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Anatomia das vias aéreas condutoras e respiratórias superiores e inferiores Trajeto do ar - entra pelo nariz e progride até a faringe, alcança a laringe (onde encontra-se a epiglote, que veda a laringe), a traqueia, os brônquios principais, brônquios lobares, brônquios segmentares e bronquíolos que se ramificam inúmeras vezes, por várias gerações, até o bronquíolo terminal. Após o bronquíolo terminal, há os bronquíolos respiratórios, ducto alveolar e o alvéolo, estes três são chamados de ácino pulmonar. As vias aéreas condutoras possuem tecido elástico, músculo liso e cartilagem, sendo protegidas pela esteira mucociliar. Essa barreira de defesa é formada por células caliciformes, glândulas mucosas e cílios, que transportam muco e partículas para a epiglote, onde são deglutidas. O aparelho mucociliar remove substâncias potencialmente agressivas por meio da ação dos cílios, tosse ou espirro. O nariz é a primeira estrutura do sistema respiratório e tem a função de aquecer, umidificar e filtrar o ar. Pacientes intubados perdem essas funções, sendo necessário um filtro umidificador. Ele é dividido em nariz externo (visível na face) e nariz interno (cavidade nasal), que contém vibrissas e muco para a filtragem do ar. Sua estrutura é composta por ossos (etmoide e vômer) e cartilagem. O nariz se comunica com a nasofaringe, conchas nasais, ouvidos e seios da face (maxilar, frontal, esfenoidal e etmoidal). A faringe é um tubo fibromuscular dividido em nasofaringe (conectada ao nariz), orofaringe (conectada à boca) e laringofaringe (parte do sistema digestório). A laringe tem funções respiratória e fonatória, composta por nove cartilagens (epiglótica, tireoide, cricoide (ímpares); já as aritenoides, corniculadas e cuneiformes ocorrem em pares.), destacando-se a epiglote, que evita a broncoaspiração. Pacientes intubados têm a epiglote aberta, facilitando atelectasia (colapso pulmonar). A glote é a região estreita entre as cordas vocais e pode sofrer edema, levando a obstrução das vias aéreas, exigindo atendimento médico emergencial. A traqueia é um tubo com anéis cartilaginosos em C e fundo fibromuscular. A carina marca a bifurcação dos brônquios principais: direito (mais curto e vertical) e esquerdo. O brônquio direito é mais propenso a pneumonia aspirativa e intubação seletiva. Os brônquios lobares se dividem em três à direita e dois à esquerda, seguidos pelos brônquios segmentares (10 à direita, 9 à esquerda). À medida que as vias aéreas se ramificam, diminuem as células caliciformes, glândulas mucoides e cartilagem, enquanto o tecido muscular liso e elástico aumenta. Os bronquíolos regulam a resistência das vias aéreas e terminam no bronquíolo terminal, seguido pelos sacos alveolares e ácinos pulmonares, onde ocorrem as trocas gasosas. ventilação colateral é o mecanismo que permite a passagem de ar entre diferentes regiões dos pulmões sem precisar passar pelas vias aéreas principais. Isso ajuda a manter a oxigenação mesmo quando há obstruções nos brônquios ou bronquíolos. Se desenvolve até os 8 anos de idade. Ela ocorre por três tipos de conexões: - Poros de Kohn – Conectam alvéolos vizinhos. - Canais de Lambert – Ligam bronquíolos terminais aos alvéolos. - Canais de Martin – Conectam bronquíolos entre si. Pulmões: órgãos na caixa torácica, compostos por 90% ar e 10% tecido. Alvéolos: cerca de 300 milhões, formados por pneumócitos tipo I (estrutura) e pneumócitos tipo II (produzem surfactante). Pulmão direito: 3 lobos (superior, médio e inferior) com fissuras oblíqua e horizontal. Pulmão esquerdo: 2 lobos (superior e inferior) com fissura oblíqua. Hilo pulmonar: localizado no mediastino, é a entrada de vasos sanguíneos, linfáticos e brônquios. Segmentos pulmonares são importantes na fisioterapia respiratória, especialmente para drenagem postural. Anatomia das pleuras - Pleura: saco fibrosseroso que reveste os pulmões, permitindo deslizamento, contenção e proteção. - Folhetos pleurais: Visceral (interno): aderido ao pulmão. Parietal (externo): aderido ao mediastino, diafragma e caixa torácica. - Líquido pleural: 5 a 10 ml, produzido e reabsorvido pelos capilares pleurais. - Inervação: garante sensação dolorosa em doenças pleurais. - Pressão pleural negativa: média de -5 cmH₂O, variando de -2 cmH₂O na base a -10 cmH₂O no ápice. Anatomia da caixa torácica Caixa torácica: estrutura óssea que protege os pulmões e permite a ventilação. Composição: Esterno (anteriormente). 