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Disciplina | 
Introdução 
www.faculdadefocus.com.br | 1 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DO COMPORTAMENTO: 
PRINCÍPIOS BÁSICOS 
 
Unidade 01 
Ciência do Comportamento 
 
Análise do Comportamento: princípios básicos | 
Sumário 
| 2 
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Informações Catalográficas 
G892 
GRUPO FOCUS DE EDUCAÇÃO. Análise do Comportamento: princípios básicos – ciência do 
comportamento / Org. Vitor Matheus Krewer. – Cascavel: Grupo Focus de Educação, Editora Focus, 
2024. 
20 P. 
1. Comportamento humano. 2. Psicologia. I. Krewer, Vitor Matheus. II. Título. 
CDD 150 
 
 
© 2024, by Grupo Focus de Educação 
Rua Maranhão, 924 - Ed. Coliseo - Centro 
Cascavel - PR, 85801-050 
Tel: (45) 3040-1010 
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Análise do Comportamento: princípios básicos | 
Sumário 
| 3 
Sumário 
Sumário .................................................................................................................... 3 
1 Introdução .......................................................................................................... 4 
2 Ciência do Comportamento ................................................................................. 4 
3 O Comportamento .............................................................................................. 9 
3.1 Variáveis que Influenciam o Comportamento ................................................................. 12 
4 Análise Funcional do Comportamento ............................................................... 14 
5 Conclusão ......................................................................................................... 17 
6 Referências ....................................................................................................... 19 
 
 
Análise do Comportamento: princípios básicos | 
Introdução 
| 4 
1 Introdução 
Esta unidade introdutória sobre Análise do Comportamento tem por objetivo 
fornecer um arcabouço teórico para o estudo sistemático do comportamento sob uma 
perspectiva analítico-comportamental. Inicialmente, abordaremos o constructo do 
comportamento e da Análise Funcional do Comportamento, metodologia utilizada 
para a identificação e interpretação das contingências que controlam as relações entre 
comportamento e ambiente. Este segmento visa elucidar os mecanismos através dos 
quais o comportamento é afetado e afeta o ambiente em que ocorre. 
Esperamos, com esta unidade, propiciar uma compreensão introdutória aos 
princípios fundamentais da análise do comportamento, enfatizando a importância da 
metodologia científica neste processo. O objetivo é capacitar o leitor a aplicar os 
conhecimentos adquiridos em contextos acadêmicos e profissionais e contribuir para 
a expansão da prática baseada em evidências no âmbito da análise comportamental. 
 
2 Ciência do Comportamento 
 
Em dezembro de 1879, Wilhelm Wundt fundava o primeiro laboratório de 
Psicologia na Universidade de Leipzig, marcando um ponto de virada na história dessa 
disciplina. Este evento simbolizava a transição da Psicologia de uma abordagem 
filosófica para uma científica, aplicando métodos experimentais da Fisiologia ao 
estudo da consciência, percepção, sensação e emoções. Desde então, a Psicologia 
científica tornou-se o padrão para explorar o comportamento humano, com suas 
metodologias e abordagens científicas permeando o campo. Neste contexto, o 
Psicólogo Burrhus Frederic Skinner recebeu grande destaque com sua proposição 
sobre o Comportamentalismo Radical, influenciando significativamente a Psicologia 
americana e global. Skinner foi considerado o psicólogo mais eminente do século XX. 
Suas ideias continuam relevantes para a compreensão e o desenvolvimento da 
Psicologia contemporânea (SAMPAIO, 2005). 
Skinner dedicou-se intensamente à pesquisa sobre o comportamento humano 
com o objetivo de aprimorar a Análise do Comportamento a tal ponto que pudesse 
utilizá-la para criar um mundo melhor. Ele tinha a convicção de que era possível 
compreender o ser humano e sua natureza de maneira mais profunda do que a 
psicologia de sua época propunha, e acreditava que, apesar da complexidade do 
Análise do Comportamento: princípios básicos | 
Ciência do Comportamento 
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comportamento humano, era possível estudá-lo de forma científica (MOREIRA; 
MEDEIROS, 2019). 
Sobre essa questão, escreveu: 
 
Estamos interessados, então, nas causas do comportamento humano. 
Queremos saber por que os homens se comportam da maneira como 
o fazem. Qualquer condição ou evento que tenha algum efeito 
demonstrável sobre o comportamento deve ser considerado. 
Descobrindo e analisando estas causas poderemos prever o controlar o 
comportamento na medida que o possamos manipular (SKINNER, 
1953/2003, p. 24). 
 
