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Unidade 2
Segurança na 
Movimentação 
e Transporte 
de Carga 
Rosivany Gomes
Segurança do 
Trabalho na Indústria 
e na Logística
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autor 
ROSIVANY GOMES
A AUTORA
Rosivany Gomes
Olá. Sou a professora Rosivany Gomes. Sou Mestre em Biociência 
e Pedagoga, com experiência técnico-profissional na área de Segurança, 
Saúde e Meio Ambiente. Atuo também como consultora em SMS para 
empresas que precisam se adequar às exigências legais na área de Saúde, 
Segurança e Meio Ambiente. Ao longo da minha vida acadêmica pude 
coordenar o curso de MBA em Sistema de Gestão Integrado em SMS onde 
desenvolvemos um produto final para atender à demanda do mercado. 
Além disso, pude atuar em diferentes segmentos da Educação, desde 
educação básica, cursos técnicos, cursos de graduação e pós-graduação. 
Durante essa jornada, desenvolvi habilidades e competências como 
educadora, aprimorando meus conhecimentos em Metodologias Ativas, 
Aprendizagem Baseada em Projetos e Ensino à distância e Educação em 
ambientes virtuais com o projeto “Recomendação de materiais didáticos 
baseada em estilos cognitivos de aprendizagem”. 
Destaco na minha sólida carreira na área de Gestão Educacional 
os prêmios de Coordenador inspirador e Prêmio Educação, Inovação 
e Desenvolvimento de projetos educacionais pela Implantação e 
coordenação de projetos educacionais baseados em Metodologias Ativas 
e por desenvolver a cultura digital na minha equipe e nos alunos de cursos 
presenciais e nas plataformas de EAD.
Atualmente me dedico à formação Técnica profissional e à 
elaboração de materiais educacionais, aplicando a aprendizagem que 
associa teoria à prática, ou seja, aprender fazendo.
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
INTRODUÇÃO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Classificação dos tipos de carga...........................................................12
Movimentação e transporte de carga .............................................................................. 12
Riscos ocupacionais no transporte de cargas ........................................................... 13
Risco ergonômico ........................................................................................................ 14
Risco químico .................................................................................................................. 15
Risco de acidente ........................................................................................................ 15
Risco físico ........................................................................................................................ 16
Tipos de carga ................................................................................................................................... 17
Carga geral ........................................................................................................................ 17
Carga unitizada .............................................................................................................. 18
Carga a granel ................................................................................................................ 19
Carga perecível ............................................................................................................. 20
Carga indivisível ............................................................................................................. 21
 Carga neo granel ......................................................................................................... 21
Carga de produtos perigosos .............................................................................22
Procedimentos de segurança no transporte de cargas .....................................23
Modais de transporte versus tipos de cargas ................................ 26
Modais de transporte ...................................................................................................................26
Modal Rodoviário .............................................................................................................................26
Sistema nacional de trânsito ................................................................................27
Vantagens e desvantagens do modal rodoviário ....................................................29
Classificação dos veículos .................................................................................... 30
Classificação dos Caminhões .............................................................................32
Classificação de carrocerias.................................................................................33
Modal ferroviário ..............................................................................................................................34
Modal Aeroviário ............................................................................................................................. 36
Modal aquaviário .............................................................................................................................37
Modal Dutoviário ............................................................................................................................. 39
Produtos perigosos .....................................................................................41
Carga perigosa versus produtos perigosos ................................................................. 41
Classificação produtos perigosos .......................................................................................42
Classe I - explosivos ..................................................................................................44
 Classe II - gases ...........................................................................................................45
Classe III - líquidos inflamáveis ..........................................................................45
Classe IV - sólidos inflamáveis .......................................................................... 46
Classe V - substâncias oxidantes e peróxidos orgânicos ............. 46
Classe VI - substâncias tóxicas e substâncias infectantes ............47
Classe VII - material radioativo .......................................................................... 48
Classe VIII - substâncias corrosivas .............................................................. 48
Classe IX - substâncias e artigos perigosos diversos ...................... 48
Medidas de controle para armazenamento e transporte de cargas com 
produtos perigosos ....................................................................................................................... 49
Segurança no trabalho portuário.........................................................................................52do serviço de emergência e venha a atingir um maior número de 
vítimas ou uma área maior realizando o processo de contenção e controle 
dos produtos perigosos.
Após o atendimento às vítimas, a descontaminação é uma das 
etapas mais importantes do atendimento com produtos perigosos, pois 
evita que o produto saia da área da ocorrência para outros locais.
O tipo de descontaminação varia de acordo com as características 
fisioquímicas dos produtos, garantindo a redução ou eliminação dos 
efeitos.
A seguir veremos alguns tipos de descontaminação.
 • Emulsificação: detergentes, sabões que têm a capacidade de 
produzir suspensão em líquidos não polares ou sólidos insolúveis;
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
52
 • Degradação ou neutralização: uso de outro produto químico que 
combinado neutraliza o produto perigoso. Não deve ser usado em 
tecidos vivos;
 • Desinfecção: eliminação dos microrganismos, toxinas por 
processos de limpeza;
 • Diluição: diminuição da concentração do produto em substância 
solúvel, normalmente água. Tomar cuidado com o escoamento da 
solução;
 • Absorção ou penetração: realizado com o auxílio de absorventes;
 • Remoção: com aspiração, jato d’água, escovas etc.
 • Eliminação: jogando fora os materiais em contato com o produto 
em local apropriado. 
Segurança no trabalho portuário
Diferente dos modais terrestres e o aeroviários, a legislação brasileira 
que trata da saúde e segurança do trabalhador aborda exclusivamente 
as exigências de segurança no transporte de cargas relativo ao modal 
aquaviário no trabalho em portos. Outro assunto muito importante 
no cenário de movimentação de cargas de produtos perigosos são as 
operações realizadas com contêineres com cargas perigosas, contendo 
materiais explosivos, corrosivos, de perigo de inalação ou radioativos, por 
exemplo. 
A norma regulamentadora NR 29 regula a proteção obrigatória contra 
acidentes e doenças profissionais e as ações que facilitem os primeiros 
socorros a acidentados de forma a alcançar as melhores condições 
possíveis de segurança e saúde para aplicação nos trabalhadores 
portuários em operações (tanto a bordo como em terra), assim como aos 
demais trabalhadores que exerçam atividades nos portos organizados 
e em instalações portuárias de uso privativo e retroportuárias, situados 
dentro ou fora da área do porto organizado. 
Vejamos alguns trechos da norma sobre esses assuntos (ENIT, 
2020):
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
53
Segundo a NR 29 no item 29.6.1 as cargas perigosas são quaisquer 
cargas que sejam explosivas, gases comprimidos ou liquefeitos, 
inflamáveis, oxidantes, venenosas, infecciosas, radioativas, corrosivas 
ou poluentes, que possam representar riscos aos trabalhadores e ao 
ambiente e incluem quaisquer receptáculos, tais como tanques portáteis, 
embalagens, contentores intermediários para graneis (IBC) e contêineres. 
Para proteger os profissionais portuários, a NR 29 prevê a criação de 
uma Comissão de Prevenção de Acidentes no Trabalho Portuário (CPATP). 
A CPATP tem como objetivo relatar as condições de risco nos ambientes 
de trabalho, solicitando, quando necessário, medidas para reduzir os 
riscos existentes. A comissão também visar discutir os acidentes ocorridos, 
encaminhando ao Serviço Especializado em Segurança e Saúde do 
Trabalhador Portuário (SESSTP) o resultado da discussão no intuito de 
orientar os trabalhadores quanto à prevenção do acidente. 
Constituída de forma paritária, por trabalhadores portuários com 
vínculo empregatício, seus mandatos duram dois anos, permitindo-se 
apenas uma reeleição do corpus escolhido. 
A composição da CPATP obedecerá a critérios que garantam a 
representação das atividades portuárias com maior potencial de risco 
e ocorrência de acidentes, respeitado o dimensionamento mínimo do 
quadro II da NR29 sendo proporcional ao número médio do conjunto de 
trabalhadores portuários utilizados no ano anterior. 
Figura 19: Dimensionamento mínimo da CPATP
Fonte: https://bit.ly/38LIauK
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
54
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que produtos perigosos são substâncias que podem vir a 
causar danos à saúde humana, a um bem material ou ao 
meio ambiente. A classificação adotada é feita com base no 
tipo de risco que estes produtos apresentam e conforme as 
Recomendações para o Transporte de Produtos Perigosos 
da ONU. A mesma estabelece os critérios utilizados para 
a classificação destes materiais que determinaram a 
criação de nove classes básicas, que podem ou não ser 
subdivididas, conforme as características dos produtos. 
As medidas de controle com movimentação de produtos 
perigosos envolvem a identificação do produto. Por 
isso, os rótulos de riscos devem estar presentes durante 
todo o processo logístico como forma de identificação 
dos produtos perigosos em suas classes e subclasses, 
colaborando na contenção e descontaminação, sempre 
priorizando o atendimento às vítimas. Destacamos no 
final do capítulo, a segurança com produtos perigosos 
no modal portuário atendendo os dispostos na NR29. Os 
demais modais apresentados não apresentam uma NR 
específica e por isso, seguem as regras estabelecidas 
pelas agências nacionais de transporte terrestres e 
aeroviários e os serviços de segurança que atuam nestes 
locais garantindo que as exigências legais sejam cumpridas 
através do Serviço Especializado em Segurança e Saúde do 
Trabalhador Portuário (SESSTP) e a Comissão de Prevenção 
de Acidentes no Trabalho Portuário (CPATP).
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
55
Logística reversa na indústria
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo você será capaz compreender 
a importância da logística reversa e optar por inserir este 
modelo na gestão integrada da empresa, definindo o 
que são resíduos e a importância do gerenciamento 
de resíduos para as empresas. Na logística reversa, o 
desenvolvimento sustentável é o resultado esperado que 
depende de diferentes fatores, iniciando na escolha das 
embalagens, na forma de transporte e o modal utilizado. 
Juntos iremos desenvolver suas habilidades para visualizar 
o ciclo da logística e construir as competências necessárias 
para aplicar a logística reversa. E então? Motivado para 
desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!
Resíduos sólidos
A crescente quantidade de produtos com ciclos de vida cada 
vez menores e a grande variedade de modelos que se intensificaram 
nas últimas décadas do século XX deram origem à necessidade de um 
pensamento logístico que pudesse inserir a fase de retorno de uma 
parcela desses produtos ao processo produtivo como matéria prima ou 
na reutilização em alguma etapa do processo. Neste sentido a cadeia de 
suprimentos não encerra no produto final e sim no destino final que é dado 
ao que não foi consumido ou usado, como nos casos de embalagens e 
recipientes que até pouco tempo eram destinados aos aterros em forma 
de resíduos.
