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FACULDADE ÚNICA 
DE IPATINGA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Enrique Carlos Natalino 
 
Doutor em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) (2020). Tem 
doutorado-sanduíche no German Institute of Global and Area Studies (Alemanha). Possui 
Mestrado em Administração Pública pela Escola de Governo da Fundação João Pinheiro 
(2011). É graduado em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) 
(2006). Tem experiência docente como professor nos cursos de Direito, Administração, 
Economia e Relações Internacionais da Pontíficia Universidade Católica de Minas Gerais 
(PUC-MG) e da Faculdade de Direito Novos Horizontes. 
 
Wanda Maria de Faria 
 
Mestre em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), graduada 
em Educação Física pelo Centro Universitário de Leste de Minas Gerais (UNILESTE), 
especializada em Docência do Ensino Superior pela Universidade Cândido Mendes 
(UCAM), Especializada em Tutoria pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). É 
coordenadora do curso de Educação Física Licenciatura e Bacharelado em EaD, 
professora desde 2017, atuando nos cursos de Educação Física Licenciatura e 
Bacharelado e supervisora de Estágio dos cursos de Educação Física Licenciatura e 
Bacharelado da Faculdade Única de Ipatinga/MG. Tem experiência no ensino superior no 
curso de Educação Física Licenciatura e Bacharelado, Educação à Distância em 
Pedagogia e na área de Educação Física escolar. 
 
ÉTICA E CIDADANIA 
 
 
ÉTICA E CIDADANIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2ª edição 
Ipatinga – MG 
2022 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
FACULDADE ÚNICA EDITORIAL 
 
Diretor Geral: Valdir Henrique Valério 
Diretor Executivo: William José Ferreira 
Ger. do Núcleo de Educação a Distância: Cristiane Lelis dos Santos 
Coord. Pedag. da Equipe Multidisciplinar: Gilvânia Barcelos Dias Teixeira 
Revisão Gramatical e Ortográfica: Naiana Leme Camoleze 
Revisão/Diagramação/Estruturação: Bárbara Carla Amorim O. Silva 
 Carla Jordânia G. de Souza 
 Rubens Henrique L. de Oliveira 
Design: Brayan Lazarino Santos 
 Élen Cristina Teixeira Oliveira 
 Maria Luiza Filgueiras 
 
 
 
 
 
 
 
 
© 2021, Faculdade Única. 
 
É proibida a reprodução total ou parcial deste livro em qualquer meio sem autorização 
escrita do editor. 
 
 
 
T314i 
 
 
Teodoro, Jorge Benedito de Freitas, 1986 - . 
Introdução à filosofia / Jorge Benedito de Freitas Teodoro. – 1. ed. Ipatinga, MG: 
Editora Única, 2020. 
113 p. il. 
 
Inclui referências. 
 
ISBN: 978-65-990786-0-6 
 
1. Filosofia. 2. Racionalidade. I. Teodoro, Jorge Benedito de Freitas. II. Título. 
 
CDD: 100 
CDU: 101 
Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Melina Lacerda Vaz CRB – 6/2920. 
 
 
 
 
 
NEaD – Núcleo de Educação as Distancia FACULDADE ÚNICA 
Rua Salermo, 299 
Anexo 03 – Bairro Bethânia – CEP: 35164-779 – Ipatinga/MG 
Tel (31) 2109 -2300 – 0800 724 2300 www.faculdadeunica.com.br
http://www.faculdadeunica.com.br/
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
 
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aplicado ao longo do livro didático, traremos ícones ao lado dos textos. Eles são para 
chamar a sua atenção para determinado trecho do conteúdo, cada um com uma 
função específica, mostradas a seguir: 
 
 
 
São sugestões de links para vídeos, documentos 
científico (artigos, monografias, dissertações e teses), 
sites ou links das Bibliotecas Virtuais (Minha Biblioteca e 
Biblioteca Pearson) relacionados com o conteúdo 
abordado. 
 
Trata-se dos conceitos, definições ou afirmações 
importantes que você deve ter um maior grau de 
atenção! 
 
São exercícios de fixação do conteúdo abordado em 
cada unidade do livro. 
 
É para o esclarecimento do significado de 
determinados termos/palavras mostrados ao longo do 
livro. 
 
Este espaço é destinado à reflexão sobre questões 
citadas em cada unidade, para associação com suas 
ações, seja no ambiente profissional ou em seu 
cotidiano. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
 
SUMÁRIO 
ÉTICA E MORAL: CONCEITOS E EVOLUÇÃO HISTÓRICA ......................... 8 
1.1 O QUE É ÉTICA E MORAL? ...................................................................................... 8 
1.2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS CONCEITOS ............................................................ 9 
1.3 A RELAÇÃO ENTRE ÉTICA E MORAL ..................................................................... 11 
FIXANDO O CONTEÚDO ...................................................................................... 15 
ÉTICA E MORAL NAS RELAÇÕES SOCIAIS .............................................. 20 
2.1 ÉTICA, MORAL E DIREITO ...................................................................................... 20 
2.2 ÉTICA NA POLÍTICA .............................................................................................. 23 
2.3 ÉTICA DAS CONVICÇÕES E ÉTICA DA RESPONSABILIDADE .............................. 25 
FIXANDO O CONTEÚDO ....................................................................................... 29 
ÉTICA, MORAL E POLÍTICA: A CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA ............. 34 
3.1 O CONCEITO DE CIDADANIA E SUA EVOLUÇÃO HISTÓRICA ........................... 34 
3.2 CIDADANIA E DIREITOS FUNDAMENTAIS ............................................................ 39 
3.3 A CIDADANIA NO MUNDO GLOBALIZADO ........................................................ 41 
FIXANDO O CONTEÚDO ....................................................................................... 48 
DESAFIOS DO EXERCÍCIO DA CIDADANIA NO BRASIL ......................... 53 
4.1 A CONSOLIDAÇÃO DA DEMOCRACIA APÓS 1988 ........................................... 53 
4.2 OS DESAFIOS PARA O EXERCÍCIO PLENO DA CIDADANIA ............................... 55 
4.3 A CIDADANIA E AS DESIGUALDADES SOCIAIS .................................................. 57 
FIXANDO O CONTEÚDO ....................................................................................... 61 
ÉTICA NAS RELAÇÕES DE TRABALHO: O CÓDIGO DE ÉTICA 
PROFISSIONAL ......................................................................................... 65 
5.1 ÉTICA, MERCADO E INSTITUIÇÕES ....................................................................... 65 
5.2 A RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS ORGANIZAÇÕES ....................................... 66 
5.3 ÉTICA NAS BUROCRACIAS PÚBLICAS E PRIVADAS............................................. 68 
5.4 O CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL .................................................................. 70 
5.5 ÉTICA E CIDADANIA NAS RELAÇÕES DE TRABALHO .......................................... 74 
FIXANDO O CONTEÚDO ....................................................................................... 77 
ÉTICA PROFISSIONAL NA EDUCAÇÃO FÍSICA ....................................... 81 
6.1 CARTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO FÍSICA ......................................................... 84 
6.2 CÓDIGO DE ÉTICA - RESOLUÇÃO CONFEF Nº 307/2015 ................................... 91 
6.3 O CÓDIGO DE ÉTICA............................................................................................ 94 
FIXANDO O CONTEÚDO ..................................................................................... 101 
RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO ............................................. 106 
REFERÊNCIAS ......................................................................................... 107 
 
 
UNIDADE 
01 
 UNIDADE 
02 
 UNIDADE 
03 
 UNIDADE 
04 
 UNIDADE 
05
2 
 
UNIDADE 
06 
6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
 
CONFIRA NO LIVRO 
 
A Unidade 1 aborda a definiçãoA concepção moderna de cidadania se baseia em valores do ideário 
iluminista. Em primeiro lugar, não considera as diferenças concretas entre as pessoas. 
Assim, seria suficiente o afastamento do Estado para que sejam realizados os valores 
sociais. Em segundo lugar, não considera as oposições existentes dentro da própria 
sociedade. Bastaria a igualdade de fato, sem considerações sobre as desigualdades 
de fato que existem nas ruas. 
Na concepção tradicional de cidadania, o Estado concentra em si o poder 
da violência legitimada. Os indivíduos, por sua vez, têm uma participação política 
periférica. Onde está presente o Estado, não haveria espaço para o indivíduo. A 
participação política, nessa concepção liberal, seria restrita a ocasiões determinadas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
40 
 
 
nas quais o cidadão é chamado a votar. A realização da cidadania, portanto, 
dependeria de formalismos e burocracias e há um espaço muito pequeno para 
participação. Do mesmo modo, é o Estado quem definiria os direitos do cidadão, 
numa relação hierárquica entre quem dita as regras e quem obedece. 
Essa visão vem sendo solapada por uma série de ineficácias e déficits de 
atuação do Estado de Direito. Em seu lugar, tem-se construído uma nova concepção 
de cidadania, com atuação proativa na construção dos espaços sociais. A 
cidadania, nessa concepção, pertenceria à sociedade civil e seria exercida como 
atividade realizadora de mecanismos que permitissem o acesso a direitos 
fundamentais. Há a ideia de efetividade de poucos bens ao invés da universalidade 
de muitos direitos. O que se valoriza é a experiência pragmática de justiça, provida 
não apenas pelo Estado, mas por organizações do Terceiro Setor. 
Diante da incapacidade do Estado de atendar às necessidades sociais, os 
atores sociais exerceriam papel auxiliar no provimento de bens públicos. A nova ideia 
social rompe o verticalismo do poder. Há um horizontalismo no qual a sociedade 
assume o papel do Estado nas políticas sociais. 
A noção de cidadania não se baseia mais em parâmetros formais da teoria 
tradicional. Cidadania, hoje, tem um sentido ético-filosófico de acesso à dignidade 
da pessoa humana. O Estado não é suficiente como agente produtor de justiça e 
como promotor do bem-estar social. Em um contexto de esvaziamento do papel 
agregador do estado, são necessários outros agentes na afirmação da cidadania e 
na garantia de acesso a condições dignas de vida. 
Apesar dos padrões cada vez mais individualistas de comportamento moral, 
responsável por certa apatia global diante das injustiças, da miséria e da guerra, há 
reações importantes em curso no sentido de ampliar o engajamento e a 
participação da sociedade na vida pública. 
A democracia é o espaço privilegiado de exercício da cidadania. Administra 
os interesses gerais da coletividade e aperfeiçoa a racionalidade pública. Essa 
problemática constitui fonte de preocupação para filósofos, antropólogos, cientistas 
políticos, sociólogos e estudantes de todas as áreas. 
O atual estágio de evolução humana consegue avançar, pela emergente 
engenharia genética, até mesmo na manipulação dos caracteres hereditários da 
constituição da espécie. Há enorme risco de que se introduzam na natureza humana, 
modificações que suprimam ou significativamente reduzam as suas características 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
41 
 
 
transcendentes, criando condições para que se perpetue esse intransitivo 
consumismo tecnológico de um novo tipo humano, cuja descartabilidade passe a 
fazer parte de sua natureza. 
 
3.3 A CIDADANIA NO MUNDO GLOBALIZADO 
A ideia de cooperação norteia a nova sociedade global. A busca da 
resolução de problemas comuns da humanidade induz às nações a ampliar o 
compartilhamento de informações e a procurar caminhos para a superação de 
flagelos comuns como a fome, as guerras, a pobreza e a miséria. 
Essa interdependência entre Estados nacionais também trouxe novos desafios 
para a sociedade civil em âmbito internacional. Com a diluição da soberania e a 
interconexão entre as economias, os Estados perderam o monopólio do seu poder 
de balizar a vida política e econômica. Nesse sentido, amplia-se, cada vez mais, o 
espaço de ação dos cidadãos na esfera pública para expressar suas ideias e seus 
interesses, intercambiando informações e buscando alcançar objetivos comuns. 
O crescimento das Organizações Não Governamentais, em escala mundial, é 
uma expressão dessa abertura do espaço público para novos atores não estatais. 
Cada vez mais, eles desempenham papéis relevantes nas sociedades, interferindo 
na política e na economia de diversas formas. A globalização econômica e a 
revolução tecnológica fortaleceram o papel dessas instituições nas mais variadas 
searas da vida das nações. 
O contato cada vez mais estreito entre cidadãos de várias nacionalidades e 
a coincidência de interesses entre povos que vivem em espaços políticos distintos, 
pavimenta o caminho para o surgimento de uma verdadeira sociedade global e de 
uma autêntica cidadania mundial. Portanto, hoje já se pode falar no surgimento de 
um sentimento cidadão em escala planetária, alavancado pelas novas tecnologias, 
pelas ferramentas de comunicação, pelas redes sociais e pelo poder cada vez maior 
das organizações não governamentais. 
O surgimento de uma governança global também impacta na formação do 
sentimento de cidadania. Organizações não governamentais, mais do que os 
Estados e as empresas, conseguem mobilizar os cidadãos em defesa dos interesses 
de certas pautas políticas, econômicas e sociais: o meio ambiente, os direitos 
humanos, o desarmamento, o comércio justo, o respeito aos animais, a defesa de 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
42 
 
 
minorias etc. 
Essas organizações influenciam não apenas as pautas políticas nacionais, mas 
também na agenda das organizações internacionais. Um exemplo dessa 
participação da sociedade civil tem sido observado nas conferências internacionais 
sobre ambiente e sustentabilidade, como a Rio-92, a Rio +20 e a Conferência de Paris, 
nas quais o envolvimento de grupos de ambientalistas, empresários, trabalhadores, 
acadêmicos e cientistas tem sido cada vez maior. Pautas como meio ambiente e 
direitos humanos atravessam as fronteiras e aproximam os cidadãos. São temas que 
possuem uma dimensão local, mas também global, gerando a mobilização da 
cidadania. 
Como lidar com os desafios da cidadania global sem instituições adequadas 
para balizá-los? A cidadania nasceu como um conceito inerente à ordem interna 
dos Estados, mas se torna cada vez mais atrelado a uma perspectiva global. A 
formação de uma opinião pública mundial interconectada com os desafios do 
presente traz grandes dilemas para a democracia e para a governabilidade 
contemporâneas. 
A fraqueza dos mecanismos decisórios e a ausência de espaços para a 
atuação da sociedade civil organizada é um problema. Inexiste, por exemplo, um 
parlamento mundial que vocalize as vozes dos cidadãos do mundo. Da mesma 
forma, não há um poder mundial capaz de implementar decisões coletivas de forma 
coesa e organizada no espaço terrestre. A diluição da soberania dos Estados e o 
enfraquecimento do poder das instituições nacionais, ao mesmo tempo em que abre 
espaço para a atuação da sociedade civil, não traz soluções para os novos 
paradigmas da sociedade internacional. 
Nesse sentido, surge a necessidade de institucionalização da cidadania e de 
buscar soluções políticas para lidar com os desafios da globalização econômica e 
da revolução tecnológica. O sistema de governança global se torna cada vez mais 
complexo: Estados nacionais, organizações governamentais, empresas 
transnacionais, organizações não governamentais, imprensa, indivíduos etc. Há uma 
pluralidade de instituições que interagem em escala planetária e que interferem na 
formação de uma cidadania mundial. 
Buscando superar os paradigmas tradicionais de funcionamentodos Estados 
nacionais, as organizações supranacionais desenvolveram mecanismos institucionais 
de governança regional, como parlamentos e tribunais, de modo a abrigar a 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
43 
 
 
vontade dos cidadãos numa escala territorial maior. 
O problema central da governabilidade em escala mundial é o da 
legitimidade das instituições. A ideia de legitimidade se relaciona com a noção de 
representação do poder, de defesa dos direitos fundamentais e de segurança 
jurídica. Em outras palavras, a justificação do poder se baseava na capacidade do 
Estado de assegurar segurança, justiça, ordem, paz e liberdade para que os 
cidadãos buscassem viver suas vidas. 
 
 
 
Em um mundo cada vez mais marcado pela produção de riqueza em escala 
gigantesca e de intensos fluxos financeiros, os Estados nacionais perderam a 
capacidade de assegurar desenvolvimento econômico, reduzir as desigualdades 
sociais e promover o bem-estar coletivo. A intensificação da globalização deu ênfase 
aos processos de integração econômica e política, mas não avançou 
adequadamente no que diz respeito à ampliação dos espaços de participação 
democrática em escala mundial. 
Os Estados nacionais, portanto, não são mais capazes de assegurar a 
cidadania em escala global. Com a globalização e o aumento da 
interdependência, o cumprimento de suas funções tradicionais - garantir a paz, a 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
44 
 
 
segurança, a liberdade e o bem-estar – tem sido cada vez mais delegada e 
compartilhada por instituições intergovernamentais e supranacionais. Com a 
ampliação das assimetrias entre as nações desenvolvidas e em desenvolvimento, é 
preciso cada vez mais pensar em mecanismos de redução das desigualdades 
socioeconômicas, base do exercício da cidadania. 
A globalização trouxe prosperidade, mas não oportunidades iguais para 
todos. Ampliou a escala dos avanços tecnológicos, da integração regional e da 
produção de bens e serviços, mas não equalizou o acesso a eles. A ideia da 
democratização dos espaços globais de poder permanece ainda muito distante. 
Somente os Estados nacionais foram capazes, até hoje, de colocar em prática 
sistemas de governança democráticos. 
Embora busquem ampliar os espaços de poder para a sociedade civil global, 
as instituições internacionais ainda não conseguiram reproduzir, em escala global, os 
procedimentos institucionalizados que os Estados nacionais forjaram ao longo da 
História. Dessa forma, mesmo diante de um processo de globalização da cidadania, 
os Estados ainda permanecem como instâncias de intermediação entre o interno e 
o externo, entre o nacional e o internacional. 
Não se pode desprezar, ademais, o seu papel de conferir legitimidade aos 
mecanismos de governabilidade global. Como são responsáveis por administrar o 
território e a população dos Estados, suas funções clássicas ainda permanecem. 
Nessa direção, aos Estados cabe assegurar que a pluralidade, a diversidade e a 
responsabilidade estejam presentes na governança global. 
A cidadania não se limita mais aos Estados, mas ainda depende deles. 
Somente a legitimidade e a representatividade conferida por suas instituições 
garantem que os cidadãos possam participar ativamente da esfera pública. Os 
Estados, quando dotados de mecanismos de governança democrática, ampliam as 
possibilidades de controle das sociedades sobre o seu destino. 
Eles são, portanto, expressões políticas ainda relevantes para a viabilização do 
exercício da cidadania. Sem Estado não há garantia de direitos. E sem direitos não 
há capacidade de exercício da cidadania. Não existe no horizonte histórico do 
século XXI a possibilidade de se pensar em mundo sem Estados e no qual os cidadãos 
possam exercer uma cidadania global independente das lealdades nacionais. 
A ascensão dos indivíduos como atores globais e no exercício de uma cida-
dania global é um fenômeno novo. Os indivíduos, contudo, não existem por si 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
45 
 
 
mesmos, independentes de uma comunidade política mundial ou de várias 
comunidades políticas nacionais. Em última instância, os Estados só existem como 
instituições políticas, para proteger os indivíduos que nele habitam. Portanto, são eles 
a base da autoridade estatal. 
A própria ampliação das salvaguardas aos direitos fundamentais dos 
indivíduos cria as bases para a erosão posterior da autoridade do Estado. Aos 
indivíduos caberia, assim, não apenas exercer seus direitos e deveres no âmbito 
interno, mas fiscalizar os Estados em suas relações exteriores. A cidadania, nesse 
sentido, é o espaço por excelência do exercício do poder do indivíduo em face do 
Estado ou dos Estados. 
A existência de uma comunidade internacional reforça a ideia de uma 
cidadania global. Comunidades pressupõem não apenas uma coletividade, mas o 
compartilhamento de ideias e de valores acerca do funcionamento da sociedade. 
A comunidade se baseia na busca de uma identidade comum e da coincidência 
de visões de mundo sobre a organização do espaço global. O ideal de uma 
sociedade cosmopolita, na qual os Estados perdem a sua razão de ser permanece 
utópica e distante. 
Embora os direitos humanos tenham se tornado um tema cada vez mais 
central para a comunidade internacional de Estados, ainda há muito o que caminhar 
para que haja o reconhecimento do ser humano como o começo e o fim de todas 
as ações políticas nacionais e internacionais. Ou seja, a busca da salvaguarda da 
vida humana, em todas as suas esferas e dos meios de defender a liberdade, a 
igualdade e a fraternidade dos indivíduos permanece como um objetivo ideal de 
uma cidadania planetária. 
Matias (2014) argumenta que a comunidade global permanece como um 
objetivo possível no mundo contemporâneo, graças à globalização, à revolução 
tecnológica e aos fenômenos da integração econômica e política. A existência de 
ameaças globais à humanidade, como as mudanças climáticas, o terrorismo, as 
doenças e a miséria também constituem, na visão do autor, um poderoso instrumento 
de coesão mundial para turbinar uma cidadania planetária. 
A viabilidade dessa cidadania, no entanto, depende da existência de 
instituições e de espaços de poder compartilhados. A criação de uma sociedade 
civil global, nesse contexto, fortalece esse ideal comunitário e direciona a 
humanidade para o reconhecimento das ameaças e dos interesses comuns (MATIAS, 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
46 
 
 
2014). Quanto mais fortes, organizadas e legítimas forem essas instituições, mais força 
elas terão no mundo contemporâneo. A forma mais adequada de balizar 
expectativas e de encontrar soluções comuns para os problemas da humanidade é 
tornar a cidadania cada vez mais forte e institucionalizada. 
Diante da ausência de instituições, verdadeiramente, representativas e 
democráticas em âmbito mundial, os Estados ainda são chamados a atuar como 
pontes entre o local e o global no exercício de uma cidadania global. Na visão de 
Matias, “[...] se uma comunidade global vier um dia existir, ela deve ser 
acompanhada de instituições democráticas e do respeito à pluralidade, para 
assegurar a legitimidade de seu poder” (MATIAS, 2014, p. 519). 
Dessa forma, somente quando as instituições globais forem capazes de 
assegurar, com a mesma eficiência dos Estados, os direitos e as garantias 
fundamentais dos indivíduos, é que se poderá pensar numa esfera cidadã 
verdadeiramente global, legítima, plural, representativa e democrática. 
 
 
 
https://bit.ly/3e1kAh2
 
 
 
 
 
 
 
 
 
47 
 
 
 
 
Dicotomia: divisão em dois termos. 
Processo constituinte: redação de uma constituição. 
Tirania: governo em que a força prevalece sobre o dieito. 
Salvaguardar: garantir, proteger, afastar o perigo. 
Degeneração: piora do estado inicial, perda das características e propriedades. 
Faccionárias: está ligado às facções, ou seja, aos grupos de indivíduos unidos por umamesma causa ou luta. 
Formalismo: rigoroso, metódico, regrado. 
Caracteres: modo de cada indivíduo agir e reagir; personalidade, aspecto individual. 
Hereditários: recepção e doação por sucessão. 
Intransitivo: aquilo que não pode ser transmitido ou repassado para o outro. 
Interconexão: relação entre várias coisas, vários sistemas ou várias ideias. 
Balizar: guiar, orientar. 
Governança: ato de governo, governar. 
Decisórios: tomada de decisões. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
48 
 
 
FIXANDO O CONTEÚDO 
1. (Enem/2017) O conceito de democracia, no pensamento de Habermas, é cons-
truído a partir de uma dimensão procedimental, calcada no discurso e na 
deliberação. A legitimidade democrática exige que o processo de tomada de 
decisões políticas ocorra a partir de uma ampla discussão pública, para somente 
então decidir. Assim, o caráter deliberativo corresponde a um processo coletivo 
de ponderação e análise, permeado pelo discurso, que antecede a decisão. 
VITALE, D. Jürgen Habermas, modernidade e democracia deliberativa. Cadernos do CRH (UFBA), 
v. 19, 2006 (adaptado). 
 
