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INSTITUTO POLIVALENTE DE MARRERE UC AGR02506181 Planificar e implementar o maneio integrado de pragas, doenças e infestantes. Resultado de aprendizagem 1: Selecionar estratégias de maneio integrado de pragas, doenças e infestantes. O manejo integrado de pragas e doenças é uma estratégia de controle múltiplo de infestações que se fundamenta no controle ecológico e nos fatores de mortalidade naturais procurando desenvolver táticas de controle que interfiram minimamente com esses fatores com o objetivo de diminuir as chances dos insetos ou doenças de se adaptarem a alguma prática defensiva em especial 1. Recolha de informação sobre diferentes métodos de controlo disponíveis para o controlo das várias pragas, doenças e infestantes. 1.1 Métodos de controle de pragas no MIP Os métodos de controle utilizados são considerados os pilares do MIP. São eles: · Controle cultural; · Controle biológico; · Controle comportamental; · Controle genético; · Controle varietal; e · Controle químico. O MIP permite o controle químico, mas também envolve outros tipos de controle. Isso resulta em diminuição no uso de defensivos agrícolas e da população dos organismos nocivos. Confira abaixo os principais métodos de controle adotados pelo MIP: 1.1.1 Controle cultural de pragas É o uso de práticas agrícolas que diminuem a incidência das pragas e/ou que promovem uma lavoura sadia. Algumas dessas práticas são: · Época de plantio adequada; · Irrigação ou drenagem; · Destruição de plantas hospedeiras alternativas; · Mobilização do solo ou revolvimento: pode ser utilizada para expor os organismos nocivos ao ambiente, especialmente à radiação solar e a altas temperaturas. Isso acaba por reduzir a sua população. · Rotação de culturas: indispensável para quebrar o ciclo das pragas e doenças, inviabilizando seu desenvolvimento e reprodução. Afinal, a cultura hospedeira destas não estará presente. Mas atenção: o método de rotação de culturas não é eficiente para todas as pragas e doenças de plantas. Diversas delas são polífagas, e se alimentam de diferentes famílias botânicas. · Destruição de restos culturais: consiste em destruir os restos da cultura anterior. Isso pode ser feito antes do próximo cultivo ou durante o próprio cultivo (no caso de cultivos perenes, como café); · Adubação correta: o equilíbrio da nutrição é importante, pois alguns nutrientes favorecem a tolerância das culturas às pragas. Alguns também podem deixá-la suscetível, como é o caso do Nitrogênio em excesso. Por isso, análises de solo da sua área são importantes. A avaliação de macro e micronutrientes presentes também. A partir destes resultados, você terá maior assertividade na quantidade e fórmula de fertilizante necessário para a cultura; 1.1.2 Controle biológico O controle biológico é a ação de inimigos naturais sobre as pragas, contribuindo na redução do nível populacional. Ele pode ser natural, clássico ou aplicado. O natural visa à conservação dos inimigos naturais presentes na área agrícola. Para isso, é importante o uso de inseticidas seletivos, como alguns inseticidas naturais. O clássico tem a finalidade de controlar pragas exóticas. Por isso, são utilizados inimigos naturais importados de diferentes regiões. O aplicado é quando são feitas liberações de inimigos naturais advindas de criações massais em biofábricas. Quanto maior a diversidade da agroecossistema, maiores as chances de os inimigos naturais permanecerem na cultura e contribuírem no controle das pragas. 1.1.3 Controle comportamental (armadilhas) Este método de controle é baseado no uso de armadilhas que são capazes de atrair algumas pragas, como pulgões, moscas-brancas, tripes e minadoras. Esses insetos são atraídos pelas cores amarelo e azul. As armadilhas são painéis adesivos azuis ou amarelos, instalados na área agrícola para capturar insetos em deslocamento. Os amarelos são recomendados para detecção e monitoramento de cigarrinhas, mosca-minadora, mariposas e pequenos besouros. Os azuis, por sua vez, são indicados para tripes. A utilização de plantas iscas ou plantas repelentes também é uma alternativa interessante para o controle de lepidópteros e besouros em alguns cultivos. As armadilhas luminosas são dispositivos para atração e captura de insetos com asas, que possuem atividade noturna. Eles são atraídos pela luz entre as 19h e 5h da manhã. A armadilha luminosa tem a função de monitoramento ou controle da população de insetos. Esse método funciona para besouros, mariposas, percevejos, cigarrinha-do-milho, cigarras, gafanhotos, grilos, moscas e mosquitos. As armadilhas devem ser colocadas entre as fileiras de plantio e, principalmente, na bordadura da lavoura, se for o caso de início da safra. Para o monitoramento, são recomendadas de 100 a 200 armadilhas por hectare. 