12 costelas: 7 verdadeiras: articulam-se diretamente ao esterno. 3 falsas (8ª, 9ª, 10ª): ligam-se indiretamente ao esterno. 2 flutuantes (11ª e 12ª): sem ligação ao esterno. Função: expande na inspiração e retrai na expiração. Obliquidade das costelas: permite a movimentação em alça de balde e a expansão da caixa torácica durante o ciclo respiratório. Função: facilita o movimento e a expansão do tórax durante a inspiração. Desenvolvimento infantil: até os 7 anos, as costelas são mais horizontais, e o músculo diafragma tem a cúpula retificada, dificultando a ventilação, especialmente no recém-nascido. Fisiologia respiratória Ventilação, perfusão e relação ventilação/perfusão A ventilação é definida como a renovação cíclica do ar, ou seja, é a entrada do ar (inspiração) e a saída (expiração). Os volumes e as capacidades pulmonares, definidos como a soma de dois ou mais itens, envolvidos neste processo são: • Volume corrente (VC): volume de ar inspirado ou expirado a cada ciclo respiratório. • Volume de reserva inspiratório (VRI): máximo volume de ar inspirado após uma inspiração basal. • Volume de reserva expiratório (VRE): máximo volume de ar expirado após uma expiração basal. • Volume residual (VR): volume de ar que permanece nas vias aéreas após uma expiração forçada. • Capacidade inspiratória (CI): soma do volume corrente e o volume de reserva inspiratória. • Capacidade residual funcional (CRF): volume de ar que permanece nas vias aéreas após uma expiração normal. É a soma do volume residual mais o volume de reserva expiratória. • Capacidade vital (CV): é o máximo volume de ar inspirado seguido do máximo volume de ar expirado. É a soma do volume corrente, volume de reserva inspiratório e volume de reserva expiratório. • Capacidade pulmonar total (CPT): é a soma de todos os volumes pulmonares e é alcançada na inspiração máxima. Medição dos Volumes Pulmonares: A medição é realizada com espirômetro simples ou ventilômetro, exceto o volume residual (VR) e a capacidade residual funcional (CRF), que requerem um pletismógrafo corporal. Volume Minuto (VM): Representa o volume de ar inspirado ou expirado a cada minuto, calculado por: VM:VC x f Exemplo: se o Volume Corrente (VC) é 500 ml e a frequência respiratória (f) é 12 rpm, o VM será de 6000 ml (500 ml × 12). Ventilação Alveolar (VA): Refere-se ao volume de ar que chega aos pulmões para participar da troca gasosa, calculada por: VA: (VC – EM) x f Exemplo: se o VC é 500 ml, o espaço morto anatômico (EM) é 150 ml e f é 12 rpm, a VA será 4200 ml. Espaço Morto Anatômico (EM): Volume de ar nas vias aéreas condutoras que não participa da troca gasosa. Em adultos, é cerca de 150 ml. Espaço Morto Fisiológico: Inclui o ar que alcança as vias respiratórias, mas não participa da troca gasosa. Ventilação e CO2: A ventilação alveolar tem uma relação direta com a quantidade de CO2 exalado e com a PaCO2 no sangue arterial. Quanto maior a ventilação, maior o CO2 exalado e menor a PaCO2. Hiperventilação: Aumento da ventilação alveolar, podendo ser causado por exercício físico ou condições patológicas (febre, dor, agitação). Isso aumenta o CO2 exalado e diminui a PaCO2. Hipoventilação:Diminuição da ventilação alveolar, podendo ser causada por diminuição da frequência ou volume corrente, como em sedação, lesão medular, fraqueza muscular ou obstrução das vias aéreas. Isso diminui o CO2 exalado e aumenta a PaCO2, podendo levar a acidose, coma ou morte. Ventilação Não Homogênea: A ventilação não é uniforme nos pulmões, variando conforme a posição do corpo. Em indivíduos em pé ou sentados, a ventilação é maior na base do pulmão (região dependente), devido à pressão pleural mais