O conceito de democracia proposto por Jürgen Habermas pode favorecer 
processos de inclusão social. De acordo com o texto, é uma condição para que 
isso aconteça o(a): 
 
a) participação direta periódica do cidadão. 
b) debate livre e racional entre cidadãos e Estado. 
c) interlocução entre os poderes governamentais. 
d) eleição de lideranças políticas com mandatos temporários. 
e) controle do poder político por cidadãos mais esclarecidos. 
 
2. (Enem/2016) A democracia deliberativa afirma que as partes do Conflito político 
devem deliberar entre si e, por meio de argumentação razoável, tentar chegar a 
um acordo sobre as políticas que seja satisfatório para todos. A democracia 
ativista desconfia das exortações à deliberação por acreditar que, no mundo real 
da política, onde as desigualdades estruturais influenciam procedimentos e 
resultados, processos democráticos que parecem cumprir as normas de 
deliberação geralmente tendem a beneficiar os agentes mais poderosos. Ela 
recomenda, portanto, que aqueles que se preocupam com a promoção de mais 
justiça devem realizar principalmente a atividade de oposição crítica, em vez de 
tentar chegar a um acordo com quem sustenta estruturas de poder existentes ou 
delas se beneficia. 
YOUNG, I. M. Desafios ativistas à democracia deliberativa. Revista Brasileira de Ciência Política, n. 
13, jan-abr. 2014. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
49 
 
 
As concepções de democracia deliberativa e de democracia ativista apresen-
tadas no texto tratam como imprescindíveis, respectivamente: 
 
a) a decisão da maioria e a uniformização de direitos. 
b) a organização de eleições e o movimento anarquista. 
c) a obtenção do consenso e a mobilização das minorias. 
d) a fragmentação da participação e a desobediência civil. 
e) a imposição de resistência e o monitoramento da liberdade. 
 
3. (Enem/2018). A tribo não possui um rei, mas um chefe que não é chefe de Estado. 
O que significa isso? Simplesmente que o chefe não dispõe de nenhuma 
autoridade, de nenhum poder de coerção, de nenhum meio de dar uma ordem. 
O chefe não é um comandante, as pessoas da tribo não têm nenhum dever de 
obediência. O espaço da chefia não é o lugar do poder. Essencialmente 
encarregado de eliminar conflitos que podem surgir entre indivíduos, famílias e 
linhagens, o chefe só dispõe, para restabelecer a ordem e a concórdia, do 
prestígio que lhe reconhece a sociedade. Mas evidentemente prestígio não 
significa poder, e os meios que o chefe detém para realizar sua tarefa de 
pacificador limitam-se ao uso exclusivo da palavra. 
CLASTRES, P. A sociedade contra o Estado. Rio de Janeiro. Francisco Alves, 1982 (adaptado). 
 
O modelo político das sociedades discutidas no texto contrasta com o do Estado 
liberal burguês porque se baseia em: 
 
a) Imposição ideológica e normas hierárquicas. 
b) Determinação divina e soberania monárquica. 
c) Intervenção consensual e autonomia comunitária. 
d) Mediação jurídica e regras contratualistas. 
e) Gestão coletiva e obrigações tributárias. 
 
4. (Enem/2016). Quanto mais complicada se tornou a produção industrial, mais 
numerosos passaram a ser os elementos da indústria que exigiam garantia de 
fornecimento. Três deles eram de importância fundamental: o trabalho, a terra e 
o dinheiro. Numa sociedade comercial, esse fornecimento só poderia ser 
organizado de uma forma: tornando-os disponíveis à compra. Agora eles tinham 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
50 
 
 
que ser organizados para a venda no mercado. Isso estava de acordo com a 
exigência de um sistema de mercado. Sabemos que em um sistema como esse, 
os lucros só podem ser assegurados se se garante a autorregulação por meios de 
mercados competitivos interdependentes. 
POLANYI, K. A grande transformação: As origens de nossa época. Rio de Janeiro: Campus, 2000 
(Adaptado). 
 
A consequência do processo de transformação socioeconômica abordada no 
texto é a: 
 
a) expansão das terras comunais. 
b) limitação do mercado como meio de especulação. 
c) consolidação da força de trabalho como mercadoria. 
d) diminuição do comércio como efeito da industrialização. 
e) adequação do dinheiro como elemento padrão das transações. 
 
5. (Enem/2016). Hoje, a indústria cultural assumiu a herança civilizatória da 
democracia de pioneiros e empresários, que tampouco desenvolvera uma fineza 
de sentido para os desvios espirituais. Todos são livres para dançar e para se divertir, 
do mesmo modo que, desde a neutralização histórica da religião, são livres para 
entrar em qualquer uma das inúmeras seitas. Mas a liberdade de escolha da 
ideologia, que reflete sempre a coerção econômica, revela-se em todos os setores 
como a liberdade de escolher o que é sempre a mesma coisa. 
ADORNO, T HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: 
Zahar, 1985. 
 
A liberdade de escolha na civilização ocidental, de acordo com a análise do 
texto, é um(a): 
 
a) legado social. 
b) patrimônio político. 
c) produto da moralidade. 
d) conquista da humanidade. 
e) ilusão da contemporaneidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
51 
 
 
6. (FCC, 2018, adaptada). No que concerne à relação entre Direito e Estado, tal 
como a tematiza Hans Kelsen, é correto afirmar que o Estado: 
 
a) é uma ordem jurídica relativamente centralizada. 
b) é uma entidade metajurídica que precede a criação do Direito. 
c) considerado democrático e somente este é legítimo para produzir normas jurídi-
cas, pois reflete a justiça. 
d) é um grupo de pessoas unidas para a consecução de interesses comuns e o Direito 
é um corpo normativo que reflete a moral do povo. 
e) e Direito são duas coisas completamente distintas e não necessariamente 
relacionadas. 
 
7. (ENEM/2019) 
 
TEXTO I 
Os segredos da natureza se revelam mais sob a tortura dos experimentos do que 
no seu curso natural. 
BACON, F. Novum Organum, 1620. In: HADOT, P. O véu de Ísis: ensaio sobre a história da ideia de 
natureza. São Paulo: Loyola, 2006. 
 
TEXTO II 
O ser humano, totalmente desintegrado do todo, não percebe mais as relações 
de equilíbrio da natureza. Age de forma totalmente desarmônica sobre o 
ambiente, causando grandes desequilíbrios ambientais. 
GUIMARÃES, M. A dimensão ambiental na educação. Campinas: Papirus, 1995. 
 
Os textos indicam uma relação da sociedade diante da natureza caracterizada 
pela: 
 
a) objetificação do espaço físico. 
b) retomada do modelo criacionista. 
c) recuperação do legado ancestral. 
d) infalibilidade do método científico. 
e) formação da cosmovisão holística. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
52 
 
 
8. (ENEM/2019) O cristianismo incorporou antigas práticas relativas ao fogo para criar 
uma festa sincrética. A igreja retomou a distância de seis meses entre os 
nascimentos de Jesus Cristo e João Batista e instituiua data de comemoração a 
este último de tal maneira que as festas do solstício de verão europeu com suas 
tradicionais fogueiras se tornaram “fogueiras de São João”. A festa do fogo e da 
luz no entanto não foi imediatamente associada a São João Batista. Na Baixa 
Idade Média, algumas práticas tradicionais da festa (como banhos, danças e 
cantos) foram perseguidas por monges e bispos. A partir do Concílio de Trento 
(1545-1563), a Igreja resolveu adotar celebrações em torno do fogo e associá-las 
à doutrina cristã. 
CHIANCA, L. Devoção e diversão: expressões contemporâneas de festas e santos católicos. Revista 
Anthropológica, n. 18, 2007 (adaptado). 
 
Com o objetivo de se fortalecer, a instituição mencionada no texto adotou as 
práticas descritas, que consistem em: 
 
a) promoção de atos ecumênicos. 
b) fomento de orientações bíblicas. 
c) apropriação de cerimônias seculares. 
d) retomada de ensinamentos apostólicos. 
e) ressignificação de rituais fundamentalistas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
53 
 
 
DESAFIOS DO EXERCÍCIO DA 
CIDADANIA NO BRASIL 
 
 
 
 
“A democracia brasileira é uma plantinha tenra que precisa de 
muitos cuidados” 
Otávio Mangabeira 
4.1 A CONSOLIDAÇÃO DA DEMOCRACIA APÓS 1988 
O exercício da cidadania no Brasil está diretamente relacionado à vigência 
de um Estado Democrático de Direito, ao funcionamento das instituições, à 
realização de eleições livres e à difusão de uma educação voltada para o exercício 
da cidadania. Conforme atesta Carvalho (2004), o caminho da construção da 
cidadania no Brasil foi bastante tortuoso, mas pavimentou o caminho para uma 
democracia de massas no começo do século XXI. 
A conjuntura de crise econômica do Brasil, no final dos anos 1980 e início dos 
anos 1990, dificultou a implementação dos direitos assegurados na Constituição de 
1988, pois a realidade nacional e internacional era bastante adversa: maior dívida 
externa, restrições ao crédito, recessão econômica e competição internacional 
(BRASIL, 1988). Dessa forma, o modelo econômico brasileiro, baseado na substituição 
de importações e na forte intervenção estatal na economia, tornava-se cada vez 
mais obsoleto e incapaz de lidar com os desafios de um país com mais 150 milhões 
de habitantes à época. Do mesmo modo, a permanência de grupos que estiveram 
no poder durante os governos militares na ordem pós-ditatorial também criou 
impasses políticos para a maior participação popular e para a adoção de medidas 
mais ousadas no que concerne ao combate às desigualdades sociais. 
A agenda brasileira no começo da Nova República apontava para a 
necessidade de se edificar uma ordem constitucional capaz de afastar de vez o risco 
da ingovernabilidade pretoriana do horizonte nacional, isto é, uma eventual recaída 
autoritária. Dessa forma, a nova Constituição foi aprovada em um momento de 
mudança nas relações entre o Estado e a sociedade e de readaptação do papel 
do próprio Estado na economia. As ideias liberais sobre a abertura da economia, a 
reforma administrativa, as privatizações, a desregulamentação e o ajuste fiscal 
UNIDADE 
04 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
54 
 
 
também aportaram no Brasil nesse momento, pressionando por mudanças no 
modelo de organização do Estado e nas suas relações com a sociedade. 
 
 
 
O ponto central era a necessidade de abandono da herança patrimonialista 
brasileira e da forte dependência de setores econômicos e sociais em relação ao 
Estado. Nesse sentido, buscava-se uma repactuação das relações entre empresários, 
trabalhadores e o Estado, de modo a reduzir a dependência em relação ao 
corporativismo, ao protecionismo e às benesses governamentais. A fragilidade dos 
partidos políticos, sua pouca consistência ideológica e a ausência de mecanismos 
de intermediação de interesses tornaram difícil essa transição de modelo. 
Passado o clima de euforia democrática da Constituinte, o debate político 
transitou da questão participativa para a questão da eficiência governativa, 
centrando-se nos problemas de ingovernabilidade por sobrecarga de demandas 
sociais decorrente da crise de financiamento do setor público e da falência do 
modelo de desenvolvimento por substituição de importações. Reis (2007) chama a 
atenção para o modo como a globalização afetou dramaticamente os problemas 
da autoridade (construção de capacidade administrativa e simbólica do Estado 
para projetar presença e ação junto à coletividade no território nacional) e da 
igualdade (desafio da plena incorporação social da população, especialmente das 
camadas populares, para neutralizar conflitos e resolver o problema constitucional) 
nas sociedades modernas (REIS, 2007). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
55 
 
 
Após a Constituição de 1988 realizaram-se no Brasil oito eleições presidenciais 
diretas, além de eleições congressuais, estaduais e municipais periódicas, 
normalizando-se o ciclo eleitoral paralelamente à dispersão do eleitorado num 
quadro plural e multipartidário. A identificação do eleitor brasileiro com determinados 
partidos populares era um passo fundamental na direção da construção de 
identidades partidárias estáveis e da institucionalização da participação eleitoral das 
massas no processo político. 
Apesar dos inúmeros avanços verificados nos últimos trinta anos no que 
concerne à organização do Estado e à afirmação das franquias da democracia, 
Santos (1994) sustenta a tese da existência de um híbrido institucional no Brasil: haveria 
uma democracia formalizada que assiste a poucos, uma “minúscula mancha na 
turbulenta superfície do país”; e ao redor dela, imensos espaços de anomia onde não 
existe soberania ou controle democrático, mas múltiplos poderes transgressores 
concorrentes regidos pela lei do mais forte. 
 
 
 
4.2 OS DESAFIOS PARA O EXERCÍCIO PLENO DA CIDADANIA 
Apesar da existência formal de um Estado Democrático de Direito, a maioria 
dos indivíduos se abstém de recorrer ao Estado brasileiro para buscar soluções para 
seus conflitos, preferindo antes negar sua existência a admitir que sejam vítimas deles. 
Essa cidadania não intermediada por instituições democráticas, alienada 
eleitoralmente e refratária à participação alimenta uma cultura de dissimulação, 
violência difusa, enclausuramento e absoluto descrédito na eficácia do Estado em 
prover suas funções básicas (segurança, administração e justiça). O impacto de tal 
comportamento indiferentista abala mortalmente a cultura cívica e gera um senti-
mento de impotência que conduz à desconfiança e ao descrédito em relação à 
coisa pública. 
Assim, o problema constitucional do país ainda permanece em aberto, pois 
https://cutt.ly/wkmQeIG
https://cutt.ly/wkmQeIG
 
 
 
 
 
 
 
 
 
56 
 
 
não se concebe uma democracia estável que conviva com grande desigualdade 
social. Em outras palavras, existe um risco ainda não dimensionado de retrocesso 
institucional decorrente da ingovernabilidade evidenciada na deterioração do 
tecido social, no aumento da criminalidade e da violência urbanas, na ampliação 
de territórios dominados pelo poder paralelo e na descrença dos cidadãos em 
relação à justiça. Diante do desapreço de que gozam os direitos civis na cultura 
política convencional e da tolerância com as violações diuturnas aos direitos 
humanos, pregações autoritárias ainda continuam a amealhar simpatizantes em 
toda parte. 
Outro obstáculo ao exercício da cidadania no Brasil são as práticas 
patrimonialistas, isto é, a mistura entre interesses públicos e privados na gestão 
pública. O patrimonialismo é um modelo de dominação baseado em relações 
pessoais e em arbitrariedade, não em regras impessoais entre governantes e 
governados. Como observa Faoro (2000), a prática entrecorta toda a história 
brasileira desde a colonização portuguesa até a Independência, moldando a 
sociedade, a economia e as instituições do Estado. 
Qual a relação entre patrimonialismo e cidadania?Sabe-se que em 
sociedades nas quais o poder é exercido de forma tradicional, sem regras 
institucionalizadas, há grandes obstáculos para o desenvolvimento de liberdades 
individuais. O patrimonialismo concentra renda e poder, impedindo que a sociedade 
floresça e exerça plenamente os seus direitos. Os direitos e as garantias fundamentais, 
por sua vez, constituem as bases da democracia e de uma economia liberal. 
As instituições políticas do Império (1822-1889) e da República Velha (1889-
1930), emulando as tradições coloniais, também se caracterizaram pela presença de 
interesses de camada oligárquica no funcionamento da burocracia do Estado. Essa 
burocracia era elitista e acessível a poucos membros da população brasileira, 
sobretudo, em um contexto de escravidão. 
A existência de uma casta de funcionários públicos que vivia à sombra do 
Estado marca o patrimonialismo à brasileira. Esse “estamento burocrático”, na visão 
de Faoro (2000), constituía uma camada privilegiada e dependente de favores, 
benesses e sinecuras do Estado brasileiro. Desde a Colônia até a Independência, esse 
grupo social buscava se encastelar nas estruturas de poder para manter seus 
privilégios. Seu modo de funcionamento perpassava uma concepção personalista 
de exercício do poder, à sombra de um Estado centralizador e mercantilista (FAORO, 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
57 
 
 
2000). 
Após a modernização do Estado português, com as reformas pombalinas do 
século XVIII, buscou-se a modernização conservadora das instituições e da 
administração pública. Segundo Campante (2003), esse modelo de governança 
sobreviveu aos séculos e influenciou, decisivamente, a mentalidade política brasileira 
nos últimos três séculos. 
Tanto o Estado Novo quanto o Regime Militar, ao buscar a modernização 
autoritária da sociedade brasileira, foram influenciados por essa visão do Estado 
como o domínio de uma elite de sábios (CAMPANTE, 2003). A mesma lógica 
modernizadora autoritária sobrevive no funcionamento de instituições estatais até o 
presente momento, com ausência de mecanismos de controle e de transparência 
em instituições do Poder Executivo, do Poder Legislativo e do Poder Judiciário, nas 
três esferas federativas, bem como em organizações representativas de classe. 
A lógica do patrimonialismo e da modernização autoritária da sociedade, 
contudo, impede o reforço de um catálogo de liberdades fundamentais e de uma 
cultura política de accountability. Não se pode conceber uma democracia 
autêntica sem cidadãos conscientes, bem informados e capazes de exercer os seus 
direitos em face do Estado. E sem igualdade social e oportunidades para todos não 
se pode conceber um Estado verdadeiramente democrático. 
 
4.3 A CIDADANIA E AS DESIGUALDADES SOCIAIS 
A garantia de que todos os cidadãos possam usufruir de seus direitos e exigir 
que o Estado cumpra os seus deveres mantém viva a democracia. A superação das 
desigualdades sociais, nesse sentido, deve ser o objetivo central do Estado Brasileiro. 
Esta razão já seria suficiente para refletirmos sobre novos meios de acesso aos bens 
jurídicos como a saúde, a educação, o trabalho, a segurança, a cultura e o lazer, de 
forma a obrigar o Estado a planejar e garantir a execução de programas de metas 
comprometidos com a equalização das condições de vida dos brasileiros, desta e 
das futuras gerações. 
O papel de uma democracia é organizar o Estado para que se torne um 
“agente decisivo da eventual acomodação dos conflitos e da busca de objetivos 
comuns ou compartilhados de qualquer tipo” (REIS, 2007, p. 161). Ao tentar conciliar 
solidariedade e eficiência, ela permite, de um lado, o diálogo, a participação, a 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
58 
 
 
transparência e a incorporação dos grupos sociais e, de outro, a governabilidade, a 
capacidade de tomar decisões e a possibilidade real de implementá-las. 
O sistema democrático e institucional brasileiro vem sendo gradualmente re-
forçado com a consolidação de um elevado grau de institucionalização da 
competição pelo poder, a garantia de direitos e garantias fundamentais (liberdade 
de associação, liberdade de expressão, formação de novos partidos políticos, 
igualdade perante a lei), o crescimento do associativismo civil, a emergência de uma 
cultura política mais plural, a grande expansão eleitoral e a proliferação de 
organizações extra-partidárias entre os grupos de maior escolaridade. 
Nesse sentido, é importante ressaltar o papel da ordem jurídica brasileira em 
balizar o alcance da cidadania. A Constituição de 1988 trouxe como consequências 
mais relevantes o fortalecimento do Poder Legislativo, a reformulação da Federação, 
a salvaguarda dos direitos fundamentais e o empoderamento do Poder Judiciário. 
Houve ainda avanços relacionados à repartição de recursos entre Estados e 
Municípios, aos direitos dos servidores públicos e à organização do sistema de bem-
estar social. 
Dito isso, quais os caminhos a serem experimentados e perseguidos para que 
a jovem democracia brasileira se fortaleça nas décadas seguintes? A receita 
proposta por Santos (1994) é a universalização de um Estado mínimo eficaz, única 
saída viável para combater os poderes paralelos, as máfias descentralizadas, as 
punições aleatórias, a erosão das regras de convivência e a diluição dos laços de 
solidariedade que sustentam uma democracia. 
Já Reis (2007) aponta como saída um grande conjunto de reformas políticas 
que combine boas leis, regras e instituições para amadurecer a cultura democrática 
e fortalecer a identificação dos eleitores com os partidos políticos, aperfeiçoando o 
princípio da representatividade: fidelidade partidária, cláusulas de barreira, regras 
sobre coligações, combinação de princípios majoritários e proporcionais nas 
eleições, combinações de listas partidárias fechadas e flexíveis, financiamento 
público de campanha. Mas para viabilizar a universalização do Estado mínimo, como 
sugere Santos (1994), e garantir que uma representação mais autêntica se traduza 
em ações governamentais que democratizem a democracia, como quer Reis (2007), 
seria preciso prosseguir na reforma do Estado brasileiro. 
Como se percebe, muitos dos avanços da democracia brasileira podem ser 
explicados pelas melhorias institucionais que garantiram a estabilidade e a 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
59 
 
 
governabilidade do país nas últimas duas décadas. Contudo, falta completar a obra 
democratizadora com a expansão de uma cobertura estatal mínima para todo o 
universo social brasileiro capaz de alimentar a confiança nas instituições e fortalecer 
uma cultura cívica autêntica. Mas sem uma iniciativa reformista que torne o Estado 
mais moderno, eficiente, efetivo, transparente e responsável, não se conseguirá 
alcançar um patamar minimamente razoável de cobertura de toda a população 
por serviços públicos básicos que uma democracia moderna deve prover. 
 
 
 
Accountability: prestação de contas. 
Anomia: comportamento desvirtuoso ocorrido pela falta de leis. 
Conjuntura: sequência ou combinação de fatos e acontecimentos num mesmo momento; 
coincidência. 
Corporativismo: escola de pensamento em que os grupos e aglomerações de 
determinadas classes de profissionais são de extrema importância para a organização 
política, econômica e social. No entanto, esses grupos precisam estar subordinados ao 
Estado. 
Enclausuramento: refere-se à prisão, fechamento. 
Hiperinflação: aumento significativo dos índices de inflação. 
Institucionalização: transformação em instituição. 
Patrimonialista: refere-se ao patrimonialismo, ou seja, ao conceito de patrimonialismo 
desenvolvido por Max Weber, em que trata de um Estado onde não há limites entre o que 
é considerado público e o que é considerado privado. 
https://bit.ly/3qSgGL7
https://bit.ly/3qSgGL7
 
 
 
 
 
 
 
 
 
60 
 
 
 
 
Pretoriana: Governo que usa de modo abusivo as forças militarespara exercer poder. O 
termo remonta à Guarda de Pretoria, que era a elite militar que participava ativamente 
das decisões tomadas para eleger imperadores romanos. Esse grupo, por vezes, chegava 
a assassinar opositores. 
Redemocratização: processo de retomada da democracia. 
Reserva de mercado: atitudes ou decisões de um governo que impede, por meio de leis, 
que certos tipos de mercadorias ou produtos internacionais sejam acessíveis pela 
importação. Essa espécie de reserva é feita pelo governo com a intenção de que o 
próprio mercado interno produza essas mercadorias e serviços, para que a economia seja 
aquecida. 
Tecnocracia: sistema governamental que se baseia na soberania dos técnicos. 
Utilitarista: refere-se à doutrina do utilitarismo, ou seja, à doutrina criada pelos ingleses 
Bentham e Mill e prega que as ações políticas devem atingir o máximo possível de bem-
estar. 
 