Os resíduos sólidos são tudo aquilo que normalmente chamamos de 
lixo. Portanto, ele é qualquer matéria sólida ou semissólida produzida pelo 
homem e pela natureza. Geralmente é classificado como lixo, porém o lixo 
é parte do resíduo sólido que não tem mais valor agregado, enquanto que 
os resíduos podem retornar à cadeia de suprimentos através da logística 
reversa, contribuindo para o desenvolvimento sustentável. Este tem como 
objetivo aplicar um novo tipo de desenvolvimento capaz de manter o 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
56
progresso humano, não apenas em alguns lugares e por alguns anos, mas 
em todo o planeta e até● no futuro, garantindo que as gerações futuras 
atenderão suas próprias necessidades e as necessidades do presente.
O Plano Nacionalde Resíduos Sólidos propõe agrupar os resíduos 
considerando o local ou atividade em que a geração ocorre, como no 
caso dos resíduos sólidos do transporte. Estes são divididos em Resíduos 
Sólidos do Transporte Aéreo e Aquaviário que são aqueles gerados pelos 
serviços de transportes, de naturezas diversas como ferragens, resíduos 
de cozinha, material de escritório, lâmpadas, pilhas etc. Os Resíduos 
Sólidos do Transporte Rodoviário e Ferroviário gerados pelos serviços de 
transportes, acrescidos de resíduos sépticos, podem conter organismos 
patogênicos (LEI12305, 2010).
Quando compramos um EPI ele é enviado pelo fabricante através 
de caminhões ou outro modal devidamente embalado. Durante o trajeto, 
o pneu precisou ser trocado após sofrer um rasgo devido à má condição 
e conservação da estrada. O pneu substituído se tornou um resíduo. Se 
eu não te contasse este fato, você não saberia que durante a logística do 
seu EPI, os resíduos, além das embalagens que você irá descartar, foram 
gerados e precisam ter um destino final correto, caso contrário poderão 
criar impactos ambientais e comprometer o desenvolvimento sustentável. 
Impactos ambientais
Existe uma variedade de resíduos sólidos previstos em lei que 
precisam ser pensados de forma consciente como vimos no caso do pneu 
do caminhão que se tornou um resíduo durante a logística do EPI. Portanto, 
governos, empresas e cidadãos precisam assumir suas responsabilidades 
com os resíduos e tratá-los de forma correta para que o impacto sobre o 
meio ambiente e a saúde das pessoas seja menor.
Mas o que fazer com esse pneu e os demais resíduos gerados?
Que o tempo de decomposição dos pneus é de 600 anos? As 
vendas de automóveis crescem a cada ano no Brasil, trazendo um 
resultado positivo para a economia do país, mas que também gera 
resultados negativos, uma vez que o descarte de pneus usados se torna 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
57
ainda mais forte. O descarte de pneus no meio ambiente é um grande 
problema ambiental especialmente por conta de seu elevado tempo de 
deterioração, causando poluição do solo e contaminação de áreas.
Mas não podemos falar apenas do modal rodoviário. O modal 
dutoviário apresenta vantagens como a redução no tempo necessário 
para o transporte da carga. Porém, entre suas desvantagens poderíamos 
citar as questões relacionadas aos custos do acidente, tanto para a 
sociedade e, principalmente, para o meio ambiente. Veja o exemplo 
abaixo da empresa que utiliza o mineroduto para transportar minério de 
ferro. Segundo informações geradas pela secretaria do estado de meio 
ambiente de Minas Gerais informou que com o rompimento da tubulação, 
o minério atingiu o Rio e o abastecimento de água precisou ser cortado 
(Fonte: http://glo.bo/3bPQkEx). 
Como podemos ver, o impacto no meio ambiente acaba causando 
impactos também nas vidas das pessoas.
Gestão de Resíduos
Este olhar mais amplo sobre os resíduos e os possíveis impactos 
dentro do ciclo de vida é importante para a adoção de soluções que 
sejam eficientes, mas que não causem um descompasso na cadeia, onde 
a solução para uma determinada fase possa ser prejudicial à outra. 
Essa visão nos reporta à importância de gerir os resíduos, através de 
uma gestão de resíduos. Por exemplo, a escolha de um novo componente 
para um determinado produto deve levar em conta não apenas os 
ganhos na qualidade e no retorno financeiro, mas também questões das 
características pós-consumo (como a forma de descarte, a possibilidade 
de separação e reciclagem etc.). A gestão de todas as fases do ciclo de 
vida de um produto é fundamental para a sustentabilidade das empresas. 
Essa gestão pode contar com o auxílio de diversas ferramentas, 
como a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) e a própria logística reversa.
O uso da logística reversa no gerenciamento de resíduos pode 
aparecer em diferentes etapas do ciclo, seja como forma de reuso ou 
reciclagem de materiais na recuperação de embalagens ou na destinação 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
58
final. Portanto, é uma ferramenta que pode proporcionar importantes 
ganhos ambientais, sociais e econômicos, possuindo um papel muito 
relevante na gestão de resíduos. 
Usando a reciclagem de embalagens utilizadas no transporte de 
cargas unificadas, por exemplo, vemos a gestão de resíduos contribuindo 
para diminuir a demanda por recursos do sistema natural, além de 
proporcionar a inclusão social para pessoas que encontram no processo 
de gestão uma fonte de renda como catadores e transformadores de 
embalagens pelo processo de reciclagem.
A gestão de resíduos pode ser vista pelos os aspectos que envolvem 
a reciclagem como uma revalorização do produto, em que os materiais 
descartados são transformados em matérias-primas secundárias ou 
recicladas, que serão reincorporadas à fabricação de novos produtos. O 
exemplo mais comum são os metais em geral, que extraídos de diferentes 
tipos de produtos que são descartados passam a ser matérias-primas 
secundárias a serem reintegradas ao ciclo produtivo, fechando seu ciclo 
da logística reversa.
O futuro da Logística
Atualmente, estima-se que no Brasil tem por ano, 18 milhões de 
computadores, 80 milhões de celulares, 50 milhões de geladeiras, 23 
milhões de máquinas de lavar roupas, 2,6 milhões de automóveis, 20 
bilhões de garrafas PET, 20 bilhões de latas de alumínio e outro tanto de 
caixinhas longa vida que entram no mercado anualmente e se tornam 
resíduos (LEITE, 2017).
De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a 
logística reversa se apresenta como um instrumento de desenvolvimento 
econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, 
procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos 
resíduos sólidos ao setor empresarial para reaproveitamento, em seu ciclo 
ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente 
adequada (LEI12305, 2010).
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
59
Ao contrário da logística comum, cujo foco está na entrega de 
produtos de forma ágil e acessível ao consumidor, a logística reversa 
também se preocupa em reaproveitar ou descartar de forma adequada 
os resíduos produzidos durante essa operação. Assim, produtos, 
embalagens e outros materiais resultantes dessa atividade poderão 
retornar ao produtor para que tenham o destino ambiental adequado. 
Além disso, a logística reversa também inclui políticas de devolução e 
troca de produtos. (SENAT, 2016). 
Figura 20: Logística reversa e sustentabilidade 
Fonte: Elaborado pela autora (2020). 
O setor de transportes é conhecido pelo seu impacto no aumento 
progressivo da degradação ambiental. Afinal, o consumo de combustível 
e a consequente poluição causada pela sua queima estão entre um dos 
principais problemas da operação. A logística reversa se transformou 
em uma ferramenta fundamental para aplicação do conceito de 
sustentabilidade no setor empresarial. Mas, ainda há muito desperdício 
nos processos tanto do que saí das industriais quanto no processo de 
coleta seletiva. Por isso, a logística reversa demonstra ser uma aliada das 
organizações para eliminar os impactos negativos que os resíduos causam. 
Além disso, contribui para alcançar os objetivos do desenvolvimento 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
60
sustentável através do reaproveitamento de materiais e da destinação 
correta de resíduos.
No setor de transporte, a logística reversa representa uma 
metodologia que busca planejar e controlar a movimentação referente ao 
retorno de produtos, embalagens e resíduos após a sua comercialização. 
A gestão de resíduos contribui para o desenvolvimento de uma gestão 
integrada com os resultados positivos da gestão de segurança, da 
qualidade e ambiental. 
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza deque você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Como vimos, além 
de contribuir para a sustentabilidade, a logística reversa 
também se tornou uma forma das empresas se destacarem 
no mercado como uma grande aliada da economia circular. 
Isso porque nos deparamos com consumidores cada vez 
mais críticos e conscientes, que buscam por organizações 
e produtos sustentáveis, que possam reduzir os impactos 
ambientais. 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
61
REFERÊNCIAS
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cargas. Disponível em: https://agileprocess.com.br/blog/medidas-de-
seguranca-no-transporte-de-cargas/. Acesso em: 01 dez. 2020.
ANTT. Instruções Complementares ao Regulamento do 
Transporte. Brasil, 2004. Disponível em: https://www.legisweb.com.br/
legislacao/?id=378829. Acesso em: 25 nov. 2020.
BBC. Greve dos caminhoneiros: a cronologia dos 10 dias que 
pararam o Brasil. BBC News, 2018. Disponível em:https://www.bbc.com/
portuguese/brasil-44302137. Acesso em: 15 dez 2020.
BRASIL. DECRETO 1232. Regulamenta a profissão de Aeroviário. 
1962.
BRASIL. Lei 12305. Política Nacional de Resíduos sólidos. 2010.
CARVALHO, M.; NETTO, J. Dez motivos para o transporte aquaviário 
no Brasil deslanchar nos próximos governos. Tecnologística, 2018. 
Disponível em: https://www.tecnologistica.com.br/portal/artigos/79149/
dez-motivos-para-o-transporte-aquaviario-no-brasil-deslanchar-nos-
proximos-governos. Acesso em: 15 dez. 2020.
CNT. Confederação Nacional da Indústria, 2017. Disponível em 
Boletim estatistico: http://www.cnt.org.br/Boletim/boletim-estatistico-
cnt. Acesso em: 01 nov 2020.
CTB. Código de Trânsito Brasileiro - Lei 9.503, 1997.Disponível em: 
www.planalto.gov.br. Acesso em: 01 nov 2020.
ENIT. NR 29 - Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde 
no Trabalho Portuário, 2020. Disponível em:https://enit.trabalho.gov.br/
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pdf. Acesso em: 02 nov de 2020.