negativa no ápice e à ação da gravidade, que favorece o aumento da pressão pleural na base. Posicionamento para Reversão de Atelectasia: Em casos de atelectasia (colapso alveolar) no pulmão direito, o paciente deve ser posicionado em decúbito lateral esquerdo, com o lado direito (afetado) para cima. Isso ajuda a aumentar a pressão alveolar na região superior do pulmão direito, favorecendo a abertura dos alvéolos colapsados. Perfusão Pulmonar: O fluxo sanguíneo nos capilares pulmonares provém da artéria pulmonar, que transporta sangue venoso (rico em CO2 e pobre em oxigênio) para as trocas gasosas. Circulação pulmonar e circulação sistêmica Circulação Pulmonar e Sistêmica Circulação pulmonar: baixa pressão (~15 mmHg). Circulação sistêmica: alta pressão (~100 mmHg). A resistência vascular pulmonar é baixa devido a: Maior elasticidade da artéria pulmonar em comparação à aorta. Ausência de arteríolas (que aumentariam a resistência). Capacidade de distensão e recrutamento dos capilares pulmonares. Perfusão Pulmonar Não homogênea e varia com a posição corporal. Em pé ou sentado: maior perfusão na base. Ápice: pressão alveolar (PA) maior que a arterial (Pa) → fluxo reduzido. Base: pressão arterial (Pa) maior que a alveolar (PA) → maior fluxo sanguíneo. Zonas de West Zona 1 (ápice): relação V/Q alta (muita ventilação, pouca perfusão). Zona 2 (terço médio): melhor troca gasosa (equilíbrio entre ventilação e perfusão). Zona 3 (base): relação V/Q baixa (muita perfusão, ventilação relativamente menor). Shunt Fisiológico: Nem todo sangue passa pelo pulmão para ser oxigenado. Parte do sangue das artérias coronárias e brônquicas é misturado diretamente ao sangue arterial, reduzindo a oxigenação. Relação Ventilação/Perfusão (V/Q) Ventilação e perfusão são maiores na base , mas a troca gasosa é melhor no terço médio, pois há uma relação mais equilibrada. Resultado: menor adição de oxigênio ao sangue arterial, gerando uma diferença alvéolo-arterial de oxigênio. Troca Gasosa e Hipoxemia: Quando a troca gasosa não é ideal, ocorre hipoxemia, que é a diminuição da PaO2 (pressão arterial de oxigênio). Principais Causas Patológicas da Hipoxemia Hipoventilação: Redução da ventilação alveolar, diminuindo a renovação de ar. Consequências: Diminuição da pressão alveolar e arterial de oxigênio (hipoxemia). Aumento da retenção de CO₂ (hipercapnia). Exemplo: Paciente com fadiga muscular respiratória devido ao aumento do trabalho respiratório. Alteração na Difusão: Dificuldade na passagem de O₂ através da membrana alvéolo-capilar. Causas: Aumento da espessura da membrana alvéolo-capilar (ex.: fibrose pulmonar). Diminuição da área pulmonar disponível para troca gasosa. Baixa pressão parcial de O₂ em altas altitudes. Alteração V/Q do Tipo Shunt (Desvio): Áreas pulmonares perfundidas, mas não ventiladas. Exemplo: Atelectasia (colapso parcial ou total do pulmão). Pneumonia (alvéolos cheios de secreção impedem a ventilação). Observação: Única causa de hipoxemia que não melhora com oxigenoterapia, pois o oxigênio não consegue alcançar os alvéolos colapsados. Alteração V/Q do Tipo Espaço Morto: Áreas pulmonares ventiladas, mas não perfundidas. Exemplo: Embolia pulmonar (bloqueio dos capilares pulmonares por êmbolos). Oxigenoterapia e Hipoxemia A maioria das causas de hipoxemia pode ser revertida com suplementação de oxigênio (cateter nasal, máscaras de O₂). Exceção: O shunt não melhora com oxigênio suplementar, pois não há ventilação na área afetada. Difusão e Transporte de Gases para a Periferia A difusão pulmonar é o processo passivo de troca de gases entre os alvéolos pulmonares e o sangue capilar, seguindo a Lei de Fick. Esse processo ocorre sem gasto energético e depende de vários fatores para ser eficaz. Caminho do Oxigênio na Difusão: Para que o oxigênio passe dos alvéolos para o sangue, ele precisa atravessar várias barreiras: Surfactante alveolar Epitélio alveolar Espaço intersticial Endotélio vascular Parede da hemácia Esse processo ocorre de forma extremamente rápida. O sangue atravessa o capilar em 0,75s, e em 0,25s toda a difusão já