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As Diferentes Interações 
Sociais na Infância
A Constituição do Eu, do Outro e o 
Desenvolvimento Social na Criança
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Me. Carla Rizzo
Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin
Nesta unidade, trabalharemos os seguintes tópicos:
• A Teoria Psicogenética de Henri Wallon;
• A Criança até 6 Anos de Idade 
e os Estágios Wallonianos;
• O Par Dialético entre Emoção e Pensamento 
na Construção das Interações Sociais;
• Professor de Educação Infantil: o Intérprete 
dos Relacionamentos Sociais na Infância.
Fonte: Getty Im
ages
Objetivos
• Estudar de forma mais aprofundada as Teorias Psicogenéticas de Henri Wallon e de 
 outros teóricos sociointeracionistas;
• Reconhecer a importância do estudo sobre o desenvolvimento infantil para a reflexão e 
o aprimoramento da práxis pedagógica do educador.
Caro Aluno(a)!
Normalmente, com a correria do dia a dia, não nos organizamos e deixamos para o úl-
timo momento o acesso ao estudo, o que implicará o não aprofundamento no material 
trabalhado ou, ainda, a perda dos prazos para o lançamento das atividades solicitadas.
Assim, organize seus estudos de maneira que entrem na sua rotina. Por exemplo, você 
poderá escolher um dia ao longo da semana ou um determinado horário todos ou alguns 
dias e determinar como o seu “momento do estudo”.
No material de cada Unidade, há videoaulas e leituras indicadas, assim como sugestões 
de materiais complementares, elementos didáticos que ampliarão sua interpretação e 
auxiliarão o pleno entendimento dos temas abordados.
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de 
discussão, pois estes ajudarão a verificar o quanto você absorveu do conteúdo, além de 
propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de 
troca de ideias e aprendizagem.
Bons Estudos!
A Constituição do Eu, do Outro e o 
Desenvolvimento Social na Criança
UNIDADE 
A Constituição do Eu, do Outro e o Desenvolvimento Social na Criança
Contextualização
Para começarmos o estudo desta Unidade, caro(a) aluno(a), vamos aprofundar a Te-
oria da Psicogenética de Henri Wallon. 
Faço das palavras de Wallon as minhas, que a Educação deve considerar a totalidade 
da personalidade da criança, aproveitar cada fase da infância para assegurar o atendi-
mento das necessidades da criança na E. I.
Não se pode antecipar as exigências nem desconsiderar aspectos importantes como 
afetividade e a emoção. 
Seria fragmentar a criança:
Até agora educadores e psicólogos interessam-se sobretudo pelo de-
senvolvimento intelectual da criança. Considerou-se que a instrução 
prevalecia sobre a Educação propriamente dita e os psicólogos se-
guindo, neste aspecto os pedagogos, interessam-se sobretudo pelo 
estudo das capacidades intelectuais inerentes a infância. (WALLON, 
1975, p. 202)
É preciso não esquecer que o desenvolvimento da inteligência está ligado ao desen-
volvimento total da personalidade da criança. 
Convido você a realizar um mergulho nos estudos de Henri Wallon, sobre a im-
portância das emoções e da afetividade na vida da criança e suas perspectivas na 
Educação Infantil.
Ótimo estudo e reflexão!
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A Teoria Psicogenética de Henri Wallon
Henri Wallon nasceu na França, em 1879, e faleceu em 1962. Formado em Medici-
na, dedicou-se ao estudo da Psicologia da Criança, na Área da Psiquiatria.
Wallon abre novas perspectivas para a Psicologia, quando retoma as origens biológi-
cas da consciência e sua evolução. 
É pela observação de 214 crianças com quadros variados: psiquismo perturbado, re-
tardos e anomalias psicomotoras, internadas nos serviços psiquiátricos, com idade entre 
2 e 3 anos até 14 e 15 anos, que ele procura compreender, com base no materialismo 
científico, o processo de desenvolvimento infantil. 
Segundo Tran-Thong (1987), Wallon identifica e descreve, pela primeira vez, o 
estágio emotivo e outras etapas do desenvolvimento psicomotor e os níveis sucessivos 
da consciência.
