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ENSAIOS MECÂNICOS FACULDADE MULTIVIX AULA 4 Professor: Sandro De Carvalho 2023 Frequentemente os materiais são submetidos a operações por longos períodos sob condições de elevadas temperaturas. Estas condições são favoráveis a mudanças de comportamento dos materiais em função do processo de difusão dos átomos, movimento de discordâncias, escorregamentos de contornos de grãos e da recristalização. O processo de fratura tecnologicamente mais importante em alta temperatura é a Fratura por Fluência. FLUÊNCIA FLUÊNCIA O fenômeno da fluência deve ser levado em consideração no projeto de componentes que trabalharão em altas temperaturas, tais como: Turbinas a vapor e aeronáutica, Vasos de pressão em sistemas geradores de energia. Outros exemplos: filamento de lâmpadas, o relaxamento dos aros das armações oculares e deformação em tubos de plástico. O ensaio de Fluência é utilizado para análise dos materiais sob estas condições e que permitam evitar a falha por fluência. FLUÊNCIA No caso de metais e cerâmicas cristalinas, a deformação por fluência é importante quando a temperatura de trabalho é da ordem de 30 a 60% da temperatura absoluta de fusão (Tfusão em K ou Tm). Grande quantidade de fluência pode ocorrer em polímeros e vidros quando submetidos a carregamentos em temperaturas acima de Tg (temperatura de transição vítrea). Existe uma grande diferença no comportamento em fluência entre as diferentes classes de metais. FLUÊNCIA Definição - O que é Fluência Fenômeno pelo qual metais e ligas tendem a sofrer deformações plásticas quando submetidos por longos períodos a tensões constantes, porém inferiores ao limite de resistência normal do material. Pode ser ativada pela temperatura (sua ocorrência é comum a temperaturas elevadas), e se manifesta com o passar do tempo. Esta deformação produz fissuras no material e pode levar à ruptura. À temperatura ambiente, a deformação das estruturas metálicas é muito pequena, a não ser que a carga adquira uma tal intensidade que se aproxime da tensão de ruptura. Entre os equipamentos que estão sujeitos a falhar por fluência estão as turbinas a jato e os geradores a vapor. Ensaio de Fluência Objetivo: determinar a vida útil do material nas condições de carga constante, durante um período de tempo e sob temperaturas elevadas Corpos de Prova: similares aos do ensaio de tração A deformação é medida e traçada em função do tempo decorrido até ocorrer a fraturado CP. Curva Típica -Estágio primário: onde a velocidade de fluência é rápida ocorre nas primeiras horas. Velocidade de deformação decrescente – encruamento. -Estágio secundário: A taxa de fluência é constante. Estágio de duração mais longo. Equilíbrio entre os processos de encruamento e recuperação. -Estágio terciário: Aceleração na taxa de fluência, estricção seguido de ruptura. Efeito da Tensão e da Temperatura Quanto maior a temperatura e/ou a tensão maior a deformação final por fluência que ocorre em menos tempo. Menor o tempo de vida do componente. Efeito da Temperatura e da Tensão sobre a Fluência Falha por fluência de uma tubulação Falha por fluência de uma paleta de turbina de avião NORMAS PARA ENSAIO DE FLUÊNCIA ISO 899-1: Título: Plastics - Determination of creep behaviour - Part 1: Tensile creep ASTM E139 - Standard Test Methods for Conducting Creep, Creep-Rupture, and Stress-Rupture Tests of Metallic Materials: Título: ASTM E139 - Standard Test Methods for Conducting Creep, Creep-Rupture, and Stress-Rupture Tests of Metallic Materials ASTM D2990 - Standard Test Methods for Tensile, Compressive, and Flexural Creep and Creep-Rupture of Plastics: Título: ASTM D2990 - Standard Test Methods for Tensile, Compressive, and Flexural Creep and Creep-Rupture of Plastics OUTRAS: ABNT NBR ISO 204, ABNT NBR ISO 899-1, ABNT NBR ISO 11687, ASTM C1161 Outros Fatores que afetam a fluência em metais ✓Estrutura cristalina: ✓Precipitados: ✓Contornos de grão: complexa resistência à fluência fração resistência à fluência tamanho de grão resistência à fluência Fluência em materiais poliméricos Na fluência, o material polimérico pode se deformar além do seu limite de escoamento, de maneira irrecuperável e comprometendo seu desempenho, principalmente em componentes que serão submetidos a temperaturas elevadas. Geralmente, a ruptura por fluência de um polímero é o resultado da interação de um ou mais eventos, tais como deformação viscoelástica, ruptura de ligações primárias ou secundárias, escoamento