Prévia do material em texto
2ºAula Ciclo Hidrológico Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • compreender o funcionamento do ciclo hidrológico; • conhecer as etapas do ciclo; • entender o balanço hídrico. Bem-vindos(as) a nossa segunda aula, que tem como tema central o ciclo hidrológico. Nesta aula, os processos que compõem o ciclo hidrológico serão demonstrados introdutoriamente, pois as próximas aulas irão descrevê- los separadamente. Primeiro, questiona-se sobre: Qual a importância do conhecimento a respeito do ciclo hidrológico? Como ele ocorre? Tais perguntas vocês mesmos serão capazes de responder, mas primeiro deve-se saber que a hidrologia, como ciência, estuda a água sobre a Terra, assim como a sua disponibilidade, distribuição, características (que foram comentadas na aula anterior), circulação e relação com a fauna e a flora, mas também está o estudo do ciclo hidrológico. Vamos à aula? Bons estudos! Bons estudos! 14Hidrologia Seções de estudo 1 - Ciclo hidrológio 1. Ciclo hidrológico 2. Processos do ciclo hidrológico 3. Balanço hídrico O planeta Terra possui um valor fixo do seu volume de água, mas esse volume total não possui uma forma fixa, a água pode ser encontrada no estado líquido, sólido ou gasoso. Os oceanos, rios e lagos são um exemplo da forma líquida que a água pode apresentar, já as calotas polares e as neves eternas de montanhas, são a forma sólida, assim, em cada um dos processos do ciclo hidrológico a água se apresenta de uma forma ou estado (Figura 1). O ciclo hidrológico pode ser compreendido como sendo um fenômeno global de circulação fechada entre a atmosfera e a superfície terrestre, sendo impulsionado pela energia proveniente da radiação solar, associada à rotação do planeta (movimento sobre o próprio eixo terrestre) e a gravidade. O ciclo pode ser classificado em dois tipos: ciclo global e ciclo regional. O ciclo global é fechado, ocorre a recirculação de toda a água. Nos oceanos há mais evaporação que precipitação e nos continentes o inverso dos oceanos. Já, o ciclo regional é um ciclo aberto em que parte da água retorna e outra é trazida de fora pela atmosfera, além de poder se efetuar o balanço hídrico. Em outras palavras, o ciclo global é o ciclo hidrológico do planeta num todo, levando em consideração toda a água existente, de modo, que o ciclo regional se refere a uma determinada área, sendo possível a introdução de água de fora do seu ciclo, como também a não circulação total da água pelos processos do ciclo. FIGURA 1. Ciclo Hidrológico Fonte: http://geografi anewtonalmeida.blogspot.com.br/2012/04/ciclo-da-agua- ciclo-hidrologico.html. Acesso em 04 fev. 2018 Os processos que compõem o ciclo hidrológico são: • Precipitação. • Evaporação. • Transpiração. • Infiltração. • Percolação. • Escoamento Superficial. • Escoamento Subterrâneo. Todos os processos ocorrem simultaneamente, no entanto, não se manifestam de maneira uniforme em diversos pontos do planeta, tal variabilidade se deve a fatores como: • Incidência heterogênea da energia solar sobre o planeta; • Diferenças térmicas entre os continentes (estações do ano, localização, etc.) e oceanos; • Variação da quantidade de vapor de água, ozônio e CO2 na atmosfera ao longo do globo; • Diversidade de solos, vegetação, etc.; • Influência do movimento de rotação da Terra e a inclinação do eixo terrestre (estações do ano). Dentro do ciclo, pode-se dizer que há uma divisão de duas fases: terrestre e atmosférica. A fase terrestre abrange os oceanos e continentes onde ocorre a circulação de água sentido superfície-atmosfera, em que a forma que a água se apresenta é fundamentalmente vapor, em decorrência dos processos de evaporação (rios, lagos, oceanos, solos) e transpiração (vegetação, animais). A fase atmosférica ocorre na troposfera, onde geralmente ocorre a maioria dos fenômenos atmosféricos, sendo assim no sentido atmosfera-superfície, em que a circulação da água pode ocorrer em qualquer um dos seus estados físicos, sendo em sua maioria, na forma líquida (precipitações das chuvas) e sólida (neve). Essa camada possui de 8 a 16 km de espessura, e é onde está localizada quase toda a umidade atmosférica. Acima da troposfera está a estratosfera, que possui espessura entre 40 a 70 km, e é onde encontra-se a camada de ozônio, que possui uma grande importância para o ciclo hidrológico, pois ela é a reguladora da radiação solar que incide na superfície terrestre. FIGURA 