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Estágio I – Arquivos Intermediários e Correntes Autor: Marcelo Silva Lorenço Nome da Orientadora: Camila Giovana Ribeiro Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Curso Arquivologia (FLC26722BAQ) – Estágio I 30/09/2024. RESUMO Os arquivos correntes contêm documentos frequentemente consultados, essenciais para as atividades administrativas, fiscais e jurídicas. Os arquivos intermediários, por sua vez, são compostos por documentos que, apesar de não serem frequentemente acessados, mantêm relevância para questões administrativas ou jurídicas. A gestão adequada desses arquivos é fundamental para a preservação da memória institucional e para garantir uma administração eficaz e econômica. Além disso, a implementação de um laboratório virtual de arquivologia oferece aos estudantes a oportunidade de simular atividades práticas de gestão documental, aplicando normas como o Código de Classificação e a Tabela de Temporalidade. Essa experiência proporciona uma compreensão aprofundada dos processos arquivísticos, embora apresente desafios na classificação de documentos. Uma visita técnica aos arquivos da UBM revelou a necessidade de melhorias significativas na organização e conservação dos documentos, que estavam mal acondicionados e expostos a condições inadequadas. Recomenda-se a relocação do arquivo para uma área mais próxima da administração, além da adoção de medidas para melhorar as condições de armazenamento, como controle de umidade e segurança. Este trabalho evidencia a importância da gestão documental eficiente e as práticas necessárias para garantir a preservação e recuperação adequada dos arquivos, preparando os alunos para os desafios do mercado de trabalho. Palavras-chave: Arquivos correntes. Arquivos intermediários. Gestão documental 1 INTRODUÇÃO Este relatório de estágio tem como objetivo relatar as atividades desenvolvidas no campo da gestão documental, com ênfase na organização e conservação de arquivos correntes e intermediários. A importância desses arquivos está diretamente relacionada à eficiência administrativa e à preservação institucional. Como afirma Bellotto (2004), os arquivos correntes contêm documentos indispensáveis ao funcionamento diário de uma organização, enquanto os intermediários, embora menos consultados, ainda possuem valor administrativo e jurídico, justificando sua preservação temporária. Dessa forma, a gestão desses arquivos é essencial para garantir uma administração eficaz e econômica. De acordo com Camargo (2009), os documentos de arquivo não diferem de outros documentos pelo seu aspecto físico ou por ostentarem sinais especiais facilmente reconhecíveis. Tais documentos se caracterizam pelo papel que exercem no processo de desenvolvimento das atividades de uma pessoa ou um organismo (público ou privado), servindo-lhes também de prova. Durante o estágio, foi possível participar da implementação de um laboratório virtual de arquivologia, que oferece aos estudantes uma experiência prática na gestão de documentos, aplicando normas como o Código de Classificação e a Tabela de Temporalidade. Essa simulação proporcionou um entendimento mais profundo dos processos arquivísticos, ao mesmo tempo em que apresentou desafios, especialmente na classificação de documentos. Além disso, uma visita técnica aos arquivos da Universidade Bento Morais (UBM) permitiu observar a necessidade de melhorias significativas na organização e conservação dos documentos, que estavam mal acondicionados e expostos a condições inadequadas. Os arquivos intermediários desempenham um papel crucial na transição dos documentos, pois permitem uma organização eficaz dos registros que ainda são úteis para a administração, mas que não precisam de consultas constantes. Com base nisso, recomendou-se a relocação do arquivo para uma área mais próxima da administração e a adoção de medidas de controle ambiental, como umidade e segurança, visando a melhorar as condições de armazenamento e preservar a memória institucional. Lodolini (1995 citado por NÚÑEZ FERNÁNDEZ, 1999) afirma que os arquivos intermediários são uma reação dos sistemas arquivísticos diante do crescimento geométrico da produção e acumulação da documentação, da impossibilidade de se conservar tudo; e da necessidade de intervenção dos arquivistas na organização e gestão dos fundos mediante técnicas de gestão de documentos. Podemos dizer que a utilização do arquivo intermediário adotado como depósito, ou seja, acumulação indiscriminada de documentos, que não foram avaliados e podem não ter valor primário e secundário e nem potencial de uso. Uma administração adequada dos arquivos correntes e intermediários é fundamental para garantir a continuidade e eficiência das atividades institucionais, ao mesmo tempo em que se prepara o destino dos documentos, seja para eliminação ou preservação permanente. Este trabalho busca, portanto, evidenciar a importância da gestão documental eficiente e as práticas necessárias para garantir a preservação e recuperação adequada dos arquivos, preparando os alunos para os desafios do mercado de trabalho. É neste pensamento que o conjunto dos documentos produzidos irá formar o que chamamos de documentação (ou arquivo), em que entrará em cena a gestão dos documentos enquanto estratégia de administração do que se produz na organização em nível de informação, seja físico ou digital. No que tange à gestão documental (MAQUES E LOPES, 2012). A gestão documental bem implantada possibilita a organização da massa documental, respeitando a sua proveniência e o seu fluxo, auxiliando na recuperação da informação de forma eficiente e segura, pode-se dizer que ao gerenciar os documentos os benefícios são múltiplos, como, por exemplo, rapidez para disponibilizar a informação (OLIVEIRA & BEDIN, 2018). 