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DIREITO CONSTITUCIONAL: 
CONSTITUCIONALISMO E DIREITOS 
FUNDAMENTAIS 
 
Prof. Me. Henrique de Campos Gurgel Speranza 
 
 
Prof. Guilherme Bernardes Filho 
Diretor Presidente 
Prof. Aderbal Alfredo Calderari Bernardes 
Diretor Tesoureiro 
Prof. Frederico Ribeiro Simões 
Reitor 
 
UNISEPE – EaD 
Prof. Me. Alexander Lopes Neves 
Coordenador EaD de área 
Prof. Dr. Renato de Araújo Cruz 
Coordenador Núcleo de Ensino a distância (NEAD) 
 
Material Didático – EaD 
Equipe editorial: 
Fernanda Pereira de Castro - CRB-8/10395 
Isis Gabriel Alves 
Laura Lemmi Di Natale 
Pedro Ken-Iti Torres Omuro 
Prof. Dr. Renato de Araújo Cruz – Editor Responsável 
Apoio técnico: 
Alexandre Meanda Neves 
Anderson Francisco de Oliveira 
Douglas Panta dos Santos Galdino 
Fabiano de Oliveira Albers 
Gustavo Batista Bardusco 
Kelvin Komatsu de Andrade 
Matheus Eduardo Souza Pedroso 
Vinícius Capela de Souza 
 
Revisão: Agnaldo Alves de Oliveira 
 
Diagramação: Chrystian da Silva Santos 
 
 
SOBRE O AUTOR: Henrique de Campos Gurgel Speranza, formado em Direito pela Universidade 
Católica de Santos (UNISANTOS); Especialista em Direito e Processo do Consumidor e Processo 
do Trabalho, também pela Universidade Católica de Santos (UNISANTOS); e Mestre em Direito 
Internacional também pela Universidade Católica de Santos (UNISANTOS), bolsista pela CAPES. 
SOBRE A DISCIPLINA: A disciplina Direito Constitucional: Constitucionalismo e Direitos 
Fundamentais é disciplina de base fundamental ao discente do curso de Direito, pois contém a 
análise preambular sobre o Direito Constitucional, bem como, ainda, desenvolve e prepara o discente 
para o conhecimento e exercício dos Direitos Fundamentais. 
Tem por ementa: 
Formas de origem e característica do constitucionalismo. Constituição em sentido material e formal. 
Direito Constitucional: conceito e objeto. Fontes, Poder Constituinte e Poder de Reforma. A 
supremacia jurídica da Constituição. Interpretação e aplicabilidade das normas constitucionais. Da 
Formação Constitucional do Brasil à Constituição de 1988. A Constituição como cultura. 
Hermenêutica Constitucional. O pensamento constitucional contemporâneo. Apreciação das 
Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação em Direitos Humanos; Sistemas de Governo; 
Democracia: fundamentos e desafios contemporâneos. Princípios Fundamentais. Direitos 
Fundamentais: direitos e deveres individuais e coletivos, direitos sociais, direitos da nacionalidade, 
direitos políticos. Direitos dos partidos políticos. Princípio da igualdade e cotas raciais. Garantias 
processuais dos direitos fundamentais. Remédios constitucionais: Habeas Corpus, Mandado de 
Segurança, Habeas Data, Mandado de Injunção e Ação Popular. Direito constitucional ambiental: 
fundamentos constitucionais da proteção ambiental. 
 
 
 
 
 
 
Os ÍCONES são elementos gráficos utilizados para ampliar as formas de linguagem 
e facilitar a organização e a leitura hipertextual.
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
UNIDADE II .......................................................................................................................... 5 
Capítulo 3 - Estrutura do Estado ....................................................................................... 5 
Capítulo 4 - Relações Internacionais e Direitos Fundamentais ........................................15 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................................25 
 
 
 
5 
 
UNIDADE II 
CAPÍTULO 3 - ESTRUTURA DO ESTADO 
No término deste capítulo, você deverá saber: 
✓ Sistemas de Governo; Democracia: fundamentos e desafios contemporâneos 
✓ União 
✓ Estados-membros 
✓ Municípios e Distrito Federal 
Introdução 
O Brasil, em sua organização estatal e política, adota o sistema da República Presidencialista, bem 
como a forma de Estado federativa. 
Assim, por não se tratar de Estado unitário, assume uma divisão administrativa interna em entes 
federados que agem em conjunto com uma organização federal. 
Por esse motivo, em sua estrutura de Estado, é composto pela União, como representativa de toda 
a federação unida, com atuação interna (fazenda nacional) e externa, perante os demais países. 
Dentro dessa estrutura, segue-se pelos Estados-membros, que são os entes federados 
intermediários focados na administração regional, e de competência residual. 
Por fim, os Municípios e o Distrito Federal assumem a administração local, estando mais próximos, 
em área territorial e atribuições administrativas, ao povo. 
A estrutura do Estado brasileiro posta dessa forma tem o condão de assegurar a melhor 
administração estatal, dada a imensa extensão do território nacional, bem como as particularidades 
culturais e geográficas dessas regiões. 
Em relação ao sistema de governo, com a República Presidencialista, o Brasil conta com a 
administração de representantes eleitos democraticamente pelo povo, não se submetendo a nenhum 
regime absolutista. 
3.1 Sistemas de Governo; Democracia: fundamentos e desafios contemporâneos 
O Estado, tal como conhecemos, é o elemento centralizador da administração de uma nação, 
formado pelas teorias do contrato social, capaz de manter a nação unida e coesa em prol do bem 
comum. 
Para sua formação, o Estado conta com alguns elementos essenciais, e apenas pode ser 
considerado como Estado, em si, ao alcançar o preenchimento de todos esses elementos 
constitutivos. 
Isso se dá pelo motivo de que, na ausência de um dos elementos, o Estado, enquanto máquina 
administrativa, perde a possibilidade de se manter intacto nos interesses da nação. 
 
