Prévia do material em texto
INTRODUÇÃO O número de pacientes criticamente enfermos que sobrevivem à internação na unidade de terapia foco de pesquisa na UTI eram as taxas de sobrevida a curto prazo. Com o avanço dos tratamentos e a melhora no manejo do paciente crítico, cerca de 80% dos pacientes sobrevivem e têm alta hospitalar.1 resultados a longo prazo e para o processo de recuperação funcional após a internação na UTI. e os custos com esse tipo de tratamento excedem 0,5% do produto interno bruto (PIB), ou seja, 2,3 cuidadores por, pelo menos, 12 meses após a internação.4,5 Em 20% dos casos, algum membro da família precisa deixar de trabalhar para cuidar do paciente. Um estudo canadense evidenciou que ocorrem gastos com o tratamento das sequelas até 5 anos após a internação na UTI, sendo que no primeiro ano de pós-alta a média é de US$ 22.309,00.6 Unido, o pós-alta dos pacientes criticamente enfermos vem sendo tratado como um problema de saúde pública, e uma comissão foi criada pelo National Institute for Health and Care Excellence (NICE) para desenvolver sobre a reabilitação de sobreviventes após a internação na UTI. nos pós-alta da UTI, e diversos estudos apontam para a mobilização precoce como o principal tratamento.7,8 resultados. PAULO EUGÊNIO SILVA MARIA THEREZA CAMISASCA ROMANELLI JOCIMAR AVELAR MARTINS RECURSOS TERAPÊUTICOS PARA MOBILIZAÇÃO DO PACIENTE CRÍTICO 9 eletroestimulação neuromuscular (NMES) na mobilização precoce de pacientes críticos, e seu principal objetivo é fornecer mobilização precoce do doente crítico. OBJETIVOS reconhecer o emprego da NMES na mobilização do paciente crítico; compreender a utilização do ortostatismo passivo na UTI; reconhecer a utilização do treinamento com cicloergômetro em pacientes críticos. ESQUEMA CONCEITUAL Conclusão Ortostatismo passivo Cicloergômetro em pacientes na unidade de terapia intensiva Grupos musculares a serem eletroestimulados Início da terapêutica e pacientes Eletroestimulação neuromuscular Caso clínico 1 Caso clínico 2 Casos clínicos 10 ELETROESTIMULAÇÃO NEUROMUSCULAR 9 e longo prazos6 pelo aumento na taxa de readmissão na UTI10 e pela diminuição da qualidade de vida no pós-alta.11 O desenvolvimento da polineuropatia do paciente crítico (PNDC), uma complicação comum em 12,13 tempo prolongado de ventilação mecânica (VM); aumento no tempo de internação na UTI; aumento na morbidade e mortalidade; prolongamento no tempo de reabilitação. A imobilidade no leito contribui para o aumento da incidência da PNDC, e a mobilização deve ser realizada assim que possível.8 Entretanto, apenas nos últimos anos evidências vêm surgindo para o embasamento dessa terapêutica dentro da UTI.14-17 A mobilização precoce hospitalar e na UTI e à diminuição na taxa de mortalidade a longo prazo e na taxa de readmissão hospitalar.7,15,16,18,19 LEMBRAR Os pacientes criticamente enfermos na fase aguda, com frequência, não estão aptos a realizar mobilização ativa dos membros. Nesse sentido, vem crescendo a utilização da NMES como uma estratégia para atenuar a em pacientes sedados e/ou que não podem colaborar durante a mobilização precoce. Embora a utilização da NMES na fase aguda das enfermidades críticas pareça um tratamento potencialmente efetivo para diminuir a incidência de PNDC, os Até o momento, existem apenas sete estudos randomizados e controlados que utilizaram NMES em pacientes na UTI,20-26 um protocolo com pesquisa em andamento,27 um estudo com pacientes internados em unidade de desmame difícil28 e um ensaio clínico não randomizado.29 11 O Quadro 1 apresenta as principais características de cada estudo e seus desfechos. Quadro 1 DESCRIÇÃO DOS ESTUDOS E DESFECHOS Autores (ano) População (no) Desenho do estudo Desfechos clínicos Resultado Bouletreau e colabo- radores (1987)20 Pacientes críticos agudos (10) RCT/ NMES bilateral Balanço nitrogenado NMES Zanotti e colaborado- res (2003)28 Pacientes com DPOC em desmame prolongado (24) RCT/ NMES bilateral Força e independência funcional NMES Gerovasili e colabo- radores (2009)21 Pacientes críticos agudos (49) RCT/ NMES bilateral Volume muscular NMES Routsi e colaborado- res (2010)22 Pacientes críticos agudos (142) RCT/ NMES bilateral Força, tempo de desmame e estadia na UTI NMES Meesen e colabora- dores (2010)24 Pacientes críticos agudos (21) RCT/ NMES unilateral Volume muscular NMES Gruther e colabora- dores (2010)23 Pacientes críticos agudos e crônicos (33) RCT/ NMES bilateral Volume muscular NMES apenas no grupo crônico Poulsen e colabora- dores (2010)25 Pacientes críticos agudos com choque séptico (8) RCT/ NMES unilateral Volume muscular NMES Rodriguez e colabo- radores (2011)26 Pacientes críticos agudos com sepse (16) RCT/ NMES unilateral Volume muscular, força e tempo de VM NMES Kho e colaboradores (2012)27 Pacientes críticos agudos (54) RCT/ NMES bilateral Força, tempo de desmame, estadia na UTI e mortalidade E s t u d o e m andamento Hirose e colaborado- res (2013)29 Pacientes críticos crônicos com AVE e TCE (15) Ensaio clínico/ NMES bilateral Volume muscular NMES 12 O Quadro 2 apresenta os protocolos de NMES utilizados. Quadro 2 PROTOCOLOS DE ELETROESTIMULAÇÃO NEUROMUSCULAR UTILIZADOS Autores (ano) Área(s) tratada(s) Frequên- cia (Hz) Largura de Intensida- de (mA) Tem- po (min) Bouletreau e colabora- dores (1987)20 Quadríceps e tríceps sural 75 3.000 ? 30 Zanotti e colaborado- res (2003)28 Quadríceps e vasto glúteo 35 350 ? 30 Gerovasili e colabora- dores (2009)21 Quadríceps 45 400 19-60 55 Routsi e colaboradores (2010)22 Quadríceps e fibular longo 45 400 ? 55 Meesen e colaborado- res (2010)24 Quadríceps 60/80/100 250/330 35-85 30 Gruther e colaborado- res (2010)23 Quadríceps 50 350 ? 30-60 Poulsen e colaborado- res (2010) Quadríceps 35 300 37-54 60 Rodriguez e colabora- dores (2011)26 Quadríceps e bíceps 100 300 30 Kho e colaboradores (2012)27 Quadríceps, tríceps sural e tibial anterior 50 250/400 ? 60 Hirose e colaborado- res (2013)29 Quadríceps, tríceps sural, tibial anterior e bíceps femoral ? ? 30-40 30 Apesar de a NMES ter ganhado destaque na terapia intensiva com o trabalho de Zanotti e colaboradores,28 no qual foram estudados pacientes com DPOC em VM prolongada, a primeira colaboradores,20 que avaliaram o impacto da NMES em pacientes sob VM no metabolismo proteico e detectaram que ela interferia de forma positiva no balanço nitrogenado, o que, teoricamente, sugere redução do catabolismo. Desde então, os estudos têm se focado em desfechos ligados aos seguintes fatores: funcionalidade; tempo de permanência na UTI. 13 Gerovalisi e colaboradores21 avaliaram o impacto da NMES sobre o volume muscular do quadríceps em 49 pacientes internados na UTI respirando sob VM. Esses pacientes foram randomizados a partir de 48 horas de VM para receber NMES diariamente em ambas as pernas ou permanecer no grupo-controle sem eletroestimulação. O grupo NMES foi tratado por sete dias o grupo NMES quanto o grupo-controle apresentou diminuição de volume muscular intragrupo; entretanto, a perda no grupo-controle foi maior do que no grupo NMES quando avaliado intergrupo, Routsi e colaboradores,22 com um protocolo bastante similar ao trabalho de Gerovasili e colaboradores,21 avaliaram o impacto da NMES sobre a incidência de PNDC, o tempo de VM e o tempo de internação na UTI em 140 pacientes mecanicamente ventilados, os quais foram randomizados em dois grupos (NMES e controle), e