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Rev:05 Abril de 2012 A po st ila d e C al ib ra çã o In du st ria l IFRJ Campus Volta Redonda Cursos Técnicos em: Metrologia Automação Industrial Elaboração: Prof. Alexandre Mendes Prof. Reinaldo Santana Aprovação: Prof. Alexandre Mendes IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 2 de 53 1. INTRODUÇÃO O que é metrologia? Metrologia é a ciência que estuda as medições E medição, o que é? É o conjunto de operações que têm por objetivo determinar um valor de uma grandeza Logo, a Metrologia estuda todos os fatores que influenciam na determinação do valor de uma grandeza. A Metrologia é a principal responsável pela representação de uma variável do processo, o que possibilita que o controle deste processo seja mais eficaz quanto melhor for o domínio sobre as medições efetuadas. A Metrologia é uma ciência bastante antiga. Só para termos uma idéia, a lei que estabelece o metro como unidade oficial de comprimento foi promulgada em 1795. Os padrões materializados do metro e do quilograma foram construídos em 1798, com platina. No Brasil o metro foi adotado oficialmente em 1862. Porém, a metrologia como conhecemos hoje, preocupada com a confiabilidade das medições, que estima incertezas e prevê métodos padronizados para buscar medir com exatidão, é relativamente recente. Começou a partir da 2ª guerra mundial, quando o repentino aumento da demanda por bens industrializados revelou que as peças produzidas por diferentes fornecedores não eram intercambiáveis, mesmo partindo das mesmas especificações, por não haver concordância entre as medidas declaradas pelos fornecedores. A partir daí, acompanhado da globalização e aumento do consumo, sobretudo de bens industrializados (indústrias mecânica e eletrônica), sua importância foi crescendo, e os estudos avançando. Por isso, muitos pontos ainda carecem de consenso, porém é indispensável conhecer as medições e suas fontes de dúvida, para então podermos avaliar, em cada caso, os fatores que realmente interferem na realização das medições com a exatidão e confiabilidade requeridas. Este é nosso objetivo! 1.1 Ramos da Metrologia 1.1.1 Metrologia Científica e Industrial A metrologia científica trata, fundamentalmente, dos padrões de medição internacionais e nacionais, dos instrumentos laboratoriais e das pesquisas e metodologias científicas relacionadas ao mais alto nível de qualidade metrológica. Como desdobramento, estas ações alcançam os sistemas de medição das indústrias (metrologia industrial), responsáveis pelo controle dos processos produtivos e pela garantia da qualidade dos produtos finais. Estrutura Internacional da Metrologia Científica • Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM) Constituída por representantes dos países membros da Convenção do Metro. Reúne-se de 4 em 4 anos e tem como missão básica assegurar a utilização e aperfeiçoamento do Sistema Internacional de Unidades. • Comitê Internacional de Pesos e Medidas (CIPM) Composto por 18 membros de países diferentes, atua como autoridade científica internacional. Convoca a CGPM e prepara as resoluções a serem submetidas à Conferência Geral. • Bureau Internacional de Pesos e Medidas ( BIPM) Centro internacional mantido com recursos de todos os países membros e tem como missão: a. Conservar os protótipos internacionais; b. Efetuar intercomparação de padrões; c. Definir os valores das Constantes Fundamentais da Física. O INMETRO, por intermédio da DIMCI - Diretoria de Metrologia Científica , tem a responsabilidade de manter as unidades fundamentais de medida, garantir a rastreabilidade aos padrões internacionais e disseminá- las, com seus múltiplos e submúltiplos, até as indústrias. Desta forma, o INMETRO tem como principais objetivos: • Intercomparar periodicamente os padrões nacionais aos internacionais; • Estabelecer metodologias para a intercomparação nacional de padrões, instrumentos de medir e medidas materializadas; • Calibrar padrões de referência dos laboratórios acreditados, rastreando-os aos padrões nacionais; • Efetuar pesquisas visando à obtenção de medições mais exatas e melhor reprodução das unidades do Sistema Internacional; • Descentralizar serviços metrológicos ao longo do país, acreditando laboratórios que tenham condições adequadas à realização de serviços metrológicos específicos, para faixas de valores e incerteza de medição estabelecidos. 1.1.2 Metrologia Legal A definição formal de metrologia legal é: “Parte da Metrologia que estabelece procedimentos legislativos, administrativos e técnicos pelas ou por referência às autoridades públicas, e implementadas em nome dessas autoridades, com o propósito de garantir, de maneira regulatória ou contratual, a qualidade apropriada e a credibilidade das medições relativas aos controles oficiais, ao comércio, à saúde, à segurança e ao meio ambiente.” Ou seja, a metrologia legal é responsável por regulamentar e fiscalizar o cumprimento de práticas metrológicas que não prejudiquem as relações comerciais honestas, saúde e segurança das pessoas e integridade do meio ambiente. Para isso, se vale de IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 3 de 53 legislação específica e possui autoridade para lavrar infrações, autuar e incriminar quem não cumpri-la. Em nível internacional, seu órgão máximo é a Organização Internacional de Metrologia Legal (OIML), no Brasil é o INMETRO, através de sua Diretoria de Metrologia Legal (DIMEL), que delega as atividades de fiscalização e atividades conjuntas por ele definidas aos Institutos de Pesos e Medidas (IPEM) de cada estado. As principais atividades da Metrologia Legal no Brasil são: INMETRO (DIMEL): • Regulamentação sobre instrumentos de medição e produtos pré-medidos; • Apreciação técnica de modelos de instrumentos. ÓRGÃOS DELEGADOS: • Verificação metrológica (periódica, inicial e eventual); • Verificação de produtos pré-medidos; • Inspeção e fiscalização em serviço; • Autorização de oficinas Diagrama Ilustrativo da estrutura da Metrologia no mundo BIPM OIML INMETRO DIMCI INMETRO DIMEL Laboratórios Acreditados Laboratórios Rastreados Indústria Controle Metrológico e Controle de Qualidade Indústria Relações Comerciais, Saúde e Meio Ambiente Órgãos Delegados Metrologia Científica e Industrial Metrologia Legal Estrutura da Metrologia Legal Fonte: INMETRO IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 4 de 53 2. MEDIÇÃO DE MASSA 2.1. Introdução Em nosso dia-a-dia, qual o instrumento de medição que mais encontramos? Em primeiro lugar, certamente estão os relógios, onde medimos o tempo, e em segundo, alguém concorda que são as balanças? Seja nos supermercados, padarias, feiras, restaurantes self service... as balanças estão presentes em todo tipo de comércio, já que a maioria dos produtos que compramos pagamos pela sua massa. A propósito, você sabe a diferença entre peso e massa? Sabe por que chamamos a medição de massa de pesagem? Neste capítulo iremos estudar os aspectos relacionados à medição de massa. 2.2 Conceituação – O que é massa, peso, força...? A massa de um objeto pode ser determinada pela medida de sua inércia. A inércia é a resistência que o corpo oferece a um esforço realizado para modificar seu estado de movimento. Assim, a massa de um corpo não varia com o local onde ele se encontra. Ela é escalar e sua unidade no sistema internacional14105-1) Diferença máxima entre as indicações crescentes e decrescentes, em qualquer ponto da escala, em uma calibração. Erro de Repetitividade (ABNT NBR 14105-1) Diferença máxima entre um número consecutivo de indicações para uma mesma pressão, em iguais condições de operação, em um mesmo sentido de aplicação de pressão. Erro Fiducial (índice da classe de exatidão) O erro fiducial de um medidor analógico de pressão é determinado a partir da relação entre o maior erro de indicação do instrumento pela amplitude da faixa de escala expandida expressa em percentagem. Faixa de Indicação Expandida Faixa de escala que apresenta, numa ou em ambas de suas extremidades, desproporcionalidade em relação a todo seu restante (Faixa de Escala Expandida). 3.7.1. Identificação da Classe de Exatidão do Medid or Conforme a ABNT NBR 14105-1, a classe de exatidão de um medidor analógico de pressão é identificada de acordo com as seguintes características físicas do instrumento: - diâmetro nominal da janela, - faixa de escala (faixa de indicação), - valor de uma divisão, - número de divisões. A norma apresenta tabelas onde cada medidor pode ter sua classe de exatidão determinada. Além disso, os fabricantes devem informar a classe de exatidão do manômetro deve estar gravada em seu mostrador. Os manômetros são classificados segundo a classe de exatidão em A4, A3, A2 e A1 . Nesta classificação os erros máximos admissíveis não devem exceder os seguintes limites: classe A4 = 0,10%; classe A3 = 0,25%; classe A2 = 0,50%; classe A1 = 1,0%. classe A = 1,5%; Também ficam determinadas as classes de exatidão B, C, D, cujos erros máximos admissíveis não devem exceder os seguintes limites: Classe de Exatidão EMP em qualquer ponto entre 25% e 75% da faixa de escala: EMP em qualquer ponto entre 0% e 25% e entre 75% e 100% da faixa de escala: B 2,0 3,0 C 3,0 4,0 D 4,0 5,0 IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 30 de 53 3.7.2. Padrão a) Seleção do Padrão O manômetro padrão (A4 - A1) é o instrumento de calibração mais freqüentemente usado. Ele é montado em uma bomba comparadora hidráulica ou pneumática e serve como padrão para o manômetro submetido a calibração. Os seguintes requisitos devem ser considerado para o manômetro padrão: - o manômetro padrão deve ter uma classe exatidão quatro vezes superior à classe do manômetro submetido à calibração; - no mostrador deve constar a classe de exatidão, e recomenda-se a inscrição "Manômetro padrão"; - a faixa de indicação de pressão do manômetro padrão deve ser de 1,3 a 1,6 vez a faixa de indicação de pressão do manômetro a ser calibrado; - manômetro padrão não pode possuir batente de ponteiro; - manômetro padrão deve possuir recursos que minimizem os erros de paralaxe (espelho); - no caso de uso de padrões com indicação digital, o erro do padrão deve ser 4 vezes menor que o índice da classe do objeto; - a largura da extremidade do ponteiro não pode ser maior que a largura das marcas da escala. B) Calibração do padrão Os padrões de referência devem ser calibrados por órgão acreditados pelo INMETRO ou oficialmente reconhecido por este. A freqüência de recalibração de um instrumento padrão depende, entre outros fatores, da conservação das características metrológicas, de acordo com as recomendações da NBR ISO 10012-1. Além das calibrações periódicas, o padrão deve passar também por verificações intermediárias, entre uma calibração e outra. O objetivo destas verificações é garantir que o desempenho e funcionamento do padrão estão condizentes com seu certificado de calibração vigente. Caso seja detectada alguma irregularidade, ações pertinentes devem ser tomadas antes da próxima calibração. Fonte: http://idrostatica.blogspot.com.br IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 31 de 53 Laboratório e Padrões de Pressão C) Interpolação dos resultados da calibração do padrão para usá-lo em qualquer ponto de sua faixa de medição Como o padrão é calibrado apenas em alguns pontos de sua faixa de indicação, geralmente dez, se faz necessário conhecer seu comportamento também nos pontos onde ele não foi calibrado, através da interpolação ou da regressão linear. 3.7.3. Método de calibração Os procedimentos descritos a seguir servem para determinar as características metrológicas do instrumento: - A temperatura de (20 ± 2) ºC é considerada adequada e serve de referência para todos os procedimentos de calibração dos manômetros em laboratório.Porém, para as calibrações em campo, a temperatura deve ser mantida o mais próximo possível de 20 ºC, e em ambos os casos devem ser evitadas oscilações de temperatura significativas durante a calibração; Classe de exatidão Número mínimo de pontos A4; A3; A2 10 A1, A; B; C; D 5 IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 32 de 53 - O número mínimo de pontos de calibração recomendados está indicado na tabela abaixo, para cada classe de exatidão, e deve ser distribuído sobre toda a faixa de indicação do manômetro a ser calibrado. O número de ciclos de calibração (carga e descarga) deve ser no mínimo 2: - Assegurar que tanto o padrão como o objeto da calibração estejam devidamente limpos e isento de impurezas que possam causar algum dano ao padrão. Para isto, lavar o interior do sensor do instrumento inserindo, por intermédio de uma seringa, álcool isopropílico, por exemplo, até que o mesmo saia isento de qualquer impureza. - Observar se o instrumento é utilizado para a medição de pressão de oxigênio. Neste caso, calibrar o instrumento num sistema cujo fluido seja água, ar ou nitrogênio. - Medir o desnível entre o padrão e o instrumento indicando se o padrão está acima ou abaixo do medidor. - Aplicar a pressão até a indicação máxima da faixa, até perceber que o sistema não possui vazamentos. Após esta aplicação, liberar a mesma, deixando o instrumento em repouso para acomodação do elemento elástico (cerca de 5 minutos);Obs.: A pressão aplicada deve ser positiva para manômetros, negativa para vacuômetros, e nos dois sentidos para manovacuômetros. - Para cada ciclo, iniciar a aplicação crescente de pressão desde o inicio da faixa até a indicação máxima da faixa de indicação do objeto, parando nos pontos de calibração determinados para fazer as leituras da indicação do padrão. - Em seguida liberar a pressão, anotando as indicações a partir da máxima, agora de forma decrescente; - O manômetro a ser calibrado deve ser levemente batido antes de cada leitura, de modo a minimizar os erros de atrito. 3.7.4. Parâmetros adicionais Para cada ponto calibrado, alguns parâmetros adicionais devem ser determinados e constar no certificado de calibração. É comum alguns laboratórios apresentarem estes parâmetros somente para o ponto mais crítico, ou seja, o maior valor dentre os determinados. Entretanto, o ideal é apresentar ponto a ponto e deixar a decisão a cargo do cliente. Os parâmetros são: Histerese É obtida através da relação entre a diferença máxima das indicações do medidor em um dos ciclos (carregamento e descarregamento), num ponto de pressão expressa em percentagem da amplitude da faixa de escala expandida. Repetitividade É obtida através da relação entre a diferença máxima das indicações do medidor num mesmo ponto de pressão, numa mesma solicitação expressa em percentagem da amplitude da faixa de indicação expandida. IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 33 de 53 3.7.5. Fontesde incerteza Tabela contendo resumo esquemático dos principais fatores de influência na calibração de manômetros analógicos. Grandeza (xi) Divisor Distribuição Ʋ eff Determinação do V.V.C . Incerteza do manômetro padrão k Normal * Incerteza devida à deriva do padrão desde a última calibração 3 Retangular ∞∞∞∞ Incerteza tipo A - devido à dispersão das medições com o padrão 1 t-student n - 1 Incerteza devida à curva de calibração do padrão 1 Normal m - 2** Determinação do Objeto Incerteza devida à resolução do manômetro 24 Triangular ∞∞∞∞ Incerteza tipo A - devido à dispersão das medições 1 T-Student n - 1 Incerteza devida à histerese 12 Retangular ∞∞∞∞ * Ver no certificado de calibração do padrão ** onde m é o número de pontos de calibração do padrão 3.8. Calibração de Manômetros Digitais segundo docu mento orientativo do INMETRO DOQ-CGCRE-014, baseado na norma ANSI / ASME B 40-7: 2005. Para os manômetros digitais, aplicamos todas as recomendações aplicáveis aos manômetros analógicos, exceto no que se refere aos pontos destacadas abaixo: 3.8.1. Classificação pela classe de exatidão A tabela abaixo mostra as classes de exatidão e seus respectivos limites de erro para os medidores de pressão digitais: Classe Erro Máximo Permitido 5A ± 0,05% do limite superior da faixa nominal 4A ± 0,1% do limite superior da faixa nominal 3A ± 0,25% do limite superior da faixa nominal IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 34 de 53 2A ± 0,5% do limite superior da faixa nominal A ± 1,0% do limite superior da faixa nominal B ± 2,0% do limite superior da faixa nominal 5AR ± 0,05% do valor da indicação 4AR ± 0,1% do valor da indicação 3AR ± 0,25% do valor da indicação 2AR ± 0,5% do valor da indicação AR ± 1,0% do valor da indicação BR ± 2,0% do valor da indicação 3.8.2. Número mínimo de pontos de calibração As demais recomendações para calibração de manômetros analógicos se aplicam também aos digitais. 