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ENGENHARIA MECÂNICA E A PROFISSÃO AULA 3 Prof. Douglas Agostinho 2 CONVERSA INICIAL Nesta abordagem, trataremos dos seguintes assuntos: • Tópico 1 – Eletrotécnica Básica e Maquinas & Acionamentos Elétricos; • Tópico 2 – Automação Industrial e Hidráulica & Pneumática; • Tópico 3 – Conformação & Soldagem e Usinagem; • Tópico 4 – Princípios de Mecânica, Resistência dos Materiais, Química e Tecnologia dos Materiais; • Tópico 5 – Dinâmica dos Corpos, Mecanismos e Ensaios Destrutivos & Não Destrutivos. TEMA 1 – EIXO DA ELETROTÉCNICA Seja em ambiente administrativo ou industrial, as instalações elétricas fazem parte do cotidiano de qualquer ramo da Engenharia, e conhecer os fundamentos da eletricidade é a base para a formação de um engenheiro. Os conteúdos que irão compor o eixo da Eletrotécnica foram selecionados com o propósito de ambientar os princípios da eletricidade, partindo dos ensinamentos mais elementares até chegarmos às aplicações de rotina de um profissional da área. Esse segmento é representado por duas disciplinas específicas: Eletrotécnica Básica e Máquinas e Acionamentos Elétricos. 1.1 Eletrotécnica básica A disciplina de Eletrotécnica básica faz uma abordagem geral dos principais fundamentos da eletricidade, começando do zero, com os conceitos de carga elétrica, força elétrica, campo elétrico e potencial elétrico. Esse conhecimento é fundamental para trazer a base necessária para a compreensão das principais grandezas elétricas, como tensão, corrente e potência elétrica. 3 Figura 1 – Representação das linhas de campo para cargas elétricas Crédito: Fouad A. Saad/Shutterstock. Das principais grandezas, destacamos a resistência elétrica, que, no meio físico, é representada pelo componente chamado de resistor. Esse componente é fundamental no início dos estudos de fenômenos elétricos, especialmente para compreender o comportamento da corrente e da tensão elétrica, em arranjos mais complexos. Nesse sentido, serão estudados os circuitos com mais de um resistor, sejam eles associados em série, em paralelo e de forma mista. No mundo prático, você verá o uso de resistores ou resistências em muitos equipamentos que têm a finalidade de aquecer algo, como fornos, estufas, estamparia, seladoras ou até mesmo o nosso famoso chuveiro. Conhecendo bem a base, será possível avançar para os fundamentos de análise de circuitos elétricos, em que se aplicam as leis de Ohm e de Kirchhofff. Essas leis trazem algumas equações poderosas, que serão as ferramentas básicas para analisar um circuito elétrico. Apesar de muitas vezes acharmos que a Matemática está distante da prática, essas equações nos permitem prever resultados e desvendar possíveis anomalias nos valores medidos em circuitos reais. Por falar em medidas, iremos estudar os métodos de medição de corrente elétrica e tensão elétrica, além da frequência de um sinal elétrico. 4 Para realizar essas medições, serão apresentados alguns equipamentos, como: o multímetro, que é um medidor de diversas grandezas elétricas e muito útil no dia a dia dos profissionais da indústria; além dos medidores de potência e dos multimedidores digitais. Figura 2 – Profissional realizando uma medição com o uso de um multímetro digital Crédito: Kampan/Shutterstock. Os circuitos elétricos são separados em dois segmentos básicos em função do tipo de fonte de alimentação: corrente contínua (CC) e corrente alternada (CA), como mostra a Figura 3, e com eles novos componentes são apresentados, como o capacitor e o indutor. Figura 3 – Exemplo de um circuito elétrico em corrente contínua e corrente alternada Crédito: zizou7/Shutterstock. 5 Nos circuitos CC, destacam-se os dispositivos eletrônicos e de controle; já na parte CA são estudados os circuitos de potência. Sendo assim, quando pensamos na rede elétrica convencional, eletrodomésticos e na maioria das máquinas industriais, falamos de equipamentos em corrente alternada. Para uma compreensão geral do sistema elétrico, este estudo apresenta os sistemas de geração de energia elétrica, destacando as fontes de energia renováveis e não renováveis, além de abordar como é feita a transmissão e a distribuição da energia gerada. Dentro desse cenário, muitas máquinas elétricas são utilizadas, e você aprenderá sobre os motores elétricos monofásicos e trifásicos, motores de corrente contínua, transformadores e os geradores síncronos. Como energia é um tema de grande relevância na atualidade, a disciplina de Eletrotécnica básica também ensina os principais conceitos sobre o gerenciamento de energia, fator de potência e suas consequências na tarifação da energia elétrica, assim como os aspectos da eficiência energética e as principais normas e legislações da ANEEL sobre o tema. Figura 4 – Representação do caminho da energia elétrica, desde a geração até os consumidores Crédito: petovarga/Shutterstock. 