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HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA 
DA ANTIGUIDADE ORIENTAL 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Petterson Santos 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Depois de aprendermos um pouco sobre a política no Antigo Egito, 
chegou a hora de conhecermos mais sobre como era a política na Mesopotâmia 
e como se organizava. Mesopotâmia quer dizer terra entre rios e consiste 
justamente em uma região cortada pelos rios Tigres e Eufrates. Sua localização 
é onde hoje se encontra boa parte dos territórios do Iraque e do Kuwait, além de 
pedaços da Síria, Irã e Turquia. 
Figura 1 – Mapa da Mesopotâmia 
 
Crédito: João Miguel. 
Durante boa parte da história dessa região, a organização política 
predominante foi a da cidade-Estado, havendo diversas delas, com seus 
próprios líderes, leis e cultura. Mas também existiram períodos em que uma 
cidade foi politicamente hegemônica sobre as outras, bem como momentos em 
que toda a região estava unificada dentro de um mesmo império. 
Nesta aula, vamos apresentar uma síntese dos contextos políticos pelos 
quais essa região passou. 
 
 
3 
Quadro 1 – cidade-Estado 
cidade-Estado 
Uma cidade-Estado é uma cidade que apresenta 
independência política, ou seja, ela não está submetida 
diretamente a um reino, império ou algo do tipo, e tem a sua 
própria classe de governantes, leis e cultura. 
Para darmos conta desta proposta, vamos utilizar uma abordagem 
cronológica, apresentando um pouco das principais características políticas de 
cada período. Vamos inicialmente apresentar alguns períodos da história da 
Mesopotâmia, tendo em mente que esses períodos não são um consenso na 
historiografia, uma vez que outras divisões eram possíveis. 
Veja, no quadro a seguir, os diferentes períodos da história de algumas 
sociedades: 
Quadro 2 – Períodos da história 
Período Duração 
Período Sumério Antigo 5500 – 2300 a.C. 
Império Acádio 2300 – 2193 a.C. 
Terceira Dinastia de Ur 2112 – 2004 a.C. 
Império Paleobabilônico 1894 – 1595 a.C. 
Império Neoassírio 934 – 609 a.C. 
Império Neobabilônico 625 – 539 a.C. 
Como podemos ver, trata-se de uma região com uma história longa e 
dinâmica. Obviamente, esta aula será uma introdução ao tema, de modo que 
diversos períodos interessantes ficarão de fora. 
TEMA 1 – O NASCIMENTO DAS CIDADES-ESTADOS 
O período Sumério Antigo é propositalmente longo (5500-2300 a.C.), pois 
optamos por abarcar nesta divisão a Pré-História mesopotâmica, período esse 
que não vamos trabalhar nesta aula. É como dissemos acima, poderíamos ter 
feito outras escolhas para trabalhar com essa sociedade, no entanto, optamos 
por aquela que nos pareceu mais didática. 
 
 
4 
É importante lembrar que quando estamos falando de Mesopotâmia, 
estamos nos referindo a uma região que não é pequena e que, diferentemente 
do Egito, foi ocupada por povos diferentes ao longo do tempo. Os sumérios foram 
os primeiros a ocupar esse território e acabaram por estabelecer a organização 
política por cidades-Estados, bem como as bases do que poderia ser chamado 
de cultura comum mesopotâmica. Para quem não sabe, cidades-Estados são 
cidades independentes, com governo próprio e que não estão sujeitas a formas 
estatais mais amplas. 
Existiram durante o Período Sumério Antigo várias cidades-Estados, tais 
como Nipur, Ur e Uruk, as quais tinham originalmente os templos como seus 
principais edifícios. Cada cidade tinha o seu próprio deus patrono, o que ajudou 
a compor um rico panteão divino para essa região. Com o passar do tempo, os 
palácios acabaram substituindo os templos como as principais construções das 
cidades. Vejamos como João apresenta a forma como as cidades-Estados 
sumérias eram divididas: 
Cada cidade-Estado possuía três setores: a cidade propriamente dita, 
geralmente fortificada (a fortificação da primeira cidade, Uruk, é 
narrada na Epopeia de Gilgamesh); o subúrbio, composto pelas 
residências, campos, estábulos etc.; e o porto. (João, 2013, p. 32) 
Figura 2 – No mapa, podemos ver a localização de Nipur, Ur e Uruk 
 
Crédito: João Miguel. 
 