Segundo Moreira e Medeiros (2019), Skinner acreditava que a ciência representa 
o caminho mais eficaz e confiável para a construção do conhecimento. Enquanto 
muitos alegavam que o estudo do comportamento humano era excessivamente 
complexo para ser abordado de forma científica, ou que a subjetividade humana 
estava além do alcance da ciência, Skinner dedicava-se incansavelmente em seus 
laboratórios para demonstrar a viabilidade de uma ciência do comportamento, 
incluindo os "fenômenos comportamentais subjetivos". Assim, ele contribuiu com 
conhecimentos que hoje servem como alicerce para o trabalho de inúmeros analistas 
do comportamento em todo o mundo. As pesquisas de Skinner, de seus 
colaboradores e daqueles que seguiram adiante na área da Análise do 
Comportamento fundamentam a atuação dos analistas, principalmente psicólogos, 
em diversas áreas de atuação, incluindo a clínica, organizacional, educacional, 
hospitalar, comunitária, cultural, laboratorial, jurídica entre outras (MOREIRA; 
MEDEIROS, 2019). 
 
Análise do Comportamento: princípios básicos | 
Ciência do Comportamento 
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Figura 1 - Burrhus Frederic Skinner no Departamento de Psicologia de Harvard, 1950 
 
Fonte: Winkimedia Commons 
 
O estudo do comportamento é um tema desafiador, não por ser inacessível, mas 
pela sua complexidade. Por se tratar de um processo, e não de um objeto estático, 
sua observação exige técnica e energia consideráveis do cientista. Relatos, afirmações 
e narrativas sobre o comportamento são apenas um passo para a análise do 
comportamento. Para estudar ocomportamento humano de fato, é necessário que se 
encontre algum tipo de uniformidade. Assim, da observação prolongada do 
comportamento humano surge um vago senso de ordem. Se não fosse possível 
descobrir uma ordem razoável, dificilmente conseguiríamos eficácia no trato com 
assuntos humanos. Qualquer previsão plausível baseia-se nessa uniformidade 
(SKINNER, 1953/2003). 
Neste sentido, a ciência busca ordem e relações ordenadas entre eventos. Ela 
começa com observações individuais e avança para leis científicas, que, assim como 
os sistemas científicos, visam a eficiência no manejo de assuntos. A ciência não é 
conhecimento passivo, mas sim ativo. Ao entender as leis que governam o mundo, 
nos preparamos para lidar eficientemente com ele, prevendo e controlando eventos. 
Os métodos científicos, assim, visam clarificar e explicitar essas uniformidades, seja 
Análise do Comportamento: princípios básicos | 
Ciência do Comportamento 
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através de técnicas de campo, clínicas psicológicas, ou métodos experimentais de 
laboratório (SKINNER, 1953/2003). 
Desde o início de sua carreira na década de 1930 até sua última obra em 1990, 
Skinner desenvolveu uma visão abrangente que tocou em variados temas como ética, 
educação e cultura, sempre sob uma perspectiva única. Seu trabalho, consistente em 
sua abordagem ao comportamento humano como um fenômeno determinado e 
passível de análise científica, sofreu evoluções ao longo do tempo. Inicialmente 
influenciado pela Física, Skinner estava focado no conceito de reflexo, mas sua 
pesquisa eventualmente o levou ao desenvolvimento do conceito de comportamento 
operante, refletindo uma abordagem mais alinhada com a Biologia. Essa transição 
marca uma evolução em sua compreensão da ciência e do comportamento humano, 
com suas ideias iniciais ainda permeando seus trabalhos posteriores, apesar das 
transformações em suas concepções fundamentais (SAMPAIO, 2005). 
Skinner foi influenciado fortemente influenciado pelo behaviorismo de John B. 
Watson, especialmente pela ideia de que a Psicologia deveria ser uma ciência objetiva 
focada na previsão e controle do comportamento. Por isso, desde o início buscou uma 
análise científica do comportamento inspirada nas ciências naturais. Seu modelo inicial 
de ciência foi influenciado pelas mudanças na Física no final do século XIX e início do 
XX, particularmente pelas críticas ao modelo mecanicista. Foram figuras centrais nessa 
influência o físico e filósofo austríaco Ernst Mach e o físico estadunidense Percy 
Bridgman. Mach enfatizava a importância das observações empíricas e a construção 
