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AGENDA 2025: Os desafios que o Brasil enfrentará para a COP30 transformar o planeta V ID I N o 28 Tercio B orlenghi Jr. VIDI 28 | Ano 04 TERCIO BORLENGHI JR. “Os recursos naturais são finitos e essa é a única alternativa que existe para que os nossos netos e demais descendentes tenham um planeta para viver” Presidente do Grupo Ambipar “Os recursos naturais são finitos e essa é a única alternativa que existe para que os nossos netos e demais descendentes tenham um planeta para viver” www.forummulher.com.br 24 a 29 de julho de 2025 SAVE THE DATE! Iniciativa e Realização Apoio Agência Oficial Media Partners Content and Information for Leaders @mundovidi Presidente de Honra do Conselho Editorial Charles-Philippe d’Orleans Chairman Arnold Wald Filho Publishers Agostinho Turbian e Tathiana Hardt Souto Turbian Editora-Chefe Bruna Magatti Marques Conselho Editorial Jorge Pinheiro Machado (Presidente) Patrícia Iglecias, Agostinho Turbian, Thiago Turbian, Jose Renato Nalini, Elmano Nigri, Mauricio Eugenio, Luiz Flávio Borges D’Urso, José De Podestá, Mario Garnero, Thyrso Meirelles, Bruno F. Gonçalves e Paulo Dimas de Bellis Mascaretti Editor de Projetos Especiais Mauricio Eugenio Direção de Arte Purim Comunicação Visual Foto de Capa Celso Doni Fotos Adobe Stock, Premium FreePik e Divulgação VIDI é uma publicação de responsabilidade do Grupo Innsbruck de Comunicação e Eventos. Os textos assinados pelos articulistas não refletem, necessariamente, a opinião da revista VIDI. 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Angélica, 688, conj. 704 - São Paulo - SP - Brasil - Atlanta Business Tower - 01228-000 | +55 11 3663.2242 Sumário TERCIO BORLENGHI JR., presidente da Ambipar Green Pages 26 Tathiana Hardt Souto Turbian Editorial22 Embaixadores Estrangeiros e a COP30 Mundo52 Mercedes-Benz e seu objetivo de promover o desenvolvimento sustentável na produção de alumínio na região da floresta Amazônica Case de Sucesso58 Belém do Sabor, da Brasilidade e da COP30 Turismo64 Brazil Economy: portal de informações estratégicas para tomadas de decisão Empreendedorismo74 Duarte Nogueira lança livro sobre os oitos anos na Prefeitura de Ribeirão Preto Cultura80 Cientistas, empresários e políticos criam movimento de apoio à COP30 COP3046 Nas entrelinhas88 Bruna Magatti Mensagem para o planeta24 Apesar de um bom desempenho na COP29 em Baku, o Brasil enfrentará grandes desafios para fazer com que a COP30 seja transformadora para o planeta Brasil38 C EL SO D O N I 74 D IV U LG A Ç ÃO 22 VIDI Editorial altam dez meses da COP- 30, evento mundial es- petacular que discutirá temas da maior impor- tância para o futuro do planeta, de sistemas de produção, transição ener- gética, mercado de carbono, mudanças climáticas e financiamento para a sus- tentabilidade, entre outros. O evento F Agora é a nossa vez! no Pará, será uma grande oportunida- de para o Brasil tomar as rédeas como protagonista, visto que somos pioneiros na matriz energética renovável e a sus- tentabilidade na produção agropecuária com tecnologias inovadoras. Mas não é tão simples. A COP29 de Baku não trou- xe os bons resultados esperados e as conversas ainda continuam a passos len- tos. A primeira edição da VIDI de 2025 traz uma série especial que será publi- cada até novembro, quando ocorrerá a COP30. Nesta edição, a advogada e especialista em meio ambiente, Patrí- cia Iglecias, trouxe sua experiência em Baku e suas impressões sobre o que o Pará precisará para mudar o jogo. E está claro: o Brasil precisa coordenar essa agenda mundial. É fundamental que as instituições re- presentativas de todos os setores econômicos e sociais se articulem para que a agenda seja única e construtiva, não admitindo diferen- ças ou conflitos de nenhum tipo ou o pior: brasileiros falando mal do Bra- sil. Agora precisamos nos unir, como se tivéssemos ganhado o Globo de Ouro. Se der certo, o prêmio será melhor ainda. Um planeta limpo. TATHIANA HARDT SOUTO TURBIAN Publisher VIDI C A RO LI N E SO U ZA PR EM IU M F RE EP IK 24 VIDI esta nova edição da VIDI, o presidente do Grupo Ambipar traz uma frase tão simples que choca com a pró- pria simplicidade dela: “Não existe planeta B, vamos cuidar do planeta A!”. Logo aos 19 anos de idade, onde nem sonhavam com o conceito de ESG e sustentabilida- de, Tercio Borlenghi Jr. já havia entendi- do que valorizar resíduos e reintegrá-los na economia era o futuro e que apoiar a jornada das organizações em prol da sustentabilidade, da economia circular e da redução de emissões de gases do efeito estufa poderia ser um excelente negócio. Foi com este pensamento pio- Mensagem para o planeta N O que vamos deixar para as próximas gerações? neiro que hoje, a Ambipar está entre os líderes do caminho para um planeta me- lhor. O compromisso é simples: ajudar outras empresas a cuidarem do plane- ta, aliando meio ambiente e desenvolvi- mento econômico. Mas a tarefa é com- plexa, sendo executada a décadas. A primeira edição de 2025 da VIDI traz, páginas da Green Pages, a trajetória de Tercio e como a Ambipar está preparan- do o futuro para as próximas gerações. A nova editoria especial sobre a COP30 traz as novidades do evento que trará o Brasil como protagonista, o Pará como o destino da vez e a Mercedes Benz na case de sucesso! Confira nossas redes sociais (@mundovidi) e vamos juntos na transformação do planeta. BRUNA MAGATTI Editora-Chefe da Revista VIDI PR EM IU M F RE EP IK C A RO LI N E SO U ZA REALIZAÇÃO MEDIA PARTNERS Content and Information for Leaders Content and Information for Leaders OFERECIMENTO SAVETHEDATE 20/05/2025 ESPECIAL MEDIA PARTNER Os desafios da sustentabilidade: mudança cultural, investimentos, regulamentação e engajamento de stakeholders PARCERIA SOCIAL 26 VIDI Por Bruna Magatti Marques “Entendemos que o reaproveitamento dos resíduos contribui para a circularidade da economia, o que representa o futuro da indústria” ercio Borlenghi Jr. é um empresário brasileiro que tem como missão de vida tornar o mundo mais sus- tentável. Aos 19 anos, quando começou a traba- lhar com gestão de resí- duos, enxergou que boa parte de tudo que era descartado poderia ser reaproveitado. Foi do seu espírito empreendedor e do olhar atento ao potencial do cuidado com o meio ambiente que surgiu a ideia de criar, em 1995, a Ambitec,escola Domingos Canesin pe, um projeto apresentado, compro- missos assumidos, uma equipe técnica e eu tinha que fazer funcionar: pagar conta, pagar dívidas bilionárias e fazer entregas. O que a gente fez? Adotamos alguns segredinhos, que são de fácil compreensão. Os cinco P’s. Primeiro P é priorizar. Não dá para fazer tudo de 82 VIDI uma vez, você tem que escolher o que tem que ser feito antes, para depois en- tregar e depois vir o que pode ser feito depois. Segundo P é planejar. Você reú- ne todos os elementos necessários para entrega de compromissos, seja na área social, na área de infraestrutura, segu- rança, mobilidade urbana, saneamento básico, destinação final dos resíduos, da melhor maneira entre o uso de recursos humanos financeiros, insumos e um ati- vo importantíssimo na administração pú- blica que é o ativo tempo. Porque você só tem quatro anos para cumprir com tudo aquilo que você disse que ia fazer. O ter- ceiro P é propagar, que é o que eu estou fazendo aqui com você. O prefeito da ci- dade tem que ser o Silvio Santos do mu- nicípio. Ele está o tempo todo convidando as pessoas, informando as pessoas para que elas trabalhem favoravelmente para que as coisas deem certo e elas possam desfrutar do resultado dessas conquis- tas. O quarto P é persistir. Não descansar. Não vai ter nada que vai impedir você de buscar aquele seu objetivo. Não pode ter cansaço, pois problemas vão ser encon- trados no meio do caminho e você tem que buscar a solução e o resultado. E o quinto P é perenizar. A sociedade fez uma repactuação de uma política pública que ela entendeu ser o melhor caminho, nor- matizando isso. Essa foi uma mecânica de metodologia que a gente utilizou. E além disso, obviamente, fomos buscar os elementos das cidades inteligentes”. Nogueira também explicou a cronolo- gia dos livros lançados: Cultura FE RN A N D O G O N ZA G A Concretagem Viaduto Thomaz Brasil www.thewinners.com.brTV GCSM The Winners - Prime Leaders Magazine @revistathewinners GOLDEN PAGES A Golden Pages by The Winners foi criada com base na The Winners Prime Leaders Magazine. Por meio dela é possível pulverizar não apenas a personalidade de líderes e gestores que fazem a diferença no Brasil e no mundo, mas ações, realizações, ideais que podem contribuir no desenvolvimento da sociedade e servir de inspiração. Fale com nossa equipe Estamos prontos para desenvolver a sua edição especial! comercial@editorai.com.br VOCÊ EM DESTAQUE! 