 
 
Pretoriana: Governo que usa de modo abusivo as forças militares para exercer poder. O 
termo remonta à Guarda de Pretoria, que era a elite militar que participava ativamente 
das decisões tomadas para eleger imperadores romanos. Esse grupo, por vezes, chegava 
a assassinar opositores. 
Redemocratização: processo de retomada da democracia. 
Reserva de mercado: atitudes ou decisões de um governo que impede, por meio de leis, 
que certos tipos de mercadorias ou produtos internacionais sejam acessíveis pela 
importação. Essa espécie de reserva é feita pelo governo com a intenção de que o 
próprio mercado interno produza essas mercadorias e serviços, para que a economia seja 
aquecida. 
Tecnocracia: sistema governamental que se baseia na soberania dos técnicos. 
Utilitarista: refere-se à doutrina do utilitarismo, ou seja, à doutrina criada pelos ingleses 
Bentham e Mill e prega que as ações políticas devem atingir o máximo possível de bem-
estar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
61 
 
 
FIXANDO O CONTEÚDO 
1. (Enem 2012) É verdade que nas democracias o povo parece fazer o que quer; mas 
a liberdade política não consiste nisso. Deve-se ter sempre presente em mente o 
que é independência e o que é liberdade. A liberdade é o direito de fazer tudo o 
que as leis permitem; se um cidadão pudesse fazer tudo o que elas proíbem, não 
teria mais liberdade, porque os outros também teriam tal poder. 
MONTESQUIEU. Do Espírito das Leis. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1997 - adaptado. 
 
A característica de democracia ressaltada por Montesquieu diz respeito: 
 
a) ao status de cidadania que o indivíduo adquire ao tomar as decisões por si mesmo. 
b) ao condicionamento da liberdade dos cidadãos à conformidade às leis. 
c) à possibilidade de o cidadão participar no poder e, nesse caso, livre da submissão 
às leis. 
d) ao livre-arbítrio do cidadão em relação àquilo que é proibido, desde que ciente 
das consequências. 
e) ao direito do cidadão exercer sua vontade de acordo com seus valores pessoais. 
 
2. (ADM&TEC, 2019). Leia as afirmativas a seguir e marque a opção CORRETA: 
 
a) No Brasil, o município pode obrigar qualquer cidadão a permanecer associado a 
uma entidade paramilitar. 
b) Os valores sociais do trabalho não são fundamentos da República Federativa do 
Brasil. 
c) No Brasil, é proibida a associação para fins lícitos. 
d) Segundo a constituição brasileira, homens e mulheres não são iguais em direitos e 
obrigações. 
e) A Constituição Federal de 1988 procura valorizar a construção de uma sociedade 
fraterna. 
 
3. (ADM&TEC, 2019). Leia as afirmativas a seguir e marque a opção CORRETA: 
 
a) A Constituição Federal de 1988 procura impedir a construção de uma sociedade 
sem preconceitos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
62 
 
 
b) O direito ao bem-estar é negado pela Constituição Federal de 1988. 
c) A cidadania não é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil. 
d) A Constituição Federal de 1988 procura valorizar a construção de uma sociedade 
sem preconceitos. 
e) A soberania não é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil. 
 
4. (ADM&TEC, 2019). Leia as afirmativas a seguir e marque a opção CORRETA: 
 
a) O Legislativo é um dos poderes da União. 
b) O direito ao desenvolvimento é contrário aos princípios da Constituição Federal de 
1988. 
c) Constituição Federal de 1988 procura desvalorizar a construção de uma 
sociedade fraterna. 
d) A República Federativa do Brasil busca promover os preconceitos relacionados à 
raça. 
e) A República Federativa do Brasil busca promover os preconceitos relacionados ao 
sexo. 
 
5. (FUNDEPES, 2017, adaptado) - Analise as seguintes assertivas relativas ao 
preâmbulo da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CR/88): 
 
I. O preâmbulo da CR/88 não pode, por si só, servir de parâmetro de controle 
da constitucionalidade de uma norma. 
II. A invocação de Deus no preâmbulo da CR/88 torna o Brasil um Estado 
confessional. 
III. O preâmbulo traz em seu bojo os valores, os fundamentos filosóficos, 
ideológicos, sociais e econômicos e, dessa forma, norteia a interpretação do 
texto constitucional. 
IV. A invocação de Deus no preâmbulo da CR/88 é norma de reprodução 
obrigatória nas Constituições Estaduais. 
Está CORRETO somente o que se afirma em: 
 
a) I e II. 
b) I e III. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
63 
 
 
c) II e III. 
d) III e IV. 
e) I e IV 
 
6. (FUNDATEC, 2012) A Constituição Brasileira de 1988 define normas constitucionais 
programáticas, fins e programas de ação futura para a melhoria das condições 
sociais e econômicas da população. A partir disso, analise as afirmações abaixo: 
 
I. A intensa participação popular criou condições para que o Brasil tivesse uma 
Constituição democrática e comprometida com a supremacia do direito e 
promoção de justiça. 
II. A partir dela, o Estado brasileiro passou a ter o dever jurídico-constitucional de 
realizar justiça social. 
III. São fundamentos que constituem o eixo relativo aos direitos individuais e 
coletivos: a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do 
trabalho e da livre-iniciativa e o pluralismo político. 
IV. A saúde, a previdência e a educação compõem um conjunto integrado de 
ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, denominado 
seguridade social. 
 
Quais estão corretas? 
 
a) Apenas I e II. 
b) Apenas I, II e III. 
c) Apenas I, II e IV. 
d) Apenas II, III e IV. 
e) I, II, III e IV. 
 
7. (IESES, 2017) Conforme prevê a Constituição Federal, é correto afirmar: 
 
a) Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil construir 
uma sociedade livre, justa e solidária; a defesa da dignidade da pessoa humana; 
dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; a defesa da paz. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
64 
 
 
b) República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos 
princípios da soberania; da prevalência dos direitos humanos; da dignidade da 
pessoa humana; dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; da defesa da 
paz. 
c) A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e 
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e 
tem como fundamentos a soberania; a cidadania; a dignidade da pessoa 
humana; os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; o pluralismo político. 
d) Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil construir 
uma sociedade livre, justa e solidária; a prevalência dos direitos humanos; a 
dignidade da pessoa humana; a solução pacífica dos conflitos; o pluralismo 
político. 
e) Nenhuma das Anteriores 
 
8. (FGV, 2014). A República Federativa do Brasil é laica, já que há separação total 
entre Igreja e Estado e não há religião oficial. No entanto, constou expressamente 
no preâmbulo da Constituição da República, quando de sua promulgação, que 
estava sendo feita “sob a proteção de Deus”. Sobre o tratamento constitucional 
conferido aos cultosreligiosos, é correto afirmar que: 
 
a) é inviolável a liberdade de consciência e de crença, desde que exercida no 
interior dos locais onde ocorrem os cultos religiosos e suas liturgias, na forma da lei. 
b) é violável a liberdade de crença religiosa, sendo assegurado o livre exercício dos 
cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a 
suas liturgias. 
c) ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa, que pode ser 
invocada como justificativa para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e 
recusar-se a cumprir prestação alternativa. 
d) é vedada a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de 
internação coletiva. 
e) é vedado aos entes federativos estabelecer cultos religiosos ou igrejas, 
subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus 
representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, 
a colaboração de interesse público 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
65 
 
 
ÉTICA NAS RELAÇÕES DE 
TRABALHO: O CÓDIGO DE ÉTICA 
PROFISSIONAL 
 
 
 
“Conheço apenas duas coisas belas no universo: o céu estrelado sob 
nossas cabeças e a lei moral em nossos corações” 
Immanuel Kant 
5.1 ÉTICA, MERCADO E INSTITUIÇÕES 
Existe uma ética do trabalho e das organizações? Assim como os indivíduos, as 
organizações, as empresas e os profissionais de várias áreas também obedecem a 
códigos de conduta ética. A intensificação do fluxo de informações, a internaci-
onalização dos mercados, a forte competitividade, os novos marcos regulatórios 
(especialmente em questões ambientais e sociais) e o desenvolvimento de novas 
tecnologias são fatores que, no período contemporâneo, têm contribuído para as 
mudanças de comportamento das organizações. 
Que mudanças são essas? Que impacto elas têm no mundo do trabalho? No 
mundo contemporâneo, percebe-se uma crescente busca para manter ou ganhar 
reputação frente à sociedade, o que tem sido feito principalmente através da 
adoção de um comportamento ético e socialmente responsável. Mas esse 
comportamento nem sempre fora adotado pelas organizações. O processo de 
institucionalização das organizações se processou por meio da transformação de 
ações, crenças e comportamentos em regras estabelecidas de conduta social. Tais 
normas comportamentais, ao serem aceitas e incorporadas às rotinas de trabalho, 
acabam sendo legitimadas e compartilhadas no dia a dia. A partir disso, inicia-se um 
processo de dissipação ou de aceitação e uso de práticas institucionalizadas. 
 
 
A corrente sociológica do neoinstitucionalismo reafirma que organizações com estruturas 
formais tendem a prevalecer como meio mais eficiente e racional de coordenar a 
complexidade da vida moderna. Essa teoria tenta explicar os motivos que levam as 
instituições a mudar, além de apontar a direção em que caminham e o propósito da 
mudança.
UNIDADE 
05 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
66 
 
 
As instituições, enquanto regras do jogo, são mediadoras das relações 
humanas. Sua principal função é a coerção, o estabelecimento dos limites da ação. 
O desdobramento imediato é o fato de que quanto mais submetidas às instituições 
e quanto mais similares estas forem, mais homogêneo será o comportamento das 
organizações. 
 
 
 
5.2 A RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS ORGANIZAÇÕES 
As instituições são regras de conduta que prescrevem ações e determinam o 
que é mais adequado ou pertinente a ser feito. Ela exercem um papel de facilitação 
e de influência direta sobre as estratégias, sobre as escolhas e sobre o 
comportamento dos agentes. As empresas são organizações que podem 
institucionalizar ações de responsabilidade social para adequar a sua estratégia de 
atuação e o seu comportamento corporativo às mudanças de ambiente e do meio 
social. 
As ações de responsabilidade social são práticas formais difundidas e aceitas 
que credenciam e dão legitimidade a uma organização. Como ilustração, a maior 
parte das grandes e médias empresas, em ramos diversos da economia, adotam 
princípios de gestão empresarial. Essas diretrizes comportamentais devem ser 
seguidas a fim de dar uma orientação, um código básico de ética que permita 
balizar as ações dos seus funcionários e colaboradores. Tais códigos de ética tratam 
de temas como proteção ambiental, trabalho infantil, discriminação de funcionários, 
relações com fornecedores, dentre outros. 
Nessa direção, empresas multinacionais que possuem grande visibilidade 
midiática e competem de forma agressiva no mercado externo necessitam seguir 
regras internas e externas para adequar seu comportamento aos padrões 
internacionais. Programas de excelência de treinamento contra acidentes de 
trabalho e adequação a normas internacionais de sustentabilidade ambiental são 
exemplos de conformação dessas organizações a padrões de excelência mundiais. 
As matrizes dessas empresas estabelecem diretrizes mais amplas que são seguidas 
pelas suas filiais, adequando as práticas às realidades locais. A atuação das 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
67 
 
 
empresas em áreas como educação, saúde, cultura e meio ambiente é considerada 
pela sociedade como um valor importante. 
Iniciativas como essas passaram a ser um componente estratégico para as 
organizações, na medida em que este tipo de atividade agrega valor à imagem 
corporativa. A responsabilidade social foi conduzida à institucionalização, seja pela 
imposição que induz uma conduta de aceitação, seja pelo interesse estritamente 
individual ou da organização. Dessa forma, as empresas e seus dirigentes, ao 
adquirirem a consciência de que a mudança de práticas agrega valor às atividades 
empresarias, concentram-se na adequação das rotinas organizacionais ao universo 
simbólico-cultural da responsabilidade social. 
Tanto o meio social atua sobre as empresas, quanto as companhias atuam 
sobre o meio social, influenciado um ao outro. Nessa interação social, surgem 
preceitos que se institucionalizam e ajudam a legitimar processos dentro das 
organizações. O interesse da organização em se adequar aos preceitos do ambiente 
externo é ainda mais exacerbado em um ambiente de extrema competição entre 
as organizações. 
Em um contexto de disputa entre empresas pelo mercado, as práticas 
organizacionais tornam-se cada vez mais semelhantes e homogêneas. Em um 
ambiente de incerteza, é conveniente escolher as soluções prescritas. O isomorfismo 
reflete a força das instituições, sem necessariamente resultar em maior eficiência. O 
que está em jogo são as recompensas advindas da homogeneização, da 
similaridade de estruturas, de práticas e de resultados. 
 
 
 
A adequação das empresas a um código de ética mínimo para reger as suas 
práticas internas e as suas interações externas é extremamente vantajosa. Ao 
incorporar regras aceitas socialmente como éticas, demonstram a sua conformidade 
com valores e com normas compartilhadas pela coletividade. A adequação das 
organizações a um mínimo ético, nesse sentido, assegura oportunidades de 
crescimento, expansão e inovação ao longo do tempo. 
As organizações modernas funcionam por meio da incorporação de 
Isomorfismo é a tendência das organizações de se comportar de maneira semelhante, 
incorporando práticas umas das outras para competir melhor.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
68 
 
 
orientações previamente definidas e racionalizadas para a legitimação das suas 
atividades e para a sua sobrevivência. Pode-se dizer que há pressões contextuais, 
decorrentes da ética vigente nas relações sociais, que direcionam as escolhas e 
estratégias adotadas pela organização. A legitimidade passa a ser o “imperativo” 
organizacional e a organização passa a se preocupar com as influências do 
ambiente, reconhecendo a estrutura formal como produto institucionalizado. 
A ação organizacional tem como ponto de partida o reconhecimento de que 
vantagens competitivas são obtidaspor meio da implantação de estratégias 
coerentes com os significados e valores socialmente compartilhados, como o de um 
meio ambiente socialmente equilibrado, da defesa de regras justas de comércio ou 
do respeito aos direitos do consumidor. Os princípios institucionais condicionam a 
construção de uma lógica de mercado, resultando em modelos de comportamento 
que moldam as relações entre as organizações e as induzem a se constituir de 
maneira homogênea. 
As companhias, portanto, são motivadas pela visão socioeconômica das 
ações de responsabilidade social por um motivo simples: a boa reputação frente à 
sociedade traz maior legitimidade à empresa, o que tente a fortalecer a sua 
aceitação pela sociedade, o seu poder de mercado, maximizando o seu retorno 
financeiro. Este fenômeno é conhecido como marketing social. Contudo, não existe 
modelo ideal para todas as organizações. Cada qual encontra um equilíbrio próprio, 
compatibilizando estratégia, estrutura, tecnologia, envolvimento, necessidade e 
ambiente externo. 
 
 
 
5.3 ÉTICA NAS BUROCRACIAS PÚBLICAS E PRIVADAS 
Assim como nas organizações privadas, as instituições públicas também 
passaram a incorporar valores e princípios de ética corporativa. As estruturas formais 
O neoinstitucionalismo prevê as intenções e determinações que uma organização tem em 
sua tomada de decisões. Com a mudança no mercado, os valores deixam de ser apenas 
financeiros e passam ter peso no campo social e ambiental. Portanto, avaliar a viabilidade 
ética de um investimento é avaliar sob a ótica econômica, social e ambiental. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
69 
 
 
das organizações modernas espelham as instituições do ambiente em que operam. 
Ao impulsionarem-se no sentido de incorporar práticas institucionalizadas, as organi-
zações buscam aumentar sua legitimidade, independente da aferição da eficácia 
e da eficiência dos procedimentos escolhidos. Ou seja, muito mais do que o 
desempenho é a conformidade aos valores éticos e às normas sociais consagrados 
que determina as chances de sobrevivência de uma organização. 
O processo coativo ou voluntário que força ou incentiva uma organização a 
se tornar mais parecida com outra ao se defrontar com as mesmas condições 
ambientais e ao competir por recursos, poder político e legitimidade, denomina-se 
isomorfismo institucional. O isomorfismo institucional, conforme visto na seção anterior, 
força uma homogeneização e torna as organizações mais similares, relacionando-se 
com a produção de respostas padronizadas frente às incertezas. Quando o 
ambiente cria uma incerteza simbólica, as organizações buscam se estruturar 
seguindo organizações similares e bem-sucedidas de seus campos de atividade, 
percebidas como portadoras de maior legitimidade. 
Assim como as empresas, a burocracia também segue normas e padrões 
éticos. O padrão burocrático é o modelo mais superiormente eficaz para assegurar 
estabilidade, previsibilidade, certeza, continuidade, permanência, subordinação, 
controle, clareza, confiabilidade, disciplina, rigor e precisão nas modernas 
sociedades industriais. Sua superioridade técnica incontrastável o torna um 
instrumento de poder de primeira ordem para eliminar ambiguidades e garantir uma 
base legítima de obediência aos preceitos normativos superiormente estabelecidos. 
Assegura ainda uma eficaz coordenação, um eficiente controle e uma efetiva 
coesão entre as inúmeras partes do organismo estatal, recortado e multifacetado por 
natureza. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
70 
 
 
A burocracia está presente em todas as grandes organizações modernas, 
públicas ou privadas, desde o seu nascedouro. Sua identificação com a 
administração pública se justifica pelo fato de ser mais facilmente percebida, porque 
está onipresente em sua vida quotidiana. A administração pública lança mão da 
divisão de trabalho para recrutar pessoas com diferentes habilidades e experiências 
para o desempenho das mais variadas e complexas funções em centenas de órgãos 
autônomos. 
O sistema hierárquico do quadro administrativo assegura alto grau de 
eficiência no exercício de dominação, sendo indispensável à sua racionalização. A 
hierarquia ajuda na minimização de atritos, na redução de custos e na eliminação 
de elementos irracionais e emocionais que fogem à possibilidade de cálculo. O 
controle dos processos e das rotinas imprime segurança e certeza, unificando a 
aplicação das normas no tempo e no espaço, segundo padrões éticos previamente 
estabelecidos. Ou seja, o serviço público deve ser invariavelmente burocratizado 
porque lhe cabe perseguir e implementar, com a máxima eficiência técnica, as 
normas legitimamente impostas. 
O funcionário público - seja ele o militar, o diplomata, o coletor do fisco, o 
magistrado ou o delegado de polícia – só pode agir no âmbito do que lhe é 
facultado pela norma. Nas relações entre agentes privados impera a liberdade 
negativa: tudo o que não está proibido é permitido. O espaço de liberdade de ação 
é bem maior, mas tem limites na ética organizacional e do trabalho. O modelo 
burocrático, nesse sentido, também sofre influência dos valores éticos socialmente 
enraizados. 
Ao se legitimar pelo saber técnico, pela especialização do conhecimento e 
pela eficiência administrativa, fundamentado em um sistema hierárquico e 
disciplinar, a burocracia ajuda a fortalecer os padrões éticos legitimados. Dessa 
forma, ao gerar mais obediência às normas de comportamento desejadas, a 
burocracia fortalece o controle, a confiança e a previsibilidade nas organizações. 
 
5.4 O CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL 
Conforme visto nos itens anteriores, a ética nas organizações e nas burocracias 
visa estabelecer padrões mais elevados e socialmente legitimados de 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
71 
 
 
comportamento corporativo. Busca-se um equilíbrio entre as preocupações racio-
nais, financeiras, sociais e sustentáveis. No âmbito individual do exercício das 
profissões, a ética também busca promover atitudes e valores considerados positivos 
pela sociedade, como a transparência, a verdade e a honestidade. Dessa forma, as 
ações éticas, no âmbito profissional, são indispensáveis para orientar as condutas 
humanas e gerar harmonia social. 
 
5.4.1 Os Conselhos Profissionais de Ética 
Em qualquer profissão existe um mínimo ético a ser respeitado. Os conselhos 
profissionais têm um papel relevante nesse sentido, ao disciplinar a conduta dos 
profissionais, prever situações que envolvam dilemas morais e estabelecer rotinas 
padronizadas para a resolução de conflitos. Os conselhos profissionais de classe - 
como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Conselho Federal de Medicina 
(CFM), o Conselho Federal de Administradores (CFA), o Conselho Federal de 
Engenharia (CFE) e o Conselho Federal de Psicologia do Brasil (CFP), bem como as 
suas representações regionais - são organizações que geram previsibilidade e certeza 
para a conduta dos profissionais. Suas regras, normas e portarias são guias de ação 
para situações de incerteza. 
Cada vez mais a ética profissional se enraíza nas relações de trabalho e 
produção, sobretudo, em uma sociedade cada vez mais marcada pela proliferação 
de serviços e de demandas. O Código de Ética Profissional busca a implantação de 
valores considerados relevantes para a orientação da conduta dos indivíduos nas 
relações de trabalho, levando em conta as particularidades da profissão que 
representa perante a classe e a sociedade. Conforme visto nas seções anteriores, as 
práticas éticas disseminadas socialmente fortalecem as organizações e ampliam o 
seu valor de mercado. Organizações e seus profissionais não podem estar alheios ao 
que ocorre no ambiente externo, pois estão socialmente inseridos num espaço e num 
tempo marcado por valores, crenças e práticas institucionalizadas. 
Conforme visto nas Unidades 1 e 2 deste livro, a Ética não deve ser vista comoalgo abstrato, mas como a base da agregação de valor e de conhecimento em 
cada sociedade. Dilemas morais e éticos existem em todos os contextos sociais, 
inclusive no mundo corporativo. O que as normas de conduta ética na vida 
profissional visam é elevar o desempenho, reduzir incertezas e disseminar ações 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
72 
 
 
consideradas positivas, lícitas, corretas e desejáveis. 
Nesse sentido, a ética profissional não se diferencia tanto da ética na família, 
na religião, na escola e na política. A codificação e a formalização de 
comportamentos considerados éticos buscam a sua interiorização e obediência. 
Diferentemente da moral, o Direito estabelece normas obrigatórias que induzem a 
adequação dos comportamentos dos indivíduos às regras dadas, sob pena de 
sofrerem sanções em caso de descumprimento. 
Com o desenvolvimento e a expansão da economia capitalista, a ética 
profissional passou a ser um tema cada vez mais relevante. Na economia de livre-
mercado, o indivíduo é o ator central. Dessa forma, não se pode dissociar a ética 
individual da ética das empresas. Da adequação dos indivíduos a comportamentos 
socialmente esperados depende o êxito das empresas. As organizações modernas 
são um produto da Revolução Industrial e se desenvolveram com base na certeza e 
na previsibilidade. 
Na sociedade contemporânea, porém, impera o indivíduo. As organizações 
nada mais são do que um conjunto de indivíduos mobilizados em torno de um 
objetivo comum. Muitas vezes essa abstração esconde os atores que, mais do que 
simples agentes signatários de um contrato de obrigações, são verdadeiramente 
sujeitos ativos, seres conscientes da realidade e dotados de plena capacidades 
analítica e reflexiva. A visão do indivíduo como unidade de análise levaria a novas 
formas de superação da resistência à mudança que permitem a adoção 
espontânea de padrões éticos, sem a necessidade de imposição. 
A mudança de pensamento organizacional leva tempo para ser processada, 
um tempo que não é apenas o da organização, mas o que cada um dos seus 
partícipes leva para responder aos estímulos do ambiente, já que a aceitação e 
resistência à mudança é algo emocional e cognitivo. Assim sendo, direcionar as 
percepções individuais e integrá-las num programa de ação coordenado no campo 
da ética profissional pode ser o diferencial entre a adoção de um comportamento 
resistente e a decisão convicta de superar a resistência. 
A resistência à mudança de padrões éticos é um mecanismo de defesa, um 
meio de expressão da insegurança, da nostalgia ou da repressão do indivíduo que 
muda junto com a organização a que pertence. Assim, pensar o ser humano como 
o princípio, a base de toda estratégia de mudança é a saída para a obtenção de 
melhores resultados e o alcance dos objetivos pretendidos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
73 
 
 
Dessa forma, as empresas que não conseguem convencer os indivíduos a 
mudar os seus comportamentos éticos estarão sempre vulneráveis a comportamen-
tos perniciosos: corrupção, o patrimonialismo, o abuso de autoridade, o desvio de 
dinheiro, a fraude e os diversos tipos de assédio. Considerados desvios éticos graves 
pela sociedade, esses problemas podem comprometer a reputação das empresas e 
afetar o seu valor de mercado. 
Empresas que visam apenas a maximização utilitária do lucro, sem 
preocupações ambientais, sociais e humanas, estão mais sujeitas a comportamentos 
considerados moralmente desviantes e antiéticos. A perda da reputação, do respeito 
e da credibilidade, em um mundo de elevada competição, pode ser fatal para uma 
companhia. Nesse sentido, tal como visto nas primeiras seções deste capítulo, as 
empresas desenvolveram estratégias institucionais de adaptação à nova realidade 
social, na qual práticas antiéticas são condenadas. 
A necessidade de adequar ações humanas ao padrão de comportamento 
desejado traz um custo elevado para as empresas. A necessidade de alterar diretrizes 
organizacionais nos planos interno e externo conduziu à necessidade de se pensar 
em uma ética empresarial. A responsabilidade social com os empregados, clientes, 
consumidores, fornecedores, governo e com a comunidade como um todo se insere 
neste contexto. A busca de um bom relacionamento com os diversos atores que 
interagem no processo produtivo tem consequências diretas na imagem das 
empresas e de seus empregados. Responsabilidade social, dessa forma, é 
indissociável de uma harmônica relação de um profissional com o seu meio. 
Os códigos de ética são uma imposição dessas mudanças institucionais. Nesse 
sentido, sob a influência de corporações norte-americanas, começaram a surgir, na 
década de 1970, as primeiras codificações sobre os comportamentos dos 
funcionários e a sua adequação às regras éticas vigentes. Esses primeiros manuais de 
conduta estavam alinhados às legislações vigentes naquele período, sobretudo, no 
campo das relações de trabalho, do meio ambiente e dos direitos do consumidor. 
Buscava-se, sobretudo, a limitação da margem de ação dos empregados e a 
punição de comportamentos desviantes. 
Na década seguinte, buscou-se a mudança das mentalidades não apenas 
pelo uso de mecanismos de coerção e punição, mas pelo convencimento da 
necessidade de alteração dos padrões e da cultura organizacional. A busca do 
fomento à confiança e à transparência no ambiente de trabalho foi a chave dessas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
74 
 
 
alterações. As pessoas precisavam ser convencidas dos valores das empresas e dos 
princípios que defendiam. Tendo em vista esse novo contexto, as corporações 
representativas de categorias profissionais passaram a auxiliar no processo de 
normatização, de orientação e de disciplina no ambiente de trabalho. 
Nesse sentido, os códigos de ética profissional se tornaram instrumentos de 
racionalização de comportamentos profissionais. Eles apresentam os princípios 
orientadores, os valores e as diretrizes considerados éticas no exercício de cada 
profissão, com consonância com os padrões éticos e as melhores práticas da 
sociedade. Sua eficácia depende, sobretudo, da sua aceitação e incorporação à 
cultura das organizações e às rotinas dos funcionários. 
 
