Prévia do material em texto
AULA 1 – 05/02/2025 EMBRIOLOGIA (EDUARDO) EMBRIOLOGIA DO SISTEMA DIGESTÓRIO O mesênquima para a formação da cabeça é derivado dos mesodermas paraxial e da placa lateral, da crista neural e de regiões espessadas do ectoderma conhecidas como placódios ectodérmicos. O mesoderma paraxial (somitos e somitômeros) forma grande parte dos componentes membranosos e cartilaginosos do neurocrânio (crânio), todos os músculos voluntários da região crânio facial, a derme e os tecidos conjuntivos na região dorsal da cabeça e as meninges caudais ao prosencéfalo. O mesoderma da placa lateral forma as cartilagens faríngeas (aritenóidea e cricóidea) e o tecido conjuntivo nessa região. As células da crista neural se originam no neuroectoderma das regiões do prosencéfalo, do mesencéfalo e do rombencéfalo e migram ventralmente para os arcos faríngeos e rostralmente ao redor do prosencéfalo e da escavação óptica para a região facial. Nesses locais, formam todo o viscerocrânio (face) e partes das regiões membranosas e cartilaginosas do neurocrânio (crânio). Elas também formam todos os outros tecidos nessas regiões, incluindo cartilagem, osso, dentina, tendão, derme, pia-máter e aracnoide-máter, neurônios sensoriais e tecido conjuntivo glandular. As células oriundas dos placódios ectodérmicos (placódios epifaríngeos), junto com a crista neural, formam os neurônios do quinto, do sétimo, do nono e do décimo gânglios sensoriais cranianos. Estruturas esqueléticas da cabeça e da face. O mesênquima para essas estruturas é derivado da crista neural (azul), do mesoderma da placa lateral (amarelo) e do mesoderma paraxial (somitos e somitômeros) (vermelho). A característica mais singular do desenvolvimento da cabeça e do pescoço são os arcos faríngeos (o termo antigo para essas estruturas é arco branquial, porque se assemelham às brânquias de um peixe). Esses arcos aparecem na quarta e na quinta semanas do desenvolvimento e contribuem para a aparência externa característica do embrião. Inicialmente, consistem em barras de tecido mesenquimal separadas por fendas profundas conhecidas como fendas faríngeas. Simultaneamente, com o desenvolvimento dos arcos e das fendas, aparecem várias invaginações, as bolsas faríngeas, ao longo das paredes laterais da faringe, a porção mais cranial do intestino anterior. As bolsas penetram no mesênquima circunjacente, mas não estabelecem comunicação aberta com as fendas externas. Assim, embora o desenvolvimento dos arcos, das fendas e das bolsas faríngeas lembre a formação de brânquias nos peixes e nos anfíbios, no embrião humano nunca se formam brânquias verdadeiras. Portanto, o termo faríngeo (arcos, fendas e bolsas) foi adotado para o embrião humano. Vias de migração das células da crista neural das regiões do prosencéfalo, do mesencéfalo e do rombencéfalo para suas localizações finais (áreas azuis) nos arcos faríngeos e na face. As regiões de espessamento ectodérmico (placódios epifaríngeos) que auxiliarão as células da crista na formação do quinto (V), sétimo (VII), nono (IX) e décimo (X) gânglios sensoriais craniais também são mostrados. Bolsas faríngeas como evaginações do intestino anterior e o primórdio da glândula tireoide e dos arcosaórticos. Desenvolvimento dos arcos faríngeos. A. 25o dia. B. 28o dia. C. Quinta semana Os arcos faríngeos não contribuem apenas para a formação do pescoço, eles também são importantes na formação da face. No final da quarta semana, o centro da face é formado pelo estomodeu, circundado pelo primeiro par de arcos faríngeos. Quando o embrião tem 42 dias, podem ser reconhecidas cinco proeminências mesenquimais: as proeminências mandibulares (primeiro arco faríngeo), caudais ao estomodeu; as proeminências maxilares (porção dorsal do primeiro arco faríngeo), laterais ao estomodeu; e a proeminência frontonasal, uma elevação levemente arredondada cranial ao estomodeu. O desenvolvimento da face é complementado mais tarde pela formação das proeminências nasais. Em todos os casos, a diferenciação das estruturas derivadas dos arcos, bolsas, fendas e proeminências é dependente de interações entre epitélio e mesênquima. Embriões durante a quarta (A) e a quinta (B) semanas do desenvolvimento, apresentando a formação do sistema digestório e de vários derivados que se originam da camada germinativa endodérmica. → Arcos Faríngeos Cada arco faríngeo consiste em um cerne de tecido mesenquimal coberto por fora pelo ectoderma superficial e por dentro pelo