84 VIDI Cultura D IV U LG A Ç ÃO “O primeiro livro, que é ‘Vida e Obra de um Líder’, foi feito na emoção e no carinho, que foi quando eu produzi a biografia do meu pai. A minha mãe havia falecido em 2015 e o lancei em fevereiro de 2019. O segundo livro já foi mais na razão e na responsabilida- de, ao contar como vencemos a elei- ção de 2016, montando o governo de transição e como nós transformamos a cidade de Ribeirão Preta de cidade quebrada e totalmente com baixo esti- ma nas páginas policiais, em uma cida- de mais próspera e que se desenvolve buscando a sustentabilidade e sobretu- do, a qualidade de vida dos seus cida- dãos. E estou lançando agora o último livro, que segue essa linha de desafios e soluções, o ‘Reconstruindo o Futuro’, que mostra como reconstruímos a ci- dade nesses oito anos, através de uma grande equipe, conversando com a so- ciedade, enfrentando desafios, algumas incompreensões, mas sempre na linha de procurar agir com a mais extrema prudência. Fazer a coisa certa do jeito certo, na hora certa”. Confira a entrevista completa: Content and Information for Leaders CONFIRA AS EDIÇÕES DA ECONOMY&LAW no aplicativo da The Winners Prime Leaders Magazine (Apple Store para IOS e Google Play para Android) e nas principais bancas digitais Disponível na Disponível na 88 VIDI • A temperatura média global do planeta em 2024 ultrapassou pela primeira vez a marca de 1.5°C, comparado aos níveis pré-industriais, ao longo de 11 meses. A temperatura média global ficou 1.6°C mais quente, comparado ao período de 1850- 1900. Estamos falando de ‘alertas’ que a ciência está emitindo há muito tempo O Papa Francisco nomeou a primeira mulher para liderança de um departamento importante do Vaticano: a irmã italiana Simona Brambilla, 59 anos, vai dirigir o Dicastério do Vaticano para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica Três companhias brasileiras aparecem entre as cem empresas mais sustentáveis do mundo, de acordo com a Corporate Knights: Banco do Brasil (17), Engie Energia (21) e Telefônica (74). Acesse a lista: 2024 AMÉM! RANKING D IV U LG A Ç ÃO D IV U LG A Ç ÃO PR EM IU M F RE EP IK Por VIDI Nas entrelinhas • Em 2024, desastres climáticos relacionados à água causaram a morte de mais de 8.700 pessoas, o deslocamento de 40 milhões e danos econômicos acima dos US$ 550 bilhões CONFIRA AS EDIÇÕES DA THE WINNERS nas principais bancas digitais 90 VIDI Nas entrelinhas SOBE E DESCE Na contramão do Vale do Silício, a fabricante do iPhone defende publicamente a manutenção de seus programas de diversidade, desafiando acionistas que pedem o fim das iniciativas de inclusão. “A proposta é desnecessária, já que a Apple tem um programa de compliance bem estabelecido”, afirmou o conselho da empresa APPLE A empresa alterou a política contra discurso de ódio em posts no Instagram, Facebook e Threads, passando a permitir que termos referentes a doenças mentais sejam associados a gênero ou orientação sexual, anunciando também o fim da checagem de fatos nas plataforma META Os maiores bancos dos Estados Unidos estão deixando as principais coalizões climáticas do setor bancário do mundo, atraindo o desprezo de ativistas que temem que a indústria financeira esteja perdendo o que pareceu ser determinação de tomar medidas de redução de crédito para projetos envolvendo combustíveis fósseis BANCOS DE WALL STREET Com a meta de restaurar até 35 mil hectares em sete anos, a iniciativa Floresta Viva recebeu um investimento de R$ 10 milhões do BNDES e da Heineken para realizar uma primeira ação de reflorestamento na Caatinga BNDES X HEINEKEN O Departamento do Trabalho dos EUA disse que firmou um acordo com a JBS USA (unidade norte-americana da JBS SA do Brasil) pelo qual a empresa fornecerá 4 milhões de dólares para ajudar indivíduos e comunidades afetados por práticas ilegais de trabalho infantil JBS Depois de um ano marcado pela tragédia climática no Rio Grande do Sul, queimadas recordes no Pantanal e seca histórica na Amazônia, o governo federal decidiu reduzir o orçamento usado para gerenciar e reduzir riscos de desastres ambientais GOVERNO FEDERAL CONFIRA AS EDIÇÕES DA VIDI nas principais bancas digitais 90 VIDI Nas entrelinhas SOBE E DESCE Na contramão do Vale do Silício, a fabricante do iPhone defende publicamente a manutenção de seus programas de diversidade, desafiando acionistas que pedem o fim das iniciativas de inclusão. “A proposta é desnecessária, já que a Apple tem um programa de compliance bem estabelecido”, afirmou o conselho da empresa APPLE A empresa alterou a política contra discurso de ódio em posts no Instagram, Facebook e Threads, passando a permitir que termos referentes a doenças mentais sejam associados a gênero ou orientação sexual, anunciando também o fim da checagem de fatos nas plataforma META Os maiores bancos dos Estados Unidos estão deixando as principais coalizões climáticas do setor bancário do mundo, atraindo o desprezo de ativistas que temem que a indústria financeira esteja perdendo o que pareceu ser determinação de tomar medidas de redução de crédito para projetos envolvendo combustíveis fósseis BANCOS DE WALL STREET Com a meta de restaurar até 35 mil hectares em sete anos, a iniciativa Floresta Viva recebeu um investimento de R$ 10 milhões do BNDES e da Heineken para realizar uma primeira ação dereflorestamento na Caatinga BNDES X HEINEKEN O Departamento do Trabalho dos EUA disse que firmou um acordo com a JBS USA (unidade norte-americana da JBS SA do Brasil) pelo qual a empresa fornecerá 4 milhões de dólares para ajudar indivíduos e comunidades afetados por práticas ilegais de trabalho infantil JBS Depois de um ano marcado pela tragédia climática no Rio Grande do Sul, queimadas recordes no Pantanal e seca histórica na Amazônia, o governo federal decidiu reduzir o orçamento usado para gerenciar e reduzir riscos de desastres ambientais GOVERNO FEDERAL CONFIRA AS EDIÇÕES DA VIDI nas principais bancas digitaisque nasceu O presidente do Grupo Ambipar, TERCIO BORLENGHI JR., traz sua trajetória e os desafios de transformar uma empresa criada em 1995, em um grande Grupo que atualmente é líder na conciliação do mercado e a indústria com a sustentabilidade Green Pages T 26 VIDI num momento no qual a pauta ambien- tal ainda engatinhava e a agenda ESG nem tinha essa nomenclatura. Foi essa visão de mundo que deu origem ao ne- gócio que se transformou no que é hoje a Ambipar. À época, o conceito de cir- cularidade já existia na cabeça do em- preendedor. Isso aconteceu antes mes- mo do termo Economia Circular ganhar notoriedade no Brasil. Tercio entendeu que valorizar resíduos e reintegrá-los na economia era o futuro e que apoiar a jornada das organizações em prol da VIDI 27 CE LS O D O N I 28 VIDI Green Pages sustentabilidade, da economia circular e da redução de emissões de gases do efeito estufa poderia ser um excelente negócio. E assim nasceu a Ambipar. Uma empresa que reflete a visão empreen- dedora e o compromisso de seu funda- dor com os seguintes pilares: não existe planeta B; quando o tema é meio am- biente, a maior responsabilidade, tanto da sociedade civil como das empresas, é preservá-lo para as futuras gerações. Atualmente, a companhia possui duas verticais de negócio, a Ambipar Respon- se, que atua em emergências ambien- tais e climáticas, e a Ambipar Environ- ment, focada em soluções ambientais Com ajuda de tecnologia e auxiliada por um Centro de Pesquisa, Desenvol- vimento e Inovação, a Ambipar hoje é uma multinacional brasileira, líder glo- bal em soluções ambientais, com atua- ção em 41 países, em seis continentes, com 23 mil colaboradores e detentora de 25 patentes de soluções ambientais que auxiliam outras empresas a serem mais sustentáveis. Conta com equipes de biólogos, oceanógrafos, geólogos, geógrafos e engenheiros e oferece ser- viços de reabilitação de fauna e flora, licenciamento, auditoria e diligência am- biental, remediação de solo, estudos de risco, elaboração e execução de progra- mas de monitoramento ambiental e ge- ociências. O portfólio também inclui os planos de resposta à emergência, para evitar contaminações e mitigar impactos ambientais. As soluções desenvolvidas pela empresa são complementares e envolvem a gestão e a valorização de resíduos, a descarbonização, a econo- mia circular e a consultoria em ESG. Entre as tecnologias de coleta de resí- duos pós-consumo estão máquinas que entregam soluções para o recolhimento de embalagens para a reciclagem, com a possibilidade de gerar descontos aos usuários. A empresa desenvolve ain- da parceria com cooperativas de reci- clagem, em projetos que possuem um forte impacto social e oferece serviços de apoio para empresas, pessoas e en- tidades diante do desafio de compensar as emissões de gases de efeito estufa. Na frente de combate às mudanças cli- máticas, a empresa gera créditos de carbono em projetos de conservação florestal, Redução de Emissões prove- nientes de Desmatamento e Degrada- ção Florestal (REDD+) e restauração florestal Afforestation, Reforestation e Revegetation (ARR). 