3.9.Transdutores de pressão Um transdutor de pressão converte uma pressão qualquer em um sinal elétrico, geralmente em corrente elétrica na faixa de 4 mA a 20 mA. Fonte: Asta Fonte: Sauter O principio de calibração é igual aos dos manômetros de ponteiro, acrescido das incertezas do multímetro que efetuará as leituras de corrente elétrica. O ponto principal desta calibração é a conversão dos valores de sinal elétrico (saída) em valores de pressão. Faz-se necessário, na calibração de quaisquer transdutor, o conhecimento do coeficiente de sensibilidade do mesmo. Classe de exatidão Número mínimo de pontos 5A; 4A; 3A; 2A; 5AR; 4AR; 3AR; 2AR 10 A; B; AR; BR 5 IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 35 de 53 No caso do transdutor de pressão, este fator é determinado através do gráfico Padrão x Transdutor e ajustado uma equação de grau n. Normalmente, nas indústrias, a equação ajustada é de 1ºgrau (y = a.x + b) e, deste modo, o coeficiente de sensibilidade é o valor de a. Exemplo: Exemplo: Na calibração de um transdutor de pressão, um técnico em Metrologia realizou três ciclos de medição, encontrando os valores que estão na tabela abaixo. Também construiu um gráfico, relacionado os valores do padrão (0 a 25 kgf/cm2), com os de corrente. Padrão (kgf/cm 2) Transdutor carga (mA) Tansdutor descarga (mA) Média (mA) 0,00 4,17 4,19 4,20167 0,00 4,21 4,23 0,00 4,18 4,23 10,00 7,23 7,28 7,29833 10,00 7,34 7,32 10,00 7,34 7,28 15,00 8,87 8,88 8,87667 15,00 8,89 8,87 15,00 8,87 8,88 25,00 12,13 12,16 12,14167 25,00 12,12 12,16 25,00 12,12 12,16 Considerando as seguintes incertezas de medição: Observe que a equação y = 3,148 . X - 13,091 relaciona os valores de y (padrão em kgf/cm2) com os valores de X (corrente elétrica em mA). O coeficiente de sensibilidade, que irá transformar todas as incertezas em mA para valores em kgf/cm2 (vice-versa), neste caso, vale 3,148 kgf/cm2/mA (derivada 1ª da equação). Para transformar valores (exceto incertezas) de mA para kgf/cm 2, devemos usar a equação y = 3,148 . X - 13,091. Incerteza do Ajuste da saída do transdutor Como foi necessário ajustar uma função aos pontos experimentais para determinar o coeficiente de sensibilidade, surge a necessidade de se calcular a incerteza deste ajuste. Resumidamente, segue abaixo uma orientação para ajustar pontos experimentais a uma linha reta. I. Faça o gráfico dos dados. II. Determine o valor da incerteza do ajuste, usando a equação: IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 36 de 53 ( )2 )( 1 ∑ − − = iiaj yxf pn u onde: n = número de pontos no gráfico. p = número de parâmetros na equação de ajuste. No caso de uma equação do tipo y = a x + b, temos p = 2 (a e b). f(xi) = são os valores encontrados na equação ajustada devido a substituição dos valores experimentais xi. yi = são os valores experimentais do eixo y (medidos). Para o transdutor acima, temos: média (xi) mA f(xi) kgf/cm2 Y kgf/cm2 [f(xi)-y]2 kgf/cm2 4,20167 0,1306 0,00 0,01705636 7,29833 9,884153 10,00 0,01342045 8,87667 14,85275 15,00 0,02168354 12,14167 25,13097 25,00 0,01715227 soma 0,06931262 Como n = 4 e p = 2 2kgf/cm 0,18616206 06931262,0 24 1 = × − = aj aj u u A incerteza do ajuste vale 0,19 kgf/cm2 Para se ter a incerteza final expandida do transdutor, devemos combinar a incerteza do ajuste com cada valor de incerteza encontrado no transdutor. O fator de abrangência K será determinado (tabelas ou função invt do Excel) a partir do cálculo dos graus de liberdade efetivos, pela equação: effpad padajusteA eff c u pn u n uu νυ 4444 ... 1 ++ − + − = Onde uA é a incerteza tipo A e u ajuste é a incerteza do ajuste. IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 37 de 53 4. MEDIÇÃO DE TEMPERATURA 4.1. Conceituação Para iniciar o estudo do que é temperatura, e de sua medição, verifiquemos antes de mais nada que temperatura difere de calor. Sabemos que certos materiais estão quentes, e que outros estão frios. Mais que isso, podemos dizer que alguns materiais estão mais frios ou mais quentes que outros. Suponhamos então que se tenha dois reservatórios com água igualmente quente. Mas que um deles seja um balde, e o outro uma xícara. Sabemos no entanto que embora os dois reservatórios estejam com água igualmente quente, isto é, a mesma temperatura, se adicionarmos a mesma quantidade de água fria, farão com que o balde permaneça mais quente (a uma temperatura superior a da xícara). Isso é o resultado do balde conter mais energia térmica, embora a temperatura de ambos originalmente fosse a mesma. Portanto calor é uma forma de energia 4.2. Unidades de Medida a) Escala Fahrenheit A primeira escala de temperatura estabelecida foi a Fahrenheit em 1714 a qual se convencionou o valor zero para o que então se pensou ser a menor temperatura capaz de se obter em laboratório. Nessa escala estabeleceu-se o valor de 32º F para a temperatura de congelamento da água e 212º F para a temperatura de evaporação da água, ambos medidos a pressão de 1 atmosfera, isto é, ao nível do mar. A diferença entre os pontos de ebulição e congelamento foi dividida em 180 partes iguais (212-32) as quais se deu o nome de grau Fahrenheit. A escala pode ser então extrapolada nos dois sentidos, abaixo e acima dos pontos de referência. b) A Origem da Escala de Temperatura Celsius Em 1742 o astrônomo AndersCelsius publicou um trabalho no “Kungliga Swenska wetenskaps Academiens Handlingar”, nos anais da Academia Real de Ciências Sueca, intitulado “Observações sobre dois graus persistentes de um termômetro”. Este trabalho foi a origem da escala de temperatura Celsius. Depois de fornecer uma base para os vários modos de expressar a temperatura usados naquela época, Celsius apresentou seus experimentos com dois pontos fixos para a escala de temperatura: a temperatura em que se degela a neve ou o gelo e a temperatura que a água ferve. A idéia de usar o ponto de solidificação da água como um ponto de calibração de temperatura não era nova e já tinha sido sugerida por Réamur e Newton, assim como por cientistas contemporâneos menos conhecidos como Martins, Weitbrecht e Poleni. Contudo, Celsius usou o ponto de fusão em vez do ponto de solidificação. “Este experimento”, Celsius escreve referindo-se a colocar o termômetro na neve derretendo, “Eu repeti várias vezes durante dois anos em todos os meses do inverno, em todos os tipos de climas e durante diferentes mudanças barométricas e sempre encontrei precisamente o mesmo ponto no termômetro... Quando o inverno era rigoroso eu levava a neve para o meu quarto e colocava-a em cima do fogo até que começasse a degelar...” O segundo ponto de calibração foi mais complicado. “Em relação ao segundo ponto fixo,“ escreve Celsius, “é sabido que a partir do momento em que a água começa a ferver, não tomará nenhum grau considerável de calor mesmo que continue fervendo por longo tempo; dessa forma o mercúrio no termômetro continuará no mesmo ponto, apesar das objeções do Sr. Taglini .” Com o desenvolvimento da física teórica e prática, os cientistas concluíram que embora se estivesse conseguindo chegar a temperaturas muito abaixo de 0ºF ou 0ºC, haveria um valor teórico que jamais poderia ser ultrapassado. Seria a temperatura em que os corpos simplesmente não teriam mais energia térmica. A esse valor estipulou-se o nome de "zero absoluto". Na escala Fahrenheit esse valor corresponde a -460º F, na escala centígrada a -273º C. Nessas temperaturas as moléculas que compõem os corpos perderam toda sua energia cinética, não tendo mais movimento, não podendo pois o valor ser ultrapassado negativamente, ou seja é o limite inferior das escalas. Foram então desenvolvidas duas outras escalas, chamadas de absolutas. A escala Kelvin começa a contar a partir do zero absoluto da escala centígrada, isto é, - 273 ºC tendo 1 Kelvin (1K o mesmo valor de 1ºC. Mudou apenas a referência. Assim é que na escala Kelvin a água congela a +273 K e evapora a +373 K1. 1 A escala Kelvin não possui a denominação grau. Deste modo, não devemos falar nem escrever graus Kelvin e sim Kelvin. IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 38 de 53 A escala Rankine usa o mesmo princípio, iniciando em - 460º F e tendo o 1º R o mesmo valor de 1ºF. Assim é que na escala Rankine a água congela a 492º R e evapora a 672º R. c) O Que é o Zero Absoluto A temperatura é uma quantidade física que nos dá uma idéia de quão quente ou frio um objeto está. A temperatura de um objeto depende da rapidez com que os átomos e moléculas de um objeto se movem ou oscilam. Quando um objeto está frio as oscilações dos seus átomos e moléculas são lentas. Por exemplo, quando a água esfria a oscilação lenta de suas moléculas permite que a água se transforme em gelo. Em todos os materiais é alcançado um ponto no qual a oscilação é a mais lenta que pode ser. A temperatura que corresponde a esse ponto é chamada ZERO ABSOLUTO. Note que a oscilação nunca para realmente, mesmo no zero absoluto. Existem três escalas de temperatura principais. A maioria das pessoas está familiarizada com a escala Celsius ou com a escala Fahrenheit, com as temperaturas sendo expressas em graus Celsius (ºC) ou graus Fahrenheit (ºF). Na escala Fahrenheit a temperatura da água congela a 32 ºF e ferve a 212 ºF. O zero absoluto, nesta escala não corresponde a 0 ºF mas sim a –459 ºF. A escala Celsius estabelece o ponto de solidificação da água em 0 ºC e o ponto de ebulição em 100 ºC. Na escala Celsius , o zero absoluto corresponde a -273 ºC. Para conversão de temperatura de uma escala para outra se pode usar tabelas ou simples fórmulas como segue: • Conversão da escala Celsius para a escala Fahrenheit 9 32 5 −−−−==== FC • Conversão da escala Celsius para a escala Kelvin 16,273−= KC d) Escala Kelvin (Temperatura Termodinâmica) A temperatura básica é a temperatura termodinâmica (T), cuja unidade é o Kelvin (K), que é uma escala absoluta. O Kelvin é a fração 1/273,16 temperatura termodinâmica do ponto triplo da água. Nota-se que, de acordo com a definição acima e a equação (t = T - 273,16 K), o ponto triplo da água ocorre a 0,01ºC (à pressão de 61,652 Pa). Ponto triplo é o ponto em que as fases sólida, líquida e gasosa encontram-se em equilíbrio, e) Escala Rankine Assim como a escala Kelvin, a escala Rankine é uma escala absoluta, tendo como zero absoluto, o valor 0 (zero), porém ao ponto de fusão e ao ponto de ebulição da água foram dados os valores de 491,67 e 671,67, respectivamente. ºR = ºF + 459,67 5.1. Escala Internacional de Temperatura Em 1968, o Comitê Internacional de Pesos e Medidas adotou uma Escala Internacional de temperatura revista, a IPTS-68, que é descrita a seguir. Essa escala, semelhante às anteriores, de 1927 e 1948, teve sua faixa aumentada e se aproxima ainda mais da escala termodinâmica de temperatura. Baseia-se em alguns pontos fixos facilmente reprodutíveis, que recebem valores numéricos de temperatura definidos e em certas fórmulas que relacionam as temperaturas às leituras de determinados instrumentos de medição de temperatura, para fins de interpolação entre os pontos fixos. Principais pontos fixos (IPTS -68) T (ºC) Ponto triplo do hidrogênio (equilíbrio entre as fases solida, liquido e gasoso) -259,4 Ponto de vaporização do hidrogênio (equilíbrio entre as fases liquida e vapor) -256,108 Ponto de vaporização do hidrogênio -252,87 Ponto de vaporização do neon -246,048 Ponto triplo do oxigênio -218,789 Ponto de vaporização do oxigênio -182,962 Ponto triplo da água 0,01 Ponto de vaporização da água 100 Ponto de solidificação do zinco 419,58 Ponto de solidificação do antimônio 630,74 Ponto de solidificação da prata 961,93 Ponto de solidificação do ouro 1064,43 Em 1990 foi elaborada a Escala Internacional de Temperaturas (ITS-90), que se baseia em pontos determinísticos de temperatura, definindo assim novos pontos de temperatura não considerados anteriormente. Também, em alguns casos, atualizou valores expressos pela IPTS-68. IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 39 de 53 4.3. Medidores de Temperatura A primeira e talvez mais importante observação a se fazer é que a medição de temperatura não pode ser feita a não ser indiretamente. Quando se lê a temperatura num simples termômetro de mercúrio, o que se esta fazendo na realidade é a observação do fenômeno de dilatação do mercúrio quando sua temperatura é elevada. Do mesmo modo como na medição de pressão, a medição de temperatura também pode ser subdividida em fenômenos mecânicos e fenômenos elétricos. 