aconteceu, demonstrando a eficiência desse sistema. Essas informações explicam detalhadamente como o oxigênio e o dióxido de carbono são transportados no sangue e como fatores fisiológicos podem influenciar esse processo. Aqui estão alguns pontos-chave: Transporte de Oxigênio (O₂) no Sangue Ligado à Hemoglobina (Hb) – 98% O oxigênio se liga ao ferro da hemoglobina, formando a oxi-hemoglobina. Cada molécula de hemoglobina pode transportar quatro moléculas de O₂. A SaO₂ (saturação de oxigênio) indica a porcentagem de hemoglobina ligada ao oxigênio. No sangue arterial saudável, a SaO₂ é cerca de 98%. Dissolvido no Plasma – 2% Uma pequena parte do O₂ circula dissolvida no plasma e é representada pela PaO₂ (pressão arterial de oxigênio). Normalmente, a PaO₂ varia entre 80 e 100 mmHg. Curva de Dissociação da Hemoglobina Mostra a relação entre PaO₂ e SaO₂. Após 60 mmHg de PaO₂, a saturação de hemoglobina (SaO₂) atinge um platô, indicando que a hemoglobina já está próxima do seu limite de carga de oxigênio. Desvio da curva para a direita (Hb libera mais O₂): Ocorre em situações como exercício físico, febre, acidose, aumento de CO₂. Facilita a entrega de oxigênio aos tecidos. Transporte de Dióxido de Carbono (CO₂) no Sangue Bicarbonato (HCO₃⁻) – 70% O CO₂ reage com a água (H₂O) dentro da hemácia, formando ácido carbônico (H₂CO₃), que se dissocia em bicarbonato (HCO₃⁻) e H⁺. Essa reação é catalisada pela enzima anidrase carbônica. Ligado à Hemoglobina – 20% O CO₂ se liga à hemoglobina formando carboemoglobina. Dissolvido no Plasma – 10% Pequena fração do CO₂ circula livremente no plasma. Esses mecanismos garantem o equilíbrio gasoso necessário para a sobrevivência e são ajustados conforme a demanda metabólica do organismo. AVALIAÇÃO FISIOTERAPEUTICA Identificação do paciente Podemos obter, por meio da coleta de dados, as informações pessoais do paciente, como: nome, idade, gênero, raça, endereço, número do registro hospitalar, naturalidade, nacionalidade, além do diagnóstico de internação. História da doença atual: informações clínicas relevantes que resumem as doenças atuais do paciente. História da doença pregressa: doenças e cirurgias prévias às quais o paciente foi submetido. Antecedente pessoal: comorbidades que o paciente possa apresentar, assim como lista de Medicamentos atuais, com prescrição médica. Antecedente familiar: doenças familiares como cardiovasculares e oncológicas. Hábitos de vida: como tabagismo e/ou alcoolismo. Essa seção deve conter a ocupação profissional atual e passada do paciente. Avaliação do Nível de Consciência: Qualquer rebaixamento do nível de consciência aumenta o risco de aspiração e complicações pulmonares. Condições como hipoxemia (PaO2 reduzido) e hipercapnia (PaCO2 aumentado) podem alterar o nível de consciência. Classificação do nível de consciência: Orientado: Alerta, boa orientação temporal, espacial e pessoal. Desorientado/confuso: Falta de orientação em tempo, espaço e pessoa. Sonolento: Responde a estímulos verbais ou táteis leves. Torporoso:Pouca reação a estímulos, estado entre sonolência e coma. Comatoso: Sem reação a estímulos, quadro neurológico grave. Escala de Glasgow: Desenvolvida para traumatismo craniano, mas atualmente usada em diversas situações clínicas para avaliar profundidade de comprometimento neurológico. Escore de 3 a 15, onde pontuações menores indicam maior gravidade. Avaliação do Nível de Consciência de Pacientes com Sedação: Contexto da sedação: Utilizada em pacientes críticos, especialmente sob ventilação mecânica invasiva (VMI). Objetivo: Reduzir ansiedade e estresse, facilitar os cuidados e promover conforto sem causar complicações adicionais. Importância na UTI: A sedação facilita os cuidados multiprofissionais e melhora a tolerância ao tratamento intensivo. Escalas de Sedação e Agitação: Desenvolvidas para monitorar a profundidade da sedação e quantificar níveis de agitação, garantindo o uso adequado de sedativos. Essas escalas auxiliam no ajuste de doses e na prevenção de complicações relacionadas ao excesso ou falta de sedação. Escala de sedação