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42 LINGUAGENS, CIÊNCIAS HUMANAS E REDAÇÃO
EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO
2023
2.o SIMULADO ENEM 
72. No dia 28 de fevereiro de 1985, era inaugurada 
a Estrada de Ferro Carajás, pertencente e dire-
tamente operada pela Companhia Vale do Rio 
Doce (CVRD), na região Norte do país, ligando o 
interior ao principal porto da região, em São Luís. 
Por seus, aproximadamente, 900 quilômetros de 
linha, passam, hoje, 5353 vagões e 100 locomo-
tivas.
Dísponivel em: http://www.transportes.gov.br. 
Acesso em 27 jul.2010 (adaptado).
A ferrovia em questão é de extrema importância 
para a logística do setor primário da economia bra-
sileira, em especial para porções dos estados do 
Pará e Maranhão.
Um argumento que destaca a importância estratégi-
ca dessa porção do território é a 
a) produção de energia para as principais áreas 
industriais do país. 
b) produção sustentável de recursos minerais não 
metálicos. 
c) capacidade de produção de minerais metálicos. 
d) logística de importação de matérias-primas 
industriais. 
e) produção de recursos minerais energéticos. 
73. Constatou-se uma ínfima inserção da indústria 
brasileira nas novas tecnologias ancoradas na mi-
croeletrônica, capazes de acarretar elevação da 
produtividade nacional de forma sustentada. Os 
motores do crescimento nacional, há décadas, são 
os grupos relacionados a commodities agroindus-
triais e à indústria representativa do antigo padrão 
fordista de produção, esta última também limitada 
pela baixa potencialidade futura de desencadear 
inovações tecnológicas capazes de proporcionar 
elevação sustentada da produtividade.
ARENO, M. A industrialização do Brasil ante a nova divisão 
internacional do trabalho.
Disponível em: www.ipea.gov.br. Acesso em: 16 jul. 2015 
(adaptado).
Um efeito desse cenário para a sociedade brasileira 
tem sido o(a) 
a) barateamento da cesta básica. 
b) retorno à estatização econômica. 
c) ampliação do poder de consumo. 
d) subordinação aos fluxos globais. 
e) incentivo à política de modernização. 
74. Desde 2009, a área portuária carioca vem sofrendo 
grandes transformações realizadas no escopo da 
operação urbana consorciada conhecida como Por-
to Maravilha. Parte importante na tentativa de tornar 
o Rio de Janeiro um polo de serviços internacional, a 
“revitalização” urbana deveria deixar para trás uma 
paisagem geográfica que ainda recordava a cidade 
do início do século passado para abrir espaço, em 
seu lugar, à instalação de modernas torres comer-
ciais, espaços de consumo e lazer inéditos e cerca 
de cem mil novos moradores, uma nova configura-
ção socioespacial capaz de alçar a área portuária do 
Rio de Janeiro ao patamar dos waterfronts de Balti-
more, Barcelona e Buenos Aires.
LACERDA, L; WERNECK, M.; RIBEIRO, B. Cortiços de hoje na 
cidade do amanhã. E-metropolis, n. 30, set. 2017.
As intervenções urbanas descritas derivam de um 
processo socioespacial que busca a 
a) intensificação da participação na competitividade 
global. 
b) contenção da especulação no mercado imobiliário. 
c) democratização da habitação popular. 
d) valorização das funções tradicionais. 
e) priorização da gestão participativa. 
75. A categoria de refugiado carrega em si as noções de 
transitoriedade, provisoriedade e temporalidade. Os 
refugiados situam-se entre o país de origem e o país 
de destino. Ao transitarem entre os dois universos, 
ocupam posição marginal, tanto em termos 
identitários – assentada na falta de pertencimento 
pleno enquanto membros da comunidade receptora 
e nos vínculos introjetados por códigos partilhados 
com a comunidade de origem – quanto em termos 
jurídicos, ao deixarem de exercitar, ao menos em 
caráter temporário, o status de cidadãos no país 
de origem e portar o status de refugiados no país 
receptor.
MOREIRA. J. B. Refugiados no Brasil: reflexões acerca do proces-
so de integração local. REMHU. n. 43, jul.-dez. 2014 (adaptado).
A condição de transitoriedade dos refugiados no 
Brasil, conforme abordada no texto, é provocada 
pela associação entre 
a) ascensão social e burocracia estatal. 
b) miscigenação étnica e limites fronteiriços. 
c) desqualificação profissional e ação policial. 
d) instabilidade financeira e crises econômicas. 
e) desenraizamento cultural e insegurança legal. 
