Prévia do material em texto
UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA DIREITO JÚLIA DA SILVA BARBOSA 210355 A CONCRETIZAÇÃO DA ÉTICA E MORAL DIANTE Á SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA Dissertação Guarujá 2021 Júlia da Silva Barbosa A CONCRETIZAÇÃO DA ÉTICA E MORAL DIANTE Á SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA Trabalho entregue para a obtenção de parte da nota da Disciplina de Direito, turma 2021/A. Prof: Adriana Straub. Guarujá 2021 Sumário 1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 1.1 Direito à vida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 1.2 Restrições do direito à vida: a saúde da gestante. . . 7 2 Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 1 Introdução Em primeiro lugar, desde a Idade Média cujo período foi marcado por aflição e trevas, a moral e ética estavam concomitantemente com o pensamento e ações do indivíduo. No período, o qual a igreja católica dominava a economia, a sociedade e principalmente a política era-se cobrado da mesma, a adoração a Deus e quem não a fizesse, iria para o inferno e poderia ser praticada a sua execução, e em alguns casos até a difamação estava incluída aos que eram chamados de “hereges”. Devido as condições da época, era preferível apenas aceitar a catequização como forma de salvação da própria vida, e também, precisava-se viver de acordo com as regras impostas pela ética cristã. Ademais, atualmente o conceito de ética e moral está mais presente em nossas vidas pois se torna mais fácil graças a tecnologia e assim, é pode-se afirmar que todo individuo influência outro. Por exemplo, há um grupo de 4 amigas e todas elas estão escutando música, quais as chances das 4 estarem escutando o mesmo estilo de música ou até mesmo o mesmo artista? Por meio deste exemplo podemos dizer que é por meio de costumes e comportamentos que uma sociedade é construída. A mesma pode-se viver em conjunto e por meio da integração que salienta medidas para o seu convívio, chamando-as de regras, nas quais contribuem para as suas relações interpessoais. Porém nem sempre, as regras são de fato cumpridas, ocasionando inúmeras questões. Cabe a nós julgamos os outros por não as cumprir? É praticado por nós, a ética e a moral quando fazemos isso? 1.1 Direito à vida O direito à vida está constantemente em pauta nos últimos tempos, apresentando relatividade quanto aos direitos fundamentais. Porém, esses determinados direitos não eram oficialmente positivados nas constituições, apenas sendo reconhecidos em 1948 juntamente com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, desde então, a vida foi concretizada como a supremacia máxima de todos os direitos. Outrossim, os direitos fundamentais tiveram sua evolução ao longo do tempo com diversas dimensões de cunho histórico como a Revolução Francesa a qual teve marco da Declaração dos direitos do homem e do cidadão e também pelo povo francês que lutou pela liberdade e pelos seus direitos civis, questionando e desafiando o Estado. As grandes mudanças intelectuais proporcionaram a segunda dimensão, marcada pelo direito social. O direito social questiona o valor da igual e da desigualdade dos menos favorecidos, dessa forma pressionando o Estado sobre os direitos positivos: saúde, educação, moradia, entre outros. O Estado, portanto, começou a prover a todos de forma justa esses direitos para que a sociedade viva de maneira integra e digna, como é mostrado no artigo 5° da Constituição Federal, alguns deles são: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: · I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; · II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; · III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; · IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; · V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; · VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; · VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; · VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; · IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; · X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; · XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; · XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; · XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer; · XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional; · XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens; · XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; · XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar; · XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; · XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado; · XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado; · XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente; · XXII - é garantido o direito de propriedade; · XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; Em suma, os direitos fundamentais do ser humano desfrutaram da sua evolução e seu surgimento gradativamente e historicamente desde o século XVIII na Revolução Francesa, como vimos anteriormente. Com o surgimento do direito social, temos que o direito à vida é uma arguição inviolável vista no artigo 5° a qual nos proporciona a proteção da vida, e o direito de viver. Sesta forma, convém afirmarmos que esse direito também é capaz de nos proporcionar uma vivência digna como cidadãos. 