4.3.1. Termômetro Bimetálico Em grande número de aplicações industriais a medição de temperatura deve ser feita localmente, servindo apenas para orientação do operador. Nesses casos se deseja um simples indicador local, robusto e que não requeira suprimento de energia de forma alguma. Nessas aplicações o termômetro bimetálicoé largamente utilizado. A operação do termômetro bimetálico (figura abaixo), depende da diferença do coeficiente de expansão de dois metais diferentes. Um conjunto de diferentes metais soldados mudará sua curvatura quando sujeito a uma mudança na temperatura. A mudança da temperatura causa a deflexão da extremidade livre de uma barra bimetálica reta em balanço. Essa deflexão pode ser relacionada quantitativamente a mudança de temperatura. A deflexão é aproximadamente linear com a temperatura, dependendo principalmente dos coeficientes da expansão termal linear. Quando este principio é empregado no termômetro bimetálico linear, o bimetal enrolado em forma de helicóide com um terminal permanentemente preso, e o outro ligado a um ponteiro, o qual se move sobre um mostrador circular indicando a temperatura de acordo com os valores da escala desejada. Esquema e foto de um termômetro bimetálico 4.3.2. Termopares Junção de medição Junta de referência Voltímetro A aplicação de temperatura a junção de dois metais cria o aparecimento de uma força eletromotriz (f.e.m). Esse principio conhecido por Efeito Seebeck propiciou a utilização de termopares para a medição de temperatura. Um termopar consiste de dois condutores metálicos, de natureza distinta, na forma de metais puros ou de ligas homogêneas. Os fios são soldados em um extremo ao qual se da o nome de junta quente ou junta de medição. A outra extremidade dos fios é levada ao voltímetro fechando um circuito elétrico por onde flui a corrente. O ponto onde os fios que formam o termopar se conectam ao instrumento de medição é chamado de junta fria ou de referência. O sinal da f.e.m gerado pela diferença de temperatura existente entre as juntas quente e fria será de um modo geral indicado e registrado ou transmitido. Esta f.e.m (V) obdece à equação geral dos termopares, que é expressa por: n nVCVCVCVCVCCT ++++++= ...3 3 2 2 2 210 Onde: C0, C1....Cn são constantes específicas para cada tipo de termopar n é o maior grau do polinômio do termopar, e varia de 5 a 9 Para evitar erros de leitura devidos a variação de temperatura ambiente , devemos compensar de algum modo o efeito da variação da temperatura da junta fria. Um método que se empregou durante muitos anos foi o de manter a junta fria num banho de gelo e água, assegurando-se assim sua manutenção em 0 ºC. Nos equipamentos industriais modernos essa compensação é feita pela utilização de resistores termosensíveis (termistores) cujas curvas de variação com a temperatura se assemelha a do termopar usado. O sinal de f.e.m gerado pelo termopar é então detectado por multímetros de no mínimo 4 ½ dígitos. Para uso industrial, existem diversos tipos de indicadores / controladores digitais, especialmente preparados para ler a f.e.m. gerada e converter para indicações de temperatura, pois possuem as constantes IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 40 de 53 dos principais tipos de termopares memorizadas, bastando selecionar o tipo desejado. Fonte: Naka Indicador / Controlador de temperatura Analisadas as diversas combinações de pares termoeléctricos possíveis, e considerados os fatores de ponto de fusão, saída da f.e.m elevada, estabilidade, repetibilidade, custo, facilidade de fabricação, etc., verificou-se que umas poucas combinações de pares eram viáveis. São elas: Termopar tipo “T” (Copper-Constantan) • Liga: ( + ) Cobre (99,9%) e ( - ) Constantan (são as ligas de Cu-Ni); • Identificação da polaridade: o positivo (cobre) é avermelhado. • Faixa de Utilização: - 184 a 370ºC • FEM produzida: -5,333 a 19,027 mV • Pode ser utilizado em atmosferas a vácuo, inertes, oxidantes ou redutoras. • Apresenta uma boa precisão na faixa de utilização, devido à grande homogeneidade do cobre. • Em temperaturas acima de 310ºC o cobre começa a se oxidar e próximo de 400ºC, oxida-se rapidamente. Termopar tipo "J” (lron-Constantan) • Liga: ( + ) Ferro - (99,5%) e ( - ) Constantan; • Identificação da polaridade: o positivo (ferro) é magnético, o negativo não é magnético. • Faixa de utilização: 0 a 760ºC • FEM produzida: 0 a 42,922mV • Pode ser utilizado em atmosferas a vácuo, inertes, oxidantes ou redutoras. • Baixo custo relativo, sendo assim é um dos mais utilizados industrialmente. • Utilizar tubo de proteção acima de 480ºC. Termopar tipo "E" • Liga: ( + ) Chromel - Ni90Cr10 e ( - ) Constantan; • Identificação da polaridade: o positivo (Chromel) é mais duro. • Faixa de utilização: 0 a 870ºC • FEM produzida: 0 a 66,473mV • Pode ser utilizado em atmosferas a vácuo, inertes e oxidantes. • Possui a maior potência termoelétrica dentre os termopares mais utilizados. • Em temperaturas abaixo de 0ºC os fios não sofrem corrosão, podendo, assim ser utilizado em temperaturas abaixo de 0ºC. • Vulnerável à atmosfera redutora. Termopar tipo “K” • Liga: ( + ) Chromel - Ni90Cr10 e ( - ) AIumel - Ni95,4Mn1,8Si1,6AI1,2; • Identificação da Polaridade: o negativo (alumel) é levemente magnético, o positivo não é magnético. • Faixa de utilização: 0 a 1260ºC • FEM Produzida: 0 a 50,990mV • Pode ser utilizado em atmosferas inertes e oxidantes. • Em altas temperaturas (entre 800 a 1200ºC) é mais resistente mecanicamente, do que os tipos S e R, tendo uma vida útil superior ao tipo J. • Vulnerável em atmosferas redutoras e sulfurosas, com gases como SO2 e H2S, requerendo substancial proteção quando utilizado nestas condições. • Sua mais importante aplicação ocorre na faixa de 700 a 1260º. 4.3.2.1. Termopares Nobres São aqueles que os pares são constituídos de platina. Embora possuam custo elevado e exijam instrumentos receptores de alta sensibilidade, devido à baixa potência termoelétrica, apresentam uma altíssima precisão, dada a homogeneidade e pureza dos fios termopares. Termopar tipo "S" • Liga: ( + ) Platina Rhodio 10% e ( - ) Platina 100% • Identificação da polaridade: o positivo (Pt90Rh10) é mais duro. • Faixa de utilização: 0 a 1480ºC • FEM produzida: 0 a 15,336mV • Pode ser utilizado em atmosferas inertes e oxidantes. • Apresenta boa precisão em altas temperaturas. • Utilizado como padrão na calibração de outros termopares. • Para altas temperaturas (>1300ºC), devem ser utilizados isoladores e tubos protetores de alta alumina (tipo 710). • Depois de submetido a altas temperaturas (acima 1480ºC), para ser utilizado novamente, deve ser calibrado. Termopar tipo “R” • Liga: ( + ) Platina 87% Rhodio 13% e ( - ) Platina 100%; • Identificação da Polaridade: o positivo (Pt87Rh13) é mais duro. • Faixa de utilização: 0 a 1480ºC • f.e.m produzida: 0 a 17,163mV IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 41 de 53 • Possui as mesmas características do tipo S, porém tem uso industrial menor que este. Termopar tipo “B” • Liga: ( + ) Platina 70% Rhodio 30% e ( - ) Platina 94% Rhodio 6%; • Identificação da Polaridade: o positivo (Pt70Rh30) é mais duro. • Faixa de utilização: 870 a 1705ºC • FEM produzida: 3,708 a 12,485mV • Pode ser utilizado em atmosferas inertes, oxidantes e por curto período de tempo em vácuo. • É utilizado em medidas constantes de temperatura elevadas (acima de 1400ºC) • Apresenta melhor estabilidade na FEM e resistência mecânica, do que os tipos “S” e “R” a temperaturas elevadas. • Não necessita de compensação da junta de referência, se a temperatura desta não exceder a 50ºC. • Não necessita de cabo de compensação se a temperatura de seus terminais não exceder a 100ºC. • Não pode ser utilizado em temperatura inferior a 100ºC. • Deve-se utilizar isoladores e tubos protetores de altaalumina (tipo 710). 4.3.2.2. Leis Fundamentais dos Circuitos Termoelétricos A base da teoria termoelétrica nas medições de temperatura com termopares está fundamentada em três leis que garantem a compreensão dos fenômenos que ocorrem ao se utilizar os sensores tipo termopares na obtenção de valores instantâneos de temperatura em um processo industrial específico. São elas: • Lei do Circuito Homogêneo A força eletromotriz (f.e.m.) terminal desenvolvida em um circuito termoelétrico formado por dois metais homogêneos mas de naturezas diferentes, depende única e exclusivamente da diferença de temperatura entre as junções e de suas composições químicas, não sendo assim interferida pelo gradiente de temperatura e nem de sua distribuição ao longo dos fios. Se T3 = T4 � E1 = E2 • Leis dos metais intermediários Num circuito constituído por condutores de vários metais diferentes, a força eletromotriz total será zero se todo o circuito estiver à mesma temperatura. Quando um circuito formado de dois fios de natureza diferente com suas junções em temperaturas diferentes, corta-se um dos fios e introduz-se em terceiro fio de outra natureza, a f.e.m. criada originalmente não é modificada, desde que as duas junções criadas pelo terceiro fio estejam à mesma temperatura. Se T3 = T4 � E1 = E2 A aplicação mais comum desse tipo de associação é encontrada nas termopilhas dos Pirômetros de Radiação, pois, como a intensidade de calor que atinge a junta de medida é muito pequena, precisamos de uma montagem em série, para que a tensão elétrica gerada seja suficiente para sensibilizar os aparelhos de medição. • Lei da Temperatura Intermediária A f.e.m. gerada num termopar de metais homogêneos, com suas junções a temperaturas T1 e T2, é igual à soma algébrica da f.e.m. do termopar com uma junção na temperatura T1 e a outra numa temperatura qualquer T com a f.e.m. do mesmo termopar com suas junções a T e T2. Assim, a f.e.m. gerada depende somente da diferença entre a junta fria, independente de qualquer temperatura intermediária. Um exemplo de aplicação prática desta lei é a utilização de contatos de latão ou cobre, para interligação do termopar ao cabo de extensão no cabeçote. 4.3.2.3. Associação de Termopares Para uma melhor adaptação de termopares aos processos industriais e para atender os objetivos de diversos tipos de medição, costuma-se utilizar de associação de termopares, em série ou em paralelo, cada qual com suas finalidades específicas. • Associação em série A associação em série é utilizada quando se deseja ampliar o sinal elétrico gerado pelo termopar. Como vemos na figura 36, o sinal de um termopar é a f.e.m. “E". Ao efetuarmos a associação em série (no exemplo com 4 termopares iguais) a tensão elétrica medida pelo instrumento será igual a 4E. IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 42 de 53 • Associação em paralelo Para medirmos a temperatura média ao longo de um grande duto, em grandes fomos ou equipamentos onde a medida pontual não é significativa, podemos usar os termopares, ligando certo número deles em paralelo. A tensão elétrica no instrumento ou no ponto de conexão em paralelo é a média daquela produzida pelo número de termopares utilizados. Esta voltagem é igual à soma das voltagens individuais, dividida pelo número de termopares ou é a mesma tensão elétrica que poderia ser gerada por um único termopar, na temperatura média. A ligação em paralelo dos termopares para medidas de temperatura média é vantajosa, isto porque a calibração do instrumento pode ser a mesma para um único termopar. Para se obter temperaturas médias reais, as características temperatura x f.e.m. dos termopares devem ser lineares, através das faixas de temperaturas envolvidas, devendo o instrumento operar dentro do princípio de equilíbrio nulo, onde não existe fluxo de corrente na ocasião da medida. Limite de erro - junta de referência 0 ºC Tipo Faixa de temperatura (ºC) Padrão (escolher o maior) Especial (escolher o maior) T 0 a 370 ± 1ºC ou 0,75% ± 0,5ºC ou 0,4% J 0 a 760 ± 2,2ºC ou 0,75% ± 1,1ºC ou 0,4% E 0 a 870 ± 1,7ºC ou 0,5% ± 1ºC ou 0,4% K 0 a 1260 ± 2,2ºC ou 0,75% ± 1,1ºC ou 0,4% S 0 a 1450 ± 1,5ºC ou 0,25% ± 0,6ºC ou 0,1% R 0 a 1450 ± 1,5ºC ou 0,25% ± 0,6ºC ou 0,1% B 870 a 1700 ± 0,5% ± 0,25% N 0 a 1260 ± 2,2ºC ou 0,75% ± 1,1ºC ou 0,4% T -200 a 0ºC ± 1ºC ou 1,5% E -200 a 0ºC ± 1,7ºC ou 1% K -200 a 0ºC ± 2,2ºC ou 2% 4.3.2.4. Calibração de Termopar segundo o guia de calibração EURAMET / cg – 08 Escopo do documento Este documento foi escrito para satisfazer as necessidades básicas de um laboratório que investe na calibração de termopares. É válido principalmente para tipos de termopares unificados conforme tabela de referência EN 60584-1: 1996 de temperatura/ d.d.p e cobrindo a faixa de temperatura de -200 °C até +16 00 °C, as calibrações que são levadas a cabo em termos da Escala Internacional de Temperatura de 1990 (ITS-90). Embora a maioria dos tópicos possam ser aplicados igualmente para termopares não padronizados, pode haver outras considerações importantes, fora do âmbito destas diretrizes que podem ser levado em consideração. Fatores de Influência Quando a calibração é feita, é necessário assegurar que às influências listadas abaixo serão minimizadas. Estas influências serão levadas em conta para o calculo da incerteza de medição declarada no certificado de calibração. As influências essenciais são: � mau contato ou condução de calor ao longo do termopar (falta de imersão). � variação da temperatura com o tempo e fonte térmica não estável. � variação de temperatura na junção fria. � tensão parasita, por exemplo: quando uma extensão ou cabo de compensação ou um interruptor de seleção é usado. � interferência eletromagnética não homogeneidade � umidade � tensões mecânicas ou deformações � oxidação Estas influências são discutidas nas seções seguintes. IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 43 de 53 A) Extensão e cabos de compensação Se, por razões práticas, o comprimento de um termopar tiver que ser aumentado isto deve ser feito pelo uso da correta extensão ou cabo de compensação. Cabo de compensação consiste em condutores feitos de um par diferente de ligas. Eles são fabricados para reproduzir as característica de temperatura e f.e.m do termopar, mas em cima de uma faixa de temperatura restrita, entre -40 °C e +200 °C. (São especificad as tolerâncias industriais em IEC 584-3). Estes cabos deveriam ser conectados preferentemente permanentemente ao termopar. Alternativamente, são feitas conexões para fios de termopar usando freqüentemente tomadas especiais. As incertezas de medição, associadas com o uso de cabo de extensão normalmente não são tão pequenas, quanto comparadas a termopares de fio contínuo. A incerteza de medição pode ficar semelhante a do termopar de fio contínuo se a extensão for incluída na calibração. Neste caso, a extensão faz parte do termopar e nunca deveria ser substituída. B) Junção Fria A tabela de temperatura e f.e.m têm o ponto do gelo, 0 °C, como a temperatura de referência. O pon to do gelo é facilmente preparado, basta mistura 2/3 de gelo picado com 1/3 de água, ambas destiladas. Se o termopar é usado numa temperatura de referência diferente de 0 °C, a f.e.m correspondent e a temperatura de referência usada deve ser somada à f.e.m encontrada na calibração quando do uso de uma junção fria a 0 ºC. C) Inspeção inicial Termopares estão disponíveis em várias formas. Com bainhaprotetora ou fio nu. A inspeção inicial dependerá então da sua construção e uso. Sinais óbvios de defeitos mecânicos, contaminação, etc. devem ser registrados e o cliente deve ser informado. Qualquer presença de umidade deve ser apontada. A medição da resistência de isolação é um conveniente método para identificar alguma umidade dentro do termopar. D) Tratamento Térmico Todo termopar deveria ser homogêneo. Não homogeneidade dará resultados errôneos que poderiam importar a divergências sistemáticas de vários graus Celsius. Para melhores resultados, um termopar a ser calibrado deveria ser recozido primeiro na imersão da mais alta temperatura de uso intencional. Deve ser calibrado a temperaturas crescentes, e o 1º ponto de calibração deve ser repetido ao fim da calibração como cheque. E) Fontes térmicas Termopares ou são calibrados através de medições a uma série de temperaturas de ponto fixos, ou, por comparação com termômetros padrão, em banhos térmicos ou fornos para a calibração. Gradientes de temperatura dentro de banho térmico estabilizado podem ser reduzidos ou minimizados pela inserção de um bloco equalizador de metal perfurado para receber o padrão e os instrumentos de teste. Em banhos líquidos, deveriam ser colocados termopares com uma separação de cerca de 1 cm e não devem conectar o fundo do recipiente ou seus lados aos quais poderiam ter uma temperatura ligeiramente diferente do líquido. F) Profundidade de imersão Quando possível, deveriam ser calibrados termopares à mesma imersão como requerido em uso normal. Imersão adequada só é demonstrada se há mudança da f.e.m na retirada do termopar em um ou dois centímetros, em geral, essa mudança é pequena comparada com a incerteza na calibração. G) Procedimento de medição Em medidas de pontos fixos, é prudente medir o ponto de fusão ou solidificação de cada substância com um termopar padrão que deveria ser dedicado para este propósito. Em calibrações por comparação, é aconselhável usar dois padrões para os quais proveem uma verificação alternada de um e outro, junto com o sistema de calibração. Essa metodologia visa reduzir os efeitos de instabilidade da fonte térmica. A sucessão deve ser seguida deste modo: S1, X1, X2.... Xn, S2, S2, Xn.... X2, X1, S1, onde S1 e S2 são os dois padrões de referência e X1, X2.... Xn são os termopares a serem calibrados. Esta sucessão pode ser repetida para dar quatro medidas em cada instrumento. H) Medidas elétricas Medidas elétricas normalmente são usadas com o emprego de voltímetros digitais ou leitura direta, com indicadores de temperatura. Quando se necessitar de alta exatidão, devemos fazer medições alternando