Figura 1
Fonte: Getty Images
É aqui que começamos a compreender como o ser humano interage consigo mesmo 
e com o outro, ou melhor, como se desenvolve integralmente
Wallon estuda os fatores do desenvolvimento psíquico na criança e as emoções, 
apontando que as reações emotivas são o prelúdio da vida psíquica da criança.
Para Rizzo (1996), Henri Wallon olha a criança, este ser em potencial, com respeito e 
simpatia, procurando compreender como se transforma em adulto, analisando-o como 
unidade total, afetiva, intelectual, motora e social, suas condições internas: orgânicas, 
especificamente nervosas, e condições externas: o meio físico e humano.
Na unidade infantil, você já parou para observar o quanto as crianças usam os movimentos, 
as emoções, os gestos e as brincadeiras para expressarem suas necessidades?
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UNIDADE 
A Constituição do Eu, do Outro e o Desenvolvimento Social na Criança
Segundo Rizzo (1996), os estudos wallonianos apontam o papel das emoções e do 
movimento na vida da criança, possibilitando compreender a estreita relação afetivida-
de-inteligência nas relações humanas.
Figura 2
Fonte: Adaptado de Getty Images
Ao contrário das antigas Teorias clássicas, Wallon (1968) percebe que o tônus muscu-
lar não reflete apenas o movimento propriamente dito, mas, também uma circunstância 
da emotividade. 
A contenção do movimento ou seu excesso podem sinalizar a presença da emoção.
Veja, acima, as fotos das crianças! A face, os olhos, a boca, as mãos, indicam movimento, 
mas, principalmente, estados emocionais de alegria, raiva, prazer, surpresa etc.
Você já percebeu, no seu dia a dia, que o corpo, o movimento, a fala e o gesto, expressos 
por meio das brincadeiras ou das interações sociais com seus pares e adultos, expressam as 
múltiplas linguagens das crianças?
As emoções não só revelam um conjunto de expressões e comunicação, como tam-
bém comungam a criança com seu meio. 
É o prelúdio do desenvolvimento social da criança. As emoções exercem papel fun-
damental no desenvolvimento da inteligência. 
Influem em todo o Sistema Psicorgânico, comprometendo ou ajudando a criança a 
pensar e estabelecer relações lógicas. Podem até paralisar a faculdade intelectual, con-
forme o impacto das excitações (WEREBE, 1986). 
Na etapa da Educação infantil, a criança é mais emoção que inteligência; a emoção 
predomina sobre a reflexão, o que vai, paulatinamente, modificando-se, ao longo do 
seu desenvolvimento.
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Convido você para assistir o vídeo Henri Wallon, da Prof.ª Dr.ª Isabel Galvão, que explica o 
papel dos movimentos, das emoções, das interações sociais e da Escola Infantil, no desen-
volvimento da criança. Disponível em: https://youtu.be/5yBj9H3FFgI
Humanista, Wallon defende a ideia de que a verdadeira cultura é aquela que propor-
ciona ao homem o contato com tudo aquilo que não é ele mesmo e o transcende. 
Fundamentais são as relações e as interações humanas: saber se colocar no lugar do 
outro, perceber suas necessidades e pontos de vista, cooperar no trabalho comum.
Por isso, escolhemos estudar, de forma mais profunda, as Teorias Psicogenéticas de 
Henri Wallon, em nosso módulo: as diferentes interações sociais na infância: o eu, o 
outro e o nós.
A Criança até 6 Anos de Idade 
e os Estágios Wallonianos
Você sabia que a Teoria Psicogenética de Wallon, segundo as autoras Ana Rita de 
Almeida (1999), Isabel Galvão (1995) e Carla Rizzo (1996), tem como objetivo central 
estudar como se dá a transformação da criança em adulto? 
Henri Wallon indica cinco estágios nesse processo:
• Impulsivo-emocional (0-1 ano);
• Sensório-motor e projetivo (1-3 anos);
• Personalismo (3-6 anos);
• Categorial (6-11 anos);
• Da puberdade e da adolescência (11 anos em diante).
Nesta unidade, apenas iremos estudar os três primeiros estágios do desenvolvimento 
proposto por Wallon.
O processo de transição entre os estágios é cheio de oscilações, falta de linearidade 
e conflitos:
Não é umasimples ampliação, mas uma modificação; atividades 
preponderantes no primeiro são reduzidas e, por vezes, suprimidas, 
aparentemente, no seguinte. Entre os dois parece surgir muitas vezes 
uma crise em que a conduta da criança pode ser visivelmente afetada. 