6 
 
Assim, para que seja formado um Estado, é necessário que sejam preenchidos os seguintes 
elementos: 
• Soberania; 
• Finalidade; 
• Povo; 
• Território 
Com esses elementos, o Estado pode ser reconhecido como válido para determinada nação. 
Observando cada um dos elementos de composição do Estado, é possível obter de maneira geral 
as funções centrais que motivam a existência estatal. 
A soberania é o elemento de poder atrelado à atuação estatal. Evidentemente que esta soberania, 
e este poder, é atribuído pelo povo ao seu Estado, e assume duas vertentes. A primeira delas 
relacionada ao panorama interno, em que o Estado assume a função de ente soberano perante as 
instituições internas e as pessoas em si, em representação ao poder conferido pelo povo como todo 
unitário. 
A outra face da soberania se reflete em prisma externo, ou seja, a projeção do Poder Estatal e da 
independência nacional perante os demais Estados que compõem o mundo moderno. 
Mas em termos de conceitos, a soberania é, grosso modo, o poder de mandar em última instância, 
e no mais alto nível hierárquico do comando. Reflete o poder maior do Estado. 
Contudo, a soberania em si é vã e até mesmo nociva se não acompanhada da correta preservação 
da finalidade estatal. É o elemento finalidade o responsável pela manutenção da adequada 
manifestação e exercício do poder soberano estatal. 
Através da finalidade do Estado o exercício do poder encontra sua correta destinação e é limitado, 
direcionado aos anseios da população, lembrando que o poder, em si, emana e pertence ao povo, 
sendo transmitida a representação do exercício desse poder ao Estado. 
Com isso, percebe-se que o elemento povo é a base para a existência ideológica de um Estado, 
pois é ele que tem a capacidade de se autodeterminar como nação, fixar as diretrizes do Estado e 
conceder a soberania para o exercício do Poder Estatal. 
O povo nada mais é do que o elemento humano social agregado que faz nascer a vontade (animus) 
de unir-se em nação, e cujas manifestações culturais os individualiza das demais nações existentes. 
Por fim, para que um Estado possa ser formado, em que pese a existência dos outros elementos, é 
fundamental que ele possua um território, que é a base de exercício do poder soberano e local de 
assentamentodo povo. 
Assim, o território está diretamente ligado à autodeterminação do povo, bem como guarda relação 
ainda mais próxima com o exercício da soberania, atuando como limitador espacial do poder 
 
7 
 
soberano, identificando, em termos de soberania externa, onde cada nação exerce internamente o 
poder absoluto. 
Além dos elementos de formação do Estado, há também os sistemas e formas de governo pelos 
quais o Estado irá se desenvolver em sua finalidade. 
Dentro das formas de governo, o Estado poderá assumir a forma de governo totalitária (até mesmo 
Monarquia) ou democrático (como a República). 
Em relação aos sistemas de governo, podemos ter o Parlamentarismo, relacionado à divisão dos 
atos administrativos do governo entre o Chefe de Estado e o Parlamento, com representantes diretos 
do povo, que assumem a posição de Chefe de Governo. 
Além do Parlamentarismo, pode ser instaurado o Presidencialismo, com a concentração do poder 
administrativo do Estado nas mãos do governante eleito, que reúne as funções de Chefe de Estado 
e de Chefe de Governo. 
O Estado, também, para concluir sua formação, deve definir, após a fixação da sua estrutura 
administrativa, critérios territoriais para o manejo do Poder, sendo estabelecidos os critérios de 
Estado Unitário, com a concentração da estrutura administrativa dentro do controle único e 
centralizado. 
A outra forma que pode ser aplicada é a Federação, em que cada unidade autônoma assume certa 
liberdade legislativa e administrativa. 
O que ocorre na Federação é que o todo federal, o Estado Federal, tem competência mais 
direcionada ao prisma externo à nação, ou em aspectos internos gerais e comuns, enquanto 
internamente o território é dividido em unidades federativas (estados e municípios) que cuidam de 
suas regiões, gozando de autonomia administrativa e legislativa. 
O Brasil, assim, optou pela sistemática da República Presidencialista em forma Federativa do Estado. 
Dentro da forma Federativa, o Brasil subdivide sua estrutura administrativa em União, Estados-
membros, Municípios e o Distrito Federal. 
O Brasil ainda estampa, em sua Constituição Federal, os fundamentos da Federação: 
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados 
e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e 
tem como fundamentos: 
I - a soberania; 
II - a cidadania; 
III - a dignidade da pessoa humana; 
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; 
V - o pluralismo político. 
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de 
representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. 
 
