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HISTÓRIA DAS POLÍTICAS DE SAÚDE NO BRASIL E CRIAÇÃO DO SUS Saúde Coletiva II · O Sistema Único de Saúde é um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo, abrangendo desde o simples atendimento para avaliação da pressão arterial, por meio da Atenção Primária, até o transplante de órgãos, garantindo acesso integral, universal e gratuito para toda a população do país. · Com a sua criação, o SUS proporcionou o acesso universal ao sistema público de saúde, sem discriminação. A atenção integral à saúde, e não somente aos cuidados assistenciais, passou a ser um direito de todos os brasileiros, desde a gestação e por toda a vida, com foco na saúde com qualidade de vida, visando a prevenção e a promoção da saúde. SUS – CONQUISTA Políticas Públicas "São o conjunto de intervenções organizadas pelo Estado através de diferentes governos com a participação de agentes e instituições governamentais e não governamentais que visam enfrentar situações socialmente problemáticas, identificadas como necessidades sociais por diferentes grupos." · Conjunto de ações, programas e diretrizes que visam melhorar o sistema de saúde do país. · Essas políticas são fundamentadas na Constituição Federal de 1988, que reconheceu a saúde como um direito de todos e dever do Estado. Objetivos: · Promover o acesso universal aos serviços de saúde, · Garantir a qualidade do atendimento, · Prevenir doenças, · Melhorar os indicadores de saúde da população, · Reduzir vulnerabilidade e riscos à saúde. O que existia antes do SUS? Período Colonial (1500-1808): Durante o período colonial, as pessoas entendiam as doenças como castigo ou provação, estando fortemente ligadas, sem dúvida, a crenças e práticas religiosas, com o curandeirismo sendo o principal modelo de saúde. Assim, os pajés, físicos, boticários e cirurgiões barbeiros desenvolviam práticas de saúde através da manipulação de plantas, uso de banhos, inalação de vapores e outras técnicas. Com a vinda dos padres jesuítas ao Brasil, surgiram as primeiras Santas Casas de Misericórdia, em Santos (1543) e em Salvador (1549). · Reportava-se à Metrópole; · Cirurgião-Mor - tropas portuguesas; · Físico-Mor - saneamento, epidemias e questões dos trabalhadores; · Câmaras Municipais - fiscalização da limpeza urbana, de portos e alimentos; · Médicos tinham que migrar de Portugal (dificuldade). · Ausência de planejamento de saúde para a população; · Combate às "pestes" → isolamento dos doentes e · inspeção de navios; · Caridade cristã, atendimento filantrópico e religioso → Santas Casas de Misericórdia; · A partir da década de 1540 → Olinda e Santos. Cirurgião-Mor: · Era o responsável máximo pela cirurgia em uma região ou território. · No período colonial, havia o Cirurgião-mor do Reino (em Portugal) e o Cirurgião-mor da Armada, que cuidava dos assuntos de saúde ligados à Marinha. Suas funções incluíam: · Supervisionar e fiscalizar a prática da cirurgia. · Examinar e conceder licenças para o exercício da cirurgia. · Garantir que os profissionais estivessem qualificados. · Cuidar de soldados e marinheiros, especialmente em tempos de guerra. · Coordenar as atividades dos barbeiros-cirurgiões (profissionais que realizavam procedimentos básicos). Físico-Mor: · Era o responsável pela medicina e pelo controle sanitário. · Supervisionava a prática da medicina, farmácia e outras áreas relacionadas. Suas atribuições incluíam: · Realizar exames e conceder licenças para médicos, boticários (farmacêuticos) e parteiras. · Fiscalizar o exercício da medicina e o preparo de medicamentos. · Inspecionar as condições sanitárias das cidades e portos, atuando na prevenção de epidemias. · Garantir a qualidade dos remédios vendidos. Com o avanço das instituições de ensino e a modernização do sistema de saúde, os cargos de físico-mor e cirurgião-mor foram extintos no século XIX. Em 1808, com a chegada da corte portuguesa ao Brasil, foi criada a Faculdade de Medicina da Bahia, profissionalizando a prática médica e