O  crescimento é, portanto, assinalado por conflitos, como se fosse 
preciso escolher entre um antigo e um novo tipo de atividade. O que 
se sujeita à lei do outro tem que se transformar e perde em seguida 
poder de regular utilmente o comportamento do indivíduo. Mas, a ma-
neira como o conflito se resolve não é absoluta nem necessariamente 
uniforme. E em cada um deixa a sua marca. (WALLON, 1968, p. 30)
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UNIDADE 
A Constituição do Eu, do Outro e o Desenvolvimento Social na Criança
Para compreendermos a Teoria de Henri Wallon e o papel do professor na Escola Infantil, 
convido você a refletir sobre os temas exibidas no vídeo Coleção Grandes Educadores – 
Henri Wallon, apresentado pela Prof.ª Dr.ª Isabel Galvão.
Disponível em: https://youtu.be/ebt2iaiV9U8
Quantos conceitos interessantes e fundamentais foram elucidados pela Prof.ª Dr.ª Maria 
Isabel Galvão, concorda?
Comece a transpor os conhecimentos explicados por ela para sua prática pedagógica.
No vídeo fica evidente, como os conflitos resultantes da maturação orgânica e as con-
dições do meio físico e social influenciam a constituição do ser da criança. As condições 
internas (orgânicas, especialmente as nervosas) e as condições externas (meio físico e 
social) entrecruzam-se desde o nascimento nas sucessivas idades da criança.
O estágio impulsivo emocional (0-1 ano)
Segundo Rizzo (1996), logo após o nascimento, instala-se uma alternância entre o 
sono e a fome. 
Alguns interpretam esse fato como regresso à plenitude amniótica e à necessidade 
alimentar. Nas primeiras semanas, a criança tem longos períodos de sonolência, che-
gando a dormir 21 horas.
Figura 3
Fonte: Getty Images
Com o passar do tempo, esses períodos de sono e de vigília vão se tornando mais 
espaçosos e distintos, reduzindo-se, frequentemente, a um só período de sono, por volta 
dos 5 ou 6 anos de idade.
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A necessidade de se alimentar provoca no bebê inquietação intensa. Por meio de 
gritos ou contrações dos músculos, a criança busca o seio materno. 
Embora separada fisicamente da mãe, a criança ainda depende dela (WALLON, 
1979) para sobreviver.
Para Wallon (1968, p. 227), “É o ato de nutrição que conjuga e orienta os primeiros 
movimentos ordenados da criança”. 
Figura 4
Fonte: Getty Images
De dois a três meses, a criança já reage com choro, sorriso ou tranquilidade, quando ouve 
a voz de uma pessoa conhecida ou percebe a aproximação ou o afastamento dos adultos.
Paralelamente, a faculdade visual vai se tornando mais aperfeiçoada e, segundo Wallon, 
“É o aperfeiçoamento das atividades sensoriais que permitirá à criança identificar aspectos 
do próprio corpo, que mais tarde se reintegrarão na unidade do ser” (1995, p. 228). 
Figura 5
Fonte: Getty Images
Olhares como o da foto acima também são comuns nos berçários das Instituições infantis. 
E você, aluno(a), quando considera ou interpreta as sinalizações de bem ou mal-estar que 
os bebês apresentam no berçário?
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UNIDADE 
A Constituição do Eu, do Outro e o Desenvolvimento Social na Criança
Por volta dos seis meses, a criança aperfeiçoa o aparelho de que dispõe para sinalizar 
as suas emoções, que se tornam cada vez mais intencionais, dirigidas especialmente às 
pessoas próximas, tais como os pais e os educadores. 
Nessa fase, a emoção inicia a passagem da vida orgânica para a vida psíquica.
Do ponto de vista do psiquismo, esta é uma fase fundamental. Os gestos, a fisionomia, os 
aspectos fisiológicos de prazer e de desprazer, a postura corporal provoca um impacto afe-
tivo nas pessoas ao redor, inclusive em você, professor(a), contagiando para a colaboração 
espontânea na satisfação das necessidades da criança.
Figura 6
Fonte: Getty Images
Você consegue perceber a correlação entre os campos de experiência tratados anterior-
mente o eu, o outro e o nós, e a Teoria Psicogenética de Henri Wallon, no que diz respeito 
aos direitos da criança? 