 
5 
As cidades-Estados eram governadas por uma mistura de chefe militar e 
sumo sacerdote, chamado de lugal ou ensi. Também existia um conselho de 
anciões, contudo, não se sabe ao certo quem tinha a “palavra final” nas cidades, 
ou seja, não sabemos se os ensi tinham que obedecer ao conselho ou se este 
era apenas um órgão consultivo. 
Similar ao que ocorreu na Grécia, aqui também é possível detectar o 
fenômeno das confederações de cidades-Estados, que não tinham uma forma 
de funcionamento muito bem definida. O que sabemos é que as mesmas 
ocorriam em formas de assembleias, devendo participar os chefes das cidades 
que compunham a confederação, havendo entre eles um lugal. Nos tempos de 
paz, o lugal da confederação acabava tendo funções simbólicas ligadas a 
festivais religiosos e mediando o conflito entre as diferentes cidades. Já nos 
tempos de guerra, ele assumia a função de chefe militar da confederação. 
Em 2300 a.C., teve fim o Período Sumério Antigo, quando a confederação 
de cidades da região foi derrotada pelo rei Sargão de Akkad, dando início, assim, 
ao período do Império Acádio (2300-2193 a.C.). 
TEMA 2 – IMPÉRIO ACÁDIO (2300-2193 A.C) 
O período do Império Acádio foi a primeira experiência da história 
mesopotâmica em que as cidades que compunham a região passaram a fazer 
parte de uma estrutura estatal mais ampla, fazendo com que perdessem a sua 
independência política. Vale destacar que esse império se expandiu para além 
da Mesopotâmia, tendo conseguido exercer influência também no levante e na 
Anatólia, chegando até mesmo a enviar tropas para a Península Arábica, 
fazendo com que o Império Acadiano fosse um dos primeiros impérios 
multiétnicos da história. 
Sem dúvidas, as dimensões do Império Acadiano são impressionantes, 
ainda mais quando pensamos no período histórico em que o mesmo se 
estabeleceu (2300-2191 a.C.). Segundo Nascimento e Carvalho: 
Como podemos notar, o império de Acádia (2335-2154 a.C.) teve como 
principal sustentáculo a batalha, a “máquina de guerra acadiana” foi a 
principal responsável pela construção e manutenção do Estado, traço 
evidente quando observamos os monumentos e inscrições reais da 
dinastia acadiana que dão grande ênfase ao aspecto belicoso, os 
textos realçam os 5.400 homens alimentados diariamente por Sargão 
e o esplendor militar de Naram-Sin ao massacrar as cidades 
revoltosas. (Nascimento; Carvalho, 2020, p. 6, grifo dos autores) 
 
 
6 
Tal como dizemos acima, essa região foi conquistada pelo rei Sargão 
após a derrota da confederação de cidades locais para Akkad. A partir desse 
momento, as cidades sumérias passaram a ser governadas por membros da 
família real e até mesmo por outros acádios (João, 2013, p. 34). 
Especificamente sobre o rei Sargão, também conhecido como Sargão, o 
Velho, o mesmo tornou-se uma figura histórica de relevância na Mesopotâmia, 
tendo surgido relatos épicos que o elevaram ao patamar quase de uma figura 
mítica, razão pela qual foi tratado como um herói em muitos deles. É possível 
que a construção dessa imagem tenha sido fortemente patrocinada pelo próprio 
rei Sargão, que buscou construir uma imagem de um forte guerreiro para si 
(Nascimento; Carvalho, 2020, p. 4). Segundo os autores já citados, a tentativa 
de construção dessa imagem de guerreiro também teria sido efetivada pelos 
descendentes do rei em questão. 
Figura 3 – Representação 3D do rosto do rei Sargão de Acáde 
 
Créditos: Jamshed Hameed/Shutterstock. 
Por volta de 2193 a.C., os povos gútios invadiram a Mesopotâmia (João, 
2013, p. 34), fazendo com que a organização social voltasse aos moldes da 
época do Período Sumério Antigo, ou seja, baseado nas cidades-Estados 
independentes, por um breve período de tempo. É possível que fatores internos 
 
