Prévia do material em texto
Unidade 2 Segurança na Movimentação e Transporte de Carga Rosivany Gomes Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autor ROSIVANY GOMES A AUTORA Rosivany Gomes Olá. Sou a professora Rosivany Gomes. Sou Mestre em Biociência e Pedagoga, com experiência técnico-profissional na área de Segurança, Saúde e Meio Ambiente. Atuo também como consultora em SMS para empresas que precisam se adequar às exigências legais na área de Saúde, Segurança e Meio Ambiente. Ao longo da minha vida acadêmica pude coordenar o curso de MBA em Sistema de Gestão Integrado em SMS onde desenvolvemos um produto final para atender à demanda do mercado. Além disso, pude atuar em diferentes segmentos da Educação, desde educação básica, cursos técnicos, cursos de graduação e pós-graduação. Durante essa jornada, desenvolvi habilidades e competências como educadora, aprimorando meus conhecimentos em Metodologias Ativas, Aprendizagem Baseada em Projetos e Ensino à distância e Educação em ambientes virtuais com o projeto “Recomendação de materiais didáticos baseada em estilos cognitivos de aprendizagem”. Destaco na minha sólida carreira na área de Gestão Educacional os prêmios de Coordenador inspirador e Prêmio Educação, Inovação e Desenvolvimento de projetos educacionais pela Implantação e coordenação de projetos educacionais baseados em Metodologias Ativas e por desenvolver a cultura digital na minha equipe e nos alunos de cursos presenciais e nas plataformas de EAD. Atualmente me dedico à formação Técnica profissional e à elaboração de materiais educacionais, aplicando a aprendizagem que associa teoria à prática, ou seja, aprender fazendo. ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: INTRODUÇÃO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Classificação dos tipos de carga...........................................................12 Movimentação e transporte de carga .............................................................................. 12 Riscos ocupacionais no transporte de cargas ........................................................... 13 Risco ergonômico ........................................................................................................ 14 Risco químico .................................................................................................................. 15 Risco de acidente ........................................................................................................ 15 Risco físico ........................................................................................................................ 16 Tipos de carga ................................................................................................................................... 17 Carga geral ........................................................................................................................ 17 Carga unitizada .............................................................................................................. 18 Carga a granel ................................................................................................................ 19 Carga perecível ............................................................................................................. 20 Carga indivisível ............................................................................................................. 21 Carga neo granel ......................................................................................................... 21 Carga de produtos perigosos .............................................................................22 Procedimentos de segurança no transporte de cargas .....................................23 Modais de transporte versus tipos de cargas ................................ 26 Modais de transporte ...................................................................................................................26 Modal Rodoviário .............................................................................................................................26 Sistema nacional de trânsito ................................................................................27 Vantagens e desvantagens do modal rodoviário ....................................................29 Classificação dos veículos .................................................................................... 30 Classificação dos Caminhões .............................................................................32 Classificação de carrocerias.................................................................................33 Modal ferroviário ..............................................................................................................................34 Modal Aeroviário ............................................................................................................................. 36 Modal aquaviário .............................................................................................................................37 Modal Dutoviário ............................................................................................................................. 39 Produtos perigosos .....................................................................................41 Carga perigosa versus produtos perigosos ................................................................. 41 Classificação produtos perigosos .......................................................................................42 Classe I - explosivos ..................................................................................................44 Classe II - gases ...........................................................................................................45 Classe III - líquidos inflamáveis ..........................................................................45 Classe IV - sólidos inflamáveis .......................................................................... 46 Classe V - substâncias oxidantes e peróxidos orgânicos ............. 46 Classe VI - substâncias tóxicas e substâncias infectantes ............47 Classe VII - material radioativo .......................................................................... 48 Classe VIII - substâncias corrosivas .............................................................. 48 Classe IX - substâncias e artigos perigosos diversos ...................... 48 Medidas de controle para armazenamento e transporte de cargas com produtos perigosos ....................................................................................................................... 49 Segurança no trabalho portuário.........................................................................................52do serviço de emergência e venha a atingir um maior número de vítimas ou uma área maior realizando o processo de contenção e controle dos produtos perigosos. Após o atendimento às vítimas, a descontaminação é uma das etapas mais importantes do atendimento com produtos perigosos, pois evita que o produto saia da área da ocorrência para outros locais. O tipo de descontaminação varia de acordo com as características fisioquímicas dos produtos, garantindo a redução ou eliminação dos efeitos. A seguir veremos alguns tipos de descontaminação. • Emulsificação: detergentes, sabões que têm a capacidade de produzir suspensão em líquidos não polares ou sólidos insolúveis; Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 52 • Degradação ou neutralização: uso de outro produto químico que combinado neutraliza o produto perigoso. Não deve ser usado em tecidos vivos; • Desinfecção: eliminação dos microrganismos, toxinas por processos de limpeza; • Diluição: diminuição da concentração do produto em substância solúvel, normalmente água. Tomar cuidado com o escoamento da solução; • Absorção ou penetração: realizado com o auxílio de absorventes; • Remoção: com aspiração, jato d’água, escovas etc. • Eliminação: jogando fora os materiais em contato com o produto em local apropriado. Segurança no trabalho portuário Diferente dos modais terrestres e o aeroviários, a legislação brasileira que trata da saúde e segurança do trabalhador aborda exclusivamente as exigências de segurança no transporte de cargas relativo ao modal aquaviário no trabalho em portos. Outro assunto muito importante no cenário de movimentação de cargas de produtos perigosos são as operações realizadas com contêineres com cargas perigosas, contendo materiais explosivos, corrosivos, de perigo de inalação ou radioativos, por exemplo. A norma regulamentadora NR 29 regula a proteção obrigatória contra acidentes e doenças profissionais e as ações que facilitem os primeiros socorros a acidentados de forma a alcançar as melhores condições possíveis de segurança e saúde para aplicação nos trabalhadores portuários em operações (tanto a bordo como em terra), assim como aos demais trabalhadores que exerçam atividades nos portos organizados e em instalações portuárias de uso privativo e retroportuárias, situados dentro ou fora da área do porto organizado. Vejamos alguns trechos da norma sobre esses assuntos (ENIT, 2020): Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 53 Segundo a NR 29 no item 29.6.1 as cargas perigosas são quaisquer cargas que sejam explosivas, gases comprimidos ou liquefeitos, inflamáveis, oxidantes, venenosas, infecciosas, radioativas, corrosivas ou poluentes, que possam representar riscos aos trabalhadores e ao ambiente e incluem quaisquer receptáculos, tais como tanques portáteis, embalagens, contentores intermediários para graneis (IBC) e contêineres. Para proteger os profissionais portuários, a NR 29 prevê a criação de uma Comissão de Prevenção de Acidentes no Trabalho Portuário (CPATP). A CPATP tem como objetivo relatar as condições de risco nos ambientes de trabalho, solicitando, quando necessário, medidas para reduzir os riscos existentes. A comissão também visar discutir os acidentes ocorridos, encaminhando ao Serviço Especializado em Segurança e Saúde do Trabalhador Portuário (SESSTP) o resultado da discussão no intuito de orientar os trabalhadores quanto à prevenção do acidente. Constituída de forma paritária, por trabalhadores portuários com vínculo empregatício, seus mandatos duram dois anos, permitindo-se apenas uma reeleição do corpus escolhido. A composição da CPATP obedecerá a critérios que garantam a representação das atividades portuárias com maior potencial de risco e ocorrência de acidentes, respeitado o dimensionamento mínimo do quadro II da NR29 sendo proporcional ao número médio do conjunto de trabalhadores portuários utilizados no ano anterior. Figura 19: Dimensionamento mínimo da CPATP Fonte: https://bit.ly/38LIauK Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 54 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que produtos perigosos são substâncias que podem vir a causar danos à saúde humana, a um bem material ou ao meio ambiente. A classificação adotada é feita com base no tipo de risco que estes produtos apresentam e conforme as Recomendações para o Transporte de Produtos Perigosos da ONU. A mesma estabelece os critérios utilizados para a classificação destes materiais que determinaram a criação de nove classes básicas, que podem ou não ser subdivididas, conforme as características dos produtos. As medidas de controle com movimentação de produtos perigosos envolvem a identificação do produto. Por isso, os rótulos de riscos devem estar presentes durante todo o processo logístico como forma de identificação dos produtos perigosos em suas classes e subclasses, colaborando na contenção e descontaminação, sempre priorizando o atendimento às vítimas. Destacamos no final do capítulo, a segurança com produtos perigosos no modal portuário atendendo os dispostos na NR29. Os demais modais apresentados não apresentam uma NR específica e por isso, seguem as regras estabelecidas pelas agências nacionais de transporte terrestres e aeroviários e os serviços de segurança que atuam nestes locais garantindo que as exigências legais sejam cumpridas através do Serviço Especializado em Segurança e Saúde do Trabalhador Portuário (SESSTP) e a Comissão de Prevenção de Acidentes no Trabalho Portuário (CPATP). Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 55 Logística reversa na indústria INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz compreender a importância da logística reversa e optar por inserir este modelo na gestão integrada da empresa, definindo o que são resíduos e a importância do gerenciamento de resíduos para as empresas. Na logística reversa, o desenvolvimento sustentável é o resultado esperado que depende de diferentes fatores, iniciando na escolha das embalagens, na forma de transporte e o modal utilizado. Juntos iremos desenvolver suas habilidades para visualizar o ciclo da logística e construir as competências necessárias para aplicar a logística reversa. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Resíduos sólidos A crescente quantidade de produtos com ciclos de vida cada vez menores e a grande variedade de modelos que se intensificaram nas últimas décadas do século XX deram origem à necessidade de um pensamento logístico que pudesse inserir a fase de retorno de uma parcela desses produtos ao processo produtivo como matéria prima ou na reutilização em alguma etapa do processo. Neste sentido a cadeia de suprimentos não encerra no produto final e sim no destino final que é dado ao que não foi consumido ou usado, como nos casos de embalagens e recipientes que até pouco tempo eram destinados aos aterros em forma de resíduos. Os resíduos sólidos são tudo aquilo que normalmente chamamos de lixo. Portanto, ele é qualquer matéria sólida ou semissólida produzida pelo homem e pela natureza. Geralmente é classificado como lixo, porém o lixo é parte do resíduo sólido que não tem mais valor agregado, enquanto que os resíduos podem retornar à cadeia de suprimentos através da logística reversa, contribuindo para o desenvolvimento sustentável. Este tem como objetivo aplicar um novo tipo de desenvolvimento capaz de manter o Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 56 progresso humano, não apenas em alguns lugares e por alguns anos, mas em todo o planeta e até● no futuro, garantindo que as gerações futuras atenderão suas próprias necessidades e as necessidades do presente. O Plano Nacionalde Resíduos Sólidos propõe agrupar os resíduos considerando o local ou atividade em que a geração ocorre, como no caso dos resíduos sólidos do transporte. Estes são divididos em Resíduos Sólidos do Transporte Aéreo e Aquaviário que são aqueles gerados pelos serviços de transportes, de naturezas diversas como ferragens, resíduos de cozinha, material de escritório, lâmpadas, pilhas etc. Os Resíduos Sólidos do Transporte Rodoviário e Ferroviário gerados pelos serviços de transportes, acrescidos de resíduos sépticos, podem conter organismos patogênicos (LEI12305, 2010). Quando compramos um EPI ele é enviado pelo fabricante através de caminhões ou outro modal devidamente embalado. Durante o trajeto, o pneu precisou ser trocado após sofrer um rasgo devido à má condição e conservação da estrada. O pneu substituído se tornou um resíduo. Se eu não te contasse este fato, você não saberia que durante a logística do seu EPI, os resíduos, além das embalagens que você irá descartar, foram gerados e precisam ter um destino final correto, caso contrário poderão criar impactos ambientais e comprometer o desenvolvimento sustentável. Impactos ambientais Existe uma variedade de resíduos sólidos previstos em lei que precisam ser pensados de forma consciente como vimos no caso do pneu do caminhão que se tornou um resíduo durante a logística do EPI. Portanto, governos, empresas e cidadãos precisam assumir suas responsabilidades com os resíduos e tratá-los de forma correta para que o impacto sobre o meio ambiente e a saúde das pessoas seja menor. Mas o que fazer com esse pneu e os demais resíduos gerados? Que o tempo de decomposição dos pneus é de 600 anos? As vendas de automóveis crescem a cada ano no Brasil, trazendo um resultado positivo para a economia do país, mas que também gera resultados negativos, uma vez que o descarte de pneus usados se torna Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 57 ainda mais forte. O descarte de pneus no meio ambiente é um grande problema ambiental especialmente por conta de seu elevado tempo de deterioração, causando poluição do solo e contaminação de áreas. Mas não podemos falar apenas do modal rodoviário. O modal dutoviário apresenta vantagens como a redução no tempo necessário para o transporte da carga. Porém, entre suas desvantagens poderíamos citar as questões relacionadas aos custos do acidente, tanto para a sociedade e, principalmente, para o meio ambiente. Veja o exemplo abaixo da empresa que utiliza o mineroduto para transportar minério de ferro. Segundo informações geradas pela secretaria do estado de meio ambiente de Minas Gerais informou que com o rompimento da tubulação, o minério atingiu o Rio e o abastecimento de água precisou ser cortado (Fonte: http://glo.bo/3bPQkEx). Como podemos ver, o impacto no meio ambiente acaba causando impactos também nas vidas das pessoas. Gestão de Resíduos Este olhar mais amplo sobre os resíduos e os possíveis impactos dentro do ciclo de vida é importante para a adoção de soluções que sejam eficientes, mas que não causem um descompasso na cadeia, onde a solução para uma determinada fase possa ser prejudicial à outra. Essa visão nos reporta à importância de gerir os resíduos, através de uma gestão de resíduos. Por exemplo, a escolha de um novo componente para um determinado produto deve levar em conta não apenas os ganhos na qualidade e no retorno financeiro, mas também questões das características pós-consumo (como a forma de descarte, a possibilidade de separação e reciclagem etc.). A gestão de todas as fases do ciclo de vida de um produto é fundamental para a sustentabilidade das empresas. Essa gestão pode contar com o auxílio de diversas ferramentas, como a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) e a própria logística reversa. O uso da logística reversa no gerenciamento de resíduos pode aparecer em diferentes etapas do ciclo, seja como forma de reuso ou reciclagem de materiais na recuperação de embalagens ou na destinação Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 58 final. Portanto, é uma ferramenta que pode proporcionar importantes ganhos ambientais, sociais e econômicos, possuindo um papel muito relevante na gestão de resíduos. Usando a reciclagem de embalagens utilizadas no transporte de cargas unificadas, por exemplo, vemos a gestão de resíduos contribuindo para diminuir a demanda por recursos do sistema natural, além de proporcionar a inclusão social para pessoas que encontram no processo de gestão uma fonte de renda como catadores e transformadores de embalagens pelo processo de reciclagem. A gestão de resíduos pode ser vista pelos os aspectos que envolvem a reciclagem como uma revalorização do produto, em que os materiais descartados são transformados em matérias-primas secundárias ou recicladas, que serão reincorporadas à fabricação de novos produtos. O exemplo mais comum são os metais em geral, que extraídos de diferentes tipos de produtos que são descartados passam a ser matérias-primas secundárias a serem reintegradas ao ciclo produtivo, fechando seu ciclo da logística reversa. O futuro da Logística Atualmente, estima-se que no Brasil tem por ano, 18 milhões de computadores, 80 milhões de celulares, 50 milhões de geladeiras, 23 milhões de máquinas de lavar roupas, 2,6 milhões de automóveis, 20 bilhões de garrafas PET, 20 bilhões de latas de alumínio e outro tanto de caixinhas longa vida que entram no mercado anualmente e se tornam resíduos (LEITE, 2017). De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a logística reversa se apresenta como um instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada (LEI12305, 2010). Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 59 Ao contrário da logística comum, cujo foco está na entrega de produtos de forma ágil e acessível ao consumidor, a logística reversa também se preocupa em reaproveitar ou descartar de forma adequada os resíduos produzidos durante essa operação. Assim, produtos, embalagens e outros materiais resultantes dessa atividade poderão retornar ao produtor para que tenham o destino ambiental adequado. Além disso, a logística reversa também inclui políticas de devolução e troca de produtos. (SENAT, 2016). Figura 20: Logística reversa e sustentabilidade Fonte: Elaborado pela autora (2020). O setor de transportes é conhecido pelo seu impacto no aumento progressivo da degradação ambiental. Afinal, o consumo de combustível e a consequente poluição causada pela sua queima estão entre um dos principais problemas da operação. A logística reversa se transformou em uma ferramenta fundamental para aplicação do conceito de sustentabilidade no setor empresarial. Mas, ainda há muito desperdício nos processos tanto do que saí das industriais quanto no processo de coleta seletiva. Por isso, a logística reversa demonstra ser uma aliada das organizações para eliminar os impactos negativos que os resíduos causam. Além disso, contribui para alcançar os objetivos do desenvolvimento Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 60 sustentável através do reaproveitamento de materiais e da destinação correta de resíduos. No setor de transporte, a logística reversa representa uma metodologia que busca planejar e controlar a movimentação referente ao retorno de produtos, embalagens e resíduos após a sua comercialização. A gestão de resíduos contribui para o desenvolvimento de uma gestão integrada com os resultados positivos da gestão de segurança, da qualidade e ambiental. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza deque você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Como vimos, além de contribuir para a sustentabilidade, a logística reversa também se tornou uma forma das empresas se destacarem no mercado como uma grande aliada da economia circular. Isso porque nos deparamos com consumidores cada vez mais críticos e conscientes, que buscam por organizações e produtos sustentáveis, que possam reduzir os impactos ambientais. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 61 REFERÊNCIAS AGILE PROCESS. Medidas de segurança no transporte de cargas. Disponível em: https://agileprocess.com.br/blog/medidas-de- seguranca-no-transporte-de-cargas/. Acesso em: 01 dez. 2020. ANTT. Instruções Complementares ao Regulamento do Transporte. Brasil, 2004. Disponível em: https://www.legisweb.com.br/ legislacao/?id=378829. Acesso em: 25 nov. 2020. BBC. Greve dos caminhoneiros: a cronologia dos 10 dias que pararam o Brasil. BBC News, 2018. Disponível em:https://www.bbc.com/ portuguese/brasil-44302137. Acesso em: 15 dez 2020. BRASIL. DECRETO 1232. Regulamenta a profissão de Aeroviário. 1962. BRASIL. Lei 12305. Política Nacional de Resíduos sólidos. 2010. CARVALHO, M.; NETTO, J. Dez motivos para o transporte aquaviário no Brasil deslanchar nos próximos governos. Tecnologística, 2018. Disponível em: https://www.tecnologistica.com.br/portal/artigos/79149/ dez-motivos-para-o-transporte-aquaviario-no-brasil-deslanchar-nos- proximos-governos. Acesso em: 15 dez. 2020. CNT. Confederação Nacional da Indústria, 2017. Disponível em Boletim estatistico: http://www.cnt.org.br/Boletim/boletim-estatistico- cnt. Acesso em: 01 nov 2020. CTB. Código de Trânsito Brasileiro - Lei 9.503, 1997.Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 01 nov 2020. ENIT. NR 29 - Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho Portuário, 2020. Disponível em:https://enit.trabalho.gov.br/ portal/images/Arquivos_SST/SST_NR/consulta-publica/NR-29--ENIT. pdf. Acesso em: 02 nov de 2020. GALVÃO, O. Desenvolvimento dos transportes e integração regional no Brasil- Uma perspectiva histórica. Planejamento de políticas pública, 1996, pp. 183-214. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística https://www.bbc.com/portuguese/brasil-44302137 https://www.bbc.com/portuguese/brasil-44302137 62 GLOBO. Tubulação de mineroduto se rompe em Santo Antônio do Grama, minério atinge ribeirão e abastecimento é interrompido. G1 Globo, 2018. Disponível em: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/ tubulacao-de-mineroduto-se-rompe-em-santo-antonio-do-grama-na- zona-da-mata.ghtml. Acesso em: 15 nov. 2020. IFRN. Símbolos de risco e manuseio para o transporte e armazenamento de materiais. Disponível em:https://portal.ifrn.edu.br/ atividades-estudantis/saude/manual-de-boas-praticas-dos-servicos- de-saude-do-ifrn/regulamentacoes/simbologia-de-risco. Acesso em: 15 dez 2020. LEITE, P. Logística reversa, Sustentabilidade e Competitividade. São Paulo: Saraiva, 2017. MALTEZ, J. S. Estudo da análise de risco ambiental na operação de duto. Brasil, 2013. ONU. Pesquisa de produtos perigosos. Disponível em:http://200.144.30.103/siipp/public/busca_pp.aspx. Acesso em: 15 dez 2020. SENAT/SEST. Conhecendo o Código Brasileiro - CTB [Curso online]. 2016. Disponível em: https://ead.sestsenat.org.br/cursos/conhecendo-o- codigo-de-transito-brasileiro-ctb/. Acesso em: 10 nov. 2020. SENAT/SEST. Movimentação de cargas perigosas. [Curso online] Disponível em: https://ead.sestsenat.org.br/cursos/movimentacao-de- cargas-perigosas/. Acesso em: 10 nov. 2020. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística https://portal.ifrn.edu.br/atividades-estudantis/saude/manual-de-boas-praticas-dos-servicos-de-saude-do-ifrn/regulamentacoes/simbologia-de-risco https://portal.ifrn.edu.br/atividades-estudantis/saude/manual-de-boas-praticas-dos-servicos-de-saude-do-ifrn/regulamentacoes/simbologia-de-risco https://portal.ifrn.edu.br/atividades-estudantis/saude/manual-de-boas-praticas-dos-servicos-de-saude-do-ifrn/regulamentacoes/simbologia-de-risco http://200.144.30.103/siipp/public/busca_pp.aspx Rosivany Gomes Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica Classificação dos tipos de carga Movimentação e transporte de carga Riscos ocupacionais no transporte de cargas Risco ergonômico Risco químico Risco de acidente Risco físico Tipos de carga Carga geral Carga unitizada Carga a granel Carga perecível Carga indivisível Carga neo granel Carga de produtos perigosos Procedimentos de segurança no transporte de cargas Modais de transporte versus tipos de cargas Modais de transporte Modal Rodoviário Sistema nacional de trânsito Vantagens e desvantagens do modal rodoviário Classificação dos veículos Classificação dos Caminhões Classificação de carrocerias Modal ferroviário Modal Aeroviário Modal aquaviário Modal Dutoviário Produtos perigosos Carga perigosa versus produtos perigosos Classificação produtos perigosos Classe I - explosivos Classe II - gases Classe III - líquidos inflamáveis Classe IV - sólidos inflamáveis Classe V - substâncias oxidantes e peróxidos orgânicos Classe VI - substâncias tóxicas e substâncias infectantes Classe VII - material radioativo Classe VIII - substâncias corrosivas Classe IX - substâncias e artigos perigosos diversos Medidas de controle para armazenamento e transporte de cargas com produtos perigosos Segurança no trabalho portuário Logística reversa na indústria Resíduos sólidos Impactos ambientais Gestão de Resíduos O futuro da LogísticaLogística reversa na indústria ................................................................55 Resíduos sólidos ..............................................................................................................................55 Impactos ambientais .................................................................................................................... 56 Gestão de Resíduos ......................................................................................................................57 O futuro da Logística ................................................................................................................... 58 9 UNIDADE 02 Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 10 INTRODUÇÃO Você sabia que a logística é crucial para o sucesso no transporte de cargas, garantindo que os produtos cheguem no tempo certo, com controle da qualidade do produto e garantindo a saúde e segurança do trabalhador? Isso mesmo. Ao longo deste capítulo iremos mergulhar nos fatores envolvidos na logística de carga, conhecendo os tipos de carga, os modos de transporte, suas vantagens e desvantagens. Você irá compreender a importância de manter-se sempre atento a todos os aspectos que envolvem o transporte de cargas, seja por terra, através dos modais rodoviário, ferroviário, por mares e rios, através do modal aquaviário ou pelo céu. Sim, o céu não é mais o limite e podemos transportar cargas com segurança e agilidade através do modal aeroviário. Ainda, ao final desta unidade iremos conhecer o futuro da logística no transporte de carga através da logística reserva que chega para agregar valores econômicos, sociais e ambientais por meio de práticas de gerenciamento de resíduos que promovam o desenvolvimento sustentável. Entendeu? Vamos juntos ao longo desta unidade mergulhar no universo do transporte de cargas com segurança! Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 11 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 02. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Classificar os tipos de carga, identificando as normas e protocolos para mitigação dos riscos de acidentes de trabalho conforme sua natureza; 2. Escolher e dimensionar recursos materiais e tecnológicos neces- sários à execução das operações de transporte e distribuição de materiais com segurança; 3. Identificar os riscos no transporte de cargas perigosas, reconhe- cendo os elementos de sinalização e protocolos de segurança preconizados pelas normas regulamentadoras; 4. Entender o ciclo logístico reverso na indústria, avaliando os riscos dessas operações para os trabalhadores. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 12 Classificação dos tipos de carga INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender como funciona a movimentação e transporte de cargas responsável pela distribuição da produção industrial, os diferentes tipos de cargas e entender a necessidade de adequar o modal de transporte às necessidades de cada tipo de carga. Este conhecimento será fundamental para o exercício de sua profissão para que, como profissional prevencionista, você possa gerir os processos de SST, garantido a qualidade e segurança do produto e a saúde e segurança do trabalhador. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Movimentação e transporte de carga Você se lembra da greve dos caminhoneiros que ocorreu no Brasil em 2018? Lembra os transtornos causados pela suspensão do transporte de carga rodoviária? Agora imagine se simultaneamente parasse a movimentação de carga rodoviária, marítima e ferroviária? ACESSE: Se você não se lembra dos eventos, acesse este site e veja a cronologia dos fatos. Acesse: http://bbc.in/3qRIK0a. Agora que já nos lembramos da importância do transporte para o desenvolvimento de uma sociedade, precisamos entender o que isso significa. Significa que quanto melhor for o sistema de transporte de um país, maior será o seu desenvolvimento. O setor de transporte de cargas e pessoas está ligado aos diferentes segmentos da indústria, agroindústria e comércio. Os outros serviços dependem diretamente do transporte de matérias-primas e de produtos, bem como do deslocamento das pessoas até o mercado de consumo. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística http://bbc.in/3qRIK0a 13 O comprometimento do transporte com a economia é uma realidade e também uma preocupação, pois segundo Galvão (1996), na primeira metade do século XX ainda existem áreas economicamente isoladas, o que levou o governo a desenvolver programas de construção de rodovias para auxiliar a integração econômica do país. No século XXI, ainda enfrentamos problemas como transporte de cargas e passageiros, com estradas de má qualidade, portos ineficientes, cabotagem pouco expressiva, escassez de ferrovias e de áreas de armazenagem, entre outros fatores que afetam a indústria e sua capacidade de integração às cadeias globais de produção e aumentam os riscos à saúde e segurança dos trabalhadores. Riscos ocupacionais no transporte de cargas Os grandes acidentes industriais mostram que os pequenos incidentes podem resultar em grandes consequências. Por isso, deve ser feita a análise de risco de todo o processo gerando dados para a gestão eficiente dos programas SST. A pergunta é: a análise de risco termina quando o produto fica pronto? Neste capítulo iremos descobrir que a resposta é não. A principal função de um condutor é conduzir seu conduto. Mas, se eles desempenham essa função em relação a um contrato de trabalho, sua função como condutor profissional não é só conduzir o conduto, mas também estar atento às operações de carga e descarga, assim como zelar pelas condições do conduto. Além disso, há o esforço físico e mental durante o trajeto, uma vez que o condutor deve estar sempre atento e pronto para tomadas de decisão. Esses são alguns dos aspectos que podemos citar para ratificar a nossa resposta ao afirmar que a análise de risco do processo de produção não finaliza no produto acabado. Ele também envolve o transporte interno e externo, seja por rodovias, ferrovias, aerovias ou por outros modais de transporte usados no escoamento da produção industrial (Figura 1). Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 14 Figura 01: Mosaico dos modais de transporte de carga: análise de risco ocupacional se estende ao transporte externo Fonte: Pixabay. Agora que vimos que a movimentação e transporte de cargas estão dentro da gestão de SST, vamos conhecer um pouco dos riscos ocupacionais relacionados a essa atividade. EXEMPLO: Quem trabalha no setor de transporte pode estar exposto a vários riscos como: ruído, vibrações, gases e vapores tóxicos. No caso de transporte de produtos perigosos, os riscos ocupacionais podem ser agravados pela ocorrência de incêndios e explosões. Risco ergonômico O corpo humano pode ser comparado a uma máquina que tem seu funcionamento operando 24 horas por dia, sendo que algumas dessas funções metabólicas são reduzidas no período da noite, justamente para preservar a “máquina”. Porém, outras funções não podem parar, garantindo a manutenção da vida. Naturalmente, funções como nível de atenção, níveis de batimento cardíaco e pressão arterial aumentam durante o dia e reduzem no período noturno. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 15 Essa reflexão nos revela dados importantes para a análise de risco, considerando que, no caso do profissional da área de transportes, todo esse processo metabólico ocorre enquanto ele está em trajeto, podendo ocasionar por exemplo, sonolência durante alguns períodos do dia ou reduzir os níveis de atenção, associado ao estresse ocupacional,alimentação inadequada e ausência de atividade física. Risco químico No transporte de carga, o trabalhador está exposto a qualquer tipo de carga, inclusive cargas com produtos perigosos. A maioria dos produtos químicos pode ser classificada como produtos perigosos, ou ainda, a exposição ao risco químico pode ser associada ao manuseio de embalagens contaminadas na manutenção, reparo, limpeza e transferências desses produtos químicos. Em caso de emergências em função de acidentes ou incidentes, os profissionais da área de transporte devem aplicar os procedimentos estabelecidos na ficha de emergência que é um documento obrigatório no transporte de carga. Com a Resolução nº 5.848 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a ficha de emergência, documento impresso com as características do produto transportado, será substituída por um aplicativo (ANTT, 2019). Risco de acidente O uso de máquinas e equipamentos durante o processo de carga e descarga na manutenção e conservação exigem muita atenção e cuidados, tanto dos condutores quanto dos gestores de SST, para evitar que situações que envolvam falhas por negligência de todos os profissionais envolvidos, seja na empresa ou nas rodovias, representem riscos à operação como um todo, pois qualquer descuido pode ocasionar prejuízos sérios e repentinos. O risco de acidentes em trânsito é considerado um evento não intencional. Porém, as gestões de SST devem estar atentas de forma a evitá-los, conhecendo e promovendo o cumprimento da legislação de trânsito vigente para transporte terrestres e também dos demais tipos de transporte. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 16 No grupo dos acidentes estão incluídos fatores como ausência de determinados equipamentos de segurança, iluminação imprópria, risco de incêndios ou explosões, falha mecânica, fatores adversos na estrada, entre outras possíveis causas de acidentes. Risco físico Entre os setores com maior frequência de acidentes de trabalho como agente causadores do risco físico estão: o Comércio Varejista, Hospitais e o Transporte rodoviário de carga. Com a análise do perfil dos casos, busca-se construir uma base de conhecimento mais específica a respeito de grupos vulneráveis às ocorrências, em especial pela consideração de variáveis como setores econômicos, ocupações, agentes causadores, natureza da lesão, entre outros. Podemos observar no gráfico a seguir a quantidade de acidentes de trabalho relacionados ao risco físico. Nos riscos físicos destacam-se fatores como vibração, radiação, frio, calor, pressão incomum e umidade. Gráfico 1: Quantidade de acidentes de trabalho – Risco Físico Fonte dos dados utilizados para elaboração do gráfico: http://bit.ly/38IUGLs Como podemos observar, o setor de transporte de carga está entre os setores que mais apresentam acidentes junto com o comércio varejista em geral e atividades hospitalares, com 25% do número total de CAT registradas em 2020. Lembrando que todas as atividades industriais podem provocar acidentes de trabalho relacionados com a exposição ao ruído, vibrações, temperaturas elevadas ou baixas, entre outros agentes causadores. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 17 Tipos de carga O transporte de cargas, terrestre ou por qualquer outro tipo, envolve vários tipos de produtos que apresentam características físicas e químicas diferentes, podendo variar em peso, dimensão e estado físico (sólido, líquido ou gasoso). DEFINIÇÃO: A CARGA, para a área de transporte, é considerada qualquer massa sólida, líquida ou gasosa, que possa ser transportada de um ponto a outro em um conduto qualquer, seja de forma fracionada ou dedicada. Baseado nessas informações, garantir que o transporte ocorra de forma segura é ainda um desafio maior, pois o transporte, armazenamento, carregamento, descarregamento, manuseio e acondicionamento devem atender algumas características das cargas, que em geral podem ser classificadas por vários aspectos que englobam a natureza dessa carga (humana ou material), as propriedades físicas (sólida, líquida ou gasosa), a forma de transporte (unitizadas e a granel) e a periculosidade (inflamável, explosiva, tóxicas, corrosivas oxidantes ou radioativas). O não atendimento às normas de segurança, assim como às legislações, poderá ocasionar acidentes com efeitos aos trabalhadores, sociedade e meio ambiente. Por isso, é importante entendermos a natureza da carga que influenciará na escolha do tipo de transporte adequado. Carga geral Quando a carga é transportada solta é conhecida como carga geral, que são os itens avulsos, dotados ou não de embalagens e que são embarcados separadamente, como no caso de pacotes, caixas, tambores, bobinas, produtos de origem industrial ou ainda, fruto do extrativismo ou beneficiamento de matéria prima como no caso de pedras e madeiras (Figura 2). Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 18 Figura 02: Tipos de carga solta Fonte: Pixabay Carga unitizada Unitizar significa transformar em unidades iguais, sendo diferente do processo de consolidação existente no transporte de cargas fracionadas. Este é usado na logística como forma de aproveitar os espaços disponíveis durante o transporte. Para garantir o processo de fracionamento de cargas, as indústrias e empresas de logística precisaram desenvolver etiquetas inteligentes, códigos de barras e principalmente treinamento recorrente aos operadores como forma de garantir o controle na identificação dos lotes para que não seja aberto até que a sua desconsolidação seja feita no destino. No modelo de unitização, as cargas podem ser identificadas unitariamente, mesmo que sejam embaladas em lotes, independentemente de sua característica físico-química. A carga unitizada se caracteriza pelo agrupamento dos itens individualizados, ou avulsos, em contêineres (estrutura de aço que se assemelha a uma grande caixa), palete (estrado de madeira, aço alumínio ou plástico) ou pré-linguagem (redes ou cintas especiais para movimentação através de içamento da carga), que permite o embarque simultâneo de uma grande quantidade de produtos. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 19 Figura 03: Carga unitizada em transporte marítimo Fonte: Freepik Carga a granel Vimos que as cargas podem ser condensadas ou unitizadas. Diferente destas, as carga completas são as que ocuparão todo o espaço do modal, como no caso da carga a granel, que consiste em grandes quantidades de massa ou volume, divididas de acordo com sua natureza (sólida ou líquida), como no caso de grãos de sementes na agroindústria e minérios da indústria de extrativismo mineral, além dos líquidos como, óleos e combustíveis, que podem ser classificados como produtos perigosos, mas que em sua grande maioria não são, pois entre as cargas granel líquidas podemos citar leite, água, sucos e bebidas. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 20 Figura 4: Carga a granel Fonte: Pixabay Carga perecível Um dos grandes desafios no transporte de carga é garantir a qualidade da carga até o destino final e de vida ao trabalhador. Este desafio ainda é maior quando se tratam de cargas perecíveis, devido à possibilidade da carga entrar em processo de deterioração, aumentando ainda mais a pressão nos condutores em cumprir o prazo de entrega. Para reduzir a pressão, essa carga necessita ser transportada em condições especiais, como no caso de cargas que necessitam ser refrigeradas ou congeladas para conservar as qualidades essenciais do produto durante seu transporte e sua armazenagem. Exemplos: frutas, verduras, laticínios, pescados, carnes etc. Figura 5: Carga perecível Fonte: Pixabay Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 21 Carga indivisível Quando falamos em carga indivisível podemos citar a NR11 que inclui blocos de rocha e chapas deserradas, que são cargas constituídas de mercadorias volumosas e que também necessitam de condições especiais para movimentação e transporte, com uso de veículos especiais como lotação. Exemplos: Estruturas metálicas, máquinas e equipamentos, pás eólicas, transformadores, guindastes, máquinas agrícolas. As cargas vivas de animais também se enquadram em cargas que requerem cuidados especiais, que precisam ser tratadas com os devidos cuidados, tanto para animais de interesse econômico (bovinos, suínos, caprinos, aves de produção) quanto para animais de esporte e lazer (equinos, bovinos e outros). Figura 6: Carga indivisível Fonte: Freepik Carga neo granel Conferimos a denominação de carga neo granel ao carregamento formado por conglomerados únicos e homogêneos de mercadorias de carga geral sem acondicionamento específico, cujo volume ou quantidade possibilita o transporte em lotes, em um único embarque. Em vias terrestres rodoviárias, essas cargas podem ser encontradas Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 22 em caminhões chamados de caminhões cegonha, como no caso de transporte de veículos ou em caminhões guindaste. Figura 07: Transporte de carga neo granel feito por caminhão guincho Fonte: Wikicommons Carga de produtos perigosos As cargas de produtos perigosos são aquelas que devido à natureza do material apresentam características físico-químicas que apresentam risco ao trabalhador, à sociedade e ao meio ambiente (Figura 5). Sua classificação baseia-se na capacidade desses materiais em provocar acidentes, danificar outras cargas ou os meios de transporte, ou ainda, gerar riscos para as pessoas. Os exemplos mais cotidianos para acidentes com produtos perigosos estão ligados ao fator humano, quando o profissional não considera relevante fazer o uso correto do material colocando em risco a sua segurança e a eficiência de todo o processo, já que sua atitude aumenta as chances de prejuízos mais sérios no caso de qualquer imprevisto. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 23 Figura 08: Tabela de produtos considerados perigosos pela (ANTT, 2019) Fonte: Pixabay Procedimentos de segurança no transporte de cargas Garantir a saúde e segurança dos trabalhadores e porque não também da carga, é essencial e por isso devemos aplicar ações voltadas para a segurança para reduzir as chances de ocorrerem acidentes. O uso de materiais e equipamentos utilizados na amarração de cargas é indispensável para garantir a segurança do trabalhador e também da sociedade e do meio ambiente, evitando que em caso de acidentes a carga se perca. Vimos que a escolha dos dispositivos e procedimentos de segurança dependem das características da carga, pois estas interferem na escolha, uma vez que transportar animais vivos é diferente de transportar alimentos refrigerados ou um contêiner. Por este motivo, a escolha do(s) dispositivo(s) de segurança deve sempre considerar o tipo de carga. A NR11, que estabelece os requisitos mínimos obrigatórios de segurança deve ser rigorosamente atendida, junto às demais normas técnicas referentes à movimentação de cargas (NBR16147:2013). Além disso, os procedimentos de segurança devem atender os regulamentos estabelecidos pelas Agências que coordenam o transporte: Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 24 ANTT, Agência Nacional de Transporte terrestre, ANTAQ- Agência Nacional de transporte aquaviário e a ANAC- Agência Nacional de Aviação Civil. Os trabalhadores da área de transporte precisam estar preparados para situações de emergência por fatores sociais, como assaltos e sequestros, mas também por fatores naturais, como enchentes, inundações e desmoronamentos. Em caso de fatores sociais, os procedimentos de segurança estão focados na defesa do mais importante, a vida do condutor, por isso em caso de assalto ou sequestro o correto é: • Não reaja, converse e olhe diretamente para os criminosos e tente fugir; • Evite brincadeiras ou conversas; • Fale com calma, somente o que lhe for perguntado, devagar; • Avise: sobre qualquer movimento que pretenda fazer e faça movimentos lentos, mantenha as mãos em posição visível. ATENÇÃO! Lembre-se que na maior parte das vezes, o bandido não está sozinho, por isso sempre entregue ao criminoso o que ele exigir e memorize o maior número de detalhes que poderão ser úteis em uma investigação policial. Em caso de catástrofes naturais, os procedimentos de segurança indicados serão: • Não tente atravessar locais inundados com o caminhão, mesmo que o local pareça seguro, não arrisque sua vida; • Avise imediatamente o Corpo de Bombeiros ou a Defesa Cível sobre áreas afetadas pela inundação ou se você perceber qualquer sinal de desmoronamento; • Para retirar qualquer objeto do veículo, procure a ajuda dos Bombeiros ou da Defesa Cível; • Se houver tempo, coloque documentos e objetos de valor em um saco plástico bem fechado e em local protegido. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 25 VOCÊ SABIA? As empresas de transporte estão atentas ao monitoramento da carga por dispositivos de localização para que, em caso de emergência, possam colaborar com informações que auxiliem o resgate e atendimento das vítimas. O monitoramento remoto e o sistema de navegação também ajudam na segurança dos condutores, que podem ser comunicados com antecedência quanto à proximidade de áreas de risco ou mesmo para que possam refazer a rota em caso de comprovação de risco iminente (AGILEPROCESS, 21). Todos esses procedimentos deverão ser transmitidos aos condutores, se possível, relembrado como é uma rotina de trabalho através de orientações pré-trabalho. Essas são as orientações que antecedem o início da jornada de trabalho e também são usadas em treinamentos específicos para os condutores de cargas, ou de forma generalizada, em eventos organizados pelos serviços de SST. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que cargas fracionadas são cargas de clientes diferentes, consolidadas e posteriormente desconsolidadas no destino por operadores logísticos e transportadores. Seu objetivo é o maior aproveitamento de espaço do modal (ou modais). A operação será eficiente se o transportador souber equilibrar a consolidação das cargas com o tempo requerido pelo cliente. Durante o transporte de carga é importante saber como proceder para se proteger e para reduzir os danos causados por fatores sociais e naturais de vulnerabilidade causadores de acidentes e outras situações de emergência. Além disso, devemos contar os riscos de acidentes por efeitos do cansaço, fadiga ou por algum mal súbito. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 26 Modais de transporte versus tipos de cargas INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de argumentar sobre as vantagens e desvantagens a respeito dos modelos de transporte utilizado no Brasil e os tipos de cargas. Você será apresentado ao modal rodoviário, o modal mais utilizado no transporte de cargas e também o modal ferroviário, aquaviário, aeroviário e dutoviário. Este conhecimento é muito relevante na área de segurança, atuando com o setor de logística da empresa na escolha mais segura para o trabalhador e para carga. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Modais de transporte Ao planejar a movimentação da mercadoria pela cadeia de distribuição física devemos escolher, inicialmente, o modal de transporte mais adequado para conduzir a carga ao destino final. São os modais de transporte que possibilitam o deslocamento e a movimentação de cargas. Eles ajudam a melhorar a integração entre regiões e permitem que pessoas e cargas possam ser transportadas. Os modaisde transporte são: ferroviário (feito por ferrovias), rodoviário (feito por rodovias), hidroviário (feito pela água), dutoviário (feito pelos dutos) e aeroviário (feito de forma aérea). Vamos conhecer mais sobre a importância do transporte e algumas de suas características. Bons estudos! Modal Rodoviário Agora que já conhecemos os tipos de cargas que são transportadas, os riscos envolvidos no processo e os procedimentos que podem torná-los mais seguros é hora de conhecer os modais utilizados para o transporte de cargas e iniciaremos pelo modal Rodoviário. No Brasil, o Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 27 modo rodoviário é o mais utilizado, sendo responsável por mais de 60% de toda a carga movimentada no país (ANTT, 2019). O gráfico 2 apresenta dados da movimentação dos produtos que é realizada por todas as modalidades. Os dados representam a importância do modal rodoviário para o transporte de cargas sendo os caminhões os veículos de transporte mais presentes nas rodovias brasileiras que apresentam mais de 1 milhão de Km de rodovias pavimentadas (CNT, 2017). Gráfico 2: Participação em porcentagem do modal rodoviário em relação aos demais modais Fonte: Elaborado pela autora (2020) com base nos dados da (ANTT, 2019). Sistema nacional de trânsito Como vimos no gráfico 2, o transporte de carga pelo modal rodoviário apresenta grande relevância para o Brasil. Portanto, manter a segurança dos trabalhadores em vias públicas implica em cumprir as exigências estabelecidas pelo o Código Brasileiro de Trânsito (CTB, 1997). As mercadorias produzidas nos mais variados locais podem ser distribuídas e consumidas em todo o território nacional, por isso devemos aplicar o CBT garantindo o intercâmbio de cargas. O SNT é composto por entidades da União que tem por finalidade estabelecer ações que envolvem o planejamento, administração, habilitação e reciclagem de condutores, educação, fiscalização e aplicação de penalidades em instâncias estaduais, municipais e do Distrito Federal. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 28 VOCÊ SABIA? Vias terrestres (CTB, art. 2o, 1997) são as superfícies por onde trafegam veículos, pessoas e animais, compreendendo pistas de rolamento, acostamentos, calçadas, passeios públicos, ilhas e canteiros centrais. O CTB define como velocidade segura em vias urbanas 30km/h nas vias locais, 40km/h em vias coletoras, 60km/h em vias arteriais e 80km/h em vias de trânsito rápido (CTB, 1997, p. art.62). O condutor estará habilitado através do processo de habilitação cumprindo as exigências definidas para cada categoria da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) que estabelece como requisitos mínimos para iniciar o processo: • Ser penalmente imputável: alguém que responda pelos seus atos perante a lei; • Saber ler e escrever: não depende de grau de escolaridade, basta ser alfabetizado; • Possuir documento de identidade: pode ser qualquer documento de identificação emitido por órgão público (RG, carteira de trabalho, passaporte etc.); • Possuir Cadastro de Pessoa Física (CPF): informar o número do CPF já é suficiente, não é necessário fornecer o cartão. No caso de ser a primeira habilitação o candidato deverá atender aos seguintes requisitos: • Ser maior de 18 (dezoito) anos; • Ser penalmente imputável; • Saber ler e escrever. O condutor precisará comprovar suas habilidades e competências sendo aprovado com 70% ou mais de acertos em prova teórica aplicada pelo Departamento de Trânsito (DETRAN) (CTB, 1997). Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 29 Para o transporte de cargas, o condutor deve possuir no mínimo CNH na categoria D ou E, onde as exigências mínimas requeridas são: • Ter pelo menos 1 (um) ano de habilitação na categoria C ou pelo menos 2 (dois) anos na categoria B; • Ter mais de 21 (vinte e um) anos e ser aprovado em exame de aptidão física e mental; • Não ter sido multado por falta grave ou gravíssima, nem ser reincidente em multa por infração média nos últimos 12 (doze) meses; • Realizar o curso prático de 15 (quinze) horas-aula, sendo 3 (três) horas-aula pela noite e teste de direção veicular (SENAT, 2016). O CTB ainda exige especializações dentro das categorias de CNH ligadas ao transporte de produtos perigosos, transporte de carga indivisível e exame toxicológico de larga janela de detecção para consumo de substâncias psicoativas, necessário quando da adição e renovação da habilitação nas categorias C, D e E. (CTB, 1997). Vantagens e desvantagens do modal rodoviário Existem diversas atividades logísticas que incluem os custos dentro da cadeia de suprimentos e a escolha entre os cinco modos de transporte. Isso é crucial para garantir a redução de custos e o lucro. Obviamente, todas as modalidades irão apresentar vantagens e desvantagens. Por que o modo rodoviário é o mais utilizado no Brasil, tanto para o transporte de passageiros quanto para a movimentação de cargas? Em um país com dimensões continentais, as possibilidades de escolha se ampliam, porém o transporte rodoviário se destaca por ser um modal que permite o transporte no modelo chamado “porta a porta”, sem que a carga precise ser remanejada durante o trajeto. Não podemos deixar de considerar as desvantagens, principalmente as que estão ligadas à vulnerabilidade do trabalhador e da carga devido ao risco de