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Aula 01
TJs - Curso Regular (Analista Judiciário -
Área Judiciária) Direito Processual Civil
Autor:
Ricardo Torques
21 de Janeiro de 2023
39471799600 - Naldira Luiza Vieria
 
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Sumário 
Jurisdição, Ação e Processo ............................................................................................................................... 4 
1 - Introdução ................................................................................................................................................. 4 
2 - Jurisdição .................................................................................................................................................. 7 
2.1 - Conceito, escopos e caracterização .................................................................................................... 8 
2.2 - Princípios ......................................................................................................................................... 16 
2.3 - Espécies de Jurisdição ...................................................................................................................... 27 
2.3 - Meios alternativos para solução de conflitos ................................................................................... 32 
3 - Ação ........................................................................................................................................................ 39 
3.1 - Teorias da ação ................................................................................................................................. 39 
3.2 - Interesse e legitimidade .................................................................................................................... 49 
3.3 - Elementos da Ação ........................................................................................................................... 55 
3.4 - Espécies de Ação ............................................................................................................................. 61 
4 - Processo .................................................................................................................................................. 63 
4.1 - Conceito ........................................................................................................................................... 63 
4.2 - Pressupostos processuais .................................................................................................................. 64 
Limites da Jurisdição Nacional e da Cooperação Internacional ...................................................................... 67 
1 - Limites da Jurisdição Nacional ............................................................................................................... 67 
2 - Cooperação Jurídica Internacional .......................................................................................................... 76 
2.1 - Disposições Gerais ........................................................................................................................... 79 
2.2 - Auxílio Direto .................................................................................................................................. 80 
2.3 - Carta Rogatória ................................................................................................................................ 83 
2.4 - Disposições Comuns às Seções Anteriores ...................................................................................... 83 
Destaques da Legislação e Jurisprudência Correlata ....................................................................................... 84 
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Questões Comentadas ...................................................................................................................................... 89 
FCC .......................................................................................................................................................... 89 
CESPE .................................................................................................................................................... 105 
VUNESP ................................................................................................................................................ 127 
FGV ........................................................................................................................................................ 133 
CONSULPLAN ...................................................................................................................................... 145 
Outras Bancas ......................................................................................................................................... 148 
Lista de Questões ........................................................................................................................................... 183 
FCC ........................................................................................................................................................ 183 
CESPE .................................................................................................................................................... 188 
VUNESP ................................................................................................................................................ 195 
FGV ........................................................................................................................................................ 197 
CONSULPLAN ...................................................................................................................................... 201 
Outras Bancas ......................................................................................................................................... 202 
Gabarito .......................................................................................................................................................... 216 
 
 
Ricardo Torques
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INSTITUTOS FUNDAMENTAIS DO PROCESSO CIVIL 
CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
Na aula de hoje vamos estudar os institutos fundamentais do Direito Processual Civil: jurisdição, ação e 
processo. Tudo o que disser respeito ao Processo Civil passa pela análise desses institutos ditos 
fundamentais. 
A jurisdição é meio estatal existente para a solução de conflitos. A ação é o instrumento para se provocar a 
jurisdição estatal. O processo é o caminho a ser perseguido pela ação para que a jurisdição exerça o seu 
papel de pacificação social. 
Fique atento: 
 
De acordo com a doutrina de Elpídio Donizetti1: “a jurisdição é provocada mediante o direito de ação a ser 
exercida por meio daquele complexo de atos que é o processo.” 
Veja: 
 
1 DONIZETTI, Elpídio. Curso Didático de Direito Processual Civil. 20ª edição, São Paulo: Editora Atlas S/A, 2018, p. 133. 
Jurisdição
é uma das formas existentes para a solução de conflitos 
existentes na sociedade, que se caracteriza pela atuação estatal.
Ação
é o instrumento utilizado para se provocar a atuação do Poder 
Judiciário.
Processo
é o caminho seguido pela ação para se chegar à prestação da 
tutela jurisdicional.
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Feitas essas considerações iniciais, boa aula a todos! 
JURISDIÇÃO, AÇÃO E PROCESSO 
1 - Introdução 
Iniciaremos com o estudo doso conflito por intermédio da ação. Aqui a obrigatoriedade decorre de exigência. 
Isso mesmo: o CPC prevê hipóteses em que é necessário utilizar o exercício da jurisdição, mesmo não 
havendo conflito de interesses. 
Trata-se, portanto, de uma opção do legislador para que, em determinados atos privados, ainda que não 
haja conflito, sejam praticados, ou melhor, exercidos por intermédio de um procedimento perante o Poder 
Judiciário. Isso revela um controle do Poder Judiciário sobre interesses privados, destacando, em grande 
medida, o princípio inquisitivo. Embora o juiz não possa dar início aos procedimentos de jurisdição 
voluntária de ofício, poderá produzir provas independentemente da vontade dos interessados e, até mesmo, 
poderá decidir por equidade ou contrariamente à vontade de ambas as partes. 
São exemplos de situações sujeitas à jurisdição voluntária a declaração de ausência, a interpelação, a 
alienação judicial, entre outros. 
De acordo com a doutrina10: “trata-se apenas da prática de um ato ou negócio jurídico cuja relevância exige 
a intervenção do órgão judicial, que aferirá seus pressupostos e o revestirá de maiores formalidades”. 
Além disso, a jurisdição caracteriza-se por ser inquisitiva. No sistema inquisitivo temos a preponderância dos 
poderes do juiz, diferentemente do que temos no processo contencioso, cuja preponderância é do princípio 
dispositivo (vontade das partes). Em síntese, nota-se que o juiz tem mais poderes na jurisdição voluntária 
que na contenciosa, principalmente no momento decisório. 
Entre os poderes do juiz, podemos destacar a possibilidade de o magistrado decidir contra ambas as partes. 
Diferentemente, na jurisdição contenciosa temos a procedência total, a procedência parcial ou a 
improcedência total. Ou seja, alguém perde, alguém ganha (total ou parcialmente). 
 
10 WAMBIER, Luiz Rodrigues. Curso Avançado de Processo Civil: teoria geral do processo. Vol. 1, 16ª edição, reformulada e 
ampliada de acordo com o novo CPC, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 113. 
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Além disso, quando se trata de jurisdição voluntária o juiz não está obrigado a decidir conforme a lei, 
podendo deixá-la de lado e decidir conforme a equidade. Vale dizer, o juiz poderá decidir da forma que lhe 
parecer mais oportuna e conveniente, de acordo com o seu senso de justiça. 
Outra característica relevante da jurisdição voluntária é a participação do Ministério Público como fiscal da 
ordem jurídica. Houve, contudo, uma grande redução no espaço de participação. Antes, o MP participava de 
todos os procedimentos. Agora, no CPC de 2015, o MP não será intimado de todos os processos de jurisdição 
voluntária, mas apenas nos procedimentos de jurisdição voluntária que se encaixarem no art. 178 do CPC. 
Assim... 
 
 
Devido a essas características peculiares, a doutrina discute qual é a verdadeira natureza jurídica da 
jurisdição voluntária. Alguns entendem que o exercício dessa função é meramente administrativo, e não 
judicial. Outros compreendem que a jurisdição voluntária constitui espécie de jurisdição. 
Formalmente jurisdicional ela é, pois tais situações dependem da atuação do Poder Judiciário para a 
produção de efeitos. A questão a ser discutida é se a jurisdição voluntária é materialmente jurisdicional. 
De um lado temos a corrente administrativa; do outro, a corrente judicial. Na realidade, a corrente judicial 
surgiu como um contraponto com argumentos de oposição à construção teórica de que a jurisdição 
contenciosa seria meramente uma atividade administrativa de interesses privados exercida pelo Poder 
Judiciário. 
Para tanto, construímos um quadro comparativo. Com o argumento da corrente administrativa de um lado 
e, do outro, o contraponto da corrente judicial. Para fins de prova, essa distinção é relevante, portanto: 
CARACTERÍSTICAS DA 
JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA:
obrigatória;
caráter inquisitivo;
possibilidade de decidir por equidade ou até mesmo 
contrariamente às partes; e
atuação do MP como fiscal da ordem jurídica (nas 
hipóteses do art. 178, CPC).
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CORRENTE ADMINISTRATIVA CORRENTE JUDICIAL 
Administração pública de interesses 
privados. 
Jurisdição diferenciada. 
 Não tem caráter substitutivo. Há mera 
integração da vontade das partes de acordo 
com as exigências da lei. 
 Embora não possua caráter substitutivo, esse atributo 
não é imprescindível para a caracterização da jurisdição, 
pois a substitutividade é regra, que pode ser excepcionada, 
por exemplo, na execução indireta. 
Na aplicação de multas (astreintes), a satisfação da 
obrigação decorre da vontade do próprio devedor e não 
pela atuação estatal. 
 Não há violação ao direito no caso 
concreto. 
 Aplicar o direito ao caso concreto é apenas o escopo 
jurídico da jurisdição. Além do escopo jurídico, a jurisdição 
reserva um escopo econômico, educacional e o social. 
Assim, a jurisdição voluntária gera pacificação social em 
atenção aos seus demais escopos, embora não haja 
violação ao direito no caso concreto. 
 Ausência de lide. Há convergência de 
vontades no exercício da jurisdição 
voluntária. As partes pretendem o mesmo 
resultado, embora necessitem do Poder 
Judiciário para a produção dos efeitos 
jurídicos pretendidos. 
 Embora não haja lide em seu sentido clássico, 
argumenta-se que há uma pretensão resistida, que é o 
condicionamento à atuação jurisdicional, para a obtenção 
dos efeitos jurídicos pelas partes. A insatisfação decorre 
não do conflito, mas da impossibilidade de gozo do bem da 
vida enquanto não houver decisão judicial. 
 Ausência de parte. Há apenas meros 
interessados, pois pretendem o mesmo 
resultado. 
 O fato de serem duas ou mais pessoas envolvidas 
possibilita a conclusão de que, em sentido amplo, são 
partes, embora não estejam atuando em posições 
antagônicas. 
 Não há processo. Afirma-se que a 
jurisdição voluntária se desenvolve por 
intermédio de um procedimento. 
 O processo é caracterizado pela relação jurídica 
processual que se desenvolve por intermédio de um 
procedimento em contraditório. Excepcionalmente não 
constará o contraditório na jurisdição voluntária, 
remanescendo, todavia, a essência do processo, que é a 
relação processual desencadeada por uma série de atos 
processuais (o procedimento). 
No processo de jurisdição voluntária a relação jurídica é 
linear, pois não existe réu. A relação se dá entre o juiz e os 
requerentes. 
 Ausência de coisa julgada. Não há 
atividade jurisdicional desenvolvida pelo 
Juiz, pois são admitidas alterações 
Ä A coisa julgada na jurisdição voluntária segue os mesmos 
parâmetros da jurisdição contenciosa. Inclusive, o CPC 
prevê expressamente no art. 505, I, que, se houver 
alteração jurídica superveniente, é admissível a revisão da 
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supervenientes se ocorrerem novas 
circunstâncias. 
sentença. Isso não fulmina a existência de coisa jurídica 
material, até porque são respeitados os efeitos jurídicos já 
produzidos, em face da coisa jurídica material. 
Feita a análise das correntes, questiona-se: 
Qual o entendimento prevalente para fins de provas em concursos? 
O entendimento majoritário é no sentido de que a jurisdição voluntária – embora possua algumas 
características próprias – não perde o caráter jurisdicional, não constituindo atividade administrativa. 
Há bancas, contudo, que entendem pela concepção clássica, como é o caso do CESPE/Cebraspe. Em 
questões recentes, a banca adotouo posicionamento de que a jurisdição voluntária constitui 
administração de interesses privados, seguindo a corrente administrativa. 
Por fim, o CPC se ocupa, do art. 719 a 770, de disciplinar os procedimentos de jurisdição voluntária, tais como 
a notificação e a interpelação, alienação judicial, divórcio consensual, testamento, interdição, curatela, 
tutela, entre outros. Esses assuntos são estudados na parte dos procedimentos especiais do CPC, e não 
agora. 
2.3 - Meios alternativos para solução de conflitos 
Iniciamos com um questionamento: 
A única forma de solução de conflitos é por intermédio do exercício da Jurisdição pelo 
Estado? 
Não é! O Estado não possui o monopólio dos instrumentos de resolução de conflitos, de modo que existem 
outras formas. O que o Estado detém é o monopólio do uso da força para fazer valer suas decisões. 
Em face disso, podemos identificar meios alternativos ou extrajudiciais para solução de conflitos. 
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Do quadro acima, podemos extrair algumas observações iniciais. 
(i) A primeira é que arbitragem não pode ser chamada de equivalente jurisdicional. Tanto a doutrina quanto 
o nosso CPC optam por considerar arbitragem como jurisdição. 
Jurisdição? 
Isso mesmo! O Estado além de não deter o monopólio da solução dos conflitos, não detém o monopólio 
da jurisdição. É correto afirmar, portanto, que há jurisdição estatal – cuja solução decorre da prestação da 
tutela jurisdicional – e a jurisdição privada – cuja solução decorre da atuação do árbitro. 
(ii) Na segunda observação inicial destacamos que a autotutela, as formas de transação, a mediação e a 
atuação dos tribunais administrativos são consideradas equivalentes jurisdicionais. Vale dizer: não são 
jurisdição! 
(iii) A terceira observação diz respeito à transação, que inclui a um só tempo a conciliação, renúncia e 
submissão. Os três envolvem formas de resolução de conflitos por intermédio do acordo entre as partes, 
com a redução de suas pretensões. Dito de forma simples: as partes conflitantes aceitam receber menos do 
que desejavam (conciliação) ou até mesmo nada (renúncia e submissão) para pôr fim ao conflito. 
(iv) Por fim, destaque que a mediação não é classificada como subespécie de transação, embora o resultado 
da mediação seja um acordo. Distingue-se, como detalharemos adiante, pelo fato de não existir redução da 
pretensão. Na mediação as partes simplesmente removem obstáculos que os impedia de chegar à melhor 
solução para ambos. 
Didaticamente, esses meios de solução de conflitos (e nesta classificação incluímos a jurisdição estatal) são 
classificados em formas autocompositivas e heterocompositivas. Pense: 
 composição do conflito = solução do conflito 
M
EI
O
S 
A
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FL
IT
O
S:
arbitragem;
equivalentes jurisdicionais:
autotutela;
transação:
conciliação;
renúncia; e
submissão.mediação; e
tribunais administrativos.
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Ä “auto” – construída pelas partes 
 “hetero” – dada por um terceiro 
Nas formas autocompositivas, as partes conferem solução ao litígio autonomamente, com ou sem 
intermediação de terceiros. Com auxílio de terceiros temos a conciliação e a mediação. Sem o auxílio de 
terceiros, fala-se em reconhecimento jurídico do pedido e em renúncia. 
De forma heterônoma, a solução do conflito é determinada por um terceiro, como ocorre na jurisdição 
estatal, na arbitragem e nos tribunais administrativos. 
Assim: 
 
Note que não incluímos a autotutela, que acaba por constituir forma de solução que decorre de imposição 
unilateral, conforme você estudará logo abaixo. Nesse caso a solução é imposta, mas não por um terceiro, 
mas por uma das partes conflitantes. 
Dito isso, vamos detalhar o estudo dessas formas alternativas de solução de conflitos. 
A
u
to
tu
te
la 
 Trata-se da resolução de conflito pelo exercício da força. Vence o conflito quem detém a 
força. Como se trata de instrumento que contraria os princípios do Estado Democrático de 
Direito, é exceção e, por isso, depende de previsão legal. 
 São dois elementos que caracterizam a autotutela: a) sacrifício integral; e b) exercício da 
força. 
• Pelo sacrifício integral, compreende-se que uma das partes conflitantes tem sua 
pretensão totalmente ignorada, sacrificada. 
• Pelo exercício da força, compreende-se que a parte vencedora impõe pessoal e 
diretamente sua força para pôr fim ao conflito. 
 Hipóteses legais de autotutela: 
a) art. 188, I, do CC (legítima defesa ou exercício regular de direito]; 
FORMAS DE 
RESOLUÇÃO DOS 
CONFLITOS:
autônomas:
com auxílio de 
terceiros:
conciliação;
mediação
sem o auxílio de 
terceiros:
reconhecimento 
jurídico do pedido;
renúncia.
heterônomas:
jurisdição estatal;
tribunais 
administrativos;
arbitragem.
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b) art. 1.467, I, do CC [retenção de bagagem de pessoas hospedadas em hotel para fazer 
frente às despesas não pagas]; e 
c) art. 1.210, §1º, do CC [uso da força para manutenção ou restituição da posse]. Por 
exemplo, se você for agredido na sua posse, poderá protegê-la por vias próprias. 
R
en
ú
n
cia e Su
b
m
issão
 
 Solução de conflitos pela vontade das partes, por intermédio da transação. 
 Tanto na renúncia quanto na submissão temos um sacrifício integral da parte por uma 
manifestação unilateral. Por isso são chamadas de formas altruístas de resolução do conflito. 
Dito isso, distinguem-se: 
● em renúncia, quando uma das partes abdica do seu interesse para pôr fim ao conflito; e 
● em submissão, quando uma das partes se submete à pretensão da outra com o intuito 
de resolver o conflito. 
 A renúncia e a submissão podem ocorrer fora do processo ou dentro dele. No caso específico 
da submissão, se ela ocorrer no processo, ela receberá um outro nome: reconhecimento 
jurídico do pedido (art. 487, III, CPC). A renúncia, por sua vez, recebe nome idêntico mesmo que 
ocorra no processo. 
C
o
n
ciliação
 
 A conciliação é técnica de transação caracterizada pela manifestação bilateral com sacrifício 
parcial. Ambas as partes envolvidas no conflito abrem mão de parte dos seus interesses em prol 
da resolução do conflito. Conforme a doutrina11, a conciliação implica a constatação pelo 
próprio litigante de que ele não tem direito a toda a pretensão, mas à parte dela. Logo, constitui 
ato de vontade da parte, em consenso com o outro litigante, reduzir a pretensão. 
 Muitos se valem da expressão conciliação como sinônimo de transação. Essa associação não 
é correta tecnicamente. A palavra “conciliação” pode assumir vários significados. 
Para fim de nosso estudo, a conciliação poderá assumir dois significados: 
1. Pode significar a manifestação bilateral intermediada por terceiros, diferentemente da 
negociação direta quando não há intermediários. 
2. Outra conceituação possível advém da conciliação como técnica de transação que conta 
com a participação do conciliador. Nesse ponto, a conciliação difere da mediação, cuja 
transação conta com a participação do mediador, que tão somente atua na remoção dos 
obstáculos que levarão ao acordo. 
Portanto, conciliação é técnica de resolução de conflitos, no qual as partes reduzem parte de 
suas pretensões por intermédio de um terceiro (o conciliador) por negociação direta. 
 Essas hipóteses de transação podem ocorrer antes ou dentro do processo. No primeiro caso, 
o Poder Judiciário permanecerá inerte e não tomará conhecimento do conflitoe do acordo 
decorrente. Na hipótese de conciliação na pendência de um processo judicial, o termo de acordo 
é levado ao juiz para homologação, formando um título executivo judicial. 
M
ed
iação
 
 Aqui também temos a solução do conflito a partir da vontade das partes. A grande 
característica da mediação é a inexistência de sacrifício de interesses. Na mediação, a análise se 
dá sobre as causas que levaram ao conflito. Identificadas as causas, é possível resolvê-lo. 
Por exemplo, duas pessoas estudam na biblioteca. A mulher está confortável estudando 
com ótimo rendimento, ao passo que a homem tem dificuldade de se concentrar pelo calor. 
Ele abre a porta, o que o deixa confortável. O barulho ocasionado pela abertura da porta, 
entretanto, prejudica a concentração dela. Instaurou-se, portanto, um conflito. Se 
chamarmos um conciliador ele irá orientar: “vamos deixar a janela meio aberta” ou 
 
11 WAMBIER, Luiz Rodrigues. Curso Avançado de Processo Civil: teoria geral do processo. Vol. 1, 16ª edição, reformulada e 
ampliada de acordo com o novo CPC, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 115. 
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“durante a manhã fica aberta, durante a tarde, fechada”. Cada um cede um pouco para a 
solução do conflito. O mediador, por sua vez, pedirá que ambas as partes desconsiderem 
o conflito, e foquem nas causas. Para o homem o problema é o calor, para a mulher o 
problema é o barulho. Nesse contexto, buscam-se formas de solucionar o problema de 
cada parte. No exemplo: “buscar um ventilador para o homem” ou “um fone de ouvido 
para a mulher”. O problema não é a janela, é o calor e é o barulho. 
 A mediação diferencia-se da conciliação, pois: 
● O conciliador atua, preferencialmente, nos processos em que não haja vínculo prévio 
entre as partes (acidente de trânsito), ao passo que a mediação visa a processos de relação 
continuada, por intermédio dos quais há vínculos entre as partes (relações de família ou 
relação de vizinhança). 
● Não há sacrifício de interesses na mediação como existe na conciliação (fala-se na 
construção de benefícios mútuos); 
● Na mediação são trabalhadas as causas do conflito e não apenas a resolução dele, como 
é na conciliação; 
● O mediador não propõe soluções, mas conduz as partes à solução do conflito. O 
conciliador, por sua vez, sugere a solução; 
A
rb
itragem
 
 Solução de conflitos por meio da nomeação consensual (prévia ou posterior ao conflito) de 
árbitros que tenham a confiança das partes. Essa solução decorre da imposição da decisão pelo 
terceiro (árbitro), independentemente da vontade das partes. 
 Arbitragem não se confunde com jurisdição estatal, pois além de ser possível a revisão judicial 
de uma sentença arbitral (com decretação de invalidade), a fonte de legitimação de uma e de 
outra é diferente. O que legitima a jurisdição é a soberania estatal e o que legitima a arbitragem 
é a autonomia da vontade. 
 O entendimento majoritário é no sentido de que a arbitragem tem natureza jurisdicional, 
pois o Poder Judiciário não seria o único a decidir conflitos de interesse de forma definitiva. São 
utilizados basicamente dois argumentos: 
1º - o art. 515, VII, CPC, prevê que a sentença arbitral é título executivo judicial; e 
2º - a sentença arbitral é imutável e indiscutível, não podendo o Poder Judiciário 
reexaminar o mérito da sentença arbitral, exceto quanto a vícios formais por intermédio 
de uma ação que terá por objetivo anular a sentença arbitral. Logo, poderíamos afirmar 
que a sentença arbitral faz coisa julgada material. 
 Segundo a doutrina12, “a opção pela arbitragem será admissível toda a vez que não houver 
norma impondo a necessidade da intervenção do juiz estatal (como já, por exemplo, para o 
julgamento de causas criminais, para a decretação de falência, para a solução de questões 
relativas ao estado da pessoa, para a aplicação das penas de improbidade ao agente público, 
etc.)”. 
 
12 WAMBIER, Luiz Rodrigues. Curso Avançado de Processo Civil: teoria geral do processo. Vol. 1, 16ª edição, reformulada e 
ampliada de acordo com o novo CPC, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 117. 
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Trib
u
n
ais 
ad
m
in
istrativo
s 
 A solução de questões por tribunais administrativos também é considerada um equivalente 
jurisdicional para parte da doutrina. São exemplos o CADE (Conselho Administrativo de Defesa 
Econômica) e o CARF (Conselho Administrativo da Receita Federal). 
 Trata-se de procedimento não jurisdicional que se caracteriza pelo contraditório. 
Vamos aprofundar um pouco? 
 
Preocupação do CPC com os meios consensuais de solução de conflitos 
Antes de seguirmos com a resolução de uma questão, é importante destacar que o CPC faz significativo 
esforço para proporcionar formas consensuais de solução de conflitos, por intermédio da conciliação e da 
mediação. 
Primeiramente, cumpre destacar que o art. 3º outorga ao Estado o dever de promover, sempre que possível, 
a solução consensual de conflitos. Além disso, o cabe ao juízo, advogados, defensores públicos e membros 
do Ministério Público o dever de estimular a utilização dos meios consensuais de conflitos. Em decorrência 
disso, o CPC destaca um trecho da norma para tratar especificamente do tema, entre os arts. 165 e 175 do 
CPC. 
O incentivo à mediação e à conciliação não se dá apenas para a solução extrajudicial, mas também dentro 
do processo. É por isso que o art. 334 do CPC prevê a citação do réu para que compareça a uma audiência 
de conciliação ou mediação, da qual não participará o juiz, mas os centros de solução consensual dos 
conflitos. Ademais, ao longo de todo o procedimento, sempre que possível, o juiz buscará a solução 
consensual por intermédio da conciliação ou da mediação, independentemente da fase processual a que se 
encontrar o processo. 
Princípios aplicáveis à conciliação e à mediação 
Aproveitando para aprofundar um pouco mais vamos resumir os princípios aplicáveis a técnicas de solução 
consensual de conflitos: 
1) Princípio da independência: o conciliador e o mediador não podem sofrer pressões internas ou 
externas para o exercício das suas funções. 
2) Princípio da imparcialidade: o conciliador e o mediador não podem ter interesse na solução do 
conflito. 
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3) Princípio da autonomia da vontade: respeita-se a vontade das partes, uma vez que se trata de 
solução consensual. 
4) Princípio da confidencialidade: o que ocorrer na sessão de conciliação constará da ata somente o 
quanto quiserem as partes. 
5) Princípio da oralidade; 
6) Princípio da informalidade: não há estrutura rígida nas sessões de conciliações e mediações. 
6) Princípio da decisão informada: cabe ao mediador e ao conciliador manter as partes plenamente 
informadas dos seus direitos e do contexto fático no qual estão inseridas. 
Agora, sim, vamos à questão: 
 
(TRF1ªR - 2015) Assinale a opção correta a respeito da jurisdição e dos equivalentes jurisdicionais. 
a) Na jurisdição voluntária, a lei confere maior flexibilidade ao julgador para conduzir o processo, mas o 
obriga à observância de critérios de legalidade estrita quando da prolação da sentença. 
b) A imparcialidade é a característica da jurisdição contenciosa que impede o julgador de determinar, de 
ofício, a produção de prova em juízo. 
c) A autodefesa, excepcionalmente permitida no direito brasileiro para a composição da lide, pode ocorrer 
antes ou durante o processo. 
d) Na arbitragem, as partes podemescolher a norma de direito material a ser aplicada para a solução do 
conflito. 
e) Configura exceção à regra da indelegabilidade da jurisdição a expedição de carta precatória que delegue 
a oitiva de testemunha a outro juízo. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, pois o art. 723, parágrafo único, do CPC, prevê que o juiz não é obrigado a 
observar o critério de legalidade estrita, podendo adotar, em cada caso, a solução que considerar mais 
conveniente ou oportuna. 
A alternativa B está incorreta, pois, como vimos, o juiz exerce a direção do processo e, em face disso, poderá 
determinar a produção de provas. 
A alternativa C está incorreta. Não tratamos diretamente da autodefesa, pois é uma técnica comum aos 
Juizados Especiais que permite às partes atuar sem advogado, e, portanto, ocorrerá no curso do processo, 
não havendo possibilidade de se configurar antes do processo. Se ela falasse em autocomposição, ficaria 
correta a alternativa. 
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A alternativa D está correta, pois, na arbitragem, as partes poderão escolher, livremente, as regras de direito 
que serão aplicadas, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. 
A alternativa E está incorreta, pois a carta precatória é ato de cooperação e não delegação de competência. 
Pede-se auxílio para praticar um ato para o qual o Juiz não detém competência. 
Encerramos o estudo do primeiro instituto fundamental do Direito Processual Civil. 
3 - Ação 
A ação é o instrumento para provocar a jurisdição estatal. É por intermédio do exercício do direito de ação 
que o Estado juízo sai da condição de inércia, substitui a vontade das partes pela vontade do direito, e decide 
definitivamente o conflito entre elas. 
O Processo Civil observa três estágios de evolução. A disciplina nasceu como um anexo do Direito Civil; 
posteriormente, com o relevo e a importância que adquiriu, foi totalmente desvinculada do direito material. 
Essa separação total entre direito material e processual foi muito criticada, de modo que tivemos uma 
reaproximação. Passou-se a ventilar que o processo é um instrumento e que deve ser manejado para 
concretizar o direito material. 
Isso tudo está intimamente ligado com a evolução da ação. Ainda hoje se discute muito sobre qual é a 
natureza jurídica da ação. O estudo das teorias da ação é, no fundo, o estudo da evolução do Direito 
Processual Civil. Como o assunto reverbera em provas, é necessário, ainda que de forma objetiva, passar 
pelas denominadas teorias da ação. 
3.1 - Teorias da ação 
Teoria imanentista (ou civilista) 
Essa teoria reproduz o primeiro estágio de evolução da disciplina. A ação é entendida como o direito material 
em movimento, em razão de uma ameaça ou lesão a direito. Logo, a ação é o direito material que se faz 
valer por intermédio do processo. A ação, portanto, é um modo de exercício do direito material. 
Nessa teoria, o processo civil é absorvido pelo direito material. A peculiaridade está no fato de que o 
processo, visto tão somente como um procedimento, é a forma dinâmica do direito material. Assim, o 
direito de ação é uma prerrogativa do autor em face do seu adversário e não contra o Estado. 
Para fins de prova... 
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Essa teoria é objeto de diversas críticas, pois somente haveria ações julgadas procedentes, uma vez que no 
caso de improcedência não temos ação, pois o autor não teria direito material. Além disso, essa teoria não 
consegue explicar as denominadas ações declaratórias negativas. A ação proposta por determinada pessoa 
para se obter o reconhecimento de que não deve nada a ninguém é exemplo de ação declaratória negativa. 
Nesse caso, a parte busca o Poder Judiciário para obter a certeza (dada pela sentença) de que ele não tem 
qualquer direito ou dever nessa relação. 
Em face dessas críticas, a teoria imanentista não prevalece e é estudada com intuito de conhecer a evolução 
histórica do Direito Processual Civil. 
Confira uma questão: 
 
(Câm. dos Deputados - 2014) Julgue o item seguinte, relativo à teoria e às condições da ação. 
A escola clássica, imanentista ou civilista, segundo a qual a ação é uma qualidade de todo direito ou o próprio 
direito como forma de reação a uma violação, é a teoria predominantemente adotada no direito processual 
civil brasileiro. 
Comentários 
A assertiva está incorreta. A teoria imanentista compreende a ação como o direito material em movimento, 
em razão de uma ameaça ou lesão a direito. 
Polêmica Windscheid X Müther 
A partir das críticas que foram se somando contra a teoria imanentista, surgiram diversos doutrinadores que 
passaram a cogitar que o direito de ação não pode ser considerado como o direito material em movimento. 
Direito material e direito de ação são dois direitos distintos, embora estejam vinculados. 
TEORIA IMANENTISTA:
direito material em movimento;
direito de ação contra o adversário;
processo é mero procedimento.
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Os autores Windscheid e Müther passaram a discutir o direito de ação no Direito Romano. A partir dessa 
discussão entenderam que, para o conceito moderno de ação, é necessário distingui-la do direito material. 
O direito de ação constitui um direito contra o Estado e não contra o adversário (tal como defendido pela 
teoria anterior). Assim, a parte tem um direito material e poderá vê-lo assegurado por intermédio do Poder 
Judiciário exercendo um direito contra o Estado, o direito de ação que irá resultar na prestação da tutela 
jurisdicional. Por isso, o direito de ação possui natureza pública. 
Assim, a partir das discussões entre esses doutrinadores, chegou-se à conclusão de que direito de ação e 
direito material, embora vinculados, são distintos. 
Teoria concreta da ação 
Nessa teoria temos as primeiras manifestações com o objetivo de diferenciar o direito de ação do direito 
material. 
O direito de ação é analisado sob dois aspectos: 
a) é exercido contra o Estado e tem por finalidade obter uma tutela favorável; e 
b) é um direito exercido contra a parte adversária. 
Assim, o direito de ação somente existirá quando houver direito material a ser tutelado. Desse modo, 
embora autônomo, permanece condicionado à existência do direito material. Afirma-se, portanto, que o 
direito de ação é um direito potestativo, que sujeita o adversário ao exercício da ação e da tutela do Estado. 
Isso, contudo, é um problema. 
Primeiro, como sustentar a teoria no caso de sentença de improcedência? 
Pelo que estudamos acima, não haveria ação, tendo em vista que a parte não obteve o direito material que 
pretendeu ter. Tudo o que ocorreu nesse processo e que levou à sentença de mérito não teria qualquer 
sentido jurídico para essa teoria. 
Segundo, no caso de uma ação que tem por objetivo declarar a inexistência de uma relação 
jurídica, não haveria direito de ação? 
Novamente, peca a teoria por não conseguir abarcar situações corriqueiras nos processos, como naquelas 
em que a parte entra em Juízo para obter um pronunciamento de um efeito jurídico com a declaração de 
inexistência de direito material. 
Para a prova... 
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Teoria abstrata do direito de ação 
Para essa teoria, o direito de ação pode existir sem o direito material, pois constitui tão somente o direito à 
obtenção de um pronunciamentodo Estado no exercício da função jurisdicional. 
Assim, não é necessário qualquer condicionamento para o exercício do direito de ação, de modo que não 
se fala em “condições da ação”. 
Com a nova sistemática adotada pelo novo CPC, que não fala mais em condições da ação e em carência da 
ação (no caso, por ausência de condição), parte da doutrina tem defendido que essa é a teoria da ação 
consentânea com o nosso Direito Processual Civil. 
Para esses autores, interesse e legitimidade (conhecidas como clássicas condições da ação) são assuntos 
analisados no mérito. Entende-se que esse raciocínio é condizente com o princípio da economia processual, 
pois evita a repropositura de ação já analisada por falta de interesse ou ilegitimidade. 
Para a prova... 
 
Teoria eclética 
A teoria eclética costumava ser a predominante na doutrina brasileira. Ela mantém a distinção entre direito 
de ação e o direito material, argumentando que são autônomos e independentes entre si. De toda forma, 
para o exercício do direito de ação, é necessário verificar algumas condições prévias. Assim, somente 
haverá julgamento de mérito se essas condições forem preenchidas. 
TEORIA CONCRETA DA AÇÃO:
ação é direito contra o Estado (para obter uma tutela favorável) e contra o 
adversário (para obter o direito material);
condicionado ao direito material;
direito potestativo.
TEORIA ABSTRATA DO DIREITO DE AÇÃO:
direito a um pronunciamento do Estado;
direito de ação existe, ainda que sem o direito material;
não há condição da ação ou sentença terminativa por carência 
da ação;
interesse e legitimidade são assuntos de mérito.
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Caso as condições da ação não sejam preenchidas, há decisão terminativa por carência da ação, sem a 
formação da coisa julgada em sentido material. Naquele processo temos a coisa julgada formal, mas o 
conteúdo que se pretende discutir não fica imobilizado pela coisa julgada material. 
Para compreender a teoria eclética é importante diferenciar o direito de petição do direito de ação. Uma 
coisa é falar no direito de peticionar ao Poder Judiciário, outra é o direito de ação. O direito de peticionar é 
incondicionado, mas o direito a obter um pronunciamento de mérito fica condicionado ao preenchimento 
das condições da ação. 
Como as condições de ação são consideradas questões de ordem pública, podem ser analisadas de ofício 
pelo magistrado, em qualquer momento da marcha processual, muito embora o ideal é que sejam analisadas 
com a propositura da demanda. 
Para a prova... 
 
Teoria da asserção 
Essa teoria surgiu como um meio termo entre a teoria abstrata pura e a teoria eclética. 
Também conhecida como in statu assertionis ou teoria della prospettazione, temos a separação entre direito 
material e direito de ação com a presença das condições da ação. 
A diferença reside no fato de que a avalição das condições da ação será efetuada no início do processo, de 
acordo com os elementos fornecidos pela parte na petição inicial. Fala-se em cognição superficial, pois o 
magistrado irá verificar a legitimidade e o interesse tão logo seja apresentada a ação apenas com os 
elementos fornecidos pela parte autora quando da propositura da ação judicial. 
Por isso que se fala em teoria da asserção, porque a análise das condições da ação parte da proposição feita 
pela parte, do que ela alega inicialmente. Com essa análise prévia do juiz (cognição sumária), é possível 
eliminar processos inúteis que, manifestamente, não possuem as condições da ação e, com isso, o 
magistrado profere uma sentença terminativa. 
Agora, se diante dos elementos trazidos no processo, o juiz não puder analisar as condições da ação, o 
processo seguirá seu curso, quando haverá a denominada “cognição aprofundada”. Se após todo o 
TEORIA ECLÉTICA:
direito de ação é condicionado (interesse e legitimidade);
carência da ação forma apenas coisa julgada formal;
condição da ação é matéria de ordem pública analisável a qualquer momento;
direito de petição é incondicionado.
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procedimento o juiz, ao sentenciar, concluir que não há interesse ou legitimidade (ou seja, que não há 
condição da ação), nesse caso a sentença será definitiva. Entende-se, portanto, que a análise do interesse 
e legitimidade ao final do processo, é análise de mérito, razão pela qual a decisão não será meramente 
terminativa, mas definitiva. 
Assim... 
 
Pergunta-se: 
Em que momento nós sabemos que as condições da ação deixarão de ser analisadas em 
cognição sumária e ficarão para a análise final do processo? 
A partir do momento em que o Juiz determinar a citação do réu. Assim, a análise prévia, em asserção, das 
condições da ação, deve ocorrer com a propositura da demanda. Se em razão do que a parte disse na petição 
inicial não houver elementos para refutar o interesse e a legitimidade, cita-se a parte e esses tópicos serão 
analisados na sentença. 
Abaixo, citamos decisão do STJ13 que se vale da aplicação da teoria da asserção: 
CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. 
CONDIÇÕES DA AÇÃO. TEORIA DA ASSERÇÃO. PLANO DE SAÚDE COLETIVO. DESTINATÁRIO 
FINAL DO SERVIÇO. LEGITIMIDADE ATIVA. RESCISÃO UNILATERAL. INTERESSE 
JURIDICAMENTE PROTEGIDO. 1. Ação de obrigação de fazer da qual se extrai o recurso 
especial, interposto em 21/09/2016 e concluso ao gabinete em 16/05/2017. Julgamento: 
CPC/15. 2. O propósito recursal é definir se o beneficiário de plano de saúde coletivo por 
adesão possuiria legitimidade ativa para se insurgir contra rescisão contratual unilateral 
realizada pela operadora. 3. As condições da ação são averiguadas de acordo com a teoria 
da asserção, razão pela qual, para que se reconheça a legitimidade ativa, os argumentos 
aduzidos na inicial devem possibilitar a inferência, em um exame puramente abstrato, de 
que o autor pode ser o titular da relação jurídica exposta ao juízo. 4. O contrato de plano 
de saúde coletivo estabelece o vínculo jurídico entre uma operadora de plano de saúde e 
uma pessoa jurídica, a qual atua em favor de uma classe (coletivo por adesão) ou em favor 
de seus respectivos empregados (coletivo empresarial). Esse contrato caracteriza-se como 
 
13 REsp 1.705.311/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, 9.11.2017. 
AS CONDIÇÕES DA 
AÇÃO NA TEORIA DA 
ASSERÇÃO SÃO:
analisadas em cognição 
sumária;
se ausentes, o juiz 
profere decisão 
terminativa;
analisadas em cognição 
aprofundada caso não 
seja possível analisá-la 
em asserção;
se ausentes, juiz profere 
decisão definitiva.
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uma estipulação em favor de terceiro, em que a pessoa jurídica figura como intermediária 
da relação estabelecida substancialmente entre o indivíduo integrante da classe/empresa 
e a operadora (art. 436, parágrafo único, do Código Civil). 5. O fato de o contrato ser 
coletivo não impossibilita que o beneficiário busque individualmente a tutela jurisdicional 
que lhe seja favorável, isto é, o restabelecimento do seu vínculo contratual com a 
operadora, que, em tese, foi rompido ilegalmente. 6. Recurso especial conhecido e provido. 
Para a prova... 
 