GALVÃO, O. Desenvolvimento dos transportes e integração regional 
no Brasil- Uma perspectiva histórica. Planejamento de políticas pública, 
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Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-44302137
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-44302137
62
GLOBO. Tubulação de mineroduto se rompe em Santo Antônio do 
Grama, minério atinge ribeirão e abastecimento é interrompido. G1 Globo, 
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LEITE, P. Logística reversa, Sustentabilidade e Competitividade. São 
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MALTEZ, J. S. Estudo da análise de risco ambiental na operação de 
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SENAT/SEST. Movimentação de cargas perigosas. [Curso online] 
Disponível em: https://ead.sestsenat.org.br/cursos/movimentacao-de-
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Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
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http://200.144.30.103/siipp/public/busca_pp.aspx
Rosivany Gomes
Segurança do Trabalho na 
Indústria e na Logistica
	Classificação dos tipos de carga
	Movimentação e transporte de carga
	Riscos ocupacionais no transporte de cargas
	Risco ergonômico
	Risco químico
	Risco de acidente
	Risco físico
	Tipos de carga
	Carga geral
	Carga unitizada
	Carga a granel
	Carga perecível
	Carga indivisível
	 Carga neo granel
	Carga de produtos perigosos
	Procedimentos de segurança no transporte de cargas
	Modais de transporte versus tipos de cargas
	Modais de transporte
	Modal Rodoviário
	Sistema nacional de trânsito
	Vantagens e desvantagens do modal rodoviário
	Classificação dos veículos
	Classificação dos Caminhões
	Classificação de carrocerias
	Modal ferroviário
	Modal Aeroviário
	Modal aquaviário
	Modal Dutoviário
	Produtos perigosos
	Carga perigosa versus produtos perigosos
	Classificação produtos perigosos
	Classe I - explosivos
	 Classe II - gases
	Classe III - líquidos inflamáveis
	Classe IV - sólidos inflamáveis
	Classe V - substâncias oxidantes e peróxidos orgânicos
	Classe VI - substâncias tóxicas e substâncias infectantes
	Classe VII - material radioativo
	Classe VIII - substâncias corrosivas
	Classe IX - substâncias e artigos perigosos diversos
	Medidas de controle para armazenamento e transporte de cargas com produtos perigosos
	Segurança no trabalho portuário
	Logística reversa na indústria
	Resíduos sólidos
	Impactos ambientais
	Gestão de Resíduos
	O futuro da LogísticaLogística reversa na indústria ................................................................55
Resíduos sólidos ..............................................................................................................................55
Impactos ambientais .................................................................................................................... 56
Gestão de Resíduos ......................................................................................................................57
O futuro da Logística ................................................................................................................... 58
9
UNIDADE
02
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
10
INTRODUÇÃO
Você sabia que a logística é crucial para o sucesso no transporte 
de cargas, garantindo que os produtos cheguem no tempo certo, com 
controle da qualidade do produto e garantindo a saúde e segurança do 
trabalhador? Isso mesmo. Ao longo deste capítulo iremos mergulhar 
nos fatores envolvidos na logística de carga, conhecendo os tipos de 
carga, os modos de transporte, suas vantagens e desvantagens. Você 
irá compreender a importância de manter-se sempre atento a todos os 
aspectos que envolvem o transporte de cargas, seja por terra, através dos 
modais rodoviário, ferroviário, por mares e rios, através do modal aquaviário 
ou pelo céu. Sim, o céu não é mais o limite e podemos transportar cargas 
com segurança e agilidade através do modal aeroviário. Ainda, ao final 
desta unidade iremos conhecer o futuro da logística no transporte de carga 
através da logística reserva que chega para agregar valores econômicos, 
sociais e ambientais por meio de práticas de gerenciamento de resíduos 
que promovam o desenvolvimento sustentável. Entendeu? Vamos juntos 
ao longo desta unidade mergulhar no universo do transporte de cargas 
com segurança!
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
11
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 02. Nosso objetivo é auxiliar 
você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o 
término desta etapa de estudos:
1. Classificar os tipos de carga, identificando as normas e protocolos 
para mitigação dos riscos de acidentes de trabalho conforme sua 
natureza;
2. Escolher e dimensionar recursos materiais e tecnológicos neces-
sários à execução das operações de transporte e distribuição de 
materiais com segurança;
3. Identificar os riscos no transporte de cargas perigosas, reconhe-
cendo os elementos de sinalização e protocolos de segurança 
preconizados pelas normas regulamentadoras;
4. Entender o ciclo logístico reverso na indústria, avaliando os riscos 
dessas operações para os trabalhadores.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? 
Ao trabalho! 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
12
Classificação dos tipos de carga
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender 
como funciona a movimentação e transporte de cargas 
responsável pela distribuição da produção industrial, os 
diferentes tipos de cargas e entender a necessidade de 
adequar o modal de transporte às necessidades de cada 
tipo de carga. Este conhecimento será fundamental para 
o exercício de sua profissão para que, como profissional 
prevencionista, você possa gerir os processos de SST, 
garantido a qualidade e segurança do produto e a saúde 
e segurança do trabalhador. E então? Motivado para 
desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!
Movimentação e transporte de carga
Você se lembra da greve dos caminhoneiros que ocorreu no Brasil 
em 2018? Lembra os transtornos causados pela suspensão do transporte 
de carga rodoviária? Agora imagine se simultaneamente parasse a 
movimentação de carga rodoviária, marítima e ferroviária? 
ACESSE:
Se você não se lembra dos eventos, acesse este site e veja 
a cronologia dos fatos. Acesse: http://bbc.in/3qRIK0a.
Agora que já nos lembramos da importância do transporte para 
o desenvolvimento de uma sociedade, precisamos entender o que isso 
significa. Significa que quanto melhor for o sistema de transporte de um 
país, maior será o seu desenvolvimento. 
O setor de transporte de cargas e pessoas está ligado aos diferentes 
segmentos da indústria, agroindústria e comércio. Os outros serviços 
dependem diretamente do transporte de matérias-primas e de produtos, 
bem como do deslocamento das pessoas até o mercado de consumo.
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
http://bbc.in/3qRIK0a
13
O comprometimento do transporte com a economia é uma 
realidade e também uma preocupação, pois segundo Galvão (1996), na 
primeira metade do século XX ainda existem áreas economicamente 
isoladas, o que levou o governo a desenvolver programas de construção 
de rodovias para auxiliar a integração econômica do país. No século XXI, 
ainda enfrentamos problemas como transporte de cargas e passageiros, 
com estradas de má qualidade, portos ineficientes, cabotagem pouco 
expressiva, escassez de ferrovias e de áreas de armazenagem, entre 
outros fatores que afetam a indústria e sua capacidade de integração às 
cadeias globais de produção e aumentam os riscos à saúde e segurança 
dos trabalhadores.
Riscos ocupacionais no transporte de cargas
Os grandes acidentes industriais mostram que os pequenos 
incidentes podem resultar em grandes consequências. Por isso, deve ser 
feita a análise de risco de todo o processo gerando dados para a gestão 
eficiente dos programas SST. 
A pergunta é: a análise de risco termina quando o produto fica 
pronto?
Neste capítulo iremos descobrir que a resposta é não. 
A principal função de um condutor é conduzir seu conduto. Mas, se 
eles desempenham essa função em relação a um contrato de trabalho, 
sua função como condutor profissional não é só conduzir o conduto, 
mas também estar atento às operações de carga e descarga, assim 
como zelar pelas condições do conduto. Além disso, há o esforço físico 
e mental durante o trajeto, uma vez que o condutor deve estar sempre 
atento e pronto para tomadas de decisão. Esses são alguns dos aspectos 
que podemos citar para ratificar a nossa resposta ao afirmar que a análise 
de risco do processo de produção não finaliza no produto acabado. Ele 
também envolve o transporte interno e externo, seja por rodovias, ferrovias, 
aerovias ou por outros modais de transporte usados no escoamento da 
produção industrial (Figura 1). 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
14
Figura 01: Mosaico dos modais de transporte de carga: análise de risco ocupacional se 
estende ao transporte externo 
Fonte: Pixabay.
Agora que vimos que a movimentação e transporte de cargas 
estão dentro da gestão de SST, vamos conhecer um pouco dos riscos 
ocupacionais relacionados a essa atividade.
EXEMPLO:
Quem trabalha no setor de transporte pode estar exposto a vários 
riscos como: ruído, vibrações, gases e vapores tóxicos. No caso de 
transporte de produtos perigosos, os riscos ocupacionais podem ser 
agravados pela ocorrência de incêndios e explosões. 
Risco ergonômico
O corpo humano pode ser comparado a uma máquina que tem seu 
funcionamento operando 24 horas por dia, sendo que algumas dessas 
funções metabólicas são reduzidas no período da noite, justamente para 
preservar a “máquina”. Porém, outras funções não podem parar, garantindo 
a manutenção da vida. Naturalmente, funções como nível de atenção, 
níveis de batimento cardíaco e pressão arterial aumentam durante o dia e 
reduzem no período noturno. 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
15
Essa reflexão nos revela dados importantes para a análise de 
risco, considerando que, no caso do profissional da área de transportes, 
todo esse processo metabólico ocorre enquanto ele está em trajeto, 
podendo ocasionar por exemplo, sonolência durante alguns períodos do 
dia ou reduzir os níveis de atenção, associado ao estresse ocupacional,alimentação inadequada e ausência de atividade física.
Risco químico
No transporte de carga, o trabalhador está exposto a qualquer 
tipo de carga, inclusive cargas com produtos perigosos. A maioria dos 
produtos químicos pode ser classificada como produtos perigosos, ou 
ainda, a exposição ao risco químico pode ser associada ao manuseio 
de embalagens contaminadas na manutenção, reparo, limpeza e 
transferências desses produtos químicos. Em caso de emergências em 
função de acidentes ou incidentes, os profissionais da área de transporte 
devem aplicar os procedimentos estabelecidos na ficha de emergência 
que é um documento obrigatório no transporte de carga. Com a Resolução 
nº 5.848 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a ficha 
de emergência, documento impresso com as características do produto 
transportado, será substituída por um aplicativo (ANTT, 2019). 
Risco de acidente
O uso de máquinas e equipamentos durante o processo de 
carga e descarga na manutenção e conservação exigem muita atenção 
e cuidados, tanto dos condutores quanto dos gestores de SST, para 
evitar que situações que envolvam falhas por negligência de todos os 
profissionais envolvidos, seja na empresa ou nas rodovias, representem 
riscos à operação como um todo, pois qualquer descuido pode ocasionar 
prejuízos sérios e repentinos. 