Nos berçários, pais e educadores(as) devem estar atentos às trocas ativas e afetivas do bebê 
com os que o cercam, os objetos e suas impressões psíquicas sobre o ambiente social. Princi-
palmente, os direitos de aprendizagem e desenvolvimento, tais como o conviver, o brincar, o 
expressar, o explorar e o se conhecer, aparecem com muita força no interior do berçário.
Ao longo do 1° ano, estágio denominado por Wallon de impulsivo-emocional, a ati-
vidade sensorial da criança vai se aperfeiçoando, em virtude da maturação do Sistema 
Nervoso (fatores internos) e a interação com o meio físico e social (fatores externos).
É nesse estágio que, segundo Dantas (1990), ocorre a primeira etapa da construção 
da pessoa, o início do recorte corporal. Ao longo do primeiro ano, a criança parece se 
surpreender com os membros do próprio corpo: dentes, pernas, mãos etc., que agora 
começa a perceber. Inicia uma série de explorações do próprio corpo: bater, morder, 
ranger os dentes num objeto duro etc. 
A manipulação, para investigação da realidade exterior, já é possível, graças à as-
sociação dos olhos com a mão, pela qual a criança realiza suas primeiras tentativas de 
pegar, puxar e empurrar os objetos que se acham diante do seu campo perceptível. 
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No final do primeiro ano, começa a se estruturar a fase dos exercícios sensório-motores. 
É evidente o amadurecimento do Sistema Subcortical na criança, que torna mais apto 
o Aparelho Perceptivo para as explorações sensoriais da realidade exterior, segundo 
Dantas (1990).
Figura 7
Fonte: Getty Images
O estágio sensório-motor e projetivo (1 a 3 anos)
Neste período, explica Dantas (1990), continua o processo de percepção corporal na 
criança. Ela fica atraída, interessada pelo corpo dos outros, quer saber sobre as diferen-
ças sexuais, tem curiosidade em descobrir seu próprio corpo. 
É a idade do espelho, quando a criança toma consciência da sua imagem refletida nele.
Perceba quantas brincadeiras (atividades pedagógicas) interessantes, você pode planejar 
em relação à fase do espelho e, principalmente, aos aspectos relacionados à consciência 
de si e do outro, nas interações sociais, que acontecem na sala de aula, entre as crianças e 
os adultos. 
Figura 8
Fonte: Getty Images
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UNIDADE 
A Constituição do Eu, do Outro e o Desenvolvimento Social na Criança
Durante o segundo ano, o andar e a linguagem vêm modificar totalmente o compor-
tamento da criança. 
O andar lhe possibilita a ampliação do campo de experiência e reconhecimento dos 
objetos e do espaço que a rodeiam. 
A criança, explica Wallon:
Nas suas corridas e saltos, pode medir por si mesma as distâncias, variar 
as direções, passar de um lado para o outro. O espaço adquire para ela 
uma realidade independente dos objetos que o preenchem. É um campo 
livremente aberto à sua atividade”. (WALLON, 1975, p. 81)
Figura 9
Fonte: Adaptado de Getty Images
E você, como planeja e organiza brincadeiras, tais como correr, saltar, rolar, empilhar, tre-
par, explorar objetos etc.? É de extrema importância que o meio educacional e familiar 
favoreça e autorize experiências sensoriais. 
O ato de puxar os objetos, explica Rizzo (1996), deslocá-los, empilhá-los (indiscriminada-
mente ou por categorias), agitá-los para captar os sons produzidos e carregá-los de um 
canto para outro, leva a criança a perceber a qualidade e as propriedades dos objetos e 
também permite que ela vá se apropriando do espaço próximo. 
Saiba que ao organizar o espaço para que as experiências sensoriais aconteçam na Educa-
ção infantil, você promove o que Wallon (1968) chama de inteligência prática, que consiste 
no exercício da atividade sensório-motora.
Outro tipo de atividade começa a se manifestar. É a atividade projetiva, a função 
simbólica: a criança começa a elaborar a capacidade de representar a realidade, oque 
vai depender da percepção que vai adquirindo das situações vivenciadas e do grau de 
elaboração das experiências sensório-motoras. 
A atividade mental se projeta em atos motores.