 
7 
tenham contribuído para fragilizar o Estado acadiano, como a ambição dos seus 
reis, queteriam empreendido campanhas militares para lugares distantes, o que 
poderia ter deixado as terras do império desprotegidas, facilitado a aliança de 
povos descontentes e suas ações revoltosas (Nascimento; Carvalho, 2020, p. 
6). 
Entretanto, existem alguns autores que acreditam que o fim dessa época 
se deu devido a uma mudança do regime de chuvas na região. Segundo Weiss: 
As propriedades micromorfológicas e físico-químicas dessas unidades 
definem alterações no regime hidrológico e nas condições do solo 
diagnósticas de mudanças climáticas significativas. Para correlacionar 
eventos geológicos e respostas sociais dentro do registro 
arqueológico, apresentamos dados socioeconômicos e climáticos 
regionais datados. Esses dados definem os principais efeitos de uma 
mudança climática abrupta em -2.200 a.C., ou seja, colapso imperial, 
deserção regional e deslocamento populacional. (Weiss et al., 1993, p. 
996) 
Mesmo com o fim do Império Acádio, as relações entre sumérios e 
acádios não se encerraram, pois ambos os povos acabaram se miscigenando, e 
os idiomas da Assíria e da Babilônia, duas das principais cidades da história da 
mesopotâmia, acabaram sendo de origem semita, tal como o acadiano. 
TEMA 3 – TERCEIRA DINASTIA DE UR (2112 – 2004 A.C) 
Já dissemos acima que, após a queda do Império Acadiano, houve um 
breve período em que a Mesopotâmia voltou a ter as cidades-Estados como a 
sua principal forma de organização social. Esse breve período não foi nada 
pacífico, de modo que foi marcado por várias disputas e guerras entre as 
diversas cidades da região. Por volta de 2112 a.C., o rei Ur-Nammu, de Ur, 
conseguiu reunificar a Mesopotâmia, dando início ao período que conhecemos 
como Terceira Dinastia de Ur (2112-2004 a.C.). 
Ur é uma cidade de origem suméria, tendo surgido ainda durante o 
Período Antigo, e a sua nova hegemonia na região fez com que essa época 
também fosse conhecida como Período Neossumério. 
 
 
 
8 
Figura 4 – Ruinas de Ur 
 
Créditos: Simon Edge/Shutterstock. 
Diferentemente dos monarcas acadianos que buscavam se representar 
como grandes guerreiros, os reis de Ur buscaram se legitimar com base na 
imagem de figuras cultas que “escreviam e falavam diversos idiomas, entendiam 
sobre leis, jurisprudência e administração” (Nascimento; Carvalho, 2020, p. 7). É 
importante deixar claro que os monarcas de Ur ainda reivindicavam para si os 
postos de grandes guerreiros, contudo, isso não era mais tão proeminente como 
havia sido durante o período anterior. Em um sentido muito restrito, é possível 
dizer que os reis deram lugar aos intelectuais. 
Bastante parecido com o que aconteceu durante um período da história 
egípcia, os reis de Ur também criaram escolas de escribas que tinham como 
função educar os filhos das elites locais para o serviço do Estado. Nessas 
escolas, os textos com os quais os alunos aprendiam a ler e a escrever 
transmitiam os valores da monarquia, o que acabava por legitimar o poder real 
frente às elites locais. 
Graças a Nascimento e Carvalho, tivemos acesso a uma fonte de origem 
mesopotâmica, o prólogo do Código de leis de Ur-Nammu, que exemplifica a 
nova forma de apresentação do rei da qual estamos falando. Segue um trecho 
da fonte: 
 