a NMES foi aplicada no quadríceps e no da UTI. O grupo NMES apresentou diminuição na incidência de PNDC se comparado ao grupo- controle com p = 0,04. Tanto o tempo de VM como o tempo de internação na UTI foram menores Gruther e colaboradores,23 em um estudo singular, avaliaram a aplicação da NMES em pacientes sob VM na fase aguda (menos de 7 dias de internação) ou na fase crônica da internação na UTI (mais de 14 dias). Ambos os grupos foram randomizadospara o grupo estimulação ou grupo impacto da NMES no volume muscular e, para tanto, foi utilizada USG para mensurar a espessura do músculo. Os autores muscular após a utilização da NMES comparado ao seu grupo-controle (p = 0,03). Meesen e colaboradores24 também avaliaram o impacto da NMES no volume muscular do quadríceps em pacientes sob VM e mensuraram a resposta com a perimetria do membro. Foram estudados 21 pacientes randomizados em dois grupos, sendo que o grupo NMES recebeu o estímulo apenas em um membro. Os autores utilizaram um protocolo de NMES que dia de tratamento, o membro estimulado foi avaliado. O grupo NMES apresentou aumento na circunferência do membro tratado (p = 0,05), o que não ocorreu no membro contralateral desse mesmo grupo nem no grupo-controle. Poulsen e colaboradores25 avaliaram o impacto da NMES no volume muscular do quadríceps de pacientes com choque séptico. Com um protocolo que utilizou frequências mais baixas (35Hz), oito pacientes foram eletroestimulados por 60 minutos unilateralmente por sete dias consecutivos. quadríceps não estimulado teve perda de 16% comparado ao linha de base, o que correspondeu a uma taxa média de redução de 2,3% ao dia (Figura 1). O volume do músculo estimulado obteve perda de 20% comparado ao linha de base, o que comparados ambos os membros (estimulado e não estimulado, p = 0,12). 14 As Figuras 1AB, a seguir, apresentam perda muscular em pacientes com choque séptico avaliada com TC. Figura 1 – A) B) Fonte: No estudo de Rodriguez e colaboradores,26 o impacto da NMES na função e no volume muscular no membro inferior (quadríceps) e superior (bíceps) (Figura 2). A NMES foi realizada duas vezes ao dia unilateralmente em 16 pacientes com sepse respirando sob VM até a extubação e foi aplicada, em média, por 13 dias. não tratados (p = 0,005 bíceps e p = 0,03 quadríceps). Para a mensuração, os autores utilizaram o escore de força do Medical Research Council (MRC). Não foi observado aumento no volume Figura 2 Fonte: 15 Por conta de todas as evidências e da relevância do tema, inúmeros grupos de pesquisa em todo o mundo vêm direcionando seus esforços para aumentar o conhecimento a respeito da NMES em pacientes criticamente enfermos. LEMBRAR Recentemente, foi publicado o protocolo de um estudo multicêntrico americano fase II, no qual a NMES vem sendo aplicada no quadríceps, tríceps sural e tibial anterior em pacientes críticos sob VM.27 internação na UTI, os autores avaliarão os seguintes aspectos: força global por meio do MRC; tempo de VM; tempo de internação na UTI e hospitalar; taxa de mortalidade. A publicação mais recente sobre NMES em pacientes críticos foi realizada por um grupo de pesquisadores japoneses. Hirose e colaboradores29 avaliaram o processo natural de causada pela restrição ao leito em seis pacientes por meio da TC. A partir disso, os pesquisadores avaliaram o impacto da NMES em nove pacientes internados na UTI por AVE ou TCE sobre a diminuição do volume muscular. O tratamento foi realizado no quadríceps, bíceps femoral, tríceps sural e tibial anterior por até seis semanas. estudo demonstrou perda menor no grupo-controle do que a perda demonstrada por Poulsen e colaboradores25 em pacientes sépticos (Figura 