 
 
5.5 ÉTICA E CIDADANIA NAS RELAÇÕES DE TRABALHO 
A mudança de comportamentos éticos nas empresas depende, sobretudo, 
da mudança das mentalidades individuais e da cultura organizacional. Não basta às 
organizações apenas obedecer às legislações nacionais e gerar retornos financeiros 
aos seus acionistas. É preciso manter relações harmônicas com todos os atores que 
com elas interagem, gerando comprometimento com valores básicos da sociedade. 
A incorporação de valores nas interações sociais fortalece a aceitação das 
empresas e o desejo por seus produtos e serviços. A valorização de competências, o 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
75 
 
 
reconhecimento da cidadania, a busca da transparência, da excelência, da efi-
ciência, da competência e da honestidade são cada vez mais centrais no mercado 
de trabalho. 
Em síntese, a disciplina da ética, nas relações sociais e no mundo do trabalho, 
tornou-se um imperativo no mundo contemporâneo. Os princípios éticos são 
importantes não apenas para a adequação das organizações às normas 
socialmente aceitas como lícitas e corretas, mas também para o fortalecimento de 
uma cultura cidadã no país. A ética é indispensável para agregar valor às relações 
produtivas e para fortalecer o compromisso das organizações com os valores 
supremos da cidadania. Não se pode separar o espaço público do espaço privado 
no que toca a valores indispensáveis da civilização. 
Dessa forma, ao valorizar profissionais éticos e prestigiar práticas alinhadas com 
comportamentos socialmente responsáveis, as empresas maximizam as suas 
vantagens competitivas e contribuem para disseminar padrões mais elevados de 
comportamento social. Em longo prazo, decisões éticas constituema base sobre a 
qual se constrói uma sociedade mais livre, justa e solidária, baseada nos valores do 
trabalho e da livre-iniciativa. Os Códigos de Ética Profissional, nos mais variados 
campos do trabalho, são instrumentos que asseguram a difusão de normas de 
conduta ética no mundo corporativo, moldando empresas e profissionais segundo 
padrões moralmente desejados. 
Não se pode depender, contudo, apenas dos instrumentos punitivos para que 
tais normais sejam cumpridas no cotidiano profissional. É preciso, sobretudo, mudar 
mentalidades e difundir novas práticas culturais acerca da ética empresarial e 
profissional. As empresas bem-sucedidas no mundo globalizado são aquelas capazes 
de se pautar por um mínimo ético. Dessa forma, empresas não devem encarar a 
ética como um empecilho para o alcance dos seus objetivos, mas como uma 
plataforma de sustentação e de sobrevivência. Padrões éticos de conduta 
melhoram as relações entre os empregados, elevam a imagem externa e melhoram 
a relação das empresas com o seu meio, contribuindo para uma sociedade mais 
harmônica e equilibrada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
76 
 
 
 
 
 
 
 
 
Inconstrastável: O que não pode ser respondido, contrastado. 
Neoinstitucionalista: corrente sociológica que explica a adoção de regras por uma 
instituição, bem como as marcas e atitudes empregadas por ela, tudo isso baseado em 
valores culturais de uma sociedade. 
https://bit.ly/2PiIjyY
https://bit.ly/2PiIjyY
 
 
 
 
 
 
 
 
 
77 
 
 
FIXANDO O CONTEÚDO 
1. (FGV - Analista Legislativo Municipal, 2007) Código de valores que norteiam a 
conduta de um indivíduo, bem como suas decisões e escolhas, fazendo com que 
esse indivíduo seja capaz de julgar o que é certo e errado. 
 
Trata-se d definição de: 
 
a) Altruísmo 
b) Egoísmo 
c) Consenso 
d) Participação 
e) Moralidade 
 
2. (Fundação Carlos Chagas (FCC, 2019) A ética associa cultura e sociedade para 
definir o que seja mal ou bem, vício ou virtude, que são antagônicos. Com base 
nessa definição, a virtude da “gentileza”, muito importante para o atendimento 
do cidadão- usuário, correlaciona-se ao vício de: 
 
a) Irascibilidade 
b) Ambição 
c) Vaidade 
d) Indulgência 
e) Vulgaridade 
 
3. (FGV, 2015, adaptado) O campo em que a ética empresarial se manifesta é 
constituído por três elementos: agente, virtude e meios. Os dilemas éticos resultam 
do conflito presente nos valores, nos destinatários e nos meios que servem de base 
às decisões, impondo uma hierarquia de princípios. Encontrar solução para esses 
dilemas não é tarefa fácil. Mas alguns princípios podem facilitar a decisão acerca 
dos dilemas éticos, entre eles: 
 
a) Faça o que for melhor para o maior número de pessoas e siga seu mais alto juízo 
ou princípio; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
78 
 
 
b) Faça o que for melhor para o maior número de pessoas e opte pelos valores do 
ambiente; 
c) Siga seu mais alto juízo ou princípio e opte pelo alijamento do código de conduta 
moral vigente; 
d) Faça o que quer que os outros façam a você; e opte pelo alijamento do código 
de conduta moral vigente; 
e) Faça apenas o que lhe foi solicitado e nada mais. 
 
4. (FCC, 2019) Determinado agente público estadual comissionado tem direito a 
carro oficial para ser utilizado no exercício de suas funções. Considere que o 
referido agente tem feito uso desse direito para seus familiares, em especial para 
conduzir seus filhos às atividades escolares. A conduta do agente: 
 
a) a despeito de violar o código de ética, somente poderá ser apurada se for objeto 
de denúncia, cabendo ao denunciante demonstrar o efetivo prejuízo causado 
aos cofres públicos. 
b) viola o código de ética da Administração Pública Estadual, razão pela qual 
poderá ser instaurado, de ofício ou em razão de denúncia, procedimento para 
apuração dos fatos, de competência da Comissão Geral de Ética. 
c) a despeito de ferir o princípio da moralidade, não viola o código de ética da 
Administração Pública Estadual, pois este não se aplica aos servidores 
comissionados, mas aos servidores públicos titulares de cargo efetivo e aos titulares 
de cargo de alta direção. 
d) não viola o código de ética, porquanto, em razão dos usos e costumes, é 
administrativamente aceita. 
e) somente poderá ser objeto de apuração pela Comissão de Ética na hipótese de 
o referido agente ter expressamente aderido aos termos do Código de Ética no 
momento da investidura. 
 
5. (FEPESE, 2019) Leia o fragmento a seguir. 
 
A ética profissional garante um ambiente de trabalho produtivo e seguro. A fim de 
explicitar os padrões éticos para uma determinada classe profissional, foram 
instituídos os ____ que têm por finalidade tornar claro o pensamento de uma dada 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
79 
 
 
classe profissional, de modo a comprometer seus integrantes com os objetivos 
particulares da profissão, respeitando os princípios ____ da ética. 
Assinale a alternativa cujos itens completam corretamente as lacunas do 
fragmento acima. 
 
a) códigos de conduta - universais 
b) regulamentos - legais 
c) códigos de conduta - legais 
d) regulamentos - universais 
e) regulamentos - morais 
 
6. (FEPESE, 2019) É característica importante para o atendimento ao público a 
demonstração de: 
 
a) presteza e intolerância. 
b) ineficiência e educação 
c) cortesia e falta de paciência. 
d) pernosticidade e postura profissional 
e) objetividade na comunicação e postura profissional 
 
7. (FAUEL, 2019, adaptada) Leia com atenção a definição a seguir e assinale o termo 
correspondente. É um conjunto de valores e normas de comportamento e de 
relacionamento adotados no ambiente de trabalho, no exercício de qualquer 
atividade. Ter essa conduta é saber construir relações de qualidade com colegas, 
chefes e subordinados, contribuir para bom funcionamento das rotinas de trabalho 
e para a formação de uma imagem positiva da instituição perante os públicos de 
interesse, como acionistas, clientes e a sociedade em geral. (Fonte: Guia da 
Carreira) 
 
a) Cidadania e urbanidade. 
b) Ética profissional. 
c) Relações humanas. 
d) Sociedade de consumo. 
e) Moralidade e responsabilidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
80 
 
 
8. (FEPESE, 2019) Analise as afirmativas abaixo que tratam de Ética e 
Responsabilidade Social nas organizações: 
 
1. As organizações contemporâneas devem valorizar o comportamento ético de 
seus funcionários e agir de forma responsável em relação ao seu ambiente de 
atuação. 
2. As organizações contemporâneas devem buscar seus resultados 
independentemente dos padrões éticos e morais empregados para obtê-los. 
3. A responsabilidade social é sempre um custo desnecessário para as 
organizações. 
4. Ações de responsabilidade social podem valorizar a imagem organizacional. 
 
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas. 
 
a) É correta apenas a afirmativa 1. 
b) É correta apenas a afirmativa 2. 
c) São corretas apenas as afirmativas 1 e 3 
d) São corretas apenas as afirmativas 1 e 4. 
e) São corretas apenas as afirmativas 2 e 3. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
81 
 
 
ÉTICA PROFISSIONAL NA 
EDUCAÇÃO FÍSICA 
 
 
 
 
 
A profissão de Educação Física como todas as outras precisa seguir 
normativas, conceitos, parâmetros, se “encaixar” em uma linha comportamental 
necessária a execução de sua atividade. Por isso as profissões possuem cada uma, 
seu código de ética que norteia os parâmetros que o profissional deve seguir em 
exercer suas atividades laborais. 
O Profissional de Educação Física possui suas peculiaridades, pois o mesmo 
possui um leque muito grande de atuação. O licenciado atua nas escolas com 
idades diversas e formas de atuar diferente, desde a linguagem utilizada, o tipo de 
intervenção e o comportamento diante dos seus alunos (linguagem verbal e não 
verbal). O bacharel é mais amplo: desde intervenção individual a nível clinicodos conceitos de Moral e de Ética 
à luz do contexto histórico. Os conceitos de Moral e de Ética , como 
serão vistos, se referem a objetos distintos, mas, guardam relações 
estreitas entre si. 
A Unidade 2 trata da aplicação dos conceitos de Ética e de Moral 
nas relações sociais. Direito e Política, dois campos das relações 
sociais, dialogam diretamente com a Moral e com a Ética. Esta 
unidade aborda ainda a diferença entre Ética das Convicções e 
Ética da Responsabilidade, dois conceito essenciais para a 
compreensão da ética no contexto social. 
 
 
A Unidade 3 aborda a temática da Ética, da Moral e da Política na 
construção do sentimento de cidadania. Aborda ainda a relação 
entre cidadania e a afirmação histórica dos direitos fundamentais, 
base da democracia. A unidade finaliza com a análise do 
fenômeno da cidadania em contexto de globalização. 
A Unidade 4 trata do desenvolvimento da cidadania no Brasil após 
a promulgação da Constituição de 1988. Dessa forma, analisa como 
os cidadãos podem exercer seus direitos e quais os limites de 
atuação no Estado na salvaguarda dos direitos e garantias 
fundamentais. Por fim, aborda a problemática do patrimonialismo e 
como afeta o Estado de Direito. 
 
 
A Unidade 5 analisa as questões éticas à luz das relações de 
trabalho. Compreenderá uma discussão sobre a ética no mercado, 
nas instituições e na burocracia, a responsabilidade social das 
organizações e a ética nas burocracias. Por fim, analisa o fenômeno 
da normatização de comportamentos éticos, o Código de Ética 
Profissional e a importância da ética e da cidadania no mundo do 
trabalho. 
A Unidade 6 introduz ao aluno um conhecimento básico e 
necessário relacionado ao conceito de ética profissional. Apresenta 
a história da criação da Profissão em Educação Física, através de 
manifestos, congressos, debates mundiais para iniciar a 
fundamentar a profissão embasada em cientificidade. Aborda o 
código de ética. Onde descreve todos os direitos e deveres de um 
Profissional de Educação Física. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
 
ÉTICA E MORAL: CONCEITOS E 
EVOLUÇÃO HISTÓRICA 
 
 
 
 
 “A razão vos é dada para discernir o bem e o mal” 
Dante Alighieri, poeta italiano 
 
1.1 O QUE É ÉTICA E MORAL? 
Ética e moral são conceitos distintos, mas que guardam estreita relação entre 
si. A ética é a tradução etimológica do termo ethos (hábito, habitualidade, com-
portamento reiterado). O hábito revela a personalidade. A questão da ética é essen-
cialmente prática e envolve pensar sobre aquilo que o sujeito faz enquanto ser que 
faz escolhas e toma decisões (agente) ou que é impacto pelas escolhas ou pelas 
decisões de outras pessoas (reagente). Em outras palavras, a ética é a liberdade 
interior de cada indivíduo, isto é, aquilo que cada um considera ser bom ou ruim, 
vicioso ou virtuoso para si mesmo. O conceito de moral, por sua vez, diz respeito aos 
grandes paradigmas e valores de um determinado grupo social em um dado tempo. 
Trata-se de um consenso coletivo para o comportamento dos indivíduos e a 
condução da vida em comunidade. 
Há um convívio dialético entre ética (do indivíduo) e moral (do grupo). A 
decisão ética não é simples fruto da cultura, mas também da história pessoal do 
indivíduo. Sócrates, um dos maiores filósofos da Humanidade, questionava os valores 
da sociedade da Grécia Antiga. Acusado de corromper o juízo da sociedade 
atensiense, Sócrates perguntava, entre outras questões, o que era o bem e o que era 
o mal, algo sem resposta até os dias de hoje. O ato socrático de questionar a moral 
estabelecida em sua época era visto como algo subversivo e desestabilizador, pois 
colocava em dúvida as verdades estabelecias. 
A Antropologia, ao estudar o homem como produtor de cultura, tem grande 
contribuição a dar ao estudo da ética. A Psicologia, por seu turno, discute como o 
indivíduo toma suas decisões pessoais. Por que tomou essa decisão? Do mesmo 
modo, a História e a Sociologia são ciências que ajudam a iluminar o entendimento 
da moral e da ética. 
UNIDADE 
01 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
 
 
 
 
A Ética, entretanto, não é uma ciência. Seu objetivo não é produzir respostas 
absolutas para os problemas humanos. O que a Ética busca é refletir acerca da ação 
humana e sobre os seus valores fundamentais. Os valores não são permanentes, 
imutáveis ou aplicáveis a todas as situações. Sempre temos que decidir e fazer 
escolhas. Os indivíduos podem decidir de acordo com a moral do grupo ou contra a 
essa moral. Será que tudo o que é lícito é moral? Será que tudo o que é legal é ético? 
Os valores são relativos e as decisões humanas são tomadas no calor das 
circunstâncias. A cada momento temos que decidir o que é bom ou ruim, o que fazer 
e o que não fazer, com base em nossa condição de indivíduo. 
 
1.2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS CONCEITOS 
O objeto da reflexão ética é o comportamento humano. É impossível sustentar 
uma comunidade imensa de pessoas vivendo sob uma única ética. Da mesma 
forma, é tarefa difícil estabelecer o limite entre o ético e o antiético. Isso se traduz em 
uma sensação de não se identificar com clareza a barreira entre o que se pode e o 
que não se pode fazer. 
A principal característica das sociedades contemporâneas é a insegurança. 
Isso se traduz em uma sensação permanente de desorientação social, confusão e 
incerteza. Existe um padrão de comportamento? E um valor universal? Qual é o valor 
absoluto? Não há respostas fixas para estas perguntas. Se por um lado a flexibilização 
dos valores universais traz uma sensação inédita de liberdade, por outro a ausência 
de paradigmas de comportamentos dificulta enormemente a decisão. A 
multiplicidade de escolhas e de oportunidades passa a ser um instrumento opressor 
da liberdade. As dúvidas e as inseguranças passam a ser frequentes. 
Como resposta a este cenário de incertezas, ocorre a chamada “tribalização” 
da sociedade: as pessoas não se comportam segundo valores universais aplicáveis a 
todos, mas dentro dos valores do seu grupo (MAFFESOLI, 1997). Essa instabilidade traz 
grandes impactos nos campos político, jurídico, social, cultural e religioso. Um 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
 
 
comportamento que os indivíduos buscam na tentativa de lidar com a insegurança 
é a busca do passado ou de padrões tradicionais assentados em valores religiosos e 
familiares. 
Os grandes paradigmas da vida moderna passam por uma revisão profunda. 
Isso produz uma série de transformações sociais. A crescente individualização das 
responsabilidades sociais leva à desagregação dos instrumentos sociais de decisão 
consensual, como a política. O Estado e o Direito também parecem não ser mais 
instrumentos eficazes para balizar os comportamentos humanos. 
Ademais, existe a mentalidade que supervaloriza o homem capitalista em face 
da dimensão do social, do coletivo ou do político. Diante da sensação de 
desgoverno das funções estatais, da incapacidade de atender às necessidades 
fundamentais e da sensação de insegurança generalizada, as categorias universais 
são substituídas por valores individuais. 
A falta de parâmetros morais leva à insegurança nas decisões. Cada um passa 
a valer pelo que produz e pelo que consome. É mais importante ter do que ser. O 
mercado determina o que é a essência. E quem está fora do mercado? E quem não 
tem poder de troca? Neste contexto, a dignidade da pessoa humana acaba 
perdendo sentido e as pessoas que estão fora da relação de consumo são 
desconsideradas enquanto sujeitos. Nessa linha, a pergunta fundamental da ética 
(como agir) encontra uma resposta retórica nas questões relativas à exclusão social. 
Os povos antigos não conheceram a diferença entre o mundo da ação 
política, o mundo do direito e o mundo do exercício do pensamento. Na 
Antiguidade, há uma certa integralidade dos pensamentos. Eles não tratavam as 
coisas de modo cartesiano, departamentalizandopsicomotor, treinamento esportivo, treinamentos (academias, studios e ambientes 
particulares e livres), recreação, intervenção na saúde básica e a nível hospitalar 
entre outros (LOCH et al. 2019). 
Segundo Leme e Varoto (2013), em todas as áreas e âmbitos de atuação o 
comportamento ético deve prevalecer, pois trabalha-se não apenas com o 
desenvolvimento corporal, mas com a formação geral do indivíduo. Assim a 
responsabilidade e comprometimento em ter o “cuidado” com cada indivíduo e 
ambiente de trabalho é fundamental para um bom desenvolvimento da carreira 
como profissional. Cada indivíduo é único e merece uma intervenção específica a 
sua realidade biológica e social. 
A Profissão de Educação Física é firmada pelo CONFEF (Conselho Federal de 
Educação Física), pelo o Manifesto Mundial da Educação Física - 2000 da 
FédérationInternationale D´EducationPhysique (FIEP), além da carta, que deixa claro 
que a Educação Física, pelos seus valores, deve ser compreendida como um dos 
direitos fundamentais de todas as pessoas. É importante salientar que a 
regulamentação do Curso de Educação Física foi decretada e sancionada através 
da Lei nº 9.696 de 01 de setembro de 1998, onde foi criado os respectivos Conselho 
UNIDADE 
Erro! Fonte de 
referência 
não 
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82 
 
 
Federal e Conselhos Regionais de Educação Física (CONFEF/CREF). 
A educação Física faz parte do processo de Educação, que seja através das 
vias formais ou não-formais. Desta forma promove uma educação efetiva para a 
saúde ocupando o tempo livre ou os momentos de lazer, trazendo ao beneficiário 
um estilo de vida ativo. Deixando evidente que através do meio educacional pode 
sim fazer com que as pessoas tenham ciência que as atividades físicas podem trazer 
benefícios à saúde humana nas formas de exercícios ginásticos, jogos, esportes, 
danças, lutas, atividades de aventura, relaxamento e ocupações diversas do lazer 
ativo. 
Atividade física inserida na vida das pessoas através do meio educacional 
deixa claro as suas possibilidades no desenvolvimento motor e afetivo das pessoas, 
principalmente quando se trata de crianças e adolescentes, além de ter um papel 
crucial em relação aos domínios cognitivos e sociais enfatizando o trabalho com o 
corpo. A educação Física “ao ser assegurada e promovida ao longo da vida das 
pessoas, apresenta-se com relações efetivas e profundas com a Educação, Saúde, 
Lazer, Cultura, Esporte, Ciência e Turismo (Carta Brasileira de Educação 
Física/CONFEF, 2000). Desta forma, os compromissos com as pessoas com 
necessidades especiais, a exclusão social, são defendidas independe do país, além 
da paz e do meio ambiente. 
Os profissionais de Educação Física que realizam suas atividades com Ética, 
tem mais oportunidades no mercado de trabalho, pois a ética está fundamentada 
como ideias do bem e da boa virtude do trabalhador, sempre deve estar atualizado 
em relação às técnicas e práticas da profissão que exerce, transmitindo as pessoas 
envolvidas confiança no trabalho executado, responsabilidade, proatividade, 
comprometimento que é mostrado através de normas básicas como a assiduidade 
no trabalho, o comportamento moral e sócio educativo. 
A Ética e a moral são firmados através da sociedade através de termos do 
senso comum. Logo, a “...Ética vem ao meio da sociedade como normas que 
precisam ser seguidas para que haja uma boa convivência entre os homens” (Rildete 
Oliveira, 2018). A finalidade destes conceitos é uma forma de orientar a sociedade 
em relação aos valores e morais que devem ser seguidos e conservados. A conduta 
do homem tem como responsável a ética e a moral que constrói os alicerces e vem 
por definir seu caráter e virtudes, ensinando seu comportamento perante a 
sociedade. Desde que que o homem nasce, ele é ensinado o que é certo ou errado 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
83 
 
 
e a partir daí irá reproduzir os valores que são impostos no meio em vive. 
Pode-se dizer que os valores do homem fazem parte de sua formação, do 
desenvolvimento de sua consciência, de sua maneira de agir e também de se 
relacionar perante a sociedade, ou seja, os valores são normas de conduta do ser 
humano que vem por determinar suas decisões sempre levando em consideração e 
garantindo a convivência no meio social de forma pacífica, honesta e justa. 
O comportamento ético contribui de forma a garantir o bom andamento das 
atividades e favorecer um clima sadio e harmonioso. Dessa forma, no ambiente de 
trabalho, os funcionários, passam a desenvolver mais confiança entre si, o que auxilia 
no aumento da produtividade e respeito mútuo. 
A organização da profissão de Educação Física iniciou-se com vários 
manifestos, seminários, congressos nacionais e internacionais trazendo debates, 
ideias para construção das diretrizes e normativas para a profissão, sendo um dos 
documentos marcantes para esta construção foi a carta Brasileira. 
 