28 VIDI Temos como compromisso ajudar outras empresas a cuidarem do planeta, aliando meio ambiente e desenvolvimento econômico VIDI 29 VIDI 29 Atualmente, a Ambipar possui pro- jetos de conservação e restauração de florestas que contribuem para a recu- peração do solo, preservação dos re- cursos hídricos, desenvolvimento da fauna e flora local. Seu portfólio conta com projetos dedicados à preservação de mais de 2,5 milhões de hectares na Amazônia, com potencial de geração 5 milhões de toneladas de crédito de car- bono por ano. Com isso, a empresa via- biliza programas criados para minimizar os impactos gerados pelas mudanças climáticas e atua, por meio da Ambify, uma plataforma de tokens que simpli- fica projetos de neutralização e a redu- ção de pegada de carbono de clientes e parceiros. A expansão dos negócios para a criação de uma plataforma completa de soluções ambientais foi impulsiona- da a partir dos processos de abertura de capital. Em 2020, a companhia estreou na B3, no Brasil, e em 2021, a Ambipar Response fez o mesmo na Bolsa de Valo- res de Nova York, a Nyse. Após os IPOs, foram realizadas diversas aquisições que transformaram a Ambipar na empresa que é hoje. Como resultado, a compa- nhia subiu 147 posições no ranking Valor 1000, além de, em 2024, ser reconheci- G U IL H ER M E LI M A 30 VIDI Green Pages 30 VIDI da como ação verde (green equity) pela B3 e certificada pela Standard & Poors, sendo a primeira empresa privada da América Latina a obter tal certificação. O reconhecimento veio após a companhia comprovar que mais de 50% das suas re- ceitas advêm de negócios sustentáveis, além de operar com menos de 5% do fa- turamento proveniente de combustíveis fósseis. A empresa também foi eleita por quatro vezes a melhor desenvolvedo- ra de projetos florestais do mundo pelo Green Project Awards, prêmio interna- cional que reconhece produtos e servi- ços sustentáveis. Para conduzir todo o processo de integração das aquisições, em junho de 2023, Tercio, que estava na presidência do Conselho, retornou para o cargo de diretor-presidente da companhia. Sua liderança trouxe mais confiança e segurança aos investidores no futuro da companhia e um grande crescimento da empresa. Isso resultou, também, da expansão das atenções do mercado para o tema sustentabilidade — e apoiado pela expertise desenvolvi- D IV U LG A Ç ÃO André Passos Cordeiro e Tercio, firmando a parceria entre Abiquim e Ambipar VIDI 31 VIDI 31 da pela Ambipar em diversos segmentos e sua capacidade de oferecer serviços e produtos completos voltados à gestão ambiental, incluindo economia circular, regeneração, transição energética, des- carbonização, prevenção, gestão e res- posta a emergências e crises climáticas. Nas próximas páginas, Tércio fala sobre sua trajetória e os desafios da Ambipar em controlar os números do mercado e ser líder no caminho da sus- tentabilidade rumo ao futuro, ao mesmo tempo. Confira! VIDI – Você fundou a Ambipar em 1995, um momento onde a pauta am- biental não era tão valorizada quanto atualmente. Como surgiu a ideia inicial e como foi esse processo? Tercio Borlenghi Jr. – Aos 19 anos eu co- mecei a atuar com gestão de resíduos. Olhando todo aquele material, percebi que boa parte de tudo que era descartado poderia ser reaproveitado. Foi então que em 1995 fundei a Ambipar, uma empre- sa para valorizar os resíduos descartados com foco na descarbonização e na eco- nomia circular. Em 2008, criei a empresa que se tornou a Ambipar Response, para atendimento de emergências climáticas e ambientais. Desse modo criei um ecos- sistema visando sempre a proteção do Planeta e da sociedade. VIDI – Em 2023 você voltou ao comando da empresa, em um momento em que a Ambipar enfrentava o desafio de reener- gizar seu ritmo de crescimento. Após mais de um ano, como você enxerga o cenário da companhia no mercado? TBJr. – A Ambipar está colhendo os frutos do período pós abertura de capi- tal e de todos esses 30 anos de história, completados este ano. Aumentamos de tamanho e agora, estamos em processo de integração das empresas que adquiri- mos após os IPOs. Ampliamos o nosso le- que de atuação dentro das soluções am- bientais, desenvolvendo uma plataforma de serviços no formato one stop shop, ou seja, capaz de atender praticamente todas as demandas de sustentabilidade e responsabilidade ambiental dos nos- sos clientes. Em 2024, fechamos muitas parcerias com empresas, associações e instituições comprometidas com a sus- tentabilidade, com o estabelecimento de metas internas, redefinimos as nossas prioridades e expandimos a nossa atu- ação para 41 países, em 6 continentes. Com isso, vejo a Ambipar cada vez mais assumindo o seu papelde liderança glo- bal na oferta de soluções ambientais. É responsabilidade da nossa geração começar a compensar e mitigar todo o impacto ambiental gerado até agora 32 VIDI Green Pages 32 VIDI VIDI – A Ambipar é líder em gestão am- biental e constantemente anuncia no- vos projetos e iniciativas voltadas para a sustentabilidade no Brasil todo. Dentro de um cenário atual, onde as empresas começam a se movimentar para trazer o ESG em suas políticas e se aproximar de seus consumidores que se preocupam cada vez mais com a questão, quais são os desafios em ser o fundador e CEO de uma empresa que respira a pauta? TBJr. – Temos como compromisso ajudar outras empresas a cuidarem do planeta, aliando meio ambiente e desen- volvimento econômico. Aqui, entendemos que o reaproveitamento dos resíduos con- tribui para a circularidade da economia, o que representa o futuro da indústria. Os recursos naturais são finitos e essa é a única alternativa que existe para que os nossos netos e demais descendentes te- nham um planeta para viver. É respon- sabilidade da nossa geração começar a compensar e mitigar todo o impacto am- biental gerado até agora. As mudanças climáticas estão aí. É cada vez maior a recorrência de secas extremas e enchen- tes que afetam a produção de alimentos e colocam em risco a existência de diversas espécies de animais e até a segurança fí- sica e alimentar das pessoas. O planeta é um só. Se não cuidarmos dele, estamos colocando em risco a nossa própria sobre- vivência como seres humanos. VIDI – Durante o Climate Week 2024, em Nova York, a Ambipar anunciou o serviço “Net Zero as a Service”, uma solução desenvolvida em parceria com a SAP, que tem como objetivo apoiar empresas na gestão de suas emissões de carbono e na busca pela neutralida- de. Também foi anunciada a parceria com a Dow Química para expandir a oferta de resina feita 100% de material reciclado. Poderia nos contar mais so- bre essas novidades? TBJr. – Por meio da parceria firmada entre a Ambipar e SAP oferecemos aos clientes o serviço ‘Net Zero as a Service’, em apoio ao combate às mudanças cli- máticas. O serviço combina as robustas soluções em nuvem da SAP, que incluem o SAP Sustainability Footprint Manage- ment, SAP Green Token, SAP Sustaina- bility Data Exchange and SAP Sustaina- bility Control Tower, associados à nossa Acordo SAP e Ambipar: Pedro Correa e Tercio Borlenghi Junior D IV U LG A Ç ÃO VIDI 33 VIDI 33 expertise na geração e comercialização de créditos de carbono. Com isso, a Am- bipar ajuda os clientes da SAP a geren- ciar e compensar emissões de carbono de forma integrada. Isso é possível a partir de uma plataforma que foi desen- volvida pelas equipes da SAP e da Ambi- par na América Latina. A ferramenta for- nece aos clientes globais soluções para toda a jornada de descarbonização, po- dendo neutralizar emissões adquirindo créditos de carbono internacionalmente certificados por meio da plataforma de tecnologia da Ambipar, a Ambify. Já a Dow tem um forte compromisso com a Economia Circular, o que é um desafio para a indústria química. Por isso, a em- presa buscou a Ambipar para cooperar com ela na coleta de material reciclável e no desenvolvimento de tecnologias capazes de transformar os diversos re- síduos plásticos em novas resinas. Essa parceria envolve tanto as unidades de negócio de gestão de resíduos e indús- trias da Ambipar, quanto os centros de P, D&I de ambas as empresas. VIDI – O mercado de carbono foi apro- vado no Brasil ao mesmo tempo que o acordo para a pauta foi aprovado na COP 29, em novembro, sob críticas dos especialistas que acreditam na falta de debate para