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G RU PO SER ED U CACIO N AL GESTÃO SOCIAL E DIREITOS HUMANOS G ESTÃO SO CIAL E D IR EITO S H U M AN O S Marcelo Dayrell Vivas; Patricia Ferreira de Mendonça; Sabrina Roque Becker. Organizadora: Carla Rafaela Pinto da Cunha. EQUIPAMENTOS E MATERIAIS ELÉTRICOS E ELETRÔNICOS Rodrigo Mangueira; Ricardo Fernandes de Souza; Rafaela Guimarães. Equipamentos e Materiais Elétricos e Eletrônicos © by Ser Educacional Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional. Diretor de EAD: Enzo Moreira. Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato. Coordenadora de projetos EAD: Jennifer dos Santos Sousa. Núcleo de Educação à Distância - NEAD Mangueira, Rodrigo; Souza, Ricardo Fernandes de; Guimarães, Rafaela. Equipamentos e Materiais Elétricos e Eletrônicos: Recife: Editora Grupo Ser Educacional e CENGAGE - 2024. 172 p.: pdf ISBN: 978-65-5487-124-2 1. eletricidade 2. para-raios 3. eletrônicos. Grupo Ser Educacional Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro CEP: 50100-160, Recife - PE PABX: (81) 3413-4611 E-mail: sereducacional@sereducacional.com Iconografia Estes ícones irão aparecer ao longo de sua leitura: ACESSE Links que complementam o contéudo. OBJETIVO Descrição do conteúdo abordado. IMPORTANTE Informações importantes que merecem atenção. OBSERVAÇÃO Nota sobre uma informação. PALAVRAS DO PROFESSOR/AUTOR Nota pessoal e particular do autor. PODCAST Recomendação de podcasts. REFLITA Convite a reflexão sobre um determinado texto. RESUMINDO Um resumo sobre o que foi visto no conteúdo. SAIBA MAIS Informações extras sobre o conteúdo. SINTETIZANDO Uma síntese sobre o conteúdo estudado. VOCÊ SABIA? Informações complementares. ASSISTA Recomendação de vídeos e videoaulas. ATENÇÃO Informações importantes que merecem maior atenção. CURIOSIDADES Informações interessantes e relevantes. CONTEXTUALIZANDO Contextualização sobre o tema abordado. DEFINIÇÃO Definição sobre o tema abordado. DICA Dicas interessantes sobre o tema abordado. EXEMPLIFICANDO Exemplos e explicações para melhor absorção do tema. EXEMPLO Exemplos sobre o tema abordado. FIQUE DE OLHO Informações que merecem relevância. SUMÁRIO UNIDADE 1 Propriedades dos materiais � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 13 Principais propriedades � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 13 Principais características magnéticas dos materiais � � � � � � � � � � � � � � � �18 Materiais semicondutores � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 19 Resistividade dos semicondutores � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 23 Aplicação dos semicondutores � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �24 Materiais condutores � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 27 Condutividade Elétrica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 28 Classificação dos condutores � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �29 Relação de temperatura e resistência dos condutores � � � � � � � � � � � � � � 30 Materiais dielétricos ou isolantes � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 31 Dielétricos gasosos � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 31 Dielétricos líquidos � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 32 UNIDADE 2 Conceitos introdutórios e normas aplicáveis � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �39 Conceitos Básicos � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 40 Tensão Elétrica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �41 Corrente Elétrica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 42 Resistencia Elétrica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 43 Condutores de energia � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 45 Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão � � � � 46 Carga elétrica instalada � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 47 Tensão nominal nas instalações � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 47 Potência complexa � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 49 Fornecimento de energia elétrica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �51 Cálculo da demanda de uma instalação � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 53 Isolação � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �61 Características de dimensionamento para a isolação � � � � � � � � � � � � � � 63 Blindagem � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 65 Critério da capacidade de condução de corrente � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 66 Método da queda de tensão � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 72 Seção mínima do condutor segundo a ABNT NBR 5410:2008 � � � � � � 77 Disjuntores e fusíveis � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �78 Disjuntores de baixa tensão � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 78 Dimensionamento de disjuntores � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �81 Fusíveis � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 82 UNIDADE 3 Sistema de aterramento e SPDA (sistema de proteção contra descargas atmosféricas) � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 87 Choque elétrico � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 90 Sistema de aterramento � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 93 Sistema de proteção contra descarga atmosférica (SPDA) � � � � � � 96 Métodos de proteção contra descargas atmosféricas � � � � � � � � � � � 101 Características construtivas � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 107 Equipamentos de manobra, medição e proteção � � � � � � � � � � � � � � � 113 Características dos transformadores de potencial e de corrente � � � �114 Transformador de corrente (TC) � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �114 Transformador de potencial (TP) � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 117 Características das chaves seccionadoras � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �119 Chaves seccionadoras fusíveis (chaves faca) � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 120 Aplicação de religadores e reguladores � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 124 UNIDADE 4 Principais características dos materiais semicondutores: Si, Ge E GaAs � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 129 Classe especial de elementos � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 129 A teoria de lacunas e elétrons e o processo de condução elétrica � 133 Bandas de Energia � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �133o tipo de isolação deve ser feito “de acordo com as temperaturas de regime constante de operações e de sobrecarga”, dadas pela tabela abaixo: 64 Tabela 10 - Temperaturas admissíveis no condutor, supondo a temperatura ambiente de 30 ºC. Temperatura em operação em regime contínuo (°C) Temperatura em sobrecarga (°C) Temperatura em curto-circuito (°C) PVC (Colerto de polivinila) 70 100 160 PET polietilento 70 90 150 XLPE (po- lietileno reticulado) 90 130 250 EPR (Borracha etileno-propi- leno) 90 130 250 Fonte: Niskier e Macintyre, 2013, p. 103. Alguns dos valores comerciais de classe de isolação da tensão são: 750 V; 0,6/1 kV; 3,6/6 kV; 8,7/15 kV. A norma divide a escolha da tensão dos cabos de isolamento em duas categorias que são dadas por Friedrich et al. por: Categoria 1: “abrange os sistemas que, sob condição de falta de uma fase-terra, são previstos para continuar operando por um curto pe- ríodo, desde que somente com uma fase- terra” (2018, p. 91). Geral- mente, este período é definido em uma hora; Categoria 2: compreende todo sistema que não se enquadre na ca- tegoria 1. 65 Blindagem A blindagem difere da isolação, porque sua função é proteger um circuito ou cabo elétrico da interferência eletromagnética causada neste cabo por outros aparelhos que emitem radiação. Sua função é concentrar o campo elétrico, sendo que esta blindagem pode ser feita internamente ao cabo ou por um meio ou anteparo externo. Em instalações industriais, não podemos instalar na mesma ban- deja cabos de diferentes tensões devido exatamente à interferência eletromagnética provocada pela grande quantidade de cabos. Mui- tas instalações residenciais também podem ser feitas com canaletas que separam a parte de dados dos circuitos de força. Os cabos são dimensionados em função da sua seção nominal que de acordo com Friedrich et al. (2018, p. 93) corresponde “à área estritamente geométrica (área da seção transversal do condutor)”. Esse valor é obtido a 20º em W/km e dados em mm2, conforme a norma IEC (International Electrotechnical Commission – Comissão Eletrotécnica Internacional). Os EUA costumam definir a bitola de um cabo em AWG (American Wire Gauge – Calibre de fio america- no), baseada em polegadas. Os cabos elétricos são dimensionados segundo três critérios: • critério da capacidade de condução de corrente; • critério da queda de tensão máxima admissível; • seção mínima do condutor, segundo a ABNT NBR 5410: 2008. 66 Critério da capacidade de condução de corrente Os cabos de PVC são usados em instalações residenciais porque são flexíveis e sua isolação é de 750 V. Já os cabos EPR são usados em médias tensões e os cabos de XLPE são usados em altas tensões. Quanto maior a classe de isolação e a bitola do cabo, mais caro ele será. O primeiro passo é definirmos o método da instalação dos condutores, porque “a maneira de instalar ocasiona influência na troca térmica entre os condutores e o meio ambiente, o que pode al- terar o valor da capacidade de corrente no condutor” (Friedrich et al. 2018, p. 98). Neste momento, decidiremos se usaremos eletrodutos, eletrocalhas, barramentos blindados etc. A norma ABNT NBR 5410: 2008 - Instalações elétricas em baixa tensão traz 75 métodos diferentes de instalarmos cabos elé- tricos. As três primeiras maneiras de instalá-los estão demonstra- das na Figura 12. A figura mostra três maneiras diferentes de instalar-se um cabo elétrico. Na primeira maneira, temos cabos unipolares ins- talados dentro do eletroduto, que está instalado dentro da parede; na segunda, um cabo trifásico é instalado dentro do eletroduto, que está instalado na parede; e, no último, o cabo elétrico está instalado em um eletroduto, que está colocado fora da parede. VOCÊ SABIA? 67 Figura 12 - Tipos de linhas elétricas. Método de instala- ção de número Esquema ilustrativo Descrição Método de referência 1 Condutores isolados ou cabos unipolares em eletrodutor de seção circular embutido em parede termicamiente isolante A1 2 Condutores multipolar em eletroduto de seção circular embutido em parede termicamente isolante A2 3 (refazer imagem) Condutores isolados ou cabos unipolares em eletroduto aparente de seção circular sobre parede ou espaçado desta menos de 0,3 vez o diâmetro do eletroduto B1 Fonte: ABNT, 2008, p. 98. Agora, temos que determinar o número de condutores carre- gados por circuito. Segundo Niskier e Macintyre (2013, p. 103), nós podemos ter: • dois condutores carregados: F-N (fase-neutro) ou F-F (fase-fase); • três condutores carregados: 2F-N, 3F; 3F-N (supondo sistema equilibrado, ou seja, a corrente do neutro será igual a zero); • quatro condutores carregados: 3F – N. Depois, calculamos o valor da corrente nominal do circuito: Ip = Pn/Tn. O valor calculado para Ip deve ser utilizado para encontrar Face Interna Face Interna 68 na tabela 11 um cabo que transporte um valor de corrente igual ou superior ao calculado. Por exemplo, se Ip = 20 A, dois condutores carregados, mé- todo de instalação A1, teríamos um cabo de 4 mm2, cuja capacidade de condução é de 26 A. Este valor seria o correto se não tivéssemos que corrigir o valor da corrente de projeto de acordo com o critério da temperatura (conhecido por k1) e do fator de agrupamento (cha- mado de FAG ou k2). Tabela 11 - Capacidade de condução de corrente conforme ABNT NBR 5410: 2008 em Ampères, para os métodos de referência A1, A2 e B1. Seções mínimas dos con- dutores (mm²) A1 A2 B1 2 con- dutores carrega- dos 3 con- dutores carrega- dos 2 con- dutores carrega- dos 3 con- dutores carrega- dos 2 con- dutores carrega- dos 3 con- dutores carrega- dos Cobre - Correntes nominais (A) 0,5 7 7 7 7 9 8 0,75 9 9 9 9 11 10 1 11 10 11 10 14 12 1,5 14,5 13,5 14 13 17,5 15,5 2,5 19,5 18 18,5 17,5 24 21 4 26 24 25 23 32 28 6 34 31 32 29 41 36 10 46 42 43 39 57 50 16 61 56 57 52 76 68 25 80 73 75 68 101 89 35 99 89 92 83 125 110 50 119 108 110 99 151 134 70 151 136 139 125 192 171 95 182 164 167 150 232 207 120 210 188 192 172 269 239 150 240 216 219 196 309 275 185 273 245 248 223 353 314 69 240 321 286 291 261 415 370 300 367 328 334 298 477 426 400 438 390 398 355 571 510 500 502 447 456 406 656 587 630 578 514 526 467 758 678 800 669 593 609 540 881 788 1000 767 679 698 618 1.012 906 Fonte: ABNT, 2008, p. 109. • Condutores isolados, cabos unipolares e multipolares – cobre, isolação de PVC, temperatura de 70ºC no condutor. • Temperatura - 30 ºC (ambiente), 20 ºC (solo). • Depois, verificamos se precisamos atualizar o valor obtido se- gundo os critérios de: • Correção de temperatura: k1, dados na tabela “Fatores de cor- reção para temperaturas ambientes diferentes de 30 ºC par cabos não enterrados e de 20 ºC (temperatura do solo) para cabos enterrados – k1” • Agrupamento de condutores: k2, conforme tabela “Fatores de correção – k2 para agrupamento de circuitos ou cabos multi- polares, aplicáveis aos valores de capacidade de condução da corrente”. O valor de Ip corrigida, chamada de corrente de projeto, con- siderando os efeitos da temperatura e de agrupamento dos cabos, coeficientes k1 e k2, será obtido através da equação: I’p = Ip/ k1 x k2 Assim, a corrente Ip = 20 A, para temperatura igual 35 ºC, cabo de PVC, instalado no ambiente, terá o valor de k1 = 0,94. Ago- ra, imaginemos que este cabo ocupa um eletroduto com mais dois circuitos, ou seja, para três circuitos temos k2 = 0,70, logo, k1 x k2 = 0,94 x 0,70 = 0,658. O valor da corrente de projeto, que era de 20 A, agora foi corrigido para 30,39 A. O cabo de 4 mm2 não pode mais ser utilizado, agora devemos adotar o cabo de 6 mm2 que conduz 34 A. 70 Tabela 12 - Fatores de correção para temperaturas ambientes diferentes de 30 ºC para cabos não enterrados e de 20 ºC (temperatura do solo) para cabos enterrados – k1. Ambiente Tempeatura °C IsolaçãoPVC EPR ou XLPE 10 1,22 1,15 15 1,17 1,12 20 1,12 1,08 25 1,06 1,04 35 0,94 0,96 40 0,87 0,91 45 0,79 0,87 50 0,71 0,82 55 0,61 0,76 60 0,5 0,71 65 - 0,65 70 - 0,58 75 - 0,50 80 - 0,41 Do Solo 10 1,1 1,07 15 1,05 1,04 25 0,95 0,96 30 0,89 0,93 35 0,84 0,89 40 0,77 0,85 45 0,71 0,80 50 0,63 0,76 55 0,55 0,71 60 0,45 0,65 65 - 0,60 70 - 0,53 75 - 0,46 80 - 0,38 Fonte: ABNT, 2008, p. 114. 71 Tabela 13 - Fatores de correção – k2 para agrupamento de circuitos ou cabos multipolares, aplicáveis aos valores de capacidade de condução da corrente. Fonte: ABNT, 2008, p. 116. It em D is p os iç ão do s ca bo s ju st ap os to s N ú m er o de c ir cu it os o u d e ca bo s m u lt ip ol ar es “ T ab el as do s m ét od os d e re fe rê n ci a” 1 2 3 4 5 6 7 8 9 a 11 12 a1 5 16 a 19 ≥ 2 0 M ét od os A a F 1 “ E m f ei xe d e ca bo s ao a r li vr e ou so br e su - p er fí ci e; e m co n du to s fe ch ad o” 1 0, 80 0, 70 0, 65 0, 60 0, 57 0, 54 0, 52 0, 50 0, 45 0, 41 0, 38 72 Nota: esses fatores são aplicáveis aos grupos de cabos unifor- memente carregados. Quando a distância horizontal entre cabos adjacentes for su- perior ao dobro de seu diâmetro externo, não é necessário aplicar nenhum fator de redução. Os mesmos fatores de correção são aplicáveis a: • grupos de dois ou três condutores isolados ou cabos unipolares; • cabos multipolares. Caso um agrupamento seja constituído tanto de cabos bipo- lares como de cabos tripolares, o número total de cabos será tomado igual ao número de circuitos e o fator de correção corresponden- te será aplicado às tabelas de dois condutores carregados, para os cabos bipolares e às tabelas de três condutores carregados para os cabos tripolares. Se um agrupamento consiste em N condutores isolados ou cabos unipolares, pode-se considerar tanto N/2 circuitos com dois condutores carregados como N/3 circuitos com três condutores carregados. Os valores indicados são médios para a faixa usual de seções nominais, com dispersão geralmente inferior a 5%. Método da queda de tensão Após calcularmos o cabo através do método da capacidade de con- dução da corrente, devemos confirmar nosso cálculo por meio do método da queda de tensão. A energia é perdida por dissipação tér- mica ao longo do percurso da entrada de energia até o ponto de uti- lização pelo consumidor, além de ser dissipada pelos equipamentos do sistema elétrico. Apesar deste valor ser baixo, na maioria das ve- zes, como o cabo elétrico possui resistividade, ele também dissipa energia elétrica na forma de energia térmica (perdas Joule, corren- tes parasitas, Foucault etc.). Nesse contexto, a tensão fornecida pela concessionária apresenta uma queda até o ponto de utilização que deve ser calculada. 73 A norma ABNT NBR 5410: 2008 estabelece os valores máxi- mos admissíveis para esta queda. Estes valores são mostrados na figura 13, mostrando a queda de tensão máxima de 5% para a insta- lação quando ela for alimentada pela rede da concessionária e de 7% quando a instalação possuir geração própria, como algumas indús- trias. Para ambos os casos, a máxima queda de tensão para circuitos de iluminação é de 2%. Figura 13 - Quedas de tensão admissíveis. Fonte: adaptada de Creder (2013, p.96) pelo Editorial Cengage (2020). O cálculo da queda de tensão é obtido através da fórmula: Queda de tensão percentual (e%) = tensão de entrada - tensão na carga/ tensão de entrada x 100 Este valor pode ser obtido, ainda, multiplicando a potência do aparelho, dada em Watts pela distância entre seu ponto de alimen- tação e o quadro geral de distribuição da residência. Se um circuito possuir mais de uma tomada, por exemplo, está multiplicação será feita pela soma final de cada potência multiplicada por cada distân- cia. O valor final deve ser menor que o indicado para esta soma atra- vés das tabelas 14 e 15. 74 Tabela 14 - Soma das potências em Watts x distâncias em metros para tensão V = 127 Volts. Bitola do cabo em mm² Queda de tensão 1% 2% 3% 4% 5% 1,5 7.016 14.032 21.048 28.064 35.081 2.5 11.694 23.387 35.081 46.774 58.468 4 18.710 37.419 56.129 74.839 93.548 6 28.064 56.129 84.193 112.258 140.322 10 46.774 93.548 140.322 187.096 233.871 16 74.839 149.677 224.516 299.354 374.193 25 116.935 233.871 350.806 467.741 584.676 35 163.709 327.419 491.128 654.837 818.547 50 233.871 467.741 701.612 935.482 1.169.353 70 327.419 654.837 982.256 1.309.675 1.637.094 95 444.354 888.708 1.133.062 1.777.416 2.221.770 120 561.289 1.122.578 1.683.868 2.245.157 2.806.446 150 701.612 1.403.223 2.104.835 2.806.446 3.508.058 185 865.321 1.730.642 2.595.963 3.461.283 4.326.604 240 1.122.578 2.245.157 3.367.735 4.490.314 5.612.892 300 1.403.223 2.806.446 4.209.669 5.612.892 7.016.115 400 1.807.964 3.741.928 5.612.892 7.483.856 9.354.820 500 2.338.705 4.67.410 7.016.115 9.354.820 11.693.525 Fonte: Creder, 2013, p. 97. 75 Tabela 15 - Soma das potências em Watts x distâncias em metros para tensão V = 220 Volts (dois condutores). Bitola do cabo em mm² Queda de tensão 1% 2% 3% 4% 5% 1,5 21.054 42.108 63.162 84.216 105.270 2,5 35.090 70.180 105.270 140.360 175.450 4 56.144 112.288 168.432 224.576 208.720 6 84.216 168.432 252.648 336.864 421.080 10 140.360 280.720 421.080 561.440 701.800 16 224.576 449.152 673.728 898.304 1.122.880 25 350.900 701.800 1.052.700 1.403.600 1.754.500 35 491.260 982.520 1.473.780 1.965.040 2.456.300 50 701.800 1.403.600 2.105.400 2.807.200 3.509.000 40 982.520 1.965.040 2.947.560 3.930.080 4.912.600 95 1.333.420 2.666.840 4.000.260 5.333.680 6.667.100 120 1.684.320 3.368.640 5.052.960 6.737.280 8.421.600 150 2.105.400 4.210.800 6.316.200 8.421.600 10.527.000 185 2.596.660 5.193.320 7.789.980 10.360.640 12.983.300 240 3.368.640 6.737.280 10.105.920 13.474.560 16.843.200 300 4.210.800 8.421.600 12.632.400 16.843.200 21.054.000 400 5.614.400 11.228.800 16.843.200 22.457.600 28.072.000 500 7.018.000 14.036.000 21.054.000 28.072.000 35.090.000 Fonte: Creder, 2013, p.97. Observação: para circuitos trifásicos, multiplicar as distâncias por √3/2 = 0,866. Para o circuito mostrado na figura 14, são mostrados qua- tro aparelhos com suas potências e distâncias até o quadro de distribuição. 76 Figura 14 - Circuito ilustrativo. Fonte: Editorial Cengage (2020). Este cálculo é obtido através de Potência total (W) x distância em metros dada através da tabela 16 a seguir: Tabela 16 - Exemplo ilustrativo para o cálculo da máxima queda de tensão Aparelho Potência Distância Subtotal 1 40 6 m 240 2 100 6+4= 10 m 1.000 3 180 6+4 +11 = 21 m 3.780 4 600 6+4+11+7= 28 m 16.800 Total 21.820 m Fonte: Editorial Cengage (2020). Se adotarmos um cabo de # 2,5 mm2, alimentado em 127 V, teremos que 21.820 > 23.387, valor para uma queda de tensão de 2%. Como a norma estabelece 5% como critério para circuitos de toma- da, conforme está mostrado na figura “Quedas de tensão admissí- veis”, o cabo de 2,5 mm2 atende ao critério da máxima queda de tensão admissível. 