O risco de acidentes em trânsito é considerado um evento não 
intencional. Porém, as gestões de SST devem estar atentas de forma a 
evitá-los, conhecendo e promovendo o cumprimento da legislação de 
trânsito vigente para transporte terrestres e também dos demais tipos de 
transporte. 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
16
No grupo dos acidentes estão incluídos fatores como ausência de 
determinados equipamentos de segurança, iluminação imprópria, risco 
de incêndios ou explosões, falha mecânica, fatores adversos na estrada, 
entre outras possíveis causas de acidentes.
Risco físico
Entre os setores com maior frequência de acidentes de trabalho 
como agente causadores do risco físico estão: o Comércio Varejista, 
Hospitais e o Transporte rodoviário de carga. 
Com a análise do perfil dos casos, busca-se construir uma base 
de conhecimento mais específica a respeito de grupos vulneráveis às 
ocorrências, em especial pela consideração de variáveis como setores 
econômicos, ocupações, agentes causadores, natureza da lesão, entre 
outros. 
Podemos observar no gráfico a seguir a quantidade de acidentes 
de trabalho relacionados ao risco físico. Nos riscos físicos destacam-se 
fatores como vibração, radiação, frio, calor, pressão incomum e umidade.
Gráfico 1: Quantidade de acidentes de trabalho – Risco Físico 
Fonte dos dados utilizados para elaboração do gráfico: http://bit.ly/38IUGLs
Como podemos observar, o setor de transporte de carga está 
entre os setores que mais apresentam acidentes junto com o comércio 
varejista em geral e atividades hospitalares, com 25% do número total de 
CAT registradas em 2020. Lembrando que todas as atividades industriais 
podem provocar acidentes de trabalho relacionados com a exposição ao 
ruído, vibrações, temperaturas elevadas ou baixas, entre outros agentes 
causadores.
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
17
Tipos de carga
O transporte de cargas, terrestre ou por qualquer outro tipo, envolve 
vários tipos de produtos que apresentam características físicas e químicas 
diferentes, podendo variar em peso, dimensão e estado físico (sólido, 
líquido ou gasoso).
DEFINIÇÃO:
A CARGA, para a área de transporte, é considerada qualquer 
massa sólida, líquida ou gasosa, que possa ser transportada 
de um ponto a outro em um conduto qualquer, seja de 
forma fracionada ou dedicada.
Baseado nessas informações, garantir que o transporte ocorra de 
forma segura é ainda um desafio maior, pois o transporte, armazenamento, 
carregamento, descarregamento, manuseio e acondicionamento devem 
atender algumas características das cargas, que em geral podem ser 
classificadas por vários aspectos que englobam a natureza dessa carga 
(humana ou material), as propriedades físicas (sólida, líquida ou gasosa), a 
forma de transporte (unitizadas e a granel) e a periculosidade (inflamável, 
explosiva, tóxicas, corrosivas oxidantes ou radioativas). 
O não atendimento às normas de segurança, assim como às 
legislações, poderá ocasionar acidentes com efeitos aos trabalhadores, 
sociedade e meio ambiente. Por isso, é importante entendermos a 
natureza da carga que influenciará na escolha do tipo de transporte 
adequado.
Carga geral
Quando a carga é transportada solta é conhecida como carga 
geral, que são os itens avulsos, dotados ou não de embalagens e que são 
embarcados separadamente, como no caso de pacotes, caixas, tambores, 
bobinas, produtos de origem industrial ou ainda, fruto do extrativismo ou 
beneficiamento de matéria prima como no caso de pedras e madeiras 
(Figura 2).
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
18
Figura 02: Tipos de carga solta
Fonte: Pixabay
Carga unitizada
Unitizar significa transformar em unidades iguais, sendo diferente do 
processo de consolidação existente no transporte de cargas fracionadas. 
Este é usado na logística como forma de aproveitar os espaços disponíveis 
durante o transporte. Para garantir o processo de fracionamento de cargas, 
as indústrias e empresas de logística precisaram desenvolver etiquetas 
inteligentes, códigos de barras e principalmente treinamento recorrente 
aos operadores como forma de garantir o controle na identificação dos 
lotes para que não seja aberto até que a sua desconsolidação seja feita 
no destino.
No modelo de unitização, as cargas podem ser identificadas 
unitariamente, mesmo que sejam embaladas em lotes, independentemente 
de sua característica físico-química. A carga unitizada se caracteriza pelo 
agrupamento dos itens individualizados, ou avulsos, em contêineres 
(estrutura de aço que se assemelha a uma grande caixa), palete (estrado 
de madeira, aço alumínio ou plástico) ou pré-linguagem (redes ou cintas 
especiais para movimentação através de içamento da carga), que permite 
o embarque simultâneo de uma grande quantidade de produtos. 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
19
Figura 03: Carga unitizada em transporte marítimo
Fonte: Freepik
Carga a granel
Vimos que as cargas podem ser condensadas ou unitizadas. 
Diferente destas, as carga completas são as que ocuparão todo o espaço 
do modal, como no caso da carga a granel, que consiste em grandes 
quantidades de massa ou volume, divididas de acordo com sua natureza 
(sólida ou líquida), como no caso de grãos de sementes na agroindústria 
e minérios da indústria de extrativismo mineral, além dos líquidos como, 
óleos e combustíveis, que podem ser classificados como produtos 
perigosos, mas que em sua grande maioria não são, pois entre as cargas 
granel líquidas podemos citar leite, água, sucos e bebidas. 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
20
Figura 4: Carga a granel
Fonte: Pixabay
Carga perecível
Um dos grandes desafios no transporte de carga é garantir a 
qualidade da carga até o destino final e de vida ao trabalhador. Este 
desafio ainda é maior quando se tratam de cargas perecíveis, devido à 
possibilidade da carga entrar em processo de deterioração, aumentando 
ainda mais a pressão nos condutores em cumprir o prazo de entrega. 
Para reduzir a pressão, essa carga necessita ser transportada 
em condições especiais, como no caso de cargas que necessitam ser 
refrigeradas ou congeladas para conservar as qualidades essenciais do 
produto durante seu transporte e sua armazenagem. Exemplos: frutas, 
verduras, laticínios, pescados, carnes etc.
Figura 5: Carga perecível
Fonte: Pixabay
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
21
Carga indivisível
Quando falamos em carga indivisível podemos citar a NR11 que 
inclui blocos de rocha e chapas deserradas, que são cargas constituídas 
de mercadorias volumosas e que também necessitam de condições 
especiais para movimentação e transporte, com uso de veículos especiais 
como lotação.
Exemplos: Estruturas metálicas, máquinas e equipamentos, pás 
eólicas, transformadores, guindastes, máquinas agrícolas.
As cargas vivas de animais também se enquadram em cargas que 
requerem cuidados especiais, que precisam ser tratadas com os devidos 
cuidados, tanto para animais de interesse econômico (bovinos, suínos, 
caprinos, aves de produção) quanto para animais de esporte e lazer 
(equinos, bovinos e outros).
Figura 6: Carga indivisível
Fonte: Freepik
 Carga neo granel
Conferimos a denominação de carga neo granel ao carregamento 
formado por conglomerados únicos e homogêneos de mercadorias 
de carga geral sem acondicionamento específico, cujo volume ou 
quantidade possibilita o transporte em lotes, em um único embarque. 
Em vias terrestres rodoviárias, essas cargas podem ser encontradas 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
22
em caminhões chamados de caminhões cegonha, como no caso de 
transporte de veículos ou em caminhões guindaste. 
Figura 07: Transporte de carga neo granel feito por caminhão guincho
Fonte: Wikicommons
Carga de produtos perigosos
As cargas de produtos perigosos são aquelas que devido à natureza 
do material apresentam características físico-químicas que apresentam 
risco ao trabalhador, à sociedade e ao meio ambiente (Figura 5). Sua 
classificação baseia-se na capacidade desses materiais em provocar 
acidentes, danificar outras cargas ou os meios de transporte, ou ainda, 
gerar riscos para as pessoas.
Os exemplos mais cotidianos para acidentes com produtos 
perigosos estão ligados ao fator humano, quando o profissional não 
considera relevante fazer o uso correto do material colocando em risco 
a sua segurança e a eficiência de todo o processo, já que sua atitude 
aumenta as chances de prejuízos mais sérios no caso de qualquer 
imprevisto.
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
23
Figura 08: Tabela de produtos considerados perigosos pela (ANTT, 2019)
 
Fonte: Pixabay
Procedimentos de segurança no transporte 
de cargas
Garantir a saúde e segurança dos trabalhadores e porque não 
também da carga, é essencial e por isso devemos aplicar ações voltadas 
para a segurança para reduzir as chances de ocorrerem acidentes. O 
uso de materiais e equipamentos utilizados na amarração de cargas é 
indispensável para garantir a segurança do trabalhador e também da 
sociedade e do meio ambiente, evitando que em caso de acidentes a 
carga se perca. 
Vimos que a escolha dos dispositivos e procedimentos de segurança 
dependem das características da carga, pois estas interferem na escolha, 
uma vez que transportar animais vivos é diferente de transportar alimentos 
refrigerados ou um contêiner. Por este motivo, a escolha do(s) dispositivo(s) 
de segurança deve sempre considerar o tipo de carga.
A NR11, que estabelece os requisitos mínimos obrigatórios de 
segurança deve ser rigorosamente atendida, junto às demais normas 
técnicas referentes à movimentação de cargas (NBR16147:2013). 
Além disso, os procedimentos de segurança devem atender os 
regulamentos estabelecidos pelas Agências que coordenam o transporte: 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
24
ANTT, Agência Nacional de Transporte terrestre, ANTAQ- Agência Nacional 
de transporte aquaviário e a ANAC- Agência Nacional de Aviação Civil. 
Os trabalhadores da área de transporte precisam estar preparados 
para situações de emergência por fatores sociais, como assaltos 
e sequestros, mas também por fatores naturais, como enchentes, 
inundações e desmoronamentos. 
Em caso de fatores sociais, os procedimentos de segurança estão 
focados na defesa do mais importante, a vida do condutor, por isso em 
caso de assalto ou sequestro o correto é:
 • Não reaja, converse e olhe diretamente para os criminosos e tente 
fugir;
 • Evite brincadeiras ou conversas; 
 • Fale com calma, somente o que lhe for perguntado, devagar;
 • Avise: sobre qualquer movimento que pretenda fazer e faça 
movimentos lentos, mantenha as mãos em posição visível.
ATENÇÃO! Lembre-se que na maior parte das vezes, o bandido 
não está sozinho, por isso sempre entregue ao criminoso o que ele exigir 
e memorize o maior número de detalhes que poderão ser úteis em uma 
investigação policial.