 
9 
An e Enlil deram o reino de Ur para Nanna, nesse tempo Ur-Nammu, 
nascido de Ninsun, mãe adorada, foi criado de acordo com os 
princípios da verdade e da igualdade. Depois os deuses fizeram de Ur-
Nammu um guerreiro poderoso, rei de Ur, da Suméria e da Acádia. 
Seguindo a verdadeira palavra de Utu, o rei estabeleceu a justiça em 
suas terras. Baniu a calúnia, a violência e a fome. Aumentou as 
riquezas dos templos. Criou uma medida. Criou o peso de uma mina. 
Os órfãos não mais eram entregues aos poderosos. As viúvas não 
mais estavam à mercê dos poderosos. O rico não mais dominava o 
pobre. (Nascimento; Carvalho, 2020, p. 8, grifo dos autores) 
 Como podemos ver, o rei é representado como uma figura divina feita 
pelos deuses e cujas ações são sem dúvidas justas. Precisamos estar atentos, 
contudo, para não cairmos no discurso das fontes. É preciso lembrar que esse 
texto foi confeccionado a mando dos reis de Ur, e por mais que o reinado de Ur-
Nammu possa ter sido estável, não temos motivos para acreditar que o rei tenha 
sido tão benevolente como o texto nos faz parecer. 
 Finalmente, a Terceira Dinastia de Ur acaba por volta de 2004 a.C., 
provavelmente devido a um desgaste causado pelas sucessivas campanhas 
militares contra os elemitas e os reis de Mari. Depois do término desse período, 
temos mais uma vez o retorno das cidades-Estados como as principais formas 
de organização social da Mesopotâmia (João, 2013, p. 34). 
TEMA 4 – IMPÉRIO PALEOBABILÔNICO (1894 – 1595 A.C.) 
O término do período da Terceira Dinastia de Ur fez com que a 
Mesopotâmia voltasse a ter nas cidades-Estados independentes a sua principal 
forma de organização social até mais ou menos 1894 a.C., quando teve início o 
Império Paleobabilônico, quando uma das cidades antigas mais conhecidas da 
Ásia, a Babilônia, tornou-se a capital da Mesopotâmia, depois que seu rei 
Hamurabi conquistou a região. 
 João apresenta de maneira bastante simplificada o contexto de ascensão 
da Babilônia como principal cidade da região: 
O período posterior, o Paleobabilônico (1900 a.C.), iniciou-se após uma 
disputa entre os reis de Larsa, Mari e Babilônia, de um lado, e os de 
Eschunna, Elam, tribos montanhesas e Assur, de outro, culminando 
com a vitória dos primeiros. Contudo, Hamurábi, rei da Babilônia, não 
demorou a subjugar os seus aliados, Rimsin de Larsa e Zimrilin de 
Mari, dando início à primeira dominação babilônica na região. (João, 
2013, p. 34-35) 
 Hamurabi não entrou para a história apenas como o rei que unificou a 
Mesopotâmia sob domínio babilônico, ele também é conhecido pela criação do 
Código de Hamurabi, que seria um dos primeiros códigos jurídicos de que temos 
 
 
10 
notícia. O mesmo versa sobre vários assuntos diferentes, tratando de questões 
criminais, passando por temas familiares e até mesmo normatizando alguns 
aspectos da escravidão. 
A extensão de temáticas do Código de Hamurabi já nos é um forte 
indicativo de que buscou-se criar um Estado centralizado com base na Babilônia 
nessa região. Esse documento também nos permite presumir que a escrita tenha 
ocupado um importante papel na administração durante essa época, pois 
sabemos que o próprio rei Hamurabi trocava cartas frequentemente com os 
governadores provinciais. João acredita que o Estado tenha ficado mais 
complexo nessa época e cita algumas instituições e cargos que teriam sido 
criados nela, como o purhum (assembleia de homens livres), shibutum (conselho 
dos anciãos), shakanakum (representante do rei) e makisi (coletor de impostos) 
(João, 2013, p. 35). 
Não sabemos muito acerca da economia dessa época. Provavelmente a 
monarquia e a nobreza continuavam a explorar uma boa parcela de terras, e os 
camponeses, além de trabalharem para eles, deveriam pagar tributos in natura 
dos recursos obtidos em suas próprias plantações. 
O Império Paleobabilônico sofreu com a invasão/migração de povos 
cassitas para a região, embora esses não sejam a causa de seu fim. Esse 
império terminou por volta de 1595 a.C., quando o rei hitita Mursili I conquistou 
esse território. Os hititas eram um povo de origem da Anatólia, cujo território 
atualmente faz parte da Turquia. 
TEMA 5 – OS NOVOS IMPÉRIOS (934 – 539 A.C.) 
Este tema tratará de dois períodos diferentes da história mesopotâmica, 
o primeiro deles é o Império Neoassírio (934-609 a.C.), e o segundo é o Império 
Neobabilônico (625 – 539 a.C.). Como você pode notar, estamos dando um salto 
no tempo de quase um milênio para tratar diretamente dessas etapas finais da 
história da Mesopotâmia. Esse avanço não significa que os períodos que ficaram 
para trás são desinteressantes, pois o fizemos por falta de espaço para tratarmosde todos os períodos da região. 
Voltemos para os temas deste tema, começando pelo Império Neoassírio. 
Os assírios seriam um dos povos a herdarem a língua de Akkad junto com os 
babilônios. A palavra “Assíria” é originada de Assur, localizada no atual Iraque, 
sendo a primeira cidade importante desse povo e também a sua primeira capital. 
 