a polaridade do termopar, invertendo os terminais de ligação. Voltímetros digitais podem se comportar diferentemente quando alternamos a polaridade das ligações. Assim serão calibradas ambas as polaridades. IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 44 de 53 Recalibração Não há nenhuma freqüência formalmente especificada para a recalibração, porque os tipos, faixa de temperatura, construção, aplicação, intensidade de uso, são tão numeroso e variado. Espera-se que uma administração de qualidade investigue qual a freqüência desejada para o laboratório. Resultados declarados O certificado que satisfaz as exigências do DOQ- CGCRE-021 (Tradução da EA-4/02) deve conter o seguinte conteúdo técnico: a) uma identificação clara dos materiais utilizados na medição do termopar, como cabos de extensão especialmente quando estes são itens separados e qualquer outro instrumento (por exemplo indicadores digitais) ; b) a faixa de temperatura coberto pela calibração; c) uma declaração de qualquer tratamento térmico submetido ao termopar antes da calibração; d) a profundidade de imersão do sensor, possivelmente junto com uma temperatura, usada na calibração; e) o procedimento de medida usou por exemplo: pontos fixos ou por comparação com sensor padrão; temperaturas de calibração crescentes ou decrescentes; f) qualquer condição ambiental pertinente; g) qualquer especificação padrão ou outra pertinente ao procedimento usado (por exemplo (tabela de referência da ITS-90); h) uma avaliação da incerteza de medição associada com os resultados. Incerteza de calibração Incertezas de medida conforme NIT-DICLA 021 Um exemplo de calibração de que mostra fontes prováveis de incerteza de termopar é mostrado a seguir. Fator de Influência Valor Distribuição de probabilidade Divisor Coeficiente de Sensibilidade Incerteza padronizad a Resolução do multímetro 0,5 µ V Retangular 3 0,077 ºC/µ V 0,022 ºC Incerteza do multímetro ± 2,0 µ V Normal 2 0,077 ºC/µ V 0,077 ºC Voltagens parasitas ± 2,0 µ V Retangular 3 0,077 ºC/µ V 0,089 ºC Temperatura da junção fria ± 0,1 ºC Retangular 3 1 0,0577 ºC Termopar padrão ± 0,3 ºC Normal 2 1 0,15 ºC Gradiente de temperatura do forno ± 1,0 ºC Retangular 3 1 0,577 ºC Desvio padrão da média das leituras do termopar em teste ±1,22 µ V Normal 1 0,077 ºC/µ V 0,1 ºC Variação histórica dos padrões ± 0,3 ºC Retangular 3 1 0,173 ºC Incerteza combinada 0,643 ºC 4.3.3. Termômetro de Vidro, também chamado de Termômetro de Líquido em Vidro (T.L.V). Outro termômetro para medições de temperaturas locais na faixa geralmente de -35ºC a + 350ºC. Sua operação é função da característica do volume de líquido, com as variações da temperatura. Dessa forma, um tubo de vidro cheio de líquido pode ser convenientemente calibrado para expressar temperatura com exatidão. Muitos líquidos poderiam ser usados, mas apenas alguns - álcool colorido, hidrocarbonetos, e geralmente mercúrio - são comuns. Quando um líquido está livre para se expandir dentro de um tubo de vidro calibrado, a temperatura pode ser determinada por observação pessoal. O limite superior não pode exceder o ponto de ebulição do líquido em um tubo selado, devido às pressões que seriam criadas. Assim, esse método é limitado para escalas de temperaturas mais baixas e leituras locais. Seus bulbos são reservatórios de vidro contendo geralmente mercúrio, encerrado em um poço protetor metálico. Como o calor é transferido através do poço e da haste metálica para o mercúrio, o mercúrio expande dentro do capilar. bulbo capilar câmara de compressão câmara de expansão ou de segurança escala IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 45 de 53 TABELA - Faixa de utilização dos principais líquidos termométricos. Líquido Ponto de solidificação Ponto de ebulição Faixa de utilização Mercúrio -39 357 -38 a 550 Álcool etílico -115 78 -110 a 70 Tolueno -92 110 -80 a 100 Para o caso do mercúrio, cuja faixa normal é de -38 a 350ºC, pode-se elevar este limite até 550ºC mediante emprego de vidro adequado e injeção de um gás inerte sob pressão, pois isto faz com que se evite a vaporização do mercúrio. 4.3.3.1. Calibração de Termômetros de Líquido em Vidro. Terminologia • termômetro de imersão completa: Termômetro de líquido-em-vidro, não especificado em documentos da ASTM, projetado para indicar temperatura corretamente quando o termômetro inteiro é exposto à temperatura que está sendo medida. • termômetro de imersão total: Termômetro de líquido-em-vidro projetado para indicar temperatura corretamente quando a porção do termômetro que contém o líquido é exposta à temperatura que está sendo medida. • termômetro de imersão parcial: Termômetro de líquido-em-vidro projetado para indicar temperatura corretamente quando o bulbo e uma parte especificadasão expostos à temperatura que está sendo medida. • Cuidados Operacionais - Erro de paralaxe : o erro devido à paralaxe pode ser eliminado lendo os valores de temperatura perpendicularmente ao termômetro. A linha de visão será então normal naquele ponto. - Profundidade da imersão nos termômetros de imersão total: embora por definição termômetros de imersão total devessem ter o bulbo e capilar que contém o mercúrio ambos imersos, é freqüentemente inconveniente fazer assim. Se qualquer porção do capilar que contém mercúrio estiver exposta, deve-se fazer uma correção da coluna de mercúrio emergente, corrigindo assim a temperatura indicada . Preparo do Ponto de Gelo - Selecione pedaços pequenos de gelo de água destilada. Encha uma garrafa térmica com 1/3 de água e misture o gelo. - Depois de pelo menos 3 min observe a leitura. Leituras sucessivas em intervalos de pelo menos 1 mim devem ser tomadas. Tratamento de Dados Correção da coluna emergente: Correção = k . n . (T - t); onde: [k] = coeficiente de dilatação diferencial entre o líquido e o vidro dos quais o termômetro é feito. • termômetros de mercúrio-em-vidro em grau Celsius o valor de [k] é 0,00016/ºC; • para termômetro Fahrenheit de mercúrio-em- vidro é 0,00009/ºC; • termômetros álcool em grau Celsius o valor de [k] é 0,001/ºC; [n] = número de graus emergente do banho; [T] = temperatura do banho (indicada pelo padrão); [t] = temperatura média da coluna emergente. Exemplo: Suponha que tenhamos a seguinte situação: T indicado = 100,0 ºC (temperatura indicada pelo termômetro que está sendo calibrado). T padrão = 100,5 ºC t coluna emergente = 60 ºC [n] = número de graus emergente do banho. Significa que devemos anotar qual a diferença entre a maior leitura da escala do termômetro e subtrair do valor da escala que está na superfície do liquido. Neste exemplo os valores são: [n] = 100 - 80 = 20 ºC Logo, a correção será de: C = 0,00016 x 20 x (100,5 - 60) = 0,13 ºC ; então C = 0,13 ºC e a temperatura que deveria marcar o termômetro de imersão total se fosse usado como tal é: T corrigido = 100,0+0,13 = 100,13 ºC IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 46 de 53 O termômetro que está sendo calibrado tem resolução de 0,5 ºC e deste modo podemos arredondar o resultado para T corrigido = 100,1 ºC Determinação do Erro do Instrumento: O Erro é a diferença entre o valor da média do objeto e o valor da média do padrão. Deste modo, para cada ponto de calibração deve-se calcular a média aritmética dos valores do objeto e subtrair da media aritmética dos valores do padrão. Erro =Valor médio do objeto - Valor médio do padrão. Erro Relativo = [Erro x 100] / Valor médio do padrão. Determinação da Incerteza do objeto A incerteza do termômetro deve ser determinada em cada ponto utilizado na calibração. A tabela abaixo faz um resumo esquemático deste cálculo. Grandeza (xi) Divisor Incerteza padrão (±) Distribuição Determinação do V.V.C. Temperatura do termômetro padrão corrigida 1 Incerteza devida à calibração do multímetro K NORMAL Incerteza devida à deriva do multímetro 3 RETANGULA R Incerteza devida às tensões parasitas nos contatos do multímetro 3 RETANGULA R Incerteza devida à deriva do termômetro padrão desde a última calibração 3 RETANGULA R Incerteza devida ao ponto triplo da água ou ponto do gelo K NORMAL Incerteza devida à não uniformidade radial do banho 3 RETANGULA R Incerteza devida à não uniformidade axial do banho 3 RETANGULA R Incerteza do termômetro padrão k NORMAL Repetitividade do termômetro padrão 1 Incerteza do V.V.C Determinação do Objeto Indicação do termômetro em calibração Incerteza devida à resolução do termômetro 12 RETANGULA R Incerteza tipo A - devido à dispersão das medições 1 T-STUDENT Correção devida à coluna emergente do termômetro Incerteza devido à correção da coluna emergente. 1 Incerteza padrão do Objeto (combinada do objeto + padrão) NORMAL Incerteza expandida do Objeto NORMAL IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 47 de 53 4.3.4. Termômetros de Resistência O seu funcionamento se baseia na variação da resistência ôhmica com a temperatura. O elemento sensor é, na maioria dos casos, feito da platina com alto grau de pureza e encapsulado em bulbos de quartzo, cerâmica ou vidro. Existem muitos tipos de termômetros de resistência, desde o termômetro padrão, definido pela ITS-90 até os termômetros industriais, mais robustos, que podem ter incertezas na casa do décimo do grau. Os tipos de termoresistência de platina mais comuns são os que apresentam uma resistência de 25 ohms, 100 ohms, 500 ohms ou 1000 ohms no ponto de gelo (0 ºC). rabicho isolador condutores Isolação mineral selo bainha bulbo de resistência A equação de Callendar-Van Dusen descreve a relação temperatura x resistência para os termômetros industriais. R(t) = R(0)(1 + At + Bt 2 + C(t-100)t 3) C é igual a zero para temperaturas entre 0 ºC até 650 ºC. Os valores típicos das constantes para um termômetro de resistência de platina industrial são: A = 3,9083 x 10-3/ºC B = -5,775 x 10-7/ºC2 C = -4,183 x 10-12/ºC4 α = 3,85 x 10-3 Ω /ºC (coeficiente de expansão térmica). Relação R x T Termômetro de resistência Características principais Faixa de temperatura (ºC) Coeficiente de expansão térmica Bulbo de Platina Mais usado; metal nobre; elevado grau de pureza; bastante estável; grande sensibilidade. -200 a 800 0,00385 Ω /ºC. Bulbo de Níquel Baixo custo 200 a 300 0,00672 Ω /ºC. Bulbo de Cobre Comportamen to linear -120 a 120 0,0038 Ω /ºC. Os sensores de resistência são conectados diretamente aos multímetros (no mínimo de 5 ½ dígitos) ou a pontes de Weatstone perfazendo um dos lados da ponte. Conforme o tipo de instrumento, e da exatidão desejada na medição se utiliza conexão do bulbo de resistência com 2, 3 ou 4 fios. Os termômetros a 4 fios são os mais exatos e chamados de semi-padrão. O PT- 25 é considerado o mais preciso e sua incerteza é da ordem de 0,001 Ω. É considerado padrão. 4.3.4.1. Construção Física do Sensor O bulbo de resistência se compõe de um filamento, ou resistência de Pt, Cu ou Ni, com diversos revestimentos, de acordo com cada tipo e utilização. As termoresistências de Ni e Cu têm sua isolação normalmente em esmalte, seda, algodão ou fibra de vidro. Não existe necessidade de proteções mais resistentes à temperatura, pois acima de 300ºC o níquel perde suas características de funcionamento como termoresistência e o cobre sofre problemas de oxidação em temperaturas acima de 310ºC. Os sensores de platina, devido a suas características, permitem um funcionamento até temperaturas bem mais elevadas, têm seu encapsulamento normalmente em cerâmica ou vidro. A este sensor são dispensados maiores cuidados de fabricação pois, apesar do Pt não restringir o limite de temperatura de utilização, quando a mesma é utilizada em temperaturas elevadas, existe o risco de contaminação dos fios. IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 48 de 53 Relação entre resistência e temperatura no PT 100 • Limites de Erros Apresentamos os limites de erros para as classes A e B segundo a norma DIN-IEC 751/85: CLASSE B: ± 0,30 + (0,005.t)ºC CLASSE A: ± 0,15 + (0,002.t)ºC 4.3.4.2. Resistênciade Isolação a Temperatura Ambi ente A resistência entre cada terminal do sensor e a bainha deve ser testada com uma voltagem entre 10V a 100Vdc, sob temperatura entre 15ºC a 35ºC e uma umidade relativa não excedendo a 80%. A polaridade deve ser trocada em todos os terminais. Em todos os casos, a resistência de isolação mínima é 100MΩ. 4.3.4.3. Resistência de Isolação a Máxima Temperatu ra Com a voltagem não excedendo a 10Vdc, a resistência de isolação entre cada terminal e a bainha não deve ser menor que mostrada na tabela: Nota: Dados oriundos da DIN-IEC 751 - 1985 IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 49 de 53 4.3.4.4. Outros Tipos de Bulbos de Resistência Existem vários tipos de sensores com características diferentes do Pt-100 convencional. São elas: Ni-100 Ω . a 0ºC, com alfa de 0,00617Ω .-1.ºC-1 Pt-500 Ω a 0ºC, com alfa de 0,003902Ω - 1.ºC-1 Pt-130 Ω . a 0ºC, com alfa de 0,0039Ω -1.ºC-1 Ni-120 Ω a 0ºC, com alfa de 0,00672Ω -1.ºC-1 Ni/Fe-60 Ω a 0ºC, com alfa de 0,0052Ω -1.ºC-1 Cu-10 Ω a 0ºC, com alfa de 0,00427Ω -1.ºC-1 4.3.4.5. Calibração de Termoresistência Apesar de ser um sensor de extrema precisão e altíssima repetibilidade, a calibração também é necessária para a verificação dos limites de erros do sensor. O tempo de uso, alterações na estrutura cristalina da platina ou mudanças químicas no fio podem tirar o sensor de sua curva característica. Para se realizar uma calibração de termoresistência, usa-se o Método dos Pontos Fixos ou Método de Comparação. a) Método dos Pontos Fixos Os pontos fixos mais utilizados segundo a ITS-90 são: Ponto Triplo do Argônio .................... -189,3442ºC Ponto Triplo da Água ............................. +0,010ºC Ponto de Solidificação do Estanho...... +231,928ºC Ponto de Solidificação do Zinco........... +419,527ºC b) Método da Comparação Para realizar este método é necessária a utilização de um termômetro de resistência padrão com certificado de calibração. Normalmente este padrão é um sensor Pt-25,5Ω a 0ºC. A comparação é efetuada em banhos de líquido agitado numa faixa de aproximadamente -100 a 300ºC com uma excelente estabilidade e homogeneidade. A leitura dos sinais é feita em uma ponte resistiva de precisão. 4.3.4.6. Calibração por comparação de termômetros d e resistência 1. Considerações Iniciais a) Os termômetros de resistência são calibrados sempre em ordem crescente. Da menor temperatura para a maior. b) Deve ser realizada pelo menos uma medição da resistência a 0ºC antes de iniciar e outra ao término da calibração. Ambos os resultados deverão constar do Certificado de Calibração. Esta medição é realizada no Ponto do Gelo ou no Ponto Triplo da Água. c) Se o cliente não tiver especificado a corrente de medição desejada, o laboratório deve informar no certificado de calibração com que corrente foram realizadas as medições de resistência. Normalmente é utilizada a corrente de 1mA. d) Determinar o número de leituras, que poderão ser espaçadas entre si em aproximadamente 1min. 2. Calibração 2.1 Sobre a profundidade de imersão. IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 50 de 53 a) Idealmente um termômetro de resistência para uso até 200ºC deve ser imerso no mínimo 200 mm. Para cada 100ºC acima de 200ºC, recomenda-se acrescentar 100 mm na imersão. Isso significa que, um termômetro que opere em 400ºC deverá estar imerso 400 mm. b) A imersão mínima deve ser 15 vezes o diâmetro do termômetro + o comprimento do elemento sensor. Para menores imersões devem ser selecionados sensores pequenos. A maioria dos fabricantes usa bulbos de resistência com 25 a 30 mm de comprimento. c) Termômetros curtos, que foram projetados para pequenas imersões devem ser calibrados na profundidade em que serão usados, mesmo que forneçam erros elevados. Nesse caso, a calibração somente poderá ser feita em banhos de líquido e o certificado não poderá ser usado para atestar a conformidade do termômetro com as especificações, uma vez que os resultados estão também expressando as perdas por condução. 