instaurar o mercado regu- lado. Qual sua opinião sobre o panora- ma do mercado de carbono no Brasil e no mundo, neste momento? Tercio Borlenghi Junior e Leticia Jensen – Vice-Presidente de Embalagens e Plásticos de Especialidades para a Dow América Latina D IV U LG A Ç ÃO 34 VIDI Green Pages 34 VIDI TBJr. – A sanção da lei que regula- menta o mercado de carbono no Brasil fortalece o trabalho conjunto entre os mercados regulado e voluntário, o que possibilita às empresas com metas de descarbonização utilizarem créditos vo- luntários como solução complementar. Essa legislação envia uma mensagem clara ao mundo: de que o Brasil está comprometido com o mercado de car- bono e que o entende como ferramen- ta essencial para apoiar na redução das emissões dos gases de efeito estufa. Além disso, a lei vai colaborar com as regulamentações internacionais, como o Artigo 6.4 do Acordo de Paris, que per- mite a troca bilateral de créditos entre países. Mas, para o Brasil maximizar essa oportunidade, será fundamental in- vestir em acordos bilaterais e fortalecer a diplomacia climática. VIDI – Qual o objetivo da Ambipar com o acordo fechado com a Be8, durante o Fórum Econômico Mundial, em Da- vos, para uso de biocombustíveis para abastecer operações e equipamentos da companhia? TBJr. – O acordo da Ambipar com a Be8 tem como objetivo nos ajudar no processo de descarbonização das nos- sas operações. Em 2023, 91,6% de toda a energia que consumimos foi pro- veniente de fontes renováveis, como energia solar, hidrelétrica e eólica, ad- quirida no mercado livre e com certifi- cado I-REC, que garante a rastreabili- dade da energia consumida. Nosso foco é promover transição energética ali- nhada aos nossos valores de economia circular e descarbonização, mas ainda temos uma parte da operação que uti- liza combustíveis fósseis, que resultou em emissões de 80,6 mil toneladas de CO₂ equivalente, considerando as emis- sões diretas de combustão móvel (Es- copo 1) e emissões indiretas (Escopo 3), em 2023. Por isso, temos buscado continuamente reduzir essas emissões por meio de tecnologias mais limpas e uma maior integração de combustíveis alternativos em nossas operações. O biocombustivel da Be8, o Be8 BeVant, foi visto como uma alternativa por ser capaz de ser utilizado 100% puro subs- tituindo o diesel para reduzir em mais de 90% as emissões de gases de efeito estufa no uso em veículos em compara- ção ao diesel. Na primeira fase de tes- tes, vamos utilizá-lo em 10 caminhões, uma embarcação e equipamentos de uma operação de gestão de resíduos que ainda adotam combustíveis fósseis. A partir dos resultados, vamos analisar a possibilidade de ampliar a utilização em nossas frotas e de parceiros. VIDI – A Ambipar sempre esteve enga- jada com as instituições de ensino. Um grande destaque foi a parceria com a Universidade Mackenzie para promo- ver a valorização de resíduos e a eco- nomia circular no desenvolvimento dos profissionais. Agora, a parceria é com a USP, para promover as pesquisas de economia circular, em especial com o biodigestor de resíduos orgânicos e tornar a USP uma das primeiras univer- sidades carbono neutro do país. Pode- ria nos contar mais sobre? VIDI 35 VIDI 35 TBJr. – A Ambipar investirá R$ 5 mi- lhões e apoiará a USP no desenvolvimen- to de iniciativas de descarbonização para que a universidade seja carbono neutro até o fim de 2025. Com isso, a Univer- sidade de São Paulo se tornará uma das primeiras universidades no mundo com esse título. Para a promoção das pesqui- sas, foi inaugurado no fim do ano o USP proClima, que fica no campus da uni- versidade em São Paulo. Ele terá cinco áreas de pesquisas, sendo Gerenciamen- to de Carbono e Soluções Baseadas na Natureza, Prevenção de Desastres, ESG, Economia Circular, Gestão de Resíduos Sólidos e Geração de Energia Renovável. No centro de pesquisa, serão utilizadas tecnologias como energia fotovoltaica e biodigestor, um sistema inovador que transforma resíduo orgânico em energia, licenciado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), modelo que pode ser replicado em diversas ci- dades. O USPproClima é coordenado pela professora Patrícia Iglecias, que foi secretáriado meio ambiente do estado de São Paulo e presidente da CETESB e é conselheira de sustentabilidade da Am- bipar e tem entre os conselheiros a ex- -ministra do Meio Ambiente e presidente do Comitê Global de Sustentabilidade da Ambipar, Izabella Teixeira, além de espe- cialistas, pesquisadores e docentes, que atuarão em parceria com a empresa para desenvolver soluções que beneficiem a sociedade e o planeta. VIDI – Com os Millenials e a Geração Z dominando a internet, ditando as novas tendências do mercado e mos- trando-se cada vez mais preocupados com o consumo consciente e impacto ambiental, como o senhor enxerga o futuro do planeta? G U IL H ER M E LI M A Tyler Li - presidente da BYD, Stella Li - CEO da BYD Américas e Tercio, firmando parceria estratégica para transformar desafios ambientais em soluções inovadoras 36 VIDI Green Pages 36 VIDI TBJr. – O futuro do planeta é hoje. Se não cuidarmos do planeta hoje, não te- remos nada amanhã. Não existe plane- ta B e, independentemente da geração, é dever de todos cuidar do planeta A, esse que temos. No entanto, eu vejo a juventude muito mais engajada, co- nectada com o meio ambiente e com o olhar mais atento para a sustenta- bilidade no cotidiano, mais consciente em relação ao consumo e à economia circular, mais preocupada em reciclar, em separar o lixo, em preservar as matas e florestas e sensibilizada com as mudanças climáticas. O olhar dessa juventude para a sustentabilidade bem como essas pequenas ações no dia a dia são muito importantes para o pre- sente e para o futuro porque é o que semeamos hoje que garantirá um pla- neta amanhã. VIDI – O que podemos esperar da Ambipar para 2025 e o futuro? TBJr. – Em 2025, a Ambipar está com um foco muito grande na integração de seus processos, bem como na con- solidação da sua posição de liderança, ampliando sua atuação e buscando si- nergias que resultem em mais solidez financeira e excelência na sua atuação. Seguiremos ampliando nossa atuação global, desenvolvendo parcerias que ajudem a impulsionar a adoção de pro- cessos sustentáveis na cadeia produti- va, além de continuar trabalhando nas respostas em emergências, que estão cada vez mais urgentes em meio ao cenário de mudanças climáticas. Se- guiremos apoiando nossos clientes e parceiros na busca por soluções que os tornem cada vez mais sustentáveis. Queremos ainda trabalhar bastante em prol de resultados positivos na COP30, em novembro, no qual vemos uma ex- celente oportunidade para o Brasil lide- rar o avanço na agenda de redução das emissões de gases do efeito estufa e na busca por financiamento do proces- so de descarbonização da economia de países em desenvolvimento, com foco em compensação e mitigação. Eu vejo a juventude muito mais engajada, conectada com o meio ambiente e com o olhar mais atento para a sustentabilidade no cotidiano, mais consciente em relação ao consumo e à economia circular, mais preocupada em reciclar, em separar o lixo, em preservar as matas e florestas e sensibilizada com as mudanças climáticas VIDI 37 VIDI 37 Livro: Ecomodernismo – as setes faces da ecologia política, do filósofo Luc Ferry Filme: Lixo extraordinário, de Vik Muniz Música: clássica Ping Pong VIDI Hobby: o trabalho Maior sonho: diminuir a pobreza no planeta Sua mensagem para o mundo: Não existe planeta B, vamos cuidar do planeta A! C EL SO D O N I 38 VIDI Por Patrícia Iglecias* e Gabriel Wedy** 38 VIDI Brasil A D O BE S TO C K VIDI 39 VIDI 39 Emergência Climática: a Agenda 2025 Apesar de um bom desempenho na COP29 em Baku, o Brasil enfrentará grandes desafios para fazer com que a COP30 seja transformadora para o planeta 40 VIDI Brasil a COP28, em Dubai, pela primeira vez des- de que as nações co- meçaram a se reunir, há três décadas, para enfrentar as mudanças climáticas, foi aprova- do um pacto global que pede explici- tamente uma transição energética que afaste em definitivo a humanidade dos combustíveis fósseis, como o petróleo, o gás e o carvão, que estão entre os principais fatores do aquecimento do planeta em decorrência de ações an- trópicas. Entretanto, passados mais de um ano, as notícias sobre o tema não N são positivas, pois carecemos de ações efetivas no sentido do cumprimento do compromisso assumido em Dubai, como podemos constatar nos debates dos quais participamos em Baku, no Azerbaijão, e também daqueles outros que podemos acompanhar de perto du- rante a 29ª. Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática. Ali- ás, referida COP apresentou resultados pífios, o que reforça a necessidade da adoção de medidas efetivas, com me- tas mensuráveis, de modo a promover efetivos avanços na agenda climática. Uma notícia positiva proporcionada pela agenda climática de nosso país foi o anúncio da BIP – Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e Transforma- ção Ecológica, cujo objetivo central é mobilizar capital em apoio aos planos de transformação ecológica. A ideia é alinhar recursos financeiros nacionais e internacionais com as metas climáticas brasileiras, conforme estabelecido na nossa NDC, também apresentada em Baku no final do último ano. Os setores prioritários são energia renovável, bio- economia, descarbonização industrial e mobilidade urbana sustentável, de for- ma a contribuir para uma economia de baixo carbono. Agora, após o anúncio oficial ocorrido em novembro do ano passado, espera-se a divulgação de projetos concretos e que possam pro- porcionar uma descarbonização profun- da da economia. O planeta clama por ajuda! Como amplamente divulgado, 2024 foi o ano mais quente da história, no qual pela primeira vez a temperatura global es- *PATRÍCIA IGLECIAS - Professora e Superintendente de Gestão Ambiental da USP; Coordenadora do USPproCLIMA – Centro de Inovação em Clima e Sustentabilidade da USP; Presidente do Instituto o Direito por um Planeta Verde; Sócia de Iglecias Advogados; Foi Secretária do Meio Ambiente de São Paulo e Presidente da CETESB D IV U LG A Ç ÃO VIDI 41 Os setores prioritários são energia renovável, bioeconomia, descarbonização industrial e mobilidade urbana sustentável, de forma a contribuir para uma economia de baixo carbono **GABRIEL WEDY - Juiz federal, professor do PPG em Direito da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, pós-doutor, doutor e mestre em Direito, visiting scholar pela Columbia Law School e pela Universität Heidelberg, integrante da IUCN World Comission on Environmental Law (WCEL), do European Law Institute (ELI), vice-presidente nacional do Instituto O Direito Por um Planeta Verde (IDPV) e ex-presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) D IV U LG A Ç ÃO teve acima do limite de 1,5oC superior a média de 1850 a 1900, superando o limiar climático, conforme dados do ob- servatório Copernicus, da União Euro- peia. Isso não significa a frustração da meta de longo prazo, mas impõe gran- des desafios para o seu cumprimento, inclusive colocando um peso maior so- bre as iniciativas que precisam ser im- plantadas em 2025, bem como sobre a COP30, que ocorrerá em Belém, tendo o Brasil como anfitrião. Mal encerrou o ano de 2024, que foi repleto de even- tos extremos como o desastre ambien- tal ocorrido em maio no Rio Grande do Sul e as queimadas na Amazonia, o ano de 2025 inicia com os incêndios flores- tais na Califórnia mostrando claramente que os efeitos nefastos do aquecimento global não atingem somente as nações mais vulneráveis aos eventos climáticos extremos e/ou países em desenvolvi- mento. Por sinal, Eric Holthaus, meteo- rologista, afirmou no The Guardian, de 9 de janeiro do corrente ano, que Los Angeles teve apenas 2% da chuva que normalmente ocorre no início da tempo- rada chuvosa. Segundo ele, houve uma mistura de condições climáticas sem precedentes que contribuiu para os in-cêndios no Sul da Califórnia: a falta de chuva somada à histórica tempestade de vento Santa Ana, com rajadas de até 160 km/h, algo próximo à força de um furacão. Conforme referido pelo cientis- ta, o impacto desta catástrofe ambien- 42 VIDI Brasil tal é de dezenas de bilhões de dólares. Os incêndios Palisades e Eaton, ocorridos perto de Pasadena, apenas para exem- plificar, estão classificados como os mais destrutivos da história de Los Angeles, atingindo mais de 13 mil hectares. Tais desastres climáticos, mais uma vez, reforçam a necessidade de elimi- nação progressiva dos combustíveis fósseis da economia, com a prometida e necessária transição energética previs- ta com todas as letras no bojo do Acor- do de Dubai. Segundo os cientistas, as nações devem reduzir as suas emissões de gases com efeito estufa em cerca D IV U LG A Ç ÃO O vice-presidente e Ministro, Geraldo Alckmin, em Baku, durante a COP29, com a comitiva brasileira Segundo os cientistas, as nações devem reduzir as suas emissões de gases com efeito estufa em cerca de 43% durante esta década se quiserem limitar o aquecimento global total VIDI 43 D IV U LG A Ç ÃO Professora Fernanda Brando, da Universidade de São Paulo, Ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara e Patrícia Iglecias Ministro Herman Benjamin, Presidente do STJ e Patrícia Iglecias de 43% durante esta década se quise- rem limitar o aquecimento global total. Resta saber se os países vão cumprir o mencionado Acordo e, por outro lado, se o cético Presidente Donald Trump vai cumprir sua promessa de retirar os Es- tados Unidos do Acordo de Paris (não é demais lembrar que quando do seu últi- mo mandato, em outra situação de gra- ves incêndios florestais, ele negou aju- da financeira ao já mencionado estado da Califórnia). Por outro lado, há uma questão primordial: é preciso recursos para a mitigação das emissões de GEE. Nesse sentido, a COP de Baku terminou com resultado frustrante em NCQG, a nova meta de financiamento para os pa- íses em desenvolvimento fazerem suas ações climáticas, ajustado em US$ 300 bilhões por ano até 2035, valor conside- rado insuficiente para as devidas ações. Além disso, esperava-se a previsão de aportes e financiamentos apenas de fon- tes públicas, mas ao contrário, previu-se também que estes recursos venham de grupos financeiros privados, o que au- menta a possibilidade de endividamento dos países mais pobres e vulneráveis. Os países estão em fase de atualização das NDCs, que são compromissos assu- midos e apresentados pelas nações e, considerando os tantos eventos extre- mos ocorridos no último ano, a expec- tativa é que estes possam refletir maior ambição para que seja possível limitar o aumento da temperatura média global. É imperativa a redução das emissões, com uma transição profunda para energias mais limpas, como a solar, a eólica e o hi- drogênio de baixo carbono, por exemplo. D IV U LG A Ç ÃO 44 VIDI Incluem-se, ainda, neste pacote verde, a restauração ecológica e a agricultura regenerativa, bem como o fortalecimento da bioeconomia, com apoio para a inovação e o empreendedorismo, com o desenvolvimento pautado na conservação da biodiversidade Brasil Assim, diante da realidade desse iní- cio de 2025, o papel do Brasil como anfi- trião da COP 29 mostra-se fundamental como indutor da adoção das soluções baseadas na natureza, como a restau- ração de mangues, recifes de corais e florestas. Estas medidas podem amor- tecer os impactos de eventos extremos como ciclones e grandes tempestades, protegendo a costa e regulando o clima local. Incluem-se, ainda, neste pacote verde, a restauração ecológica e a agri- cultura regenerativa, bem como o for- talecimento da bioeconomia, com apoio para a inovação e o empreendedorismo, com o desenvolvimento pautado na con- servação da biodiversidade. Na agenda urbana, a gestão de resíduos sólidos e a geração de energia a partir dos resídu- os como formas relevantes de promover a economia circular, além da descarbo- nização da economia, em especial de setores como aço, alumínio e cimento. Está presente entre nós, igualmente, um desafio que é global: a educação ambiental e climática das comunidades que leve a mudança de postura, com adaptação e planejamento urbano vi- sando a resiliência. Não são pequenos, portanto, os desafios impostos pelo aquecimento global ante a humanidade que necessitará, dentro de uma pers- pectiva holística, de boa governança, calcada em princípios éticos, indissoci- áveis da ciência e, acima de tudo, do bom senso dos grandes players públi- cos e privados, nos cenários doméstico e internacional. Os entes estatais, entes privados e players têm o dever constitu- cional de concretizar os direitos funda- mentais ao meio ambiente equilibrado e a um sistema climático estável em be- nefício das presentes e futuras gerações de seres humanos e não humanos. Geraldo Alckmin e Patrícia Iglecias D IV U LG A Ç ÃO 46 VIDI Por VIDI 46 VIDI COP30 A PE XB RA SI L/ D IV U LG A Ç ÃO VIDI 47 Cientistas, empresários e políticos criam movimento de apoio à COP30 Mais de 130 personalidades de diferentes áreas defende novas estratégias ambientais no Pará em preparação para receber conferência do clima da ONU VIDI 47 48 VIDI COP30 m grupo de 138 nomes de destaque em diver- sas áreas no Brasil se reuniu para formar o Todos Pela COP30, mo- vimento que preten- de traçar planos para apoiar e amplificar o potencial do even- to no combate às mudanças climáticas. A 30ª conferência da ONU sobre mu- danças