2 FUNDAMENTAÇÃO TÉORICA A gestão de arquivos correntes e intermediários é um elemento crucial para a organização e manutenção da informação nas instituições. Estes arquivos têm funções específicas, porém igualmente relevantes, no ciclo de vida dos documentos, exigindo métodos específicos para sua gestão e guarda. Entender as particularidades e funções de cada tipo de arquivo é crucial para uma administração eficiente e ajustada às demandas administrativas (BRITO FEITOSA & DUARTE, 2020). Para Almeida (1987), os arquivos possuem a missão de disseminar a informação para as pessoas que dela necessitam para uma tomada de decisão, facilitando a relação entre o indivíduo e a informação. ...a principal finalidade do arquivo é servir à administração, constituindo-se, consequentemente, em base de conhecimento da história. As funções básicas dos arquivos são a guarda e a preservação dos documentos, visando a sua utilização. (PAES, 1997, p.37) Os documentos em uso correntes são aqueles que são frequentemente consultados e empregados nas atividades diárias da instituição. A gestão eficiente desses documentos exige uma estrutura que facilite o acesso e a recuperação de informações. As técnicas de classificação e indexação são fundamentais neste cenário, uma vez que auxiliam na categorização dos documentos, facilitando sua rápida localização pelos usuários. Os documentos contidos nos arquivos intermediários são documentos que não são mais frequentemente consultados, mas que ainda têm relevância administrativa, jurídica ou fiscal. A administração desses documentos requer uma análise de sua importância e a estipulação de padrões para o seu armazenamento, conservação e destino possível. É crucial que as entidades estabeleçam políticas transparentes para estabelecer o período de conservação dos documentos antes de serem excluídos ou movidos para os arquivos permanentes (BRITO FEITOSA & DUARTE, 2020). À medida que a informação arquivística torna-se menos utilizada ao longo do processo decisório, tende-se a eliminá-laou a conservá-la temporariamente (arquivos intermediários administrados pela própria agência produtora ou pelas instituições arquivísticas). (JARDIM, 1995, p.55) A adoção de sistemas de gerenciamento de documentos é uma tática eficiente para aprimorar a gestão de arquivos correntes e intermediários. Esses sistemas possibilitam o gerenciamento e a estruturação de documentos, além de disponibilizarem recursos que simplificam a procura e a recuperação de informações. A tendência de digitalização de documentos também é crescente, auxiliando na diminuição do espaço físico necessário para armazenamento e otimizando a administração da informação. A formação constante dos especialistas em Arquivologia é um elemento crucial para aprimorar a administração de arquivos. O treinamento de proteção garante que os arquivistas se mantenham no dia com as melhores práticas e tecnologias existentes. A compreensão da legislação e das diretrizes associadas à gestão de documentos é igualmente crucial, pois direciona as escolhas e medidas necessárias para garantir a conformidade legal (GONÇALVES et al, 2022). No Brasil, a gestão de documentos se institucionalizou com a aprovação da Lei 8.159 de 8 de janeiro de 1991, que dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados. A mencionada lei, em seu artigo 3º define gestão documental como sendo: ... o conjunto de procedimentos e operações técnicas referentes à sua produção, tramitação, uso, avaliação e arquivamento em fase corrente e intermediária, visando a sua eliminação ou recolhimento para guarda permanente (BRASIL, 1991). As normas jurídicas que orientam a administração de documentos no Brasil impedem que as entidades implementem práticas que garantam a transparência e o acesso à informação. Por exemplo, a Lei de Arquivos e a Política Nacional de Gestão de Documentos e Arquivos definem os requisitos que as instituições devem cumprir, enfatizando a relevância da conservação e do acesso à informação pública. A prática de eliminação de documentos é um aspecto crucial na administração de arquivos intermediários. As entidades necessitam definir padrões específicos para essa fase, garantindo que apenas os documentos que não possuam mais relevância sejam descartados. Este procedimento necessita de uma documentação detalhada que confirme