77 Seção mínima do condutor segundo a ABNT NBR 5410:2008 Mesmo que a bitola do cabo atenda aos dois critérios: capacidade de condução de corrente e máxima queda de tensão admissível, a norma ABNT NBR 5410: 2008 - Instalações elétricas de baixa tensão estabelece as seções mínimas de condutores para alguns circuitos, conforme é mostrado na tabela 17. Tabela 17 - Seções mínimas dos condutores. Tipo de Instalação Utilização do circuito Seção Mínima do Condutor (mm²) Material Instalações fixas em geral Condutores e cabos isolados Circuitos de iluminação 1,5 Cu 16 Al Circuitos de força 2,5 Cu 16 Al Condutores nus Circuitos de sinalização e circuitos de controle 0,5 Cu Circuitos de força 10 Cu 16 Al Circuitos de sinalização e circuitos de controle 4 Cu 78 Linhas flexiveis com cabos isoladosPara um equipamento especifico Como especificado na norma do equipamento Para qual- quer outra aplicaçao 0,75 Cu Circuitos a extrabaixa tensão para aplicações especiais 0,75 Cu Fonte: ABNT (2008, p. 121). Notas: em circuitos de sinalização e controle destinados a equipamentos eletrônicos são admitidas seções de até 0,1 mm2. En- quanto em cabos multipolares flexíveis contendo sete ou mais veias são admitidas seções de até 0,1 mm2. Os circuitos de tomadas de corrente, por sua vez, são considerados circuitos de força. Disjuntores e fusíveis As instalações elétricas são protegidas por disjuntores e fusíveis. Atualmente, devido à facilidade de rearme, o disjuntor é muito mais utilizado do que o fusível. Os disjuntores utilizados em instalações residenciais são brancos, podendo até ser mini disjuntores. Já os disjuntores utilizados em instalações industriais são chamados de disjuntores motores e geralmente são fabricados na cor preta. Disjuntores de baixa tensão Disjuntores podem ser tidos como “dispositivos com a finalidade de garantir a manobra e a proteção contracorrentes de sobrecarga e contracorrente de curto- circuito” (Friedrich et al, 2018, p. 73). Nesse sentido, o disjuntor protege o circuito elétrico. Muitas vezes ele não é dimensionado para proteger o equipamento, por exem- plo, a resistência elétrica do nosso chuveiro pode chegar a queimar, 79 mas o circuito elétrico não é danificado por conta da atuação de um disjuntor. Quando o disjuntor atua, ele abre o circuito elétrico, eli- minando a circulação da corrente. O disjuntor também é acionado quando queremos realizar uma manutenção no circuito, porque ao ser acionado, ele retira a tensão do trecho que está ligado após este equipamento. A norma técnica que regulamenta a fabricação dos disjun- tores é a ABNT NBR NM 60898:2019 Dispositivos elétricos – Dis- juntores para a proteção contra as sobrecorrentes para instalações domésticas e análogas. A parte dois dessa norma estabelece os re- quisitos para funcionamento de disjuntores em corrente alternada e em corrente contínua (ABNT, 2019, p. 1). Os disjuntores oferecem proteção termomagnética, ou seja, eles têm duas funções de proteção: uma térmica, para a proteção contra sobrecarga, e outra magnética, para proteção contra curto- -circuito. O elemento térmico é formado de dois metais soldados com diferentes coeficientes de dilatação. Assim, quando o equipa- mento elétrico é submetido a uma sobrecarga durante um determi- nado período, um dos metais se dilata mais que o outro, acionando o disjuntor. A proteção contra sobrecarga atua basicamente depois de um tempo predeterminado pelo fabricante do dispositivo de prote- ção. Já a proteção contra curto-circuito, feita pela parte magnética, atua de forma muito rápida, porque o valor da corrente de curto- -circuito é extremamente elevado. Segundo Friedrich et al. (2018, p. 114), um disjuntor é consti- tuído por: • parte externa, termoplástica; • terminal superior; • câmara de extinção de arco; • bobina responsável pelo disparo instantâneo (magnético); • alavanca liga-desliga; • contato fixo; 80 • princípio de funcionamento de um disjuntor com proteção térmica e eletromagnética Contato móvel; • guia para o arco – sob condições de falta, o contato móvel se afasta do contato fixo e o arco resultante é guiado para a câ- mara de extinção, evitando danos no bimetal, em caso de altas correntes (curto-circuito); • bimetal responsável pelo disparo por sobrecarga (térmico); • terminal inferior; • clipe para fixação do trilho DIN. Figura 15 – Princípio de funcionamento de um disjuntor com proteção térmica e eletromagnética. Fonte: Niskier e Macintyre, 2013, p. 145. Classificamos os disjuntores pelo número de fases, sendo eles: monofásicos (uma fase), bifásicos (duas fases) e trifásicos (três fases). Também pode-se identificar os disjuntores pelo dispositivo utilizado para sua atuação, como: os disjuntores em caixas molda- das, os disjuntores a vácuo, ar comprimido, a pequeno volume de óleo e a SF6 (hexafluoreto de enxofre). Somente os disjuntores em caixa moldada são usados em instalações residenciais, os demais são utilizados para proteção de grandes cargas, como as industriais e de grandes centros comerciais, pois esses disjuntores atuam para proteger circuitos em alta tensão, acima de 1.000 Volts. Os disjuntores domésticos são classificados também quanto a sua capacidade de interromper a corrente de curto-circuito em 81 função de valores múltiplos da corrente nominal. Essa classificação é representada na forma das letras B, C e D, dadas por Friedrich et al. (2018, p. 120): • curva de disparo magnético B: atua entre 3 e 5 x In para cir- cuitos resistivos (chuveiros, lâmpadas incandescentes, etc.); • curva de disparo magnético C: atua entre 5 e 10 x In para cir- cuitos de iluminação fluorescente, tomadas e aplicações em geral; • curva de disparo magnético D: atua entre 10 e 20 x In para cir- cuitos com elevada corrente de energização. Dimensionamento de disjuntores O dimensionamento dos disjuntores é feito baseado em dois crité- rios, dados por: IB £ IN £ IZ I2 £ 1,45 IZ Sendo que: IB é a corrente de projeto do circuito; IZ é a máxima corrente que o condutor pode conduzir; IN é a corrente nominal do disjuntor; I2 é a corrente que assegura efetivamente a atuação dos disjuntores. A equação IB £ IN £ IZ garante que o disjuntor atue contra sobrecargas e estabelece que ele não irá impedir a passagem da cor- rente projetada, permitindo o perfeito funcionamento do equipa- mento elétrico, esta corrente de projeto é chamada de IB. Contudo, o disjuntor vai atuar para que o condutor não seja percorrido por uma corrente superior a máxima corrente que este cabo pode transpor- tar. Já a equação I2 £ 1,45 IZ garante que o disjuntor atue em caso de curto-circuito, impedindo a circulação de uma corrente 45% supe- rior à máxima corrente que o cabo pode suportar. Esta atuação por ser feita em microssegundos, não danifica o cabo. 82 Como os disjuntores não são fabricados em toda a gama de corrente, sendo somente fabricados com correntes nominais pa- drões definidos pelos fabricantes destes dispositivos, muitas vezes, para atender a estas equações, precisamos aumentar a bitola do condutor. Então, depois de calcularmos a bitola do condutor pelos três critérios apresentados anteriormente, a saber: a máxima con- dução de corrente, a queda de tensão e a bitola mínima, definida pela norma ABNT NBR 5410: 2008, devemos garantir que exista um disjuntor apto a proteger o condutor. Caso contrário, a bitola do condutor deve ser aumentada para a próxima. Como se pode ver a seguir, a figura 16 mostra alguns minis disjuntores fabricados em caixas moldadas, próprios para instala- ções residenciais. Figura 16 – Mini-disjuntores residenciais Fonte: Kae (2008). Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Circuit_ breaker_2_pole_on_DIN_rail.JPG. Fusíveis Os fusíveis dividem-se em duas categorias principais que são mostradas nas figuras 17 e 18. Vejamos, então, suas principais características. 83 Os fusíveis tipo Diazed: são fabricados para proteger circui- tos com baixas correntes nominais, sua vantagem é o seu tempo de atuação. A corrente de curto-circuito não chega nem a atingir seu valor máximo, e este dispositivo já atua. Por esta razão, algumas ve- zes este fusível é utilizado na proteção de dispositivos eletrônicos como diodos e tiristores. Os fusíveis tipo NH: protegem circuitos com maiores corren- tes nominais. Os tipos NH com retardo são utilizados na proteção de motores, porque não atuam durante a ligação do motor. Figura 17 - Fusível Diazed de rolha. Fonte: Peter Hofstetter, Shutterstock (2020). Figura – 18: Fusível tipo cartucho NH Fonte: PxHere (s. d). Disponível em: https://pxhere.com/pt/photo/1276539 84 Os fusíveis são dimensionados atendendo à equação I2 £ 1,45 IZ, utilizada para o dimensionamento dos disjuntores.Os fusíveis devem ser substituídos após a sua atuação e os disjuntores devem ser rearmados após a sua atuação. Além dis- so, esses equipamentos são instalados no quadro de distribuição de uma edificação. Dessa forma, o quadro deve ficar acessível, seu acesso não pode ser impedido por armários e outros móveis. Olá, estudante! Chegamos ao término de mais uma etapa dos nossos estudos. Até aqui vimos que a energia elétrica é essencial e invisível em nos- sa vida, impulsionando desde dispositivos cotidianos até grandes construções. As concessionárias de energia atendem clientes com potência até 75 kW na rede de baixa tensão, podendo ampliar me- diante avaliação técnica. A consulta à concessionária é crucial para avaliar necessidade de reforço na rede. Também aprendemos que normas como ABNT NBR 5410 e Reso- lução Normativa 414 da ANEEL orientam fornecimento de energia, definição de consumidores e unidades consumidoras. Ponto de en- trega, ramais de ligação e entrada, além de limites de fornecimen- to, são essenciais na instalação, considerando caixas para medidor em ambiente selado. Nesse sentido, seu entendimento depende dos efeitos, regulamentado no Brasil pela norma NBR 5410: 2008 para instalações de baixa tensão, e pela NR-10 para garantir a segurança dos trabalhadores em todas as fases elétricas. Bons estudos! Até a próxima! SINTETIZANDO UN ID AD E 3 Estudo do Sistema de Proteção contra Descarga Atmosférica Objetivos 1. Estudar os Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféri- cas (SPDA), seus componentes e tipos; 2. Compreender o sistema de aterramento, tipos de solo e carac- terísticas que devem ser levadas em consideração ao realizar um projeto de aterramento; 3. Saber para que serve e como deve ser instalado os DPS (Dispo- sitivos de Proteção contra Surtos); 4. Conhecer o funcionamento, as características, as diferenças e similaridades entre os transformadores de força e de distri- buição de energia. 86 Introdução Olá, aluno(a)! Neste objeto de aprendizagem, vamos tratar sobre para-raios, transformadores de força, potencial e corrente, chaves seccionado- ras, relés e religadores. Conheça aqui os requisitos básicos que um projeto de SPDA (Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféri- cas) deve atender além dos seus principais componentes, a saber: os captores, o sistema de descida e o sistema de aterramento. Analisaremos os transformadores de força e os transforma- dores de distribuição quanto às similaridades e diferenças entre eles, além de alguns detalhes construtivos e as diferentes aplicações desses equipamentos e instrumentos responsáveis por manobrar, proteger e medir a operação do Sistema Elétrico de Potência (SEP). Também estudaremos os transformadores de potencial e corrente, chaves seccionadoras, relés e religadores. Conhecer cada um desses componentes, os tipos de instrumentos e funções que tais equipamentos podem exercer nas subestações de energia das concessionárias, das usinas e de grandes consumidores. Vamos continuar nossa jornada de estudos? 87 Sistema de aterramento e SPDA (sistema de proteção contra descargas atmosféricas) O SPDA (Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas) é o sistema elétrico responsável por proteger a instalação e as pessoas contra as consequências danosas das descargas atmosféricas. As constantes mudanças climáticas têm tornado as tempestades com raios mais frequentes e suas consequências, inclusive com perdas de vida humana, têm aumentado de maneira significativa nos últi- mos anos. De acordo com Creder (2013, p. 251), o “[...] processo de for- mação das nuvens de tempestades inicia-se com o aquecimento da mistura de ar e vapor d’água, que se expande, diminui de densida- de e sobe para camadas mais frias da atmosfera”. Se a temperatura dessas regiões for menor do que o ponto de condensação da água, o vapor volta à forma líquida, dando origem às nuvens. Instabilidades térmicas na atmosfera transformam estas nuvens em cúmulonim- bus, ou seja, nuvens convectivas eletrificadas. Essas nuvens podem produzir de um a quatro relâmpagos por minuto. Segundo o mesmo autor, “a descarga atmosférica é um pro- cesso de transformação de energia eletrostática em energia ele- tromagnética, térmica e acústica. Em estágios mais avançados de carregamento da nuvem, os valores de campo elétrico ao nível do solo abaixo da nuvem atingem 10 kV/m (100 vezes mais do que o va- lor em tempo bom)”. Os raios são descendentes, ou seja, se formam da nuvem para a terra, o trovão é o barulho feito pelo rompimento da rigidez dielétrica do ar, a capacidade de isolação do ar é rompida, fazendo com que este isolante passe a conduzir energia. A descarga elétrica geralmente é feita através de uma descarga piloto princi- pal e outras secundárias. Esta descarga líder descendente encontra um líder ascendente, que é a resposta do solo a esta descarga, for- mando assim o caminho por onde circula a corrente de retorno. A figura “Descarga líder e secundárias” mostra a descarga líder e as secundárias. 88 Figura 1 - Descarga líder e secundárias Fonte: https://www.gettyimages.com.br O índice ceráunico é, segundo Creder (2013, p. 254), o índice que mede “a incidência de raios em um determinado local”. Ele é definido pela norma da ABNT NBR 5419-2: 2018: Proteção contra descargas atmosféricas, Parte 2: Gerenciamento de risco. A ONS (Operador Nacional do Sistema) também disponibiliza anualmen- te um mapa com a incidência dessas descargas no território bra- sileiro. Na figura “Mapa da densidade de descarga atmosférica”, podemos ver o mapa da ABNT (2018, p. 109) apresentando o índice de descarga atmosférica sofrido pelo país. Devido à imensa exten- são territorial brasileira, apresentamos desde os menores índices, mostrado na cor rosa, localizados no Nordeste, até o segundo maior índice de precipitação de raios por km2, localizados em algumas re- giões da Amazônia, Centro-Oeste e região Sul, identificados pela cor vermelha. 89 Figura 2 - Mapa da densidade de Descarga Atmosférica Fonte: www.inpe.br A densidade de descargas atmosféricas para a terra, repre- sentada por Ng pode ser calculada por: Ng = 0,04 Td1,25 (km2/ano) Sendo Td o índice ceráunico daquela região. Essa equação é válida para o Brasil porque seus cálculos foram baseados no padrão de raios que atingem o território brasileiro, com base em levantamentos estatísticos das descargas atmosféricas. Friedrich et al. (2018, p. 149) afirmam que o raio “é um cur- to-circuito entre a nuvem e a terra, sendo imprevisível em termos de tempo e intensidade e um desafio para a sociedade”. Institutos como o INPE (Instituto de Pesquisas Espaciais) são um dos institu- tos brasileiros a estudar e coletar dados sobre as descargas atmos- féricas. Na página da Internet do Grupo de Pesquisas Atmosféricas 90 (Weblelat), é possível verificarmos em tempo real a probabilidade de incidência de raios em uma região. O SPDA atua juntamente com o sistema de aterramento, sen- do que a função do SPDA é receber a descarga atmosférica, o que impede que ela cause danos para a instalação, assim como o escoa- mento desta descarga para o sistema de aterramento que a dissipará através do solo. Creder (2013, p. 255) divide as descargas atmosféricas em dois tipos, a saber: • Descargas diretas: são as que atingem as linhas de trans- missão e as edificações expostas ao tempo mais altas de uma região; • Descargas indiretas: são aquelas transmitidas pelos conduto- res de energia e atingem os equipamentos eletrônicos e elé- tricos, “sofrendo surtos induzidos (por acoplamento indutivo ou capacitivo) ou injetados (por acoplamento resistivo, via aterramento)”. Um Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) pode ser dividido em três partes: • Rede captora de descargas: Composta basicamente pelos para-raios. • Descidas: Condutores metálicos com a função de transportar a descarga até a terra. • Sistema de aterramento: Responsável por dissiparesta des- carga no solo. Choque elétrico O choque elétrico é o acidente mais comum de ocorrer entre as pes- soas e as instalações elétricas. Mamede (2015, p. 394) define o to- que acidental em uma parte metálica energizada como “[...] o toque involuntário cometido por uma pessoa que resulta na ligação deste 91 indivíduo com a instalação elétrica, ficando o corpo deste individuo ligado eletricamente à instalação sob tensão entre fase e terra”. Esse contato ocorre porque uma parte da instalação elétrica perdeu a isolação ou porque não estava adequadamente protegida. O referido autor também afirma que “o limite de corrente alternada suportada pelo corpo humano é de 25 mA, sendo que na faixa entre 15 e 25 mA o indivíduo sente dificuldades em soltar o objeto ener- gizado. Entre 15 e 80 mA até a ordem de grandeza de poucos Am- pères, o indivíduo sofre graves lesões musculares e queimaduras, além de asfixia imediata. Acima disso, as queimaduras são intensas, o sangue sofre o processo de eletrólise e há necrose dos tecidos. A gravidade depende do tempo de exposição do corpo humano à cor- rente elétrica. A figura “Indivíduo sujeito à tensão de toque” ilustra uma pessoa que colocou a mão em um cabo energizado, sendo que a corrente está entrando pelo braço direito e está saindo para a terra pela perna esquerda, passando inclusive pelo coração. Esta tensão é chamada de tensão de toque ou de contato. Figura 3 – Indivíduo sujeito à tensão de toque Fonte: Luciano Cosmo / Shutterstock (2020). 92 Agora, se a pessoa está pisando em uma malha de terra ener- gizada, a tensão entre os seus dois pés afastados (geralmente a 1 m de distância) é chamada de tensão de passo. Esta é muito perigosa porque sua causa pode ser um cabo caído no solo, que não avista- mos. Por isso, as subestações são cobertas com uma camada de 10 a 20 cm de brita, para melhorar o isolamento do solo. A malha de terra de uma subestação de potência, de acordo com a recomendação de Mamede (2015, p. 396), deve estar interli- gada pelo menos aos seguintes equipamentos: • Neutro do transformador de potência; • Para-raios instalados na extremidade do ramal de ligação; • Carcaça metálica dos equipamentos elétricos; • Suportes metálicos; • Estruturas dos quadros e painéis elétricos; • Estruturas metálicas em geral. A figura “Aterramento de várias estruturas metálicas” mos- tra o cabo de terra na cor verde e amarelo ligado a vários pontos de uma estrutura metálica, evitando assim choques por contatos indi- retos e choque por descargas estáticas. Figura 4 – Aterramento de várias estruturas metálicas Fonte: RachenStocker / Shutterstock (2020). 93 Sistema de aterramento Friedrich et al. (2018, p. 144) informam que a finalidade dos sistemas de aterramento é “escoar cargas não estáticas de instalações elétri- cas e cargas estáticas provenientes do atrito”. As cargas estáticas correspondem ao choque elétrico que tomamos quando mantemos contato com uma superfície metálica, como ao abrir a porta de um carro, ou ao fechar a torneira do chuveiro. Esta sensação pode ser bem incômoda e dolorida. Quando um equipamento está aterrado, com a parte metálica interligada ao sistema de aterramento, este transtorno é evitado. Pesquise na página 59 do Manual de Instalações Elétricas Residen- ciais Elecktro/Pirelli, publicado em julho de 2003, a maneira de co- nectar os cabos de aterramento de uma residência. A figura mostra que o circuito de terra deve ser ligado todo em série, um ponto da instalação depois do outro. Somente assim o DR (disjuntor residual) poderá detectar uma descarga para a terra e atuar com eficiência. Creder (2013, p. 122) define o aterramento como “a ligação de estruturas ou instalações com a terra, com o objetivo de estabelecer uma referência para a rede elétrica e permitir o fluxo para a terra de correntes elétricas de naturezas diversas, tais como: • Correntes de raios; • Correntes de filtros, supressores de surtos e para-raios de linha; • Correntes de curto-circuito para a terra”. A norma ABNT NBR 5419-1:2015, Proteção contra descar- gas atmosféricas, Parte 1, recomenda a instalação de um sistema de aterramento com resistência abaixo de 10 W. Este é composto de SAIBA MAIS 94 cabos de cobre nu, hastes de aterramento, circuito de terra conec- tado a todas as tomadas e partes metálicas de uma instalação. Uma haste de aterramento pode ser vista na figura “Haste de aterramen- to”, geralmente ela possui comprimento de 2,4 m com diâmetro va- riável, por exemplo, de 5/8” ou 3/4”. Figura 5 - Haste de aterramento Fonte: Photo Win1 / Shutterstock (2020). As hastes são colocadas conforme quantidade obtida atra- vés da medição de resistividade do solo, que varia segundo o tipo de solo, a estratificação do terreno e a umidade do local. A medição é feita com um instrumento chamado Megger, no qual são inseridas as hastes de aterramento em sentido horizontal e vertical nas qua- tro direções: leste, oeste, norte e sul. Para cada uma delas, é injeta- da uma corrente similar a uma descarga atmosférica fornecida pelo aparelho, que também mede como esta corrente se dissipa no solo. A tabela “Resistividade dos solos” mostra a resistividade má- xima e mínima de alguns solos encontrados em território brasileiro. Tabela 1 - Resistividade dos solos Natureza dos solos Resistividade (Ωm · m) Máxima Mínima Solos alagadiços e pantanosos - 30 Lodo 20 100 Húmus 10 150 95 Argilas plásticas - 50 Argilas Compactas 100 200 Terra de jardins com 50 % de umidade - 140 Terra de jardins com 20 % de umidade - 480 Argila seca 1.500 5.000 Argila com 40 % de umidade - 80 Argila com 20 % de umidade - 3330 Areia com 90 % de umidade - 1.300 Areia comum 3.000 8.000 Solo pedregoso nu 1.500 3.000 Solo pedregoso co- berto com relva 300 500 Calcários moles 100 400 Calcários compactos 100 5.000 Calcários fissurados 500 1.000 Xisto 50 300 Micaxisto - 800 Granito e arenito 500 10.000 Fonte: Mamede, 2015, p. 399. Se o solo apresentar baixa resistividade, ele deve ser tratado antes do aterramento ser instalado. Vários produtos disponíveis no mercado, com minerais como o silicato de alumínio e muitos ou- tros produtos, aumentam a resistência do solo. Depois de feito o tratamento, a malha de terra deve ser instalada conforme o cálculo de projeto. A malha de terra consiste na instalação de hastes equi- distantes uma das outras e interligadas por cabos de cobre nu. Esta malha deve ser interligada ao cabo de terra da instalação. A figura 96 “Aterramento composto de haste e cabos de cobre” ilustra uma parte da instalação dessa malha de terra. Figura 6 – Aterramento composto de haste e cabos de cobre Fonte: RachenStocker / Shutterstock (2020). Depois que o aterramento estiver pronto, ele deve ser medido para a verificação de que o valor da resistência de terra esteja abaixo de 10 W. Essa medição, junto com o SPDA, deve ser refeita anual- mente, porque alguns solos podem possuir elementos que corroem as hastes ou até mesmo animais e acidentes podem provocar a des- continuidade da malha de terra, diminuindo a sua eficiência. Depois do aterramento pronto, devemos instalar o SPDA. Sistema de proteção contra descarga atmosférica (SPDA) Friedrich et al. (2018, p. 147) definem o para-raios tipo Franklin como “uma haste metálica que contém captores de descargas elé- tricas”. A função do para-raios é atrair a descarga atmosférica, por isso ele é instalado no topo dos edifícios ou no ponto mais alto de uma edificação. A figura “Para-raios tipo Franklin” mostra um pa- ra-raios feito de latão. 97 Figura 7 – Para-raios tipo Franklin Fonte: https://commons.wikimedia.org O SPDA é um sistema integrado formado pelo captor que é instalado no topo da edificação, pelos cabos condutores nus que percorrem a edificação externamente formando uma gaiola de Fa- raday e pelo sistema de aterramento, que tem a função de dissipar a corrente proveniente da descarga atmosférica parao solo. A figura “Esquema de instalação de SPDA em uma edificação” mostra o es- quema de instalação de um SPDA pelo método gaiola de Faraday. Atenção especial deve ser dada ao sistema de gás, caso a instalação possua um sistema de fornecimento de gás natural, sendo este de- vendo ter uma tubulação com um aterramento individual, conforme está mostrado na figura “Esquema de instalação de SPDA em uma edificação”. 