climáticas, que reunirá líderes mundiais, pesquisadores, ONGs e so- ciedade civil, está marcada para ocor- rer de 10 a 21 de novembro de 2025 em Belém. Os nomes que assinam o manifesto do coletivo vão da ciência ao U entretenimento, como o climatologista Carlos Nobre, reconhecido internacio- nalmente por suas pesquisas na área, e o apresentador de TV e empresário Luciano Huck, que tem investimentos na área ambiental. No coletivo, com- posto por 47 mulheres e 91 homens, estão ainda o economista Arminio Fra- ga, ex-presidente do Banco Central; Candido Bracher, ex-presidente do Itaú Unibanco e o engenheiro agrônomo Guto Quintella, que já ocupou o car- go de diretor global da Vale. Políticos como o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), a vice-governadora do estado, Hana Ghassan (MDB), e a deputada federal Tabata Amaral (PSB) também fazem parte do grupo. Em carta publicada pelo movimento em anúncios na imprensa, o grupo diz enxergar na COP30 uma oportunidade para o Brasil exibir ao mundo sua na- tureza e mostrar que sabe ser respon- sável por ela. a origem do movimento data de mais de um ano, quando um pequeno grupo apoiou o Governo do Pará para formalizar uma estratégia ambiental com 13 compromissos. En- tre as ações estão a restauração de 100 mil hectares de florestas —20 mil deles antes da COP30— e o desenvol- vimento de um plano de adaptação climática para todos os municípios. Medidas como a implantação da ras- treabilidade do rebanho bovino, mi- rando uma pecuária sustentável, e a ampliação das brigadas de combate a queimadas e desmatamento também estão contempladas. Confira a carta na íntegra: Entre as ações estão a restauração de 100 mil hectares de florestas — 20 mil deles antes da COP30 — e o desenvolvimento de um plano de adaptação climática para todos os municípios VIDI 49 Somos um grupo de cidadãos dispos- tos a colaborar com o Brasil. Vemos uma oportunidade para isso: a realização da COP 30 em Belém. Será uma oportu- nidade para mostrar a nossa natureza, especialmente a amazônica. Mas será também uma oportunidade única para mostrar que sabemos ser responsáveis por ela, mais do que qualquer outro. A COP 30 é uma reunião da ONU, portanto mundial. Será realizada no Brasil - por- tanto organizada pelos três poderes na-cionais e a sociedade, ou seja, a Nação. Terá sede em Belém - portanto o governo estadual terá a especial responsabilidade de receber as pessoas. Mas, sobretudo de demonstrar, de dar o exemplo. Muita coisa está sendo feita por todos. O Con- gresso Nacional acaba de aprovar uma regulação do mercado de carbono. O Exe- cutivo está analisando o texto e a tratar de sua regulamentação. Essa lei iguala o Brasil a todas as nações desenvolvidas, o que melhora a posição de negociação do interesse nacional para receber investi- mentos e fazer entregas nesse mercado. O balanço de carbono do Brasil já vem melhorando sensivelmente, graças es- pecialmente aos esforços conjuntos do poder central, das unidades federativas e da pressão da sociedade. Esses impor- tantes resultados ajudarão a impulsionar a presença nacional na COP 30. Um Pla- no de Carbono Neutro, que consolide os muitos esforços em direção coordenada, pode ajudar ainda mais. TODOS PELA COP30 Esse passo já foi dado pelo estado do Pará, que aprovou seu Plano de Carbo- no Neutro e começa a buscar tal obje- tivo já em 2030. Não mais na base do caso a caso, mas através de um conjun- to de metas quantitativas, verificáveis, coordenáveis. Entre elas, as seguintes: restauração de 100 mil hectares de flo- restas (sendo 20 mil até a COP 30); rastreabilidade de todo o rebanho bovi- no, para permitir chegar a uma pecuá- ria sustentável; pagamento de serviços ambientais para 20 mil famílias até 2030 (e 2 mil até a COP 30); ordenação terri- torial, focada inicialmente na APA Triun- fo do Xingu; treinar forças estaduais e formar brigadas privadas para combater incêndios; regularização fundiária, espe- cialmente com a arrecadação e destina- ção de 100% das áreas públicas; validar 100% de todos os Cadastros Ambientais Rurais (CAR) até 2026; criar mecanis- mos de adaptação humana em todos os municípios; e buscar US$ 2 bilhões em financiamento ESG, para colocar em prática os programas. Todas essas medidas andam numa úni- ca direção: construir uma posição gover- namental e administrativa capaz de levar o Brasil a uma posição na qual interesse nacional e imagem coincidam de maneira positiva. Divulgamos essas ideias e fare- mos o que estiver ao nosso alcance como cidadãos para vê-las realizadas. A sobre- vivência do planeta e a melhoria da vida das pessoas depende disso. 50 VIDI COP30 Adriano Candido Stringhini Alexandre Bossi Alice Ferraz Ana Carla Abrão Ana Carolina Alves Ana Funaro Camargo Ana Lúcia Villela Anderson Baranov Andrea Azevedo André Kaufmann Antonio Lacerda Armínio Fraga Arnaldo Jardim Átila Denys Bernardo Strassburg Beto Verissimo Bruna Rezende Bruno Igel Camila Camargo Dantas Candido Bracher Carlos Kayath Carlos Nobre Caroline Dihl Prolo Clarissa Lins Claudia Sender Célia Pompeia Denis Minev Eduardo Mufarej Eduardo Neves Eduardo Sirotsky Melzer Eleazar Carvalho Estêvão Ciavatta Fernanda Rennó Fábio Alperowitch Fábio Barbosa Fábio Sakamoto Gabriella Seiler Guilherme Quintella Gustavo Pimenta Gustavo Tosello Pinheiro Guto Quintella Hana Ghassan Helder Barbalho Horácio Lafer Piva Hugo Aguilaniu Hugo Barreto Ilona Szabó Irlau Machado Ivaldo Ledo Ivan Lima Izabella Teixeira Joana Chiavari João Camargo João Doria João Sampaio Joaquim Levy Johannes van de Ven Jorge Caldeira José Carlos Carvalho Jose Fernando Gomes Juliana Strobel Juliano Assunção Kalil Cury Filho Leandro Modé Leon Tondowski Lilian Esteves Lucia Lohmann Luciana Ribeiro Luciano Huck QUEM SÃO: VIDI 51 Luiz Furlan Luiz Lara Mailson da Nóbrega Marcello Brito Marcelo Furtado Marcelo Hallack Marcelo Medeiros Marcelo Thomé Marcos Nisti Maria Silvia Marques Mariano Cenamo Marina Grossi Mario Haberfeld Maristela Miguel Maristela Temer Marta DeVito Matthew Govier Michel Farah Monica Sodre Márcia Hirota Natalie Unterstell Nizan Guanaes Oscar Bernardes Oscar Graça Couto Oskar Metsavaht Patricia Audi Patricia Daros Patricia Ellen Paula Goto Paulo Hartung Paulo Pianez Pedro Camargo Neto Pedro Wongtschowski Philip Yang Rachel Maia Raphael Falcioni Raphael Medeiros Raquel Machado Raul Jungmann Raul Protazio Rebeca Bianco Regina Esteves Renata Piazzon Roberto Ferreira Roberto Giannetti Roberto Klabin Roberto Waack Rodolfo Marino Rodolpho Bastos Rodrigo Sodre Santoro Rose Setubal Rosana Vazoller Rubens Barbosa Salo Coslovsky Sergio Galluci Sonia Quintella Sylvia Brasil Coutinho Synesio Sampaio Goes Filho Tabata Amaral Teresa Bracher Thiago Picolo Tiago Gomes Valmir Ortega Vera Oliveira Virgilio Viana Viviane Mansi Walfredo Schindler Wilson Quintella Filho Zeca Martins A D O BE S TO C K 52 VIDI Por Marcos Junior Oliveira 52 VIDI Mundo VIDI 53 As autoridades conversaram com a equipe da VIDI e manifestaram alguns pontos interessantes PR EM IU M F RE EP IK Conferência das Nações Unidas sobre as Mudan- ças Climáticas de 2025, também chamada de COP30, será a 30ª, pre- vista para ocorrer em novembro de 2025, em Belém, no Pará. Desde o anúncio oficial durante a COP 27, realizada em Sharm el-Sheikh, Egito, muitos países já arti- culavam suas participações. Alguns em- baixadores estrangeiros conversaram com a equipe da VIDI e manifestaram alguns pontos interessantes: A Embaixadores Estrangeiros e a COP30 54 VIDI Mundo O embaixador da Liga Arabe no Brasil, QAIS SHQAIR, res- saltou que “o Secretariado-Geral da Liga dos Estados Árabes, a organização regional e internacional mais antiga do mundo, que reúne vinte e dois Estados Árabes, tem a honra de partici- par da próxima Cúpula COP30 em Belém. Nesses eventos internacionais que visam preservar o planeta que compartilhamos, com ambiente seguro, está- vel e limpo, além deles estão as três últimas Cúpulas: COP 27 no Egito, COP 28 nos Emirados Árabes Unidos e COP 29 no Azerbaijão, no ano passado”. “A Liga Árabe participou recentemente pela primeira vez, na Cimeira do G20 no Rio de Janeiro, em novembro passado, onde assinou a Aliança Interna- cional contra a Fome e a Pobreza. É uma iniciativa do Presidente Lula da Silva, que vemos com profundo respeito como um compromisso brasileiro de uma diplomacia multilateral para servir a humanidade em geral; um objetivo final que compartilhamos com a amigável República Federativa do Brasil”, pontuou Shqair. O Nepal é um país que sofre diretamente com as mudanças cli- máticas. “Apesar da emissão insignificante de carbono, o Nepal está sofrendo enormes consequências do aquecimento global. Tanto o Nepal quanto o Brasil enfrentam efeitos desproporcio- nais do