Em caso de catástrofes naturais, os procedimentos de segurança 
indicados serão:
 • Não tente atravessar locais inundados com o caminhão, mesmo 
que o local pareça seguro, não arrisque sua vida;
 • Avise imediatamente o Corpo de Bombeiros ou a Defesa Cível 
sobre áreas afetadas pela inundação ou se você perceber qualquer 
sinal de desmoronamento;
 • Para retirar qualquer objeto do veículo, procure a ajuda dos 
Bombeiros ou da Defesa Cível;
 • Se houver tempo, coloque documentos e objetos de valor em um 
saco plástico bem fechado e em local protegido.
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
25
VOCÊ SABIA?
As empresas de transporte estão atentas ao monitoramento 
da carga por dispositivos de localização para que, em caso de 
emergência, possam colaborar com informações que auxiliem 
o resgate e atendimento das vítimas. O monitoramento remoto 
e o sistema de navegação também ajudam na segurança dos 
condutores, que podem ser comunicados com antecedência 
quanto à proximidade de áreas de risco ou mesmo para que 
possam refazer a rota em caso de comprovação de risco 
iminente (AGILEPROCESS, 21).
Todos esses procedimentos deverão ser transmitidos aos 
condutores, se possível, relembrado como é uma rotina de trabalho através 
de orientações pré-trabalho. Essas são as orientações que antecedem 
o início da jornada de trabalho e também são usadas em treinamentos 
específicos para os condutores de cargas, ou de forma generalizada, em 
eventos organizados pelos serviços de SST.
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que cargas fracionadas são cargas de clientes diferentes, 
consolidadas e posteriormente desconsolidadas no destino 
por operadores logísticos e transportadores. Seu objetivo é 
o maior aproveitamento de espaço do modal (ou modais). A 
operação será eficiente se o transportador souber equilibrar 
a consolidação das cargas com o tempo requerido pelo 
cliente. Durante o transporte de carga é importante saber 
como proceder para se proteger e para reduzir os danos 
causados por fatores sociais e naturais de vulnerabilidade 
causadores de acidentes e outras situações de emergência. 
Além disso, devemos contar os riscos de acidentes por 
efeitos do cansaço, fadiga ou por algum mal súbito.
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
26
Modais de transporte versus tipos de 
cargas
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo você será capaz de argumentar 
sobre as vantagens e desvantagens a respeito dos 
modelos de transporte utilizado no Brasil e os tipos de 
cargas. Você será apresentado ao modal rodoviário, o 
modal mais utilizado no transporte de cargas e também o 
modal ferroviário, aquaviário, aeroviário e dutoviário. Este 
conhecimento é muito relevante na área de segurança, 
atuando com o setor de logística da empresa na escolha 
mais segura para o trabalhador e para carga. E então? 
Motivado para desenvolver esta competência? Então 
vamos lá. Avante!
Modais de transporte
Ao planejar a movimentação da mercadoria pela cadeia de 
distribuição física devemos escolher, inicialmente, o modal de transporte 
mais adequado para conduzir a carga ao destino final. São os modais de 
transporte que possibilitam o deslocamento e a movimentação de cargas. 
Eles ajudam a melhorar a integração entre regiões e permitem que 
pessoas e cargas possam ser transportadas. Os modaisde transporte são: 
ferroviário (feito por ferrovias), rodoviário (feito por rodovias), hidroviário 
(feito pela água), dutoviário (feito pelos dutos) e aeroviário (feito de forma 
aérea). Vamos conhecer mais sobre a importância do transporte e algumas 
de suas características. Bons estudos!
Modal Rodoviário
Agora que já conhecemos os tipos de cargas que são transportadas, 
os riscos envolvidos no processo e os procedimentos que podem 
torná-los mais seguros é hora de conhecer os modais utilizados para o 
transporte de cargas e iniciaremos pelo modal Rodoviário. No Brasil, o 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
27
modo rodoviário é o mais utilizado, sendo responsável por mais de 60% 
de toda a carga movimentada no país (ANTT, 2019). O gráfico 2 apresenta 
dados da movimentação dos produtos que é realizada por todas as 
modalidades. Os dados representam a importância do modal rodoviário 
para o transporte de cargas sendo os caminhões os veículos de transporte 
mais presentes nas rodovias brasileiras que apresentam mais de 1 milhão 
de Km de rodovias pavimentadas (CNT, 2017). 
Gráfico 2: Participação em porcentagem do modal rodoviário em relação aos demais modais 
Fonte: Elaborado pela autora (2020) com base nos dados da (ANTT, 2019).
Sistema nacional de trânsito
Como vimos no gráfico 2, o transporte de carga pelo modal 
rodoviário apresenta grande relevância para o Brasil. Portanto, manter 
a segurança dos trabalhadores em vias públicas implica em cumprir 
as exigências estabelecidas pelo o Código Brasileiro de Trânsito (CTB, 
1997). As mercadorias produzidas nos mais variados locais podem ser 
distribuídas e consumidas em todo o território nacional, por isso devemos 
aplicar o CBT garantindo o intercâmbio de cargas.
O SNT é composto por entidades da União que tem por finalidade 
estabelecer ações que envolvem o planejamento, administração, 
habilitação e reciclagem de condutores, educação, fiscalização e aplicação 
de penalidades em instâncias estaduais, municipais e do Distrito Federal.
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
28
VOCÊ SABIA?
Vias terrestres (CTB, art. 2o, 1997) são as superfícies por onde 
trafegam veículos, pessoas e animais, compreendendo 
pistas de rolamento, acostamentos, calçadas, passeios 
públicos, ilhas e canteiros centrais.
O CTB define como velocidade segura em vias urbanas 30km/h 
nas vias locais, 40km/h em vias coletoras, 60km/h em vias arteriais e 
80km/h em vias de trânsito rápido (CTB, 1997, p. art.62).
O condutor estará habilitado através do processo de habilitação 
cumprindo as exigências definidas para cada categoria da Carteira 
Nacional de Habilitação (CNH) que estabelece como requisitos mínimos 
para iniciar o processo:
 • Ser penalmente imputável: alguém que responda pelos seus atos 
perante a lei;
 • Saber ler e escrever: não depende de grau de escolaridade, basta 
ser alfabetizado; 
 • Possuir documento de identidade: pode ser qualquer documento 
de identificação emitido por órgão público (RG, carteira de 
trabalho, passaporte etc.);
 • Possuir Cadastro de Pessoa Física (CPF): informar o número do 
CPF já é suficiente, não é necessário fornecer o cartão.
No caso de ser a primeira habilitação o candidato deverá atender 
aos seguintes requisitos:
 • Ser maior de 18 (dezoito) anos;
 • Ser penalmente imputável;
 • Saber ler e escrever.
O condutor precisará comprovar suas habilidades e competências 
sendo aprovado com 70% ou mais de acertos em prova teórica aplicada 
pelo Departamento de Trânsito (DETRAN) (CTB, 1997).
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
29
Para o transporte de cargas, o condutor deve possuir no mínimo 
CNH na categoria D ou E, onde as exigências mínimas requeridas são:
 • Ter pelo menos 1 (um) ano de habilitação na categoria C ou pelo 
menos 2 (dois) anos na categoria B;
 • Ter mais de 21 (vinte e um) anos e ser aprovado em exame de 
aptidão física e mental;
 • Não ter sido multado por falta grave ou gravíssima, nem ser 
reincidente em multa por infração média nos últimos 12 (doze) 
meses;
 • Realizar o curso prático de 15 (quinze) horas-aula, sendo 3 (três) 
horas-aula pela noite e teste de direção veicular (SENAT, 2016). 
O CTB ainda exige especializações dentro das categorias de 
CNH ligadas ao transporte de produtos perigosos, transporte de carga 
indivisível e exame toxicológico de larga janela de detecção para consumo 
de substâncias psicoativas, necessário quando da adição e renovação da 
habilitação nas categorias C, D e E. (CTB, 1997). 
Vantagens e desvantagens do modal rodoviário
Existem diversas atividades logísticas que incluem os custos dentro 
da cadeia de suprimentos e a escolha entre os cinco modos de transporte. 
Isso é crucial para garantir a redução de custos e o lucro. Obviamente, 
todas as modalidades irão apresentar vantagens e desvantagens. 
Por que o modo rodoviário é o mais utilizado no Brasil, tanto para 
o transporte de passageiros quanto para a movimentação de cargas? Em 
um país com dimensões continentais, as possibilidades de escolha se 
ampliam, porém o transporte rodoviário se destaca por ser um modal que 
permite o transporte no modelo chamado “porta a porta”, sem que a carga 
precise ser remanejada durante o trajeto.
Não podemos deixar de considerar as desvantagens, principalmente 
as que estão ligadas à vulnerabilidade do trabalhador e da carga devido 
ao risco de furtos e roubos e o risco de acidentes em rodovias devido às 
condições de conservação das vias que independem da gestão de SST 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
30
da empresa que se utiliza da infraestrutura composta por vias urbanas e 
rurais. Além disso, existe a dependência do trânsito, principalmente em 
grandes centros urbanos e a capacidade limitada de transporte de carga, 
diferente dos demais modais como o ferroviário e aquaviário. 
Também, podemos destacar o uso dos terminais rodoviários e 
armazéns, depósitos e centros de distribuição no transporte de cargas 
que junto com o desgaste do veículo, valor do combustível e pedágios 
contribui para o custo elevado do frete.
Classificação dos veículos
Você sabe que existem diversos modelos de veículos utilizados 
no transporte de cargas no modal rodoviário e que cada um é utilizado 
para um serviço de transporte específico. Existem algumas maneiras para 
classificar os veículos usados para transporte rodoviário e segundo o CTB, 
art. 96, os mesmos são classificados: 
Quanto à espécie: passageiros, carga, misto, de competição, de 
tração e de coleção; 
Figura 9: Táxi
Fonte: Freepik
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31
Quanto à tração: automotor, elétrico, de tração animal, reboque ou 
semirreboque;
Figura 10: Veículo elétrico
Fonte: Freepik
Quanto à categoria: oficial (de representações diplomáticas, 
repartições consulares, de carreira ou organismos internacionais 
reconhecidos junto ao governo brasileiro) e particular (SENAT, 2016).
Figura 11: Veículo oficial
Fonte: Freepik
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32
No caso dos caminhões, eles são classificados como veículos 
automotores de carga, podendo ser oficial ou particular, de propriedade 
privada ou de um condutor autônomo. Essa classificação é importante 
para a definição de medidas de segurança que possam garantir a 
documentação e manutenção adequada para cada tipo de veículo. No 
entanto, esta classificação não é suficiente para o dimensionamento 
seguro das cargas, como veremos a seguir.
