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Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax Radiografia do Tórax RADIOLOGIA E DIAGNÓSTICO POR IMAGEM PRINCÍPIOS BÁSICOS DA RADIOGRAFIA DO TÓRAX Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax ÍNDICE 3 4 14 15 20 22 32 CASO CLÍNICO #1 - DISCUSSÃO CASO CLÍNICO #2 - DISCUSSÃO CASO CLÍNICO #3 DISCUSSÃO Bibliografia None 2 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax CASO CLÍNICO #1 Paciente do sexo feminino, 20 anos, portadora de doença de Crohn há 12 anos. Já passou por diversos tratamentos, mantendo atividade inflamatória da doença e agora tem indicação de iniciar tratamento com medicação imunobiológica. Realizou radiografia de tórax para triagem infecciosa antes de iniciar a medicação. Está assintomática. Figura 1. Radiografia de Tórax (PA). Fonte: Acervo Medway. None 3 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax Figura 2. Radiografia de Tórax (perfil). Fonte: Acervo Medway. DISCUSSÃO Antes de avaliar a radiografia de tórax da nossa paciente, precisamos entender como estas imagens foram formadas! Os raios X são uma forma de radiação ionizante. O feixe de raios X que foi emitido pelo tubo vai interagir com a matéria (o nosso corpo, no caso), None 4 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax alguns raios serão atenuados (ou seja, alguns não vão passar pelo nosso corpo e sua energia será absorvida pelos tecidos), enquanto outros passarão com energia suficiente para "queimar" o filme ou sensibilizar o detector digital, formando assim a imagem. Entenda que o osso, que é muito denso, vai determinar uma maior dificuldade à passagem destes raios-x, que chegarão em menor quantidade e com menor energia no detector, "queimando-o" pouco (isso significa que a imagem ficará branca). Já o ar, que é menos denso, não oferece nenhuma barreira à passagem destes raios-x, que chegarão até o detector muito facilmente, "queimando-o" bastante (isso significa que a imagem ficará preta). Veja que estamos falando, então, de um exame que é a projeção de uma estrutura tridimensional (nosso corpo) em um filme, que é bidimensional. Esta característica básica da radiografia também corresponde ao seu principal "defeito". O fato de estarmos lidando com uma projeção, gera problemas de interpretação gerados pela sobreposição das estruturas torácicas. Para tentar resolver estes problemas, a radiografia do tórax geralmente é obtida, preferencialmente, em duas incidências. As duas incidências básicas são a frontal e o perfil, obtidas de forma ortogonal, isto é, em planos perpendiculares entre si. Com estas duas incidências conseguimos localizar as lesões tanto no eixo laterolateral (no frontal), quanto no eixo anteroposterior (no perfil). A incidência frontal pode ser obtida de duas formas, dependendo do sentido dos raios X: em AP (anteroposterior), com os raios entrando pela porção anterior do tórax e saindo pela porção posterior do tórax, e em PA (posteroanterior); caso contrário. None 5 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax A preferida (considerada a incidência padrão da radiografia do tórax) é a incidência frontal em PA, em que o(a) paciente, de pé ou sentado(a), encosta seu peito no detector ou filme. Com isso, o coração fica bem colado no filme, reduzindo sua ampliação artificial, que observamos na imagem em AP. Além disso, as escápulas são jogadas para fora dos campos pulmonares, melhorando nossa imagem. Para ser considerado um exame tecnicamente ótimo, o paciente tem que estar em posição ortostática, distando 1,8 metros do filme e em inspiração máxima. Figura 3. À esquerda, vemos a técnica adequada para realização do raio-X em PA. À direita, um raio-X de tórax normal nesta incidência. Fonte: The Chest X-Ray: A Survival Guide, 1ª edição, páginas 3 e 2. A incidência em perfil é muito útil para avaliar as regiões posteriores dos lobos inferiores do pulmão, já que elimina a sobreposição do coração e do diafragma, o que pode esconder alterações (pneumonias retrocardíacas, por exemplo). Esta incidência também é bastante útil para localizarmos com mais precisão as alterações, que podem estar nas partes moles ou