98 Figura 8 – Esquema de instalação de SPDA em uma edificação. Fonte: Procobre (2003). Os números da figura “Esquema de instalação de SPDA em uma edificação” correspondem a: 1. Sistema de captação com para-raios tipo Franklin; 2. Sistema de captação lateral: cabos de cobre nu são instalados ao redor de toda a edificação, formando uma gaiola; 3. Sistema de descida: a descarga atmosférica recebida pelo pa- ra-raios é conduzida até o solo; 99 4. Sistema de anéis intermediários horizontais (captação late- ral): os cabos são interligados através de conectores específi- cos para aterramento e SPDA; 5. Malha de aterramento: cabos de cobre; 6. Barra de terra dentro da caixa de distribuição. A tabela “Classificação das estruturas quanto ao nível de pro- teção” traz os critérios que devem ser aplicados à instalação para que seja definido o seu nível de proteção. Temos quatro níveis de proteção, sendo o III e IV utilizados em instalações residenciais e edifícios; e os níveis I e II utilizados em indústrias, usinas hidrelé- tricas e instalações que apresentam risco de explosão se forem sub- metidas a uma descarga atmosférica sem um sistema adequado de SPDA. Tabela 2 - Classificação das estruturas quanto ao nível de proteção Classificação da estrutura Tipo da Estrutura Efeitos das descargas atmosféricas Nível de proteção Estruturas comuns Residências Perfuração da isolação de instalações elétri- cas, incêncio e danos materiais. Danos nor- malmente limitados a objetos de impacto ou no caminho do raio III Fazendas, estabele- cimentos agropecuá- rios Risco direto de incên- cio e tensões de passo perigosas. Risco indireto devido à interrupção de energia e risco de morte para animais devido à perda de controles eletrônicos, ventilação, surprimento de alimen- tação e outros III ou IV² 100 Teatro, esco- las, lojas de departamen- tos, áreas esportivas e igrejas Danos às instalações elétricas (por exemplo: Iluminação e possibili- dades de pãnico. Falha do sistema de alarme contra incêncio, cau- sando atraso no socorro II Bancos, companhias de seguros, companhias comerciais e outros Como acima, além de defeitos inderetos com a perda de comunicações, falhas dos computado- res e perda de dados II Hospitais, casas de repouso e prisões Como para escolas, além de defeitos indi- retos para pessoas em tratamento intensivo e dificuldade de resgate de pessoas imobilizadas II Indústrias Efeitos indiretos con- forme e conteúdo das estruturas, variando de danos pequneos a prejuízos inaceitáveis e perda de produção I Museus, locais arqueológicos perda de patrimônio cultural insubstituível I Estrutura com risco confinado Estações de telecomuni- cações, usi- nas elétricas, indústrias Interrupção inaceitável de serviços públicos por breve ou longo período de tempo. Risco indireto para as imediações de- vido a incêncios e outros com risco de incêndio I 101 Estrutura com ris- co para os arredores Refinarias, postos de combustí- veis, fábricas de fogos, fábricas de munição Risco de incêncio e ex- plosão para a instalação e seus arredores I Estrutura com risco para o meio ambiente Indústrias quími- cas, usinas nucleares, laboratórios químicos Risco de incêncio e falhas de operação, com consequências perigo- sas para o local e para o meio ambiente I Fonte: Mamede (2015, p. 492). ETI (Equipamentos de Tecnologia da Informação) podem ser insta- lados em todos os tipos de estruturas, inclusive estruturas comuns. É impraticável a proteção total contra danos causados pelos raios dentro dessas estruturas; não obstante, devem ser tomadas medi- das (conforme a NBR 5410: 2008 Instalações elétricas de baixa ten- são) de modo a limitar os prejuízos a níveis aceitáveis. Métodos de proteção contra descargas atmosféricas Existem três métodos de proteção contra descargas atmosféricas, definidos por Mamede (2015, p. 505-510) como: • O método de Franklin: consiste em determinar o volume de proteção propiciado por um cone, cujo ângulo da geratriz com DICA 102 a vertical varia segundo o nível de proteção desejado e para uma determinada altura da construção • O método de Faraday: consiste em envolver a parte superior da construção com uma malha captora de condutores elétri- cos nus, cuja distância entre eles é em função do nível de pro- teção desejado e dado em tabelas específicas. • O método eletrogeométrico: também conhecido como méto- do da esfera rolante, o método eletrogeométrico se baseia na delimitação do volume de proteção dos captores de um SPDA. As tabelas “Método e espaçamento” e “Tipos de condutores e bitolas” apresentam alguns valores utilizados para o projeto de SPDA de edificações. A gaiola de Faraday é um dos métodos mais utilizados para proteção de automóveis e aeronaves. Ela afirma que “no interior de uma estrutura metálica, o campo eletromagnético é nulo”, de acordo com Mamede (2015, p. 509). O método da esfera rolante é o que apresenta a instalação mais cara, sendo empregado em construções com estruturas arquitetônicas complexas ou de al- tura muito elevada, além de ser o recomendado para a proteção de subestações de energia, enquanto o método de Franklin é recomen- dado para estruturas não muito elevadas e de pouca área horizon- tal. A gaiola de Faraday é utilizada para edificações com grande área horizontal. 103 Tabela 3 - Método e espaçamento Fonte: Friedrich et al. (2018, p. 152). N iv el d e p ro te cã o R al o es fe ra (m ) Â n gu lo d o ca p to r de F ra n k li n M a- lh a da ga io la (m et ro s) E sp aç a- m en to d as de sc id as (m et ro s) E fi ci ên ci a do S P D A A té 20 m (g ra us ) h= 2 1 a 29 m (g ra us ) h= 3 0 a 44 m (g ra us ) h= 4 5 a 49 m (g ra us ) h > 6 0m I 20 25 ° A A A B 5x 10 10 95 -9 8% II 30 35 ° 25 ° A A B 10 x2 0 15 90 -9 5% II I 45 45 ° 35 ° 25 ° A B 10 x2 0 20 80 -9 0% IV 60 55 ° 45 ° 35 ° 25 ° B 20 x4 0 25 A té 8 0% 104 Notas: A: aplicar somente gaiola de Faraday ou esfera rolante; B: aplicar somente gaiola de Faraday; h: altura do captor em relação ao solo. Tabela 4 - Tipos de condutores e bitolas Nfves de Proteçao Material Captor e anéis Intermedlárlos Desci- das até 20 m Descidas acima de 20 m Aterramento Equalizações de ponteciais mm² Alta corrente Baixa corrente I a IV Cobre 35 16 35 50 16 6 Alumínio 70 25 70 - 25 10 Aço gal- vanizado fogo 50 50 50 80 50 16 Fonte: Friedrich et al. (2018, p. 153). Nota: As bitolas acima se referem à seção transversal de con- dutores em mm2. Dispositivos de Proteção de Surto (DPS) Os DPS são dispositivos de proteção contra surtos e devem ser instalados no quadro de distribuição, depois dos disjuntores. Esses dispositivos atuam quando são percorridos por uma tensão eleva- da, como aquela que percorre a rede na volta da energia, depois de uma interrupção não programada no fornecimento ou por elevações de tensões provenientes de descargas atmosféricas. A norma ABNT NBR 5410: 2008, Instalações elétricas de baixa tensão, não exige o uso de DPS, ela apenas recomenda a instalação desses equipamen- tos. Os mencionados equipamentos são de uso único, igual aos fusí- veis. Quando atuam, eles devem ser substituídos por novos. Alguns permitem que o invólucro seja reaproveitado, bastando que se tro- que a parte interna do dispositivo. Outra maneira possível de utilizar esses equipamentos éins- talá-los antes da ligação de energia de equipamentos de valor ex- pressivo ou de fundamental importância para a instalação. Nesse modo de instalação, o DPS só protege o equipamento ligado de- pois dele. Assim, antes de ligarmos nosso equipamento à tomada, 105 conectamos nosso cabo ao dispositivo e ele à tomada. Existem mo- delos específicos no mercado com esta finalidade. Figura 9 – DPS Siemens Fonte: https://www.techtudo.com.br Transformadores de força (T) Mamede (2005, p. 448) define transformador como “um equipamento de operação estática que, por meio de indução eletro- magnética, transfere energia de um circuito chamado primário para outro denominado secundário, mantida a mesma frequência”. Este equipamento é o responsável pelo sistema de potência do planeta ser feito, na sua maioria, em corrente e tensão alternada. Graças aos transformadores, podemos gerar energia perto da fonte mecânica, que será transformada em energia elétrica, e transportar a energia elétrica por meio de extensas linhas de transmissão até o consumi- dor final. Os transformadores conectados aos geradores das usinas hi- droelétricas são chamados de elevadores de tensão, porque o lado primário desses equipamentos é ligado na baixa tensão (13,8 kV) e o secundário eleva a tensão para o nível de transmissão (138, 230, 345, 440, 500 e 750 kV). Já os transformadores instalados nas subesta- ções de energia são os abaixadores, ou seja, eles recebem a energia da rede de transmissão e a abaixam através do secundário, para ali- mentar as redes de distribuição de 13,8 kV. Portanto, o lado primário e o secundário não possuem relação com a alta ou a baixa tensão. Esses transformadores são conhecidos como de força ou de potência em virtude do seu tamanho e da alta potência que eles transformam. 106 Figura 10 – Transformador Abaixador de uma subestação Fonte: https://www.gettyimages.com.br Os transformadores de distribuição são aqueles responsá- veis por converter a rede de distribuição da concessionária de 13,8 kV para a rede de baixa tensão, que vai alimentar as edificações. No Brasil, esta tensão pode variar entre 380/220 V e 220/127V. As consequências danosas de uma descarga atmosférica têm au- mentado muito no Brasil nos últimos anos devido às mudanças cli- máticas. O repórter do Fantástico, Ernesto Paglia, em parceria com o INPE, produziu a série “País dos raios”, com três episódios, tra- tando especificamente da incidência de descargas atmosféricas, o popular raio, no Brasil. (SÉRIE PARA TV. País dos raios. Programa Fantástico Rede Globo). CURIOSIDADE 107 Figura 11 - Transformador de distribuição Fonte: Climber 1959, Shutterstock, 2020. Características construtivas Os transformadores possuem algumas características construtivas básicas. O núcleo é feito de chapas de ferro silício de grãos orienta- dos, ou seja, retirada a energia elétrica, o campo elétrico formado por este material possui uma memória, um sentido de orientação. Essas chapas são cortadas em uma guilhotina com um entreferro que tem a função de concentrar o fluxo magnético no interior do transformador. A figura “Curva de histerese” mostra a curva exis- tente entre o campo magnético B e a intensidade de campo mag- nético H. Quando o transformador é desligado, os grãos orientados fazem com que o campo magnético atinja o seu valor máximo num menor tempo, na próxima energização do transformador. 108 Figura 12 – Curva de histerese Fonte: Fouad A. Saad / Shutterstock (2020). Na figura “Parte interna de um transformador”, é possível vermos as chapas de silício na parte central do transformador. Elas são cortadas em formatos retangulares com diferentes tamanhos e empilhadas uma em cima da outra. Os enrolamentos são fabricados com fios de cobre isolados através de papel Kraft, como podemos ver nas três bobinas da figura “Parte interna de um transformador”. Essas bobinas podem ser en- roladas em camadas de formato helicoidal, geralmente empregadas em transformadores de força ou tipo panqueca, em formato de dis- cos justapostos, utilizadas em transformadores de distribuição de energia elétrica. Depois, são instaladas as derivações ou taps do transforma- dor. Eles tratam-se de níveis de tensão de distribuição que podem ocorrer na rede elétrica. Geralmente, um transformador de distri- buição possui de 3 a 5 níveis de tensão de alimentação, devido à que- da de tensão que ocorre na linha por causa do efeito Joule. 109 Figura 13 – Parte interna de um transformador Fonte: Matee Nuserm / Shutterstock (2020). Após a montagem da parte interna, este material é levado para a secagem na estufa por um período que varia de acordo com a potência do equipamento. Os transformadores são muito sensíveis à presença de água, podendo mesmo sofrer um curto-circuito se este contaminante for inserido dentro da isolação feita com papel. Depois do núcleo seco, ele é inserido na caixa metálica e preenchi- do com óleo mineral isolante. Finalmente, são instalados as buchas e os acessórios para que o transformador possa ser submetido ao teste de rotina e, caso o equipamento seja aprovado, ele é embalado para o transporte. O número de buchas define o quantidade de fases do trans- formador, podendo ser monofásico, bifásico ou trifásico. A tabe- la “Características de transformadores trifásicos de classe 15 kV” mostra as potências e dimensões típicas desses equipamentos, os mais utilizados no sistema elétrico. As concessionárias geralmente instalam no poste de distribuição transformadores com potência de até 225 kVA. Depois desta potência, elas exigem que seja feito um abrigo no solo para o transformador. 110 Tabela 5 - Características dimensionais de transformadores trifásicos de classe 15 kV Potência Altura Largura Profundldade Peso kVA mm mm mm kg 15 920 785 460 271 30 940 860 585 375 45 955 920 685 540 75 1.010 1.110 690 627 112,5 1.070 1.350 760 855 150 1.125 1.470 810 950 225 1.340 1.530 930 1.230 300 1.700 1.690 1.240 1.800 500 1.960 1.840 1.420 2.300 750 2.085 2.540 1.422 2.600 1.000 2.140 2.550 1.462 2.800 Fonte: Mamede (2005, p. 460). A tabela “Dimensões dos transformadores de 69 kV” mostra as características técnicas de alguns transformadores dessa classe de tensão. Tabela 6 - Dimensões dos transformadores de 69 kV Potência Altura Largura Profundidade Peso MVA mm mm mm kg 5/6,25 3.500 4.000 3.500 15.000 10/12,5 4.000 4.200 3.800 20.000 20/26,6 4.200 4.500 4.000 30.000 Fonte: Mamede, 2005, p. 461. Os transformadores de potência, como os apresentados na tabela “Dimensões dos transformadores de 69 kV”, apresentam duas tensões. A primeira é quando a ventilação forçada está desli- gada (no caso do primeiro transformador, a potência seria igual a 5 MVA) e a segunda, sempre maior do que a primeira, é quando o 111 sistema de ventilação forçada está ligado (no caso 6,25 MVA), per- mitindo o aumento da potência do equipamento. Os transformadores podem ser ligados em estrela (Y) ou triângulo (D). Inclusive, eles podem ser ligados em Y/Y ou D/D, sen- do que os transformadores de distribuição são ligados em D/Y. Eles também podem ser fabricados sem a presença do óleo mineral isolante, chamados de transformadores a seco. Estes são mais caros do que os transformadores a óleo, e são empregados em instalações onde existe risco de incêndio, como indústrias petro- químicas, grandes centros comerciais e refinarias de petróleo. Na rede de distribuição, eles são mais utilizados na região Nordeste. As ligações clandestinas nos transformadores a seco são mais difíceis de serem feitas devido à dificuldade de acesso dos seus terminais. A principal diferença entre os dois tipos de transformado- res é o fato de que as bobinas dos transformadores a seco são feitas com fitas de alumínio encapsuladas com epóxi. Esses equipamen- tos sofrem menos com a presença de água. Eles também podem ser comercializados em caixas metálicas, como os transformadores a óleo. A figura “Transformador a seco” mostraesse equipamento. Figura 14 – Transformador a seco Fonte: https://www.gettyimages.com.br Os transformadores de potência são fabricados com vários acessórios, porque eles são partes fundamentais do sistema elétri- co e porque seu custo é significativo, alguns desses equipamentos chegam a custar milhões de dólares. Os acessórios mais comuns são: 112 • Termômetro: acima de 500 kVA, os transformadores vêm com este aparelho instalado na parte superior do equipamen- to, para medir a temperatura instantânea. Quando este valor chegar próximo do máximo, o dispositivo envia um sinal de alerta para a sala de comando. • Indicador de nível de óleo: como esses equipamentos pos- suem uma grande quantidade de óleo em seu interior, eles são fabricados com esses indicadores e com alarmes, caso aconte- ça um defeito e o nível de óleo fique abaixo do permitido. • Dispositivo para retirada de amostra de óleo: permite a retirada do óleo do transformador para análise. Esta análise deve ser feita anualmente para verificar se o óleo possui água misturado nele, devendo ser tratado para voltar a sua compo- sição original. • Válvula de alívio de pressão e relé de súbita pressão: quan- do submetidos à sobrecarga, o nível do óleo pode se expandir muito ou os gases formados pelo aquecimento do óleo podem se acumular na parte interna do transformador, sendo neces- sário que sejam expelidos para que não provoquem uma ex- plosão no tanque do transformador. • Motores para ventilação forçada: são equipamentos auxilia- res para a refrigeração do transformador. A norma ABNT NBR 5356-1: 2010, Transformadores de po- tência, Parte 1: Generalidades, regulamenta as características dos transformadores de potência. Devido a sua importância para as instalações elétricas indus- triais, os transformadores de potência são sempre utilizados em pa- ralelo, ou seja, ao invés de um transformador de 10 MVA, utilizamos dois transformadores de 5 MVA ou de 7,5 MVA. Desse modo, caso um dos equipamentos apresente defeito, o outro permitirá que par- te da indústria continue a funcionar. 113 Equipamentos de manobra, medição e proteção Os transformadores de potencial e de corrente, as chaves secciona- doras, os relés de proteção e os Religadores do Sistema Elétrico de Potência (SEP) são os dispositivos responsáveis por operar, medir e manobrar o sistema elétrico para a realização de manutenções pro- gramadas, em casos de emergência, para situações problemáticas, como a saída de uma grande usina responsável por gerar energia ou de um grande bloco consumidor. Através do controle e da leitura fornecida por esses dispositivos, conseguimos ter uma visão geral do SEP, prever possíveis situações críticas, transpor cargas e exe- cutar manobras visando ao fornecimento de energia ininterrupta ao consumidor. Os transformadores de potencial e de corrente, as chaves sec- cionadoras, os relés de proteção e os Religadores do Sistema Elétri- co de Potência (SEP) são os dispositivos responsáveis por operar, medir e manobrar o sistema elétrico para a realização de manuten- ções programadas, em casos de emergência, para situações proble- máticas, como a saída de uma grande usina responsável por gerar energia ou de um grande bloco consumidor. Através do controle e da leitura fornecida por esses dispositivos, conseguimos ter uma visão geral do SEP, prever possíveis situações críticas, transpor cargas e executar manobras visando ao fornecimento de energia ininterrup- ta ao consumidor. Friedrich et al. (2018, p. 157) definem os transformadores po- tencial e de corrente como “instrumentos de medição, controle ou proteção, que transformam correntes ou tensões de um alto valor para um valor fácil de ser medido por relés e outros instrumentos. Eles proporcionam o isolamento do circuito de medição primário na alta tensão do sistema e promovem a padronização dos instrumen- tos e relés para alguns valores de correntes”. Esses instrumentos são chamados de TP (transformadores de potencial) e TC (trans- formadores de corrente) e são instalados em painéis elétricos para a medição dessas grandezas localmente, na medição feita pelas concessionárias nas indústrias e nas subestações, tanto elevadoras quanto abaixadoras. 114 Características dos transformadores de potencial e de corrente Apesar de parecer com outros equipamentos elétricos, como buchas, existe um tanque onde são instaladas a parte primária e secundária, responsáveis pela transformação. Para a utilização em subestações, são monofásicos, ou seja, para um sistema trifásico, temos que uti- lizar três componentes, um por fase. Os transformadores de instrumentos se dividem em dois ti- pos principais: os transformadores de corrente e de potencial. En- tretanto, eles apresentam as mesmas características técnicas de acordo com a função que devem desempenhar em uma instalação elétrica: a função de proteção ou de medição. Transformador de corrente (TC) Mamede Filho (2005, p. 157) nos informa que “estes transforma- dores são utilizados para suprir aparelhos que apresentam baixa resistência elétrica, tais como amperímetros, relés, medidores de energia, de potência etc.”. Já Friedrich et al. (2018, p. 160) definem que o TC tem por finalidade “detectar ou medir a corrente elétrica que circula em um cabo ou barra de alimentação e transformá-la em outra corrente de valor menor, para ser transmitida a um ins- trumento de medição ou circuito eletrônico”. A corrente no secun- dário do TC normalmente é padronizada como igual a 5 A, ou a 1 A, em alguns casos. Este dispositivo é fabricado com um núcleo de ferro e dois enrolamentos: um primário e o outro secundário. Os TC apresentam diferentes formatos definidos segundo os ambientes onde serão instalados (ao ar livre, dentro de painéis), e robustez. Na figura “Transformadores de corrente para barramentos”, temos o exemplo de três transformadores de corrente utilizados para medir o consumo de corrente em um painel. 115 Figura 15 – Transformadores de corrente para barramentos Fonte: https://www.gettyimages.com.br Esses TC podem ser de vários tipos, como por exemplo: os do tipo barra que, como o próprio nome reforça, são fabricados para serem utilizados nas barras de painéis de elevadas correntes. Geral- mente, eles alimentam amperímetros instalados na porta do painel e enviam os seus sinais de leitura para os PLC. Os do tipo janela tam- bém podem exercer essa mesma função, devendo ter o barramento afixado no seu interior, mas medem uma corrente menor. Os do tipo bucha são instalados nas buchas de transformadores, disjuntores, equipamentos de grande potência. Os de núcleo dividido são os ali- cates amperímetros, um dos instrumentos de medição mais comuns usados por eletricistas. Os TC de medição, de acordo com Mamede Filho (2005, p. 179), são empregados “[...] na medição de corrente ou energia e são capazes de transformar as correntes de carga na relação, em geral dada por Ip/5, ou seja, a saída será de 5 A”. Esses instrumentos são feitos para saturarem na presença de elevadas correntes, protegen- do assim o equipamento a que estão ligados, como os medidores de energia elétrica. A classe de exatidão de um TC exprime o erro es- perado na realização desta leitura e, devido a sua importância, este item deve ser testado anualmente para que sejam evitados sobre ou subfaturamentos na conta de energia elétrica. A tabela “Correntes primárias e relações nominais” mostra alguns valores possíveis para o TC de medição. 116 Tabela 7 - Correntes primárias e relações nominais Corrente primária nomlnal (Α) Relação nominal Corrente pri- mária nomlnal (Α) Relação nominal Corrente primária nomlnal (Α) Relação nominal Corrente primária nomlnal (Α) Relação nominal 5 01:01 60 12:01 400 80:01:00 2500 500:01:00 10 02:01 75 15:01 500 100:01:00 3000 600:01:00 15 03 ΌΙ 100 20:01 600 120:01:00 4000 800:01:00 20 04:01 125 25:01:00 800 160:01:00 5000 1.000:1 25 05:01 150 30:01:001000 200:01:00 6000 1.200:1 30 06:01 200 40:01:00 1200 240:01:00 8000 1.600:1 40 08.01 250 50:01:00 1500 300:01:00 10000 2000:01:00 50 10:01 300 60:01:00 2000 400:01:00 - - Fonte: Mamede (2005, p. 166). Ainda recorrendo a Mamede Filho (2005, p. 187), temos que os TC de proteção são equipamentos destinados “à proteção dos sistemas elétricos capazes de transformar elevadas correntes de so- brecarga ou de curto-circuito primário da instalação” para valores possíveis de serem analisados pelos relés de proteção. Aqui, o erro porcentual muda drasticamente. Por exemplo, para uma classe de exatidão 10, o erro percentual da relação entre a tensão primária e a secundária pode ser de até 20 vezes o valor medido, ou seja: ɛp= Ie / Is x 100 Sendo IS – valor eficaz da corrente secundária (em A) e Iê a corrente de excitação correspondente. Outra diferença é que os TC utilizados como medidores de energia estão em paralelo com o circuito, já os que são usados para proteção estão em série, porque precisam que a corrente de surto passe por eles para que eles a possam detectar no menor tempo pos- sível. A tabela “Correntes primárias e relações nominais” mostra alguns valores possíveis para o TC de proteção”. 