do conhecimento baseado nas sensações, enquanto Bridgman criticava as noções 
mecanicistas e defendia que os conceitos científicos deveriam ser definidos pelas 
operações usadas para estudá-los. Essas influências moldaram o pensamento inicial 
de Skinner e sua abordagem ao comportamento, levando-o a adotar uma perspectiva 
que valorizava a descrição empírica e a rejeição de explicações metafísicas no estudo 
da Psicologia (SAMPAIO, 2005). 
Na sua tese de doutoramento, defendida em 1930, e nos trabalhos que se 
seguiram até 1937, Skinner focou na análise científica do comportamento através do 
conceito de reflexo, visando observar, controlar as variáveis ambientais e elaborar 
previsões. Este período inicial reflete a influência da física contemporânea, 
particularmente as críticas ao mecanicismo e as abordagens operacionais de Ernst 
Mach e Percy Bridgman. Skinner adotou uma definição operacional do reflexo como 
uma correlação entre estímulo e resposta, rejeitando a mediação de estruturas no 
sistema nervoso e enfatizando relações funcionais entre eventos observáveis 
(SAMPAIO, 2005). 
Análise do Comportamento: princípios básicos | 
Ciência do Comportamento 
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Durante esse período, Skinner ainda aderiu à noção de que o comportamento 
era provocado por eventos antecedentes e manteve uma visão atomizadora do 
comportamento, considerando ações complexas como compostas por partes 
menores, os reflexos. No entanto, já em 1935, começou a se afastar de algumas dessas 
ideias, reconhecendo a importância da realidade independente e do papel do sujeito 
ativo na investigação científica. Em 1937, com o desenvolvimento do conceito de 
operante, Skinner moveu-se além da necessidade de identificar um estímulo 
antecedente para cada ação, destacando o papel das consequências do 
comportamento (SAMPAIO, 2005). 
Apesar da forte influência da física em suas concepções iniciais, Skinner também 
foi impactado pela biologia desde o início, evidenciado por sua associação com o 
departamento de Fisiologia de Harvard e a influência de figuras como Jacques Loeb. 
Este período inicial de seu trabalho estabeleceu a base para as evoluções 
subsequentes em seu pensamento, marcando a transição para uma abordagem mais 
madura que enfatizaria as relações funcionais e a importância das consequências do 
comportamento (SAMPAIO, 2005). 
Em "Ciência e Comportamento Humano" (1953), Skinner reafirma e expande suas 
concepções de ciência e comportamento, enfatizando a utilidade prática do 
conhecimento científico como solução para problemas humanos. Ele defende uma 
ciência focada na descrição, previsão e controle dos fenômenos, evitando a 
necessidade de explicação no sentido tradicional, alinhando-se com a visão de Ernst 
Mach sobre a equivalência entre descrição e explicação. Skinner argumenta que a 
ciência é caracterizada por um progresso acumulativo, mas não necessariamente por 
uma aproximação da "verdade" no sentido positivista. Ele valoriza uma abordagem 
pragmática, onde a verdade é entendida como eficácia na ação (SAMPAIO, 2005). 
Para Skinner, as características essenciais da ciência incluem uma ênfase nos 
dados empíricos, honestidade intelectual e a rejeição de conclusões prematuras. Ele 
promove uma mudança do conceito de causalidade para o de relações funcionais, 
onde o foco está nas mudanças entre variáveis independentes e dependentes, 
refletindo a influência de Mach em sua abordagem à ciência e ao comportamento 
humano (SAMPAIO, 2005). 
Skinner aborda a complexidade do comportamento humano, defendendo a 
possibilidade de sua análise científica através de técnicas experimentais e estatísticas 
que simplificam condições para estabelecer relações quantitativas entre variáveis. Da 
mesma forma, enfatiza a importância de considerar todas as condições que afetam o 
Análise do Comportamento: princípios básicos | 
O Comportamento 
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comportamento, preferencialmente de forma quantitativa, e foca nas variáveis 
ambientais externas e na história ambiental do indivíduo, descartando a relevância das 
condições internas para a análise funcional do comportamento. (SAMPAIO, 2005). 
 
