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DEPARTAMENTO DE QUÍMICA ORGÂNICA E INORGÂNICA RELATÓRIO DE QUIMICA INORGÂNICA EXPERIMENTAL PRÁTICA No 10 PREPARAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS COMPLEXOS DE NÍQUEL (II) Aluna: Carmen Giulia Esposito Turma: 1B Professor(a): Izaura Diógenes Matrícula: 520141 INTRODUÇÃO O elemento de transição Níquel (Ni), foi isolado pela primeira vez em 1751, por Axel Frederic Cronstedt, na Suécia. Alguns anos depois, em 1775, Torbem Olaf Bergman escreveu experiências sobre o níquel. Ele mencionou alguns problemas na retirada do arsênio do metal bruto e obteve sais puro de níquel, demonstrando, assim, que o níquel era um metal distinto. O Níquel é duas vezes mais abundante que o cobre na crosta terrestre, apresenta cor branca prateada com tons amarelos e possui como característica marcante a capacidade de se transformar em um imã quando em contato com campos magnéticos. Possui relativa resistência à oxidação e à corrosão, e é mais duro que o ferro, formando ligas de diversas utilizações na indústria. É utilizado para a preparação de várias ligas, tanto ferrosas como não-ferrosas. Nos compostos simples é predominantemente iônico e divalente. Também é encontrado na forma de Ni(+2) na maioria de seus complexos, que geralmente são quadrados planares ou octaédricos. (LEE, J.D, 1999) É um metal dúctil e resistente a corrosão. Ocorre na natureza em combinação com arsênio, antimônio e enxofre. Apresenta condutividade elétrica e térmica elevadas. Em solução aquosa o estado de oxidação +2 é o mais importante, sendo pouco comuns as reações de oxidação de +2 para +3. (SHRIVER, D. F, 2008) O íon Ni(II) em solução aquosa acha-se coordenado a moléculas de água em uma geometria octaédrica, formando o íon complexo [Ni(H2O)6]2+, de cor verde. Em muitos casos, a formação de outros complexos ocorre através de reações de substituição das moléculas de água por outros ligantes (moléculas neutras: NH3, etilenodiamina, etc., ou ânions: CI, OH; Existem complexos que são reativos e trocam ligantes rapidamente, já outros fazem isto lentamente, sendo conhecidos como inertes. Com isso, houve muitos estudos sobre os complexos inertes e informações sobre mecanismos de reação, isomeria, etc., uma vez que estes compostos podem ser facilmente isolados. A labilidade que é a capacidade do complexo de quebrar as suas ligações e formar outras ligações com compostos mais estáveis, são resultados dos efeitos cinéticos, mas outro efeito importante é o efeito termodinâmico, chamado efeito quelato, o qual diz respeito à maior estabilidade de complexos formados com ligantes que possuam dois ou mais sítios de coordenação disponíveis, quando comparada a dos formados com ligantes monodentados. A etileno diamina (en = H2NCH2CH2NH) é um ligante bidentado e forma com o ion Ni(II) o complexo [Ni(en)3 que é mais estável que o complexo [Ni(NH3)6]2+ apesar da basicidade dos átomos de nitrogênio do etileno diamina e da amônia serem semelhantes. Assim a etileno diamina desloca a amônia: [Ni(NH3)6]2+ + 3 en → [Ni(en)3] 2+ + 6 NH3 Este fenômeno acontece pelo fato de que a entropia do sistema aumente mais no caso da etilenodiamina coordenada, do que