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1 1 SISTEMA ÓSSEO GENERALIDADES Os ossos são órgãos, assim como alavancas biológicas, de cor branca, duros e resistentes, de número e forma variáveis que, constituem o esqueleto. As cartilagens estão intimamente relacionadas aos ossos e associados ao seu crescimento e articulação, servindo também para propiciar certo grau de elasticidade ao esqueleto. A osteologia, que se ocupa do estudo dos ossos, inclui também as cartilagens. O esqueleto começou a ser melhor estudado a partir do século XVII. Foi em 1673 que SIMON PAULLI indicou a maneira de preparar os ossos. Antes, o estudo do esqueleto constava de uma simples enumeração dos ossos. Aqui serão considerados os seguintes tópicos: Classificação, Estrutura, Função, Constituição Química dos Ossos e Divisão do Esqueleto. CLASSIFIÇÃO DOS OSSOS Levando-se em consideração as três dimensões, Comprimento, largura e espessura, podemos classificar os ossos em três tipos fundamentais: Ossos longos, largos ou planos e curtos. OSSOS LONGOS (Fig. 1): Chamam-se ossos longos aqueles nos quais o comprimento excede à largura e a espessura. Os ossos longos são encontrados nos membros. Neles temos a considerar um corpo e duas extremidades. Epífise (proximal) Diáfise Epífise distal Fig. 1 – Osso longo 2 2 O corpo, também chamado DIÁFISE, é quase sempre prismático Triangular ou irregular cilíndrico. No seu centro encontra-se uma cavidade longitudinal que ordinariamente, estende-se até as epífises: é o CANAL MEDULAR, assim chamado porque nele está alojada a medula óssea. O corpo é revestido por uma membrana fibrocelular denominada PERIÓSTEO. As extremidades ou EPÍFISES, geralmente mais volumosas que a diáfise, apresentam uma ou várias superfícies lisas correspondentes aos locais de articulação com ossos vizinhos e, ao redor dessas superfícies articulares encontram-se eminências e/ ou depressões rugosas para a inserção de ligamentos e músculos. Nos indivíduos jovens, quando ainda não foi completado o desenvolvimento, existe nos ossos longos uma zona de cartilagem hialina, localiza entre a diáfise e as epífises, denominada CARTILAGEM EPIFISÁRIA, responsável pelo crescimento do osso em comprimento, cuja periferia chama-se LINHA EPIFISÁRIA. A parte da diáfise adjacente à cartilagem epifisária é mais espessa e vascularizada e chamam-se METÁFISE. São classificados como ossos longos: clavícula, úmero, rádio, cúbito (ulna), fêmur, tíbia, perônio (fíbula), metacarpianos, metatarsianos e as falanges. OSSOS PLANOS OU LARGOS (Fig. 2): São aqueles nos quais duas dimensões, o comprimento e a largura predominam sobre a espessura e são encontrados em geral tomando parte na formação das cavidades orgânicas, como as cavidades craniana, pélvica e torácica, alojando e protegendo os órgãos nela contido. Apresentam sempre duas faces: uma INTERNA, que está voltada para o interior da cavidade e outra EXTERNA, além de um número de bordas que depende de sua conformação Fig. 2 – Ossos largos 3 3 particular. Algumas dessas bordas são articulares e servem para unir o osso com os ossos vizinhos; outras são rugosas e se prestam as inserções musculares. As faces são revestidas pelo periósteo e as bordas por tecido fibroso ou por tecido cartilagíneo. São classificados como largos ou planos: frontal, parietais, occipital, nasais, lacrimais, ilíacos, escápula (omoplata), externo, e as costelas, sendo estas muitas vezes classificadas como ossos alongados. OSSOS CURTOS (Fig. 3): São aqueles nos quais as três dimensões; comprimento, largura e espessura se equivalem. São encontrados naquelas regiões do corpo que, necessitam de grande resistência, apresentam movimentos muito variados, apesar de poucos extensos, como o tarso e o carpo. Os ossos curtos têm a forma mais ou menos cúbica e, por conseguinte, distinguem-se neles grande número de facetas, umas destinadas às articulações e outras à inserção de músculos e ligamentos. As facetas não articulares estão revestidas pelo periósteo. São classificados como ossos curtos: patela, ossos do carpo e do tarso. OSSOS IRREGULARES E PNEUMÁTICOS (Fig. 5 e 6). Além dos ossos longos, largos e curtos, existem outros que por apresentarem características