até mesmo fora do corpo do(a) paciente, sendo projetadas nos campos pulmonares na visão frontal. Prefere-se deixar a face lateral esquerda do tórax mais próxima do(a) receptor(a), para também reduzir a magnificação da imagem cardíaca. None 6 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax Figura 4. À esquerda, vemos a técnica adequada para realização do raio-X em perfil. À direita, um raio-X de tórax normal nesta incidência. Fonte: The Chest X-Ray: A Survival Guide, 1ª edição, página 15. Agora que você já entendeu como a imagem é formada e as incidências básicas da radiografia do tórax, podemos entender as densidades radiográficas básicas e como elas são a base para chegar a qualquer diagnóstico interpretando as radiografias. Imagine que uma quantidade "A" de raios x é emitida pela fonte. Estes raios vão interagir com a matéria, e dependendo da densidade da mesma, uma quantidade "a" de raios x transmitidos chega ao detector, já que muitos destes raios vão ser atenuados ou absorvidos pelo corpo do paciente. Esta quantidade de raios-x que chega, vai determinar os tons de cinza que vamos identificar na imagem. Quanto mais raios x chegarem ao detector, mais escuro o tom de cinza na imagem (mais próximo do preto), já que o filme será mais "queimado". Veja a imagem abaixo: None 7 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax Figura 5. Interação dos raios x com a matéria e as densidades básicas radiográficas. Fonte: Medway. Existem 5 densidades radiológicas básicas correspondem aos 5 tons de cinza que nossos olhos conseguem distinguir bem na radiografia do tórax, sendo: ar, gordura, água (ou partes moles), osso e metal. None 8 Usuario Nota Efeito do RX na matéria: Hiperdenso - hiperatenuante Hipodenso - hipoatenuante Usuario Nota Para ter contorno, há que se ter diferença de densidade Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax Figura 6. Densidades básicas na radiografia. Fonte: Adaptado de freepik.com. Estas densidades formam contrastes entre si, gerando os tons de cinza e os contornos das estruturas que interpretamos nos estudos radiográficos. É por este motivo que conseguimos distinguir o mediastino do parênquima pulmonar. Como suas densidades físicas são diferentes, observamos também diferentes densidades (tons de cinza) na radiografia, o que gera contraste entre elas e torna possível sua diferenciação. Note que não conseguimos distinguir bem o coração dos grandes vasos da base, por exemplo, e isto ocorre justamente porque suas densidades None 9 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax radiológicas são muito próximas (que é a densidade da água ou de partes moles), não permitindo que nossos olhos identifiquem contraste entre estas estruturas. Quando não há contraste entre as estruturas em uma radiografia de tórax, elas vão aparecer todas "fundidas". Entendidas as incidências e as densidades básicas, podemos começar a interpretar a radiografia da nossa paciente! Veja que ela foi realizada em duas incidências, uma frontal PA e uma perfil. Você conseguiu identificar alguma coisa fora do normal nestas radiografias? De fato, tem um "corpo estranho", certo? Figura 7. Radiografia de tórax do caso clínico 1 - normal, com piercings nos mamilos. Fonte: Acervo Medway. Você deve ter identificadoa alteração como um piercing em cada mamilo (círculo azul), certo? Mas o que te permitiu tirar esta conclusão? Na verdade, o que permitiu que você chegasse a este "diagnóstico" foi o conhecimento das incidências radiológicas e das densidades básicas que acabamos de revisar. None 10 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax Podemos ver que a imagem suspeita tem densidade maior que a do osso adjacente (dê uma comparada com a costela), o que sugere uma densidade metálica. Além disso, a incidência em perfil foi essencial para garantir que a alteração está projetada no subcutâneo , mais especificamente nas mamas. Se não tivéssemos uma imagem em perfil, poderíamos ter dúvida se estas imagens estavam dentro do pulmão, no espaço pleural ou mesmo no dorso da paciente. Pronto! Nossa paciente está pronta para iniciar sua medicação! Apesar dos adereços estilosos, a radiografia do