8 
 
Assim, observe-se que a Federação brasileira orienta-se pelos princípios fundamentais expostos em 
seu artigo primeiro, que constituem normas orientadoras do proceder estatal. 
Aliados aos fundamentos, a Constituição também carrega os objetivos da República Federativa do 
Brasil (este nome é utilizado quando se refere ao país no âmbito geral e interno, sendo o termo União 
utilizado para designar o Governo Federal em âmbito interno). 
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: 
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; 
II - garantir o desenvolvimento nacional; 
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e 
regionais; 
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e 
quaisquer outras formas de discriminação. 
Veja que os objetivos também são normas de conteúdo programático, ou seja, estabelecem diretrizes 
do trabalho do Estado com vias a atingir suas finalidades, como elemento constitutivo. 
Ainda, dentro dos elementos formadores do Estado, verifica-se a existência de símbolos oficiais, bem 
como normas de estruturação e desenvolvimento social, como a escolha do idioma nacional sendo 
o português. 
Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil. 
§ 1º São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e 
o selo nacionais. 
§ 2º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão ter símbolos próprios. 
Os símbolos nacionais são de uso exclusivo da União, e os Estados e Municípios também terão sua 
própria simbologia. 
 
Pense como o sistema federativo funciona no Brasil, e em quais aspectos difere de outros países que adotam 
o sistema federativo, como os Estados Unidos da América, em que a autonomia legislativa de cada unidade 
federada é muito maior do que o caso brasileiro. 
 
O Federalismo surge pela ideia de indivisibilidade das unidades federativas, de tal sorte que, embora gozem 
de autonomia, são consideradas, necessariamente, como parte de um todo indissolúvel. 
 
 
9 
 
3.2 União 
A União é o termo designado sob dois prismas para a representação total do Estado brasileiro, sendo, 
em âmbito interno, denominada União, e, em âmbito internacional, denominada República Federativa 
do Brasil. 
Como se sabe, a atual capital nacional é instalada em Brasília. 
A União possui, assim como os demais entes federativos, bens de sua titularidade, conforme 
estampado no artigo 20 da CF: 
Art. 20. São bens da União: 
I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos; 
II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e 
construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, 
definidas em lei; 
III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que 
banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a 
território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias 
fluviais; 
IV - as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias 
marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a 
sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade 
ambiental federal, e as referidas no art. 26, II; 
V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva; 
VI - o mar territorial; 
VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos; 
VIII - os potenciais de energia hidráulica; 
IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo; 
X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos; 
XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. 
§ 1º É assegurada, nos termos da lei, à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos 
Municípios a participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de 
recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos 
minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona 
econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração. 
§ 2º A faixa de até cento e cinquenta quilômetros de largura, ao longo das fronteiras 
terrestres, designada como faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa 
do território nacional, e sua ocupação e utilização serão reguladas em lei. 
Tem competência estampada na Constituição, conforme quadro que segue: 
 
10 
 
Administrativa Exclusiva (pertence apenas à 
União) 
Artigo 21, CF 
Administrativa Concorrente (pode também ser 
efetivada por outros entes) 
Artigo 23, CF 
Legislativa Exclusiva Artigo 22, CF 
Legislativa Concorrente (normas gerais da 
União, específicas dos demais entes) 
Artigo 24, CF 
Tributária Exclusiva Artigo 153, CF 
Tributária Residual (na ausência de norma de 
outros entes) 
Artigo 154, I, CF 
Tributária Extraordinária (para cenários de 
exceção) 
Artigo 154, II, CF 
Por fim, vale mencionar que a divisão do poder na União é estabelecida em Poder Executivo, Poder 
Judiciário e Poder Legislativo. 
3.3 Estados-membros 
A União possui a Constituição Federal como norma de sua estrutura central, enquanto os Estados-
membros podem estabelecersuas próprias Constituições Estaduais, que, evidentemente, não 
devem contrariar a Constituição Federal, pois emanam do Poder Constituinte Derivado Decorrente 
de cada um dos Estados-membros. 
Em relação à sua competência, possuem competência comum com os demais entes, bem como 
competência residual, ou seja, aquela que autoriza a atuação estatal em todas as competências não 
exclusivas da União, ou outros entes em exclusividade. 
Sua competência legislativa vem estampada nos artigos 24 e 25 da Constituição Federal. 
 
Procure estabelecer um comparativo sobre as competências dos Estados-membros e da União, verificando 
qual dos entes assume a maior parte das competências privativas. Recomendo a leitura da Constituição 
Federal nos artigos mencionados no texto. 
 
3.4 Municípios e Distrito Federal 
Dentro da estrutura da Federação, gozando também de autonomia administrativa e sendo regidos 
pela Lei Orgânica, em status equivalente ao da Constituição Estadual, porém em âmbito municipal. 
 
11 
 
Possuem competência privativa e concorrente, conforme enumerado nos artigos 29 e 30 da 
Constituição Federal. 
O Distrito Federal é também unidade federativa autônoma, com regramento no art. 32 da CF. 
 