típicas, não foram incluídos na classificação precedente. São eles os OSSOS IRREGULARES e os OSSOS PNEMÁTICOS. Denomina-se osso irregular, aquele que apresenta, na sua superfície externa, uma série de saliências, depressões e orifícios que lhes dão um aspecto especial, não permitindo incluí-los nos tipos anteriormente citados. São exemplos de ossos irregulares: vértebras, sacro, etmóide, esfenóide, zigomático, maxilares, mandíbula, palatinos, conchas nasais inferiores, temporais. Fig. 3 – Ossos Curtos 4 4 Fig. 5 – osso irregular – Vértebras cervicais Denomina-se osso pneumático: Aqueles que apresentam no seu interior cavidades onde circula o ar, denominado SEIO. Os ossos pneumáticos são: etmóide, frontal, esfenóide, e maxilares. Fig. 6 – Ossos pneumáticos VASCULARIZAÇÃO (Fig. 7) O suprimento sanguíneo do osso é abundante. Para chegar ao interior dos ossos, os vasos e nervos atravessam ORIFÍCIOS e CANAIS NUTRÍCIOS. Estes, nos ossos longos, dirigem-se geralmente em sentido contrário à extremidade do crescimento do osso, orientando-se para as epífises, que primeiro se fundem à diáfise. De particular importância são os vasos metafisários, já que durante o crescimento, os ossos estão separados pela cartilagem epifisária sendo que esta, por sua vez, é nutrida por ambos os tipos de vasos. Em virtude do tipo de nutrição da cartilagem epifisária, deduz-se que distúrbios circulatórios induzem distúrbios de crescimento. 5 5 Fig. 7 - Vascularização INERVAÇÃO As fibras nervosas que inervam os ossos acompanham os vasos sanguíneos e percorrem, com esses, os orifícios e canais nutrícios. Sabe-se, entretanto, que o limiar doloroso dos ossos não é uniforme para todas as suas partes. Assim, o periósteo é mais sensível do que o próprio osso, enquanto a substância esponjosa é mais sensível do que a substância compacta. Os tumores, infecções e fraturas ósseas produzem dor em virtude da pressão, irritação e lesão que provém das fibras nervosas localizadas no local afetado. ESTRUTURA DOS OSSOS SUBSTANCIA ÓSSEA - A substância óssea é de cor esbranquiçada e de consistência lenhosa, apresentando-se segundo o ponto em que se examina, sob dois aspectos diferentes: SUBSTÂNCIA COMPACTA e SUBSTÂNCIA ESPONJOSA. A substância óssea compacta está formada por lâminas (trabéculas) ósseas imediatamente aplicadas umas às outras sem cavidades intermediárias. A substância óssea esponjosa está formada por lâminas de diferentes orientações, que entram em contato apenas em certos pontos, motivo pelo qual deixam entre si um sistema de pequenas cavidades, nas quais acumulam-se a medula óssea. Neste estado de organização a substância óssea aparece internamente oca, à semelhança de uma esponja, daí sua denominação de substância esponjosa. Estas variedades de aspecto que apresenta a substância esponjosa resultam simplesmente de uma disposição arquitetônica diversa da substância compacta. 6 6 MEDULA ÓSSEA – A medula óssea é um tecido mole, de consistência polposa que se encontra em todas as cavidades da substância óssea, quer seja do canal medular ou as auréolas de substância esponjosa dos diferentes tipos de ossos. Sua função é contribuir, juntamente com os outros órgãos para a formação de elementos figurados do sangue, tomando parte importante na hematopoiese. A medula óssea apresenta diferentes aspectos segundo o ponto e as condições que se considere, podendo distinguir-se a MEDULA ÓSSEA RUBRA (VERMELHA) e a MEDULA ÓSSEA FLAVA (AMARELA). A medula óssea rubra tem por característicascomo o nome indica, uma coloração vermelha intensa. Ocupa todas as cavidades dos ossos do feto. No adulto é encontrada no interior das auréolas de certos ossos de estrutura esponjosa, como o esterno, as costelas e as epífises de certos ossos longos (fêmur, úmero). A medula óssea flava ocupa quase a totalidade das cavidades ósseas do adulto, principalmente o canal medular dos ossos longos. Assim como a medula óssea rubra e própria do feto, a medula óssea flava o é do adulto. Na medula óssea flava as células são ricas em gordura e perdem sua capacidade de produzir elementos figurados do sangue em virtude de, no adulto haver sido completado o desenvolvimento dos órgãos determinados por aquela