 
 
 
 
https://bit.ly/3LGkYyA
 
 
 
 
 
 
 
 
 
84 
 
 
 
 
6.1 CARTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO FÍSICA 
A carta brasileira de Educação Física (2000) é um documento que surgiu para 
deixar em evidência regulamentações dos profissionais de Educação Física no Brasil. 
A carta enfatiza o profissional brasileiro de educação física, o objeto da educação 
física no brasil, coloca a educação física como referência para uma educação física 
de qualidade, como deve ser a preparação dos profissionais, primando pela 
qualidade. Dentro das escolas e em demais espaços físicos é defendida uma 
educação física de qualidade, além disso, deixa claro as responsabilidades do 
governo e do Conselho Federal de Educação Física (CONFEF/CREF). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
85 
 
 
figura 1: Carta Brasileira de Educação Física 
 
Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3lzwdye. Acesso em: 02 abr. 2022. 
 
Para esta carta, foram utilizados desde os manifestos, agendas, congressos 
nacionais e internacionais para que este documento fosse tratado. Foi um caminho 
árduo e muita reflexão. Teve início com a Declaração Universal dos Direitos Humanos 
(Nações Unidas, 1948). A Agenda 21 (Earth Summit, Rio de Janeiro, 1992), o Manifesto 
2000 - Por uma Cultura de Paz e Não - Violência (Grupo de Prêmios Nobel, 1998), a 
Carta Internacional de Educação Física e Esporte (Unesco, Paris, 1978), a Carta dos 
Direitos da Criança no Esporte. (Panathlon, Avignone, 1995). 
Na década de 1930, teve início aqui no Brasil, na área da educação com uns 
dos primeiros manifestos. Começou com a Carta de Belo Horizonte (1984), a qual foi 
assinada por vários intelectuais reagindo ao autoritarismo da época, depois veio a 
Carta Brasileira de Esporte Educacional (1989), emitida pela academia brasileira de 
Educação Física, onde buscava-se um norte para um comprometimento dos 
esportes na área educacional. 
Quando veio a transição do século em 1999, a área da Educação Física, 
proporcionou três encontros internacionais, onde analisaram aspetos importantes nas 
práticas educativas: 
https://bit.ly/3lzwdye
 
 
 
 
 
 
 
 
 
86 
 
 
 Sendo o 1º aspecto: World SummitonPhysicalEducation (Berlim), lá foi expedida 
a Agenda Berlim, onde ficou estabelecido que a educação física deveria ser 
oferecida com qualidade, sendo uma das principais exigências. 
 O 2º aspecto: aconteceu o III Encontro onde Ministros e responsáveis pelo 
esporte e educação física (III MINEPS). Neste encontro elaboraram as diretrizes 
para as realizações das ações dos governos em favor da Educação Física e 
do esporte (Declaração de Puntadel Este). 
 Já o 3º aspecto: aconteceu o Congresso Mundial FIEP em Foz do Iguaçu. Neste 
congresso foi lançado o Manifesto Mundial FIEP – 2000. Este Manifesto defende 
o direito da Educação física para todos onde evidenciou compromissos a 
questões humanitárias. Além disso, o Manifesto fez observação em todos os 
documentos existentes fazendo uma síntesecom posicionamentos 
internacionais declarados. 
Conforme o Manifesto Mundial da Educação Física - 2000 da Fédération 
Internationale D´Education Physique (FIEP), a Educação Física deve ser 
compreendida pelos seus valores e como um dos direitos fundamentais de todos. 
Sendo que a mesma faz parte do processo de educação, tanto pelas vias formais e 
não formais, de forma “...que ao promover uma educação efetiva para a saúde e 
ocupação saudável do tempo livre de lazer, constitui-se num meio efetivo para a 
conquista, de um estilo de vida ativo, dos seres humanos”. 
Na educação física, as atividades físicas quando praticada com intenção 
educativa, sejam elas através de jogos, exercícios de ginástica, esportes, danças, 
relaxamento e atividades de aventura torna-se ocupações de várias formas de se 
praticar o lazer ativo. Além disso, conta-se com a possibilidade de desenvolvimento 
motor e afetivo do indivíduo, sejam crianças ou adolescentes, abarcando também 
o desenvolvimento cognitivo e social. 
Pode-se contar que a Educação física faz parte do processo de vida dos 
indivíduos, tanto na saúde, na educação, no lazer, na cultura, no esporte, na ciência 
e no turismo. Sem deixar de fora as pessoas com necessidades especiais e sempre 
em prol da inclusão social e independente dos países primando pela paz e pelo meio 
ambiente. 
Nos últimos anos, sempre fazendo indicações necessárias com significado nível 
de importância das atividades físicas, discutidos em programas e eventos, colocando 
como conclusões e emitiram documentos deixando pontos esclarecedores. Vejam 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
87 
 
 
através dos históricos dos movimentos: 
 
Manifesto Mundial da Educação Física (FIEP/ 1970); 
I Conferência Internacional de Ministros e Altos Funcionários 
Encarregados pela Educação Física e os Desportos (UNESCO/ Paris/ 
1976); 
Carta Internacional de Educação Física e do Esporte (UNESCO/ 1978); 
Reuniões da Associação Européia de Educação Física (EUPEA/ 
GHENT/ 1977) (EUPEA / Madri / 1991); 
II Conferência Internacional dos Ministros e Altos Funcionários 
Responsáveis pela Educação Física e o Esporte (MINEPS II/ UNESCO/ 
Moscow/ 1988); 
Congresso Mundial de Yokohama (ICHPERD/ 1993); 
XV Congresso Panamericano de Educação Física (Lima / 1995); 
Carta dos Direitos da Criança no Esporte ( Panathlon / Avignone/ 10º 
Congresso Internacional/ 1995); 
Manifesto sobre a Atividade Física e o Esporte (Rede Ibero- Americano 
de Centros Superiores de Ciências da Atividade Física e do Esporte/ I 
Seminário de Institutos e Faculdades de Ciências do Esporte/ 
Cartagena das Índias / 1996); 
I Congresso Mundial de Educação Olímpica e para e Esporte (FOSE/ 
KALAVITRA/ 1997); 
Declaração de São Paulo (5º Congresso Mundial de Recreação e 
Lazer/ WLRA, 1998); 
Programa Vida Ativa, da Organização Mundial de Saúde (WHO, 1998); 
Manifesto de São Paulo (ICSSPE/ CELAFISCS/ 1998); 
XVIII Congresso Panamericano de Educação Física (Panamá/ 1999); 
Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Esporte (COI, COB/ Rio 
de Janeiro/ 1999); 
III Conferência Internacional dos Ministros e Altos Funcionários 
Responsáveis pela Educação Física e o Esporte (III MINEPS/ UNESCO/ 
Puntadel Este/ 1999); 
II Congresso Mundial de Educação Física Olímpica e para o Esporte 
(FOSE/ Montes Olímpius/ 2000); 
Conferência Mundial sobre Educação Física e Esporte para a Cultura 
da Paz (UNESCO/COI/Paris/2000) (Carta Brasileira de Educação Física, 
2000). 
 
Em 1998, os profissionais de Educação Física no Brasil tiveram sua conquista. O 
exercício profissional foi regulamentado através da Lei nº 9696/98. Com isso, 
valorizando o profissional de Educação Física de forma efetiva e responsável. 
 
 A Carta 
A carta, formulada pelo Conselho Federal de Educação Física, durante o 
Fórum Nacional que aconteceu em Belo Horizonte em agosto do ano de 2000, afirma 
a regulamentação do exercício profissional na área de Educação Física no Brasil 
através da Lei nº 9696/98. Deixa claro a necessidade de um processo de qualidade 
em todas as ações em que se refere a área e sempre buscando novas reflexões e 
discussões no decorrer dos anos, levando em conta fatores relacionados a cultura, 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
88 
 
 
ao social e educacional do país. 
 
 Profissionais de Educação Física 
Os profissionais de Educação Física no Brasil devem ser identificados e 
registrados no CONFEF/CREFs. Devem possuir formação acadêmica e sempre estar 
se aprimorando no contexto técnico-científico e cultural. O órgão CONFEF/CREFs, 
são responsáveis pelo exercício profissional na área de Educação Física, onde utiliza 
e investiga, respectivamente, com fins educativos e científicos, as possíveis formas de 
expressão de atividade física; 
 
 Educação Física no Brasil 
O objetivo da Educação Física no Brasil, é 
 
“constituir- se numa Educação Física de Qualidade, sem distinção de 
qualquer condição humana e sem perder de vista a formação integral 
das pessoas, sejam crianças, jovens, adultos ou idosos, terá que ser 
conduzida pelos Profissionais de Educação Física como um caminho 
de desenvolvimento de estilos de vida ativos nos brasileiros, para que 
possa contribuir para a Qualidade de Vida da população” (Carta 
Brasileira de Educação Física, 2000). 
 
 
 Referências para uma Educação Física de qualidade no país 
Conforme descrito na carta a Educação Física no Brasil, a Educação Física 
deve ser de Qualidade, de forma a contribuir para a melhoria da sociedade. 
Primeiramente, deve ser entendida como direto e não como obrigação. 
Promovendo benefícios através das atividades físicas e esportivas às pessoas ao 
longo da vida, independentes de ser práticas formais ou não-formais. Levar em 
consideração as práticas esportivas, danças e jogos que devem ser valorizados, pois 
fazem parte da cultural do país e das diferentes regiões. 
As atividades físicas sempre devem ser acompanhadas por um profissional 
habilitado, onde as práticas corporais sejam de forma prazerosas. Lembrando que o 
profissional de Educação física sempre deve levar em consideração a 
individualidade biológica do indivíduo provendo vivências e experiências de 
solidariedade, cooperação e superação. Além disso, ajudar o beneficiário a 
desenvolver sua corporeidade de forma a entender e perceber seus benefícios na 
promoção da saúde. Estar sempre buscando novos conhecimentos na área, ter 
atitudes interdisciplinares, promover ações dentro da comunidade acadêmica em 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
89 
 
 
relação à pesquisa, intercâmbio e difundir informações e programas de cooperação 
técnico-científico e disseminar o respeito pelo meio ambiente. 
 
 Preparação de profissionais para uma educação física de qualidade 
Um dos pontos esclarecidos foram os currículos acadêmicos, onde 
incorporaram a educação continuada, para que os profissionais possam 
acompanhar os avanços técnicos e científicos da área de atuação. Outro ponto, foi 
equiparar a preparação dos profissionais de Educação Física dos países vizinhos para 
que tenham um padrão de qualidade através de cursos, eventos e outros oferecidos 
apresentem compromisso e qualidade considerando a complementação científica. 
 
 Educação física de qualidade nas escolas 
A educação física dentro das escolas deve se apresentar com qualidade. 
Primeiramente, que sejam obrigatórias no ensino básico (infantil, fundamental e 
médio), e que faça parte do currículo. Que integre a outras disciplinas e façam uso 
de instalações materiais adequados. 
Que os discentes tenham aulas que envolvam as práticas esportivas e jogos 
em seu conteúdo, sempre no sentido educacional, e quando apresentar o esporte 
de rendimento no ambiente escolar, que sejam sempre com regras específicas 
fazendo com que o discente entenda o processo educativo. 
Possibilitar ao discente uma variedade de experiências e vivências, fazendo o 
uso das atividades físicas para obterconhecimento sobre sua corporeidade, além de 
despertar como meio de conquista e de um estilo de vida ativo. 
 
 A busca de uma educação física de qualidade nos seus diversos espaços 
A Educação Física, ao ser realizada em vários espaços, como academias, 
clubes, condomínios, praias, áreas públicas e outras, desde que apresente 
Qualidade, respeite a democracia e igualdade de condições entre as pessoas. A 
educação física deve levar aos beneficiários sua importância ao longo das suas 
vidas. 
Lembrar sempre que o profissional deve ser competente e responsável ao 
desenvolver os programas de atividade física. Levando em consideração as 
instalações e equipamentos, os quais devem ser compatíveis com os objetivos 
específicos e não menos, sua conduta ética sob qualquer pretexto e circunstância. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
90 
 
 
 
 As responsabilidades dos governos para o fomento de educação física de 
qualidade 
Algumas estratégias de intervenções que o Governo Federal, os Governos 
Estaduais e Municipais precisam para compreender o valor de uma Educação Física 
de Qualidade para a população brasileira. Uma política de valorização da 
Educação Física, através de programas e campanhas que sejam efetivas. Verificar 
sempre as necessidades de adaptações nas legislações vigentes. Valorizar o 
profissional de Educação Física, dando oportunidades através de concursos, 
promovendo capacitações e atuações em espaços públicos e compreender a 
Educação Física como meio de promoção de saúde, além de promover ações nos 
campos legal, fiscal e administrativo. 
 
 Responsabilidades do CONFEF/CREFs 
O CONFEF e os CREFs, tem como atribuições e comprometimento em lei atuar 
no compromisso da Educação Física de Qualidade, intervindo para uma melhoria e 
valorização dos profissionais, cumprindo o Código de Ética estabelecido. Elaborar e 
difundir a Carta Brasileira de Educação Física com o objetivo de contribuir com a 
sociedade. Portanto, cabe ao profissional de Educação Física adequar no seu 
desenvolvimento acadêmico científico e ético para que tenha um bom 
desenvolvimento em sua atuação promovendo a saúde e qualidade de vida às 
pessoas. 
Desta forma, o “CONFEF: 
 
 “...em suas atribuições legais publica o código de ética através da 
resolução 307/2015 que permeia as diretrizes a ser cumprida pelos 
Profissionais de Educação Física no exercício da profissão” (Concelho 
Federal de Educação Física, CONFEF). 
 
 
 
 
https://bit.ly/3MMgx6K
 
 
 
 
 
 
 
 
 
91 
 
 
 
 
 
 
6.2 CÓDIGO DE ÉTICA - RESOLUÇÃO CONFEF Nº 307/2015 
As bases legais do código de ética dos profissionais de educação física são as 
declarações universais dos direitos humanos e da Cultura, Agenda 21, que tem a ver 
com a proteção do meio ambiente e a Carta Brasileira de Educação Física que foi 
publicada em 2001. É importante salientar, o que vai nortear o código de ética, 
salientando principalmente, em que as obrigações estão relacionados ao eixo da 
Saúde e que está no direito Internacional e nacional de combate a antidopagem de 
meios ilícitos e lícitos conforme o Código de Ética do profissional de educação física, 
o qual está sustentado nos princípios bioéticos, que são: fazer bem e o bom, ter 
benevolência de não fazer o mal nenhum, mal com o uso da ciência na questão da 
Autonomia das pessoas e das instituições e o princípio da Justiça. 
 
https://bit.ly/3yWJ45t
 
 
 
 
 
 
 
 
 
92 
 
 
figura 2: CÓDIGO DE ÉTICA DE EDUCAÇÃO FÍSICA 
 
Disponível em: https://bit.ly/3NvkX1T Acessado em: 03 abr. 2022. 
 
 
 
Esse código de ética foi construído e sempre renovado para os destinatários, 
que são os profissionais de educação física e os nossos beneficiários, ou seja, os nossos 
clientes e as empresas que mais contratam. O Código de Ética prima pela qualidade 
https://bit.ly/3NvkX1T
 
 
 
 
 
 
 
 
 
93 
 
 
e competência da atualização dos profissionais de educação física e está envolto 
nele a questão da transferência das ações profissionais, onde procura nortear a 
referência dos profissionais de educação física incluindo o CREF como entidade 
mediadora de todos os segmentos éticos e dados da atuação profissional dos 
profissionais de educação física e a fundamentação legal que nos rege, que rege 
nossa profissão, que rege o nosso código de conduta e que sempre levará em 
consideração os preceitos do Código de ética. 
Qual é o sentido educacional almejado pelo profissional de educação física? 
Fazendo julgamento ético, com objetivo fundamental, está sendo pensado na 
preservação da saúde, se está sendo levado em conta a responsabilidade social do 
profissional de educação física e prima para que os profissionais de Educação Física 
assumam as responsabilidades sobre as ações e as condutas no ambiente de 
trabalho. 
O profissional de Educação Física tem papel essencial na prevenção e 
promoção da saúde. Partindo deste contexto, o sistema CONFEFE/CREFs (Conselho 
Federal e Regionais de Educação Física) no fórum Nacional de Prevenção Integrada 
da Área de Saúde, promovido em na cidade de Belo Horizonte, em 8 e 9 de setembro 
de 2005 teve como objetivo construir um elo entre a teoria e a prática. Este fórum 
visando a prevenção do direito e da prioridade em relação às políticas públicas de 
saúde possibilitando a inclusão de prevenção nos programas e projetos sociais 
desenvolvidos, surgindo assim a elaboração da Carta Brasileira de Prevenção 
Integrada na Área da Saúde. 
Para construir esta carta foi eleito o Prof. Dr. Manuel Jose Gomes Tubino, que 
na época era o Presidente da Federação Internacional de Educação Física (FIEP), 
que aceitou prontamente, onde elaborou a minuta do documento, a qual foi 
aprovada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
94 
 
 
figura 3: Carta Brasileira de Prevenção Integrada na Área da Saúde 
 
Disponível em: https://bit.ly/3NshPUw Acesso em: 03 abr. 2022. 
 
 
 
 
6.3 O CÓDIGO DE ÉTICA 
O exercício da profissão exige que os profissionais de educação física se têm 
em conta, compatíveis com os preceitos da lei que legitima a educação física como 
campo de trabalhos específicos daqueles que trabalham em educação física 
conforme a lei 9.696 de 1998. O estatuto do CONFEF, este código de ética e outras 
normas que são expedidas pelo sistema CONFEF/CREF e demais princípios da moral 
individual, social e condicional da lei que criou a profissão de educação física do 
estatuto do nosso Conselho Federal e nos princípios dignos da moral individual, social 
e profissional em termos e os princípios daqueles que tal e de acordo com Conselho 
Federal e nos princípios da moral. 
https://bit.ly/3NshPUw
https://bit.ly/3N0mCNn
 
 
 
 
 
 
 
 
 
95 
 
 
Um dos primeiros princípios norteadores é: 
 Respeito à dignidade a integridade ao direito do indivíduo; 
 Ausência de discriminação e preconceitos de qualquer natureza; 
 Respeito à ética nas atividades profissionais; 
 Valorização da identidade profissional; 
 Sustentabilidade do meio ambiente onde trabalha a Agenda 21; 
 A prestação sempre do melhor serviço e cada vez mais com o número maior 
de pessoas com competência responsabilidade e honestidade; 
 Atuação dentro da nossa Especificidade, que é fundamental na qual 
enquadramos a competência; 
 Dirigir os princípios das diretrizes e comprometimento com a preservação da 
Saúde, portanto qualquer julgamento vai partir desta questão do 
comprometimento pela preservação da saúde do indivíduo e da coletividade 
e com desenvolvimento intelectual, cultural do beneficiário da nossa, ou seja, 
o cliente ou empresa a qual se faz a prestação de serviço; 
 Aperfeiçoamento técnico científico, ético e moral está no código de ética e 
prima como diretriz, ou seja, como os profissionais de educação física 
continuem sempre se aperfeiçoando, sendo a graduação o passo inicial e a 
partir de então tem-se que evoluir; 
 Transparências emnossas ações e decisões: tanto para o beneficiário quanto 
destinatário estão relacionados o pleno acesso à informação; 
 Autonomia no exercício da profissão: respeitar os nossos preceitos legais e 
éticos e os princípios da bioética. Só então os profissionais de educação física 
têm-se autonomia do exercício da profissão; 
 Priorização do compromisso ético com a sociedade; 
 Integração com trabalho de profissionais de outras áreas com as quais 
trabalhamos e sabemos até onde vai a nossa competência e até onde vai a 
competência do outro, onde entendemos de atividades multiprofissional. 
 Como os profissionais da saúde, sempre nós somos chamados a atuar em 
equipe; 
 
 Responsabilidades e deveres 
Se temos princípios, se temos leis e diretrizes, desse código de ética, o que ele 
coloca como as nossas responsabilidades e nossos deveres. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
96 
 
 
 Promover a educação física: para que o nosso beneficiário assuma o estilo de 
vida ativo; 
 Zelar pelo prestígio da profissão da educação física; 
 Assegurar ao beneficiário o serviço do profissional seguro competente e 
atualizado e elaborar o programa de atividade do nosso beneficiário; 
 Oferecer ao beneficiário de preferência por escrito, isso é muito importante e 
deve ser feito como orientação. São seguros que nos dá respaldo sobre 
qualquer tipo de intercorrência que possa acontecer, apesar do nosso 
beneficiário ser informado sobre as circunstâncias que podem influenciar o 
desenvolvimento do trabalho a ser prestado. Ex: Você faz o seu trabalho 
correto. A obrigação do profissional de educação física é informar ao 
beneficiário que isso pode contribuir para o resultado. Se não surtiu efeito o 
planejado, não é que deixamos de praticar nossas funções, mas a partir deste 
momento, nós deixamos de cumprir a nossa parte e a desconfiança por conta 
do beneficiário irá surgir. Portanto, se o nosso cliente acredita que o nosso 
trabalho não está sendo contando com os resultados que ele queria não tem 
porque nós continuarmos atendendo esse cliente. 
 Manter-se sempre informado dos princípios do código de ética é nossa 
obrigação, nos mantermos atualizados e informados sobre descobertas 
técnicas científicas. Além disso, avaliada nossa competência técnica é legal 
e somente aceitar aquilo que nós conseguimos fazer, então somente aquilo 
que for de sua competência; 
 Zelar pela sua competência e exclusivamente na prestação de serviços e 
encargos a qual não posso passar para outros; 
 Promover e fazer facilitar o aperfeiçoamento técnico científico e cultural das 
pessoas sob sua responsabilidade, orientação profissional, promover o 
aperfeiçoamento e a formação dos estagiários para que ele seja e construa 
um profissional competente; 
 Manter-se atualizado dos conhecimentos técnicos científicos, sento em tudo 
colocada como responsabilidade e dever do profissional de educação física. 
 
