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ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
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ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
1 
AUTORIDADES 
 
Governador do Estado do Rio de Janeiro 
Exmº. Sr. Cláudio Bomfim de Castro e Silva 
 
Secretário de Estado de Polícia Militar 
Exmº. Sr. Coronel PM Luiz Henrique Marinho Pires 
 
Subsecretário de Estado de Polícia Militar 
Ilmº. Sr. Coronel PM Carlos Eduardo Sarmento da Costa 
 
Diretor-Geral de Ensino e Instrução 
Ilmº. Sr. Coronel PM Marcelo André Teixeira da Silva 
 
Comandante do CFAP 31 de Voluntários 
Ilmª. Sra. Coronel PM Simone Duque Romeu 
 
Comandante do Centro de Educação a Distância da Polícia Militar 
Ilmº. Sr. Tenente-Coronel PM Alexandre Moreira Soares 
 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
2 
APRESENTAÇÃO 
 
Prezados alunos, ao longo de sua carreira e de atuação enquanto agente de segurança 
pública, o Policial Militar tem a oportunidade de colocar em prática seus conhecimentos 
profissionais. 
Deste modo, o Curso Especial de Formação de Sargentos - CEFS é um curso de 
aperfeiçoamento profissional do Praça Policial Militar, tendo em vista que o Sargento PM 
possui uma posição específica e responsabilidades próprias que deverão ser observadas no 
exercício de sua função. 
Nesta direção, sendo o Policial Militar elemento fundamental na execução da política 
de segurança pública do nosso Estado, o CEFS apresenta-se como um momento interessante 
para a retomada da sua qualificação, agora podendo compartilhar e aperfeiçoar sua 
experiência profissional ao longo dos anos de atução policial na corporação. 
Não obstante, sendo o CEFS na modalidade de ensino a distância, o Sgt PM consegue 
usufruir da flexibilidade oferecida por essa modalidade, podendo adequar sua rotina ao 
cronograma do curso. 
Assim, é fundamental o seu empenho, prezado aluno, pois na modalidade de ensino a 
distância, será necessário disciplina e dedicação para o êxito dessa jornada, pois alcançar o 
sucesso depende do seu esforço individual. 
Convém destacar que na era da informação e da tecnologia, é necessário 
aprimoramento constante a fim de garantir uma tropa consciente, respeitosa, pautada em 
valores morais e institucionais, permitindo assim o cumprimento de suas funções com 
dignidade e excelência. 
Esperamos que nossos policiais sejam cada vez mais qualificados, bem treinados e 
especializados, para cumprirmos nossa missão, buscando cada vez mais a excelência de 
nossas ações. 
Por fim, desejamos que você aproveite ao máximo os conhecimentos construídos ao 
longo do curso e busque uma reflexão acerca de suas funções diante da sociedade e seus 
companheiros de profissão e seu papel e lugar estratégico dentro da estrutura hierárquica da 
Secretaria de Estado de Polícia Militar. 
Que seja um momento de repensar as práticas e fortalecer seu vínculo profissional, 
ampliando cada vez mais seus conhecimentos para lidar com as particularidades de ser um 
Policial Militar no Estado do Rio de Janeiro. 
 
Bons estudos! 
Marcelo André Teixeira da Silva – Coronel PM 
Diretor-Geral de Ensino e Instrução 
 
Simone Duque Romeu – Coronel PM 
Comandante do CFAP 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
3 
DESENVOLVEDORES 
 
CFAP 
Supervisão e Coordenação pedagógica 
CAP PM Ped Priscila Medeiros Moura de Lima 
CB PM Cíntia Andrade de Araújo 
CB PM Fernanda Belísio Oliveira dos Santos 
CB PM Layla Simões da Silva 
CB PM Eduarda Vasconcellos Dias de Oliveira 
Conteudistas 
MAJ PM Enf. Vanessa de Freitas Marçolla 
CAP PM Enf. Felipe Brumana Lopes 
SUBTEN PM Alexandro Marçal Gomes 
3º SGT PM Luiz Fernandes Dias Júnior 
3º SGT PM Thiago de Oliveira Duarte da Silva França 
CB PM Alex Moreira Alves 
CB PM Thiago Barros Sessa 
 