finalidade. PERIÓSTEO – Os ossos são revestidos em toda sua extensão, exceto ao nível das superfícies articulares, por uma membrana fibrocelular denominada PERIÓSTEO. O periósteo apresenta uma coloração esbranquiçada e sua espessura, muito variável, é proporcional às dimensões dos ossos. Desse modo, é menos espesso nos ossos curtos que nos largos e menos nesses que nos longos. Apresenta dois folhetos: um SUPERFICIAL, DE NATUREZA FIBROSA e bastante resistente por meio do qual os tendões e ligamentos fixam-se nos ossos e um PROFUNDO, DE NATUREZA CELULAR, que repousa diretamente sobre a superfície do osso. As células da camada profunda transformam-se em células ósseas e são responsáveis pelo crescimento do osso em espessura. ESTRUTURA DOS OSSOS LONGOS (Fig. 9): Os ossos longos apresentam uma parte média, DIÁFISE, e duas extremidades, as EPÍFISES. As epífises estão formadas quase que exclusividades por substância óssea esponjosa. Apenas na periferia, ou seja, na parte que representa a superfície externa do osso; a substância esponjosa epifisária está recoberta por uma delgada camada de substâncias compacta. A diáfise está essencialmente constituída por substâncias óssea compacta, que alcança sua maior espessura na parte média do osso. No seu centro existe o CANAL MEDULAR. As paredes 7 7 do canal medular não são rigorosamente lisas e apresentam uma delgada camada de substâncias óssea esponjosa. ESTRUTURA DOS OSSOS LARGOS (Fig. 10): Os ossos planos ou largos compõem-se essencialmente de duas lâminas de substância óssea compacta que ocupam as faces opostas do osso e, encerram entre si, uma camada mais ou menos espessa de substâncias óssea esponjosa. A substância óssea esponjosa dos ossos planos tem sua máxima espessura ao nível das bordas do osso, atenuando-se progressivamente até o centro do mesmo. Nos ossos planos da calota craniana, a substância óssea esponjosa apresenta-se mais espessada e recebe o nome de DÍPLOE. A lâmina que está voltada para o interior da cavidade delimitada pelo osso, chama-se TÁBUA INTERNA e a que está voltada para a superfície do corpo é denominada de TÁBUA EXTERNA. ESTRUTURA DOS OSSOS CURTOS (Fig. 11): A estrutura dos ossos curtos tem analogia com as epífises dos ossos longos. Como estas últimas, compõem-se de uma massa central de substância Fig. 9. 1-Substância óssea compacta, 2-esponjosa e 3-canal medular 2 1 2 3 Fig. 10 - Díploe 8 8 óssea esponjosa, revestida em toda sua extensão por uma delgada camada de substância óssea compacta. FORMA E ARQUITETURA: A forma de cada osso difere de indivíduo para indivíduo e é determinada pela hereditariedade. A resistência que um osso oferece aos pesos e tensões a que é submetido, ou seja, as FORÇAS DE TENSÃO OU DE COMPRESSÃO dependem da trajetória das trabéculas do osso esponjoso que determina as LINHAS DE TENSÃO MÁXIMA DO OSSO. Esta lei da trajetória da estrutura óssea, ou “ Lei de Wolf ”, estabelece que a mudança na função do osso provoca um alteração na arquitetura trabecular do mesmo e até mesmo na formação do osso. FUNÇÃO DOS OSSOS: Os ossos e as cartilagens, constituindo o esqueleto apresentam uma série de funções: DOS OSSOS 1.Sustentação: Situados em meio às partes mole do corpo, os ossos provém arcabouço para suspensão e sustentação de elementos de outro sistema do corpo. 2.Proteção: Em alguns segmentos corporais, os ossos formam cavidade para alojar e proteger os órgãos nelas contidos contra as violências exteriores, Ex: cavidade craniana, torácica e pélvica. 3.Fixação Muscular: A contração de músculo esquelético não teria sentido se suas extremidades não estivessem fixadas ao esqueleto. Desta maneira, os ossos funcionam como alavancas, movimentadas pelos músculos. 4.Formação de Sangue (Hematopoiese) : Na fase final da vida intra-uterina e na infância, os ossos, por meio da medula óssea, são responsáveis dos elementos figurados do sangue. 