Confira uma questão de prova: 
 
(PGFN - 2015) Segundo a teoria da asserção ou prospettazione: 
a) o juiz deve estrita observância aos limites do pedido, não podendo julgar além, aquém ou fora do que foi 
postulado pelas partes. 
b) as condições da ação devem ser apreciadas de acordo com as alegações do autor na petição inicial, ou 
seja, não dependem da correspondência entretais afirmações e a realidade verificada a partir da dilação 
probatória. 
c) trata-se de teoria relacionada à impugnação das decisões judiciais, que delimita o efeito devolutivo dos 
recursos ao que consta precisamente da peça recursal. 
d) o autor deve descrever, na inicial, os fatos e os fundamentos jurídicos do pedido, ou seja, ao autor 
incumbe substanciar a causa de pedir com todos os fatos importantes que deram origem ao seu pleito. 
e) cabe ao réu impugnar todos os fatos articulados pelo autor na petição inicial, sendo vedada a impugnação 
genérica. 
Comentários 
TEORIA DA ASSERÇÃO:
distinção entre direito material e direito de ação;
direito de ação condicionado à legitimidade e interesse;
a avaliação das condições da ação à vista das afirmações do demandante em cognição sumária, 
pode levar à carência da ação (avaliação das condições da ação "in status assertionis");
a avaliação do interesse e legitimidade como matéria de mérito que pode conduzir à rejeição do 
pedido.
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A alternativa A trata do princípio da adstrição (ou congruência). 
A alternativa B é a correta e gabarito da questão. 
A alternativa C trata do efeito devolutivo em extensão dos recursos (assunto que será estudado em outra 
oportunidade) 
A alternativa D representa a teoria da substanciação da causa de pedir, aplicada em detrimento da teoria da 
individuação. 
A alternativa E trata do ônus da impugnação especificada (assunto que será estudado em outra 
oportunidade). 
Vejamos mais uma questão! 
(CREF - 2018) A Lei n.º 13.105/2015 adotou, para explicar a natureza jurídica do direito de ação, conforme 
entendimento doutrinário, a teoria eclética, segundo a qual o direito de ação não se confunde com o 
direito material, inclusive existindo de forma autônoma e independente. A respeito do direito de ação, 
julgue os itens que se seguem. Segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, para a aferição 
das condições da ação de legitimidade ativa e interesse processual, deve‐se adotar a teoria da asserção. 
Comentários 
A asserção está correta. Como já repisamos, dentre as teorias da ação apresentadas, o STJ adota, em seu 
entendimento jurisprudencial, a teoria da asserção. 
Sigamos! 
Do que estudamos até aqui você pode concluir, sem maior dificuldade, que não aplicamos ao Direito Civil 
Processual Civil brasileiro as teorias imanentista e concreta da ação. 
Contudo, ante o CPC de 2015, o que devemos seguir em provas objetivas? 
A resposta a esse questionamento não é simples! A doutrina ainda não tem um posicionamento claro a 
respeito, de modo que as provas de concurso refletem variadas posições. 
Uma das correntes doutrinárias14 mais representativas do Direito Processual Civil atual conclui: 
Sepulta-se um conceito que, embora prenhe de defeitos, estava amplamente disseminado 
no pensamento jurídico brasileiro. Inaugura-se, no particular, um novo paradigma teórico, 
mais adequado que o anterior, e que, por isso mesmo, é digno de registro e aplauso. 
Para o autor: 
 não há mais que se falar na expressão “condições da ação”; 
 
14 DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil: introdução ao Direito Processual Civil, Parte Geral e Processo de 
Conhecimento. Vol. 1, 18ª edição, rev., ampl. e atual., Bahia: Editora JusPodvim, 2016, p. 308. 
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Ä “possibilidade jurídica do pedido” é hipótese que gera a improcedência do pedido; e 
 legitimidade e interesse passam a constituir pressuposto processual. 
Logo, para o autor, deve ser adotada a teoria abstrata do direito de ação. 
É esse o posicionamento que devo seguir em provas? 
Não necessariamente! 
Então, como acertar questões de prova? 
Não obstante o pensamento doutrinário acima, as questões parecem convergir para aplicação da teoria 
eclética e para a aplicação da teoria da asserção, especialmente quando mencionam a jurisprudência do 
STJ. 
Logo, ao resolver questões de prova, em ordem, você deverá adotar a seguinte sequência lógica de 
raciocínio: 
1º raciocínio: considere a adoção, pelo CPC de 2015, da teoria eclética do direito de ação como 
entendimento majoritário; 
2º raciocínio: considere a teoria da asserção como uma forma de verificação das condições da ação 
(em cognição sumária ou aprofundada) e, também, como a teoria adotada pelo STJ; e 
3º raciocínio: lembre-se de que existe corrente no sentido de que a teoria abstrata do direito de ação 
pode interpretada em razão de o CPC de 2015 não mais falar em “condições da ação” ou “carência 
da ação”. 
Por fim duas observações para aplicar a sequência lógica acima: 
1ª observação: não há conflito aparente entre o primeiro e segundo raciocínios. Grosso modo, a 
teoria eclética cria as condições da ação e a teoria da asserção trata de disciplinar formas de 
verificação desta teoria. Não será necessário – para acertar questões de prova – conflitá-las. Você 
pode considerá-las como teorias que convergem para um mesmo sentido. Teoria eclética e teoria da 
asserção convivem. 
2ª observação: somente considere assinalar questão pelo que consta da terceira opção caso 
nenhuma das alterativas se encaixem nos dois primeiros raciocínios. A aplicação do terceiro raciocínio 
é totalmente subsidiária. 
Se você adotar a sequência lógica acima, tomando as observações abaixo como premissa, não errará questão 
de prova sobre a teoria a ser aplicada no CPC de 2015. 
Confira como o assunto pode ser abordado: 
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(Câm. dos Deputados - 2014) Julgue o item seguinte, relativo à teoria e às condições da ação. 
Entre as condições da ação inclui-se a possibilidade jurídica do pedido, que consiste na exigência de que o 
pedido de tutela jurisdicional formulado em juízo não seja vedado pelo ordenamento jurídico. 
Comentários 
A assertiva está incorreta em face do novo CPC, que não aborda mais a “possibilidade jurídica do pedido”, 
assunto, agora, de mérito. Lembre-se que são consideradas condições da ação: interesse e legitimidade. 
Confira mais uma questão: 
(TJ-AM - 2016) A respeito da ação e dos pressupostos processuais, assinale a opção correta. 
a) Segundo a teoria da asserção, a análise das condições da ação é feita pelo juiz com base nas alegações 
apresentadas na petição inicial. 
b) Na ação de alimentos contra o pai, o menor de dezesseis anos de idade tem legitimidade para o processo, 
mas não goza de legitimidade para a causa. 
c) O direito a determinada prestação jurisdicional se esgota com o simples exercício do direito de ação. 
d) Conforme a teoria concreta da ação, o direito de agir é autônomo e independe do reconhecimento do 
direito material supostamente violado. 
e) Na hipótese de legitimidade extraordinária, a presença e a higidez dos pressupostos processuais serão 
examinadas em face da parte substituída. 
Comentários 
A alternativa A está correta e representa justamente a teoria da asserção aplicada às condições da ação. 
A alternativa B está incorreta, pois no caso o adolescente tem legitimidade para a causa, ou seja, para figurar 
como parte, mas não goza de legitimidade para o processo, pelo que deverá ser assistido. 
A alternativa C está incorreta, pois a prestação jurisdicional esgota-se apenas com a satisfação. 
A alternativa D está incorreta, pois, de acordo com a teoria concreta da ação, o direito de ação nada mais é 
do que o direito material na forma dinâmica. Direito de ação é autônomo, mas não é independente. 
A alternativa E, por sua vez, está incorreta, pois a legitimidadeextraordinária envolve situações nas quais o 
titular do direito material não é a parte processual, sob quem recaem os pressupostos processuais. 
Como o tema é muito cobrado, vejamos mais uma questão: 
(TRT4ªR - 2016) Julgue: 
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São condições da ação, conforme previsão expressa, e, portanto, matéria de ordem pública, sobre as quais 
o Juiz deve se pronunciar de ofício, a legitimidade de parte, o interesse processual e a possibilidade jurídica 
do pedido. 
Comentários 
Essa questão possui um erro: “possibilidade jurídica do pedido” não é mais retratada no novo CPC, 
constituindo temática a ser analisada no julgamento do feito. Não pode nem mesmo ser classificada como 
pressuposto processual. Incorreta a assertiva, portanto. 
3.2 - Interesse e legitimidade 
Compreendida a discussão quanto às teorias da ação, vamos ao CPC que, sobre a ação inicia da seguinte 
forma: 
Art. 17. PARA POSTULAR EM JUÍZO é necessário ter interesse e legitimidade. 
Da leitura do dispositivo, nota-se um condicionamento para que a pessoa possa ingressar com uma ação. 
Desse modo, embora não nominados como condições, no fundo, trata-se de condicionamento para o 
exercício da ação. Para outra corrente doutrinária (teoria abstrata do direito de ação), interesse e 
legitimidade constituem pressupostos de validade do processo. 
Diante disso, cumpre uma distinção teórica. 
(i) Para quem defende que legitimidade e interesse são condições da ação, pugnam pela análise dessas 
condições em dois momentos distintos no processo. 
Em um primeiro momento o magistrado, ao tomar conhecimento da petição inicial, irá avaliar à vista das 
informações que constam da petição inicial, sem considerar as provas que ainda serão produzidas, se a parte 
tem interesse e legitimidade. Essa cognição é prévia, é sumária e exercida in status assertionis (em 
asserção). 
Caso o juiz entenda que não há interesse ou legitimidade, indeferirá a petição inicial com extinção do 
processo sem resolução do mérito. Trata-se da denominada sentença terminativa, que não produz coisa 
julgada material. 
Superada a cognição sumária, se o magistrado decidir pela citação da parte ré preclui a possibilidade da 
sentença terminativa pela não caracterização de interesse e legitimidade. Contudo, ao final da demanda, 
quando o juiz for sentenciar o mérito, o art. 17, do CPC, poderá ser novamente referido pelo juiz, 
oportunidade em que a sentença será de rejeição do pedido por entender que faltou interesse e 
legitimidade. Nesse caso, a sentença analisará o mérito, formando-se coisa julgada material. 
(ii) Para quem defende a teoria abstrata do direito de ação, interesse e legitimidade são pressupostos 
processuais que podem ser identificados a qualquer tempo do curso do processo e, cujo reconhecimento de 
ausência, leva à extinção do processo sem julgamento do mérito. 
Essa distinção não tem muita relevância prática e, no momento, da prova cumpre a você identificar qual a 
orientação adotada pela banca. 
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Na sequência, vamos distinguir e compreender o que é interesse e o que é legitimidade. 
Interesse 
O interesse refere-se à necessidade e utilidade da tutela jurisdicional pedida pelo demandante15. O autor 
deve demonstrar que o provimento pretendido é capaz de melhorar a sua situação fática a ponto de justificar 
o dispêndio de tempo, de energia e de dinheiro no processo. 
Didaticamente, o interesse é estudado sob o binômio: necessidade e adequação. 
O processo será necessário toda vez que o autor não tiver outro meio para obter o bem da vida pretendido, 
a não ser por intermédio do Poder Judiciário. 
O processo será adequado se, em razão dos pedidos deduzidos, o processo for apto a resolver o conflito de 
interesses. O Poder Judiciário deve ser capaz de afastar o conflito para obtenção do bem da vida pretendido 
pela parte. 
Por exemplo, a parte ingressa com uma ação judicial para cobrar dívida ainda não vencida. Nesse caso, não 
há interesse na tutela pretendida, pois nem sequer sabemos se, com o termo do prazo, o crédito será quitado. 
Caracterizado o interesse, é importante estudar o art. 19 do CPC: 
Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração: 
I - da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica; 
II - da autenticidade ou da falsidade de documento. 
Esses dois dispositivos trazem exemplos de interesses que justificam o ingresso da ação pela parte. Assim, a 
parte pode ingressar em Juízo para obter tão somente a certeza jurídica. 
Assim, devido à dúvida que paira, a parte decide ingressar em juízo para confirmar a certeza, atestar a 
existência, a inexistência ou o modo de ser de determinada relação jurídica. Nesse caso, o bem da vida 
buscado perante o Poder Judiciário é a certeza. 
De acordo com a doutrina, o interesse deve ser: a) jurídico; b) objetivo; c) atual. 
Assim: 
JURÍDICO A incerteza é capaz de ofender a esfera jurídica da pessoa. 
 
15 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado. 2ª edição, 
rev., atual. e ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 172. 
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OBJETIVO Há alguma conduta ou fato exterior que gera a dúvida. 
ATUAL 
A incerteza não é meramente possível, mas efetivamente 
existente. 
Portanto, qualquer relação jurídica pode ser declarada judicialmente, desde que observe os requisitos acima. 
De acordo com o STJ: 
 É admissível ação declaratória visando obter certeza quanto à exata interpretação de cláusula 
contratual (Súmula STJ 181). 
 O mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito à compensação 
tributária (Súmula STJ 213) 
 Cabe ação declaratória para reconhecimento de tempo de serviço para fins previdenciários 
(Súmula STJ 242) 
Há discussão na doutrina e na jurisprudência quanto à formação de título executivo na sentença declaratória. 
Afinal, ela se presta apenas a declarar. Se da declaração constar um crédito seria possível exigir o 
cumprimento? 
Para uma 1ª corrente, é possível! Antes do CPC atual, o STJ revelou entendimento pela possibilidade de 
cumprimento de sentença em ação declaratória. O atual CPC também não traz nenhum impedimento e, 
embora a pretensão da parte seja declarar, entende-se ser excesso de formalismo impedir o cumprimento 
somente pelo fato de que a parte não formulou o pedido expresso de condenação, mas apenas requereu a 
declaração do direito. 
Para ilustrar, em entendimento firmado sob o julgamento de recursos repetitivos, o STJ assentou a seguinte 
tese16: 
A sentença, qualquer que seja sua natureza, de procedência ou improcedência do pedido, 
constitui título executivo judicial, desde que estabeleça obrigação de pagar quantia, de 
fazer, não fazer ou entregar coisa, admitida sua prévia liquidação e execução nos próprios 
autos. 
Para a 2ª corrente, o foco está no provimento, que é declaratório. Logo, não forma título executivo, de modo 
que a execução forçada não poderá ser usada como instrumento, pois essa ação presta-se a conferir certeza 
jurídica. 
 
16 REsp 1.324.152, Rel. Luis Felipe Salomão, DJe 15/06/2016. 
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Como o CPC novo não especificou a possibilidade de cumprimento de sentença em ação declaratória, é 
questionada doutrinariamente a jurisprudênciaacima. Embora alguma dúvida doutrinária permaneça, a tese 
de 2016 ainda prevalece até que haja confirmação ou retificação de entendimento por parte do STJ. 
Resumindo... 
 
Além disso, admite-se ação declaratória para atestar a autenticidade ou a falsidade de documento. 
Essa declaração pode ocorrer no contexto de uma ação ajuizada ou é possível que a parte ajuíze uma ação 
apenas para retirar a dúvida quanto à higidez do documento. 
No primeiro caso, temos um processo qualquer e, no curso dele, pretende-se provar a pretensão por 
intermédio de determinada prova. A parte contrária poderá impugnar a autenticidade ou a falsidade do 
documento. O juiz decidirá a respeito. Contudo, nesse tipo de processo, o foco não é a prova, mas a 
pretensão trazida pelo autor que se prova pelo documento impugnado. No caso do art. 19, II, do CPC, o que 
se pretende é ajuizar uma ação para ter um documento declarado autêntico ou falso como questão principal 
de modo que não poderá ser considerado autêntico em outro processo, mesmo que trate de outra relação 
jurídica. Nesse caso, a dúvida é afastada pela sentença que fará coisa julgada material. 
Para finalizar, o art. 20 do CPC prevê que a parte poderá pleitear tão somente ação declaratória, mesmo que 
o receio de insegurança jurídica tenha evoluído para uma lesão a direito. De acordo com a doutrina, esse 
dispositivo prestigia a autonomia individual. 
Confira: 
Art. 20. É admissível a ação meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação 
do direito. 
INTERESSE – AÇÃO 
DECLARATÓRIA
Certificar a existência
Certificar a inexistência
Certificar o modo de ser de 
uma relação jurídica
jurídico, objetivo e atual
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Legitimidade 
A legitimidade refere-se à pertinência subjetiva da ação, ou seja, refere-se à titularidade para promover 
ativa ou passivamente a ação17. 
Em regra, terá legitimidade o titular da relação jurídica de direito material. Esse será o legitimado comum, 
originário. Há, contudo, algumas especificidades previstas na legislação que permitem que alguém que não 
seja o titular do direito possa buscar a tutela jurisdicional. Nesse contexto, veja o que nos ensina o art. 18 do 
CPC: 
Art. 18. NINGUÉM poderá pleitear direito alheio em nome próprio, SALVO quando 
autorizado pelo ordenamento jurídico. 
Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como 
assistente litisconsorcial. 
O dispositivo acima prevê a possibilidade de pleitear direito alheio em nome próprio apenas quando estiver 
expressamente autorizado na legislação. Esse dispositivo consagra, portanto, a legitimação extraordinária. 
Assim: 
 
Para facilitar a compreensão, vamos citar alguns exemplos: 
O MP poderá ajuizar uma ação civil pública para tutelar interesses coletivos da população ribeirinha, 
prejudicada pela emissão de poluentes despejados no rio por empresa mineradora. 
Associação de direito das pessoas com deficiência poderá ajuizar ação coletiva para pleitear a observância 
de regras de acessibilidade nos órgãos municipais. 
Nos dois casos acima, existe lei específica que autoriza que ambos pleiteiem direito alheio em nome próprio. 
Note que a emissão de poluentes não prejudica diretamente o Ministério Público, mas a população ribeirinha. 
Perceba também que a não observância das regras de acessibilidade pelos órgãos municipais não prejudica 
a associação, mas as pessoas com deficiência que eventualmente necessitarem de atendimento por tais 
 
17 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado. 2ª edição, 
rev., atual. e ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 172. 
LEGITIMAÇÃO:
ordinária a parte pleiteia direito próprio.
extraordinária
a parte pleiteia direito alheio, 
quando expressamente 
autorizado pelo ordenamento.
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órgãos. Nesses casos, outros são os titulares da relação jurídica material, mas a ação, por lei, poderá ser 
ajuizada respectivamente pelo MP e pela associação. 
Ainda em relação à legitimação extraordinária, cumpre observar que o substituto detém, em regra, todos os 
poderes inerentes à ação, como a capacidade de alegar, postular e produzir provas etc. Contudo, não poderá: 
a) fazer depoimento pessoal; b) praticar atos de disposição do direito material do titular do direito, como 
renunciar ou reconhecer o pedido e transacionar. Para esses atos é necessária a anuência expressa do 
substituído. 
Na sequência, vamos abordar alguns pontos que podem gerar confusão. 
Substituição processual, legitimidade extraordinária, sucessão processual, legitimidade ad 
processum e legitimação são todos sinônimos? 
ABSOLUTAMENTE NÃO! 
Aqui preste muita atenção. Desatar esses nós terminológicos será fundamental para você acertar questões 
de prova um pouco mais complexas. 
(i) Legitimação extraordinária é sinônimo de substituição processual. Há doutrinadores que pretendem 
criar uma diferenciação, porém ela não é relevante para fins de prova objetiva de concurso. Ambos 
representam a possibilidade de alguém, que não é titular do direito material discutido em juízo, ajuizar a 
ação em nome próprio. São os casos acima do MP e da associação de direitos das pessoas com deficiência. 
(ii) Legitimação extraordinária (ou substituição processual) não se confunde com sucessão processual. 
A sucessão processual envolve a hipótese em que uma das partes é retirada da relação processual para dar 
lugar a outra parte, o que não ocorre na legitimação extraordinária/substituição processual. 
Exemplifica-se! 
No caso de herdeiros que substituem o falecido em uma ação civil de cobrança de dívida teríamos a sucessão 
processual, ao passo que a impetração de mandado de segurança por associação na defesa de direito dos 
seus associados seria considerada hipóteses de legitimação extraordinária (ou de substituição processual). 
(iii) Legitimação extraordinária não se confunde com a legitimidade ad processum, ou seja, a capacidade 
para estar em Juízo. 
Quando à parte falta capacidade para a prática de atos da vida civil, ela não poderá ir a juízo sozinha, 
necessitando, nesse caso, de um representante ou assistente. Perceba que ela não deixa de ser parte legítima 
(e titular do direito material discutido em juízo), mas não terá legitimidade para o processo, não terá 
capacidade de ir a juízo. É o caso, por exemplo, do menor que pleiteia ação de alimentos em face do pai 
desidioso. Nesse caso, a criança ingressará em juízo com representante (a mãe, por exemplo) a fim de que 
seja integrada a falta de legitimidade “ad processum”. 
(iv) Legitimação extraordinária (ou substituição processual) difere de legitimação. Quando se estuda 
capacidade processual, percebe-se que, em determinadas situações somente será possível ajuizar ou ser 
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demandado junto de outra pessoa. Se essa outra pessoa não estiver no polo da demanda contigo, o processo 
conterá um vício. 
É o caso do art. 73 do CPC que prevê que um cônjuge precisa de consentimento de outro cônjuge para propor 
ação que verse sobre direito real imobiliário. Ele é titular da relação jurídica discutida em juízo e, portanto, 
estará pleiteando direito próprio em nome próprio. Contudo, como a discussão sobre essa propriedade 
imóvel afeta a esfera jurídica do cônjuge (por exemplo, em razão da meação), a lei exige que ambos 
proponham a ação juntos, em litisconsórcio ativo. Se trata, portanto, de situação totalmente distintada 
legitimação extraordinária (ou substituição processual). 
Em síntese: 
legitimação extraordinária = substituição processual ≠ 
sucessão processual 
legitimidade ad processum 
legitimação 
Sigamos! 
E a possibilidade jurídica do pedido? 
Classicamente, já se falou em possibilidade jurídica do pedido como umas das condições da ação. O atual 
CPC não fala mais em possibilidade jurídica do pedido como condicionamento para a ação. Hoje a 
compreensão é de que se trata de questão de mérito, pois, ao sentenciar, o juiz vai verificar se o pedido do 
autor é possível. De acordo com a doutrina, podemos ter: 
a) pedido apto a receber tutela judicial porque é previsto no ordenamento jurídico; 
b) pedido que, embora não previsto, não é vedado e, portanto, é apto a ser tutelado; e 
c) pedido vedado expressamente por lei. 
Dessas três espécies, se o pedido for vedado expressamente por lei, caímos na análise do interesse 
processual. Dito de outra forma, se o pedido é vedado, a parte não tem interesse processual em vê-lo 
tutelado jurisdicionalmente, recaindo no estudo do interesse. 
Não pode a parte, por exemplo, cobrar dívida de jogo, ingressar com uma ação para pedir o desquite (uma 
vez que o instituto não existe mais, embora possa requerer o divórcio ou a separação judicial). 
Portanto, quando o pedido for vedado expressamente por lei, temos a caracterização da ausência de 
possibilidade jurídica do pedido. 
3.3 - Elementos da Ação 
Ao conceituarmos ação afirmamos tratar-se de um instrumento para obtenção da tutela jurisdicional. Tanto 
é que a ação é direcionada contra o Estado, para que o juiz substitua a vontade das partes (que é conflitante) 
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pela vontade do direito. Essa ação é composta por três elementos identificadores. Sem elas a ação não existe. 
Além de marcar a existência da ação, esses elementos são importantes para que possamos identificar ações 
distintas, semelhantes e, inclusive, iguais. 
De forma bastante simples para que eu tenha uma ação será necessário haver partes (pelo 
menos um autor e um réu). Essas partes pretendem um objeto (que se materializa na ação 
pelo pedido). Para que a prestação da tutela jurisdicional lhe seja favorável deverão trazer 
fatos consistentes e fundamentá-los juridicamente, ou seja, irão expor a causa de pedir. 
Do excerto acima extraímos os elementos da ação: 
 
Esses elementos permitem identificar se as ações são diferentes, semelhantes ou idênticas. 
Confira uma questão: 
(AL-GO - 2019) Uma ação é idêntica à outra, de acordo com o Código de Processo Civil, quando 
a) os fatos jurídicos forem os mesmos em ambas as ações. 
b) os autores e os réus dos processos forem os mesmos em ambas as ações. 
c) o pedido de uma ação for mais amplo que o da outra. 
d) as partes, a causa de pedir e os pedidos forem os mesmos em ambas as ações. 
e) os fundamentos jurídicos forem os mesmos em ambas as ações. 
Comentários 
O critério de identidade entre ações consiste na identidade entre os elementos da ação: partes, pedido, e 
causa de pedir. Se forem idênticos esses três elementos, então serão idênticas as ações. Logo, o a alternativa 
D está correta. 
Vamos, na sequência, detalhar esses elementos. 
Partes 
As partes são os sujeitos que participam da relação jurídica, quem figura na ação como autor ou réu. 
Precisamos, contudo, ficar atentos a uma distinção: parte de direito material e parte de direito processual. 
Essa distinção pode ser importante para saber quem ocupará o polo ativo ou passivo da demanda. 
ELEMENTOS DA AÇÃO
partes
pedido
causa de pedir
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Didaticamente: 
 
Em regra, ambos coincidem. 
Eu lhe contrato para pintar minha casa de verde. Pago a você conforme combinado e você pinta a casa de 
azul. Peço para que você refaça o serviço em razão do que combinamos no contrato, mas você se nega a 
refazer alegando que a azul ficaria melhor do que verde. Essa crise pode ser judicializada. Se isso acontecer 
serei, ao mesmo tempo, parte de direito material e processual. Parte de direito material pois o contratei para 
pintar a casa de verde (sou o titular da relação jurídica). Parte de direito processual pois serei o autor da ação 
que pretende o refazimento da pintura. 
Nem sempre haverá, entretanto, essa coincidência. 
Pode ser que a lei autorize outras pessoas assumirem a titularidade da ação, mesmo que ela não seja a titular 
da relação jurídica discutida em juízo. São as típicas hipóteses de legitimação extraordinária (ou substituição 
processual). 
O MP quando propõe ação civil pública a fim de obter medicamento em favor de criança é parte de direito 
processual (pois autor da ação), mas não é o titular do direito material discutido em juízo. Caso a ação seja 
julgada procedente o medicamento será entregue à criança (parte de direito material), não ao membro do 
MP. Isso somente acontece quando a lei permite. 
Não obstante a distinção acima, para nós interessa a parte processual, ou seja, quem figurará na qualidade 
de autor/réu da ação. Assim, podem ingressar na demanda pelo ajuizamento da ação (no caso do autor), 
pela citação (no caso do réu). Além dessas formas “tradicionais” de ingresso, podemos afirmar que a parte 
pode adentrar à ação de forma voluntária, como no caso de assistência litisconsorcial ou de recurso 
interposto por terceiro juridicamente prejudicado e até mesmo por sucessão processual, quando há 
alteração subjetiva na demanda. Essas últimas hipóteses, contudo, são mais específicas. 
Em regra, as partes atuam isoladamente no polo do processo. Contudo, é possível atuarem conjuntamente, 
em litisconsórcio, assunto que não será estudado nesta aula. 
Causa de pedir 
A causa de pedir é o que fundamenta o pedido, são as razões do pedido. De modo simples, somente posso 
pedir algo para o juiz, caso lhe conte uma história e lhe mostre que está de acordo com o direito. Assim, eu 
preciso provar os fatos (a história) e argumentar os fundamentos jurídicos. 
É por intermédio da causa de pedido que se justifica a pretensão da parte perante o juiz. 
Parte 
material
É o sujeito titular da relação jurídica discutida em Juízo, podendo 
(legitimação ordinária) ou não (legitimação extraordinária) ser parte 
processual. 
Parte 
processual
Aquela que está em uma relação jurídica processual, que exerce o 
contraditório, atua com parcialidade e pode sofrer consequências com a 
decisão.
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Lembre-se: 
 
O fato é o caso apresentado ao magistrado. Fundamento jurídico é o direito que se afirma. 
Cuidado: 
O fundamento jurídico não é o fundamento legal, mas o direito propriamente que se afirma 
ter em juízo. 
Para compreender melhor, um exemplo: 
Duas pessoas se envolvem num acidente de trânsito. Uma delas decide propor uma demanda, buscando 
indenização para reparos no veículo em razão dos danos causados pelo acidente. Nesse exemplo: 
 o fato envolve a história: o réu em via não preferencial não prestou atenção às regras de trânsito 
avançou e colidiu com veículo que trafegava pela via perpendicular; e 
 o fundamento jurídico traz as consequências jurídicas em razão do fato: devido à negligência do 
réu (devido a seu agir culposo) será responsável por reparar os danos causados à parte autora. 
Não há necessidade de indicar na fundamentação jurídica os dispositivos normativos que a sustentam, por 
exemplo, os arts. 186, 187 e 927, todos do CC, nem mesmo os princípios ou os precedentes semelhantes ao 
caso. Exige-se a indicaçãoda obrigação de indenizar em face da responsabilidade civil pela atitude culposa 
do réu. 
Para tentar dificultar um pouco mais, há uma classificação da causa de pedir em próxima e remota. 
A causa de pedir remota (ou fática) é o fato jurídico que gerou o direito e a causa de pedir próxima (ou 
jurídica) é o direito que se afirma ter. Assim: 
 
Tranquilo, concorda? Só mais um nome... 
fatos
fundamentos 
jurídicos
CAUSA DE 
PEDIR
causa de pedir remota
(ou fática) 
fatos
causa de pedir próxima
(ou jurídica)
fundamento jurídico 
do pedido
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Há, ainda, uma discussão teórica quanto à necessidade de indicação na petição inicial de ambos (causa de 
pedir remota e próxima) ou de apenas um deles (a causa de pedir remota). 
A teoria da substanciação da causa de pedir é adotada pelo Direito Processual Civil brasileiro e exige os fatos 
e os fundamentos jurídicos como elementos da causa de pedir. A teoria da individuação sustenta que seria 
relevante apenas a causa de pedir próxima, ou seja, o fundamento jurídico do pedido, por entender que os 
fatos estão num plano secundário. Não é, contudo, a teoria que prevalece. 
Assim: 
 
Pedido 
O pedido é o objeto da ação, consiste na pretensão do autor que é levada ao Estado-Juiz, que irá prestar a 
tutela jurisdicional sobre essa pretensão. 
A doutrina distingue pedido imediato de pedido mediato. Antes esquematizamos, depois explicamos: 
 
O pedido imediato é o desejo do autor de ter uma tutela jurisdicional. Constitui a pretensão dirigida para o 
próprio Estado-Juiz, retirando-o da inércia e forçando uma providência. 
O pedido mediato constitui o objeto da ação propriamente dito, representando o desejo do autor contra o 
réu, de submissão do réu à pretensão jurídica levada ao Poder Judiciário, ou seja, o desejo sobre o bem 
jurídico pretendido. 
TEORIA DA 
INDIVIDUAÇÃO
(minoritário)
causa de pedir: 
fundamento 
jurídico do 
pedido
caráter 
meramente 
histórico
TEORIA DA 
SUBSTANCIAÇÃO
(majoritário)
causa de pedir: 
fatos + 
fundamentos 
jurídicos do 
pedido
adotada pelo 
atual CPC
pedido imediato
aspecto 
processual
espécie de 
tutela 
jurisdicional
pedido mediato aspecto material bem da vida
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No caso do acidente de veículos, a parte pretende uma tutela jurisdicional condenatória. Assim, a condenação 
constitui o pedido imediato, trata-se do aspecto processual. Essa condenação será para indenizá-la pelo pelos 
prejuízos causados pelo réu, o que corresponderá, na prática, a uma soma de dinheiro, o bem da vida, que 
constitui o aspecto material do pedido. 
Vamos treinar mais questões! 
 
(UEM - 2018) São elementos da ação: 
possibilidade jurídica do pedido, legitimidade ad causam e interesse processual 
a) legitimidade ad causam e interesse processual 
b) partes, causa de pedir e pedido 
c) partes, causa de pedir e interesse processual 
d) partes, legitimidade ad causam e causa de pedir 
Comentários 
Conforme visto acima, a alternativa B está correta e é o gabarito da questão. 
Vejamos outra questão: 
(TJ-PR - 2019) A ação é considerada um direito público, subjetivo e abstrato de provocar a jurisdição. 
Assim, todos têm o direito de ingressar em juízo, mas só aqueles que preenchem as condições da ação têm 
direito a uma decisão de mérito. Com relação aos elementos e às condições da ação, identifique como 
verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas: 
( ) A causa de pedir, um dos elementos da ação, se desdobra em causa de pedir próxima (a descrição dos 
fatos da causa) e causa de pedir remota (os fundamentos jurídicos da demanda). 
( ) Interesse e legitimidade são condições para se postular em juízo. 
pedido imediato
declaração, condenação, constituição, 
execução...
pedido mediato dinheiro, bem que está em poder do réu...
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( ) Legitimado ordinário para a ação é aquele que pleiteia em juízo, em seu próprio nome, direito de que se 
considera titular. 
( ) Entre os elementos da ação está o pedido, que se desdobra em imediato (a providência requerida) e 
mediato (o bem da vida que se quer tutelar). 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. 
a) F – V – V – V. 
b) V – V – F – V. 
c) F – V – F – V. 
d) V – F – V – F. 
e) V – F – F – F. 
Comentários 
Façamos a avaliação de cada uma das afirmativas. 
A primeira afirmativa confunde causa de pedir próxima e causa de pedir remota. A causa de pedir próxima 
equivale aos fundamentos jurídicos, e a remota é que equivale à descrição dos fatos. 
A segunda afirmativa está correta: interesse e legitimidade são condições da ação. 
A terceira e a quarta afirmativa também contêm definições corretas de conteúdos que vimos páginas acima. 
Logo, a correta é alternativa A. 
3.4 - Espécies de Ação 
Vamos analisar as principais classificações. É um assunto não muito explorado em provas de modo que 
vamos analisá-lo de forma objetiva. 
 Classificação segundo a natureza da relação jurídica discutida: real e pessoal 
 
 Classificação segundo o objeto do pedido mediato: mobiliária e imobiliária 
Ação real envolve relação jurídica de direito real
Ação pessoal
envolve relação jurídica de direito 
pessoal
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 Classificação segundo o tipo de tutela jurisdicional: conhecimento, cautelar e executiva (ações 
sincréticas) 
 
 Classificação de conhecimento: condenatórias, constitutivas e declaratórias 
 
Além das classificações acima, dois outros conceitos são importantes: a) ação executiva em sentido amplo; 
b) ação mandamental. 
Ação mobiliária envolve bens móveis
Ação imobiliária envolve bens imóveis
Ação de 
conhecimento
certificação de direito
Ação de 
execução
efetivação de direito
Ação cautelar
proteger a efetivação de um 
direito
Ação condenatória
aquela em que se afirma a titularidade de um direito a uma 
prestação e pela qual se busca a certificação e a efetivação desse 
mesmo direito, com a condenação do réu ao cumprimento da 
prestação devida.
Ação constitutiva
aquela que tem por objetivo obter uma certificação e efetivação 
de um direito potestativo.
Ação declaratória
aquela que tem o objetivo de certificar a existência, a inexistência 
ou o modo de ser de uma relação jurídica.
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A ação executiva em sentido amplo, de acordo com a doutrina18, é aquela pela qual se afirma um direito a 
uma prestação e se busca a certificação e a efetivação desse mesmo direito, por meio de medidas de coerção 
direta. Essa ação está pautada na execução direta, cujo cumprimento não depende do executado, podendo 
ser realizado pelo próprio Poder Judiciário. Como exemplo, podemos citar a busca e apreensão, a alienação 
em hasta pública. 
A ação mandamental, de acordo com a doutrina19, é aquela pela qual se afirma um direito a uma prestação 
e se busca a certificação e a efetivação desse mesmo direito, por meio de medidas de coerção indireta. 
Portanto, há execução indireta, de forma que o réu se sente compelido a cumprir, a “colaborar” com o poder 
Judiciário. O exemplo clássico é a multa coercitiva (astreintes). Caso não haja cumprimento da determinaçãoinstitutos fundamentais do Direito Processual Civil: jurisdição, ação e 
processo. Eles são essenciais para que possamos compreender a matéria como um todo. Sem eles, o 
conhecimento da matéria será insuficiente. 
Parecem conceitos simples, contudo, devemos dar atenção a algumas discussões e concepções doutrinárias 
que foram construídas a partir deles. À medida que o estudo evoluir, vamos notar que o assunto é 
essencialmente teórico. Embora tenhamos alguns artigos do CPC para analisar, a cobrança em provas 
envolve também a compreensão de teorias: assim, entendê-las corretamente será importante para o 
desenvolvimento de todo o curso. 
Vamos começar com um pouco de História! 
O Direito Processual Civil, tal como estudado hoje, não é o mesmo desde o seu surgimento. Como toda 
disciplina do Direito, a matéria passou por um processo de evolução. Didaticamente, são identificados três 
estágios: 
TRÍADE 
FUNDAMENTAL 
DO PROCESSO 
CIVIL
Ação
JurisdiçãoProcesso
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Inicialmente, devemos atentar para dois aspectos: 
1º - Cada estágio tem como referência um grupo de juristas. Assim, temos os juristas imanentistas, 
os juristas autonomistas e os juristas instrumentalistas; e 
2º - Há um “ponto de interrogação” supondo um quarto estágio, embora tenhamos falado 
primeiramente em três. 
Vamos lá! 
O primeiro estágio do Direito Processual Civil é dominado pelo pensamento dos juristas imanentistas, para 
os quais o processo civil é visto como parte integrante do Direito Civil. 
Para facilitar a compreensão, basta lembrar que a palavra “imanente” significa “inseparável”, “inerente”. 
Para essa primeira corrente, o processo civil é algo inerente ao Direito Civil. São, portanto, inseparáveis. O 
problema dessa concepção é que o Direito Processual Civil é visto como um apêndice, como um mero 
acessório, como uma disciplina não autônoma, mas vinculada ao Direito Civil. 
Diante disso, surgiu um novo grupo de juristas que passou a defender a separação absoluta entre Direito 
Processual Civil e Direito Civil. 
No segundo estágio, o Direito Processual Civil é uma disciplina cientificamente autônoma, que possui regras 
e princípios próprios e está TOTALMENTE desvinculada do Direito Civil. Embora essa corrente destaque a 
importância do estudo do Direito Processual, há um problema: a ideia exagerada e extrema de autonomia 
(quiçá independência) do processo em relação ao direito material levou os processualistas ao isolamento. 
Dito de outro modo, o processo judicial tem uma finalidade clara: resolver os conflitos de interesses havidos 
na sociedade. Esses conflitos decorrem da insatisfação de uma pessoa em relação a outra no tocante aos 
direitos (materiais) que ela acredita ter. Se o direito processual está totalmente desvinculado do direito 
material, perde-se a razão de ser do direito processual, passa-se a discutir questões processuais diversas, e 
não há preocupação com a efetividade e com o caráter instrumental do direito processual civil. 
imanentistas
autonomistas
instrumentalistas
?
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É justamente por intermédio desse argumento de que o processo é instrumento, meio de auxílio, veículo 
para pacificação dos conflitos, que atingimos o terceiro estágio. 
No terceiro estágio temos os instrumentalistas, que defendem a reaproximação do direito processual com 
o direito material. Para esses juristas, o Direito Processual Civil representa uma disciplina autônoma, mas 
que reconhece e busca a aproximação com o Direito Civil, pois a razão de ser do processo é servir como 
instrumento de concretização do direito material. 
Confira uma questão: 
(TCE-PE - 2017) Com relação ao conceito, à natureza e às fontes do direito processual, julgue o item a 
seguir. 
Há relação de instrumentalidade entre o direito processual e o direito material, o qual diz respeito apenas 
às relações jurídicas em que o cumprimento da norma se dá de forma espontânea, seja em razão da lei ou 
por força do contrato. 
Comentários 
Vimos que, atualmente, a maior parte da doutrina entende o processo civil do ponto de vista da concepção 
instrumentalista: nesse caso, o direito processual é visto como um ramo autônomo do direito material, mas 
é reconhecida sua instrumentalidade para a satisfação dos direitos materiais. Por isso, a asserção da questão 
está correta. 
Esse é o estágio atual consolidado do Direito Processual Civil brasileiro. 
Haveria um quarto estágio? 
A resposta do questionamento acima deve ser dada com parcimônia. A doutrina contemporânea, à luz da 
interpretação constitucional do processo civil e, também, em razão do atual Código, tem defendido que essa 
instrumentalidade é bastante intensa. 
Para Fredie Didier Jr.2, por exemplo, a relação entre Direito Processual Civil e Direito Civil é circular. Entende 
o autor que há reciprocidade e relação de complementariedade entre ambas as disciplinas. Cássio 
Scarpinella Bueno3, por sua vez, vai um pouco além e defende que estamos no quarto estágio de evolução 
do Direito Processual Civil. Para o autor, esse quarto estágio agrega os juristas neoconcretistas. Ambos 
entendem que o Direito Processual Civil e o Direito Civil estão muito próximos um do outro, já que o Direito 
Processual Civil tem um único sentido, o de prestar a tutela jurisdicional a quem fizer jus a ela no plano 
material. 
 
2 DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil: introdução ao Direito Processual Civil, Parte Geral e Processo de 
Conhecimento. Vol. 1, 18ª edição, rev., ampl. e atual., Bahia: Editora JusPodvim, 2016, p. 41. 
3 BUENO, Cássio Scarpinella. Manual de Direito Processual Civil., Volume Único. 2ª Edição, São Paulo: Editora Saraiva, 2016, 
p. 77. 
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Em resumo, o Direito Processual Civil passou (e passa!) por um processo de evolução constante. Nesse 
caminho, foram identificados alguns institutos tão relevantes que sugeriram a autonomia científica do 
Direito Processual em frente ao Direito Material. Esses institutos somados formam a base da nossa matéria. 
Precisamos de um PROCESSO, para que, por intermédio de uma AÇÃO, a parte entregue ao Estado a 
prerrogativa de resolução do conflito para que exerça a JURISDIÇÃO, resolvendo definitivamente aquele 
caso concreto. 
2 - Jurisdição 
O estudo da jurisdição passa pela análise de vários conceitos importantes, frequentemente cobrados em 
prova. Será objeto de nosso estudo o conceito de jurisdição, os princípios da jurisdição, a distinção entre 
jurisdição e os denominados meios alternativos de solução de conflitos, as características e as espécies da 
jurisdição e, por fim, vamos tratar um pouco sobre a tutela jurisdicional. 
O CPC reserva um artigo para tratar diretamente sobre jurisdição: 
Art. 16. A jurisdição civil é exercida pelos juízes e pelos tribunais em TODO o território 
nacional, conforme as disposições deste Código. 
Esse dispositivo deixa claro que o processo é civil, vale dizer, o CPC se insere dentro das matérias cíveis, a 
excluir, inicialmente, a jurisdição penal. Além disso, dentro da área cível, o CPC disciplina diretamente um 
procedimento para resolução de conflitos civis, que envolve relações entre privados, sujeitas à Justiça 
Comum (federal ou estadual). Nesse contexto, é importante compreender que temos outras matérias cíveis 
– como a Eleitoral e a do Trabalho – cuja aplicação do CPC é subsidiária. 
Não obstante isso, a jurisdição civil é aplicada em todo o território nacional, segundo critérios de soberania, 
ejudicial, há imposição de multa diária como forma de compeli-lo a colaborar com o Poder Judiciário. 
Em forma de esquema: 
 
Vejamos duas questões: 
(STJ - 2018) Julgue os itens a seguir, a respeito das ações no processo civil. 
A ação de conhecimento ou cognição visa prevenir, conservar, defender ou assegurar a eficácia de um 
direito. 
Comentários 
Incorreta, pois a equivocada. A explicação faz referência à ação cautelar, não a ação de conhecimento. 
4 - Processo 
4.1 - Conceito 
O terceiro e último instituto que vamos analisar é o processo. 
 