1.2 Restrições do direito à vida: a saúde da gestante Uma das exceções ao direito à vida é o aborto legalizado. Um assunto extremamente polêmico que é possível ser discutido a partir de inúmeros pontos de vista, tendo relação não só ao direito, mas também com a ética, moral. Para o Código Penal brasileiroa vida se dá início desde a fecundação, aplicando-se assim a proteção da vida e tendo como consequência a ilegalização do aborto. Veja nos seguintes artigos do Código Penal: · Art.123- Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento. · Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena - detenção, de um a três anos. · Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante: Pena - reclusão, de três a dez anos. · Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante: Pena - reclusão, de um a quatro anos. · Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência. · Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em consequência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte. Ademais há várias teorias não oficiais sobre o aborto, a primeira diz que o feto tem direito de sobreviver desde a sua formação no zigoto, desta forma, proibindo o aborto. A segunda, a qual é favor, a mulher se torna responsável pelas suas próprias ações possuindo poder de escolha, se irá abortar ou não. Por fim, a última, que defende o pensamento do não posicionamento da Constituição a respeito. Entretanto, em algumas circunstâncias, há a interrupção da gestação em casos de: aborto terapêutico (é de vida importância dizer que nas situações da ocorrência de aborto terapêutico a rede de saúde pública tem como dever dar suporte a gestante) ou necessário, e em último caso para salvar a vida gestante. Para tornar mais justificável a realização do aborto, iremos avaliar alguns dados trazidos pela Organização Mundial da Saúde. De acordo com a mesma em 2013, 33 mulheres morriam por hora no mundo todo por motivos de complicações na gravidez. A OMS também nos apresenta que 1 quarto da mortalidade dessas mães foi causada por doenças crônicas que acabam adquirindo até mesmo na gestação como diabetes, pressão alta, obesidade entre outras. O mesmo órgão vem considerando que nas últimas décadas houve poucos investimentos, a fim de, evitar a gravidez na adolescência e consequentemente, a realização de abortos ou surgimentos de doenças como a AIDS e para a redução da mortalidade das mães. Portando, como uma solução plausível e lógica para poupar a saúde da saúde da gestante e do feto, é o significante investimento do ministério da saúde juntamente com a ajuda das mídias digitais para com a influência no uso de métodos contraceptivos, e também da implementação da educação sexual na grade das instituições de ensino como disciplina obrigatória. Desta forma, problemas futuros não irão surgir, por exemplo, para a mulher o aparecimento de doenças crônicas (como já abordado anteriormente) e a gravidez indesejada, além de, promover a conscientização da população perante a importância da prevenção sexual. 2 Conclusão Temos que, no caso de Maria da Silva há complicações sendo elas relacionadas ao comprometimento a sua saúde e a saúde do bebê, devido a Síndrome de Edwards. Essa síndrome causa malformações múltiplas, retardo mental do feto, além da taxa de óbito (43%) ser extremamente elevada. Como vimos ao decorrer da pesquisa em alguns casos o aborto pode ser legalizado caso haja risco da saúde da mulher, porém, nesse caso o feto está em uma posição maior de risco do que a gestante, o que nos deixa em um beco sem saída pois não existe nenhuma lei que permite a realização do aborto se a saúde da criança está em perigo. A complicação se encontra no fato de Maria já estar com 20 semanas, ou seja, quase 5 meses. Isso significa que o feto está no processo de desenvolvimento dos sentimentos cerebrais (5 sentidos) basicamente a criança está começando a ter vontade e consciência própria. Ademais, a mãe não quer fazer isso, seja por seus princípios morais, religião, etc. Mas, supondo que ela não aborte, e a criança nasça, a síndrome pode deixar várias sequelas comprometendo o seu nervoso central como alteração na morfologia cerebral e dos giros cerebrais, o aparecimento de anomalias do corpo caloso e hidrocefalia, entre outras. Portanto, seguindo a ética e a lógica torna-se aceitável interromper a gravidez segundo as orientações dos médicos, pois a probabilidade da criança não sobreviver é alta, além de poupar a criança evitando problemas futuros tais quais as sequelas. 3 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS EDILMA, Felix Ribeiro. Ética e moral e sua influência na sociedade. JUS, 23 de dezembro. De 2014. Disponível em Acesso em: 18 de maio. de 2021. BARBOSA, Gabriela. A vida como direito humano. JUS, 6 de fevereiro. De 2018. Disponível em . Acesso em :18 de maio. de 2021. SEDICIAS, Sheila. Desenvolvimento do bebê - 20 semanas de gestação. TUA SAÚDE, maio. de 2021. Disponível em Acesso em: 21 de maio de 2021. DIREITO à vida. WIKIPÉDIA, 17 de maio. de 2019. Disponível em Acesso em: 19 de maio. de 2021. COMPLICAÇÃO na gravidez causa 33 mortes por hora no mundo. VEJA, 6 de maio. de 2014. Disponível em . Acesso em: 19 de maio. de 2021. SÍNDROME de Edwards. WIKIPÉDIA, 17 de novembro. De 2020. Disponível em Acesso em: 21 de maio. de 2021.