3AG). Além disso, o padrão de redução foi diferente 16 A B C FED G Figura 3 A) B) C) D) E) F) G) Fonte: 90 100% 80 70 60 50 40 0 14 28 42 PL AL PT AT 7 21 35 Dias Figura 4 Fonte: 17 Apesar da heterogeneidade das amostras e dos protocolos de NMES aplicados nos estudos descritos, pode-se apresentar o seguinte padrão de tratamento que vem sendo empregado: uma sessão por dia; 5 a 7 dias por semana; frequências variando de 35 a 100Hz; correntes bipolares e simétricas; tempo de aplicação variando entre 30 e 60 minutos; quadríceps sendo o principal músculo tratado. quais grupos musculares devem ser eletroestimulados? ATIVIDADE Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) em relação à mobilização precoce e à internação na UTI. ( ) A PNDC não é uma patologia comum em pacientes internados na UTI. ( ) Os pacientes criticamente enfermos não devem ser mobilizados na fase aguda, uma vez que esse tipo de conduta pode trazer riscos nessa fase. ( ) Um grande percentual dos pacientes internados na UTI evolui para óbito, dessa 2. O número de pacientes criticamente enfermos que sobrevivem à internação na A) com o avanço dos tratamentos e a melhora no manejo do doente crítico, cerca de 80% dos pacientes sobrevivem e têm alta hospitalar. C) mesmo após a alta da internação na UTI os gastos com tratamentos em função das sequelas podem perdurar por anos. D) pacientes que deixam a UTI com algum nível de incapacidade funcional têm maior chance de serem readmitidos. 18 3. O desenvolvimento da PNDC, uma complicação comum em pacientes internados na A) aumento da PEEP. B) diminuição da qualidade de vida no pós-alta. C) aumento na morbidade e mortalidade. D) altas taxas de readmissão hospitalar. 4. Em relação à NMES, considere as seguintes alternativas. na UTI e à diminuição na taxa de mortalidade a longo prazo e na taxa de readmissão hospitalar. II – Os pacientes criticamente enfermos na fase aguda, com frequência, não estão aptos a realizar mobilização ativa dos membros. embasada na literatura. D) todas as alternativas. 5. Relacione as colunas considerando os estudos desenvolvidos sobre a NMES em pacientes na UTI. (1) Gerovalisi e colaboradores (2) Routsi e colaboradores (3) Gruther e colaboradores (4) Meesen e colaboradores (5) Poulsen e colaboradores ( ) Avaliaram o impacto da NMES sobre a incidência de PNDC, o tempo de VM e o tempo de internação na UTI em 140 pacientes sob VM. ( ) Avaliaram o impacto da NMES no volume muscular do quadríceps de pacientes com choque séptico. ( ) Avaliaram o impacto da NMES sob o volume muscular do quadríceps em 49 pacientes internados na UTI respirando sob VM. ( ) Avaliaram a aplicação da NMES em pacientes sob VM na fase aguda (menos de 7 dias de internação) ou na fase crônica da internação na UTI (mais de 14 dias). ( ) Utilizaram um protocolo de NMES que variava a frequência (60/80/100Hz) e largura de pulso 19 6. Apesar da heterogeneidade das amostras e dos protocolos de NMES aplicados nos estudos descritos neste artigo, pode-se apresentar um padrão de tratamento que vem sendo empregado. Qual é esse padrão? ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... INÍCIO DA TERAPÊUTICA E PACIENTES QUE PODEM SE BENEFICIAR Deve-se iniciar a NMES o mais precocemente possível. Isso é demonstrado tanto em trabalhos neurológicos.30-32 Contudo, é importante ponderar e considerar o estado clínico de cada paciente, bem como sua . Parece que pacientes com elevada demanda metabólica, algum modo, foi demonstrado por Poulsen e colaboradores.25 O Quadro 3 apresenta alguns marcadores para auxiliar na tomada de decisão para o início/ interrupção da NMES. Quadro 3 GUIA DE SEGURANÇA PARA REALIZAÇÃO DE EXERCÍCIO EM PACIENTES CRÍTICOS Quando interromper ou não realizar exercícios Fração inspirada de oxigênio (FiO 2 2 O Saturação de pulso de oxigênio (SpO 2 do valor inicial Fonte: 33 22 uso de bloqueador neuromuscular; instabilidade hemodinâmica; membro com fratura; marca-passo cardíaco; pacientes gestantes. 