18 JR. DIDIER, Fredie. Curso de Direito Processual Civil, volume 1, 18ª edição, rev., atual. e ampl., Bahia: Editora JusPodivm, 
2016, 300. 
19 JR. DIDIER, Fredie. Curso de Direito Processual Civil, volume 1, 18ª edição, rev., atual. e ampl., Bahia: Editora JusPodivm, 
2016, 301. 
Ação executiva em 
sentido amplo
é aquela pela qual se afirma um direito e se busca a 
efetivação e a certificação desse direito por intermédio 
de medidas de coerção direta.
Ação mandamental
é aquela pela qual se afirma um direito e se busca a 
efetivação e a certificação desse direito por intermédio 
de medidas de coerção indireta.
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Vimos ao iniciar o estudo que o processo é o caminho a ser perseguido para que, por meio da ação, haja 
prestação da tutela por quem detém a jurisdição. Vamos retomar esse conceito e aprofundar nossa análise 
dentro daquilo que é relevante para fins do concurso. 
O processo pode ser visto de dois modos: 
 O processo constitui uma relação jurídica que se estabelece entre o autor, o réu e o juiz. 
O objetivo dos sujeitos mencionados acima é chegar à solução do conflito. Para tanto, cada um dentro do 
que prevê o CPC atuará na relação processual. Eventualmente podemos ter terceiros ingressando na lide e 
que farão parte da relação jurídica processual. 
 O processo constitui um método sequenciado de atos que são praticados pelos diversos sujeitos que 
atuam no processo. 
O foco são os atos praticados pelo autor (por exemplo, petição inicial), pelo réu (por exemplo, contestação) 
e pelo juiz (por exemplo, sentença). Esses atos são sequenciados numa ordem denominada de 
procedimento, cuja finalidade é chegar à decisão final de mérito. 
Ao longo do estudo do Código podemos perceber a existência de vários procedimentos, de vários ritos. São 
formas distintas de o processo se desenvolver. Isso acontece porque o direito material discutido, por vezes 
requerer ou autoriza um procedimento diferenciado. Por exemplo, a depender do valor da causa, ao invés 
de você ajuizar uma ação pelo procedimento comum, você poderá decidir por um procedimento simplificado, 
definido pela Lei 9.099/1995. 
O nosso sistema processual estabelece um procedimento padrão, denominado de procedimento comum. 
Ele é a base de todos os procedimentos. Em paralelo, temos procedimentos especiais para atender a 
discussões de direito material específica (por exemplo, ação de consignação em pagamento ou ação de 
inventário e partilha). Os procedimentos especiais, contudo, não estão apenas regrados no CPC, mas podem 
ser encontrados também em legislações específicas, como é o caso da Lei dos Juizados Especiais acima citada 
ou a Lei 12.016/2009, que disciplina a impetração do mandado de segurança. 
O processo como relação jurídica ou procedimento retratam correta e satisfatoriamente o conceito 
processo. Além disso, para fins de prova podemos adotar ambos os conceitos. Na realidade, ambos são úteis, 
pois o primeiro trata de explicar a existência de direitos, de deveres, de ônus e de prerrogativas que as partes 
possuem durante o processo. O segundo conceito, por sua vez, remete à ideia de um procedimento, de um 
rito. A lei processual define como começa, se desenvolve e termina o processo. Num caso ou no outro, a 
finalidade é a mesma: a decisão final de mérito, resolvendo o conflito. 
Quanto ao conceito, essas são as informações de que precisamos. Na sequência, vamos trabalhar um aspecto 
teórico importante, os pressupostos processuais. 
4.2 - Pressupostos processuais 
As regras procedimentais estão fixadas no CPC. Entre tantas, existem algumas regras de natureza processual 
que condicional a existência e a validade do procedimento. Essas exigências são agrupadas sob o nome de 
pressupostos processuais. 
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Os pressupostos processuais distinguem-se em duas espécies: 
 
Os elementos de existência são chamados, por grande parte da doutrina, de pressupostos processuais, que 
serão aqui considerados como pressupostos processuais em sentido estrito (stricto sensu). 
Assim, para que o processo seja constituído com todos os seus pressupostos, é importante que estejam 
configurados os “elementos de existência”. 
Um processo somente existirá se existirem os sujeitos principais do processo – parte autora e parte ré – e o 
juiz. Além disso, faz-se necessário haver uma demanda, um conflito, uma lide. Sem eles, não há processo. 
São elementos que marcam a existência do processo. 
Isso, contudo, não basta. 
O processo existente necessita observar, ainda, requisitos de validade os quais permitirão ao processo 
transcorrer de forma válida. Tal como vimos em relação aos pressupostos de existência, os requisitos de 
validade podem dizer respeito aos sujeitos processo (subjetivos) ou podem se relacionar com aspectos 
objetivos do processo. 
Não basta haver um juiz, este magistrado deve ser competente e imparcial. 
As partes devem possuir capacidade processual, capacidade postulatória e legitimidade ad causam. 
Além disso, necessário observar regras formais e não incorrer em situações jurídicas que limitam a 
possibilidade de o processo transcorrer validamente, como é o caso da perempção, litispendência, coisa 
julgada ou convenção de arbitragem. Necessário, ainda, que haja interesse de agir. 
São muitos conceitos, que não devem ser estudados agora. Mas o básico de cada um deles vale a pena 
memorizar para eventual questão conceitual e também para a compreensão. 
Antes, veja um esquema que agrega todos os pressupostos processuais: 
PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS: 
elementos de existência; e
requisitos de validade.
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Esquematizados os pressupostos, vamos conceituá-los. Lembre-se que o objetivo não é exaurir o conteúdo 
de cada uma das situações apresentada, mas apenas evitar deixar o assunto no vácuo, pois ao longo do 
estudo do processo, eles assuntos serão retomados com a devida profundidade. 
As partes devem possuir capacidade processual, ou seja, devem ter condições de titularizar relações jurídicas 
processuais e, para tanto, devem ser capazes para a prática de atos da vida civil. 
As partes devem constituir advogados para o exercício de atos de postulação. A capacidade postulatória, 
portanto, decorre da outorga de instrumento de procuração a um advogado. 
A legitimidade ad causam envolve a discussão a respeito da pertinência subjetiva da ação. Se a parte for a 
titular do direito material que pretende discutir em juízo poderá ser autora ou ré. É importante mencionar 
que a legitimidade, quando estudada sob o enfoque da ação é tida pela doutrina dominante como condição 
da ação, o que poderá gerar a extinção do processo com ou sem resolução do mérito a depender do 
momento em que for verificada. Embora haja discussão conceitual, o resultado prático é o mesmo. 
O juiz, por sua vez, deve ser imparcial e competente. Uma sentença prolatada por juiz parcial poderá ser 
anulada se for casode impedimento. Na hipótese de suspeição, embora possamos ter o afastamento do 
juízo por parcialidade, se faz necessária a alegação da parte contrária. Além de imparcial, o juiz deve ser 
competente. A competência envolve um conjunto amplo de regras que irão definir o juízo concretamente 
competente para o julgamento daquela ação. Do mesmo modo, uma sentença prolatada por juiz 
absolutamente incompetente é nula, não terá validade. 
P
R
ES
SU
P
O
ST
O
S 
P
R
O
C
ES
SU
A
IS
pressupostos de 
existência
subjetivos
juiz - investido de jurisdição
parte - capacidade de ser parte
objetivos existência de demanda
requisitos de 
validade
subjetivos
juiz - competência e imparcialidade
partes - capacidade processual, 
capacidade postulatória e 
legitimidade "ad causam"
objetivos
intrínsecos - respeito ao formalismo 
processual
extrínsecos:
negativos: 
inexistência de 
perempção, 
litispendência, 
coisa julgada ou 
convenção de 
arbitragem; e
positivo: 
interesse de 
agir.
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Temos, ainda, algumas exigências finais: 
 Embora o nosso sistema processual rejeite o formalismo processual, regras formais são necessárias 
para que o procedimento se desenvolva de forma democrática e em observância ao devido processo 
legal. 
 Não poderá ocorrer no processo situação de perempção. A perempção constitui uma sanção a ser 
aplicada à parte autora que, por sucessivas vezes, ajuizou e abandonou o processo. Se o autor der 
causa a três abandonos sucessivos do processo, o juiz imporá a pena de perempção. Como resultado, 
caso a parte insista em ajuizar a ação, o processo será existente, mas não válido. 
 Não poderá ocorrer também situação de litispendência. A litispendência envolve a repetição da 
mesma demanda. Se a parte já ajuizou a demanda uma vez e o fizer novamente. Esse segundo 
ajuizamento gerará um processo, mas que será inválido. 
 Mesma situação se dá quando estamos diante de coisa julgada. A diferença aqui é que o 
ajuizamento da segunda ação se dá não na pendência de um mesmo processo, mas no fato de que 
um processo anterior já foi julgado. Se já foi julgado, tivemos a coisa julgada material e, portanto, o 
processo não poderá ser ajuizado novamente. Assim, verificada a coisa julgada existirá nova 
demanda, que será inválida. 
 No caso de convenção de arbitragem, embora dependa de alegação da parte ré, se houver 
alegação, a ação será inválida porque as partes se compromissam em legar o processo para um juízo 
arbitral e não para um juízo estatal. 
 Por fim, faz-se necessário verificar o interesse de agir. Se o ajuizamento da ação for necessária e 
trouxer um resultado útil para o demandante, ele terá legitimidade. Caso contrário, ainda que 
existente o processo ele será inválido. 
Com isso, cercamos todos os conceitos acima, para facilitar a compreensão do assunto que, agora, 
encerramos. 
LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL E DA COOPERAÇÃO 
INTERNACIONAL 
1 - Limites da Jurisdição Nacional 
Neste tópico vamos analisar os dispositivos do CPC que delimitam a jurisdição civil brasileira. Afinal, antes 
de mais nada devemos buscar compreender que ações podem ser julgadas pelo nosso Poder Judiciário. 
A jurisdição é orientada pelo princípio da territorialidade de forma que a jurisdição civil somente poderá ser 
exercida dentro dos limites territoriais brasileiros. 
Há, entretanto, alguns casos específicos interessantes, os quais precisamos memorizar. 
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Para delimitação da jurisdição de determinado caso, levam-se em consideração três princípios: 
1 – efetividade – os países irão delimitar a jurisdição sobre processos que eles entendem que 
poderão, posteriormente, cumprir. 
2 – interesse – os países delimitam a jurisdição sobre processos que entendem que é de interesse do 
Estado. 
3 – submissão – os países respeitam a decisão das partes na eleição da jurisdição internacional 
(contratos internacionais). 
A partir desses princípios, o CPC delineia quais processos serão da jurisdição brasileira, com enfoque especial 
no princípio da efetividade, conforme veremos. 
A partir desses princípios e por algumas outras razões (especialmente por razões de soberania e de 
diplomacia) são fixadas hipóteses em que a jurisdição será apenas brasileira (exclusiva). Há, entretanto, 
situações nas quais a jurisdição será do Brasil e estrangeira ao mesmo tempo (concorrente). 
Esses tópicos estão delineados entre os arts. 21 a 23, do CPC. Temos aqui assunto que envolve questões de 
soberania nacional, questões diplomáticas e de necessidade de se prover uma tutela efetiva e adequada. 
Assim, temos: 
 
1.1 - Jurisdição internacional concorrente 
Nas hipóteses de jurisdição internacional concorrente admite-se atuação tanto da jurisdição civil brasileira 
como da internacional. Em relação à jurisdição internacional, que é excepcional, a sentença terá validade em 
nosso território desde que homologada pelo STJ. 
De forma objetiva, quando estivermos diante das hipóteses dos arts. 21 e 22, tanto a sentença dada por 
magistrado brasileiro quanto por juiz estrangeiro poderão produzir efeitos internamente, desde que, no caso 
da sentença estrangeira, seja homologada pelo STJ. 
Não é o momento para estudar os critérios que envolvem a homologação de sentença estrangeira, pois o 
assunto é estudado na parte relativa à ordem dos processos nos tribunais, a partir do art. 960 do CPC. De 
todo modo, é relevante sabermos que, após a homologação pelo STJ, a satisfação da sentença estrangeira 
(ou seja, a execução) será perante a Justiça Federal, em razão do que prevê o art. 109, X, da CF. 
Assim... 
jurisdição 
internacional 
concorrente
art. 21 art. 22
jurisdição 
nacional
exclusiva
art. 23
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Feita essa análise inicial, vamos às hipóteses previstas nos dispositivos do CPC: 
Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que: 
I - o réu, QUALQUER que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil; 
II - no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação; 
III - o fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil. 
Parágrafo único. Para o fim do disposto no inciso I, considera-se domiciliada no Brasil a 
pessoa jurídica estrangeira que nele tiver agência, filial ou sucursal. 
O art. 21 retrata três situações: 
 ação contra réu domiciliado no Brasil. 
Nesse caso, ainda que o réu seja estrangeiro, pelo fato de possuir residência fixa em nosso 
país, eventuais conflitos de interesses serão dirimidos de forma concorrente pela jurisdição 
civil brasileira ou estrangeira competente. 
 ação cujo objeto envolva obrigação que deve ser cumprida no país. 
Por exemplo, dois contratantes, um argentino ou paraguaio, fixam a entrega de determinado 
produto em território brasileiro. Nesse caso, o processo poderá ser julgado no Brasil, porque 
envolve obrigação a ser cumprida aqui. 
 ação cujo fato objeto de discussão tenha sido praticado no Brasil. 
Por exemplo, acidente de trânsito envolvendo dois uruguaios em território brasileiro, no 
Estado do Rio Grande do Sul. Por se tratar de fato que ocorreu em solo brasileiro, a jurisdição 
é nacional é concorrente com a jurisdição uruguaia. 
Agora, confira o art. 22: 
Art. 22. Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações: 
I - de alimentos, quando: 
a) o credor tiver domicílio ou residência no Brasil; 
• admite-se a atuação da jurisdição brasileira e da jurisdição estrangeira;
• para aprodução de efeitos da sentença estrangeira é necessária a homologação prévia 
perante o STJ; e
• após a homologação, a sentença será executada pela Justiça Federal.
JURISDIÇÃO INTERNACIONAL CONCORRENTE
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b) o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento 
de renda ou obtenção de benefícios econômicos; 
II - decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor tiver domicílio ou residência 
no Brasil; 
III - em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à jurisdição nacional. 
Novamente temos três hipóteses: 
 ação de alimentos em duas situações específicas: 
Será concorrente a jurisdição, quando o credor da ação de alimentos tiver domicílio ou residência no 
Brasil. 
Do mesmo, também será hipótese de jurisdição concorrente quando réu tiver vínculos com o Brasil 
(posse, propriedade, renda ou benefício econômico). 
Desse modo, a competência nas ações de alimentos será concorrente com a jurisdição brasileira 
quando envolver: 
a) credor domiciliado ou residente no Brasil; ou 
b) réu com vínculos no Brasil, que revelem capacidade econômica. 
Aqui são duas situações interessantes. Se o alimentando estiver aqui, o Brasil tem interesse em 
protegê-lo. Na segunda hipótese, em razão de a pessoa ter patrimônio no Brasil, nosso Estado poderá, 
efetivamente, garantir a prestação de alimentos. Desse modo, o estrangeiro credor de alimentos 
poderá ingressar com ação no território nacional contra réu com quem tenha vínculos em nosso 
território nacional. 
 ação decorrente de relação de consumo quando o consumidor tiver domicílio ou residir no Brasil. 
Essa regra de competência é relevante da a possibilidade de compras on-line de produtos de 
empresas internacionais. Assim, ao prever a possibilidade de o consumidor brasileiro ajuizar a 
demanda independentemente do domicílio do produtor ou prestador de serviços constitui 
mecanismo para facilitar o acesso ao Poder Judiciário pelo consumidor. 
 ação em que as partes se submetam à jurisdição nacional. 
Esse dispositivo permite que as partes fixem (escolham) o foro brasileiro como competente para 
julgar o processo. 
Para a prova, vamos memorizar... 
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1.2 - Regras específicas aplicáveis à competência internacional concorrente 
Vimos, até aqui, como se dá a jurisdição internacional concorrente e as hipóteses previstas no CPC. Contudo, 
como se trata de competência, poderão surgir situações nas quais um mesmo processo seja 
simultaneamente proposto perante a jurisdição brasileira e a estrangeira. 
Nesse caso, há alguma regra de preferência para julgar a ação? Ambos os processos serão 
válidos? 
O art. 24, do CPC, estabelece uma regra: será aplicada a sentença que transitar em julgado primeiro. As duas 
jurisdições (a nacional e a estrangeira) tramitarão uma independentemente da outra. Serão decididas sem 
se falar em litispendência, cujo efeito é a extinção do julgamento sem análise do mérito. 
Isso significa que ambos os processos podem tramitar regularmente. Contudo, a sentença estrangeira 
passará adicionalmente pelo procedimento de homologação no STJ. 
Caso o processo que tramite perante a jurisdição nacional transite em julgado, o procedimento de 
homologação será extinto sem julgamento de mérito. A partir da homologação, portanto, da sentença 
estrangeira, teríamos a litispendência em razão de formação de coisa julgada no território nacional. O 
mesmo vale para o procedimento inverso, no qual a homologação perante o STJ transita em julgado antes 
do processo em trâmite no território nacional se encerrar. Nesse caso, o magistrado brasileiro irá extinguir 
o processo nacional sem julgamento do mérito, pelo trânsito em julgado da sentença estrangeira que foi 
homologada pelo STJ. 
Há, entretanto, uma exceção: se entre o país estrangeiro e o Brasil houver um tratado internacional, ou 
acordo bilateral, atribuindo regras de prevenção da competência, essas normas devem ser observadas e 
ambas as ações não poderão tramitar ao mesmo tempo. Isso irá depender de cada tratado ou acordo. 
• ação contra réu domiciliado no Brasil;
• ação cujo objeto envolva obrigação que deve ser cumprida no país;
• ação cujo fato objeto de discussão tenha sido praticado no Brasil;
• ação de alimentos cujo credor seja domiciliado ou tenha, tão somente, residência no
Brasil ou cujo réu mantenha vínculos no país (posse, proprietário, renda ou benefício
econômico);
• ação decorrente de relação de consumo quando o consumidor tiver domicílio ou
residência no Brasil; e
• ação em que as partes se submetam à jurisdição nacional.
JURISDIÇÃO INTERNACIONAL CONCORRENTE
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Hipoteticamente, se entre Brasil e Argentina houver um acordo internacional disciplinando que contratos de 
consumo serão da competência do Brasil em relação ao domiciliados em nosso país, seja ele brasileiro ou 
argentino, e serão da competência da Argentina em relação aos domiciliados naquele país, ainda que 
brasileiros, a competência não será mais concorrente (tal como prevista no art. 22, II). 
A regra e a exceção acima constam do art. 24 do CPC: 
Art. 24. A ação proposta perante tribunal estrangeiro NÃO induz litispendência e NÃO 
obsta a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são 
conexas, RESSALVADAS as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos 
bilaterais em vigor no Brasil. 
Parágrafo único. A pendência de causa perante a jurisdição brasileira não impede a 
homologação de sentença judicial estrangeira quando exigida para produzir efeitos no 
Brasil. 
Outra exceção à concorrência da jurisdição nacional ou estrangeira está no art. 25 do CPC. Esse dispositivo 
trata da possibilidade de eleição de foro pelas partes em relação às matérias disciplinadas nos arts. 21 e 22 
do CPC, nas quais a competência é concorrente. 
Com correta eleição do foro e desde que a parte alegue o respeito a essa cláusula, a competência deixa de 
ser concorrente, devendo observar o que disciplina a cláusula elegida pelas partes. 
Por exemplo, no caso de contrato para prestação de uma obrigação de fazer no Brasil, cuja parte contratante 
é argentina e a contratada é brasileira, mas a execução se dará no Brasil, é possível que as partes estipulem 
a competência da Justiça Argentina. Nesse caso, se o processo for ajuizado no Brasil e o réu invocar a cláusula 
na contestação, a competência da Justiça Brasileira será afastada. 
Veja: 
Art. 25. NÃO compete à autoridade judiciária brasileira o processamento e o julgamento 
da ação quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em contrato 
internacional, arguida pelo réu na contestação. 
§ 1º NÃO se aplica o disposto no caput às hipóteses de competência internacional exclusiva 
previstas neste Capítulo. 
§ 2º Aplica-se à hipótese do caput o art. 63, §§ 1º a 4º. 
Apenas para esclarecer, os §§ 1º a 4º do art. 63, acima referidos, trazem algumas regras para a cláusula de 
eleição de foro, que devem ser observadas na hipótese do art. 25: 
 A eleição de foro só produz efeito quando constar de instrumento escrito e aludir expressamente 
a determinado negócio jurídico. 
 O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes. 
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Ä Antes da citação, a cláusulade eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada ineficaz de ofício pelo 
juiz, que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio do réu. 
 Citado, incumbe ao réu alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro na contestação, sob 
pena de preclusão. 
Veja um julgado do STJ20 que reforça a observância da cláusula de eleição de foro: 
RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. COMPETÊNCIA 
INTERNACIONAL. CONTRATO DE DISTRIBUIÇÃO E REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. RUPTURA 
UNILATERAL. JURISDIÇÃO. CLÁUSULA DE ELEIÇÃO. PROTOCOLO DE BUENOS AIRES. 
VALIDAÇÃO. FORUM NON CONVENIENS. INAPLICABILIDADE. 1. Ação de indenização 
ajuizada por empresa sediada na República Argentina em razão de suposto 
descumprimento de acordo de comercialização e distribuição exclusiva dos produtos da 
marca "HERING" em todo o território argentino. 2. Existência de cláusula de eleição de 
jurisdição no contrato celebrado entre as partes. 3. Ao propor a demanda no Juízo da 
Comarca de Blumenau - SC, limitou-se a autora a observar a cláusula de eleição de 
jurisdição previamente ajustada, perfeitamente validada pelas regras do Protocolo de 
Buenos Aires. 4. As adversidades porventura surgidas durante a tramitação do processo no 
território nacional, a exemplo do cumprimento de cartas rogatórias, exame de documentos 
em língua estrangeira, entre outras, operar-se-ão em prejuízo da própria autora, a 
demonstrar que o ajuizamento da demanda no Brasil, a princípio, não lhe traz nenhuma 
vantagem sob o ponto de vista processual. 5. Havendo previsão contratual escrita e 
livremente pactuada entre as partes, elegendo a jurisdição brasileira como competente 
para a solução de eventuais conflitos, deve ela ser plenamente observada. 6. Restrita 
aceitação da doutrina do forum non conveniens pelos países que adotam o sistema do civil-
law, não havendo no ordenamento jurídico brasileiro norma específica capaz de permitir 
tal prática. 7. Recurso especial não provido. 
No caso há discussão entre uma empresa estrangeira e a Hering, que firmaram contrato de exclusividade da 
empresa Argentina para a distribuição naquele país dos produtos da Hering. Firmaram no contrato que 
eventuais ações seriam ajuizadas em Blumenau/SC, sede da Hering. Devido ao foro de eleição a competência 
não será concorrente, mas apenas do foro do juízo de Blumenau/SC. 
1.3 - Jurisdição nacional exclusiva 
Em relação ao art. 23 do CPC, o ordenamento jurídico brasileiro não reconhece qualquer eficácia à decisão 
estrangeira, pois aqui a competência é exclusiva da jurisdição civil nacional. Importante frisar que, em relação 
a essas matérias, nem mesmo a homologação da sentença ou a cláusula de eleição de foro farão a sentença 
estrangeira produzir efeitos. 
Por questões ligadas à soberania nacional, não é aceita a sentença estrangeira. 
 
20 REsp 1.633.275/SC, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, DJe 08. 11.2016. 
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Veja as hipóteses de jurisdição exclusiva: 
Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, COM EXCLUSÃO DE QUALQUER 
OUTRA: 
I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil; 
II - em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular 
e ao inventário e à partilha de bens situados no Brasil, AINDA QUE o autor da herança 
seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional; 
III - em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à partilha de 
bens situados no Brasil, AINDA QUE o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha 
domicílio fora do território nacional. 
Podemos notar da leitura dos dispositivos acima que, no caso de bens imóveis aqui situados, a competência 
será sempre brasileira. Já na situação que envolver direito sucessório e a partilha de bens em razão de 
divórcio, de separação judicial ou de dissolução de união estável, a regra abrange “bens”, de forma que inclui 
tanto os bens imóveis quanto os móveis. 
Para fins de prova... 
 
 
Contextualizado o assunto com a Constituição Federal, é importante citar o inc. XXXI, do art. 5º, que 
estabelece que “a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em 
benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do ‘de 
cujus’”. 
Esse dispositivo determina regra protetiva dos filhos e do cônjuge brasileiro na partilha de bens. Assim, não 
permite a CF que lei estrangeira tente se imiscuir em patrimônio brasileiro para atribuir a estrangeiros em 
• ações relativas a imóveis situados no Brasil;
• ações para confirmação de testamento particular, de inventário e de partilha de bens
situados no Brasil, mesmo que o falecido seja estrangeiro ou tenha residido fora do
Brasil; e
• ações relativas à partilha de bens para divórcio ou dissolução de união estável quando
envolver bens situados no Brasil, mesmo que o titular dos bens seja de nacionalidade
estrangeira ou tenha domicílio fora do território brasileiro.
JURISDIÇÃO NACIONAL EXCLUSIVA
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detrimento dos filhos ou de cônjuge brasileiros. A lei estrangeira só será aplicada se for mais favorável do 
que a lei brasileira. 
Por exemplo, a lei estrangeira prevê uma regra de que todos os bens situados no exterior serão conferidos 
com exclusividade aos filhos estrangeiros, essa norma, se aplicada, é mais benéfica porque, na prática, 
excluiria da divisão dos bens os filhos estrangeiros. Portanto, deixaríamos de aplicar a lei brasileira, que prevê 
igualdade entre brasileiro e estrangeiro, para beneficiar nossos nacionais. 
Em face da possibilidade de aplicar a legislação estrangeira na sucessão, surge a seguinte dúvida: 
Há conflito entre o art. 23, II, do CPC, e o art. 5º, XXXI, da CF? 
Não temos um conflito, porque a regra prevista no art. 5º, XXXI, da CF, não fixa a jurisdição brasileira, mas 
delimita a competência da jurisdição brasileira. No caso, o magistrado brasileiro competente (veja, a 
jurisdição é nacional) irá aplicar a lei estrangeira, porque é mais benéfica. Portanto, é hipótese de 
extraterritorialidade nas regras de competência interna. 
 
(Câm. Municipal de Araraquara - 2017) No que diz respeito à competência da autoridade judiciária 
brasileira para processar e julgar as ações no Brasil, assinale a alternativa incorreta: 
a) Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações de alimentos, quando o réu mantiver 
vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento de renda ou obtenção de benefícios 
econômicos 
b) A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência e não obsta a que a autoridade 
judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas, ressalvadas as disposições em 
contrário de tratados internacionais e acordos bilaterais em vigor no Brasil 
c) Compete à autoridade judiciária brasileira, concorrentemente com a autoridade judiciária estrangeira, 
conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil 
d) Não compete à autoridade judiciária brasileira o processamento e o julgamento da ação quando houver 
cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em contrato internacional, arguida pelo réu na contestação 
Comentários 
A alternativa A está correta, e é caso de jurisdição concorrente na forma do art. 22, I, b do CPC. 
A alternativa B está correta, pois reproduz a literalidade do art. 24, do CPC. 
O erro está na alternativa C e consiste no fato de que ações relativas a imóveis situados no Brasil constituírem 
caso de jurisdição nacional exclusiva, fundada na necessidade de proteção da soberania nacional e do 
território.A alternativa D está correta, pois reproduz a literalidade do art. 25, do CPC. 
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2 - Cooperação Jurídica Internacional 
Entre os arts. 26 e 41, do CPC, temos algumas regras de cooperação jurídica entre países. 
Essas regras são importantes, pois além do movimento de globalização, que importa na intensificação das 
relações internacionais, as quais, por sua vez, são marcadas também por movimentos migratórios cada vez 
mais frequentes. Por exemplo, pode ser necessário dar efetividade, dentro de nosso território nacional, a uma 
decisão que fixa alimentos a uma criança domiciliada na argentina, cujo pai é brasileiro. Em razão disso, 
nota-se que cada vez mais as relações jurídicas não se processam unicamente dentro do Estado, sendo 
necessário solicitar cooperação de outros Estados para dar efetividade ao direito. 
A cooperação jurídica internacional decorre, portanto, da necessidade de ampliar e de aperfeiçoar o diálogo 
entre países para a prática de medidas judiciais, investigativas e administrativas. 
Antes de seguir, entretanto, façamos dois esclarecimentos: 
(i) Cooperação jurídica nacional e internacional. 
 
Vamos tratar neste ponto da cooperação internacional. Em relação à cooperação nacional, o assunto é 
estudado na parte da repartição de competência, uma vez que ela existe em face dos limites impostos à 
competência interna de cada juízo. 
(ii) Autoridade central. 
Para viabilizar a prática dos atos de cooperação jurídica internacional existe a autoridade central. 
A autoridade central constitui órgão responsável pela condução dos processos, como um ponto unificado de 
contato para a tramitação dos pedidos visando dar efetividade e celeridade à tramitação21. 
A autoridade central recebe, analisa, adequa, transmite e acompanha o cumprimento dos pedidos de 
cooperação junto às autoridades centrais estrangeiras. Atualmente, o Departamento de Recuperação de 
Ativos e Cooperação Jurídica do Ministério da Justiça e Segurança Pública exerce tal função como regra. 
 
21 Conforme https://www.justica.gov.br/sua-protecao/cooperacao-internacional/autoridade-central-1, acesso em 
14/1/2020. 
A COOPERAÇÃO 
JURÍDICA poderá ser
nacional entre juízos nacionais
internacional
entre o Brasil e juízo 
internacional
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Feitas as observações, sigamos! 
A cooperação jurídica internacional observa as normas que constam de tratados internacionais entre os 
países envolvidos ou, na ausência, são observadas as regras constantes do CPC e o princípio da reciprocidade. 
Dito de outro modo, ou há uma norma internacional regendo essas relações para a prática de atos de 
cooperação jurídica internacional ou a cooperação exige reciprocidade. O Brasil coopera com determinado 
pedido estrangeiro se esse país em casos de solicitações semelhantes por parte de nosso país também 
cooperar com o Brasil. 
A cooperação jurídica internacional é efetivada por diversos mecanismos existentes, dois deles estudaremos 
agora. 
 
Vamos analisar as cartas rogatórias e o auxílio direto. 
Quanto aos tratados internacionais temos liberdade, pois em ato de soberania, os Estados tratantes podem 
fixar mecanismos que entenderem convenientes. Assim, essa análise dependeria da verificação do tratado 
especificamente, razão pela qual não é estudado por nós em Direito Processual Civil. 
No que diz respeito à homologação de sentença estrangeira, juntamente com a concessão do cumpra-se 
(exequatur) à carta rogatória, são temas estudados no CPC, na sessão dos processos de competência 
originária dos tribunais, a partir dos arts. 960 e seguintes. 
Em relação à extradição, também não estudada em Direito Processual Civil, temos a aplicação da Lei 
6.815/1980 (Estatuto do Estrangeiro). 
Daremos atenção, portanto, à carta rogatória e ao auxílio direto. 
Sabe a diferença entre ambos? 
A cooperação internacional para a prática de atos processuais envolve a carta rogatória e o auxílio direto. A 
diferença entre os dois está no conteúdo decisório do ato praticado. 
A carta rogatória é compreendida como um mecanismo de cooperação internacional e pode ser utilizada 
tanto para a prática de atos de comunicação como de conteúdo decisório. Esses atos de conteúdo decisório 
exigem prévia homologação perante o STJ (para sentenças) ou concessão de exequatur (para decisões 
interlocutórias), para que possam produzir efeitos no Brasil. 
MECANISMOS DE COOPERAÇÃO 
JURÍDICA INTERNACIONAL:
tratados 
internacionais
cartas rogatórias
homologação de 
sentença 
estrangeira
extradição auxílio direto
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Caso não haja previsão em tratado ou convenção internacional sobre a utilização do auxílio direto, atos que 
não contenham conteúdo decisório podem ser praticados também por intermédio da carta rogatória. 
Além disso, a carta rogatória pode ser exigida expressamente no tratado internacional ou no acordo bilateral. 
Desse modo, utiliza-se a carta rogatória: 
 
O auxílio direto constitui uma técnica de cooperação internacional que dispensa a prévia homologação pelo 
STJ e é feito diretamente perante uma autoridade central, que coordenará o recebimento e o envio de atos 
de cooperação. Desse modo, o auxílio direto será utilizado, por exemplo, para requisição de ofício ou colheita 
de provas. 
Antes de passarmos para a análise dos dispositivos do CPC, vamos retratar um quadro comparativo 
construído pela doutrina22 que distingue bem carta rogatória de auxílio direto. 
CARTA ROGATÓRIA AUXÍLIO DIRETO 
Solicitação de auxílio pela autoridade jurisdicional 
competente. 
Solicitação de auxílio feito pelo Poder Executivo 
(mesmo que oriundo do Poder Judiciário). 
Verificação apenas do preenchimento dos 
requisitos de admissibilidade (ou seja, não há 
análise de mérito). 
Ampla verificação dos fatos. 
O Poder Executivo atua como transmissor da carta, 
pois a solicitação de cooperação por carta rogatória 
será feita pela autoridade jurisdicional brasileira e o 
cumprimento de carta rogatória estrangeira é feito 
pela Justiça Federal após homologação pelo STJ. 
O Poder Executivo atua de forma mais ampla. 
Ambos são fundados em tratados internacionais ou em promessas de reciprocidade. 
Vamos às regras do CPC! 
 
22 ABADE, Denise Neves. Análise da Coexistência entre Carta Rogatória e auxílio direto. In: ARAS, Wladimir (et. Al.) [coord.), 
Temas de Cooperação Internacional, vol. 2, 2ª edição, rev. e ampl., MPF: Brasília/DF, 2016, p. 21. 
CARTA ROGATÓRIA
Sempre que o ato possuir conteúdo decisório, devendo 
passar pela homologação perante o STJ.
Para atos sem conteúdo decisório (como uma 
intimação), quando não houver regra expressa 
adotando o auxílio direto.
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2.1 - Disposições Gerais 
Como visto, as regras para a cooperação internacional devem ser estabelecidas em tratados internacionais. 
Caso não exista tratado, é possível que as partes adotem a técnica da reciprocidade, ou seja, decidam na 
prática do dia a dia do foro a concessão dos mesmos benefícios a fim de dar efetividade às decisões judiciais. 
O recebimento e a transmissão dos atos de cooperação são realizados pela autoridade central. Essa função, 
se não for definida de forma específica no tratado internacional, será desempenhada pelo Ministério da 
Justiça. 
De toda forma, em ambos os casos de cooperação (porintermédio de tratado ou por reciprocidade) devem 
ser observados os parâmetros previstos nos incisos do art. 26: 
Art. 26. A cooperação jurídica internacional será regida por tratado de que o Brasil faz 
parte e observará: 
I - o respeito às garantias do devido processo legal no Estado requerente; 
II - a igualdade de tratamento entre nacionais e estrangeiros, residentes ou não no Brasil, 
em relação ao acesso à justiça e à tramitação dos processos, assegurando-se assistência 
judiciária aos necessitados; 
III - a publicidade processual, exceto nas hipóteses de sigilo previstas na legislação brasileira 
ou na do Estado requerente; 
IV - a existência de autoridade central para recepção e transmissão dos pedidos de 
cooperação; 
V - a espontaneidade na transmissão de informações a autoridades estrangeiras. 
§ 1o Na ausência de tratado, a cooperação jurídica internacional poderá realizar-se com 
base em reciprocidade, manifestada por via diplomática. 
§ 2o NÃO se exigirá a reciprocidade referida no § 1o para homologação de sentença 
estrangeira. 
§ 3o Na cooperação jurídica internacional não será admitida a prática de atos que 
contrariem ou que produzam resultados incompatíveis com as normas fundamentais que 
regem o Estado brasileiro. 
§ 4o O Ministério da Justiça exercerá as funções de autoridade central na ausência de 
designação específica. 
O art. 27, na sequência, traz que tipos de atos processuais poderão ser objeto de cooperação internacional 
para a efetividade dos processos. Trata-se de rol exemplificativo. 
Leia com atenção: 
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Art. 27. A cooperação jurídica internacional terá por objeto: 
I - citação, intimação e notificação judicial e extrajudicial; 
II - colheita de provas e obtenção de informações; 
III - homologação e cumprimento de decisão; 
IV - concessão de medida judicial de urgência; 
V - assistência jurídica internacional; 
VI - qualquer outra medida judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira. 
Dos incisos citados, é importante destacar o inc. VI, que traz uma regra aberta. Prevê o dispositivo que 
qualquer medida judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira poderá ser objeto de cooperação 
internacional. Em outras palavras, TODOS os atos processuais poderão ser praticados em cooperação 
internacional. 
2.2 - Auxílio Direto 
O auxílio direto, de acordo com a doutrina23, “constitui técnica de cooperação internacional que torna 
dispensável a expedição de carta rogatória para viabilizar não só a comunicação, mas também a tomada de 
providência solicitadas entre Estados”. 
O auxílio direto tem sido cada vez mais utilizado no direito internacional, devido à agilidade que o 
procedimento propicia. No caso de auxílio direto não haverá juízo de delibação pelo STJ, no qual o Tribunal 
Superior confere executoriedade a ato judicial estrangeiro, sem análise de mérito para que, após, possa ser 
efetivado. No caso do auxílio direto, o Estado solicitante concorda em submeter a matéria ao crivo do juiz, 
que poderá conceder ou não em análise de mérito. Não obstante a análise do mérito no auxílio direito, ele 
é mais ágil. 
O auxílio direto pode ser ativo ou passivo. 
 
 
23 BUENO, Cassio Scarpinella. Manual de Direito Processual Civil. Volume Único. 2ª edição, rev., atual. e ampl., São Paulo: 
Editora Saraiva, 2016, p. 121. 
AUXÍLIO 
DIRETO
passivo
aquele no qual um país requer a cooperação 
internacional do Brasil.
ativo 
aquele no qual o Brasil pretende a 
cooperação de outro país.
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O art. 28 prevê expressamente que o auxílio direto pode ser utilizado apenas quando não for necessário o 
juízo de delibação no Brasil (homologação ou concessão de exequatur perante o STJ). 
Art. 28. Cabe auxílio direto quando a medida NÃO decorrer diretamente de decisão de 
autoridade jurisdicional estrangeira a ser submetida a juízo de delibação no Brasil. 
O uso do auxílio direito é amplo. O art. 30, do CPC, explicita que qualquer assunto poderá ser objeto do 
auxílio, desde que não seja proibido pela legislação. 
Art. 30. Além dos casos previstos em tratados de que o Brasil faz parte, o auxílio direto 
terá os seguintes objetos: 
I - obtenção e prestação de informações sobre o ordenamento jurídico e sobre processos 
administrativos ou jurisdicionais findos ou em curso; 
II - colheita de provas, SALVO se a medida for adotada em processo, em curso no 
estrangeiro, de competência exclusiva de autoridade judiciária brasileira; 
III - qualquer outra medida judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira. 
O art. 29 do CPC, prevê o direcionamento do auxílio diretamente à autoridade central: 
Art. 29. A solicitação de auxílio direto será encaminhada pelo órgão estrangeiro 
interessado à autoridade central, cabendo ao Estado requerente assegurar a autenticidade 
e a clareza do pedido. 
Essa autoridade central é responsável por receber e transmitir esses pedidos de auxílio direto. 
O art. 31, do CPC, por sua vez, dispensa a intermediação diplomática para o auxílio direto, de modo que a 
comunicação se dá diretamente com a autoridade central brasileira. É justamente essa característica que 
confere agilidade ao procedimento criado pelo CPC. 
Art. 31. A autoridade central brasileira comunicar-se-á diretamente com suas congêneres 
e, se necessário, com outros órgãos estrangeiros responsáveis pela tramitação e pela 
execução de pedidos de cooperação enviados e recebidos pelo Estado brasileiro, 
respeitadas disposições específicas constantes de tratado. 
Já o art. 32, do CPC, consoante abordado acima, esclarece que a autoridade central poderá adotar as 
providências necessárias ao cumprimento do requerimento do Estado estrangeiro, independentemente de 
intervenção judicial, desde que não constitua ato jurisdicional. 
Art. 32. No caso de auxílio direto para a prática de atos que, segundo a lei brasileira, NÃO 
necessitem de prestação jurisdicional, a autoridade central adotará as providências 
necessárias para seu cumprimento. 
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Quando envolver ato processual, que não seja de cunho decisório, o Ministério da Justiça encaminhará à 
AGU para providenciar o requerimento em Juízo. Quando a autoridade judicial for outro órgão, tal como o 
Ministério Público, esse poderá ingressar diretamente em Juízo para requerer a prestação jurisdicional, caso 
possua capacidade processual. 
As regras que vimos até o presente se aplicam ao auxílio direto ativo e passivo. 
Para encerrar os dispositivos relativos ao auxílio direto, resta analisar os arts. 33 e 34. Eles são específicos, 
pois destinam-se ao auxílio direito passivo, ou seja, aquele no qual a autoridade judicial estrangeira requerer 
cooperação de autoridade judicial brasileira. Além disso, reportam-se às situações nas quais não poderá ser 
cumprido diretamente por se tratar de matéria sujeita à reserva de jurisdição. Desse modo, o cumprimento 
do auxílio direto depende de verificação pela autoridade jurisdicional. 
Nesse caso, a autoridade estrangeira encaminha à autoridade central do seu país, que faz o encaminhamento 
à autoridade central brasileira, que encaminhará à AGU, que requererá em juízo a medida solicitada. Leia: 
Art. 33. Recebido o pedido de auxílio direto passivo, a autoridade central o encaminhará 
à Advocacia-Geral da União, que requererá em juízo a medida solicitada. 
Parágrafo único. O Ministério Público requererá em juízo a medida solicitada quando for 
autoridade central.Assim, o caminho a ser perseguido para o cumprimento é o seguinte: 
 
Por fim, o art. 34 do CPC responde ao seguinte questionamento: 
A que autoridade judiciária brasileira o auxílio direto deverá ser encaminhado? 
À Justiça Federal que, de acordo com o art. 109, II e III, da CF, é o órgão competente para tratar do tema. 
Veja: 
Art. 34. Compete ao juízo federal do lugar em que deva ser executada a medida apreciar 
pedido de auxílio direto passivo que demande prestação de atividade jurisdicional. 
Agora, vamos analisar o segundo mecanismo de cooperação internacional, a carta rogatória. 
Autoridade 
judiciária 
estrangeira
Autoridade central 
estrangeira
Autoridade central 
brasileira
AGU
Autoridade 
judiciária brasileira
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2.3 - Carta Rogatória 
A carta rogatória é instrumento de cooperação entre juízos de nacionalidade distintos. Trata-se de 
documento oficial que serve de instrumento para que autoridade judicial rogue a outra autoridade judicial 
estrangeira cooperação para a prática do ato processual. 
O Brasil poderá solicitar cooperação por carta precatória como poderá cooperar com autoridade judiciária 
estrangeira efetivando carta rogatória em nosso território. No segundo caso, após concessão de exequatur, 
ela será cumprida pela Justiça Federal, conforme procedimento detalhado nos arts. 960 e seguintes do 
Código. 
Aqui temos apenas um artigo: o art. 36: 
Art. 35. Vetado. 
Art. 36. O procedimento da carta rogatória perante o Superior Tribunal de Justiça é de 
jurisdição contenciosa e deve assegurar às partes as garantias do devido processo legal. 
§ 1o A defesa restringir-se-á à discussão quanto ao atendimento dos requisitos para que 
o pronunciamento judicial estrangeiro produza efeitos no Brasil. 
§ 2o Em qualquer hipótese, é VEDADA a revisão do mérito do pronunciamento judicial 
estrangeiro pela autoridade judiciária brasileira. 
Do dispositivo acima, é importante compreender bem os §§. Esse processo judicial, com observância do 
devido processo legal, destina-se EXCLUSIVAMENTE à verificação dos requisitos para a homologação, que 
estão fixados no art. 963, do CPC. Não poderá o STJ adentrar no mérito na decisão judicial estrangeira. 
Assim... 
 