3 O Comportamento 
 
Em termos técnicos, comportamento é qualquer atividade que envolva 
movimento muscular, secreção glandular ou atividade elétrica no corpo de um 
organismo, ou seja, é tudo o que envolve a ação de um organismo. Por exemplo, o 
ato de piscar os olhos é considerado um comportamento, pois envolve uma ação 
muscular voluntária ou reflexa (diferentemente características inatas, como a cor dos 
olhos, que são atributos biológicos estáticos). Essa distinção é importante para que 
possamos entender o comportamento como uma manifestação de ações e reações 
do organismo que podem ser observadas, medidas e modificadas, em oposição a 
características físicas ou objetos que são externos à dinâmica comportamental 
(MARTIN; PEAR, 2018). 
Outra definição apresentada por Skinner, em The Behavior of Organisms (1938), 
citada por Matos (2001), delineia o comportamento como “uma parte da atividade 
total de um organismo [...] é aquela parte do funcionamento de um organismo 
envolvido em agir sobre ou em interação com o mundo externo”. Nessa perspectiva, 
Skinner afirma: 
 
Por comportamento então, eu me refiro simplesmente ao movimento 
de um organismo, ou desuas partes, num quadro de referência 
fornecido pelo organismo ele próprio, ou por vários objetos ou campos 
de força externos. É conveniente falar disto como a ação do organismo 
sobre o mundo externo, e é frequentemente desejável lidar com um 
efeito mais do que com o movimento em si mesmo ...” (SKINNER, 1938 
apud MATOS, 2001, p. 2) 
 
A partir da definição de comportamento de Skinner, nota-se que comportamento 
é entendido como um interativo processo com o mundo. Ao enfatizar esse 
intercâmbio, Skinner revela como as ações dos indivíduos (respostas) interagem com 
mudanças no ambiente (estímulos). Nessa perspectiva, o comportamento integra o 
Análise do Comportamento: princípios básicos | 
O Comportamento 
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ambiente em uma relação funcional, ao invés de ser diretamente causado por ele. 
Lembrando que, neste contexto, o conceito de “mundo externo” envolve também os 
estímulos que são parte da fisiologia humana, ou, nas palavras de Skinner (1974/1998) 
do “mundo dentro da pele”. 
Para a análise do comportamento, contudo, não basta apenas descrever o 
ambiente (estímulo) ou as respostas (comportamentos); é imperativo descrever as 
relações regulares entre as os estímulos e as respostas para prever quando o primeiro 
influenciará a ocorrência do segundo. Essa busca por padrões regulares apenas 
evidencia a importância de previsão e controle para a ciência do comportamento. O 
foco na regularidade impede que o analista comportamental se atenha a eventos 
únicos de interação entre estímulos e respostas. Para ele, é vital reconhecer que a 
presença de uma categoria de respostas está ligada à presença de uma categoria de 
estímulos. Assim, a definição de uma classe de estímulos é determinada pela sua 
relação com uma classe correspondente de respostas. Conforme esclarecem Pessôa e 
Velasco (2012), 
 
Adiantaria muito pouco dizer que um cisco no olho eliciou uma 
resposta de piscar. O importante para o analista do comportamento é 
saber que alguns objetos, quando em contato com o olho, eliciam 
respostas de piscar. Os objetos que cumprem essa função em relação à 
resposta de piscar formam a classe de estímulos eliciadores (da classe) 
de respostas de piscar. Assim, pode-se prever que, toda vez que um 
estímulo dessa classe ocorrer, ocorrerá também uma resposta da classe 
de piscar (PESSÔA; VELASCO, 2012, p. 25). 
 
Segundo Todorov e Hanna (2010), na perspectiva de Skinner o comportamento 
deve ser considerado em conjunto com o contexto em que ocorre, pois a análise 
isolada de ambos não oferece compreensão do todo. Para a psicologia, é essencial 
ver o comportamento e o ambiente, assim como a resposta e o estímulo, como 
conceitos mutuamente dependentes. Um não pode ser definido sem referência ao 
outro. 
Os autores destacam que uma teoria eficaz em psicologia comportamental deve 
incluir definições claras das relações funcionais, além de indicar onde encontrar 
variáveis independentes e contextuais no ambiente externo. Na identificação de 
relações funcionais, os analistas do comportamento usam o conceito de contingência, 
Análise do Comportamento: princípios básicos | 
O Comportamento 
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definido por Skinner (1953/1967) como regras que estabelecem relações entre 
comportamentos e eventos ambientais, ou seja, “componentes das relações 
comportamentais que apresentam relação de dependência entre si” (TEIXEIRA 
JUNIOR, 2005, p. 5). As contingências são expressas em termos de "se, então", e são 
cruciais na análise experimental do comportamento, servindo como definições de 
variáveis independentes. 
 
 
CONTINGÊNCIA: Componente das relações comportamentais que apresentam 
relação de dependência entre si. 
Fonte: Vocabulário de Análise do Comportamento de Teixeira Júnior e Ronaldo Rodrigues et al. 
 