1.2 Máquinas e acionamentos elétricos Depois de passar pela Eletrotécnica básica, você estará apto a adentrar as instalações de uma indústria e estudar os principais agentes que operam e controlam uma linha produtiva. 6 A disciplina de máquinas e acionamentos elétricos dá toda a base necessária para que você consiga identificar os principais componentes de uma instalação elétrica industrial, assim como avaliar e implementar uma estratégia para a partida de motores elétricos. Apesar de termos visto um pouco sobre os motores elétricos anteriormente, neste estudo estudaremos mais a fundo os motores elétricos trifásicos, por representarem a grande maioria das aplicações em ambientes industriais. Sendo assim, veremos os diferentes tipos desses motores, as partes que os compõem e o princípio de funcionamento de cada um deles. Além disso, iremos analisar o seu comportamento no momento em que são energizados (partida), e as variáveis que indicam a sua eficiência. Figura 5 – Exemplo de um motor elétrico trifásico aberto e suas partes internas Crédito: Surasak_Photo/Shutterstock. Uma das características mais clássicas de motores elétricos é a elevada corrente de partida, ou seja, aquela que é drenada no instante em que o motor é ligado. Em decorrência da sua inércia, o motor exige uma grande quantidade de energia para tirá-lo do repouso, mas conforme vai acelerando, esse consumo de energia decai até atingir os valores nominais de corrente e de velocidade de rotação. De acordo com a potência do motor e a sua aplicação dentro da indústria, são utilizadas algumas técnicas de partida com o objetivo de operacionalizar o motor e minimizar os efeitos da corrente. Chamadas também de chaves de 7 partida, este estudo abordará quatro diferentes tipos de partida para motores elétricos trifásicos. São elas: • Partida direta: é o método mais simples e comum para ligar um motor trifásico, sendo implementado por meio de um contator e dois botões de comando. Quando ligado nesse método, o motor é conectado diretamente à rede trifásica, resultando em um pico de corrente na partida que pode chegar a oito vezes a corrente nominal. Por demandar dispositivos de proteção mais robustos, o custo também pode ser mais alto, mas por outro lado, é a estratégia mais simples de ser implementada e de fácil manutenção; • Partida estrela-triângulo (Y-Δ): nesse método, o motor é conectado em estrela (Y) durante a partida, que reduz a corrente, e após um curto período, o motor é comutado para a ligação em triângulo (Δ), que é a configuração normal de funcionamento. Esse método utiliza três contatores e um temporizador, que interfere no custo, no entanto, é mais eficaz para motores de média potência e reduz a corrente de partida para um terço da nominal; • Partida compensadora: esse método promove uma redução da corrente de partidaainda maior que a partida estrela-triângulo, pois o uso de um autotransformador trifásico, ligado aos terminais do motor, produz uma tensão que aumenta gradativamente, sem gerar picos de corrente. Nesse método, o controle da tensão aplicada e a adição do autotransformador podem aumentar significativamente o custo de implementação; • Partida sequencial: nesse método são utilizados soft-starters, que são dispositivos eletrônicos projetados para elevar gradualmente a corrente fornecida ao motor. A ligação sequencial ou em cascata é uma estratégia eficaz para reduzir o custo das partidas, pois permite que vários motores sejam acionados por uma única soft-starter. É preciso lembrar que as técnicas de partida requerem alguns componentes específicos de acordo com a função, então, serão abordados ainda neste estudo os dispositivos de acionamento, como botoeiras e contatores, de manobra, como as chaves e disjuntor-motor, de proteção, como os fusíveis e relés de sobrecargas, e os dispositivos auxiliares, como os temporizadores e