CEADPM 
Supervisão Geral EAD 
TEN CEL PM Rodrigo Fernandes Ferreira 
Equipe Técnica 
SUBTEN PM Willian Jardim de Souza 
1º SGT PM Edson dos Santos Vasconcelos 
CB PM Lucas Almeida de Oliveira 
CB PM Diogo Ramalho Pereira 
Diagramação 
1º SGT PM Alan dos Santos Oliveira 
SD PM Daniel Moreira de Azevedo Júnior 
SD PM Alexandre Leite da Silva 
SD PM David Wilson Côrtes da Silva 
Design Instrucional 
CAP PM Ped Vânia Pereira Matos da Silva 
Designer Gráfico 
SD PM Alexandre Leite da Silva 
Filmagem e Edição de Vídeo 
CB PM Renan Campos Barbosa 
SD PM Alexandre dos Reis Bispo 
Suporte ao Aluno 
3º SGT PM Tainá Pereira de Pereira 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
4 
SUMÁRIO 
 
CONTEXTO HISTÓRICO E AMPARO LEGAL DO APH- TÁTICO ........................................................................ 5 
1ª FASE - ATENDIMENTO SOB CONFRONTO ARMADO ......................................................................................... 16 
2ª FASE – ATENDIMENTO EM CAMPO TÁTICO ...................................................................................................... 21 
3ª FASE - ATENDIMENTO EM EVACUAÇÃO TÁTICA ............................................................................................. 32 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................................................ 36 
 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
5 
CONTEXTO HISTÓRICO E AMPARO LEGAL DO APH- TÁTICO 
 
Caro Policial, considerando a possibilidade de 
haver confronto com marginais da lei e diversos 
elementos de risco a integridade física e mental do 
policial, tais como: estresse, esgotamento físico, 
injustas agressões por parte de criminosos, exposição 
às intempéries da natureza e, sobretudo, exposição 
ao perigo nas missões que executa, em razão da 
potencial ameaça a vida do policial diante de 
possíveis confrontos com grupos criminosos, conclui-se que, entre outros conhecimentos é 
crucial que este operador seja capacitado e qualificado a resgatar um ferido/atingido. Assim 
deve ser capaz de promover correta evacuação de feridos, a fim de maximizar a sobrevida e 
minimizar as sequelas dos ferimentos oriundos de ambientes adversos, durante as ações que 
fazem parte do cotidiano policial. Não obstante os frequentes acidentes que vitimizam não 
apenas policiais, como parte da população todos os dias, o Pronto Socorro imediato pode ser a 
centelha de esperança que garantirá a vida do cidadão. 
 
ORIGEM E EVOLUÇÃO 
 
Reduzir a vitimização policial, que constatou que em 23 anos, entre 1994 e 2016, a 
PMERJ teve 3.234 mortos e 14.452 feridos, por causas não naturais, totalizando 17.686 baixas, 
considerando um efetivo de 90.000 homens que serviram na Corporação. Ressalte-se, ainda, 
que, segundo essa análise, foi mais arriscado estar na PMERJ nos últimos 23 anos do que 
servindo na FEB ou nas forças armadas norte-americanas em qualquer guerra do século XX, 
incluindo as I e II Guerras Mundiais. Como exemplos extremos, a chance de ser ferido aqui foi 
mais de setecentos e sessenta e cinco vezes (765,07) superior à de estando na Guerra do 
Golfo Pérsico (Kuwait), e a de ser morto foi mais de três vezes (3,77) a de estando na Guerra 
da Coréia, e três vezes (3,67) a de ter servido na Guerra do Vietnã. 
 