e agitação de RASS (Richmond Agitation-Sedation Scale) Escala de sedação de Ramsay Avaliação hemodinâmica Verificamos se o paciente encontra-se estável ou instável e se faz uso de drogas vasoativas (DVAs). A frequência cardíaca (FC) é a quantidade de batimentos por minuto. Devem ser avaliados a frequência, o ritmo e o pulso periférico. - normal no adulto é de 60 a 100 batimentos por minuto. Causas de taquicardia “ acima de 100 bpm”: febre, anemia, medo, ansiedade, exercício, hipotensão (pressão arterial baixa), hipoxemia (níveis reduzidos de oxigênio no sangue arterial) e o efeito de alguns medicamentos. Causas de bradicardia “ abaixo de 60”: hipotermia (temperatura corpórea abaixo do normal), efeito colateral de medicamentos e arritmias cardíacas. Pressão arterial (PA) Trata-se da força exercida pelo sangue contra a parede das artérias. É determinada pela interação da contração do ventrículo esquerdo, da resistência vascular sistêmica e do volume sanguíneo. - Temos a pressão arterial sistólica e a pressão arterial diastólica. A pressão arterial sistólica é a força máxima exercida nas artérias principais durante a contração (sístole) do ventrículo esquerdo. A faixa normal em um adulto é de 90 a 140 mmHg. A pressão arterial diastólica é a força exercida nas principais artérias que permanece após o relaxamento (diástole) ventricular. O valor de referência é de 60 a 90 mmHg. Avaliação do estado geral Temperatura corporal Resulta do equilíbrio entre o calor produzido e aquele gasto pelo organismo. É mantida dentro da faixa de 36 0 C a 37,5 0C. Febre (hipertermia): é a elevação da temperatura corporal e está associada ao aumento do metabolismo. Hipotermia: temperatura corpórea abaixo do normal. Suas causas incluem: exposição prolongada ao frio (mais comum), traumatismo craniano, acidente vascular encefálico, diminuição da atividade da tireoide e infecções graves, como sepse. Avaliação da coloração da pele • Cianose: coloração azulada de pele, ocorre devido ao déficit de oxigenação do sangue arterial. Pode ser central ou periférica. • Cianose central: coloração azulada da mucosa da boca, face e tórax. Ocorre por déficit no transporte de oxigênio (O2) até os tecidos. • Cianose periférica: coloração azulada das extremidades por vasoconstrição. Pode ocorrer em diversas condições, tais como quando o débito cardíaco for baixo ou por exposição ao frio. Quando o paciente apresenta cianose, descrevemos que ele está cianótico; na ausência de cianose, denomina-se acianótico. Icterícia: A coloração amarela na pele e nos olhos é causada pelo acúmulo de bilirrubina, que é definida como uma substância amarela a qual o organismo produz quando metaboliza hemácias velhas ou danificadas. Quando o paciente apresenta icterícia, descrevemos que ele está ictérico; na sua ausência, denomina-se anictérico. Avaliação de edema periférico O edema, além de ser um importante sinal de insuficiência cardíaca, pode ser encontrado em pacientes com administração de altas dosagens de esteroides, com baixo nível de albumina (proteína) ou função linfática e/ou venosa reduzida. Nos pacientes acamados, o edema pode ser consequência do mau posicionamento. Avaliação respiratória Inspeção inicial: Observar a respiração do paciente, verificando se está em respiração espontânea ou se está utilizando oxigenoterapia. Oxigenoterapia: Caso o paciente esteja com oxigênio suplementar, é necessário identificar: O tipo de dispositivo (cateter nasal, máscara de Venturi, tenda de O2). A fração inspirada de oxigênio (FIO2) administrada. Ventilação mecânica: Se o paciente estiver em ventilação mecânica invasiva (VMI) ou não invasiva (VNI), deve-se observar: A interface da ventilação (máscara, tubo traqueal, traqueostomia). As modalidades e os parâmetros ventilatórios. Identificação de sintomas respiratórios: Avaliar se os sintomas respiratórios são relacionados a uma doença pulmonar primária ou a uma doença sistêmica que afeta o pulmão. Principais sintomas das doenças respiratórias Dispneia: é a sensação de falta de ar, relatada pelo paciente, que pode ser subjetiva ou