Que tal saber mais sobre a posição dos Municípios no modelo federal brasileiro? Acesse o link e saiba mais: 
https://jus.com.br/artigos/20774/o-federalismo-e-a-posicao-do-municipio-no-estado-federal-brasileiro 
 
Considerações Finais 
Observando os elementos constitutivos do Estado, sendo a soberania, a finalidade, o povo e o 
território, percebe-se que o Estado surge como um concentrador do poder social com vias 
exclusivamente à administração social e garantia do desenvolvimento salutar da nação. 
Diante dessa situação, verifica-se que a formação de um Estado decorre da vontade de um povo, 
unido em nação (vínculo cultural) de se estruturar em prol do bem comum, ou da coisa comum (res 
publica). 
Assim, uma vez que esse povo se une para a criação de um Estado, cuja finalidade já está delineada, 
confere a ele a soberania para a administração da coisa pública, que será exercida no território 
nacional. 
Com isso, surge a necessidade de definição do modelo de atuação estatal, que pode variar de acordo 
com as especificidades históricas e culturais de uma nação, de tal sorte que o Brasil, por exemplo, 
acabou por adotar um sistema democrático republicano e presidencialista, com a concentração das 
funções de Chefe de Governo e Chefe de Estado em um representante eleito pelo povo. 
Ainda, estruturou-se o país na forma de uma federação, cujas unidades federativas gozam de 
autonomia entre si, subordinando-se em linhas gerais às normas da união federativa, mas 
adequando-se em suas especificidades às características de cada Estado-membro. 
Contudo, no Brasil há larga crítica ao sistema federativo utilizado, haja vista que na realidade fática 
há uma enorme concentração do poder administrativo e legislativo nas mãos do governo federal 
(união), enquanto aos estados e municípios compete apenas o residual. 
Porém, isso não altera a realidade nacional de ser constituída como federação, embora a autonomia 
dos entes seja bastante restrita e regrada. 
 
 
12 
 
 
O Brasil é um país sedimentado na República Presidencialista e adota como forma de Estado o Federalismo. 
 
 
O Estado, tal como conhecemos, é o elemento centralizador da administração de uma nação, formado pelas 
teorias do contrato social, capaz de manter a nação unida e coesa em prol do bem comum. 
Para sua formação, o Estado conta com alguns elementos essenciais, quais sejam: a Soberania; Finalidade; 
Povo; Território. 
A soberania é o elemento de Poder atrelado à atuação estatal. 
A finalidade é o responsável pela manutenção da adequada manifestação e exercício do poder soberano 
estatal. 
O povo é a base para a existência ideológica de um Estado, pois é ele que tem a capacidade de se 
autodeterminar como nação. 
O território, que é a base de exercício do poder soberano e local de assentamento do povo. 
Além dos elementos de formação do Estado, há também os sistemas e formas de governo pelos quais o Estado 
irá se desenvolver em sua finalidade. 
Dentro das formas de governo, o Estado poderá assumir a forma de governo totalitária (até mesmo Monarquia) 
ou democrático (como a República). 
Em relação aos sistemas de governo, podemos ter o Parlamentarismo, relacionado à divisão dos atos 
administrativos do governo entre o Chefe de Estado e o Parlamento, com representantes diretos do povo, que 
assumem a posição de Chefe de Governo. 
Além do Parlamentarismo, pode ser instaurado o Presidencialismo, com a concentração do poder 
administrativo do Estado nas mãos do governante eleito, que reúne as funções de Chefe de Estado e de Chefe 
de Governo. 
O Estado deve estabelecer critérios territoriais para o manejo do poder, como a forma Unitária ou Federativa. 
O Brasil, assim, optou pela sistemática da República Presidencialista em forma Federativa do Estado. 
A União é o termo designado sob dois prismas para a representação total do Estado brasileiro: em âmbito 
interno, denominada União, e, em âmbito internacional, denominada República Federativa do Brasil. 
Os Estados-membros podem estabelecer suas próprias Constituições Estaduais, que, evidentemente, não 
devem contrariar a Constituição Federal, pois emanam do Poder Constituinte Derivado Decorrente de cada um 
dos Estados-membros. 
Os Municípios, gozando também de autonomia administrativa, são regidos pela Lei Orgânica, em status 
equivalente ao da Constituição Estadual, porém em âmbito municipal. 
 
 
13 
 
 
A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito 
Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos, exceto: 
a) a soberania; 
b) a cidadania; 
c) a dignidade da pessoa humana; 
d) os valores sociais do trabalho e da livre-iniciativa; 
e) a unidade política. 
Resposta: A alternativa correta é a letra E, uma vez que a questão busca a discriminação da assertiva incorreta 
em relação aos fundamentos da República Federativa do Brasil. Vale observar que o Brasil adota o pluralismo 
político, com a liberdade de ideologias a serem apresentadas pelos partidos, bem como a possibilidade de 
manifestação livre da ideologia política, o que seria impossível com a unidade política. 
 
1- Quanto à forma de Estado, assinale a alternativa que representa a forma estabelecida no Brasil: 
a) Federação 
b) Confederação 
c) Unitário 
d) Misto 
e) Totalitário 
 
2- É correto afirmar que os Municípios são entes federados? Justifique. 
 
Lenza, Pedro. Direito Constitucional esquematizado. /– Coleção esquematizado® / coordenador Pedro 
Lenza. 24. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2020. Capítulo: Forma de Governo, Sistema de Governo e Forma 
do Estado 
 
14 
 
Pedro Lenza, considerado um dos maiores doutrinadores em matéria constitucional da atualidade, discorre em 
sua obra sobre as diferentes formas e sistemas de Estado e governo, expondo em quais espécies o Brasil se 
enquadra e quais são as principais críticas desenvolvidas pela doutrina nacional sobre o tema. Vale a pena 
conferir a leitura! 
 