1.1.4 Controle varietal O controle varietal se baseia no uso de plantas resistentes. Ele tem sido cada vez mais comum. As próprias plantas utilizam recursos para controlar determinada praga através da resistência genética. Por isso, é importante que você conheça as cultivares disponíveis, para poder optar pelas resistentes. Uma outra forma de uso de plantas resistentes seria com o uso das plantas transgênicas. Nelas, um gene de alguma outra espécie é transferido para a planta. É o caso da tecnologia Bt, utilizada em cultivares de milho, soja, algodão e cana-de-açúcar. 1.1.5 Controle mecânico de pragas (ou controle físico) O controle físico é baseado no uso de medidas específicas para impedir danos das pragas de forma bastante direta. Algumas boas práticas seriam: · Esmagamento de ovos; · Catação manual de lagartas; · Modificação da temperatura e/ou luminosidade; · Inundação de áreas; · Formação de barreiras físicas. Na fruticultura, por exemplo, é muito utilizado o uso de barreiras físicas com o ensacamento dos frutos ainda na planta. 1.1.6 Controle genético As ferramentas da engenharia genética têm sido estudadas para contribuir para uma agricultura mais sustentável. Elas contribuem com organismos geneticamente modificados. Atualmente, existe um grande número de plantas modificadas geneticamente para controle de insetos. Além das plantas, os insetos também podem ser manipulados para controle da espécie que está causando danos. Um exemplo da nossa atualidade é a esterilização híbrida, como no caso do mosquito transmissor da dengue (Aedes aegypti). 1.1.7 Controle químico de pragas O controle químico acontece, basicamente, com o uso de defensivos agrícolas. Para o uso desse tipo de controle, é necessário muito cuidado, sobretudo na aplicação dos defensivos. Consultar um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) é essencial para evitar super ou subdosagem, além de evitar riscos de tornar os insetos resistentes à substância. 1.1.8 Vantagens do controle de insetos com MIP O Manejo Integrado de Pragas mantém o agroecossistema o mais próximo possível do nível de equilíbrio. Isso quer dizer que tudo pode funcionar melhor, já que tudo na agricultura está integrado. A lavoura sadia e sem os prejuízos das pragas com certeza resultará em maiores produtividades. E, melhor ainda, melhores rentabilidades, já que com o MIP é possível diminuir o uso de inseticidas. Além disso, quem nunca esteve em dúvida entre fazer ou não uma aplicação? Por meio do monitoramento do MIP, você sabe com certeza quando o controle é realmente necessário. É você no comando de sua fazenda. 2. Recolha de informação sobre limiares económicos ou outras formas de decisão disponíveis ou usadas sobre o momento de aplicação de pesticidas para as pragas, doenças e infestantes. Quando bem empregada, a técnica do Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIP) limita os efeitos potenciais prejudiciais dos pesticidas químicos à saúde pública e ao ambiente natural. A decisão de tomada de uma ação contra a infestação de insetos e outros agressores ou doenças requer o entendimento do nível de tolerância da plantação sem refletir em perda econômica substancial. Para tanto, é necessário o acompanhamento e a pesquisa na plantação para estimar o grau de abundânciae severidade da infestação. O objetivo dessa estratégia não é o de eliminar os agentes, mas reduzir sua população de modo a permitir que seus inimigos naturais permaneçam na plantação agindo sobre suas presas favorecendo a volta do equilíbrio natural desfeito pela plantação e pelo uso de defensivos agrícolas. Dessa forma, requer o entendimento do sistema da plantação como um todo e o conhecimento das interelações ecológicas entre os insetos agressores, seus inimigos naturais e o ambiente onde está a plantação inserida. 3. Consideração e comparação dos diferentes métodos de controlo no que respeita aos seus impactos. O uso de sementes resistentes – Algumas variedades de plantas desenvolveram mecanismos de defesa e se tornaram resistentes ou tolerantes, repelem ou se tornam menos preferidas pelas infestações. As vantagens desta tática incluem a facilidade de uso, compatibilidade com outras táticas de controle de pragas, baixo custo e impacto cumulativo sobre a praga com mínimo impacto ambiental negativo. Por outro lado, o desenvolvimento de variedades de soja tolerantes a pragas requer tempo e investimentos consideráveis, e nem sempre as resistências obtidas se tornam permanentes. O controle através de práticas agrícolas - A adoção de certas práticas agrícolas torna o plantio menos favorável às infestações. Exemplos incluem a rotação de culturas, seleção de áreas de plantio, plantio de culturas-armadilhas, e ajuste do plantio e colheita na época menos favorável às infestações. O controle físico e mecânico - O uso de barreiras físicas, como