20 Dados recentes chamam atenção para outro fator que deve ser considerado quando se pensa em iniciar a atividade física na UTI – o estado nutricional do paciente. Serón eArbeloa e colaboradores34 demonstraram que o início precoce e moderado da oferta calórica pode promover melhores resultados em pacientes críticos. Nesse estudo retrospectivo, os pacientes receberam, se alcançar o valor energético total predito na primeira semana de internamento em pacientes criticamente enfermos.33,34 35 A instituição da NMES aumenta o nesses pacientes, o que pode aumentar ainda mais o catabolismo. responder ao aumento da demanda metabólica ocasionada pelo exercício e, dessa forma, reduzir o catabolismo gerado pela imobilidade no leito. DOSE MAIS EFICAZ questão, sem trazer efeitos colaterais ajustes de frequência; largura de pulso; tempo de contração; tamanho de eletrodo; tempo de tratamento; frequência do tratamento ao logo do dia e da semana. 36 A largura de pulso guarda correlação com a duração do estímulo no nervo e/ou músculo em cada pulso. Assim, quanto de pulso para se conseguir estimular a região tratada.37 largura de pulso é por meio da mensuração da cronaxia, e um protocolo experimental com base 38 A combinação de frequência e largura de pulso também interfere no torque, e a multiplicação dessas grandezas, denominada carga total (V*s-6) 35.000 e 40.000V*s-6.37 Assim, a carga total é um forte preditor de torque durante a contração 21 A Tabela 1 apresenta a média de torque gerada pela carga total (frequência x largura de pulso) Tabela 1 MÉDIA DE TORQUE GERADA PELA CARGA TOTAL Carga total (V*s-6) Média de torque (lbs) 6.000 V*s-6 41,4 42,8 8.000 V*s-6 46,1 46,3 10.000 V*s-6 50,5 49,8 12.000 V*s-6 57,8 57,9 15.000 V*s-6 61,0 60,0 18.000 V*s-6 66,3 63,7 24.000 V*s-6 71,6 70,0 30.000 V*s-6 73,8 74,3 Fonte: -6). 22 0.90 1.00 Carga total (V*s-6) 0.70 0.80 0.50 0.60 0.30 0.40 0.10 0.20 0.00 0 10.000 25.00020.000 35.000 40.0005.000 15.000 30.000 Figura 5 Fonte: os valores alcançados com a utilização de frequências entre 20 e 60Hz e larguras de pulso entre volume do treinamento. Ao nervo seccionado.40 Nessa pesquisa, o eletroestimulador foi implantado nas costas dos animais, e Além do volume do treinamento, a intensidade da corrente, medida em mA, também 41 mas deve-se instituir a maior intensidade possível tolerada pelos pacientes, mas aqueles em VM na UTI, muitas vezes, não conseguem expressar essa tolerância à conduta. Han e colaboradores40 consideram que o ajuste da corrente 50% acima da reobase é uma intensidade moderada. LEMBRAR GRUPOS MUSCULARES A SEREM ELETROESTIMULADOS deveriam ser eletroestimulados. A resposta para tal estresse muscular pode ser dosada pela creatinofosfoquinase (CPK) e, dessa forma, os níveis de segurança podem ser respeitados.42 A tratar todos os principais grupos musculares com NMES. 23 Em resumo, os estudos publicados até o momento, em sua maioria, demonstram que a NMES sarcopenia e a perda de força muscular. Parece, ainda, ter impacto sobre desfechos, como tempo de VM e tempo de internação, mas apesar dessa tendência, isso ainda não foi comprovado estatisticamente. As evidências atuais que sustentam a utilização da NMES em pacientes criticamente enfermos utilizam correntes bipolares ajustadas diariamente por 30 a 60 minutos. LEMBRAR CICLOERGÔMETRO EM PACIENTES NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA As tentativas de reduzir