ADEQUAÇÃO PARA O USO NA SEGURANÇA PÚBLICA 
 
Toda atuação dos profissionais de Segurança Pública perante a sociedade exige uma 
forma sistematizada que envolve todo planejamento estratégico diante das ações pedagógicas 
criativas e dinâmicas. Possibilitando a construção de competências com foco nas abordagens 
cruciais existentes no ambiente de trabalho. 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
6 
 
 
Você sabia que a história deste grupamento, se inicia em 20 de fevereiro de 1995, 
quando o então 1º Ten Médico Abouch Krimchantowski, numa ação pioneira, corajosa, 
inovadora, pautada na visão de futuro e na expertise em pronto socorrismo tático adquirida no 
Brasil e nos EUA, cria um grupamento de policiais militares do quadro de combatentes no 
BOPE, com alguns conhecimentosem enfermagem, designado como GPAO-RS (Grupamento 
de Paramédicos de Apoio Operacional - Resgate e Salvamento), com o objetivo de dar apoio 
às operações policiais militares, prestando um primeiro socorro ao policial vitimado ainda na 
cena da operação, com remoção imediata do mesmo ao hospital mais próximo, proporcionando 
maior possibilidade de êxito no atendimento aumentando as chances de salvamento, pois 
sabemos que nestas situações, minutos podem fazer a diferença entre a vida e a morte. Em 
1997, o então Capitão PM André Vidal assume o comando do grupamento e amplia sua 
atuação na Corporação em tamanho e complexidade, passando a apoiar a PMERJ em diversas 
situações distintas. O GPAO-RS ganha um curso formal de Pronto Socorristas (o primeiro de 
vários) com carga horária e treinamento muito intensos, compatíveis com os demais cursos 
especiais da corporação e incorpora atendimentos e apoio a cursos, solenidades, atividades e 
teste físicos, treinamentos operacionais, manifestações, presença nos estádios de futebol, 
sepultamentos, além de apoiar operações policiais e onde mais a presença dos paramédicos 
se fizesse necessária, passando também a contribuir e compor com os hospitais da corporação 
na realização de transporte de pacientes, com suas viaturas próprias, quando os hospitais não 
tivessem condições de realizar tais remoções. 
 
Em 1996, para se adequar às normas e legislação vigentes em nosso País, o GPAO- 
RS passa a se chamar GESAR, pois a terminologia paramédico e consequentemente a 
atuação profissional destes, ainda não é reconhecida no Brasil. Sendo assim, seguindo um 
padrão internacional de nomenclatura, onde a sigla “SAR” é usada para designar os grupos 
que fazem resgate e salvamento em todo o mundo, a exemplo do Para-SAR da FAB, o GPAO- 
RS muda sua denominação para GESAR (Grupamento Especial de Salvamento e Ações de 
Resgate). 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
7 
Em 2011, vivemos o momento mais triste de nossa história recente, pois o GESAR foi 
desconstruído, com seu efetivo tendo sido desmembrado, além da perda de vários socorristas 
para outras unidades da corporação e para a Força Nacional. Destes grupos, um foi destacado 
para compor o grupamento de paramédicos de combate do BOPE e o outro grupo, para 
compor o GRH (Grupamento de Remoção Hospitalar). Desta forma, o antes independente 
GESAR, diretamente subordinado a DGS, passa a ser denominado GRH, subordinado ao 
HCPM e com a função de realizar apenas remoções hospitalares. 
 
No entanto, o GRH permaneceu sendo solicitado por 
todas as Unidades da PMERJ, para realizar as mesmas 
funções que realizava em sua época de GESAR, deixando de 
cumprir muitas destas solicitações, pois contava com menos 
da metade de seu efetivo original, além da grande 
depreciação das suas bases, das ambulâncias e grave 
redução do quantitativo destas viaturas em condições de 
utilização, sem vislumbre de renovação da frota. Ademais, a 
ideia e a concepção restrita de "remoção hospitalar" mostrou-
se muito aquém da demanda que a corporação exigia do 
grupamento, quando as atribuições e capacitação estavam 
muito além da simples "remoção hospitalar". 
 