2.4 - Disposições Comuns às Seções Anteriores 
Para finalizar o tópico, vamos citar os arts. 37 a 41, que trazem algumas regras gerais. 
 No art. 37do CPC, temos o procedimento interno de tramitação das solicitações das autoridades judiciárias 
brasileiras, que ficará concentrado na autoridade central. 
NA HOMOLOGAÇÃO DE 
CARTA ROGATÓRIA, O STJ
deve analisar o 
preenchimento dos requisitos 
para homologação
não pode revisar o mérito do 
pronunciamento estrangeiro
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Art. 37. O pedido de cooperação jurídica internacional oriundo de autoridade brasileira 
competente será encaminhado à autoridade central para posterior envio ao Estado 
requerido para lhe dar andamento. 
 No art. 38 do CPC, há regra de formalização prevendo a necessidade de tradução do documento para a 
língua do país de destino. 
Art. 38. O pedido de cooperação oriundo de autoridade brasileira competente e os 
documentos anexos que o instruem serão encaminhados à autoridade central, 
acompanhados de tradução para a língua oficial do Estado requerido. 
 No art. 39, do CPC, é fixada a regra de recusa da prática do ato quando envolver requerimento ofensivo 
à ordem pública brasileira. 
Art. 39. O pedido passivo de cooperação jurídica internacional será recusado se configurar 
manifesta ofensa à ordem pública. 
 O art. 40 do CPC esclarece que a execução de sentença no Brasil pode ocorrer por carta rogatória ou por 
intermédio de ação diretamente ajuizada perante o STJ. Ambos os recursos necessitam da ordem do STJ para 
que a execução seja eficaz em nosso ordenamento. 
Art. 40. A cooperação jurídica internacional para execução de decisão estrangeira dar-se-
á por meio de carta rogatória ou de ação de homologação de sentença estrangeira, de 
acordo com o art. 960. 
 Por fim, o art. 41 do CPC fixa que a autenticação dos documentos judiciais estrangeiros não é necessária, 
exceto quando o país estrangeiro exigir do Brasil a autenticação (regra da reciprocidade). 
Art. 41. Considera-se autêntico o documento que instruir pedido de cooperação jurídica 
internacional, inclusive tradução para a língua portuguesa, quando encaminhado ao 
Estado brasileiro por meio de autoridade central ou por via diplomática, dispensando-se 
a juramentação, autenticação ou qualquer procedimento de legalização. 
Parágrafo único. O disposto no caput não impede, quando necessária, a aplicação pelo 
Estado brasileiro do princípio da reciprocidade de tratamento. 
Finalizamos, assim, o estudo da competência internacional e dos atos de cooperação internacional, que 
possuem uma estrutura diferenciada. 
DESTAQUES DA LEGISLAÇÃO E JURISPRUDÊNCIA 
CORRELATA 
 art. 17, do CPC: 
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Art. 17. PARA POSTULAR EM JUÍZO é necessário ter interesse e legitimidade. 
 art. 18, do CPC: 
Art. 18. NINGUÉM poderá pleitear direito alheio em nome próprio, SALVO quando 
autorizado pelo ordenamento jurídico. 
Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como 
assistente litisconsorcial. 
 art. 19, do CPC: 
Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração: 
I - da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica; 
II - da autenticidade ou da falsidade de documento. 
 art. 20, do CPC: 
Art. 20. É admissível a ação meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação 
do direito. 
 art. 21, do CPC: 
Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que: 
I - o réu, QUALQUER que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil; 
II - no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação; 
III - o fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil. 
Parágrafo único. Para o fim do disposto no inciso I, considera-se domiciliada no Brasil a 
pessoa jurídica estrangeira que nele tiver agência, filial ou sucursal. 
 art. 22, do CPC: 
Art. 22. Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações: 
I - de alimentos, quando: 
a) o credor tiver domicílio ou residência no Brasil; 
b) o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento 
de renda ou obtenção de benefícios econômicos; 
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II - decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor tiver domicílio ou 
residência no Brasil; 
III - em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à jurisdição nacional. 
 art. 23, do CPC: 
Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, COM EXCLUSÃO DE QUALQUER 
OUTRA: 
I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil; 
II - em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular 
e ao inventário e à partilha de bens situados no Brasil, AINDA QUE o autor da herança 
seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional; 
III - em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à partilha de 
bens situados no Brasil, AINDA QUE o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha 
domicílio fora do território nacional. 
 Súmula STJ 181:exemplo de ação declaratória admissível à luz do art. 19 do CPC. 
Súmula STJ 181 
É admissível ação declaratória, visando a obter certeza quanto à exata interpretação de 
cláusula contratual. 
 Súmula STJ 213: exemplo de ação declaratória admissível à luz do art. 19 do CPC. 
Súmula STJ 213 
O mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito à 
compensação tributária. 
 Súmula STJ 242: exemplo de ação declaratória admissível à luz do art. 19 do CPC. 
Súmula STJ 242 
Cabe ação declaratória para reconhecimento de tempo de serviço para fins previdenciários. 
 Súmula STJ 2: o enunciado traz hipótese de exceção ao princípio da inafastabilidade do Poder Judiciário, 
ao condicionar o exercício da jurisdição à prévia recusa por parte da autoridade administrativa para o 
ajuizamento da ação constitucional. 
Súmula STJ 2 
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Não cabe habeas data (CF, art. 5º, LXXI, a) se não houver recusa de informações por parte 
da autoridade administrativa. 
 REsp. 796.533/BA24: indeferimento da petição com extinção do processo sem julgamento do mérito por 
faltar interesse, dada a inexistência de utilidade prática da ação. 
PROCESSUAL CIVIL - EXECUÇÃO DE VALOR IRRISÓRIO - PRINCÍPIO DAUTILIDADE - AUSÊNCIA 
DE INTERESSE PROCESSUAL - EXTINÇÃO DO PROCESSOSEM JULGAMENTO DO MÉRITO - 
PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. O exercício da jurisdição deve considerar a utilidade do 
provimento judicial, sopesando o custo social de sua efetivação, especialmente quando o 
exequente pertence à estrutura do Estado. 2. Consubstancia o interesse processual a 
utilidade prática do provimento judicial, que não ocorre na execução de valor irrisório, no 
montante de R$ 130,00 (cento e trinta reais), merecendo ser confirmada a extinção do 
processo sem julgamento do mérito. Precedentes desta Corte. 3. Recurso especial 
improvido. 
 EREsp 609.266/RS25: muito embora a sentença declaratória não se preste à execução forçada, possui 
eficácia executiva. 
PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VALORES INDEVIDAMENTE PAGOS A TÍTULO DE 
FINSOCIAL. SENTENÇA DECLARATÓRIA DO DIREITO DE CRÉDITO CONTRA A FAZENDA PARA 
FINS DE COMPENSAÇÃO. EFICÁCIA EXECUTIVA DA SENTENÇA DECLARATÓRIA, PARA HAVER 
A REPETIÇÃO DO INDÉBITO POR MEIO DE PRECATÓRIO. 
1. No atual estágio do sistema do processo civil brasileiro não há como insistir no dogma 
de que as sentenças declaratórias jamais têm eficácia executiva. O art. 4º, parágrafo único, 
do CPC considera "admissível a ação declaratória ainda que tenha ocorrido a violação do 
direito", modificando, assim, o padrão clássico da tutela puramente declaratória, que a 
tinha como tipicamente preventiva. 
Atualmente, portanto, o Código dá ensejo a que a sentença declaratória possa fazer juízo 
completo a respeito da existência e do modo de ser da relação jurídica concreta. 
2. Tem eficácia executiva a sentença declaratória que traz definição integral da norma 
jurídica individualizada. Não há razão alguma, lógica ou jurídica, para submetê-la, antes da 
execução, a um segundo juízo de certificação, até porque a nova sentença não poderia 
chegar a resultado diferente do da anterior, sob pena de comprometimento da garantia da 
coisa julgada, assegurada constitucionalmente. E instaurar um processo de cognição sem 
oferecer às partes e ao juiz outra alternativa de resultado que não um, já prefixado, 
representaria atividade meramente burocrática e desnecessária, que poderia receber 
qualquer outro qualificativo, menos o de jurisdicional. 
 
24 REsp 796.533/BA, Rel. Min. Paulo Furtado, DJe 24/02/2010. 
25 EREsp 609.266/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, DJ 11/09/2006. 
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3. A sentença declaratória que, para fins de compensação tributária, certifica o direito de 
crédito do contribuinte que recolheu indevidamente o tributo, contém juízo de certeza e 
de definição exaustiva a respeito de todos os elementos da relação jurídica questionada e, 
como tal, é título executivo para a ação visando à satisfação, em dinheiro, do valor devido. 
Precedente da 1ª Seção: ERESP 502.618/RS, Min. João Otávio de Noronha, DJ de 
01.07.2005. 
4. Embargos de divergência a que se dá provimento. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Chegamos ao final da nossa aula! Esse foi um conteúdo bastante teórico e é necessário um esforço maior 
para bem compreender a matéria. Contudo, com um estudo concentrado é possível superar essa dificuldade 
inicial. 
Qualquer dúvida, estou à disposição no fórum do curso. 
 
Ricardo Torques 
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https://www.facebook.com/rstorques 
 
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QUESTÕES COMENTADAS 
FCC 
1. (FCC/TJ-AL - 2019) Em relação à jurisdição, é correto afirmar que 
a) ao se dizer que a lei não excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito, o ordenamento 
jurídico processual refere-se ao princípio da indelegabilidade. 
b) à jurisdição voluntária não se aplicam as garantias fundamentais do processo, pela inexistência de lide e 
pela possibilidade de se julgar por equidade. 
c) viola o princípio do Juiz natural a instituição de Câmaras de Recesso nos tribunais, por julgarem em 
períodos nos quais, em regra, não deve haver atividade jurisdicional. 
d) só haverá atividade jurisdicional relativa à disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se as 
instâncias da justiça desportiva reguladas em lei. 
e) por ter natureza jurisdicional, a arbitragem pode tutelar quaisquer direitos, patrimoniais ou imateriais, 
disponíveis ou não. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. A afirmativa apresenta o Princípio da Inafastabilidade da Jurisdição, previsto 
no art. 5º, XXXV da Constituição Federal e no caput do art. 3º do Código de Processo Civil: 
CF - Art. 5º. XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a 
direito; 
CPC - Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. 
A alternativa B está incorreta. As garantias fundamentais do processo se aplicam à jurisdição voluntária. 
A alternativa C está incorreta. A instituição de Câmara de Recesso (chamada por alguns de Câmara de Férias) 
não ofende o princípio do juiz natural posto que as regras são gerais, abstratas e impessoais. O STJ já pacificou 
o tema: HC 159.433, HC 158.251, HC 158203. 
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. Nos termos do §1º do art. 217 da Constituição Federal: 
"O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se 
as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei." 
A alternativa E está incorreta. A Lei nº 9.307/96, ao dispor sobre a arbitragem, prevê em seu art. 1º: "As 
pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos 
patrimoniais disponíveis." 
2. (FCC/SANASA - 2019) Anacleto ajuizou ação declaratória de inexistência de débito, em razão da 
cobrança pela concessionária de valores a título de contas de luz em atraso. Alega que ainda não havia 
recebido as chaves do imóvel, à época em que os valores lançados como em atraso pela requerida, embora 
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já tivesse assinado o contrato de locação. Pleiteia a declaração de inexistência de débito e retomada do 
fornecimento de energia elétrica no imóvel. Em sua defesa, a concessionária alega que a dívida é oriundada essência do imóvel, e, ante o inadimplemento, é permitida a ruptura da prestação do serviço, e, por 
isso, entende que falta interesse de agir ao autor. 
Sendo assim, 
a) por ser a dívida do imóvel de natureza propter rem, Anacleto é obrigado a pagar o débito de outro usuário 
do serviço de fornecimento de energia elétrica. 
b) a dívida é de natureza pessoal, por se referir exclusivamente ao consumo de quem estava habitando o 
imóvel à época, e, portanto, Anacleto não é devedor. 
c) a interrupção no fornecimento de energia elétrica pode ocorrer no dia imediatamente posterior ao 
inadimplemento, independente de aviso prévio. 
d) verifica-se a carência de ação, eis que Anacleto é o único usuário do serviço prestado, e por ele deve pagar, 
mesmo por dívidas pretéritas. 
e) a ação deve ser julgada improcedente, eis que à concessionária é permitida interrupção do fornecimento 
do serviço público, sem prévio aviso, bem como a cobrança de valores em atraso de qualquer pessoa que 
esteja usufruindo do serviço. 
Comentários 
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. A jurisprudência do STJ (AgRg no REsp 1.256.305/SP) 
é pacífica quanto à natureza pessoal dos débitos de água e energia elétrica: "O entendimento consolidado 
nesta Corte é de que o débito, tanto de água como de energia elétrica, é de natureza pessoal, não se 
caracterizando como obrigação de natureza propter rem." 
A alternativa A está incorreta. A jurisprudência entende tratar-se de dívida de natureza pessoal e não propter 
rem (própria da coisa). 
A alternativa C está incorreta. De acordo com o §3º do art. 6º da Lei nº 8.987/95, o prévio aviso é necessário 
para que haja a interrupção no fornecimento de energia elétrica. 
Art. 6º, § 3º Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção em 
situação de emergência ou após prévio aviso, quando: 
I - motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações; e, 
II - por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da coletividade. 
A alternativa D está incorreta. De acordo com o entendimento do STJ, Anacleto só será responsável pelos 
débitos após o recebimento das chaves do imóvel. 
A alternativa E está incorreta. Como visto no comentário da alternativa C, a interrupção dos serviços é 
permitida, desde que, em regra, haja prévio aviso. 
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3. (FCC/DPE-AM - 2018) A teoria ternária classifica a tutela jurisdicional em condenatória, constitutiva 
e declaratória. Cada uma dessas tem relação de proximidade com institutos de caducidade. 
Assim, é possível associar como regra as tutelas condenatórias, constitutivas e declaratórias, 
respectivamente, com a 
a) prescrição, a decadência e a imprescritibilidade. 
b) decadência, a prescrição e a imprescritibilidade. 
c) imprescritibilidade, a decadência e a prescrição. 
d) prescrição, a imprescritibilidade e a decadência. 
e) decadência, a imprescritibilidade e a prescrição. 
Comentários 
Trata-se de questão teórica e complexa, na medida em que requer um esforço de compreensão de institutos 
processuais importantes. 
A teoria ternária classifica a tutela jurisdicional em condenatória, constitutiva e declaratória. 
A tutela condenatória visa à formação de um título executivo judicial, que permitirá ao autor fazê-la cumprir 
por meio da via executiva. Como se trata de uma pretensão de buscar uma reparação, essa tutela está 
relacionada à prescrição. 
A tutela constitutiva, por sua vez, tem por objetivo modificar ou extinguir uma relação jurídica. A tutela 
jurisdicional prestada em uma tutela constitutiva irá criar uma nova situação jurídica. Assim, tem relação 
com a decadência porque ambas estão diretamente relacionadas ao direito propriamente dito, e não à 
pretensão. 
Por fim, a tutela declaratória está relacionada à imprescritibilidade pelo fato da ação declaratória apenas 
afirmar a existência ou inexistência de um direito, e sendo o direito preexistente, não há que se falar em 
vencimento do prazo para o seu requerimento, para o ajuizamento da ação. Por isso, afirma-se que ela é 
imprescritível. 
Desse modo, a alternativa A está correta e é o gabarito da questão. 
4. (FCC/CLDF - 2018) Em relação à função jurisdicional, é correto afirmar: 
a) Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, em nenhuma hipótese. 
b) A possibilidade jurídica da ação é uma das condições preliminares a serem observadas no atual CPC por 
ocasião da prestação jurisdicional, até mesmo de ofício. 
c) É admissível a ação meramente declaratória, salvo se houver ocorrido a violação do direito. 
d) A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência e não obsta a que a autoridade 
judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas, ressalvadas as disposições em 
contrário de tratados internacionais e acordos bilaterais em vigor no Brasil. 
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e) Compete à autoridade judiciária brasileira, em qualquer hipótese, o processamento e o julgamento da 
ação quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em contrato internacional, por sua 
ineficácia. 
Comentários 
Vejamos alternativa por alternativa: 
A alternativa A está incorreta. O art. 18, do Código de Processo, estipula que ninguém poderá pleitear direito 
alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Isso significa que existe sim 
uma hipótese em que alguém pode pleitear direito alheio em nome próprio (“quando autorizado pelo 
ordenamento jurídico”), o que torna a afirmação categórica da alternativa A incorreta. 
A alternativa B está incorreta. Como vimos em aula, as condições da ação, no bojo do CPC/73, eram: (i) a 
possibilidade jurídica do pedido; (ii) a legitimidade das partes; e (iii) o interesse de agir. Com o advento do 
CPC/15, essas condições passaram a ser, apenas: (i) a legitimidade das partes; e (ii) o interesse de agir (art. 
17). Assim, está incorreto afirmar que a possibilidade jurídica da ação é uma das condições preliminares a 
serem observadas no atual CPC por ocasião da prestação jurisdicional. Ela era, sim, apreciada 
preliminarmente, na vigência do CPC anterior. Mas, do atual, não. 
A alternativa C, também, está incorreta. Por expressa disposição legal (art. 20, do CPC), e admissível a ação 
meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação do direito. 
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. Ela espelha a literal disposição do art. 24, do CPC, que 
diz: 
Art. 24. A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência e não obsta 
a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas, 
ressalvadas as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos bilaterais em 
vigor no Brasil. 
E a alternativa E, por fim, está incorreta. A alternativa diz o contrário do que dispõe o art. 25, do Código de 
processo. Vejam: 
Art. 25. Não compete à autoridade judiciária brasileira o processamento e o julgamento 
da ação quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em contrato 
internacional, arguida pelo réu na contestação. 
5. (FCC/TST - 2017) Considerando as normas fundamentais do processo civil, de acordo com a Parte 
Geral do Código de Processo Civil, é correto afirmar: 
a) A legislação atual assegura às partes o direito de obtenção, em lapso temporal razoável, da plena resolução 
meritória da demanda judicial, excluída a atividade satisfativa, isto é, de cumprimento ou execução. 
b) É possível decidir questão de ofício sem oportunizar a manifestação das partes sobre o fundamento 
adotado quando a decisão judicial estiver sendotomada no âmbito jurisdicional dos tribunais superiores. 
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c) O juiz não deve proferir decisão contra uma das partes sem que lhe seja dada oportunidade de se 
manifestar, ainda que a decisão seja proferida em ação monitória, quando evidente o direito do autor. 
d) Mesmo em questões a respeito das quais o magistrado está legalmente autorizado a decidir de ofício, o 
juiz não está autorizado a proferir decisão sem oportunizar que as partes tenham assegurado o direito de 
manifestação a fim de poder influenciar no julgamento. 
e) O dever de todos os sujeitos processuais, inclusive o perito, cooperarem para buscar a obtenção de decisão 
que julgue o mérito da demanda judicial, em tempo razoável, de modo justo e efetivo, não está previsto nas 
normas fundamentais do processo civil no Brasil. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. Vejamos o que dispõe o art. 4º do CPC: 
Art. 4o As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, 
incluída a atividade satisfativa. 
Conforme se nota, a lei processual prevê às partes o direito de obtenção, em prazo razoável, da plena 
resolução meritória da demanda judicial, nela estando incluída a atividade satisfativa, ou seja, de 
cumprimento ou execução. 
A alternativa B está incorreta. De acordo com o art. 10 do CPC, o juiz deve assegurar o direito das partes de 
se manifestarem e influenciarem as decisões judiciais, mesmo quando o objeto delas consistir em matéria 
cognoscível de ofício. 
Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a 
respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se 
trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. 
A alternativa C está incorreta. O art. 9º, caput, da referida Lei, estabelece que não se proferirá decisão contra 
uma das partes sem que ela seja previamente ouvida. Porém, o parágrafo único, do mesmo dispositivo legal, 
traz três exceções a esta regra. Vejamos: 
Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica: 
I - à tutela provisória de urgência; 
II - às hipóteses de tutela da evidência previstas no art. 311, incisos II e III; 
III - à decisão prevista no art. 701. 
A exceção trazida pelo inc. III corresponde, justamente, à decisão proferida em sede de ação monitória. 
Confira: 
Art. 700. A ação monitória pode ser proposta por aquele que afirmar, com base em prova 
escrita sem eficácia de título executivo, ter direito de exigir do devedor capaz: 
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I - o pagamento de quantia em dinheiro; 
II - a entrega de coisa fungível ou infungível ou de bem móvel ou imóvel; 
III - o adimplemento de obrigação de fazer ou de não fazer. 
(...) 
Art. 701. Sendo evidente o direito do autor, o juiz deferirá a expedição de mandado de 
pagamento, de entrega de coisa ou para execução de obrigação de fazer ou de não fazer, 
concedendo ao réu prazo de 15 (quinze) dias para o cumprimento e o pagamento de 
honorários advocatícios de cinco por cento do valor atribuído à causa. 
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. De fato, mesmo em questões a respeito das quais o 
magistrado está legalmente autorizado a decidir de ofício, o juiz não está autorizado a proferir decisão sem 
oportunizar que as partes tenham assegurado o direito de manifestação a fim de poder influenciar no 
julgamento. Isso é o que se extrai do art. 10 do CPC, já transcrito acima. 
A alternativa E está incorreta. O art. 6º do CPC menciona que todos os sujeitos do processo devem cooperar 
entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. 
6. (FCC/TRF-5ªR - 2017) Acerca da jurisdição e da ação, 
a) carece de interesse o autor da ação que se limita a pleitear a declaração da autenticidade de documento. 
b) é permitido pleitear direito alheio em nome próprio, independentemente de autorização normativa, 
desde que demonstrado interesse. 
c) é inadmissível a ação meramente declaratória caso tenha ocorrido a violação do direito. 
d) o interesse do autor pode se limitar à declaração do modo de ser de uma relação jurídica. 
e) havendo substituição processual, ao substituído não será admitido intervir como assistente litisconsorcial. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. Vejamos o que dispõe o art. 19, II, do CPC: 
Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração: 
II - da autenticidade ou da falsidade de documento. 
A alternativa B está incorreta. De acordo com o art. 18, caput, da Lei nº 13.105/2015, ninguém poderá 
pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. 
A alternativa C está incorreta, pois contraria o disposto no art. 20 da referida Lei: 
Art. 20. É admissível a ação meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação 
do direito. 
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A alternativa D está correta e é o gabarito da questão, conforme prevê o art. 19, I, do CPC: 
Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração: 
I - da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica; 
A alternativa E está incorreta. O parágrafo único, do art. 18, da Lei nº 13.105/15, estabelece que havendo 
substituição processual, o substituído poderá intervir como assistente litisconsorcial. 
7. (FCC/DPE-AP - 2018) Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. Esse é o 
princípio da 
a) inclusão obrigatória, decorrente da dignidade humana e do mínimo existencial, tratando-se de princípio 
constitucional e, simultaneamente, infraconstitucional do processo civil. 
b) vedação a tribunais de exceção ou do juiz natural, tratando-se apenas de princípio constitucional do 
processo civil. 
c) legalidade ou obrigatoriedade da jurisdição, tratando-se apenas de princípio infraconstitucional do 
processo civil. 
d) reparação integral do prejuízo, tratando-se de princípio constitucional e também infraconstitucional do 
processo civil. 
e) inafastabilidade ou obrigatoriedade da jurisdição e é, a um só tempo, princípio constitucional e 
infraconstitucional do processo civil. 
Comentários 
Esse enunciado se extrai do princípio da inafastabilidade da jurisdição. A inafastabilidade ou obrigatoriedade 
da jurisdição refere-se à impossibilidade de exclusão de alegação de lesão a direito ou de alegação de ameaça 
de lesão a direito, tendo em vista que o direito de ação não se vincula à efetiva procedência do quanto 
alegado. 
Além disso, podemos dizer que esse princípio é, a um só tempo, constitucional e infraconstitucional, uma 
vez que ele vem previsto na CF (art. 5º, XXXV) e no CPC (art. 3º). 
Vejamos: 
CF/88: 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se 
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à 
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; 
CPC: 
Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. 
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Desse modo, a alternativa E é a correta e gabarito da questão. 
As demais alternativas apresentam princípios diferentes daquele trazidos no enunciado. 
8. (FCC/DPE-RR - 2015) O interesse do autor da açãoconforme regras objetivas de competência, que organizam todo esse sistema de jurisdição. 
A necessidade da jurisdição se justifica na medida em que apenas a previsão de direitos e deveres nas leis 
não é suficiente para evitar ou solucionar conflitos. Desse modo, é necessário existir instrumento capaz, justo 
e efetivo de solucionar os conflitos, para restabelecer a harmonia nas relações sociais. Nesse contexto, a 
partir da divisão de poderes, o Estado cria um poder específico para exercer a função jurisdicional, cuja 
atuação é voltada para promoção dessa harmonia social. 
O Poder Judiciário coteja um conflito com as normas objetivas previstas para apresentar a solução. A solução 
de conflitos pela ação estatal é fruto de longo desenvolvimento e amadurecimento da sociedade. 
Nos primórdios, tínhamos a autotutela que constitui forma de resolver diretamente e por intermédio da 
força os conflitos. Não se tratava de forma democrática de resolução de conflitos. Pelo contrário, de forma 
autoritária uma pessoa impunha a sua vontade sobre a outra com o uso da força. 
Paulatinamente a autotutela foi deixada de lado em substituição a meios consensuais para solução de 
conflito. Outra forma adotada consistiu na escolha de um terceiro, pessoa de confiança de ambas as partes, 
para decidir. A esse instrumento denominou-se arbitragem. 
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Com a consolidação do Estado, como expressão de soberania e do Estado de Direito, ele propriamente 
assumiu a figura do terceiro solucionador dos conflitos, como forma de representar um instrumento seguro 
e legítimo. 
Com o tempo, houve fortalecimento da jurisdição estatal. Contudo, continuamos a prever e admitir os outros 
meios até então utilizados, como a conciliação, a mediação, a arbitragem. Todas essas formas de resolução 
de conflitos coexistem. 
2.1 - Conceito, escopos e caracterização 
A jurisdição pode ser compreendida como atuação do Estado por intermédio do processo, do qual o juiz 
necessariamente irá participar, para aplicar o direito objetivo ao caso concreto. 
O resultado do exercício da jurisdição é a solução da lide existente entre as partes, com a pretensão última 
de que ambos (autor e réu) saiam do processo satisfeitos com a solução adotada. Pode-se afirmar, por tanto, 
que a satisfação faz parte do conceito de jurisdição. 
A solução da crise jurídica entre as partes é, na doutrina de Cândido Rangel Dinamarco, o escopo jurídico da 
jurisdição. Além disso, pretende-se atingir o escopo social por intermédio da pacificação social. Trata-se de 
apaziguar os ânimos das partes. Vale dizer: tornar o vencedor satisfeito pelo exercício da jurisdição. E, em 
relação ao vencido, buscar a conformação com a derrota. O resultado prático da pacificação social é obtido 
por intermédio de um processo célere, barato, com ampla participação das partes e com uma decisão justa. 
Outro elemento relevante do conceito de jurisdição é a definitividade. Com o esgotamento de todos os 
recursos, espera-se a solução da crise jurídica (escopo jurídico) e conformação das partes (escopo social). A 
fim de conferir segurança e autoridade ao exercício da jurisdição, entende-se que o exercício da jurisdição 
se tornou definitivo, de modo que a decisão não poderá ser alterada e rediscutida. 
Em síntese, o conceito de jurisdição engloba quatro elementos: 
 
Da reunião dos elementos acima temos o conceito de jurisdição: 
Jurisdição envolve formas estatal de resolução de conflitos, por intermédio do qual 
aplica-se o direito objetivo ao caso concreto como forma de por fim, de forma definitiva, 
à crise jurídica, gerando a pacificação social. 
Elementos 
conceituais da 
jurisdição:
atuação estatal;
aplicação do direito 
objetivo ao caso 
concreto;
solução da crise 
jurídica com 
definitividade; e
pacificação social.
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O conceito acima é muito didático, pois evidencia que a jurisdição tem por finalidade aplicar o direito ao caso 
concreto, ou seja, resolver eventuais conflitos, conferindo definitividade à solução com a prestação da tutela 
jurisdicional. 
Há um detalhe importante aqui! 
 
O exercício da função jurisdicional é tarefa típica do Poder Judiciário, conforme a divisão constitucional de 
poderes. Assim, cabe ao Poder Judiciário resolver conflitos de interesse entre as pessoas, quando outros 
mecanismos (como a conciliação) não forem hábeis. 
Contudo, a jurisdição poderá, excepcionalmente (de forma atípica), ser exercida também pelos poderes 
Legislativo e Executivo. É o que ocorre, por exemplo, no julgamento de impeachment do Presidente da 
República. Nesse caso, a competência julgadora é do Senado Federal. Embora integrante do Poder Legislativo 
(e com função típica de legislar), esse órgão do Parlamento acumulará também a função de julgar processo 
de impedimento do Presidente da República. 
Ainda nesta parte introdutória da matéria, é necessário resgatar uma forma tradicional de conceituação de 
jurisdição: 
A jurisdição é poder, função e atividade. 
 
Como poder, a jurisdição é compreendida como a prerrogativa do Estado de interferir na esfera jurídica das 
pessoas, aplicando o direito ao caso concreto e resolvendo conflitos. Nesse contexto, o juiz surge como 
alguém que, pela jurisdição, cria a norma jurídica para o caso concreto. E para que essa norma jurídica 
concretamente aplicada seja efetiva, é necessário não apenas dizer o direito, mas satisfazer a pretensão da 
parte, criando condições para fazer valer o direito aplicado. 
Como função, a jurisdição é compreendida como uma atribuição conferida pela Constituição Federal ao 
Poder Judiciário para exercer o poder jurisdicional. É a CF, ao criar o Estado brasileiro, que outorga o poder 
típico de julgar ao Poder Judiciário (e atipicamente, em algumas circunstâncias, ao Poder Legislativo e 
Executivo). 
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Como atividade, a jurisdição constitui um conjunto de atos que são praticados por aqueles que detém a 
prerrogativa de exercer a jurisdição para se chegar à sentença e à execução do direito concedido ou 
assegurado. 
Assim... 
 
 
Note que todos esses conceitos estão relacionados, a ponto de Daniel Amorim Assumpção Neves4 afirmar 
que “o PODER jurisdicional é o que permite o exercício da FUNÇÃO jurisdicional que se materializa no caso 
concreto por meio da ATIVIDADE jurisdicional”. Os termos, de certo modo, convergem para a ideia de que 
a jurisdição é uma forma de aplicar efetivamente o direito no caso concreto, resolvendo conflitos. 
Mais um detalhe relevante! 
 
Acima falamos em escopos da jurisdição. Não é um tema explorado com frequência em provas, mas constitui 
substrato relevante para a correta compreensão desse instituto fundamental do Processo Civil. 
Por escopo devemos compreender o objetivo que se pretende atingir com o exercício da jurisdição. Cândido 
Rangel Dinamarco afirma que o exercício da jurisdição tem, em última análise, o escopo de aplicar 
concretamente as normas do ordenamento jurídico (escopo jurídico), de resolver os conflitos de interesses 
existentes na sociedade, proporcionando a pacificação social (escopo social), de informar aos jurisdicionados 
sobre seus direitos e deveres (escopo educacional) e, politicamente, de fortalecer o Estado, isto é, de 
 
4 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. Volume Único, 8ª edição, Bahia: Editora JusPodivm, 
2016, p. 21. 
JURISDIÇÃO COMO PODER:
poder estatal de interferir na 
esfera jurídica dos 
jurisdicionados.a) não pode se limitar à declaração da existência de relação jurídica, caso já tenha ocorrido a violação do 
direito. 
b) pode se limitar à declaração da inexistência de relação jurídica, ainda que tenha ocorrido a violação do 
direito. 
c) não pode se limitar à declaração da autenticidade ou falsidade de documento, ainda que tenha ocorrido 
a violação do direito. 
d) pode se limitar à declaração da existência de relação jurídica, mas não da sua inexistência, 
independentemente de eventual violação do direito. 
e) pode se limitar à declaração da existência de relação jurídica, mas apenas se já tiver ocorrido a violação 
do direito. 
Comentários 
O interesse do autor da ação pode se limitar à declaração da inexistência de relação jurídica, ainda que tenha 
ocorrido a violação do direito, conforme art. 19 e 20 do CPC. 
Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração: 
I - da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica; 
II - da autenticidade ou da falsidade de documento. 
Art. 20. É admissível a ação meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação 
do direito. 
Dessa forma, a alternativa B está correta e é o gabarito da questão. 
Vejamos o erro das demais alternativas: 
a) não pode se limitar à declaração da existência de relação jurídica, caso [ainda que] já 
tenha ocorrido a violação do direito. 
c) não pode se limitar à declaração da autenticidade ou falsidade de documento, ainda que 
tenha ocorrido a violação do direito. 
d) pode se limitar à declaração da existência de relação jurídica, mas não da sua 
inexistência, independentemente de eventual violação do direito. 
e) pode se limitar à declaração da existência de relação jurídica, mas apenas se já tiver 
ocorrido a violação do direito [ainda que tenha ocorrido a violação do direito]. 
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9. (FCC/TRT-9ª R - 2015) Se estiverem ausentes as condições da ação, mas o réu nada alegar em 
contestação, o juiz deve: 
a) conhecer da matéria de ofício, em qualquer grau de jurisdição, e extinguir o processo sem resolução de 
mérito. 
b) dar ao processo curso normal, em razão da preclusão. 
c) conhecer da matéria de ofício, desde que ainda não tenha ocorrido audiência de instrução, e extinguir o 
processo com resolução de mérito. 
d) conhecer da matéria, em qualquer grau de jurisdição, mas apenas se a matéria foi alegada pelo réu no 
curso do processo, extinguindo-o sem resolução de mérito. 
e) conhecer da matéria de ofício, em qualquer grau de jurisdição, e extinguir o processo com resolução de 
mérito. 
Comentários 
Se estiverem ausentes as “condições da ação” (leia-se, o interesse e a legitimidade), mas o réu nada alegar 
em contestação, o juiz deve conhecer da matéria de ofício, em qualquer grau de jurisdição, e extinguir o 
processo sem resolução de mérito. 
Vejamos o art. 485, VI, §3º, do CPC. 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: 
VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; 
 § 3o O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer 
tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. 
Só por meio do interesse e da legitimidade será possível o exercício adequado da jurisdição em resposta ao 
pleito da parte. 
Portanto, a alternativa A está correta e é o gabarito da questão. 
Vamos aprofundar um pouquinho. De acordo com a Teoria da Asserção, que, segundo o STJ, é a teoria 
adotada pelo Código, nem sempre a ausência de interesse ou de legitimidade vai levar à extinção do processo 
sem resolução de mérito. Vimos isso em aula. Contudo, a extinção do processo com resolução de mérito 
tendo por base a ausência das condições, é uma exceção e não regra. Em questões de concurso, na maioria 
das vezes, quando a regra é exposta e não se menciona a exceção, devemos marcar a questão como correta. 
É por isso que a resposta, aqui, é a alternativa A. Em outras palavras, nem sempre a ausência de uma das 
condições da ação vai levar à extinção do processo sem resolução de mérito. Mas essa é a regra e por isso a 
alternativa A está correta. 
10. (FCC/TJ-AL - 2015) Em relação à jurisdição, considere os seguintes princípios e características: 
I. As únicas soluções possíveis para a lide são por meio da jurisdição e pelos mecanismos alternativos da 
autocomposição e da arbitragem. 
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II. Pelo princípio da indeclinabilidade, a prestação jurisdicional não é discricionária e sim obrigatória para o 
Estado. 
III. Pelo princípio da inevitabilidade, tem-se que a jurisdição é atividade pública que cria um estado de 
sujeição às partes do processo. 
IV. Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer, nos casos 
e forma legais, é enunciado relativo ao princípio da indelegabilidade das atribuições típicas e refere-se à 
jurisdição contenciosa e voluntária. 
Está correto o que se afirma APENAS em 
a) I e IV. 
b) II e III. 
c) I, II e III. 
d) I, II e IV. 
e) III e IV. 
Comentários 
Vamos analisar cada um dos itens: 
O item I está incorreto. A lide pode ser solucionada por diversas formas, inclusive por meios não 
jurisdicionais, como é o caso das instâncias administrativas não mencionadas na assertiva. 
O item II está correto. O princípio da indeclinabilidade ou da inafastabilidade da jurisdição está previsto no 
art. 5º, XXXV, da CF, e afirma que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a 
direito. Assim, não pode o juiz eximir-se de julgar a lide nem mesmo diante da ausência de lei ou de lacuna, 
hipóteses em que deverá decidi-la com base na analogia, nos costumes e nos princípios gerais de direito, 
conforme art. 140 do CPC. Em outras palavras, a jurisdição é indeclinável e obrigatória, não sendo uma opção 
para o Estado, mas, sim, uma obrigação. 
O item III está correto. O princípio da inevitabilidade da jurisdição, do qual decorre o poder de coerção, 
afirma a vinculação das partes ao processo e ao estado de sujeição delas aos efeitos da decisão judicial 
proferida. Lembre-se da substitutividade, uma das características distintivas da jurisdição. 
O item IV está incorreto. A questão traz o enunciado relativo ao princípio da inércia da jurisdição. O princípio 
da indelegabilidade indica que o Estado não poderá delegar a outrem o exercício da jurisdição, sendo está 
uma função eminentemente sua. 
Portanto, a alternativa B está correta e é o gabarito da questão. 
11. (FCC/MPE-PB - 2015) A respeito da ação e da jurisdição, considere: 
I. O direito de ação depende do direito material ou da eventual relação jurídica entre as partes. 
II. O direito de ação é o direito subjetivo público de pleitear ao Poder Judiciário uma decisão sobre uma 
pretensão. 
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III. A jurisdição é o poder, função e atividade de aplicar o direito a um fato concreto pelos órgãos públicos 
destinados a tal, obtendo-se a justa composição da lide. 
Está correto o que se afirma APENAS em 
a) II e III. 
b) I e II. 
c) II. 
d) I. 
e) III. 
Comentários 
Vamos analisar cada um dos itens: 
O item I está incorreto. O direito de ação não se confunde com o direito material, inclusive existe de 
forma autônoma e independente. 
O item II está correto. É exatamente isso! O direito de ação representa um direito subjetivo público que a 
pessoa tem de pleitear, perante o Poder Judiciário, uma decisão sobre determinada pretensão. 
O item III está correto. Vamos reverum esquema de aula exatamente sobre esse assunto: 
 