furtos e roubos e o risco de acidentes em rodovias devido às condições de conservação das vias que independem da gestão de SST Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 30 da empresa que se utiliza da infraestrutura composta por vias urbanas e rurais. Além disso, existe a dependência do trânsito, principalmente em grandes centros urbanos e a capacidade limitada de transporte de carga, diferente dos demais modais como o ferroviário e aquaviário. Também, podemos destacar o uso dos terminais rodoviários e armazéns, depósitos e centros de distribuição no transporte de cargas que junto com o desgaste do veículo, valor do combustível e pedágios contribui para o custo elevado do frete. Classificação dos veículos Você sabe que existem diversos modelos de veículos utilizados no transporte de cargas no modal rodoviário e que cada um é utilizado para um serviço de transporte específico. Existem algumas maneiras para classificar os veículos usados para transporte rodoviário e segundo o CTB, art. 96, os mesmos são classificados: Quanto à espécie: passageiros, carga, misto, de competição, de tração e de coleção; Figura 9: Táxi Fonte: Freepik Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 31 Quanto à tração: automotor, elétrico, de tração animal, reboque ou semirreboque; Figura 10: Veículo elétrico Fonte: Freepik Quanto à categoria: oficial (de representações diplomáticas, repartições consulares, de carreira ou organismos internacionais reconhecidos junto ao governo brasileiro) e particular (SENAT, 2016). Figura 11: Veículo oficial Fonte: Freepik Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 32 No caso dos caminhões, eles são classificados como veículos automotores de carga, podendo ser oficial ou particular, de propriedade privada ou de um condutor autônomo. Essa classificação é importante para a definição de medidas de segurança que possam garantir a documentação e manutenção adequada para cada tipo de veículo. No entanto, esta classificação não é suficiente para o dimensionamento seguro das cargas, como veremos a seguir. Classificação dos Caminhões Como vimos, os caminhões são os veículos predominantemente usados no transporte de cargas em rodovias. A sua classificação pode ser feita entre veículos rígidos e articulados. Mas, o que são veículos rígidos? São aqueles que trazem o motor e a unidade de transporte em um só veículo. São os caminhões chamados de “trucks” ou 6x2 que apresentam eixo duplo na carroceria, importante paraa segurança durante o transporte de carga onde um eixo recebe a força do motor para carregar cargas mais pesadas. E os articulados? São aqueles que têm a cabine com o motor separado do reboque. Em geral, são formados por um cavalo mecânico e uma carreta. O cavalo mecânico possui a força do motor e é onde também se encontra a cabine. No setor de transporte pode-se optar pelo cavalo simples ou o trucado, aquele que apresenta um eixo duplo e como o rígido trucado, aumenta sua capacidade de carregar mais peso. O cavalo pode se conectar a diferentes tipos de reboque, o que proporciona versatilidade e economia na hora da escolha do modal pelo setor logístico e veremos a seguir os diferentes tipos de carroceria que podem ser utilizadas no transporte de cargas. Figura 12: Caminhões Fonte: Freepik Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 33 Classificação de carrocerias Os caminhões podem apresentar diferentes tipos de carroceria, sendo que cada modelo é usado para transportar cargas específicas. A variedade é grande, mas existem alguns que são mais utilizados. Veja a seguir uma lista, com exemplos de caminhões, organizada em função do tipo de carroceria. Certamente você já dirigiu pelo menos um deles. • Caminhões abertos: usados para mercadorias que não estragam nem perdem a qualidade quando transportadas ao ar livre. Em caso de chuva, são usadas lonas para proteger a carga; • Caminhões cobertos: em geral apresentam o formato de um vagão para proteger as cargas das condições climáticas adversas; • Caminhões refrigerados: a carroceria possui um refrigerador para conservar a temperatura interior. Utilizados no transporte de carne, derivados do leite, medicamentos, entre outros; • Caminhões-tanque: a carroceria tem o formato de um tanque. Utilizados para o transporte de produtos líquidos como combustível; • Caminhões-tanque para gás a granel: a carroceria cilíndrica tem estrutura reforçada para suportar a pressão dos gases transportados, como GLP e amônia. • Caminhões de plataforma ou estrada: usados para transportar contêineres, engradados amarrados com cordas ou correntes, entre outros produtos; • Caminhões-cegonheiros: utilizados para o transporte de diversos tipos de veículos; • Caminhões de caçamba: são caminhões basculantes, utilizados no transporte de entulhos, terra, cascalho (SENAT, 2016). A classificação apresentada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) é feita através do número de eixos. Os veículos são classificados de acordo com seus eixos, parte responsável pela capacidade do caminhão em transportar cargas. Escolher um Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 34 caminhão que possui mais capacidade do que o necessário pode significar um prejuízo devido ao maior custo e autonomia em relação ao trabalho proposto. As variações são muitas, sendo que, atualmente, os caminhões podem ter entre dois e nove eixos (DNIT, 2012). ACESSE: Quer saber sobre os limites legais para dimensão, peso bruto e peso por eixo nos veículos de carga? Acesse o documento do DNIT em: https://bit.ly/3vuqi19. As condições dos caminhões e suas carrocerias devem atender as condições de segurança para o trabalhador, a sociedade e o meio ambiente, evitando a ocorrência de acidentes e incidentes. O aspecto dos cuidados por parte da equipe é amplo e pode envolver desde pequenas ações (como checar o celular enquanto dirige ou não dar nós firmes entre a carga e a carroceria) até falhas mais visíveis (como deslizes na operação de empilhadeiras). Constantes treinamentos, realização de cursos e checagem de todas as etapas do processo por meio de equipes voltadas à segurança do trabalho são algumas das medidas que podem diminuir prejuízos associados a falhas humanas. Ainda, no aspecto humano, tem-se o enorme risco associado à falta de segurança para a execução de um trabalho ou à tentativa de realizá- lo mesmo sem o conhecimento necessário, que resultam em atitudes imprudentes. (SENAT, 2016). Modal ferroviário Já conhecemos o modal terrestre rodoviário, mas este não é o único. Agora iremos conhecer o modal terrestre ferroviário, onde todo o transporte é feito sobre trilhos. Atualmente no mundo, o modo ferroviário é utilizado para o transporte de passageiros e para transporte de cargas de grandes volumes, sendo uma opção de modal bastante adequada para cargas em alta como o transporte de commodities, como minério de ferro, produtos siderúrgicos e mercadorias agrícola. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística https://bit.ly/3vuqi19 35 De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o sistema ferroviário brasileiro tem mais de 29 mil quilômetros de trilhos que permite percorrer longas distâncias e com um destino fixo, mas sem apresentar a mesma flexibilidade de rota que o rodoviário. A infraestrutura é composta basicamente pelas estradas de ferro, os trilhos e os equipamentos de apoio, além das estações, terminais e centros de controle e monitoramento das viagens. A grande vantagem do modal ferroviário está no baixo custo atrelado à grande capacidade de carga com menor risco de acidentes e maior segurança no transporte da carga. No entanto, o que ainda restringe o modal ferroviário está atrelado à falta de flexibilidade das rotas que são fixas, o que acaba levando à dependência de outros modais de transporte para fazer com que as cargas cheguem efetivamente aos seus destinos, necessitando de maiores transbordos, sem contar a falta de investimento governamental em ferrovias. Figura 13: Transporte ferroviário Fonte: Freepik Melhorias para o transporte ferroviário estão sendo estudadas para o futuro, como o uso de energia solar como fonte de combustível Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 36 sustentável e limpo, reduzindo a emissão de poluentes, porém com grandes desafios. A segurança do trabalho no transporte de carga ferroviário envolve treinamentos e inspeções frequentes das condições de todo o material envolvido no transporte de carga como os vagões e a locomotiva. Entre os treinamentos, podemos destacar o treinamento de qualificação operacional, que deve ser planejado para ocorrer anualmente, aplicado não apenas aos maquinistas, mas todos os envolvidos no processo como manobradores, controladores de tráfego, operadores e líderes. O objetivo é garantir a aplicação dos programas de prevenção como o Programa de proteção respiratória (PPP), o Programa de conservação auditiva, além dos previstos em norma, como o programa de prevenção e riscos ambientais (PPRA) e o Programa de Controle Médico Ocupacional (PCMSO). Modal Aeroviário Chegou a hora de sairmos da terra e irmos para o ar. Vamos conversar sobre o modal aeroviário. No modo aéreo, as vias pelas quais as aeronaves trafegam são conhecidas como aerovias e são os aviões que transportam passageiros e cargas. Do mesmo modo que o modal ferroviário, é recomendado para o transporte de longa distância, porém apresenta uma limitação no volume da carga. Como vantagens para o modal aeroviário, podemos destacar as vias utilizadas pelas aeronaves que são livres e exclusivas, o que garante um tempo menor de entrega da carga. É ideal para produtos eletrônicos, produtos frágeis ou com curto prazo de validade ou de consumo. Têm uma infraestrutura que conta com os aeroportos, que são terminais de decolagem e aterrissagem de aviões próximos aos centros urbanos. Quanto às desvantagens, podemos associar à já destacada limitação no volume da carga acrescida dos custos elevados e a dependência de outros modais em terminais de acesso. A profissão de aeroviário compreende os que trabalham nos serviços de operações, auxiliares de gerais e serviços de manutenção Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 37 de aeronaves, além de engenheiros, ficando a cargo do Ministériodo Trabalho e Previdência Social, classificar os serviços e locais considerados insalubres ou perigosos. O fornecimento de peças de vestuário e respectivos equipamentos individuais de proteção, quando exigidos pela autoridade competente, deverão ser fornecidos pela empresa sem ônus para o aeroviário, que deverá ser periodicamente submetido a exames de inspeção e comprovação das condições de saúde do trabalhador (DECRETO, 1962, p. Art 6). Figura 14: Transporte aeroviário Fonte: Freepik Modal aquaviário Terra, ar e água, sim. No Brasil os transporte de carga também podem ser feitos pela água através do modal aquaviário, utilizado no transporte de passageiros e cargas e que abrange o transporte feito por mar, rios e lagos. O mapa do Brasil apresenta vias navegáveis que incluem a costa, em seus 8.500 km de extensão e a rede de cursos d’água ligando os seus vários territórios entre si e com os seus vizinhos