Em 25 de Setembro de 2014, assume o comando do GRH o Major Médico Eduardo 
Nogueira, sendo o Grupamento repensado e reestruturado, visando atender de forma completa 
todas as demandas relacionadas a atendimento pré-hospitalar da corporação, adequando-se a 
formação e a legislação brasileira que determinam o funcionamento de qualquer sistema de 
atendimento pré-hospitalar do país. Em 30/12/2015 o Grupamento foi refundado como GAPH 
(Grupamento de Ações Pré-Hospitalares), nome identificado com a atividade que realizávamos 
e com as normais legais vigentes à época. Finalmente, após vivermos a expectativa de termos 
nosso Grupamento reconhecido como unidade de Saúde Operacional independente, condição 
compatível com nossa complexidade e as funções nas quais somos diariamente demandados, 
em 16 de novembro de 2017, foi criada pela Resolução SESEG nº 1126, a Unidade de Apoio 
de Saúde GAPH, como o braço operacional da Saúde. 
 
Entretanto, o GAPH, que alcançou o objetivo há muito ansiado por todos através da 
criação e legitimação da nossa Unidade de Saúde, ainda não atendia plenamente à todas as 
demandas da PMERJ, tais como o apoio às operações policiais no cenário de combate e as 
Instruções (Estágios e Cursos). E para que esta conquista fosse concretizada, faltavam ainda o 
restabelecimento e melhorias da nossa área na Base Choque e na Base CFAP, a 
recomposição do efetivo, a aquisição de ambulâncias novas, equipamentos médicos e de 
instrução, pintura da fachada, a nossa heráldica completa e o retorno do nome GESAR 
(Grupamento Especial de Salvamento e Ações de Resgate), o qual resume tudo isso. 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
8 
Assim, em 16 de novembro de 2018, O 
Gabinete de Intervenção Federal publicou a 
mudança da nossa denominação de volta para 
GESAR, resgatando nossa identidade, durante o 
Comando da Ten Cel PM Méd Myrian Broitman 
Santos Barros, sendo o reinício para as 
mudanças tão almejadas. No final do ano de 2018 
foi efetivada no Plano Anual de Ensino da Diretoria 
Geral de Ensino da Polícia Militar do Estado do Rio de 
Janeiro a criação do Estágio de Socorrista Tático que a partir do ano de 2019 tornou-se 
referência em todo o Brasil, seguindo os protocolos mundiais utilizados para Medicina de 
Guerra e a Legislação do Ministério da Defesa brasileiro, adequando-se ao combate diuturno 
contra a criminalidade no Estado do Rio de Janeiro, capacitando multiplicadores de 
conhecimento em APH Tático, contribuindo diretamente para a redução da mortalidade do 
Policial Militar em 60%. Em face da preocupação do Comando da Corporação com o aumento 
do número de baixa de policiais em combate. Este grupamento recebeu a incumbência de 
Capacitar e treinar os policiais das Tropas Convencionais e Operacionais para o atendimento 
pré-hospitalar tático nos inúmeros cenários de confrontos urbanos. Nesse passo, o GESAR 
padronizou os Kits APH em 3 níveis, reestruturou administrativa e operacionalmente todo o 
Grupamento, compondo uma equipe forte de Oficiais de Saúde e Combatentes e Praças 
extremamente motivados. A chegada da nova frota de ambulâncias UTI e Básicas, de viaturas 
operacionais, a aquisição de equipamentos médicos e de resgate de alta complexidade, além 
de materiais de instrução de tecnologia avançada, tudo isso aliado às reformas físicas da Base 
Choque, além das melhorias para a Base CFAP, e principalmente a especialização, o 
treinamento e a profissionalização de toda a tropa em vários setores, mostra um novo GESAR 
completamente atualizado e cada vez mais atuante na sua missão de salvar vidas. 
Ressaltamos sempre que a força, a tenacidade, a perseverança, a união e a esperança da 
tropa foram sempre o grande diferencial, pois mesmo diante de todas as dificuldades e 
percalços, jamais desistimos de lutar pela Unidade que hoje, 25 anos após sua criação, tem a 
honra de fazer parte do Planejamento Estratégico da PMERJ para 2020-2024, com a 
implementação de nossas Bases Avançadas em Niterói, Baixada Fluminense e na Invernada 
dos Afonsos, já em curso, após 2 anos de acompanhamento dos estudos da Mancha Criminal 
(IspGEO) e da Comissão de Vitimização do Policial Militar. Desta forma, podemos afirmar que 
o GESAR, é uma Unidade estratégica dentro do contexto da Corporação, pois possui a 
característica de conjugar combatentes com profissionais da saúde da PMERJ, onde o branco 
da saúde, o azul da tropa e o laranja, cor universal do resgate, se unem na farda e em suas 
habilidades específicas para o resguardar o bem maior tutelado, que é a vida dos policiais 
militares. 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
9 
A presença de uma ambulância com o símbolo da ESTRELA DA VIDA na retaguarda 
da tropa é o primeiro, e em muitas situações,o maior ativo que o quadro de saúde da PMERJ 
tem para oferecer nos momentos críticos vividos por nossos policiais. Essa presença e 
sensação de segurança originadas pelas ambulâncias e por nossos profissionais 
especializados são motivos de orgulho e elogios a esta importante e valorosa Unidade de 
Saúde da PMERJ. 
 