por cisalhamento, deslizamento entre cadeias, formação e crescimento de vazios e colapso das fibras, com defeitos intrínsecos e externos, resultando na formação e crescimento de trincas e na ruptura final. Dependendo do polímero, da sua estrutura e das suas interações com as condições de trabalho, tais como temperatura, tensão e tempo, ocorrerá o predomínio de alguns destes eventos. A identificação de tais eventos predominantes é crucial para o desenvolvimento e aplicação de critérios de fratura para predizer a ruptura por fluência e, assim, determinar a extrapolação confiável dos dados de ruptura por fluência das condições de ensaio para as condições de serviço. https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADmero ensaio de fluência A partir do ensaio de fluência também é possível obter o módulo sob fluência, a curva tensão versus deformação isócrona e a curva de fluência até a ruptura. Assim, é possível definir o material polimérico que terá melhor desempenho sob as condições finais de uso, garantindo o bom funcionamento durante a vida útil do produto. http://www.ccdm.ufscar.br/polimeros-ensaios-tecnologicos/ensaios-mecanico/ensaio-de-fluencia/ ENSAIO DE TORÇÃO ENSAIO DE TORÇÃO Esse tipo de teste é utilizado para avaliar a resistência de um material à torção, que é o movimento de rotação ao redor de um eixo longitudinal. Aqui estão algumas razões pelas quais esses ensaios são realizados: Avaliação da Resistência: Os ensaios de torção permitem medir a resistência de um material à torção, fornecendo informações cruciais sobre a capacidade do material de suportar cargas rotacionais. Projeto de Componentes Mecânicos: Em projetos de engenharia mecânica, especialmente na concepção de eixos, hastes e outros componentes sujeitos a forças de torção, os ensaios ajudam a determinar as propriedades mecânicas necessárias para garantir o desempenho seguro e confiável desses componentes. ENSAIO DE TORÇÃO Caracterização de Materiais: Os ensaios de torção auxiliam na caracterização de materiais, fornecendo dados sobre a resposta do material a esforços de torção. Isso é importante para entender como diferentes materiais se comportam quando sujeitos a cargas rotacionais. Normas e Certificações: Muitas normas e especificações industriais exigem ensaios de torção para garantir a conformidade dos materiais com padrões de qualidade e segurança. Pesquisa e Desenvolvimento: Na pesquisa científica e no desenvolvimento de novos materiais, os ensaios de torção são essenciais para entender as propriedades mecânicas dos materiais em condições de torção. Análise de Falhas: Em casos de falha de componentes mecânicos, os ensaios de torção podem ajudar a entender as causas da falha, identificando se a mesma foi devida a esforços de torção excessivos. EXEMPLO DE TORÇÃO Uma ponta do eixo está ligada à roda, por meio do diferencial traseiro. A outra ponta está ligada ao motor, por intermédio da caixa de câmbio. O motor transmite uma força de rotação a uma extremidade do eixo. Na outra extremidade, as rodas oferecem resistência ao movimento. Como a força que o motor transmite é maior que a força resistente da roda, o eixo tende a girar e, por consequência, a movimentar a roda. Esse esforço provoca uma deformação elástica no eixo, como mostra a ilustração ao lado. ENSAIO DE TORSÃO A partir do momento torsor e do ângulo de torção pode-se elaborar um gráfico semelhante ao obtidono ensaio de tração. Estas propriedades são determinadas do mesmo modo que no ensaio de tração e têm a mesma importância, só que são relativas a esforços de torção. ENSAIO DE TORÇÃO Este ensaio é bastante utilizado para verificar o comportamento de eixos de transmissão, barras de torção, partes de motor e outros sistemas sujeitos a esforços de torção. Nesses casos, ensaiam-se os próprios produtos. É importante ressaltar que o ensaio de torção não se restringe apenas a materiais metálicos, mas também pode ser aplicado em polímeros, cerâmicas e compósitos. Cada tipo de material apresenta características específicas de resistência à torção, e o ensaio é projetado de acordo com as propriedades e normas pertinentes a cada um. Em resumo, o ensaio de torção é uma técnica valiosa na engenharia e ciência dos materiais, permitindo a avaliação da resistência de um material à torção e fornecendo informações essenciais para o projeto e a fabricação de componentes e estruturas. Normas para a Realização do Ensaio de Torção As principais normas para a realização do ensaio de