117 Tabela 8 - Correntes primárias e relações nominais duplas para ligação série/paralela Corrente primária nomlnal (Α) Relação nominal Corrente primária nomlnal (Α) Relação nominal 5 х 10 1 х 2:1 800 х 1600 160 х 320:1 10 х 20 2 х 4:1 1000 х 2000 200 х 400:1 15 х 20 з х 6:1 1200 х 2400 240 х 480:1 20 х ао ах 8:1 1500 х 3000 зоо х 600:1 25 х 50 5 х 10:1 2000 х 4000 400 х 800:1 30 х 60 6 х 12:1 2500 х 5000 500 х 1000:1 40 х 80 8 х 16:1 зооо х 8000 600 х 1200:1 50 х 100 10 х 20:1 4000 х 8000 800 х 1600:1 60 х 120 12 х 24:1 5000 х 10000 1000 х 2000:1 75 х 150 15 х 30:1 6000 х 12000 1200 х 2400:1 100 х 200 20 х 40:1 7000 х 14000 1400 х 2800:1 150 х 300 30 х 60:1 8000 х 16000 1600 х 3200:1 200 х 400 40 х 80:1 9000 х 1800 1800 х 3600:1 300 х 600 60 х 120:1 10000 х 20000 2000 х 40001 400 х 800 80 х 160:1 - - 600 х 1200 12 х 241 - - Fonte: Mamede (2005, p. 167). Transformador de potencial (TP) O TP é o equivalente ao TC para a medição da grandeza tensão. Ge- ralmente seu valor secundário é fabricado para um valor secundário adotado no sistema de distribuição: 115, 220, 380, 400 ou 600 V. O mais utilizado é 115 V ou 115/√3 V. Eles suprem aparelhos com ele- vada impedância como voltímetros, medidores de energia, relés de proteção. O maior risco na fabricação desse aparelho é o apareci- mento de bolhas durante o processo de fabricação, principalmente para os TP fabricados em epóxi. Os transformadores de potencial podem ser capacitivos ou indutivos. O Transformador de Potencial Capacitivo (TPC) é 118 formado por dois conjuntos de banco de capacitores que atuam conjuntamente com um Transformador de Potencial Indutivo (TPI) para transformar tensões de até 15 kV em 127 V, esta última utilizada por vários outros instrumentos também e que pode ser lida pelos CLP (Controladores Lógicos Programáveis). Estes equipamentos também podem ser utilizados na eletrô- nica para isolar a tensão de alimentação 227 ou 200 V da tensão uti- lizada pelo circuito impresso, que pode ser 12, 48 ou 115 Vcc. A figura “Transformador de Potencial Capacitivo” mostra um transforma- dor dentro de um circuito impresso. Figura 16 - Transformador de Potencial Capacitivo Fonte: https://www.gettyimages.com.br Os transformadores do tipo indutivo são fabricados para atuação em tensões até 138 kV e os capacitivos para tensões acima de 138 kV. Os TP, de maneira geral, se dividem em dois grandes gru- pos: o primeiro para ligação entre fases (geralmente até 34,5 kV) e entre fase e neutro. Se o aterramento for bom, podemos utilizar um transformador do grupo 2, caso contrário, devemos utilizar um do grupo 3. As mesmas considerações feitas para TC utilizados para medição são válidas para os TP, do mesmo modo que os TC utiliza- dos para proteção devem ser fabricados com o mesmo cuidado dos TC de proteção. As classes de exatidão dos TP são: 0,3; 0,6 e 1,2. Os de classe 0,3 são utilizados para medições de faturamento da ener- gia elétrica, enquanto os de classe 0,6 são utilizados na proteção. Agora quando a função do instrumento for somente informar o va- lor da tensão que está alimentando um painel ele pode ter classe de precisão 1,2. 119 Friedrich et al. (2018, p. 160) nos informam que “seccionar significa dividir em seções, portanto, um dispositivo de secciona- mento deve ser capaz de realizar manobras para isolar um circuito elétrico”. Basicamente, elas executam a mesma função do interrup- tor de iluminação que utilizamos na nossa residência, mas com um nível de isolamento e complexidade de isolamento muito maior. Es- ses dispositivos podem ser monopolares ou tripolares. Geralmente, o sistema trifásico de transmissão trabalha com tensões tão eleva- das que instalamos um dispositivo por fase e no sistema de distri- buição instalamos um dispositivo trifásico. De acordo com Mamede Filho (2005, p. 223), chave é um “dispositivo mecânico de manobra que, na posição aberta, asse- gura uma distância de isolamento e, na posição fechada, mantém a continuidade do circuito elétrico nas condições especificadas”. Esse dispositivo interrompe uma corrente de intensidade pequena, grandes correntes são interrompidas pelos dispositivos de proteção. Com isso, podemos realizar manobras nos dispositivos elétricos sem carga, a maioria dessas manobras tem como objetivo a manutenção, troca ou ampliação da rede elétrica. Assim, podemos manobrar a carga para outro circuito da subestação para realizar a manutenção periódica em um transformador, substituir um isolador defeituo- so e fazer um by-pass enquanto é realizado algum serviço na parte dentro deste curto. Características das chaves seccionadoras As chaves são compostas de circuito principal, auxiliar e de coman- do, polos, contatos, terminais, dispositivos de operação e de blo- queio. Geralmente, elas são fabricadas para serem operadas através de um bastão que vai abrir ou fechar os contatos. O polo é o conjunto principal da chave, composto pelo seccio- nador, isolador e a base. Ele é o responsável por definir se a chave será monofásica ou trifásica. A base de fixação pode ser fabricada nos perfis U, I, em formato de treliças ou de tubos. A chave também possui um mancal para apoiar os contatos na operação de abertura ou de fechamento, um suporte de isolador para que a coluna isolante 120 possa ter uma distância de isolação entre ela e a base. Uma lâmina principal é a responsável pela condução da corrente e é fabricada com material de baixa resistência, além do suporte de contatos, um mecanismo de acionamento. Algumas dessas chaves podem possuir comando motorizado, além de chifres que evitam a produção de ar- cos elétricos. As chaves seccionadoras podem ser fabricadas para uso inter- no, em subestações do consumidor, neste caso elas são de pequeno e médio porte e feitas para serem instaladas em lugares abrigados e para uso externo, destinas à operação em redes de distribuição ou em subestações de grande porte. Neste caso, a direção da sua aber- tura pode ser lateral à esquerda ou à direita ou central. Chaves seccionadoras fusíveis (chaves faca) Mamede Filho (2005, p. 226) afirma que estas chaves são “[...] do- tadas de três hastes isolantes, normalmente de resina epóxi ou de fenolite, montadas em paralelo a três cartuchos fusíveis, também fabricados em epóxi ou fenolite ou ainda três unidades de fusíveis de alta capacidade de ruptura”. As hastes permitem a operação si- multânea das três fases, o que não poderia acontecer somente com a instalação dos fusíveis. Mas se o fusível de uma fase atuar, corre- mos o risco de o sistema continuar funcionando com duas fases se os dispositivos de proteção adicionais não estiverem corretamente dimensionados. Estas chaves são ideais para serem utilizadas em subestações de alvenaria,não devendo ser utilizadas em invólucros metálicos, porque, durante a sua operação, podem surgir arcos me- tálicos perigosos. Quando ocorre a queima de um fusível, este muda de cor ou sinaliza com a expulsão de uma lingueta para que se possa ver quantos cartuchos estão queimados do solo. Algumas chaves seccionadoras atuam como interruptores também, podendo ser acionadas manualmente através de um me- canismo articulado que libera a força de uma mola carregada, ou então, com a ajuda dos fusíveis de alta capacidade de ruptura. Algu- mas destas chaves são utilizadas para se fazer a troca do sistema de fornecimento, como, por exemplo, quando ocorre falta de energia 121 por parte da concessionária e um grupo gerador assume este for- necimento, como é feito em instalações hospitalares, como está ilustrado na figura “Diagrama unifilar simplificado entre o forneci- mento de energia elétrica pela rede e por um grupo gerador”. Figura 17 – Diagrama unifilar simplificado emtre o fornecimento de energia elétrica pela rede e por um grupo gerador Fonte: Rafaela Guimarães – Editorial Cengage (2020). Religadores e reguladores (T) Friedrich et al. (2018, p. 209) definem os religadores como “[...] um equipamento cuja função é interromper o circuito elétri- co quando há falhas e, principalmente, curtos-circuitos, de forma a proteger a rede de transmissão e a distribuição contra problemas transitórios”. Eles podem ser monofásicos ou trifásicos e desligam o circuito através de um relé de sobrecorrente de ação indireta e por um relé de religamento. Alguns também podem ser interligados à central de comando e receber um sinal remoto para executar uma dada operação (ou abrir ou fechar) o circuito. A seguir, veremos as vantagens da utilização dos religadores. 122 As principais vantagens da utilização de religadores são: • Melhora os índices DEC (Duração da Interrupção) e FEC (Fre- quência em que ocorrem as Interrupções) das concessioná- rias, porque não é necessário o envio de uma equipe até o local para religar o sistema; • Permite a automação das redes e a consequente supervisão dos parâmetros; • Podem ser instalados em subestações e ao longo dos ramais principais; • Podem enviar e receber dados on-line; • Permitem verificar qual a frequência em que a rede elétrica é atingida por uma descarga atmosférica. O religador deve possuir proteção contra sobrecorrente e são fabricados para resistirem às intempéries. Algumas vezes, o proble- ma da rede é físico, como, por exemplo, a rede pode ser atingida por um acidente de trânsito e seus cabos serem derrubados no solo, por causa disso o religador tenta restabelecer o sistema em um número fixo de vezes, geralmente de três a quatro tentativas. Caso não haja sucesso, ele não tentará novamente e enviará um sinal para a cen- tral informando a necessidade da ida de uma equipe de manutenção até o local. A tabela “Relação de sensores de fase até 280 A” traz a relação de sensores de fase conforme a corrente de acionamento. Esse tempo de interrupção varia de 25 a 40 ms para a interrupção e pode ser programado de diversas maneiras. Para se utilizar a tabela, Friedrich et al. (2018, p. 213) recomendam o seguinte procedimento: • “Determinar a corrente máxima de linha e escolher a relação dos sensores de fase”, por exemplo, se a corrente máxima de carga do alimentador for igual a 135 A, a relação deve ser X4 – X6 = 150 A, própria para o religador de 280 A. A corrente será adotada como 150 A ±5%; • “Determinar o valor mínimo da corrente de curto-circuito fase-terra, que será o valor de ajuste da corrente de aciona- mento”, por exemplo, para uma corrente de defeito de 30 A, 123 o transformador auxiliar de proteção de terra deve ser ajusta- do na combinação H1 – H3, módulo calibrador 8, que corres- ponde a um valor de 27 A, ou seja, ao ser percorrido por uma corrente para a terra igual ou superior a 27 A ±5%, o religador atuará. Tabela 9 - Relação de sensores de fase até 280 A ReIação dе sensores de fase (А) Corrente de acionamento da proteção de terra X2 - X4 = 50 50 40 32 25 19 15 12 9 7 5 X3 - Х5 = 70 70 50 46 35 26 21 17 13 10 8 6 5 Х1 - Х2 = 80 80 64 52 40 30 24 19 15 11 9 7 5 Х2 - X5 = 90 90 72 59 45 33 27 22 16 13 10 8 6 5 X1 - X3 = 100 ## 80 65 59 37 30 24 18 14 11 9 7 5 Х5 -Хб = 110 110 88 72 55 41 33 26 20 15 12 10 8 6 Х1 - X4 = 130 ## ## 85 65 48 39 31 23 18 14 12 9 7 6 X4 - X6 = 150 ## ## 98 75 56 45 36 27 21 17 14 10 8 7 5 Х1 -Х5 = 170 ## 136 111 85 63 51 41 31 24 19 15 12 9 7 6 X3 - X6 = 180 ## ## 117 92 67 54 43 33 25 20 16 13 9 7 6 Х2 - Хб = 200 ## ## ## ## 74 60 48 36 28 22 18 14 10 8 7 5 X1 - X6 = 280 ## ## 182 ## ## 84 67 50 39 31 25 20 14 11 9 7 Calibração 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Transfornador Auxiliar H1 - H2 H1 - H3 H1 - H4 H1 - H5 Fonte: Friedrich et al. (2018, p. 212). Reguladores de média tensão (st) Friedrich et al. (2018, p. 213) definem regulador de média ten- são como “um equipamento responsável por garantir a qualidade de energia entregue aos consumidores. Ele realiza esta regulação através da comutação automática dos taps. Ele mede a tensão e a regula com o objetivo de manter a variação da tensão em ±10% do valor nominal da rede elétrica. Eles também são chamados de auto- transformadores com comutador de tensão em carga, permitindo assim uma melhor qualidade da tensão de fornecimento de energia elétrica.” 124 As vantagens da utilização dos reguladores de tensão são a redução das perdas de energia na distribuição, diminuição das reclamações dos clientes por mau funcionamento, desligamen- tos constantes de aparelhos e equalizar a tensão ao longo do fornecimento. Aplicação de religadores e reguladores Os religadores geralmente são instalados em áreas com muita ocor- rência de descargas atmosféricas e onde há muito problema de ins- tabilidade de energia. Estas falhas podem ocorrer devido à presença de ventos na rede elétrica que provocam o contato com galhos, ani- mais, como pássaros, objetos metálicos ou descargas atmosféricas. Rapidamente, a fonte do distúrbio é eliminada e o sistema pode ser religado. A especificação dos religadores depende da classe de ten- são, tensão nominal, potência e corrente de linha e está ilustrada na tabela “Especificação dos reguladores”. Tabela 10 - Especificação dos reguladores Classe de tensâo (kV) Tensão nominal do regula- dor (V) Potência (kVA) Corrente de linha (A) C (mm) L (mm) A (mm) 15 7.620 38,1 50 855 765 1.640 57,2 75 990 770 1.695 76,2 100 1.015 785 1.730 114,3 150 1.005 900 1.840 167 219 1.025 900 1.840 250 328 1.195 1.025 1.860 333 438 1.175 1.265 2.010 13.800 69 50 875 790 1.700 138 100 1.060 940 1.700 207 150 1.100 980 1.865 276 200 1.285 1.095 1.865 414 300 1.245 1.335 2.125 552 400 1.190 1.205 2.200 Fonte: Friedrich et al. (2018, p. 218). 125 Os equipamentos apresentados aqui são todos encontrados em abundância nas diversas subestações existentes, com certeza algumas delas perto de você. Da próxima vez que você passar em uma subestação ou em um sistema de distribuição de energia, ten- te localizar as chaves seccionadoras, os religadores ou reguladores instalados na rede. A maioria dos serviços realizados pelos técnicos das concessionárias acontece com a rede desligada. As equipes de linha viva possuem um dos trabalhos mais perigosos do mundo. Olá, estudante! Chegamos ao término de mais uma etapa de estudos. Neste objeto de aprendizagem, você teve a oportunidade de estudar os Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA), seus compo- nentes e tipos; compreender o sistema de aterramento, tipos de solo e características que devem ser levadas em consideração ao realizar um projeto de aterramento; saber para que serve e como deve ser instalado os DPS (Dispositivos de Proteção contra Surtos) Também aprendeu que o SPDA protege contra raios em tempestades cada vez mais frequentes. As nuvens se formam pelo aquecimento da mistura deMateriais do tipo n e p � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 136 Diodo � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 138 Aplicações dos Diodos Semicondutores – Análise Por Reta De Carga � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 142 Circuitos Retificadores e Principais Aplicações � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 144 Transformadores � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �145 Transformador abaixador de tensão � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 145 Transformador com derivação central no secundário � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 146 Retificador de meia onda � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 147 Retificador de onda completa com derivação � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 149 Transistores bipolares de junção e suas aplicações � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 152 Processo de Operação de Polarização dos Transistores Bipolares de Junção � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 159 Microcontroladores � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �160 Memórias ROM Programáveis e Apagáveis (EPROMs, EEPROMs e FLASH) � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 163 Apresentação Olá, estudante, tudo bem? Vamos dar início a uma nova jornada! Neste momento, va- mos nos aprofundar no universo dos materiais elétricos. É fundamental mantermos em nossa consciência algo de grande importância: no campo da engenharia, é imperativo com- preender o tipo de substância que será empregado em um projeto, dispositivo elétrico ou em outras configurações estruturais. Com essa consideração em mente, direcionaremos nosso estudo para compreender a organização dos componentes internos conforme a estrutura molecular desses materiais. Dito isso, aproveite a leitura, tenha boas reflexões e um ótimo estudo! Autoria Rodrigo Mangueira . Olá, tudo bem? Antes de começarmos nosso material, quero me apresentar. Sou o professor Rodrigo Mangueira e vou lhe acom- panhar nesse novo desafio. Sou Graduado em Engenharia Elétrica e especialista em Metodologia do Ensino a Distância pelo Centro Universitário Maurício de Nassau; além disso, atuo como Tutor EAD no Grupo Ser Educacional. Tenho experiência na área de Engenha- ria Elétrica, com ênfase em Eletrotécnica, atuando principalmente nos seguintes temas: Palestra em EAD, Projetos Capacita, Produção de Material EAD, Fresadora CNC e Impressora 3D. Espero contribuir com o seu aprendizado. Sucesso! Link: http://lattes.cnpq.br/7233273038952275 Currículo Lattes Ricardo Fernandes de Souza. Olá, meu nome é Ricardo Fernandes de Souza. Sou graduado em Engenharia Elétrica e em Tecnologia de Automação Industrial, com Mestrado e Doutorado em Engenharia Mecânica, na área de Ener- gias Renováveis. Atuo como professor na área técnica há mais de 10 anos e na modalidade EAD (Ensino a Distância) há 4 anos. Sou profissional da área de Engenharia Elétrica desde minha graduação, assim como na área de Automação Industrial. Tenho passagem pelo setor eólico, na manutenção de aerogeradores e no setor de auto- mação de climatização. Link: http://lattes.cnpq.br/1105113397385047 Rafaela Guimarães. Olá, meu nome é Rafaela Guimarães. Sou graduada em Engenha- ria Elétrica pela UNESP - Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, campus de Ilha Solteira, com Mestrado pela mes- ma Universidade. Atualmente sou professora de várias disciplinas relacionadas à Engenharia Elétrica e de Controle e Automação para a Anhanguera. Atuo como conteudista de várias instituições de ensino como Laureate, Kroton, Grupo A, Universidade Cândido Mendes e Portal UOL Educação. Link: http://lattes.cnpq.br/9938074698795484 Currículo Lattes Currículo Lattes UN ID AD E 1 Propriedades dos Materiais Elétricos Objetivos 1. Demonstrar como funcionam a condutividade, o isolamento, a resposta do sistema, a durabilidade e as limitações dos ma- teriais com relação às suas propriedades. 2. Proporcionar condições para classificar os materiais utiliza- dos em aplicações elétricas, de acordo com as suas proprieda- des funcionais. 3. Proporcionar conhecimento para selecionar e classificar os materiais magnéticos e suas propriedades, e os materiais dielétricos ou isolantes e suas aplicações, o isolamento entre os condutores e seu isolamento entre as massas metálicas. 4. Desenvolver o entendimento dos cálculos e as propriedades dos materiais condutores, conhecendo alguns exemplos e onde são melhor aplicáveis. 12 Introdução Prezado(a) estudante, Como é de seu conhecimento, a tecnologia dos materiais elé- tricos engloba o campo do saber humano voltado para a investiga- ção, desenvolvimento, produção e aplicação de materiais com fins tecnológicos. A escolha criteriosa e o processo de elaboração desses materiais, considerando suas propriedades mecânicas, térmicas, elétricas, entre outras, representam etapas essenciais para garantir uma utilização eficaz, buscando a otimização de custos nos proje- tos, já que tais propriedades estabelecem limites no escopo de utili- zação em determinados contextos. Neste material, exploraremos os fundamentos da ciência dos materiais, bem como as tecnologias que envolvem os materiais semicondutores, condutores e isolantes, abordando suas caracte- rísticas primordiais. Assim, convidamos você, caro(a) aluno(a) do ensino a distância, a familiarizar-se de maneira descomplicada com as principais características dos Materiais Elétricos. Nas próximas linhas, de forma intuitiva, discorreremos sobre os tópicos supraci- tados. Vamos iniciar? 13 Propriedades dos materiais As propriedades dos materiais são baseadas por suas composições, estruturas internas e as reações que acontecem sob a influência de altas e baixas temperaturas, esforços mecânicos e reações químicas. Principais propriedades Mecânica Qualidade dos materiais de suportarem a aplicação de esforços ex- ternos sem cederem ou romperem. Tensão A Tensão Mecânica pode ser expressa pelo símbolo (𝞼), sua fórmula física é definida em uma força por área. Veja: 𝞼 = F/A Aqui, F é a força de tração ou compressão aplicada à área A do corpo transversal à força. Lembre-se que a Tensão Mecânica é dada por N/m2. O efeito de uma tensão aplicada ao material (tanto como compres- são ou tração) é a deformação. Deformação Podemos entender Deformação como sendo a ação de modi- ficar a forma, sendo ela linear, superficial ou até mesmo volumétri- ca. Isso se aplica a todo material que esteja sólido. É importante destacarmos que a deformação pode ser de dois tipos, elástica e plástica. Vejamos: DICA 14 • Elástica – que pode desaparecer com a cessação da força apli- cada sobre o material; • Plástica – que, mesmo após cessada a força aplicada, perma- nece deformada. Elasticidade Pode ser descrita como a capacidade que o material tem de sofrer alongamentos sob esforços de tração e que, após a retirada da força aplicada, não apresenta uma deformação permanente. Plasticidade É a propriedade que o material tem de ser deformado permanente- mente quando submetido a uma força externa, podendo ser de tra- ção, compressão ou outra, mas comumente medida pela capacidade de transformação em lâminas finas e sem rupturas. Ductilidade É a deformação plástica até o ponto de ruptura. A Ductilidade pode ser expressa como alongamento, conforme pode ser visto no gráfico abaixo. Gráfico 1 – Tensão deformação: material frágil x material dúctil. Fonte: Grupo Ser Educacional (2022). 15 Fluênciaar e vapor d’água. Descargas atmosféricas transfor- mam energia eletrostática em diversas formas. Raios se formam da nuvem para a terra, causando trovões. Com isso, é necessário uti- lizar métodos e dispositivos de segurança para proteger o sistema elétrico como um todo. CURIOSIDADE SINTETIZANDO 126 Por fim, conheceu as diferenças e similaridades entre os transfor- madores de força e de distribuição de energia das chaves seccio- nadoras, relés e IED, as características construtivas e principais aplicações dos religadores e reguladores. Bons estudos! Até a próxima! Características e aplicabilidade dos semicondutores UN ID AD E 4 Objetivos 1. Estudar as principais características dos três mais importan- tes materiais semicondutores: Si, Ge e GaAs. 2. Observar e diferenciar os materiais dos tipos n e p. 3. Compreender os Transistores Bipolares de Junção e suas aplicações. 4. Analisar o processo de operação de polarização do Transisto- res Bipolares de Junção. 5. Conhecer o Hardware dos microcontroladores. 