A estrutura hierárquica do GESAR é composta: Comandante, Subcomandante 
Administrativo, Subcomandante Operacional e a Seção de Instrução Especializada (SIEsp). 
Atualmente o GESAR tem sua Base Sede no Batalhão de Polícia de Choque e com quatro 
bases avançadas: Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças - CFAP, 20º BPM, 12º 
BPM e no Comando de Operações Especiais (COE). Todas as bases são distribuídas de forma 
estratégica para o desempenho do serviço na Corporação. Missões do GESAR: Operações 
Policiais; Ensino e Instrução; Apoio a Eventos; Transporte Inter-Hospitalar; Apoio a Cursos; 
Resgate e Diversos. Contando com mais de 10 ambulâncias para prestação de serviços a 
Secretaria de Estado de Polícia Militar (SEPM). 
 
Nesse contexto, a SEPM alinhada ao Plano de Redução de Letalidade bem como a 
ADPF 635, adquire, de forma inédita e inovadora no contexto das forças de segurança pública, 
os dois Veículos Blindados de Operações de Resgate (VBOR). São duas ambulâncias 
blindadas que podem ser configuradas como UTIs Móveis de forma a executar um resgate in 
loco, de forma segura, técnica, garantindo ao policial militar a assistência de saúde em tempo 
zero. Vale salientar que o período pré-hospitalar é o momento mais importante e crítico para 
cuidar de qualquer acidente de combate, a fim de evitar baixas que poderiam ser evitadas e 
reduzir a gravidade das lesões, onde o Socorrista promove intervenção direta e adequada nas 
feridas / lesões, antes da evacuação das vítimas até os locais de atendimento especializado. 
Olhando por dentro, as ambulâncias são semelhantes às UTIs móveis utilizados em resgates 
de acidentados ou em casos de mal súbito grave. Possuem todos os itens necessários para um 
atendimento de emergência de última geração. Externamente, as duas ambulâncias têm 
configuração semelhante aos novos veículos blindados de transporte de tropa que passaram a 
ser utilizados este ano pela Polícia Militar. São capazes de suportar impactos produzidos por 
armas de fogo de grosso calibre e de explosivos utilizados por criminosos. 
 