 
Coeso – harmônico 
Intacto – inteiro, no sentido de não danificado 
Emanar – ser proveniente de 
Estampa – demonstra 
 
 
Respostas: 
1- Alternativa: A 
 
 
15 
 
UNIDADE II 
CAPÍTULO 4 - RELAÇÕES INTERNACIONAIS E DIREITOS 
FUNDAMENTAIS 
No término deste capítulo, você deverá saber: 
✓ Princípios das Relações Internacionais da República Federativa do Brasil 
✓ Direitos Fundamentais: direitos e deveres individuais e coletivos, direitos sociais, direitos da 
nacionalidade e direitos políticos 
✓ Direitos dos Partidos Políticos 
Introdução 
Uma vez estruturado o Estado, a partir da reunião dos seus elementos essenciais, como povo, 
território, finalidade e soberania, deve ser feita a escolha sobre a forma e sistema de governo, bemcomo a forma de Estado. 
Assim, surge a necessidade de escolher, dentre várias opções, a formação de um Estado 
democrático ou autoritário, bem como a escolha entre regimes republicanos e monárquicos. 
O Brasil, em sua esteira evolutiva, formou-se através de um sistema democrático republicano, bem 
como é regido pelo sistema presidencialista em seu governo. 
A partir daí, também se organiza administrativamente como Federação, através da autonomia de 
suas unidades (entes) federativos, com competências específicas para cada grau da Federação. 
Com isso, e com a instituição da Constituição Federal, o Brasil, em um panorama internacional, cria 
orientações sobre seus procedimentos, norteando-os através de princípios constitucionais, conforme 
se verá no primeiro item. 
Aliado a esses princípios e à estrutura estatal, bem como à finalidade do próprio Estado brasileiro, 
são construídos os direitos fundamentais, que se subdividem em diversas espécies e gerações, mas 
que guardam, sobremaneira, a finalidade precípua do Estado, qual seja, a garantia do bem-estar da 
população e a salvaguarda da soberania popular. 
4.1 Princípios das Relações Internacionais da República Federativa do Brasil 
Como visto, quanto aos aspectos da soberania estatal, vislumbra-se uma vertente focada para as 
relações do Estado brasileiro com os demais Estados, internacionalmente considerados. 
Assim, dentro da manifestação da soberania externa do Brasil, a Constituição Federal estabelece os 
princípios norteadores do proceder nacional em relação aos demais países do globo. 
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais 
pelos seguintes princípios: 
I - independência nacional; 
 
16 
 
II - prevalência dos direitos humanos; 
III - autodeterminação dos povos; 
IV - não intervenção; 
V - igualdade entre os Estados; 
VI - defesa da paz; 
VII - solução pacífica dos conflitos; 
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; 
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; 
X - concessão de asilo político. 
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, 
política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma 
comunidade latino-americana de nações. 
Tais princípios têm por objetivo assegurar a manutenção da soberania nacional, bem como a boa 
conduta internacional, capaz de criar, inclusive, freios à atuação do Estado brasileiro no panorama 
externo. 
 
Observe como os princípios das relações internacionais do Brasil contribuem para a correta manifestação da 
soberania externa, consagrando o reconhecimento das demais nações, bem como o respeito a suas 
soberanias. 
 
4.2 Direitos Fundamentais: direitos e deveres individuais e coletivos, direitos sociais, 
direitos da nacionalidade e direitos políticos 
Os Direitos e Garantias Fundamentais são estampados na Constituição Federal como reflexo da 
preservação dos direitos do povo e regulamentação sadia da vida em sociedade. 
Tais direitos são divididos pela doutrina em diversos subgrupos, sendo a divisão mais comum aquela 
que os separa em cinco grupos diferentes, dadas as especificidades de cada direito ou garantia: 
• Direitos e deveres individuais e coletivos 
• Direitos sociais 
• Direitos de nacionalidade 
• Direitos políticos 
• Partidos políticos 
 
17 
 
Inicialmente, cumpre expor que os Direitos e Deveres individuais e coletivos refletem os direitos do 
povo em relação ao Estado, sendo estampados ao longo de toda a Constituição Federal, mas com 
grande concentração no artigo 5º da CF. 
São normalmente divididos pela doutrina em dimensões, conforme suas peculiaridades e a natureza 
da proteção que exercem. 
Os direitos individuais de 1ª dimensão são aqueles que consagram as liberdades individuais, 
constituindo, em verdade, direitos ou garantias aos indivíduos ou à coletividade contra a ação estatal. 
São marcados pela proteção contra atos abusivos do governante e do Estado contra o cidadão, 
dentre os quais se pode citar como exemplo o devido processo legal, a impossibilidade de pena 
capital, bem como a presunção de inocência, dentre outros inúmeros. 
Os direitos de 2ª dimensão, por sua vez, são aqueles com aspecto voltado à vida em sociedade em 
si, com a característica de serem direitos econômicos, sociais e culturais; surgem para regulamentar, 
basicamente, a igualdade entre os cidadãos e sedimentar a adequada relação entre os integrantes 
do povo em sociedade. 
Por fim, os direitos de 3ª dimensão são aqueles voltados para o coletivo, ou seja, direitos que 
ultrapassam a individualidade e, pela sua natureza específica, afetam todos os integrantes do povo, 
ou até mesmo toda a vida humana em si. Dentre eles, pode-se mencionar a proteção ao meio 
ambiente, por exemplo. 
Ainda, parte da doutrina apresenta a 4ª e a 5ª dimensão de direitos fundamentais, divergindo, por 
vezes, do conteúdo protegido. 
Contudo, entende-se que a divisão estabelecida originalmente pelas três dimensões citadas é 
suficiente para abarcar todos os tipos de direitos fundamentais em suas especificidades. 
Dentro dessa temática, há que se diferenciar DIREITOS de GARANTIAS fundamentais, sendo 
aqueles responsáveis por consagrar a existência de vantagens ou preceitos positivos pertencentes 
ao seu titular, e estas responsáveis pela manutenção daquelas vantagens. 
Em resumo, enquanto o direito define o que é permitido ou protegido, a garantia assegura o respeito 
desses direitos. 
Assim, como exemplo, é possível mencionar a existência da liberdade de culto (religião), como direito 
e a proteção aos locais de culto como garantia. 
Os direitos e garantias fundamentais são dotados de características próprias, a saber: 
• Historicidade – denota a construção histórica dos direitos e garantias fundamentais; 
• Universalidade – traduz a abrangência geral e a proteção irrestrita a toda a humanidade; 
• Limitabilidade – os direitos e garantias podem ser limitados entre si, pela colidência de 
interesses contrapostos; 
 