2. Camadas da atmosfera Fonte: http://www.geografi aopinativa.com.br/wp-content/uploads/2013/11/ CAMADAS.png. Acesso em 04 fev. 2018 Para entender mais sobre os processos que ocorrem na atmosfera, é importante conhecer a atmosfera Atmosfera terrestre: camada composta por radiação, gases e material particulado (aerossóis) que envolve a Terra e se estende por centenas de quilômetros. Os limites inferiores da atmosfera são, 15 obviamente, as superfícies da crosta terrestre e dos oceanos. Contudo, os seus limites superiores não são bem defi nidos porque, com o aumento da altitude, a atmosfera vai se tornando cada vez mais tênue, em relação ao seu conteúdo de matéria, até que ela se confunda com o meio interplanetário. Fonte: Disponível em : http://dfi s.uefs.br/caderno/vol5n12/Atmosfera.pdf . Acesso em 04 fev. 2018. 2 - Processos do ciclo hidrológico Foram citados na seção anterior os processos que constituem o ciclo hidrológico. Desses processos, a precipitação funciona como a entrada no ciclo, sendo que, de certo modo, os demais processos são saídas do ciclo. Isso ocorre a partir do vapor de água presente na atmosfera, que por meio de determinadas condições atmosféricas (temperatura, pressão, etc.), condensa-se formando minúsculas gotas de água (microgotículas) que ficam em suspensão no ar. O agrupamento dessas microgotículas com eventuais partículas de gelo e poeira, formam a nuvem ou nevoeiro (quando formado sobre o solo). Por meio da dinâmica das massas de ar (porções de ar que se deslocam a pequenas ou grandes distâncias, e são capazes de influenciar o ambiente por onde se situam), ocorre a precipitação, que é a principal transferência de água da atmosfera para a superfície terrestre. A forma mais comum da precipitação é a chuva, mas quando o vapor de água se transforma diretamente em cristais de gelo, que atingem tamanho e peso suficientes para se precipitar, a precipitação pode ser na forma de neve ou granizo. Assim, é importante conhecer um pouco mais sobre as massas de ar: Massas de ar: As massas de ar são grandes volumes que, ao se deslocarem lentamente ou estacionarem, sobre uma região adquirem as características térmicas e de umidade dela. As massas de ar são denominadas conforme sua região de origem e o tipo de superfície com as quais elas estavam em contato. Frentes: Quando ocorre o encontro de duas massas de ar, elas não se misturam imediatamente. A massa mais fria (mais densa) é sobreposta pela massa mais quente (menos densa), formando uma zona de transição, denominada de frente. As frentes frias e quentes ocorrem concomitantemente, variando apenas no espaço. Além da frente fria, que provoca a ocorrência de chuvas durante a passagem do sistema frontal e queda na temperatura, e da frente quente, que promovem chuvas amenas antes da passagem do sistema frontal e logo após aumento da temperatura, existem ainda as frentes oclusas e as frentes estacionárias. Nesses dois últimos casos, as chuvas são intensas e por períodos prolongados. Disponível em: http://www.esalq.usp.br/departamentos/leb/aulas/lce306/ Aula4_2012.pdf . Acesso e. 04 fev. 2018 Durante o trajeto atmosfera-superfície, a precipitação sofre evaporação. Em alguns casos, pode ocorrer evaporação total da precipitação antes mesmo de chegar à superfície do solo. Quando há a chegada da precipitação à superfície terrestre, ela pode ser interceptada pela vegetação de cobertura (onde evapora) ou infiltrada no solo. A interceptação pode ocorrercom a chuva como com a neve. O solo é um complexo formado por materiais resultantes do intemperismo de rochas, possuindo fase sólida (areia, silte, argila), líquida (solução do solo) e gasosa (ar) (Figura 3). Os espaços entre as partículas sólidas, chamados poros, podem ser preenchidos por água ou ar. FIGURA 3. Representação dos poros do solo Fonte: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAgcnMAI/tijolos-solo-cimento. Acesso em 04 fev. 2018 No solo, há a infiltração da água, em decorrência de ele ser um meio poroso com capacidade de armazenar água em seus poros, assim, quando a água infiltra no solo ocorre o movimento descendente (de cima para baixo), comandado pelas tensões capilares dos poros e pela gravidade, que é chamada de percolação da água. No entanto, só há infiltração no solo enquanto ele não saturar de água. A partir do momento em que o solo se satura, o excesso de água que não consegue se infiltrar se acumula na