no da amônia. A obtenção de [Ni(en)3]Cl2.2H2O pode ser feita pela reação entre a etilenodiamina concentrada e a solução de cloreto de hexaaminoniquel(II). A equação da reação de obtenção pode ser descrita como: [Ni(NH3)6]Cl2 + 3 en + 2H2O → [Ni(en)3]Cl2.2H2O + 6 NH3 OBJETIVOS • Preparar e caracterizar os complexos [Ni(en)3]Cl2 e Ca[Ni(edta)].4H2O por espectroscopias na região do infravermelho e no visível. • Calcular o desdobramento do campo ligante (Δo) para os complexos [Ni(H2O)6]Cl2 , e [Ni(en)3]Cl2 e Ca[Ni(edta)] .4H2O • Calcular o rendimento percentual dos complexos [Ni(en)3]Cl2 e Ca[Ni(edta)].4H2O PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL: Preparação do [Ni(en)3]Cl2 Pesou-se 1,02g de NiCl2.6H2O em um béquer de 50mL. Em seguida, foi adicionado 2,5mL de água destilada e com o auxílio de um bastão de vidro procedeu-se a dissolução do sal. À essa solução foi adicionado por gotejamento, 5,0mL de etilenodiamina, (25%), e então a solução foi agitada com um bastão de vidro. Em seguida, foi adicionado à mistura 13mL de acetona, mantendo-se a agitação para a facilitação da ocorrência de precipitação. Feito isso, a solução foi levada ao banho de gelo, mantida resfriada por 20 minutos até a precipitação. Em seguida, o sólido foi filtrado e lavado com 5mL de acetona gelada e colocado em um dessecador por 2 dias. O peso obtido do sólido foi 0,75g. O composto foi guardado em um recipiente com tampa e rótulo. Preparação do hidróxido de níquel, Ni(OH)2 Foi pesado em um béquer de 100mL, 2,00g de NiSO4.6H2O e adicionado 50mL de água destilada fervida para dissolver a solução. Em seguida, foi mergulhado um eletrodo de medidor de pH na solução, e adicionado gota a gota uma solução de NaOH 2mol/L à mistura sob agitação até chegar em um pH de 12,45. Posteriormente, foi filtrado a mistura em um funil de vidro com papel de filtro, e lavado o precipitado 5 vezes com 20mL de água destilada fervida. Recolhido o filtrado em um béquer limpo, foi tirado uma alíquota dele diretamente em um tubo de ensaio, e nele, adicionado 2 gotas de solução de BaCl2 para garantir que não tivesse mais precipitado. Após o teste negativo para sulfato, foi adicionado duas gotas de fenolftaleína a uma alíquota do filtrado e continuou-se a lavagem até que a solução do teste ficasse incolor. Feito isso, lavou-se o filtrado uma vez com 20mL de etanol e transferido o sólido para um béquer de 100mL, colocado em estufa a 80ºC durante uma noite e depois a 120ºC durante 1h. Após resfriagem no dessecador, foi determinada a massa do produto: 1,21g. Preparação do Ca[Ni(edta)].4H2O Em um béquer de 50mL, pesou-se 1,43g de H4edta e, à parte, em outro béquer de 50mL, pesou-se 0,47g de Ni(OH)2. Misturado os dois sólidos em um só béquer, foi rotulado e adicionado 40mL de água destilada, agitado com um bastão para dissolução e aquecido a 80ºC em um banho de areia durante 10 min. Em seguida, foi adicionado 0,51g de CaCO3. Foi aquecido durante 1 hora em uma chapa aquecedora, transferido o filtrado para um béquer de 50mL e deixado no banho de areia por 2 dias para evaporar o filtrado. Após isso, foi adicionado 15mL de etanol e aquecido a mistura em um banho de água. Filtrado sob vácuo em funil de