18 
 
• Concorrência – podem, como são exercidos em conjunto, não sendo considerados de forma 
individualizada apenas. Assim, uma pessoa é titular de inúmeros direitos fundamentais. 
• Irrenunciabilidade – não estão sujeitos à renúncia, não podendo o povo “abrir mão” dos 
direitos que lhe cabem, nem mesmo por ato de livre vontade. 
• Inalienabilidade – assim como não se pode renunciar, não se pode transferir nenhum direito 
fundamental, a qualquer título. 
• Imprescritibilidade – não se perdem com o decurso de tempo. 
Ainda, os direitos e garantias fundamentais são destinados tanto aos nacionais como a qualquer 
pessoa em trânsito pelo país, uma vez que reúnem a mesma natureza dos Direitos Humanos. 
Assim, mesmo que a Constituição estabeleça que os direitos e garantias fundamentais são aplicáveis 
aos nacionais e aos estrangeiros residentes no país, deve entender que são aplicáveis a todos que 
estejam no território nacional, independentemente de serem ou não residentes ou nacionais. 
Os direitos sociais, por sua vez, vêm estampados no artigo 6º da Constituição Federal, em rol 
significativamente menos extenso do que os direitos e garantias fundamentais: 
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, 
o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e 
à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. 
São direitos de conteúdo social, ou seja, consagram prestações positivas do Estado, objetivando a 
igualdade (ou melhor, isonomia) entre os integrantes de seu povo, com vias a assegurar o bem-estar 
social. 
Os direitos relativos à nacionalidade traduzem as relações inerentes ao vínculo jurídico entre o 
indivíduo e o Estado. 
É através da nacionalidade que são categorizados os direitos que serão concedidos àqueles que 
mantêm vínculo mais próximo com o Estado (nacional) e aqueles quenão mantêm (estrangeiros). 
Trata-se de mecanismo de manutenção da soberania estatal. 
A nacionalidade pode ser adquirida de duas formas: ou através de um vínculo primário, que é 
involuntário e automático, ou através de um vínculo secundário, que é adquirido voluntariamente. 
O vínculo primário é relacionado aos critérios de nascimento do indivíduo, podem adotar o critério do 
ius sanguinis, em que os filhos de nacionais são nacionais, desvinculando-se a nacionalidade do 
critério territorial do nascimento; ou o critério do ius soli, que, ao contrário, impõe o vínculo pelo lugar 
do nascimento, pouco importando a filiação. 
Já o vínculo secundário é aquele que se efetiva por meio da naturalização, em que o indivíduo 
escolhe a nacionalidade de que quer fazer parte, submetendo-se a procedimento específico para 
tanto. 
 
19 
 
O Brasil adota os critérios de ius soli e ius sanguini, evitando, assim, que qualquer filho de nacional 
seja excluído da nacionalidade brasileira, e permitindo que todos aqueles que nasçam em seu 
território sejam igualmente nacionais. 
Art. 12. São brasileiros: 
I - natos: 
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, 
desde que estes não estejam a serviço de seu país; 
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer 
deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil; 
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam 
registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República 
Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, 
pela nacionalidade brasileira; 
Ainda, os naturalizados, no Brasil, devem contar com requisitos específicos, bem como ficam 
proibidos do exercício de alguns cargos privativos aos natos. 
Art. 12. São brasileiros: 
II - naturalizados: 
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos 
originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto 
e idoneidade moral; 
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do 
Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que 
requeiram a nacionalidade brasileira. 
§ 3º São privativos de brasileiro nato os cargos: 
I - de Presidente e Vice-Presidente da República; 
II - de Presidente da Câmara dos Deputados; 
III - de Presidente do Senado Federal; 
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal; 
V - da carreira diplomática; 
VI - de oficial das Forças Armadas. 
VII - de Ministro de Estado da Defesa. 
Já os direitos políticos consagram a manifestação e participação popular na condução estatal, como 
vias a assegurar a soberania popular frente ao Estado. 
Em aspectos democráticos, entende-se que a participação popular pode ser direta (todas as decisões 
tomadas pelo povo em assembleia), representativa (o povo elege os representantes para a completa 
administração estatal) e participativa (o povo, embora eleja os representantes para a administração 
Estatal, possui mecanismos de ação direta sobre o governo). 
 