superfície, resultando no escoamento superficial. A água infiltrada que realimenta a umidade do solo é utilizada pelas plantas e parte é devolvida à atmosfera através da transpiração da vegetação. A parte não utilizada pelos vegetais percola para o lençol freático que, geralmente, contribui para o escoamento de base dos rios ou para reservatórios (aquíferos), sendo essa água percolada através do solo, constituindo o escoamento subterrâneo. O escoamento superficial se movimenta de acordo com a gravidade, indo sentido a níveis mais baixos, sendo mais comum rios e lagos, e raramente os oceanos. Tal movimentação de água, seja em forma de pequenos filetes ou grandes correntezas, há o arraste de partículas soltas do solo, resultando em uma gradual mudança da paisagem. A presença de cobertura vegetal reduz a energia com que o escoamento se desloca, comportando- se como obstáculos que diminuem a velocidade do escoamento, assim, favorece a infiltração da água no solo durante o percurso. A vegetação também pode atuar como proteção do solo contra os impactos das gotas de chuva, que quando caem sobre um solo sem cobertura vegetal, acarreta na destruição dos agregados superficiais do solo, deixando partículas soltas que podem ser arrastadas, causando erosão do solo, como também, causar compactação superficial do solo. A respeito disso, é importante conhecer mais sobre a erosão hídrica: 16Hidrologia Erosão hídrica: consiste no desprendimento e arraste de partículas do solo, ocasionados pela água de chuva ou irrigação. com o início das chuvas, parte do volume precipitado é retido pela vegetação e parte atinge a superfície do solo. O volume que atinge o solo é responsável pelo aumento da umidade e pela diminuição das forças coesivas dos agregados. Com a continuidade da chuva, por causa do impacto direto das gotas, ocorre a quebra dos agregados em partículas menores e deposição nas camadas superfi ciais, havendo uma tendência à compactação, levando à formação do encrostamento superfi cial. A formação dessa camada tem como consequência a diminuição da capacidade de infi ltração de água no solo. Assim, o empoçamento da água nas depressões da superfície do solo começa a ocorrer quando a intensidade da precipitação excede a capacidade de infi ltração ou quando a capacidade de armazenamento de água no solo for excedida. Quando esgotada a capacidade de retenção superfi cial do solo, se iniciam o escoamento superfi cial e o processo erosivo. Os principais fatores que interferem no processo erosivo são: a precipitação, o tipo de solo, a declividade e o comprimento da encosta, a cobertura vegetal e as práticas de manejo. A cobertura vegetal tem a capacidade de oferecer ao solo proteção ao impacto direto das gotas da chuva, reduzir a velocidade do escoamento superfi cial e aumentar a resistência à tensão de cisalhamento associado ao escoamento. Por isso, a cobertura do solo atua como elemento dissipador de energia, favorecendo o controle do processo erosivo. As práticas de manejo são as atividades de natureza antrópica que acabam por acelerar ou retardar o processo erosivo. Práticas que promovem a maior exposição dos solos à incidência das precipitações - como queimadas e derrubadas de fl orestas - e aquelas que promovem o enfraquecimento da estrutura dos solos - como a compactação e mecanização excessiva - favorecem a ação dos fatores erosivos. No entanto, práticas que visam à manutenção da cobertura vegetal - como o plantio direto e o uso de cobertura morta - e aquelas que visam a melhorias das condições de fertilidade e da estrutura do solo - como adubação e calagem - promovem a atenuação da erosão. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/ doc/928493/1/CIRTEC133tamanhografi ca2.pdf . Acesso em 04 fev. 2018. Em qualquer localidade em que a água circula, há evaporação para a atmosfera, que é o processo de fechar o ciclo hidrológico. A maior contribuição de vapor d’água vem dos oceanos, uma vez que cobrem a maior parte do planeta. Cada região da Terra possui uma particularidade no ciclo hidrológico local como, por exemplo, nas calotas polares a evaporação é direta das geleiras e há pouca precipitação. A energia calorífica oriunda da radiação solar, que é de grande importância para o funcionamento do ciclo hidrológico, só é aproveitada graças ao efeito estufa natural do planeta, que impede a total perda de calor que o planeta emite em decorrência da entrada da radiação