3. Sobre as leituras. a) Idealmente, devem-se realizar leituras alternadas do termômetro padrão e do termômetro em calibração. São suficientes 3 ou 4 leituras, espaçadas em aproximadamente 1 minuto. Seqüência sugerida: padrão - teste 1 - teste 2. teste n - padrão, totalizando 2 ou 3 leituras de cada sensor. b) Quando se usa um multímetro, para diminuir a incerteza na calibração devida a tensões espúrias no instrumento, deve-se fazer a inversão da polaridade nos terminais. Nesse caso, podem ser realizadas 2 leituras com a polaridade normal e duas leituras com a polaridade invertida. Dessa forma, esse componente da incerteza poderá ser desconsiderado. Na impossibilidade de fazer essa reversão durante a calibração é aconselhável levantar essa informação previamente e acrescenta-la à incerteza da calibração. 4. Sobre a estimativa de incerteza Para calcular o erro do termômetro em calibração é necessário: a) Determinar a resistência de referência (tabelada) e calcular o coeficiente de sensibilidade Cs. b) Calcular o erro do termômetro em ohms: R medido no objeto - R tabelado c) Calcular o erro do termômetro em ºC: Exemplo: T padrão = 100,58 ºC. A resistência que deveria ser gerada a essa temperatura é calculada da seguinte forma, após consulta às Tabelas de Referência: T1 = 100 ºC => R1 =138,51 Ω T padrão =100,58 ºC => Rr=? T2 = 101 ºC => R2 =138,88 Ω Rr = 138,7246 Ω. O Coeficiente de sensibilidade vale: Cs = (138,88-138,51)/1ºC = 0,37Ω/ºC Supondo que o sensor em calibração tenha produzido uma resistência R = 138,625 Ω, o erro em Ω será o resultado da subtração (R - R tabelado). Nesse caso, o desvio é de - 0,0996 Ω. Esse valor, dividido por 0,37 Ω/ºC, nos dará um erro em graus Celsius de - 0,27ºC. • Ajuste de uma equação pelo método dos mínimos quadrados: Equação de Callendar Van Dusen W(t) = 1 + At + Bt2+Ct3(t-100), onde W(t) = R(t)/R(0) ; C = 0, acima de 0ºC IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 51 de 53 Para determinar os valores dos coeficientes A, B e C, devemos construir um gráfico W x t e ajustar, pelo método dos mínimos quadrados uma curva de 2º grau para valores de temperatura entre 0ºC e 800ºC e uma equação de 3º grau para valores abaixo de ºC. Os coeficientes dessa equação serão as constantes A, B, C. Exemplo: T padrão corrigido (ºC) R objeto (Ω) Rt / R(0ºC) Incerteza Expandida (ºC); K=2 0,01 100,0054 1 ± 0,01 30,13 111,7245 1,117185 ± 0,01 155,86 159,5138 1,595052 ± 0,04 231,99 187,5593 1,875492 ± 0,04 418,68 253,5109 2,534972 ± 0,08 Os coeficientes são: A= 3,908 x 10-3 /ºC ; B=-5,772 x 10-7 /ºC2 Determinação dos coeficientes (A,B) y = -5,772E-07x 2 + 3,908E-03x + 1,000E+00 R2 = 1,000E+00 0 1 2 3 -1,00 49,00 99,00 149,00 199,00 249,00 299,00 349,00 399,00 temperatura padrão (o.C) W = R (t )/ R (0 ) Como exemplo vamos determinar o erro e a incerteza para valores interpolados entre 30 ºC e 155 ºC. • Cs foi determinado derivando a equação W = -5,772E-07t2 + 3,908E-03t + 1,00 em função de t. A incerteza do ajuste foi calculada pelo Método dos Mínimos Quadrados: ∑∑∑∑ −−−− −−−− ==== 22 ))()(( 1 xfxf pn s i ; onde n = 155-30 = 125 e p=3. Deste modo, o grau de liberdade vale n-p=122 e k = 2 • Determinação da Incerteza do Objeto em Toda Escala. De uma maneira geral, é importante calcularmos a incerteza do objeto ao longo de sua escala e não somente em determinados pontos. Caso isso seja necessário,é natural que a incerteza final, para toda a escala, seja maior que a incerteza em cada ponto. Devemos proceder da seguinte forma: 1 - Plotar os pontos medidos num gráfico Padrão x Objeto. 2 - Ajustar por esses pontos uma melhor curva que descreva corretamente o fenômeno e que tenha uma menor dispersão entre os pontos (no Excel R2 próximo de 1). 3 - Obter a equação do ajuste (equação da curva) 4 - Calcular a incerteza do ajuste. Esse cálculo será mais bem descrito a seguir. IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 52 de 53 • Determinação da Incerteza do Ajuste da curva. A incerteza do ajuste mede o quão longe os pontos experimentais estão da curva ajustada. Essa incerteza é calculada pela seguinte fórmula: ∑∑∑∑ −−−− −−−− ==== 22 ))()(( 1 xfxf pn s i ; onde s = desvio médio quadrático (será a incerteza do ajuste) ; n = numero de pontos experimentais no gráfico; p = números de parâmetros a serem ajustados. O grau de liberdade do ajuste vale ν = (n - p) f(xi) = valor da função do ajuste para o ponto xi f(x) = valor experimental obtido para o ponto xi (no nosso caso será o valor do padrão). 4.3.5. Medidores de contato indireto Os medidores de contato indireto podem ser classificados em três grupos: - Pirômetro Ótico - Pirômetro Fotoelétrico - Pirômetro de Radiação Pirômetro Ótico: Trabalham por comparação de cor, o operador do medidor faz uma comparação entre a cor de um filamento aquecido ao rubro com a cor do objeto em medição. A cor do filamento é definida pela corrente elétrica que circula pelo mesmo, a qual é medida por um miliamperímetro com uma escala relativa à temperatura do objeto. Este medidor apresenta pouca precisão por estar dependente da comparação feita pelo olho humano. A faixa de medição normalmente começa em 600°C. Pirômetro Radiamático: Este medidor utiliza a radiação térmica emitida pelo corpo que se deseja medir a temperatura. Por utilizar sensores eletro-eletrônicos este medidor possui uma alta sensibilidade, com isto a faixa de medição normalmente começa em –50 °C. Estes medidores precisam ser ajustados para a emissividade dos corpos em medição. Emissividade : Característica dos materiais relativa à intensidade da radiação emitida. 4.3.6. NORMAS PUBLICADAS PELA ABNT/CE-04:005.11 • NBR 12550 – Termometria – terminologia aplicada Define os termos empregados na termometria quando da utilização de sensores ou instrumentos de indicação/medição de temperatura. IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 53 de 53 • NBR 12771 – Termopares – Tabelas de Referência Estabelece as tabelas de referência usadas na conversão da força eletromotriz térmica (FEM) gerada pelo termopar em função da temperatura de referência e vice-versa. • NBR 12812 – Fio nu para termopar Fixa as condições exigíveis na fabricação, aceitação e/ou recebimento de fios nus utilizados na confecção de termopares. • NBR 13522 – Termopar – Calibração por comparação com termopar de referência Prescreve o método de calibração de termopares convencionais e de isolação mineral por comparação, baseando-se nas forças eletromotrizes térmicas (FEM) geradas pelos termopares de ensaio e de referência. • NBR 13535 – Matéria prima para confecção de termopar de isolação mineral Fixa as condições mínimas exigíveis na fabricação e aceitação da matéria-prima usada no processo de confecção de termopares de isolação mineral. • NBR 13770 – Termopar – Calibração por comparação com termoresistência de referência Especifica o método de calibração de termopares convencionais e de isolação mineral, por comparação das forças eletromotrizes térmicas geradas pelos termopares de ensaio com a variação da resistência de uma termoresistência de referência. • NBR 13771 – Cabo e fio de compensação e/ou extensão - comparação por comparação com padrão de referência. Especifica o método de calibração de cabo e fio de compensação/extensão por comparação com padrão de referência. • NBR 13772 – Termoresistência – Calibração por comparação com termoresistência de referência Especifica o método de calibração de termoresistência industrial de platina, por comparação com termoresistência de referência, com a finalidade de constatar se a termoresistência atende os níveis de tolerância estabelecidos pela IEC 751. • NBR 13773 – Termoresistência industrial de platina – Requisitos e métodos de ensaio Especifica os requisitos e métodos de ensaio da termoresistência industrial de platina para medição da temperatura cuja resistência elétrica é uma função definida da temperatura. • NBR 13774 – Cabo e fio de compensação e/ou extensão – Tolerâncias e identificação Especifica as tolerâncias e o sistema de identificação de cabos e fios de compensação e/ou extensão usados em combinação com os termopares especificados na NBR 12771. • NBR 13863 – Preparação e uso de junção de referência para calibração de termopar Fixa as condições mínimas para a preparação e uso de junções de referência para a calibração de termopares. • NBR 14097 – Termopar isolação mineral * Fixa as condições exigíveis na fabricação, aceitação e/ou recebimento de termopar isolação mineral. Você pode adquirir as normas através da própria home page da ABNT ( www.abnt.org.br/vend_norm.htm) . O endereço eletrônico do CB-04 é: abnt-cb04@abimaq.org.br. Bibliografia: � Sítio da Acreditação Européia: http://www.european-accreditation.org � Sítio do CENAM (Centro Nacional de Metrologia do México) : http://www.cenam.mx � Sítio da Help-Temperatura e metrologia. http://www.help-temperatura.com.br � Sítio do Laboratório de Metrologia da Universidade Federal da Santa Catarina. http://www.labmetro.ufsc.br � Sítio da Associação Brasileira de Normas Técnicas. http://www.abnt.org.br � Sítio do Centro Espanhol de Metrologia. http://www.cem.es � Padrões da ASTM: E1 - Especificação para termômetros ASTM ; E77 - Método para inspeção padrão e verificação de termômetros. E 344 - Terminologia relativa a Termômetro e Hidrômetro. � Sítio do INMETRO – www.inmetro.gov.br � Sítio do Euramet – www.euramet.orgde unidades (SI) é o quilograma (kg). Já o peso é uma força que depende da massa do objeto, além de depender da aceleração a que esta massa está sujeita. Como a aceleração que nos cerca é a aceleração da gravidade, e esta depende da massa do planeta e da distância entre o objeto e o centro planeta, o peso de um corpo varia em função de sua localização. O peso é vetorial e sua unidade SI é o newton (N). Se a massa de um corpo é m, o seu peso é definido por: P = m.g Onde: P é o peso m é a massa, e g é aceleração da gravidade no local onde se encontra o corpo. Independentemente do lugar em que um corpo estiver, sua massa não se altera, mas o seu peso sim. Alguém que tenha uma massa de 80 kg (em qualquer lugar do mundo esta será sua massa!), pesará cerca de 783 N no Rio de Janeiro, 785 N em São Paulo e, na Lua, pesará apenas cerca de 128 N. Isso porque na Lua a aceleração da gravidade é bem menor que a Terra. Mesmo aqui na Terra, a gravidade não é a mesma em todo lugar. Diferenças de altitude e latitude podem determinar valores diferentes para a gravidade. Por isso, em São Paulo, que tem uma altitude média de 760 m, a aceleração da gravidade é maior que no rio de Janeiro, que está ao nível do mar. Mas então, como distinguir "peso" de "massa"? Podemos dizer que peso de um corpo é a resultante da atração da gravidade sobre esse corpo (força), enquanto massa de um corpo é a resistência que este corpo oferece à mudança de seu estado de movimento. O peso de um corpo depende de sua posição, porque g varia de ponto a ponto. Então, como a balança determina massa, e não peso? No cotidiano os termos massa e peso são usados como se fossem sinônimos. De fato, quando procedemos a uma medição utilizando uma balança comparadora, estamos medindo massa, pois tanto o corpo cuja massa queremos determinar como o padrão de massa utilizado para a comparação estão, ambos, sujeitos à mesma gravidade. A balança da foto irá entrar em equilíbrio quando as forcas atuantes em ambos os pratos se igualarem. Como a aceleração da gravidade é igual nos dois pratos, a força peso só será igual quando as massas sobre o IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 5 de 53 prato da esquerda (objeto medido) for igual à que está sobre o prato da direita (Peso-padrão). Matematicamente: Pp = mp.gp (padrão) Po = mo.go (objeto) Como gp = go , A força Po que equilibra a balança varia exclusivamente em função das variações de massa. Logo, a massa desconhecida mo é determinada por comparação com a massa conhecida do padrão mp . 2.3 Unidade de Massa A massa é umas das sete grandezas fundamentais da metrologia, e o quilograma (kg) é a unidade de base para medição de massa. O quilograma possui algumas particularidades, pois além de ser a única unidade que é expressa como um múltiplo, também é a única que ainda está referenciada a um padrão físico. Sua massa é equivalente a um padrão composto por 10% de irídio e 90% de platina que está localizado no Museu Internacional de Pesos e Medidas na cidade de Sèvres, na frança, desde 1889. Ele é um cilindro eqüilátero de 39 mm de altura por 39 mm de diâmetro. Quando foi construído o quilograma padrão (também conhecido como Le Grand K), cerca de 80 outros protótipos foram feitos, da mesma liga, numerados e distribuidos aos países signatários da convenção do metro. No Brasil, o protótipo nº 66 fica guardado no laboratório de massa (lamas), da divisão de metrologia mecânica do campus do INMETRO em Xerém – Duque de Caxias – RJ. Este protótipo é usado como refrência para a disseminação da unidade de massa no país, através de sua comparação com outros padrões usados pelo INMETRO e pelos demais laboratórios de calibração acreditados. Por ser um padrão que ainda é físico, existe a desvantagem de sofrer variações devido à ação do tempo e contato físico. Em comparações recentes, verificou-se que a massa do Le Grand K variou derca de – 50 µg em relação à média dos demais protótipos. Como a conservação e manuseio do quilograma padrão é feita de maneira exemplar, numa redoma de vidro e em condições especiais, que incluem o manter no vácuo e um procedimento especial de limpeza sempre que ele é manuseado, a explicação mais aceita é que os demais protótipos tiveram sua massa aumentada, sem, contudo uma explicação definitiva ser dada. Padrão internacional do quilograma, na sede do BIPM, na França. Padrão internacional do quilograma (ao centro) guardado com seis protótipos, na sede do BIPM, na França. Fonte: BIPM Fonte: BIPM IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 6 de 53 2.4 Balanças As primeiras balanças de que se tem registro histórico têm cerca de 7000 anos, e consistiam basicamente de uma barra com um eixo centralizado e um prato em cada extremidade, que se equilibravam com a balança sem carga. Desta forma, era possível comparar a massa medida com um padrão convencionado entre as partes. Com isso, surgiam os padrões materializados de massa, condição que se mantém até hoje, obviamente com um rigor metrológico muito maior e incertezas desprezíveis, se comparadas com as daquela época. Este instrumento foi bastante desenvolvido pela civilização egípcia, que aperfeiçoou a fabricação e conferiu maior exatidão às medições, através de um controle mais rigoroso dos padrões e incorporação de novos princípios de pesagem às balanças, desenvolvendo o conceito de alavancas. Além disso, na cultura egípcia, a balança tinha grande importância. Estes avanços foram suficientes por muitos séculos, e salvo uma ou outra pequena alteração, temos diversas citações de medidas, medições e unidades de massa nas obras de pensadores gregos, na bíblia e em outras obras deste período. Entretanto, a partir do século XIV, os alquimistas retomaram as bases estabelecidas pelos egípcios no estudo da biologia, física e, principalmente, química, restabelecendo os avanços interrompidos pela invasão romana, e posteriormente pelo cristianismo. Alguns cientistas, entre eles alguns membros da própria igreja - que era frontalmente contra esta atividade – desenvolviam estudos para explicar os fenômenos, e à medida que suas teorias exigiam comprovação material, os meios disponíveis para medição de massa constituíam um entrave aos seus trabalhos. Desta forma, e desenvolvimento dos instrumentos de medição de massa também foi retomado, já que era necessário, além de maior exatidão nas medições, fazê-las em uma escala compreensível pelos demais estudiosos, para que os mesmos pudessem compartilhar as descobertas em diversos lugares do mundo civilizado de então. Em escala não industrial, o auge desse desenvolvimento pôde ser verificado no século XVIII, com Antoine Laurent Lavoisier, que, para formular e comprovar sua teoria da conservação da matéria, possuía e utilizava três balanças tão aperfeiçoadas que realizavam medições de massa da ordem de microgramas com exatidão e repetitividade inigualáveis. Lavoisier chegava mesmo a afirmar que grande parte dos insucessos nas pesquisas e comprovação de teorias científicas advinham da falta de conhecimento das grandezas envolvidas. 