o destino dos documentos descartados, garantindo a responsabilidade e a transparência na administração (HOLSTEIN e ROCKEMBACH, 2021). A gestão de arquivos também deve considerar a proteção da informação. É obrigatório que as entidades implementem ações que resguardem os documentos de acessos não permitidos, garantindo a confidencialidade e a integridade das informações. Isso pode envolver a instalação de sistemas de gerenciamento de acesso e a execução de auditorias regulares. A gestão de arquivos é afetada diretamente pela cultura organizacional. Organizações que dão importância à organização e à conservação da informação geralmente adotam práticas mais eficazes. Incentivar uma cultura de conscientização sobre a relevância da gestão de documentos pode representar um avanço importante para melhorar a eficácia operacional e esclarecer as atividades institucionais (PINTO et al, 2023). As entidades precisam estar dispostas a revisar e modernizar suas políticas de administração de documentos, levando em conta as mudanças nas demandas organizacionais e nas tecnologias de disposição. A inovação e a capacidade de adaptação são fundamentais para preservar a pertinência e a efetividade das práticas de arquivo. A incorporação de tecnologias emergentes na administração de arquivos é um movimento que está ganhando terreno nas instituições. Por exemplo, a aplicação de inteligência artificial e aprendizado de máquina pode simplificar a automação de processos, aprimorar a classificação de documentos e aprimorar a localização de informações. Essas ferramentas revolucionaram a administração de arquivos, proporcionando melhorias consideráveis em eficiência e eficácia (PINTO et al, 2023). A comunicação e a cooperação são essenciais para administração de arquivos. A colaboração entre diversos departamentos e especialistas da instituição pode aprimorar o processo de organização de documentos, garantindo que as demandas de todos os setores sejam atendidas. A formação de comitês ou equipes especializadas na gestão de documentos pode ser uma tática eficiente para promover essa cooperação. As práticas de administração de arquivos vão além do armazenamento físico, incluindo também a conservação digital. O processo de digitalização de documentos não apenas simplifica o acesso, como também auxilia na conservação a longo prazo. É crucial que as entidades elaborem táticas para garantir a integridade dos documentos digitais, considerando fatores como a desatualização de formatos e o armazenamento seguro (MARIA OLIVEIRA et al, 2023). 3 VIVÊNCIA DO LABORATÓRIO VIRTUAL O Laboratório Virtual de Arquivologia é uma ferramenta inovadora que proporciona uma experiência prática fundamental para o ensino da gestão documental. Nele, os alunos simulam atividades essenciais, como classificação, ordenação e destinação de documentos, interagindo com ambientes virtuais que imitam setores como recepção, recursos humanos e arquivos intermediários. Esses ambientes oferecem um cenário realista e sem a necessidade de um espaço físico dedicado, permitindo que os estudantes apliquem o conhecimento teórico de forma prática. O uso do laboratório começa com a correta utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), garantindo tanto a segurança do arquivista quanto a preservação dos documentos. A prática vai além de atividades básicas, como a classificação de fichas e documentos de identidade (RG), aplicando o Código de Classificação de Documentos Relativos às Atividades-Meio do Poder Executivo Federal. O uso da Tabela de Temporalidade é uma etapa crucial para determinar o prazo de guarda e a destinação final dos documentos, seja para eliminação ou para preservação permanente. A vivência virtual também desafia os alunos a analisarem a adequação de materiais como clipes, canetas e carimbos para o manuseio e arquivamento de documentos, destacando a importância de boas práticas no manuseio físico dos acervos. No entanto, uma das dificuldades apontadas durante o uso do laboratório foi a ausência de um tutor ou orientador em tempo real para sanar dúvidas específicas, especialmente no processo de classificação dos documentos. Ainda que as dificuldades com a correta associação dos documentos aos códigos tenham surgido, a experiência proporcionou um aprendizado significativo. A repetição das atividades, embora feita de forma virtual, permite aos usuários aprimorarem suas habilidades e se familiarizar com os desafios diários da prática arquivística. 