solar (Figura 4). Assim, a atmosfera se mantém aquecida, possibilitando os processos de transpiração e evaporação naturais. FIGURA 4. Aquecimento da Terra pela radiação solar Fonte: https://lusopatia.fi les.wordpress.com/2014/11/efeitoestufa2.gif. Acesso em 04 fev. 2018 Assim, para entender esse processo, é importante conhecer mais sobre a radiação solar: Radiação solar que incide sobre a Terra: Embora a atmosfera seja muito transparente à radiação solar incidente, somente em torno de 25% penetra diretamente na superfície da Terra sem nenhuma interferência da atmosfera, constituindo a insolação direta. O restante é ou refl etido de volta para o espaço ou absorvido ou espalhado em volta até atingir a superfície da Terra ou retornar ao espaço. Embora a radiação solar incida em linha reta, os gases e aerossóis podem causar seu espalhamento, dispersando-a em todas as direções - para cima, para baixo e para os lados. A refl exão é um caso particular de espalhamento. A insolação difusa é constituída de radiação solar que é espalhada ou refl etida de volta para a Terra. Esta insolação difusa é responsável pela claridade do céu durante o dia e pela iluminação de áreas que não recebem iluminação direta do sol. Aproximadamente 30% da energia solar é refl etida de volta para o espaço. O espalhamento e a refl exão simplesmente mudam a direção da radiação. Contudo, através da absorção, a radiação é convertida em calor. Quando uma molécula de gás absorve radiação esta energia é transformada em movimento molecular interno, detectável como aumento de temperatura. Portanto, são os gases que são bons absorvedores da radiação disponível que tem papel preponderante no aquecimento da atmosfera. Disponível em: http://fi sica.ufpr.br/grimm/aposmeteo/cap2/cap2-7.html. Acesso em 04 fev. 2018 3 - Balanço hídrico Entende-se como balanço hídrico a somatória das quantidades de água que entram e saem de um sistema hidrológico. Em uma escala macro, o balanço hídrico é o ciclo hidrológico que irá apresentar o resultado da água disponível do sistema global (rios, lagos, oceanos, continentes, etc.). Na escala intermediária, que pode ser representada por uma bacia hidrográfica, o balanço hídrico irá fornecer a vazão de água desse sistema. Já na escala micro, como uma área de plantação (cultivo), o balanço hídrico irá fornecer a disponibilidade de água no solo para a cultura. 17 O balanço hídrico de uma bacia hidrográfica contabiliza os processos do ciclo hidrológico, e pode ser realizado a partir da equação deconservação de massa ou equação hidrológica fundamental: ΔV = Qe - Qs onde: ΔV = volume armazenado no sistema hídrico; Qe = vazão de entrada; Qs = vazão de saída. Considerando os processos que constituem o ciclo hidrológico, a equação pode assumir a seguinte forma: ΔV = P + ET + Q + I onde: ΔV = volume armazenado no sistema hídrico; P = precipitação; ET = evapotranspiração; Q = escoamento superficial; I = infiltração. A longo prazo, o ΔV pode ser desconsiderado, ou seja, nulo. Assim: P = ET + Q + I Onde: P = precipitação; ET = evapotranspiração; Q = escoamento superficial; I = infiltração. Tabela 1: Unidades que são utilizadas no balanço hídrico em Hidrologia Área da bacia Km2 (kilômetro quadrado) ou ha (hectare) Precipitação mm (milímetros) Intensidade de precipitação mm/h (milímetros por hora) Evapotranspiração mm (milímetros) Infi ltração mm/h (milímetros por hora) Vazão m3/s (metros cúbicos por segundo) Retomando a aula Parece que estamos indo bem. Então, para encerrar essa aula, vamos recordar: 1 - Ciclo hidrológico Na primeira seção, vimos que o ciclo hidrológico é um fenômeno global de circulação fechada entre a atmosfera e a superfície terrestre, sendo impulsionado pela energia proveniente da radiação solar, associada à rotação do planeta e a gravidade. Ele pode ser classificado como global (fechado) ou regional (aberto). 2 - Processos do ciclo hidrológico Na segunda seção, foi descrito a sequência dos processos que podem ocorrer durante o ciclo hidrológico, sendo estes: precipitação, evaporação, transpiração, infiltração, percolação, escoamento superficial e escoamento subterrâneo. 3 - Balanço hídrico Ao fim da aula, vivos que o balanço hídrico a somatória das quantidades de água que entram e saem de um sistema hidrológico, e que pode ser descrito pela equação hidrológica fundamental. Vale a pena Banco de Dados Climáticos do Brasil: Vale a pena assistir Minhas anotações