5.Reservatório de Íons: Os ossos constituem, também, importante reservatório de íons do organismo, principalmente de Ca++, PO4++ e Mg++. O conteúdo mineral dos ossos tende a ser constante em condições normais, porém em permanente ajuste com as necessidades de outros tecidos. Se ocorrem doenças e/ou deficiente ingestão ou utilização, por exemplo, de cálcio, pode haver retirada excessiva desta mineral do osso. Se o osso estiver em formação, esta será imperfeita. Fig. 11 – estrutura dos ossos curtos 9 9 DAS CARTILAGENS As cartilagens funcionam intimamente associadas aos ossos e relacionadas com seu crescimento e articulação, proporcionado ao esqueleto certo grau de elasticidade. CONSTITUIÇÃO QUÍMICA Quando se submete um osso ao processo de MACERAÇÃO, retiramos apenas as suas partes moles, ficando os seus constituintes minerais e inorgânicos. Do ponto de vista químico, os ossos estão constituídos por uma parte orgânica que representa mais ou menos 30% do osso e uma parte inorgânica, representando os 70% restantes. A parte orgânica, ou substância orgânica do osso, recebe o nome de OSTEÍNA e está constituída em 95% por tecido colágeno e em 5% por um muco proteína. Ela pode ser isolada ao se submeter o osso à ação de um ácido forte. Por exemplo: HC1, que destrói a parte inorgânica, respeitando a osteína. Esse processo chamado DESCALCIFICAÇÃO, torna o osso mole e flexível, com a consistência que lembra a das cartilagens. A parte inorgânica, ou substâncias inorgânicas do osso, está constituída por vários sais minerais e pode ser isolada pela CALCINAÇÃO do osso. A calcinação consiste em submeter o osso a altas temperaturas, que por sua vez ataca a osteína e à medida que desaparece, expele um cheiro de chifre queimado. O osso calcinado é extremamente friável e quebradiço. ESTUDO GERAL DO ESQUELETO Sabe-se que os ossos, associados às cartilagens constituem o esqueleto. NÚMERO DE OSSOS: Embora possa parecer fácil contar os ossos do esqueleto, os anatomistas preferem ser explícitos sobre o total dos ossos, geralmente considerados 206 ossos assim distribuídos: Coluna Vertebral (26 ossos), Cabeça (28 ossos), Osso Hióide (01 osso), Tórax (25 ossos), Membros Superiores (64 ossos), Membros Inferiores (62 ossos), Totalizado (206 ossos). OSSOS SUPRANUMERÀRIOS: Ao ser feita a contagem dos ossos, tomamos um esqueleto de um indivíduo adulto de 35 anos de idade. Usa-se esse modelo por saber-se que nesta idade, em um indivíduo normal, o esqueleto já alcançou o seu desenvolvimento. No número total de ossos suturais ou wormianos e os ossos sesamóides. Esses ossos são ditos Supranumerários por serem inconstantes e de número bastante variável. Ossos suturais: São ossos encontrados acidentalmente entre os diversos ossos do crânio, mais precisamente ocupando as suturas (tipo de articulação entre ossos do crânio) daí sua denominação. A sua presença é decorrente do preenchimento do espaço deixado pelo não desenvolvimento completo dos ossos do crânio. 10 10 Ossos sesamóides: São ossos geralmente pequenos que se desenvolvem na espessura de certos tendões musculares, ao nível dos membros, principalmenteda mão e do pé. Dois desses ossos, Pisiforme (faz parte do esqueleto do carpo) e a patela (localizada na espessura do tendão inferior do músculo quadríceps da coxa), por serem constantes e apresentarem características gerais dos ossos, não são rotulados como supranumerários e estão incluídos na contagem dos ossos do esqueleto. VARIAÇÃO DO NÚMERO DE OSSOS QUANTO À IDADE: O número de ossos também pode variar devido a fatores etários. No feto, recém-nascido e na criança o número é maior devido à incompleta ossificação e em conseqüência, presença de maior número de peças ósseas separadas por tecidos fibrosos ou cartilaginosos. Nos indivíduos mais velhos, o número de ossos tende a diminuir em virtude da soldadura de alguns ossos ao nível das articulações, em particular os da cabeça, esse processo que denomina-se Sinostose. Verifica-se, portanto, que, do ponto de vista etário, há uma diminuição do número de ossos do nascimento à senilidade. DIVISÃO DO ESQUELETO Embora seja uma entidade funcional, o esqueleto pode ser dividido em Esqueleto Axial e Esqueleto Apendicular. O esqueleto axial compreende os ossos da CABEÇA, do PESCOÇO e do TRONCO, enquanto o esqueleto apendicular está formado pelos ossos dos MEMBROS SUPERIORES e INFERIORES. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Fig. 12 – Ossos da Cabeça: Crânio - 1-Frontal, 2-Parietais, 3- Occipital, 4-Temporais, 5-Etmóide, 6-Esfenóide, Face - 7- Nasais, 8-Lacrimais, 9-Zigomáticos, 10-Maxilares, 11-Mandíbula, 12-Palatinos, 13-Conchas Nasais Inferiores, 14-Vômer 11 11 CABEÇA: A cabeça, situada em cima da coluna vertebral, é sustentada pelo Atlas. Está constituída por 28 ossos, sendo sua função principal a de alojar e proteger o encéfalo bem como: os órgãos responsáveis pelos sentidos da visão, da audição, do gustação e da olfação. Por suas aberturas penetram raios luminosos para os olhos, ondas sonoras para os ouvidos, ar para o sistema respiratório e alimento para o sistema digestivo. A cabeça está dividida em duas partes: Crânio a parte mais volumosa e superior e Face menos volumosa e colocada inferiormente ao crânio. O ESQUELETO do CRÂNIO está constituído essencialmente por 14 ossos. Destes 4 são ímpares e 5 são pares e bilaterais. Ossos ímpares: Frontal, Occipital, Etmóide, Esfenóide. Ossos pares e bilaterais: Parietal, Temporal, Ossículos do ouvido: Martelo, Bigorna e Estribo. Os ossos do crânio formam uma cavidade denominada Cavidade Craniana que aloja e protege o encéfalo e os órgãos responsáveis pelos sentidos da visão e da audição. Está dividida em Calota Craniana parte superior e Base do Crânio, parte inferior que constitui o assoalho da cavidade craniana, respectivamente. A base do crânio está subdividida em três fossas que são: FOSSA ANTERIOR (esfeno-etmoidal), FOSSA MÉDIA (esfeno-temporal) e FOSSA POSTERIOR (occipital). Fazendo parte da fossa média encontramos a SELA TÚRCICA ou TURCA. Fossa anterior Fossa média Fossa Posterior 1 2 3 4 5 6 8 7 Fig. 13 – Base do Crânio – 1-Lâmina crivosa do etmóide, 2-Canal óptico, 3-Fenda esfenoidal, 4-forame redondo, 5-forame oval, 6-Meato acústico interno, 7-forame jugular, 8-conduto condiliano anterior, e 9-fossa hipofisária. 9 12 12 A base do crânio apresenta numerosos orifícios que dão passagem aos 12 pares de nervos cranianos e vasos que entram e saem da cabeça. Os foramens (orifícios) que dão passagem aos pares cranianos e estão relacionados com as fossas da base do crânio. Na Fossa Anterior (Fig.13) temos: 1º. A lamina crivosa do etmóide (que dá passagem ao 1º par craniano ou nervo olfatório); 2. O buraco óptico ou canal óptico (que dá passagem ao 2º par ou nervo óptico). Na Fossa Média (Fig. 13) temos: 3º. A fenda esfenoidal (para o 3º par ou nervo oculomotor, o 4º par ou nervo troclear, ao 1º. Ramo do trigêmeo ou nervo V1 ou nervo aftálmico e ao 6º par ou nervo abducente); 4º. O forame redondo (para o 2º ramo do trigêmeo ou nervo V2 ou nervo maxilar); 5º. O forame oval: (para o 3º ramo do trigêmeo ou nervo V3 ou nervo mandibular). Na Fossa Posterior (Fig. 13) temos: 6º. O óstio interno do meato acústico interno ou meato acústico interno (para o 7º par ou nervo facial e o 8º par ou nervo vestíbulo-coclear); 7º. O forame jugular (para o 9º par ou nervo glossofaríngico 10º par ou nervo vago e 11º par ou nervo acessório); 8º.O contudo condiliano anterior (para o 12º par ou nervo hipoglosso). O ESQUELETO DA FACE (Fig. 12): Está constituído por 14 ossos. Desses 2 são ímpares e 6 são pares. Ossos ímpares: Mandíbula e Vômer. Ossos pares: Maxilar, Nasal, Lacrimal, Zigomático, Palatino e Concha Nasal Inferior ou Corneto Nasal Inferior. Na Cabeça podemos observar, entre outros acidentes anatômicos, a Cavidade Orbitária, onde está alojado o globo ocular; a Abertura Piriforme, para as cavidades nasais; a abertura da Cavidade Oral, entre os maxilares e a mandíbula; o Arco Zigomático, as Fossas: Zigomática Temporal, as Fossas Pterigoídeas e os Condutos Auditivos Tente localizar esse acidentes numa cabeça óssea. PESCOÇO: O esqueleto do pescoço compõe-se das Vértebras Cervicais e do ponto de vista topográfico, o Osso Hióide. TRONCO: O esqueleto do tronco compreende as VÉRTEBRAS TORAXICAS, VÉRTEBRAS LOMBARES, SACRAIS e COCCÍGICAS. As vértebras (Fig. 14) São ossos classificados como irregulares que, em número de 33 ou 34, formam uma coluna situada na linha mediana e posterior do tronco, denominada COLUNA 13 13 VERTEBRAL. A coluna vertebral representa o pilar central do esqueleto axial, servindo de ponto de apoio a grande número de vísceras e de bainha protetora à medula espinhal e seus envoltórios. Em uma