sinalizadores. Além disso, todos os circuitos de acionamentos contam com uma 8 lógica de comandos, portanto, serão estudadas também as diferentes lógicas utilizadas para elaborar os circuitos de comandos elétricos. Figura 6 – Exemplo de dispositivos utilizados para acionamentos elétricos Crédito: Surasak_Photo/Shutterstock. TEMA 2 – AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL E HIDRÁULICA & PNEUMÁTICA 2.1 Introdução As disciplinas de Automação Industrial e Circuitos Pneumáticos/Hidráulicos são fundamentais para os alunos de Engenharia Mecânica. Elas visam fornecer as competências necessárias para projetar, implementar e operar sistemas automatizados que utilizam fluidos. 2.2 O que é automação Automação é o uso de sistemas e dispositivos para realizar tarefas que, de outra forma, seriam realizadas por humanos. A automação pode ser usada em uma ampla gama de aplicações, incluindo manufatura, controle de processos, logística e serviços. 2.3 Vantagens da automação A automação oferece uma série de vantagens, incluindo: • Aumento da produtividade: a automação pode ajudar a aumentar a produtividade, pois permite que as tarefas sejam realizadas mais rapidamente e com maior precisão; 9 • Redução de custos: a automação pode ajudar a reduzir os custos, pois pode eliminar a necessidade de mão de obra humana; • Melhora da qualidade: a automação pode ajudar a melhorar a qualidade, pois pode eliminar erros humanos; • Aumento da segurança: a automação pode ajudar a aumentar a segurança, pois pode eliminar tarefas perigosas ou repetitivas. 2.4 Tipos de automação Os tipos de automação podem ser classificados de acordo com o grau de controle que os humanos exercem sobre o sistema. Os principais tipos de automação são: • Automação contínua: as tarefas são executadas de forma contínua, sem intervenção humana; • Automação por lotes: as tarefas são executadas em lotes, com intervenção humana entre os lotes; • Automação manual assistida: as tarefas são executadas por humanos, com auxílio de sistemas automatizados. 2.5 Aplicações práticas da automação A automação é muito utilizada em uma ampla gama de aplicações, incluindo: • Manufatura: a automação é usada na manufatura para controlar máquinas e equipamentos, bem como para realizar tarefas de montagem e embalagem; • Controle de processos: a automação é usada no controle de processos industriais, como temperatura, pressão e fluxo; • Logística: a automação é usada na Logística para controlar o transporte e armazenamento de mercadorias; • Serviços: a automação é usada em serviços, como varejo, saúde e finanças. 10 2.6 Circuitos pneumáticos/hidráulicos Circuitos pneumáticos e hidráulicos são sistemas que usam fluidos para transmitir energia. Os fluidos utilizados em circuitos pneumáticos são o ar comprimido e, em circuitos hidráulicos, o óleo hidráulico. Os circuitos pneumáticos são mais leves e mais fáceis de instalar do que os circuitos hidráulicos. No entanto, os circuitos hidráulicos são mais potentes e podem controlar cargas mais pesadas. 2.7 Propriedades dos fluidos Os fluidos são substâncias que podem fluir. As propriedades dos fluidos incluem: • Densidade: a massa por unidade de volume; • Pressão: a força por unidade de área; • Viscosidade: a resistência ao escoamento. As leis dos fluidos incluem: • Lei de Pascal: a pressão exercida em um ponto de um fluido é transmitida igualmente para todos os pontos do fluido; • Lei de Bernoulli: a energia total de um fluido permanece constante. 2.8 Componentes dos circuitos pneumáticos/hidráulicos Os componentes básicos de um circuito pneumático ou hidráulico são: • Atuadores: dispositivos que convertem a energia do fluido em movimento; • Sensores: dispositivos que medem variáveis físicas e convertem-nas em sinais elétricos; • Válvulas: dispositivos que controlam o fluxo do fluido. Os atuadores são os componentes responsáveis por realizar o trabalho nos circuitos pneumáticos e hidráulicos. Os sensores são usados para medir variáveis físicas, como temperatura, pressão e fluxo. As válvulas são usadas para controlar o fluxo de fluido nos circuitos pneumáticos e hidráulicos. 11 2.9 Simbologia dos circuitos A simbologia dos circuitos pneumáticos e hidráulicos é um conjunto de símbolos que representam os componentes dos circuitos. A simbologia é importante para a compreensão e o projeto de circuitos pneumáticos e hidráulicos. 