o impacto negativo causado pela imobilização prolongada no leito de pacientes em estado crítico têm sido inúmeras.43-45 diagnóstico precoce, na prevenção e no tratamento das sequelas advindas da restrição ao leito.46 de pacientes na UTI, é possível citar o cicloergômetro,47 que tem sido uma ferramenta que, ainda tímida na sua indicação e uso, mostra bons resultados quando bem indicada e corretamente utilizada.48,49 O cicloergômetro é um equipamento de movimentação cíclica, podendo ser construído em aço inox ou aço carbono, por isso, de longa durabilidade, que promove conforto e praticidade (Figura 6AB). Seu funcionamento pode ser mecânico ou elétrico, o que possibilita o uso em pacientes em diversos momentos da internação hospitalar. Figura 6 – A-B) Fonte: 24 O cicloergômetro tem sido amplamente utilizado na reabilitação de pacientes com DPOC, mostrando ser capaz de:51-53 reduzir a sensação de dispneia; aumentar a força muscular; melhorar a qualidade de vida desses indivíduos. reabilitação de 12 semanas, mostrou melhora na velocidade do exercício no cicloergômetro, na distância caminhada no teste de seis minutos e na qualidade de vida dos pacientes.54 Em pacientes na UTI, o uso do cicloergômetro ainda tem sido pouco estudado, possivelmente porque processo de reabilitação.55 Alguns autores, porém, mostraram redução na sensação de dispneia, melhora na capacidade de realização do exercício, aumento da força muscular e melhora na funcionalidade utilizando o cicloergômetro no programa de reabilitação em pacientes em estado crítico.48,49 Nesses estudos, o cicloergômetro foi utilizado tanto em pacientes que ainda estavam na VM como naqueles que foram extubados. Os protocolos preconizavam o uso do cicloergômetro durante 20 minutos por dia, de forma contínua ou intermitente, iniciando com movimentos passivos e evoluindo para ativos de acordo com melhora clínica do paciente. Para a progressão das cargas, devem ser observados os dados vitais, como FC, FR, pressão arterial (PA) e níveis de oxigenação periférica, os quais podem ser ajustados semanalmente ou conforme a avaliação física individual do paciente.48,49 A FC-alvo pode ser obtida a partir da fórmula de Karvonen, onde: ser calculadas as zonas de treinamento. Segundo Stiller,56 os percentuais por volta de 60% incremental pode ser realizado para avaliação de força e iniciam a atividade de maneira passiva, isso não é possível.49 Outro ponto importante é o fato de que a atividade física com o cicloergômetro pode melhorar a força muscular respiratória. Estudos tanto com pacientes críticos como com DPOC mostram que movimentos cíclicos e contínuos são capazes de aumentar a força muscular inspiratória e expiratória.48,57 Esse achado corrobora os resultados de outro estudo, que mostrou que o fortalecimento da musculatura periférica pode melhorar a força muscular respiratória, mesmo 55 além de ser capaz de favorecer o desmame da VM, facilitar a alta da UTI e reduzir o custo com internação.48,49 25 A reabilitação precoce de pacientes em UTI, embora bem documentada, ainda é início da atividade com o cicloergômetro, a forma mais efetiva de ajuste das cargas e o exato momento de interromper a atividade. LEMBRAR ATIVIDADE 7. Os ajustes nos parâmetros do eletroestimulador são a chave para a instituição de ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... 8. Por que é importante considerar o estado clínico de cada paciente, bem como sua ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ...................................................................................................................................................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... 