Como afirmou Skinner, “os homens agem sobre o mundo, modificam-no e, por 
sua vez, são modificados pelas consequências de sua ação”. Certas características 
compartilhadas com outras espécies alteram o comportamento humano para 
promover uma troca mais eficaz e segura com o ambiente. Uma vez estabelecido um 
comportamento adequado, suas consequências continuam atuando para mantê-lo 
ativo. Se o ambiente muda, comportamentos antigos desaparecem e novas 
consequências geram novas formas de agir (SKINNER, 1978, p. 16). 
O comportamento humano modifica o meio através de mecanismos físicos. 
Quando uma pessoa se move em direção a um objeto, por exemplo, ela se aproxima 
dele; ao tentar alcançá-lo, pode ocorrer um contato físico; se o levanta, empurra ou 
puxa, o objeto muda de posição, seguindo princípios geométricos e mecânicos 
simples. No entanto, muitas vezes a ação humana é indireta, especialmente quando 
influencia outros seres humanos. Por exemplo, uma pessoa com sede pode pedir 
água, gerando um padrão sonoro que leva outra pessoa a oferecer-lhe um copo com 
água. Embora os sons possam ser descritos fisicamente, o recebimento da água é 
resultado de uma série complexa de eventos envolvendo a resposta de um ouvinte. A 
consequência final, a entrega da água, não tem relação geométrica ou mecânica com 
o ato de pedir. Esse tipo de comportamento se caracteriza por uma ineficácia direta 
sobre o mundo físico; suas consequências emergem de uma cadeia de eventos físicos, 
Análise do Comportamento: princípios básicos | 
O Comportamento 
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ainda que mais complexos e menos previsíveis do que as reações mecânicas simples 
(SKINNER, 1978, p. 16). 
Ademais, comportamentos tanto podem ser manifestos (públicos, visíveis) e 
passíveis de serem observados e registrados por outra pessoa como podem ser 
encobertos (privados, internos). Os comportamentos encobertos normalmente 
envolvem atividades internas, como pensamento, os quais podem emergir através da 
autofala, de imagens ou de sentimentos (MARTINS; PEAR, 2018). 
Tanto os comportamentos manifestos quanto os encobertos podem ser 
influenciados por técnicas de modificação de comportamento, mas os 
comportamentos encobertos normalmente requerem métodos especiais para serem 
observados pelos outros. (MARTINS; PEAR, 2018). 
 
3.1 Variáveis que Influenciam o Comportamento 
 
Skinner (1953/2003) percebeu que frequentemente ao buscar explicações para o 
comportamento dentro do organismo, negligenciamos as variáveis externas acessíveis 
à análise científica. Essas variáveis, presentes no ambiente imediato e na história 
ambiental do indivíduo, são fundamentais e possuem propriedades físicas 
mensuráveis. Para uma compreensão adequada do comportamento, é crucial analisar 
essas variáveis independentes, que são diversas e têm relações complexas com o 
comportamento. 
Skinner (1953/2003) exemplifica essa questão a partir do ato de beber um copo 
de água. Este ato simples pode ser analisado cientificamente considerando-se a 
probabilidade de ocorrência, que varia desde a certeza absoluta até a improbabilidade 
completa. As variáveis que influenciam essa probabilidade incluem experiência 
passada, condições fisiológicas, como a privação de água, e até fatores psicológicos, 
como o medo de que a água esteja contaminada. As variáveis ressaltam a necessidade 
de se considerar os diversos fatores que influenciam essa relação. 
É importante destacar que explicações baseadas em estados ou agentes internos, 
como a sede, podem ser redundantes ou insuficientes se não forem acompanhadas 
de uma análise das condições externas que levam a esses estados. Por exemplo, 
afirmar que alguém bebe porque tem sede é útil apenas se entendermos "sede" como 
uma tendência a beber, e não como um estado causal interno. Se a sede é meramente 
inferida e não observável diretamente, ela não serve como uma explicação eficaz. 
Análise do Comportamento: princípios básicos | 
O Comportamento 
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Contudo, se a sede tem características fisiológicas ou psíquicas mensuráveis, ela 
poderia desempenhar um papel na ciência do comportamento (SKINNER, 1953/2003). 
Fisiologistaspodem argumentar que os diferentes métodos de aumentar a 
probabilidade de beber, como a privação de água ou exercícios físicos, resultam em 
uma elevação da concentração de solutos no corpo, levando a uma mudança no 
sistema nervoso que torna o ato de beber mais provável. Da mesma forma, esses 
métodos poderiam induzir um estado psíquico de "querer beber", que também 
influenciaria o comportamento. 
 