reduzindo a influência desses cargos antigos. Santas Casas: As Santas Casas surgiram no Brasil durante o período colonial, no século XVI, e foram as primeiras instituições de assistência à saúde no país. Elas desempenharam um papel fundamental na oferta de cuidados médicos e sociais, principalmente para as populações mais pobres. · Origem das Santas Casas · As Santas Casas foram inspiradas em instituições semelhantes existentes em Portugal, com raízes na tradição cristã de caridade e assistência aos necessitados. · A primeira Santa Casa do Brasil foi a Santa Casa de Misericórdia de Santos, fundada em 1543, e logo depois a de Bahia, em 1549, ambas com o objetivo de cuidar de doentes, órfãos, pobres e desamparados. · A partir de então, a saúde assumiu um caráter assistencialista, com algumas doenças sendo tratadas nas enfermarias das santas casas. Neste período, predominava a noção de assistência à saúde como prática de caridade. · Eram instituições filantrópicas, mantidas por doações da comunidade, da Igreja Católica e, posteriormente, por apoio do governo. · Ofereciam cuidados básicos de saúde, atendendo principalmente pobres, escravizados e desvalidos. · Realizavam atendimentos médicos, cirúrgicos e de enfermagem, ainda que com poucos recursos e técnicas rudimentares. · Atuavam como abrigos para órfãos, idosos, pessoas com doenças contagiosas e desamparados. · Também ofereciam apoio espiritual, com a presença de religiosos no cuidado dos pacientes. · Durante surtos de doenças como varíola, febre amarela e cólera, as Santas Casas foram fundamentais no atendimento à população. · Algumas Santas Casas também atuaram na formação de profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros. Chegada da família Real (1808 – 1822): · Busca aproximar a realidade local com Portugal (desenvolvimento das cidades - Rio de Janeiro); · Restabeleceu cargos de Físico- Mor e Cirurgião-Mor no Brasil; · Fundação das primeiras Escolas de Ensino Superior, com cursos de Medicina (Salvador Faculdade de medicina na Bahia e Rio de Janeiro). Período Imperial (1822-1889): · Reforma dos serviços sanitários e a criação de: Inspetoria Geral de Higiene e de Saúde dos Portos; Conselho Superior de Saúde Pública; · Foram adotadas as primeiras medidas de higiene escolar e proteção de crianças no trabalho fabril. · Epidemias Saneamento básico precário (cidades sujas); · Ações centralizadas no governo → respostas pontuais e ineficazes; · A saúde pública era focada principalmente em portos e áreas de interesse econômico. · Criação do Código Sanitário do Império, regulamentando ações de higiene urbana. · Apenas as pessoas mais ricas podiam pagar por médicos; · Mas e os pobres, escravos e indigentes? Curandeiros, sabedoria popular, plantas medicinais e caridade. Primeira República ou República Velha (1889-1930): · Responsabilização dos Estados pelas ações de saúde; · Início da Industrialização do Brasil e aumento da urbanização; · Epidemias (Febre amarela, hanseníase, tuberculose, variola) afetavam a economia agroexportadora; · Reforma sanitária liderada por Oswaldo Cruz, com campanhas de vacinação e combate a doenças como varíola, febre amarela e peste bubônica. · Obrigatoriedade da vacina – força policial; · Criação dos primeiros institutos de pesquisa, como o Instituto Oswaldo Cruz. · Início das campanhas de saneamento básico nas grandes cidades. · Criação do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP) por Carlos Chagas: Profilaxia, propaganda, saneamento, higiene industrial, vigilância e controle de endemias. · Lei Elói Chaves (1923): início da Previdência – algumas instituições e empresas - Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAPs). · Criação do SESP – serviços especiais de saúde pública (1942) EUA. Áreas tradicionalmente descobertas: norte e nordeste; Equipe multidisciplinar; Neste período, acontecia no Brasil a introdução da indústria e da lógica capitalista de produção. Com a chegada da indústria, as cidades começaram a planejar e concentrar as pessoas, que moravam