epitélio de origem endodérmica. Além do mesênquima derivado do mesoderma paraxial e do mesoderma da placa lateral, o centro do arco recebe numerosas células da crista neural, que migram para os arcos a fim de contribuir para os componentes esqueléticos da face. O mesoderma original dos arcos dá origem à musculatura da face e do pescoço. Assim, cada arco faríngeo é caracterizado por seus próprios componentes musculares. Os componentes musculares de cada arco têm seu próprio nervo cranial, e, seja qual for o destino das células musculares, elas carregam seu componente nervoso com elas. Além disso, cada arco tem seu próprio componente arterial. A ilustração mostra os arcos faríngeos seccionados transversalmente. Cada arco consiste em um cerne mesenquimal derivado do mesoderma e das células da crista neural e cada um é revestido internamente pelo endoderma e externamente pelo ectoderma. Cada arco também contém uma artéria (um dos arcos aórticos) e um nervo cranial, e cada um contribuirá com componentes esqueléticos e musculares específicos para a cabeça e o pescoço. Entre os arcos se encontram as bolsas, na superfície interna, e as fendas, externamente. Cada arco faríngeo tem um nervo craniano. O nervo trigêmeo que inerva o primeiro arco faríngeo tem três ramos: o oftálmico, o maxilar e o mandibular. O nervo para o segundo arco é o nervo facial e o do terceiro é o nervo glossofaríngeo. A musculatura do quarto arco é inervada pelo ramo laríngeo superior do nervo vago, e a do sexto arco, pelo ramo recorrente do nervo vago. ◦ Primeiro arco faríngeo O primeiro arco faríngeo consiste em uma porção dorsal, o processo maxilar, que se estende para frente, abaixo da região ocular, e em uma porção ventral, o processo mandibular, que contém a cartilagem de Meckel. Com a continuação do desenvolvimento, a cartilagem de Meckel desaparece, exceto por duas pequenas porções em sua extremidade dorsal, que persistem e formam a bigorna e o martelo. O mesênquima do processo maxilar dá origem à pré-maxila, à maxila, ao osso zigomático e à parte do osso temporal por meio de ossificação membranosa. A mandíbula também é formada por ossificação membranosa do tecido mesenquimal que cerca a cartilagem de Meckel. Além disso, o primeiro arco contribui para a formação dos ossos da orelha média. A musculatura do primeiro arco faríngeo inclui os músculos da mastigação (temporal, masseter e pterigóideo), o ventre anterior do músculo digástrico, o músculo milo-hioide, o músculo tensor do tímpano e o músculo tensor do véu palatino. A inervação dos músculos do primeiro arco é realizada pelo ramo mandibular do nervo trigêmeo. Uma vez que o mesênquima do primeiro arco também contribui para a derme da face, a inervação sensorial para a pele é fornecida pelos ramos oftálmico, maxilar e mandibular do nervo trigêmeo. Os músculos dos arcos nem sempre se ligam aos componentes ósseos ou cartilaginosos de seu próprio arco, mas, algumas vezes, migram para regiões circunjacentes. No entanto, a origem desses músculos sempre pode ser rastreada, uma vez que sua inervação é derivada do arco original. ◦ Segundo arco faríngeo A cartilagem do segundo arco ou arco hióideo (cartilagem de Reichert) dá origem ao estribo, ao processo estiloide do osso temporal, ao ligamento estilohióideo e, ventralmente, ao corno menor e à porção superior do corpo do osso hioide. Os músculos do arco hióideo são o músculo estapédio, o músculo estilo-hióideo, o ventre posterior do músculo digástrico, o músculo auricular e os músculos da expressão facial. O nervo facial,o nervo para o segundo arco, inerva todos esses músculos. ◦ Terceiro arco faríngeo A cartilagem do terceiro arco faríngeo forma a porção inferior do corpo e o corno maior do osso hioide. A musculatura é limitada aos músculos estilofaríngeos. Esses músculos são inervados pelo nervo glossofaríngeo, o nervo para o terceiro arco. ◦ Quarto e sexto arcos faríngeos Os componentes cartilaginosos do quarto e do sexto arcos faríngeos se fusionam para formar as cartilagens tireóidea, cricóidea, aritenóidea, corniculada e cuneiforme da laringe. Os músculos do quarto arco (cricotireóideo, elevador do palato e constritores da faringe) são inervados pelo ramo laríngeo superior do nervo vago, o nervo para o quarto arco. Os músculos intrínsecos da laringe são inervados pelo ramo laríngeo recorrente do nervo vago, o nervo para o sexto arco. image7.png image8.png image9.png image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png