Dessa forma, a alternativa A está correta e é o gabarito da questão. 
12. (FCC/TCM-GO - 2015) Quanto à ação e à jurisdição no direito processual civil, é correto afirmar: 
a) Preenchidos ou não os pressupostos de interesse de agir e legitimidade da parte, o juiz sempre deverá 
dizer quem tem razão, ao proferir uma sentença de procedência ou improcedência 
b) A jurisdição é inerte, precisando que o autor ou interessado tome a iniciativa de movimentá-la, o que se 
faz por meio do direito de ação, exercido contra o Estado, em face da parte adversa. 
•Poder Estatal de interferir na esfera jurídica dos jurisdicionados.
JURISDIÇÃO COMO PODER
•Encargo atribuído pela CF ao Poder Judiciário (em regra).
JURISDIÇÃO COMO FUNÇÃO
•Conjunto de atos praticados pelos agentes estatais investidos de jurisdição.
JURISDIÇÃO COMO ATIVIDADE
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c) A jurisdição, entre nós, exercida por meio da ação, é um direito subjetivo privado exercido contra o 
adversário e coordenado pelo Estado. 
d) A existência do direito de ação é condicionada à ocorrência do próprio direito material postulado. 
e) Tanto o direito de acesso à justiça como o direito de ação em sentido estrito são incondicionados, devendo 
o juiz apreciar necessariamente o mérito da causa. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. O reconhecimento da ausência do interesse de agir da legitimidade levará à 
extinção do processo sem julgamento de mérito, conforme art. 485, VI, do CPC. 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: 
VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; 
De acordo com a Teoria da Asserção, que, segundo o STJ, é a teoria adotada pelo Código, nem sempre a 
ausência de interesse ou de legitimidade vai levar à extinção do processo sem resolução de mérito. 
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. O princípio da inércia da jurisdição está previsto no 
art. 16 e no art. 2º, do CPC. 
Art. 16. A jurisdição civil é exercida pelos juízes e pelos tribunais em todo o território 
nacional, conforme as disposições deste Código. 
Art. 2o
 O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo 
as exceções previstas em lei. 
Conforme se nota, o ordenamento jurídico proíbe que a jurisdição seja, em regra, exercida de ofício, por 
iniciativa própria dos juízes, de modo a se assegurar, também, a garantia da separação dos poderes e da 
independência e imparcialidade da jurisdição. 
Aqui cabem duas observações: 
1) O princípio da inércia da jurisdição tem muitos nomes e pode aparecer em provas, por exemplo, como 
“princípio dispositivo” ou “princípio da demanda”. Ele também pode vir ligado à expressão latina nemo iudex 
sine actore, o que significa, em uma tradução livre, “não existe direito sem partes”; 
2) Apesar da inércia, existe uma ação que o juiz pode iniciar de ofício, por isso dizemos “em regra”. É a ação 
de restauração de autos, prevista no art. 712, e seguintes, do CPC. Vejam: 
Art. 712. Verificado o desaparecimento dos autos, eletrônicos ou não, pode o juiz, de 
ofício, qualquer das partes ou o Ministério Público, se for o caso, promover-lhes a 
restauração. 
Mas, atenção! Isso é uma exceção. Se a sua questão vier dizendo “a jurisdição é inerte”, você deve marcar a 
alternativa como correta. 
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A alternativa C está incorreta. O direito à jurisdição, por meio da ação, é direito subjetivo público e não 
privado, pois se exige do Estado a prestação de tutela jurisdicional. Lembre-se que o direito de ação é um 
direito subjetivo, público, autônomo, independente e condicionado. 
  É subjetivo, porque pertence ao sujeito; 
  É público, porque é um direito exercido contra o Estado; 
  É autônomo, porque é um direito distinto do direito material; 
  É independente, porque existe ainda que o direito material não exista; 
  E é condicionado, porque depende da existência de duas condições: interesse e legitimidade. 
A alternativa D está incorreta. O direito de ação não está condicionado à existência do direito material 
postulado, sendo considerado um direito independente, como vimos acima. 
A alternativa E está incorreta. O direito de ação não é incondicionado, devendo o autor demonstrar, na 
narrativa de sua petição inicial, o interesse de agir e a legitimidade, como vimos acima, também. 
13. (FCC/DPE-CE - 2014) No tocante à jurisdição, examine os enunciados seguintes: 
I. Tecnicamente, a atividade jurisdicional é sempre substitutiva das atividades dos sujeitos envolvidos no 
conflito, a quem a ordem jurídica proíbe, como regra, atos de autodefesa. 
II. O caráter substitutivo da jurisdição está presente nas situações envolvendo particulares, mas não quando 
um dos sujeitos litigantes é o próprio Estado, pois nesse caso haveria identidade de funções e de atividades 
estatais. 
III. Da natureza da jurisdição decorre sua definitividade, que é caracterizada pela imunização dos efeitos dos 
atos realizados, cujo maior grau, outorgado pela ordem jurídica, é a autoridade da coisa julgada material. 
É correto o que se afirma APENAS em 
a) I 
b) II 
c) II e III. 
d) I e II. 
e) I e III. 
Comentários 
Vamos analisar cada um dos itens. 
O item I está correto. Havendo conflito, a atividade jurisdicional sempre será substitutiva. A jurisdição é 
substitutiva da vontade das partes porque, ao exercê-la, o juiz substitui a vontade delas pela vontade do 
Estado. Sobre a segunda parte da assertiva, diante da existência de conflito acerca da titularidade de um 
direito, não pode uma parte invadir a esfera de direitos da outra para ter sua pretensão satisfeita. É por isso 
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que se diz que, em regra, a ordem jurídica proíbe os atos de autodefesa (“fazer justiça com as próprias 
mãos”). 
O item II está incorreto. O caráter substitutivo da jurisdição está presente em todas as hipóteses em que 
esta é exercida, não havendo diferença acerca de serem os interessados, ou as partes envolvidas no litígio, 
particulares “stricto sensu" ou pessoas jurídicas de direito público. 
O item III está correto. A definitividade é uma das características da jurisdição. Ademais, segundo o art. 502 
do CPC, denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de 
mérito não mais sujeita a recurso, daí a questão fala em “imunização”. 
Dessa forma, a alternativa E está correta e é o gabarito da questão. 
14. (FCC/DPE-PB - 2014) Em relação à ação, é correto afirmar: 
a) Os elementos da ação são as partes, o pedido e a causa de pedir, servindo para identificá-la. 
b) Se os elementos da ação forem idênticos, ter-se-á a configuração de continência ou conexão, conforme a 
natureza da demanda. 
c) Se os elementos da ação forem semelhantes, ter-se-á a caracterização de litispendência ou coisa julgada. 
d) O direito de ação em sentido estrito é incondicionado, por decorrer do direito de acesso à justiça. 
e) O interesse de agir e a legitimidade não constituem condições da ação. 
Comentários 
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Os elementos da ação são as partes, a causa de pedir 
e o pedido, os quais se destinam a individualizá-la e a identificá-la, distinguindo-a das demais. 
A alternativa B está incorreta. Se todos os elementos da ação forem iguais haverá litispendência ou coisa 
julgada, a depender do estado do processo. 
A alternativa C está incorreta. A semelhança dos elementosda ação é causa de conexão ou continência, e a 
identidade entre esses elementos é causa de litispendência ou de coisa julgada. 
A alternativa D está incorreta. O direito de ação é condicionado ao interesse de agir e à legitimidade. A ideia 
de que o direito de ação seria incondicionado está ligada à Teoria Abstrata do direito de ação, que não foi 
adotada pelo nosso ordenamento (segundo a doutrina majoritária e o STJ). 
E a alternativa E está incorreta. Segundo a maior parte da doutrina, são condições da ação o interesse e a 
legitimidade (art. 17, CPC). 
15. (FCC/DPE-PB - 2014) "Toda pessoa que se acha no exercício dos seus direitos tem capacidade para 
estar em juízo". Este conceito é 
a) falso, porque é preciso ser advogado para se ter a capacidade processual e para se estar em juízo. 
b) verdadeiro e diz respeito à capacidade postulatória, a ser exercida em regra por meio de advogados que 
representem a parte. 
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c) verdadeiro e diz respeito à legitimação processual, conceito que se confunde com o de capacidade para 
estar em juízo. 
d) falso, porque é preciso a maioridade civil para se estar em juízo e poder exercer pessoalmente a 
capacidade postulatória nos autos. 
e) verdadeiro e diz respeito à capacidade processual, que não se confunde com a capacidade postulatória. 
Comentários 
Este conceito é verdadeiro embora pareça falso. Para acertar a questão você não pode confundir capacidade 
processual com capacidade postulatória. 
A afirmativa se refere ao art. 70 do CPC, que diz respeito à capacidade processual. 
Art. 70. Toda pessoa que se encontre no exercício de seus direitos tem capacidade para 
estar em juízo. 
A capacidade processual corresponde à capacidade de estar em juízo, pessoalmente, ou seja, 
independentemente de estar representado ou assistido por alguém. Já a capacidade postulatória diz respeito 
à capacidade para atuar como procurador em juízo. 
A capacidade postulatória, em regra, é privativa dos advogados (art. 1º, I, da Lei n. 8.906/94 – Estatuto da 
OAB). Já a capacidade processual, como vimos, é aquela que toda pessoa que se encontre no exercício de 
seus direitos possui. 
A alternativa E, portanto, está correta e é o gabarito da questão. 
16. (FCC/TCE-PI - 2014) Referente à jurisdição, é INCORRETO afirmar: 
a) A função jurisdicional tem caráter substitutivo, busca solucionar os conflitos de interesses aplicando a lei 
ao caso concreto e pode produzir decisões definitivas e imutáveis. 
b) Em relação ao objeto, a jurisdição classifica-se em civil, penal e trabalhista; no tocante à hierarquia, em 
superior e inferior, tendo a justiça federal prevalência sobre a justiça estadual de mesma instância. 
c) Os juízes só podem prover a jurisdição dentro do território nacional, respeitados os limites de sua 
competência, que vem a ser a medida territorial da jurisdição. 
d) A jurisdição é inafastável, isto é, a lei não pode excluir da apreciação do Poder Judiciário nenhuma lesão 
ou ameaça a direito. 
e) A jurisdição é obrigatória, ou seja, mesmo que não haja lei aplicável ao caso concreto, o juiz não poderá 
escusar-se de julgar invocando a lacuna, devendo fazê-lo com base na analogia, usos e costumes e princípios 
gerais de direito. 
Comentários 
A alternativa A está correta. A doutrina afirma que a jurisdição tem caráter substitutivo porque, ao exercê-
la, o juiz substitui a vontade das partes pela vontade do Estado, produzindo, por meio da força, o efeito 
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jurídico que as próprias partes poderiam ter alcançado voluntariamente se uma delas não tivesse resistido à 
pretensão da outra. 
A alternativa B está incorreta e é o gabarito da questão. A doutrina classifica a jurisdição, quanto ao 
organismo que a exerce, como comum e especial. A jurisdição comum é exercida pela justiça federal em 
conjunto com a estadual, enquanto a jurisdição especial é exercida pelas justiças eleitoral, trabalhista e 
militar. A justiça federal e a justiça estadual compõem apenas o que se classifica como jurisdição comum, 
não havendo que se falar em prevalência ou em existência de relação de hierarquia de uma sobre a outra. 
A alternativa C está correta. Afirma-se que a competência é a medida da jurisdição porque, embora sejam 
todos os órgãos jurisdicionais portadores de jurisdição, a lei determina que cada um somente pode exercê-
la dentro de uma determinada esfera de atuação, sendo esta a sua esfera de competência. 
A alternativa D está correta, pois se refere ao art. 5º, XXXV, da CF, a lei não excluirá da apreciação do Poder 
Judiciário lesão ou ameaça a direito. 
A alternativa E está correta. Refere-se ao princípio da vedação. Uma vez provocado o Poder Judiciário, este 
tem o dever de apreciar a demanda que lhe for submetida. Sendo a lei omissa e entendendo o juiz não haver 
comando legal aplicável ao caso concreto, deve ele decidir o caso com base na analogia, nos costumes e nos 
princípios gerais de direito, não podendo escusar-se de julgá-lo. 
17. (FCC/DPE-ES - 2016) De acordo com a atual sistemática processual civil, no caso de substituição 
processual, o 
a) substituto poderá reconvir e, assim, deduzir pedido em face da outra parte com fundamento na alegação 
de ser o próprio titular de um direito em relação à parte reconvinda. 
b) substituído poderá intervir como assistente litisconsorcial e, neste caso, sua atuação não se subordina à 
atividade do substituto. 
c) substituto atua como assistente simples do substituído, com atuação subordinada à atividade deste último 
quando intervém no processo. 
d) substituído não poderá intervir no processo pelas formas de intervenção de terceiro previstas na lei, razão 
pela qual não se submete à coisa julgada. 
e) substituto é considerado parte da relação jurídica de direito material e, portanto, tem o poder renunciar 
ao direito sobre o que se funda a ação ainda que o substituído se oponha. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. O art. 343, §5º, da Lei nº 13.105/15, prevê a viabilidade da reconvenção do 
réu contra o substituto, com base em direito que o réu afirma possuir em desfavor do substituído. 
§ 5o Se o autor for substituto processual, o reconvinte deverá afirmar ser titular de direito 
em face do substituído, e a reconvenção deverá ser proposta em face do autor, também 
na qualidade de substituto processual. 
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão, pois é o que dispõe o art. 18, parágrafo único, do CPC: 
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Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como 
assistente litisconsorcial. 
Com base no mesmo dispositivo acima citado, a alternativa D está incorreta. 
A alternativa C está incorreta. A atuação do substituído como assistente litisconsorcial não será subordinada 
a atuação do seu substituto. 
A alternativa E está incorreta. O substituo não é titular da relação jurídica de direito material. Além disso, 
ele não pode renunciar à pretensão formulada na ação ou na reconvenção. 
CESPE 
18. (CESPE/TJ-BA - 2019) Acerca das normas fundamentais do processo civil, da jurisdição e do direito 
de ação, julgue os itens a seguir. 
I Sob pena de nulidade processual, o magistrado deve obedecer, obrigatoriamente, à ordem cronológica de 
conclusão dos processos aptos a julgamento para proferir decisão interlocutória ou sentença. 
II O autor está autorizado a ajuizar ação meramente declaratória para declaração da falsidade ou da 
autenticidade de documento e também paracertificar a existência, a inexistência ou o modo de ser de uma 
relação jurídica. 
III Haverá conexão caso sejam identificadas duas ações que contenham, simultaneamente, as mesmas 
partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. 
Assinale a opção correta. 
a) Apenas o item I está certo. 
b) Apenas o item II está certo. 
c) Apenas os itens I e III estão certos. 
d) Apenas os itens II e III estão certos. 
e) Todos os itens estão certos 
Comentários 
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Analisaremos os itens separadamente: 
 O item I está incorreto. O julgamento conforme a ordem cronológica de conclusão deve ser observado 
preferencialmente (e não obrigatoriamente) pelos juízes e tribunais, como prevê o caput do art. 12 do Código 
de Processo Civil: "Os juízes e os tribunais atenderão, preferencialmente, à ordem cronológica de conclusão 
para proferir sentença ou acórdão." 
O item II está correto. O item apresenta o disposto no art. 19 do Código de Processo Civil: 
Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração: 
I - da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica; 
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II - da autenticidade ou da falsidade de documento. 
O item III está incorreto. A conexão não exige a identidade de partes para que seja configurada. De acordo 
com o caput do art. 55 do CPC: "Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido 
ou a causa de pedir." 
19. (CESPE/TCE-RO - 2019) A respeito de jurisdição e ação, assinale a opção correta. 
a) A jurisdição civil é exercida pelos juízes e tribunais nacionais e internacionais. 
b) Em regra, não é competência da jurisdição nacional ação cuja obrigação deva ser cumprida no Brasil. 
c) Para postular em juízo, é necessário haver interesse, legitimidade e possibilidade jurídica do pedido. 
d) É permitida a postulação de direito alheio em nome próprio, desde que autorizada pelo ordenamento 
jurídico. 
e) A cooperação jurídica internacional somente é possível sob a vigência de tratado assinado pelo Brasil. 
Comentários 
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. Trata-se da substituição processual / legitimação 
extraordinária prevista no caput do art. 18 do Código de Processo Civil: "Ninguém poderá pleitear direito 
alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico." 
A alternativa A está incorreta. De acordo com o art. 16 do CPC: "A jurisdição civil é exercida pelos juízes e 
pelos tribunais em todo o território nacional, conforme as disposições deste Código." 
A alternativa B está incorreta. Nos termos do inciso II do art. 21 do Código: "Compete à autoridade judiciária 
brasileira processar e julgar as ações em que no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação." 
A alternativa C está incorreta. O art. 17 do Código estabelece que para postular em juízo é necessário ter 
interesse e legitimidade. A doutrina majoritária entende que, atualmente, a possibilidade jurídica do pedido 
está englobada pelo interesse. 
A alternativa E está incorreta pois, de acordo com o §1º do art. 26 do CPC, a cooperação jurídica internacional 
poderá basear-se em reciprocidade: "Na ausência de tratado, a cooperação jurídica internacional poderá 
realizar-se com base em reciprocidade, manifestada por via diplomática." 
20. (CESPE/STJ - 2018) Julgue o item a seguir, relativo à função jurisdicional. 
A cooperação jurídica internacional segue parâmetros legais definidos em lei ordinária nacional. 
Comentários 
A cooperação jurídica internacional segue parâmetros legais definidos em tratado, conforme prevê o art. 26, 
do CPC/15: 
Art. 26. A cooperação jurídica internacional será regida por tratado de que o Brasil faz parte 
e observará: 
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Dessa forma, a assertiva está incorreta. 
21. (CESPE/STJ - 2018) Julgue o item a seguir, relativo à função jurisdicional. 
 O pedido passivo de cooperação jurídica internacional é aquele realizado por órgão estrangeiro. 
Comentários 
A assertiva está correta. O pedido de cooperação jurídica internacional é passivo quando é realizado por 
órgão estrangeiro para a prática de ato no Brasil, quando sua efetivação depende da expedição do exequatur 
pelo STJ. Será ativo quando o Brasil solicitar a cooperação. 
22. (CESPE/MPU - 2018) Com base nas normas que regem o processo civil, julgue os itens seguintes, 
acerca da função jurisdicional; do Ministério Público; de nulidades processuais; e de sentença. 
Na cooperação jurídica internacional, poderá ser prestado auxílio direto caso a medida requerida não 
decorra diretamente de decisão jurisdicional que, proferida por autoridade estrangeira, será submetida a 
juízo delibação no Brasil. 
Comentários 
Está correta a assertiva. De acordo com o art. 28 do CPC, o auxílio direto poderá ser utilizado quando “a 
medida não decorrer diretamente de decisão de autoridade jurisdicional estrangeira a ser submetida a juízo 
de delibação no Brasil”. Cópia literal do CPC. 
23. (CESPE/ABIN - 2018) Com base no Código de Processo Civil e no entendimento jurisprudencial e 
doutrinário acerca de processo civil, julgue o seguinte item. 
No caso de substituição processual, o substituído poderá intervir no processo como assistente litisconsorcial, 
enquanto o substituto processual poderá intervir como litisconsorte nas causas das quais o substituído seja 
parte. 
Comentários 
A possibilidade de o substituído intervir no processo como assistente litisconsorcial está prevista no art. 18 
do CPC: 
Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado 
pelo ordenamento jurídico. 
Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como 
assistente litisconsorcial. 
Em relação à possibilidade de o substituto processual intervir como litisconsorte nas causas das quais o 
substituído seja parte, é importante destacar o entendimento fixado no Fórum Permanente dos 
Processualistas Civis: 
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Enunciado 110. Havendo substituição processual, e sendo possível identificar o substituto, 
o juiz deve determinar a intimação deste último para, querendo, integrar o processo. 
Assim, a assertiva está correta. 
24. (CESPE/TCM-BA - 2018) No que concerne ao mandado de injunção, a ação de improbidade 
administrativa e a ação civil pública, julgue os seguintes itens. 
I. Ao tratar das chamadas condições da ação, o atual CPC expressamente se refere a três espécies distintas 
denominadas de legitimidade, interesse em agir e possibilidade jurídica do pedido. 
II. Pode ser utilizada a denominada ação declaratória para interpretação de tese ou questão de direito em 
abstrato, ou ainda para confirmar a ocorrência de qualquer fato ocorrido na vida do autor. 
III. Denomina-se de sucessor processual o terceiro que assume o lugar da parte que vier a falecer no curso 
de processo que tenha como objeto direito patrimonial transmissível. 
Assinale a opção correta. 
a) Apenas o item I está certo. 
b) Apenas o item III está certo. 
c) Apenas os itens I e II estão certos. 
d) Apenas os itens II e III estão certos. 
e) Todos os itens estão certos. 
Comentários 
Vamos analisar cada um dos itens. 
O item I está incorreto. São condições da ação no CPC a legitimidade de partes e o interesse de agir, 
caracterizado pela necessidade e utilidade do processo, bem como da adequação. 
O item II está incorreto, pois a ação declaratória não se presta a esse fim. Vejamos o que dispõeo art. 19 do 
CPC: 
Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração: 
I - da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica; 
II - da autenticidade ou da falsidade de documento. 
O item III está correto. Ao se tratar de direitos que podem ser transmitidos aos herdeiros, espólio e sucessor, 
uma vez falecido o titular da ação ou réu no processo, o juiz natural da causa suspenderá o processo para 
que se promova a habilitação de uma dessas pessoas no feito, tanto no polo ativo quanto no passivo. 
Confira o art. 313, I, da Lei nº 13.105/15: 
Art. 313. Suspende-se o processo: 
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I - pela morte ou pela perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu 
representante legal ou de seu procurador; 
Além disso, veja o que prevê o art. 687, da referida Lei: 
Art. 687. A habilitação ocorre quando, por falecimento de qualquer das partes, os 
interessados houverem de suceder-lhe no processo. 
Portanto, a alternativa B está correta e é o gabarito da questão. 
25. (CESPE/STJ - 2018) Com referência às normas fundamentais do processo civil, julgue o item a seguir. 
O julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas se submete à regra de atendimento da 
ordem cronológica de conclusão. 
Comentários 
O incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) é uma das exceções trazidas no art. 12, §2º, do 
CPC: 
Art. 12. Os juízes e os tribunais atenderão, preferencialmente, à ordem cronológica de 
conclusão para proferir sentença ou acórdão. 
§ 2o Estão excluídos da regra do caput: 
III - o julgamento de recursos repetitivos ou de incidente de resolução de demandas 
repetitivas; 
Assim, a assertiva está incorreta. 
26. (CESPE/STJ - 2018) Com referência às normas fundamentais do processo civil, julgue o item a seguir. 
Não cabe ao Estado promover a solução consensual de conflitos: ela depende unicamente de iniciativa 
privada e deverá ser realizada entre os jurisdicionados. 
Comentários 
A assertiva está incorreta, pois contraria o disposto no art. 3º, §2º, do CPC. Vejamos: 
§ 2o O Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual dos conflitos. 
27. (CESPE/STJ - 2018) Com referência às normas fundamentais do processo civil, julgue o item a seguir. 
O exercício do direito ao contraditório compete às partes, cabendo ao juiz zelar pela efetividade desse 
direito. 
Comentários 
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A assertiva está correta, conforme prevê o art. 7º do CPC: 
Art. 7o É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos 
e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de 
sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. 
Conforme se nota, o juiz deve assegurar pelo contraditório, mas o seu exercício compete às partes. 
28. (CESPE/STJ - 2018) Com referência às normas fundamentais do processo civil, julgue o item a seguir. 
No novo Código de Processo Civil, proporcionalidade e razoabilidade passaram a ser princípios expressos do 
direito processual civil, os quais devem ser resguardados e promovidos pelo juiz. 
Comentários 
A assertiva está correta. O art. 8º do CPC estabelece de forma expressa os princípios da proporcionalidade e 
da razoabilidade, bem como os princípios da legalidade, publicidade e da eficiência. 
Art. 8o Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do 
bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a 
proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência. 
29. (CESPE/STJ - 2018) Com referência às normas fundamentais do processo civil, julgue o item a seguir. 
Ainda que detenha competência para decidir de ofício determinado assunto, o juiz só poderá fazê-lo se 
permitir às partes a manifestação expressa sobre a matéria. 
Comentários 
Vejamos o que dispõe o art. 10 do CPC: 
Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a 
respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se 
trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. 
Esse dispositivo prevê que o juiz, antes de decidir algo, deve conceder às partes a oportunidade para se 
manifestar, mesmo que constitua um tema que possa ser decidido de ofício. É uma forma de o juiz possibilitar 
que as partes possam influenciar na decisão que será tomada, concretizando o princípio do contraditório e 
evitando decisões surpresa no curso do processo. 
Portanto, a assertiva está correta. 
Você poderia perguntar: “Professor, mas e o art. 9º? Ele não traz exceções a essa regra? Ele não deve ser 
lido em conjunto com o art. 10?”. A resposta é “sim, ele deve”, mas, como já dito, diante da regra, vocês não 
devem considerar as exceções, a menos que a assertiva traga isso de um modo explícito, como, por exemplo, 
utilizando expressões restritivas como “sempre” ou “nunca”. 
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30. (CESPE/STJ - 2018) Julgue o item a seguir, relativo à função jurisdicional. 
O procedimento da carta rogatória perante o Superior Tribunal de Justiça é de jurisdição voluntária e deve 
obedecer ao devido processo legal. 
Comentários 
A assertiva está incorreta. O procedimento da carta rogatória é de jurisdição contenciosa, conforme 
estabelece o art. 36 do CPC: 
Art. 36. O procedimento da carta rogatória perante o Superior Tribunal de Justiça é de 
jurisdição contenciosa e deve assegurar às partes as garantias do devido processo legal. 
31. (CESPE/STJ - 2018) A respeito da jurisdição, julgue os itens que se seguem. 
Entre os princípios que regem a jurisdição, o da investidura é aquele que determina que o juiz exerça 
atividade judicante dentro de um limite espacial sujeita à soberania do Estado. 
Comentários 
A assertiva está incorreta. O princípio da investidura exige que a jurisdição seja exercida por alguém 
legalmente investido na função, por meio de concurso público. O princípio de que trata a questão é o 
princípio da territorialidade da jurisdição. 
32. (CESPE/STJ - 2018) A respeito da jurisdição, julgue os itens que se seguem. 
O princípio do juiz natural, ao impedir que alguém seja processado ou sentenciado por outra que não a 
autoridade competente, visa coibir a criação de tribunais de exceção. 
Comentários 
A assertiva está correta. O princípio do juiz natural prevê que devem ser previamente estabelecidas regras 
objetivas de competência jurisdicional, de modo a garantir a independência e a imparcialidade do órgão 
julgador. Esse princípio visa impedir que seja criado um tribunal apenas para o julgamento de determinada 
demanda, ou seja, um tribunal de exceção. 
33. (CESPE/STJ - 2018) Julgue os itens a seguir, a respeito das ações no processo civil. 
A teoria eclética da ação, adotada pelo ordenamento jurídico brasileiro, define ação como direito autônomo 
abstrato, independente do direito subjetivo material, condicionada a requisitos para que se possa analisar o 
seu mérito. 
Comentários 
A assertiva está correta e cobrou exatamente o que explicamos em aula, apesar de ser muito difícil de se 
marcar em uma prova do STJ. A teoria eclética é a predominante na doutrina brasileira, como vimos em aula, 
e é a que foi positivada no Novo Código de Processo Civil, segundo essa mesma doutrina. O STJ, contudo, 
parece ter adotado a teoria da asserção, o que se pode extrair de diversos julgados seus (ex.: Informativo 
615-STJ, 3ª Turma,REsp 1.705.311-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 09.11.2017; STJ, 3ª Turma, REsp 
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1.561.498-RJ, Rel. Min. Moura Ribeiro, j. 01.03.2016) e até da opinião de doutrinadores de peso, como Daniel 
Amorim Assumpção Neves26. Nessa questão, no entanto, se afirma que a teoria eclética foi a adotada pelo 
ordenamento jurídico brasileiro, o que causa certa perplexidade. Apesar de isso não servir como fundamento 
para podermos dizer que o STJ mudou o seu posicionamento, com certeza serve para vermos que, em alguns 
casos, a opinião da banca pode prevalecer sobre a opinião do próprio órgão promotor do concurso. Enfim. 
A teoria da asserção mantém a distinção entre direito de ação e o direito material (autonomia), além de 
não vincular um a existência do doutro (independência). De toda forma, para o exercício do direito de ação, 
é necessário verificar algumas condições prévias. Assim, somente haverá julgamento de mérito se essas 
condições forem preenchidas. 
34. (CESPE/STJ - 2018) Julgue os itens a seguir, a respeito das ações no processo civil. 
O Código de Processo Civil estabelece duas condições para se postular em juízo: o interesse de agir e a 
legitimidade da parte. 
Comentários 
A assertiva está correta. O CPC menciona essas condições no artigo 17: 
Art. 17. Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade. 
35. (CESPE/STJ - 2018) A luz das disposições do Código de Processo Civil (CPC), julgue os próximos itens. 
Ao tratar dos limites da jurisdição nacional, O CPC determina que a justiça brasileira possui competência 
concorrente para conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil. 
Comentários 
A assertiva está incorreta. No caso de imóveis situados no Brasil, a competência brasileira é exclusiva, com 
base no art. 23, I, do CPC: 
Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra: 
I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil; 
36. (CESPE/TRF1ªR - 2017) Conforme o Código de Processo Civil vigente, julgue os itens seguintes, a 
respeito da função jurisdicional, dos deveres das partes e de procuradores, do litisconsórcio e da 
assistência. 
O modo de ser de uma relação jurídica pode ser objeto de ação declaratório. 
Comentários 
 
26 Neves, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil – Volume único/Daniel Amorim Assumpção Neves 
– 10 ed. – Salvador: Ed. JusPodivm, 2018, pág. 128. “A teoria ora analisada [teoria da asserção] tem ampla aceitação no 
Superior Tribunal de Justiça, podendo-se considerar ter a Corte adotado a teoria da asserção, inclusive em processos penais”. 
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A assertiva está correta. Vejamos o art. 19 do CPC. 
Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração: 
I - da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica; 
37. (CESPE/TRF1ªR - 2017) A respeito de jurisdição, julgue os itens a seguir. 
A jurisdição é divisível. 
Comentários 
A assertiva está incorreta. Tal como exposto em nossas aulas, a competência é divisível, contudo, a 
jurisdição, enquanto função estatal, é indivisível. 
38. (CESPE/TRF1ªR - 2017) A respeito de jurisdição, julgue os itens a seguir. 
Na jurisdição voluntária não há lide: trata-se de uma forma de a administração pública participar de 
interesses privados. 
Comentários 
A assertiva está correta. Na jurisdição voluntária não há conflito de interesses entre as partes, ou seja, não 
há lide. Nesse tipo de jurisdição o Estado atua como administrador de causas que entende relevantes e que 
merecem a intervenção estatal nas relações entre pessoas privadas. Esse posicionamento não é o 
dominante, mas é o que devemos adotar para as provas do CESPE. 
39. (CESPE/TRF1ªR - 2017) A respeito de jurisdição, julgue os itens a seguir. 
São inerentes a jurisdição os princípios do juiz natural, da improrrogabilidade e da indelegabilidade. 
Comentários 
A assertiva está correta. 
Tal como exposto em nossas aulas, esses três princípios são atribuídos à jurisdição. Vejamos um conceito de 
cada um deles de acordo com Humberto Theodoro Junior: 
o A jurisdição segue o princípio do juiz natural: só pode exercer a jurisdição o órgão específico ao qual 
a CF atribui o poder jurisdicional. 
o a jurisdição é improrrogável: os limites do poder jurisdicional são estabelecidos pela Constituição. 
Não é permitido ao legislador alterar esses limites, seja para reduzir ou ampliar; 
o a jurisdição é indeclinável: o órgão investido no poder de jurisdição tem a obrigação de prestar a 
tutela jurisdicional, não se trata de uma faculdade. 
40. (CESPE/TRF1ªR - 2017) A respeito de aspectos relativos à ação julgue os itens a seguir. 
Integram as condições da ação o interesse de agir e a legitimidade ad causam. 
Comentários 
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A assertiva está correta. 
Tal como dito em aula, o CESPE entende que ao CPC são aplicadas as Teorias Eclética e da Asserção. Dessa 
forma, ainda se fala na existência das condições da ação, embora não conste da expressa literalidade do CPC 
a referência às “condições da ação”. Desse modo, são consideradas como condições da ação o interesse de 
agir e a legitimidade. 
41. (CESPE/TRF1ªR - 2017) A respeito de jurisdição, julgue os itens a seguir. 
Jurisdição consiste na função estatal de compor litígios e de declarar e realizar o direito. 
Comentários 
A assertiva está correta e apresenta o conceito tradicional de jurisdição. Veja o conceito de Daniel Amorim 
Assumpção Neves, trazido em nossas aulas: “a jurisdição pode ser entendida como a atuação estatal visando 
à aplicação do direito objetivo ao caso concreto, resolvendo-se com definitividade uma situação de crise 
jurídica e gerando com tal solução a pacificação social”. 
42. (CESPE/TRF1ªR - 2017) A respeito de aspectos relativos à ação julgue os itens a seguir. 
Os vícios relativos ao interesse de agir e a legitimidade podem ser reconhecidos a qualquer tempo, mesmo 
após o trânsito em julgado da ação. 
Comentários 
Para responder a essa questão, necessário conhecer o art. 485, VI, combinado com o §3º, ambos do CPC, 
que preveem a possibilidade de o juiz sentenciar sem conhecer o mérito por ausência de legitimidade e 
interesse processual até ocorrer o trânsito em julgado da sentença. 
Veja: 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: 
VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; 
§ 3º O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer 
tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. 
Desse modo, pela literalidade do dispositivo concluímos que a assertiva está incorreta. 
Vamos aprofundar um pouco. No Direito brasileiro vigora a ideia de que a coisa julgada tem um efeito 
saneador, quer dizer, eventuais “problemas” que possam ter existido ao longo do processo são saneados, 
curados, remediados, pela coisa julgada. As exceções a essa ideia são as hipóteses de ajuizamento de ação 
rescisória (art. 966, CPC), que são taxativas. Diante disso, sempre que as questões vierem dizendo que tal 
medida pode ser tomada após o trânsito em julgado, desconfie e, na dúvida, aplique a regra. 
43. (CESPE/TRF1ªR - 2017) A respeito de aspectos relativos à ação julgue os itens a seguir. 
Ninguém poderá pleitear, em seu próprio nome, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. 
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Comentários 
A assertiva está correta, pois trata-se da previsão expressa do art. 18 do CPC. 
Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado 
pelo ordenamento jurídico. 
44. (CESPE/TRF1ªR - 2017) A respeito de aspectos relativos à ação julgue os itens a seguir. 
O interesse processual deverá estar presente tanto para propor quanto para contestar a ação. 
Comentários 
Trata-se de questão polêmica que cobrou a redação do CPC anterior. Antes o Código falava em interesse 
para propor ou contestar a ação. Agora, o CPC, em seu art. 17, fala em interesse e legitimidade para postular 
em juízo. Ou seja, foi retirada a expressão usada nessa questão. Vejamos o dispositivo. 
Art. 17. Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade. 
Isso ocorreu, pois o réu pode contestar a ação justamente para alegar que não possui interesse na ação. 
A questão é polêmica, mas, no fim, o CESPE apontou o gabarito como correto. 
Nesse sentido, Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery: “... a referência à postulação em juízo, que 
sem dúvida abrange não só o direito ajuizar e de contestar a ação, como também de proceder a outros tipos 
de manifestação em juízo" (NERY JUNIOR, Nelson, NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de processo civil 
comentado, 16 ed., rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016, comentário 3 ao art. 17)” 
45. (CESPE/DPE-AC - 2017) No que se refere à jurisdição civil nacional, assinale a opção correta. 
a) Pode ser de caráter administrativo ou judicial. 
b) A desconstituição de uma sentença transitada em julgado por meio de ação rescisória é um exemplo de 
exercício dessa jurisdição. 
c) Em decorrência do princípio da inevitabilidade, essa jurisdição não alcança a todos os indivíduos. 
d) O exercício dessa jurisdição inclui a expedição de cartas rogatórias, responsáveis por determinar que os 
órgãos jurisdicionais brasileiros cumpram atos processuais. 
e) Trata-se de direito inerente e exclusivo dos cidadãos brasileiros. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. O conceito de jurisdição envolve, necessariamente, a justiça. Dessa forma, 
está incorreto falar que há caráter administrativo. 
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Uma vez que a jurisdição pode ser conceituada como 
a atuação estatal visando à aplicação do direito objetivo ao caso concreto, resolvendo-se com definitividade 
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uma situação de crise jurídica e gerando com tal solução a pacificação social, a ação rescisória também é 
exercício da jurisdição, mesmo que desconstitua uma decisão judicial. 
A alternativa C está incorreta. O princípio da inevitabilidade significa que após a lide ser levada ao Poder 
Judiciário, os sujeitos que participam da relação jurídica processual deverão suportar os efeitos da decisão 
jurisdicional. 
A alternativa D está incorreta. A primeira parte está correta, pois, de fato, o exercício da jurisdição inclui a 
expedição de cartas precatórias. Contudo, após a vírgula, ao explicar o que é essa carta precatória, traz-se, 
em verdade, o conceito de carta de ordem. Veja, a carta precatória é um ato de cooperação judicial, ao passo 
que a carta de ordem envolve a determinação do órgão superior para que órgão inferior cumpra 
determinado ato processual. 
A alternativa E está incorreta. O direito não é exclusivo de cidadãos brasileiros, sendo concedido inclusive a 
estrangeiros (art. 5º, caput, da CF). 
46. (CESPE/TRE-BA - 2017) Durante a instrução probatória no curso de processo referente a ação de 
cobrança proposta por indivíduo identificado, na petição inicial, como credor do réu, o juiz verificou que o 
demandante não era o verdadeiro titular do crédito. 
Nessa situação, o juiz deve considerar o autor como parte legítima e examinar o mérito do processo se adotar 
a teoria da 
a) asserção. 
b) exposição. 
c) causa madura. 
d) carga dinâmica da prova. 
e) substanciação. 
Comentários 
Nessa questão temos a passagem referente à teoria da asserção que pode ser assim esquematizada: 
 
Portanto, pela segunda parte do esquema acima, cotejado com o enunciado, no qual verifica-se que a parte 
não é a verdadeira titular do crédito na fase instrutória, impõe-se a resolução da lide com análise de mérito. 
AS CONDIÇÕES DA AÇÃO 
NA TEORIA DA ASSERÇÃO 
SÃO
analisadas em cognição 
sumária
se ausentes, o juiz profere 
decisão terminativa
analisadas em cognição 
aprofundada caso não seja 
possível analisá-la em 
asserção
se ausentes, juiz profere 
decisão definitiva
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Logo, a alternativa A é a correta e gabarito da questão. 
47. (CESPE/Prefeitura de Belo Horizonte-MG - 2017) A respeito de ação e preclusão, assinale a opção 
correta. 
a) A consequência processual da inobservância dos prazos impróprios aplica-se a todos os atos processuais, 
incluído o efeito preclusivo. 
b) De acordo com a doutrina, constitui ação cognitiva de natureza constitutiva aquela que, além de 
apresentar um conteúdo declaratório, também cria, modifica ou extingue um estado ou uma relação jurídica. 
c) Em uma relação processual, a legitimidade ativa e a passiva são, exclusiva e respectivamente, daquele que 
sofre a ameaça ou lesão a um direito e daquele que ameaça ou pratica o ato ofensivo. 
d) Sempre que a parte deixar de praticar determinado ato processual dentro do prazo estipulado pelas 
partes, pelo juízo ou por lei, ficará caracterizada a preclusão consumativa. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. Prazo próprio é aquele cujo vencimento provoca alguma consequência jurídica 
processual, como por exemplo o da preclusão, da decadência, da prescrição. Prazo impróprio é aquele cujo 
vencimento não importa em uma dessas consequências, como é o caso dos prazos concedidos pela lei ao 
juiz. 
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. De acordo com a doutrina as ações constitutivas visam 
a obter a declaração de um direito acompanhada da constituição, modificação ou desconstituição de uma 
situação jurídica. Nesse sentido, elas destinam-se a dar efetividade àquilo que, no plano material, chama-se 
de 'direito potestativo', que é o direito a uma transformação jurídica. A ação constitutiva declara a existência 
do direito potestativo e lhe dá atuação 
A alternativa C está incorreta, pois essa é apenas a regra geral. Além das hipóteses de legitimidade ordinária, 
nas quais o titular do direito alegado pleiteia em nome próprio o seu interesse, há as hipóteses de 
legitimidade extraordinária, nas quais se defende em juízo, em nome próprio, interesse alheio. 
A alternativa D está incorreta. Quando o prazo processual restar vencido, tratando-se de prazo próprio, 
ocorrerá a preclusão temporal, e não a preclusão consumativa. 
48. (CESPE/Prefeitura de Belo Horizonte-MG - 2017) No que se refere a pressupostos processuais e 
condições da ação, assinale a opção correta. 
a) Na fase de cumprimento definitivo da sentença, o juiz poderá conhecer de ofício a falta de pressuposto 
de constituição ocorrido na fase cognitiva e declarar a nulidade da sentença exequenda. 
b) A falta de condição da ação, ainda que não tenha sido alegada em preliminar de contestação, poderá ser 
suscitada pelo réu nas razões ou em contrarrazões recursais. 
c) Constatada a carência do direito de ação, o juiz deverá determinar que o autor emende ou complemente 
a petição inicial e indique, com precisão, o objeto da correção ou da complementação. 
d) A inépcia da petição inicial por falta de pedido e a existênciade litispendência são exemplos de defeitos 
processuais insanáveis que provocam o indeferimento in limine da petição inicial. 
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Comentários 
A alternativa A está incorreta. Não caberá ao juiz assim proceder, considerando o trânsito em julgado da 
sentença. Caberia aos interessados mover ação rescisória, mas não ao juiz, pois não constitui hipótese de 
exceção ao princípio da inércia jurisdicional. 
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. O réu poderá alegar a ausência de uma das condições 
da ação em momento posterior ao de apresentação da contestação, como nas razões ou nas contrarrazões 
recursais, pois elas constituem matéria de ordem pública, cognoscível em qualquer fase do processo e em 
qualquer grau de jurisdição. 
A alternativa C está incorreta. Pela teoria da asserção o juiz deve verificar a existência das condições da ação 
analisando apenas a narrativa trazida pelo autor em sua petição inicial. Essa narrativa deve ser clara e 
coerente o suficiente para que a ação se apresente como juridicamente possível, necessária e instaurada 
entre as partes legítimas. Caso não o seja, o processo será extinto sem resolução do mérito. 
A alternativa D está incorreta. A inépcia da petição inicial não configura a extinção do processo, devendo o 
juiz, diante dela, intimar o autor para emendar ou completar a petição no prazo de 15 dias, conforme dispõe 
o art. 321 do CPC: 
Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319 
e 320 ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de 
mérito, determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a complete, 
indicando com precisão o que deve ser corrigido ou completado. 
Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial. 
Enquanto a litispendência, poderá, sim, ser reconhecida de ofício, provocando a extinção do processo, com 
base no art. 485, V, combinado com o §3º: 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: 
V - reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; 
§ 3o O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer 
tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. 
49. (CESPE/PGE-AM - 2016) A respeito das normas processuais civis pertinentes a jurisdição e ação, 
julgue o item seguinte. 
Segundo as regras contidas no novo CPC, a legitimidade de parte deixou de ser uma condição da ação e 
passou a ser analisada como questão prejudicial. Sendo assim, tal legitimidade provoca decisão de mérito. 
Comentários 
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A assertiva está incorreta. A legitimidade das partes continua sendo considerada pelo CPC como um requisito 
para a ação, também chamado de pressuposto processual, razão pela qual, leva à extinção do processo sem 
julgamento do mérito, se estiver ausente. 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: 
VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; 
50. (CESPE/TCE-PA - 2016) A respeito da jurisdição, da ação e dos sujeitos do processo, julgue o item 
subsecutivo. 
Na hipótese de substituição processual, é vedada pela legislação processual civil a intervenção do substituído 
como assistente litisconsorcial. 
Comentários 
A assertiva está incorreta. De acordo com o parágrafo único, do art. 18 do CPC, havendo substituição 
processual, é permitida a intervenção do substituído como assistente litisconsorcial. 
Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado 
pelo ordenamento jurídico. 
Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como 
assistente litisconsorcial. 
51. (CESPE/TJ-AM - 2016) A respeito da ação e dos pressupostos processuais, assinale a opção correta. 
a) Segundo a teoria da asserção, a análise das condições da ação é feita pelo juiz com base nas alegações 
apresentadas na petição inicial. 
b) Na ação de alimentos contra o pai, o menor de dezesseis anos de idade tem legitimidade para o processo, 
mas não goza de legitimidade para a causa. 
c) O direito a determinada prestação jurisdicional se esgota com o simples exercício do direito de ação. 
d) Conforme a teoria concreta da ação, o direito de agir é autônomo e independe do reconhecimento do 
direito material supostamente violado. 
e) Na hipótese de legitimidade extraordinária, a presença e a higidez dos pressupostos processuais serão 
examinadas em face da parte substituída. 
Comentários 
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Segundo a teoria da asserção, a presença das 
condições da ação deve ser analisada pelo juiz com os elementos fornecidos pelo autor na petição inicial, 
sem qualquer desenvolvimento cognitivo. 
A alternativa B está incorreta. O menor de 16 anos tem legitimidade ad causam para propor ação contra seu 
suposto pai, mas não tem legitimidade ad processum, por não ter capacidade para estar em juízo, devendo 
ser representado. 
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A alternativa C está incorreta. O direito de ação não pode ser apenas contemplado como direito ao exercício 
da função jurisdicional. Lembre-se da noção de satisfatividade do processo hodierno. 
A alternativa D está incorreta. A teoria concreta afirma que o direito de agir é autônomo, mas depende do 
reconhecimento do direito material supostamente violado, ou seja, o direito de ação é autônomo, mas não 
é independente. Apenas a partir da teoria abstrata é que se postula total distinção. 
A alternativa E está incorreta. Como a parte que substitui é quem titulariza o direito de ação, os pressupostos 
processuais serão analisados em face dela. 
52. (CESPE/Telebras - 2015) A respeito de jurisdição, ação e processo, julgue o item seguinte. 
O interesse de agir, a possibilidade jurídica do pedido e a capacidade processual são condições indispensáveis 
da ação sem os quais o processo é extinto com a resolução do mérito. 
Comentários 
A assertiva está incorreta. Como sabemos, a possibilidade jurídica do pedido deixou de ser uma das 
condições da ação. Além disso, a ausência de uma das condições, em regra, leva à extinção do processo sem 
resolução de mérito. 
53. (CESPE/TCU - 2015) Acerca de princípios gerais do processo, ação, jurisdição e pressupostos 
processuais, assinale a opção correta. 
a) Viola o princípio do juiz natural a criação, em tribunais de justiça, de câmaras para julgamento de ações 
no período de recesso forense. 
b) A teoria da asserção só pode ser aplicada antes da apresentação da defesa pelo réu. 
c) O substituto processual é aquele que está em juízo em nome alheio, defendendo interesse alheio. 
d) É possível a propositura de ação de cunho declaratório para interpretar decisão judicial. 
e) No âmbito do processo civil, a imputação de penalidades decorrentes da violação ao princípio da boa-fé 
limita-se ao autor e ao réu. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. A criação, em tribunais de justiça, de câmaras para julgamento de ações no 
período de recesso forense (as “Câmaras de Férias” ou “Câmara Especial de Férias”), não viola o princípio de 
juiz natural, pois constitui mera técnica de organização judiciária. 
A alternativa B está incorreta. Na teoria da asserção, a análise das condições da ação é feita pelo juiz com 
base nas alegações apresentadas na petição inicial, mas em qualquer momento processual. Não existe um 
marco a partir do qual ouantes do qual o juiz não pode mais fazer ou pode ainda fazer uma análise sumária 
das condições. Isso não tem nada a ver com o momento processual (antes ou depois do saneamento, antes 
ou depois da instrução). Isso porque o autor já pode trazer provas documentais com a petição inicial, o réu 
já pode trazer provas documentais com a contestação, pode haver produção antecipada de provas. Enfim. A 
questão não é o momento processual, a questão é se o juiz está analisando a alegação feita pela parte ou se 
o juiz já está analisando prova. Se está analisando prova, está analisando mérito. Se está analisando mérito, 
a cognição é exauriente. 
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A alternativa C está incorreta. O substituto processual é aquele que defende o direito alheio em nome 
próprio. 
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. É possível a propositura de ação de cunho declaratório 
para interpretar a decisão judicial. Confira27: 
TRIBUTÁRIO - PROCESSO CIVIL - MANDADO DE SEGURANÇA - CND - CSLL - AÇÃO 
DECLARATÓRIA - LIMITES DA COISA JULGADA - SÚMULA 239/STF - MORTE DE ADVOGADO 
- EXISTÊNCIA DE SUBSTABELECIMENTO - PODERES PARA SUBSTABELECER - NULIDADE - 
INEXISTÊNCIA - AGRAVO REGIMENTAL - IDÊNTICOS FUNDAMENTOS - MANUTENÇÃO DA 
DECISÃO AGRAVADA. 
(...) 
3. A coisa julgada na seara tributária é mitigada pelas modificações de fato e de direito 
existentes na relação jurídico-tributária, de forma que se faz necessária a interpretação do 
título judicial para lhe definir o sentido e o alcance compatível com a Ordem Constitucional. 
4. Fixado no título comando para exonerar a agravante do recolhimento da CSLL no ano-
base de 1988, por ofensa à regra constitucional da anterioridade nonagesimal, não pode a 
parte agravante pretender ser exonerada ad eternum da referida exação. 
5. A existência de precedente de minha autoria, que exonera determinado contribuinte 
quanto à tributação sobre determinado signo econômico, não implica na extensão da 
mesma conclusão ao presente caso, pois se cuida de títulos judiciais diversos, refletindo, 
apenas, o respeito ao instituto da coisa julgada como instrumento estabilizador das 
relações humanas e corolário do princípio da segurança jurídica. 
6. Agravo regimental não provido. 
A alternativa E está incorreta. Todos os sujeitos que participarem do processo devem comportar-se de 
acordo com a boa-fé, conforme art. 5º do CPC. 
Art. 5o
 Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de acordo 
com a boa-fé. 
54. (CESPE/TRE-PI - 2016) Tendo em vista que, em uma relação processual, o pronunciamento de 
mérito está condicionado ao cumprimento de algumas formalidades, tais como a atuação do órgão 
jurisdicional competente e o tempo dessa atuação, as condições da ação e os pressupostos processuais, 
assinale a opção correta. 
a) Transcorrido o prazo legal sem que o jurisdicionado ingresse em juízo para proteger seu direito, opera-se 
a preclusão do direito de ação. 
 