vértebra distinguem-se um CORPO, que é anterior e um ARCO que é posterior. Essas formações delimitam o FORAME VERTEBRAL. Quando da superposição das vértebras, os foramens vertebrais constituem o CANAL VERTEBRAL, no qual encontra-se alojada a medula espinhal com seus envoltórios. O arco está formado de cada lado pelo PEDÍCULO e pela LÂMINA. O pedículo, côncavo nas suas faces superiores e inferiores, forma, quando da superposição das vértebras e de cada lado da coluna, uma série de orifícios (o número coincide com os segmentos medulares), chamados FORAME DE CONJUÇÃO, cuja função é dar passagem aos pares de nervos medulares nervos espinhais. As lâminas convergem dorsalmente e da união das mesmas origina-se o PROCESSO ESPINHOSO que se proteja para trás. No ponto de união do pedículo com a lâmina emerge, de cada lado, uma expansão lateral denominado PROCESSO TRANSVERSO. No arco encontramos quatro PROCESSOS ARTICULARES, dois superiores e dois inferiores que servem para articulação das vértebras supra e infrajacentes. Fig. 14 – Elementos Constituintes de uma Vértebra: a linha A-B serve de limite entre 1-corpo e 2-arco. Vê-se ainda: 3-processo transverso, 4-lâmina, 5-fóveas costais (vértebra toráxica), 6-processos articulares, 7-processo espinhoso, 8-pedículo e 9 canal vertebral. COLUNA VERTEBRAL (Fig. 15): Esta dividida em 5 regiões de acordo com o segmento do corpo que ocupa. As regiões são: 1 REGIÃO CERVICAL, com 7 vértebras que constituem o esqueleto do pescoço. 2 REGIÃO TORÁCICA, com 12 vértebras. 3 REGIÃO LOMBRAR, com 5 vértebras. 4 REGIÃO SACRAL, com 5 vértebras. 5 REGIÃO COCÍGICA, Com 4 ou 5 vértebras. A B 2 1 3 4 5 6 7 8 9 14 14 Fig. 15. Coluna vertebral As vértebras (Fig. 16): torácicas, lombares, sacrais e coccígicas constituem, juntamente com o tórax, o esqueleto do tronco. Fig. 16 – Vértebras: A–atlas, B–áxis, C–proeminente, D–toráxica, E–lombares, F–Sacro e cóccix As vértebras cervicais apresentam, como características, o FORAME TRANSVERSO, localizadono processo transverso do mesmo nome que dá passagem às artérias vertebrais, associadas e essa, o plexo venoso e o plexo simpático e, com exceção da 7a, à artéria vertebral. A B C D E F 15 15 A primeira vértebra cervical é denominada ATLAS (Fig. 16), que se articula com a cabeça. Caracteriza-se pela ausência do corpo, possuindo dois arcos, um anterior e outro posterior. A segunda vértebra cervical ou AXIS (Fig. 16) representa o eixo ao redor do qual gira a cabeça. Pode ser facilmente identificada em virtude da presença, na face superior do corpo, de uma projeção óssea vertical chamada PROCESSO ODONTÓIDE. A 3a, 4a e 5a vértebra cervical são vértebras típicas. A 6a vértebras cervical apresenta um grande tubérculo na face anterior do processo transverso, chamado TUBÉRCULO CAROTÍDEO, em virtude de sua relação com a artéria carótida comum. A 7a vértebra cervical é uma vértebra de transição; seu forame transverso é pequeno ou inexistente, seu processo espinhoso é mais proeminente que o das demais, sendo por isso também chamada de vértebra proeminente. (Fig.16). As vértebras torácicas (Fig. 14 e 16) caracterizam-se pela presença de facetas articulares na face anterior dos processos transversos e no corpo que serve à articulação das costelas e são chamadas FÓVEAS COSTAIS. As vértebras lombares (Fig. 16) podem ser identificadas por não possuírem foramens transversos, nem fóveas costais. Além disso, têm um volume maior que as vértebras das outras regiões e apresentam o processo espinhoso quadrangular. As vértebras sacrais (Fig. 16) durante o desenvolvimento, sofrem um processo de SINOSTOSE e constituem uma única peça óssea denominada de OSSO SACRO. As vértebras coccígeas (Fig. 16) São 4 ou 5 vértebras atróficas que sofrem também uma sinostose e constituem o OSSO CÓCCIX. É divido à soldadura das vértebras sacrais e coccígeas, constituindo em cada região uma peça óssea, que a coluna vertebral é considerada como possuindo apenas 26 peças ósseas. OSSO HIÓIDE (Fig. 17) O osso hióide um osso ímpar, mediano e simétrico, estendido transversalmente na parte anterior do pescoço, por cima do esterno e por baixo da língua. Está colocado quase paralelamente à borda inferior da mandíbula e