valas e coberturas plásticas, dificulta a locomoção dos insetos para a plantação. Outras técnicas apropriadas incluem o uso de armadilhas plásticas, fitas adesivas, dentre outras. O controle biológico: entende-se o uso de produtos químicos que ocorrem naturalmente ou de organismos benéficos para prevenir, reduzir ou erradicar a infestação de pragas e doenças nas plantações, inclusive ervas daninhas. No caso dos organismos busca-se atrair ou introduzir na plantação inimigos naturais da praga ou doença; podem ser usados insetos, vírus, protozoários, fungos ou bactérias como predadores, parasitas, agentes patogênicos; ou introduzir machos da espécie daninha esterilizados. Algumas vantagens estão relacionadas com a redução de acidentes ambientais e segurança pública provocados pelo uso de agrotóxicos, como alternativa econômica para certos inseticidas, na prevenção de perdas econômicas de plantações, menor impacto ambiental e na qualidade da água. Por outro lado, as principais desvantagens estão relacionadas com a necessidade de melhor planejamento e gestão intensiva da cultura, toma mais tempo, às vezes os custos são superiores ao uso de defensivos agrícolas, requer paciência e sistema de acompanhamento e registros, e educação e treinamento. O Controle químico – Sob a ótica do MIP, somente quando as táticas anteriores se mostraram ineficazes para controlar a infestação na plantação então o uso de defensivos agrícolas se torna justificável. Em muitas plantações, principalmente a soja, inseticidas e herbicidas ainda são os principais meios de controle de pragas e apresentam suas vantagens: são relativamente baratos e fáceis de aplicar, transportar e são versáteis, pois podem ser apresentados em diferentes formas, tais como, pós, aerossóis, líquidos, granulados, iscas, e de liberação lenta. Inseticidas são classificados por diferentes modos, mas prevalece o método do ingrediente ativo, por exemplo, os organofosforados, os piretroides e outros. Há, também, as categorias convencionais e bioracional – na primeira, o espectro de ação do pesticida é bastante amplo enquanto que na segunda prevalece a especialização da ação, seja ela nos hábitos de alimentação como nos estágios de vida da infestação. Em termos, a categoria de defensivos bioracionais é menos agressiva. Novas tecnologias de aplicação nas chamadas agriculturas de precisão, aliam a aplicação de defensivos e insumos necessários com alta tecnologia de sensoriamento remoto e uso de GIS (Geographic Information System). 4. Seleção das estratégias de integração dos métodos de controlo mais adequados para a cultura e a situação local. As pragas e doenças podem ocorrer nas raízes, hastes, pecíolos, folhas, vagens, grãos, etc., variando em função da região produtora. Dentre as formas de controle, fundamentais ao manejo integrado são exemplos: Preventivo e cultural: prevenção através da utilização de materiais de propagação sadios, esterilização dos equipamentos de trabalho, utilização de quebra ventos e evitando-se a migração de insetos entre unidades de produção. Os danos provocados por essas pragas e doenças comprometem a produtividade e, especialmente, a qualidade e comercialização do produto final. Atualmente, não existe uma solução única para o controle de pragas; a melhor solução está na integração de diferentes estratégias de manejo, incluindo medidas de controle preventivo, cultural, físico, biológico e, por último, utilizando agrotóxicos. 5. Seleção dos métodos de controlos ambientais necessários e incorpora-los no plano de maneio. As práticas preventivas de controle, culturais, mecânicas e biológicas, são muito úteis para retardar e minimizar a propagação, contudo, em casos de altas incidências é fundamental a consulta ao Engenheiro Agrônomo na opção de uso de agrotóxicos. Nesse caso, o monitoramento é fundamental para se determinar o momento e os locais para a aplicação, visto que as pragas e doenças possuem características diferenciadas de infestação, consequentemente, reduzindo os custos de controle, riscos de intoxicação e resíduos nos produtos comercializados. O controle eficiente e econômico das pragas e doenças só é possível por meio do planejamento e implantação de um sistema de manejo integrado. Em função das diferenças existentes entre sistemas de cultivo, que levam em consideração a cultura e local de implantação, o nível técnico do produtor, além dos problemas fitossanitários mais importantes, não existe uma única solução que atenda todos os produtores. Outra prática cultural empregada é a rotação de culturas, através do cultivo alternado de plantas que não sejam hospedeiras das mesmas pragas e doenças. Muitos outros componentes de controle podem ser incorporados no manejo integrado, como utilização de cultivares resistentes e o uso de armadilhas adesivas ou barreiras físicas. 