continentais. São 30.000 km de vias naturalmente navegáveis que podem ser dividas em: • Transporte hidroviário, no qual as vias são os rios, lagos e lagoas; Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 38 Figura 15: Transporte hidroviário Fonte: Freepik • Transporte marítimo, no qual as vias são os oceanos e mares. Figura 16: Transporte marítimo Fonte: Freepik A expansão do modal rodoviário foi determinante para a estagnação do modal aquaviário assim como o ferroviário, mesmo com tanto potencial econômico para os transportes por hidrovia e ferrovia. O fato se deve principalmente pelo grande equívoco nas avaliações da importância de cada modo de transporte em relação aos custos, em que se ignoram não só os investimentos feitos na infraestrutura rodoviária em comparação com as hidrovias e ferrovias. Os avanços tecnológicos nos transportes no Brasil começam a enxergar os caminhos alternativos ao transporte rodoviário. Entretanto, os maiores investimentos em transporte aquaviário Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 39 ainda se fazem necessários na infraestrutura envolvida nesse modal, que necessitam muitas vezes de terminais especializados para embarque e desembarque complementar. ACESSE: “Navegar é preciso”. Descubra porque o modal aquaviário apresenta-se como uma alternativa para o desenvolvimento sustentável para o transporte de cargas no Brasil. Fonte: http://bit.ly/3eHzmK9. Modal Dutoviário Diferente dos demais modais, o transporte dutoviário é um modo exclusivamente utilizado para transporte de cargas e surgiu na década de 50 no Brasil. Até hoje é pouco utilizado se comparado com os outros tipos, mesmo sendo considerado o mais consistente e frequente de todos os modais na matriz logística pela sua capacidade de transporte de longas distâncias e em grandes quantidades. No Brasil, apesar de representativo, está concentrado em poucas empresas sendo recomendado para fluidos líquidos, gases e sólidos granulares, por vias de dutos e tubos subterrâneos, submarinos e aparentes por onde as cargas são movimentadas pelo controle de pressão. Os dutos utilizados neste modo podem ser classificados em: • Oleodutos: transportam petróleo, óleo combustível, gasolina, diesel, álcool, Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), querosene dentre outros; • Minerodutos: transportam minério de ferro, concentrado fosfático e outros minerais; • Gasodutos: transportam o gás natural e outros gases. Figura 17: Submarino de carga Fonte: Freepik Analisando as vantagens e desvantagens do modal dutoviário podemos destacar como vantagens a capacidade de percorrer longas Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística http://bit.ly/3eHzmK9 40 distâncias com baixos custos operacionais. Transporta grande volume de carga de forma constante, alta segurança e confiabilidade do transporte. Em relação às desvantagens do modal dutoviário podemos destacar o alto custo de investimento inicial e fixo, possibilidade de acidentes ambientais em grande escala, necessidade de licença para atuação e trajeto fixo com baixa flexibilidade dos pontos de bombeamento. (SENAT, 2016). Embora as duto vias sejam construídas e operadas dentro de padrões de segurança, a operação está sujeita a falhas e perigos. A gestão da segurança é determinante na prevenção ou mitigação das consequências de incidentes que sejam causados por danos às pessoas envolvidas ou não com sua operação, ao patrimônio das instalações ou do público em geral e do meio ambiente. As falhas podem desencadear um cenário acidental com consequências desastrosas. Entre alguns dos fatores de causas de acidentes em dutos destacam-se: corrosão, erosão, deslizamento de terra, queda de blocos, ação de terceiros e atos de vandalismo (MALTEZ, 2013). RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a escolha do modal no transporte de cargas deve levar em consideração as vantagens e desvantagens de cada modal em relação à carga. No Brasil, o modal mais utilizado no transporte de cargas atualmente é o modal rodoviário, responsável por mais de 60% do transporte de cargas, principalmente pelos investimentos governamentais e por garantir o transporte “porta-a-porta”, sua principal diferença entre os demais modais. Embora todos apresentem suas características próprias, a gestão de SST deve garantir em todos os modos a saúde e segurança dos trabalhadores envolvidos através de treinamentos e programas de prevenção. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 41 Produtos perigosos INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender o que são cargas de produtos perigosos e diferenciá-las de cargas perigosas. A classificação dos produtos perigosos é crucial para adoção de medidas de segurança, desde a escolha do modelo de transporte até as medidas a serem adotadas em caso de acidentes. Como prevencionista, a construção desta competência irá ajudá-lo na gestão de SST. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Carga perigosa versus produtos perigosos Produtos perigosos: para fins de transporte, os produtos perigosos são as substâncias encontradas na natureza ou produzidas por qualquer processo que, por suas características físico-químicas, representem risco para a saúde de pessoas, para a segurança pública e para o meio ambiente (ANTT, INSTRUÇÕES COMPLEMENTARES AO REGULAMENTO DO TRANSPORTE, 2004). Para seguir os padrões internacionais ditados pela Organização das Nações Unidas (ONU) a ANTT atualizou a Regulamentação do Transporte Terrestre de Produtos Perigosos com o objetivo de proporcionar condições de segurança para todos os envolvidos no transporte de cargas. Neste momento, é preciso entender que as cargas podem se tornar perigosas quando qualquer carregamento que seja mal acondicionado é capaz de provocar um acidente sem colocar a população ou qualquer compartimento de meio ambiente em risco direto. EXEMPLO: Ao carregar toras de madeiras em condições inseguras a carga pode causar um acidente sem que este cause explosão, incêndio ou intoxicação ao trabalhador, à sociedade e ao meio ambiente. Mas essa Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 42 carga pode causar lesões sérias e até mesmo a morte dos trabalhadores e demais vítimas envolvidas. Então, devemos diferenciar carga perigosa de carga de produtos perigosos. A diferença implica na aplicação de medidas de segurança no transporte de cargas perigosas do transporte de carga, tanto para o transporte de produtos perigosos, que devido à sua complexidade são divididas em classes, pois para cada tipo de produto há especificidades a serem consideradas e os efeitos, em caso de acidentes, que podem colocar em risco os trabalhadores, a sociedade e o meio ambiente (SESTSENAT, 2016). Em função de suas característicasfísico-químicas peculiares, temos a explosividade, a inflamabilidade, a toxicidade e a radioatividade e por serem fontes de perigo, os produtos perigosos são classificados de acordo com o tipo de dano que podem provocar. Os Produtos Perigosos são divididos em 9 classes e subclasses, a fim de otimizar a gestão de SST na implantação de medidas de controle, como por exemplo, a identificação das classes através de símbolos, sendo cada classe identificada por símbolos específicos. Classificação produtos perigosos Toda a legislação brasileira para esse assunto é baseada em recomendações do Comitê de Peritos em Transporte de Produtos Perigosos da Organização das Nações Unidas (ONU) disponível na Resolução N0 420/04 da ANTT que apresentaremos a seguir e que é usada pela gestão de SST na elaboração e aplicação de medidas de controles (ANTT, INSTRUÇÕES COMPLEMENTARES AO REGULAMENTO DO TRANSPORTE, 2004). Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 43 ACESSE: O Código ONU consiste em um número de quatro algarismos que indica e diferencia os produtos químicos institucionalizando um padrão internacional. São exemplos de número ONU, gasolina: 1203 e cloro: 1017. Você pode consultar a que produto/substância o número se refere no link: http://bit.ly/3eJBv8i. A norma ABNT NBR 14725 de Produtos químicos, apresenta as informações sobre segurança, saúde e meio ambiente, estabelecendo as informações de segurança relacionadas ao produto perigoso e à obrigatoriedade da emissão do documento de identificação baseado nas características físico-químicas de cada produto. Na parte dois da NBR, encontramos a classificação das substâncias em classes de risco, realizada por meio de critérios técnicos. A classificação de um produto considerado perigoso para o transporte deve ser feita pelo seu fabricante ou expedidor orientado pelo fabricante, tomando como base as características físico- químicas do produto, alocando-o numa das classes ou subclasses a seguir, que baseiam-se nas premissas de homogeneização de procedimentos operacionais, a fim de propiciar a aplicação de dois princípios: o de garantia da segurança da operação e o de facilitação do transporte entre fronteiras dos meios urbanos nacionais e internacionais. A identificação de produtos perigosos para o transporte rodoviário é realizada por meio da simbologia de risco, composta por um painel de segurança de cor alaranjada e um rótulo de risco. Estas informações obedecem aos padrões técnicos definidos na legislação do transporte de produtos perigosos. As informações inseridas no painel de segurança e no rótulo de risco, conforme determina a legislação, abrangem o Número de Risco e o Número da ONU no Painel de Segurança e o Símbolo de Risco e a Classe/Subclasse de Risco no Rótulo de Risco, Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística http://bit.ly/3eJBv8i 44 Figura 18: Identificação de risco por meio de simbologia Fonte: Elaborado pela autora (2020) baseado na NBR 7500. Os rótulos são normatizados pela norma ABNT NBR 7500 (identificação para o transporte terrestre, manuseio, movimentação e armazenamento de produtos) e usados na identificação de produtos perigosos contendo o pictograma/símbolo de identificação do risco e o número da classe ou subclasse de risco referente à classe/subclasse do produto perigoso. ACESSE: Confira os modelos de rótulos apresentados pela NBR 7500: https://bit.ly/3tsrZL1. Classe I - explosivos Substância explosiva é uma substância sólida ou líquida (ou mistura de substâncias) por si mesma capaz de produzir gás por reação química à temperatura, pressão e velocidade tais que provoque danos à sua volta. Incluem-se nesta definição as substâncias pirotécnicas, mesmo que não desprendam gases. (SENAT, 2016). • Subclasse 1.1: substâncias e artigos com risco de explosão em massa; • Subclasse 1.2: substâncias e artigos com risco de projeção, mas sem risco de explosão em massa; • Subclasse 1.3: substâncias e artigos com risco de fogo e com pequeno risco de explosão ou de projeção, ou ambos, mas sem risco de explosão em massa; Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística https://bit.ly/3tsrZL1 45 • Subclasse 1.4: substâncias e artigos que não apresentam risco significativo; • Subclasse 1.5: substâncias muito insensíveis, com risco de explosão em massa; • Subclasse 1.6: artigos extremamente insensíveis, sem risco de explosão em massa. Classe II - gases Esta classe