4 VIVÊNCIA DA VISITA TÉCNICA A visita técnica realizada no Universidade Bento Morais (UBM), em setembro de 2024, foi uma oportunidade única para observar de perto o funcionamento dos arquivos correntes e intermediários da instituição. Como parte das atividades do Estágio Supervisionado I do curso de Arquivologia, o objetivo principal foi analisar os métodos de gestão documental, identificar desafios e propor melhorias. A experiência proporcionou um contato direto com a prática da arquivologia, complementando os conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula. Durante a visita, observou-se que o arquivo geral da UBM, localizado no térreo do prédio III, apresentava certo acúmulo de materiais na ante-sala, dando uma sensação de desorganização. Isso ocorre devido à grande demanda de documentos que chegam para triagem e catalogação. O processo de triagem é essencial para garantir que os documentos sejam organizados e armazenados adequadamente, seguindo diretrizes rigorosas de arquivamento. Essa situação evidencioua importância de uma gestão documental mais contínua e sistemática. No depósito, os documentos estavam armazenados em estantes de aço deslizantes, porém o ambiente apresentava desafios, como sinais de umidade e a ausência de controle de temperatura e umidade. A presença de objetos não relacionados ao arquivo e a falta de um sistema de segurança adequado também foram preocupações identificadas. Além disso, verificou-se a necessidade de melhorias nas condições de conservação dos documentos, muitos dos quais apresentavam sujidade e marcas de deterioração. A visita técnica permitiu compreender não apenas os aspectos operacionais do arquivo, mas também as condições físicas do ambiente e os desafios enfrentados pela equipe responsável. Foram sugeridas diversas melhorias, incluindo a realocação do arquivo para um espaço mais adequado, controle rigoroso de umidade e temperatura, e a implementação de sistemas de segurança para preservar a integridade dos documentos. A vivência prática durante a visita técnica foi essencial para identificar falhas e propor soluções concretas que contribuirão para a melhoria da gestão documental no UBM. Essa experiência reforça a importância de um ambiente organizado e seguro para a preservação de documentos, refletindo diretamente na eficiência administrativa da instituição. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A experiência no estágio I em Arquivologia destacou a importância crucial de uma gestão documental eficiente, especialmente nos arquivos correntes e intermediários, para assegurar a continuidade das atividades institucionais e a preservação da memória administrativa. Os arquivos correntes, que contêm documentos de uso frequente, precisam de uma gestão ágil e bem estruturada para garantir o rápido acesso à informação. Já os arquivos intermediários, que abrigam documentos com relevância administrativa ou jurídica temporária, requerem uma abordagem cuidadosa para organizar o fluxo de documentos e preparar sua destinação final, seja para eliminação ou guarda permanente. A implementação do laboratório virtual permitiu que os alunos aplicassem normas técnicas, como o Código de Classificação e a Tabela de Temporalidade, em um ambiente simulado, oferecendo uma compreensão prática dos desafios e da importância de gerenciar esses documentos de maneira eficaz. No entanto, dificuldades como a classificação de documentos destacaram a necessidade de maior prática e orientação para a correta aplicação desses procedimentos. A visita técnica a UBM revelou áreas que necessitam de melhorias urgentes, especialmente no que diz respeito ao acondicionamento e organização dos arquivos. A ausência de controle adequado de temperatura e umidade, o acúmulo de documentos e a falta de sistemas de segurança expõem os arquivos intermediários e correntes a riscos que podem comprometer sua integridade. A gestão documental eficiente, incluindo a correta triagem, catalogação e conservação, deve ser uma prioridade para otimizar o acesso à informação e proteger o patrimônio documental da instituição. Portanto, a prática no laboratório virtual e a análise crítica durante a visita técnica evidenciaram a necessidade de aprimorar tanto os processos de gestão documental quanto a infraestrutura física dos arquivos correntes e intermediários. A implementação das melhorias sugeridas, como a relocação do arquivo, controle ambiental e segurança, é fundamental para garantir a eficiência administrativa e a preservação da documentação institucional, preparando melhor os alunos para os desafios do mercado de trabalho e fortalecendo a governança documental da instituição. Essa abordagem deixa claro como a gestão de arquivos correntes e intermediários, junto com uma estrutura adequada, é fundamental para o sucesso de qualquer organização que dependa de uma administração eficaz e de uma documentação bem preservada. REFERÊNCIAS ALMEIDA, L.F.D. de. Administração de arquivos e documentação. Rio de Janeiro: Confederação Nacional da Indústria, 1987. BELLOTO, Heloisa Liberalli. Arquivos permanentes. Tratamento documental. 2. ed. rev. e aum. Rio de Janeiro: FGV, 2004. BRASIL. Lei no 8. 159, de 8 de janeiro de 1991. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 9 jan.1999. Seção 1, p. 455. BRITO FEITOZA, Rayan Aramís de; DUARTE, Emeide Nóbrega. Documentos, arquivo e práticas arquivísticas: bases necessárias à memória no ambiente organizacional. Logeion: Filosofia da Informação, v. 7, n. 1, p. 206-227, 2020. CAMARGO, Ana Maria de Almeida. Arquivos pessoais são arquivos. Revista do Arquivo Público Mineiro, p. 29-39, 2009. 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