10. Entre as alternativas a seguir, qual NÃO é uma contraindicação para a realização de NMES? B) Membro com fratura. C) Marca-passo cardíaco. D) Instabilidade hemodinâmica. 26 ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... 12. Explique o que é um cicloergômetro. ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... 13. Em relação aos benefícios do cicloergômetro, todas as alternativas estão corretas com EXCEÇÃO de A) redução da sensação de dispneia. B) aumento da força muscular. D) diminuição do tempo de reabilitação. ORTOSTATISMO PASSIVO Uma parte dos pacientes admitidos na UTI necessita de períodos prolongados de VM.58 Esses pacientes crônicos contabilizam 5,8% dos pacientes críticos, porém 59 Além do aumento dos custos, a estadia prolongada na UTI tem sido associada com maior mortalidade e redução da funcionalidade.6,10 LEMBRAR II), e a síntese de proteína é reduzida, promovendo dos músculos esqueléticos.60 inatividade.61 extremidades em função da falta de estresse gravitacional. Assumir a posição vertical ajuda a 62 27 de partida para isso. Sheldon63 estudou o percentual de carga distribuída em cada angulação da prancha ortostática (Figura 7) e encontrou os valores descritos na Tabela 2. Assim, um paciente posicionado a 30º, 50º e 70º descarrega cerca de 37%, 63% e 82% do seu peso total, respectivamente. F O F P W Figura 7 Fonte: Tabela 2 PERCENTUAL DE CARGA DISTRIBUÍDA EM CADA ANGULAÇÃO DA PRANCHA ORTOSTÁTICA Ângulo de inclinação da prancha ortostática Percentual de peso descarregado (%) 0° 8 5° 10,1 10° 14,6 15° 19,1 20° 24,5 25° 30,4 30° 36,9 35° 43,3 40° 50,1 45° 56,5 50° 62,7 55° 68,4 60° 73,4 65° 78,3 70° 82,5 75° 85,9 80° 89,2 85° 91,4 90° 92,7 Fonte: 28 inatividade no leito para a readaptação dos pacientes à posição vertical e à marcha (Figura 8). A quando os pacientes são incapazes de realizar a ortostase sozinhos ou dependem de 64,65 Figura 8 Fonte: A elevação pode ser feita mecânica ou eletronicamente, partindo da posição supina até 90º de elevado e oferecer segurança, o ortostatismo passivo ainda não é uma realidade nos hospitais brasileiros.66 67 Os benefícios do ortostatismo passivo descritos em alguns estudos61,63,68-71 incluem melhora nos seguintes aspectos: controle autonômico cardiovascular; oxigenação; ventilação; estado de alerta; resposta postural antigravitacional; redução da espasticidade; prevenção de contraturas articulares. 29 64 pesquisas é focada em pacientes tetraplégicos e no estudo das síndromes vasovagais.69-70 o tônus muscular e a espasticidade em pacientes com disfunção neurológica.69-71 Os estudos com pacientes críticos encontram-se na fase inicial (Figura 9). Até o momento, os ensaios Figura 9 Fonte: Chang e colaboradores72 investigaram os efeitos do ortostatismo com assistência da prancha pesquisadores submeteram 15 pacientes, sendo 12 em processo de desmame, ao ortostatismo 0,001) por aumento tanto no volume corrente (VC) como na FR, se comparados com as medidas basais. Essas mudanças foram mantidas durante a intervenção e imediatamente após, voltando de pressão parcial de oxigênio no sangue arterial (PaO 2 carbônico (PCO 2 ). Um desenho de estudo similar foi conduzido por Sibinelli e colaboradores,58 no qual 15 pacientes crônicos internados na UTI, restritos ao leito, foram avaliados em 0°, 30° e 50°. Todos os pacientes 2 O objetivo desse estudo foi avaliar o impacto sobre o nível de consciência e o efeito cardiopulmonar do ortostatismo passivo em pacientes internados na UTI. Os pesquisadores 30 Velar e Forti Junior65 passivo sobre o nível de consciência. Os pacientes com diagnóstico de AVC internados em UTI foram submetidos a ortostatismo passivo a 70º. Os achados desse