torção, incluindo as emitidas pela ABNT, ISO e ASTM, são as seguintes: ISO 898-1: Especifica os requisitos para o ensaio de torção em parafusos e produtos relacionados. Aborda aspectos como preparação dos corpos de prova, condições de ensaio, procedimentos de medição e critérios para aceitação ou rejeição dos parafusos testados. É fundamental para avaliar a resistência à torção desses elementos de fixação. ASTM E143: Define os procedimentos e práticas para o ensaio de torção em materiais metálicos. Inclui a preparação dos corpos de prova, dispositivos de fixação, métodos de aplicação de torque e técnicas de medição de torque e ângulo de torção. Também estabelece critérios para cálculo das propriedades mecânicas. https://www.iso.org/standard/60610.html https://www.astm.org/standards/e143 Principais Vantagens do Ensaio de Torção Avaliação realista da resistência à torção Informações sobre ductilidade e tenacidade Capacidade de realizar ensaios em diferentes temperaturas Possibilidade de caracterização de materiais heterogêneos Facilidade de execução e interpretação Avaliação de propriedades específicas Capacidade de comparação entre diferentes materiaiS ENSAIO DE DOBRAMENTO Avaliação da Resistência e Ductilidade dos Materiais O ensaio de dobramento é um dos principais ensaios mecânicos utilizados na engenharia e ciência dos materiais para avaliar a resistência à flexão e a ductilidade de diferentes tipos de materiais https://biopdi.com.br/artigos/ensaios-mecanicos/ https://biopdi.com.br/artigos/ensaios-mecanicos/ O que é o Ensaio de Dobramento? O ensaio de dobramento é uma técnica utilizada para avaliar a resistência de um material à deformação plástica causada por flexão repetida. Nesse teste, uma amostra do material é submetida a forças de flexão até que ocorra a falha. O objetivo é determinar a capacidade do material de suportar dobramentos sem fraturar-se. Esse ensaio é realizado aplicando-se uma carga em uma região específica da amostra, causando a flexão do material. A carga é gradualmente aumentada até que ocorra a falha por fratura ou trincamento. Durante o ensaio, são registrados parâmetros como a carga aplicada, a deformação e o ângulo de dobramento alcançado antes da falha. O ensaio de dobramento é amplamente utilizado para determinar a ductilidade e a tenacidade de materiais. A ductilidade refere-se à capacidade do material de se deformar plasticamente sem fraturar-se, enquanto a tenacidade mede a resistência do material a fraturas por impacto. Através desse ensaio, é possível avaliar a capacidade do material de resistir a deformações plásticas repetidas, como as encontradas em diversas aplicações práticas. Essas informações são fundamentais para a seleção adequada de materiais em projetos de engenharia, garantindo a segurança e a durabilidade de estruturas e componentes. Tipos de processo de Dobramento Dobramento Guiado: No processo de dobramento guiado, são utilizados dispositivos específicos, como matrizes, punções e ferramentas de conformação, para direcionar o material durante o dobramento. O dobramento guiado é amplamente utilizado na indústria devido à sua capacidade de produzir peças com geometrias complexas e precisas, garantindo um alto grau de repetibilidade. É comumente empregado em setores como a fabricação de estruturas metálicas, automotiva, aeroespacial e na produção de componentes eletrônicos. Dobramento Livre: No processo de dobramento livre, não há nenhum tipo de guia ou controle externo aplicado ao material durante o dobramento. Nesse processo, a flexibilidade do material é explorada para que ele se dobre naturalmente sem a necessidade de dispositivos adicionais. O dobramento livre é comumente utilizado em atividades artísticas, na produção de peças artesanais, em trabalhos manuais e na criação de protótipos. Ensaio de Dobramento e Flexão Aplicação dos ensaios de dobramento • Ensaio de dobramento em corpos de provas soldados • O ensaio de dobramento em corpos de prova soldados, retirados de chapas ou tubos soldados, é realizado geralmente para a qualificação de profissionais que fazem solda (soldadores) e para avaliação de processos de solda. Tipos de processo de Dobramento Dobramento Semiguiado: Orientação parcial do material durante o dobramento, mas sem o uso de dispositivos de conformação rígidos. Nesse caso, o operador ou as ferramentas exercem um controle parcial sobre o trajeto do material durante o processo de dobramento. É frequentemente utilizado em situações em que é necessária uma