próximas às fábricas onde trabalhavam. No entanto,esse crescimento populacional acarretou condições precárias de higiene e saneamento, tornando o Brasil destacado internacionalmente pelos surtos de doenças infecciosas. Esse cenário causava muito receio aos tripulantes estrangeiros, que não queriam desembarcar nos portos brasileiros, trazendo um significativo impacto econômico para o país. Portanto, como medida de enfrentamento à crise e na tentativa de melhorar a imagem do Brasil no exterior, intensificou-se o planejamento das cidades, adotando medidas de saneamento e a medicina higienista como modelo de saúde. Em 1903, Oswaldo Cruz é nomeado Diretor Geral de Saúde Pública, tendo como principal desafio no começo de sua atividade no órgão implementar medidas de controle dos surtos de varíola. Em 1904, iniciou a campanha de vacinação compulsória contra a varíola, na qual a brigada sanitária entrava nas casas das pessoas e as vacinavam compulsoriamente. Essa forma de agir gerou uma revolução popular conhecida como revolta da vacina. A partir do sucesso no controle dos surtos de varíola, passou-se a adotar principalmente o modelo sanitarista-campanhista como modelo de assistência à saúde, centrando as ações de saúde pública nas práticas de vigilância sanitária, notificação de doenças, vacinação obrigatória, saneamento e higiene urbana. Em 1920, a Diretoria Geral de Saúde Pública foi extinguida, dando lugar ao Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), sob direção do médico, pesquisador e sanitarista Carlos Chagas. DNSP Ao DNSP coube, dentre outras atribuições, conhecer e realizar: · o registro demográfico da população; · a introdução do laboratório como auxiliar no diagnóstico de doenças e na fiscalização de produtos alimentícios; · fabricação organizada de produtos profiláticos para uso da população, como soros e vacinas; · ações de propaganda e educação sanitária; · expansão das atividades de saneamento para outros estados e para o interior do Brasil. Dessa forma, em 1923, o Brasil celebrou um convênio com a Fundação Rockefeller, iniciando um esforço para capacitar profissionais de saúde e pesquisadores para atuarem como sanitaristas. Além disso, foi promulgada a Lei Eloy Chaves, considerada o marco da previdência social no Brasil, criando as Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAPs) para os trabalhadores de ferrovias. SESP: Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil firmou acordos com os Estados Unidos para o fornecimento de matérias-primas estratégicas, como borracha e minerais. Para garantir a produção, era necessário melhorar as condições de vida e saúde dos trabalhadores em regiões como a Amazônia. Assim, o SESP foi criado em parceria entre o governo brasileiro e o governo norte-americano, com foco em ações de saúde pública. · Controle de Doenças Endêmicas · Combate a doenças como malária, febre amarela, esquistossomose, tuberculose e hanseníase. · Saneamento Básico · Implantação de sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário em áreas rurais e urbanas. · Educação em Saúde · Promoção de campanhas educativas sobre higiene, prevenção de doenças e cuidados básicos de saúde. · Formação de profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros e agentes de saúde. Principais Contribuições do SESP: · Implantou centros de saúde e hospitais em regiões carentes, especialmente na Amazônia e no interior do Brasil. · Promoveu campanhas de vacinação e combate a vetores de doenças, como o mosquito transmissor da malária. · Contribuiu para a modernização das políticas de saúde pública no Brasil. · Incentivou o desenvolvimento de práticas de atenção primária à saúde. Com o passar do tempo, o SESP foi incorporado a outras estruturas do governo. Na década de 1990, suas funções foram absorvidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Era Vargas (1930-1945): Criação das IAPs- Institutos de Aposentadorias e Pensões (1932); Um instituto para cada das categorias profissionais "fundamentais" para