2.10 Projetos de circuitos Os projetos de circuitos pneumáticos e hidráulicos são a aplicação dos conhecimentos adquiridos sobre os fundamentos da automação industrial e os componentes dos circuitos pneumáticos e hidráulicos. Os projetos de circuitos podem ser simples ou complexos, dependendo das necessidades da aplicação. TEMA 3 – SOLDAGEM, CONFORMAÇÃO E USINAGEM 3.1 Soldagem e conformação A soldagem e a conformação metálica são processos de fabricação que permitem a obtenção de peças com geometrias complexas e propriedades desejadas. A soldagem é o processo de unir dois ou mais materiais metálicos, por meio do seu aquecimento e fusão. A conformação metálica é o processo de modificar a forma de um material metálico, sem alterar sua composição química. Figura 7 – Soldagem Crédito: MexChriss/Shutterstock. A soldagem é um processo versátil que pode ser utilizado para unir uma variedade de materiais metálicos, com diferentes espessuras e propriedades. 12 3.2 Classificação dos processos de soldagem Os processos de soldagem podem ser classificados de acordo com o modo de transferência de calor, o tipo de energia utilizada e a forma de união dos materiais. De acordo com o modo de transferência de calor: • Soldagem por fusão: o aquecimento dos materiais é realizado por meio da fusão do metal de adição ou do próprio metal base; • Soldagem por pressão: o aquecimento dos materiais é realizado por intermédio da aplicação de pressão, sem que haja fusão. De acordo com o tipo de energia utilizada: • Soldagem elétrica: a energia elétrica é utilizada para aquecer os materiais; • Soldagem química: a energia química é utilizada para aquecer os materiais; • Soldagem térmica: a energia térmica é utilizada para aquecer os materiais. De acordo com a forma de união dos materiais: • Soldagem por fusão: o metal de adição é fundido e misturado ao metal base, formando uma única peça; • Soldagem por pressão: os materiais são unidos por meio da aplicação de pressão, sem que haja fusão. Processos de soldagem mais comuns: • Soldagem por eletrodo revestido: um eletrodo revestido é utilizado para fornecer o metal de adição e proteger a solda do meio ambiente. Crédito: irin-k/Shutterstock. https://www.shutterstock.com/pt/g/pakhniushcha 13 • Soldagem MIG/MAG: um gás de proteção é utilizado para proteger a soldado meio ambiente. Crédito: Ilya/Adobe Stock. • Soldagem TIG: um gás de proteção é utilizado para proteger a solda do meio ambiente, e um arco elétrico é gerado entre o eletrodo e a peça. Crédito: ded/Adobe Stock. 3.3 Conformação metálica Crédito: Jefferson Schnaider. https://stock.adobe.com/br/contributor/207557657/ilya?load_type=author&prev_url=detail 14 A conformação metálica é um processo versátil que pode ser utilizado para produzir uma variedade de peças metálicas, com diferentes geometrias e propriedades. Classificação dos processos de conformação metálica. Os processos de conformação metálica podem ser classificados de acordo com o modo de deformação, o tipo de força aplicada e a forma da peça. De acordo com o modo de deformação: • Conformação por deformação plástica: a deformação é realizada de forma que o material não retorne à sua forma original após a remoção da força; • Conformação por deformação elástica: a deformação é realizada de forma que o material retorne à sua forma original após a remoção da força. De acordo com o tipo de força aplicada: • Conformação por compressão: a força aplicada é direcionada perpendicularmente à superfície da peça; • Conformação por tração: a força aplicada é direcionada paralelamente à superfície da peça; • Conformação por cisalhamento: a força aplicada é direcionada perpendicularmente à superfície da peça, causando o deslizamento de uma parte da peça sobre a outra. De acordo com a forma da peça: • Conformação de chapas: a conformação é realizada em chapas metálicas; • Conformação de barras: a conformação é realizada em barras metálicas; • Conformação de tubos: a conformação é realizada em tubos metálicos. Processos de conformação metálica mais comuns: • Forjamento: a conformação é realizada por meio da aplicação de forças de compressão. 15 Crédito: Nejron Photo/Shutterstock. • Laminação: a conformação é realizada por meio da passagem da peça entre dois cilindros. Crédito: Pinkky_ja/Shutterstock. • Trefilação: a conformação é realizada por meio da passagem da peça por uma matriz. Crédito: Jefferson Schnaider. 