 
11 
Na sua extensão máxima, esse império conquistou toda a Mesopotâmia, partes 
do Golfo Pérsico, conquistou Damasco, a Fenícia e a Palestina, chegando até o 
monte Tauro na Turquia. 
Esse povo também expandiu a sua fronteira para o mediterrâneo, 
conforme descrito por da Silva: 
A prática de campanhas militares direcionadas à Costa Oriental do 
Mediterrâneo foi continuada pelos seus sucessores e, ao longo do 
Período Neoassírio (934-609 a.C.), foi ampliada. Assurnasirpal II (884-
859 a.C.) alcançou a costa do Levante e recebeu homenagens das 
mesmas cidades fenícias que Tiglath-Pileser I recebera. Também 
reivindicou a soberania sobre a região, realizando o ritual tradicional de 
lavar suas armas no Mar Mediterrâneo. Shalmaneser III (859-824 a.C.) 
manteve o mesmo interesse pela Costa Mediterrânica que seus 
predecessores, dentro dos mesmos limites. (da Silva, 2021, p. 7-8) 
Graças a sua chegada até o mediterrâneo, os assírios tiveram contatos 
com os antigos gregos, que foram marcados por diferentes relações, indo desde 
a rivalidade comercial e a guerra entre esses povos até a presença de 
mercenários gregos no próprio exército assírio (da Silva, 2021, p. 8). 
Os assírios chegaram a trocar de capital durante o seu império, Assur foi 
substituída por Nínive, localizada atualmente no Iraque, antes do seu declínio. O 
fim desse império se deu após a morte do rei Assurbanipal, aproximadamente 
em 627 a.C., quando os seus sucessores não conseguiram manter o império 
unido e Nínive foi saqueada justamente pelos babilônios. 
Com a conquista da Assíria, os babilônios puderam novamente se 
estabelecer como a força hegemônica da região e criar novamente um império. 
Esse novo império ocupou as terras onde hoje estão localizados os seguintes 
países: Iraque (a cidade da Babilônia se localizava nesse território), Israel, 
Líbano, Palestina e Síria. Dentre todos os seus reis, certamente o mais 
conhecido é Nabucodonosor, que ajudou a expandir o império e também realizou 
diversas obras monumentais, a mais conhecida são os Jardins Suspensos da 
Babilônia, que foram consideradas uma das sete maravilhas do mundo antigo 
(João, 2013, p. 35). Um importante símbolo de poder desse Estado era o ritual 
de ano novo, que envolvia o deus Marduk, patrono da Babilônia, e o seu rei. 
Todas as pessoas poderiam participar dos festivais do ano novo, que 
duravam 11 dias e eram dedicados à divindade já citada. A única condição para 
a realização desses festivais era a presença do rei. Machado nos descreve como 
era o ritual de ano novo do qual o rei participava: 
 