128 Introdução Caro(a) estudante, no campo da eletrônica, a velocidade vemga- nhando notoriedade, assim como a confiabilidade e a eficiência dosnossos sistemas de comunicação. Dessa forma, exige-se dos computadores um melhor desempenho e mais velocidade a cada ano, exigência essa que vale para cada novo lançamento de eletrô- nicos. Neste contexto, surge um material que tem capacidade defor- necertais necessidades, chamado de semicondutor. O semicondutor faz parte de uma classe especial de elemen- tos que possuem uma condutividade que está entre a de um bom condutor e a de um isolante. Esse material é, assim, o grande res- ponsável pela miniaturização dos dispositivos eletrônicos que vem acontecendo seguindo a evolução da tecnologia. Pensando nisso, iremos trabalhar a compreensão da prefe- rência desses semicondutores na indústria eletrônica, numa análise que vai desde a estrutura atômica até a aplicação. Vamos estudar, ainda, as aplicações da análise de circuitos eletrônicos e todos os conceitos que já conhecemos dos semicondu- tores. Contudo, é inviável conseguirmos abordar todos os circuitos eletrônicos ou aplicações com diodo, mas é importante que você en- tenda que as técnicas ensinadas serão extremamente importantes para o uso desses dispositivos eletrônicos. Então, vamos aproveitar o momento e a motivação do que já foi aprendido para mergulhar nesse conteúdo, que, como você já sabe, é de extrema relevância para o estudo dos materiais e dispositivos eletrônicos e para a área de Engenharia Elétrica. Vamos lá! 129 Principais características dos materiais semicondutores: Si, Ge E GaAs Classe especial de elementos A construção de um circuito integrado ou dispositivo eletrônico ini- cia-se com um material semicondutor com as melhores qualidades (Alexander; Sadiku, 2013). Como vimos na introdução deste material, o Si (silício), Ge (germânio) e o GaAs (arseneto de gálio) fazem parte de uma classe especial de elementos que possuem propriedades de condutividade que estão entre ótimos condutores e ótimos isolantes. Esses mate- riais recaem em uma de duas das seguintes classes: o cristal singu- lar e o cristal composto. • Cristal singular (estrutura de cristal repetitiva): Si (silício) e Ge (germânio). • Cristal composto (estruturas atômicas diferentes):GaAs (ar- seneto de gálio). Importante lembrar que Si, Ge, e GaAs são os principais semicondutores mais utilizados na construção de equipamentos e dispositivos eletrônicos. Logo após a descoberta dos diodos em 1939, e do transis- tor, em 1947, o material semicondutor mais utilizado era o germâ- nio, devido à facilidade de ser encontrado em grandes quantidades (Boylestad; Nashelsky, 2013). Mas o nível de confiabilidade dos dio- dos e dos transistores era baixo, devido à sensibilidade a variação de temperaturas. Surge, então, a possibilidade de usar o silício, que era menos afetado pela variação de temperatura, no entanto, o processo de refinação para obter um alto grau de pureza ainda era embrioná- rio, ou seja, estava se desenvolvendo (Ibidem). 130 Perceba que cada material semicondutor terá sua peculiari- dade, por conta disso, para entender melhor o conteúdo, iremos, primeiramente, compreender como funciona a estrutura atômica desses elementos. Quando falamos que o Si (silício), o Ge (germânio) e o GaAs (arseneto de gálio) são os elementos mais utilizados na indústria, não é algo aleatório, já que eles possuem características diferentes dos demais elementos. Para entendermos isso, iremos nos aprofun- dar na estrutura atômica desses semicondutores e compreendere- mos como são feitas as ligações dos átomos para formar a estrutura cristalina. Na figura abaixo, podemos observar a estrutura cristalina dos semicondutores citados. Figura 1 - Estrutura atômica de (a) silício, (b) germânio e (c) gálio e arsênio. Fonte: adaptada de Boylestad; Nashelsky (2013, p. 3) pelo Grupo Ser Educacional (2023). Na figura acima, na estrutura atômica do silício, percebe- -se que na camada de valência (última camada) há quatro elétrons de valência, assim como no germânio. Esses átomos que possuem quatro elétrons de valência são denominados de tetravalentes. Já os 131 átomos de Gálio e Arsênio possuem três elétrons e cinco elétrons de valência, respectivamente. A valência indica que a potência de ioni- zação necessária para remover algum desses elétrons da estrutura atômica é muito menor do que o requerido para qualquer outro elé- tron na estrutura (Boylestad; Nashelsky, 2013). A ligação entre átomos, ou melhor, o compartilhamento de elétrons entre os átomos é chamado de ligação covalente. Na figura a seguir, podemos ver o compartilhamento de átomos de silício. Figura 2 - Compartilhamento de átomos de silício. Fonte: adaptada de Boylestad; Nashelsky (2013, p. 4) pelo Grupo Ser Educacional (2023). Percebe-se, pela imagem acima, que, na última camada – também conhecida por camada de valência – do átomo de silício, há 4 (quatro) elétrons.Esse arranjo faz com que haja uma ligação (compartilhamento) com quatro átomos adjacentes. Essa mesma situação acontece no átomo de germânio, pois ele também possui 4 elétrons na camada de valência. Já no átomo de GaAs (arseneto de gálio), como ele é um semicondutor composto, existe um compartilhamento entre os dois átomos diferentes, como podemos ver na figura abaixo (Boylestad; Nashelsky, 2013). 132 Figura 3 - Ligação covalente do cristal de GaAs. Fonte: adaptada de Boylestad; Nashelsky (2013, p. 4) pelo Grupo Ser Educacional (2023). Confira o seguinte quadro sobre o uso comercial do Silício, Germânio e Arseneto de Gálio, de acordo com Boylestad e Nashelsky (2013, p. 18). Quadro 1 - Uso comercial atual de Ge, Si e GaAs Si – Silício Germânio – Ge Arseneto de Gálio - GaAs “[...] o semicondutor mais utilizado para toda a gama de dis- positivos eletrônicos tem a vantagem da pronta disponibilida- de a um baixo custo e de uma corrente de saturação reversa relativamente baixa, além de caracterís- ticas de temperatura adequada e excelen- tes níveis de tensão de ruptura.” “Ainda está disponí- vel comercialmen- te, mas limitado a algumas aplicações de alta velocidade (graças a um fator de mobilidade relativa- mente elevado) e a outras que usam sua sensibilidade à luz e ao calor, como foto- detectores e sistemas de segurança.” “Mais de 80% de suas aplicações concentram- -se na optoeletrônica, com o desenvolvimento de diodos emissores de luz, células solares e outros dispositivos fotodetectores, mas isso provavelmente mudará drasticamente à medida que seus custos de fabricação caírem e sua utilização em projetos de circuito integrado continuar a crescer.” Fonte: adaptado de Boylestad e Nashelsky(2013, p. 18) pelo Grupo Ser Educacional (2023). 133 A teoria de lacunas e elétrons e o processo de condução elétrica Bandas de Energia Sabe-se que um átomo é formado por elétrons que giramem tor- no de um núcleo que é composto por prótons e nêutrons. Em todo elemento químico, o número de elétrons e nêutrons é diferente. Na figura abaixo, pode-se visualizar o modelo atômico de Bohr. Figura 4 - Modelo atômico de Bohr Fonte: adaptada de Marques; Cruz; Choueri Júnior (2009, p. 7.) pelo Grupo Ser Educacional (2023). Na imagem, vemos que os elétrons giram ao redor do núcleo em várias camadas, que são conhecidas como níveis K, L, M, N, O, P e Q. À medida que nos distanciamos do núcleo, aumentamos o raio de sua órbita; consequentemente, maior será a energia do elé- tron. Sendo assim, o elétron que orbita na camada N tem mais ener- gia do que o elétron que orbita na camada L. A valência é a última órbita de um átomo, isso significa a quantidade de elétrons desta órbita que pode se libertar do áto- mo por meio do recebimento de energia externa, como calor, luz ou outro tipo de radiação, e a se ligar a outro átomo através do 134 compartilhamento dos elétrons (ligações covalentes) (Marques; Cruz; Choueri Júnior, 2009). Esses elétrons da camada de valência são os que têm mais facilidade de se deslocar do átomo. Como estão mais distantes do núcleo do átomo, eles possuem uma força de atração eletrostática bem menor, outro fator é que eles possuem uma energia maior. De- vido a essas condições, uma energia pequena é suficiente para tor- nar os elétrons livres e, assim, formar uma banda de condução, que é a grande responsável pela condutividade elétrica (Marques; Cruz; Choueri Júnior, 2009). O diodo semicondutor substitui a válvula diodo, com a grande van- tagem de utilizar uma quantidade bem menor de energia, e, princi- palmente, por ter uma dimensão bem mais reduzida. As aplicações e melhorias dos dispositivos eletrônicos são vastas, assim como sua evolução. Não deixe de pesquisar sobre os semicon- dutores e suas aplicações nos dispositivos modernos! Caso a banda de condução não possua o número máximo de elétrons permitidos, surgem as ligações covalentes, como vimos anteriormente. Devido às distâncias bem definidas em relação ao núcleo do átomo, há uma região chamada de banda proibida, re- gião na qual não é possível existir elétrons (Marques; Cruz; Chou- eri Júnior, 2009). São exatamente essas regiões que definem o comportamento elétrico desses materiais, como podemos ver na figura abaixo. VOCÊ SABIA? 135 Figura 5 - Bandas de condução e valência de um isolante, um semicondutor e um condutor Fonte: adaptada de Boylestad e Nashelsky (2013, p. 6.) pelo Grupo Ser Educacional (2023). Veja que, na primeira situação, no caso do isolante, um elé- tron, para se livrar do átomo, tem que dar um salto de energia muito grande; já que poucos elétrons têm energia suficiente para sair da banda de valência e atingir a banda de condução. Isso faz com que não haja corrente elétrica, ou pelo menos com que ela seja muito pequena nesse material. Na situação dos semicondutores, um elétron precisa dar um salto da banda de valência até atingir a banda de condução, sendo esse salto pequeno. Eles possuem características intermediárias de um condutor e de um isolante. No caso do condutor, um elétron passa facilmente da banda de valência para a banda de condução, sem que seja necessária mui- ta energia. Tal característica é comumente encontrada em materiais metálicos. Talvez você esteja se perguntando por que alguns desses materiais possuem tais características – isolante, condutor e se- micondutor. A explicação pode ser encontrada na composição quí- mica, nos tipos de ligações e nas formas de organização. 136 Wafer é o nome dado a uma fatia de material semicondutor na qual se alojam microcircuitos. É um componente fundamental na cons- trução de aparelhos na microeletrônica. Materiais do tipo n e p Como sabemos, o Si é o material mais utilizado como semicondutor na construção de dispositivos eletrônicos. Sabendo que o Si, GaAs e o Ge compartilham uma ligação cova- lente semelhante, a discussão pode ser facilmente ampliada de modo que inclua a utilização de outros materiais no processo de fabricação. De acordo com Teixeira e Tavares, “As características de um material semicondutor podem ser alteradas adicionando-se áto- mos específicos de impureza ao cristal semicondutor relativamen- te puro”(2018, p. 13). Esse processo é conhecido como dopagem, e através dele é possível ajustar a condutividade do material esco- lhendo a quantidade de impurezas (ou o nível de dopagem). Quando um material semicondutor é submetido a esse processo, ele é cha- mado de material extrínseco (Teixeira; Tavares, 2018). Existem dois tipos de materiais extrínsecos de enorme im- portância para a fabricação de um dispositivo semicondutor: • materiais do tipo n; • materiais do tipo p. Vamos detalhá-los nos próximos tópicos. Os materiais do tipo n são formados pela adição de um nú- mero predeterminado de átomos de impureza a uma base de silício. Esse tipo de material é criado pela introdução de elementos de im- pureza que têm cinco elétrons de valência, tais como o antimônio. CURIOSIDADE 137 Há, porém, um quinto elétron adicional devido ao átomo de impureza, o qual está dissociado de qualquer ligação covalente em especial (Batistel, 2017). Esse elétron restante, fracamente ligado ao seu átomo de ori- gem (antimônio), é relativamente livre para se mover dentro do re- cém-formado material do tipo n, uma vez que o átomo de impureza inserido doou um elétron relativamente “livre” para a estrutura, indicada pela figura abaixo. Figura 6 - Impureza de antimônio em material do tipo n Fonte: adaptada de Boylestad e Nashelsky (2013, p. 7.) pelo Grupo Ser Educacional (2023). O material do tipo p é formado pela dopagem de um cristal puro de germânio ou silício com átomos de impureza que possuem três elétrons de valência. No exemplo mais abaixo, o elemento uti- lizado é um dos mais comuns: o Boro, representado pelo símbolo B. O espaço vazio resultante é chamado de lacuna e é representado por um círculo pequeno ou por um sinal positivo, indicando a ausência de uma carga negativa. É por isso que a lacuna resultante aceitará prontamente um elétron livre. 138 Figura 7 - Impureza de boro formando um semicondutor tipo p. Fonte: adaptada de Boylestad; Nashelsky (2013, p. 6.) pelo Grupo Ser Educacional (2023). Os materiais dos tipos n e p representam os blocos de cons- trução básicos dos dispositivos semicondutores. Em um material do tipo n, o elétron é chamado de portador majoritário e a lacuna, de portador minoritário. No caso do material do tipo p, o número de lacunas é muito maior do que o número de elétrons. Assim, em um material do tipo p, a lacuna é o portador majoritário e o elétron é o portador minoritário. Diodo Características básicas de um diodo O diodo, basicamente, é um dispositivo que bloqueia a passagem de corrente em um sentido, permitindo no outro. Há diversas aplica- ções do diodo semicondutor, que é formado pela simples junção de um material tipo n e de um material tipo p. 139 Figura 8 - Notação de um diodo semicondutor Fonte: adaptada de Boylestad; Nashelsky (2013, p. 31.) pelo Editorial do Grupo Ser Educacional (2023). Quando unimos dois materiais do tipo ‘n’ e do tipo ‘p’, os elé- trons e as lacunas na região da junção combinam-se, o que vai fazer com que não haja portadores livres na região de junção, como mos- trado na figura abaixo. Figura 9 - Distribuição interna de carga Fonte: adaptada de Boylestad; Nashelsky (2013, p. 10.) pelo Grupo Ser Educacional (2023). Existem basicamente três modelos para o diodo, que deve ser utilizado de acordo com as características do circuito. Foi demons- trada na figura acima a condição sem polarização (Vd = 0 volts). Como não há tensão aplicada sobre o resistor, isso resulta em uma corrente igual a zero passando por ele. Na imagem a seguir, pode-se observar o símbolo de um dio- do com a polaridade definida, mas o diodo não está submetido a uma tensão, ou seja, Vd = 0 volts, sendo Vd a tensãonos terminais do diodo. 140 Figura 10- Diodo com polaridade definida. Fonte: adaptada de Boylestad; Nashelsky (2013, p. 10.) pelo do Grupo Ser Educacional (2023). Na condição de polarização reversa, em que Vdtap. Fonte: adaptada de Pereira (s.d., p.10) pelo Grupo Ser Educacional (2023). Retificador de meia onda A figura adiante mostra um retificador de meia onda. Dentre todos os retificadores, este é o mais simples em componentes utilizados, como se pode observar. Figura 19 - Representação Retificador de meia onda. Fonte: adaptada de Pereira (s.d., p.10) pelo Grupo Ser Educacional (2023). Pode-se notar no circuito retificador de meia onda que, du- rante o meio ciclo positivo de V2, o diodo conduz para tornar a ten- são de saída igual à tensão de entrada. No entanto, durante o meio ciclo negativo, o diodo é desligado, resultando em tensão de saída 148 zero, e a tensão de entrada cai no diodo. Na figura abaixo podemos observar a forma de onda num retificador de meia onda. Figura 20 - Forma de onda do retificador de meia onda. Fonte: adaptada de Pereira (s.d., p.10) pelo Grupo Ser Educacional (2023). A forma de onda da carga não é mais senoidal, por isso, sua frequência corresponde a da tensão de entrada, mas seu valor médio não é mais zero. No diodo ideal, o valor médio é encontrado por: Vm = V2p / π A corrente média na carga é: Im = Vm / RL 149 Retificador de onda completa com derivação O retificador de onda completa possui dois diodos retificadores, e seu funcionamento segue o mesmo princípio do retificador de meia onda, mas com a retificação da parte negativa da onda senoidal. Veja o retificador de onda completa com derivação central a seguir. Figura 21- Retificador de onda completa. Fonte: adaptada de Pereira (s.d., p.11) pelo Grupo Ser Educacional (2023). Durante o semiciclo positivo, o diodo D1 comporta-se como um condutor direto e o diodo D2 procede de maneira diretamente oposta. Isso faz com que a tensão na carga RL seja positiva e igual à tensão V2 com o center tape, que é a derivação central do se- cundário e a parte superior do transformador. Consequentemente, durante o semiciclo negativo, o diodo D1 comporta-se como uma barreira para tensão V2 e o diodo D2 a conduz, fazendo com que a tensão na carga RL seja positiva e igual à tensão V2 com o center tape e a parte inferior do transformador, como vemos no gráfico da figura abaixo. 150 Figura 22 - Forma de onda do Retificador de onda completa Fonte: adaptada de Pereira (s.d., p.21) pelo Grupo Ser Educacional (2023). 151 O retificador de onda completa em ponte é formado por uma ponte de diodos, conforme pode ser visualizado adiante. Figura 23 - Circuito retificador de onda completa Fonte: adaptada de Pereira (s.d., p.12) pelo Grupo Ser Educacional (2023). Durante o semiciclo positivo, os diodos D1 e D3 estão ligados e os diodos D2 e D4 estão desligados, transferindo toda a tensão de entrada para a carga VR. Durante a senoide negativa, os diodos 2 e 4 permanecem ligados e os diodos 1 e 3 desligados; assim, a tensão de entrada é direcionada à carga com a polaridade positiva da senoide, mantendo-se sempre no nível alto do semicírculo. Observe a figura a seguir. Figura 24 - Comportamento dos retificadores Fonte: adaptada de Pereira (s.d., p.12) pelo Grupo Ser Educacional (2023). 152 Transistores bipolares de junção e suas aplicações O transistor, desenvolvido em 1947, é um dispositivo semicondu- tor de três camadas, podendo ser caracterizado de duas formas. A primeira diz respeito a duas camadas do tipo ‘n’ e uma do tipo ‘p’; ou duas do tipo p e uma do tipo n, na qual o primeiro é denominado transistor npn e o segundo de pnp. Nas figuras que seguem estão representadas as ilustrações dos transistores npn e pnp, respectivamente. Observe com atenção: Figura 25- Transistor npn. Fonte: adaptada de Boylestad e Nashelsky (2013) pelo Grupo Ser Educacional (2023). Caso as funções das lacunas e elétrons forem trocadas, a ope- ração do transistor npn e do pnp é exatamente a mesma. Enquanto a junção é polarizada diretamente, a outra junção p-n de um transis- tor é polarizada reversamente. 153 Figura 26- Transistor pnp. Fonte: adaptada de Boylestad e Nashelsky (2013) pelo Grupo Ser Educacional (2023). Nas figuras acima, é possível observar que os terminais são indicados pela letra E para emissor, B para base e C para coletor, sendo aplicada a esse dispositivo de três terminais a abreviação TBJ (transistor bipolar de junção). Devido às lacunas e aos elétrons par- ticiparem de injeção do material com polarização oposta, foi dado o termo bipolar. Se apenas o elétron ou a lacuna forem empregados como portador, o dispositivo é considerado como unipolar, como o diodo Schottky. Processo de um transistor bipolar de junção(st) Observe abaixo a representação do processo de um transistor bipolar de junção: • a junção entre emissor e base está polarizada diretamente, causando, assim, a redução da região de depleção, passando a ser condutora; • parte do espaço na região intermediária será ocupada por al- gumas cargas provenientes do emissor, em virtude de aspecto como construção e dopagem que proporciona uma menor ex- citação nesse meio; • os elétrons nos quais estão combinados a lacunas constituem a corrente que flui pela base, a qual se chama IB; 154 • devido à energia acumulada na base, a maior parte dos elétrons são transportados para o coletor, resultante da polarização de JEB (entre emissor e base), havendo, ainda, a distribuição des- sas cargas, que resultam no favorecimento do deslocamento; • ocorre polarização reversa da junção JCB (entre coletor e base), causando a criação do campo elétrico que atrai as car- gas no coletor; • essas cargas constituem a corrente que percorre a região do coletor, na qual ela é bem maior que a da base, sendo assim, IC > IB; • o fluxo de portadores de cargas é controlado essencialmente pela base para deslocá-las entre emissor e coletor. O transistor PNP, que aparece na figura mais abaixo, foi re- desenhado sem a polarização da base-coletor. Esse fato causou a redução da largura da região de depleção devido à tensão aplicada, resultando em um aumento significativo do fluxo de portadores majoritários do material tipo P para o tipo N. Figura 27- Polarização direta de um transistor. Fonte: adaptada de Boylestad e Nashelsky (2013) pelo Grupo Ser Educacional (2023). 155 Removendo a polarização base-emissor do transistor pnp, no qual o fluxo de portadores majoritários é igual a zero, tem-se ape- nas um fluxo de portadores minoritários representado, conforme se pode observar na figura subsequente. Figura 28 - Polarização indireta de um transistor. Fonte: adaptada de Boylestad e Nashelsky (2013) pelo Editorial do Grupo Ser Educacional (2023). Já na figura 29 mais abaixo estão representados os dois po- tenciais de polarização que foram aplicados a um transistor pnp como o fluxo resultante de portadores minoritários e majoritários indicados. É representada na imagem a largura das regiões de de- pleção, indicando qual junção está polarizada reversamente e qual está polarizada diretamente. O valor da corrente de coletor e emissor é miliamperes e da corrente de base é microamperes. De acordo com a figura 29, a maioria dos portadores majoritários ingressará por meio da junção polarizada reversamente no material tipo p, que está ligada ao ter- minal do coletor. 156 Figura 29 - Fluxo de portadores majoritários e minoritários de um transistor pnp. Fonte: adaptada de Boylestad e Nashelsky (2013) pelo Grupo Ser Educacional (2023). Ao aplicar a lei das correntes de kirchhoff ao transistor re- presentado a acima, como um único nó, obtemos IE = IC + IB (1), no qual: IE - Corrente de emissor; IC – Corrente de coletor; IB – Corrente de base. Descobrindo que a corrente de emissor é a soma das correntes de coletor e de base, a corrente de coletor é determinada por IC = IC majoritário + IC minoritário (2), na qual: IC majoritário – Corrente de coletor majoritário; IC minoritário – Corrente de coletor minoritário. Para um transistor de base-comum, a base é comum tan- to na entrada quanto na saída da configuração,sendo, na maio- ria das vezes, o terminal o qual o potencial está mais próximo do potencial terra ou exatamente nele. Como vimos, na figura acima estão representados os símbolos utilizados para um transistor de 157 base-comum npn e pnp, com a seta definindo o sentido da corren- te através do dispositivo. Já nas imagens apresentadas a seguir, estão representadas as notações e os símbolos utilizados para a configuração base-comum dos transistores pnp e npn. Figura 30-Notação e símbolos para base-comum pnp. Fonte: Adaptado de Boylestad; Nashelsky (2013) pelo Editorial do Grupo Ser Educacional (2023). 