20 
 
Assim, o Brasil adota o sistema de democracia participativa, em que o povo elege seus governantes, 
mas possui mecanismos de participação direta, sendo eles o plebiscito, referendo e iniciativa popular. 
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto 
e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: 
I - plebiscito; 
II - referendo; 
III - iniciativa popular. 
Em ambos os casos, o povo será consultado pelos governantes para a tomada de decisões, contudo, 
no primeiro, o plebiscito, a consulta será prévia, sobre a possibilidade ou não da prática de 
determinado ato, bem como de seu conteúdo; já no referendo, o ato está pronto, e o povo deve 
decidir sobre sua aprovação ao não. 
No Brasil, ainda, há a possibilidade de participação do povo pela iniciativa popular, em que é 
possível a apresentação de projeto de lei à Câmara dos Deputados (federal), desde que reúna as 
assinaturas de 1% do eleitorado nacional, dividido em pelo menos cinco Estados-membros, com não 
menos de 0,3% em cada um desses Estados. 
Por fim, os direitos políticos são definidos em positivos e negativos. São positivos os direitos relativos 
ao voto, com a capacidade de eleger e de ser eleito, enquanto os negativos são aqueles impeditivos 
da capacidade eleitoral. 
 
Os Direitos Fundamentais refletem toda uma construção histórica de Direitos Humanos, por tal motivo são 
aplicáveis e assegurados a todos aqueles sob o território nacional, bem como, ainda, recebem guarida 
internacional em alguns casos. 
 
Os Direitos Fundamentais refletem a garantia da soberania popular, bem como as finalidades do Estado, que 
devem ser refletidas pelas orientações internacionais, norteados pelos princípios das relações internacionais, 
com vias à preservação completa, tanto interna como externa do povo brasileiro. 
 
 
 
 
21 
 
 
Pesquise sobre os Direitos Fundamentais, faça a leitura do artigo 5º da Constituição Federal e encontre 
outros direitos considerados fundamentais que estão localizados ao longo da Constituição Federal. 
 
4.3 Direitos dos Partidos Políticos 
Partido político, por definição, é uma organização de pessoas com vias a fomentar o pensamento 
político e formar grupos administrativos do Poder Estatal, com atuação na gestão do país. 
No Brasil, vige o princípio do pluralismo político, com a livre filiação e organização partidária, não 
cabendo ao Estado a intervenção na criação, fusão ou extinção de partidos políticos. 
São organizações que gozam de autonomia, registrados como Pessoas Jurídicas junto ao Cartório 
de Registo Civil de Pessoas Jurídica de sua sede, em conjunto com a averbação de seu registro no 
Tribunal Superior Eleitoral. 
Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, 
resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os 
direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos: 
I - caráter nacional; 
II - proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo 
estrangeiros ou de subordinação a estes; 
III - prestação de contas à Justiça Eleitoral; 
IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei. 
São instituições de cunho privado não jurisdicional. 
Considerações Finais 
Como visto, em uma expressão da soberania externa do Brasil, a Constituição Federal apresenta 
uma série de princípios norteadores das relações internacionais das quais o Brasil faça parte. 
Tais princípios, em verdade, servem como orientadores dos procedimentos a serem adotados pelo 
país nas relações internacionais, bem como limitadores de sua atuação, com o reconhecimento de 
alguns pontos em que deve o país, no exercício de sua soberania, abster-se com a ideia de criar um 
cenário internacional amigável e salutar. 
Já no panorama interno, surgem os Direitos Fundamentais, como disciplina dentro do Direito 
Constitucional e que carece de atenção especial, haja vista que constituem a base da finalidade 
estatal, bem como a verdadeira expressão garantista da soberania popular. 
 
22 
 
Os Direitos Fundamentais, como se percebe, guardam patente ligação com os Direitos Humanos 
internacionalmente reconhecidos, de tal sorte que refletem as conquistas históricas dos povos ao 
longo das eras. 
Em um primeiro momento, apresentam-se como direitos projetados para a garantia da soberania 
popular contra o Estado, na apresentação de diversos pontos de prestações negativas ao Estado, 
ou seja, limitadores do poderio estatal frente ao povo. 
Essa é conhecida como primeira dimensão, que consagra os direitos inerentes às liberdades. 
Já na segunda dimensão, o que se tem é a construção das prestações positivas ao Estado, ou seja, 
os direitos de cunho social e de igualdade, cujo Estado é colocado como garantidor.Por fim, a terceira dimensão apresenta os direitos de interesse geral, como o meio ambiente, ou a 
proteção ao consumidor. Nessa dimensão, tem-se os direitos transindividuais, ou seja, aqueles que 
permeiam o individualismo e emergem como direitos pertencentes à humanidade em si. 
Além dos Direitos Fundamentais, a Constituição também enumera os Direitos Políticos, como sendo 
aqueles relativos à representação popular no domínio estatal, bem como resguarda os direitos dos 
partidos políticos, como estruturas essenciais para o manejo das atividades representativas do poder 
popular. 
 