vidro sinterizado, foi lavado o sólido com 2 porções de 3ml de etanol. Finalizando, foi pesado um béquer vazio de 50mL, anotado a massa dele, transferido o sólido e colocado no dessecador por uma semana. Foi pesado o béquer novamente com o composto e obtido a massa do complexo: 1,86g RESULTADOS E DISCUSSÕES A reação envolvida na síntese do [Ni(en)3]Cl2 é considerada a seguir: [Ni(NH3)6]Cl2(s) + 3en + 2H2O(l) → [Ni(en)3]Cl2.2H2O(s) + 6NH3(g) A massa pesada do dado complexo foi de 1,02g, que possui a seguinte massa molar: 309,79 g.mol-1, e o volume de 5ml de etilenodiamino. Tendo acesso a estes dados, podemos então calcular o rendimento da reação: Nº mols NiCl2.6H2O = 1,02𝑔 237,59𝑔 𝑚𝑜𝑙 = 0,0042𝑚𝑜𝑙 Densidade do etileno:0,899g mol-1 Solução de etileno (25%) em água Massa (en) = 5mL x 0,899g mL-1 = 0,899g 0,899g x 0,25 = 1,12g Nº mols (en) = 1,12𝑔 60,1𝑔 𝑚𝑜𝑙 = 0,018𝑚𝑜𝑙 Onde temos: Reagente limitante: cloreto de hexaaquaníquel (II) Reagente em excesso: etilenodiamino M[Ni(en)3]Cl2 = 0,0042 x 309,79 = 1,30g (massa teórica) A massa experimental obtida do complexo foi de 0,75g. Logo, o rendimento pode ser calculado assim: R = 0,75 1,30 . 100 = 57,69% Por ter ocorrido perda de amostra durante a filtração e recristalização, o rendimento é aceitável para a reação do complexo. A reação utilizada para a formação do Ca[Ni(edta)].4H2O é: Ni(OH)2(aq) +H4edta(aq)+CaCO3(aq) +4H2O(l)→Ca[Ni(edta)]⋅4H2O(s)+CO2(g)+2H2O(l) Cálculo do rendimento: nNi(OH)2 = 0,47 92,7 = 0,0050mol n(H4EDTA) = 1,43 292,24 = 0,0048mol n(CaCO3) = 0,51 100 = 0,0051mol Em seguida, é obtida a massa teórica: nNi(OH)2 = Ca[Ni(edta)].4H2O = 0,0050mol m(Ca[Ni(edta)].4H2O) = 0,0050 x 459,09 = 2,2954g A massa obtida no experimento foi de 1,86g, então calcula-se o rendimento: Rendimento: 1,86 2,295 . 100 = 81,04% Caracterização dos complexos Os espectros obtidos através das técnicas de ultravioleta e infravermelho auxiliaram na identificação do complexo formado, comprimento máximo e na energia de desdobramento do campo cristalino (EDCC). Foi atribuída as bandas dos espectros vibracionais na região do infravermelho obtidos para os compostos [Ni(en)3]Cl2 e Ca[Ni(edta)].4H2O no estado sólido (em KBr). Espectro infravermelho do complexo [Ni(en)3]Cl2: . Tabela de correlação das bandas observadas do [Ni(en)3]Cl2 de acordo com a literatura: Espectro do infravermelho do Ca[Ni(edta)].4H2O Tabela de correlação das bandas observadas do Ca[Ni(edta)].4H2O de acordo com a literatura: Foram realizados, pelo aluno Alexandre Lima, os espectros de absorção na região de 300-1300nm, de cada um dos complexos em solução aquosa 0,05mol L-1. Espectro de absorção eletrônica nas regiões do UV-Vis do íon complexo [Ni(OH2)6] 2+ em água (solução verde). Concentração: 0,05 mol L−1 . NiCl2 . O λ max é de 400nm. 1140 Espectro de absorção eletrônica nas regiões do UV-Vis do íon complexo [Ni(en)3] 2+ em água (solução roxa). Concentração: 0,05 mol L−1 O λmáx é de 345nm. Espectro de absorção eletrônica nas regiões do UV-Vis do íon complexo [Ni(edta)]2− em água (solução azul). Concentração: 0,05 mol L−1 . O λmáx é de 993nm. Determinação da absorção molar (ε): A= ε lc, logo, tem-se que: ε máx [Ni(OH2)6] 2+ = 0,66 1𝑐𝑚.0,05𝑚𝑜𝑙 𝐿 = 13,2cm-1mol-1 L ε máx [Ni(en)3]Cl2 = 0,29 1𝑐𝑚.0,05𝑚𝑜𝑙 𝐿 = 5,8cm-1mol-1 L ε máx (Ca[Ni(edta)].4 H2O) = 1,29 1𝑐𝑚.0,05𝑚𝑜𝑙 𝐿 = 25,8cm-1mol-1 L Agora, calculando o valor de ∆o para cada um dos complexos [Ni(H2O)6]Cl2 , Ca[Ni(edta)].4H2O e [Ni(en)3]Cl2, tem-se: ∆o [Ni(H2O)6]Cl2 = 6,626.10 −34 𝐽.