2021. LIVROS guias e manuais. Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, 24 out. 2015. Disponível em: https://www.mncr.org.br/biblioteca/publicacoes/livros-guias-e-manuais. Acesso em: 5 dez. 2021. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS SOUZA, P. S. Análise comparativa das usinas de tratamento mecânico-biológico brasileiras. 2018. 133 f. Dissertação (Mestrado em Recursos Naturais) – Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais, Centro de Tecnologia e Recursos Naturais, Universidade Federal de Campina Grande, Paraíba. VILELA, F. R. Biometanização: estudo da in�uência do lodo e da serragem no tratamento anaeróbio da fração orgânica dos resíduos sólidos urbanos (FORSU). 2015. 229 f. Dissertação (Mestrado em Ciências: Engenharia Hidráulica e Saneamento) – Universidade de São Paulo, São Carlos, SP. Aula 3 Resíduos especiais Introdução Olá, estudante! Conhecendo as características dos resíduos, sua classi�cação, separação, armazenamento e transporte, seremos capazes de enviar, com segurança, a maior quantidade possível de materiais para recuperação em tratamentos como reciclagem, compostagem, queima, biometanização e sistema mecânico-biológico, bem como a menor quantidade possível de rejeitos para a destinação �nal em aterros sanitários e industriais. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Mas os resíduos sólidos não são apenas aqueles gerados nas nossas residências. As indústrias, instituições de saúde e a construção civil, por exemplo, produzem diversos tipos de resíduos que, em alguns casos, são considerados perigosos e precisam de tratamento e disposição especiais, de acordo com as normas e leis vigentes. É sobre isso que falaremos nesta aula. Bons estudos! Geração de resíduos especiais Os resíduos sólidos urbanos, de acordo com a ABNT NBR 10004:2004, são classi�cados em perigosos e não perigosos. No entanto, a norma deve ser apoiada por outras normas e resoluções quando se trata de resíduos especiais, como aqueles gerados em indústrias, na construção civil e em serviços de saúde. Todos esses resíduos especiais devem ser separados dos demais, manuseados e armazenados com o uso de equipamentos de proteção próprios, pois trazem potencial risco à saúde e ao meio ambiente. Também devem receber tratamento adequado para diminuir sua periculosidade antes da disposição �nal em aterros especí�cos. Além dos resíduos produzidos nesses locais, que podem ser hospitais, indústrias ou canteiros de obra na construção civil, também é necessário considerar a geração de resíduos especiais e Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS potencialmente perigosos por fontes difusas, como o descarte de pilhas e eletrônicos em residências, no comércio, ferros-velhos e outros espaços. Para além de sua periculosidade, os resíduos também podem ser considerados especiais pelo grande volume gerado, como no caso, por exemplo, de veículos em �m de vida, os quais precisam receber atenção especial para a recuperação de partes aproveitáveis e a destinação �nal com tratamento prévio, como a compactação, de forma a ocupar o menor espaço possível nos aterros. Se os processos de classi�cação, segregação e reaproveitamento não forem feitos da forma correta, o volume e os custos de destinação e disposição �nal aumentarão consideravelmente. Por isso, é importante a elaboração de um plano de gestão de resíduos especiais bem detalhado, que considere as particularidades dos materiais e todas as etapas de gestão, desde a diminuição no consumo até o reaproveitamento, reciclagem, recuperação e, por �m, o tratamento e envio para a destinação �nal. É relevante, ainda, salientar a importância da responsabilidade compartilhada também para os resíduos especiais, instituída pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em que cada parte da cadeia de gestão de resíduos é corresponsável pelos resíduos gerados (BRASIL, 2010). A mesma lei, em seu art. 33, impõe a obrigatoriedade da instalação de um sistema de logística reversa por fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de produtos como: agrotóxicos, pilhas e baterias, pneus, óleos, lâmpadas e itens eletroeletrônicos, todos resíduos especiais (BRASIL, 2010). A PNRS, Lei nº 12.305, de agosto de 2010, classi�ca os resíduos em perigosos e não perigosos, mas também os quali�ca quanto à fonte de geração em dez categorias. São elas: 1. Resíduos da construção civil, como telhas de amianto, tintas e solventes. 2. Resíduos industriais, como solventes e tintas. 3. Resíduos de serviço da saúde (RSS), como materiais infectantes, químicos, radioativos ou perfurocortantes. 4. Resíduos domiciliares, que podem ser comuns ou perigosos, como remédios, algodão, preservativos, tintas, solventes e eletroeletrônicos em �m de vida. 5. Resíduos públicos de saneamento básico, como o lodo de estações de tratamento de esgoto. �. Resíduos de serviços de transporte. 7. Resíduos da atividade agrossilvipastoril, como embalagens de agrotóxicos. �. Resíduos da mineração, como aqueles gerados na extração de carvão, pirita, ferro, sílica, ouro e outros elementos. 9. Resíduos do comércio e prestadores de serviços, que também podem ser perigosos ou não. 10. Resíduos da limpeza urbana, como folhas da limpeza de vias, ou perigosos, como pilhas e baterias (BRASIL, 2010). É importante conhecer as fontes geradoras de resíduos comuns e especiais para elaborar um plano de gestão efetivo! Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Caracterização e classi�cação de resíduos especiais Os resíduos sólidos gerados pela CONSTRUÇÃO CIVIL devem ser geridos seguindo a norma brasileira ABNT NBR 15113:2004, que classi�ca os resíduos e determina condições para implantação e operação de aterros de resíduos sólidos da construção civil, sempre com o objetivo de proteger o meio ambiente e a saúde, com o máximo de reaproveitamento (ABNT, 2004b). A norma ABNT NBR 15113:2004 classi�ca os resíduos em: Classe A, para aqueles que são reutilizáveis ou recicláveis; Classe B, para resíduos recicláveis comuns, como o plástico; Classe C, para os que não podem ser aproveitados, como o gesso; e Classe D, para resíduos perigosos, como tintas e solventes. Sua gestão deve respeitar os critérios e procedimentos estabelecidos pela Resolução Conama nº 307, de 2002,que busca a redução dos impactos ambientais gerados pelos resíduos da construção (BRASIL, 2002). Já os resíduos produzidos pelos serviços de saúde ou lixo hospitalar, gerados em postos de saúde, clínicas e hospitais, normalmente são incinerados para evitar potenciais contaminações, mas existem outras alternativas de destinação, como a reciclagem, o aproveitamento energético, a desinfecção química, autoclavagem, ionização, tratamento por micro-ondas, desativação eletrotérmica e plasma (MARTINI, 2016). Após os tratamentos, os rejeitos devem ser enviados para aterros especiais ou valas sépticas com cal. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Esses materiais são classi�cados e geridos segundo as recomendações da norma brasileira ABNT NBR 12808:1993 – Resíduos de serviços da saúde, da Resolução Anvisa RDC nº 306/2004, que regulamenta a gestão de resíduos da saúde, e da Resolução Conama nº 358/2005, que de�ne formas de tratamento e disposição �nal desses resíduos. Os resíduos hospitalares são classi�cados em: Grupo A, que engloba resíduos com possível presença de agentes biológicos e risco de infecção; Grupo B, para aqueles que contêm substâncias químicas perigosas; Grupo C, para materiais que englobem radionuclídeos que não possam ser aproveitados; Grupo D, para materiais que não são perigosos; e Grupo E, para os perfurocortantes. Já os resíduos industriais são classi�cados pela ABNT NBR 10004:2004 em Classe I, para aqueles perigosos, e Classe II, para não perigosos e resíduos comuns. Os resíduos industriais perigosos, no entanto, devem passar por tratamento para diminuir seu volume e periculosidade. Além disso, precisam ser enviados para aterros industriais próprios. Os resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos (REEE), como celulares, por exemplo, que têm vida útil curta, também são perigosos por causa da presença de diversos tipos de metais pesados, como o cádmio, que é carcinogênico, o chumbo, que pode causar danos ao sistema nervoso, e o mercúrio (ASTDR, 2011). Esses materiais devem ser tratados para recuperação e reaproveitamento de metais, como o cobre, e dispostos de forma adequada, seguindo as instruções da Resolução Conama nº 401/2008, que estabelece os limites de chumbo, cádmio e mercúrio para pilhas e baterias e determina os destinos que não são permitidos. Já resíduos radioativos são os materiais resultantes de atividades que contenham radionuclídeos, os quais não devem ser reutilizados. A gestão desses materiais segue a norma da Comissão Nacional de Energia CNEN-NE-6.02 – Licenciamento de instalações radiativas (BRASIL, 2002). Além dessas diretrizes, ainda há normas especí�cas para pneus inservíveis (Resolução Conama nº 416/2009), agrotóxicos e suas embalagens (Resolução Conama nº 465/2014) e óleos lubri�cantes (Resolução Conama nº 450/2012). Conhecer, compreender e saber aplicar as normas e a legislação vigente contribui para uma melhor gestão, sem riscos à saúde, além de diminuir os impactos ao meio ambiente. Tratamento e destinação �nal de resíduos especiais Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Conhecendo a proveniência dos resíduos especiais, suas características, classi�cações, normas e leis que regem sua administração, estaremos prontos para a última etapa da gestão de resíduos, que envolve o tratamento, para diminuição da periculosidade e do volume dos resíduos ou para reaproveitamento de materiais, e, posteriormente, a disposição �nal adequada dos rejeitos que não puderam ser reaproveitados. Para o tratamento dos resíduos, também há normas que devem ser observadas, como a Resolução Conama nº 05/1993, que regulamenta o tratamento de resíduos provenientes de serviços de saúde, portos e aeroportos (BRASIL, 1993). A caracterização quali-quantitativa dos materiais deve levar em consideração: o estado físico dos resíduos – se é líquido ou sólido, por exemplo; a quantidade gerada de cada tipo de resíduo; suas características físicas, químicas e biológicas; e fatores de periculosidade, como toxicidade e presença de contaminantes. Também é necessário analisar a fonte geradora e todo o processo de gestão, como as condições de armazenamento disponíveis, o custo de cada método de tratamento e disposição �nal, a situação dos locais de tratamento e disposição, veri�cando, por exemplo, a presença de cursos d’água no entorno ou de comunidades locais próximas. A primeira etapa do tratamento dos resíduos é a realização de um processo para diminuir a periculosidade desses materiais especiais, como a autoclavagem, a incineração de resíduos contaminantes ou a desativação eletrotérmica (ETD). Depois desse estágio, ainda é possível reutilizar componentes de alguns tipos de resíduos por meio de um processo de valorização, como a reutilização e a reciclagem, a extração de metais para reaproveitamento e a conversão em energia. Apenas após esse procedimento, os rejeitos são enviados para disposição �nal em aterros classe I, para materiais perigosos, incinerados, e, em seguida, passam por biorremediação ou landfarming. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Os aterros Classe I, de resíduos perigosos, são locais que possuem dupla impermeabilização, drenam líquidos, como o chorume produzido pela decomposição dos rejeitos, e estão em constante monitoramento. São construídos seguindo as normas ABNT NBR 10157:1987. A incineração é o processo mais indicado para tratamento �nal de resíduos da saúde que contêm, por exemplo, materiais contaminantes, bem como de óleos e graxas, que não podem ser dispostos nos aterros em quantidades acima do estabelecido pela ABNT NBR 10157:1987. O objetivo da queima controlada é destruir compostos tóxicos. É um procedimento rápido, e o vapor gerado pela queima pode ser utilizado como combustível auxiliar. A incineração segue a norma ABNT NBR 11175:1990, a qual estabelece que deve haver o controle dos gases emitidos pela queima dos resíduos. O landfarming é a incorporação de resíduos oleosos que não são passíveis de recuperação ao solo, em condições controladas e isoladas, para que seja feita a degradação de contaminantes perigosos, seguindo a norma ABNT NBR 13894:1997. A SOLIDIFICAÇÃO é um tratamento realizado em resíduos perigosos para mantê-los em suas formas menos solúveis ou menos tóxicas, melhorando as características físico-químicas para transporte e disposição �nal. Por �m, o coprocessamento é a aplicação do resíduo de um processo em outro processo, no qual ele possa se tornar matéria-prima, como a produção de energia ou pneus, em que há borracha a ser reaproveitada. Conhecer os resíduos, suas características, a fonte geradora e elaborar o melhor projeto de gestão de resíduos especiais é importante para preservar a qualidade do meio ambiente e a saúde de pessoas envolvidas no processo de produção. Videoaula: resíduos especiais Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Neste vídeo, você aprenderá um pouco mais sobre os resíduos especiais, ou seja, aqueles resíduos gerados em indústrias, hospitais e na construção civil. Entenderemos em quais circunstâncias e onde esses materiais são gerados, além de compreendermos como devem ser tratados antes da sua disposição �nal ambientalmente adequada. Falaremos sobre as leis e normas que regem a gestão de resíduos especiais, bem como sobre os potenciais impactos ao meio ambiente e à saúde do homem e dos animais. Espero que você aprenda bastante. Bons estudos! Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Saiba mais Con�ra o manual a seguir: um plano de gerenciamento de resíduos elaborado pelo Superior Tribunal de Justiça, o qual mostra os tipos de resíduos, suas classi�cações e legislações relacionadas a cada um deles. O texto indica, ainda, a melhor forma de tratamento para cada um dos materiais. Referências https://www.stj.jus.br/static_files/STJ/Institucional/Educa%C3%A7%C3%A3o%20e%20cultura/socioeducativo/plano_gerenciamento_residuos.pdfDisciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10004:2004: resíduos sólidos: classi�cação. Rio de Janeiro: ABNT, 2004a. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10157: aterro de resíduos perigosos: critérios para projeto, construção e operação: procedimentos. Rio de Janeiro: ABNT, 1987. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 12808:1993: resíduos de serviços da saúde: classi�cação. Rio de Janeiro: ABNT, 1993. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 15113:2004: resíduos sólidos da construção civil e resíduos inertes: aterros: diretrizes para projeto, implantação e operação. Rio de Janeiro: ABNT, 2004b. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 13894:1997: 13894: tratamento no solo (landfarming). Rio de Janeiro: ABNT, 1997. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 11175:1990: incineração de resíduos sólidos perigosos: padrões de desempenho. Rio de Janeiro: ABNT, 1990. ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada nº 306, de 7 de dezembro de 2004. Dispõe sobre o Regulamento Técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. Diário O�cial da União, Brasília, 22 dez. 2000. BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 22 fev. 2022. BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Comissão Nacional de Energia Nuclear. Norma CNEN NN 6.02: licenciamento de instalações radiativas. Dispõe sobre o licenciamento de instalações radiativas que utilizam fontes seladas, fontes não-seladas, equipamentos geradores Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS de radiação ionizante e instalações radiativas para produção de radioisótopos. Brasília: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, 2002. CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução Conama nº 416/2009. Dispõe sobre a prevenção à degradação ambiental causada por pneus inservíveis e sua destinação ambientalmente adequada, e dá outras providências. Brasília: Conselho Nacional do Meio Ambiente, 2009. CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução Conama nº 465/2014. Dispõe sobre os requisitos e critérios técnicos mínimos necessários para o licenciamento ambiental de estabelecimentos destinados ao recebimento de embalagens de agrotóxicos e a�ns, vazias ou contendo resíduos. Brasília: Conselho Nacional do Meio Ambiente, 2014. CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução Conama nº 450/2012. Altera os arts. 9º, 16, 19, 20, 21 e 22, e acrescenta o art. 24-A à Resolução nº 362, de 23 de junho de 2005, do Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama, que dispõe sobre recolhimento, coleta e destinação �nal de óleo lubri�cante usado ou contaminado. Brasília: Conselho Nacional do Meio Ambiente, 2012. CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 307, de 5 de julho de 2002. Estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil. Brasília: Conselho Nacional do Meio Ambiente, 2002. CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 05, de 05 de agosto de 1993. Brasília: Conselho Nacional do Meio Ambiente, 1993. CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 313, de 29 de outubro de 2002. Dispõe sobre o Inventário Nacional de Resíduos Sólidos Industriais. Brasília: Conselho Nacional do Meio Ambiente, 2002. CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 358, de 29 de abril de 2005. Dispõe sobre o tratamento e a disposição �nal dos resíduos dos serviços de saúde e dá outras providências. Brasília: Conselho Nacional do Meio Ambiente, 2005. CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 401, de 5 de novembro de 2008. Estabelece os limites máximos de chumbo, cádmio e mercúrio para pilhas e baterias comercializadas no território nacional e os critérios e padrões para o seu gerenciamento ambientalmente adequado, e dá outras providências. Brasília: Conselho Nacional do Meio Ambiente, 2008. MARTINI, A. A. Estudo de alternativa de valorização de resíduos de serviços de saúde advindos de processo de desinfecção por desativação eletrotérmica (ETD). 2016. 78 f. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Universidade de São Paulo, São Paulo. STJ. Superior Tribunal de Justiça. Plano de gestão de resíduos sólidos. Brasília: STJ, 2020. Disponível em: https://www.stj.jus.br/static_�les/STJ/Institucional/Educa%C3%A7%C3%A3o%20e%20cultura/so cioeducativo/plano_gerenciamento_residuos.pdf. Acesso em: 17 dez. 2021. SUBSTANCE Priority List. Agency for Toxic Substances and Disease Registry, 2011. Disponível em: http://www.atsdr.cdc.gov/spl/index.html. Acesso em:15 dez. 2021. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Aula 4 Recuperação de ambientes contaminados Introdução Olá, estudante! Elaborar um projeto de gestão de resíduos que considere as características desses materiais, sua classi�cação, separação, armazenamento, transporte, tratamento e disposição �nal adequada é essencial para evitar a contaminação do meio ambiente, solo, ar, bem como para proteger a saúde das pessoas e animais. Quando o plano de gestão não é bem formulado, não conta com um acompanhamento quanto à sua correta aplicação ou simplesmente não é feito, os impactos no meio ambiente são diversos. Devemos, portanto, conhecer as formas de mitigação e recuperação dos efeitos nocivos relacionados à contaminação da água ou do solo causada pela falta de tratamento ou pela disposição �nal inadequada de resíduos, como em lixões, por exemplo. É sobre isso que falaremos nesta aula. Bons estudos! Tratamento e disposição inadequada dos resíduos sólidos Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Todo tipo de resíduo, seja perigoso ou não perigoso, comum ou especial, deve receber atenção particular em todas as fases do seu ciclo de vida, a �m de evitar prejuízos ao meio ambiente e à saúde de homens e animais decorrentes da má gestão desses materiais. Portanto, deve haver um plano de gestão de resíduos que considere as particularidades de cada elemento e as etapas previstas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que são: não geração ou diminuição da geração dos resíduos; reutilização, quando for possível; reciclagem; reaproveitamento; separação; tratamento, seja para reutilizar o resíduo, seja para diminuir seu volume ou sua periculosidade; e a disposição �nal adequada (BRASIL, 2010). Quando há ausência ou falha de uma ou mais dessas importantes fases da gestão de resíduos, o impacto negativo será observado na saúde da população e na contaminação de ambientes onde os resíduos estão dispostos. Por isso, é importante conhecer os efeitos que podem ser gerados e saber remediar ou recuperar essas áreas infectadas pela presença de substâncias potencialmente causadoras de danos à saúde e ao meio ambiente. A contaminação pode ocorrer: pela disposição irregular de resíduos não tratados, contrariando as leis e normas vigentes; pela emissão de contaminantes por parte das indústrias, como os gases de efeito estufa; pela utilização de agrotóxicos acima do limite recomendado; além de outras atividades humanas que impactam o ambiente. Os três principais compartimentos da biosfera podem ser afetados, que são a água, o ar e o solo, elementos essenciais para a vida e que podem ter sua qualidade comprometida quando acumulam poluição. Contudo, a contaminação pode comprometer quaisquer áreas, instalações Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS ou edi�cações que receberem materiais (organismos patogênicos, substâncias tóxicas) em concentrações su�cientes para causar danos ao local e aos seres vivos do entorno. Quando um ambiente é contaminado, deve passar por um processo de remediação para que esteja livre da periculosidade potencial.Isso ajuda a evitar, também, que a contaminação se propague para outras regiões por meio de corpos hídricos e do ar. O principal responsável por tais contaminações é a disposição inadequada de rejeitos em lixões a céu aberto. No entanto, esse destino �nal foi proibido pela PNRS por ser potencialmente prejudicial aos corpos hídricos, ao ar e ao solo, em função da falta de impermeabilização, tratamento e cobertura dos resíduos dispostos. A contaminação ainda pode ocorrer pela armazenagem de substâncias tóxicas sem proteção, aplicação de insumos e defensivos agrícolas, vazamentos nas tubulações ao entorno de áreas industriais e residenciais, por causa da mineração e pela emissão de poluentes e gases de efeito estufa por parte de veículos de transporte e indústrias. A Decisão de Diretoria nº 256/2016 lista 85 substâncias contaminantes do solo e da água, dentre as quais estão os contaminantes orgânicos, como os hidrocarbonetos, e os inorgânicos, como os metais tóxicos, alcalinos e alcalinos terrosos, além de patógenos (CETESB, 2016). Conhecer as fontes de poluição e contaminação do ambiente é essencial para iniciar um plano de recuperação de áreas degradadas efetivo, seguindo as normas e leis vigentes. Recuperação de ambientes contaminados Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Para a recuperação de ambientes contaminados, é necessário conhecer as fontes e os tipos de contaminação, bem como sua área de abrangência. Depois de realizar os estudos do local a ser recuperado, escolhe-se uma forma de remediação em função da caracterização feita nas avaliações preliminares. O objetivo da remediação é minimizar ou eliminar o risco de contaminação de um determinado local por meio de estabilização física, química e/ou biológica, com base em diferentes métodos. As formas de remediação podem ser classi�cadas de várias maneiras, uma delas é pela área de execução da remediação ambiental: in situ ou ex situ. A remediação ambiental in situ compreende as técnicas executadas na área contaminada, garantindo economia e minimizando riscos de contaminações secundárias. A remediação ex situ envolve intervenções mais caras e demanda que seja feita uma escavação no local afetado para remoção e transporte dos resíduos contaminantes até o espaço de tratamento e/ou disposição �nal, como os aterros sanitários. Alguns exemplos de tratamento in situ são: A instalação de barreiras para contenção da contaminação e posterior retenção natural. A biorremediação, técnica que degrada resíduos, especialmente orgânicos e contaminantes, por meio da digestão de microrganismos. O bombeamento de resíduos e materiais contaminantes do solo e da água, impedindo a proliferação ou contaminações secundárias. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Os Processos Químicos Avançados (PQA), que degradam componentes tóxicos mediante a oxidação química. A solidi�cação, também chamada de estabilização, um processo físico-químico que remove ou imobiliza contaminantes, como os metais pesados do solo ou da água. A imobilização de metais, que os remove do solo e da água contaminados. A remoção ou extração de vapores do solo, feita com equipamentos que criam um vácuo para drenar e tratar vapores e gases tóxicos antes de devolvê-los à atmosfera. Dentre os sistemas de remediação ex situ, ou seja, nos quais há transporte dos resíduos e materiais contaminados, podemos citar: O envio de resíduos para o aterro sanitário, um local apropriado para a disposição �nal desses materiais e planejado para evitar contaminações. A técnica de biopilhas, uma estrutura construída em uma base impermeável para impedir a lixiviação e a contaminação do solo. Por meio do controle de aeração, umidade e nutrientes do solo, esse método busca reduzir a concentração de hidrocarbonetos a partir da degradação biológica. Também é possível citar a dessorção térmica, cuja intenção é diminuir ou eliminar completamente os hidrocarbonetos presentes no solo, como óleos e combustíveis, separando do solo os compostos voláteis presentes, com o uso de energia térmica. Alguns resíduos ainda podem ser aproveitados para a produção de energia ou de outras matérias-primas, como o cimento, em um procedimento chamado coprocessamento. Os resíduos, a água e os solos contaminados também podem ser recuperados por meio da incineração, da oxidação química com injeção de ozônio, da extração multifásica, que promove uma bioventilação a vácuo, eliminando compostos tóxicos, e do bombeamento dos líquidos e vapores tóxicos presentes no solo para posterior tratamento. Conhecer as técnicas de remediação de áreas contaminadas é importante para escolher a melhor forma de tratamento e elaborar um plano de recuperação de áreas degradadas efetivo. Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS A remediação de áreas contaminadas é a diminuição ou neutralização da contaminação de um local. Esse procedimento também deve seguir normas e leis vigentes, como a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981), que estabelece como princípio a recuperação de áreas degradadas, e a Resolução Conama nº 01/1986, que institui o PRAD como obrigatório no Estudo de Impacto Ambiental e no Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). Essa atividade é de�nida pela Resolução Conama nº 420/2009 como “uma das ações de intervenção para reabilitação de área contaminada, que consiste em aplicação de técnicas, visando a remoção, contenção ou redução das concentrações de contaminantes” (CONAMA, 2009, [s. p.]). Já o gerenciamento de áreas contaminadas é o conjunto de medidas planejadas e tomadas para minimizar a contaminação e evitar mais riscos, com o propósito de desenvolver um projeto efetivo. Deve seguir um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), que tem como objetivo estudar o ambiente afetado, os motivos e fontes da degradação, bem como planejar as melhores formas de recuperação, para que o espaço se torne o mais próximo possível de sua condição original. Normalmente, compreende as seguintes etapas: Avaliação inicial: fase de veri�cação inicial do local para avaliação da suspeita de contaminação e de quais são as possíveis causas dessa ocorrência. Caracterização: coleta de amostras de ar, solo e água para caracterizar e quanti�car o nível de contaminação, identi�car o alcance das áreas afetadas e realizar o levantamento do Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS histórico local. Investigação con�rmatória: veri�ca quais são as fontes de poluição e determinação do raio de contaminação no ambiente e se há contaminações secundárias. Análise de riscos: identi�ca detalhadamente potenciais riscos físicos, químicos e biológicos à saúde e ao meio ambiente para avaliar a necessidade de isolamento da área afetada. Planejamento de intervenção: momento de elaborar o projeto de remediação e promover os métodos de intervenção cabíveis para o tipo de degradação, a �m de que seja feita a mitigação e a remediação da área contaminada. Execução: realização das medidas de remediação da área contaminada, como isolamento do ambiente e transporte do material perigoso para tratamento. Manutenção: tratamento contínuo dos resíduos e adaptação da fonte geradora de materiais contaminantes para que a atividade passe a ser feita de forma adequada e segura ao meio ambiente e à saúde. Monitoramento: acompanhamento do ambiente recuperado para con�rmar resultados da remediação e evitar novas contaminações (ALMEIDA, 2016). O PRAD, inicialmente pensado para áreas de mineração, tornou-se obrigatório na Constituição de 1988, segundo a qual “Aquele que explorar recursos minerais �ca obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei” (BRASIL, 1988, [s. p.]). Posteriormente, o PRAD foi regulamentado pelo Decreto nº 97.632/1989 e, hoje, é parte integrante do processo de licenciamento ambiental, podendo, ainda, ser exigido após sanções ambientais administrativas em função dadegradação causada. A elaboração de um PRAD deve ser embasada em estudos sobre a área degradada e possíveis causas dessa ocorrência, além de seguir exigências mínimas instituídas pela Instrução Normativa nº 04/2011 do Ibama, como a descrição do objetivo da recuperação, da metodologia utilizada e das etapas de manutenção e de monitoramento. Além disso, o PRAD precisa ser produzido por um pro�ssional habilitado. Conhecer as etapas do Plano de Recuperação de Áreas Degradadas permite que você construa um projeto efetivo e seguro, bene�ciando o meio ambiente de forma mais adequada. Videoaula: recuperação de ambientes contaminados Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Vamos, agora, falar sobre as consequências da não elaboração de um plano de gestão de resíduos que considere todos os aspectos relacionados a proveniência, características, tratamento e disposição dos resíduos, bem como sobre os efeitos negativos gerados caso o plano seja mal aplicado, isto é, quando há ausência de acompanhamento e monitoramento, falta de um correto tratamento ou disposição �nal inadequada. Além disso, abordaremos a problemática dos lixões no Brasil e formas de recuperação de áreas contaminadas por meio de um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD). Bons estudos! Saiba mais Para aprofundar seus conhecimentos e aprender a elaborar um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), acesse a Instrução Normativa nº 04/2011 do Ibama, que estabelece os requisitos mínimos para a construção de um plano e�ciente. Caso queira complementar suas pesquisas, acesse, também, um ótimo resumo sobre os temas estudados nesta aula disponível no Guia de elaboração de planos de intervenção para o gerenciamento de áreas contaminadas, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). Referências https://www.ima.al.gov.br/gestao-florestal/plano-de-recuperacao-de-areas-degradadas-prad/ https://www.ipt.br/download.php?filename=1159-Guia___Gerenciamento_de_Areas_Contaminadas___1a_edicao_revisada.pdf https://www.ipt.br/download.php?filename=1159-Guia___Gerenciamento_de_Areas_Contaminadas___1a_edicao_revisada.pdf Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14001:2015: sistemas de gestão ambiental: requisitos e orientações para uso. Rio de Janeiro: ABNT, 2015. ALMEIDA, D. S. Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD). In: ALMEIDA, D. S. Recuperação ambiental da Mata Atlântica [online]. 3. ed. Ilhéus, BA: Editus, 2016, p. 140-158. Disponível em: https://static.scielo.org/scielobooks/8xvf4/pdf/almeida-9788574554402.pdf. Acesso em: 10 dez. 2021. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil [recurso eletrônico]. Brasília: Supremo Tribunal Federal, Secretaria de Documentação, 2019. Disponível em: https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/legislacaoConstituicao/anexo/CF.pdf. Acesso em: 10 dez. 2021. BRASIL. Decreto nº 97.632, de 10 de abril de 1989. Dispõe sobre a regulamentação do artigo 2°, inciso VIII, da Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 12 abr. 1989. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1980- 1989/d97632.htm. Acesso em: 10 dez. 2021. BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus �ns e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 2 set. 1981. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm. Acesso em: 10 dez. 2021. BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 10 dez. 2021. CETESB. Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. Decisão de Diretoria nº 256/2016/E. Dispõe sobre a aprovação dos “Valores Orientadores para Solos e Águas Subterrâneas no Estado Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS de São Paulo – 2016” e dá outras providências. Diário O�cial Estado de São Paulo, Caderno Executivo I (Poder Executivo, seção I), n. 126 (219), p. 55-56, 24 nov. 2016. CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 01, de 23 de janeiro de 1986. Dispõe sobre critérios básicos e diretrizes gerais para a avaliação de impacto ambiental. Brasília: Conselho Nacional do Meio Ambiente, 1986. CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 420, de 28 de dezembro de 2009. Dispõe sobre critérios e valores orientadores de qualidade do solo quanto à presença de substâncias químicas e estabelece diretrizes para o gerenciamento ambiental de áreas contaminadas por essas. Brasília: Conselho Nacional do Meio Ambiente, 2009. IBAMA. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Instrução Normativa no 4, de 13 de abril de 2011. Diário O�cial da União, Brasília, seção 1, n. 72, p. 100-103, 14 abr. 2011. MORAES, S. L.; TEIXEIRA, C. E.; MAXIMIANO, A. M. S. (Orgs.). Guia de elaboração de planos de intervenção para o gerenciamento de áreas contaminadas. São Paulo: IPT/BNDES, 2014. Disponível em: https://www.ipt.br/download.php?�lename=1159- Guia___Gerenciamento_de_Areas_Contaminadas___1a_edicao_revisada.pdf. Acesso em: 20 dez. 2021. PLANO de Recuperação de Áreas Degradadas – PRAD. Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas, 28 de jun. de 2017. Disponível em https://www.ima.al.gov.br/gestao-�orestal/plano-de- recuperacao-de-areas-degradadas-prad/. Acesso em: 10 dez. 2021. Aula 5 Revisão da unidade Técnicas de segregação, tratamento e recuperação de resíduos Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS O meio ambiente e a saúde de pessoas e animais são afetados pela produção de resíduos, de forma que estes, hoje gerados em grande volume, precisam passar por um gerenciamento segundo a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981), a �m de minimizar possíveis efeitos por eles causados. Para que um sistema de gestão de resíduos seja efetivo, é preciso diminuir a produção desses materiais desde o início do ciclo de vida do produto a partir da redução na fonte geradora, com o reaproveitamento, quando for possível, fazendo a recuperação e/ou reciclagem dos resíduos passíveis de reutilização e realizando a disposição �nal apenas dos resíduos restantes que não puderam ser minimizados nas ações anteriores, depois de uma etapa de tratamento para reduzir seu volume e periculosidade. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 1 | Classi�cação dos resíduos pela NBR 10004:2004. Fonte: adaptada de ABNT (2004). Depois da separação feita de forma correta, os resíduos devem seguir para a etapa de tratamento, que, de maneira controlada, altera as características desses materiais para minimizar a quantidade de rejeitos e sua periculosidade. Alguns processos de recuperação de resíduos são a compostagem de resíduos orgânicos, a biometanização, a incineração e a pirólise, para redução de volume e geração de energia, e o sistema mecânico-biológico. Após o tratamento, os rejeitos, aqueles que não puderam ser aproveitados, seguem para a disposição �nal adequada segundo a lei brasileira nº 12.305 de 2010 (PNRS), como os aterros sanitários e industriais (BRASIL, 2010). Depois de dispostos em aterros seguros, os rejeitos tendem a produzir subprodutos de sua decomposição, como o biogás, que contribui para o efeito estufa e deve ser capturado e tratado. Com a queima do biogás, é possível fazer o aproveitamento do vapor gerado para produção de energia térmica ou elétrica, operação que tem produtos como dióxido de carbono,20 vezes menos nocivo ao ambiente que o gás metano, originalmente produzido pela decomposição dos resíduos (OECO, 2014). Além dos resíduos comuns, temos os resíduos especiais, que são aqueles produzidos em locais como hospitais, indústrias e canteiros de obras na construção civil. Esses materiais são tratados separadamente, pois, além de sua periculosidade, também podem ser considerados especiais pelo grande volume gerado. Depois da classi�cação e antes da disposição �nal adequada dos rejeitos, ainda é possível reutilizar alguns componentes de certos tipos de resíduos por meio de um processo de valorização, como a reutilização e a reciclagem, a extração de metais para reaproveitamento e a Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS conversão em energia. Apenas após esses procedimentos, os rejeitos são enviados para a disposição �nal em aterros classe I, para materiais perigosos, são incinerados e passam por biorremediação ou landfarming. Quando há ausência ou falha de uma ou mais dessas importantes fases da gestão de resíduos, o impacto negativo será observado na saúde da população e na contaminação de ambientes onde os resíduos estão dispostos. Nesse caso, é preciso fazer a recuperação de espaços infectados com o objetivo de minimizar ou eliminar o risco de contaminação de um determinado local, por meio da estabilização física, química e/ou biológica com base em diferentes métodos. As formas de remediação são classi�cadas pela área de execução: in situ, quando a remediação ambiental é efetuada na área contaminada; ou ex situ, quando deve ser feita uma escavação no local afetado para remoção e transporte dos resíduos contaminantes até o espaço de tratamento e/ou disposição �nal, como os aterros sanitários. Conhecendo e aplicando todas as etapas da gestão de resíduos, você contribuirá para um mundo mais sustentável! Videoaula revisional da unidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Neste vídeo, revisaremos o conteúdo referente ao tratamento de resíduos. Vamos lembrar as características e a classi�cação dos resíduos comuns e especiais, segundo as normas vigentes, além de falarmos sobre o plano de gestão de resíduos sólidos e suas etapas, como a separação e o acondicionamento seguro de resíduos, os tratamentos disponíveis para reaproveitamento e minimização da periculosidade e o volume desses materiais antes da disposição �nal adequada. Contextualizaremos, ainda, as áreas contaminadas pela má gestão de resíduos e possíveis formas de recuperação. Bons estudos! Estudo de caso Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Uma usina do ramo sucroalcooleiro acaba de completar 60 anos na produção de açúcar. Foi fundada na década de 1960 por uma família, que ainda é proprietária do estabelecimento, e sempre foi gerida pelos membros, os quais não possuem formação no setor agroambiental. A empresa nunca se preocupou em elaborar um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) para minimizar os impactos gerados pela sua produção e distribuição de açúcar. Dos resíduos produzidos pela usina, apenas o bagaço da cana é aproveitado para geração de energia, mas outros resíduos, como a torta de �ltro, o melaço e a vinhaça, não são utilizados. Seu descarte sem tratamento, como é atualmente feito pela empresa, promove a emissão de biogás, que contribui para o efeito estufa. Como um Plano de Gestão de Resíduos Sólidos é indispensável para a manutenção da licença ambiental da usina, o novo diretor decidiu contratar um consultor ambiental a �m de elaborar um PGRS que já considere a problemática da emissão do biogás que poderia ser aproveitado, a logística reversa de suas embalagens de matéria-prima e de produto �nal, a qualidade de vida dos seus funcionários e da comunidade local e a recuperação do ambiente degradado no entorno da usina, em virtude da emissão de gases poluentes. Você, como consultor ambiental contratado, �cou responsável por levantar pontos importantes e propor medidas de adequação ambiental que futuramente poderão compor o PGRS da empresa. Sua missão é ajudar a imagem e a lucratividade da organização com seu projeto. _______ Re�ita Você já parou para pensar que os objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) foram desenvolvidos na intenção de buscar um mundo sustentável, social, ambiental e economicamente viável? Conhecer os 17 objetivos e saber aplicá- Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS los já é meio caminho andado para pensar em soluções direcionadas a empresas que têm algum tipo de problema ambiental! Videoaula: resolução do estudo de caso Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Tudo bem? Preparado para este desa�o pro�ssional? Vamos retomar o estudo de caso? Você é consultor ambiental de uma empresa do setor sucroalcooleiro e �cou responsável por levantar pontos positivos e negativos sobre a gestão de resíduos da empresa e propor medidas cabíveis para levar a companhia a uma gestão ambientalmente correta. A partir disso, foi pedido que você relacionasse pontos importantes e propusesse medidas de adequação ambiental que futuramente pudessem compor o PGRS da empresa. Diante disso, você pode identi�car, por exemplo, que a empresa não tem aproveitado todos os resíduos da produção de açúcar e que a disposição inadequada desses materiais tem gerado biogás, o que contribui para o efeito estufa. Algumas das medidas a serem propostas por você podem considerar os objetivos do desenvolvimento sustentável sugeridos pela ONU. Contemplando o ODS 2 – Fome zero e agricultura sustentável, você poderá criar iniciativas que cooperem para a sustentabilidade da sua plantação de cana, como a reutilização da palha para fertilização do solo. Com base no ODS 7 – Energia limpa e acessível e no ODS 12 – Ação contra a mudança global do clima, você pode pensar na queima do biogás para geração de energia com a emissão de gases menos poluentes. Outra oportunidade de melhoria na gestão sustentável da empresa é a inclusão de um projeto de logística reversa com o retorno e a destinação adequada para as embalagens de insumos comprados e produtos vendidos. Um projeto de educação ambiental é essencial para a sensibilização ambiental dos colaboradores, parceiros, fornecedores, clientes e comunidade. A estratégia mais importante, no entanto, é o aproveitamento dos resíduos gerados pela empresa com a captura e utilização do biogás para produção de energia e de combustíveis, bem como o reaproveitamento desses materiais na própria cadeia produtiva, de forma a diminuir os rejeitos e aumentar a lucratividade. Algumas opções são: uso do bagaço para geração de energia, produção de combustível, celulose e alimentação animal; da torta de �ltro, resíduo da �ltração mecânica, para fertilização; do melaço, produto do re�no de açúcar, para fabricação de álcool etílico; e da vinhaça, para alimentação animal e fertilização, visto que a produção gera, para cada tonelada de cana Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS processada, 280 kg de bagaço, 20 a 40 kg de torta de �ltro e de 40 a 60 kg de melaço (ALCARDE, 2008). Implementando todas essas estratégias, você poderá melhorar o processo produtivo da empresa, além de diminuir os passivos ambientais gerados! Resumo visual Olá, estudante! Quanta informação, não é? Para assimilar todo esse conhecimento de maneira mais efetiva, veja o infográ�co a seguir, que resume três das etapas mais importantes da gestão de resíduos comuns e especiais: a classi�cação, o tratamento, para reaproveitamento, diminuição do volume ou periculosidade, e a disposição �nal adequada. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPASE TRATAMENTO DE RESÍDUOS Referências Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10004:2004: resíduos sólidos: classi�cação. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. ALCARDE, A. R. Árvore do conhecimento: cana-de-açúcar. Ageitec, 20 set. 2008. Disponível em: https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/cana-de- acucar/arvore/CONTAG01_108_22122006154841.html. Acesso em: 22 fev. 2022. BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 3 ago. 