27 AgRg no REsp 841.818/DF, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/12/2009, DJe 10/02/2010. 
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b) Quando a ação for considerada intransmissível por disposição legal, a morte de um dos sujeitos da relação 
processual provocará a extinção do processo sem resolução de mérito. 
c) Para não contrariar o princípio da inércia da jurisdição, segundo o qual a jurisdição deve ser provocada, é 
vedado ao juiz determinar, de ofício, a produção de provas. 
d) A jurisdição voluntária pode ser exercida extrajudicialmente em casos expressamente autorizados pelo 
ordenamento jurídico vigente, como nos casos de inventário ou divórcio extrajudiciais. 
e) O defeito ou a ausência de representação na relação processual provoca, por falta de uma das condições 
da ação, a extinção do processo sem resolução de mérito. 
Comentários 
Aqui temos uma questão um pouco mais aprofundada, mas é sempre bom estar atento! 
A alternativa A está incorreta. Não há preclusão do direito de ação, o que há é a prescrição. 
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Vejamos o art. 485, IX, do CPC. 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: 
IX - em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição 
legal; 
A alternativa C está incorreta. Segundo o art. 370 do CPC, caberá ao juiz determinar, de ofício ou a 
requerimento da parte, a produção de provas. 
Art. 370. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas 
necessárias ao julgamento do mérito. 
A alternativa D está incorreta. Os procedimentos de jurisdição voluntárias são judiciais, não podem ser 
extrajudiciais. Perceba que é possível, em determinados casos, a promoção de divórcios e de inventários 
extrajudicialmente. Isso, contudo, não é jurisdição voluntária. 
A alternativa E está incorreta. O juiz não pode extinguir o feito sem resolver o mérito antes de dar à parte a 
oportunidade de regularizar a situação, conforme previsto no art. 76 do CPC. 
Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da 
parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o 
vício. 
O CESPE considerou a alternativa incompleta como incorreta, o que não é absolutamente verdadeiro. 
Infelizmente, para acertar questões de prova você "tem que jogar" com as demais alternativas. 
55. (CESPE/TJ-SE - 2014) A respeito da jurisdição e da ação, assinale a opção correta. 
a) Segundo a teoria da asserção, as condições da ação devem ser verificadas conforme as afirmações do 
autor, antes de produzidas as provas. 
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b) Dado o princípio da indeclinabilidade, o juiz não pode delegar a jurisdição a outra pessoa. 
c) Conforme a doutrina majoritária, a mediação está inserida na atividade jurisdicional. 
d) De acordo com a teoria clássica da ação, desenvolvida por Friedrich Savigny, a ação é o direito a uma 
sentença favorável. 
e) Na teoria concretista, defendida por Adolf Wach, não se reconhece a autonomia do direito de ação. 
Comentários 
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Segundo a teoria da asserção, o juiz deve verificar a 
existência das condições da ação analisando apenas a narrativa trazida pelo autor em sua petição inicial. Se, 
nesse momento, ainda não houver sido analisada nenhuma prova, o processo deve ser extinto sem resolução 
do mérito. 
A alternativa B está incorreta. O princípio que veda ao juiz delegar a jurisdição a outrem é o da 
indelegabilidade. O princípio da indeclinabilidade ou da inafastabilidade da jurisdição está previsto no art. 
5º, XXXV, da CF, e afirma que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário nenhuma lesão ou ameaça 
a direito. 
A alternativa C está incorreta. A mediação é considerada pela doutrina majoritária equivalente jurisdicional 
e não atividade de jurisdição propriamente dita. 
A alternativa D está incorreta. A teoria que defende ser a ação o direito de se obter em juízo uma sentença 
favorável é a teoria concreta da ação. 
A alternativa E está incorreta. A teoria concreta da ação vincula a existência do direito de ação à existência 
do direito material que se busca com ele tutelar, considerando o direito de ação o direito de se obter em 
juízo uma sentença favorável, mas, apesar disso, reconhecia o direito de ação e o direito material como 
institutos diversos. Lembre que na teoria concretista o direito de ação já era visto como autônomo, mas 
ainda era visto como dependente.Sintetizando: 
TEORIAS DA AÇÃO 
Teoria Imanentista Condicionado Não autônomo Dependente 
Teoria Concretista Condicionado Autônomo Dependente 
Teoria Abstrata Incondicionado Autônomo Independente 
Teoria Eclética Condicionado Autônomo Independente 
Teoria da Asserção Condicionado Autônomo Independente 
56. (CESPE/Câmara dos Deputados - 2014) Julgue o item seguinte, relativo à teoria e às condições da 
ação. 
Conforme a teoria da asserção, majoritariamente adotada pela doutrina, na análise das condições da ação, 
deve-se considerar o que foi afirmado pela parte autora na inicial. Essa análise permite que o magistrado, ao 
ter contato com o processo, pronuncie-se a respeito das condições da ação. 
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Comentários 
A assertiva está correta. De acordo com a teoria da asserção, o juiz deve verificar a existência das condições 
da ação analisando apenas a narrativa trazida pelo autor em sua petição inicial. Essa narrativa deve ser clara 
e coerente o suficiente para que a ação se apresente como juridicamente possível, necessária e instaurada 
entre as partes legítimas. Caso não seja, deverá o juiz extinguir o processo de plano, sem adentrar no mérito 
da ação. 
Vejamos o esquema de aula: 
 
57. (CESPE/TRF-5ªR - 2017) De acordo com as regras do Código de Processo Civil (CPC) que tratam da 
cooperação jurídica internacional, o denominado auxílio direto passivo 
a) depende, para que seja cumprido, da concessão de exequatur, exceto quando tiver por objeto ato de 
instrução processual. 
b) deve ser, caso dependa de medida judicial, pleiteado em juízo pelo Ministério Público, 
independentemente de quem atue como autoridade central no caso. 
c) deve ser encaminhado, pelo Estado estrangeiro interessado, diretamente a órgão do Poder Judiciário 
brasileiro. 
d) pode ser utilizado para qualquer medida judicial ou extrajudicial, desde que não vedada pela lei brasileira 
e não sujeita a juízo de delibação no Brasil. 
e) somente pode ser utilizado nos casos previstos em tratados internacionais ratificados pelo Brasil, 
dependendo a sua efetivação de homologação no STJ. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. De acordo com o art. 28 da Lei nº 13.105/2015, a concessão de exequatur é 
requisito para o cumprimento de decisão estrangeira, formalizada na carta rogatória, e não do auxílio direto. 
Art. 28. Cabe auxílio direto quando a medida não decorrer diretamente de decisão de 
autoridade jurisdicional estrangeira a ser submetida a juízo de delibação no Brasil. 
A alternativa B está incorreta. O art. 33, da referida Lei, estabelece que o Ministério Público somente 
procederá à requisição em juízo quando figurar como autoridade central. 
AS CONDIÇÕES DA AÇÃO 
NA TEORIA DA 
ASSERÇÃO SÃO
analisadas em cognição 
sumária
se ausentes, o juiz profere 
decisão terminativa
analisadas em cognição 
aprofundada caso não 
seja possível analisá-la 
em asserção
se ausentes, o juiz profere 
decisão rejeitando o 
pedido
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Art. 33. Recebido o pedido de auxílio direto passivo, a autoridade central o encaminhará à 
Advocacia-Geral da União, que requererá em juízo a medida solicitada. 
Parágrafo único. O Ministério Público requererá em juízo a medida solicitada quando for 
autoridade central. 
A alternativa C está incorreta. Segundo o art. 29 do CPC, o Estado estrangeiro não poderá encaminhar o 
pedido de auxílio diretamente ao órgão do Poder Judiciário brasileiro, devendo fazê-lo por meio da 
autoridade central. 
Art. 29. A solicitação de auxílio direto será encaminhada pelo órgão estrangeiro 
interessado à autoridade central, cabendo ao Estado requerente assegurar a autenticidade 
e a clareza do pedido. 
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão, nos termos do art. 30, III, da Lei nº 13.105/15: 
Art. 30. Além dos casos previstos em tratados de que o Brasil faz parte, o auxílio direto terá 
os seguintes objetos: 
III - qualquer outra medida judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira. 
A alternativa E está incorreta. Vejamos o que dispõe o art. 30, da referida Lei: 
Art. 30. Além dos casos previstos em tratados de que o Brasil faz parte, o auxílio direto terá 
os seguintes objetos: 
I - obtenção e prestação de informações sobre o ordenamento jurídico e sobre processos 
administrativos ou jurisdicionais findos ou em curso; 
II - colheita de provas, salvo se a medida for adotada em processo, em curso no estrangeiro, 
de competência exclusiva de autoridade judiciária brasileira; 
III - qualquer outra medida judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira. 
Além disso, a sua efetivação não depende de homologação do STJ, conforme prevê o art. 28. 
58. (CESPE/TCE-PE - 2017) Com relação à jurisdição e ao poder jurisdicional, julgue o próximo item. 
A jurisdição não pode ser considerada uma função unitária, em razão da diversidade de instâncias, juízos, 
competências e áreas do direito. 
Comentários 
A assertiva está incorreta. A jurisdição é una e indivisível. Todo órgão jurisdicional tem a plenitude da 
jurisdição. Todo órgão jurisdicional, desde que tenha sido regulamente investido, tem jurisdição. 
Não confunda com a competência que é divisível. 
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59. (CESPE/TCE-PE - 2017) Com relação ao processo, seus princípios e seus procedimentos, julgue o 
item subsequente. 
O processo é instrumento da jurisdição. 
Comentários 
A assertiva está correta. De fato, o processo é o meio, o instrumento através do qual se exerce a jurisdição. 
60. (CESPE/TJ-PR - 2017) Assinale a opção correta de acordo com as regras a respeito de jurisdição e de 
competência previstas no CPC. 
a) A nova sistemática de cooperação jurídica internacional prevista no atual CPC dispensa a atuação de 
autoridade central para a recepção e transmissão dos pedidos de cooperação. 
b) A competência do foro da situação do imóvel objeto de uma ação possessória pode ser modificada para o 
julgamento conjunto com outro processo, caso haja risco de prolação de decisões conflitantes ou 
contraditórias. 
c) A justiça estadual possui competência para julgar mandado de segurança impetrado contra ato de 
conselho seccional da OAB 
d) Conforme o CPC, permite-se a exclusão de competência da justiça brasileira, quando esta for concorrente, 
em razão de cláusula contratual de eleição de foro exclusivo estrangeiro previsto em contrato internacional, 
desde que haja arguição pelo réu em constatação. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. Vejamos o que dispõe o art. 26, IV, do CPC: 
Art. 26. A cooperação jurídica internacional será regida por tratado de que o Brasil faz 
parte e observará: 
IV - a existência de autoridade central para recepção e transmissão dos pedidos de 
cooperação; 
Conforme se nota, não há que se falar na dispensa de atuação da autoridade central para a recepção e 
transmissão dos pedidos de cooperação. 
A alternativa B está incorreta. A competência absoluta não poderá ser modificada para possibilitar o 
julgamento conjunto de processos nem mesmo quando houver risco de prolação de decisões conflitantes ou 
contraditórias. 
Apenas a competência relativa é passível de modificação, conforme prevê o art. 54 da Lei nº 13.105/15. 
A alternativa C está incorreta. A competência para julgar os mandados de segurança impetrados contra ato 
de conselhos da OAB, é da justiça federal, e não da justiça estadual. 
A alternativa D é correta e gabarito da questão, conforme dispõe o art. 25, caput,JURISDIÇÃO COMO FUNÇÃO:
encargo atribuído pela CF ao 
Poder Judiciário (em regra).
JURISDIÇÃO COMO 
ATIVIDADE:
conjunto de atos praticados 
pelos agentes estatais 
investidos de jurisdição.
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constituir último recurso de proteção dos direitos e garantias fundamentais e de incentivar a participação 
democrática das pessoas na solução de conflitos por intermédio do processo. 
Organizando as informações, temos: 
 
Para encerrar este tópico introdutório, vamos analisar as características fundamentais da jurisdição: 
A) solução dada por terceiro imparcial: 
Um terceiro imparcial será investido na função jurisdicional para, por intermédio do Direito, substituir a 
vontade individual das partes e decidir, definitivamente, quem tem razão. 
B) substitutividade: 
Compreende-se que, por intermédio da jurisdição, a vontade individual das partes é substituída pela vontade 
do direito. 
Por exemplo, na execução de entregar coisa certa, caso o executado não cumpra a ordem judicial, o juízo irá 
se sub-rogar na vontade da parte e efetuar a entrega por ordem de busca-e-apreensão. É o caso de o credor 
promover execução para entrega de uma bicicleta e o executado não efetuar a entrega conforme 
determinado. Nesse caso, o juízo expedirá mandado de busca-e-apreensão e o oficial de justiça tomará à 
força o bem – substituindo a vontade da parte – e entregando a bicicleta ao credor como quer o Direito. 
Importante registrar que existe jurisdição sem caráter substitutivo. Assim, trata-se de característica 
relevante, mas não essencial. Vamos compreender a partir de um exemplo: 
A aplicação de multa diária não tem caráter substitutivo, mas constitui pressão psicológica para forçar o 
devedor a cumprir com a obrigação. Embora o cumprimento não se dê de forma espontânea, o cumprimento 
é voluntário, não pelo caráter substitutivo da jurisdição. 
C) lide: 
escopo 
jurídico:
aplicar concretamente as normas jurídicas.
escopo social: pacificação social.
escopo 
educacional:
informar a população sobre seus direitos e deveres.
escopo 
político:
Estado como o último recurso para proteção dos 
direitos e garantias fundamentais.
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A jurisdição se caracteriza pela existência de uma pretensão resistida, que gera um conflito de interesses. 
Esse é o conceito de lide, formulado por Carnelutti. A lide é um efeito prático, que ocorre no mundo dos 
fatos. Sempre existirão conflitos, isso porque nunca haverá bens suficientes para atender a todas as 
pretensões humanas. 
Tal como a substitutividade, a lide, embora seja característica importante da jurisdição, não é essencial. 
Por exemplo, nas ações de controle concentrado de constitucionalidade não há lide. Outro exemplo envolve 
as tutelas inibitórias (tutelas que têm por pretensão evitar a prática do ato ilícito). O que criaria a lide é 
justamente a prática do ato ilícito que, nessa espécie de processo, se pretende evitar. Logo, lide não é 
característica indispensável da jurisdição. 
D) inércia: 
A inércia pode ser estudada como princípio (da inércia da jurisdição) ou pelo seu sinônimo, princípio da 
demanda. A ideia fundamental é que a propositura da demanda depende de provocação do interessado. A 
jurisdição é inerte, não havendo possibilidade de dar início de ofício ao processo. O processo se desenvolve 
a partir da petição inicial, que é o ato processual inaugural da parte autora. 
Não se permite ao juízo dar início ao processo de ofício, pois: 
 busca-se evitar a transformação de um conflito social em um conflito jurídico; 
Existem conflitos sociais que não são levados a juízo. É o caso, por exemplo, de você emprestar 
dinheiro a alguém que não o pagou na data aprazada. Dada a consideração pela pessoa, você não a 
cobra direta e imediatamente em juízo. Talvez até você não o faça. Logo, existe o conflito social, mas 
não o conflito jurídico. 
 ao não dar início ao processo de ofício, pode-se permitir à parte solucionar o conflito de outro 
modo (por exemplo, valendo-se da conciliação ou mediação); e 
 há necessidade de se manter a imparcialidade. Pensamento em sentido contrário conduz à 
conclusão de que o juiz, se iniciar o processo de ofício, é porque conclui antecipadamente que houve 
violação ao direito. Logo, o juiz iniciaria o processo tendente a solucioná-lo favoravelmente a uma 
das partes. 
Não obstante essas razões, temos algumas exceções à característica da inércia, tal como o procedimento de 
restauração de autos, previsto a partir do art. 712 do CPC. No caso de perda dos autos físicos, 
independentemente de quem deu causa, o juízo poderá instaurar de ofício o processo incidente de 
restauração de autos que terá por finalidade a reconstituição do processo a partir de cópias e informações 
do processo perdido. 
 
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Além disso, é importante registrar que o início do processo depende da provocação, mas o desenvolvimento 
se dá por impulso oficial, conforme se extrai da leitura do art. 2º do CPC. Vale dizer, constitui interesse do 
Poder Judiciário conduzir o processo ao seu fim (prestação da tutela jurisdicional). 
Tal como a inércia, o princípio do impulso oficial também comporta exceções. 
O cumprimento de sentença é uma fase procedimental executiva. Como não se trata de processo, o 
cumprimento de sentença deveria ser regido pelo princípio do impulso oficial. Contudo, o CPC outorga ao 
credor, nas hipóteses de condenação ao pagamento de quantia certa, a prerrogativa de a parte efetuar 
requerimento para que haja cumprimento de sentença. Após o trânsito em julgado da sentença que condena 
o réu ao pagamento de determinado valor, se não houver requerimento da parte credora, os autos ficarão 
parados. Diferentemente ocorre com o cumprimento de sentença de obrigação de fazer, não fazer e entregar 
coisa, cuja sentença já conterá o impulso oficial para o desenrolar da fase executiva. Por exemplo, o juízo 
condena o réu a entregar um livro ao autor. Na própria sentença o juízo determinará prazo para a entrega. 
Caso ultrapassado o prazo, será expedido mandado de busca-e-apreensão, independentemente de qualquer 
manifestação da parte autora. 
Sigamos! 
E) coisa julgada material 
Esse atributo conferido à decisão judicial impede que o que foi decidido seja modificado posteriormente, 
exceto em situações excepcionais (por exemplo, ação rescisória). A coisa julgada é a principal característica 
da jurisdição, é a que distingue dos meios consensuais de solução de conflitos. É a partir da coisa julgada que 
a sentença se torna definitiva, torna-se lei para as partes. 
Para que haja coisa julgada material, é necessário verificar três requisitos: 
1º – trânsito em julgado; 
Estará presente em todas as decisões. Não se diz que a única certeza é a morte? Para o processo 
podemos concluir que a única certeza que se tem no processo é de que a decisão transitará em 
julgado. 
2º – decisão de mérito; 
Busca-se a solução da crise jurídica pela aplicação do direito ao caso concreto. 
É possível, entretanto, que haja sentença que não resolva o mérito, em razão de problemas de ordem 
processual (por exemplo, processo no qual falte algum pressuposto processual de existência ou 
requisito de validade). Nesse caso, haverá coisa julgada, mas apenas formal, pois não houve decisão 
de mérito. 
3º – cognição exauriente. 
Exauriente significa aquilo que esgota uma matéria ou questão. A coisa julgada pressupõe uma 
análise completa dos fatos e dos fundamentos jurídicos dodo CPC: 
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Art. 25. Não compete à autoridade judiciária brasileira o processamento e o julgamento 
da ação quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em contrato 
internacional, arguida pelo réu na contestação. 
Lembre-se, que o dispositivo traz uma exceção, prevista em seu §1º: 
§ 1o Não se aplica o disposto no caput às hipóteses de competência internacional exclusiva 
previstas neste Capítulo. 
61. (CESPE/PGE-AM - 2016) A respeito das normas processuais civis pertinentes a jurisdição e ação, 
julgue o item seguinte. 
O novo CPC reconhece a competência concorrente da jurisdição internacional para processar ação de 
inventário de bens situados no Brasil, desde que a decisão seja submetida à homologação do STJ. 
Comentários 
A assertiva está incorreta. As hipóteses de competência exclusiva da jurisdição brasileira estão estabelecidas 
no art. 23 do CPC. Vejamos: 
Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra: 
I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil; 
II - em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular 
e ao inventário e à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja 
de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional; 
III - em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à partilha de 
bens situados no Brasil, ainda que o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha 
domicílio fora do território nacional. 
A hipótese trazida pela questão é de competência exclusiva da autoridade brasileira, o que significa que a 
ação de inventário de bens situados no Brasil, somente pode ser submetida à jurisdição nacional. 
VUNESP 
62. (VUNESP/IPREMM - 2019) A doutrina majoritária atual, com base no disposto no Código de 
Processo Civil, classifica os pressupostos processuais como positivos ou negativos, sendo os positivos 
divididos em pressupostos de existência e de validade. 
Sobre o tema, considerando o entendimento doutrinário, são pressupostos 
a) negativos de validade: inexistência de perempção, litispendência e coisa julgada. 
b) positivos de existência: legitimidade processual, citação e jurisdição. 
c) positivos de validade: demanda, capacidade postulatória e compromisso arbitral. 
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d) positivos de existência: compromisso arbitral, citação válida e competência. 
e) positivos de validade: jurisdição, demanda e legitimidade processual. 
Comentários 
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Os pressupostos negativos de validade são aqueles 
que não podem estar presentes / devem inexistir para que haja o regular desenvolvimento do processo. 
Desse modo, a inexistência de litispendência, perempção e coisa julgada são pressupostos negativos de 
validade. 
A alternativa B está incorreta. A legitimidade processual é condição da ação. A citação é um pressuposto 
positivo de validade e a jurisdição é um pressuposto positivo de existência. 
A alternativa C está incorreta. A demanda é um pressuposto positivo de existência, a capacidade postulatória 
é um pressuposto positivo de validade e o compromisso arbitral é pressuposto negativo de validade. 
A alternativa D está incorreta. O compromisso arbitral é um pressuposto negativo de validade. A 
competência e a citação válida são pressupostos positivos de validade. 
A alternativa E está incorreta. Jurisdição e demanda são pressupostos positivos de existência e a legitimidade 
processual é condição da ação - prevista no art. 17 do CPC. 
63. (VUNESP/Pref SJRP - 2019) Jurisdição é o poder que o Estado tem de resolver os conflitos, 
substituindo a vontade das partes e impondo essa decisão coercitivamente. 
Assinale a alternativa que estabelece, de acordo com a teoria clássica, majoritária no Brasil, a característica 
da jurisdição voluntária. 
a) Tem caráter administrativo. 
b) Ocorre em um procedimento em que há interessados e coisa julgada. 
c) A jurisdição atua a partir de uma lide, na qual há conflitos de interesse. 
d) Tem por finalidade a atuação do direito e a pacificação social. 
e) Um exemplo de jurisdição voluntária é a ação de restauração de autos. 
Comentários 
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. A doutrina entende que a jurisdição voluntária é a 
administração pública dos interesses privados, de modo que o juiz exerce uma atividade administrativa. 
A alternativa B está incorreta. De fato, a jurisdição voluntária apresenta interessados, mas o entendimento 
pacífico na doutrina, embora não haja previsão legal nesse sentido, é que não há a formação da coisa julgada. 
A alternativa C está incorreta pois, na jurisdição voluntária, não há lide, não há conflito de interesses. 
A alternativa D está incorreta. A jurisdição voluntária não visa a pacificação social pois inexiste conflito entre 
os interessados. 
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A alternativa E está incorreta. A ação de restauração de autos está prevista no Capítulo XIV do Código de 
Processo Civil (arts. 712 a 718) e os procedimentos de jurisdição voluntária estão apresentados no Capítulo 
XV do Código (art. 719 e seguintes). 
64. (VUNESP/TJ-AC - 2019) A cooperação jurídica internacional pode ser entendida como um modo 
formal de solicitar a outro país alguma medida judicial, investigativa ou administrativa, necessária para 
um caso concreto em andamento. Uma das inovações trazidas pelo Código de Processo Civil de 2015 foi 
regular a cooperação internacional em seu texto, nos seguintes termos: 
a) a carta rogatória oriunda de autoridade brasileira competente, a fim de viabilizar o seu cumprimento, via 
de regra, será encaminhada ao Ministério das Relações Exteriores, acompanhada de tradução para a língua 
oficial do Estado requerido. 
b) compete ao juízo federal do lugar em que deva ser executada a medida apreciar pedido de auxílio direto 
passivo que demande prestação de atividade jurisdicional. 
c) realizar-se-á, como regra, com base em reciprocidade, manifestada por via diplomática. 
d) é incabível o auxílio direto quando a medida não decorrer diretamente de decisão de autoridade 
jurisdicional estrangeira a ser submetida a juízo de delibação no Brasil. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, pois de acordo com o CPC, quando o pedido de cooperação seja oriundo da 
autoridade brasileira, será encaminhado à autoridade central (Ministério da Justiça) para posterior envio ao 
Estado requerido para lhe dar andamento. Confira o art. 26, § 4º, do CPC e o art. 37: 
§ 4º O Ministério da Justiça exercerá as funções de autoridade central na ausência de 
designação específica. 
-- 
Art. 37. O pedido de cooperação jurídica internacional oriundo de autoridade brasileira 
competente será encaminhado à autoridade central para posterior envio ao Estado 
requerido para lhe dar andamento. 
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão, pois de acordo com o art. 34, do CPC, compete ao 
juízo federal do lugar em que deva ser executada a medida apreciar pedido de auxílio direto passivo que 
demande prestação de atividade jurisdicional. 
A assertiva C está errada, pois a regra é a realização da cooperação internacional com base em tratado, 
sendo exceção a via diplomática. Veja o art. 26, § 1º, do CPC: 
§1º Na ausência de tratado, a cooperação jurídica internacional poderá realizar-se com 
base em reciprocidade, manifestada por via diplomática. 
A alternativa D estáincorreta, pois é sim cabível o auxílio direto quando a medida não decorrer de decisão 
de autoridade jurisdicional estrangeira a ser submetida a juízo de delibação brasileiro, nos termos do CPC: 
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Art. 28. Cabe auxílio direto quando a medida não decorrer diretamente de decisão de 
autoridade jurisdicional estrangeira a ser submetida a juízo de delibação no Brasil. 
65. (VUNESP/ Prefeitura de Sorocaba - 2018) Considere os seguintes provimentos judiciais: 
i) reconhecimento da autenticidade de documento; 
ii) decretação do divórcio; 
iii) imposição do dever de pagamento de perdas e danos, decorrentes da mora contratual; 
iv) procedência da ação de despejo; 
v) reintegração ao cargo de funcionário público em razão da ilegalidade da demissão. 
Tendo em vista a classificação quinária das ações, as sentenças descritas podem ser classificadas, correta e 
respectivamente, como: 
a) declaratória, constitutiva, condenatória, mandamental, executiva lato sensu. 
b) declaratória, condenatória, constitutiva, mandamental, executiva lato sensu. 
c) declaratória, constitutiva, condenatória, executiva lato sensu, mandamental. 
d) declaratória, condenatória, constitutiva, executiva lato sensu, mandamental. 
e) constitutiva, declaratória, condenatória, executiva lato sensu, mandamental. 
Comentários 
A classificação quinaria das ações (Pontes de Miranda) divide o gênero “ação” em cinco espécies. Vejamos: 
1) Ação de declaratória: é aquela em que se declara a existência, a inexistência ou modo de ser de uma 
relação jurídica, bem como, a autenticidade ou a falsidade de um documento (art. 19, do CPC). 
Exemplo: reconhecimento da autenticidade de documento 
2) Ação constitutiva: é aquela que resulta na constituição, na modificação ou na desconstituição de uma 
situação jurídica. Exemplo: decretação do divórcio. 
3) Ação condenatória: é aquela em que ocorre a condenação do réu a cumprimento de uma obrigação 
ativa ou omissiva. Exemplo: imposição do dever de pagamento de perdas e danos, decorrentes da 
mora contratual 
4) Ação mandamental: é aquela em que o juiz emite uma ordem, cujo descumprimento caracteriza 
desobediência à autoridade estatal. Exemplo: reintegração ao cargo de funcionário público em razão 
da ilegalidade da demissão. 
5) Ação executiva latu sensu: é aquela cuja execução decorre diretamente da decisão proferida. 
Exemplo: procedência da ação de despejo 
Assim, a alternativa C é a correta, sendo o gabarito da questão. 
66. (VUNESP/TJRS - 2018) O juiz resolverá o mérito da ação quando: 
a) indeferir a petição inicial. 
b) verificar a ausência de legitimidade de parte. 
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c) em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por lei. 
d) verificar a impossibilidade jurídica do pedido. 
e) homologar a desistência da ação. 
Comentários 
Essa é uma ótima questão para lembrarmos que as condições da ação: interesse e legitimidade (art. 17, do 
CPC). A impossibilidade jurídica do pedido, condição da ação no CPC73, passou a ser uma questão de mérito, 
o que significa que, o juiz resolverá o mérito da ação quando verificar a impossibilidade jurídica do pedido. 
O gabarito da questão, portanto, é a alternativa D. 
Vejamos os erros das outras alternativas: 
A alternativa A está incorreta. Indeferida a petição inicial (art. 321, parágrafo único), a questão será resolvida 
sem resolução de mérito (art. 485, I), uma vez que se trata de vício de natureza processual que impede a 
análise de mérito pelo juiz. 
A alternativa B, igualmente, está incorreta, uma vez que a ausência de legitimidade de uma das partes é a 
ausência de uma das condições da ação, e, nós sabemos, com base na teoria da asserção, que a ausência de 
uma das condições da ação analisada no início do procedimento (in status assertionis), implica a extinção do 
processo sem resolução mérito (art. 485, VI). 
A alternativa C, também, está incorreta. Em caso de morte da parte, se a ação for considerada intransmissível 
por lei, o juiz não resolverá o mérito da questão (art. 485, IX). 
A alternativa E, por fim, também está incorreta. A homologação da desistência da ação leva a não resolução 
do seu mérito (art. 485, VIII). Valendo lembrar que a desistência não se confunde com a renúncia, sendo que 
esta última, sim, leva à resolução do mérito na lide. 
67. (VUNESP/TJ-MS - 2015) É possível a existência de conflito de competência entre juízo estatal e 
câmara arbitral? 
a) Sim, porque a atividade jurisdicional estatal deve prevalecer sobre a decisão arbitral. 
b) Não, porque a atividade arbitral não tem natureza jurídica compatível para aplicação das normas 
processuais. 
c) Não, porque independentemente da natureza da câmara arbitral, inexiste previsão legal para tanto. 
d) Sim, porque a atividade desenvolvida no âmbito da arbitragem tem natureza jurisdicional. 
e) Sim, porque embora a atividade arbitral não tenha natureza jurisdicional, não é possível admitir dois entes 
julgadores. 
Comentários 
Sim, porque a atividade desenvolvida no âmbito da arbitragem tem natureza jurisdicional. 
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Segundo o Superior Tribunal de Justiça, "é possível a existência de conflito de competência entre juízo estatal 
e câmara arbitral. Isso porque a atividade desenvolvida no âmbito da arbitragem tem natureza 
jurisdicional"28. 
Portanto, a alternativa D está correta e é o gabarito da questão. 
Para essas discussões doutrinárias temos que ter “jogo de cintura”. 
Arbitragem não se confunde com a jurisdição estatal. 
Contudo, o entendimento que predomina atualmente é no sentido de que a arbitragem possui natureza 
jurisdicional, razão pela qual está correta alternativa. 
Embora diferentes, a arbitragem tem sim natureza de jurisdição, pois o Poder Judiciário não seria o único a 
decidir conflitos de interesse de forma definitiva. Isso porque a arbitragem pode decidir de forma definitiva 
(se o procedimento transcorrer de forma regular), eventual conflito de interesses. 
68. (VUNESP/PC-CE - 2015) Sobre o princípio do juiz natural, é correto afirmar: 
a) faz referência à necessidade dos magistrados serem brasileiros, natos ou naturalizados. 
b) tem relação com a prerrogativa de foro para determinadas pessoas, em razão do cargo ou função que 
ocupam. 
c) garante que o juiz que primeiro conhecer a causa deve necessariamente julgá-la. 
d) dispõe sobre a forma de promoção dos juízes, por antiguidade ou por merecimento. 
e) está ligado à competência jurisdicional, imparcialidade do órgão julgador e vedação aos tribunais de 
exceção. 
Comentários 
O Princípio do Juiz Natural, previsto no art. 5º, XXXVII e LIII, CF, nada mais é do que uma garantia decorrente 
do devido processo legal. Segundo ele, não haverá tribunal de exceção, a decisão será proferida pela 
autoridade competente e o juiz deve ser imparcial. 
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; 
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; 
Portanto, a alternativa E está correta e é o gabarito da questão. 
Vejamos o erro das demais alternativas: 
 
28 STJ, 2ª Seção, CC 111230, j. 08/05/2013. 
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A alternativa A está incorreta. Apesar de os juízes precisarem ser brasileiros, natos ou naturalizados, essa 
exigêncianão se relaciona com o princípio do juiz natural. 
A alternativa B está incorreta. A prerrogativa de foro até tem relação com questões como a competência, 
mas não é a melhor opção, dentre as disponíveis. 
A alternativa C está incorreta. Trata do princípio da identidade física do juiz, que nem está mais expresso no 
CPC. 
E a alternativa D está incorreta. O princípio do juiz natural não tem nenhuma relação com a forma de 
promoção dos magistrados. 
69. (VUNESP/DPE-MS - 2014) No tocante à ação, adotou o Código de Processo Civil brasileiro a teoria 
a) imanentista. 
b) eclética. 
c) da ação concreta. 
d) da ação como direito potestativo. 
Comentários 
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Apesar de a questão ser de 2014 e estar se referindo 
ao CPC/73, a Teoria Eclética ainda é a predominante no direito brasileiro. Vejamos o esquema de aula que 
resume a Teoria Eclética da Ação. 
 