objetiva. Subjetiva: não vem acompanhada de manifestações clínicas. Objetiva: vem acompanhada de manifestações clínicas, como: taquipneia, uso de musculatura acessória, tiragens intercostais, batimentos de asa de nariz, hipoxemia, cianose, entre outras. Tosse: A tosse é um reflexo de proteção que livra as vias aéreas de secreções ou corpos estranhos. Classificação dos tipos de tosse: • eficaz: tosse forte o suficiente para eliminar secreções, caso elas existem. • ineficaz: tosse fraca, não consegue eliminar secreções caso elas estejam presentes. • Seca/improdutiva: sem secreção. • produtiva: produz secreção. Expectoração: Devemos avaliar a quantidade, o aspecto, a cor e a frequência da expectoração, pois isso pode esclarecer o diagnóstico e a gravidade da doença. Os tipos de secreção são: • Mucoide: muco viscoso e transparente. Geralmente caracteriza irritação da árvore brônquica. • Purulenta: secreção espessa, opaca, tem cor amarela ou esverdeada. Característica de infecção. • Serosa: espumosa, rósea. Característica de edema agudo de pulmão. • Escarro hemoptoico: secreção purulenta com filamentos ou estrias de sangue. • Hemoptise: eliminação de sangue “vivo” pelas vias aéreas do paciente. Geralmente ocorre em situações de neoplasias pulmonares, tuberculose e bronquiectasia. Dor torácica: As dores devem ser avaliadas quanto à sua localização, intensidade, duração, irradiação, qualidade, evolução, fatores desencadeantes, agravantes ou de alívio. É bom lembrar que o parênquima pulmonar e as pequenas vias aéreas não possuem fibras sensitivas e dolorosas, portanto, a dor torácica em pacientes com doenças respiratórias comumente se origina da inflamação pleural, traqueal ou musculoesquelética. Tipos de dor • Dor pleural: é súbita e em “pontada”, dor ventilatório-dependente, ou seja, depende de esforço inspiratório para ocorrer. São suas causas: derrame pleural, pneumotórax, pneumonia, entre outras. Observação: A pleura parietal é inervada, portanto dói! Já a pleura visceral não tem inervação, portanto, o paciente não consegue identificar exatamente o local da dor quando o acometimento é de parênquima pulmonar. Então, a dor será relatada como difusa e de difícil identificação. • Dor parietal: ocorre por acometimento de estruturas da parede torácica, como pele, músculos, ossos e nervos. • Dor muscular: maior identificação à palpação. Ocorre quando um músculo é estirado ou passa por estresse. • Dor osteoarticular: também pode ocorrer por estiramento, excesso de exercícios, doençaosteoarticular e traumas. • Dor precordial: dor de forte intensidade, em “pontadas” e irradiada, pode estar relacionada ao esforço. São suas causas: doenças coronarianas, por exemplo, o infarto agudo do miocárdio. Frequência respiratória (FR): é a quantidade de ciclos respiratórios por minuto. A FR normal em um adulto é de 12 a 20 respirações por minuto. Em relação à frequência respiratória, seguem algumas definições: • Eupneia: denominação dada quando a frequência respiratória encontra- se normal, ou seja, quando o paciente apresenta de 12 a 20 respirações por minuto. • Taquipneia: definida como frequência respiratória maior que vinte respirações por minuto. • Bradipneia: definida como frequência respiratória menor que dez respirações por minuto. • Apneia: ausência de ciclos respiratórios por mais de 15 segundos. Tipo de respiração ou padrão ventilatório Em uma respiração normal, os compartimentos torácico e abdominal se elevam, porém, pode haver um predomínio dessa elevação, o que é determinado pelo segmento do tronco que predominar durante os movimentos respiratórios. Seguem os tipos respiratórios normais: • Respiração torácica ou costal: normalmente relacionada com a ventilação utilizando os ápices pulmonares, ou seja, há predomínio da elevação do tórax sobre o abdome, mais comum no sexo feminino. • Respiração abdominal ou diafragmática: ventilação com predomínio da elevação do abdome em relação ao tórax durante a inspiração, é mais comum no sexo masculino e em crianças. • Respiração mista: é quando os dois compartimentos (torácico e