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CADEIAS 
PRODUTIVAS DO 
AGRONEGÓCIO I –
PROPRIEDADE 
AGRÍCOLA E 
PRODUÇÃO
Alan Malinsk
 
Agronegócio e sistemas 
de produção
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Definir uma base conceitual para a implantação de sistema de pro-
dução vinculada à cadeia do agronegócio.
 � Descrever os processos e meios para a implementação de sistemas 
de produção.
 � Construir sistemas de produção efetivos para o agronegócio.
Introdução
Os sistemas de produção são um dos componentes da cadeia produtiva 
do agronegócio no âmbito da propriedade rural. Eles são definidos a 
partir dos fatores de produção (terra, capital e mão de obra) e estão 
interligados pelos processos de gestão (ambiental, de pessoas, econômica, 
de mercado, entre outras). 
Neste capítulo, você vai ver aspectos conceituais de sistemas de pro-
dução. Além disso, vai conhecer os processos e elementos necessários 
para sua implementação ou seu aperfeiçoamento.
Conceitos para a implantação de sistemas de 
produção
As atividades econômicas, tecnológicas, políticas e sociais vinculadas à pro-
dução, à transformação, à distribuição e ao consumo da produção primária 
(animal ou vegetal) têm merecido atenção destacada na comunidade mundial. 
Esse fato está relacionado à função que esses produtos, em especial os ali-
mentares, desempenham em qualquer grupo social.
Durante as últimas décadas, tem-se intensificado a percepção de que o 
mundo está vivenciando uma etapa de transição agrícola. A preparação de 
sistemas de produção inovadores na agricultura mundial vem se defrontando 
com distintas transformações dos padrões do comércio globalizado. 
Como você sabe, a função primordial do alimento é a manutenção da vida. 
Além disso, a produção de alimentos envolve fatores ligados aos aspectos 
antropológicos, sociológicos, ambientais e econômicos, que conferem os 
valores comportamentais e a identidade cultural a uma população. 
As demandas crescentes por alimentos, fibras e energia estão incorporadas 
à necessidade de preservação ambiental e à disponibilidade limitada de terras 
para a expansão da área cultivada. Isso exige que as organizações agrícolas 
identifiquem, criem, compartilhem e apliquem conhecimentos e tecnologias 
adequados. Você pode considerar que o setor agrícola vivencia uma nova 
situação. E essa situação deverá ser fundamentada no uso intensivo de dados, 
informações e conhecimentos (a respeito das pessoas, dos processos e das 
tecnologias), que devem ser apropriados pelas organizações rurais. Essa gestão 
deverá resultar no aumento da produtividade e na racionalização do uso dos 
recursos naturais, dos meios de produção e dos insumos, com o propósito de 
garantir sustentabilidade aos sistemas de produção agrícola. 
As atividades produtivas passaram a integrar amplo processo social de 
pesquisa e desenvolvimento, planejamento estratégico, inovação e marketing. 
Dessa forma, a agricultura deixou de ser, pela aliança com o setor industrial, 
um setor isolado da economia de qualquer sociedade para se tomar parte inte-
grante de um conjunto maior de atividades inter-relacionadas: o agronegócio.
Em 1957, Davis e Goldenber elaboraram um dos primeiros conceitos de 
agronegócio (agribusiness): 
[...] a soma total das operações de produção e distribuição de insumos agríco-
las; as operações de produção nas propriedades agrícolas; o armazenamento, 
processamento e distribuição dos produtos agrícolas e itens produzidos a 
partir deles.
Agronegócio e sistemas de produção2
 � Insumo: é a combinação de fatores de produção diretos (matérias-primas) e indiretos 
(mão de obra, energia, tributos) que entram na elaboração de certa quantidade 
de bens ou serviços.
 � Produção: é o trabalho do agropecuarista por meio do cultivo do solo e/ou da cria-
ção de animais, independentemente do tamanho da área ou do método utilizado.
 � Processamento: é a transformação do produto agropecuário em subprodutos, 
que podem ser bens de consumo ou insumos para outros processos, como leite, 
queijos, carnes, embutidos, rações, fios e corantes.
 � Armazenagem e distribuição: caracterizam-se pelo transporte, pela armazena-
gem e pela distribuição dos bens agropecuários, bem como pela área de logística, 
importante para diminuir os custos e sempre bastante visada.
O termo agribusiness espalhou-se e foi adotado por diversos países. No 
Brasil, essa nova visão da agricultura levou algum tempo para chegar. Só a 
partir da década de 1980 começou a haver difusão do termo, ainda em inglês. 