𝑠 𝑥 2,998.108𝑚 𝑠 400.10−9𝑚 = 4,966x10-19J ∆o Ca[Ni(edta)].4H2O 6,626.10−34 𝐽.𝑠 𝑥 2,998.108𝑚 𝑠 993.10−9𝑚 = 1,999x10-19J ∆o [Ni(en)3]Cl2 = 6,626.10−34 𝐽.𝑠 𝑥 2,998.108𝑚 𝑠 345.10−9𝑚 = 5,757x10-19J A diferença nos valores de Δ0 entre os complexos é devida à natureza dos ligantes. Ligantes como a etilenodiamina (en) tendem a criar campos ligantes mais fortes devido à sua capacidade de doação de elétrons e à sua geometria de coordenação. Em contraste, ligantes como o EDTA, apesar de serem multidentados, podem não criar um campo tão forte devido à sua estrutura e à maneira como interagem com o íon central. A água, sendo um ligante monodentado, cria um campo intermediário entre esses dois extremos. Comparando o valor de Δ0 para [Ni(H2O)6]Cl2 é significativamente maior do que para Ca[Ni(edta)]⋅4H2O . Isso indica que o campo ligante criado pelas moléculas de água é mais forte do que o criado pelo ligante EDTA no complexo  Já o valor de Δ0 para [Ni(en)3 ]Cl2 é o maior entre os três complexos. Isso sugere que o ligante etilenodiamina (en) cria um campo ligante mais forte do que a água. O ligante en é um ligante bidentado, o que pode proporcionar uma interação mais forte com o íon central de níquel. E por fim, o valor de Δ0 para [Ni(en)3 ]Cl2 é muito maior do que para Ca[Ni(edta)]⋅4H2O. Isso reforça a ideia de que o ligante en é mais eficaz em aumentar o deslocamento do campo ligante em comparação com o EDTA. CONCLUSÃO Nessa prática de Química Inorgânica Experimental, foi determinado o rendimento percentual do composto [Ni(H2O)6 ]Cl2 , que foi de 57,69%. Esse rendimento é considerado aceitável, levando em conta possíveis perdas de amostra durante processos como filtração e recristalização. Para o composto Ca[Ni(edta)]⋅4H2O, o rendimento percentual obtido foi de 81,04%. Durante o experimento, também foi determinado o parâmetro de desdobramento do campo ligante (Δ0 ). Para o Ca[Ni(edta)]⋅4H2O, o valor encontrado foi de 1,999x10-19J enquanto para o [Ni(H2O)6 ]Cl2 foi de 4,966x10-19J e para o [Ni(en)3 ]Cl2, 5,757x10-19J. Foi necessário consultar a literatura para realizar atribuições dos grupos presentes nos espectros de infravermelho e para verificar se as transições observadas estavam de acordo com o esperado, principalmente em relação à absorção na região do visível. Além disso, foram obtidos os valores do desdobramento do campo cristalino para cada um dos complexos. Com base nessas informações, foi possível determinar qual dos complexos possuía o ligante de campo mais forte, contribuindo para uma melhor compreensão das propriedades dos compostos estudados. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ. Quimica Inorgânica Experimental - Manual de Laboratório. Fortaleza,2016. LEE, J.D. Química Inorgânica não tão concisa. Tradução da 5a ed. inglesa. São Paulo: Editora Edgard Blucher LTDA, 1999. SHRIVER, D.F. e ATKINS, P.W. Quimica Inorgânica. 4aed. Porto Alegre: Editora Bookman, 2008.