 
12 
Ao chegar a Esagila, o rei era desprovido de sua espada, de seu cetro 
e das demais insígnias reais, para ser esbofeteado pelo sacerdote do 
Templo até cair diante de Marduk e jurar que não havia pecado nem 
descuidado do culto ao deus, além de sempre proteger e cuidar do 
bem-estar da Babilônia. 
Após estas confissões, o sacerdote tranqüilizava o rei, devolvia seus 
pertences e o esbofeteava mais uma vez. Se o rei chorasse era um 
bom presságio. (Machado, 2008, p. 4) 
Para Santos, esse ritual significa: “a reinvestidura na realeza e na vice-
regência do deus e símbolo do poder que a esfera do religioso possuía na esfera 
do político no Próximo-Oriente Antigo” (dos Santos, 2004, p. 180). Ou seja, a 
religião ocupava um grande espaço de poder dentro dessa sociedade, e não é 
de se espantar que existam rituais e normas religiosas às quais mesmo o rei 
deveria se submeter. 
O último rei da Babilônia foi Nabonido, do qual sabemos muito pouco. 
Esse monarca não era de descendência real e chegou ao trono depois de uma 
conspiração, sendo ele filho de uma sacerdotisa do deus Sin de Harran e de um 
governador. Não temos detalhes sobre a sua vida antes de sua ascensão real, 
tampouco compreendemos quais eram as suas motivações políticas. O pouco 
que podemos dizer é que esse rei tentou construir para si uma imagem de 
continuidade imperial em relação aos monarcas anteriores (dos Santos, 2018, p. 
202). O que mais chama a atenção durante o reinado de Nabonido é o fato de 
este monarca ter permanecido dez anos da península arábica, tendo confiado o 
governo da capital de seu império, ou seja, a Babilônia, ao seu filho Bel-sharra-
usur. Durante o seu reinado, ele tentou favorecer o deus Sin sobre Marduk, o 
que obviamente despertava a ira dos sacerdotes dessa divindade. Não temos 
muitas informações sobre o ocorrido, mas o fato é que a Babilônia é invadida 
pela Pérsia, sob reinado de Ciro, Bel-sharra-usur é morto no palácio e Nabonido 
foi feito prisioneiro. 
Depois de conquistar a Babilônia, os persas respeitaram as suas tradições 
religiosas e assumiram em certo grau as suas crenças, o que fez com que os 
sacerdotes de Marduk os enxergassem como libertadores (Santos, 2018, p. 
205). 
Após a queda do Império Neobabilônico sob domínio persa, nenhum outro 
povo originário da região voltaria a ter o controle da mesma durante a 
Antiguidade. Por esse motivo, vamos encerrar por aqui a nossa construção da 
história política mesopotâmica. Contudo, isso não significa que a história de um 
povo ou região deixa de ser importante por estar sob domínio estrangeiro, nós 
 
 
13 
precisaríamos de um momento para encerrar esta aula, e este nos parece ser o 
momento mais apropriado. 
Além disso, vale destacar que a história desse território não acabou, ela 
continua sendo escrita até hoje pelos seres humanos que ainda habitam aquela 
riquíssima região. 
NA PRÁTICA 
Observe a seguinte passagem do hino autologio a Shulgi, escrito durante 
o reinado do monarca que dá nome ao hino, tendo sido ele o segundo regente 
da Terceira Dinastia de Ur: 
1-13. Ó meu rei, grande touro, dragão com olhos de leão! Pastor 
Shulgi, [...] poderoso, digno de heroísmo! Homem justo, investido com 
justiça por Utu! Leopardo feroz [...] touro desenfreado que nasceu para 
ser um grande animal! Uma barba de lápis-lazúli, um peito sagrado – 
maravilhoso de se ver! Ó rei, Shulgi, nomeado por An com um bom 
nome! Bom pastor, dotado de força por Enlil, Shulgi, o amado de 
coração de Ninlil! [...] 14-17. Ó, meu rei, quem é tão poderoso quanto 
você e quem é capaz de rivalizar com você? De fato, quem é desde o 
nascimento tão rico em compreensão quanto você? Que seu heroísmo 
brilhe e que você possa ser respeitosamente elogiado! 18-31. Você 
destrói os inimigos, você é poderoso, você é corajoso, quando está em 
Ekur, nas terras estrangeiras hostis você saqueia cidades; como um 
leão Ofegante. Você lança palavras raivosas contra o povo das terras 
estrangeiras que são hostis a Nanna. Você é adornado com 
esplêndidos chifres [...] você traz alegria a Enlil. (Nascimento; 
Carvalho, 2020, p. 8) 
Agora, analise como esse texto ajuda nos esforços da Dinastia de Ur a se 
legitimar politicamente. 
FINALIZANDO 
Nesta aula, aprendemos um pouco sobre a história e a organização 
política na Mesopotâmia, desde suas origens na época das cidades-Estados 
Sumérias independentes até a conquista persa. 
Esta aula acabou se debruçando mais sobre os períodos da história em 
que uma cidade-Estado detinha uma clara hegemonia na região, bem como nos 
momentos em que algumas delas conseguiram exercer algum tipo de controle 
centralizado sobre as demais. Isso não significa que a história deva ser contada 
sempre na perspectiva da centralização de poder, de forma que os momentos 
em que isso não ocorre sejam ignorados. O que fizemos aqui foi um recorte para 
dar conta de milhares de anos de história. 
 
 
14 
O importante a se ter em mente é que a Mesopotâmia é uma das regiões 
mais antigas habitadaspelos seres humanos. Sua história é bastante rica e sem 
dúvidas o seu estudo vai continuar dando bons frutos para o entendimento da 
jornada humana na Terra. 
 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
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Disponível em: 
. Acesso em: 18 mar. 2022. 
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