abrange gases comprimidos, gases liquefeitos, gases liquefeitos refrigerados, gases em solução, misturas de gases, misturas de um ou mais gases com um ou mais vapores de substâncias de outras classes como artigos carregados de gás, hexafluoreto de telúrio e aerossóis. As condições de transporte de um gás se baseiam no estado físico do gás (substância que a 50 0C apresenta uma pressão superior a 300kPa ou é completamente gasoso à temperatura de 20°C e à pressão normal de 101,3kPa). • Subclasse 2.1: gases inflamáveis. São gases que a 20°C e à pressão normal são inflamáveis quando em mistura de 13% ou menos em volume com o ar ou que apresentem faixa de inflamabilidade com o ar de no mínimo 12%, independente do limite inferior de inflamabilidade; • Subclasse 2.2: gases não-inflamáveis, não-tóxicos. São gases asfixiantes, oxidantes ou que não se enquadrem em outra subclasse. • Subclasse 2.3: gases tóxicos. São gases reconhecida ou supostamente tóxicos e corrosivos que constituam risco à saúde das pessoas. (SENAT, 2016). Classe III - líquidos inflamáveis São líquidos, misturas de líquidos ou líquidos que contenham sólidos em solução ou suspensão, que produzam vapor inflamável a temperaturas de até 60,5°C em ensaio de vaso fechado ou até 65,6ºC em Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 46 ensaio de vaso aberto, ou ainda os explosivos líquidos insensibilizados dissolvidos ou suspensos em água ou outras substâncias líquidas. Classe IV - sólidos inflamáveis Substâncias sujeitas à combustão espontânea. Substâncias que em contato com a água emitem gases inflamáveis. • Subclasse 4.1: sólidos inflamáveis, substâncias auto reagentes e explosivos sólidos insensibilizados. Sólidos que, em condições de transporte, sejam facilmente combustíveis ou que por atrito possam causar fogo ou contribuir para tal. Substâncias auto reagentes que possam sofrer reação fortemente exotérmica. Explosivos sólidos insensibilizados que possam explodir se não estiverem suficientemente diluídos; • Subclasse 4.2: substâncias sujeitas à combustão espontânea que são: substâncias sujeitas ao aquecimento espontâneo em condições normais de transporte ou ao aquecimento em contato com ar, podendo inflamar-se; • Subclasse 4.3: substâncias que em contato com água emitem gases inflamáveis sendo: substâncias que por interação com água podem tornar-se espontaneamente inflamáveis ou liberar gases inflamáveis em quantidades perigosas. Classe V - substâncias oxidantes e peróxidos orgânicos As substâncias oxidantes são substâncias que, embora não sendo necessariamente combustíveis, podem, em geral por liberação de oxigênio, causar a combustão de outros materiais ou contribuir para isso. Os Peróxidos orgânicos são substâncias orgânicas que contêm a estrutura bivalente −O−O− e podem ser consideradas derivadas do peróxido de hidrogênio em que um ou ambos os átomos de hidrogênio foram substituídos por radicais orgânicos. Peróxidos orgânicos são substâncias termicamente instáveis que podem sofrer decomposição exotérmica auto-acelerável. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 47 • Subclasse 5.1: substâncias oxidantes. São substâncias que podem, em geral pela liberação de oxigênio, causar a combustão de outros materiais ou contribuir para isso; • Subclasse 5.2: peróxidos orgânicos. São poderosos agentes oxidantes, considerados como derivados do peróxido de hidrogênio,termicamente instáveis que podem sofrer decomposição exotérmica auto-acelerável. Além disso, podem apresentar uma ou mais das seguintes propriedades: (i) ser sujeitos à decomposição explosiva; (ii) queimar rapidamente; (iii) ser sensíveis a choque ou atrito; (iv) reagir perigosamente com outras substâncias; (v) causar danos aos olhos. Classe VI - substâncias tóxicas e substâncias infectantes Na classificação de um produto, devem ser levados em conta os efeitos observados em casos de envenenamento acidental em seres humanos, bem como quaisquer propriedades especiais de um produto, tais como estado líquido, alta volatilidade, probabilidade especial de penetração e efeitos biológicos especiais. • Subclasse 6.1: substâncias tóxicas. São substâncias capazes de provocar morte, lesões graves ou danos à saúde humana se ingeridas ou inaladas ou se entrarem em contato com a pele; • Subclasse 6.2: substâncias infectantes. São substâncias que contenham patógenos ou estejam sob suspeita razoável de tal. Patógenos são microrganismos (incluindo bactérias, vírus, rickettsíase, parasitas, fungos) ou microrganismos recombinantes (híbridos ou mutantes) que possam ou estejam sob suspeita razoável de poderem provocar doenças infecciosas em seres humanos ou em animais. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 48 Classe VII - material radioativo Qualquer material ou substância que contenha radionuclídeos, cuja concentração de atividade e atividade total na expedição (radiação), excedam os valores especificados. Tanto no transporte quanto nas exigências de fabricação e ensaios de embalagens para as substâncias radioativas, serão também observadas as normas da CNEN. Classe VIII - substâncias corrosivas São substâncias que por ação química, causam severos danos quando em contato com tecidos vivos ou, em caso de vazamento, danificam ou mesmo destroem outras cargas ou o próprio veículo. Classe IX - substâncias e artigos perigosos diversos São aqueles que apresentam durante o transporte, um risco não abrangido por nenhuma das outras classes. Inclui-se à classe nove, outras substâncias que apresentam risco para o meio ambiente, substâncias a temperaturas elevadas, transportadas ou oferecidas para transporte em estado líquido a temperaturas iguais ou superiores a 100ºC (devem ser alocadas no nº ONU 3257) ou em estado sólido a temperaturas iguais ou superiores a 240ºC (que devem ser alocadas no nº ONU 3258). Microrganismos ou organismos geneticamente modificados que não se enquadrem na definição de substâncias infectantes, mas que sejam capazes de provocar alterações que normalmente não seriam resultantes de reprodução natural em animais, plantas ou substâncias microbiológicas devem ser alocados no n.º ONU 3245. Microrganismos ou organismos geneticamente modificados não estão sujeitos a este Regulamento se o uso dos mesmos for autorizado pelas autoridades competentes governamentais dos países de origem, trânsito e destino. A classificação completa, assim como os meios de ensaios pode ser consultada na ANTT (ANTT, INSTRUÇÕES COMPLEMENTARES AO REGULAMENTO DO TRANSPORTE, 2004). A seguir veremos as medidas de controle a serem adotadas no transporte e armazenamento de cargas perigosas. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 49 Medidas de controle para armazenamento e transporte de cargas com produtos perigosos Agora que classificamos, segundo a ONU e a NBR os produtos perigosos, precisamos atentar para as medidas de segurança que devem ser adotadas e que se baseiam na identificação do produto/substância perigosa envolvida. A informação pode vir de placas, etiquetas, papéis de embarque ou do relato de uma testemunha que garanta a imediata classificação e identificação dos produtos envolvidos. Somente após a identificação apropriada é que se torna possível a realização de uma avaliação do potencial de impacto e assim estabelecer padrões de atendimento, protocolos e adoção das medidas de controle, reduzindo os riscos para a comunidade, aos próprios atendentes da ocorrência e ao meio ambiente. O acesso às informações relativas às características físicas e químicas do produto, irá subsidiar tanto as equipes envolvidas nos primeiros atendimentos (primeiros socorros e combate a incêndio), quanto aos gestores de SST na análise do acidente e futuras ações corretivas e preventivas. Tamanha a importância das informações acerca dos produtos perigosos que as empresas que movimentam produtos químicos ficam obrigadas a apresentar a ficha de informações de segurança de produtos químicos (FISPQ), um documento que atende à norma da ABNT NBR 14725, sendo um instrumento de comunicação dos perigos e possíveis riscos levando em consideração o uso dos produtos químicos. Entendemos que todas as informações importantes devem estar na FISPQ. Nela devem estar os dados referentes ao produto perigoso bem detalhados, com as seguintes informações: • Dados gerais; • Identificação do produto; • Medidas de segurança; • Riscos ao fogo; • Propriedades físico-químicas; • Informações ecotoxicológicas. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 50 Além dessas informações, deverão também ser disponibilizadas as informações referentes aos métodos de coleta, neutralização e disposição final, potencial de concentração na cadeia alimentar, demanda bioquímica de oxigênio e outras mais. A segurança do transporte de produtos perigosos depende da integração de muitas variáveis, entre elas: embalagens adequadas, motoristas treinados, documentação em ordem, veículo em boas condições operacionais e rótulos de risco que devem ser afixados à superfície exterior das unidades e dos equipamentos de transporte para advertir que seu conteúdo é composto de produtos perigosos e que apresentam riscos. Em casos de acidentes, a identificação é de suma importância e é crucial para adoção das medidas de segurança e definição dos danos causados. Basicamente, os produtos perigosos podem lesionar o organismo humano pela absorção da pele ou olhos, pela inalação ou pela ingestão dos mesmos. Este contato pode ocasionar os seguintes tipos de lesão: • ● Lesão Térmica: pelo calor ou frio; • ● Lesão mecânica: por ondas de choque, força de impacto ou explosão; • ● Asfixia: causando complicações respiratórias; • ● Lesão química: alterando estrutura e função celular, tecidos ou órgãos; • ● Lesão etiológicas ou contaminação por microrganismos; • ● Lesão radiológica. As viaturas de emergência atuam em caso de acidentes e devem possuir um manual para atendimento de emergências com produtos perigosos da ABIQUIM que lista todos os produtos perigosos com orientações conforme o risco para que possa ser feita a identificação do produto. Possivelmente, para identificar o produto é necessário aproximar- se do local da ocorrência. O ideal é realizar a identificação com uma Segurança do Trabalho na Indústria e na Logística 51 distância segura e se for necessária a aproximação, faça com os ventos na costa. Tendo que entrar em contato com o produto para identificá-lo, use a vestimenta de maior proteção. Todos os produtos perigosos exigem uma certa proteção para se entrar em contato. Não sendo possível identificar o produto, use sempre o equipamento de proteção máxima. Os EPIs para proteção contra produtos perigosos são divididos da seguinte forma: • ● Nível A: proteção máxima para vias aéreas, olhos e pele, ou seja, nenhum contato com a substância. É o que se chama de vestimenta encapsulada; • ● Nível B: proteção máxima para vias aéreas e olhos, mas menor proteção para a pele; • ● Nível C: proteção para pele e olhos com menor exigência para a proteção de vias aéreas; • ● Nível D: uniforme de trabalho da equipe com proteção superficial dos olhos e vias aéreas. As equipes devem ainda garantir que a situação não piore a partir da chegada