estudo demonstraram que houve melhora no nível de consciência, avaliado por meio da escala de Glasgow os quais diferem dos encontrados por Sibinelli e colaboradores,58 que não encontraram melhora no nível de consciência. Até o momento, não foram publicados estudos randomizados e controlados mensurando o impacto dessa conduta em desfechos clínicos importantes, como tempo de VM, internação e funcionalidade na alta da UTI. Além disso, não se sabe a dose ideal (inclinação/tempo). Com base nos estudos citados, o ortostatismo passivo é indicado para pacientes cardiovasculares e respiratórios devem ser monitorizados constantemente. O procedimento deve ser realizado com mudanças gradativas, e o tempo deve ser de 5 a 30 minutos. fístula broncopleural; traumatismo raquimedular; cateter de monitorização da pressão intracraniana. UTI. Entretanto, as próximas pesquisas devem partir para ensaios randomizados e controlados ATIVIDADE 14. Descreva os principais recursos para a implementação da mobilização precoce. ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... 15. São considerados efeitos do ortostatismo passivo, EXCETO a A) melhora no controle autonômico cardiovascular. B) diminuição da ventilação. C) melhora no estado de alerta. D) prevenção de contraturas articulares. 31 funcionais nos pós-alta da UTI e diversos estudos apontam para a mobilização precoce como o principal tratamento. Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) em relação aos recursos utilizados para realização da mobilização precoce. ( ) A NMES vem sendo utilizada com correntes monopolares, quadradas, e os resultados são animadores. e os níveis de PEEP não interferem na indicação da conduta. ( ) O cicloergômetro é uma ferramenta que tem mostrado bons resultados quando bem indicada. Sua grande limitação é que necessita da colaboração dos pacientes e, muitas vezes, eles estão sedados ou não têm força para pedalar. ( ) Entre os recursos descritos, a NMES é a conduta com maior número de estudos realizados na UTI. ........................................................................................................................................... ...................................................................................................................................................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... 18. Os benefícios do ortostatismo passivo descritos em alguns estudos incluem melhora A) na hemodinâmica. B) no estado nutricional. C) na redução da espasticidade. D) na qualidade de vida no pós-alta. CASOS CLÍNICOS CASO CLÍNICO 1 Paciente do sexo masculino, 35 anos de idade, foi admitido na UTI após acidente automobilístico com fratura em úmero direito e pneumonia aspirativa. No sétimo dia de em VM, modo de pressão de suporte ventilatório (PSV) = 10cmH 2 O, PEEP = 5cmH 2 O e FiO 2 = 40%. A avaliação do grau de força muscular pelo escore de força da MRC força com valor absoluto de 30cmH 2 O. 32 ATIVIDADE 19. A NMES pode ser utilizada para esse paciente? Caso sim, descreva um possível ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... 20. O fato de o paciente ainda estar em VM indica ou contraindica o ortostatismo passivo? Explique sua resposta. ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... 21. Como poderia ser utilizado o cicloergômetro desde a fase de sedação até o momento ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... ........................................................................................................................................... CASO CLÍNICO 2 Paciente do sexo masculino, 20 anos de idade, foi admitido na UTI com sepse grave. Sua FC de repouso era de 58bpm. 33