Classificação dos Caminhões
Como vimos, os caminhões são os veículos predominantemente 
usados no transporte de cargas em rodovias. A sua classificação pode ser 
feita entre veículos rígidos e articulados.
Mas, o que são veículos rígidos? São aqueles que trazem o motor e 
a unidade de transporte em um só veículo. São os caminhões chamados 
de “trucks” ou 6x2 que apresentam eixo duplo na carroceria, importante 
paraa segurança durante o transporte de carga onde um eixo recebe a 
força do motor para carregar cargas mais pesadas. 
E os articulados? São aqueles que têm a cabine com o motor 
separado do reboque. Em geral, são formados por um cavalo mecânico e 
uma carreta. O cavalo mecânico possui a força do motor e é onde também 
se encontra a cabine. No setor de transporte pode-se optar pelo cavalo 
simples ou o trucado, aquele que apresenta um eixo duplo e como o 
rígido trucado, aumenta sua capacidade de carregar mais peso. 
O cavalo pode se conectar a diferentes tipos de reboque, o que 
proporciona versatilidade e economia na hora da escolha do modal pelo 
setor logístico e veremos a seguir os diferentes tipos de carroceria que 
podem ser utilizadas no transporte de cargas.
Figura 12: Caminhões
Fonte: Freepik
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Classificação de carrocerias
Os caminhões podem apresentar diferentes tipos de carroceria, 
sendo que cada modelo é usado para transportar cargas específicas. A 
variedade é grande, mas existem alguns que são mais utilizados. Veja a 
seguir uma lista, com exemplos de caminhões, organizada em função do 
tipo de carroceria. Certamente você já dirigiu pelo menos um deles.
 • Caminhões abertos: usados para mercadorias que não estragam 
nem perdem a qualidade quando transportadas ao ar livre. Em 
caso de chuva, são usadas lonas para proteger a carga;
 • Caminhões cobertos: em geral apresentam o formato de um vagão 
para proteger as cargas das condições climáticas adversas; 
 • Caminhões refrigerados: a carroceria possui um refrigerador para 
conservar a temperatura interior. Utilizados no transporte de carne, 
derivados do leite, medicamentos, entre outros; 
 • Caminhões-tanque: a carroceria tem o formato de um tanque. 
Utilizados para o transporte de produtos líquidos como 
combustível; 
 • Caminhões-tanque para gás a granel: a carroceria cilíndrica 
tem estrutura reforçada para suportar a pressão dos gases 
transportados, como GLP e amônia. 
 • Caminhões de plataforma ou estrada: usados para transportar 
contêineres, engradados amarrados com cordas ou correntes, 
entre outros produtos;
 • Caminhões-cegonheiros: utilizados para o transporte de diversos 
tipos de veículos; 
 • Caminhões de caçamba: são caminhões basculantes, utilizados 
no transporte de entulhos, terra, cascalho (SENAT, 2016).
A classificação apresentada pelo Departamento Nacional de 
Infraestrutura de Transportes (DNIT) é feita através do número de eixos. Os 
veículos são classificados de acordo com seus eixos, parte responsável 
pela capacidade do caminhão em transportar cargas. Escolher um 
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34
caminhão que possui mais capacidade do que o necessário pode significar 
um prejuízo devido ao maior custo e autonomia em relação ao trabalho 
proposto. As variações são muitas, sendo que, atualmente, os caminhões 
podem ter entre dois e nove eixos (DNIT, 2012).
ACESSE:
Quer saber sobre os limites legais para dimensão, peso 
bruto e peso por eixo nos veículos de carga? Acesse o 
documento do DNIT em: https://bit.ly/3vuqi19.
As condições dos caminhões e suas carrocerias devem atender 
as condições de segurança para o trabalhador, a sociedade e o meio 
ambiente, evitando a ocorrência de acidentes e incidentes. 
O aspecto dos cuidados por parte da equipe é amplo e pode 
envolver desde pequenas ações (como checar o celular enquanto dirige 
ou não dar nós firmes entre a carga e a carroceria) até falhas mais visíveis 
(como deslizes na operação de empilhadeiras). Constantes treinamentos, 
realização de cursos e checagem de todas as etapas do processo por 
meio de equipes voltadas à segurança do trabalho são algumas das 
medidas que podem diminuir prejuízos associados a falhas humanas. 
Ainda, no aspecto humano, tem-se o enorme risco associado à falta de 
segurança para a execução de um trabalho ou à tentativa de realizá-
lo mesmo sem o conhecimento necessário, que resultam em atitudes 
imprudentes. (SENAT, 2016).
Modal ferroviário
Já conhecemos o modal terrestre rodoviário, mas este não é o 
único. Agora iremos conhecer o modal terrestre ferroviário, onde todo o 
transporte é feito sobre trilhos. Atualmente no mundo, o modo ferroviário 
é utilizado para o transporte de passageiros e para transporte de cargas 
de grandes volumes, sendo uma opção de modal bastante adequada 
para cargas em alta como o transporte de commodities, como minério de 
ferro, produtos siderúrgicos e mercadorias agrícola.
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
https://bit.ly/3vuqi19
35
De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres 
(ANTT), o sistema ferroviário brasileiro tem mais de 29 mil quilômetros 
de trilhos que permite percorrer longas distâncias e com um destino fixo, 
mas sem apresentar a mesma flexibilidade de rota que o rodoviário. A 
infraestrutura é composta basicamente pelas estradas de ferro, os trilhos 
e os equipamentos de apoio, além das estações, terminais e centros de 
controle e monitoramento das viagens. 
A grande vantagem do modal ferroviário está no baixo custo 
atrelado à grande capacidade de carga com menor risco de acidentes e 
maior segurança no transporte da carga.
No entanto, o que ainda restringe o modal ferroviário está atrelado 
à falta de flexibilidade das rotas que são fixas, o que acaba levando à 
dependência de outros modais de transporte para fazer com que as 
cargas cheguem efetivamente aos seus destinos, necessitando de 
maiores transbordos, sem contar a falta de investimento governamental 
em ferrovias.
Figura 13: Transporte ferroviário
Fonte: Freepik
Melhorias para o transporte ferroviário estão sendo estudadas 
para o futuro, como o uso de energia solar como fonte de combustível 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
36
sustentável e limpo, reduzindo a emissão de poluentes, porém com 
grandes desafios. 
A segurança do trabalho no transporte de carga ferroviário envolve 
treinamentos e inspeções frequentes das condições de todo o material 
envolvido no transporte de carga como os vagões e a locomotiva.
Entre os treinamentos, podemos destacar o treinamento de 
qualificação operacional, que deve ser planejado para ocorrer anualmente, 
aplicado não apenas aos maquinistas, mas todos os envolvidos no 
processo como manobradores, controladores de tráfego, operadores e 
líderes. O objetivo é garantir a aplicação dos programas de prevenção 
como o Programa de proteção respiratória (PPP), o Programa de 
conservação auditiva, além dos previstos em norma, como o programa de 
prevenção e riscos ambientais (PPRA) e o Programa de Controle Médico 
Ocupacional (PCMSO).
Modal Aeroviário
Chegou a hora de sairmos da terra e irmos para o ar. Vamos 
conversar sobre o modal aeroviário. No modo aéreo, as vias pelas quais 
as aeronaves trafegam são conhecidas como aerovias e são os aviões 
que transportam passageiros e cargas. Do mesmo modo que o modal 
ferroviário, é recomendado para o transporte de longa distância, porém 
apresenta uma limitação no volume da carga. 
Como vantagens para o modal aeroviário, podemos destacar as 
vias utilizadas pelas aeronaves que são livres e exclusivas, o que garante 
um tempo menor de entrega da carga. É ideal para produtos eletrônicos, 
produtos frágeis ou com curto prazo de validade ou de consumo. Têm 
uma infraestrutura que conta com os aeroportos, que são terminais de 
decolagem e aterrissagem de aviões próximos aos centros urbanos. 
Quanto às desvantagens, podemos associar à já destacada limitação 
no volume da carga acrescida dos custos elevados e a dependência de 
outros modais em terminais de acesso.
A profissão de aeroviário compreende os que trabalham nos 
serviços de operações, auxiliares de gerais e serviços de manutenção 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
37
de aeronaves, além de engenheiros, ficando a cargo do Ministériodo 
Trabalho e Previdência Social, classificar os serviços e locais considerados 
insalubres ou perigosos. O fornecimento de peças de vestuário e 
respectivos equipamentos individuais de proteção, quando exigidos pela 
autoridade competente, deverão ser fornecidos pela empresa sem ônus 
para o aeroviário, que deverá ser periodicamente submetido a exames 
de inspeção e comprovação das condições de saúde do trabalhador 
(DECRETO, 1962, p. Art 6).
Figura 14: Transporte aeroviário
Fonte: Freepik
Modal aquaviário
Terra, ar e água, sim. No Brasil os transporte de carga também 
podem ser feitos pela água através do modal aquaviário, utilizado no 
transporte de passageiros e cargas e que abrange o transporte feito por 
mar, rios e lagos. O mapa do Brasil apresenta vias navegáveis que incluem 
a costa, em seus 8.500 km de extensão e a rede de cursos d’água ligando 
os seus vários territórios entre si e com os seus vizinhos continentais. São 
30.000 km de vias naturalmente navegáveis que podem ser dividas em:
 • Transporte hidroviário, no qual as vias são os rios, lagos e lagoas; 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
38
Figura 15: Transporte hidroviário
Fonte: Freepik
 • Transporte marítimo, no qual as vias são os oceanos e mares. 
Figura 16: Transporte marítimo
Fonte: Freepik
A expansão do modal rodoviário foi determinante para a estagnação 
do modal aquaviário assim como o ferroviário, mesmo com tanto potencial 
econômico para os transportes por hidrovia e ferrovia. O fato se deve 
principalmente pelo grande equívoco nas avaliações da importância de 
cada modo de transporte em relação aos custos, em que se ignoram não 
só os investimentos feitos na infraestrutura rodoviária em comparação 
com as hidrovias e ferrovias. Os avanços tecnológicos nos transportes 
no Brasil começam a enxergar os caminhos alternativos ao transporte 
rodoviário. Entretanto, os maiores investimentos em transporte aquaviário 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
39
ainda se fazem necessários na infraestrutura envolvida nesse modal, que 
necessitam muitas vezes de terminais especializados para embarque e 
desembarque complementar.
ACESSE:
“Navegar é preciso”. Descubra porque o modal aquaviário 
apresenta-se como uma alternativa para o desenvolvimento 
sustentável para o transporte de cargas no Brasil. Fonte: 
http://bit.ly/3eHzmK9.