tórax está normal. Vamos só abrir um pequeno parênteses aqui, antes de finalizar nossa análise. Apesar de parecerem inofensivos, estes artefatos como piercings, joias, zíperes, entre outros não devem estar presentes nas imagens de radiografia. Eles podem mimetizar doenças, principalmente quando a densidade for semelhante à das partes moles. O correto seria o técnico solicitar à paciente que retirasse antes do exame. A avaliação da qualidade técnica do exame é o primeiro passo para a análise de uma radiografia. Muitos erros técnicos simulam ou obscurecem alterações. Fique atento! Segue um resuminho do que você deve analisar para certificar-se de que o exame está tecnicamente adequado para ser analisado: None 11 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax None 12 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax None 13 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax Tabela 1. Avaliação da adequação técnica das radiografias de tórax. Fonte: Organizado por Medway. CASO CLÍNICO #2 Paciente do sexo masculino, 67 anos, sofreu um acidente de moto há 3 meses e estava com um fixador externo na tíbia direita. Evoluiu com osteomielite aguda e choque séptico. Está na UTI há 21 dias para tratamento e em melhora. Realizou radiografia de tórax para controle. O paciente está assintomático do ponto de vista respiratório. None 14 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax Figura 14. Radiografia de Tórax (AP). Fonte: Acervo Medway. DISCUSSÃO Ao avaliar este paciente, observamos que foi obtida uma radiografia de tórax em incidência frontal, mas já podemos notar que a radiografia está meio feia, né? Basta comparar com a radiografia do primeiro caso clínico deste estudo dirigido. O que aconteceu? Por que esta radiografia está tão diferente, sendo que ambas foram obtidas em incidência frontal? Neste caso, nosso paciente está acamado na UTI. Desta forma, sua radiografia de tórax foi obtida em decúbito dorsal, com os raios-X seguindo em direção anteroposterior, ou seja, entrando pela porção anterior do tórax e saindo pela porção posterior. Esta incidência é chamada frontal em AP (anteroposterior) e é a técnica padrão para aquisição de exames no leito quando o paciente não tem condições None 15 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax clínicas de realizar o exame com a técnica ótima (PA e perfil), que requer ortostase ou pelo menos que o paciente fique sentado. Figura 15. Técnica adequada para realização do raio-X em frontal com raios em direção anteroposterior. Veja que o coração está na porção anterior do tórax, longe do filme, o que gera uma magnificação artefatual do coração, simulando cardiomegalias. Fonte: The Chest X-Ray: A Survival Guide, 1ª edição, página 15. A incidência em AP é nossa alternativa para pacientes acamados(as), com restrição de movimentação e gravemente doentes (em leitos de UTI, por exemplo), mas carrega algumas questões técnicas que limitam um pouco a sua interpretação e que precisam ser conhecidas pois podem simular alterações. O principal problema é a ampliação artificial das estruturas mediastinais, dificultando a avaliação do coração e dos vasos None 16 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax mediastinais, por exemplo. Por este motivo, devemos evitar tirar conclusões sobre a presença de cardiomegalia ou dilatação aórtica, quando esta técnica for utilizada. A ampliação das estruturas mediastinais também pode simular massas hilares ou linfonodomegalias por ampliar as estruturas vasculares hilares normais. A radiografia do tórax do paciente acamado também fica prejudicada quanto à avaliação do parênquima pulmonar por dois motivos: As escápulas ficam projetadas nos campos pulmonares superiores e médios, o que pode simular opacidades. Raramente o paciente consegue fazer uma inspiração adequada, por isso a radiografia pode parecer "suja" nas bases pulmonares onde o parênquima fica parcialmente expandido, simulando opacidades. Acho que você já percebeu que devemos sempre avaliar com muito cuidado as radiografias em decúbito dorsal (AP). Mas também não se assuste! Apesar de raramente as radiografias em decúbito dorsal atingirem os