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 22 fev. 2022. GASES do efeito estufa: dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4). ((o))eco, 30 abr. 2014. Disponível em: http://www.oeco.org.br/dicionario-ambiental/28261-gases-do-efeito-estufa- dioxido-de-carbono-co2-e-metano-ch4/. Acesso em: 22 fev. 2022.alimentos, sabemos que ocorre a geração de passivos ambientais, como os resíduos, e�uentes e emissões atmosféricas no ambiente Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS empresarial. No entanto, o transporte, o uso de energia, água ou até mesmo a área ocupada pela agricultura alteram signi�cativamente o meio, in�uenciando, dessa forma, a biocapacidade do ambiente em que vivemos. Na implementação de inovações, como reúso da água, substituição de fontes de energia fósseis por renováveis e melhoria de processos, estamos contribuindo para a amenização do uso de recursos naturais. Carvalho (2017) elenca os principais pontos que são levados em consideração no cálculo da pegada ecológica: Alimentação: a crescente demanda por alimentos faz com que haja a expansão de áreas agricultáveis, as quais alteram o ecossistema. Moradia: nesse contexto, engloba-se toda a infraestrutura necessária para a ocupação humana, a qual é responsável pela alteração da paisagem e impermeabilização do solo. Bens de Consumo: todo produto que é concebido exige o uso de recursos naturais em maior ou menor escala. Energia: toda atividade necessita de energia para que os processos ocorram. Com isso, a demanda por esse recurso é cada vez mais signi�cativa. Transporte: temos um percentual relevante de meios de transporte que utilizam combustíveis fósseis, acarretando impactos signi�cativos (Figura 3). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 3 | Variáveis que in�uenciam a pegada ecológica. Fonte: Becker et al. (2012, p. 33). O entendimento de todo esse processo favorece a proposição de alternativas. Por exemplo, pensando em estratégias de educação ambiental dos funcionários e treinando-os quanto a pequenas iniciativas no ambiente empresarial, é possível melhorar a pegada ambiental de uma organização. Isso também é válido para nosso cotidiano: você pode tentar diminuir sua pegada a partir da adoção de pequenos hábitos, como separar o lixo, preferir caminhar em vez de usar automóveis, não comprar produtos desnecessários, entre outras possibilidades. Além disso, a utilização de materiais alternativos também é uma excelente opção. Na indústria da construção civil, inúmeras são as iniciativas já implementadas, as quais apresentam uma excelente viabilidade técnica e econômica. Quer conhecer algumas? A telha e o tijolo ecológicos são produtos manufaturados a partir da reutilização de recicláveis de alumínio e �bras naturais. Por isso, apresentam um custo menor do que os demais, sendo leves, o que permite o manuseio fácil, e otimizam o conforto térmico de uma residência, visto que re�etem com maior efetividade a luz solar. As empresas que utilizam embalagens plásticas estão optando cada vez mais por recipientes advindos de materiais alternativos, uma vez que, dessa forma, é possível diminuir a pegada ambiental de uma organização. Por exemplo, canudos de plástico estão caindo em desuso, tendo como solução alternativa o uso de materiais como o metal ou o papel, que geram menor impacto ambiental. Dessa forma, é fundamental pensar em soluções tecnológicas e materiais alternativos, uma vez que isso pode ser um diferencial de sua organização perante o mercado. Bons estudos! Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Videoaula: pegada ambiental Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Você já parou para pensar em como nossos hábitos fazem a diferença na qualidade e disponibilidade dos recursos? Se nós impactamos o meio, imagine só as indústrias? Pensando nisso, você aprenderá a respeito da pegada ecológica, veri�cando como esse conceito está alterando os ambientes organizacionais. Abordaremos a possibilidade de utilização da educação ambiental e de fontes de materiais alternativos. Ficou curioso? Não deixe de aplicar tais conceitos em sua vida pessoal e pro�ssional! Saiba mais Quantos planetas são necessários para que você mantenha seu ritmo de consumo? Para descobrir a resposta, utilize a calculadora de pegada ecológica, que, por meio da identi�cação de seus hábitos cotidianos, demonstrará seu impacto no meio. Ficou curioso? http://www.pegadaecologica.org.br/ Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Referências BECKER, M. et al. (Coords.). A pegada ecológica de São Paulo – Estado e capital e a família de pegadas. Brasília: WWF-Brasil, 2012. Disponível em: https://wwfbr.awsassets.panda.org/downloads/pegada_ecologica_de_sao_paulo.pdf. Acesso em: 9 dez. 2021. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil [recurso eletrônico]. Brasília: Supremo Tribunal Federal, Secretaria de Documentação, 2019. Disponível em: https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/legislacaoConstituicao/anexo/CF.pdf. Acesso em: 6 dez 2021. BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a política nacional de resíduos sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 1 dez. 2021. CARVALHO, I. C.M. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2017. DEMAJOROVIC, J.; LIMA, M. Cadeia de reciclagem: um olhar para os catadores. São Paulo: Senac-SP, 2019. DIAS, G. F. Pegada ecológica e sustentabilidade humana. São Paulo: Global Editora e Distribuidora LTDA, 2015. PANORAMA dos Resíduos Sólidos no Brasil – 2021. Abrelpe, 7 dez. 2021. Disponível em: https://abrelpe.org.br/panorama/. Acesso em: 9 dez. 2021. PEGADA ecológica? O que é isso? WWF, 8 abr. 2011. Disponível em: https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/o_que_e_pegada_ecolo Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS gica/. Acesso em: 6 dez. 2021. REIGOTA, M. Ecologia, elites e intelligentsia na América Latina: um estudo de suas representações sociais. São Paulo: Annablume, 1999. SANTOS, S. A. M.; RUFFINO, P. H. P. Proposta do programa de educação ambiental (introdução). In: SCHIEL, D. et al. (Orgs.). O estudo de bacias hidrográ�cas: uma estratégia para educação ambiental. 2. ed. São Carlos: Rima, 2003, p. 9-13. WWF. World Wildlife Fund. Pegada ecológica, 4 jun. 2008. Disponível em: http://www.pegadaecologica.org.br/. Acesso em: 6 dez. 2021. Aula 3 Tecnologias limpas em processos industriais Introdução No nosso dia a dia, consumimos muitos produtos advindos das indústrias, seja aquele alimento favorito, os objetos de vestuário, os materiais utilizados na construção civil ou até mesmo o combustível que permite nossa locomoção. Você já imaginou se, por acaso, comprasse seu chocolate favorito, mas ele sempre apresentasse um sabor diferente de acordo com a data da compra? Isso seria um problema, não é mesmo? Justamente por isso, é extremamente Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS importante termos processos industriais mapeados em uma organização, pois dessa forma conseguimos garantir a preservação das características e da qualidade dos produtos. Diante disso, utilizam-se inúmeras ferramentas de mapeamento de processos para que seja possível investigar as falhas desses sistemas, possibilitando, assim, sua otimização e contribuindo não só para a melhoria das características de determinado produto, mas também para a economia de recursos naturais. Não deixe de entender este conteúdo, pois ele será fundamental para sua atuação pro�ssional! Bons estudos! O que são processos industriais? Os processos industriais estão presentes no nosso dia a dia. Mas o que são processos? Uma de�nição básica trazida por Gayer (2020) nos diz que processos podem ser entendidos como um conjunto de operações, as quais são responsáveis pela modi�cação das características da matéria-prima, visando transformá-la em um produto. Dessa forma, entender como funcionam os processos industriaisé fundamental, uma vez que assim conseguimos identi�car as falhas e as oportunidades de melhorias dentro de uma organização. Nesse contexto, também vale ressaltar um aspecto importante: diferentes segmentos organizacionais podem compor processos distintos, os quais, muitas vezes, não são divulgados em virtude do sigilo industrial. De maneira simpli�cada, podemos entender os Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS processos industriais direcionando o foco a três etapas especí�cas: a entrada, a transformação e a saída. Na entrada, que são os inputs, consideramos a matéria-prima e os insumos, ou seja, os componentes auxiliares do processo (água, energia elétrica e outros), sendo possível acrescentar características ou somente compor o processo industrial, as informações necessárias para o funcionamento do processo, os documentos que o compõem, entre outros dados. Na transformação, ocorre o processamento das matérias-primas ou serviço que sairão do processo (output) como produto �nal. Assim, a qualidade do produto �nal está diretamente relacionada às condições da matéria-prima e do processo e, por isso, é fundamental mapear, mensurar e controlar os processos (Figura 1). Figura 1 | Esquema simpli�cado de um processo. Fonte: elaborada pela autora. Mas será que é só na transformação de materiais e insumos em produtos que temos processos? Não! De acordo com Toledo et al. (2017), os processos fazem parte de toda a organização, estando presentes, inclusive, nas decisões gerenciais. Por isso, o autor classi�cou os processos em primários, de suporte e gerenciais. Os processos primários estão relacionados à produção dos produtos ou serviços entregues ao cliente. Já os processos de suporte são aqueles que administram os recursos para que os primários funcionem de maneira coerente. Por �m, os processos gerenciais estão ligados à própria tomada de decisão da empresa ou setor. Os processos industriais se caracterizam por sua natureza repetitiva. Assim, é necessário entender e mapear o processo, cujo objetivo é garantir o padrão de qualidade dos produtos ou serviços e sua melhoria contínua, a satisfação do cliente e as boas práticas ambientais. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Tal fato é tão importante que temos normas e legislações internacionais que utilizam o conceito de processo na dinâmica gerencial da empresa, como a International Organization for Standardization (ISO). De acordo com a norma ISO 9000 de 2015, o processo é de�nido como “conjunto de atividades inter-relacionadas ou interativas que utilizam entradas para entregar um resultado pretendido” (ABNT, 2015, [s. p.]). Dessa forma, os processos de gestão devem ser implementados para atender às exigências internacionais e aos consumidores cada vez mais exigentes. Todo o processo de gestão de uma organização precisa ser formalizado e, dessa forma, em sua atuação pro�ssional, você poderá se deparar com normas, documentações, �uxogramas ou até mesmo ferramentas de mapeamento de processos. Logo, entender esses conceitos poderá lhe auxiliar em uma futura atuação pro�ssional. Como podemos mapear o processo de uma empresa? Você já ouviu falar do ciclo PDCA? Essa ferramenta de gestão, concebida por Shewhart e difundida por Deming, busca a melhoria contínua em processos, sendo amplamente aplicada. Basicamente, ela consiste na implementação de melhorias por etapas, procurando primeiramente planejar (Plan), executar (Do), checar (Check) se o processo está funcionando de maneira coerente e agir (Act), melhorando os pontos falhos ou difundindo estratégias que contribuam para o aprimoramento do processo (BRITTO, 2016) (Figura 2). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 2 | Ciclo PDCA. Fonte: Tribunal de Contas do Estado do Paraná (2020). Contudo, para que possamos utilizar todos esses conceitos relevantes, inicialmente precisamos conhecer o processo. Diante disso, podemos usar ferramentas de mapeamento de processos. Mas o que é o mapeamento? De acordo com Toledo et al. (2017), essa estratégia consiste na identi�cação de todas as etapas relacionadas a um processo, buscando entender suas especi�cidades, materiais e demais recursos necessários para o bom funcionamento do sistema. Dentre as possíveis ferramentas, destacamos os �uxogramas (Figura 3), que são uma forma simples de representar a realização de qualquer tarefa no ambiente empresarial. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 3 | Desenho esquemático representando um �uxograma de processo. Fonte: Peinado e Graeml (2007, p. 151). Visando facilitar o entendimento, simbologias são utilizadas para se referir a cada etapa, permitindo analisar o tempo, os recursos, os responsáveis pela fase em questão e toda a Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS dinâmica da organização na concepção de determinado produto ou serviço (Figura 4). A adoção de um padrão de símbolos concede aos gestores mais agilidade na compreensão dos processos. Principais simbologias adotadas em �uxogramas de processo. Fonte: Peinado e Graeml (2007, p. 539). No entanto, não basta apenas conhecer o processo, também é necessário buscar a construção de indicadores que realmente demonstrem seu funcionamento coerente. Além disso, quando se busca a adequação ambiental, é possível a elaboração de processos que levem em consideração o uso dos recursos naturais, os quais devem compor o �uxograma de entrada e saída. Como exemplo, temos a utilização da água, um importante insumo industrial que pode ser incorporado em qualquer etapa do processo, visto que é considerado uma matéria-prima auxiliar que, posteriormente, poderá sair parcialmente do processo como e�uente industrial. Mas como saber se um processo está funcionando de maneira adequada? É nesse momento que podemos utilizar indicadores, os quais ajudam a empresa a cumprir seus objetivos, uma vez que mensuram resultados da e�ciência dos processos, subsidiando, assim, a tomada de decisão acerca de determinada falha ou a identi�cação de potenciais melhorias. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Quadro 1 | Exemplos de indicadores que podem ser utilizados nas organizações. Fonte: adaptado de Corrêa e Corrêa (2006, p. 60). Entender os processos e propor indicadores são ações que poderão contribuir para a melhoria da produção, direcionando o foco à compatibilização dos recursos econômicos com boas práticas ambientais. Dedique-se e seja um excelente gestor! Otimização de processos industriais Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS O entendimento do processo industrial de uma organização é o ponto de partida para a possibilidade de proposição de melhorias. Vale lembrar que quando falamos em tecnologias limpas e otimização de processos, também estamos buscando promover lucros à organização. Por exemplo, se conseguirmos diminuir o uso da água em um processo, não existem apenas benefícios ambientais, mas também econômicos, uma vez que a empresa paga pelo recurso hídrico consumido. Mas por onde começar? É nesse momento que se torna ainda mais imprescindível entender o processo industrial. A partir da elaboração de �uxogramas, conseguimos veri�car possibilidades de mudanças, as quais poderão ser atrativas para a organização (Figura 5). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 5 | Exemplo de alguns pontos que podem ser analisados a partir de �uxogramas de processos. Fonte: Peinado e Graeml (2007, p. 541). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Para que possamos propor qualquer melhoria, é necessário conhecer profundamente os problemas associados. Para tanto, podemos utilizar algumas ferramentas de gestão da qualidade, como diagrama de causa e efeito, histograma, análise de Pareto, diagrama de dispersão, entre outras inúmeras alternativas. Falando especi�camente a respeito dos recursos naturais em processos, uma ferramenta interessante é a associação dos �uxogramas com as entradas e saídas dos recursosnaturais e passivos ambientais. A Figura 6, a seguir, apresenta um �uxograma das etapas do processamento industrial de uma indústria de papel e celulose. Figura 6 | Fluxograma simpli�cado de entradas e saídas de uma indústria de papel e celulose. Fonte: Nicolao (2018, p. 81). Muitas vezes, é possível identi�car, nos �uxogramas, os passivos ambientais gerados no processo, como os resíduos advindos do corte da madeira e as emissões de material particulado em uma indústria de móveis de madeira. Dessa forma, é possível propor um sistema de tratamento das emissões atmosféricas e a destinação adequada dos resíduos. Com isso, a otimização do desempenho de unidades produtivas se associa à economia de recursos naturais. Nesse sentido, algumas das soluções que podem ser incorporadas nas atividades industriais estão listadas a seguir: Reúso dos recursos naturais: é crescente a adaptação de processos que permitem a recirculação da água. Nesse caso, ocorre a economia de recursos naturais e a melhoria de processos. Assim, é gerada uma menor quantidade de e�uentes, diminuindo o uso das Estações de Tratamento de E�uentes. Substituição de combustíveis: o uso de combustíveis não renováveis aumenta os passivos ambientais da organização. Dessa forma, é possível substituí-los por fontes renováveis, como os biocombustíveis. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Adesão a energias alternativas: não só processos consomem energia, mas a organização como um todo. Logo, soluções que invistam em energia fotovoltaica e eólica são estratégias para diminuir o custo com o funcionamento da empresa. Materiais alternativos: podem ser advindos da reciclagem ou do uso de polímeros naturais. Diminuem a geração de resíduos e podem minimizar os gastos relacionados à aquisição de matéria-prima. Uso de equipamentos adequados: dispositivos que possuam melhor e�ciência energética podem contribuir para o aprimoramento de processos. Assim, é possível propor a substituição de equipamentos de acordo com as características da empresa. Existem outras inúmeras soluções alternativas. Desse modo, o primeiro passo é entender o processo e suas especi�cidades, identi�car as falhas e não conformidades e, a partir disso, implementar soluções, as quais devem estar pautadas não apenas no fator econômico, mas também na esfera ambiental e social. Entendendo como mapear processos, as possíveis ferramentas e algumas soluções tecnológicas, você estará apto para fazer a diferença no ambiente empresarial, visto que são habilidades exigidas em toda organização que busque a conformidade legal e as certi�cações ambientais. Bons estudos! Videoaula: tecnologias limpas em processos industriais Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Os processos existem em toda e qualquer empresa. No vídeo a seguir, você aprenderá sobre os principais conceitos relacionados à elaboração de �uxogramas de processos. Com essas informações valiosas, entenderemos como podemos implementar estratégias de otimização nas organizações, buscando sempre adequá-las às exigências legais das esferas ambiental e econômica. Assim, você estará apto a aplicar tais conceitos em uma empresa e se destacar no mercado de trabalho! Sucesso! Saiba mais Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS A adequação ambiental de empresas pode ocorrer a partir da implementação de soluções alternativas para a economia de recursos naturais em vários processos industriais. Nesse sentido, um estudo realizado por Paiva e Maria (2018) buscou analisar a gestão e o reaproveitamento dos resíduos na indústria sucroalcooleira. Referências http://revista.ecogestaobrasil.net/v5n9/v05n09a10a.html Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 9000: sistema da qualidade: diretrizes para seleção e uso. Rio de Janeiro: ABNT, 2015. BRITTO, E. Qualidade total. São Paulo: Cengage, 2016. CICLO PDCA. Tribunal de Contas do Estado do Paraná, 21 jan. 2020. Disponível em: https://www1.tce.pr.gov.br/conteudo/ciclo-pdca/235505/area/46. Acesso em: 15 dez. 2021. CORRÊA, H. L.; CORRÊA, C. Administração de produção e operações: manufatura e serviços: uma abordagem estratégica. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2006. GAYER, J. A. C. A. Gestão da qualidade total e melhoria contínua de processos. Curitiba: Contentus, 2020. NICOLAO, F. Proposição e implantação de melhorias de processo com base no método MASP: estudo de caso em uma indústria de papel e celulose do estado do Paraná. O Papel, v. 79, n. 3, p. 79-84, mar. 2018. Disponível em: http://www.revistaopapel.org.br/noticia- anexos/1523340672_492b34cd979ca7e0a7392c29b102f40d_2131385090.pdf. Acesso em: 15 dez. 2021. PAIVA, F. F. G. de; MARIA, V. P. K. de. Gestão ambiental de resíduos industriais: análise de gestão e reaproveitamento de resíduos da indústria sucroalcooleira. Revista Brasileira de Gestão Ambiental e Sustentabilidade, v. 5, n. 9, p. 157-166, 2018. Disponível em: http://revista.ecogestaobrasil.net/v5n9/v05n09a10a.html. Acesso em: 12 dez. 2021. PEINADO, J.; GRAEML, A. Administração da produção: operações industriais e de serviços. Curitiba: UnicenP, 2007. TOLEDO, J. C. de et al. Qualidade gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Aula 4 Gestão ambiental nas empresas Introdução A legislação ambiental é fundamental para a regulação das atividades humanas. Imagine se não existissem padrões de lançamento de e�uentes, de qualidade da água ou de qualidade do ar? Com certeza teríamos uma incidência muito maior de doenças, bem como impactos ambientais e sociais imensuráveis! Justamente por isso, é fundamental que as empresas sigam tais padrões, que são condicionantes do licenciamento ambiental e do alvará de atividades no Brasil. Além dos mecanismos legais obrigatórios, as empresas também podem aderir às certi�cações, que são de adesão voluntária e buscam melhorar processos e colaborar com a preservação dos recursos. Nesse contexto, destaca-se o conjunto de normas ISO 14000 que estabelecem o Sistema de Gestão Ambiental (SGA). As empresas que aderem a essas estratégias, além de expandir sua área de atuação, também demonstram aos consumidores seu compromisso ambiental. Não deixe de se aprofundar nessa temática tão importante nos dias atuais. Bons estudos! Gestão ambiental nas organizações Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Dentre as inúmeras exigências para a instalação de uma empresa, destaca-se a questão da legislação ambiental. Você sabia que antes mesmo de um empreendimento se instalar em um lugar, ele deve passar por licenciamento ambiental? É justamente para se adequar aos mecanismos legais vigentes que precisamos conhecê-los. A primeira legislação de importância signi�cativa é a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), regida pela Lei nº 6.938/1981. Tal fundamento legal marcou uma nova era na esfera ambiental brasileira, subsidiando, inclusive, a criação de um capítulo especí�co relacionado ao meio ambiente na Constituição Federal de 1988. A PNMA (Figura 1) trouxe inúmeros instrumentos que são muito utilizados no planejamento e gestão ambiental, tal como a instituição de padrões de qualidade, zoneamento ambiental, avaliação de impactos ambientais, licenciamento ambiental, entre outras disciplinas de extrema relevância (BRASIL, 1981). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 1 | Estrutura da Política Nacional do Meio Ambiente. Fonte: adaptada de Brasil (1981). Na PNMA, é estabelecido o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), que é o conjunto de órgãos públicos pautados na preservação dos ecossistemas, de�nindo, inclusive, os responsáveis pela �scalização ambiental (BRASIL, 1981). Considerando as empresas, temos a atuação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) na criação dospadrões de qualidade ambiental e dos órgãos seccionais, tanto estaduais como municipais, que atuam na �scalização das atividades que possam ocasionar impactos ambientais. Com relação à �scalização, um instrumento administrativo é o licenciamento ambiental, que busca fazer com que a organização identi�que seus impactos ambientais e proponha soluções mitigadoras. Assim, a Resolução Conama nº 001/1986 estabelece o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), documentos exigidos para empreendimentos que possuem o elevado potencial de ocasionar impactos ambientais, como mineradoras, hidroelétricas e linhas de transmissão. Já o procedimento administrativo de licenciamento é trazido pela Resolução Conama n° 237/1997, que, dentre as informações pertinentes, denota sobre as etapas desse procedimento e, no seu Anexo I, sobre os empreendimentos sujeitos ao licenciamento. Para as atividades que não possuem o potencial de ocasionar impactos ambientais signi�cativos, temos o licenciamento simpli�cado, que pode ser realizado por órgãos municipais ou estaduais, dependendo da localização da empresa e de suas especi�cidades (Figura 2). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 2 | Processo de licenciamento ambiental. Fonte: Araújo (2017, p. 59). Além das licenças, outros mecanismos legais precisam ser cumpridos e, nesse contexto, vale pesquisar as legislações às quais o empreendimento está condicionado. Geralmente, o cumprimento das normas legais está associado aos passivos que a empresa gera (emissões atmosféricas, e�uentes, resíduos, uso da água) (Quadro 1). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Quadro 1 | Principais mecanismos legais na esfera federal que podem ser exigidos nas empresas. Fonte: elaborado pela autora. Com isso, sempre busque saber sobre a legislação aplicável a seu empreendimento, uma vez que o não cumprimento das normas acarreta penalidades, como determina a Lei de Crimes Ambientais. Com certeza, em algum momento de sua atuação pro�ssional, você precisará consultar as leis, então não deixe de se aprofundar no assunto! Certi�cações ambientais e a adequação ambiental das empresas Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS A gestão ambiental é um conceito que apresenta expansão, uma vez que busca compatibilizar as esferas ambientais, sociais e econômicas. Dessa forma, inúmeras são as vantagens de se implementar essa estratégia nas empresas (Figura 3). Figura 3 | Benefícios da gestão ambiental nas empresas. Fonte: elaborada pela autora. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Para que esse conceito seja incorporado em uma empresa, primeiramente é importante entender os passivos ambientais que essa organização apresenta a partir da Avaliação de Impactos Ambientais (AIA). Tal ferramenta pode ser incorporada ao entendimento do processo industrial, principalmente utilizando o �uxograma de entradas e saídas. Depois disso, é a hora de pensar em melhorar a e�ciência dos processos. Tudo isso pode ser ainda mais vantajoso quando se pensa em incorporar um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) na organização. Você já ouviu falar sobre ele? Os Sistemas de Gestão Ambiental (SGAs) permitem a descrição e formalização dos processos operacionais de uma organização, facilitando o monitoramento dos impactos causados sobre o ecossistema. Valle (2002) descreve o SGA como um conjunto de medidas e procedimentos com os quais é possível identi�car e controlar os impactos ambientais gerados no exercício da atividade. Esse formato incentiva a melhoria contínua dos processos, visando à prevenção da poluição e ao menor consumo de recursos, viabilizando, assim, a construção de uma interação sociedade/ambiente mais sustentável. O SGA é regido pela norma ISO 14001/2015, que é de adesão voluntária. No entanto, por causa das inúmeras pressões relacionadas ao mercado de exportação, é crescente a busca por certi�cações ambientais. Com isso, para que a empresa se certi�que, é importante se atentar à possibilidade de mudança de sua estrutura organizacional, de�nindo responsabilidades, planejando ações e modi�cando processos onerosos. A empresa também precisará destinar recursos para que o SGA seja implementado (Figura 4). Figura 4 | Etapas para a incorporação do Sistema de Gestão Ambiental na empresa. Fonte: elaborada pela autora. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS De acordo com a ABNT NBR ISO 14001:2015, os requisitos do Sistema de Gestão Ambiental a serem implantados e seguidos são: Requisitos Gerais (de�nição e documentação do escopo do SGA); Planejamento (objetivos, metas e programas); Implementação e Operação (controle de documentação operacional, resposta à emergência, recursos, de�nição de responsabilidades e competências); Veri�cação (controle de registros, auditoria interna e propostas de correção em caso de não conformidades); e Análise pela Administração (de�ne que a alta administração deve assegurar a e�cácia do SGA) (ABNT, 2015a). Todo esse processo é pautado na melhoria contínua, ou seja, não é porque uma empresa possui certi�cação que ela não precisará mais adequar seu sistema ou melhorá-lo frequentemente, a�nal sempre podemos otimizar processos e adequá-los às demandas relacionadas à economia, à saúde e ao meio ambiente. Ao implementar um SGA, a empresa também poderá integrá-lo a outros sistemas, como o da qualidade (ISO 9001/2015) e de segurança do trabalho. Vale ressaltar que a certi�cação só ocorre a partir da contratação de uma auditoria externa, a qual precisa estar credenciada junto ao Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), que é o órgão responsável pelas auditorias no Brasil. Diante da alta demanda por soluções na área ambiental, entender o processo de certi�cação poderá destacar você no mercado de trabalho. Não deixe de utilizar este material e aprofundar os conceitos trazidos nesta etapa de aprendizagem. Bons estudos! Como incorporar a gestão ambiental nas empresas? Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Para que uma empresa obtenha a certi�cação, ela deverá atender a todos os requisitos citados na ISO 14001/2015 (ABNT, 2015). As normas ISO baseiam-se no ciclo do PDCA (Figura 5). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 5 | Ciclo do PDCA e a ISO 14001/2015. Fonte: ABNT (2015a, p. 10). Nesse contexto, é fundamental que a cultura de mudança seja expandida para toda a organização, uma vez que o engajamento dos funcionários e o comprometimento da alta direção trarão melhores resultados. Mas por onde começar? O primeiro passo para a implementação do SGA é criação da política ambiental da empresa, que reforça a responsabilidade com a melhoria contínua, o atendimento à legislação e o controle da poluição. A política deve ser escrita com linguagem clara, sendo amplamente divulgada. A partir disso, ocorre o planejamento, que estabelece os objetivos, metas e programas a serem alcançados pela organização (Figura 6). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 6 | Diferença entre objetivo, meta e programa. Fonte: elaborada pela autora. Nessa etapa, é importante estabelecer objetivos e metas alcançáveis. De nada adianta sugerir uma grande mudança de processos se a organização não possui estrutura para isso. O planejamento é o aspecto mais importante para o bom funcionamento do SGA, uma vez que a partir dele é que são executadas as demais fases. Depois de pensarmos em todos os detalhes, chega a hora de executar tudo o que foi proposto. No estágio de implementação e operação, é fundamental de�nir o controle dos documentos, como o licenciamento ambiental, alvarás e procedimentos operacionais. Além disso, a empresa precisará traçar planos de resposta à emergência e de�nir responsabilidades e competências. Fazendo analogia ao ciclo do PDCA, qual é a etapa que vem após a fase de execução? É o estágio de veri�cação! É nesse momento que a empresa precisa checar se tudo está funcionandocorretamente e, caso algo não esteja em conformidade, é possível pensar em soluções corretivas. Durante essa etapa, pode ser necessária a execução de auditorias internas, que são procedimentos que buscam veri�car se a empresa está atendendo a um documento de referência – nesse caso, a ISO 14001/2015 (ABNT, 2015a). O processo também precisa ser analisado pela administração, setor responsável por garantir que o SGA realmente está sendo efetivo no controle de passivos ambientais e na otimização dos processos. Se todos esses elementos estiverem funcionando de forma adequada, chega a hora de escolher a empresa certi�cadora e pagar uma auditoria externa, a qual é realizada por órgãos credenciados. Nesse procedimento, a empresa poderá angariar seu certi�cado de SGA ou ter seu sistema reprovado, de modo que será necessário arcar com alterações e o pagamento de uma nova auditoria (Figura 7). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 7 | Implementação de um Sistema de Gestão Ambiental. Fonte: elaborada pela autora. Vale ressaltar que auditorias externas são onerosas. Logo, a organização deve realmente ter implementado a cultura de melhoria contínua, atendendo a todos os requisitos para que não haja possibilidade de reprovação do sistema. O uso de auditorias internas pode favorecer o preparo da organização. Recomenda-se, inclusive, sua execução a cada seis meses para veri�car a efetividade do sistema sugerido. O processo de certi�cação está delineado na Figura 8, a seguir. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 8 | Etapas da certi�cação pautada na ISO 14001/2015. Fonte: elaborada pela autora. Atender às exigências legais e do mercado é um grande desa�o para as empresas de todos os tamanhos e segmentos. Entendendo os conceitos, você pode promover a mudança no ambiente empresarial. Bons estudos! Videoaula: gestão ambiental nas empresas Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Qual a relação da legislação ambiental com a adequação ambiental de empresas? Neste vídeo, você entenderá os mecanismos legais vigentes na esfera ambiental que podem ser aplicados visando à compatibilização do uso dos recursos naturais. Além disso, você conhecerá a ISO 14001/2015, que dispõe sobre o Sistema de Gestão Ambiental. Ficou curioso? Aproveite o conteúdo desenvolvido especialmente para você! Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Saiba mais Apesar de termos legislações especí�cas pautadas no licenciamento ambiental, esse procedimento administrativo pode se diferenciar de acordo com as diretrizes adotadas para cada estado ou município. Pensando em solucionar tal problemática, o Ministério do Meio Ambiente elaborou um manual de licenciamento ambiental, que explica sobre as diretrizes adotadas em cada estado. Ficou curioso? Leia quais são as medidas implementadas em seu estado. Referências http://pnla.mma.gov.br/images/2018/08/VERS%C3%83O-FINAL-E-BOOK-Procedimentos-do-Lincenciamento-Ambiental-WEB.pdf Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14001:2015: sistemas de gestão ambiental: requisitos e orientações para uso. Rio de Janeiro: ABNT, 2015a. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 9000: sistema da qualidade: diretrizes para seleção e uso. Rio de Janeiro: ABNT, 2015b. ARAÚJO, D. Educação no processo de licenciamento ambiental: uma re�exão sobre o setor de mineração em Goiás. 