 Dever e obrigação do profissional de educação física 
 Responsabilizar-se pelas falhas que nós cometemos independente se foi 
coletiva ou de toda equipe ou se é exclusivamente sua; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
97 
 
 
 Emitir pareceres técnicos devendo estar atualizado e comunicar ao sistema 
CONFEF/CREF qualquer fato que envolva a recusa de nos colocar admissão 
do cargo e cultivar; 
 Respeitar este código de ética pelo que nos apresentamos adequadamente 
nas aulas de educação física, o profissional no local de sua atuação deve 
estar com a roupa adequada para poder te avaliar na academia no local de 
trabalho; 
 Respeitar e fazer se respeitar no ambiente de trabalho; 
 Promover adequados materiais e equipamentos as quais se trabalham a 
nossa competência, os equipamentos e materiais a qual nós utilizamos dentro 
da empresa, pois, o material é nosso e temos que ter responsabilidade e dever; 
ser cobrados as suas responsabilidades em relação aos equipamentos 
 Pagar o CREF anualmente, portar e utilizar a cédula de identificação do 
profissional dentro do exercício da profissão sempre. Sem a sua cédula 
profissional e identidade profissional você está cometendo um pequeno 
desvio ético. 
 
 O que não podemos fazer 
 Concorrer ao exercício da profissão para realização de atos com contrário a 
lei. EX: não posso utilizar a profissão para fazer algo ilegal - receitar suplementos 
alimentares sendo profissional de educação física - está concorrendo com o 
exercício da profissão para realização do ato contrário a lei. 
 Interromper a prestação de serviços sem comunicar previamente ao 
beneficiário; 
 Comunicar a partir de qual data no contrato em que eu não estarei mais 
prestando serviços. Fazer isso por escrito, pois, desta forma eu me preservo de 
sofrer algum tipo de sanção crítica por não ter feito comunicado, sendo a 
melhor forma de comunicação. 
 Transferir quando impedido ou facilitar por qualquer meio, para pessoas não 
habilitadas ou pedir. Ex: Se eu tenho um colega de profissão que está 
suspenso, e eu transfiro para ele algo que é da minha competência isso 
significa um desvio ético; 
Se eu sou responsável por um estagiário e ele faz a atividade sem está 
diretamente supervisionado. Isso também é um desvio de ética, não é atentado a 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
98 
 
 
nós transferir ou facilitar por qualquer meio o exercício para uma pessoa não 
habilitada ou que esteja impedido. 
 Contratar direto ou indiretamente serviços que possam causar danos morais 
para você profissional, para a profissão, para empresa ou para o beneficiário. 
Não pode contratar nada e ser responsável, ou por qualquer contratação 
direta ou indireta que possa causar malefícios ao beneficiário a empresa e a 
profissão. 
 Receber proventos que não sejam exclusivamente da prática correta e 
honesta do nosso exercício profissional; 
 Não assinar relatórios elaborados por outros, sem a minha devida supervisão; 
 Exercer a profissão quando impedido ou fazer, ou facilitar por qualquer meio 
o meu exercício como personal habilitado; 
É vedado aproveitar-se de situações de relacionamento entre eu e o meu 
beneficiário para obter qualquer tipo de vantagem, seja física, emocional e 
financeira. Se o profissional tem esse tipo de atitude ele está incorrendo um desvio 
ético; 
 Incidir no erro e inteirar que evidenciam inércia profissional, foi advertido e 
aconteceu de novo, você está incorrendo no mesmo erro sucessivas vezes; 
 Fazer falsa prova de qualquer requisito para adquirir o sistema quando a 
pessoa se registra em relação a sua atuação e profissionalização; 
 Vincular seu nome, ou registro a atividade manifestadamente; 
 Assumir comportamento frente à a um determinado grupo que prega por 
exemplo ser contrário a vacina, qualquer ela que seja. Se um dos nossos 
preceitos é a saúde, nossos princípios norteadores é cuidar da saúde. Você 
está utilizando o seu registro Profissional ou profissional de educação física e 
está incorrendo em um desvio ético; 
Nos relacionamentos com nossos colegas não é permitido fazer referências 
prejudiciais e muitas vezes, quando alguém fala de alguém, não podemos fazer 
referência ao colega de profissão. Isso caracteriza-se também um desvio ético sobre 
o exercício profissional dele; 
 Aceitar cargos profissional de supervisão do colega que tenha saído para 
preservar a dignidade dele profissional de educação física, se adaptar a 
educação física ou do beneficiário. Se ele saiu denunciando que estava 
errado, isso é considerado um desvio ético; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
99 
 
 
 Apropriar-se do trabalho, iniciativa, solução não encontrada por terceiros, 
plágio é um desvio ético; 
 provocar desentendimento com um colega que tenha vindo a substituir o 
exercício profissional, você assumi legalmente, eticamente o exercício com 
um beneficiário sabendo-se que é do seu colega, não pode manifestar 
nenhum tipo de juízo sobre as ações deles, se obeneficiário se manifestar, 
você deve não fazer comentários, ou juízo de valor da ação de seu colega, 
não cabe a você ficar julgando o colega, uma vez que você não estava lá 
para ver o que realmente aconteceu, inclusive se o cliente age dessa forma é 
interessante, que se possível, o próximo a ser falado pode ser você e a profissão 
de educação física; 
 
 Pactuar em espírito de solidariedade ou atos infringentes 
 Exercer a profissão sem ser indiscriminado. Nenhum tipo de discriminação é 
aceito ou religião ou sexualidade ou orientação sexual; 
 Recorrer ao conselho Regional de Educação Física quando impedido de 
cumprir a lei; 
 Requerer o desagravo, algo que já ocorreu diversas vezes em relação aos 
meios de comunicação de propaganda, ou entretenimento, ou movimento 
que colocaram profissionais de educação física em uma situação 
constrangedora, como se todos os profissionais de educação física agissem 
como determinado personagem fictício ou de propaganda. Nesses casos, o 
Conselho Federal de Educação Física foi a público e pediu retratação dos 
veículos de comunicação tanto quanto o que foi vinculado; 
 Recusar a adoção de medidas o exercício da atividade profissional contrários 
aos trâmites da nossa consciência ética ainda que permitido; 
 Participar de movimento de defesa da dignidade em prol do profissional, 
principalmente na busca do aprimoramento técnico-científico e moral nos 
termos determinados. Ex: tipo de indicação. Onde eu posso estar no 
movimento de defesa da profissão ou do profissional; 
 Apontar falhas ou irregularidades dos regulamentos e normas numa 
determinada competição. Ex: existe uma norma, “O que é antiética e legal 
você tem todo direito de apontar e pedir para quê convocar o conselho 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
100 
 
 
Regional de conselho de educação física, provocá-lo para aquele ato em 
defesa do profissional e da profissão de educação física; 
 Receber salário ou honorários pelo seu trabalho profissional. Só posso exercer 
a minha profissão se eu for remunerado, para isso inclusive muitas vezes as 
pessoas falam. Por que que a educação física não tem um programa de 
atividade física, ginástica laboral para os servidores? Porque nós não fomos 
contratados como profissionais de educação física nós, somos contratados 
como professores do ensino superior, logo para o exercício, para exercer a 
profissão de educação física, em que tenha que ser remunerado, terei que ter 
um contrato com a universidade e aí sim, o profissional de educação física 
poderá fazer esse tipo de atividade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://bit.ly/3yWb9tP
 
 
 
 
 
 
 
 
 
101 
 
 
FIXANDO O CONTEÚDO 
1. Considerando as exigências de qualidade e ética profissional nas intervenções, o 
profissional de Educação Física deverá esta capacitado para exercer sua 
profissão. 
Pois 
O mesmo deverá compreender, analisar, estudar.... atuando em todas as 
dimensões de seu campo profissional, disseminando e aplicando conhecimento 
práticos e teóricos sobre a Educação Física. 
 
De acordo com as asserções, marque a opção correta: 
 
a) Apenas a primeira asserção está correta; 
b) Apenas a segunda asserção está correta; 
c) As duas asserções estão corretas e a segunda justifica a primeira; 
d) As duas asserções estão corretas e a segunda não justifica a primeira; 
e) As duas asserções estão incorretas. 
 
2. Ao iniciar seu trabalho em uma escola como professor de educação Física, é 
necessário verificar a forma de se vestir e portar, pois você é referência para seus 
alunos e avaliado quanto sua conduta. Assim a ética no ambiente de trabalho é 
de fundamental importância para o bom funcionamento das atividades da escola 
e das relações de trabalho entre os funcionários. São vantagens da ética aplicada 
ao trabalho: 
 
I. Maior nível de produção na escola; 
II. Favorecimento para a criação de um ambiente de trabalho harmonioso, 
respeitoso e agradável. 
III. Cooperação e atitudes que visam à ajuda aos colegas de trabalho. 
IV. Aumento no índice de confiança entre os funcionários 
V. Respeito à hierarquia dentro da empresa. 
 
É correto apenas o que se afirma em: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
102 
 
 
a) I, II e III. 
b) I, III e V. 
c) II, IV e V. 
d) I, II e IV. 
e) III, IV e V. 
 
3. Em um caso onde um profissional de educação em atuação em academia. O 
aluno ao fazer treinamento lesiona o joelho (ligamento cruzado) com apenas 3 
meses em atividade ao realizar o movimento de agachamento. O mesmo alega 
a displicência do profissional em orientar e acompanhar a execução. Este caso é 
de caráter cível 
Pois, 
Incapacita a pessoa a realizar suas atividades diárias o que acarretará em 
indenizações devido a danos materiais e morais sendo o valor estipulado pelo juiz. 
 
a) A primeira asserção é uma proposição verdadeira e a segunda é uma proposição 
falsa. 
b) As duas asserções são proposições verdadeiras e a segunda não é uma 
justificativa correta da primeira. 
c) A primeira asserção é uma proposição falsa e a segunda é uma proposição 
verdadeira. 
d) As duas asserções são proposições verdadeiras e a segunda é uma justificativa 
correta da primeira 
e) As duas asserções são proposições falsas. 
 
4. Um dos valores atrelados aos movimentos olímpico e paraolímpico é o chamado 
fair play, que também significa jogo limpo. Diante da demanda ética posta pela 
noção de fair play nas Paraolimpíadas, qual das opções a seguir corresponde à 
medida adotada pelos órgãos de gestão do paradesporto para assegurar uma 
competição mais igualitária entre atletas paraolímpicos de uma mesma 
modalidade? 
 
a) Classificação por índice técnico obtido em competições anteriores. 
b) Classificação por grau de funcionalidade em cada tipo de deficiência. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
103 
 
 
c) Classificação por resultados em competições oficiais nacionais e internacionais. 
d) Classificação por tempo acumulado de experiência em competições 
paradesportivas oficiais. 
e) Classificação por faixa etária combinada com informações advindas de testes de 
aptidão física. 
 
5. Um profissional de Educação Física encaminhou seu projeto de pesquisa, que 
envolvia a coleta de medidas antropométricas de jovens de 13 a 15 anos de 
idade, para avaliação pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). Por motivos 
logísticos, surgiu a oportunidade do profissional iniciar a coleta de dados antes da 
manifestação do CEP sobre o projeto. Considerando essa situação, bem como o 
que estabelece a Resolução 466/2012, acerca das pesquisas realizadas com seres 
humanos, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. 
 
I. A coleta dos dados antes da manifestação do CEP constitui-se em conduta 
profissional antiética. 
PORQUE 
II. O CEP pode identificar riscos aos participantes, decorrentes da aplicação dos 
procedimentos metodológicos adotados, que não foram observados pelo 
proponente do projeto. 
 
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. 
 
a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da 
I. 
b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa 
correta da I. 
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. 
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. 
e) As asserções I e II são proposições falsas. 
 
6. A prevenção e promoção da saúde devem ser desenvolvidas nas perspectivas da 
interdisciplinaridade e intersetorialidade, incluindo as dimensões sociais, políticas, 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
104 
 
 
econômicas e culturais, além de outras diferentes áreas de conhecimento 
humano. 
Quanto aos eixos temáticos e de atuação na prevenção e promoção da saúde 
estão: 
 
I. Qualidade de vida; 
II. Autonomia pessoal; 
III. Cultura física; 
IV. Cultura da paz 
V. Integração com o meio ambiente.Está correto: 
 
a) Apenas as afirmativas I e III estão corretas; 
b) Apenas as afirmativas I, II e IV estão corretas; 
c) Apenas as afirmativas III e V estão corretas; 
d) Apenas as afirmativas I, II, III, IV e V estão corretas; 
e) Apenas as afirmativas I, III e V estão corretas. 
 
7. O estágio é o ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de 
trabalho, para preparar para o mercado de trabalho o educando. Este pode ser 
obrigatório, previsto na grade curricular. Quanto aos direitos do estagiário de 
ensino superior: 
 
I. Fazer carga horária diária no Máximo 6h/dia – 30h/semanais; 
II. No período de avaliação o estagiário pode ter sua jornada reduzida pela metade. 
III. O estagiário poderá receber bolsa; 
IV. O estágio deve ser superior a um ano de duração. 
V. Independente do período de estágio, o estagiário terá férias. 
 
Está correto: 
 
a) Apenas as afirmativas I, II e III estão corretas; 
b) Apenas as afirmativas I, II e IV estão corretas; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
105 
 
 
c) Apenas as afirmativas III e V estão corretas; 
d) Apenas as afirmativas III e IV estão corretas; 
e) Apenas as afirmativas I, II e V estão corretas. 
 
8. O CREF é o órgão fiscalizador da profissão. O mesmo possui competências de 
coordenar, zelar e dispor de manual de orientação. Quanto as ações de 
orientação e fiscalização o mesmo: 
 
I. Faz visitas rotineiras; 
II. Atende denúncias de profissional de Educação Física; 
III. Visitas específicas; 
IV. Lavra relatos. 
 
Está correto: 
 
a) Apenas as afirmativas II e III estão corretas; 
b) Apenas as afirmativas I e IV estão corretas; 
c) Apenas as afirmativas I, II e III estão corretas; 
d) Apenas as afirmativas III e IV estão corretas; 
e) Apenas as afirmativas I e II estão corretas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
106 
 
 
 
RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO 
 
UNIDADE 01 
 
 
 
UNIDADE 02 
 
QUESTÃO 1 A QUESTÃO 1 A 
QUESTÃO 2 B QUESTÃO 2 E 
QUESTÃO 3 B QUESTÃO 3 D 
QUESTÃO 4 A QUESTÃO 4 D 
QUESTÃO 5 B QUESTÃO 5 C 
QUESTÃO 6 A QUESTÃO 6 D 
QUESTÃO 7 E QUESTÃO 7 C 
QUESTÃO 8 C QUESTÃO 8 C 
 
 
UNIDADE 03 
 
 
 
 
UNIDADE 04 
 
QUESTÃO 1 B QUESTÃO 1 B 
QUESTÃO 2 E QUESTÃO 2 E 
QUESTÃO 3 C QUESTÃO 3 D 
QUESTÃO 4 C QUESTÃO 4 A 
QUESTÃO 5 E QUESTÃO 5 B 
QUESTÃO 6 A QUESTÃO 6 B 
QUESTÃO 7 A QUESTÃO 7 C 
QUESTÃO 8 E QUESTÃO 8 E 
 
 
UNIDADE 05 
 
 
 
UNIDADE 06 
 
QUESTÃO 1 E QUESTÃO 1 C 
QUESTÃO 2 A QUESTÃO 2 D 
QUESTÃO 3 A QUESTÃO 3 D 
QUESTÃO 4 B QUESTÃO 4 B 
QUESTÃO 5 A QUESTÃO 5 A 
QUESTÃO 6 E QUESTÃO 6 D 
QUESTÃO 7 B QUESTÃO 7 A 
QUESTÃO 8 D QUESTÃO 8 C 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
107 
 
 
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KELSEN, H. Teoria pura do Direito. Tradução de João Batista Machado. 6. ed. São 
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WEFFORT, F. C. Formação do pensamento político brasileiro: ideias e personagens. 
São Paulo: Ática , 2011.o saber humano. Os antigos 
lidavam com o mundo de modo muito integrado; não havia a separação entre 
direito e a moral. As sociedades medievais também não faziam essa distinção: havia 
um princípio geral que regia todas as áreas. O direito natural era a razão de tudo. 
A modernidade construiu a diferença entre direito e moral, principalmente, a 
partir do pensamento do filósofo alemão Immanuel Kant. A filosofia de Kant 
diferenciou o universo da norma moral e o universo da norma jurídica. Kant 
influenciou o jurista austríaco Hans Kelsen na construção da sua teoria pura do direito. 
Kelsen separou direito e moral para distanciá-los; ele queria determinar a autonomia 
do Direito. Para Kelsen, direito é o conjunto de normas postas pelo Estado (KELSEN, 
1998). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
 
 
A tarefa do jurista não era avaliar a justiça do sistema, mas compreender os 
critérios de validade das normas de acordo com a hierarquia. Para Kelsen (1998), a 
questão da justiça não pertencia ao direito. Dessa forma, criou um abismo entre 
direito (decidir de acordo com o ordenamento) e moral (discutir os valores). 
 
1.3 A RELAÇÃO ENTRE ÉTICA E MORAL 
O estudo da Ética busca entender todas as formas de mentalidade e estar a 
par de que um ethos dominante não existe sem que haja uma camada social 
dominante que o proclame. Toda vez que se definem normas de comportamento 
consideradas adequadas, passa a haver um aparato para proteger essas normas. 
Nesse sentido, ao estudarmos a ética devemos também nos preocupar em 
pensar a diversidade das alternativas de comportamento possíveis. Importante 
enfatizar, nesse sentido, a relação entre ética, arbítrio e pluralidade. A universalização 
de qualquer tipo de verdade ética nos leva à definição de patamares rígidos. Torna-
se a moral de uma classe dominante sobre a moral das classes dominadas. 
O que está em questão é a construção do compartilhamento dos valores. 
Dessa forma, todo sistema ético busca, em primeiro lugar, proteger os valores que 
consagra. Muitos grupos sociais constroem sistemas de dominação com base na 
política, na religião ou em outros sistemas que formam a consciência de um grupo. 
Dessa maneira, a ética busca eliminar as diferenças e estabelecer regras de 
padrões de comportamento. No entanto, os valores não são tão absolutos que não 
possam dialogar com valores opostos. Um sistema ético, apesar de defender as suas 
verdades, deve praticar a tolerância, pois a moral de uns não pode se impor à moral 
de outros. 
Valores morais são passíveis de ajuste e de confronte com outros. Os grupos 
culturais opostos podem construir instrumentos para a abertura recíproca de valores. 
Como é possível construir uma ética global em um contexto de diferenças entre os 
povos, nacionalismo exacerbado, contingentes humanos excluídos e oposição entre 
culturas? 
O filósofo alemão Juergen Habermas defende que só existe verdade en-
quanto experiência intersubjetiva. O autor se posiciona em confronto direto com a 
verdade fundada na reflexão individual. Para Habermas, a verdade se constrói a 
partir do diálogo entre sujeitos que pensam diferentes. Ou seja, a chave para a busca 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
 
da verdade é a aceitação da divergência como algo legítimo e natural. Somente 
por meio da comunicação se pode alcançar a colaboração, o entendimento e o 
consenso. 
A moral é algo que avalia o outro para julgá-lo como pertencente ou não 
pertencente a uma comunidade. O próprio direito vem associado a uma moral. A 
linguagem transpassa valores por meio de certos termos e de palavras que expressam 
visões de mundo. E elas se expressam por meio de cláusulas gerais: bom, ruim, justo, 
injusto etc. A linguagem recebe uma grande bagagem da moral. Ela também é 
transmissora desses valores. Todas as práticas discursivas são transmissivas de valores. 
O indivíduo que se vale da linguagem pratica juízos, requalificando-os o tempo todo. 
A ética, portanto, significa esfera da ação individual. Está contida dentro de 
um circuito de liberdade que lhe pertence. A moral é a grande instituição social que 
acaba sendo o arcabouço de sustentação de certas atitudes individuais 
respaldadas em conceitos preexistentes. A moral, por outro lado, procura moldar o 
indivíduo a modelos sociais convenientes, não necessariamente bons. Configura, 
dessa forma, uma instituição social que produz mecanismos de controle e 
determinam a execução de seus preceitos. 
Escolas e normas jurídicas são exemplos de instituições que contribuem para a 
homogeneização dos indivíduos. Instituições trazem estabilidade para o grupo e para 
a sociedade. A moral é um mecanismo de pasteurização dos comportamentos. Ela 
permite julgar o que é conforme e o que é desconforme. Ela promove a agregação 
ou a segregação do outro. 
Nas relações morais é preciso verificar a relação de poder para determinar 
quais são os comportamentos adequados. A moral pode ser o principal instrumento 
ideológico de exercício do poder. A moral disfarça, suaviza e amortece a prática de 
poder. Ou seja, é um instrumento de adequação das identidades individuais. A moral 
fornece abrigo para a estrutura de poder. Ela pratica uma espécie de controle 
conveniente em um certo contexto. Exemplificando, na Idade Média, era clara a 
associação entre poder e moral. A moral imposta era a da Igreja Católica, que 
detinha o poder. 
A relação entre moral e poder pertence à própria dinâmica das relações 
sociais. Nesse sentido, é preciso observar com cautela os valores morais. Um curso de 
ética não é um curso de moral. A filosofia ética é uma prática aberta de reflexão. É 
necessário dimensionar e ponderar os valores, para avaliar se o valor é realmente 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
 
 
válido. A moral do meio é a prática do exercício de dominação? 
 
 
 
Nessa direção, a ética se vale da capacidade de resistência que o indivíduo 
tem em face das pressões externas do meio. É a sua capacidade de ponderar entre 
os conflitos internos e os valores das instituições sociais. Já a moral se baseia em um 
conjunto das sutis e não explícitas manifestações de poder sobre os indivíduos. A 
moral está inserida num contexto sócio-histórico. Não devemos incorporar a moral 
sem questioná-la, sob pena de nos transformarmos em meros reprodutores dos 
conceitos morais do nosso tempo. 
O comportamento ético pressupõe, dessa forma, o questionamento da moral 
antes de absorvê-la. A moral defende o passado, o que foi consagrado e nos 
convida a reproduzir esses valores. A ética flerta com o novo. O comportamento 
ético permite requalificar os valores. Isso dá abertura ao processo de alteração dos 
valores. 
Os indivíduos podem resistir aos valores morais por meio da capacidade de 
reflexão. Não existem leis morais eternas. Em outras palavras, a moral nos convida ao 
conforto e à segurança. A ética nos convida ao exercício responsável e refletido para 
nos tornarmos agentes e arquitetos de nossa própria existência. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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https://bit.ly/3sEsLEa
https://bit.ly/3uNOhIo
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FIXANDO O CONTEÚDO 
1. (Enem 2010, 2ª aplicação) “A ética exige um governo que amplie a igualdade 
entre os cidadãos. Essa é a base da pátria. Sem ela, muitos indivíduos não se sen-
tem “em casa”, experimentam-se como estrangeiros em seu próprio lugar de 
nascimento. “ 
SILVA, R. R. Ética, defesa nacional, cooperação dos povos. OLIVEIRA, E. R (Org.) Segurança & 
defesa nacional: da competição à cooperação regional. São Paulo: Fundação Memorial da 
América Latina, 2007 (adaptado). 
 