Modal Dutoviário
Diferente dos demais modais, o transporte dutoviário é um modo 
exclusivamente utilizado para transporte de cargas e surgiu na década 
de 50 no Brasil. Até hoje é pouco utilizado se comparado com os outros 
tipos, mesmo sendo considerado o mais consistente e frequente de todos 
os modais na matriz logística pela sua capacidade de transporte de longas 
distâncias e em grandes quantidades. No Brasil, apesar de representativo, 
está concentrado em poucas empresas sendo recomendado para fluidos 
líquidos, gases e sólidos granulares, por vias de dutos e tubos subterrâneos, 
submarinos e aparentes por onde as cargas são movimentadas pelo 
controle de pressão. 
Os dutos utilizados neste modo podem ser classificados em:
 • Oleodutos: transportam petróleo, óleo combustível, gasolina, diesel, 
álcool, Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), querosene dentre outros;
 • Minerodutos: transportam minério de ferro, concentrado fosfático 
e outros minerais; 
 • Gasodutos: transportam o gás natural e outros gases. 
Figura 17: Submarino de carga
Fonte: Freepik
Analisando as vantagens e desvantagens do modal dutoviário 
podemos destacar como vantagens a capacidade de percorrer longas 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
http://bit.ly/3eHzmK9
40
distâncias com baixos custos operacionais. Transporta grande volume de 
carga de forma constante, alta segurança e confiabilidade do transporte. 
Em relação às desvantagens do modal dutoviário podemos destacar o alto 
custo de investimento inicial e fixo, possibilidade de acidentes ambientais 
em grande escala, necessidade de licença para atuação e trajeto fixo com 
baixa flexibilidade dos pontos de bombeamento. (SENAT, 2016).
Embora as duto vias sejam construídas e operadas dentro de 
padrões de segurança, a operação está sujeita a falhas e perigos. 
A gestão da segurança é determinante na prevenção ou mitigação 
das consequências de incidentes que sejam causados por danos às 
pessoas envolvidas ou não com sua operação, ao patrimônio das 
instalações ou do público em geral e do meio ambiente. As falhas podem 
desencadear um cenário acidental com consequências desastrosas. 
Entre alguns dos fatores de causas de acidentes em dutos 
destacam-se: corrosão, erosão, deslizamento de terra, queda de blocos, 
ação de terceiros e atos de vandalismo (MALTEZ, 2013).
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que a escolha do modal no transporte de cargas deve levar 
em consideração as vantagens e desvantagens de cada 
modal em relação à carga. No Brasil, o modal mais utilizado 
no transporte de cargas atualmente é o modal rodoviário, 
responsável por mais de 60% do transporte de cargas, 
principalmente pelos investimentos governamentais e por 
garantir o transporte “porta-a-porta”, sua principal diferença 
entre os demais modais. Embora todos apresentem suas 
características próprias, a gestão de SST deve garantir em 
todos os modos a saúde e segurança dos trabalhadores 
envolvidos através de treinamentos e programas de 
prevenção.
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
41
Produtos perigosos
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender o 
que são cargas de produtos perigosos e diferenciá-las de 
cargas perigosas. A classificação dos produtos perigosos 
é crucial para adoção de medidas de segurança, desde a 
escolha do modelo de transporte até as medidas a serem 
adotadas em caso de acidentes. Como prevencionista, a 
construção desta competência irá ajudá-lo na gestão de 
SST. E então? Motivado para desenvolver esta competência? 
Então vamos lá. Avante!
Carga perigosa versus produtos perigosos
Produtos perigosos: para fins de transporte, os produtos perigosos 
são as substâncias encontradas na natureza ou produzidas por qualquer 
processo que, por suas características físico-químicas, representem 
risco para a saúde de pessoas, para a segurança pública e para o meio 
ambiente (ANTT, INSTRUÇÕES COMPLEMENTARES AO REGULAMENTO 
DO TRANSPORTE, 2004). 
Para seguir os padrões internacionais ditados pela Organização das 
Nações Unidas (ONU) a ANTT atualizou a Regulamentação do Transporte 
Terrestre de Produtos Perigosos com o objetivo de proporcionar 
condições de segurança para todos os envolvidos no transporte de cargas. 
Neste momento, é preciso entender que as cargas podem se tornar 
perigosas quando qualquer carregamento que seja mal acondicionado 
é capaz de provocar um acidente sem colocar a população ou qualquer 
compartimento de meio ambiente em risco direto. 
EXEMPLO:
Ao carregar toras de madeiras em condições inseguras a carga 
pode causar um acidente sem que este cause explosão, incêndio ou 
intoxicação ao trabalhador, à sociedade e ao meio ambiente. Mas essa 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
42
carga pode causar lesões sérias e até mesmo a morte dos trabalhadores 
e demais vítimas envolvidas. 
Então, devemos diferenciar carga perigosa de carga de produtos 
perigosos. A diferença implica na aplicação de medidas de segurança 
no transporte de cargas perigosas do transporte de carga, tanto para o 
transporte de produtos perigosos, que devido à sua complexidade são 
divididas em classes, pois para cada tipo de produto há especificidades 
a serem consideradas e os efeitos, em caso de acidentes, que podem 
colocar em risco os trabalhadores, a sociedade e o meio ambiente 
(SESTSENAT, 2016).
Em função de suas característicasfísico-químicas peculiares, temos 
a explosividade, a inflamabilidade, a toxicidade e a radioatividade e por 
serem fontes de perigo, os produtos perigosos são classificados de acordo 
com o tipo de dano que podem provocar. Os Produtos Perigosos são 
divididos em 9 classes e subclasses, a fim de otimizar a gestão de SST na 
implantação de medidas de controle, como por exemplo, a identificação 
das classes através de símbolos, sendo cada classe identificada por 
símbolos específicos.
Classificação produtos perigosos
Toda a legislação brasileira para esse assunto é baseada em 
recomendações do Comitê de Peritos em Transporte de Produtos 
Perigosos da Organização das Nações Unidas (ONU) disponível na 
Resolução N0 420/04 da ANTT que apresentaremos a seguir e que é 
usada pela gestão de SST na elaboração e aplicação de medidas de 
controles (ANTT, INSTRUÇÕES COMPLEMENTARES AO REGULAMENTO 
DO TRANSPORTE, 2004).
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
43
ACESSE:
O Código ONU consiste em um número de quatro 
algarismos que indica e diferencia os produtos químicos 
institucionalizando um padrão internacional. São exemplos 
de número ONU, gasolina: 1203 e cloro: 1017. Você pode 
consultar a que produto/substância o número se refere no 
link: http://bit.ly/3eJBv8i.
A norma ABNT NBR 14725 de Produtos químicos, apresenta as 
informações sobre segurança, saúde e meio ambiente, estabelecendo 
as informações de segurança relacionadas ao produto perigoso e à 
obrigatoriedade da emissão do documento de identificação baseado nas 
características físico-químicas de cada produto. Na parte dois da NBR, 
encontramos a classificação das substâncias em classes de risco, realizada 
por meio de critérios técnicos. A classificação de um produto considerado 
perigoso para o transporte deve ser feita pelo seu fabricante ou expedidor 
orientado pelo fabricante, tomando como base as características físico-
químicas do produto, alocando-o numa das classes ou subclasses a seguir, 
que baseiam-se nas premissas de homogeneização de procedimentos 
operacionais, a fim de propiciar a aplicação de dois princípios: o de 
garantia da segurança da operação e o de facilitação do transporte entre 
fronteiras dos meios urbanos nacionais e internacionais.
A identificação de produtos perigosos para o transporte rodoviário 
é realizada por meio da simbologia de risco, composta por um painel 
de segurança de cor alaranjada e um rótulo de risco. Estas informações 
obedecem aos padrões técnicos definidos na legislação do transporte de 
produtos perigosos. As informações inseridas no painel de segurança e no 
rótulo de risco, conforme determina a legislação, abrangem o Número de 
Risco e o Número da ONU no Painel de Segurança e o Símbolo de Risco 
e a Classe/Subclasse de Risco no Rótulo de Risco, 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
http://bit.ly/3eJBv8i
44
Figura 18: Identificação de risco por meio de simbologia 
Fonte: Elaborado pela autora (2020) baseado na NBR 7500. 
Os rótulos são normatizados pela norma ABNT NBR 7500 
(identificação para o transporte terrestre, manuseio, movimentação e 
armazenamento de produtos) e usados na identificação de produtos 
perigosos contendo o pictograma/símbolo de identificação do risco e o 
número da classe ou subclasse de risco referente à classe/subclasse do 
produto perigoso.
ACESSE:
Confira os modelos de rótulos apresentados pela NBR 
7500: https://bit.ly/3tsrZL1.
Classe I - explosivos
Substância explosiva é uma substância sólida ou líquida (ou mistura 
de substâncias) por si mesma capaz de produzir gás por reação química 
à temperatura, pressão e velocidade tais que provoque danos à sua volta.
Incluem-se nesta definição as substâncias pirotécnicas, mesmo que não 
desprendam gases. (SENAT, 2016).
 • Subclasse 1.1: substâncias e artigos com risco de explosão em 
massa;
 • Subclasse 1.2: substâncias e artigos com risco de projeção, mas 
sem risco de explosão em massa;
 • Subclasse 1.3: substâncias e artigos com risco de fogo e com 
pequeno risco de explosão ou de projeção, ou ambos, mas sem 
risco de explosão em massa;
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https://bit.ly/3tsrZL1
45
 • Subclasse 1.4: substâncias e artigos que não apresentam risco 
significativo;
 • Subclasse 1.5: substâncias muito insensíveis, com risco de 
explosão em massa;
 • Subclasse 1.6: artigos extremamente insensíveis, sem risco de 
explosão em massa. 
 Classe II - gases
Esta classe abrange gases comprimidos, gases liquefeitos, gases 
liquefeitos refrigerados, gases em solução, misturas de gases, misturas 
de um ou mais gases com um ou mais vapores de substâncias de 
outras classes como artigos carregados de gás, hexafluoreto de telúrio e 
aerossóis. As condições de transporte de um gás se baseiam no estado 
físico do gás (substância que a 50 0C apresenta uma pressão superior a 
300kPa ou é completamente gasoso à temperatura de 20°C e à pressão 
normal de 101,3kPa).
 • Subclasse 2.1: gases inflamáveis. São gases que a 20°C e à pressão 
normal são inflamáveis quando em mistura de 13% ou menos em 
volume com o ar ou que apresentem faixa de inflamabilidade 
com o ar de no mínimo 12%, independente do limite inferior de 
inflamabilidade;
 • Subclasse 2.2: gases não-inflamáveis, não-tóxicos. São gases 
asfixiantes, oxidantes ou que não se enquadrem em outra 
subclasse.