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Figura 10
Fonte: Adaptado de Getty Images
A criança imita as pessoas ou as situ-
ações que a atraem. Sente a necessidade 
de se imaginar no papel ou no lugar da 
pessoa que estima. Por isso, é tão co-
mum, na Educação Infantil, crianças imi-
tarem seus educadores ou familiares.
Segundo Rizzo (1996), a ficção é ine-
rente à criança. No entanto, você sabia que 
ela não se engana com os simulacros que 
utiliza, como, por exemplo, montar um pe-
daço de madeira como se fosse um cavalo. 
Ela sabe muito bem que é um pau, apesar 
de se imaginar montada num cavalo.
A criança se diverte com suas fantasias e necessita da cumplicidade do adulto. Quer ser 
olhada, quando prática seus simulacros. Tais atividades introduzem a criança nos jogos de 
ficção, tão frequentes no decorrer dos 3 aos 6 anos de idade.
Para Wallon (1968), a criança começa a distinguir sua pessoa, na medida em que vai ex-
perimentando uma série de jogos ou exercícios, nos quais age e recebe a ação do outro, 
como, por exemplo: esconder e ser escondida, dar e receber um beliscão, levantar o pano e 
se esconder debaixo dele.
Por isso, quando você brinca com suas crianças dessa maneira, você as ajuda a se percebe-
rem diferenciadas das outras, além de introduzi-las em novas situações do mundo exterior. 
A esses jogos que, provavelmente, você já faz com suas crianças, dá-se o nome de jogos de 
alternância. Neles, a criança procura viver dois papéis: de autor e de vítima, e vai descobrin-
do e redescobrindo a si e ao outro.
Figura 11
Fonte: Getty Images
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UNIDADE 
A Constituição do Eu, do Outro e o Desenvolvimento Social na Criança
Aqui, você consegue perceber a riqueza da obra de Henri Wallon e a razão pela qual decidi-
mos apresentar de forma mais profunda sua Teoria Psicogenética? 
Os conceitos aprendidos aqui, se estudados com afinco, irão proporcionar a você forte re-
pertório teórico-prático para compreender o começo do processo de formação da consciên-
cia na criança, a construção das relações interpessoais e as práticas sociais.
Nessa mesma fase, as crianças costumam irradiar as conversas que mantém consigo mes-
mas, imaginando diálogos, criando conversas com um ou mais amigos imaginários. 
Segundo Wallon (1968), esses diálogos tendem a desaparecer inesperadamente em torno 
dos 3 anos de idade, indicando o advento do estágio personalista.
O estágio personalista (3 a 6 anos)
A partir dos 3 anos de idade, inicia-se nova etapa na vida da criança, em que se dá a 
construção do eu. Aqui, existe preponderância das relações interpessoais e da atividade 
simbólica, mas a atividade intelectual fica em segundo plano.
De acordo com Rizzo (1996), Wallon subdivide esse estágio em três fases, caracteri-
zadas por crises no plano relacional. 
A primeira, mais evidente, é a crise de oposição: a criança pretende mostrar-se di-
ferente das pessoas mais próximas, opondo-se, sempre que pode, a tudo que não é ela 
mesma. Começa a impor seu desejo de autonomia pela negação do outro, sendo muito 
comum a teimosia pela teimosia, o não pelo não.
Figura 12
Fonte: Adaptado de Getty Images
Segundo Rizzo (1996), de forma negativa, a criança trava conflitos com as pessoas do meio 
próximo para se certificar da sua força e se afirmar. Pretende experimentar a sua força, o 
poder de sua personalidade, combatendo, as sugestões e os limites estabelecidos pelos 
adultos e crianças.
Diante desse contexto conflituoso, você deve tentar encontrar soluções práticas para 
que situações, como tapas, mordidas, apropriação do brinquedo ou objeto alheio, dis-
putas por espaço e pessoas, não aconteçam de forma que a dinâmica do grupo se 
desestabilize emocionalmente. 
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Uma dica: cuidado para não ser 
contagiado pelas emoções provoca-
tivas das crianças, ok!? 
Você é o adulto da relação e, 
portanto, com firmeza e afeto, deve 
ensiná-la que não pode conseguir o 
que deseja impondo sua vontade de 
forma autoritária e negativa.