Não eram raras as discussões sobre a utilização da versão estrangeira ou 
a tradução literal para o português (“agronegócios”), ou ainda sobre o uso 
das expressões complexo agroindustrial, cadeias agroeconômicas e sistema 
agroindustrial; todas, como você pode perceber, com a intenção de transmitir 
um mesmo significado. Somente a partir da segunda metade da década de 
1990 é que o termo “agronegócio” começou a ser aceito e adotado de forma 
hegemônica (MASSILON, 2005).
Em 1968, Ray Goldberg utilizou um conceito mais generalista com estudos 
de casos específicos — produtos agrícolas norte-americanos como laranja, soja 
e trigo — e apresentou a necessidade de entender o agronegócio da perspectiva 
dos sistemas agroindustriais, introduzindo o conceito de Commodity System 
Approach (CSA). Esse autor define CSA como: 
[...] todos os participantes envolvidos na produção, processamento e marketing 
de um produto específico. Inclui o suprimento das fazendas, operações de 
estocagens, processamento, atacado e varejo envolvidos em fluxo desde a 
produção de insumos até o consumidor final. Inclui as instituições que afetam 
e coordenam os estágios sucessivos do fluxo do produto, tais como governo, 
associações e mercados futuros. 
3Agronegócio e sistemas de produção
Como você pode observar, esse conceito de CSA tem por origem matérias-
-primas, no caso, uma commodity, que pode possibilitar o surgimento de outros 
produtos distintos. Ele evolui com questões associativas e governamentais, 
com foco no consumidor final. No caso da soja, por exemplo, duas grandes 
categorias de produtos finais se destacam: o farelo de soja e o óleo de soja 
(BATALHA; SCARPELLI, 2005; MASSILON, 2005). 
Na década de 1960, surge na França o conceito de filiere (em português, 
“fileira”, “cadeia”) aplicado ao agronegócio. A análise da filiere (ou “cadeia 
produtiva” em português) de cada produto agropecuário permite visualizar as 
ações e inter-relações entre todos os agentes que a compõem e dela participam. 
As principais características de cadeias produtivas são as seguintes, de acordo 
com Albagli et al., citado por Massilon (2005): 
 � refere-se ao conjunto de etapas consecutivas pelas quais passam, se 
transferem e se transformam os diversos insumos que ingressam no 
sistema, em ciclos de produção, distribuição e comercialização de bens 
e serviços; 
 � implica divisão de trabalho, na qual cada agente ou conjunto de agentes 
realiza etapas distintas do processo produtivo; 
 � amplia os aspectos locais para além de uma mesma região ou localidade; 
 � setoriza os sistemas de produção para dentro das empresas.
Batalha e Scarpelli (2005) comentam que os estudiosos brasileiros, quando 
analisam o conjunto de todas as cadeias agroindustriais vinculadas a produ-
tos de determinada matéria-prima do setor agropecuário (soja, milho, cana, 
carnes, entre outros), tem caracterizado esse conjunto como um complexo 
agroindustrial.
A compreensão do agronegócio, em todos os seus componentes e suas 
inter-relações, é uma ferramenta indispensável a todos os tomadores de deci-
são, sejam autoridades públicas, agentes econômicos privados ou produtores 
rurais, para que formulem políticas e estratégias com maior previsão e má-
xima eficiência. E, para tanto, se faz necessária uma visão sistêmica do setor 
(HIRAKURI et al., 2012).
Agronegócio e sistemas de produção4
Nesse contexto, um sistema é definido como a combinação de partes inter-ligadas, formando um todo organizado ou complexo (CHIAVENATO, 2000). 
Neste capítulo, você vai se deparar com o conceito de sistema de produção 
proposto por Hirakuri et al. (2012): “O sistema de produção é composto pelo 
conjunto de sistemas de cultivo e/ou de criação no âmbito de uma propriedade 
rural, definidos a partir dos fatores de produção (terra, capital e mão de obra) 
e interligados por um processo de gestão” (HIRAKURI et al., 2012, p. 13).
Como implementar um sistema de produção
Um sistema de base agroindustrial é composto pelas fases sequenciais da 
cadeia produtiva, englobadas pelos ambientes institucional e organizacional. As 
fases da produção são interligadas por transações típicas, que caracterizam o 
sistema e, muitas vezes, caracterizam as estratégias e tempos (Tn) diferenciados 
das empresas que nele atuam. Em um mesmo sistema, você pode observar 
diferentes arranjos das transações (Figura 1).