colapso climático, como inundações e deslizamentos de terra. Ambos contribuíram significativamente para salvar o planeta — seja por meio das vastas florestas amazônicas ou dos Himalaias cobertos de neve”, pontua NIRMAL RAJ KAFLE, embaixador nepalês em Brasília. O Nepal estabeleceu metas ambiciosas, incluindo emissões líquidas zero de GEE até 2045, apesar dos recursos limitados. “Na COP30, o Nepal reafirmará os com- promissos, enfatizando a justiça climática e o financiamento climático. O Fun- do de Perdas e Danos está operacional, mas devemos garantir que os países vulneráveis se beneficiem dele. O Nepal exigirá transferência de tecnologia e capacitação. Da mesma forma, meu país há muito defende o desenvolvimen- to sustentável das montanhas e as estratégias integradas que conectam os ecossistemas de montanha e oceano” conclui o diplomata asiatico. LIGA ÁRABE NEPAL D IV U LG A Ç ÃO D IV U LG A Ç ÃO D IV U LG A Ç ÃO VIDI 55 O recém-chegado a Brasília, embaixador de Ruanda, LAWRENCE MANZI, é outro que tem um envolvimento forte com temas glo- bais, uma vez que seu país está no coração do continente africano e é impactado pelo turismo de aventura. “Devemos ter programas espe- cíficos comunicados em breve! Normalmente participamos das edições da COP com delegações de alto nível e do setor privado. O que vai acontecer em Belém, no Para”, afirmou Manzi à reportagem. Em Baku, a delegação ruandesa defendeu: maioresreduções de emissões globais, maior financiamento para resiliência e adaptação e se posicionou como o país como um destino ideal para investimentos verdes e inovação. Uma diplomata muito envolvida com temas de sustentabilidade é PAVLA HAVRLÍKOVÁ, da Repú- blica Tcheca. A embaixadora visi- tou Belém em setembro de 2024 com o objetivo de conhecer en- tidades que já se preparam para receber a COP30. Na oportunida- de, conheceu a organização não governamental Instituto Peabiru, que atua no Pará e especialmente Nordeste do Estado, Ilha do Marajó e região metropolitana da capital. A República Tcheca ainda não desen- volveu atividades no âmbito da co- operação para o desenvolvimento. O tema sustentabilidade e garantia dos direitos dos povos indígenas é prioridade para o estado do Pará, inclusive no contex- to dos preparativos para a COP 30. Na cúpula da COP29 em Baku, o Ministro da Energia austra- liano, Chris Bowen, elogiou o estabeleci- mento de uma nova Autoridade de Ação Climática por Malta, descrevendo-a como a “melhor prática” e a “primeira na Europa”. “Quero parabeni- zar Malta por sua nova política muito boa de uma Autoridade de Ação Climática”, Bowen declarou. “É uma boa governança. Ela fornece rigor. E acho que Malta e as conquistas da Ministra Dalli devem ser ce- lebradas.” A delegação de Malta, liderada pela Ministra MIRIAM DALLI, destacou o progresso da nação no desenvolvimento de uma estrutura de governança unificada para ação climática. Ela enfatizou a impor- tância da colaboração entre setores e na- ções para enfrentar os desafios globais da mudança climática. “A mudança climática é uma questão global urgente que afeta a todos nós”, observou a ministra. “Precisa- mos de respostas ousadas e unidas.” RUANDA REPÚBLICA TCHECA MALTA D IV U LG A Ç ÃO RI C A RD O S TU C KE RT /P R 58 VIDI Por VIDI Mercedes-Benz e seu objetivo de promover o desenvolvimento sustentável na produção de alumínio na região da floresta Amazônica 58 VIDI Case de Sucesso VIDI 59 A Mercedes-Benz e a empresa de alumínio norueguesa Hydro estendem parceria para apoiar o desenvolvimento das comunidades locais na fabricação de alumínio no estado do Pará VIDI 59 CO M M U N IC AT IO N S & M A RK ET IN G M ER C ED ES -B EN Z C A RS & V A N S, P H O TO B Y M IL O S M AT O VI C 60 VIDI Case de Sucesso Mercedes-Benz A.G. e a empresa noruegue- sa Hydro – uma empre- sa norueguesa líder em alumínio e energia que constrói negócios e par- cerias para um futuro mais sustentável – anunciaram um aumento em sua parceria estratégica, durante a Semana do Clima de Nova Iorque, melhorando a integração ver- tical da produção de alumínio e lan- çando o programa “Corredor” para o desenvolvimento a longo prazo na Amazônia. As empresas assinaram um “Memorando de Entendimento” (MoU) para a colaboração com ONGs locais e parceiros do Governo do Estado do Pará, tendo como objetivos o respei- A to aos direitos humanos, a geração de renda para as comunidades locais e o desenvolvimento de cadeias de valor de alta biodiversidade e baixo teor de carbono na Amazônia brasileira. O novo programa “Corredor” visa criar um impacto positivo para as co- munidades ao longo do mineroduto de 244 quilômetros de polpa de bauxi- ta operado pela Hydro, que atravessa sete municípios no Estado do Pará - da mina de bauxita em Paragominas até a refinaria de alumínio, em Barcarena. O objetivo principal é envolver as co- munidades locais na cadeia de forneci- mento de alumínio e capacitá-las para melhorar o seu bem-estar econômico, ecológico e social. A Mercedes-Benz fará parte do programa de governan- D IV U LG A Ç ÃO VIDI 61 ça, ajudando a estabelecer as estru- turas necessárias e a construir conhe- cimento para a gestão sustentável do risco nas cadeias de fornecimento de matérias-primas. O modelo de negócio do Grupo Mercedes-Benz conduz a mu- danças significativas na tecnologia, nos produtos e na força de trabalho. Tem o potencial de se tornar um modelo para o envolvimento das comunidades locais e de se envolver verticalmente em áreas mineiras vulneráveis. O programa está fundamentado em três pilares estratégicos: Desenvolvimento Ecológico: Iden- tificar os obstáculos ao desenvolvimen- to Ecológico e encontrar soluções para melhorar as condições econômicas ba- seadas na natureza no território. O modelo de negócio do Grupo Mercedes-Benz conduz a mudanças significativas na tecnologia, nos produtos e na força de trabalho. Tem o potencial de se tornar um modelo para o envolvimento das comunidades locais e de se envolver verticalmente em áreas mineiras vulneráveis M ER C ED ES -B EN Z G RO U P AG C O RP O RA TE C O M M U N IC AT IO N S Mercedez-Benz e Hydro juntou forças na Amazônia brasileira para promover o desenvolvimento a longo prazo ao longo da sua cadeia de fornecimento de alumínio Seguindo seu roteiro de descarbonização conjunta, a Mercedes-Benz e a Hydro assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para colaborar. Os objetivos incluem promover os direitos humanos, gerar renda para as comunidades locais, aumentar a biodiversidade e as cadeias de valor de baixo carbono na Amazônia brasileira. A coalizão visa gerar um impacto socialmente positivo para as comunidades ao longo do oleoduto de lama de bauxita operado pela Hydro. Programa Corredor 01 02 03 62 VIDI Case de Sucesso Desenvolvimento Social: Aborda- gem em larga escala ao desenvolvi- mento social, visando as necessidades humanas básicas, o bem-estar e as oportunidades. O programa irá procurar formas práticas de implementar melho- rias nas condições de vida das comuni- dades, tanto nos centros urbanos como principalmente nas zonas rurais. Conservação do ambiente e da biodiversidade: Trabalhar na conser- vação da biodiversidade na Amazônia, necessária para garantir ganhos positi- vos para a natureza e para as pessoas. O programa tem como objetivo identifi- car oportunidades para reduzir a degra- dação das florestas como primeiro ob- jetivo, mas com a ambição de contribuir para a regeneração da natureza. Os projetos funcionarão em estrita con- formidade com as leis e regulamentos lo- cais. Além disso, o programa será imple- mentado por uma organização de projeto multi-institucional composto por empresas e organizações. Os parceiros incluem (mas não se limitam a) Hydro Brasil, Alunorte, MPSA, Mercedes-Benz, IPAM Amazônia, IMAZON (Instituto do Homem e Meio Am- biente da Amazônia), CEA (Centro de Em- preendedorismo da Amazônia), Fundo de Sustentabilidade Hydro e BCG. IA RA V A SC O N C EL O S Inscreva-se no nosso canal e participe das discussões que moldam o futuro! Romeu Chap Chap Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno Mary Elbe Augusto Aras Geraldo Alckmin Paulo Gala Gabriela Manssur João Doria Nelson Wilians Há 15 anos aproximando pessoas e mercados, gerando oportunidades... @ agostinhoturbian www.youtube.com/@agostinhoturbian CONECTANDO LÍDERES COM AGOSTINHO TURBIAN 64 VIDI Por Marcos Junior Oliveira Turismo VIDI 65 AD O BE ST O CK Belém do Sabor, da Brasilidade e da COP30 VIDI 65 Estação das Docas 66 VIDI Turismo ma viagem para Belém é uma ida a uma cida- de que tem muito mais a oferecer, muito mais do que muitos recomen- dam. Uma dessas para- das obrigatórias é uma visita ao famoso, e patrimônio cultural do Brasil, Mercado Ver-o-Peso. Quem