16 • Extrusão: a conformação é realizada por meio da aplicação de forças de cisalhamento. Crédito: Jefferson Schnaider. A soldagem e a conformação metálica são processos de fabricação importantes que permitem a produção de peças metálicas com diferentes geometrias e propriedades. 3.4 Usinagem Tudo começa nas criações dos projetos e desenhos dos equipamentos, por intermédio do (CAD), e sua manufatura pode ter sido concebida por meio dos processos de soldagem ou conformação. Contudo, muitas vezes, após esses processos, as peças ainda não podem ser utilizadas na montagem dos equipamentos, devido às suas características de fabricação. Sendo assim, poderão passar por um outro processo cuja finalidade é fazer o acabamento final da peça, chamado processo de usinagem. 3.5 Processo de usinagem Esse processo tem a finalidade de oferecer à peça a sua forma, dimensões ou acabamento superficial, ou ainda uma combinação destes, por meio da remoção de material com uma ferramenta de corte produzindo sob a forma de cavaco. 17 Figura 8 – Peças usinadas Crédito: oYOo/Shutterstock. 3.6 Cavaco O cavaco é a porção de material da peça retirada pela ferramenta de corte, por meio de um bloco sólido de matéria-prima, originando-se a peça desejada do equipamento mecânico. Figura 9 – Formação do cavaco Crédito: Marcelo Staff. 3.7 Tipos de processo de usinagem Os processos mais utilizados na indústria de manufatura são o torneamento, o fresamento e a furação, Vamos conhecer os tipos de ferramentas e os equipamentos de cada processo. 18 Figura 10 – Processos de torneamento, fresamento e furação Crédito: Marcelo Staff. Nesse contexto, podemos ver a importância dos estudos destas disciplinas que estão relacionadas. A soldagem e conformação, assim como o processo de usinagem, estão muito presentes em indústrias de todos os segmentos, principalmente no de metal mecânica. TEMA 4 – CÁLCULOS INICIAIS EM UM PROJETO E COMPORTAMENTO DOS MATERIAIS 4.1 Princípios de Mecânica e Resistência dos Materiais A disciplina Princípios de Mecânica e Resistência dos Materiais dedica-se ao estudo da mecânica de corpos em repouso (estáticos) quando sujeitos à ação de forças. O objetivo central dessa área de estudo é conhecer os tipos de forças que podem ser aplicadas nas estruturas e saber como determiná-las. Para isso, consideramos as estruturas como corpos rígidos, ou seja, que não se deformam. Conhecer tais forças será a base para o desenvolvimento de outros estudos na área de projeto mecânico, tais como pontes, linhas de transmissão de energia elétrica, robôs, carros e quaisquer outras máquinas e estruturas (Figura 11). 19 Figura 11 – Estruturas e máquinas Crédito: Sarin Kunthong/Shutterstock; frank_peters/Shutterstock; kldy/Shutterstock. Veremos os seguintes assuntos no decorrer deste conteúdo: Estudo da estática dos pontos materiais e corpos rígidos, envolvendo os conceitos de forças, resultante de forças, momento de uma força em relação a um ponto; Análise de sistemas equivalentes de forças; Estudo das forças distribuídas, centro de massa, centroide e momentos de inércia de área e de massa; Determinação e interpretação dos esforços internos em vigas e em estruturas treliçadas; Princípios de resistência dos materiais: Tensão Normal, tensão admissível, fator de segurança, deformação, diagrama tensão-deformação e Lei de Hooke. 4.2 Resistência dos materiais Enquanto a disciplina Princípios de Mecânica e Resistência dos Materiais considerava as estruturas como objetos rígidos (sem deformação), a disciplina Resistência dos Materiais dedica-se ao estudo da mecânica de corpos deformáveis quando sujeitos à ação de forças (Figura 12). 20 Figura 12 – Deformação dos carros por meio de uma batida Crédito: Robert Crum/Shutterstock. Para projetar qualquer estrutura ou máquina é necessário conhecer as forças que envolvem o problema. Como já dito, este conteúdo é pertinente à disciplina de Princípios de Mecânica e Resistência dos Materiais, que, por sua vez, é a base para o desenvolvimento da Resistência dos Materiais. Com o cálculo dessas forças, é possível descobrir as tensões às quais o objeto está sujeito, como: Tensão normal, tensão de cisalhamento e tensão de flexão. Assim, o projeto torna-se possível e confiável por meio de um fator de segurança preestabelecido. Veremos os seguintes assuntos no decorrer desta disciplina: Equilíbrio de um