Superada a fase da oposição, a 
criança entra numa etapa de con-
quista, desejando fazer-se valer, 
querendo receber elogios. O seu eu 
recém-conquistado necessita ser for-
talecido, admirado e reconhecido. É a fase da graça, assim denominada por Hamburger: 
as caretas, as micagens e as risadas de suas próprias tolices.
A criança quer ser reconhecida pela exuberância de seus movimentos, faz questão de 
correr, pular, saltar dos brinquedos diante de você ou das pessoas que admira.
Figura 14
Fonte: Adaptado de Getty Images
É neste período que as crianças constroem suas primeiras experiências sociais e também 
entram em contato com a aprendizagem de virtudes, tais como: a amizade, a cooperação, 
a compaixão, a empatia, o respeito, a cordialidade e a ética, entre outros? 
Durante seu trabalho pedagógico, sugerimos que você planeje situações coletivas em que 
a criança possa cuidar de si, cuidar do outro, cuidar do meio ambiente, dos animais, física, 
emocional e socialmente. 
Rizzo (1996) explica a terceira e última fase do estágio personalista, marcada pela 
reaproximação da criança das pessoas por quem sente forte admiração e que um dia 
(fase da oposição) chegou a negar.
Neste momento, a criança dedica-se à atividade de imitar as pessoas que a atraem, 
incorporando as atitudes e os papéis sociais desempenhados pelo seu personagem (ídolo).
Figura 13
Fonte: Getty Images
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UNIDADE 
A Constituição do Eu, do Outro e o Desenvolvimento Social na Criança
Você já deve ter visto, na sua prática pedagógica, a criança incorporar e imitar dife-
rentes papéis: a mãe, a educadora, a polícia, o médico etc. 
Por meio da imitação, a criança abre espaço para a experimentação de novas situa-
ções, que poderão ajudá-la na adaptação ao mundo exterior (WALLON, 1968). 
A imitação lança a criança aos jogos de ficção, que lhe possibilitam o entendimento 
e a apropriação da cultura à qual pertence, por intermédio da imaginação.
Figura 15
Fonte: Adaptado de Getty Images
A Educação Infantil deve aumentar o número de relações com os outros, diversifican-
do os papéis que a criança simula, a fim de afirmar mais e mais a sua identidade. 
Para se constituir-se e se afirmar como pessoa, faz-se necessário introduzi-la em ou-
tros grupos de brincadeiras, de jogos e de trabalho.
O Par Dialético entre Emoção e Pensamento 
na Construção das Interações Sociais
As emoções e o pensamento (inteligência) andam lado a lado; uma não pode dominar 
a outra; ambas se interpenetram. 
Segundo Almeida (1994, p. 43): 
A emoção está presente na vida do indivíduo; mesmo em estados de 
serenidade, ela se encontra como que latente. Portanto, se nenhuma 
atividade, por mais intelectual que seja, suprime a emoção, nenhuma 
situação emocional, por mais intensa que seja, elimina completamen-
te a presença da razão. Convivendo em estado de perfeita comunhão, 
quando, quando uma sobressai na atividade, é porque a outra encon-
tra-se eclipsada. Dessa relação de complementariedade entre a emo-
ção e a inteligência depende o desenvolvimento do sujeito.
Em outras palavras, caro(a) aluno(a), quando a emoção está em alta, a razão encontra-
-se escondida, não funciona adequadamente, e quando a razão está em alta, a emoção 
encontra-se suprimida. 
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Wallon (1968) observa que as crianças são propensas a serem arrebatadas pelas emo-
ções devido à inconsistência de sua vida intelectual e por ainda estarem muito ligadas às 
suas origens orgânicas. 
Frequentemente, verificam-se explosões súbitas ou crises emotivas no comportamen-
to das crianças. 
Você, como educador(a), segundo Rizzo (1996), pode aumentar ou diminuir a crise e 
a confusão subjetiva em que se encontra a criança ou afogá-la, ainda mais, nas tormen-
tas de suas sensibilidades orgânicas. 
Muito cuidado ao abordar uma criança tomada por emoções negativas, tais como: a 
raiva, a inveja, os ciúmes e a agressividade.
Figura16
Fonte: Getty Images
Para Rizzo (1996), a aprendizagem pode ficar comprometida, se a criança está sob 
o domínio da emoção. 