2.4.1 Evolução Até meados do século passado, era inconcebível imaginarmos a balança sem a existência de dois pratos. Na balança tradicional de dois pratos, é realizada a comparação direta da massa de dois objetos (um de massa conhecida e outro de massa desconhecida). A balança, com efeito, nada mais é do que uma alavanca. Alavanca é qualquer barra rígida capaz de se mover em torno de um ponto,denominado ponto de apoio. São mais conhecidos três tipos de alavancas: interfixa; inter-resistente e intermotriz, que diferem quanto à localização do ponto de apoio, da força motriz e força resistente. A balança de dois pratos é uma alavanca interfixa, ou seja, o ponto de apoio situa-se entre a força motriz e a resistência. No século XIX, já havia uma demanda considerável de balanças capazes de medir a massa com exatidão, o que acarretou na profissionalização de sua fabricação, antes artesanal. Por volta do ano de 1870, Florenz Sartorius, então um estudante de engenharia alemão, desenvolveu uma balança de alumínio, que era extremamente leve, e a protegeu em uma caixa de armação de madeira e paredes de vidro, com uma porta corrediça. Este modelo de balança era bastante fácil de usar, e sua exatidão, estabilidade e repetitividade eram bastante superiores aos demais modelos daquela época. Sartorius então fundou uma IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 7 de 53 fábrica de balanças, e passou a produzir seu novo modelo em escala industrial, rapidamente expandindo suas vendas para o mundo inteiro. (Lendo) – De Florens Sartorius à Sartoruis AG Conheça melhor a história de Florens Sartorius e da evolução da empresa que ele criou, que deu origem ao grupo Sartorius AG. Hoje, a Sartorius pesquisa, projeta e fabrica equipamentos para várias áreas da ciência. Acesse o sitio http://www.sartorius.com e navegue! Balança usada por Lavoisier, na elaboração de sua teoria da conservação da massa Fonte: Musée des arts et métiers Por quase 80 anos este tipo de balança reinou soberano nos laboratórios químicos e industriais, até que um jovem e engenhoso suíço, que aprendeu mecânica de precisão desde criança desmontando e montando as máquinas da fábrica de tecido de sua família, inventou uma nova balança, que revolucionou todos os conceitos: a balança mecânica de um prato! Este modelo de balança foi o primeiro lançamento que Erhart Mettler (1917-2000) fez em sua nova empresa, a Mettler Instrumente AG, no ano de 1946. (Lendo) – Erhart Mettler e a Mettler Toledo Conheça também a evolução da Mettler, criada em 1946 por Erhart Mettler. Acesse o sitio http://www.mt.com e navegue! As balanças de um prato, também conhecidas como balanças de um prato e dois cutelos ou eletromecânicas, tornaram-se conhecidas somente a partir de 1946, quando Erhart Mettler introduziu o primeiro modelo comercial prático no mercado científico, que se expandia rapidamente após o fim da 2ª Guerra Mundial. Estas balanças eram de custo muito mais alto que as de dois pratos, mas as conveniências por elas apresentadas tornaram-nas cada vez mais populares; as balanças de prato único começaram a substituir rapidamente os modelos de dois pratos a partir dos anos 1960. A grande sacada de Mettler foi substituir o prato e os pesos-padrão que serviam de referência por uma série de macanismos internos, que através de um conjunto de botões, engrenagens, braços e pesos móveis, permitiam ao usuário selecionar diferentes valores de carga padrão e os colocava em equilíbrio com o prato da balança. Com o prato vazio, o peso do mecanismo se equilibrava perfeitamente, e uma escala óptica, iluminada por uma lâmpada, mostrava 0,0000 g. Ao se colocar uma carga desconhecida no prato, o usuário ia selecionando gradativamente, através dos botões giratórios, o valor dos pesos que seriam colocados na alavanca, até que os pesos fossem equivalentes. O ajuste fina era feito por um outro botão, Fonte: Revista Química Nova, dez. 2004 IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 8 de 53 até que o equilíbrio entre a carga e os pesos selecionados fosse perfeito. Nesta situaçao, a escala indicava a fração do grama que equilibrou a carga no ajuste fina, e que somada ao valor dos pesos selecionados, dava a indicação da massa da carga medida. Embora bastante complexa, e por consequência mais cara, a balança mecânica de um prato se difundiu rapidamente no mundo inteiro, pois, além do contexto de intensa expansão e industrialização acelerada que ocorreu após a segunda guerra mundial, a balança criada por Mettler era extremamente rápida, fácil de usar, e exata. Sua robustez e confiabilidade faz com que ainda hoje esteja em uso em muitos laboratórios. Balança eletromecânica fabricada pela Mettler – Suíça. Vista do interior – parte superior – da balança acima. Diagrama funcional da balança eletromecânica. Atualmente, a balança eletrônica é o instrumento mais utilizado nas medições de massa, devido às inúmeras vantagens que apresenta, como a facilidade de operação e leitura, facilidade de instalação, menor possibilidade de falha mecânica, menor sensibilidade à vibração, entre outras. A maior parte das balanças possui o recurso da tara, que permite zerar a indicação da balança com uma carga sobre o prato. È com u uso desta função que um recipiente, depois de colocado sobre o prato da balança, pode ser zerado, permitindo que o display indique apenas o peso do conteúdo deste recipiente. Esta função pode ser vista, por exemplo, nos restaurantes self service, onde o peso do prato é “tarado”, e somente a massa da comida que colocamos no prato é medida. Outras funções que geralmente encontramos são a comunicação com impressoras ou computadores, interligação em redes, configuração de mensagens e informações nutricionais, além de ajuste Fonte: www.humboldt.edu Fonte: www.humboldt.edu Fonte: www.humboldt.edu IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 9 de 53 através de software ou por pesos incorporados internamente. (Atividade) – Construa sua própria balança! O portal de ensino de ciências Ciência à Mão, da USP, tem um projeto para você construir sua própria balança! Acesse http://www.cienciamao.usp.br/tudo/exibir.php?midia=rip& cod=_construcaodeumabalanca e bom trabalho! 2.4.2 Classificação Se considerarmos que balança é uma definição que engloba todos os instrumentos habitualmente usados para medições de massa, e que se aplicam desde medições de microgramas até a medição de centenas de toneladas, em ambientes os mais distintos, que vão de laboratórios a indústrias e portos, em atividades que variam de física nuclear ou genética até a pesagem de carretas e vagões, é fácil deduzirmos que existem diversos tipos, classes e princípios de funcionamento possíveis, cada um voltado para uma característica mais relevante para o uso pretendido. Desta forma, vamos resumir os tipos de instrumentos de pesagem de acordo com três subdivisões, para facilitar o entendimento de sua aplicação, seleção e uso nas mais diversificadas operações. Podemos classificar as balanças de acordo com: A) Tipo de indicação: • Balanças Mecânicas (analógicas) • Balanças eletrônicas (Digitais) B) Princípio de pesagem: • Balanças comparadoras de dois ou mais pratos (mecânicas ou eletrônicas) • Balanças mecânicas de um prato • Balanças eletrônicas de célula de carga resistiva (strain gages) • Balanças eletrônicas eletromagnéticas C) Atividade: • Balanças de laboratório • Balanças comerciais • Balanças industriais para pequenas cargas (até 300 kg) • Balanças industriais para grandes cargas (acima de 300 kg) • Balanças para pesagem de veículos Balança analítica, amplamente usada em laboratórios Balança tipicamente usada em estabelecimentos comerciais Fonte: Mettler AG Balança de alta resoluçãotipicamente usada em laboratórios Fonte: Bel Engineering Fonte: Filizola IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 10 de 53 Balanças para pequenas cargas, tipicamente usada em indústrias Balança para grandes cargas, tipicamente usada em indústrias 2.4.3 Balanças eletrônicas (T2) Quando analisamos o funcionamento das balanças mecânicas, seja de um ou dois pratos, a variação da acelaração da gravidade não representava variação significativa da massa medida, uma vez que a gravidade que atua nos padrões e no objeto medido é basicamente a mesma, já que a pesagem é feita por comparação do mensurando, seja com padrões colocados manualmente num dos pratos da balança ou com os padrões internos da balança de um prato, que estão a uma pequena distância uns dos outros (padrão e objeto), e, portanto, submetidos à mesma g. Pp = mp.gp (padrão) Po = mo.go (objeto) Como gp = go , A força Po que equilibra a balança varia exclusivamente em função das variações de massa. Logo, a massa desconhecida mo é determinada por comparação com a massa conhecida mp . Porém, nas balanças eletrônicas, a força Po não se equilibra mecanicamente com a força exercida pela massa de um padrão, de massa conhecida. A força Po é percebida por um transdutor, e transformada em um sinal elétrico. É este sinal que, após digitalizado pelos circuitos eletrônicos da balança, é comparado com valores de força Pp memorizados na balança, no momento do ajuste. Logo, a condição de igualde gp = go não ocorre naturalmente, já que a aceleração da gravidade do local onde a balança está sendo utilizada pode ser diferente no local onde a mesma foi ajustada. Fonte: Alfa Instrumentos Fonte: Welmy Digital Analógica Fonte: Cabos Morsing S.A Plataforma de balança rodoviária mecânica Fonte: Schenk Process Balança rodoviária usada na pesagem de caminhões IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 11 de 53 Desta forma, temos que assegurar que a calibração de balanças seja realizada no local de uso, uma vez que a acelaração da gravidade varia de local para local da terrra, em função das variações de latitude e altitude. Além disso, o próprio transporte, manuseio, instalação e condições ambientais representam fontes significativas de alteração no desempenho das balanças eletrônicas. Mesmo para balanças que não necessitem de calibração, devemos assegurar um novo ajuste no local de uso, principalmente para as balanças de classe de exatidão I e II (Você irá aprender a classificar as balanças em breve!), nas quais as diferenças provocadas pela variação da aceleração da gravidade entre o local de ajuste e o local de uso é superior à resolução do instrumento. 2.4.3.1 Funcionamento básico de uma balança eletrônica de célula de carga resistiva O funcionamento das células de carga baseia-se em duas propriedades físicas que se combinam: 1 – A resistência de um fio metálico, considerando sua resistividade constante, depende de seu diâmetro e comprimento; e 2 - Todo metal é elástico quando submetido à uma força de tração, e em sua fase elástica (antes da deformação permanete) a deformação é proporcional à força aplicada, segundo a lei de Hooke, e cessa quando a a força é retirada. Assim, a célula de carga é formada por um corpo de metal usinado, que obedece à segunda propriedade, no qual são colados sensores, denominados extensômetros ou strain gages, que apresentam uma variação de sua resistência ôhmica proporcional à sua deformação, ou seja, aplicando a propriedade 2 em um fio metálico, ele “estica”, e tanto seu diâmetro como o seu comprimentos variam. Então, aplicando a propriedade 1, este fio vai variar sua resistência elétrica, proporcionalmente à deformação, que é proporcional à força aplicada no conjunto. Os extensômetros são colados no corpo da célula de carga, que é uma peça metálica (alumínio, aço, aço inoxidável ou ligas especiais) única, e são inteiramente solidários à sua deformação. Quando depositamos um objeto sobre a célula de carga, a acelaração da gravidade atua em sua massa, fazendo com que a uma força peso atue sobre o corpo da célula de carga, deformando-a. Esta deformação é transmitida aos extensômetros, que por sua vez irão se deformar proporcionalmente à força aplicada, variando sua ressistência elétrica, possibilitando a medição de sua intensidade. Obviamente, a forma e as características do corpo da célula de carga devem ser cuidadosamente definidas, tanto no seu projeto quanto na sua execução, visando assegurar que a relação de proporcionalidade entre a intensidade da força atuante e a conseqüente deformação dos extensômetros seja preservada, tanto no ciclo inicial de pesagem quanto nos ciclos subseqüentes, independentemente das condições ambientais. A forma geométrica, portanto, deve conduzir a uma linearidade e estabilidade dos resultados. Utiliza-se comumente em células de carga quatro extensômetros ligados entre si na configuração de ponte de Wheatstone. Como o desbalanceamento da ponte, em virtude da deformação dos extensômetros, é proporcional à força que o provoca, através da medição deste desbalanceamento que se obtém o valor da força aplicada. A ponte de Wheatstone formada pelos extensômetros é alimentada com uma tensão grerada pela parte eletrônica da balança, onde também se encontram os circuitos de amplificação, conversão do sinal do transdutor de analógico para digital e processamento e indicação deste sinal. A tensão de alimentação faz com que, ao se aplicar carga sobre a célula de carga, e consequentemente desequilibrar a ponte de Wheatstone, IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 12 de 53 a saída que até então era 0 mV passe a ser de alguns mV, proporcional à carga aplicada. A maioria das células de carga possui uma sensibilidade de 2 mV de saída por cada volt na alimentação, embora alguns fabricantes optem por células de carga com sensibilidade de 3 mV/V. Isso quer dizer que, uma célula de carga com capacidade de 100 kg, e sensibilidade 2 mV/V, quando ligada a uma fonte de alimentação de 10 V, irá apresentar um sinal de saída de 0 mV para carga 0 kg e 20 mV para uma carga de 100 kg. O gráfico abaixo representa o sinal que a célula de carga envia para os circuiros da balança em função da carga aplicada. Esse sinal é amplificado, convertido, processado e transformado em indicação, de acordo com parâmetros memorizados pela balança no momento do ajuste. Carga (kg) Saída (mV) 0,00 0,198 20,00 4,164 40,00 8,122 60,00 12,07 80,00 16,036 100,00 20,028 Sinal enviado pela célula de carga 0 5 10 15 20 25 0 50 100 Carga aplicada (kg) S aí da ( m V ) Percebemos que mesmo quando não há carga aplicada na balança o sinal de saída da célula de carga é de 0,198 mV, e não 0,000 mV, como deveria. Isso acontece por que, mesmo não havendo carga útil na balança, a célula de carga já suporta uma pequena carga, formada pelo prato, parafusos de fixação, etc., que causam uma pequena deformação na célula. Esta carga é chamada de peso morto. Strain gages Além das preocupações com o desempenho (linearidade, estabilidade, repetitividade, retorno), as células de carga em diversos materiais, como aço carbono, aço inoxidável, alumínio e outras ligas, devem suportar diversas condições de esforço e intempéries a que podem ser expostas em seu local de uso. Os diferentes formatos visam facilitar a utilização em aplicações diversas, que passam pelo uso embalanças comerciais simples, e se estendem à pesagem em tanques, balanças rodoviárias, medição de esforço de cabos, pesagem sob trilhos, entre outros. (Lendo) – Células de carga Para entender melhor as diversas formas e aplicações das células de carga, visite o sitio http://www.alfainstrumentos.com.br, e conheça a linha completa de células de carga do maior fabricante do Brasil. Alguns modelos de células de carga As balanças que utilizam este tipo de transdutor são geralmente empregadas na indústria e comércio, e se enquadram nas classes de exatidão III e IIII, quando não há necessidade de exatidão excepcional. Possibilitam que a faixa de medição seja dividida em até IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 13 de 53 10000 partes (n = 10000), ou seja, uma balança com capacidade de 100 kg equipada com célula de carga pode apresentar uma resolução mínima de 10 g, veja: kgs n Capacidade s 01,0 10000 100 Re Re == = Utilizaremos um raciocínio parecido para determinarmos a classe de exatidão das balanças regulamentadas, onde calcularemos o número de divisões da balança. 