Os pressupostos éticos são essenciais para a estruturação política e integração de 
indivíduos em uma sociedade. De acordo com o texto, a ética corresponde a: 
 
a) valores e costumes partilhados pela maioria da sociedade. 
b) preceitos normativosimpostos pela coação das leis jurídicas. 
c) normas determinadas pelo governo, diferentes das leis estrangeiras. 
d) transferência dos valores praticados em casa para a esfera social. 
e) proibição da interferência de estrangeiros em nossa pátria. 
 
2. (ENEM 2011, adaptado) O brasileiro tem noção clara dos comportamentos éticos 
e morais adequados, mas vive sob o espectro da corrupção, revela pesquisa. Se 
o país fosse resultado dos padrões morais que as pessoas dizem aprovar, pareceria 
mais com a Escandinávia do que com Bruzundanga (corrompida nação fictícia 
de Lima Barreto). O distanciamento entre “reconhecer” e “cumprir” efetivamente 
o que é moral constitui uma ambiguidade inerente ao humano, porque as normas 
morais são: 
 
a) decorrentes da vontade divina e, por esse motivo, utópicas. 
b) parâmetros idealizados, cujo cumprimento é destituído de obrigação. 
c) amplas e vão além da capacidade de o indivíduo conseguir cumpri-las 
integralmente. 
d) criadas pelo homem, que concede a si mesmo a lei à qual deve se submeter. 
e) mais vinculantes do que as normas jurídica. 
 
3. (UNICAMP 2016, adaptada) Por que a ética voltou a ser um dos temas mais 
trabalhados do pensamento filosófico contemporâneo? Nos anos 1960, a política 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
 
 
ocupava esse lugar e muitos cometeram o exagero de afirmar que tudo era polí-
tico. 
José Arthur Gianotti, “Moralidade Pública e Moralidade Privada”, em Adauto Novaes, Ética. São 
Paulo: Companhia das Letras, 1992, p. 239. 
 
A partir desse fragmento sobre a ética e o pensamento filosófico, é correto afirmar 
que: 
 
a) o tema foi relevante no passado e apenas recentemente voltou a ocupar um 
espaço central na produção filosófica. 
b) os impasses morais e éticos das sociedades contemporâneas reposicionaram o 
tema da ética como um dos campos mais relevantes para a filosofia. 
c) o pensamento filosófico abandonou sua postura política após o desencanto com 
os sistemas ideológicos que eram vigentes nos anos 1960. 
d) na atualidade, a ética é uma pauta conservadora, pois nas sociedades atuais, 
não há demandas éticas rígidas. 
e) a ética foi incorporada pelas outras ciências, deixando de ser estudada nas últimas 
décadas. 
 
4. (UNISC 2012) – Apresentados os enunciados abaixo, qual deles melhor caracteriza 
o tema da ética filosófica? 
 
a) A ética filosófica estuda a maneira como as pessoas agem dentro de uma 
determinada sociedade. 
b) A ética filosófica consiste em um conjunto de normas relativas à vida sexual das 
pessoas. 
c) A ética filosófica é o estudo das normas que regem o exercício de uma 
determinada profissão. 
d) A ética filosófica é um discurso racional e argumentativo cujo objetivo é 
fundamentar critérios para avaliar as ações humanas, seja para louvá-las ou para 
censurá-las. 
e) A ética filosófica consiste na explicação das normas de comportamento que se 
encontram na Bíblia. 
 
5. (Leopoldino Rocha) O sujeito ético-moral é somente aquele que preencher os 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
 
 
seguintes requisitos: 
 
a) ser consciente de si, mas não precisa reconhecer a existência dos outros como 
sujeitos éticos iguais a si. 
b) saber o que faz, conhecer as causas e os fins de sua ação, o significado de suas 
intenções e de suas atitudes e a essência dos valores morais. 
c) não precisa controlar interiormente seus impulsos, suas inclinações e suas paixões, 
deixando-as fluir livremente. 
d) dizer o que as coisas são, como são e por que são. Enunciar, pois, juízos de fato. 
e) ser responsável, mas não precisa reconhecer-se como autor da sua própria ação 
nem avaliar os efeitos e as consequências dela sobre si e sobre os outros. 
 
6. (Unesp 2019) – Então, todos os alemães dessa época são culpados? 
 
– Esta pergunta surgiu depois da guerra e permanece até hoje. Nenhum povo é 
coletivamente culpado. Os alemães contrários ao nazismo foram perseguidos, 
presos em campos de concentração, forçados ao exílio. A Alemanha estava, 
como muitos outros países da Europa, impregnada de antissemitismo, ainda que 
os antissemitas ativos, assassinos, fossem apenas uma minoria. Estima-se hoje que 
cerca de 100 000 alemães participaram de forma ativa do genocídio. Mas o que 
dizer dos outros, os que viram seus vizinhos judeus serem presos ou os que os 
levaram para os trens de deportação? 
(Annette Wieviorka. Auschwitz explicado à minha filha, 2000. Adaptado.) 
 
Ao tratar da atitude dos alemães frente à perseguição nazista aos judeus, o texto 
defende a ideia de que: 
a) os alemães comportaram-se de forma diversa perante o genocídio, mas muitos 
mostraram-se tolerantes diante do que acontecia no país. 
b) esse tema continua presente no debate político alemão, pois inexistem fontes 
documentais que comprovem a ocorrência do genocídio. 
c) esse tema foi bastante discutido no período do pós-guerra, mas é inadequado 
abordá-lo hoje, pois acentua as divergências políticas no país. 
d) os alemães foram coletivamente responsáveis pelo genocídio judaico, pois a 
maioria da população teve participação direta na ação. 
e) os alemães defendem hoje a participação de seus ancestrais no genocídio, pois 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
 
 
consideram que tal atitude foi uma estratégia de sobrevivência. 
 
7. (Unesp 2018). Os homens, diz antigo ditado grego, atormentam-se com a ideia que 
têm das coisas e não com as coisas em si. Seria grande passo, em alívio da nossa 
miserável condição, se se provasse que isso é uma verdade absoluta. Pois se o mal 
só tem acesso em nós porque julgamos que o seja, parece que estaria em nosso 
poder não o levarmos a sério ou o colocarmos a nosso serviço. Por que atribuir à 
doença, à indigência, ao desprezo um gosto ácido e mau se o podemos 
modificar? Pois o destino apenas suscita o incidente; a nós é que cabe determinar 
a qualidade de seus efeitos. 
(Michel de Montaigne. Ensaios, 2000. Adaptado.) 
 
De acordo com o filósofo, a diferença entre o bem e o mal: 
 
a) representa uma oposição de natureza metafísica, que não está sujeita a 
relativismos existenciais. 
b) relaciona-se com uma esfera sagrada cujo conhecimento é autorizado somente 
a sacerdotes religiosos. 
c) resulta da queda humana de um estado original de bem-aventurança e harmonia 
geral do Universo. 
d) depende do conhecimento do mundo como realidade em si mesma, 
independente dos julgamentos humanos. 
e) depende sobretudo da qualidade valorativa estabelecida por cada indivíduo 
diante de sua vida. 
 
8. (Enem PPL 2016) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
19 
 
 
 
A figura do inquilino ao qual a personagem da tirinha se refere é o(a): 
 
a) constrangimento por olhares de reprovação. 
b) costume importo aos filhos por coação. 
c) consciência da obrigação moral. 
d) pessoa habitante da mesma casa. 
e) temor de possível castigo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
 
 
ÉTICA E MORAL NAS RELAÇÕES 
SOCIAIS 
 
 
 
 
“A astúcia do Direito consiste em valer-se do veneno da 
 força para evitar que ela triunfe“ 
Miguel Reale, jurista brasileiro 
2.1 ÉTICA, MORAL E DIREITO 
Conforme visto no capítulo anterior, a Ética diz respeito ao conjunto dos valores 
que norteiam a vida em sociedade e a convivência entre os indivíduos num 
determinado tempo. O Direito é uma ordem social estabelecida em torno de um 
sistema sancionatório para garantir a aplicação da Justiça. Essa ordem busca 
estabelecer regras para o funcionamento da sociedade e prevê meios para exigir o 
seu cumprimento, as sanções. Ele se vale da força para evitar que o mundo seja 
governado apenas por ela. Corresponde, na visão do jurista Jeremy Bentham, ao 
“mínimo ético” ou a um conjunto de normas morais consideradas relevantes por 
cada sociedade. A Moral, por sua vez, se caracteriza por ser um tipo de preceito 
acerca do comportamento desprovido de mecanismos de coação (MORRIS, 2002).O Direito prevê uma convivência social ordenada, na qual inexiste a 
possibilidade de desordem ou anarquia. É um mecanismo de dominação que se vale 
de normas, instituições e decisões para controlar o comportamento das sociedades. 
As regras jurídicas são obrigatórias e coercitivas, pois emanam de uma fonte jurídica 
válida e de uma autoridade competente. Seu fim último é a realização da justiça do 
bem comum. 
Nesse sentido, diferentemente da Moral, que lida com preceitos sobre o 
comportamento humano despidos de mecanismos de coerção, o Direito é uma 
ordenação ética com capacidade de impor comportamentos pelo uso legitimado 
da força. A Moral se baseia em mecanismos de sanção individual (ressentimento, 
remorso e culpa) ou coletiva (discriminação, repulsa, exclusão e indignação), ao 
passo que o Direito se assenta em sanções coercitivas que se valem da imposição da 
força. O Direito não se vale de qualquer violência indiscriminada, mas da força 
organizada e aplicada segundo regras institucionalizadas. 
O Direito lida com o problema ancestral da busca da verdade e da justiça no 
UNIDADE 
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21 
 
 
exercício do poder. Seu fundamento filosófico variou ao longo da Histórica, sendo 
considerada pelos gregos como uma técnica e pelos romanos como uma arte (a 
busca do bem e da equidade). Assim como as instituições são regras que 
estabelecem padrões de comportamento e geram previsibilidade, o Direito é um 
elemento de fidelização e conexão entre o passado e o futuro. 
Nesse sentido, o Direito não é neutro, mas um conjunto de práticas que visa 
realizar determinados valores fundamentais. O mais importante desses valores é a 
justiça, ou seja, dar a cada um aquilo que lhe é direito. A justiça é parte da moral e 
se baseia no senso de equilíbrio na distribuição de bens entre os homens. Sem 
validade, eficácia e justiça, não há sistema jurídico legítimo. 
O jurista austríaco Hans Kelsen, em “Teoria Pura do Direito”, afirma que a Justiça 
é um valor decorrente da Moral. No entanto, diferentemente das normas sociais 
(Moral e Ética), o Direito é uma norma jurídica cuja legitimidade não se baseia 
apenas em valores, mas em critérios de validade. Ou seja, a norma jurídica é uma 
proposição hipotética dada por um poder institucionalizado (Estado) para 
estabelecer normas de conduta (KELSEN, 1998). 
 A Moral lida com as concepções de um indivíduo ou de um conjunto de 
indivíduos acerca do que é lícito e justo. As regras de conduta morais são tão plurais 
quanto a sociedade e balizam o convívio social. E buscam, essencialmente, o 
aperfeiçoamento de um indivíduo em relação à sua consciência ou a de seu grupo. 
Sua origem é a autoridade religiosa, a razão e a tradição. 
O Direito, por outro lado, é uma técnica de regulação do convívio social que 
se baseia em uma norma. E que prevê sanções ao descumprimento destas regras. A 
fonte do Direito é o Estado. Somente são válidas as normas jurídicas produzidas por 
quem tem competência para tal. As sanções jurídicas, por sua vez, são obrigatórias. 
Embora adote princípios morais como fundamento de sua aplicação, o Direito pode 
conter também normais normas amorais. 
A Moral, por seu turno, influencia diretamente o Direito. Os legisladores são 
guiados por valores e ideias difusos na sociedade para produzir normas jurídicas. As 
normas jurídicas, nesse sentido, expressam regras morais que devem ser 
obrigatoriamente cumpridas. As sociedades antigas, como visto, eram 
caracterizadas pela coincidência entre mandamentos jurídicos e morais. Já na Idade 
Média, as regras jurídicas constituíam um “mínimo ético”, ou seja, o núcleo duro das 
regras morais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
 
Com a positivação do Direito (prevalência de normas escritas em códigos e 
leis), nos séculos XVIII e XIX, as regras jurídicas tornaram-se autônomas em relação à 
moral. Dada a pluralidade de sistemas morais existentes (religião, família, trabalho 
etc), as autoridades competentes do Estado se limitaram a impor normas segundo 
critérios de validade. 
 
 
 
Os positivistas defendem que os indivíduos são livres para obedecer ou não às 
normas vigentes, de acordo com os seus valores morais e interesses. O custo do 
descumprimento dessas normas é a aplicação de sanções jurídicas. Os moralistas, 
por sua vez, sustentam que os operadores do Direito precisam buscar sempre a coe-
rência entre normais normas jurídicas e preceitos morais, sob pena de esvaziamento 
valorativo do Direito. Para eles, seria impossível estabelecer uma distinção entre 
Direito e Moral, pois ambos caminham lado a lado. 
Portanto, é importante distinguir norma moral e norma jurídica. A normal moral 
decorre da experiência histórica da sociedade. Já a norma jurídica pode ser imposta 
pela autoridade mesmo que não corresponda à experiência da sociedade. A norma 
moral fala a linguagem da interioridade e da intencionalidade. É preciso haver 
correspondência entre a vontade interior e a exteriorização. Na norma jurídica, isso é 
irrelevante em diversas situações. Na norma jurídica, são necessários atos exteriores; 
a intencionalidade é um aspecto secundário. A norma moral não possui sanção 
(punição); já a norma jurídica possui sanção. 
A norma moral possui, entretanto, um grau de coercibilidade (possibilidade de 
punição) que muitas vezes é muito mais forte que a sanção jurídica, como a 
vergonha, o constrangimento e o arrependimento. Direito e moral não podem se 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
23 
 
 
separar. Como avaliar a legitimidade de um sistema jurídico? Essa avaliação não 
pode ser pautada unicamente sob o aspecto da moral. Após a Segunda Guerra 
Mundial, com a Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948, foram 
definidas as diretrizes estruturantes do comportamento universal, de modo que os 
direitos humanos constituem o mínimo ético de um sistema jurídico. 
 
2.2 ÉTICA NA POLÍTICA 
A relação entre ética, moral e política é tão ancestral quanto a Humanidade. 
Desde os filósofos da Antiguidade até os cientistas políticos, juristas e escritores 
contemporâneos, o tema já foi abordado de maneira múltipla. O assunto desperta 
as atenções do ser humano desde os primórdios da civilização. Tratados, ensaios, 
romances e peças teatrais já foram escritas sobre essa questão, sem uma solução 
definitiva ou uma resposta correta para a problemática da moralidade nas relações 
sociais. 
Sendo o homem um ser essencialmente político – isto é, que vive na polis 
(cidade) – sempre se pergunta sobre o que é agir moralmente. Da mesma forma 
que existe uma ética profissional, uma ética do trabalho, uma ética familiar e uma 
ética religiosa, a ética política trata da distinção entre o que é moralmente lícito e 
ilícito. 
A aceitação de que a moral política se distingue do senso comum é um dos 
fundamentos da modernidade. Maquiavel afirmou, em “O Príncipe”, que a moral dos 
governantes não é a mesma dos governados. Nesse sentido, para obter êxito em sua 
missão de dominar os povos e governar as nações, antes de serem amados, os 
príncipes deveriam buscar serem temidos (MAQUIAVEL, 2010). 
Enquanto em outras atividades humanas o que se busca, essencialmente, é 
adequar os comportamentos às regras de conduta moral consensuais e 
estabelecidas, na relação entre política e moral, o debate é mais complexo. Ao 
contrário da ética médica, da ética esportiva ou da ética do trabalho, não existe um 
consenso sobre quais seriam os preceitos éticos da política. O que existe, 
fundamentalmente, é a noção de que a moral política se reporta às ações de um 
indivíduo no que toca aos seus deveres para com os outros, e não consigo mesmo. 
Dessa forma, o foco do estudo da moral política não é a compreensão daquilo 
que é considerado lícito ou ilícito. Na perspectiva do filósofo e jurista italiano Norberto 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
24 
 
 
Bobbio, o que sebusca compreender é “[...] se tem sentido colocar-se em termos 
morais o problema do admissível e do inadmissível no caso das ações políticas” 
(BOBBIO, 2003, p. 161). 
Dessa forma, utilizando-se uma categoria de Maquiavel, é possível, por 
exemplo, distinguir os políticos do tipo “leão” e os do tipo “raposa”. Os primeiros 
baseariam seu poder no uso da força; os segundos, no domínio da astúcia. Thomas 
Hobbes, em sua obra “O Leviatã”, assegurava que nenhuma moral estava acima da 
política. No estado de natureza, argumentava o filósofo inglês, a política não tinha 
nenhum conteúdo moral, baseando-se pura e simplesmente no exercício da força 
(MORRIS, 2002). 
A moral do mais forte sempre prevalecia e a sobrevivência era a única moral 
existente. No estado civil impera a moral do soberano, isto é, daquele indivíduo 
escolhido pelos demais como aquele que distingue o justo do injusto. Portanto, a 
vontade do rei deveria ser a única e exclusiva fonte moral a ser obedecida. A noção 
de razão de Estado, que floresceu com o Estado moderno, aceita que em 
circunstâncias específicas e determinadas, o soberano possa infringir os códigos 
morais prevalecentes para salvaguardar o seu poder. 
Assim, a ação política imporia ao seu praticante “[...] ações moralmente 
reprováveis, porém necessárias por causa da natureza e da finalidade da própria 
atividade” (BOBBIO, 2003, p. 168). Da mesma forma que o político teria uma moral 
própria, certas categorias profissionais, ao longo da História, também advogam a 
existência de um direito particular e de uma moral específica. Se existe uma ética 
inerente à política, existiria, do mesmo modo, uma ética aplicável a profissões 
determinadas, como a dos médicos, dos padres e dos advogados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
 
 
2.3 ÉTICA DAS CONVICÇÕES E ÉTICA DA RESPONSABILIDADE 
Quando refletimos sobre a importância da moral e da ética na vida pública, 
é importante entender como os valores morais e éticos guiam os homens públicos em 
suas ações. Em seu clássico artigo “Política como Vocação”, o sociólogo alemão 
Max Weber (1864-1920) distingue três qualidades para a formação de um homem 
público (WEBER, 1965). Em primeiro lugar, a paixão à causa; e segundo lugar, o senso 
de responsabilidade; em terceiro lugar, o senso de proporção, isto é, a capacidade 
de manter distância dos fatos e dos homens, de modo a refletir com mais 
propriedade sobre os acontecimentos. Segundo Weber (1965), os homens precisam 
ainda superar a vaidade, pois o desejo de poder pode desvirtuar tanto a sua paixão, 
quanto o seu senso de proporção. Ou seja, a vaidade poder tornar-se um fim em si 
mesmo, uma busca exclusiva pela exaltação do próprio ego. 
Existe uma ética própria para o mundo político? Para Weber (1965), na política 
haveria dois pecados mortais. Primeiro, não defender nenhuma causa, o que conduz 
o político à paralisia e à busca do brilho efêmero. Segundo, não possuir nenhum senso 
de responsabilidade, o que o leva a abusar do poder como um fim em si mesmo, sem 
qualquer propósito maior. As causas que justificam o alcance do poder dependeriam 
das visões de mundo e convicções íntimas de cada político. Tais motivações podem 
ser humanistas, nacionalistas, sociais, religiosas e éticas. 
Nesse sentido, cabe indagar se existiria um “mínimo ético” na política que 
compatibilizasse as diversas causas que levam os políticos a almejar o poder. Seria a 
ética da política a mesma ética da religião? Segundo Weber (1965), a ética religiosa, 
contida nos Evangelhos, implica em comportamentos rígidos e que não admitem 
meio-termo: é o “tudo ou nada”. A ética dos Evangelhos persegue verdades 
absolutas e incontestáveis, baseadas na convicção e na consciência individual. 
De acordo com Weber (1965), as condutas podem ser orientadas segundo 
duas lógicas: a ética da ética da convicção e a ética da responsabilidade. Isto não 
significa que a ética da convicção esteja desconectada de qualquer 
responsabilidade. O ponto central da ética da responsabilidade é a noção das 
consequências do ato humano e o reconhecimento do papel da vontade, da ação 
ou da omissão na produção de resultados. Quando se observa apenas ética da 
convicção, atribui-se qualquer consequência dos atos humanos à vontade divina. 
Dessa forma, os homens isentam-se de qualquer compromisso, obrigação e 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26 
 
 
prudência no dia a dia, pois seu destino estaria traçado. 
A questão mais sensível da ética da responsabilidade é o fato de que, para 
alcançar fins considerados nobres, os homens às vezes precisam recorrer a expedi-
entes considerados desagradáveis, desonestos ou perigosos. Assim, o ato de mentir, 
segundo a ética das convicções, é moralmente condenável. Já segundo a ética da 
responsabilidade, a mentira, muitas vezes, pode ser uma forma de se evitar um mal 
maior. Segundo Weber (1965), no entanto, nenhuma ética conseguiu até hoje definir 
o que seria uma finalidade considerada “eticamente boa” que justificasse o uso de 
métodos considerados moralmente perigosos, como o uso da força. 
 
 
 
Em que circunstâncias se justifica o uso da força para o alcance de fins 
considerados justos? No caso de uma guerra ou de uma revolução, por exemplo, 
seria legítimo o recurso à violência para alcançar fins considerados justos? Os 
partidários da ética da convicção são unânimes ao afirmar que matar um outro ser 
humano é considerado um pecado mortal, sem qualquer exceção. Já sob o ponto 
de vista da ética da responsabilidade, em casos excepcionais, como o de uma 
ameaça à sobrevivência do Estado ou da nação, seria moralmente justo o emprego 
da força e da violência armada para repelir uma invasão ao território nacional. 
Essa tensão entre meios e fins caracteriza a ética da responsabilidade. Nesse 
sentido, a violência poderia ser admitida como um meio do alcance de fins políticos 
considerados nobres ou justos, como a sobrevivência nacional. Da mesma forma, o 
debate entre a continuidade de uma revolução ou de uma guerra e a realização da 
paz depende, sobretudo, das condições em que os termos da paz são assinados. Se 
forem injustos, os partidários da ética da responsabilidade admitem a legitimidade 
As duas lógicas weberianas que conduzem a vida política: a Ética das Convicções e Ética 
da Responsabilidade: 
 Ética da responsabilidade é a noção das consequências do ato humano e o 
reconhecimento do papel da vontade, da ação ou da omissão na produção de 
resultados. 
 Ética da convicção é a atribuição de qualquer consequência dos atos humanos à 
vontade divina. Dessa forma, os homens isentam-se de qualquer compromisso, 
obrigação e prudência no dia a dia, pois seu destino estaria traçado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
27 
 
 
da continuidade da revolução ou da guerra. 
 