economia; Compra de serviços do setor privado; Administração dependente e centralizada pelo Governo Federal; · 1 Conferência Nacional de Saúde (1941). · Criação de instituições como o Instituto Butantan. · IAPM (Marítimos) · IAPC (Comerciários) · IAPB (Bancários) · IAPETEC (Transporte e Cargas) · IAPSE (Servidores do Estado) Em 1930, o governo criou o Ministério da Educação e Saúde (MESP), assumindo a responsabilidade pela prestação de serviços de saúde aos chamados pré-cidadãos: pobres, desempregados e trabalhadores informais. Eles não eram assegurados pela previdência social e, portanto, não estavam cobertos pela medicina previdenciária. República Populista ou República Nova (1945-1964): · Criação da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 7 de abril de 1948; · Criação do Ministério da Saúde (1953); · Luta dos sindicatos para que todos os IAPS prestassem assistência médica aos associados; · Construção de Hospitais próprios pelos IAP's; · Maior investimento em Atenção Hospitalar em detrimento da AB - Crescimento da indústria (farmacêutica e médica); · Expansão dos serviços de saúde vinculados à previdência social, mas ainda com acesso restrito à população formalmente empregada. · Criação de campanhas nacionais para erradicação de doenças, como a varíola e a poliomielite. · Reinvindicações por reformas de base, dentre elas a sanitária - Golpe Militar; Ditadura Militar (1964-1985): · Perseguição de atores sociais que lutavam por melhorias na saúde; · Empobrecimento da população e aumento da morbidade e mortalidade; · Redução progressiva da verba para MS; · Fusão das IAPS INPS - Instituto Nacional de Previdência Social (1966) ↑ Cobertura (exceto informais); Representatividade dos trabalhadores; ↑ Regulação do Estado; ↑ Serviços terceirizados; · Aumento da demanda por consultas reforçou o modelo hospitalocêntrico e hegemónico; · Ensino médico desvinculado da realidade sanitária da população: Muito especializado, dependente de sofisticação tecnológica, autoritário e mercantilizado. · Apoio da OMS pela medicina comunitária; · Como tentativa de reordenar o sistema, as ações da Previdência foram divididas em órgãos especializados. · Assim, criou-se o Sistema Nacional de Previdência Social (SINPAS), que congregou o Instituto de Administração da Previdência e Assistência Social (IAPAS), o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), criado pela fusão das IAPs, e o Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (INAMPS). SNS: Em 1975, foi incorporado ao Ministério da Saúde, perdendo sua autonomia. PIASS: Criado em 1976 para expandir os serviços de saúde e saneamento às regiões mais distantes e carentes do Brasil. Principais objetivos: Levar serviços de saúde básica às áreas rurais e interiores. INPS: Responsável pelo pagamento de benefícios previdenciários, como aposentadorias e pensões. SINPAS: unificou diversas instituições de previdência e assistência social. Incluía órgãos como o INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), INAMPS, IAPAS, entre outros. Objetivo principal: centralizar e organizar a gestão dos recursos e serviços previdenciários e assistenciais. Antes do SINPAS, o sistema previdenciário brasileiro era fragmentado e dividido entre vários Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs), cada um destinado a uma categoria profissional (como o IAPTEC para trabalhadores em transportes e o IAPI para industriais). Essa estrutura gerava desigualdades e uma administração complexa. Assim, o governo buscou integrar essas instituições para melhorar a gestão e ampliar a cobertura previdenciária. O INAMPS prestava assistência médica previdenciária restritamente aos trabalhadores que exerciam atividade remunerada e aos seus dependentes, sendo a atenção à saúde centrada na doença e em procedimentos. IAPAS: Extinto em 1990, com suas funções integradas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Cuidava da arrecadação e administração dos recursos financeiros da previdência. image1.png image2.png image3.svg image4.png