2.4.4 Funcionamento básico de uma balança eletrônica eletromagnética O princípio usado nas balanças eletromagnéticas é a aplicação de uma força restauradora eletromagnética ao suporte do prato da balança. O prato fica sobre um cilindro metálico oco, envolto por uma bobina que se ajusta no pólo interno de um ímã cilíndrico. Uma corrente elétrica na bobina cria um campo magnético que suporta ou levita o cilindro, o prato e o objeto sobre o prato. A corrente é ajustada, de modo que o nível do sensor fotoelétrico de equilíbrio fique na posição nula quando o prato está vazio. Quando um objeto é colocado no prato da balança, o deslocamento do suporte é compensado. O sensor de equilíbrio e o próprio prato movem-se para baixo, o que aumenta a quantidade de luz que atinge a fotocélula do indicador de equilíbrio. A intensidade da força restauradora é controlada pela corrente que passa pelas bobinas do sistema de compensação eletromagnética, que, por usa vez, é proporcional à massa adicionada. A corrente da fotocélula é então amplificada e passa a alimentar a bobina, criando assim um campo magnético maior, o que faz o prato voltar à sua posição original. A corrente necessária para manter o prato e o objeto na posição nula é diretamente proporcional à massa do objeto. Um resistor de precisão converte a variação de corrente em variação de tensão, e o microprocessador converte esta variação de tensão, depois de amplificada, em massa, sendo mostrada no visor, conforme ilustrado abaixo: 2.4.5 Portaria do INMETRO nº 236/94 Como as balanças são instrumentos de medição que interferem diretamente nas relações de comércio, sua aplicação em diversas atividades afeta diretamente os direitos dos consumidores. Por isso, é um instrumento sujeito à verificação compulsória por parte dos organismos de metrologia legal. Esta portaria é um regulamento técnico metrológico que estabelece as condições técnicas e metrológicas, bem como o controle metrológico, aplicados aos instrumentos de pesagem não automáticos . A portaria está baseada na recomendação R 76, da OIML, porém está defasada, pois entro em vigor em 2004, prevendo alterações que passariam a vigorar até 1998, e necessita de algumas melhorias para aumentar sua clareza e torná-la mais condizente com a atual realidade metrológica brasileira e com os avanços da tecnologia dos instrumentos de pesagem. Esta revisão, que já foi feita pela OIML na R 76 (em 2006 a OIML revisou e desmembrou a R 76 – Lançando em 2006 a R 76 – 1 “Metrological and technical requirements – Tests” e em 2007 a R 76 – 2 “Test report format”) ainda não foi feita pelo INMETRO. Relembrando nossos conhecimentos de metrologia legal, quando uma portaria do INMETRO estabelece um regulamento técnico metrológico (RTM), ela tem força de lei, e seu cumprimento é obrigatório. A: Prato da balança B: Peso Interno para ajuste motorizado (opcional) C: Controlador de corrente D: Microprocessador E: Display digital F: Sensor de equilíbrio G: Bobina IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 14 de 53 A seguir, temos um resumo do que é necessário saber para a correta aplicação desta Portaria. Campo de Aplicação: Como a portaria estabelece os requisitos mínimos que garantam a equidade nas relações comerciais, além de resguardar a saúde e segurança das pessoas e meio ambiente, sua aplicação abrange os instrumentos utilizados para: � determinação da massa para transações comerciais; � determinação da massa para o cálculo de pedágio, tarifa, imposto, prêmio, multa, remuneração, subsídio, taxa ou um tipo similar de pagamento; � determinação da massa para aplicação de uma legislação ou de uma regulamentação, ou para perícias judiciais; � determinação da massa na prática médica no que concerne a pesagem de pacientes por razões de vigilância, de diagnóstico e de tratamento médico; � determinação da massa para a fabricação de medicamentos segundo receita em farmácia e determinação de massas quando de análises efetuadas nos laboratórios médicos e farmacêuticos; ou � determinação do preço em função da massa para venda direta ao público e para a confecção de mercadorias pré-medidas. Unidades de Medida: As unidades de medida de massa autorizadas nos instrumentos são o quilograma (kg ), o micrograma (µµµµg), o miligrama (mg ), o grama (g) e a tonelada (t). Para aplicações especiais, tais como o comércio de pedras preciosas, o quilate métrico (um quilate igual a 0,2g) – pode ser utilizado como unidade de medida. O símbolo do quilate é o ct. Princípios de Classificação (Classe de Exatidão): São estabelecidas as seguintes classes de exatidão e seus símbolos: - Exatidão especial, símbolo I - Exatidão fina, símbolo II - Exatidão média, símbolo III - Exatidão Ordinária, símbolo IIII Valor de Divisão de Verificação (e) : O valor de divisão de verificação e um artifício que a portaria dispõe para que algumas balanças possam apresentar uma resolução melhor do que apresentariam para atender à portaria. Com isso, em algumas situações especiais o fabricante pode definir que a resolução de leitura não é verificável, ou seja, o último dígito da leitura indicada pela balança não conta para o erro máximo permitido. Por exemplo, um fabricante pode definir que determinado modelo de balança, com capacidade 2000 g, apresente um valor de divisão (d) igual a 0,01 g, porém seu valor de divisão de verificação (e) seja 0,1g, e este será o último dígito considerado na verificação. Esta exigência não se aplica aos instrumentos da classe especial com dMáximo Carga Mínima (Min) Especial 0,001g≤e 50000 100e Fina 0,001g≤e≤0,05g 0,1g≤e 100 5000 100000 100000 20e 50e Média 0,1g≤e≤2 5g≤e 100 500 10000 10000 20e 20e Ordinária 5g≤e 100 1000 10e Exemplo: Qual a classe de exatidão e carga mínima da balança citada no exemplo do item anterior, que tem capacidade 2000 g, (d) 0,01 g e (e) 0,1g? Para resolver esta questão, vamos seguir os passos: 1º: A capacidade e o valor de divisão de verificação da balança já foram informados, e são respectivamente 2000 g e 0,1 g. 2º: Calculando o n, temos: 20000 1,0 2000 = = = n g g n e Capacidade n 3º: Vamos primeiro analisar se esta balança pode ser da classe de exatidão especial. Olhando na tabela: Na primeira linha da primeira coluna, vemos que o (e) deve se maior ou igual que 0,001 g. Como o (e) é 0,1 g, este requisito foi atendido. Passamos agora para a análise do (n): Para a balança ser esquadrada na classe de exatidão especial, o n deve ser no mínimo 50000. Como para nossa balança o n = 20000, ela não se enquadra na classe especial. Vamos ver se ela se enquadra na classe fina: Na classe fina, temos duas linhas, sendo que a primeira é para valores de (e) entre 1 mg e 50 mg, e a segunda linha para valores de (e) iguais ou maiores que 0,1 g, o que é nosso caso. Seguindo nesta linha, na segunda coluna podemos ver que para a balança ser da classe fina, seu (n) de ver no mínimo 5000 e no máximo 100000. Como nossa balança tem n = 20000, ela também atende este requisito! Com isso podemos responder: A classe de exatidão desta balança é Classe Fina (II ou ),e sua carga mínima, indicada na respectiva coluna, é de 50 (e), ou seja, 50 x 0,1 g = 5,00 g. 2.4.6 Erros Máximos Permitidos: Os erros dependem da classe de exatidão e do valor de divisão de verificação, conforme descrito abaixo: II IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 16 de 53 Portaria INMETRO 236/94 – EMP Erros Máxim os Permitidos nas Verificações Subsequentes Para as cargas m, expressas em valores de divisão d e verificação e * Especial Fina Média Ordinária ± 1,0 e 0≤m≤50000 0≤m≤5000 0≤m≤500 0≤m≤50 ± 2,0 e 50000M1; M2 e M3; utilizados: - no controle metrológico de instrumentos de pesagem; - no controle metrológico de pesos de classe de exatidão inferior; - com instrumentos de pesagem; Os valores nominais dos pesos cobertos por este Regulamento estão compreendidos entre 1 mg e 50 kg. Esta portaria é um regulamento técnico metrológico que estabelece as condições técnicas e metrológicas bem como o controle metrológico aplicáveis, e se baseia na recomendação internacional OIML R111, que foi revisada em 2004. A portaria está defasada em relação à OIML, como acontece também com a portaria 236/94. A portaria 233/94 estabelece critérios para classificação dos pesos-padrão regulamentados, levando em consideração os seguintes fatores: • Forma • Construção • Material • Massa Específica • Acabamento Superficial • Possibilidade de ajustes • Marcação • Composição de conjuntos (estojos) • Erro Máximo Permitido Em função do cumprimento de exigências para cada um destes fatores, e da observação do erro do peso-padrão, ele é então classificado em uma das classes de exatidão previstas. IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 19 de 53 Conjunto de Pesos-padrão classe de exatidão E2 A tabela de erro máximos permitidos, para cada classe de exatidão, é apresentada na página 7 do RTM, e reproduzida abaixo. Utilização da classe adequada para cada balança: A classe de exatidão dos pesos utilizados como instrumentos de pesagem devem estar de acordo com o prescrito para “Instrumentos de Pesagem a funcionamento não automático” (portaria 236/94). F1; E2 - Pesos destinados a serem utilizados com instrumentos de pesagem de classe de exatidão I. F2 - Pesos destinados a serem utilizados nas transações comerciais importantes (ex.: ouro e pedras preciosas ), com instrumentos de pesagem de classe de exatidão II. M1 - Pesos destinados a serem utilizados com instrumentos de pesagem de classe de exatidão II; M2 - Pesos destinados às transações comerciais normais com os instrumentos de pesagem de classe de exatidão III; M3 - Pesos destinados a serem utilizados com os instrumentos de pesagem de classe de exatidão III e IIII. Além disso, os pesos-padrão utilizados para a calibração / verificação dos instrumentos não devem possuir um erro superior a 1/3 do erro máximo permitido para o instrumento, para a carga considerada. Erros Máximos Permitidos para Pesos-padrão, de acordo com a portaria 233/94 do INMETRO Fonte: Sartorius IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 20 de 53 2.6 Calibração de Balanças conforme o guia de calib ração EURAMET / cg - 18/v.02 A calibração consiste em: 1. Aplicar cargas de ensaio ao instrumento sob condições especificadas; 2. Determinar o erro ou tendência da indicação, e 3. Estimar a incerteza de medição a ser atribuída aos resultados. Quanto ao local, a calibração é normalmente executada no local onde o instrumento está sendo usado. Se um instrumento é movido para outro local após a calibração, possíveis efeitos devido à diferença na aceleração da gravidade local, variações nas condições ambientais, além das condições mecânicas e térmicas durante o transporte podem alterar o desempenho do instrumento e invalidar a calibração. Mover o instrumento após a calibração deveria, portanto ser evitado. O INMETRO, por exemplo, só acredita o serviço de calibração de instrumentos de pesagem quando realizado nas instalações do cliente. 2.6.1 Empuxo do ar Um objeto pesado no ar e no vácuo não apresenta o mesmo valor de massa indicado no mostrador da balança. Isso ocorre por que, pelo Princípio de Archimedes, ao se imergir um objeto num fluido (ar), este reage à imersão com uma força de sentido contrário, proporcional ao volume deslocado por este corpo e à massa específica do fluido. Todas as pesagens realizadas estão sujeitas as influencia do empuxo do ar uma vez que todas as pesagens realizadas no nosso dia-a-dia são feitas no ar. Para poder haver a possibilidade de comparação entre resultados obtidos em pesagens no ar sem a necessidade de correções, convencionaram-se condições sob as quais as pesagens podem ser comparadas entre si. A OIML possui um documento orientativo: D28 Conventional value of the result of weighing in air, que desde 2004 estabelece essas condições. Este documento é a versão atualizada da antiga R33, que vigorava até então. Por definição, Massa Convencional é: “O valor de massa convencional de um corpo é igual à massa mc de um padrão que equilibra um corpo sob condições convencionalmente escolhidas” As condições convencionalmente escolhidas são: • Temperatura de referência: 20ºC • ρar = 1,2 kg/m3 • ρpadrão = 8000 kg/m3 A massa específica do ar é dada por: ( ) ( ) t tup + −−= 15,273 020582,0000252,0348444,0ρ Onde: ρar – massa específica do ar (kg/m3) p – pressão atmosférica (hPa) u – umidade relativa t – temperatura (oC) A massa específica do peso pode ser verificada em tabelas, bastando conhecer seu material. Para variações da massa específica do ar maiores que ± 10%, deve ser realizada a correção do empuxo do ar, pois estas condições diferentes das convencionadas causa erros significativos nas calibrações. Todavia, sempre haverá uma contribuição na incerteza de calibração originada do empuxo do ar. A tabela apresentada a seguir mostra uma aproximação bastante razoável para a incerteza devido ao empuxo do ar, quando não há correção, em função do material do qual o padrão utilizado na calibração é fabricado: Material Incerteza do empuxo do ar Aço Inoxidável 1 ppm (1 x 10-6 do VVC) Ferro Fundido 3 ppm (3 x 10-6 do VVC) Latão 3 ppm (3 x 10-6 do VVC) Alumínio 30 ppm (30 x 10-6 do VVC) IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 21 de 53 2.6.2 Método de Calibração Pontos de calibração O número mínimo de pontos de calibração recomendado é 5, sendo que o ideal é de pelo menos 10 pontos distribuídos ao longo da faixa de utilização. Para balanças de classe de exatidão ordinária e média, a calibração em 5 pontos pode ser suficiente, ao passo que nas balanças de classe de exatidão fina ou especial, a calibração em menos de dez valores de carga não é satisfatória, na maioria das vezes. Teste de Excentricidade • Anotar na ficha de calibração a 1a. Leitura da temperatura, umidade relativa e pressão atmosférica. • Zerar a indicação da balança, após certificar se da ausência de carga na plataforma de pesagem. Usar nesta operação a tecla de “zero” ou “tara” • Selecionar um valor de carga entre 10% e 50% da faixa de pesagem e colocar pesos-padrão correspondentes a esta carga em cada ponto indicado nas figuras abaixo, anotando os valores lidos na ficha de calibração. Repetitividade • Anotar na ficha de calibração a 2ª leitura da temperatura, umidade relativa do ar e pressão atmosférica. • Zerar a indicação da balança, sem carga sobre a mesma. • Carregar a balança com pesos-padrão equivalente ao 1º ponto de calibração, centralizando-os sobre a plataforma de pesagem. • Aguarde a estabilização da indicação e anote o valor lido na ficha de calibração. • Retire os pesos-padrão da plataforma de pesagem e zere a indicação da balança, sem carga sobre a mesma. • Repita estes 3 últimos passos, três vezes em cada ponto de calibração selecionado. • Anotar na ficha de calibração a 3a leitura da temperatura, umidade relativa do ar e pressão atmosférica. 