FGV 
70. (FGV/DPE-RJ - 2019) Constitui uma exceção à característica inerte da jurisdição: 
a) ação possessória tendo por objeto bem público; 
b) habeas data; 
c) restauração de autos; 
d) ação popular; 
e) mandado de injunção. 
Comentários 
• direito de ação condicionado (interesse e legitimidade)
• carência da ação forma apenas coisa julgada formal
• condição da ação é matéria de ordem pública analisável a qualquer momento
• direito de petição é incondicionado
TEORIA ECLÉTICA
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A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. O procedimento de restauração de autos porque pode 
ser instaurado de ofício pelo juiz, por isso é considerado uma exceção ao ´princípio da inércia da jurisdição.. 
Vejamos o que dispõe o art. 712, do CPC/15: 
Art. 712. Verificado o desaparecimento dos autos, eletrônicos ou não, pode o juiz, de ofício, 
qualquer das partes ou o Ministério Público, se for o caso, promover-lhes a restauração. 
O princípio da inércia da jurisdição, previsto no art. 2º, do CPC/15, estabelece que o juiz não pode iniciar o 
processo por sua própria iniciativa, essa tarefa é exclusiva do interessado e decorre do direito de ação que é 
disponível. 
71. (FGV/DPE-RJ - 2019) São condições genéricas para o regular exercício da ação: 
a) partes capazes e demanda regularmente formulada; 
b) pedido e causa de pedir; 
c) legitimidade ad causam e interesse de agir; 
d) juízo competente e capacidade postulatória; 
e) capacidade para estar em juízo e representação processual. 
Comentários 
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. Vejamos o art. 17, do CPC, que indica as condições da 
ação, quais sejam: interesse e legitimidade. 
“Partes capazes e demanda regularmente formulada”, “Juízo competente e capacidade postulatória”, 
“capacidade para estar em juízo e representação processual” são pressupostos processuais, logo, e 
respectivamente, as alternativas A, D e E estão incorretas. 
“Pedido e causa de pedir” são requisitos da petição inicial, de modo que somos impedidos de marcar a 
alternativa B. 
72. (FGV/TJ-SC - 2018) São elementos da ação: 
a) partes, juiz e demanda; 
b) juiz, processo e demanda; 
c) jurisdição, processo e pedido; 
d) partes, pedido e causa de pedir; 
e) jurisdição, causa de pedir e partes. 
Comentários 
São elementos da ação: parte, pedido e causa de pedir. 
Em relação às partes, lembre-se que elas se distinguem em parte processual e parte material: 
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 Parte processual: aquela que está em uma relação jurídica processual, que exerce o contraditório, 
atua com parcialidade e pode sofrer consequências com a decisão. 
 Parte material: é o sujeito da relação jurídica discutida em Juízo, podendo (legitimação ordinária) 
ou não (legitimação extraordinária) ser parte processual. 
A causa de pedir é, por sua vez, distinta em causa de pedir remota e próxima: 
 causa de pedir remota (ou fática)- constitui a descrição do fato que deu origem a lide 
Ä causa de pedir próxima (ou jurídica) - é o próprio direito, aplicado a partir da descrição fática. 
Envolve a concretização da norma, conferindo substância ao pedido do autor 
Por fim, o pedido corresponde ao objeto da ação, consiste na pretensão do autor que é levada ao Estado-
Juiz, que irá prestar a tutela jurisdicional sobre essa pretensão. Distingue-se em: 
 pedido imediato: a) aspecto processual; b) espécie de tutela jurisdicional. 
 pedido mediato: a) aspecto material; b) bem da vida 
Logo, a alternativa D é a correta e gabarito da questão. 
73. (FGV/TJ-SC - 2018) Credor de obrigação contratual, já vencida e não paga, ajuizou ação em que se 
limitou a pleitear a declaração da existência de seu direito de crédito. 
Ao apreciar a petição inicial, deverá o órgão jurisdicional: 
a) indeferi-la, dada a falta de interesse de agir; 
b) indeferi-la, dada a impossibilidade jurídica do pedido; 
c) indeferi-la, dada a sua inépcia formal; 
d) determinar que o autor a emende no prazo legal; 
e) proceder ao juízo positivo de admissibilidade da demanda. 
Comentários 
Não há nenhum impedimento legal para que a parte pleiteie tão somente uma tutela de caráter declaratório. 
O interesse, nesse caso, consiste na certeza da existência ou na inexistência de determinada relação jurídica. 
Conforme os arts. 19 e 20 do CPC. 
Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração: 
I - da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica; 
II - da autenticidade ou da falsidade de documento. 
Art. 20. É admissível a ação meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação 
do direito. 
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Assim, diante da ação proposta o juiz deve proceder ao Juízo de admissibilidade da ação. Portanto, a 
alternativa E está correta e é o gabarito da questão. 
74. (FGV/TJ-SC - 2018) Maria, brasileira, e Manoel, português, ambos domiciliados em Portugal, por 
força de decisão judicial estrangeira, romperam seu vínculo matrimonial, que determinou o divórcio do 
casal e, em partilha de bens, estabeleceu que o imóvel situado em Florianópolis passaria a pertencer 
exclusivamente a Maria e o imóvel de Portugal passaria a pertencer exclusivamente a Manoel. 
Em relação a essa decisão estrangeira, é correto afirmar que: 
a) Poderá ser homologada no Brasil, pois Maria é brasileira e não obsta a que a autoridade judiciária brasileira 
conheça da demanda de divórcio; 
b) Não poderá ser homologado no Brasil, pois a competência para partilha de bens, no caso, da autoridade 
judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra; 
c) poderá ser homologado no Brasil, pois as partes mantêm vínculos no Brasil, como propriedades de bens; 
d) não poderá ser homologado no Brasil, pois não se admite o exercício de atividade jurisdicional brasileira 
quando as partes têm domicílio fora do território nacional; 
e) poderá ser homologado no Brasil, pois a obrigação deverá ser cumprida no Brasil e não há na lei brasileira 
impedimento para o divórcio. 
Comentários 
Trata-se de cobrança expressa do CPC. É competência da autoridade brasileira a partilha de bens situados 
no Brasil em caso de divórcio. Nesse caso, a decisão da autoridade estrangeira não poderá ser homologada, 
pois a competência brasileira exclui qualquer outra. Dessa forma, a alternativa B está correta e é o gabarito 
da questão. Vejamos o que prevê o art. 23, III, do CPC: 
Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra: 
III - em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, procederà partilha de 
bens situados no Brasil, ainda que o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha 
domicílio fora do território nacional. 
75. (FGV/MPE-RJ - 2016) São condições para o regular exercício da ação: 
a) legitimidade ad causam e demanda regularmente formulada; 
b) interesse de agir e competência do juízo; 
c) legitimidade ad processum e possibilidade jurídica do pedido; 
d) possibilidade jurídica do pedido e competência do juízo; 
e) legitimidade ad causam e interesse de agir. 
Comentários 
As condições da ação (ou condições para o regular exercício da ação) estão previstas no art. 17 do CPC. 
Vejamos: 
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Art. 17. Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade. 
A possibilidade jurídica do pedido não é mais considerada uma condição da ação desde a entrada em vigor 
da nova lei processual. Dessa forma, a alternativa E está correta e é o gabarito da questão. 
76. (FGV/MPE-RJ - 2016) No que se refere à aferição da presença, ou não, das condições para o regular 
exercício da ação, a teoria aplicável é: 
a) a asserção; 
b) a substanciação; 
c) a individuação; 
d) a causa madura; 
e) a concreta do direito de ação. 
Comentários 
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Com base na teoria da asserção, o juiz deve verificar 
a existência das condições da ação analisando apenas a narrativa trazida pelo autor em sua petição inicial. 
Tal narrativa deve ser clara e coerente o suficiente para que a ação se apresente como juridicamente 
possível, necessária e instaurada entre as partes legítimas. 
77. (FGV/MPE-RJ - 2016) No tocante à inércia, uma exceção a tal característica da jurisdição, de acordo 
com a legislação processual vigente, é a: 
a) interdição; 
b) reintegração de posse de imóvel público; 
c) restauração de autos; 
d) anulação de contrato administrativo; 
e) nulidade de casamento. 
Comentários 
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. O princípio da inércia da jurisdição indica que embora 
o acesso ao Poder Judiciário deva estar sempre à disposição dos cidadãos, os órgãos jurisdicionais somente 
devem atuar mediante provocação de algum interessado. Esse princípio tem aplicação, também, no trâmite 
processual, de forma que o juiz somente está autorizado a agir de ofício em hipóteses excepcionais, previstas 
em lei. A respeito das exceções que recaem sobre o princípio da inércia, vejamos o que dispõe o art. 712, 
caput, do CPC: 
Art. 712. Verificado o desaparecimento dos autos, eletrônicos ou não, pode o juiz, de 
ofício, qualquer das partes ou o Ministério Público, se for o caso, promover-lhes a 
restauração. 
78. (FGV/MPE-RJ - 2016) São elementos identificadores da ação: 
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a) juízo, partes e pedido; 
b) juízo competente, causa de pedir e demanda; 
c) partes, causa de pedir e pedido; 
d) partes, interesse processual e pedido; 
e) causa de pedir, legitimidade e demanda. 
Comentários 
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. Os elementos identificadores da ação são as partes, 
a causa de pedir e o pedido. 
79. (FGV/MPE-RJ - 2016) Em decorrência de um tumulto generalizado ocorrido em uma festa, Ricardo, 
menor de quinze anos, foi vítima de violento soco, tendo sofrido fraturas na face. Supondo que o golpe 
havia partido de Cláudio, pai de um amigo seu, a vítima, representada por seu pai, ajuizou em face dele 
demanda em que pleiteava a sua condenação ao pagamento de verbas reparatórias de danos morais. 
Citado, Cláudio, no prazo legal, ofereceu a sua peça contestatória, alegando que não fora o autor do golpe 
que lesionara Ricardo, mas sim Bruno, que o acompanhava na festa. Encerrada a fase instrutória, a 
alegação defensiva de Cláudio restou comprovada. Nesse cenário, deve o órgão ministerial dotado de 
atribuição para intervir no feito opinar no sentido de que seja: 
a) o processo extinto sem resolução do mérito, em razão da ilegitimidade passiva ad causam; 
b) o processo extinto com resolução do mérito, julgando-se improcedente o pedido; 
c) o processo extinto com resolução do mérito, julgando-se procedente o pedido, já que o Parquet não pode 
se manifestar contrariamente aos interesses da parte incapaz; 
d) o processo extinto sem resolução do mérito, em razão da ausência de interesse de agir; 
e) o réu intimado para promover a denunciação da lide em relação a Bruno, o real agressor. 
Comentários 
Na teoria da asserção, o juiz deve verificar a existência das condições da ação analisando apenas a narrativa 
trazida pelo autor em sua petição inicial. Essa narrativa deve ser clara e coerente o suficiente para que a ação 
se apresente como juridicamente possível, necessária e instaurada entre as partes legítimas. Caso contrário, 
o processo será extinto de plano, sem resolução do mérito. 
Não sendo a ilegitimidade da parte constatada nessa análise preliminar, mas, apenas, posteriormente, à fase 
de instrução processual, o processo deve ser extinto com resolução do mérito. 
Portanto, a alternativa B está correta e é o gabarito da questão. 
80. (FGV/DPE-RO - 2015) O Ministério Público, por seu Promotor de Justiça com atribuição para o feito, 
ajuizou ação de investigação de paternidade em face de João, para que fosse reconhecida a sua condição 
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de pai em relação ao menor José, ainda sem registro. A legitimidade com que o autor da demanda atua no 
caso é: 
a) ordinária; 
b) passiva; 
c) ativa; 
d) mista; 
e) extraordinária. 
Comentários 
A legitimidade do Ministério Público na demanda é a extraordinária, quando o legitimado não coincide com 
o titular do direito, portanto, será legitimado para agir em nome próprio defendendo interesse alheio. 
O CPC prevê a legitimidade extraordinária no art. 18. 
Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado 
pelo ordenamento jurídico. 
Lembre-se: 
Legitimidade ordinária: quando a lei atribui legitimidade ao titular da relação jurídica em questão, 
ou seja, a parte corresponde com o legitimado. 
Legitimidade passiva: refere-se àquele que suporta os efeitos da ação e contra quem é pleiteado o 
pedido. 
Legitimidade ativa: Só poderá propor uma ação quem for parte legítima. 
Portanto, a alternativa E está correta e é o gabarito da questão. 
81. (FGV/TJ-BA - 2015) A jurisdição representa uma atividade estatal voltada à composição dos 
conflitos de interesses. No Brasil, uma das características fundamentais da jurisdição é a: 
a) inércia; 
b) diametricidade; 
c) eleição direta; 
d) dualidade; 
e) formalidade. 
Comentários 
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão, conforme o art. 2º do CPC. 
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Art. 2º O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo 
as exceções previstas em lei. 
Esse artigo refere-se ao que a doutrina denomina de princípio da inércia da jurisdição (também chamado 
de princípio dispositivo, ou princípio da demanda), o qual proíbe que a jurisdição, em regra, seja exercida de 
ofício, por iniciativa própria dos juízes. 
82. (FGV/TJ-RJ - 2015) A alternativa que alude apenas aos elementos da ação é: 
a) órgão jurisdicional, partes e pedido; 
b) órgão jurisdicional, causa de pedir e demanda; 
c) partes, causade pedir e pedido; 
d) partes, interesse processual e pedido; 
e) causa de pedir, interesse processual e demanda. 
Comentários 
Os elementos da ação são as partes, a causa de pedir e o pedido, os quais se destinam a individualizá-la e a 
identificá-la, distinguindo-a das demais. 
Assim, a alternativa C está correta e é o gabarito da questão. 
Perceba que apenas por conhecer esses três elementos, vocês já conseguem responder a um grande número 
de questões de prova. 
83. (FGV/Câmara Municipal do Recife-PE - 2014) A teoria adotada no direito processual civil brasileiro 
que norteia a aferição, no caso concreto, da presença, ou não, das condições para o regular exercício da 
ação, é a da: 
a) asserção; 
b) substanciação; 
c) individuação; 
d) causa madura; 
e) concreta da ação. 
Comentários 
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Apesar de questão ser de 2014 e estar se referindo 
ao CPC/73, ainda podemos dizer que a teoria que norteia a aferição das condições da ação no caso concreto 
e a teoria da asserção. 
Vejamos o esquema dado em aula sobre a teoria da asserção. 
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84. (FGV/Prefeitura de Cuiabá-MT - 2015) A respeito da legitimidade extraordinária, assinale a 
afirmativa incorreta. 
a) A legitimidade extraordinária pode ser atribuída por meio de um negócio jurídico. 
b) A extinção do processo por falta de legitimado extraordinário implica uma decisão que não examina o 
mérito da causa. 
c) O legitimado ordinário é aquele que defende interesse próprio em juízo. 
d) O legitimado extraordinário é aquele que defende em nome próprio interesse alheio. 
e) A legitimação extraordinária autônoma ocorre quando o legitimado extraordinário estiver autorizado a 
conduzir o processo independentemente da participação do titular do direito litigioso. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta e é o gabarito da questão. A legitimidade extraordinária ou substituição 
processual, sempre decorrem de lei. 
Vejamos o que prevê o art. 18, do CPC: 
Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado 
pelo ordenamento jurídico. 
As demais alternativas estão todas corretas. 
85. (FGV/TJ-RJ - 2014) Uma sentença estrangeira, versando sobre bem imóvel situado no Brasil: 
a) pode ser executada no Brasil, independentemente de homologação pelo Superior Tribunal de Justiça; 
b) pode ser executada no Brasil, se for homologada pelo Superior Tribunal de Justiça; 
c) pode ser executada no Brasil, se não houver outra demanda versando sobre o mesmo imóvel em curso no 
Brasil; 
d) não pode ser homologada, se não tiver sido proferida por órgão do Poder Judiciário no país de origem; 
e) não pode ser homologada pelo Superior Tribunal de Justiça. 
Comentários 
• distinção entre direito material e direito de ação
• direito de ação condicionado à legitimidade e interesse
• avaliação das condições da ação à vista das afirmações do demandante em cognição
sumária, que pode levar à carência da ação
• avaliação do interesse e legitimidade como matéria de mérito que pode conduzir à
rejeição do pedido
TEORIA DA ASSERÇÃO
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De acordo com o art. 105, I, “i”, da CF/88, para que uma sentença estrangeira possa ser executada no Brasil, 
deve ser homologada pelo STJ. 
Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: 
I - processar e julgar, originariamente: 
i) a homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas 
rogatórias; 
No entanto, não são todas as sentenças estrangeiras que podem ser homologadas e executadas no Brasil. 
O CPC prevê, em seu art. 23, matérias especiais que se sujeitam exclusivamente à apreciação da autoridade 
judiciária brasileira. 
Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra: 
I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil; 
II - em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular 
e ao inventário e à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja 
de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional; 
III - em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à partilha de 
bens situados no Brasil, ainda que o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha 
domicílio fora do território nacional. 
Decisões estrangeiras que envolvam essas questões não podem ser homologadas pelo STJ, por expressa 
determinação legal (art. 964, CPC): 
Art. 964. Não será homologada a decisão estrangeira na hipótese de competência 
exclusiva da autoridade judiciária brasileira. 
Parágrafo único. O dispositivo também se aplica à concessão do exequatur à carta 
rogatória. 
Por isso, a sentença estrangeira que versa sobre bem imóvel situado no Brasil não pode ser homologada pelo 
Superior Tribunal de Justiça. 
A alternativa E, portanto, está correta e é o gabarito da questão. 
86. (FGV/TCE-BA - 2013) Antônio, famoso cantor da região de Milagrópolis, mata um desafeto ao 
término de um show, gerando grande repercussão local. Em razão de sua popularidade, Antônio tem seu 
processo distribuído para o TJCM (Tribunal para Julgamento de Cantores de Milagrópolis), criado após a 
ocorrência dos fatos esquivando-se, assim, do julgamento pelo Tribunal do Júri. 
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A dinâmica dos fatos revela inequívoca violação a um fundamental princípio do Direito Processual brasileiro. 
Assinale a alternativa que revela o princípio que, de forma direta e específica, foi violado pelos fatos acima 
narrados. 
a) Princípio da Ampla Defesa. 
b) Princípio do Contraditório. 
c) Princípio do Juiz Natural. 
d) Princípio da Lealdade Processual. 
e) Princípio da Inafastabilidade do Controle Jurisdicional. 
Comentários 
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. O princípio do juiz natural é considerado decorrência 
de dois direitos fundamentais previstos na Constituição Federal, o de que ninguém será processado e julgado 
por juízo ou tribunal de exceção e o de que ninguém será processado senão pela autoridade competente. 
Vejamos o que dispõe o art. 5º, XXXVII e LIII, da CF: 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se 
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à 
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; 
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; 
Lembre-se: 
O princípio da ampla defesa é aquele que dispõe que o acusado poderá se utilizar de todos os meios lícitos 
de defesa para defender-se. 
O princípio do contraditório é aquele que dispõe que as partes devem ter a oportunidade de se manifestar 
sobre tudo o que é dito no processo, podendo influenciar a decisão final do juiz. 
O princípio da lealdade processual é aquele que dispõe que as partes devem se comportar, antes, ao longo, 
e depois, do processo, de acordo com os ditames da boa-fé. 
E o princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional é aquele que vem estampado no art. 5º, XXXV, da 
CF, dispondo que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. 
87. (FGV/TCE-BA - 2013) Suponha que em determinado processo de conhecimento que tramitava pelo 
rito comum ordinário tenha havido a juntada de importante documento pela parte autora sem que o Juiz, 
em momentoseguinte, tenha intimado a parte adversa para que esta, tomando conhecimento da 
existência do documento, pudesse sobre ele se manifestar. 
Assinale a alternativa que expressa o princípio processual de forma direta e efetiva violado pela hipótese 
descrita 
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a) Princípio do Contraditório. 
b) Princípio do Juiz Natural. 
c) Princípio da Motivação das Decisões Judiciais. 
d) Princípio da Tempestividade da Tutela Jurisdicional. 
e) Princípio da Inafastabilidade do Controle Jurisdicional. 
Comentários 
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. O princípio do contraditório está positivado no art. 
5º, LV, da CF: 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se 
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à 
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são 
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 
Em essência, o princípio do contraditório se manifesta quando uma parte se manifesta, e a outra também 
deve ter a oportunidade de fazê-lo. 
Além disso, vejamos o que dispõe o art. 437, §1, do CPC: 
§ 1o Sempre que uma das partes requerer a juntada de documento aos autos, o juiz ouvirá, 
a seu respeito, a outra parte, que disporá do prazo de 15 (quinze) dias para adotar qualquer 
das posturas indicadas no art. 436. 
Sempre bom lembrar, também, os arts. 9º e 10: 
Art. 9º Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente 
ouvida. 
Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica: 
I - à tutela provisória de urgência; 
II - às hipóteses de tutela da evidência previstas no art. 311, incisos II e III; 
III - à decisão prevista no art. 701. 
Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a 
respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se 
trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. 
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CONSULPLAN 
88. (CONSULPLAN/CODESG - 2019) Analise as afirmativas a seguir. 
I. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo Ministério Público, 
na condição de custus legis. 
II. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como assistente litisconsorcial. 
III. É inadmissível a ação meramente declaratória quando tenha ocorrido a violação do direito. 
IV. O interesse do autor pode limitar-se à declaração da existência, da inexistência ou do modo de ser de 
uma relação jurídica. 
Estão corretas apenas as afirmativas 
a) I e II. 
b) I e III. 
c) II e IV. 
d) III e IV. 
Comentários 
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. Para melhor compreensão, vamos analisar afirmativa 
por afirmativa: 
A afirmativa I está incorreta. A autorização parte do ordenamento jurídico e não do Ministério Público, como 
bem prevê o caput do art. 18 do Código de Processo Civil: "Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome 
próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico." 
A afirmativa II está correta. Trata-se da previsão do parágrafo único do art. 18: "Havendo substituição 
processual, o substituído poderá intervir como assistente litisconsorcial." 
A afirmativa III está incorreta. O Código prevê o oposto em seu art. 20: "É admissível a ação meramente 
declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação do direito." 
A afirmativa IV está correta. Nos termos do inciso I do art. 19 do CPC: "O interesse do autor pode limitar-se 
à declaração: da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica." 
89. (CONSULPLAN/PGM-Suzano - 2019) Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as 
ações em que, EXCETO: 
a) No Brasil tiver de ser cumprida a obrigação. 
b) O fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil. 
c) O réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil. 
d) Da ação, ainda quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em contrato internacional, 
arguida pelo réu na contestação. 
Comentários 
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A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. De acordo com o caput do art. 25 do Código de 
Processo Civil: "Não compete à autoridade judiciária brasileira o processamento e o julgamento da ação 
quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em contrato internacional, arguida pelo réu 
na contestação." 
As alternativas A, B e C estão corretas e de acordo com os incisos do art. 21 do CPC: 
Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que: 
I - o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil; 
II - no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação; 
III - o fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil. 
90. (CONSULPLAN/TJ-MG - 2017) “Ação que busca a imposição de uma sanção à pretensão”. Quanto 
ao tipo e provimento, é correto afirmar que essa ação é 
a) Constitutiva. 
b) Declaratória. 
c) Condenatória. 
d) Mandamental. 
Comentários 
Falamos sobre esses conceitos na nossa aula. Vamos relembrar: 
➢ A ação declaratória é aquela que tem o objetivo de certificar a existência, a inexistência ou o modo 
de ser de uma relação jurídica. 
➢ A ação condenatória é aquela em que se afirma a titularidade de um direito a uma prestação e pela 
qual se busca a certificação e a efetivação desse mesmo direito, com a condenação do réu ao 
cumprimento da prestação devida. 
➢ A ação constitutiva é aquela que tem por objetivo obter uma certificação e efetivação de um direito 
potestativo. 
➢ A ação mandamental é aquela pela qual se afirma um direito e se busca a efetivação e a certificação 
desse direito por intermédio de medidas de coerção indireta. 
Assim, a alternativa C está correta e é o gabarito da questão. 
91. (CONSULPLAN/TJ-MG - 2017) Com relação à função jurisdicional (jurisdição e ação), as assertivas 
abaixo estão corretas, EXCETO: 
a) A impossibilidade jurídica é uma das condições da ação. 
b) A jurisdição civil é exercida pelos juízes e tribunais em todo o território nacional. 
c) Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade. 
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d) Ninguém poderá pleitear em nome próprio direito alheio, salvo quando autorizado pelo ordenamento 
jurídico. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta e é o gabarito da questão. Com a entrada da nova lei processual em vigor, a 
possibilidade jurídica do pedido não é mais considerada uma condição da ação. As condições da ação estão 
previstas no art. 17, do CPC: 
Art. 17. Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade. 
A alternativa B está correta, segundo o art. 16, da Lei nº 13.105/2015. 
A alternativa C está correta, conforme prevê o art. 17, da referida Lei. 
A alternativa D está correta, com base no art. 18, do CPC. 
92. (CONSULPLAN/TRF2ªR - 2017) O Novo Código de Processo Civil de 2015, Lei Federal nº 13.105, 
trouxe consideráveis aprofundamentos em relação à cooperação jurídica internacional e aos instrumentos 
que a viabilizam. Sobre o tema proposto, assinale a alternativa correta. 
a)O auxílio direto é via útil ao órgão estrangeiro interessado para requerer quaisquer medidas judiciais ou 
extrajudiciais não proibidas pela lei brasileira. 
b) Não poderá ser objeto de auxílio direto a obtenção e prestação de informações sobre o ordenamento 
jurídico e sobre processos administrativos ou jurisdicionais findos ou em curso. 
c) Apenas quando houver prévio tratado de cooperação jurídica bilateral celebrado entre o Brasil e o país 
requerente será possível a prática de atos de cooperação jurídica internacional em território nacional. 
d) O Superior Tribunal de Justiça, no juízo de delibação da carta rogatória, pode rever o mérito do 
pronunciamento judicial estrangeiro para adequá-lo com as normas fundamentais que regem o Estado 
brasileiro. 
Comentários 
Vamos analisar cada uma das alternativas. 
A alternativa A é a correta e gabarito da questão. Não há qualquer limitação para o uso do auxílio direto. 
Vide o art. 30 (atenção ao inc. IV): 
Art. 30. Além dos casos previstos em tratados de que o Brasil faz parte, o auxílio direto terá 
os seguintes objetos: 
I - obtenção e prestação de informações sobre o ordenamento jurídico e sobre processos 
administrativos ou jurisdicionais findos ou em curso; 
II - colheita de provas, salvo se a medida for adotada em processo, em curso no estrangeiro, 
de competência exclusiva de autoridade judiciária brasileira; 
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III - qualquer outra medida judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira. 
A alternativa B está incorreta, dado o que prevê o inc. I acima. 
A alternativa C também está incorreta, dado que nas hipóteses dos incisos acima citados, não será necessário 
tratado internacional (perceba que no caput do art. 30 se diz “Além dos casos previstos em tratados...”). 
A alternativa D está incorreta, pois de acordo com o art. 36, §2º, do CPC, é expressamente é vedada a revisão 
do mérito do pronunciamento judicial estrangeiro pela autoridade judiciária brasileira. Ou a decisão é 
homologada, ou ela não é homologada. 
Outras Bancas 
93. (NC-UFPR/TJ-PR - 2019) O Estado democrático de direito é caracterizado pela distribuição de suas 
funções ou poderes e pelo respeito à Constituição Federal. Sobre a função jurisdicional do Estado, assinale 
a alternativa INCORRETA. 
a) A jurisdição é atividade estatal revestida de imperatividade, e é exercida por agente imparcial. 
b) As decisões dos órgãos jurisdicionais têm aptidão para se tornarem indiscutíveis, mas são passíveis de 
revisão pelas demais funções estatais. 
c) Embora dotada de imperatividade, a jurisdição não é o único meio de solução de conflitos reconhecido 
pelo Estado, podendo o jurisdicionado optar por outros meios, como, por exemplo, a autocomposição. 
d) Embora as formas de atuação da jurisdição possam ser divididas, como função exercida pelo Poder 
Judiciário a jurisdição é una. 
e) Pelo princípio da inércia, em regra a jurisdição deverá ser provocada. Depois de instaurada a demanda, o 
processo se desenvolve por impulso oficial. 
Comentários 
A alternativa A está correta. A imperatividade é uma característica da jurisdição que permite sua imposição 
a todos os destinatários, independentemente da vontade particular do sujeito. A imparcialidade do agente 
encontra fundamento constitucional no art. 5º, XXXVII e LIII, e desdobramentos no texto do Código de 
Processo Civil, a exemplo das hipóteses de impedimento (art. 144) e suspeição (art. 145). 
A alternativa B está incorreta e é o gabarito da questão. As decisões dos órgãos jurisdicionais têm a aptidão 
para se tornarem indiscutíveis por força da coisa julgada, prevista nos arts. 502 a 508 do Código de Processo 
Civil. No entanto, a revisão dessas decisões não caberá às demais funções estatais, mas ao próprio Poder 
Judiciário através de ação rescisória, tratada no art. 966 e seguintes do Código, dentro das hipóteses ali 
previstas. 
Art. 502. Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível 
a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. 
Art. 966. A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: 
I - se verificar que foi proferida por força de prevaricação, concussão ou corrupção do juiz; 
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II - for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente; 
III - resultar de dolo ou coação da parte vencedora em detrimento da parte vencida ou, 
ainda, de simulação ou colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei; 
IV - ofender a coisa julgada; 
V - violar manifestamente norma jurídica; 
VI - for fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou venha 
a ser demonstrada na própria ação rescisória; 
VII - obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova nova cuja existência 
ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento 
favorável; 
VIII - for fundada em erro de fato verificável do exame dos autos. 
A alternativa C está correta. Além da jurisdição, existem formas alternativas de solução dos conflitos, a 
exemplo da autotutela, autocomposição, mediação e arbitragem. A arbitragem, inclusive, é expressamente 
prevista no §1º do art. 3º do CPC: "É permitida a arbitragem, na forma da lei." Merece destaque também o 
§3º do mesmo dispositivo que prevê que a conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual 
de conflitos deverão ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério 
Público. 
A alternativa D está correta. De fato, a jurisdição é una e não fracionável; o que se "reparte" é a competência 
e esta não se confunde com jurisdição. A competência é a delimitação do exercício do legítimo poder 
jurisdicional, estabelecendo os limites em que cada órgão jurisdicional pode exercer tal função estatal. 
A alternativa E está correta. A alternativa apresenta o entendimento sobre o disposto no art. 2º do Código 
de Processo Civil: "O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as 
exceções previstas em lei." 
94. (FUNDEP/TRF1 - 2019) Sobre as garantias constitucionais para o exercício da jurisdição, relacione a 
COLUNA II com a COLUNA I, associando os princípios da jurisdição às suas respectivas descrições. 
COLUNA I 
1. Inevitabilidade 
2. Inafastabilidade 
3. Juiz natural 
4. Indelegabilidade 
COLUNA II 
( ) Diz respeito à impossibilidade de se escolher o juiz para o julgamento de determinada demanda; escolha 
essa que deverá ser sempre aleatória em virtude de aplicação de regras gerais, abstratas e impessoais de 
competência. 
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( ) Tem dois aspectos: a relação entre a jurisdição e a solução administrativa de conflitos e o acesso à ordem 
jurídica justa, existindo concretamente por meio do oferecimento de um processo que tutele o interesse da 
parte. 
( ) Diz respeito à vinculação obrigatória dos sujeitos ao processo judicial, ou seja, não dependendo de 
concordância do sujeito ou mesmo de acordo entre as partes para se sujeitarem à decisão. 
( ) O Poder Judiciário, tendo recebido da Constituição Federal a função jurisdicional, como regra, não poderá 
conferir tal função a outros Poderes ou outros órgãos que não pertencem a ele. 
Assinale a sequência correta. 
a) 1 4 3 2 
b) 2 3 4 1 
c) 3 2 1 4 
d) 4 2 1 3 
Comentários 
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. Apresentaremos abaixo a correta relação: 
Inevitabilidade: Diz respeito àvinculação obrigatória dos sujeitos ao processo judicial, ou seja, não 
dependendo de concordância do sujeito ou mesmo de acordo entre as partes para se sujeitarem à decisão. 
Inafastabilidade: Tem dois aspectos: a relação entre a jurisdição e a solução administrativa de conflitos e o 
acesso à ordem jurídica justa, existindo concretamente por meio do oferecimento de um processo que tutele 
o interesse da parte. 
Juiz Natural: Diz respeito à impossibilidade de se escolher o juiz para o julgamento de determinada demanda; 
escolha essa que deverá ser sempre aleatória em virtude de aplicação de regras gerais, abstratas e 
impessoais de competência. 
Indelegabilidade: O Poder Judiciário, tendo recebido da Constituição Federal a função jurisdicional, como 
regra, não poderá conferir tal função a outros Poderes ou outros órgãos que não pertencem a ele. 
95. (IBFC/Pref C Sto Agostinho - 2019) Sobre jurisdição, ação e as disposições constitucionais e legais 
acerca dos temas, analise as afirmativas abaixo. 
I. Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade. 
II. O interesse do autor pode limitar-se à declaração da autenticidade ou da falsidade de documento. 
III. O princípio da inafastabilidade de jurisdição é previsto expressamente, tão somente, na Constituição 
Federal. 
Assinale a alternativa correta. 
a) As afirmativas I, II e III estão corretas 
b) Apenas as afirmativas I e II estão corretas 
c) Apenas as afirmativas II e III estão corretas 
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d) Apenas as afirmativas I e III estão corretas 
Comentários 
Vejamos cada uma das afirmativas: 
A afirmativa I está correta. Trata-se do disposto no art. 17 do Código de Processo Civil: "Para postular em 
juízo é necessário ter interesse e legitimidade." 
A afirmativa II está correta. Nos termos do art. 19, II do CPC: "O interesse do autor pode limitar-se à 
declaração: da autenticidade ou da falsidade de documento." 
A afirmativa III está incorreta. O Princípio da Inafastabilidade da Jurisdição também está previsto no art. 3º 
do Código de Processo Civil: "Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito." 
Assim, a alternativa B está correta e é o gabarito da questão. 
96. (CEFETBAHIA/DPE-BA - 2019) De acordo com as disposições do Código de Processo Civil, para 
postular em juízo é necessário ter: 
a) somente adequação. 
b) somente legitimidade. 
c) adequação e interesse. 
d) interesse e legitimidade. 
e) adequação e legitimidade. 
Comentários 
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. De acordo com o art. 17 do Código de Processo Civil 
"Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade." 
As alternativas A, B, C e E estão incorretas pois não correspondem às condições da ação previstas no CPC. 
97. (CEFETBAHIA/DPE-BA - 2019) Arnaldo Malbec foi surpreendido em sua residência com a cobrança 
de fatura de cartão de crédito da empresa Processa Cartão Master exigindo o pagamento de anuidade no 
valor de R$ 350,00 (trezentos e cinquenta reais). Irresignado, procura a Defensoria Pública mais próxima 
buscando solucionar seu problema. De acordo com as disposições do Código de Processo Civil sobre a 
jurisdição e a ação, é correto afirmar que 
a) o Defensor Público não poderá ingressar com ação meramente declaratória. 
b) o interesse de Arnaldo Malbec pode se limitar à declaração da existência, da inexistência ou do modo de 
ser de uma relação jurídica. 
c) em casos excepcionais, é possível a ação meramente declaratória, desde que tenha ocorrido a violação do 
direito cuja prova deve ser preconstituída. 
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d) o interesse e a adequação da demanda de Arnaldo Malbec não pode se limitar à declaração da 
autenticidade ou falsidade de documento, pois o Código de Processo Civil exige pedido cominatório. 
e) o interesse de Arnaldo Malbec só poderá ter por objeto a declaração da autenticidade ou falsidade de 
documento se este for público, dado a necessidade de proteção dos valores, símbolos e sinal da 
administração pública. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. De acordo com o art. 20 do CPC: "É admissível a ação meramente declaratória, 
ainda que tenha ocorrido a violação do direito." 
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Nos termos do inciso I do art. 19 do Código de Processo 
Civil: "O interesse do autor pode limitar-se à declaração: da existência, da inexistência ou do modo de ser de 
uma relação jurídica." 
A alternativa C está incorreta. Como visto na transcrição do art. 20 acima, a admissibilidade da ação 
meramente declaratória não é excepcional e não exige violação de direito cuja prova seja pré-constituída. 
A alternativa D está incorreta. O inciso II do art. 19 do Código permite que o interesse do autor se limite à 
declaração da autenticidade ou da falsidade de documento. 
A alternativa E está incorreta. O Código de Processo Civil não faz restrição quanto à natureza pública ou 
privada do documento. 
Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração: 
I - da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica; 
II - da autenticidade ou da falsidade de documento. 
98. (NC-UFPR/Pref Matinhos - 2019) Quanto aos dispositivos do Código de Processo Civil sobre 
jurisdição e ação, assinale a alternativa correta. 
a) O Código de Processo Civil não mais exige que o postulante em juízo tenha interesse e legitimidade. 
b) Em regra, ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio. 
c) É inadmissível a ação meramente declaratória quando haja ocorrido a violação de direito. 
d) Não se admite que o substituído, no caso de substituição processual, intervenha como assistente 
litisconsorcial. 
e) Não é possível que o interesse do autor limite-se à declaração da autenticidade ou da falsidade de 
documento. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. De acordo com o art. 17 do CPC, para postular em juízo é necessário ter 
interesse e legitimidade. 
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A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. A substituição processual só poderá ocorrer nas 
hipóteses autorizadas por lei, como dispõe o caput do art. 18 do Código de Processo Civil: "Ninguém poderá 
pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico." 
A alternativa C está incorreta. Prevê o CPC no art. 20: "É admissível a ação meramente declaratória, ainda 
que tenha ocorrido a violação do direito." 
A alternativa D está incorreta. O Código permite a assistência do substituído no parágrafo único do art. 18: 
"Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como assistente litisconsorcial." 
A alternativa E está incorreta. Nos termos do inciso II do art. 19 do CPC: "O interesse do autor pode limitar-
se à declaração: da autenticidade ou da falsidade de documento." 
99. (INAZ do Pará/CORE-PE - 2019) Em dadas circunstâncias, que decorrem de lei expressa ou do 
sistema jurídico, admite-se que alguém vá a juízo, em nome próprio, para postular ou defender interesse 
alheio. Nesse caso, aquele que figura como parte não é o titular do direito alegado, e o titular não atua 
como sujeito processual. Há aí, portanto, um fenômeno de substituição. Substituto processual é aquele 
que atua como parte, postulando ou defendendo um direito que não é seu, mas do substituto. Essa 
substituição processual é também chamada de legitimidade: 
a) Extraordinária. 
b) Exclusiva. 
c) Ordinária. 
d) Concorrente.e) Invertida. 
Comentários 
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. A legitimidade extraordinária, também chamada de 
substituição processual, ocorre quando o sujeito atuará como parte na ação, mas o direito posto em juízo 
não é seu, mas de um terceiro (substituído). O Código de Processo Civil aborda o tema no art. 18: 
Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado 
pelo ordenamento jurídico. 
Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como 
assistente litisconsorcial. 
As alternativas B, C, D e E estão incorretas pois não apresentam a correta definição do instituto jurídico. 
100. (IBADE/Pref Jaru - 2019) Conforme o atual Código de Processo Civil, a opção certa é: 
a) São condições da ação: legitimidade das partes, interesse de agir, possibilidade jurídica do pedido. 
b) Juiz não resolverá o mérito quando verificar a ausência de pressupostos de constituição e de 
desenvolvimento válido e regular do processo. 
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c) Juízes e os tribunais deverão obedecer à ordem cronológica de conclusão para proferir sentença ou 
acórdão. 
d) Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa ou passivamente, quando 
entre as causas houver conexão pelo pedido, exceto pela causa de pedir, o qual não podem litigar. 
e) Ilícita a cumulação, em um único processo, contra o mesmo réu, de vários pedidos, ainda que entre eles 
haja conexão. 
Comentários 
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. O art. 485, inciso IV, do Código de Processo Civil 
estabelece que o juiz não resolverá o mérito quando verificar a ausência de pressupostos de constituição e 
de desenvolvimento válido e regular do processo. 
A alternativa A está incorreta. De acordo com o art. 17 do CPC, as condições da ação são interesse e 
legitimidade. 
A alternativa C está incorreta. A observância da ordem cronológica não é obrigatória, mas preferencial. Nos 
termos do caput do art. 12 do CPC: "Os juízes e os tribunais atenderão, preferencialmente, à ordem 
cronológica de conclusão para proferir sentença ou acórdão." 
A alternativa D está incorreta. O litisconsórcio, previsto no inciso II do art. 113, permite que duas ou mais 
pessoas litiguem, no mesmo processo, em conjunto, ativa ou passivamente, quando entre as causas houver 
conexão pelo pedido ou pela causa de pedir. 
A alternativa E está incorreta. A previsão do caput do art. 327 é oposta à apresentada na alternativa: "É lícita 
a cumulação, em um único processo, contra o mesmo réu, de vários pedidos, ainda que entre eles não haja 
conexão." 
101. (MPE-GO/MPE-GO - 2019) Em se tratando da função jurisdicional do Estado, disciplinada no Código 
de Processo Civil, é correto afirmar: 
a) O interesse do autor, ao demandar em juízo, pode limitar-se à declaração da existência, da inexistência ou 
do modo de ser de uma relação jurídica, bem como da autenticidade ou da falsidade de documento. 
b) E admissível a ação meramente declaratória, exceto quando tenha ocorrido a violação do direito. 
c) Para postular em juízo é necessário ter interesse, capacidade civil e legitimidade. 
d) Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento 
jurídico. Havendo substituição processual, o substituído não poderá intervir como assistente litisconsorcial. 
Comentários 
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. A alternativa apresenta a disposição contida nos 
incisos I e II do art. 19 do Código de Processo Civil: 
Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração: 
I - da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica; 
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II - da autenticidade ou da falsidade de documento. 
A alternativa B está incorreta. De acordo com o art. 20 do Código: "É admissível a ação meramente 
declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação do direito." 
A alternativa C está incorreta. Nos termos do art. 17 do CPC: "Para postular em juízo é necessário ter 
interesse e legitimidade." 
A alternativa D está incorreta. O parágrafo único do art. 18 permite que o substituído intervenha como 
assistente litisconsorcial: "Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como assistente 
litisconsorcial." 
102. (IBFC/EMDEC - 2019) As normas sobre jurisdição e ação são abordadas pelo Código de Processo 
Civil de 2015. Sobre o assunto, analise as afirmativas abaixo. 
I. Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade. 
II. Caso tenha ocorrido violação de direito, não é possível ação meramente declaratória. 
III. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento 
jurídico. 
Assinale a alternativa correta. 
a) As afirmativas I, II e III estão corretas 
b) Apenas as afirmativas I e II estão corretas 
c) Apenas as afirmativas II e III estão corretas 
d) Apenas as afirmativas I e III estão corretas 
Comentários 
Vejamos cada uma das afirmativas: 
A afirmativa I está correta. Trata-se do art. 17 do CPC: "Para postular em juízo é necessário ter interesse e 
legitimidade." 
A afirmativa II está incorreta. A ação meramente declaratória é possível mesmo quando ocorre a violação do 
direito. Trata-se do art. 20 do Código: "É admissível a ação meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido 
a violação do direito." 
A afirmativa III está correta. Nos termos do caput do art. 18 do CPC: "Ninguém poderá pleitear direito alheio 
em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico." 
Portanto, a alternativa D está correta e é o gabarito da questão. 
103. (IBFC/SMASDH Cuiabá - 2019) Sustentam-se, ainda, as teorias de Chiovenda e Carnelutti, segundo 
as quais, respectivamente, a jurisdição tem a função de atuar a vontade concreta da lei e de que o juiz cria 
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a norma individual para o caso concreto. Sobre a jurisdição e a ação, analise as afirmativas abaixo e dê 
valores Verdadeiro (V) ou Falso (F). 
( ) Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade. 
( ) O Código de Processo Civil não autoriza que alguém possa pleitear direito alheio em nome próprio. 
( ) O interesse do autor precisa ir além da autenticidade ou da falsidade de documento. 
( ) É admissível a ação meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação do direito 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo. 
a) V, F, V, F 
b) F, F, V, V 
c) V, F, F, V 
d) F, V, F, V 
Comentários 
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. Vamos às alternativas: 
A afirmativa I é verdadeira. De acordo com o art. 17 do Código de Processo Civil: "Para postular em juízo é 
necessário ter interesse e legitimidade." 
A afirmativa II é falsa. O caput do art. 18 do CPC estabelece que ninguém poderá pleitear direito alheio em 
nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. 
A afirmativa III é falsa. O inciso II do art. 19 do Código prevê que o interesse do autor pode limitar-se à 
declaração da autenticidade ou da falsidade de documento. 
A afirmativa IV é verdadeira. Nos termos do art. 20 do CPC: "É admissível a ação meramente declaratória, 
ainda que tenha ocorrido a violação do direito." 
104. (IDCAP/CM Boa Esperança - 2019) De acordo com o Código de Processo Civil, assinale a alternativa 
correta sobre a cooperação internacional: 
a) Na cooperação jurídica internacional será admitidaa prática de atos que contrariem ou que produzam 
resultados incompatíveis com as normas fundamentais que regem o Estado brasileiro. 
b) A cooperação jurídica internacional não precisa observar a espontaneidade na transmissão de 
informações a autoridades estrangeiras. 
c) A cooperação jurídica internacional não tem como objeto a citação, intimação e notificação judicial e 
extrajudicial. 
d) O Ministério da Justiça exercerá as funções de autoridade central na ausência de designação específica. 
e) Na ausência de tratado, a cooperação jurídica internacional nunca poderá realizar-se com base em 
reciprocidade, mesmo que manifestada por via diplomática. 
Comentários 
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A alternativa A está incorreta. O Código, no §3º do art.26, prevê que na cooperação jurídica internacional 
não será admitida a prática de atos que contrariem ou que produzam resultados incompatíveis com as 
normas fundamentais que regem o Estado brasileiro. 
A alternativa B está incorreta. O inciso V do art. 26 do CPC estabelece que a cooperação jurídica internacional 
será regida por tratado de que o Brasil faz parte e observará a espontaneidade na transmissão de 
informações a autoridades estrangeiras. 
A alternativa C está incorreta. De acordo com o inciso I do art. 27 do Código: "A cooperação jurídica 
internacional terá por objeto: citação, intimação e notificação judicial e extrajudicial." 
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. Nos termos do §4º do art. 26 do Código de Processo 
Civil: "O Ministério da Justiça exercerá as funções de autoridade central na ausência de designação 
específica." 
A alternativa E está incorreta. A previsão do §1º do art. 26 do CPC é oposta à apresentada pela alternativa: 
"Na ausência de tratado, a cooperação jurídica internacional poderá realizar-se com base em reciprocidade, 
manifestada por via diplomática." 
105. (MPE-GO/MPE-GO - 2019) Segundo as normas que definem os limites da jurisdição em nosso 
ordenamento processual civil, pode-se afirmar que: 
a) Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações de alimentos quando o réu mantiver 
vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento de renda ou obtenção de benefícios 
econômicos. 
b) Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que o réu, qualquer que 
seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil, sendo que, no caso de pessoa jurídica, considera-se 
domiciliada no Brasil aquela que nele tiver sua sede principal. 
c) Compete subsidiariamente à autoridade judiciária brasileira conhecer de ações relativas a divórcio, 
separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à partilha de bens situados no Brasil, quando o 
titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional. 
d) A ação proposta perante tribunal estrangeiro induz litispendência e obsta a que a autoridade judiciária 
brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas, ressalvadas as disposições em contrário de 
tratados internacionais e acordos bilaterais em vigor no Brasil. A pendência de causa perante a jurisdição 
brasileira impede a homologação de sentença judicial estrangeira quando exigida para produzir efeitos no 
Brasil. 
Comentários 
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Trata-se da previsão do art. 22, I, alínea "b" do Código 
de processo Civil: "Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações de alimentos, 
quando o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento de renda ou 
obtenção de benefícios econômicos." 
A alternativa B está incorreta. O parágrafo único do art. 21 não exige que seja a sede principal: "Para o fim 
do disposto no inciso I, considera-se domiciliada no Brasil a pessoa jurídica estrangeira que nele tiver agência, 
filial ou sucursal." 
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A alternativa C está incorreta. A competência, como prevê o art. 23 do CPC, é exclusiva da autoridade 
judiciária brasileira: 
Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra: 
III - em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à partilha de 
bens situados no Brasil, ainda que o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha 
domicílio fora do território nacional. 
A alternativa D está incorreta. Nos termos do caput do art.24 do CPC: "A ação proposta perante tribunal 
estrangeiro não induz litispendência e não obsta a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma 
causa e das que lhe são conexas, ressalvadas as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos 
bilaterais em vigor no Brasil." 
106. (NC-UFPR/Prefeitura de Curitiba-PR - 2019) O Código de Processo Civil de 2015 dedicou um capítulo 
ao tema da cooperação internacional, sendo esta entendida como “o conjunto de técnicas que permitem 
a dois Estados colaborar entre si em prol do cumprimento fora de seus territórios de medidas judiciais 
requeridas por um deles” (BUENO, 2015). Sobre a cooperação internacional no Código de Processo Civil, 
assinale a alternativa correta. 
a) Na homologação de sentença estrangeira, a cooperação jurídica internacional, na ausência de tratado, 
será realizada com base na reciprocidade entre os países. 
b) Além dos casos previstos em tratados de que o Brasil faz parte, o auxílio direto poderá ter por objeto 
obtenção e prestação de informações sobre o ordenamento jurídico e sobre processos administrativos em 
curso. 
c) Compete ao juízo federal do lugar em que deva ser executada a medida apreciar pedido de auxílio direto 
passivo que demande prestação de atividade jurisdicional. 
d) O procedimento da carta rogatória perante o Superior Tribunal de Justiça é de jurisdição voluntária e deve 
assegurar às partes a garantia do devido processo legal. 
e) O Superior Tribunal de Justiça exercerá as funções de autoridade central para a distribuição e recepção 
dos pedidos enviados ao Brasil na ausência de designação específica. 
Comentários 
A questão foi anulada pela banca pois possui duas alternativas corretas. 
A assertiva A está incorreta, pois a cooperação internacional, caso não haja tratado, será realizada com base 
na reciprocidade. Contudo, para a homologação da sentença estrangeira, não se exige a reciprocidade. 
Confira a redação do art. 26, § 1º e 2º CPC: 
§1º Na ausência de tratado, a cooperação jurídica internacional poderá realizar-se com 
base em reciprocidade, manifestada por via diplomática. 
§2º Não se exigirá a reciprocidade referida no § 1º para homologação de sentença 
estrangeira. 
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A alternativa B está correta, porque o auxílio direto pode ter por objeto processos administrativos e 
jurisdicionais em curso ou findos. Veja a redação do CPC: 
Art. 30. Além dos casos previstos em tratados de que o Brasil faz parte, o auxílio direto terá 
os seguintes objetos: 
I - obtenção e prestação de informações sobre o ordenamento jurídico e sobre processos 
administrativos ou jurisdicionais findos ou em curso; 
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão, pois, de acordo com o art. 34 do CPC, compete ao 
juízo federal do lugar em que deva ser executada a medida apreciar pedido de auxílio direto passivo que 
demande prestação de atividade jurisdicional. 
A assertiva D está incorreta, pois o procedimento da carta rogatória perante o STJ é de jurisdição 
contenciosa. Confirapedido. Não há coisa julgada material 
quando temos tutelas provisórias, cuja decisão se dá dentro de uma margem de probabilidade. A 
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coisa julgada material pressupõe o desenvolvimento de um procedimento em contraditório, no qual 
as partes levaram para os autos todos os seus argumentos, provas, alegações e defesa. Após, será 
possível ao juízo conhecer profundamente da causa e decidir. 
Para que possamos deixar esse ponto bastante claro: 
Os dois últimos requisitos podem deixar de existir, concorda? 
Podemos ter procedimentos encerrados sem julgamento de mérito, como é o caso de extinção do processo 
por vício processual não corrigido pela parte. 
Do mesmo modo, é possível, em tutela provisória de urgência, a antecipação da decisão de mérito; contudo, 
em cognição sumária. 
Nesses dois casos, não teremos coisa julgada material. Somente teremos coisa julgada material quando 
houver o trânsito em julgado, com decisão do mérito em cognição exauriente. 
 