Figura 1. Sistema de base agrícola.
Fonte: Adaptada de Zylbersztajn (1995).
Walters et al (2016) destacam que os sistemas de produção agrícola sofrem 
alterações rápidas em resposta às mudanças nos custos de produção, à demanda 
do consumidor e às preocupações crescentes pela segurança alimentar e pelo 
impacto ambiental. A grande preocupação global é a necessidade de desenvolver 
sistemas de produção que abordem os aspectos sociais, a conservação ambiental 
e a qualidade do alimento, mantendo uma alternativa economicamente viável 
para os agricultores.
5Agronegócio e sistemas de produção
Os princípios que o conceito de sistemas enfatiza são destacados por Capra (1996):
 � Visão do todo: a abordagem sistêmica visa ao estudo do desempenho total de 
sistemas em vez de se concentrar isoladamente nas partes.
 � Interação e autonomia: sistemas são sensíveis ao meio ambiente com o qual eles 
interagem, o qual é geralmente variável, dinâmico e imprevisível. A fronteira do 
sistema estabelece os limites da autonomia interna, a interação entre os compo-
nentes do sistema e a relação deste com o ambiente.
 � Organização e objetivos: em um sistema imperfeitamente organizado, mesmo 
que cada parte opere o melhor possível em relação aos seus objetivos específicos, 
os objetivos do sistema como um todo dificilmente serão satisfeitos.
 � Complexidade: esse enfoque parte do princípio de que, devido a interações entre 
os componentes e entre o meio ambiente e o sistema como um todo, este é bem 
mais complexo e mais abrangente do que a soma das partes individuais.
 � Níveis: sistemas podem ser entendidos em diversos níveis. Considere, por exem-
plo, uma célula, uma folha, um animal, uma propriedade, uma região, o planeta 
e assim por diante.
Para um panorama geral das teorias sistêmicas e do pensamento sistêmico, consulte 
o livro Pensamento sistêmico: o novo paradigma da ciência (VASCONCELLOS, 2002).
A implantação ou a melhoria de um sistema de produção independe ex-
clusivamente do anseio do produtor rural e deve ter vínculo direto com a 
disponibilidade dos fatores de produção. Um aspecto decisivo é a necessidade 
de que o sistema seja estruturado e planejado estrategicamente com foco nos 
objetivos e metas que, ao serem elaborados, devem levar em conta as demandas 
do mercado consumidor.
Segundo Antle, Jones e Rosenzweig (2017), a nova geração de modelos de 
sistemas agrícolas deve acelerar o progresso em direção ao objetivo de enfrentar 
desafios de segurança alimentar e bioenergias de forma sustentável. Mas, para 
ser uma parte útil desse processo de inovação agrícola, os modeladores de 
sistemas agrícolas devem evoluir e romper a continuidade dos sistemas usuais.
Agronegócio e sistemas de produção6
Processos e elementos para a construção de sistemas 
de produção
Na atualidade, há um intenso debate acerca das abordagens e intervenções 
para o desenvolvimento de sistemas agrícolas. Soma-se a isso a distância 
cognitiva entre modelos diferentes de percepção do mundo. Os cenários que 
emergem dos censos agropecuários mundiais mostram que a maior parte dos 
agricultores do mundo é pobre, vive nos países subdesenvolvidos, trabalha 
em pequenas áreas e está distante, em diversos graus, dos conhecimentos e 
práticas propostos pela ciência agrícola moderna (AZEVEDO, 2007).
A ideia de sistema representa um conceito antigo, originário da palavra grega synhis-
tanay (que significa “colocar junto”).
A evolução na direção do pensamento sistêmico vem ocorrendo em várias 
áreas da ciência, inclusive na agricultura. Nessa área, o enfoque sistêmico tem 
se tornado cada vez mais importante em função da crescente complexidade 
de sistemas organizados e manejados pelo humano — os agroecossistemas. 
Além disso, está em jogo a emergência do paradigma da sustentabilidade, que 
lançou novos desafios às organizações rurais, sobretudo em relação à questão 
socioambiental (PINHEIRO, 2000). 
Para efeitos de análise, neste capítulo “ [...] um sistema é definido como 
um conjunto de componentes inter-relacionados e organizados dentro de uma 
estrutura autônoma (propriedade rural), operando de acordo com objetivos 
determinados” (PINHEIRO, 2000).