43LINGUAGENS, CIÊNCIAS HUMANAS E REDAÇÃO
EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO
2023
2.o SIMULADO ENEM 
76. Tendo se livrado do entulho do maquinário volu-
moso e das enormes equipes de fábrica, o capital 
viaja leve, apenas com a bagagem de mão, pasta, 
computador portátil e telefone celular. O novo atri-
buto da volatilidade fez de todo compromisso, espe-
cialmente do compromisso estável, algo ao mesmo 
tempo redundante e pouco inteligente: seu estabe-
lecimento paralisaria o movimento e fugiria da dese-
jada competitividade, reduzindo a priori as opções 
que poderiam levar ao aumento da produtividade.
BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
No texto, faz-se referência a um processo de transfor-
mação do mundo produtivo cuja consequência é o(a)
a) regulamentação de leis trabalhistas mais rígidas.
b) fragilização das relações hierárquicas de trabalho.
c) decréscimo do número de funcionários das 
empresas.
d) incentivo ao investimento de longos planos de 
carreiras.
e) desvalorização dos postos de gerenciamento 
corporativo. 
77. Queremos saber o que vão fazer
Com as novas invenções
Queremos notícia mais séria
Sobre a descoberta da antimatéria
E suas implicações
Na emancipação do homem
Das grandes populações
Homens pobres das cidades
Das estepes, dos sertões
GILBERTO GIL. Queremos saber. O viramundo. São Paulo: 
Universal Music, 1976 (fragmento).
A letra da canção relaciona dois aspectos da con-
temporaneidade com reflexos na sociedade brasi-
leira: 
a) A elevação da escolaridade e o aumento do de-
semprego. 
b) O investimento em pesquisa e a ascensão do 
autoritarismo. 
c) O crescimento demográfico e a redução da pro-
dução de alimentos. 
d) O avanço da tecnologia e a permanência das de-
sigualdades sociais. 
e) A acumulação de conhecimento e o isolamento 
das comunidades tradicionais. 
78. No protestantismo ascético, temos não apenas a 
clara noção da primazia da ética sobre o mundo, 
mas também a mitigação dos efeitos da dupla moral 
judaica (uma moral interna para os irmãos de crença 
e outra externa para os infiéis). O desafio aqui é o 
da ética, que quer deixar de ser um ideal eventual 
e ocasional (que exige dos virtuosos religiosos 
quase sempre uma “fuga do mundo”, como na 
prática monástica cristã medieval) para tornar-se 
efetivamente uma lei prática e cotidiana “dentro do 
mundo”.
SOUZA, J. A ética protestante e a ideologia do atraso brasileiro. 
Revista Brasileira de Ciências Sociais, n. 38, out. 1998.
Retomando o pensamento de Max Weber, o texto 
apresenta a tensão entre positividade ético-religio-
sa e esferas mundanas de ação. Nessa perspecti-
va, a ética protestante é compreendida como 
a) vinculada ao abandono da felicidade terrena. 
b) contrária aos princípios econômicos liberais. 
c) promovedora da dimensão política da vida coti-
diana. 
d) estimuladora da igualdade social como direito di-
vino. 
e) adequada ao desenvolvimento do capitalismo 
moderno. 
79. Ao mesmo tempo que as novas tecnologias 
inseridas no universo do trabalho estão provocando 
profundas transformações nos modos de produção, 
tornam cada vez mais plausível a possibilidade 
de liberação do homem do trabalho mecânico e 
repetitivo.
JORGE, M. T. S. Será o ensino escolar supérfluo no mundo das 
novas tecnologias? Educação e Sociedade, v. 19, n. 65, dez. 
1998 (adaptado).
O paradoxo da relação entre as novas tecnologias 
e o mundo do trabalho, demonstrado no texto, pode 
ser exemplificado pelo(a)
a) utilização das redes sociais como ferramenta de 
recrutamento e seleção.
b) transferência de fábricas para locais onde estas 
desfrutem de benefícios fiscais.
c) necessidade de trabalhadoresflexíveis para se 
adequarem ao mercado de trabalho.
d) fenômeno do desemprego que aflige milhões de 
pessoas no mundo contemporâneo.
e) conflito entre trabalhadores e empresários por 
conta da exigência de qualificação profissional.

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