A capacidade da inteligência e de percepção fica reduzida diante da supremacia emo-
cional. Se você pressionar a criança por alguma situação que ela considera ameaçadora 
ou temerosa, as emoções podem se manifestar por meio de abalos orgânicos, como 
tremores, tensões e irritação, entre outros.
Figura 17
Fonte: Getty Images
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UNIDADE 
A Constituição do Eu, do Outro e o Desenvolvimento Social na Criança
Por ainda estar dependente do centro subcortical (de onde provêm as emoções), ex-
plica Rizzo (1996), a criança acaba sendo tomada pelos caprichos da emoção. 
Cabe ao adulto, que já tem o domínio das atividades do centro cortical (pensamento e 
lógica) não se deixar contagiar pelas frequentes crises da criança, mas ajudá-la a explorar 
suas capacidades racionais.
As emoções, explica Rizzo (1996), desvanecem-se quando a criança se dedica a atividades 
intelectuais como pensamento e raciocínio. 
Sugerimos a você, quando uma criança estiver tomada pelas emoções negativas, abrir es-
paços para a criança expressar suas necessidades emotivas, suas inquietações ou impres-
sões, por meio da linguagem, gestos, brincadeiras e atividades artísticas.
Figura 18
Fonte: Getty Images
Wallon (1968) acredita no poder da representação, que as emoções podem ser reduzidas 
por meio da atividade da inteligência ou vir à tona, se a representação custar a aparecer.
Professor de Educação Infantil: o Intérprete 
dos Relacionamentos Sociais na Infância
Para finalizar esta Unidade: A constituição do eu, do outro e o desenvolvimento 
social na criança, resolvemos fazer algumas sugestões práticas para suas Ações Peda-
gógicas na Educação infantil:
• Crie situações em que a criança possa expressar seus sentimentos, desejos, suges-
tões e pensamentos, sua pessoa, por meio de conversas, jogos em grupo, ativida-
des individuais e coletivas e brincadeiras;
• Acolha e torne possível a manifestação das fantasias infantis, por meio dos jogos 
de ficção e dos jogos de faz de conta, porque é por intermédio deles que a criança 
poderá desenvolver sua capacidade de raciocínio, suas representações sobre si, o 
outro e a Sociedade;
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• Saiba ler e interpretar a estreita relação entre movimento, emoção e pensamento. 
Daí a importância de você ter a clareza dessa tríade, vez que o corpo revela, por 
meio da Linguagem não verbal e gestos, atitudes corporais e fisionomias os efeitos 
das emoções nas práticas sociais;
• Não permita que o efeito das emoções negativas de alguma criança o contagie de 
forma negativa, vez que você é o adulto da relação e tem o dever de ajudá-la a su-
perar sua crise emocional;
• Por último, valorize as emoções mais saudáveis do ponto de vista psíquico e social: 
compaixão, simpatia, ternura, afetividade, respeito etc.
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UNIDADE 
A Constituição do Eu, do Outro e o Desenvolvimento Social na Criança
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Vídeos
Desenvolvimento Afetivo
https://youtu.be/IUSVeVnmt1U
Avaliação na Educação Infantil
https://youtu.be/A74gphe1nT4
 Leitura
Afeto e o cuidar no desenvolvimento de crianças com deficiência na Educação infantil
WELLICHAN , D. da S. P.; ADURENSO, F. D. L.
http://bit.ly/2ZmzWXs
O Papel das emoções na constituição do sujeito
ALEXANDROFF, M. C.
http://bit.ly/2Zl9ldc
Modernidade Líquida e Infâncias na Era Digital
BORGES, M. K.; AVILA, S. De L.
http://bit.ly/2Zt2zCo
22
23
Referências
ALEXANDROFF, M. C. O Papel das emoções na constituição do sujeito . 
Disponível em: . Acesso em: 27 jul. 2019.
ALMEIDA, A. R. S. A emoção na percepção do professor pré-escolar: um estudo 
com base na obra de Henri Wallon. 1994. Dissertação (Mestrado em Psicologia da 
 Educação). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 1994.
________. A concepção walloniana de afetividade – uma análise a partir das teorias 
do desenvolvimento e das emoções. 1999. 174 f. Tese (Doutorado em Psicologia) – 
 Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 1999.
BORGES, M. K.; AVILA, S. De L. Modernidade Líquida e Infâncias na Era Digital. 
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