7Agronegócio e sistemas de produção
Para trazer o conceito de propriedade rural para o plano da experiência vivida, Azevedo 
(2007) comenta que é necessário considerar que nesses locais há pessoas, animais e 
plantas desejadas, animais e plantas indesejadas, terra para se plantar, água, conheci-
mento, trabalho, sonhos, desejos, expectativas e outros inumeráveis objetos-chave. 
Tudo isso, ao se combinar, se transforma na organização rural, novo objeto-chave 
emergido das relações entre esses primeiros objetos. Entendida assim, a propriedade 
deixa de ser um “objeto” puramente material e passa a ser um conceito.
Para a elaboração de modelos conceituais nos sistemas de produção do 
agronegócio, os modelos de sistemas agrícolas têm inúmeras peculiaridades. 
Estas, por sua vez, dependem dos processos envolvidos, de suas escalas e 
da ampla gama de propósitos que motivaram seu desenvolvimento (JONES 
et al., 2017). Na Figura 2, você pode ver escalas/níveis em que os modelos 
de sistemas agrícolas são desenvolvidos, juntamente aos tipos de usuários e 
decisões e políticas de interesse.
Figura 2. Níveis e escalas de sistemas agrícolas em função de usuários, tomada de decisão 
e políticas de interesse.
Fonte: Jones et al. (2017, p. 248). 
Agronegócio e sistemas de produção8
Outro conceito-chave para a compreensão dos sistemas é o de complexidade. 
Ele pode ser depreendido da dificuldade, ou até mesmo incapacidade, de se 
perceber com facilidade e de modo intuitivo o funcionamento dos sistemas. 
É consequência do número de elementos que podem ser isoladamente defini-
dos, bem como do número e da natureza das relações estabelecidas entre os 
elementos (AZEVEDO, 2007). 
Antle, Jones e Rosenzweig (2017) mostram que a maioria dos produtores 
precisa de modelos de sistemas que representem fazendas na sua integralidade. 
Em particular, para fazendas de pequeno porte no mundo em desenvolvimento, 
são necessários modelos que levem em conta as interações entre cultivos múl-
tiplos e, muitas vezes, gado. No entanto, muitos modelos de sistemas agrícolas 
representam apenas culturas únicas e têm capacidade limitada para simular 
interações ou inter-relações entre vegetais e gado. Por quê? Uma explicação 
é que muitos modelos foram desenvolvidos nas partes mais industrializadas 
do mundo, onde as principais culturas de commodities são produzidas. Outra 
explicação é que os modelos de culturas individuais são mais fáceis de criar, 
exigem menos recursos computacionais e são conduzidos por um conjunto 
menor de dados do que os modelos de rotações de culturas, policultivos ou 
sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta.
Um primeiro passo para perceber o potencial dos modelos de sistemas 
agrícolas é reconhecer que a maioria dos trabalhos tem sido realizada por 
cientistas em instituições de pesquisa ou acadêmicas. Portanto, é motivada 
por pesquisas e consideraçõesacadêmicas mais do que pelas necessidades dos 
usuários. Um grande desafio para o desenvolvimento de uma nova geração de 
modelos, projetados para atender às necessidades dos usuários, é transformar 
o processo de desenvolvimento do modelo “na sua cabeça”, começando com 
as necessidades dos usuários e voltando aos modelos e dados necessários para 
quantificar a relevância das saídas do sistema de produção (ANTLE; JONES; 
ROSENZWEIG, 2017).
Na Figura 3, você pode ver um panorama das características dos dados 
de nível de fazenda e das ferramentas de decisão, assim como dos dados em 
escala de paisagem e das ferramentas analíticas que suportam políticas de 
base científica e suas inter-relações. Conforme descrevem Capalbo, Antle e 
Seavert (2017), embora a tomada de decisões ao nível da fazenda e a análise 
da escala de paisagem tenham propósitos diferentes, ambas dependem tanto 
dos dados privados quanto das características específicas do terreno e da 
fazenda, das decisões de gerenciamento específicas da região e do que é 
9Agronegócio e sistemas de produção
realizado na propriedade, bem como de dados públicos (clima e outros dados 
físicos que descrevem um local específico, além de preços e outros dados 
econômicos disponíveis publicamente). Uma questão-chave para o projeto 
da infraestrutura de conhecimento agrícola é como ambos os tipos de dados 
podem ser coletados, gerenciados e utilizados de forma eficiente e segura.