A entrega foi realizada pelo Secretário de Estado de Polícia Militar em 29/12/2022. A 
frota da Polícia Militar do Rio de Janeiro passa a contar com duas ambulâncias blindadas para 
resgatar policiais feridos em áreas conflagradas. A nossa equipe especializada do Grupamento 
Especial de Salvamento e Ações de Resgate (GESAR) já está pronta para atuar em apoio à 
tropa. Estamos agora aptos a prestar o primeiro socorro ao nosso policial no local do evento, 
em tempo praticamente zero. O atendimento rápido e adequado reduzirá muito o índice de 
letalidade e de lesões graves em nossa tropa e atende o plano do Supremo Tribunal Federal 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
10 
na Ação de Descumprimento de preceito legal (ADPF 635) visando o controle de violações de 
direito humanos pelas forças de segurança fluminense que contenha medidas objetivas e 
cronogramas específicos para prover ambulância com equipe de saúde em todas as operações 
policiais. Nenhuma outra força de segurança que atue em áreas urbanas no mundo possui um 
veículo de resgate com essa configuração. Afim de, trazer uma sensação de conforto para a 
tropa operar e pode contar caso necessário, tenha qualquer intercorrências de pessoas feridas 
no confronto. 
 
O APH-T é o atendimento prestado por profissionais treinados e capacitados para 
prover os cuidados iniciais a vítima, de forma organizada e sistematizada, seguindo 
de transporte até o serviço de saúde para o tratamento definitivo. 
 
O socorro em ambiente tático consiste na avaliação da cena e a segurança de toda 
equipe, onde suas ações diferem do atendimento pré-hospitalar no cenário civil. Alguns fatores 
são determinantes no sucesso da missão, levando em consideração os extremos ambientais 
que vivenciamos durante o serviço policial e no atendimento direto a vítima nestes cenários. 
Por isso, a importância das boas práticas médicas com boas táticas, elencando o 
conhecimento de saúde baseado em evidências científicas e as práticas de técnicas 
operacionais aplicadas no terreno. 
 
A capacitação em APH-T tem como referências os Protocolos de Medicina de Guerra e 
os conflitos urbanos no âmbito nacional. Conforme o Amparo Legal e a Diretriz do APH-T. 
Portaria Conjunta SENASP/SEOPI/SEGEN nº 20, de 3 de agosto de 2022. Aprova o Nível 
Básico de Atendimento Pré-Hospitalar Tático para profissionais de Segurança Pública, 
em complementação às disposições da Diretriz Nacional de APH-Tático. Ministério da 
Justiça e Segurança Pública – MJSP, 2022. PORTARIA Nº 98, DE 01 DE JULHO DE 2022. 
Diário Oficial da União – Seção 1 – Nº 124 de 04 de Julho; Ministério da Justiça e Segurança 
Pública – MJSP; Brasília, DF. Art. 1º Fica criada a Diretriz Nacional de Atendimento Pré- 
Hospitalar Tático para Profissionais de Segurança Pública - APH-Tático. Parágrafo único. 
Esta Diretriz dispõe sobre a uniformização de procedimentos, equipamentos, instrumentos e 
insumos pré-hospitalares empregados na salvaguarda da vida dos profissionais de segurança 
pública feridos no exercício do cargo ou função, ou em razão desses, ausentes recursos 
regulares de suporte à vida e à saúde. Transcrita no BOL PM Nº 119, 04 DE JULHO 2022. 
Secretaria de Estado de Polícia Militar - SEPM. 
 
O resgate, competência exclusiva de policiais e bombeiros, é a retirada de vítimas dos 
“locais ou situações que impossibilitam o acesso da equipe de saúde” (BRASIL, 2006, p. 92). O 
resgate tático, contudo, é um gênero à parte dentro do hiperônimo “resgate”. A competência se 
diz tática por ocorrer em ambientes civis sujeitos a combate e ao uso diferenciado da força, o 
que exclui os bombeiros. Dessa forma, em tais cenários, os policiais, ou excepcionalmente os 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
11 
militares das Forças Armadas escalados para missões de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), 
são únicos habilitados a atuar no resgate e socorro imediato às vítimas de violência, aos 
próprios agentes legais feridos em combate e, até mesmo, aos agressores neutralizados. 
 