158 Figura 31-Notação e símbolos para base-comum npn. Fonte: adaptada de Boylestad e Nashelsky (2013) pelo Editorial do Grupo Ser Educacional (2023). • A junção base-coletor está polarizada reversamente, enquan- to a junção base-emissor está polarizada diretamente, na re- gião ativa. • Na região de corte estão polarizadas reversamente ambas as junções de um transistor. • Na região de saturação estão polarizadas diretamente as jun- ções base-emissor e base-coletor. 159 Processo de Operação de Polarização dos Transistores Bipolares de Junção Polarizar um transistor consiste em calcular o ponto de funciona- mento, calculando as correntes e as tensões que serão aplicadas para a sua excelência no funcionamento de forma adequada. A região de corte, a região de saturação e a região linear são as três regiões de funcionamento para o transistor. Para o cálculo de polarização, as seguintes fórmulas são utilizadas: Ie = Ib + Ic (1) Ic = HFE + Ib (3) Nas quais: HFE: conhecido como ganho DC do transistor; Ie - Corrente de emissor; Ic – Corrente de coletor; Ib – Corrente de base. Ao aplicar as fórmulas, quando a tensão Vbe (tensão base-e- missor) é menor que a tensão intrínseca da base-emissor, significa que o transistor não está conduzindo. Determina-se, assim, as cor- rentes Ic e Ie nulas, encontrando-se o transistor na região de corte. Se subir a tensão Vbe, aproximando da tensão intrínseca ba- se-emissor, começa a subir o transistor, a corrente Ic é dada pela fórmula (3), deixando, então, o transistor na região linear. O valor HFE é praticamente constante relacionado a diferentes correntes Ib e tensão Vce (tensão coletor-emissor). Em caso de continuar aumentando a tensão Vbe, chegará um momento em que o transistor não conseguirá mais aumentar a cor- rente Ic e o valor de HFE, dessa forma, ficando na região de saturação. Na figura abaixo estão representada as curvas de entrada (a) e de saída (b) de um transistor npn. 160 Figura 32 – curvas de entrada (a) e saída (b) de um transistor npn. Fonte: adaptada do Material Didático – IMD (p. 07) pelo Editorial do Grupo Ser Educacional (2023). Microcontroladores Um microcontrolador, conforme representado na figura 33, é um computador em um único chip. Esse dispositivo contém uma uni- dade lógica e aritmética (ULA), memória, temporizadores, periféri- cos de entrada e de saída, dispositivos de comunicação serial, entre outros. Os microcontroladores surgiram como uma evolução dos circuitos digitais causado pelo aumento de sua complexidade. Figura 33- Microcontrolador Fonte: Freepik (2023). 161 Sobre o primeiro microcontrolador, Steve Aycock (2021) des- taca que: Em 1971, o primeiro microcontrolador foi inventado por 2 en- genheiros na Texas Instruments, de acordo com o Instituto Smith- soniano. Gary Boone e Michael Cochram criaram o TMS 1000, que era um microcontrolador de 4 bits com ROM e RAM incorporados (Aycock, 2021, n.p.). Para saber mais sobre a história dos microcontroladores, aces- se o portal eHow Brasil e leia o artigo intitulado “A histó- ria dosmicrocontroladores”, escrito por Steve Aycock em 20 de novembro de 2021. Link: https://www.ehow.com.br/ historia-microcontroladores-info_42970/. Sim, os microcontroladores são de fato amplamente utilizados em uma vasta gama de dispositivos eletrônicos e sistemas industriais, como os exemplos que você mencionou. Eles são componentes essenciais em muitos dispositivos eletrônicos e sistemas automatizados devido à sua capacidade de processamento, controle e interação com o ambiente. Veja a seguir algumas razões pelas quais os microcontroladores são tão populares. Baixo custo Os microcontroladores são geralmente econômicos em termos de custo de produção, tornando-os acessíveis para uma variedade de aplicações. Baixo consumo de energia Muitos microcontroladores são projetados para operar com baixo consumo de energia, o que os tornam ideais para dispositivos ali- mentados por bateria ou energia limitada. ACESSE 162 Tamanho compacto Eles são geralmente pequenos e vêm em encapsulamentos compac- tos, tornando-os ideais para aplicações onde o espaço é limitado. Flexibilidade Os microcontroladores podem ser programados para executar uma ampla variedade de tarefas, desde simples operações de controle até tarefas complexas de processamento de dados. Integração de periféricos Muitos microcontroladores incluem periféricos integrados, como portas de entrada/saída, conversores analógico-digitais, interfaces de comunicação (como UART, SPI e I2C), o que simplifica o projeto de sistemas eletrônicos. Facilidade de programação Existem diversas linguagens de programação e ambientes de de- senvolvimento disponíveis para programar microcontroladores, o que torna o processo de desenvolvimento mais acessível. Confiabilidade Os microcontroladores são projetados para operação contínua e confiável em uma variedade de condições ambientais. Devido a essas características, os microcontroladores de- sempenham um papel fundamental na automação industrial, siste- mas de controle, dispositivos de consumo, eletrônicos embarcados e uma variedade de outras aplicações. Eles são a espinha dorsal de muitos dispositivos e sistemas que usamos diariamente. As memórias ROM (Read Only Memory) são um tipo de me- mória em que os dados são pré-gravados na hora da fabricação e 163 não podem ser alterados pelo usuário. Elas são usadas para armaze- nar dados que precisam ser permanentes e não podem ser modifi- cados durante a operação normal do dispositivo ou sistema em que estão incorporadas. Por outro lado, as Memórias ROM Programáveis (PROMs): As PROMs são um tipo de ROM que permite que o usuário grave informações nelas uma única vez. A gravação é geralmente feita queimando-se elos fusíveis que determinam se uma posição de memória contém um «um» ou um «zero». Após a gravação, os dados não podem ser alterados. Memórias ROM Programáveis e Apagáveis (EPROMs, EEPROMs e FLASH) As memórias possuem um encapsulamento semelhantes aos mi- crocontroladores quando estão separadas, mas geralmente são in- tegradas ao próprio chip. Veja nas figuras abaixo alguns exemplos desse encapsulamento. Figura 34a- Pente de memória. Fonte: Freepik (2023). 164 Figura 34b- Microcontrolador e Memória Flash utilizada em SSD. Fonte: Freepik (2023). EPROM (Erasable Programmable ROM) As EPROMs são memórias que utilizam transistores MOSFET para armazenar dados. Nesse contexto, a programação é feita por meio de um programador de EPROMs. Uma característica importante é que elas podem ser apagadas por exposição à luz ultravioleta forte por cerca de 30 minutos, o que permite que a memória seja reprogramada. EEPROM (Electrically Erasable ProgrammableROM) As EEPROMs também são programáveis, mas diferentemente das EPROMs, a programação e o apagamento podem ser realizados eletricamente, sem a necessidade de exposição à luz ultravioleta. Isso torna as EEPROMs mais flexíveis em termos de reprogramação. FLASH As memórias FLASH são uma variante das EEPROMs e são amplamente usadas em dispositivos de armazenamento de dados, como unidades USB e cartões de memória. Elas são programáveis eletricamente e podem ser apagadas e reprogramadas várias vezes, tornando-as adequadas para aplicações em que os dados precisam ser modificados. 165 As ROMs, PROMs,EPROMs, EEPROMs e FLASHs desempe- nham papéis importantes em sistemas eletrônicos, onde armaze- nam informações críticas que precisam ser preservadas, mesmo quando a energia é desligada, e em que os dados não podem ser fa- cilmente alterados pelo usuário final. Figura 35 - Estrutura interna do microcontrolador atmega328p. Fonte: adaptada de Alldatasheet.com (2023) pelo Editorial do Grupo Ser Educacional (2024). GN D VC C AVCC AREF GND RESET XTAL [1..2] XTAL [1..2] 166 SINTETIZANDO Os microcontroladores são amplamente adotados devido a sua notável versatilidade, uma vez que seu desempenho é predo- minantemente determinado pelo software carregado neles. Isso significa que um único microcontrolador pode ser adaptado para inúmeras aplicações diferentes, apenas modificando o software as- sociado a ele. Outro benefício significativo é a capacidade de atualizar um produto através da modificação do software do microcontrolador, uma funcionalidade que não está disponível nos circuitos analógi- cos ou digitais convencionais. Ao longo dos nossos estudos, aqui, vimos que os materiais semi- condutores desempenham um papel fundamental na eletrônica moderna. Três dos mais importantes são o silício (Si), o germânio (Ge) e o arsenieto de gálio (GaAs). O Si é o material mais comumente usado devido à sua abundância e estabilidade. O Ge possui proprie- dades semicondutoras, mas é menos utilizado. O GaAs é conhecido por suas excelentes propriedades de alta frequência e é usado em aplicações de alta velocidade. Além disso, observamos que, nos semicondutores, a condução de elétrons é fundamental. Os materiais semicondutores podem ser classificados em dois tipos: tipo ‘n’ e tipo ‘p’. No tipo n, os elétrons são os portadores de carga predominantes, enquanto no tipo p, os “buracos” (lacunas onde os elétrons estão ausentes) são os porta- dores predominantes. A diferença entre eles está na quantidade de elétrons ou buracos disponíveis para a condução de corrente. Em seguida, vimos também que os transistores bipolares de jun- ção (BJTs) são dispositivos semicondutores que desempenham um papel crucial na amplificação de sinais e na comutação de corrente. Eles têm três camadas: emissor, base e coletor. Os BJTs são usados em amplificadores, osciladores, circuitos de comutação e muitos outros dispositivos eletrônicos. 167 A operação adequada de um transistor BJT depende da polarização correta das junções. Isso envolve a aplicação de tensões específicas à base e ao coletor para garantir que o transistor esteja na região ativa, onde ele pode amplificar sinais. A polarização é essencial para o funcionamento estável e eficiente do BJT. Vimos, ainda, que os microcontroladores são dispositivos compactos que integram uma unidade de processamento central (CPU), memória, periféricos de entrada/saída e outros componentes em um único chip. Eles são amplamente utilizados em sistemas embarcados para controlar uma variedade de dispositivos e realizar tarefas específicas. Compreender o hardware de microcontrolado- res envolve conhecer sua arquitetura interna, periféricos disponí- veis e como programá-los para realizar tarefas específicas. Em resumo, o estudo de materiais semicondutores, transistores bi- polares de junção e microcontroladores desempenha um papel crucial na eletrônica moderna. Esses conhecimentos são fundamentais para o desenvolvimento de tecnologias avançadas, dispositivos eletrôni- cos e sistemas embarcados que impulsionam nossa sociedade atual. 168 Referências UNIDADE 1 SCHMIDT, W. Materiais elétricos: condutores e semicondutores. 3. ed. rev. ampl. São Paulo: Blucher, 2010. v. 1. SCHMIDT, W. Materiais Elétricos: isolantes e magnéticos. 4. ed. São Paulo: Edgard Blucher, 2019. HELERBROCK, R.. Antiferromagnetismo. Mundo Educação, [s.d.]. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/fisica/antifer- romagnetismo.htm# Acesso em: 22 ago. 2022. BRESCIANI FILHO, E. Seleção de Materiais Metálicos. 2. ed. São Paulo: Editora Da Unicamp, 1988. CALLISTER JR., W.D. Materials Science and Enginnering: An In- tro- duction. 5. ed. EUA: John Wiley and Sons, 2000. MORA, N. D.; LUCAS, J. F. R.; MARAN, M. A. (comp.). 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Graus de proteção providos por invólucros (Códigos IP). Rio de Janeiro: ABNT, 2017. FRIEDRICH, D. N.; VAZ, P. M.; MARIMON, G. C.; QUADROS, M. L.; FREDO, G. L.; MAMEDE FILHO, J. Instalações elétricas industriais: de acordo com a norma brasileira NBR 5419: 2015. 9ª. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. ROCHA, M. F. Equipamentos elétricos. Porto Alegre: SAGAH, 2018. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5356-3: 2014 Transformadores de potência. Parte 3: Níveis de isolamento, ensaios dielétricos e espaçamentos externos em ar. Rio de Janeiro: ABNT, 2014. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5410: 2008. Instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro, ABNT, 2008. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5435: 2015 Buchas para transformadores imersos em líquido isolante – Tensão nominal 15 kV, 24,2 kV e 36,2 kV – Especificações. Rio de Janeiro: ABNT, 2015. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5437: 1984 Bucha para transformadores sem conservador de óleo – tensão nominal de 1,5 KV, 160 A, 400 A, 800 A Dimensões – padronização. Rio de Janeiro: ABNT, 1984. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5456: 2010. Eletricidade Geral - Terminologia. Rio de Janeiro, ABNT, 2010. SSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 6939: 2018. Coordenação do isolamento - Procedimento. Rio de Janeiro, ABNT, 2018. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR IEC 60529: 2017. Graus de proteção providos por invólucros (Códigos IP). Rio de Janeiro, ABNT, 2017. CREDER, H. Instalações elétricas. 15. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2013. 170 FRIEDRICH, D. N.; Vaz, P. M.; MARIMON, G. C.; QUADROS, M. L.; FREDO, G. L.; ROCHA, M. F. Equipamentos elétricos. Porto Alegre: SAGAH, 2018. MAMEDE FILHO, J. Instalações elétricas industriais: de acordo com a norma brasileira NBR 5419: 2015. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. NISKIER, J.; MACINTYRE, A. J. Instalações elétricas. Rio de Janeiro: LTC, 2013. RESOLUÇÃO NORMATIVA Nº 414 DA AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA (ANEEL). Estabelece as condições gerais de fornecimento de energia elétrica de forma atualizada e consolidada. Ministério das Minas e Energia, Brasília, 2010. RESOLUÇÃO NORMATIVA Nº 418 DA AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA (ANEEL). Retifica a Resolução Normativa ANEEL nº 414. Ministério das Minas e Energia, Brasília, 2010. UNIDADE 3 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5356-3: Transformadores de potência. Parte 3: Níveis de isolamento, ensaios dielétricos e espaçamentos externos em ar. Rio de Janeiro: ABNT, 2014. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5410: Instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro, ABNT, 2008. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5419-1: Proteção contra descargasatmosféricas Parte 1: Princípios gerais. Rio de Janeiro: ABNT, 2015. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5419-2: Proteção contra descargas atmosféricas Parte 2: Gerenciamento de Risco. Rio de Janeiro, ABNT, 2018. CATÁLOGO SIEMENS. Dispositivos de Proteção contra Surtos - DPS 5SD7. A solução contra raios e sobretensões transitórias, 2017. Disponível em: Acesso em: 08 mar. 2024. 171 CREDER, H. Instalações elétricas. 15. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2013. ELEKTRO/PIRELLI. Instalações elétricas residenciais - Proteção Elétrica por Aterramento e por Interruptor DR - Preparando a Instalação Residencial para os Veículos Elétricos, São Paulo: Elektro/Pirelli, 2003. FRIEDRICH, D. N.; VAZ, P. M.; MARIMON, G. C.; QUADROS, M. L.; FREDO, G. L. e ROCHA, M. F. Equipamentos elétricos. Porto Alegre: SAGAH, 2018 MAMEDE FILHO, J. Instalações elétricas industriais: de acordo com a norma brasileira NBR 5419: 2015. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. MAMEDE FILHO, J. Manual de equipamentos elétricos. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2005. MANUAL de equipamentos elétricos. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2005. 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Tal fenômeno é influenciado pela temperatura. Dureza Para entendermos Dureza, é necessário que estejamos atentos ao fato de que ela está relacionada à capacidade que um material tem de resistir a ser arranhado ou penetrado. Sua medida pode ser ex- traída a partir de um teste que se baseia na razão entre a força apli- cada e a área penetrada no objeto. Lembre-se que: BNH – Escala Brinell de dureza → índice de medida da dureza. Sendo a mais utilizada pelas indústrias, a Escala Rocwell está rela- cionada à medição direta da dureza. Isso porque ela permite avaliar a dureza de materiais metálicos diversos, desde os mais moles até os mais duros. Tenacidade A respeito da Tenacidade, inicialmente, é importante que você saiba que ela pode ser definida como a capacidade de resistir a uma força sem que haja uma ruptura no material, ou seja, a energia necessária para romper o material. Essa energia deve ser medida em kgf.cm. Lembre-se que a resistência à tração é a tensão necessária para romper o material. VOCÊ SABIA? DICA 16 Físico-químicas Para que você entenda as propriedades físico-químicas, inicial- mente, você precisa entender que uma propriedade física estaria relacionada com o grau de agrupamento dos átomos constituintes da estrutura atômica. Já uma propriedade química está mais rela- cionada a como o material reagirá a determinadas reações químicas. Estado Físico da Matéria Os estados físicos em que se encontram qualquer material estão di- retamente relacionados ao agrupamento dos átomos, podendo ser eles: • Sólido – átomos próximos e sem movimentação; • Líquido – átomos mais afastados do que nos sólidos e com movimentação; • Gasoso – átomos bastante afastados e com altíssima movimentação. Um exemplo dessa propriedade é o efeito da radiação na qual a es- trutura molecular ou atômica do material pode receber energia por meio de radiação No universo das propriedades físico-químicas, você já ouviu falar em Corrosão? A corrosão nada mais é do que a deterioração e a perda de um material devido a um ataque químico. É importante destacar- mos que a corrosão representa alterações como: desgaste, variações químicas ou modificações estruturais. EXEMPLO CURIOSIDADE 17 A corrosão pode acontecer por: dissolução ou oxidação eletroquí- mica. Corrosão por dissolução é a reação química em que moléculas de um sólido são dispersadas como íons em uma fase líquida. Corrosão por oxidação eletroquímica é a perda de elétrons do soluto que se en- contra imerso em um solvente que seja reativo ao soluto. Consiste na remoção de elétrons (reação de oxidação) dos átomos de um ma- terial imerso em um meio favorável à reação, como, por exemplo, um eletrólito. Magnéticas As propriedades magnéticas, quando são submetidas a um campo magnético, apresentam alguns comportamentos. Assim, podemos defini-las como uma força de tração ou repulsão em relação ao ou- tro material. Esses campos magnéticos (figura 1) devem ser apresentados na literatura em formas de linhas chamadas de linhas de força. Além disso, eles têm como função indicar os sentidos e a direção dos cam- pos em relação ao meio em que se encontram. Veja! Figura 1 - Linhas de força do campo magnético Fonte: Geek3/ CC BY-SA 3.0/ Wikimedia Commons (2010). Disponível em: https:// commons.wikimedia.org/wiki/File:VFPt_cylindrical_magnet_thumb.svg/ 18 Principais características magnéticas dos materiais Indução Magnética Indução magnética (ou densidade de fluxo magnético) pode ser en- tendida com um experimento, pois, ao colocar uma barra desmag- netizada no interior de um solenoide energizado, você irá obter o aumento do campo magnético externo, ou seja, a medida da con- centração do fluxo magnético em um devido material, denominado pela letra B. Para expressar isso em fórmulas físicas, deve ser com- preendido que a soma do campo magnético do solenoide (H) mais o da barra será: B = Bext + µ0 . M Em que: • µ0 é a permeabilidade magnética no vácuo e é igual a 4π x 10-7 T.m/A (Tesla vezes metros por Ampère); • A unidade da indução magnética (B) é dada por Wb/m2 (We- ber por metro ao quadrado) ou T (Tesla); • E da magnetização (M), por A/m (Ampère por metro). Permeabilidade Magnética Pode ser definida como a facilidade que um campo magnético ex- terno (H) induz outro campo magnético (B). Essa relação vai gerar um aumento no campo magnético externo, o que pode ser medido pela relação entre eles: µ = B/ H Esta relação também pode ser medida de forma relativa, fa- zendo a razão entre o B e o Bext da seguinte maneira: µr = D/ Bext Dessa forma, como os materiais podem ser divididos pela forma como reagem à eletricidade (isolantes ou condutores), eles também podem ser classificados de acordo como reagem com o campo magnético, sendo: 19 • Diamagnetismo – materiais que serão afastados quando co- locados na presença de um campo magnético externo. Lem- bre-se que esse efeito desaparece ao ser retirado da presença do campo. • Paramagnetismo – materiais que, na presença de um cam- po magnético, possuem uma baixa capacidade de atração, mas, assim como os diamagnéticos, voltam ao normal após se afastarem do campo. • Ferromagnetismo – estes materiais possuem alta atração pelo campo magnético e, diferente dos diamagnéticos e dos paramagnéticos, suas propriedades não se alteram na pre- sença de um campo externo. • Antiferromagnetismo – são materiais contrários aos ferro- magnéticos, sendo repelidos na presença do campo magnético. A permeabilidade magnética descreve o grau de polarização de ma- teriais a fluxos magnéticos aplicados. Esse fenômeno é comumente conhecido como magnetização. Materiais semicondutores Materiais semicondutores são elementos que possuem uma condu- tividade intermediária entre condutores e isolantes. Sua capacida- de de controlar o fluxo de elétrons os torna essenciais na eletrônica moderna. A dopagem com impurezas pode alterar suas proprieda- des, permitindo a criação de dispositivos como transistores e dio- dos, os quais vamos conhecer em breve. CURIOSIDADE 20 Uma forma simples de definir os semicondutores seria dizer que são materiais que, em situações de temperatura ambiente, apresentam propriedades intermediárias entre os condutores e os isolantes. Es- tes materiais são bastante abundantes no planeta, sendo um deles o segundo mais encontrado na natureza, o silício. Figura 2 – Pedra de silício pura. Fonte: Enricoros / Wikimedia Commons (2007). Disponível em: https://es.m.wikipedia.org/wiki/Archivo:SiliconCroda.jpg/. Os semicondutores possuem uma alta influência de impu- rezas presentes em sua estrutura interna, o que está ligado direta- mente à sua condutividade. Esta característica dos semicondutores acontece, pois são elementos tetravalentes, ou seja, que possuem apenas 4 elétrons em sua última camada; logo, para obter a sua es- tabilidade, é preciso de mais 4 elétrons, o que normalmente aconte- ce com um átomo de um semicondutor ligando-se a mais 4 átomos do mesmo tipo, como o silício, por exemplo. Mas isso muda se um outro átomo for inserido à ligação, transformando um material iso- lante em condutor e fazendo com que o material esteja dopado. DEFINIÇÃO 21 Dopagem Para entender a dopagem, é preciso estar ciente de que os materiais semicondutores normalmente são tetravalentes, ou seja, apresen- tam 4 elétrons na camada de valência, precisando, nesse caso, de mais 4 elétrons para atingir a estabilidade. A dopagem pode ser de dois tipos: Tipo P Quando o material é dopado com alguns átomos de outro material que possui apenas três elétrons em sua última camada (trivalente), o silício perde a sua estabilidade, pois alguns átomos do silício fi- cam precisando de mais um elétron para fazer sua última ligação; essa falta é chamada de lacuna, pois há uma ausência de elétron. Por possuir um elétron a menos,é chamado de P, de positivo. Figura 3 – Exemplo de dopagem tipo P. Fonte: adaptado de Michel Bakni/ CC BY-SA 4.0/ Wikimedia Commons (1989). Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Silicon_doping_-_ Type_P.svg/. 