Figura 3. Ligações entre dados e ferramentas de decisão em escala de fazenda e paisagem.
Fonte: Antle et al (2015, p. 248).
Agronegócio e sistemas de produção10
Euclides Filho (2000) destaca que sistemas de produção de gado de corte são o 
conjunto de tecnologias e práticas de manejo. Eles incluem também o tipo de animal, 
o propósito da criação, a raça ou grupamento genético e a ecorregião onde a atividade 
é desenvolvida. Devem-se considerar, ainda, ao se definir um sistema de produção, 
os aspectos sociais, econômicos e culturais. Afinal, como você sabe, esses fatores têm 
influência decisiva, principalmente nas modificações que poderão ser impostas por 
forças externas e, especialmente, na forma como tais mudanças deverão ocorrer para 
que o processo seja eficaz e as transformações alcancem os benefícios esperados. 
Permeando todas essas considerações, devem estar a definição do mercado e a 
demanda a ser atendida, ou seja, quais são e como devem ser atendidos os clientes 
ou consumidores.
Construir e alterar sistemas de produção
Empresas, organizações não governamentais, organizações de representação 
setorial, governos e consumidores foram afetados pelo ciclo de reorgani-
zação em todos os sistemas produtivos que sucedeu à chamada revolução 
verde. O período subsequente à Segunda Guerra Mundial foi caracterizado 
pelas mudanças tecnológicas e pelo aumento da produção de alimentos. Já o 
período contemporâneo caracteriza-se pelo foco na gestão e na governança 
dos sistemas de produção. 
Zylberstajn (2013) comenta sobre o debate da desindustrialização brasi-
leira, que alguns autores associam ao avanço dos sistemas de base agrícola 
(Figura 1). Esses autores sugerem que a performance do agronegócio se dá 
em detrimento da atividade industrial. Zylberstajn afirma que conceito de 
indústria ou de atividade industrial não exclui a agricultura. Nesse sentido, a 
atividade industrial é aquela que produz mercadorias em grande escala, e as 
atividades agrícolas são as que geram grandes impactos nos setores conecta-
dos a ela, como máquinas agrícolas, insumos de sanidade vegetal e animal, 
equipamentos industriais, serviços, etc.
Nesse contexto, o autor sugere quatro fatores críticos em sistemas de 
base agrícola: desverticalização, novos atores, flexibilização e redesenho dos 
sistemas de direito de propriedade. A seguir, você vai conhecer melhor cada 
um desses aspectos.
11Agronegócio e sistemas de produção
 � Desverticalização: tem origem na industrialização da agricultura. 
A unidade de produção agrícola e o sistema de base agrícola podem 
ser vistos como firma “coasiana”, ou seja, um nexo de contratos entre 
agentes especializados. Tal definição extrapola consideravelmente a da 
firma agrícola tradicional, que era tratada na teoria da firma. A firma 
vista pela teoria da produção nada tem a ver com a firma agrícola 
do mundo real. Como decorrência, o processo de desverticalização 
da atividade agrícola prossegue com o surgimento de mecanismos 
contratuais complexos. A cooperação entre agentes especializados 
visando à criação de valor pode ser uma forma superior aos processos 
de produção totalmente integrados verticalmente.
Na produção da soja em regiões com dupla safra de soja e milho, a especificidade 
temporal impede que contratos externos sejam realizados. O produtor precisa ter o 
seu próprio equipamento, pois tem poucas horas para colher uma safra e plantar a 
safra seguinte. Soluções mistas são comuns, casos em que o produtor contrata uma 
parte da atividade e integra a outra parte.
 � Novos atores: existem algumas regularidades quanto às características 
dos novos gestores de organizações agrícolas, como a tendência a residir 
na área urbana, o aumento do acesso à rede mundial, o aumento do 
grau de escolaridade e a faixa etária que se eleva ao longo do tempo. 
Os novos atores passaram a atuar nos sistemas de base agrícola, como 
os fundos de investimento, e os investidores individuais focalizam as 
atividades com gestão profissionalizada. Em decorrência, emergiu 
a governança corporativa, e os aspectos ligados à sucessão familiar 
passaram a representar importantes temas.
Agronegócio e sistemas de produção12
Nas granjas integradas ou autônomas de suínos e aves, se observa também o cresci-
mento das agroholdings, empresas de investidores corporativos geridas profissional-
mente, em geral com múltiplas unidades.