vi- sita a parte antiga da Praça da Sé con- segue ter uma visão panorâmica, e níti- da, do que o aguarda na multidão junto ao complexo popular paraense. Agora com a COP30 - 30ª Conferência da ONU sobre o Clima - e as diversas obras de infraestrutura que a metrópole está re- U cebendo, tudo ficará muito melhor. O Ver-o-Peso começou como um ancora- douro simples, onde embarcações detodo mundo aportavam na Baía do Gua- jará, formada pelos rios Guamá, Moju e Acará. A história do mercado, inau- gurado em 1901, coincide com o ápice econômico da região, durante o ciclo da borracha (1879-1912), quando Belém ganhou edifícios no estilo art nouveau. Atualmente ali encostam tanto os barcos de pesca modernos quanto as pequenas canoas mais simples. O símbolo mais fa- moso do complexo é a estrutura do mer- cado de peixes e partindo deste ponto dê a partida à visita para experimentar Mercado Ver-o-Peso BR U N O C EC IM | AG ÊN C IA P A RÁ VIDI 67 Vista aérea de Belém e destaque para as mangueiras BR U N O C EC IM | AG ÊN C IA P A RÁ novas experiências, tamanhos, formas – lisas e enrugadas -, aromas fortes e delicados, cores com tonalidades escu- ras e claras, que o mundo conhecera em novembro próximo. Na barraca da Dona Carmelita - uma senhora com rosto marcado pelo tra- balho, mas de uma alegria sentida nos olhos – admira-se todas as frutas que no Pará dá. Cupuaçu, Bacuri, taperebá, murici, araçá, tucumã, bacaba, açaí, uxi, pupunha, castanha-do-pará, biribá, jambo. São algumas das sílabas repeti- das todos os dias pelos feirantes do Ver- -o-Peso. Muitas vezes soam como um trem que segue rumo aos ouvidos, mas chegam como música. Tudo não dei- xa de ser um elixir, mas neste caso de sons que, provados, transformam-se em manjares dos deuses. Com mais de uma centena de espé- cies comestíveis, são as frutas regionais as responsáveis diretas pelo indefinível, requintado e, muitas vezes, exótico sa- bor das deliciosas sobremesas que enri- quecem a mesa paraense. E essa salada A história do mercado, inaugurado em 1901, coincide com o ápice econômico da região, durante o ciclo da borracha (1879-1912), quando Belém ganhou edifícios no estilo art nouveau 68 VIDI Turismo de frutas fonéticas será um trava língua para os estrangeiros que se aventura- rem a provar essas gostosuras da Ama- zônia. Inclusive, Belém também tem um título inusitado de cidade das Manguei- ras, pois tem grande quantidade dessas árvores plantadas por toda região cen- tral. As mudas foram trazidas da Índia pelos portugueses em meados do séc. 19. Um detalhe que vai chamar a aten- ção de muitos na COP30. No encanto das frutas típicas, a sequ- ência vale uma parada especial no setor de ervas e elixires. Mandingas, encanta- rias e remédios para todos os males são uma atração à parte na maior feira-livre do Brasil. As mandingueiras, chamadas de bruxas por muitos, são mulheres que vivem de misturar ervas, perfumes e pe- daços de animais, criando “poções má- gicas”, as famosas erveiras. VISITA GASTRONÔMICA De uma natureza rica em ervas, fru- tos, sabores e cheiros nasceu a impor- tante gastronomia paraense. Conside- rada autêntica e exótica é responsável por colocar o Pará em destaque nos roteiros turísticos gastronômicos nacio- Tacacá RE N AT O F ER N A N D ES | PI XA BA Y VIDI 69 nais e internacionais. Caranguejo, toc- -toc, unha de caranguejo, tacacá, pato no tucupi, maniçoba, vatapá paraense, jambu, farinha d´água, pimenta-de- -cheiro, pirarucu, são algumas iguarias que são ofertadas por lá. A mandioca, cultivada em todas as re- giões do País, é o tubérculo que possui muitos sinônimos nacionalmente, tais como: aipi, aipim, castelinha, macaxei- ra, mandioca-doce, mandioca-mansa, maniva, maniveira e pão-de-pobre. Vá- rios pratos típicos da cozinha paraense são elaborados com ele e seus deriva- dos. Nomes peculiares como tacacá, tu- cupi e maniçoba chamam a atenção. O tacacá não é considerado uma re- feição. É uma espécie de bebida ou sopa, servida em cuias e vendida pelas “tacacazeiras”, geralmente ao entarde- cer, no prato é servido com o jambu, uma planta rasteira, companheira in- separável do tucupi na preparação dos pratos paraenses, sobretudo do tacacá e do pato no tucupi. Suas folhas, quan- do mastigadas, produzem leve tremor nos lábios e, talvez por isso, muitos o apontam como afrodisíaco. O tacacá pode ser provado em vários pontos da cidade ao preço de R$15. Os turistas da COP 30 levarão em suas memórias es- sas peculiaridades regionais. NATUREZA, ATRATIVOS E CORES Além de todo esse universo gastronô- mico da capital paraense, não deixe de visitar alguns ícones da região. Um dos marcos amazônicos é o famoso Museu Emílio Goeldi, que preserva um acervo natural da Amazônia e está em pleno centro da cidade. Quem quiser apre- ciar a cidade de longe e ver aves típi- cas, o Mangal das Garças é o lugar. Com Parque Mangal das Garças BR U N O C EC IM /A G ÊN C IA P A RÁ De uma natureza rica em ervas, frutos, sabores e cheiros nasceu a importante gastronomia paraense. Considerada autêntica e exótica é responsável por colocar o Pará em destaque nos roteiros turísticos gastronômicos nacionais e internacionais 70 VIDI Turismo 40.000 metros quadrados e às margens do Rio Guamá, por lá é possível apre- ciar, ao vivo, o colorido das espécies da fauna e flora locais. Um passeio que não pode ficar de fora da agenda A Estação das Docas também é uma das atrações imperdíveis. Este complexo fica no an- tigo porto de Belém e foi construído no século XIX. E dali, partem muitos barcos para quem quiser apreciar as paisagens da Baía do Guajará. AS FACHADAS E EDIFÍCIOS PARAENSES A Arquitetura de Belém tem muitos atrativos que chamam a atenção por Forte do Presépio suas fachadas e cores imponentes. O Espaço São José Liberto foi um conven- to, quartel militar, hospital e abrigou um presídio. Hoje, é um ponto que mistura polo joalheiro, centro comercial e cultu- ral. O icônico Theatro da Paz é outra ex- periência imperdível, pois é um edifício em estilo neoclássico, com 900 lugares e construído em 1878, em plena época Ciclo da Borracha. Sendo uma réplica do Scala de Milão. Como a capital do Pará é mundialmente conhecida pelo turis- mo religioso, vale a pena conhecer al- gumas igrejas como a Basílica Santuário Nossa Senhora de Nazaré e a Catedral Metropolitana, projetada pelo arquiteto italiano Antônio Landi, em 1782. Ainda BR U N O C EC IM | AG ÊN C IA P A RÁ 72 VIDI Turismo Catedral Metropolitana de Belém A D O BE S TO C K não deixe de visitar o Forte do Presépio, também conhecido por Forte do Caste- lo de Belém, construído em 1616. Onde está o pequeno Museu do Encontro é possível apreciar um belo acervo raro de cerâmicas tapajônicas e marajoaras. Além dele, o Museu de Arte Sacra - com- posto pela Igreja de Santo Alexandre e pelo Palácio Episcopal - reúne um acervo que chama a atenção e é um belo exem- plo da arquitetura jesuítica no Brasil. Neste universo, aventure-se na próxima viagem para Belém do Pará, Belém do Brasil, Belém da COP30. A Arquitetura de Belém tem muitos atrativos que chamam a atenção por suas fachadas e cores imponentes. O Espaço São José Liberto foi um convento, quartel militar, hospital e abrigou um presídio 74 VIDI Por Paulo Pandjiarjian, Editor-chefe da Economy & Law Empreendedorismo 74 VIDI IM AG EN S: D IV U LG A Ç ÃO VIDI 75 Brazil Economy: portal de informações estratégicas para tomadas de decisão m fevereiro de 2025, o mercado de comunica- ção econômica ganha um reforço de peso. O Brazil Economy, novo portal digital dedicado ao jornalismo de eco- nomia e negócios, promete preencher uma lacuna com análises profundas e histórias que não estão sendo contadas. Para entender mais sobre o projeto, conversamos com Flávio Pestana, um dos fundadores do portal e profissional renomado do mercado de comunicação. Pestana é uma das maiores referên- cias em comunicação econômica no Bra- sil. Com uma carreira sólida e extensa, ele foi um dos fundadores do Valor Eco- nômico e ocupou posições de destaque na gestão de grandes grupos de mídia, como Folha de S.Paulo, UOL, O Estado de S. Paulo e o próprio Valor. Suareflorestamento na Caatinga BNDES X HEINEKEN O Departamento do Trabalho dos EUA disse que firmou um acordo com a JBS USA (unidade norte-americana da JBS SA do Brasil) pelo qual a empresa fornecerá 4 milhões de dólares para ajudar indivíduos e comunidades afetados por práticas ilegais de trabalho infantil JBS Depois de um ano marcado pela tragédia climática no Rio Grande do Sul, queimadas recordes no Pantanal e seca histórica na Amazônia, o governo federal decidiu reduzir o orçamento usado para gerenciar e reduzir riscos de desastres ambientais GOVERNO FEDERAL CONFIRA AS EDIÇÕES DA VIDI nas principais bancas digitais