2017. 119 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Geociências, Campinas, SP. Disponível em: http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/322025. Acesso em: 13 dez. 2021. BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus �ns e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 2 set. 1981. BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 13 fev. 1998. BRASIL. Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Dispõe sobre o Estatuto das cidades. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 11 jul. 2001. BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei n° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 3 ago. 2010. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Procedimentos de licenciamento ambiental do Brasil. Brasília: MMA, 2016. Disponível em: http://pnla.mma.gov.br/images/2018/08/VERS%C3%83O- FINAL-E-BOOK-Procedimentos-do-Lincenciamento-Ambiental-WEB.pdf. Acesso em: 13 dez. 2021. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução n° 001, de 23 de janeiro de 1996. Dispõe sobre os CritériosBásicos e Diretrizes Gerais para a Avaliação de Impacto Ambiental. Diário O�cial da União, Brasília, 19 dez. 1997. CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução n° 237, de 19 de dezembro de 1997. Dispõe sobre o Licenciamento Ambiental. Diário O�cial da União, Brasília, 19 dez. 1997. CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução n° 357, de 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classi�cação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de e�uentes, e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 17 mar. 2005. CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução n° 430, de 13 de maio de 2011. Dispõe sobre as condições e padrões de lançamento de e�uentes, complementa e altera a Resolução nº 357, de 17 de março de 2005, do Conselho Nacional do Meio Ambiente –CONAMA. Diário O�cial da União, Brasília, 13 maio 2011. CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução n° 491, de 19 de novembro de 2018. Dispõe sobre os padrões de qualidade do ar. Diário O�cial da União, Brasília, 19 dez. 2018. VALLE, C. E. Qualidade ambiental: ISO 14000. 4. ed. São Paulo: Senac, 2002. Aula 5 Revisão da unidade Tecnologias limpas para o desenvolvimento sustentável Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS As atividades humanas estão associadas à alteração das características naturais do meio, desencadeando impactos ambientais, que são entendidos como qualquer modi�cação das propriedades físicas, químicas ou biológicas dos recursos naturais resultante do lançamento de qualquer forma de matéria ou energia advinda das atividades humanas. Nesse contexto, vale ressaltar que os conceitos de aspecto e impacto ambiental se complementam, porém não são sinônimos! Os aspectos ambientais são os elementos que, ao interagir com o meio, provocam impactos ambientais. Por exemplo, a disposição inadequada de resíduos é um aspecto ambiental que poderá gerar como impacto a contaminação do solo e da água. Assim, precisamos pensar em soluções para compatibilizar as atividades humanas com o aspecto social e ambiental. Diante disso, surgem as tecnologias limpas, que são entendidas como estratégias que buscam diminuir o uso dos recursos naturais, prevenindo ou minimizando os impactos ambientais. Como resultado, é possível melhorar processos, substituir matérias- primas lesivas ao meio, buscar fontes de energias alternativas, entre outras possibilidades. Ao implementar tecnologias limpas no ambiente empresarial, geralmente se obtém vantagens �nanceiras e a expansão do mercado de atuação da empresa, visto que os consumidores estão cada vez mais exigentes! Mas por onde começar? É nesse momento que se destaca a importância de a companhia entender seus passivos ambientais, e a pegadaambiental é um dos indicadores que podem ser utilizados no controle desses passivos. Nas organizações, a pegada ambiental pode ser interpretada como a quantidade de recursos naturais que são consumidos em seus processos. Com essas informações, a empresa é capaz de diminuir sua pegada ambiental, contribuindo, assim, para a melhoria da qualidade ambiental. Alinhada com as mudanças tecnológicas nas empresas, destaca-se a educação ambiental, a qual pode ser implementada nas organizações para promover mudanças de hábitos, a�nal todos somos responsáveis pela preservação do meio ambiente, não é mesmo? Assim, para entender os Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS passivos ambientais das empresas, torna-se fundamental a caracterização de seus processos industriais, os quais compreendem o conjunto de ações que são utilizadas para transformar a matéria-prima em bens ou serviços. Dependendo das atividades organizacionais, o processo pode ser complexo, fazendo com que seja necessário o uso de �uxogramas, os quais descrevem as etapas do procedimento, podendo incorporar os recursos naturais utilizados e os passivos ambientais gerados. Esse conhecimento auxilia na tomada de decisão para a otimização do processo, diminuindo os impactos ambientais e também o uso de recursos como a água, elemento fundamental em toda indústria. Assim, é possível fazer o reúso da água, substituir combustíveis fósseis por biocombustíveis, implementar energia fotovoltaica, entre outras possibilidades. Mas se a empresa realmente deseja realizar sua adequação ambiental, como poderá provar isso para os fornecedores e consumidores? A partir da certi�cação ambiental, tendo como principal norma a ISO 14001/2015. Para obter tal certi�cado, a empresa precisa atender a todos os requisitos citados na norma, inclusive a legislação na esfera federal, estadual e municipal. Todos esses esforços são capazes de melhorar o ambiente em que vivemos, a�nal, com o passar do tempo, os recursos naturais estão se tornando escassos em quantidade e qualidade. Diante disso, não deixe de fazer a diferença no ambiente empresarial, buscando sempre implementar os conceitos aprendidos e garantir que as empresas se tornem cada vez mais sustentáveis. Bons estudos! Videoaula: revisão da unidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Toda atividade gera impactos ambientais, não é mesmo? Mas como podemos compatibilizar o uso antrópico dos recursos naturais com a preservação desses elementos? Começamos pelo entendimento de conceitos importantes, tal como pegada ambiental, tecnologias limpas e sistemas de gestão ambiental. Diante disso, é fundamental que você saiba como aplicar esses saberes no ambiente empresarial, e é justamente isso que você aprenderá neste vídeo! Não perca! Este conteúdo fará diferença em sua vida! Estudo de caso Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Por causa das inúmeras alterações ambientais causadas no meio, é crescente a necessidade de adotar iniciativas sustentáveis relacionadas às atividades antrópicas. Com isso, a adequação ambiental de empresas é um assunto muito recorrente, uma vez que ocorrem demandas do mercado externo e dos consumidores, os quais estão cada vez mais exigentes. Assim, um dos segmentos que apresentam expansão é o de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos perigosos. Diante disso, imagine uma situação em que você trabalhe numa empresa do setor de gestão e gerenciamento de resíduos industriais, a qual pretende expandir o seu negócio a partir da aquisição de um incinerador de resíduos perigosos, que são aqueles enquadrados como resíduos de Classe I na ABNT NBR 10004 de 2004, ou seja, possuem o potencial in�amável, corrosivo, reativo, tóxico ou patogênico (ABNT, 2004). A capacidade do equipamento a ser utilizado é de 100 kg de resíduo incinerado por hora, porém essa quantidade pode variar de acordo com a umidade do resíduo em questão. A seguir, é demonstrado o �uxograma de entradas e saídas do processo de incineração (Figura 1). Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Figura 1 | Fluxograma de entradas e saídas do processo de incineração de resíduos perigosos. Fonte: elaborada pela autora. Na reunião para apresentação da proposta, um dos gerentes da empresa questiona a viabilidade do projeto no quesito ambiental, uma vez que o incinerador gera passivos ambientais. A organização já possui certi�cação ISO 14001/2015 e o receio da alta direção é de que esse equipamento prejudique a recerti�cação do setor. Desse modo, você, como o responsável pelo setor de saúde e meio ambiente, é requisitado para avaliar os possíveis aspectos e impactos ambientais associados ao incinerador. Com isso, pede- se que você responda às questões a seguir: Quais são os principais impactos ambientais signi�cativos associados à incineração de resíduos? Elenque pelo menos cinco. Esses impactos podem ser solucionados a partir de tecnologias limpas? A partir da análise realizada, a aquisição desse equipamento poderá inviabilizar a recerti�cação ISO 14001/2015 da empresa? Você deve elaborar um relatório buscando responder a todas essas perguntas para apresentar na próxima reunião à alta gerência. Não deixe de utilizar os conceitos aprendidos! _______ Re�ita As tecnologias limpas podem ser utilizadas para inúmeras funcionalidades no ambiente empresarial. Entretanto, existe uma discussão acerca da viabilidade econômica dessas estratégias. Assim, como tais iniciativas podem ser compatibilizadas com a esfera econômica dentro das organizações? Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS Videoaula: resolução do estudo de caso Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Vamos resolver o estudo de caso proposto? Voltando ao contexto de aprendizagem, você é o responsável pelo setor de saúde e meio ambiente de uma empresa que trabalha com a gestão de resíduos sólidos. Buscando a expansão de sua atividade, a organização almeja novas soluções tecnológicas e está estudando a possibilidade de implementar um incinerador de resíduos perigosos. Dessa forma, você precisa responder a algumas perguntas para a alta gerência, visando auxiliá-los na tomada de decisão. Agora é hora de colocar a mão na massa! A primeira pergunta é acerca dos aspectos e impactos ambientais. Questiona-se quais são os impactos ambientais mais signi�cativos associados à atividade. Para responder, precisamos nos ater às informações apresentadas no �uxograma da Figura 1. Assim, os principais aspectos ambientais são: a geração de emissões atmosféricas, de resíduos (cinzas) e de e�uentes. Diante disso, é possível elaborar uma lista com essas modi�cações efetuadas no meio para podermos associá-los aos impactos (Quadro 1). Quadro 1 | Identi�cação dos aspectos e impactos signi�cativos relacionados à atividade. Fonte: elaborado pela autora. Disciplina TECNOLOGIAS LIMPAS E TRATAMENTO DE RESÍDUOS No entanto, observe que os impactos ambientais estão associados ao funcionamento do incinerador sem considerar as possíveis soluções mitigadoras, que inclusive já estão descritas no �uxograma, sendo importante destacá-las, uma vez que a avaliação de impactos ambientais considera o empreendimento e suas especi�cidades para auxiliar no entendimento dos passivos ambientais e nas possíveis soluções mitigadoras. A partir desses impactos, podemos pensar nas possíveis soluções relacionadas a tecnologias limpas. Vamos lá? Analisando os aspectos signi�cativos, notamos a questão das emissões atmosféricas, as quais, se não forem tratadas de maneira correta, poderão ocasionar a alteração da qualidade do ar e sua contaminação. Para