 • Subclasse 2.3: gases tóxicos. São gases reconhecida ou 
supostamente tóxicos e corrosivos que constituam risco à saúde 
das pessoas. (SENAT, 2016).
Classe III - líquidos inflamáveis
São líquidos, misturas de líquidos ou líquidos que contenham 
sólidos em solução ou suspensão, que produzam vapor inflamável a 
temperaturas de até 60,5°C em ensaio de vaso fechado ou até 65,6ºC em 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
46
ensaio de vaso aberto, ou ainda os explosivos líquidos insensibilizados 
dissolvidos ou suspensos em água ou outras substâncias líquidas.
Classe IV - sólidos inflamáveis
Substâncias sujeitas à combustão espontânea. Substâncias que em 
contato com a água emitem gases inflamáveis.
 • Subclasse 4.1: sólidos inflamáveis, substâncias auto reagentes e 
explosivos sólidos insensibilizados. Sólidos que, em condições 
de transporte, sejam facilmente combustíveis ou que por atrito 
possam causar fogo ou contribuir para tal. Substâncias auto 
reagentes que possam sofrer reação fortemente exotérmica. 
Explosivos sólidos insensibilizados que possam explodir se não 
estiverem suficientemente diluídos;
 • Subclasse 4.2: substâncias sujeitas à combustão espontânea 
que são: substâncias sujeitas ao aquecimento espontâneo em 
condições normais de transporte ou ao aquecimento em contato 
com ar, podendo inflamar-se;
 • Subclasse 4.3: substâncias que em contato com água emitem 
gases inflamáveis sendo: substâncias que por interação com água 
podem tornar-se espontaneamente inflamáveis ou liberar gases 
inflamáveis em quantidades perigosas.
Classe V - substâncias oxidantes e peróxidos orgânicos
As substâncias oxidantes são substâncias que, embora não sendo 
necessariamente combustíveis, podem, em geral por liberação de 
oxigênio, causar a combustão de outros materiais ou contribuir para isso. 
Os Peróxidos orgânicos são substâncias orgânicas que contêm a estrutura 
bivalente −O−O− e podem ser consideradas derivadas do peróxido 
de hidrogênio em que um ou ambos os átomos de hidrogênio foram 
substituídos por radicais orgânicos. Peróxidos orgânicos são substâncias 
termicamente instáveis que podem sofrer decomposição exotérmica 
auto-acelerável. 
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
47
 • Subclasse 5.1: substâncias oxidantes. São substâncias que podem, 
em geral pela liberação de oxigênio, causar a combustão de 
outros materiais ou contribuir para isso;
 • Subclasse 5.2: peróxidos orgânicos. São poderosos agentes 
oxidantes, considerados como derivados do peróxido de 
hidrogênio,termicamente instáveis que podem sofrer 
decomposição exotérmica auto-acelerável. Além disso, podem 
apresentar uma ou mais das seguintes propriedades:
(i) ser sujeitos à decomposição explosiva;
(ii) queimar rapidamente;
(iii) ser sensíveis a choque ou atrito;
(iv) reagir perigosamente com outras substâncias;
(v) causar danos aos olhos. 
Classe VI - substâncias tóxicas e substâncias infectantes
Na classificação de um produto, devem ser levados em conta os 
efeitos observados em casos de envenenamento acidental em seres 
humanos, bem como quaisquer propriedades especiais de um produto, 
tais como estado líquido, alta volatilidade, probabilidade especial de 
penetração e efeitos biológicos especiais.
 • Subclasse 6.1: substâncias tóxicas. São substâncias capazes de 
provocar morte, lesões graves ou danos à saúde humana se 
ingeridas ou inaladas ou se entrarem em contato com a pele;
 • Subclasse 6.2: substâncias infectantes. São substâncias que 
contenham patógenos ou estejam sob suspeita razoável de 
tal. Patógenos são microrganismos (incluindo bactérias, vírus, 
rickettsíase, parasitas, fungos) ou microrganismos recombinantes 
(híbridos ou mutantes) que possam ou estejam sob suspeita 
razoável de poderem provocar doenças infecciosas em seres 
humanos ou em animais.
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
48
Classe VII - material radioativo
Qualquer material ou substância que contenha radionuclídeos, 
cuja concentração de atividade e atividade total na expedição (radiação), 
excedam os valores especificados. Tanto no transporte quanto nas 
exigências de fabricação e ensaios de embalagens para as substâncias 
radioativas, serão também observadas as normas da CNEN.
Classe VIII - substâncias corrosivas
São substâncias que por ação química, causam severos danos 
quando em contato com tecidos vivos ou, em caso de vazamento, 
danificam ou mesmo destroem outras cargas ou o próprio veículo.
Classe IX - substâncias e artigos perigosos diversos
São aqueles que apresentam durante o transporte, um risco não 
abrangido por nenhuma das outras classes. Inclui-se à classe nove, outras 
substâncias que apresentam risco para o meio ambiente, substâncias a 
temperaturas elevadas, transportadas ou oferecidas para transporte em 
estado líquido a temperaturas iguais ou superiores a 100ºC (devem ser 
alocadas no nº ONU 3257) ou em estado sólido a temperaturas iguais 
ou superiores a 240ºC (que devem ser alocadas no nº ONU 3258). 
Microrganismos ou organismos geneticamente modificados que não 
se enquadrem na definição de substâncias infectantes, mas que sejam 
capazes de provocar alterações que normalmente não seriam resultantes 
de reprodução natural em animais, plantas ou substâncias microbiológicas 
devem ser alocados no n.º ONU 3245. Microrganismos ou organismos 
geneticamente modificados não estão sujeitos a este Regulamento 
se o uso dos mesmos for autorizado pelas autoridades competentes 
governamentais dos países de origem, trânsito e destino. 
A classificação completa, assim como os meios de ensaios pode 
ser consultada na ANTT (ANTT, INSTRUÇÕES COMPLEMENTARES AO 
REGULAMENTO DO TRANSPORTE, 2004). A seguir veremos as medidas 
de controle a serem adotadas no transporte e armazenamento de cargas 
perigosas.
Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística
49
Medidas de controle para armazenamento e 
transporte de cargas com produtos perigosos
Agora que classificamos, segundo a ONU e a NBR os produtos 
perigosos, precisamos atentar para as medidas de segurança que devem 
ser adotadas e que se baseiam na identificação do produto/substância 
perigosa envolvida. A informação pode vir de placas, etiquetas, papéis 
de embarque ou do relato de uma testemunha que garanta a imediata 
classificação e identificação dos produtos envolvidos. Somente após 
a identificação apropriada é que se torna possível a realização de uma 
avaliação do potencial de impacto e assim estabelecer padrões de 
atendimento, protocolos e adoção das medidas de controle, reduzindo 
os riscos para a comunidade, aos próprios atendentes da ocorrência e 
ao meio ambiente. O acesso às informações relativas às características 
físicas e químicas do produto, irá subsidiar tanto as equipes envolvidas 
nos primeiros atendimentos (primeiros socorros e combate a incêndio), 
quanto aos gestores de SST na análise do acidente e futuras ações 
corretivas e preventivas.
Tamanha a importância das informações acerca dos produtos 
perigosos que as empresas que movimentam produtos químicos ficam 
obrigadas a apresentar a ficha de informações de segurança de produtos 
químicos (FISPQ), um documento que atende à norma da ABNT NBR 
14725, sendo um instrumento de comunicação dos perigos e possíveis 
riscos levando em consideração o uso dos produtos químicos.
Entendemos que todas as informações importantes devem estar na 
FISPQ. Nela devem estar os dados referentes ao produto perigoso bem 
detalhados, com as seguintes informações:
 • Dados gerais;
 • Identificação do produto;
 • Medidas de segurança;
 • Riscos ao fogo;
 • Propriedades físico-químicas;
 • Informações ecotoxicológicas.
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Além dessas informações, deverão também ser disponibilizadas as 
informações referentes aos métodos de coleta, neutralização e disposição 
final, potencial de concentração na cadeia alimentar, demanda bioquímica 
de oxigênio e outras mais.
A segurança do transporte de produtos perigosos depende da 
integração de muitas variáveis, entre elas: embalagens adequadas, 
motoristas treinados, documentação em ordem, veículo em boas 
condições operacionais e rótulos de risco que devem ser afixados à 
superfície exterior das unidades e dos equipamentos de transporte para 
advertir que seu conteúdo é composto de produtos perigosos e que 
apresentam riscos.
Em casos de acidentes, a identificação é de suma importância e 
é crucial para adoção das medidas de segurança e definição dos danos 
causados. 
Basicamente, os produtos perigosos podem lesionar o organismo 
humano pela absorção da pele ou olhos, pela inalação ou pela ingestão 
dos mesmos. Este contato pode ocasionar os seguintes tipos de lesão:
 • ● Lesão Térmica: pelo calor ou frio;
 • ● Lesão mecânica: por ondas de choque, força de impacto ou 
explosão;
 • ● Asfixia: causando complicações respiratórias;
 • ● Lesão química: alterando estrutura e função celular, tecidos ou 
órgãos;
 • ● Lesão etiológicas ou contaminação por microrganismos;
 • ● Lesão radiológica.
As viaturas de emergência atuam em caso de acidentes e devem 
possuir um manual para atendimento de emergências com produtos 
perigosos da ABIQUIM que lista todos os produtos perigosos com 
orientações conforme o risco para que possa ser feita a identificação do 
produto. Possivelmente, para identificar o produto é necessário aproximar-
se do local da ocorrência. O ideal é realizar a identificação com uma 
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distância segura e se for necessária a aproximação, faça com os ventos 
na costa. Tendo que entrar em contato com o produto para identificá-lo, 
use a vestimenta de maior proteção. 
Todos os produtos perigosos exigem uma certa proteção para se 
entrar em contato. Não sendo possível identificar o produto, use sempre o 
equipamento de proteção máxima. Os EPIs para proteção contra produtos 
perigosos são divididos da seguinte forma:
 • ● Nível A: proteção máxima para vias aéreas, olhos e pele, ou 
seja, nenhum contato com a substância. É o que se chama de 
vestimenta encapsulada;
 • ● Nível B: proteção máxima para vias aéreas e olhos, mas menor 
proteção para a pele;
 • ● Nível C: proteção para pele e olhos com menor exigência para a 
proteção de vias aéreas;
 • ● Nível D: uniforme de trabalho da equipe com proteção superficial 
dos olhos e vias aéreas. 
As equipes devem ainda garantir que a situação não piore a partir da 
chegada

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