 
 
Para Weber (1965), é impossível conciliar a ética da convicção e a ética da 
responsabilidade, pois a primeira não admite concessões à segunda. A ética da 
convicção defende que os meios são mais importantes que os fins. Isto é, o mal só 
pode trazer o mal. A ética da responsabilidade, por sua vez, admite que os fins 
justifiquem os meios. Ou seja, o mal, quando praticado com fins nobres, também 
pode produzir o bem. Todas as crenças religiosas enfrentam o problema da ética na 
política. A questão mais sensível são as circunstâncias em que se admite e se legitima 
o uso da violência. Os políticos ao praticarem a violência com a busca de um fim 
nobre devem não apenas justificar o recurso à força, mas buscar seguidores que 
compartilhem de seus objetivos. 
Em síntese, Max Weber afirma que a política não pode abrir mão das questões 
éticas. Os homens que se dedicam à política, na visão do autor, devem estar cientes 
das consequências e impactos de seus atos. A salvação das almas, de um indivíduo 
e de seu grupo não deve ser buscada por meio da política, mas da religião. O 
caminho da política,por sua vez, pressupõe o uso de algum tipo de violência para 
alcançar os objetivos pretendidos. Nesse sentido, é preciso esclarecer aos partidários 
da ética da convicção que quaisquer atos humanos geram consequências. A 
Os partidários da ética da convicção acreditam que quaisquer atos humanos geram 
consequências, inclusive na política. Já para os adeptos da ética da responsabilidade, a 
política, diferentemente da religião, exige que os homens tenham senso de proporção. 
Sendo assim, convidamos você a refletir sobre a seguinte situação: 
 Um determinado país sofre um ataque externo e precisa tomar atitudes de defesa e 
ataque. No entanto, sua população não tem total conhecimento sobre os 
desdobramentos dessa situação. Revelar tudo o que está acontecendo pode gerar 
pânico geral e piorar ainda mais o quadro, até mesmo dificultando as ações de defesa. 
Para a ética da convicção, a verdade deve estar acima de tudo. Contudo, preservar 
em sigilo determinadas informações ou até mesmo mentir sobre elas pode promover a 
segurança nacional. Para os adeptos da ética da responsabilidade é preciso lançar 
mão do senso de proporção. Em que medida um chefe de Estado deve pender para 
uma das duas lógicas? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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política, diferentemente da religião, exige que os homens tenham senso de 
proporção. Sendo assim, a política seria a arte do possível. 
 
 
 
 
https://bit.ly/2Ocaijw
https://bit.ly/2Ocaijw
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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FIXANDO O CONTEÚDO 
1. (Enem 2010, 2ª aplicação) No século XX, o transporte rodoviário e a aviação civil 
aceleraram o intercâmbio de pessoas e mercadorias, fazendo com que as dis-
tâncias e a percepção subjetiva das mesmas se reduzissem constantemente. É 
possível apontar uma tendência de universalização em vários campos, por 
exemplo, na globalização da economia, no armamentismo nuclear, na 
manipulação genética, entre outros. 
HABERMAS, J. A constelação pós-nacional: ensaios políticos. São Paulo: Littera Mundi, 2001 
(adaptado). 
 
Os impactos e efeitos dessa universalização, conforme descrito no texto, podem 
ser analisados do ponto de vista moral, o que leva à defesa da criação de normas 
universais que estejam de acordo com: 
 
a) os valores culturais praticados pelos diferentes povos em suas tradições e costumes 
locais. 
b) os pactos assinados pelos grandes líderes políticos, os quais dispõem de condições 
para tomar decisões. 
c) os sentimentos de respeito e fé no cumprimento de valores religiosos relativos à 
justiça divina. 
d) os sistemas políticos e seus processos consensuais e democráticos de formação de 
normas gerais. 
e) os imperativos técnico-científicos, que determinam com exatidão o grau de justiça 
das normas. 
 
2. (Enem 2010) A ética precisa ser compreendida como um empreendimento 
coletivo a ser constantemente retomado e rediscutido, porque é produto da 
relação social se organize sentindo-se responsável por todos e que crie condições 
para o exercício de um pensar e agir autônomos. A relação entre ética e política 
é também uma questão de educação e luta pela soberania dos povos. É 
necessária uma ética renovada, que se construa a partir da natureza dos valores 
sociais para organizar também uma nova prática política. 
CORDI et al. Para filosofar. São Paulo: Scipione, 2007 (adaptado). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
 
O Século XX teve de repensar a ética para enfrentar novos problemas oriundos de 
diferentes crises sociais, conflitos ideológicos e contradições da realidade. Sob esse 
enfoque e a partir do texto, a ética pode ser: 
 
a) compreendida como instrumento de garantia da cidadania, porque através dela 
os cidadãos passam a pensar e agir de acordo com valores coletivos. 
b) mecanismo de criação de direitos humanos, porque é da natureza do homem ser 
ético e virtuoso. 
c) meio para resolver os conflitos sociais no cenário da globalização, pois a partir do 
entendimento do que é efetivamente a ética, a política internacional se realiza. 
d) parâmetro para assegurar o exercício político primando pelos interesses e ação 
privada dos cidadãos. 
e) aceitação de valores universais implícitos numa sociedade que busca dimensionar 
sua vinculação à outras sociedades. 
 
3. (Enem 2010) Na ética contemporânea, o sujeito não é mais um sujeito substancial, 
soberano e absolutamente livre, nem um sujeito empírico puramente natural. Ele é 
simultaneamente os dois, na medida em que é um sujeito histórico-social. Assim, a 
ética adquire um dimensionamento político, uma vez que a ação do sujeito não 
pode mais ser vista e avaliada fora da relação social coletiva. Desse modo, a ética 
se entrelaça, necessariamente, com a política, entendida esta como a área de 
avaliação dos valores que atravessam as relações sociais e que interliga os 
indivíduos entre si. 
SEVERINO. A. J. Filosofia 
 
O texto, ao evocar a dimensão histórica do processo deformação da ética na 
sociedade contemporânea, ressalta: 
 
a) os conteúdos éticos decorrentes das ideologias político-partidárias. 
b) o valor da ação humana derivada de preceitos metafísicos. 
c) a sistematização de valores desassociados da cultura. 
d) o sentido coletivo e político das ações humanas individuais. 
e) o julgamento da ação ética pelos políticos eleitos democraticamente 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31 
 
 
4. (Enem 2009) Na década de 30 do século XIX, Tocqueville escreveu as seguintes 
linhas a respeito da moralidade nos EUA: “A opinião pública norte-americana é 
particularmente dura com a falta de moral, pois esta desvia a atenção frente à 
busca do bem-estar e prejudica a harmonia doméstica, que é tão essencial ao 
sucesso dos negócios. Nesse sentido, pode-se dizer que ser casto é uma questão 
de honra”. 
 
TOCQUEVILLE, A. Democracy in America. Chicago: Encyclopædia Britannica, Inc., Great Books 44, 
1990 (adaptado). 
 
Do trecho, infere-se que, para Tocqueville, os norte-americanos do seu tempo: 
 
a) buscavam o êxito, descurando as virtudes cívicas. 
b) tinham na vida moral uma garantia de enriquecimento rápido. 
c) valorizavam um conceito de honra dissociado do comportamento ético. 
d) relacionavam a conduta moral dos indivíduos com o progresso econômico. 
e) e) acreditavam que o comportamento casto perturbava a harmonia doméstica. 
 
5. (Enem 2017) “Uma pessoa vê-se forçada pela necessidade a pedir dinheiro 
emprestado. Sabe muito bem que não poderá pagar, mas vê também que não 
lhe emprestarão nada se não prometer firmemente pagar em prazo determinado. 
Sente a tentação de fazer a promessa; mas tem ainda consciência bastante para 
perguntar a si mesma: não é proibido e contrário ao dever livrar-se de apuros desta 
maneira? Admitindo que se decida a fazê-lo, a sua máxima de ação seria: quando 
julgo estar em apuros de dinheiro, vou pedi-lo emprestado e prometo pagá-lo, 
embora saiba que tal nunca sucederá”. 
 
KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Abril Cultural, 1980. 
 
De acordo com a moral kantiana, a “falsa promessa de pagamento” 
representada no texto: 
 
a) assegura que a ação seja aceita por todos a partir da livre discussão participativa. 
b) garante que os efeitos das ações não destruam a possibilidade da vida futura na 
terra. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
32 
 
 
c) opõe-se ao princípio de que toda ação do homem possa valer como norma uni-
versal. 
d) materializa-se no entendimento de que os fins da ação humana podem justificar 
os meios. 
e) permite que a ação individual produza a mais ampla felicidade para as pessoas 
envolvidas. 
 
6. (Enem 2017) A moralidade, Bentham exortava, não é uma questão de agradar a 
Deus, muito menos de fidelidade a regras abstratas. A moralidade é a tentativa de 
criar a maior quantidade de felicidade possível neste mundo. Ao decidir o que 
fazer, deveríamos, portanto, perguntar qual curso de conduta promoveria a maior 
quantidade de felicidadepara todos aqueles que serão afetados. 
 
RACHELS, J. Os elementos da filosofia moral. Barueri-SP: Manole, 2006. 
 
Os parâmetros da ação indicados no texto estão em conformidade com uma: 
 
a) fundamentação científica de viés positivista. 
b) convenção social de orientação normativa. 
c) transgressão comportamental religiosa. 
d) racionalidade de caráter pragmático. 
e) nclinação de natureza passional. 
 
7. (Enem 2017) “Se, pois, para as coisas que fazemos existe um fim que desejamos por 
ele mesmo e tudo o mais é desejado no interesse desse fim; evidentemente tal fim 
será o bem, ou antes, o sumo bem. Mas não terá o conhecimento, porventura, 
grande influência sobre essa vida? Se assim é, esforcemo-nos por determinar, 
ainda que em linhas gerais apenas, o que seja ele e de qual das ciências ou 
faculdades constitui o objeto. Ninguém duvidará de que o seu estudo pertença à 
arte mais prestigiosa e que mais verdadeiramente se pode chamar a arte mestra. 
Ora, a política mostra ser dessa natureza, pois é ela que determina quais as 
ciências que devem ser estudadas num Estado, quais são as que cada cidadão 
deve aprender, e até que ponto; e vemos que até as faculdades tidas em maior 
apreço, como a estratégia, a economia e a retórica, estão sujeitas a ela. Ora, 
como a política utiliza as demais ciências e, por outro lado, legisla sobre o que 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
33 
 
 
devemos e o que não devemos fazer, a finalidade dessa ciência deve abranger 
as das outras, de modo que essa finalidade será o bem humano. 
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. In: Pensadores. São Pauto: Nova Cultural, 1991 (adaptado). 
 
Para Aristóteles, a relação entre o sumo bem e a organização da pólis pressupõe 
que: 
 
a) o bem dos indivíduos consiste em cada um perseguir seus interesses. 
b) o sumo bem é dado pela fé de que os deuses são os portadores da verdade. 
c) a política é a ciência que precede todas as demais na organização da cidade. 
d) a educação visa formar a consciência de cada pessoa para agir corretamente. 
e) a democracia protege as atividades políticas necessárias para o bem comum. 
 
 
8. (Enem/2013) “Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado que temido ou 
temido que amado. Responde-se que ambas as coisas seriam de desejar; mas 
porque é difícil juntá-las, é muito mais seguro ser temido que amado, quando haja 
de faltar uma das duas. Porque dos homens que se pode dizer, duma maneira 
geral, que são ingratos, volúveis, simuladores, covardes e ávidos de lucro, e 
enquanto lhes fazes bem são inteiramente teus, oferecem-te o sangue, os bens, a 
vida e os filhos, quando, como acima disse, o perigo está longe; mas quando ele 
chega, revoltam-se.” 
MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Rio de Janeiro: Bertrand, 1991. 
 
A partir da análise histórica do comportamento humano em suas relações sociais 
e políticas, Maquiavel define o homem como um ser: 
 
a) munido de virtude, com disposição nata a praticar o bem a si e aos outros. 
b) possuidor de fortuna, valendo-se de riquezas para alcançar êxito na política. 
c) guiado por interesses, de modo que suas ações são imprevisíveis e inconstantes. 
d) naturalmente racional, vivendo em um estado pré-social e portando seus direitos 
naturais. 
e) sociável por natureza, mantendo relações pacíficas com seus pares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
34 
 
 
ÉTICA, MORAL E POLÍTICA: A 
CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA 
 
 
 
 
“Que estranho desejo é ambicionar o poder e perder a liberdade” 
Francis Bacon, filósofo inglês 
 
3.1 O CONCEITO DE CIDADANIA E SUA EVOLUÇÃO HISTÓRICA 
Cidadania é um laço que une um indivíduo a um determinado Estado-Nação. 
Esse vínculo de subordinação a uma ordem jurídica nacional torna o indivíduo sujeito 
a direitos e obrigações, tornando-o parte integrante de um povo. O povo é o 
elemento humano que habita o território do Estado e que se mantém unido graças 
aos valores e aos objetivos comuns que compartilham. A cidadania é o vínculo 
estabelecido entre o Estado e o povo. O vínculo de cidadania se prolonga por toda 
a vida e é definidor da identidade pessoal de um indivíduo. No entender de 
Bonavides (2006), a cidadania implica em deveres básicos em relação a uma 
coletividade, como a fidelidade à Nação e a observância das normas do Estado. 
Jorge Miranda afirma que os cidadãos são os membros do Estado, sujeitos de 
Direito e súditos da ordem política juridicamente organizada. Cidadania, portanto, 
define a qualidade do sujeito que se subordina a uma coletividade política. O autor 
distingue a cidadania da nacionalidade. A primeira é o vínculo direto de um indivíduo 
a um Estado, enquanto a segunda é a relação entre um indivíduo e uma Nação. A 
aquisição e a perda de cidadania é definida pelas regras internas do Estado que as 
concede. Há dois meios fundamentais de aquisição da cidadania: pela filiação (jus 
sanguinis) ou pelo local de nascimento (jus soli). A cidadania implica na participação 
da vida política de um Estado, como o direito de votar e de ser votado (MIRANDA, 
2002). 
O conceito de cidadania em sua versão moderna nutriu-se das ideias surgidas 
na Itália, Inglaterra, França e Estados Unidos a partir da Idade Moderna. De Nicolau 
Maquiavel a Thomas Hobbes e de Jean Jacques Rousseau aos Federalistas norte-
americanos, a base do pensamento político moderno compreendido como um 
conjunto de teorias e de ideias relacionadas à busca da institucionalização dos 
UNIDADE 
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35 
 
 
conflitos forjou-se numa pluralidade de correntes e de tradições envoltas na 
formação da linguagem e da prática política europeia nos séculos XVI a XVIII. 
Da matriz italiana, o republicanismo absorveu as lições de Maquiavel acerca 
da formação do humanismo cívico num contexto de reposicionamento do homem 
no centro do pensamento. Responsável por uma ruptura no pensamento ocidental 
e fundador da Ciência Política, o autor resgata o pensamento greco-latino para 
embasar as suas reflexões acerca das temáticas políticas de seu tempo. 
O pensamento de Maquiavel se tornou clássico por duas razões centrais: a 
ampla difusão no Ocidente e abrangência de largas temporalidades. Maquiavel 
aborda as constantes disputas de poder entre as cidades-Estado da península itálica, 
mostrando como a instabilidade e a imprevisibilidade eram inerentes à realidade 
contemporânea. 
Para Maquiavel, política e história também deveriam ser analisadas em 
conjunto, já que o poder organizava historicamente as relações econômicas e sociais 
entre os indivíduos, via exercício da dominação e a busca do consenso. O autor 
desenvolve, nas duas obras, a ideia de que o corpo político se divide ante o desejo 
de dominação e de ser dominado, o que se nota, por exemplo, no relato dos conflitos 
entre as potências europeias da época e as cidades do norte italiano. Finalmente, 
demonstra que a política se desenrola na dicotomia essência versus aparência, 
mostrando como a política possui uma importante dimensão simbólica na 
construção de narrativas. 
A noção de cidadania desenvolvida por Maquiavel seria transformada na 
França, dois séculos depois. Jean Jacques Rousseau foi o mais notável dos filósofos 
do período Iluminista e o principal representante do republicanismo de matriz 
francesa. Em “O Espírito das Leis”, Rousseau ataca a Igreja e a instituição monárquica 
pelas desigualdades e pela miséria. Para conter a proliferação de uma sociedade 
profundamente desigual, prega um ideal democrático, rejeitando o estado histórico, 
construído desde tempos imemoriais, ao qual atribui a culpa pela desigualdade dos 
homens. 
Disseminador de ideais de coletividade e de cooperação, Rousseau propõe a 
composição de um novo Estado, não-tirano, opressor e fonte de desigualdades, mas 
de um organismo protetor, socialmente justo, sem privilégios e que tenha no povo a 
fonte de todo e qualquer poder. No fundo, a função deste novo Estado,pautado 
pela justiça e pelos direitos de todos os homens, era alcançar algo próximo da 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
36 
 
 
perfeição e da igualdade. 
Rousseau conecta, portanto, a formação da liberdade do cidadão à 
soberania popular. Há, portanto, uma possível aproximação entre o pensamento de 
Rousseau e o de Maquiavel, na medida em que ambos procuram afirmar a 
necessidade de legitimação do poder. Na visão de Rousseau, o homem não é um 
ser naturalmente sociável, mas socializável pelas circunstâncias e pela luta para 
sobreviver. 
Em “Discurso da origem da desigualdade entre os homens”, o autor 
argumenta que os direitos se formam a partir de um contrato de submissão dos 
homens a um poder. Nessa linha, ataca a noção de direitos naturais precedente, 
afirmando a necessidade de pactuação do corpo político para a afirmação das 
liberdades. Nesse sentido, sua obra trata da problemática do “contrato social”, 
associada à ideia de república e de igualdade entre os homens. Para Rousseau, a 
cidadania pressupõe a existência de simetria e de uma “vontade geral” entre os 
cidadãos, valorizando, dessa forma, o controle democrático e a prestação de 
contas. A noção contemporânea de cidadania, em um contexto democrático, se 
valeu do debate de ideias durante a formação histórica das instituições republicanas 
dos Estados Unidos da América. Texto clássico da Ciência Política, ‘O Federalista” 
(1788) consagrou-se como um conjunto de artigos escritos por Alexander Hamilton, 
James Madison e John Jay, três dos Pais Fundadores da recém independente nação 
norte-americana. 
Além de consagrados partícipes do processo de emancipação política do 
país, Hamilton, Madison e Jay tiveram atuação destacada no processo de 
elaboração do texto constitucional dos Estados Unidos, no bojo da conclusão da 
Guerra da Independência e dos arranjos para a estabilização política interna. O 
objetivo da publicação desses artigos foi explicitar e debater os temas centrais 
discutidos no processo constituinte, em especial a centralização, a coordenação e o 
controle do poder. 
James Madison, em “O Federalista”, aborda a temática do controle do poder 
político e da contenção das ambições humanas. Advoga, nessa direção, a 
necessidade de instituir mecanismos capazes de afastar as tiranias e assegurar a 
existência das liberdades dentro do Estado, tornando-se um dos principais teóricos 
da existência de “checks and balances” (freios e contrapesos) entre as diversas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
37 
 
 
instâncias e poderes. A teoria liberal da cidadania nutriu-se das lições de Montes-
quieu e da seiva madisoniana para consolidar o entendimento que consagrou a 
moderna tripartição de poderes do Estado. 
Em breves palavras, somente o poder poderia ser contido por outro poder, 
numa sucessão de mecanismos capazes de refrear o ímpeto autoritário dos 
governantes. Madison dialoga com a teoria do “governo misto”, existente na 
Inglaterra liberal do século XVIII, em que as funções governativas eram 
compartilhadas pelos três principais grupos sociais, favorecendo a harmonia, a 
convivência civil e a liberdade. 
Fruto de uma rebelião de cidadãos armados contra uma monarquia, nos 
Estados Unidos estavam ausentes as condições para a existência desse modelo de 
organização social e política. Madison argumentava que o elemento inspirador da 
nova nação também não deveria ser a “virtude” das experiências republicanas da 
Antiguidade Clássica. Contrariamente ao “governo misto” e à “virtude” dos clássicos 
da Grécia, ancorava-se na teoria da “tripartição de poderes” de Montesquieu, que 
defendia uma divisão das atribuições do poder de maneira horizontal entre três 
braços independentes e autônomos de governo: o Legislativo, responsável pela 
edição de normas; o Executivo, responsável pela sua aplicação; e o Judiciário, 
responsável por dirimir conflitos. 
A separação de poderes garantiria a autonomia, o equilíbrio e a liberdade, 
dissolvendo o poder absoluto em várias mãos. Madison preconizava a necessidade 
de se conter o mal das facções através do seu controle, não da sua eliminação. 
Compreendendo a sua natureza e risco, o autor buscava alguma forma de lidar com 
as diferentes forças sociais e políticas nascidas da diversidade de ideias, crenças, 
opiniões e interesses, mas que poderiam ameaçar a estabilidade política dos 
governos e a existência dos regimes. 
Madison entendia que a eliminação das facções era algo incompatível com 
um sistema de liberdades, cuja missão principal do governo era salvaguardar. Um 
ponto central da visão madisoniana, nesse sentido, era a necessidade de equacionar 
a vontade da maioria com os direitos das facções minoritárias, evitando que a 
primeira esmagasse as segundas. A existência de mecanismos de proteção das 
minorias do abuso de poder era essencial para evitar a tirania. 
James Madison rompe com a tradição dos governos populares da 
Antiguidade ao defender o modelo de democracia representativa, em que as 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
38 
 
 
facções estariam representadas por um corpo político de cidadãos preparados para 
governar. A ampliação da base territorial de governo também seria importante. Por 
outro lado, a existência de governos representativos não eliminaria o mal das 
facções, tendo em vista a existência do risco de degeneração do poder em 
armadilhas faccionárias capazes de levar à captura do governo por interesses 
contrários à vontade geral. 
Desta forma, o remédio proposto não é a eliminação das facções, mas a sua 
multiplicação, de modo a pulverizar o poder num grande número de forças facciosas 
de alcance local e limitado, cada uma delas incapaz de ameaçar a existência da 
liberdade. O objetivo é a neutralização das facções entre si, numa fórmula 
semelhante à teoria dos “checks and balances”. O interesse geral, resume Madison, 
se alcançaria através da coordenação dos interesses em conflito pelos poderes que 
interagem entre si, filtrando os excessos e compatibilizando a vontade da maioria 
com os direitos das minorias. A atualidade dos textos dos autores norte-americanos 
repousa em sua capacidade de pensar temas fundamentais da sociedade política 
moderna. 
 
 
 
https://bit.ly/382nxKC
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3.2 CIDADANIA E DIREITOS FUNDAMENTAIS 
O conceito de cidadania não teve difusão uniforme no Ocidente. No ideário 
iluminista, ser cidadão significava ter a posse de direitos políticos uniformes e iguais. A 
ideia era a de que todos eram iguais perante a lei. Na concepção do universalismo 
moderno, existe a ideia de igualdade como um ponto de partida. O papel do Estado 
é reduzido; ele confere a cidadania e define os direitos em abstrato. A Revolução 
Francesa trouxe como conquista a Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão. 
Nessa concepção, o Estado não atrapalha as relações entre os particulares. 
O Estado reconhece os direitos individuais, mas adota um papel de definir o 
que é o espaço da liberdade. O Estado reconhece o direito e se abstém de interferir 
nisso. Atribui direitos ao indivíduo e isso tem impactos sobre a concepção de 
cidadania. No discurso liberal há uma igualdade formal. Por exemplo, o voto de cada 
cidadão tem o mesmo valor, independentemente de sua condição social ou 
financeira. 
Na concepção liberal de cidadania está presente a ideia da 
representatividade. O indivíduo pertence a uma ordem soberana e é esta ordem que 
o reconhece como cidadão. Essa concepção é orientada por critérios político-
jurídicos constitucionalizados. No Direito contemporâneo encontraremos 
concepções que afirmam essa ideia, que é moderna. 
Nesse sentido, cidadão é aquele que é capaz de votar ou que está habilitado 
para receber votos. Votar e ser votado é o que define a condição de cidadão. No 
entanto, será que essa concepção é suficiente para a realização do ideário 
democrático? Será que é suficiente para atender às demandas sociais?

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