Em cada caso temos um encadeamento casual composto de três elos: 
(1) uma operação efetuada de fora sobre o organismo - por exemplo, 
privação de água; (2) uma condição interna - por exemplo, sede 
fisiológica ou psíquica; (3) um certo comportamento - por exemplo, 
beber (SKINNER, 1953/2003). 
 
Poderíamos, a partir de dados a respeito do segundo elo, que é a condição 
interna, prever o terceiro elo (o comportamento), contudo, é quase impossível obter 
informações diretas sobre a condição interna. Podemos inferi-la a partir do 
comportamento, por exemplo, dizer que o animal está com sede se ele beber água. 
Porém, isso seria apenas lançar uma hipótese. Também poderíamos tentar inferir a 
condição interna a partir de uma operação efetuada de fora sobre o organismo, 
afirmando que o animal tem sede se estiver privado de água há longo tempo, porém, 
aqui também não seria diferente. Para o controle do comportamento, a condição 
interna é inútil a menos que possa ser manipulada. Porém não existem meio de 
“alterar diretamente processos neurais nos instantes apropriados na vida de um 
organismo que se comporta, nem ainda foi descoberto um jeito de alterar um 
processo psíquico” (SKINNER, 1953/2003). 
Neste sentido, a objeção que Skinner faz ao uso de estados internos como 
explicação não implica que eles não existam, mas sim que eles podem não ser 
relevantes para uma análise funcional do comportamento. Para entender 
completamente o comportamento de um sistema, é necessário olhar além do próprio 
sistema e considerar as forças externas que agem sobre ele. A menos que o segundo 
elo na cadeia causal não seja determinado de forma ordenada pelo primeiro, ou o 
terceiro pelo segundo, o primeiro e o terceiro elos devem estar ordenadamente 
relacionados. Ao retrocedermos além do segundo elo para previsão e controle, 
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Análise Funcional do Comportamento 
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evitamos digressões desnecessárias, examinando o comportamento como uma 
função das condições externas (SKINNER, 1953/2003). 
 
4 Análise Funcional do Comportamento 
 
Skinner (1953/2003) apresenta a análise funcional do comportamento como uma 
possibilidade decorrente das variáveis externas, das quais o comportamento é função. 
Na tentativa de prever o comportamento de um organismo individual, tem-se uma 
variável dependente, que é “o efeito para o qual procuramos a causa”, ou seja, o 
comportamento. As causas do comportamento são chamadas de variáveis 
independentes, que são as condições externas das quais o comportamento é função. 
 
 
• Variável: qualquer evento ambiental ou comportamental que possa variar 
ou ser modificado em mais de um valor. 
• Variável Dependente: efeito observado pela manipulação da variável 
independente. 
• Variável Independente: variável manipulada pelo experimentador que 
produz mudanças na variável dependente. 
Fonte: Vocabulário de Análise do Comportamento de Teixeira Júnior e Ronaldo Rodrigues et al. 
 
As condições externas que afetam o comportamento formam a base das leis da 
ciência do comportamento. Uma compreensão quantitativa e abrangente dessas leis 
nos permite entender o organismo como um sistema comportamental. Assim, para 
Skinner, a análise do comportamento deve ser conduzida dentro do escopo de uma 
ciência natural, sem atribuir ao comportamento propriedades especiais que 
necessitariam de métodos específicos. 
 
Muitas vezes argumenta-se que um ato não é tão importante quanto o 
“intento” que está por trás dele, ou que somente pode ser descrito em 
Análise do Comportamento: princípios básicos | 
Análise Funcional do Comportamento 
| 15 
termos do que “significa” para o indivíduo que se comporta ou para 
outros que possam ser afetados por ele. Se afirmações deste tipo 
tiverem de ser úteis para propósitos científicos, deverão estar baseadas 
em eventos observáveis, e é exclusivamente em tais eventos que se 
deve confinar uma análise funcional (SKINNER, 1953/2003, p. 38). 
 