22 As impurezas usadas na dopagem dos semicondutores tipo P, como já dito anteriormente, são trivalentes, e os átomos mais utili- zados na indústria são: • Boro – B; • Gálio – Ga; • Tálio – Tl; • Alumínio – Al; • Índio – In Tipo N Quando o material é dopado com alguns átomos de outro material que possui cinco elétrons em sua última camada (pentavalente), o silício perde a sua estabilidade, pois alguns átomos deste elemen- to ficam com excesso de elétrons para suas ligações. Este excesso o torna negativo e, por isso, o N de negativo. Figura 4 – Exemplo de dopagem tipo N. Fonte: adaptado de Michel Bakni/ CC BY-SA 4.0/ Wikimedia Commons (1989). Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Silicon_doping_-_ Type_P.svg/. 23 As impurezas usadas na dopagem dos semicondutores tipo N, como já dito anteriormente, são pentavalentes, e os átomos mais utilizados na indústria são: • Antimônio - Sb; • Fósforo – P; • Arsênio – As; • Bismuto – Bi. Resistividade dos semicondutores Antes de abordarmos a resistividade dos semicondutores, convido você a observar e analisar a imagem abaixo, que retrata um circuito integrado. Veja. Figura 5– Placa de circuitos eletrônicos. Fonte:Freepik (s.d.). A resistividade elétrica dos materiais é uma simples relação entre sua resistência, que é medida em Ω, sua área transversal, que é medida em mm², e o seu comprimento, que é medido em m. Como os semicondutores apresentam propriedades que oscilam entre os isolantes e os condutores, a sua resistividade não é diferente. 𝞺 = (R x A) / L 24 Em que: 𝞺 = resistividade elétrica (Ω.m); R =resistência elétrica; A = área da seção transversal do material; L = comprimento do material. Os semicondutores são materiais que apresentam proprie- dades mistas e características intermediárias entre os condutores e os isolantes. Podemos observar essa relação dos semicondutores observando a tabela abaixo: Tabela 1 - Tabela de resistividade dos materiais. Material Resistividade Classificação Vidro 1012Ω.m Isolante Papel 1010Ω.m Isolante Silício 6,4 x 102Ω.m Semicondutor Germânio 47 x 10-2Ω.m Semicondutor Cobre 1,72 x 10-8Ω.m Condutor Ouro 2,45 x 10-8Ω.m Condutor Fonte: Grupo Ser Educacional (2022) Aplicação dos semicondutores Os semicondutores podem ser encontrados em aplicações indus- triais em muitos lugares, mas são usados principalmente em eletrô- nica, sendo utilizados nos mais diversos tipos de circuitos. A partir dos semicondutores do tipo P e do tipo N, alguns dispositivos têm aplicações fundamentais em nossa indústria, como os usados na maioria dos sistemas eletrônicos, incluindo diodos, diodos emisso- res de luz (LEDs) e transistores. 25 Figura 6 – Placa-mãe. Fonte: Freepik (s.d.). Os semicondutores do tipo P possuem uma lacuna em sua ca- mada de valência e, quando combinados com um tipo N, o elétron livre deste último ocupa essa lacuna. Isso é chamado de recombi- nação e ocorre inicialmente na região próxima à junção, forman- do uma camada de depleção, que significa a ausência de portadores majoritários próximos à região da junção P-N. (Schmidt, 2010). Essa recombinação é usada em vários equipamentos elétri- cos, como: • Diodo: são como válvulas que apenas permitem a passagem de carga por uma única direção. A própria simbologia do diodo remete para a direção que ele permite seu fluxo, sendo sempre do anodo para o catodo. 26 Figura 7 - Diodo e sua simbologia. Fonte: adaptada pelo editorial do Grupo Ser Educacional (2022). Disponível em: https://blog.eletrogate.com/wp-content/webpc-passthru. php?src=https://blog. eletrogate.com/wp-content/uploads/2022/02/sentido- corrente-e-polaridade-do- diodo-1024x451-2.jpg&nocache=1. LED – o LED é, na verdade, um diodo emissor de luz. Essa emissão ocorre pela recombinação entre o P-N, que acaba por liberar um fó- ton toda vez que uma lacuna é preenchida. O símbolo do LED é um diodo com duas setas saindo (representando a luz emitida). • Transistor: o transistor possui mais de uma finalidade, mas a mais comum é a de amplificador, visto que, ao receber uma pequena corrente elétrica em um de seus terminais, ele a am- plifica e libera uma corrente muito maior. Um uso bem co- mum para os transistores é em microfones. VOCÊ SABIA? 27 Figura 8 – Transistor. Fonte: SparkFun Electronics / CC BY 2.0/ Flickr (2014). Disponível em: https://www.flickr.com/photos/sparkfun/13604941043. Materiais condutores Podemos definir um material condutor como algo que possui a ha- bilidade de um fluxo de elétrons em seu interior, sem que haja per- da ou resistência (ou quase não haja) em relação à corrente elétrica aplicada. Figura 9 – Fios condutores de energia. Fonte: Freepik (2023). DEFINIÇÃO 28 Quando a eletricidade flui através do cobre, há muito menos resis- tência do que com outros materiais condutores. Portanto, o cobre é o material mais comumente usado em fios condutores. Outro mate- rial condutor muito bom é o alumínio. A prata é quase tão popular quanto o cobre, mas perde espaço no mercado devido ao seu alto preço de custo, mesmo sendo melhor condutor que o cobre. Condutividade Elétrica As estruturas atômicas dos condutores apresentam elétrons livres nas camadas de valência, o que diminui consideravelmente a sua resistência elétrica. A resistividade elétrica (p) é uma propriedade do material e está relacionada com a resistência elétrica da seguinte forma: R = (𝞺 x L) A Em que: R = resistência elétrica; A = área da seção transversal; l = comprimento do material; 𝞺 = resistividade. O que pode ser reescrito de outra forma. Assim, de acordo com a lei de Ohm, a resistência elétrica é dada também como: R = U I Em que: R = resistência elétrica; U = diferença de potencial (ddp); I = corrente elétrica. CURIOSIDADE 29 Tabela 2 – Tabela das resistências dos materiais Material Resistividade (Ω.m) Prata 1,68 x 10-8 Cobre 1,69 x 10-8 Alumínio 2,75 x 10-8 Tungstênio 5,25 x 10-8 Ferro 9,68 x 10-8 Platina 10,6 x 10-8 Manganina 48,2 x 10-8 Silício Puro 2,5 x 103 Vidro 1010 - 1014 Fonte: adaptada pelo Editorial do Grupo Ser Educacional (2022). Disponível em: http://1.bp.blogspot.com/-fxaBtAvJZm8/UwvbcCNCpCI/ AAAAAAAAAn4/ vt3dWjHCR1w/s1600/tabela2.jpg Acesso em: 26 ago. 2022. Classificação dos condutores Os materiais condutores podem ser classificados em dois grandes grupos, sendo o primeiro o dos que apresentam alta condutividade, e o segundo o dos que apresentam alta resistividade. O primeiro grupo tem sua aplicação em equipamentos eletroele- trônicos, em que não se espera a perda de corrente quando ela está sendo transferida entre materiais ou circulando no mesmo, ou seja, para ligações de aparelhos eletrônicos, mas também podem ser utilizados no intuito de conseguir uma energia diferente, como na transformação de elétrica para eletromagnética. Já o segundo grupo é usado como resistor, muito utilizado em chuveiros. Como exem- plos, temos: o chumbo, ouro, cobre, prata, mercúrio, alumínio, fer- ro, entre outros. EXEMPLO 30 Relação de temperatura e resistência dos condutores Inicialmente, você deve entender que existe uma relação direta en- tre a resistência dos materiais condutores com temperaturas ele- vadas. Assim, quando há um aumento de temperatura no material, há uma agitação de suas partículas, fazendo com que vibrem, o que causa uma diferença na movimentação dos elétrons, levando a uma perda desse movimento, e, por fim, a uma elevação da temperatura do material condutor. Logo, entende-se que, quanto maior a temperatura, maior será a sua resistência e vice-versa, pois, quando ele apresenta uma resistência à passagem de energia, ele aumentará sua temperatura. Isso é conhecido como efeito Joule. Você pode perceberisso no grá- fico abaixo, no qual o eixo T é a temperatura e o R é a resistência. Veja: Figura 10 – Gráfico resistência/temperatura. Fonte: Adaptada de Schmidt (2010, p. 28). Aplicação Esses materiais têm muito espaço na área da elétrica e da eletrôni- ca, o que faz de seu uso muito amplo, principalmente na transmis- são de energia, visto que as fiações e cabos são feitas com eles; não 31 só de energia elétrica, como também para envio de sinais na área da telecomunicação e para sinais de controles em diversos tipos de sistemas. Seu uso não se limita à transmissão de energia por uso de fia- ções, mas também são comumente usados em outros componentes elétricos, como resistores e transformadores. Figura 11 – Condutor redondo compacto Fonte:DmyTo, Gettyimages (s.d.). Disponível em: https://www.gettyimages.com.br/detail/foto/samples-of-power- electrical-cables-in-the-showroom-imagem-royalty-free/1217338858?phrase=fio+ de+energia+el%C3%A9trica. Materiais dielétricos ou isolantes Dielétricos gasosos O ar é o isolante gasoso mais utilizado, o qual é amplamente em- pregado para isolar condutores devido ao simples afastamento, tornando-se um isolante gasoso. Um exemplo de uso pode ser ob- servado nas redes elétricas de transmissão e distribuição. 32 Figura 12 – Dielétrico gasoso. Fonte: Viktor Babenyshev, Vecteezy (s.d.). Disponível em: https://pt.vecteezy.com/ foto/3102956-isolador-linear-de-vidro-em-torre-de-energia-de-alta-tensao Dielétricos líquidos Eles atuam em duas áreas, sendo elas a isolação e a refrigeração. Tendo efeitos como a redução interna de calor no elemento condu- tor que é transferido aos radiadores de calor, os dielétricos líquidos são utilizados, principalmente, como óleos. Podem ser utilizados nos transformadores elétricos de alta potência e na refrigeração de bombas e compressores, por exemplo. 33 Figura 13 - Líquido isolante. Fonte: wirestock, Freepik (s.d.). Disponível em: https://br.freepik.com/fotos-gratis/close-vertical-do-conta-gotas- com-liquido-azul-sobre-o-liquido-amarelo-do-frasco-erlenmeyer-na-superficie- azul_16537683.htm Agora, você deve estar se perguntando: a água é um condutor ou isolante de eletricidade? A água que encontramos em diversos luga- res possuem sais e metais que conduzem eletricidade, no entanto, a água pura é considerada um isolante de eletricidade, por não ter tais elementos em sua composição! Dielétricos sólidos São materiais de extrema baixa condutividade, nos quais a pequena corrente que passa por eles pode ser desprezada quando submetida CURIOSIDADE 34 a uma diferença de potencial. Dentre os materiais, podemos desta- carâmica, o papel e o fenolite. Figura 14 – Isolador cerâmico. Fonte: Thermos/ CC BY-SA 3.0/ Wikimedia Commons (2009). Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Insulator_railways.jpg A descoberta dos materiais condutores e isolantes foi uma das mais importantes de toda a história. O responsável pelo descobrimento foi Stephen Gray, em Canterbury, na Inglaterra. Essa descoberta abriu portas para todas as aplicações da eletricidade e, posterior- mente, baseados nessa descoberta, foram inventados diversos ins- trumentos elétricos. VOCÊ SABIA? 35 Olá, estudante! Chegamos ao final desta etapa de estudos. Ao longo desta exposição, compartilhamos uma riqueza de conhecimento, e estamos seguros de que você adquiriu novos insights durante nossa conversa. Certa- mente compreendeu a importância dos materiais condutores e se- micondutores, que desempenham papéis cruciais na indústria em geral, especialmente no âmbito elétrico e eletrônico, devido às suas propriedades condutivas e resistivas. Além disso, é vital para sua trajetória profissional reconhecer que a compreensão das características e propriedades de materiais condutores e semicondutores auxilia na seleção do material mais adequado, otimizando custos e aproveitando ao máximo suas potencialidades. Até este ponto, exploramos materiais semicondutores, condutores e isolantes. No próximo objeto de aprendizagem, discutiremos mais sobre os equipamentos elétricos e sua importância como uma con- junto na eletrotécnica. Com isso, concluímos este percurso, enriquecidos com um maior entendimento desses elementos. Nos vemos em breve e bons estudos! SINTETIZANDO 36 UN ID AD E 2 Padronização e Normas Aplicadas aos Condutores Objetivos 1. Estudar os conceitos básicos relacionados à tensão, à corrente e como são ensaiados e dimensionados o nível de isolamento dos equipamentos elétricos. 2. Explicitar o que são os números adotados para representar o grau de proteção de um equipamento. 3. Compreender como são feitos os cálculos para o estabelecimento do número de pontos de iluminação e tomadas de uma edifica- ção residencial. 4. Confirmar o dimensionamento do cabo elétrico através dos cri- térios de queda de tensão e da seção mínima do condutor, defi- nida pela norma ABNT NBR 5410: 2008. 5. Dimensionar os disjuntores e fusíveis para proteção dos equipa- mentos elétricos. 38 Introdução Olá, aluno(a)! Neste objeto de aprendizagem, vamos tratar sobre os “Con- ceitos introdutórios e normas aplicáveis”, conhecendo os conceitos de tensão e corrente. Vamos compreender, também, as concepções de nível básico de isolamento e de curto-circuito, além de estudar- mos os índices de proteção representados pela sigla IP. Ademais, estudaremos as tensões e as correntes suportáveis ao impulso e a manobra, além da diferença entre elas. Dando se- guimento, discutiremos as principais normas técnicas nacionais e internacionais adotadas para fabricação de equipamentos elétricos utilizados em subestações de energia elétrica, os critérios e os pa- râmetros para especificação de pontos de iluminação, a tomada de uma instalação elétrica e as regras que devem ser seguidas na divi- são de circuitos de uma edificação. 39 Conceitos introdutórios e normas aplicáveis A energia elétrica é uma presença constante e invisível em nossas vidas. Atualmente, não conseguimos sequer imaginar a vida sem os benefícios trazidos pelos equipamentos elétricos, desde nossa ge- ladeira, micro-ondas, aparelhos celulares até mesmo as grandes máquinas, como as pontes rolantes, os motores que fazem o eleva- dor funcionar e os geradores que transformam a energia potencial da água ou térmica do vapor em energia elétrica. Os potentes equi- pamentos elétricos nos ajudam a construir as grandes obras de que necessitamos e os pequenos equipamentos nos fornecem conforto e segurança. Diferentemente das outras áreas da Engenharia, como a Civil, em que vemos uma parede sendo erguida, ou a Engenharia Mecâni- ca, em que podemos tocar na peça de um motor que acabou de ser produzido, a energia elétrica é invisível aos nossos olhos, ela circula por condutores e linhas de transmissão que alimentam uma infini- dade de equipamentos, de forma que temos que entender seu fun- cionamento empiricamente, através dos seus efeitos. No Brasil, as principais normas que regulamentam nos- so contato com a energia elétrica são a NBR 5410: 2008, ou seja, a Norma Brasileira (NBR) elaborada pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas, o órgão responsável por elaborar e aprovar as normas que deverão ser seguidas no nosso país). A norma NBR 5410, conhecida por NBR 5410: 2008, teve sua última atualização em 2008. Esta norma trata das Instalações Elétricas de Baixa Tensão e tem como objetivo “estabelecer as condições a que devem satisfazer as instalações elétricas de baixa tensão, a fim de garantir a seguran- ça de pessoas e animais, o funcionamento adequado da instalação e a conservação dos bens” (ABNT, 2008, p. 1). Depois temos a norma NR-10, que é uma Norma Regulamen- tadora (NR) editada pelo Ministério do Trabalho, tendo sido sua última portaria publicada em 2019. Ela “estabelece os requisitos e condições mínimas objetivando a implementação de medidas de controle e sistemas preventivos, de forma a garantir a segurança e a40 saúde dos trabalhadores que, direta ou indiretamente, interajam em instalações e serviços com eletricidade” (Brasil, 2019). A NR-10 aplica-se às fases de geração, transmissão, distri- buição e consumo, incluindo as etapas de projeto, construção, mon- tagem, operação, manutenção das instalações elétricas e quaisquer trabalhos realizados nas suas proximidades. Observa-se, então, as normas técnicas oficiais estabelecidas pelos órgãos competentes e, na ausência ou omissão destas, as normas internacionais cabíveis. Conceitos Básicos Friedrich et al. define os equipamentos elétricos como “formas de circuitos, que são modelos matemáticos criados com o intuito de reproduzir o comportamento de um sistema elétrico real” (2018, p. 15). Os conceitos iniciais de eletricidade são conhecidos desde a Grécia antiga com o filósofo Tales de Mileto. Friedrich et al. nos conta que este filósofo “utilizou a palavra eléktron para descrever o efeito de atração que um pedaço de âmbar exercia, quando esfrega- do ao pelo de carneiro, sobre pedaços de palha e farpas de madeira” (2018, p. 16). Portanto, a eletricidade é uma palavra que provém do grego cujo significado é âmbar. A eletricidade provém do estudo dos átomos, que são forma- dos por um núcleo, no qual estão localizados os prótons (possuem carga positiva) e os neutros (não possuem cargas) e os elétrons (possuem cargas negativas) que circulam ao redor do núcleo. Isto pode ser visto na figura 1, que representa um átomo composto por prótons e nêutrons que habitam o núcleo e por elétrons que giram ao redor do núcleo. 41 Figura 1 – Representação de um átomo Fonte: ShadeDesign, Shutterstock, 2020. Friedrich et al. (2018, p. 17) afirma que os elétrons mais dis- tantes do núcleo são chamados de elétrons livres. Além disso, decla- ra que “os materiais considerados bons condutores de eletricidade são os que têm grande quantidade de elétrons, já os dielétricos ou isolantes são materiais com menor número de elétrons, portanto, mais estáveis devido à forte atração que o núcleo exerce sobre eles”. O ouro, a prata, o cobre e o alumínio são exemplos de metais que são bons condutores de eletricidade. Tensão Elétrica A tensão elétrica é definida de acordo com Friedrich como “a força necessária para que os elétrons livres do condutor circulem ordena- damente, formando a corrente elétrica” (2018, p. 18). Uma tomada elétrica sempre tem tensão, a menos que ocorra uma falta de ener- gia. Quando ocorre um blackout, a concessionária deixa de fornecer energia elétrica e, neste momento, nossa casa não tem tensão. O mesmo ocorre quando desligamos um disjuntor no quadro elétrico, aquele circuito passa a não ter tensão. Para termos corrente elétrica, é necessário que tenhamos tensão elétrica, mas podemos ter tensão e não ter corrente, no caso de um equipamento estar desligado. A 42 tensão elétrica também é conhecida como força eletromotriz (sigla fem) ou diferença de potencial (sigla ddp). Representamos a tensão elétrica pela letra V (representação mais comum no nível universitário), mas ela pode ser representada também pelas letras E e U (representação mais comum no ensino médio). A unidade da tensão elétrica é o Volt, simbolizado pela letra V. Corrente Elétrica Creder definiu a corrente elétrica como o deslocamento de cargas dentro de um condutor quando existe uma diferença de potencial elétrico entre as suas extremidades. Tal deslocamento procura res- tabelecer o equilíbrio desfeito pela ação de um campo elétrico ou por outros meios (reação química, atrito, luz etc.). Dessa maneira, a corrente elétrica é o fluxo de cargas que atravessa a seção reta de um condutor na unidade de tempo (2013, p. 17). Na figura 2 temos a representação dos elementos físicos que compõem um circuito elétrico simples e, em baixo, temos a repre- sentação do mesmo circuito através de seus símbolos elétricos, que estão representados na figura 3. Figura 2 – Circuito elétrico simples composto de lâmpada, bateria, cabo e botão de liga e desliga. Fonte: BlueRingMedia, Shutterstock, 2020. 43 Figura 3 – Representação por meio de simbologia de um circuito elétrico simples composto de lâmpada, bateria, cabo e botão de liga e desliga. Fonte: Editorial Cengage (2020). Representamos a corrente elétrica pela letra I. A unidade de corrente elétrica é o Ampère, simbolizado pela letra A. A corrente nominal é definida por Friedrich et al. como “a quantidade de corrente, expressa em Ampères, que um determinado aparelho consome quando operando corretamente” (2018, p. 20). Já a tensão nominal, é definida “durante o projeto, na qual idealmente o aparelho deveria funcionar”. Os equipamentos elétricos mais comuns que conhecemos são fabricados para trabalharem com tensão nominal de 220 ou de 127 Volts. Já os equipamentos industriais são fabricados para trabalha- rem com tensões nominais de 220, 380 ou 440 Volts. Resistencia Elétrica Na Engenharia Elétrica, quando se descobre uma lei, ela recebe o so- brenome do pesquisador que a encontrou. O filósofo alemão George S. Ohm estabeleceu a relação entre a corrente elétrica e a tensão elé- trica, criando, assim, a Lei de Ohm. Essa lei nos diz que a resistência elétrica é o produto da divisão da tensão elétrica pela corrente elé- trica, que pode ser escrito pela seguinte equação: R = V/1 em Ohms) A resistência elétrica é dada em Ohms, que também pode ser representada pela letra grega ômega. Segundo Creder, a resistência “representa uma oposição interna do material à circulação das car- gas” (2013, p. 18). Por isso, os corpos que são bons condutores têm uma resistência pequena e os materiais que são maus condutores apresentam uma elevada resistência à passagem da corrente. 44 A Lei de Ohm pode ser memorizada como um círculo dividido ao meio e a parte inferior dividida novamente no meio. Na primeira parte temos a tensão, na parte inferior temos a corrente e a resis- tência. Se colocarmos nosso dedo tampando a grandeza que quere- mos obter, a operação matemática que deveremos fazer é mostrada pelas letras que estão em descoberto. A figura 4 apresenta a repre- sentação desta memorização, na qual o primeiro círculo nos fornece a tensão, o segundo a corrente e o terceiro a resistência. As equações oriundas da Lei de Ohm para cálculo da tensão e da corrente são da- das por: V = R x I I= V/R Figura 4 – Círculo para podermos memorizar a Lei de Ohm. Fonte: Emre Terim, Shutterstock, 2020. Suponha que tenhamos um circuito elétrico com uma resistência de R=50Ω e uma corrente de I=2A. Qual é a tensão através dessa resis- tência, de acordo com a Lei de Ohm? Resposta: De acordo com a Lei de Ohm, a relação entre a tensão (V), a corrente (I) e a resistência (R) é dada pela fórmula V=R×I. Substituindo os valores fornecidos no exemplo: V=50Ω×2A=100V. EXEMPLO 45 Portanto, a tensão através da resistência é de 100V. Isso signifi- ca que, com a corrente de 2A fluindo através de uma resistência de 50Ω, a diferença de potencial elétrico (tensão) entre os terminais da resistência é 100V. Condutores de energia A energia elétrica chega até nós através da rede de distribuição da concessionária. Essas redes geralmente são de 13,8 kV. Grandes con- sumidores, como algumas indústrias, podem ser atendidos na rede de transmissão em tensões que variam de 69 kV (rede de subtrans- missão) até 230 kV. As redes de distribuição dividem-se em aéreas e subterrâneas, sendo que as subterrâneas chegam a custar dez ve- zes mais para serem instaladas do que as redes aéreas, mas elas não causam nenhum impacto visual e não são atingidas por acidentes de trânsito e nem por descargas atmosféricas. Na figura 5 são mostrados os três cabos de fase que formam a rede primária de alta tensão, os transformadores de distribuição e os quatro cabos (três fases mais o neutro) que formam a rede secun- dária de baixa tensão. Utilizamos redes em baixa tensão fase-fase (conhecida como tensão de linha) de 440, 380 e 220 V, resultandoem uma tensão entre fase e neutro (conhecida como tensão de fase) de 254, 220 e 127 V. A tensão de fase-neutro é obtida pela divisão da tensão de linha pela raiz quadrada de três, ou seja: Vf = VL/√3 46 Figura 5 – Poste de energia da concessionária Fonte: Pi-Lens, Shutterstock, 2020. Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão Friedrich et al. definem os equipamentos elétricos como “todo aquele que faz parte de uma instalação elétrica. É constituído de componentes mecânicos distintos ou em conjunto e são aplicados para o funcionamento da instalação elétrica” (2018, p. 67). Os equipamentos elétricos podem ser classificados quanto ao seu tipo em: fixos: geralmente são os equipamentos essenciais para que a ener- gia elétrica chegue até nós, como os transformadores instalados nos postes das concessionárias e os disjuntores instalados no nosso quadro de distribuição de energia; 47 estacionários: são equipamentos fixos, mas que podem ser muda- dos de posição pelo usuário, como o forno de micro-ondas, televi- são, ar-condicionado, geladeira etc.; portáteis: são os equipamentos que funcionam em movimento, como o aspirador de pó, o ventilador, a batedeira etc.; manuais: são equipamentos portáteis utilizados através do suporte das nossas mãos, como o secador de cabelo, o ferro de passar roupa, o celular etc. Os equipamentos elétricos transformam a energia elétrica na forma de energia que consumimos. Por exemplo, eles transformam a energia elétrica em energia luminosa, através da lâmpada; em energia térmica, através do ar-condicionado ou do aquecedor; em energia mecânica, como o motor do elevador etc. Carga elétrica instalada Friedrich et al. apontam a carga elétrica instalada como “a soma das potências nominais de todos os aparelhos instalados em um con- sumidor, ligados ou não a uma rede elétrica, isto é, a potência que pode ser absorvida pelo equipamento elétrico” (2018, p. 69). Por exemplo, a carga elétrica instalada de um chuveiro é igual ao va- lor da sua máxima potência, mas o chuveiro possui regulagem da temperatura da água, quando selecionamos a opção “água morna” ele não estará trabalhando com a sua máxima potência. Entretanto, o projeto elétrico do condutor e do dispositivo de proteção devem ser feitos considerando sua carga elétrica máxima, porque senão o disjuntor atuaria e não deixaria o equipamento trabalhar na sua máxima potência. Tensão nominal nas instalações Os sistemas de distribuição de energia possuem tensões nominais determinadas pela concessionária. Infelizmente, o Brasil não possui a mesma distribuição de tensão, esta, muitas vezes, não é igual den- tro de um mesmo estado, como o Estado de São Paulo, que possui 48 tensão de 220/127 V, na capital, e em muitas regiões do interior. Contudo, no litoral e em algumas cidades, como Lins e São João da Boa Vista, a tensão é de 380/220 V. Por isso, é muito importante consultar as normas da concessionária da cidade, na qual devemos realizar um projeto elétrico. A figura 6 representa a ligação D-Y de um transformador, em que no lado de baixa tensão o neutro é acessível. Figura 6 – Ligação triangulo (D) – estrela (Y) de um transformador Fonte: Fouad A. Saad, Shutterstock, 2020. Como pode ser visto também na figura 5, o lado primário, de alta tensão do transformador, é ligado em delta (representado pela letra grega delta - D, sendo que este tipo de ligação também é cha- mado de triângulo). As fases A, B e C são ligadas uma na outra em formato de triângulo, por causa desse tipo de ligação, esse sistema é conhecido também por ligação a três fios. Já o lado de baixa tensão do transformador é ligado a partir de um ponto em comum, o pon- to neutro e, por causa do seu formato, é chamado de ligação em Y (letra inglesa) ou estrela. Por causa do número de fios, esse sistema é conhecido por ligação a quatro fios, ou estrela com neutro aces- sível. Algumas das tensões de distribuição no Brasil são: 220/127 V, 230/115 V, 380/220 V, 440/254 V. 49 Potência complexa A potência complexa, também conhecida por potência nominal, é definida por como “a potência especificada na placa de identificação dos equipamentos elétricos” (Friedrich et al. 2018, p. 73). Esta placa é afixada no equipamento e contém todos os seus dados como: po- tência, tensão, corrente, corrente de partida, consumo, frequência, número de série etc. Os mencionados autores também definem a potência apa- rente como “o produto da tensão pela corrente” (Ibidem). Esta po- tência é dada em VA (Volt Ampère) e é a potência total consumida pelo equipamento. A potência ativa é a parte que o equipamento elé- trico efetivamente transforma em trabalho, dado em W (Watts). Já a potência reativa é a parte aparente necessária para manter o eixo girante ou o campo eletromagnético do equipamento funcionando e é dada em VAr (Volt Ampère reativo). A relação entre essas potências é estabelecida através do Teo- rema de Pitágoras, representada na figura 7 e dada por: S = V x I (VA) S=√P2 + Q2 (VA) cos ⱷ = P/ S (adimensional) S = P cos ⱷ j Q sen ⱷ (VA) sendo P dado em W S = P cos ⱷ + j Q sen ⱷ (VA), sendo P dado em W e Q dado em Var 50 Figura 7 – Triângulo de potência, em que a hipotenusa é a potência aparente, o cateto oposto é a potência reativa e o cateto adjacente é a potência ativa. Fonte: Rafaela Guimarães – Editora Cengage (2020). O fator de potência é definido por Friedrich et al. como o “índice (porcentagem) que informa como a energia elétrica recebi- da está sendo utilizada, ou seja, ele indica quando a energia solicita- da da rede da concessionária - potência aparente - está sendo usada de forma útil” (2018, p. 74). A conta de energia de uma indústria ou de uma instalação comercial deve ser conferida mensalmente para que seja feita a verificação se ela não está pagando multa por baixo fator de potência ou ultrapas- sagem da demanda, que ocorre quando a instalação consome mais energia do que a informada no momento do pedido de ligação de energia para a concessionária. Esta checagem deve ser feita sempre, assim como na nossa conta de energia de consumidor residencial. VOCÊ SABIA? 51 Fornecimento de energia elétrica Geralmente, as concessionárias de energia elétrica atendem con- sumidores com potência igual ou inferior a 75 kW através da rede de baixa tensão. Este valor pode ser aumentado caso a rede da con- cessionária possua capacidade técnica de fornecimento. Para isso, é muito importante que realizemos uma consulta à concessionária de energia local. Ela fará um estudo de viabilidade técnica e nos infor- mará se a rede de energia precisará de um reforço em seu sistema para atender nosso pedido de ligação de energia, com custo para o consumidor ou sem ônus para o consumidor (neste caso, a obra é assumida pela concessionária). Esta resposta é baseada em índices e metas de expansão da rede, feitos de acordo com os resultados de pesquisas sobre os domicílios, realizadas pelo IBGE (Instituto Bra- sileiro de Geografia e Estatística). A concessionária nunca pode res- ponder que não irá fornecer energia elétrica como resposta para o pedido de ligação de energia. A norma ABNT NBR 5410: 2008 – Instalações elétricas de baixa tensão é utilizada como referência por todas as concessioná- rias de energia, juntamente com suas próprias normas internas. A Resolução Normativa nº 414 de 2010 da ANEEL também estabelece as condições gerais de fornecimento de energia elétrica de forma atualizada e consolidada. As RN nº 414 (2010, p. 8) e 418 (2010) definem consumidor como “pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, le- galmente representada, que solicite o fornecimento, a contratação de energia ou o uso do sistema elétrico à distribuidora, assumindo as obrigações decorrentes deste atendimento”. Nesse contexto, é no nome desse consumidor que a concessionária emitirá a conta de energia elétrica e definirá, baseado no ramo de atividade, se o con- sumidor é residencial,comercial ou industrial. Se ele for residencial, a área onde este consumidor se localiza poderá ajudar a defini-lo também como consumidor de baixa renda. A RN nº 414 (2010, P. 13) indica a unidade consumidora como o “conjunto composto por instalações, ramal de entrada, equipa- mentos elétricos, condutores e acessórios, incluída a subestação, 52 quando do fornecimento em tensão primária”. É o ponto de entrega da energia pela concessionária que pode ter medição individual (um único consumidor), coletiva (um prédio com vários apartamentos) ou várias medições (prédio com medição individualizada). Creder (2013, p. 324) discrimina o ponto de entrega como “ponto até o qual a concessionária deverá adotar todas as providên- cias com vistas a viabilizar o fornecimento de energia, bem como operar e manter o sistema elétrico”. O ramal de ligação é definido por este mesmo autor como “conjunto de condutores e materiais instalados entre a derivação da rede da concessionária e o ponto de entrega”. Já o ramal de entrada, definido também de acordo com Creder (2013, p. 325) como o “conjunto de equipamentos, condu- tores e materiais, instalados a partir do ponto de entrega”, o ramal de ligação até o medidor são de responsabilidade da concessionária, mas o poste e os equipamentos do ramal são instalados pelo consu- midor. A concessionária só fornece o medidor de energia, sendo que para edifícios, o medidor é de responsabilidade da construtora do conjunto habitacional. O limite de fornecimento, ainda recorrendo à Creder (2013, p. 325), é “o limite de demanda para o atendimento de entradas de serviços coletivas, em baixa tensão, informado pela concessioná- ria”. Esta informação deve ser obtida junto à concessionária pelo engenheiro responsável pelo projeto elétrico da edificação, sen- do diferente para instalações alimentadas por cabeamento aéreo e subterrâneo. Ainda conforma Creder (2013, p. 327), temos que “as cai- xas para medidor são destinadas a abrigar, em ambiente selado, o equipamento de medição e o disjuntor de proteção geral”. Algumas concessionárias, para evitar fraudes, instalam as caixas de medição diretamente no seu poste de energia, outras instalam na edificação do cliente com o visor voltado para a rua. A figura 8 ilustra essa si- tuação. A edificação ilustrada é atendida através de ligação aérea de energia. 53 Figura 8 – Poste com medidor de energia Fonte: Gettyimages (2024). Disponível em: https://www.gettyimages.com.br/detail/ foto/electric-power-meter-electric-meter-watt-hour-imagem-royalty-free/121779 2053?phrase=poste+com+medidor+de+energia Cálculo da demanda de uma instalação A demanda de uma instalação elétrica é definida por Creder (2013, p. 325) como o “valor máximo de potência absorvida num dado in- tervalo de tempo por um conjunto de cargas instaladas, a partir da diversificação por tipo de utilização”, ou seja, a demanda de uma instalação é dada pela soma de todas as cargas instaladas na edifi- cação. Como podemos deduzir, a demanda total, composta por todas as cargas ligadas ao mesmo tempo, nunca é utilizada na instalação e nem no dimensionamento do ramal de alimentação, porque se- ria um desperdício de dinheiro, visto que nunca os equipamentos de uma instalação são ligados ao mesmo tempo. Do mesmo modo que a velocidade máxima representada no painel do carro não é utilizada nas estradas, os equipamentos elé- tricos não são usados todos ao mesmo tempo. Para isso, foram cria- dos os fatores de demanda que é dado pela relação entre a demanda utilizada e a demanda máxima da instalação. Ele considera a proba- bilidade de mais de um equipamento do mesmo tipo (tomada, ilu- minação, motor) ser ligado ao mesmo tempo. Fator de Demanda (FD) = Potência utilizada/Potência instalada 54 A demanda é dada pelo somatório das várias demandas de al- gumas classes de equipamentos, em kVA (quilo Volt Ampère) e pode ser obtida pela equação (Potência utilizada/Potência instalada). Isto é, a demanda total é a soma de todas as demandas e, segundo Creder (2013, p. 334), pode ser calculada através da equação: D (kVA) = d1 + d2 + d3 + d4 + d5 + d6 Sendo que: • d1 (kVA) = demanda de iluminação e tomadas, calculada com base nos fatores de demanda da tabela 1 mais adiante; • d2 (kVA) = demanda dos aparelhos para aquecimento de água (chuveiros, aquecedores, torneiras etc.), calculada conforme a tabela 2; • d3 (kVA) = demanda dos aparelhos de ar-condicionado tipo janela, calculada conforme as tabelas 3 e 4, que apresentam os fatores de demanda para aparelhos de ar-condicionado tipo janela, split e fan-coil - de utilização residencial e não residencial; • d4 (kVA) = demanda das unidades centrais de ar-condiciona- do, calculada a partir das respectivas correntes máximas to- tais – valores a serem fornecidos pelos fabricantes, aplicando os fatores de demanda da tabela 5; • d5 (kVA) = demanda dos motores elétricos e máquinas de sol- da tipo motor gerador, calculado a partir da tabela 6. • d6 (kVA) = demanda das máquinas de solda a transformador e aparelhos de raios X, conforme tabela 7. 55 Tabela 1 – Fatores de demanda para cargas de iluminação e pequenos aparelhos Tipo de carga Potência Instala- da (Watt) Fator de Demanda (%) Carga Minima (W/ m²) Residências (casas e apartamentos) “Até 1.000 1.000 - 2.000 2.000 -3.000 3.000-4.000 4.000 - 5.000 5.000 - 6.000 6.000 - 7.000 7.000 - 8.000 8.000 - 9.000 9.000 - 10.000 Acima de 10.000” “80 75 65 60 50 45 40 35 30 27 24” 30 e nunca inferior a 2.200 W Auditórios, salões de exposição - 80 15 Bancos - 80 50 Barbearias, salões de beleza - 80 30 Clubes e semelhantes - 80 20 Escolas e semelhantes “Até 12.000 Acima de 12.000” “80 50” 30 Escritórios “Até 20.000 Acima de 20.000” “80 70” 50 Garagens, áreas de serviço e semelhantes - 80 5 Hospitais, ca- sas de saúde e semelhantes “Até 50.000 Acima de 50.000” “40 20” 20 Hotéis, motéis e semelhantes “Até 12.000 21.000 a 100.000 Acima de 100.000” “50 40 30” 20 Igrejas e semelhantes - 80 15 56 Lojas, super- mercados e semelhantes - 80 20 Restaurantes e semelhantes - 80 20 Quartéis e semelhantes “Até 15.000 Acima de 15.000” “100 40” 30 Fonte: Creder, 2013, p. 99. Nota: cada concessionária tem a sua própria norma, que deve ser sempre consultada antes do cálculo da demanda. Tabela 2 – Fatores de demanda para aparelhos para aquecimento de água Número de Aparelhos Fator de demanda Número de Aparelhos Fator de demanda Número de Aparelhos Fator de demanda 1 100 10 49 19 36 2 75 11 47 20 35 3 70 12 45 21 34 4 66 13 43 22 33 5 62 14 41 23 32 6 59 15 40 24 31 7 56 16 39 8 53 17 38 25 ou mais 30 9 51 18 37 Fonte: Creder, 2013, p. 334. Nota: para o dimensionamento de ramais de entrada ou tre- chos da rede interna destinados ao suprimento de mais de uma uni- dade consumidora, os fatores de demanda devem ser aplicados para cada tipo de aparelho, separadamente, sendo a demanda total de aquecimento o somatório da demanda obtida: d2 = d2 chuveiros + d2 aquecedores +. Quando se tratar de sauna, o fator de demanda deverá ser considerado igual a 100%. Quando se tratar de sauna, o fator de de- manda deverá ser considerado igual a100%. 57 Tabela 3 - Fatores de demanda para aparelhos de ar-condicionado tipo janela, split e fan-coil (utilização residencial) Número de aparelhos Fator de Demanda 1 a 4 100 5 a 10 70 11 a 20 60 21 a 30 55 31 a 40 53 41 a 50 52 acima de 50 50 Fonte: Niskier e Macintyre, 2013, p. 76. Tabela 4 - Fatores de demanda para aparelhos de ar-condicionado tipo janela, split e fan-coil (utilização não residencial) Número de aparelhos Fator de demanda (%) 1 a 10 100 10 a 20 75 21 a 30 70 31 a 40 65 41 a 50 60 51 a 80 55 Mais de 80 50 Fonte: Niskier e Macintyre, 2013, p. 76. Tabela 5 - Fatores de demanda individuais para equipamentos de ar-condicionado central, self-containere similares Número de aparelhos Fator de demanda (%) 1 a 3 100 4 a 7 80 8 a 15 75 16 a 20 70 Acima de 20 60 Fonte: Niskier e Macintyre, 2013, p. 76. 58 Tabela 6 - Fatores de demanda x número de motores Número total de motores 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Mais de 10 Fator de demanda (%) 100 75 63 57 54 50 47 45 43 42 Fonte: Niskier e Macintyre, 2013 p. 75 Tabela 7 - Fatores de demanda individuais para máquinas de solda a transformador, aparelhos de raio X e galvanização Equipamentos potência do aparelho Fator de demanda (%) Solda a arco e aparelhos de galvanização “1º Maior 2º Maior 3º Maior Soma das demais” “100 70 40 30” Solda a transformador “Maior Soma das demais” “100 60” Aparelhos de raios X “Maior Soma das demais” “100 70” Fonte: Creder, 2013, p. 334. Cada parte da equação da demanda deve ser calculada sepa- radamente e somada no final. Devemos ter cuidado para não somar W e VA, podemos transformar VA para W adotando o fator de potên- cia igual a 0,8. De posse da demanda total, deve ser feita uma consulta para a concessionária de energia objetivando a verificação da maneira que o imóvel será atendido. Nessa situação deve-se visualizar se será aéreo ou subterrâneo; se a entrada de energia vai ser em baixa ten- são, dada por 220/127 V ou 380/220 V ou em alta tensão em 13,8 kV; se a edificação vai precisar adquirir um transformador de energia exclusivo e quais as normas da concessionária para a instalação do padrão de energia. 59 A demanda é calculada pela concessionária a cada 15 minutos, de acordo com Friedrich et al., como “a potência elétrica medida ab- sorvida durante este intervalo de tempo” (2018, p. 78). A potência de alimentação, ainda de acordo com os referidos autores, é definida como “o valor que será utilizado para o dimen- sionamento dos condutores alimentadores e dos respectivos dispo- sitivos de proteção” (Ibidem). Condutores de circuitos e seções de fios (T) Friedrich et al. estabelecem os condutores como os “respon- sáveis pelo transporte de energia elétrica” (2018, p. 85). Eles são feitos de materiais com baixa resistência à passagem da corrente elétrica, sendo utilizados, principalmente, o cobre e o alumínio. O cabo de alumínio, por ter baixa resistência à tração, é fabricado com o centro feito em aço e, por isso, é denominado cabo de alumínio com alma de aço. Recorrendo novamente a Friedrich et al., temos que um fio elétrico “é um produto metálico com forma cilíndrica e seção maciça circular, de comprimento maior que a dimensão da seção transver- sal”, enquanto um cabo elétrico “é um produto metálico composto de fios encordoados justapostos, que podem ter ou não isolação ex- terna” (2018, p. 86). As figuras 9 e 10 mostram a diferença entre um fio e um cabo elétrico. Na maioria das instalações elétricas atuais, são utilizados cabos flexíveis, enquanto nas instalações antigas, eram utilizados fios elétricos. Figura 9 – Fio condutor maciço Fonte: Petar Milošević (2017). Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/ File:Electric_guide_3%C3%972.5_mm.jpg. 60 Figura 10 – Cabo elétrico composto de vários fios encordados (torcidos) todos flexíveis. Fonte: Gettyimages (2024). Disponível em: https://www.gettyimages.com.br/detail/ foto/power-cable-imagem-royalty-free/149426799?adppopup=true. Friedrich et al. afirmam, ainda, que “o processo de fabricação dos fios e cabos elétricos utiliza materiais condutores para o trans- porte de energia elétrica e materiais isolantes para garantir a inte- gridade da energia transportada” (2018, p. 86). Os cabos elétricos são fabricados com cobre de alta pureza, da ordem de 99,99%. Os autores também definem condutor encordoado como “os conduto- res que, ao serem construídos, possuem a forma de uma corda, ou seja, são reunidos e torcidos entre si” (Ibidem). A norma ABNT NBR NM 280: 2011 - Condutores de cabos iso- lados (IEC 60228, MOD) estabelece quatro classes de encordoamen- to com graus crescentes de flexibilidade, conforme está exposto na tabela “Classe de encordoamento” ABNT (2011, p.7): Tabela 8 - Classe de encordoamento Classe Característica Classe 1 Condutores sólidos (fios) Classe 2 Condutores encordados Classe 5 e 6 Condutores flexíveis Fonte: ABNT, 2011, p. 7. 61 Isolação Consoante Friedrich et al. (2018, p. 87), a isolação “confina o campo magnético gerado pelo condutor, com a finalidade de proteger me- canicamente o fio do meio que o circunda, do contato com outros condutores”, além do contato com algum material pontiagudo que sobrou da obra civil, e do contato acidental. Figura 11 – Cabos elétricos com diferentes isolações Fonte: Pawarbhushan (2013). Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Power_cables.jpg. A camada mais externa de um cabo elétrico é a mais resisten- te à abrasão, mesmo assim os cabos elétricos devem ser instalados em eletrodutos ou eletrocalhas. Os eletrodutos podem ser rígidos ou flexíveis, sendo que os flexíveis também são chamados de condule- tes. A função do eletroduto é proteger a camada de isolação do cabo de se rasgar ao encontrar algum objeto perfurante exposto deixa- do pela parte civil da obra. Friedrich et al. (2018, p. 89) mostram na tabela 9 os principais isolantes empregados na fabricação de cabos elétricos. Os mais utilizados para as tensões de 750 V e 0,6 / 1 KV são os de PVC e os XLPE e EPR. 62 Tabela 9 - Tipos de isolação e materiais empregados Tipos de Isolação Materiais empregados Isolantes sólidos (extrudados) Termoplásticos “Cloreto de polivinila (PVC) Polietileno (PE ou PET) Polipropileno Polivinil antiflam” Termofixos (vulcanizados) “Polietileno reticulado (XLPE) Borracha etileno Propileno (EPR) Borracha de silicone” Estratificados “Papel impregnado com massa Papel impregnado com óleo fluido sob pressão” Outros materiais “Fibra de virdo Verniz” Fonte: Friedrich et al. (2018, p. 89). As principais características dos condutores conforme o tipo de isolação são, de acordo com Friedrich et al. (Ibidem, p. 89-90): • cabos com isolação de PVC (cloreto de polivinila): trans- mitem mal o fogo, mas produzem fumaça e gases corrosivos tóxicos, têm boa resistência química a água e possui rigidez dielétrica elevada; • cabos com isolação EPR (borracha etileno-propileno): apresentam uma flexibilidade muito grande, alta rigidez dielétrica, excelente resistência mecânica e temperatura má- xima admissível elevada; • não propagadores de chamas: removida a chama ativadora do fogo, a combustão do material também cessa. São eles os cabos revestidos de PVC e Neoprene. Niskier e Macintyre (2013, p. 98- 99) dividem os cabos entre quatro categorias, sendo elas: 63 • propagadores de chamas: estes cabos entram em combustão quando são expostos diretamente à ação das chamas e perma- necem queimando, mesmo depois de apagado o fogo. São eles os cabos revestidos por EPR e XLPE; • condutores com isolação de XLPE (polietileno reticulado): possuem alta rigidez dielétrica, excelente resistência mecâni- ca, temperatura máxima admissível elevada e baixas perdas dielétricas; • resistentes à chama: mesmo em caso de exposição prolonga- da ao fogo, a chama não se propaga; • resistentes ao fogo: são fabricados com materiais incombus- tíveis e funcionam mesmo na presença de fogo. Os dois últimos cabos são mais caros que os normalmente utilizados em instalações elétricas prediais e passaram a ser uma recomendação da norma a partir de recentes casos de incêndio em estabelecimentos de diversão, que resultaram na morte por inala- ção de fumaça tóxica de muitos jovens. Características de dimensionamento para a isolação Dando seguimento, Friedrich et al. (2018, p. 90) alegam que a iso- lação deve ser dimensionada de acordo com “a tensão e a corren- te elétrica”, ou seja, a capacidade de confinar o campo elétrico e a temperatura a que o condutor será submetido. Ao ponto que Niskier e Macintyre (2013, p. 103) estabelecem que