Dentro da manifestação da soberania externa do Brasil, a Constituição Federal estabelece os princípios 
norteadores do proceder nacional em relação aos demais países do globo. 
Tais princípios têm por objetivo assegurar a manutenção da soberania nacional, bem como a boa conduta 
internacional. 
Os Direitos e Garantias Fundamentais são estampados na Constituição Federal como reflexo da preservação 
dos direitos do povo e regulamentação sadia da vida em sociedade. 
Os direitos individuais de 1ª dimensão são aqueles que consagram as liberdades individuais, constituindo, 
em verdade, direitos ou garantias aos indivíduos ou à coletividade contra a ação estatal. 
Os direitos de 2ª dimensão, por sua vez, são aqueles com aspecto voltado à vida em sociedade em si, com a 
característica de serem direitos econômicos, sociais e culturais; surgem para regulamentar, basicamente, a 
igualdade entre os cidadãos e sedimentar a adequada relação entre os integrantes do povo em sociedade. 
Os direitos de 3ª dimensão são aqueles voltados para o coletivo, ou seja, direitos que ultrapassam a 
individualidade e, pela sua natureza específica, afetam todos os integrantes do povo, ou até mesmo toda a 
vida humana em si. 
Direitos e garantias fundamentais são dotados de características próprias, a saber: historicidade; 
universalidade; limitabilidade; concorrência; irrenunciabilidade; inalienabilidade; e imprescritibilidade. 
São destinados tanto aos nacionais, como a qualquer pessoa em trânsito pelo país. 
Os direitos relativos à nacionalidade traduzem as relações inerentes ao vínculo jurídico entre o indivíduo e o 
Estado. 
O vínculo primário é relacionado aos critérios de nascimento do indivíduo, podem adotar o critério do ius 
sanguinis, em que os filhos de nacionais são nacionais, desvinculando-se a nacionalidade do critério 
territorial do nascimento; ou o critério do ius soli, que, ao contrário, impõe o vínculo pelo lugar do nascimento, 
pouco importando a filiação. 
Já o vínculo secundário é aquele que se efetiva por meio da naturalização, em que o indivíduo escolhe a 
nacionalidade de que quer fazer parte, submetendo-se a procedimento específico para tanto. 
Os Direitos Políticos consagram a manifestação e participação popular na condução estatal, como vias a 
assegurar a soberania popular frente ao Estado. 
 
23 
 
Partido Político, por definição, é uma organização de pessoas com vias a fomentar o pensamento político e 
formar grupos administrativos do Poder Estatal, com atuação na gestão do país. 
Tais organizações gozam de autonomia e não são órgãos judicantes. 
 
 
Para aprender melhor sobre os direitos fundamentais, você precisa consultar a Constituição Federal, 
sobremaneira o artigo 5º. Acesse o link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm 
 
Em relação aos princípios norteadores das políticas internacionais adotados pelo Brasil, assinale a alternativa 
correta: 
a) Dependência nacional 
b) Prevalência dos direitos humanos 
c) Intervenção 
d) Desigualdade entre os Estados 
e) Solução não pacífica dos conflitos 
RESPOSTA: Alternativa B é a correta, pois é a única que não corresponde à realidade, pois o Brasil, nas 
políticas internacionais, agirá com INDEPENDÊNCIA, observará a NÃO INTERVENÇÃO em outros Estados, 
reconhecerá a IGUALDADE ENTRE OS ESTADOS e optará pela SOLUÇÃO PACÍFICA DOS CONFLITOS. 
 
 
1- É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, 
o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os 
seguintes preceitos, exceto: 
a) Caráter nacional 
b) Proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação 
a estes 
c) Prestação de contas à Justiça Eleitoral 
d) Funcionamento parlamentar de acordo com a lei 
 
24 
 
e) Podem ser estabelecidos em caráter internacional 
 
2- Em relação ao vínculo de nacionalidade secundário, é possível afirmar que o naturalizado e o nacional 
são exatamente iguais em termos de direitos perante a Constituição? Justifique. 
 
 
Tavares, André Ramos. Curso de direito constitucional. 18. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2020. 
Capítulo XIV 
Na obra, o autor investiga toda a origem e formação dos Direitos Humanos Fundamentais, estabelecendo o 
correto e adequado paralelo entre eles e os Direitos Fundamentais impressos na Constituição de 1988. 
Além disso, na descrição dos direitos há o relato bastante completo dos descritivos de cada uma das 
conquistas, bem como o que elas representam para o povo. 
 
 
Norteadores – que indicam norte, direcionamento 
Estampados – demonstrados 
Consagram – sedimentam 
 
Respostas: 
1- Alternativa E 
 
 
 
25 
 
 
FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Estado de direito e Constituição. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. 
FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. O poder constituinte. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. 272 p. 
MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. 31. ed. São Paulo: Atlas, 2015. 958 p. 
NISHIYAMA, Adolfo Mamoru. Manual de teoria geral do direito constitucional. São Paulo: Atlas, 2012. 245 
p. 
PEIXINHO, Manoel Messias. A interpretação da Constituição e os princípios fundamentais: elementos 
para uma hermenêutica constitucional renovada. 4.ed. São Paulo: Atlas, 2015. 105 p. 
TAVARES, André Ramos. Curso de direito constitucional. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2015. 1151 p. 
TEMER, Michel. Elementos de direito constitucional. 24. ed. São Paulo: Malheiros, 2015. 239 p. 
 
ROTHENBURG, Walter Claudius. Princípios constitucionais. Porto Alegre: Fabris, 2003. 96 p. 
STRECK, Lenio Luiz; MORAIS, Jose Luís Bolzan de (org.). Constituição, sistemas sociais e hermenêutica. 
Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2009.

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