abdominal) se movem com a mesma amplitude, não ocorrendo predomínio. Tipos de respiração anormais ou patológicos: • Respiração paradoxal: trata-se de um tipo de respiração patológico, geralmente encontrado em pacientes com insuficiência respiratória aguda. • Respiração de Cheyne-Stokes: caracteriza-se por apneia seguida de incursões inspiratórias profundas, com volumes correntes crescentes até atingir novamente a apneia. Frequentemente associado a pacientes neurológicos, por exemplo, com: hipertensão intracraniana, acidentes vasculares encefálicos e traumatismos cranioencefálicos. •Respiração de Biot: seu ritmo é irregular, caracterizando uma apneia, seguida de movimentos inspiratórios e expiratórios anárquicos quanto à amplitude e ao ritmo. Suas causas são as mesmas da respiração de Cheyne-Stoke. • Respiração de Kussmaul: compõe-se de quatro fases: — Inspirações ruidosas, gradativamente mais amplas, alternando com expirações rápidas e de pequenas amplitudes. — Apneia em inspiração. — Expirações ruidosas, gradativamente mais profundas, alternando com inspirações rápidas e de pequenas amplitudes. — Apneia em expiração. Causada por acidose, principalmente a diabética. • Tiragem: durante a inspiração, a musculatura intercostal é “sugada” para dentro dos espaços intercostais. Ela pode ser difusa ou localizada, isto é, supraclavicular, infraclavicular, intercostal, epigástrica ou diafragmática. Ocorre em situações de aumento da pressão negativa, na cavidade pleural, durante a inspiração. É um sinal de insuficiência respiratória aguda. • Respiração suspirosa: caracterizada por movimentos inspiratórios de amplitude crescentes, seguidos de expiração breve. Traduz tensão emocional ou ansiedade. Tipos anormais de tórax Deformidades no tórax podem significar presença de patologias pulmonares e ósseas. • Tórax em tonel: também chamado de tórax em barril, enfisematoso, globoso, inspiratório ou ectásico. Caracteriza-se pelo aumento exagerado do diâmetro anteroposterior do tórax. Esse tórax é encontrado na doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). • Tórax infundibuliforme ou pectus excavatum: também conhecido como tórax de sapateiro. Caracteriza-se por depressão do esterno. Geralmente é congênito, mas pode ser adquirido. • Tórax cariniforme ou pectus carinatum: também conhecido como peito de pombo, no qual o tórax apresenta proeminência do esterno, as costelas se dispõem retilíneas a partir de seus ângulos, determinando assim a proeminência. Pode ter origem congênita ou adquirida. • Tórax em sino ou cônico: tem como característica a parte inferior do tórax exageradamente alargada. Ocorre em hepatomegalia, esplenomegalia ou ascite volumosa. • Tórax cifótico: apresenta uma gibosidade formada pela curvatura da coluna dorsal. Pode ter origem congênita ou adquirida. • Tórax cifoescoliótico: além da cifose, o indivíduo apresenta desvio da coluna lateralmente. Ausculta pulmonar: é um método de exploração funcional que tem por objetivo identificar os sons fisiológicos e/ou patológicos que ocorrem no interior dos pulmões durante a ventilação. O tórax deve estar desnudo para que não haja interferência de sons extrínsecos e o terapeuta deve acoplar o estetoscópio na região a ser examinada e evitar receber o ar expirado pelo paciente. As regiões da ausculta são: anterior, posterior e lateral e sempre de forma comparativa. Podemos classificar a ausculta pulmonar em sons fisiológicos e sons patológicos. • Sons fisiológicos: referem-se ao murmúrio vesicular (MV), que é a passagem do ar pelas vias aéreas. Em casos patológicos, ele pode estar reduzido ou abolido. • Sons patológicos: referem-se aos ruídos adventícios. Eles não estão presentes em condições pulmonares normais, podem ser originados na árvore brônquica, nos alvéolos ou no espaço pleural. Ruídos adventícios • Roncos: ruídos inspiratórios de tonalidade grave e encontrados com grande frequência. Indicam secreção brônquica em brônquios de grande e médio calibre. Seu som lembra um roncar de uma pessoa. • Sibilos: ruídos de tonalidade aguda, com predomínio na