Embora termos como "intenção" e "significado" pareçam descrever 
comportamentos, na verdade referem-se às variáveis independentes que o controlam. 
Isso também se aplica a termos que se referem às relações de controle do 
comportamento, como "agressivo", "amigável", entre outros. 
As variáveis independentes também devem ser descritas em termos físicos. Isso 
se opõe à tentativa de compreender o comportamento com base em sua significância 
para o organismo ou distinguindo entre o mundo físico e o mundo psicológico da 
"experiência". As "forças sociais" ou influências culturais e tradicionais também devem 
ser explicadas em termos de eventos físicos, que afetam tanto o cientista quanto o 
indivíduo observado. Na prática, lidar diretamente com dados observáveis oferece 
vantagens significativas. Assim como é necessário relacionar estados internos (com 
fome ou ansiedade) a variáveis manipuláveis externas para uso prático, também é 
preciso identificar os eventos físicos através dos quais uma "força social" impacta o 
organismo. 
Segundo Matos (1999), o modelo de causalidade adotado pelo analista do 
comportamento é centrado na seleção por consequências. Para um funcionalista, 
comportamentos se desenvolvem ou mudam devido à utilidade que têm na 
preservação da vida do indivíduo. Eles evoluem como meios para enfrentar ambientes 
complexos. Por exemplo, um comportamento incomum não é classificado como 
‘patológico’ pelo analista comportamental. Sua ocorrência indica funcionalidade e 
valor para a sobrevivência. A análise funcional, portanto, busca entender o valor de 
sobrevivência de um comportamento específico. Como no caso do comportamento 
de autoagressão, que não é visto como indicativo de um processo psicótico, mas 
como um conjunto de respostas que levam a consequências importantes para o 
indivíduo, sejam elas sensoriais ou sociais. 
Matos (1999) explica que esta ênfase na identificação das variáveis que 
influenciam o comportamento diferencia a abordagem do analista do comportamento 
de outras práticas psicológicas, que tendem a focar em uma descrição estrutural do 
comportamento, analisando a composição e organização dos elementos de uma ação, 
Análise do Comportamento: princípios básicos | 
Análise Funcional do Comportamento 
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em vez de sua função biológica. É crucial reconhecer que as análises funcionais e 
estruturais são complementares; não se trata de excluir uma em detrimento da outra, 
porém a análise funcional é essencial na Psicologia. 
Uma análise funcional considera o ambiente e a função do comportamento nesse 
contexto. Por exemplo, ao observar um pássaro andando, voando ou caçando, 
identifica-se o comportamento de acordo com referências ambientais específicas: o 
solo para andar, o ar para voar, e a presa para caçar. Os efeitos comportamentais 
correspondem ao deslocamento ou à captura da presa. Tal como na interação entre 
uma criança e um adultos, em que o comportamento da criança muda em resposta 
ao comportamento dos adultos, estabelecendo uma relação funcional denominada 
"reforçamento" (MATOS, 1999). 
O termo "reforçamento" descreve uma relação entre uma classe de 
comportamentos e suas consequências. Essa relação funcional não é diretamente 
observável; são as mudanças no comportamento e no ambiente que são observadas 
e a partir das quais se infere a relação funcional. A análise funcional é uma "explicação" 
de um evento através da descrição de suas relações com outros eventos, levando em 
conta eventos antecedentes e consequentes(MATOS, 1999). 
 
 
• Reforçamento: relação entre apresentação de consequências a um 
comportamento e o aumento de sua frequência. 
• Reforçador (estímulo reforçador ou estímulo apetitivo): qualquer evento 
que quando apresentado aumenta a frequência de um comportamento e 
que quando retirado diminui a sua frequência. 
Fonte: Vocabulário de Análise do Comportamento de Teixeira Júnior e Ronaldo Rodrigues et al. 
 