corpo deformável; Tensão normal média em uma barra com carga axial; Tensão de cisalhamento média; Tensão admissível; Deformação; Diagrama tensão-deformação; Comportamento de materiais dúcteis e frágeis; Lei de Hooke e energia de deformação; Coeficiente de Poisson e diagrama tensão- deformação de cisalhamento; Falha de materiais devido à fluência e à fadiga; Princípio de Saint-Venant e deformação elástica de um elemento submetido à carga axial; Elemento com carga axial estaticamente indeterminado; Método de análise da força para elementos carregados axialmente; Tensão Térmica; Concentrações de tensão; Deformação por torção de um eixo circular; Transmissão de Potência e ângulo de Torção; Diagrama de força cortante e momento fletor; Deformação por Flexão de um Elemento Reto; Flexão Assimétrica; Cisalhamento Transversal em elementos retos; Fluxo de cisalhamento em estruturas compostas por vários elementos; Flambagem de 21 Colunas apoiada por pinos; Colunas com vários tipos de apoio; Vasos de pressão de paredes finas; Estado de tensão causado por cargas combinadas; Transformação de tensão no plano; Equações gerais de transformação de tensão no plano; Tensões principais e tensãode cisalhamento máxima no plano; Círculo de Mohr – tensão no plano. 4.3 Química Para que um engenheiro mecânico possa identificar o uso de um material de Engenharia e, mais recentemente, em um material de Nanotecnologia para um projeto, é fundamental que tenha conhecimento das propriedades dos elementos químicos que compõem esse material, pois influenciarão nas suas propriedades. Além disso, deve conhecer os tipos de ligação que esses elementos formam, pois as propriedades mecânicas e térmicas de um material de Engenharia são influenciadas não só pelas propriedades dos elementos que o constituem, mas também pelo tipo de ligação entre eles. Para que chegue a esse conhecimento, deverá estudar como é a estrutura atômica e como os elétrons se distribuem ao redor do núcleo. A partir de então, deve saber fazer a distribuição eletrônica ao redor do núcleo para os elementos químicos e analisar a camada mais externa dos elétrons ao redor do núcleo, chamada camada de valência, pois essa camada irá influenciar tanto as propriedades dos elementos químicos quanto o tipo de ligação que formarão. Crédito: paulista/Shutterstock. Na disciplina de Química geral será visto o estudo da estrutura atômica e de como os elétrons se distribuem ao redor do núcleo, das ligações químicas e propriedades resultantes dessas ligações, das propriedades dos elementos 22 químicos, chamadas propriedades periódicas, que foram sistematizadas e organizadas na Tabela Periódica. Além disso, é importante que o engenheiro mecânico conheça alguns tipos de reações químicas, como a reação de combustão, reação eletroquímica e reação de corrosão, não só para projetar motores de combustão para os combustíveis tradicionais, como gasolina e diesel, e sustentáveis como álcool, biodiesel e hidrogênio, mas também para projetar compressores elétricos e, pensando em manutenção industrial, ter conhecimento de como prevenir danos por corrosão em equipamentos e estruturas metálicas. Crédito: VFXartist/Shutterstock. Na disciplina de Química geral será visto como fazer o equilíbrio de reações químicas, aprofundando em reações de combustão e eletroquímica, e será visto como fazer o equilíbrio de reações químicas, aprofundando em reações de combustão, eletroquímica e de corrosão. Será visto, ainda, como é constituída e o funcionamento de uma célula eletroquímica, os tipos de corrosão e formas de prevenção. Além disso, será apresentada uma noção de química ambiental, cada dia mais importante para minimizar efeitos como o aquecimento global. 4.4 Tecnologia dos materiais Vimos que a disciplina de Química geral permite ao engenheiro mecânico construir conhecimento que permita selecionar um material de Engenharia para um projeto, em função de suas propriedades e tipo de ligação que forma. A disciplina de Tecnologia dos Materiais complementa esse conhecimento, aprofundando o conhecimento de estruturas cristalinas dos materiais de Engenharia, como essas estruturas influenciam em suas 23 propriedades mecânicas e como alterar essas propriedades por meio de tratamentos térmicos e termoquímicos. Crédito: Sariddiporn Yordsri/Shutterstock. Além disso, a disciplina de Tecnologia dos Materiais tratará das