expiração. Caracterizam redução da luz brônquica por secreção em brônquios de pequeno calibre ou broncoespasmo, que é a contração da musculatura lisa, reduzindo o calibre dos brônquios. Seu som é semelhante a um miado de gato, habitualmente referido pelo paciente como “chiado” ou “chiadeira”. São mais comuns em pacientes com crise asmática. • Estertores: são divididos em crepitantes e subcrepitantes (bolhosos). — Crepitantes: exclusivamente inspiratórios, estertores finos, homogêneos, de mesmo timbre e intensidade. Resultam de transudato ou exsudato, ou seja, líquido não inflamatório ou inflamatório intra- alveolar. Frequentemente audíveis no edema agudo de pulmão e pneumonia. O som assemelha-se com o atritar de uma mecha de cabelo. — Subcrepitantes ou bolhosos: são ruídos mais grossos, que se assemelham ao rompimento de bolhas. Audíveis tanto na inspiração como na expiração. Resultam da mobilização de qualquer líquido presente em brônquios de médio e pequeno calibre. Ocorrem com maior frequência em edema agudo de pulmão, pneumonia e doença pulmonar obstrutiva crônica. • Cornagem: indica estreitamento de vias aéreas superiores. Som de grande intensidade, podendo ser audível sem o estetoscópio. Habitualmente ocorre em edema de glote, aspiração de corpo estranho e paralisia de cordas vocais. • Atrito pleural: pode ser ouvido e palpado tanto na inspiração quanto na expiração. Ocorre quando a integridade das pleuras parietal e visceral é acometida por alguma patologia que as deixem “ásperas”, como inflamação, infecção ou neoplasia. Em geral as pleuras parietal e visceral deslizam silenciosamente. Expansibilidade torácica Normalmente a parede torácica se expande de modo simétrico durante a inspiração profunda. É avaliada com o objetivo de verificar a expansão pulmonar e possíveis assimetrias entre os hemitórax direito e esquerdo. O procedimento consiste em colocar as mãos sobre o tórax, na borda inferior das últimas costelas, solicitando ao paciente que realize inspirações profundas.Redução bilateral na expansão do tórax são ocasionadas por doenças que afetam ambos os pulmões, como, por exemplo, em doenças neuromusculares ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Doenças respiratórias que diminuem a expansão de um pulmão, como atelectasia, derrame pleural, pneumotórax, provocam redução unilateral da expansão torácica. Frêmito toracovocal (FTV) Corresponde às vibrações das cordas vocais transmitidas à parede torácica. Para que possamos sentir essa vibração, devemos pronunciar palavras ricas em consoantes como o “trinta e três”. É avaliado com a mão do terapeuta sobre o tórax do paciente. • FTV normal: é mais nítido nos ápices do que nas bases pulmonares. • FTV diminuído: em situações que “afastem” o parênquima pulmonar da caixa torácica. Por exemplo: derrame pleural, pneumotórax. • FTV aumentado: situações que possam propagar o som até a região a ser examinada. Por exemplo: condensações pulmonares (pneumonias), desde que os brônquios estejam pérvios, pois a vibração. Não é transmitida pelo brônquio obstruído. Percussão torácica Devemos percutir o tórax de maneira simétrica e comparativa. A forma mais comum de realizar a percussão é apoiar suavemente umas das mãos do examinador no tórax do paciente com os dedos ligeiramente afastados. Com a outra mão, deve-se utilizar o terceiro dedo para percutir, sendo que a mão que percute deve ser a mais hábil. Podemos encontrar quatro sons na percussão torácica: • Som claro atimpânico: sonoridade pulmonar normal. • Som timpânico: som obtido quando existe uma quantidade de ar aumentada no parênquima pulmonar ou na caixa torácica. Por exemplo: enfisema pulmonar, crise aguda de asma e pneumotórax. • Som submaciço: som obtido quando se percute parênquima pulmonar com densidade aumentada e com diminuição da quantidade de ar devido aos espaços alveolares estarem preenchidos por líquido inflamatório ou sangue. Por exemplo: pneumonia e lesões tumorais periféricas. • Maciço: som obtido quando existe líquido entre a parede torácica e o parênquima pulmonar. Por exemplo: derrame pleural.