A análise funcional tem várias vantagens, como identificar variáveis importantes 
para a ocorrência de um fenômeno, facilitar intervenções futuras e planejar condições 
para a generalização e manutenção desse fenômeno. Ao classificar um 
comportamento ou estímulo, é possível trabalhar com respostas ou estímulos 
equivalentes, substituindo-os por outros mais adequados que produzam os mesmos 
reforçadores (MATOS, 1999). 
Análise do Comportamento: princípios básicos | 
Conclusão 
| 17 
Identificar um comportamento de interesse requer não só observá-lo, mas 
também considerar relatos de terceiros (como pais, professores, ou outros 
pesquisadores, dependendo do contexto de trabalho). Para identificar e descrever um 
efeito comportamental, é necessário especificá-lo, como por exemplo determinar a 
frequência de sua ocorrência. 
Assim, procurar uma relação ordenada entre variáveis ambientais e 
comportamentais relevantes para este efeito implica: 
a. descrever a situação que antecede e sucede o comportamento de 
interesse; 
b. na identificação da situação subsequente, é preciso diferenciar quais 
eventos são consequências; 
c. na identificação da situação antecedente, é importante distinguir quais 
eventos são realmente condições. 
*Essas identificações muitas vezes requerem observações repetidas. 
Além disso, é essencial descrever a natureza das relações de consequência dentro 
de um contexto mais amplo para aproveitar os benefícios de incorporá-las em um 
referencial conceitual. Isso envolve, por exemplo, determinar se estamos diante de 
reforço positivo ou negativo, de uma punição, fuga ou esquiva. Classificar essas 
relações em contextos mais amplos facilita a previsão de ocorrências similares. 
Vale destacar que, em contraste com análises estruturais, que se concentram na 
composição e organização dos elementos, a análise funcional pode ser aplicada a 
longo prazo, relacionando eventos separados no tempo. Uma variável ambiental pode 
influenciar um comportamento mesmo que não esteja presente no momento da 
mudança comportamental. Isso permite explicações históricas e evita a dependência 
de conceitos mediacionistas como memória, informação, trauma, entre outros. A 
análise funcional, portanto, é uma ferramenta poderosa para entender e influenciar 
comportamentos de maneira eficaz, sem se limitar a aspectos estruturais (MATOS, 
1999). 
 
5 Conclusão 
 
A conclusão desta unidade introdutória sobre Análise do Comportamento reitera 
a importância do entendimento dos princípios fundamentais que regem a análise do 
Análise do Comportamento: princípios básicos | 
Conclusão 
| 18 
comportamento humano e a interação deste com o ambiente. Através da exploração 
do constructo do comportamento e da aplicação da Análise Funcional do 
Comportamento, buscamos não apenas compreender as contingências que 
influenciam tais interações, mas também fornecer ferramentas para uma intervenção 
eficaz e baseada em evidências. Este conhecimento, ao ser aplicado em contextos 
acadêmicos e profissionais, tem o potencial de enriquecer significativamente a prática 
da análise comportamental, promovendo uma abordagem que valoriza a metodologia 
científica como pilar para a compreensão e modificação do comportamento. Espera-
se, portanto, que os conhecimentos adquiridos nesta unidade inspirem uma contínua 
busca pelo aprimoramento e pela aplicação prática dos conceitos explorados, 
contribuindo assim para o avanço da análise do comportamento como ciência e 
prática. 
 
Análise do Comportamento: princípios básicos | 
Referências 
| 19 
 
6 Referências 
 
MARTIN, Garry. Modificação do comportamento: o que é e como fazer. 10. Ed. Rio 
de Janeiro: Roca, 2018. 
MATOS, Maria Amélia. Análise funcional do comportamento. Revista Estudos de 
Psicologia, PUC-Campinas, v. 16, n. 3, p. 8-18, setembro/dezembro, 1999. 
MOREIRA, Márcio Borges; MEDEIROS, Carlos Augusto. Princípios básicos de análise 
do comportamento. 2. ed. Porto Alegre, RS: Artmed, 2019. 
PÊSSOA, Candido, V. B. B.; VELASCO, Saulo, M. Comportamento Operante. In: BORGES, 
Nicodemos Batista; CASSAS, Fernando Albregard (Col.) Clínica analítico-
comportamental: aspectos teóricos e práticos. Porto Alegre, RS: Artmed, 2012, p. 24 
– 31. 
SAMPAIO, Angelo Augusto Silva. Skinner: Sobre Ciência e Comportamento Humano. 
Psicologia, Ciência e Profissão, 25(3), 370-383, Bahia, 2005. 
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Penha Villalobos. São Paulo: Cultrix: Ed da Universidade de São Paulo, 1978. 
SKINNER, Burrhus Frederic. Ciência e comportamento humano. 11. ed. São Paulo, 
SP: Martins Fontes, 2003. 
TEIXEIRA JÚNIOR, RONALDO RODRIGUES et al. Vocabulário de análise do 
comportamento: Um manual de consulta para termos usados na área. Santo André, 
SP: ESETec Editores Associados, 2006. 
TODOROV, João Claudio; HANNA, Elanice S. Análise do Comportamento no Brasil. 
Psicologia: Teoria e Pesquisa, vol. 26, n. especial, pp. 143-153, Brasília, 2010. 
 
 
Análise do Comportamento: princípios básicos | 
Referências 
| 20 
 
 
	Sumário
	1 Introdução
	2 Ciência do Comportamento
	3 O Comportamento
	3.1 Variáveis que Influenciam o Comportamento
	4 Análise Funcional do Comportamento
	5 Conclusão
	6 Referências

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