5.1 Uso de defensivos alternativos Tipos de praga Remedio natural Termites Pulverizar com extratos de semente de blackjack, extratos defolha de tomate e carvâo-de-defundo. Afídeos Lavar com sabão a area afectada da planta. Lagartas Retirada manual, pulverização com solução de sabão, extratos de alho, uso de galinhas Lagarta co caule do feijoeiro Plantar feijão juntamente com plantas de cheiro forte como alho ou cebola. Roscas Pulverizar com extrato de folha de tabaco, usar galinhas, transplantar tardiamente Larvas de plutela Pulverizar com extratos de folha de tabaco, polvilhar as folhas com cal, usar galinhas. 5.2 controle de doenças Tipos de doenças Agente causador Estratégias de controle Doenças fúngicas Agudo do alfobre, podridão da raiz e do caule, queima do frio ou míldio, míldio, queima do arroz, oídio, mancha concêntrica, ferrugens mancha castanha, carvão (Corn smut) Cultivo de plantas sadias, Rega de superfície, evitar alagamento uso de solo bem drenado, remoção de plantas atacadas e sua queima, higiene, tratamento com água de sabão, pulverização com extratos de carvão-de-defunto Doenças virais Listrado do milho, mosaico do feijão, enrolamento da folha. Pousio, cultivo de plantas sãs, quebra-ventos e controlo de insectos sugadores; uso de compostos, pulverizar com extrato de folha de piri-piri ou tabaco. Doenças bacterianas Queima bacteriana, Murcha bacteriana, Cancro bacteriano Cultivo de plantas sadias, rotação de culturas e higiene. Deixar o campo sem ser cultivado por 5 a 10 anos. Rega de superfície, cobertura morta, tratamento das sementes e quebra-vento.Alguns tipos de pragas da cultura Cultura Tipos de Praga Milho e girassol Broca (Bussela fusca), roscas, lagarta invasora, etc. Algodão Lagarta americana, afídeos, acaros vermelhos, etc. Tabaco Lagartas, afídeos, nemátodos, etc. Mapira e trigo Afídeos, pássaros (Quelea). Fruteiras Mosca da fruta, afídeos, lagarta-mineira, etc. Produtos armazenados Gorgulho, ratos, etc. Infestantes Ervas daninha ou infestante, é toda e qualquer planta que germine espontaneamente em áreas interesse humano e que, de alguma forma, interfira prejudicialmente nas atividades agropecuárias do homem. Muitos agentes de doenças disseminadas pelos insectos podem persistir nas ervas daninhas e depois transportados para culturas logo que começam a crescer. O controlo de infestantes em terras aráveis é muito importante para evitar doenças por exemplo: afídeos podem sobreviverem em ervas e transportar a doença a outras culturas em crescimento. Algumas ervas daninhas importantes: · Portulaca olerácea · Acanthospermum hispidum · Cyperus rotundus · Lantana câmara · Bidens pilosa · Oxalis semiloba · Limperata cylindrica · Striga hermontheca · Argemona mexicana · Conium maculatum · Cyperus esculentum · Eleustine indica · Digitaria scalarum · Tagetes minuta · Cynodon dactyilon O controlo das ervas daninhas começa antes da sementeira com os repetidos trabalhos de preparação do solo e com a utilização de sementes de qualidade alta comprovada. 6. Identificação dos perigos de HST, avaliação dos riscos e estabelecimento dos controlos adequados e incorpora-los no plano de maneio. As medidas relacionadas com ambiente e HST, incluem: Sistemas de segurança para armazenamento, manuseamento e transporte de pesticidas, seleção de pesticidas tendo em consideração os seus níveis de toxicidade e os efeitos ambientais; sistemas e procedimentos para operar com segurança o equipamento e para realizar operações manuais; Seleção, uso e manutenção do material de proteção pessoal e riscos ambientais e de incendio. INSTITUTO POLIVALENTE DE MARRERE UC AGR02506181 Planificar e implementar o maneio integrado de pragas, doenças e infestantes. Aatividades: Avaliação Sumativa de RdA2. data: 11 de Março de 2024 Objectivo: Selecionar estratégias de maneio integrado de pragas, doenças e infestantes Evidencias requeridas: Redigir um relatório de 4 páginas no máximo sem contar com os elementos pré e, pois, textuais. Neste relatório devem constar seguinte: · Seleciona as estratégias de maneio de pragas, doenças e infestantes para uma cultura a sua escolha. · Fale da implicação económica da decisão usada sobre o momento de aplicação de pesticidas para pragas, doenças e infestantes. · O formando deve considerar e comparar os diferentes métodos de controle no que respeita aos seus impactos. · O formando deve selecionar estratégias de maneio integrado de pragas, doenças e infestantes para 5 pragas, doenças ou infestantes. Importantes na região. · O formando deve selecionar os controlos ambientais necessários e incorpora-los no plano de maneio. · Identifica os perigos de HST e avaliar os riscos. O relatório deve constar o seguinte: · Capa, Índice, Introdução, Desenvolvimento, Bibliografia. Data de entrega: Segunda– feira dia 18 de Março. Formador: Baptista Vicente