principais ligas metálicas ferrosas (aços e ferros fundidos) e não ferrosas (ligas de alumínio, cobre e outras), materiais poliméricos, materiais cerâmicos e novos materiais. TEMA 5 – DINÂMICA E ENSAIOS DOS MATERIAIS 5.1 Dinâmica dos corpos Enquanto na disciplina de Princípios de Mecânica e Resistência dos Materiais nos dedicaremos ao estudo da mecânica de corpos em repouso (estáticos ou em movimento constante), a Dinâmica dos Corpos se dedicará ao estudo dos corpos quando em movimento com aceleração. O estudo dos objetos submetidos a uma aceleração pode ser dividido em duas áreas: Cinemática e Cinética. A Cinemática refere-se aos aspectos geométricos do movimento, ou seja, estudaremos os fatores como posição, velocidade e aceleração. Na Cinética, estudaremos as forças que atuam no corpo e o movimento que elas ocasionam, ou seja, partindo de determinada força, conseguiremos prever o movimento do corpo ou ainda calcular qual a força necessária para produzir determinado movimento. Veremos os seguintes assuntos no decorrer desta disciplina: Forças em vigas e cabos; Cinemática e Cinética dos pontos materiais e dos corpos rígidos; Esforços internos; Movimento plano dos corpos; e Movimento dos corpos em sistemas não rígidos. 24 5.2 Mecanismos Mecanismo é um conjunto de elementos rígidos que se movimentam uns em relação aos outros, cujo propósito é a transmissão e/ou transformação de movimentos e forças. Exemplos de mecanismos são as engrenagens (Figura 13a) e os cames (Figura 13b). Figura 13 – Mecanismos (a) engrenagens e (b) came Crédito: Lutsenko_Oleksandr/Shutterstock; Boris Lonskis/Shutterstock. Veremos os seguintes assuntos no decorrer desta disciplina: Introdução aos princípios dos mecanismos, conceitos aplicados a mecanismos; tipos de mecanismos, cames, aplicações em máquinas e equipamentos industriais; dinâmica dos sistemas e cinemática aplicada às máquinas. 5.3 Ensaios destrutivos e não destrutivos Tanto no projeto mecânico quanto no controle de qualidade de materiais que serão usados na construção desse projeto, há a necessidade de verificar se esses materiais de fato apresentam as características e propriedades mecânicas que atendam ao projeto. Também é importante verificar se não apresentam nenhum defeito estrutural que possa interferir em suas propriedades mecânicas. Essa verificação é feita por ensaios destrutivos e não destrutivos de materiais. Na disciplina de ensaios destrutivos e não destrutivos de materiais, serão apresentados os conceitos fundamentais de ensaios destrutivos de tração, de compressão, de dureza, de fratura, de dobramento, de flexão, de torção, de 25 fadiga e de fluência. Assim, possibilitará desenvolver o conhecimento da aplicação dos ensaios destrutivos, de como fazer esses ensaios e de como interpretar os resultados obtidos. Figura 14 – Ensaio de tração Crédito: Uwe/Adobe Stock. Também serão apresentados os conceitos fundamentais de ensaios não destrutivos por partículas magnéticas, por líquido penetrante, por ultrassom, por raio-X, por emissão de onda acústica e por correntes parasitas. Assim, possibilitará desenvolver o conhecimento da aplicação dos ensaios não destrutivos, de como fazer esses ensaios e de como interpretar os resultados obtidos. Figura 15 – Ensaio de partículas magnéticas Crédito: diversão/Shutterstock. 26 FINALIZANDO Como visto nesta abordagem, cada vez os conteúdos teóricos serão inseridos em seu aprendizado e, com isso, a formação das competências vistas inicialmente começam a despertar a expertise que um engenheiro necessita em sua vida profissional. 27 REFERÊNCIAS ALMEIDA, P. S. Processos de usinagem: utilização e aplicações das principais máquinas operatrizes. São Paulo: Érica, 2015. BEER, F. et al. Mecânica dos materiais. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2015. CALLISTER JR., W. D.; RETWISCH, D. G. Ciência e engenharia de materiais: uma introdução. 10. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2021. CAMARGO, V. L. A. de. Elementos de automação. São Paulo: Érica, 2014. CARVALHO, G. Máquinas elétricas. São Paulo: Érica, 2014. FLARYS, F. Eletrotécnica geral. 2. ed. São Paulo: Manole, 2013. GEARY, D.; MILLER, R. Soldagem. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013. NORTON, R. L. Cinemática e dinâmica dos mecanismos. Porto Alegre: Bookman, 2010. STEWART, H. L. Pneumática e hidráulica. 3. ed. São Paulo: Hemus, 2005.