critérios de qualidade que são esperados na radiografia em PA, elas geralmente são solicitadas para uma avaliação mais grosseira da transparência dos pulmões (limpos ou não) ou mesmo para avaliação do posicionamento de dispositivos. Na dúvida, uma tomografia computadorizada vai trazer mais informações. Bom, vamos voltar à radiografia do nosso paciente. • • None 17 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax Figura 16. Radiografia em AP do caso clínico 2. Seta vermelha = indicação de que o exame foi realizado no leito e do lado direito do paciente. Linha tracejada amarela = escápulas no campo. Linha rosa = cateter venoso central. Área verde: brônquios e estruturas vasculares aglomeradas pela hipoexpansão pulmonar. Linha pontilhada azul = silhueta mediastinal. Números de 1 a 8 = contagem das costelas nos campos pulmonares. Fonte: Acervo Medway. Veja que por convenção, o técnico de radiologia deve sinalizar que o exame foi realizado no leito, como podemos ver no canto superior direito (seta vermelha). O técnico também nos sinalizou que aquele é o lado direito do paciente. Ótimo! O primeiro critério de qualidade que é a orientação já está OK! Além disso, todo o tórax foi incluído no estudo, a penetração dos raios está boa e a radiografia está bem alinhada. Já quando vamos observar os campos pulmonares, não está tão legal, né? O que está te incomodando provavelmente é a presença das None 18 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax escápulas no campo (linha tracejada amarela). Veja como ela simula opacidades pulmonares. Os pulmões também estão hipoexpandidos devido a uma inspiração incompleta, o que gera um aspecto confluente dos vasos e brônquios dos campos pulmonares inferiores (área verde) , também simulando opacidades pulmonares. Além disso, veja como o mediastino parece alargado (linha pontilhada azul). Um colega desavisado poderia considerar patológico. Por fim, o paciente tem um cateter venoso central (linha rosa), com extremidade na projeção do átrio direito. Veja que depois de alguma reflexão sobre a técnica, uma radiografia que parecia alterada já nos parece mais tranquila. Nosso paciente está pronto para receber alta da UTI! Assim que ele chegou no quarto da enfermaria foi possível realizar uma radiografia em PA (figura abaixo) que nos prova que as opacidades nas bases e o alargamento mediastinal eram meramente artefatuaisdevido à aquisição em decúbito dorsal. None 19 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax Figura 17. Radiografia em PA do caso clínico 2 - exame normal. Fonte: Acervo Medway. CASO CLÍNICO #3 Paciente do sexo feminino, 32 anos, vem realizar radiografia de tórax para exame admissional depois de passar em concurso público. Assintomática. Foi solicitada radiografia de tórax em PA e perfil. None 20 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax Figura 18. Radiografia de Tórax (PA). Fonte: Acervo Medway. None 21 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax Figura 19. Radiografia de Tórax (Perfil). Fonte: Acervo Medway. DISCUSSÃO Pessoal, caso moleza! Paciente assintomática, exame de check up para ser admitida no novo emprego. A radiografia está completamente normal. Mas e a coragem pra chamar uma radiografia de normal? O(A) bom/boa radiologista tem sempre um check list mental de tudo que ele(a) precisa ver na imagem; chamamos isso de avaliação sistemática. Desta forma, toda vez que olhamos um exame, seguimos sempre a mesma sequência, para que isso fique automático e a gente não esqueça de olhar nenhum pedacinho. Desta forma, temos mais confiança que realmente o exame está normal. None 22 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax Vamos fazer juntos nessa avaliação sistematizada e, de bônus, a gente ainda revisa a anatomia normal. Bora? Uma sequência bem fácil é a famosa "de fora para dentro". Vamos seguir? :) Parede torácica Começando pelas estruturas mais externas do tórax, vamos avaliar a parede torácica: partes moles (músculos e subcutâneo), mamas nas mulheres, axilas e osso (costelas, escápulas, clavículas, esterno e as cabeças dos úmeros). Dê uma olhada nestas estruturas nas radiografias abaixo: Figura 