adaptação do processo às características específicas da peça, como na produção artesanal, prototipagem rápida e produção de peças únicas. Ensaio de Dobramento e Flexão Dobramento Livre: No processo de dobramento livre, não há nenhum tipo de guia ou controle externo aplicado ao material durante o dobramento. Nesse processo, a flexibilidade do material é explorada para que ele se dobre naturalmente sem a necessidade de dispositivos adicionais. O dobramento livre é comumente utilizado em atividades artísticas, na produção de peças artesanais, em trabalhos manuais e na criação de protótipos. Ensaio de Dobramento e Flexão Dobramento Guiado: No processo de dobramento guiado, são utilizados dispositivos específicos, como matrizes, punções e ferramentas de conformação, para direcionar o material durante o dobramento. O dobramento guiado é amplamente utilizado na indústria devido à sua capacidade de produzir peças com geometrias complexas e precisas, garantindo um alto grau de repetibilidade. É comumente empregado em setores como a fabricação de estruturas metálicas, automotiva, aeroespacial e na produção de componentes eletrônicos. Ensaio de Dobramento e Flexão Aplicação dos ensaios de dobramento Ensaio de dobramento em corpos de provas soldados Na avaliação da qualidade da solda costuma-se medir o alongamento da face da solda. O resultado serve para determinar se a solda é apropriada ou não para uma determinada aplicação. Ensaio de Flexão Ensaios de Flexão Introdução O ensaio de flexão é realizado em materiais frágeis e em materiais resistentes, como o ferro fundido, alguns aços, estruturas de concreto e outros materiais que em seu uso são submetidos a situações onde o principal esforço é o de flexão. Ensaio de Flexão Generalidades do ensaio A montagem do corpo de prova para o ensaio de flexão é semelhante à do ensaio de dobramento. A novidade é que se coloca um extensômetro no centro e embaixo do corpo de prova para fornecer a medida da deformação que chamamos de flexa, correspondente à posição de flexão máxima. Ensaio de Dobramento e Flexão Generalidades do ensaio Nos materiais frágeis, as flexas medidas são muito pequenas. Consequentemente, para determinar a tensão de flexão, utilizamos a carga que provoca a fratura do corpo de prova. Ensaio de Dobramento e Flexão Propriedades mecânicasavaliadas O ensaio de flexão fornece dados que permitem avaliar diversas propriedades mecânicas dos materiais. Uma dessas propriedades é a tensão de flexão. A tensão de flexão é influenciada pelo momento fletor e pelo momento de inércia e o módulo da resistência transversal. Ensaio De Flexão Propriedades mecânicas avaliadas Momento fletor O produto da força pela distância do ponto de aplicação da força ao ponto de apoio origina o que chamamos de momento, que no caso da flexão é o momento fletor (Mf). Ensaio de Dobramento e Flexão Propriedades mecânicas avaliadas Momento de inércia. Ensaio de Flexão Módulo da resistência transversal. Este módulo significa para a flexão o mesmo que a área da seção transversal significa para a tração. O valor deste módulo é conhecido dividindo-se o valor do momento de inércia (J) pela distância da linha neutra à superfície do corpo de prova (c). Slide 1: ENSAIOS MECÂNICOS Slide 2: FLUÊNCIA Slide 3: FLUÊNCIA Slide 4: FLUÊNCIA Slide 5: FLUÊNCIA Slide 6: Ensaio de Fluência Slide 7: Curva Típica Slide 8: Efeito da Tensão e da Temperatura Slide 9 Slide 10: Efeito da Temperatura e da Tensão sobre a Fluência Slide 11: NORMAS PARA ENSAIO DE FLUÊNCIA Slide 12: Outros Fatores que afetam a fluência em metais Slide 13: Fluência em materiais poliméricos Slide 14 Slide 15: ENSAIO DE TORÇÃO Slide 16: ENSAIO DE TORÇÃO Slide 17: ENSAIO DE TORÇÃO Slide 18: EXEMPLO DE TORÇÃO Slide 19: ENSAIO DE TORSÃO Slide 20: ENSAIO DE TORÇÃO Slide 21: Normas para a Realização do Ensaio de Torção Slide 22: Principais Vantagens do Ensaio de Torção Slide 23: ENSAIO DE DOBRAMENTO Slide 24: Avaliação da Resistência e Ductilidade dos Materiais Slide 25: O que é o Ensaio de Dobramento? Slide 26: Tipos de processo de Dobramento Slide 27: Ensaio de Dobramento e Flexão Slide 28: Tipos de processo de Dobramento Slide 29: Ensaio de Dobramento e Flexão Slide 30: Ensaio de Dobramento e Flexão Slide 31: Ensaio de Dobramento e Flexão Slide 32: Ensaio de Flexão Slide 33: Ensaio de Flexão Slide 34: Ensaio de Dobramento e Flexão Slide 35: Ensaio de Dobramento e Flexão Slide 36: Ensaio De Flexão Slide 37: Ensaio de Dobramento e Flexão Slide 38: Ensaio de Flexão