apresenta a particularidade de ser o único osso do corpo que não apresenta articulação com outro osso. Fig. 17 – Osso hióide TÓRAX (Fig. 18) também chamado CAIXA TORÀCICA, é uma cavidade ósteo-cartilagínea na qual encontram-se alojados, entre outro órgãos, os pulmões e o coração. Está constituído, além das 16 16 vértebras torácicas por trás, por 12 pares de COSTELAS lateralmente e pelo EXTERNO por diante. Fig. 18 - Tórax A caixa torácica apresenta duas aberturas: uma por cima, chamada ABERTURA SUPERIOR DO TÓRAX, que se comunica com o pescoço, dando passagem às estruturas que provém dele ou que a ele se dirigem; outra, por baixo e fechada pelo diafragma, chamada ABERTURA INFERIOR DO TORÁX. A abertura superior do tórax está circunscrita pela borda superior do esterno, pela borda superior da 1a vértebra torácica e pela face superior das primeiras costelas e cartilagens costais. Os elementos que circunscrevem a abertura inferior do tórax são: borda inferior do corpo da 12a vértebra torácica, borda inferior da 12a costela, rebordo costal e a articulação xifo-esternal. As COSTELAS (Fig. 18 e 19): São ossos planos, em número de 24 (12 pares), que delimitam em grande parte a cavidade torácica. As sete primeiras são ditas costelas verdadeiras porque fixam-se diretamente, através das cartilagem costais, às bordas laterais do esterno. As costelas 8a, 9a e 10a, são as costelas falsas por fixarem-se indiretamente ao esterno, unido suas cartilagens umas às outras e à 7a. A undécima e a duodécima, denominadas costelas flutuantes, são livres, terminam entre os músculos da parede ânterolateral do abdome e não possuem cartilagem. 17 17 Uma costela típica apresenta cabeça, colo, tubérculo e corpo apresentando este, duas faces (interna ou côncava e externa ou convexa) e duas bordas (superior romba e inferior cortante); próximo à borda inferior, a costela apresenta o sulco costal e próximo à extremidade posterior, o ângulo costal. Fig. 19. - Costela O ESTERNO (Fig. e 20) é um osso plano, ímpar, mediano e simétrico, situado na parte anterior do tórax, dando inserção, nas suas bordas laterais às clavículas e aos 7 primeiros pares de costelas. O esterno desenvolve-se a partir de três peças que finalmente se fundem em um único osso. MANÚBRIO é a parte superior do osso; CORPO; a parte mais longa e média do osso apresentado-se mais largo por cima que na sua parte inferior. O APÊNDICE XIFÓIDE é a parte inferior e rudimentar do osso. A borda superior do manúbrio é côncava e se chama Incisura. As bordas laterais do osso apresentam superfícies articulares para, articulação das clavículas e das cartilagens costais. Fig. 20 – Osso Esterno: Manúbrio, corpo e processo xifóide. 18 18 O MEMBRO SUPERIOR (Fig. 21) Juntamente como membro inferior constituem o ESQUELETO APENDICULAR. O membro superior que desempenha função na preensão e tato, está constituído por: Cinta do Membro Superior (Fig.21): Escápula ou Omoplata e a Clavícula. Membro Superior Livre: Úmero, Rádio, Ulna ou Cúbito, Ossos do Carpo, Ossos Metacárpicos e Falages. A Cinta do membro superior une o membro ao tórax. Está constituído por dois ossos, a clavícula por diante e escápula por trás. O úmero é um osso longo que constitui o esqueleto do braço. O rádio e a ulna também são ossos longos, dispostos paralelamente entre si, constituem o esqueleto do antebraço, sendo o primeiro lateral e o segundo medial. Colocados em sua verdadeira posição, esses dois ossos não ocupam, exatamente, o mesmo nível. O rádio sobressai a ulna por baixo, enquanto que, por cima, este último sobressai o primeiro. Sempre a ulna é um pouco mais longa que o rádio. A Mão (Fig.21), quarto e último segmento do membro superior, está constituída por 27 ossos dispostos em três regiões distintas: CARPO, METACARPO e DEDOS. O carpo (Fig. 21), está formado por oito ossos curtos dispostos em duas fileiras transversais, uma proximal e outra distal. A FILEIRA PROXIMAL compreende 4 ossos que contados da borda lateral para a borda medial da mão, são: 1- Escafóide, 2 Semilunar, 3 – Piramidal e 4- Pisiforme. A FILEIRA DISTAL compreende também 4 ossos que são, seguindo a mesma direção: 5 – Trapézio, 6 – Trapezóide, 7 – Capitato (grande Osso), 8 – Hamato (Ganchoso). O metacarpo (Fig. 21), está formado por cinco ossos longos que partem, à maneira de raios divergentes, da fileira distal do carpo até a base de cada um dos cincos dedos. São denominados: 1º, 2º. 3º, 4º e 5º METACARPIANOS, sendo sua contagem realizada no sentido látero-medial. Os Dedos (Fig.21), órgãos essencias da preensão e do tato, são apêndices muito móveis que continuam os metacarpianos. Em igual número que as peças do metacarpo, são denominados 1º, 2º, 3º, 4º e 5º dedos (quirodáctilos), procedendo-se a contagem no sentido lateral-medial. Seguindo a mesma ordem, os dedos podem ser denominados: POLEGAR, INDICADOR, MÈDIO, ANULAR e MÍNIMO. O termo quirodáctilo é de origem grega e significa dedos das mãos. (QUIRO = MÃO; DÁCTILO = DEDOS). Cada um dos dedos está constituído por três ossos sucessivamente decrescentes em tamanho, que se chamam FALANGES e, são denominados FALANGE PROXIMAL (ou 1ª. Falange), FALANGE MÉDIA (2a Falange) e FALANGE DISTAL (ou 3a Falange), contados da extremidade metacarpiana para a extremidade livre. O 19 19 polegar faz exceção a essa disposição geral e não tem mais do que duas falanges, faltando a 2a ou Falange Média. Fig. 21 – Membro Superior MEMBRO INFERIOR, O membro inferior, destinado àlocomoção, está constituído por: A - Cinta do Membro Inferior: Osso do quadril (Osso coxal). B – Membro Inferior Livre: Fêmur, Patela, Tíbia, Fíbula, Ossos do Tarso, Ossos do Metatarso e Falanges. A PELVE ou CINTURA PÉLVICA: Está formada por um só osso, conhecido pelo nome do osso ilíaco, e tem por função unir o membro inferior à parte final da coluna vertebral. Os ossos ilíacos de cada lado articulam-se por diante e estão separados pelo sacro atrás. Os ossos ilíacos 20 20 situados ânterolateralmente, o sacro e o cóccix, por atrás formam um cinturão ósseo, PELVE ou BACIA, região anatômica importante, pricipalmente nas mulheres e com relação ao parto. O Fêmur, osso longo,homólogo ao úmero do braço, constitui o esqueleto da coxa. A Tíbia e a Fíbula (Perônio), dispostos paralelamente, constituem o esqueleto da perna. O osso mais medial volumoso é a tíbia, enquanto que a fíbula é o mais lateral. Acrescenta-se ainda ao esqueleto da perna a rótula ou patela, que encontra se situada por cima da tíbia e da fíbula na parte anterior da articulação do joelho. O Pé (Fig. 22) quarto e último segmento do membro inferior, está constituído por 26 ossos dispostos em três regiões distintas: o TARSO. METARTASO e os ARTELHOS. Fig. 22 – Membro inferior – 1-Ilíaco, 2-forame obturado, 3-fêmur, 4-fíbula, 5-tíbia, 6-tálus, 7-calcâneo, 8-cubóide, 9-navicular, 10-cuneiforme lateral, 11-cuneiforme intermédio, 12-cuneiforme medial, 13- metatarsos, e 14-falanges. O TARSO (Fig. 22) está formado por sete ossos curtos dispostos em duas fileiras, uma posterior e outra anterior. A primeira fileira compreende unicamente dois ossos: – Télus ou Astrágalo por cima e Calcâneo por baixo. A segunda fileira compreende cinco ossos: 3 – Cubóide (lateralmente), Navicular ou Escafóide (medialmente, – 1º Cuneiforme ou cuneiforme medial, – 2º cuneiforme ou cuneiforme intermédio, – 3º Cuneiforme ou lateral. O METATARSO (Fig. 22) está formado por cinco ossos longos que, partinto da 2a fileira do tarso, dirigem –se para diante, a fim de servirem de base para cada um doa cincos artelhos. Os metatarsianos são denominados: 1º, 2º, 3º, 4º e 5º METATARSIANOS, sendo a contagem feita ao contrário da mão, ou seja, no sentido da borda medial para a lateral do pé. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 21 21 DEDOS (Fig. 22) – Situados por diante dos metatarsianos, cuja direção continuam, estão os artelhos ou dedos do pé que são em número de cinco e denominam-se: 1º, 2º, 3º, 4ºe 5º PODODÁCTILOS (PODO = PÉ, DÁCTILOS = DEDOS), contados no sentido médio-lateral. Cada um dos artelhos está formado por três peças ósseas ou FALANGES, superpostas em sentido póstero-anteirior. Como a mão, distingue–se a primeira falange (falange proximal), a segunda falange (falange média) e a terceira (falange distal). Também no membro inferior do 1º pododáctilo, homólogo do polegar, só apresenta duas falanges (a primeira e a terceira) faltando a segunda ou falange média.