Além das características acima descritas, podemos encontrar, a depender da doutrina que estudarmos, 
outras características. Dada a nossa pretensão de fazer um estudo amplo, vamos continuar a listá-las: 
F) atuação no caso concreto: 
Caracteriza-se a jurisdição por atuar quando há um conflito de interesses concretamente existente na 
sociedade em decorrência de uma pretensão resistida. 
Essa característica é importante, contudo, não é imprescindível. Por exemplo, nos processos do controle 
concentrado de constitucionalidade (que são processos cíveis), não temos um conflito, não há um caso 
concreto, não temos uma pretensão resistida. Nessas ações a pretensão é verificar a compatibilidade da lei 
infraconstitucional com a Constituição Federal. Logo, nem sempre o exercício da jurisdição se dará em um 
determinado caso concreto. 
Além disso, a jurisdição poderá se debruçar sobre uma situação concreta, mesmo que em determinadas 
situações não tenhamos propriamente um conflito. Isso ocorre, por exemplo, quando a pessoa busca a 
naturalização ou retificação do registro civil. Nesses dois casos teremos a necessidade de formação de um 
processo (de jurisdição voluntária), mas não há conflito, não há uma pretensão resistida. Haverá apenas 
exigência feita pela lei de que um juiz atue naquele caso para verificar a possibilidade de o sujeito adquirir a 
nacionalidade brasileira, pelo preenchimento dos requisitos constitucionais, ou a possibilidade de a pessoa 
alterar o seu assento civil, por algum equívoco, por exemplo. 
G) ausência de controle externo (imutabilidade ou reserva de sentença): 
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O controle sobre a atividade judicial ocorre apenas internamente, como, por exemplo, por intermédio dos 
recursos. Não há controle por outros poderes da função jurisdicional. 
Ao contrário, o Poder Executivo submete-se ao controle externo pelo Poder Legislativo e este submete-se 
ao controle externo por intermédio dos Tribunais de Contas. Registre-se que o controle por intermédio das 
Corregedorias ou pelo CNJ são formas internas de controle do Poder Judiciário. 
Com o trânsito em julgado da sentença (leia-se: quando não couber mais recursos), não é possível mais 
modificar o que foi decidido, conferindo-se definitividade à decisão judicial. Essa imutabilidade não se aplica 
apenas em relação aos demais poderes, mas também ao Poder Judiciário. 
H) atividade criativa: 
Ao contrário do que se afirmou durante muito tempo, o juiz não apenas aplica a lei ao caso concreto. Para 
construir uma decisão no caso concreto, busca fundamento no conjunto de normas do nosso ordenamento 
jurídico, criando a norma jurídica do caso concreto. 
Nesse sentido, o juiz não é mero aplicador de normas: é também criador. 
Em um primeiro momento, a atividade criativa do juiz é extraída da interpretação que ele faz do 
ordenamento jurídico. Essa decisão torna-se precedente. A partir daí, temos, à luz da sistemática dos 
precedentes no CPC, uma norma geral a ser aplicada em futuros casos concretos similares. Dito de outro 
modo, temos uma norma geral criada pelo magistrado a partir do caso concreto. Trata-se, de certo modo, 
da ampliação da técnica criativa do juiz. 
No entanto, há quem critique a concepção de que o juiz exerce atividade criativa. Afirma-se, assim, que o 
juiz não poderia criar normas gerais, uma vez que essa tarefa é atribuída ao Poder Legislativo. Contudo, é 
importante notar que a atividade do juiz parte da interpretação que ele faz do ordenamento jurídico, ao qual 
está vinculado. 
Encerramos, com isso, as características da jurisdição. Vejamos uma questão: 
 
(TRF3ªR - 2019) Sobre a jurisdição é CORRETO afirmar que: 
a) Ela é invariavelmente uma atividade estatal a cargo do Poder Judiciário. 
b) Seu escopo social é a pacificação mediante a eliminação dos conflitos. 
c) Seu escopo jurídico abrange a descoberta da verdade e a formação da coisa julgada material. 
d) Ela é sempre uma atividade voltada à atuação do direito objetivo em concreto. 
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A questão oferece uma excelente oportunidade para revisarmos as características da jurisdição e merece ser 
analisada item por item: 
A alternativa A afirma que a jurisdição é invariavelmente exercida pelo Poder Judiciário. Como vimos, a 
Constituição Federal confere ao Poder Judiciário, como função típica, o exercício da jurisdição. No entanto, 
os demais poderes podem exercer atipicamente a jurisdição, como é o caso dos tribunais administrativos do 
Poder Executivo (o CADE é um bom exemplo) e do Poder Legislativo (um exemplo recente é a competência 
do Senado Federal para julgar o Presidente da República por crime de responsabilidade). Assim, a alternativa 
A resta incorreta. 
A alternativa B está correta, pois afirma que o escopo social da jurisdição é a pacificação mediante a 
eliminação dos conflitos. Como vimos, esse é um dos fins precípuos da atividade jurisdicional. Para refrescar 
sua memória, relembre esta citação do doutrinador Daniel Amorim Assumpção Neves: “A jurisdição pode 
ser entendida como a atuação estatal visando à aplicação do direito objetivo ao caso concreto, resolvendo-
se com definitividade uma situação de crise jurídica e gerando com tal solução a pacificação social”5. 
Como você já deve saber, o escopo jurídico da jurisdição é a correta aplicação do ordenamento jurídico, da 
“vontade do direito”6, resolvendo a “lide jurídica”. Incorreta, portanto, a alternativa C. 
Diferentemente do que afirma a alternativa D, a jurisdição nem sempre é voltada à atuação do direito 
objetivo em concreto, isto é, para a resolução de situações de crise jurídica, como vimos anteriormente. Há 
também uma série de procedimentos de jurisdição voluntária, que visam a integrar a vontade humana, 
tornando-a apta para produzir efeitos jurídicos. Essa matéria será estudada com mais profundidade no item 
que discute as espécies de jurisdição. A alternativa D, portanto, é incorreta. 
Confira outra questão: 
(TCU - 2015) No que concerne aos princípios processuais e à jurisdição, julgue o item que se segue. 
Na jurisdição contenciosa, o Estado, em substituição às partes, resolve a lide submetida a sua apreciação, 
sendo inadmitida, após a instauração do processo contencioso, a composição entre as partes. 
Comentários 
A questão toca em dois pontos importantes. Em primeiro lugar, é importante recordamos a função 
substitutiva da jurisdição; por meio da decisão do juiz, substitui-se a vontade das partes, de modo ao art. 36, do CPC: 
Art. 36. O procedimento da carta rogatória perante o Superior Tribunal de Justiça é de 
jurisdição contenciosa e deve assegurar às partes as garantias do devido processo legal. 
A alternativa E está errada, porque o Ministério da Justiça exercerá as funções de autoridade central para a 
distribuição e recepção dos pedidos enviados ao Brasil na ausência de designação específica. Confira o art. 
26, § 4º, CPC: 
§4º O Ministério da Justiça exercerá as funções de autoridade central na ausência de 
designação específica. 
107. (NC-UFPR/TJ-PR - 2019) A ação é considerada um direito público, subjetivo e abstrato de provocar 
a jurisdição. Assim, todos têm o direito de ingressar em juízo, mas só aqueles que preenchem as condições 
da ação têm direito a uma decisão de mérito. Com relação aos elementos e às condições da ação, 
identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas: 
( ) A causa de pedir, um dos elementos da ação, se desdobra em causa de pedir próxima (a descrição dos 
fatos da causa) e causa de pedir remota (os fundamentos jurídicos da demanda). 
( ) Interesse e legitimidade são condições para se postular em juízo. 
( ) Legitimado ordinário para a ação é aquele que pleiteia em juízo, em seu próprio nome, direito de que se 
considera titular. 
( ) Entre os elementos da ação está o pedido, que se desdobra em imediato (a providência requerida) e 
mediato (o bem da vida que se quer tutelar). 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. 
a) F – V – V – V. 
b) V – V – F – V. 
c) F – V – F – V. 
d) V – F – V – F. 
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e) V – F – F – F. 
Comentários 
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. 
A primeira assertiva está incorreta. A causa de pedir próxima é a fundamentação jurídica, enquanto a causa 
de pedir remota representa os fatos da causa. 
Contudo, cumpre destacar que a questão é controversa. Sobre o tema, transcrevemos trecho do livro do 
Daniel Assumpção: 
A distinção entre causa de pedir remota e causa de pedir próxima merece um comentário. 
Sem nenhuma justificativa de suas opções, a doutrina concorda que as “duas causas de 
pedir” designam os dois elementos constitutivos da causa de pedir (fato e fundamento 
jurídico), mas, ao determinar qual causa de pedir designa qual elemento, a confusão 
impera. Para alguns, a causa de pedir próxima são os fundamentos jurídicos do pedido, 
enquanto a causa de pedir remota são os fatos constitutivos. Para outros, é exatamente o 
contrário: causa de pedir próxima são os fatos e causa de pedir remota são os fundamentos 
do pedido, sendo nesse sentido o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Sem 
grandes consequências práticas, a divergência exaure sua importância no campo 
doutrinário, mas em minha concepção pessoal a causa de pedir próxima são fatos e a causa 
de pedir remota é o fundamento jurídico, porque é dos fatos que decorrem os 
fundamentos jurídicos. 
Deste modo, esta alternativa, em nossa opinião, deveria ser anulada, visto que há total dissonância 
doutrinária sobre o tema. Mas, para justificar o gabarito, a banca adotou o entendimento de que a causa de 
pedir próxima representa os fundamentos jurídicos e a causa de pedir remota representa os fatos. 
A segunda assertiva está correta, pois, de acordo com o art. 17, do CPC, para postular em juízo é necessário 
ter interesse e legitimidade. Logo, estas são as condições da ação. 
A terceira alternativa está certa. A legitimação ordinária é a regra do nosso sistema jurídico e significa que 
somente o titular do direito alegado pode pleitear em nome próprio seu próprio interesse. Neste sentido, o 
CPC: 
Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado 
pelo ordenamento jurídico. 
A quarta alternativa está correta. O pedido pode ser analisado sob a ótica processual, conhecido como 
pedido imediato, representando a providência jurisdicional pretendida (p.e.: condenação, constituição, mera 
declaração) e sob a ótica material, conhecido como pedido mediato, representado pelo bem da vida 
perseguido, ou seja, o resultado prático (vantagem no mundo prático) que o autor pretende obter com a 
demanda judicial. 
108. (NC-UFPR/ITAIPU BINACIONAL - 2019) Sobre a competência do Poder Judiciário brasileiro, 
identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas: 
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( ) A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência e não obsta a que a autoridade 
judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas, ressalvadas as disposições em 
contrário de tratados internacionais e acordos bilaterais em vigor no Brasil. 
( ) Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que o réu, qualquer que seja a 
sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil. 
( ) Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que no Brasil tiver de ser 
cumprida a obrigação. 
( ) Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra, conhecer de ações relativas 
a imóveis situados no Brasil. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. 
a) F – F – V – F. 
b) V – F – V – F. 
c) V – V – V – V. 
d) F – V – F – V. 
e) F – V – F – F. 
Comentários 
A alternativa C é a correta e gabarito da questão, pois as todas as assertivas estão corretas. Vejamos cada 
uma objetivamente: 
(V) – A assertiva está correta, pois corresponde à literalidade do CPC: 
Art. 24. A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência e não obsta 
a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas, 
ressalvadas as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos bilaterais em 
vigor no Brasil. 
(V) – A alternativa está correta, porque, pela redação do art. 21, I, do CPC, compete à autoridade judiciária 
brasileira processar e julgar as ações em que o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado 
no Brasil. 
(V) – A assertiva está correta, pois está em consonância com o que prevê o CPC: 
Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que: 
[...] 
II - no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação; 
(V) – A alternativa está certa, pois é a transcrição do CPC: 
Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra: 
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I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil; 
109. (TRF-3/TRF-3 - 2018) Sobre a jurisdição é CORRETO afirmar que: 
a) Ela é invariavelmente uma atividade estatal a cargo do Poder Judiciário. 
b) Seu escopo social é a pacificação mediante a eliminação dos conflitos. 
c) Seu escopo jurídico abrange a descoberta da verdade e a formação da coisa julgada material. 
d) Ela é sempre uma atividade voltada à atuação do direito objetivo em concreto. 
Comentários 
Vamos analisar cada alternativa. 
A alternativa A está incorreta. A jurisdição é atividade estatal não exclusiva. Além do Estado, para doutrina 
majoritária, a jurisdição é também exercida por árbitros, hipótese de jurisdição não estatal29. 
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. De acordo com a doutrina de Cândido Rangel um dos 
principais escopos da juridição é a pacificação social. Assim, a eliminação de confitos com justiça é a razão 
de existir do processo civil. 
A alternativa C está incorreta.dar fim 
ao conflito. Apesar disso, a asserção da questão está errada. O art. 3º, §2º, CPC, incentiva a resolução 
consensual de conflitos, inclusive, como acrescenta o §3º, no curso do processo. 
2.2 - Princípios 
Esse é um tema aberto, mas frequente em prova. Aberto porque cada doutrinador adota, em maior ou 
menor grau, um conjunto de princípios e características próprios. Dada a amplitude que podemos observar 
em concursos jurídicos, analisaremos os princípios mais comuns da jurisdição. São eles: 
 
5 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. 10ª ed. Salvador: Editora Juspodivm, 2018, p. 59. 
6 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. 10ª ed. Salvador: Editora Juspodivm, 2018, p. 79. 
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Vamos analisar cada um em separado? 
Princípio da investidura 
O princípio da investidura envolve a transmissão do poder jurisdicional ao juiz, que exercerá a atividade 
jurisdicional. Vale dizer que o princípio implica a necessidade de que a jurisdição seja exercida pela pessoa 
legitimamente investida na função jurisdicional. Em nosso ordenamento, confere-se a prerrogativa de 
exercer essa função aos magistrados, que podem ser investidos no cargo por intermédio de concurso público 
ou por indicação (por exemplo, quinto constitucional). 
 
Nesse ponto, é relevante fazer um esclarecimento conceitual: juiz e juízo são termos distintos. 
Pelas regras de competência, temos a definição dos juízos (por exemplo, juízo cível da comarca de Cascavel, 
juízo de Fazenda Pública da comarca de Curitiba). A partir da organização dos juízos, haverá atribuição a um 
juiz, a ser investido no cargo naquele juízo (ou juízos) em determinada comarca. Assim, o juízo sempre estará 
lá (exceto se lei de organização judiciária suprimir o órgão judiciário), mas o juiz investido da jurisdição 
poderá variar, seja porque se aposenta, porque é promovido, etc. 
A ausência da investidura acarreta o vício da inexistência jurídica. Não há, portanto, processo. 
Princípio da territorialidade 
O princípio da territorialidade é conhecido também como princípio da aderência ao território. 
A jurisdição é exercida dentro dos limites territoriais brasileiros e com observância das regras de 
competência territorial, que buscam distribuir a função jurisdicional entre os diversos juízos. Trata-se da 
delimitação da jurisdição dentro de uma circunscrição territorial. 
Importante esclarecer que a fixação da jurisdição nacional (concorrente ou exclusiva) está relacionada ao 
estudo desse princípio. Não é o momento de estudarmos as regras do CPC, mas a partir do art. 21 do CPC 
investidura territorialidade indelegabilidade inevitabilidade
inafastabilidade juiz natural
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temos regras relacionadas à delimitação da jurisdição nacional. A partir de critérios como soberania, 
interesse e efetividade, o legislador fixou os limites territoriais para atuação do Poder Judiciário. 
Há situações em que mesmo se tratando de caso que possa ser analisado por juízos no Brasil (e, portanto, 
dentro da nossa jurisdição), não é descartada a possibilidade de decisão dada por juízo estrangeiro. São os 
casos em que a jurisdição nacional concorre com a internacional e cujas hipóteses estão disciplinadas nos 
arts. 21 e 22 do CPC. 
Por outro lado, temos situações em que a jurisdição nacional será exclusiva (art. 23, CPC). Nesse caso, a 
decisão do juízo estrangeiro, por questões de soberania, não produz qualquer efeito em nosso território. 
Uma vez fixada a jurisdição nacional, que leva em consideração a territorialidade, passamos a organizá-la, o 
que se dará pela definição do foro, tarefa das regras de competência territorial. Assim, um juiz terá atuação 
dentro da jurisdição nacional em um espaço territorial delimitado, ou seja, dentro de uma área de 
competência. Caso necessite da prática de ato fora dos limites territoriais do foro, deverá utilizar dos 
mecanismos de cooperação (internos ou internacionais). Assim, por exemplo, se determinado juiz necessitar 
ouvir testemunha que resida em outra comarca, deverá requerer cooperação por intermédio de carta 
precatória. Agora, se a pretensão for obter documento que esteja em poder de uma empresa, cujo 
estabelecimento esteja fora do país, haverá requerimento de cooperação por carta rogatória. 
 
Vamos aproveitar os exemplos acima diferenciar melhor a carta precatória da carta rogatória, à luz dessa 
característica. 
Como sabemos, a carta precatória envolve a falta de competência territorial do juízo, por intermédio da qual 
o juízo pede auxílio ao juízo efetivamente competente para que seja praticado determinado ato processual. 
No caso da carta rogatória, temos um ato de cooperação internacional no qual a ausência é de jurisdição, 
não de competência. Como vimos, a territorialidade define que a jurisdição é exercida dentro dos limites 
territoriais brasileiros. No caso da prática de ato processual na Argentina, estamos fora dos limites territoriais 
brasileiros e, portanto, da jurisdição nacional. Logo, nesse caso não há ausência de competência territorial, 
mas de jurisdição, propriamente. 
Feito isso, confira a questão abaixo: 
(CORE-PE - 2019) Não se deve confundir a função jurisdicional com a administrativa. Só a jurisdição busca 
solucionar os conflitos de interesse aplicando a lei ao caso concreto e somente ela produz decisões de 
caráter definitivo. Tradicionalmente, a doutrina menciona quatro princípios inerentes à jurisdição; entre 
eles está o princípio do (a): 
a) competência, na qual aponta que somente um juiz ou promotor de justiça pode exercer a jurisdição. 
b) aderência ao território, no qual os juízes só têm autoridade dentro do território nacional. 
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c) delegabilidade, que norteia a condição de delegação de responsabilidade jurídica apenas aos magistrados. 
d) afastabilidade, que indica a negação de culpabilidade ao Estado sobre qualquer ato ilícito no processo. 
e) unanimidade, indicando que os juízes e promotores de justiça devem tomar decisões uniformes. 
Comentários 
Conforme vimos, a correta é a alternativa B, que descreve corretamente o princípio da aderência ou 
territorialidade. 
Princípio da indelegabilidade 
O princípio da indelegabilidade é um dos mais relevantes em provas, podendo ser analisado sob duas 
perspectivas: a) externa; e b) interna. 
Pela perspectiva externa, o princípio da indelegabilidade remete à ideia de que o Poder Judiciário 
não poderá outorgar a sua competência a outros poderes. Dito de forma simples, não pode o Poder 
Judiciário delegar a atribuição de julgar os processos aos poderes Executivo ou Legislativo. 
Pela perspectiva interna, o princípio da indelegabilidade entende que a jurisdição é fixada por 
intermédio de um conjunto de normas gerais, abstratas e impessoais, não sendo admissível a 
delegação da competência para julgar de um Juiz para outro. 
Existem exceções ao princípio da indelegabilidade? Seria o caso da carta precatória? 
Cuidado para não confundir esse assunto! 
 
Existem duas exceções, sim! 
Você perceberá que as duas exceções se dão de forma vertical por intermédio do qual o órgão jurisdicional 
de maior grau determina que haja prática de ato ou atos processuais por órgão jurisdicional de menor 
grau: do tribunal para o juízo de primeiro grau. 
Além disso, justifica-se essa delegação por falta de estrutura do Tribunal. 
1ª exceção: carta de ordem determinando a prática de atosde instrução em caso de ações originárias 
de segundo grau. 
Em regra, o processo inicia-se perante o primeiro grau de jurisdição. Contudo, em determinadas 
situações (foro por prerrogativa de função, ação rescisória), o processo pode iniciar o trâmite 
diretamente perante um Tribunal, ou seja, diretamente na segunda instância. Lembre-se de que essa 
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hipótese é excepcional, pois a principal função da segunda instância é julgar os recursos das decisões 
de primeiro grau, no exercício do duplo grau de jurisdição e uniformização da jurisprudência. 
De todo modo, em relação a essas ações originárias de segundo grau, quando necessária a prática de 
determinado ato instrutório – como a oitiva de uma testemunha –, o Tribunal (ou melhor, o relator 
do processo no Tribunal) poderá delegar, por uma carta de ordem, a prática desse ato pelo 
magistrado de primeiro grau. Nesse caso, temos uma exceção ao princípio da indelegabilidade. 
2ª exceção: execução dos julgados do STF pelo Juiz de primeiro grau por intermédio de carta de 
ordem. 
Novamente temos a determinação ao magistrado de primeiro grau para que proceda à execução das 
decisões dadas pelo Supremo Tribunal Federal, devido ao fato de que esse órgão não detém estrutura 
suficiente para exercer a função executória. Essa hipótese de exceção ao princípio da indelegabilidade 
está prevista no art. 102, I, m, da CF. 
E a carta precatória? 
A expedição de carta precatória não constitui exceção ao princípio da indelegabilidade, mas ato de 
cooperação processual. Em razão das regras de competência territorial, o Juiz deprecante (quem expede a 
carta) não tem competência para a prática do ato. Quem possui a competência é o Juiz deprecado (quem 
recebe a carta). Portanto, o magistrado pede auxílio ao juiz verdadeiramente competente para a prática de 
um ato processual que possa instruir o processo. Veja que, ao contrário do que podemos ser levados a crer, 
a carta precatória confirma o princípio da indelegabilidade. 
Princípio da inevitabilidade 
A jurisdição é inevitável, de modo que as partes estão vinculadas ao processo judicial e em estado de 
sujeição. Didaticamente, distingue a inevitabilidade em dois momentos: 
1º momento: vinculação das partes ao processo judicial. 
A parte tem a prerrogativa de ingressar com a ação judicial, demovendo o Poder Judiciário da inércia. 
Uma vez provocada e formada a relação jurídico-processual, não é possível negar (evitar) a decisão 
judicial, ainda que a parte ou as partes não concordem com a decisão. 
A vinculação do autor se dá com o ajuizamento, do réu com a citação. O autor propõe a ação e o réu, 
ao ser citado, é integrado à lide, de modo que ambas as partes nesse momento estão vinculadas à 
jurisdição. 
2ª momento: estado de sujeição à decisão judicial. 
Uma vez movimentado o Poder Judiciário, as partes vinculam-se automaticamente ao Poder 
Judiciário, sujeitando-se aos efeitos da decisão da jurisdição. 
Em síntese, o princípio da inevitabilidade impõe às partes a vinculação ao processo e a sujeição aos efeitos 
da decisão judicial. 
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(COPS-UEL - 2015) Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o nome do princípio inerente à 
jurisdição, o qual estabelece que as partes hão de submeter-se ao quanto decidido pelo órgão jurisdicional. 
a) Da indelegabilidade. 
b) Da inerência. 
c) Da inevitabilidade. 
d) Da investidura. 
e) Da territorialidade. 
Comentários 
Está correta é alternativa C. O princípio da inevitabilidade estabelece que as partes devem se submeter à 
decisão do órgão jurisdicional, que é, afinal, ordem estatal, e não pode ser resistida. 
Princípio da inafastabilidade 
O princípio da inafastabilidade da atuação jurisdicional está consagrado no art. 5º, XXXV, da CF, além de estar 
exposto no CPC como uma normal fundamental, no art. 3º. 
Esse princípio também é conhecido como princípio da indeclinabilidade da jurisdição. 
A síntese do princípio se resume à seguinte afirmação: 
A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de lesão a direito. 
A inafastabilidade se manifesta, de acordo com a doutrina7, de várias formas. Entre elas, destaca-se o fato 
de que apenas o Poder Judiciário, entre os demais poderes, exercer a função jurisdicional. Além disso, não 
são admitidos condicionamentos para submissão de processos perante o Poder Judiciário. 
Cumpre aqui ressaltar que o princípio da inafastabilidade é complementado por alguns aspectos 
importantes: 
1º aspecto: relação entre contencioso judicial e administrativo. 
Muito embora seja possível buscar administrativamente a solução de determinado conflito, essa via 
não é necessária, muito menos impeditiva do acesso ao Poder Judiciário. 
Assim, a pessoa interessada poderá, ou não, valer-se da via administrativa e, além disso, após a 
decisão administrativa, independentemente do resultado, poderá decidir pelo ingresso para 
rediscussão da mesma matéria na esfera judicial. 
 
7 WAMBIER, Luiz Rodrigues. Curso Avançado de Processo Civil: teoria geral do processo. Vol. 1, 16ª edição, reformulada e 
ampliada de acordo com o novo CPC, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 111. 
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Há, contudo, exceções. São situações apontadas pela doutrina como de contencioso administrativo 
necessário. Dito de outro modo, antes de você buscar o Poder Judiciário dever ter ao menos tentado 
a solução administrativa: 
1ª) necessidade de esgotamento administrativo na “justiça desportiva” em face da exceção 
prevista no art. 217, §1º, da CF; 
Embora esteja nominada como “justiça desportiva”, não se trata de órgão do Poder Judiciário, 
mas órgão administrativo, responsável por decidir questões relativas à prática de esportes 
(por exemplo, justiça na aplicação de uma penalidade a jogador). De todo modo, somente 
será admissível ação relativa à disciplina e competições desportivas após decisão 
administrativa da “justiça desportiva”. 
2ª) admissibilidade do habeas data apenas após a caracterização da recusa administrativa 
(Súmula STJ 2); 
No segundo caso, a via administrativa é fundamental para que haja interesse de agir da parte. 
Ou seja, somente é possível ajuizar ação de habeas data caso haja negativa administrativa em 
se conceder acesso às informações ou retificações de dados pretendida. Antes disso, não há 
como ajuizar a ação constitucional. Diz-se assim que a via administrativa constitui a lide. 
Se o habeas data constitui instrumento jurídico para que você tenha acesso a dados e 
informações pessoais que estão em posse do Estado, você somente poderá utilizar a ação caso 
tenha dificuldade em acessá-las. É direito de qualquer cidadão tomar conhecimento sobre o 
que os poderes públicos sabem ou afirmam saber sobre ele. Assim, deverá requerer 
administrativamente a esse órgão. Caso negada a informação, haverá interesse em propor 
uma demanda judicial para fazer valer esse direito, o que se faz por intermédio do habeas 
data. 
3ª) benefício previdenciário junto ao INSS; 
Para pleitear em juízo determinado benefício previdenciário, o STF8 equacionou a questão 
para firmar a necessidade de existir a recusa do INSS (ou mora superior a 30 dias, como espécie 
de recusa tácita) para que haja interesse de agir. Também se configura a hipótese de recusa 
quando a tese jurídica para obtenção do benefício previdenciário for notoriamente rejeitada 
pela autarquia federal. 
Essas as três exceções nas quais o contencioso administrativoé necessário ou deve preceder 
a ação judicial. Sigamos com os demais aspectos importantes do princípio da inafastabilidade. 
2º aspecto: acesso à ordem jurídica justa. 
A tutela jurisdicional que é dita inafastável deve ser aquela capaz de efetivamente tutelar o interesse 
da parte, deve ser prestada de forma satisfativa, justa. A ideia aqui é simples: não se presta a tutela 
 
8 RE 631.240, Rel. Min. Roberto Barroso, Tribunal Pleno, DJe 7/11/2014. 
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jurisdicional pela simples decisão judicial. Faz necessário observar, por intermédio do Poder 
Judiciário, o acesso à ordem jurídica justa, capaz de resolver o problema e por em prática a solução 
dada pelo juízo. 
Por conta disso, pretende-se criar um sistema processual que concretize a promessa da 
inafastabilidade, por meio de alguns parâmetros: 
1º - acesso facilitado ao processo; 
Somente podemos falar em inafastabilidade da atuação jurisdicional caso sejam superados 
impasses de natureza prática, como a falta de recursos para ajuizamento de ações. Sabe-se 
que demandar em juízo é custoso. Logo, devem existir meios e mecanismos para fazer frente 
a esses custos no caso de litigantes hipossuficientes. Por isso, a assistência jurídica gratuita e 
o sistema de juizados especiais acabam por constituir uma forma de acesso a uma ordem 
jurídica justa, que realiza o princípio da inafastabilidade da atuação jurisdicional. 
2º - acesso transindividual ao processo; 
Estamos diante da tutela dos direitos difusos e coletivos. 
Aqui temos um problema: o CPC é voltado para resolver pretensões individuais. Quando se 
está diante de interesses difusos e coletivos, faz-se necessário adaptar parte das regras do 
CPC às orientações normativas contidas em leis esparsas, como a Lei do Mandado de 
Segurança, Lei da Ação Civil Pública, do Código de Defesa do Consumidor e da Lei da Ação 
Popular. Fala-se, assim, em um microssistema coletivo que, combinado com o CPC, permitem 
o acesso a uma ordem jurídica justa para a tutela de direitos difusos e coletivos. 
3º - ampla participação; 
Não basta franquear o acesso formal ao Poder Judiciário. É relevante assegurar efetiva 
participação no processo. Para tanto, respeitar os princípios do contraditório e da cooperação 
constitui orientação certeira para efetivar o princípio da inafastabilidade. Na medida em que 
a parte for cientificada da demanda e tiver todas as suas prerrogativas de defesa asseguradas 
(princípio do contraditório) e, além disso, os demais sujeitos do processo agirem em 
cooperação como uma comunidade de trabalho (princípio da cooperação), teremos uma 
ordem jurídica justa e, portanto, inafastável. 
4º - decisão com justiça; 
A justiça que se busca aqui, para fins de efetivação do princípio da inafastabilidade, são os 
valores essenciais da sociedade a abranger os direitos fundamentais e os princípios. O 
Processo não é um fim em si mesmo, mas instrumento para assegurar os direitos mais básicos 
do cidadão. 
5º - decisão eficaz. 
Não basta a decisão judicial para se ter acesso a uma ordem jurídica justa e, em última análise, 
a um judiciário inafastável. A decisão deve ser eficaz e, para tanto, deve ser célere e efetiva. 
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Isso poderá ser assegurado por diversos instrumentos no processo, a exemplo da concessão 
de tutelas provisórias e de sanções processuais que podem ser impostas a quem agir em 
violação à boa-fé processual e aos deveres de cooperação. 
Esses cinco parâmetros acima demonstram que o princípio da inafastabilidade da atuação 
jurisdicional passa, necessariamente, pelo acesso a uma ordem jurídica justa. 
A partir da análise dos dois aspectos acima (relação entre contencioso administrativo e judicial e o acesso à 
uma ordem jurídica justa) tratamos das repercussões do princípio da inafastabilidade da atuação 
jurisdicional. Vamos seguir! 
Princípio do juízo natural 
O princípio do juízo natural é extraído do art. 5º, incs. XXVII e LII, da CF. 
O art. 5º, XXXVII, CF, prevê a vedação dos tribunais ou órgãos de exceção. 
O art. 5º, LIII, da CF, prevê que ninguém será julgado a não ser pela autoridade competente. 
Assim, o princípio do juízo natural pode ser analisado de dois lados. 
Por um lado, esse princípio impossibilita que a parte escolha quem irá julgar o conflito de interesses, de modo 
que a fixação da competência se dá pelas normas gerais e abstratas previstas no ordenamento e, quando 
dois ou mais juízes forem ao mesmo tempo competentes, a distribuição se dá de forma aleatória e imparcial. 
Assim, para garantir a aplicação desse lado do princípio temos regras de competência e regras de distribuição 
da ação. 
Por outro, o princípio veda a criação de juízos de exceção, tal como prevê o art. 5º, XXXVII, da CF, de forma 
que não é admissível a criação de um tribunal para julgar determinados fatos após a ocorrência desses 
acontecimentos. O órgão jurisdicional deve ser preexistente. 
Um tribunal de exceção é aquele criado para analisar situações fáticas já ocorridas e para julgar lides 
específicas, não obstante já houvesse órgão competente existente. Assim, o tribunal de exceção vem para 
substituir um tribunal já existente, a exemplo do que ocorreu com o Tribunal Nuremberg. 
Logo, o princípio do juízo natural pode ser resumido à seguinte ideia: 
O princípio do juízo natural impõe a necessidade de fixação de regras objetivas de 
competência, preexistentes aos fatos sociais de interesse jurídico e, como decorrência, não 
permite a criação de juízos de exceção. 
Confira questões sobre o assunto: 
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(TRF5ªR - 2015) Acerca da jurisdição e de seus equivalentes, assinale a opção correta. 
a) A sentença estrangeira arbitral não pode funcionar como título executivo devido ao princípio da 
territorialidade, que rege a arbitragem no Brasil. 
b) A legislação civil brasileira prevê hipótese de autocomposição ao permitir que o possuidor esbulhado 
obtenha de volta a posse de seu bem, por sua própria força, contanto que o faça logo. 
c) A jurisdição constitui atividade substitutiva do Estado para solução de conflitos e sempre poderá ser 
iniciada de ofício pela autoridade judiciária. 
d) A justiça federal é considerada especial em comparação com a justiça estadual. 
e) O princípio inquisitivo se aplica à instrução do processo, podendo o juiz determinar produção de provas 
não requeridas pelas partes. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, pois, se homologada, a sentença estrangeira produzirá efeitos internamente, 
podendo ser executada em nosso território. 
A alternativa B está incorreta, pois é o instituto da autotutela que permite ao possuidor exercer uma espécie 
de legítima defesa sobre a posse em caso de esbulho (violação da posse). 
A alternativa C está incorreta, a jurisdição, embora substitutiva, é inerte, e depende de provocação da parte. 
A alternativa D está incorreta, pois a justiça federal e a estadual são comuns em contraposição à Justiça do 
Trabalho, Militar e Eleitoral, que são especiais. 
A alternativa E está correta, pois, uma vez incitado, o Juiz tem o poder diretivo sobre o processo, podendo 
determinar de ofício a prática de atos instrutórios. 
-- 
(TJ-AM - 2016) Acerca da jurisdição e dos princípios informativos do processo civil, assinale a opção 
correta. 
a) No âmbito do processo civil, admite-se a renúncia, expressa ou tácita, do direito atribuído à parte de 
participar do contraditório. 
b) A jurisdição voluntária se apresenta predominantementecomo ato substitutivo da vontade das partes. 
c) A carta precatória constitui exceção ao princípio da indeclinabilidade da jurisdição. 
d) A garantia do devido processo legal se limita à observância das formalidades previstas no CPC. 
e) O princípio da adstrição atribui à parte o poder de iniciativa para instaurar o processo civil. 
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A alternativa A está correta, pois o art. 9º do CPC é expresso em afirmar que não se proferirá decisão contra 
uma das partes sem que ela seja previamente ouvida. Contudo, a parte intimada a se manifestar não é 
obrigada a fazê-lo, podendo renunciar ao direito de se manifestar. 
A alternativa B está incorreta. Não há configuração da substitutividade na jurisdição voluntária, pois a 
atividade do juiz, nesse caso, tem por finalidade integrar a eficácia do negócio jurídico. 
A alternativa C está incorreta, pois não há delegação de competência na carta precatória, mas ato de 
cooperação entre juízos. No caso, o juiz deprecante é incompetente para a prática do ato, razão pela qual 
requer colaboração de outro juízo. 
A alternativa D está incorreta, pois as formalidades não limitam o contraditório, que é princípio de cunho 
constitucional, desde que sejam observadas as regras que garantem o contraditório. 
A alternativa E está incorreta, pois o princípio da adstrição limita a atividade jurisdicional, que deve julgar o 
processo nos limites da demanda. 
-- 
(TJ-RR - 2015) Em relação à jurisdição, examine os enunciados seguintes: 
I. Pelo princípio da aderência, os juízes e tribunais exercem a atividade jurisdicional apenas no território 
nacional, repartida essa atividade entre os juízes, de acordo com as regras de determinação de competência. 
II. Como nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer, em 
consequência nenhum procedimento judicial pode ser iniciado de ofício pelo juiz, sem exceção. 
III. O princípio da congruência, decorrência própria do princípio dispositivo, não incide no tocante às 
questões de ordem pública, que o juiz deve examinar de ofício, por incidência do princípio inquisitório. 
Está correto o que se afirma APENAS em: 
a) I e III 
b) I e II 
c) II e III 
d) I 
e) II 
Comentários 
A resposta correta é a alternativa D. Vejamos. 
O item I está correto, conforme podemos conferir no art. 16 do CPC. 
O item II, no entanto, erra ao estabelecer que não há exceções para o início de procedimento judicial de 
ofício: o próprio artigo 2º deixa ressalvadas as exceções em lei. 
O item III também está incorreto. O princípio da congruência ou adstrição é fortemente correlato ao princípio 
dispositivo, que estabelece a inércia do juiz. Congruência, nesse caso, significa que o juiz deve julgar nos 
limites dos elementos objetivos trazidos pelas partes, nem além nem aquém disso. Há exceção, no entanto, 
se houver questões de ordem pública, caso em que o juiz pode decidir de ofício sem provocação formal das 
partes. 
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Para encerrar o tópico, vamos citar precedente interessante do STJ sobre os mutirões judiciários. O caso 
reporta-se a mutirões carcerários, mas a própria ementa faz referência a mutirões que possam ocorrer no 
âmbito cível. 
Esses mutirões concentram juízes em forças-tarefas, a exemplo do que ocorre com mutirões de conciliação. 
O questionamento que se faz é se essa prática violaria o princípio do juiz natural, na medida em que há uma 
concentração de juízes que assumem a competência para julgamento de ações que foram atribuídas, pelas 
regras objetivas de competência e de distribuição, a um outro juízo originariamente. 
O STJ entendeu que não há violação ao princípio do juízo natural. Confira9: 
EXECUÇÃO PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. INADEQUAÇÃO 
DA VIA ELEITA. MUTIRÃO CARCERÁRIO. PROJETO CIDADANIA DOS PRESÍDIOS. OFENSA AO 
PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL. INEXISTÊNCIA. NULIDADE NÃO ARGUIDA PELO TITULAR DA 
AÇÃO PENAL, ACOLHIDA PELA CORTE DE ORIGEM CONTRA OS REEDUCANDOS. OFENSA AO 
PRINCÍPIO NON REFORMATIO IN PEJUS. SÚMULA 160 DO STF. PEDIDO DE EXTENSÃO. 
INVIABILIDADE. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. 
Consolidou-se nesta Corte Superior de Justiça entendimento no sentido de que não ofende 
o princípio do juiz natural a designação de magistrados em regime de mutirão (penal, cível 
ou carcerário), no interesse objetivo da jurisdição, para atuar em feitos genericamente 
atribuídos e no objetivo da mais célere prestação jurisdicional. Precedentes. 
2.3 - Espécies de Jurisdição 
Vamos tratar das denominadas espécies de jurisdição. Esse assunto não é objeto direto de cobrança em 
provas, mas permite compreender melhor a estrutura do nosso Poder Judiciário. Diante disso, vamos estudá-
lo de forma objetiva. 
A jurisdição representa parcela do poder Estatal. Esse poder é uno e não pode ser dividido. Dito de outra 
maneira, não existem parcelas de jurisdição. Existe tão somente a jurisdição. Contudo, a fim de distribuir o 
exercício da função jurisdicional, mesmo porque não é possível a concentração de toda a função em uma 
única pessoa ou órgão, didaticamente, é possível classificar a jurisdição em espécies. 
Lembre-se de que a jurisdição é um poder, a competência é a capacidade para exercer esse poder. 
Assim, as classificações adiante estudadas possuem meramente intuito didático, para fins de compreensão 
da estrutura do Poder Judiciário. 
Temos: 
 
9 HC 449.361, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca. DJe 25/3/2019. 
Ricardo Torques
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Das classificações acima, a que possui maior relevância para fins de concurso público é a classificação que 
distingue a jurisdição contenciosa da voluntária. 
EM RELAÇÃO AO OBJETO 
DA DEMANDA
Jurisdição Penal: matéria penal; e
Jurisdição Civil:
todas as matérias não 
penais (conceito amplo e 
subsidiário).
EM RELAÇÃO AO ÓRGÃO 
JURISDICIONAL
Jurisdição Inferior:
enfrenta a demanda do 
início (originariamente) e 
se sujeita a recurso; e
Jurisdição Superior:
enfrenta a demanda, em 
regra, na esfera recursal.
EM RELAÇÃO À MATÉRIA
Jurisdição Especial:
Justiça do Trabalho, 
Eleitoral e Militar; e
Comum:
demais “Justiças” (engloba 
a Justiça Estadual Comum 
e Federal)
EM RAZÃO DA 
LITIGIOSIDADE
Jurisdição Contenciosa:
caracterizada pelo conflito 
de interesses; e
Jurisdição Voluntária:
caracterizada por serem 
ações constitutivas 
necessárias.
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A jurisdição contenciosa constitui a regra da atuação jurisdicional. Nesse contexto, a jurisdição voluntária 
revela-se como exceção. 
A jurisdição voluntária envolve ações constitutivas necessárias. Vale dizer, a lei obriga a propositura de ação 
perante o Poder Judiciário para que você obtenha uma nova situação jurídica. Por exemplo, se você 
pretende adquirir imóvel de incapaz, você somente poderá se tornar proprietário (nova situação jurídica) 
após alvará do juiz. 
Assim, o legislador toma algumas relações jurídicas de direito privado e as submete a supervisão estatal. 
Assim, a jurisdição voluntária caracteriza-se por ser obrigatória. Aqui temos uma aparente contradição. 
Como seria obrigatória se a jurisdição é voluntária? 
Utiliza-se o termo “voluntária” para se referir à não litigiosidade, ou seja, ao fato de que a parte não se vê 
forçada (obrigada) a dirimir

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