2.6.3 Fatores de Influência na calibração de balanç as Determinação do V.V.C . Grandez a (xi) Divisor Distribuição V eff Incerteza devido à deriva do padrão desde a últimacalibração 3 Retangular ∞∞∞∞ Incerteza dos pesos- padrão k Normal Incerteza devido a não correção do empuxo do ar 3 Normal ∞∞∞∞ Determinação do Objeto Incerteza devida à resolução da balança 12 Retangular ∞∞∞∞ Incerteza tipo A - devido à dispersão das medições 1 T-Student n-1 PARTE FRONTAL PARTE FRONTAL IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 22 de 53 3. Metrologia de PRESSÃO 3.1. Introdução A revolução industrial é um marco importante na história da humanidade, e provocou mudanças no modo de produzir, na escala de produção, na qualidade de vida dos trabalhadores, entre outras tantas mudanças. Porém, a revolução industrial só foi possível graças à invenção do motor a vapor, e, sobretudo, às melhorias realizadas por James Watt (1736-1819). As máquinas a vapor foram adaptadas para substituir o trabalho humano ou tração animal em diversas atividades, de esgotamento da água de minas à indústria têxtil. Esta máquina funciona, basicamente, transformando a energia de vapor pressurizado em energia mecânica, gerando movimento ou rotação de um eixo. Desde aquela época, com a crescente utilização de máquinas a vapor, e consequentemente, de vapor pressurizado, uma maneira eficiente de evitar acidentes e explosões nos recipientes que contêm o vapor é o controle da pressão interna destes recipientes. E, como já sabemos, qualquer controle só é eficaz se for baseado em medições. Logo, a medição de pressão teve, e continua tendo, papel importantíssimo em praticamente todas as atividades industriais, já que inúmeras atividades e processos produtivos ocorrem em pressões diferentes da pressão atmosférica. Como exemplo podemos citar os fornos, caldeiras, transporte de fluidos por tubulação, maquinas hidráulicas e pneumáticas, tanques, etc. Neste capítulo, iremos estudar aspectos importantes relacionadas à medição de pressão. 3.2 Definição Formalmente, a pressão é definida como: “Relação entre uma força aplicada perpendicularmente a uma área.” E é expressa pela seguinte equação: A F P = 3.3 Tipos de Pressão Pressão atmosférica Para entendermos os tipos de pressão que podemos encontrar, é indispensável entedermos o conceito de pressão atmosférica. A pressão atmosférica é a pressão exercida em um ponto da superfície terrestre, e pode ser entendida ao analisarmos a definição de pressão anteriormente dada. No capítulo 5, vimos a relação que existe entre massa e peso. F A Na figura ao lado, a pressão exercida por uma força F de 1 N, sobre uma área A de 1 m2, é de 1 pascal = 1 Pa. Logo, o pascal (Pa) é a unidade de pressão no SI. IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 23 de 53 Logo, sabendo que a força peso é a força exercida por uma massa quando submetida à aceleração da gravidade, e que o ar e as nuvens possuem massa, uma força peso da coluna de ar e nuvens (F) que existe sobre um ponto de área A, causa uma pressão. Esta é a pressão atmosférica. Experimentalmente, a existência da pressão atmosférica foi provada por Evangelista Torricelli (1608-1647), através da invenção do célebre Barômetro de Torricelli. O barômetro criado por Torricelli consiste em um tubo de vidro fechado em uma das extremidades, preenchido por um líquido (em seus experimentos, Torricelli concluiu que o melhor líquido era o mercúrio, pois este possui uma grande massa específica). Tapando a boca do tubo e o mergulhado verticalmente, com a boca para baixo, em um recipiente maior preenchido com o mesmo líquido, Torricelli observou que, após retirar o tampão do tubo, o líquido em seu interior começa a escoar do tubo para a bacia, até um certo ponto, onde a coluna de líquido no interior do tubo pára de diminuir, ficando à uma certa altura no nível da bacia. Como podemos ver na figura, a coluna de mercúrio permanece no interior do tubo porque a pressão atmosférica pressiona o mercúrio da bacia, impedindo que o mercúrio do tubo desça. Logo, a pressão atmosférica é igual à pressão exercida pela coluna de mercúrio na superfície, uma vez que dentro do tubo a pressão não atua. Repetindo sua experiência com o mercúrio, e usando um tubo graduado, a altura da coluna de mercúrio contida no tubo era praticamente à mesma, e ao nível do mar era de cerca de 76 cm, diminuindo à medida que a altitude aumentava. Vem daí o uso de uma unidade de pressão que ainda hoje é muito utilizada, o mm Hg (milímetro de mercúrio), e outras unidades que relacionam a altura de uma coluna de líquido, como o mca (metro de coluna d`água), in Hg (polegada de mercúrio), etc. Por esse motivo também o valor convencional da pressão atmosférica é 760 mm Hg. Pressão manométrica É a pressão medida usando a pressão atmosférica no local como referência. A pressão manométrica pode, portanto, ser maior que a pressão atmosférica (pressão positiva), ou menor (pressão negativa). Quando se fala em uma pressão negativa, chamamos esta pressão de Vácuo. Pressão absoluta É a pressão positiva a partir do vácuo perfeito, ou seja, a soma da pressão atmosférica do local e a pressão manométrica. Fonte: http://idrostatica.blogspot.com.br IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 24 de 53 Consequentemente, quando representamos uma pressão absoluta abaixo da pressão atmosférica local, também estamos medindo vácuo. Pressão diferencial É o resultado da diferença entre duas pressões quaisquer medidas. A figura abaixo mostra graficamente a relação entre os três tipos de pressão medida. 3.4 Princípio de Pascal “Quando um ponto de um líquido incompressível em e quilíbrio sofre uma variação de pressão, todos os outros pontos do líquido e as paredes do recipiente também irão sofrer a mesma variação.” Blaise Pascal foi um físico e matemático inglês, que também fez estudos de teologia e filosofia. Dedicou-se ao estudo da dinâmica dos fluidos e trigonometria, além de ser o inventor da primeira calculadora mecânica conhecida. Seus estudos no campo da pressão culminaram com o enunciado do princípio que leva seu nome, e que possui diversas e importantes aplicações, como nas prensas e elevadores hidráulicos, barragens, sistemas de direção hidráulica, tubulações, entre outros. Matematicamente, sua representação é: HgP ∆=∆ ..δ onde, ∆P é a pressão hidrostática (em pascal), ou a diferença de pressão entre dois pontos da coluna de fluido, devido ao peso do fluido; ρ é a densidade do fluido (em quilogramas por metro cúbico); g é aceleração da gravidade da Terra ao nível do mar (em metros por segundo ao quadrado); ∆h é a altura do fluido acima (em metros), ou a diferença entre dois pontos da coluna de fluido. Esta equação é usada para determinar a pressão exercida por uma coluna de líquido, ou a pressão em sistemas e máquinas hidráulicas, onde um fluido comprimido transmite a pressão a todos os pontos do sistema: 2 2 1 1 A F A F = IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 25 de 53 3.5 Unidades de Pressão Como já vimos, a unidade de pressão no sistema internacional de unidades (SI) é o pascal. Entretanto, 1 Pa é uma pressão bastante pequena para aplicações industriais. Assim, é mais comum expressarmos em seus múltiplos kPa e Mpa. Ainda assim, esta não é a unidade mais comum no cotidiano. A tabela abaixo ilustra as referências e as relações entre as unidades mais comuns para a medição de pressão. A pressão atmosférica de referência é a pressão média ao nível do mar , que vale 1 atm ou 760 mmHg.3.6 Medidores de Pressão Já sabemos que medir corretamente a pressão é de suma importância para o controle e manutenção de processos industriais, e indispensável na produção de praticamente todos os bens que nos cercam. Além disso, a medição de pressão tem papel fundamental também na saúde. Quem nunca ouviu falar de hipertensão (pressão alta), e suas conseqüências? Ou então, na hora de encher um pneu, ou uma bola, qual o momento em que devemos parar de encher? Sem os diferentes tipos de medidores de pressão estas atividades seriam muito complicadas, senão impossíveis. Para entendermos melhor os diferentes medidores de pressão, precisamos saber que eles são divididos em dois grandes grupos: Medidores fundamentais (ou diretos) e medidores por comparação (ou indiretos). IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 26 de 53 3.6.1 Medidores fundamentais Os medidores fundamentais medem pressão em função da definição da realização da grandeza. Isso quer dizer que, para um medidor de pressão ser di tipo fundamental, as grandezas de base relacionadas à pressão devem estar presentes e relacionadas por uma função conhecida. No grupo dos medidores fundamentais podemos citar o manômetro de coluna líquida, barômetro de coluna de mercúrio (barômetro de Torricelli) e a balança de pressão ou de peso morto. Balança de Pressão ou Balança de Peso Morto Instrumento que mede pressão a partir do equilíbrio entre as forças provenientes da pressão de um fluído (mensurando) e das massas que agem em um pistão situado no interior de um cilindro. Na balança de pressão, a pressão exercida no fluido é determinada da seguinte forma: No início do capítulo, vimos que a pressão é determinada por: A F P = Como sabemos também que: amF ×= , ou seja, gmF ×= , podemos dizer que: A gm P ×= Na balança de pressão, a massa do cilindro é determinada com altíssima exatidão, através de um processo similar á calibração de pesos-padrão. Para obtermos diferentes valores de pressão, basta acrescentar massas conhecidas (que também foram calibradas) sobre o pistão, de forma que a massa total sobre o fluido sempre seja conhecida. Da mesma forma, a área da superfície do pistão também é determinada em máquinas especiais, como uma exatidão que chega a frações de micrometros. Entretanto, para que a pressão seja conhecida é indispensável que conheçamos a aceleração da gravidade no local onde a balança de pressão está instalada. É claro que para uma medição com este grau de exatidão, não é suficiente utilizarmos o valor convencional de aceleração da gravidade, que usualmente é 9,8 m.s-1. Para conhecermos o valor da aceleração da gravidade com a exatidão necessária, um laboratório especializado e acreditado para este serviço deve determiná-la e emitir um documento que comprove este valor. No Brasil, o laboratório que realiza este serviço é o Observatório Nacional. IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 27 de 53 Assim, tendo um pistão de massa conhecida, submetido a uma aceleração também conhecida, e atuando sobre uma área definida, podemos determinar o valor da pressão exercida e transmitida no fluido. A balança de pressão é um padrão primário de pressão, e apresenta resultados com grande exatidão. Por este motivo, é usada nos laboratórios de calibração para calibrar outros tipos de medidores de pressão. 3.6.2 Medidores Indiretos Os medidores indiretos medem a pressão em função de uma propriedade física, ou seja, comparando a variação de uma variável física (deformação de um elemento elástico, dilatação de um fluido, variação de resistência elétrica, etc.) com uma escala pré-estabelecida. No grupo dos indiretos encontram-se os medidores analógicos (manômetros, vacuômetros, barômetros) e os transdutores de pressão e medidores digitais. Os manômetros e transdutores de pressão podem ser usados como padrões em calibrações, desde que possuam características metrológicas superiores ao objeto calibrado. Os critérios mínimos necessários para escolha de um padrão serão descritos detalhadamente adiante. Definições do medidores indiretos mais utilizados : Medidor Analógico de Pressão (manômetro, vacuômetro , manovacuômetro) Medidor que utiliza um elemento elástico, o qual é sensível mecanicamente a uma pressão (mensurando) e indica esta grandeza em um mostrador por intermédio de um ponteiro sobre uma escala graduada, em unidades de pressão. Medidor Digital de Pressão Medidor que fornece uma indicação de pressão na forma digital, em unidade de pressão. Transdutor de Pressão Medidor que fornece um sinal de saída elétrico que tem uma correlação determinada com a pressão de entrada. Manômetros de Elemento Elástico Os manômetros de elemento elástico são manômetros que utilizam sensores de pressão que produzem um movimento proporcional à pressão nele aplicada. A norma ABNT NBR 14105-1 de 2011 define elemento elástico da seguinte forma: “Componente com características mecânicas próprias, que se deforma ante as variações de pressão aplicadas a ele, ocasionando um deslocamento proporcional de sua parte livre”. Os elementos elásticos mais utilizados na confecção de manômetros são o diafragma, o fole, elementos tipo cápsula e o tubo de bourdon, que possui diferentes tipos, em função de seu formato (bourdon em “C”, espiral, helicoidal). A figura abaixo foi tirada da referida norma e ilustra os tipos de elementos elásticos: IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 28 de 53 Os manômetros de elemento elástico são amplamente utilizados para medição de pressão, sobretudo pelo seu custo reduzido, boa exatidão, versatilidade de aplicações e fácil leitura. Os manômetros de elemento elástico medem sempre a diferença entre a pressão no interior do elemento sensor e a pressão externa. Como em quase todas as aplicações a pressão externa ao sensor é a pressão atmosférica, os manômetros de elemento elástico podem medir pressões positivas, pressões negativas (vacuômetro) ou ambas (manovacuômetro) em uma mesma escala. A norma já citada “ABNT NBR 14105-1 – Medidores de Pressão – Parte 1: Medidores analógicos de pressão com sensor de elemento elástico – Requisitos de fabricação, classificação e utilização” especifica as classes de exatidão, características físicas, construtivas, de desempenho, segurança e outros aspectos relevantes, entre eles as disposições sobre a calibração dos manômetros. Como este é o assunto que mais nos interessa, será discutido detalhadamente a seguir. 3.7 Calibração de Manômetros Analógicos segundo doc umento orientativo do INMETRO DOQ-CGCRE-017 e ABNT NBR 14105-1 Para propiciar melhor entendimento do procedimento de calibração e das características metrológicas dos manômetros, é necessário que antes sejam definidos alguns termos importantes: Amplitude da Faixa de Escala Expandida Diferença entre os limites superior e inferior da faixa de escala expandida. Fundo de escala (ABNT NBR 14105-1) Limite superior da faixa nominal do instrumento. Classe de Exatidão (ABNT NBR 14105-1) Classe de instrumentos de medição que satisfazem certas exigências metrológicas destinadas a conservar os erros dentro de limites especificados. Considera-se o erro máximo admissível, expresso em porcentagem da amplitude da faixa nominal do instrumento. Os erros de exatidão incluem histerese e repetitividade. Tipos de elemento elástico: IFRJ – Campus Volta Redonda Apostila de Calibração Industrial rev.5 Abril de 2012 – Reinaldo Santana / Alexandre Mendes Página 29 de 53 Erro de Histerese (ABNT NBR