20. Radiografia de tórax normal: estruturas anatômicas da parede torácica. Fonte: Acervo Medway. Aí você pode estar pensando: "Ah! Nada a ver ficar olhando essas coisas sem importância na parede torácica. Pra quê isso? Vamos direto ver o None 23 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax pulmão". Calma! Esse pensamento é uma cilada. Quando ignoramos as estruturas, podemos perder informações valiosas para a condução do(a) nosso(a) paciente como fraturas, metástases ou infecções ósseas, enfisema subcutâneo etc. Espaços pleurais Seguindo nossa avaliação "de fora para dentro", chegamos nos espaços pleurais. Procuraremos principalmente derrames pleurais e pneumotórax. Veja abaixo as imagens do aspecto normal dos espaços pleurais na radiografia do tórax: Figura 21. Radiografia de tórax normal: espaços pleurais. Fonte: Acervo Medway. Para procurar alterações pleurais precisamos entender que o espaço pleural é uma cavidade virtual e que os líquidos, quando se acumulam nesta cavidade, vão sempre ocupar as porções mais inferiores pela lei da gravidade. Quando o(a) paciente está de pé ou sentado(a), o líquido escorre para os seios costofrênicos, que são ângulos profundos formados entre o gradil None 24 Usuario Nota Ângulos costofrênicos (frênico = diafragma): - Laterais - Posteriores (são mais profundos)) Ângulo cardiofrênico Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax costal e as cúpulas diafragmáticas. Nas incidências em PA ou perfil, vemos este líquido como uma obliteração dos seios costofrênicos laterais ou posteriores, sendo que, como os posteriores são mais profundos, são obliterados primeiro. A obliteração destes seios é a manifestação mais inicial dos derrames pleurais na radiografia. Parênquima pulmonar Agora que os espaços pleurais foram devidamente estudados, chegou a hora de olharmos para os pulmões. Você deve se lembrar das suas aulas de anatomia, quando vimos que o pulmão direito é dividido em três lobos: superior, médio e inferior; enquanto que o pulmão esquerdo é dividido apenas em dois: superior e inferior. Quem separa estes lobos são as fissuras ou cisuras pulmonares, sendo duas à direita (horizontal e oblíqua) e uma à esquerda (oblíqua). Esta anatomia é extremamente útil na hora de localizar as lesões observadas nas radiografias. Veja abaixo a topografia das fissuras pulmonares vistas na radiografia, dividindo os pulmões em lobos. Mas saiba que dificilmente conseguimos identificar as fissuras na radiografia, por isso preferimos nos referir a campos pulmonares quando avaliamos um exame de raio-X. None 25 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax Figura 22. Radiografia de tórax normal: lobos pulmonares e fissuras - pulmão direito. Fonte: Acervo Medway. Figura 23. Radiografia de tórax normal: lobos pulmonares e fissuras - pulmão esquerdo. Fonte: Acervo Medway. Figura 24. Radiografia de tórax normal: campos pulmonares. Fonte: Acervo Medway. O parênquima pulmonar é entremeado pela trama broncovascular, que é composta pelas artérias e veias pulmonares e pelos brônquios. None 26 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax Normalmente a trama broncovascular nos campos pulmonares superiores é menos calibrosa e evidente que nas bases pulmonares. Mediastino Como as estruturas mediastinais apresentam densidades semelhantes, fica difícil identificá-las individualmente. Desta forma, de maneira prática, o mediastino costuma ser avaliado de forma global, procurando por alargamentos mediastinais. Uma maneira de avaliar é medir o mediastino na altura do arco aórtico, se tiver acima de 8 cm é considerado alargamento mediastinal. O diagnóstico diferencial é bem amplo. Outra forma de avaliar o mediastino é analisando os contornos mediastinais. Veja a imagem abaixo: Figura 25. Radiografia de tórax normal: contornos mediastinais. Fonte: Acervo Medway. None 27 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax Nessas radiografias do tórax em PA (posteroanterior) e perfil, podemos caracterizar os contornos das principais estruturas vasculares mediastinais: Veia cava superior e inferior Aorta torácica Tronco da artéria pulmonar Além das estruturas vasculares, existe um espaço chamado janela aortopulmonar, localizado entre o arco aórtico e o tronco da artéria pulmonar. A obliteração desta janela sugere a presença de linfonodomegalias mediastinais. Figura 26. Radiografia de tórax alterada: obliteração da janela aortopulmonar. Fonte: Acervo Medway. Podemos também inferir a posição e os contornos das câmaras cardíacas, ilustradas na imagem abaixo: • • • None 28 Usuario Nota Aurícula esquerda (apêndice do átrio esquerdo). É fundo. Se for proeminente: pode ser aumento do AE, que está abaulando a aurícula esquerda. Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax Figura 27. Radiografia de tórax normal: câmaras cardíacas. Fonte: Acervo Medway. Nessas radiografias do tórax em PA (posteroanterior) e perfil, podemos caracterizar os contornos das principais estruturas cardíacas e vasos da base: Átrio direito (AD) Ventrículo direito (VD) Átrio esquerdo (AE) Ventrículo esquerdo (VE) Tronco da artéria pulmonar (TP) Aorta (Ao) Veja que estão delimitadas as projeções radiográficas das estruturas cardiovasculares, não sendo possível definir a diferenciação exata entre as câmaras cardíacas e os vasos da base. No entanto, perceba como cada estrutura é responsável por um contorno no mediastino. Por exemplo, a margem cardíaca direita na radiografia em PA é determinada pelo átrio direito, ao passo que a margem cardíaca esquerda é determinada pelo •• • • • • None 29 Usuario Nota VD é mais anteriorizado. Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax ventrículo esquerdo. Já a margem anterior do coração na radiografia em perfil é delimitada pelo ventrículo direito e a margem posterior pelo átrio esquerdo. Portanto, apesar de não ser possível a diferenciação exata entre as câmaras cardíacas e os vasos da base, conhecendo qual estrutura anatômica é responsável por cada contorno mediastinal, é possível detectar eventuais alterações, como o aumento das câmaras cardíacas ou aneurismas arteriais. Outra informação importante fornecida pela radiografia torácica é o índice cardiotorácico. Esse índice representa a proporção entre o diâmetro da sombra cardíaca (vermelho) e a largura transversal do tórax (amarelo) na incidência PA. Quando maior que 0,5 cm, podemos dizer que o índice cardiotorácico está elevado, tendo causas como cardiomegalia ou derrame pericárdico. None 30 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax Figura 28. Radiografia de tórax normal: índice cardíaco. Fonte: Acervo Medway. None 31 Radiografia do Tórax Princípios Básicos da Radiografia do Tórax Bibliografia AU-YONG, A.; AU-YONG, I.; BRODERICK, N. On-Call X-Rays Made Easy E-Book. Elsevier Health Sciences, 2010. BERMAN, L.; DE LACEY, G.; MORLEY, S. The chest X-ray: a survival guide. Elsevier Health Sciences, 2012. CHEAH, F.; ENG, P. Interpreting chest x-rays: illustrated with 100 cases. Cambridge University Press, 2005. CLARKE, C.; DUX, A. Chest X-rays for medical students. John Wiley & Sons, 2017. CORNE, J.; KUMARAN, M. Chest X-ray made easy. Elsevier Health Sciences, 2015. CRUNDWELL, N.; JOARDER, R. Chest X-ray in clinical practice. Springer Science & Business Media, 2009. GOODMAN, L. R. Felson's principles of chest roentgenology, a programmed text. Elsevier Health Sciences, 2014. MISRA, R. R.; PLANNER, A.; UTHAPPA, M. C. AZ of Chest Radiology. Cambridge, United Kingdom: Cambridge University Press. 2007. Soft cover, 211 pages, illustrated. 2008. SINGH, H. 101 Chest X-Ray Solutions. JP Medical Ltd., 2013. 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. None 32 Curso de preparação anual para a fase teórica das provas de residência médica, incluindo as mais concorridas do estado de São Paulo, como USP, Unifesp e Unicamp. Conheça as opções: • Extensivo Base (1 ano): fundamentos teóricos para quem está no 5º ano da faculdade e vai iniciar a sua preparação • Extensivo São Paulo (1 ano): ideal para quem quer passar na residência em São Paulo. Oferece acesso ao Intensivo São Paulo, liberado a partir do segundo semestre • Extensivo Programado (2 anos): a opção mais completa e robusta para quem busca se preparar de forma contínua desde o quinto ano. 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