 � Flexibilização: esse aspecto decorre da intensificação do comércio 
internacional, que caracterizou a segunda metade do século XX, inau-
gurando uma nova configuração do mapa estratégico global. Para os 
sistemas de base agrícola brasileiros, dois elementos são relevantes, a 
saber: o crescimento da renda doméstica e as exportações de commo-
dities. A flexibilidade surge como fator de competitividade, uma vez 
que se considera a diversidade dos perfis dos mercados doméstico, 
internacional de baixa exigência e internacional com exigências espe-
ciais. Como implicação, surgem o estabelecimento de contratos com 
parceiros internacionais, o conhecimento dos ambientes institucionais 
regulatórios dos países de destino, assim como o desenvolvimento de 
mecanismos de monitoramento e de informações compatíveis com as 
necessidades.
Como exemplo de flexibilização, você pode considerar os programas de estudo 
financiados pela comunidade europeia. Eles buscam desenvolver conhecimento sobre 
os sistemas de suprimento nos países originadores (rastreabilidade).
 � Redesenho dos sistemas de direito de propriedade: a teoria econômica 
dos direitos de propriedade foi ampliada com a aplicação do seu conceito 
no estudo de sistemas de base agrícola. Assim, tem coberto aspectos de 
qualidade e segurança do alimento, direito do consumidor, estratégias 
de cobrança por atributos, estudos de preferência dos consumidores e 
demanda por atributos, entre outros. Isso destaca os papéis dos con-
sumidores, dos stakeholders e das gerações futuras, que introduzem 
aspectos novos a serem considerados nos sistemas de produção.
13Agronegócio e sistemas de produção
O direito do consumidor é um exemplo do redesenho dos sistemas, de modo especial 
quanto à informação sobre os atributos existentes no produto. Toda a indústria de 
certificação tem a sua base estabelecida a partir da necessidade de revelar informações 
sobre atributos não observáveis, informações estas que são objeto da transação.
Os sistemas de produção
Os sistemas de produção foram classificados pela complexidade e pelo grau 
de interação entre cultivo e/ou criação, processos que os formam.Em relação 
à sua complexidade, os sistemas de produção podem ser classificados como:
 � Sistema em monocultura ou produção isolada: ocorre quando, em 
determinada área, a produção vegetal ou animal se dá de forma isolada 
em um período específico, que normalmente é categorizado como um 
ano agrícola. Como exemplo de monocultura, você pode considerar o 
cultivo de soja intercalado por períodos de pousio e realizado durante 
vários anos na mesma gleba.
O pousio sem cobertura tem efeitos negativos sobre as propriedades dos solos. 
 � Sistema em sucessão de culturas: ocorre quando se tem a repetição 
sazonal de uma sequência de duas espécies vegetais no mesmo espaço 
produtivo por vários anos. Por exemplo, em uma determinada gleba, 
pode ser adotado um sistema de sucessão soja-trigo, sendo o cultivo 
da soja na primavera e no verão e o do trigo no outono e no inverno.
 � Sistema em rotação de culturas: ocorre por meio da alternância or-
denada, cíclica (temporal) e sazonal de diferentes espécies vegetais em 
um espaço produtivo específico.
Agronegócio e sistemas de produção14
 � Sistema em consorciação de culturas ou policultivo: ocorre quando 
duas ou mais culturas ocupam a mesma área agrícola em um mesmo 
período de tempo.
 � Sistema em integração: ocorre quando sistemas de cultivo/criação de 
diferentes finalidades (agricultura ou lavoura, pecuária e floresta) são 
integrados entre si, em uma mesma gleba, com o intuito de maximizar 
o uso da área e dos meios de produção, bem como de diversificar a 
renda. Nesse contexto, destacam-se quatro possíveis tipos de sistemas 
integrados:
 ■ lavoura-pecuária (soja e milho com sucessão de pastagem); 
 ■ lavoura-floresta (soja nas entrelinhas do eucalipto);
 ■ pecuária-floresta (gado sobre pastagem em reflorestamento de 
eucalipto);
 ■ lavoura-pecuária-floresta (cultivo de milho seguido de pastagem 
com entrada de bovinos em área de eucalipto).
O sistema de cultivo refere-se às práticas comuns de manejo associadas a determinada 
espécie vegetal. Ele visa à produção a partir da combinação lógica e ordenada de um 
conjunto de atividades e operações. No caso da produção animal, esse processo é 
chamado de sistema de criação. 
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Agronegócio e sistemas de produção16
 
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