No Ambiente tático-militar, na fase preliminar de avaliação da biossegurança: analisar a 
situação; identificar os níveis de ameaças; estabelecer rotas de acesso ou zona de reunião; 
aplicar as técnicas de ações imediatas; estabelecer os números de vítimas e comunicação com 
o escalão superior. Já na etapa de resgate, deve escolher a técnica de retirada de acordo com 
o ambiente operacional e realizar as técnicas de transportes de emergência. Por fim, na fase 
de atendimento propriamente dito, compete-lhe conter hemorragias, avaliar e desobstruir vias 
aéreas e estabilizar as lesões (BRASIL, 2018). 
 
Durante o Atendimento Tático de Campo, os policiais-socorristas põem em prática o 
mnemônico M.A.R.C.H. O Tactical Combat Casualty Care (TCCC), em tradução livre, seria o 
Atendimento às Vítimas de Combate Tático. A técnica diz respeito basicamente a condutas 
específicas, baseadas na situação de combate, de acordo com zonas de operação e com 
fases de atendimento (PHTLS, 2020). 
 
Diante das impossibilidades de manobras convencionais a serem aplicadas em 
cenários conflagrados, precisamos diferenciar ações das equipes de saúde que não 
atuarão sobre fogo hostil necessitando de manobras táticas considerando os extremos 
ambientais, os equipamentos limitados e os diferentes tipos de feridas. 
 
Houve a necessidade da Seção de Instrução Especializada (SIEsp) do GESAR 
desenvolver através de estudos e das experiências práticas vivenciadas pelos nossos 
policiais no terreno: o Procedimento OperacionalPadrão (P.O.P) – Arrastar, Tratar e 
Transportar (A.T.T.) que consiste em um conjunto de técnicas e procedimentos de Saúde 
Operacional fundamentado nas diversidades e particularidades dos Ambientes Táticos que 
são apresentados para o Atendimento Pré-Hospitalar quando há um Operador Ferido. O 
P.O.P - A.T.T. tem a finalidade de instrumentalizar os agentes de Segurança Pública na 
execução do atendimento pré-hospitalar policial, aprimorar a qualidade dos serviços 
oferecidos pelos socorristas táticos e minimizar a ocorrência de desvios na execução das 
tarefas, conforme publicação em BOL PM nº 234 de 21 de dezembro de 2022. 
 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
12 
MONTAGEM E COMPOSIÇÃO DO KIT INDIVIDUAL DE APH-TÁTICO 
 
 Você sabe o que significa a sigla IFAK? 
 
 
IFAK é uma sigla em inglês que quer dizer “Individual First Aid Kit” ou, em tradução 
livre, kit individual de primeiros socorros, no entanto, chamaremos para fins desta doutrina 
nacional de “kit individual de APH-Tático". 
 
O kit individual de APH-Tático Nível Básico deve conter algum tipo de sinalização (ex. 
cruz vermelha) que o identifique facilmente e que deve ser posicionado em local de fácil acesso 
pelo policial com qualquer uma das mãos. Se for conveniente à operacionalidade de cada 
força, é interessante que o equipamento esteja dentro do campo de visão do portador. 
 
Devido à sua importância, o torniquete deve ser mais facilmente acessível, podendo 
estar acondicionado em algum anexo da bolsa que contenha o kit, ou em local próprio, 
seguindo a mesma regra de estar com acesso fácil a ambas as mãos. 
 
Ainda que eventualmente o operador utilize seu kit individual de APH-Tático em outro 
ferido, por tratar-se de um Equipamento de Proteção Individual (EPI), seu uso é individual, 
devendo ser preservado para utilização em si mesmo por ele próprio ou por outro agente, 
conferindo a importância de que cada operador tenha o seu e composto com os materiais 
mínimos especificados para o Nível Básico. A padronização da localização e itens do kit de 
APH-Tático entre os membros da equipe é importante, pois permitirá que outro membro da 
unidade localize com maior facilidade os itens em caso de necessidade. 
 
A montagem do Kit Individual de APH-Tático dependerá do nível de treinamento do 
operador, assim como respeitar as características locais e operacionais. Dessa forma, 
entendemos que o kit individual de APH-Tático Nível Básico deverá conter minimamente os 
itens determinados pela Comissão de Padronização de Kits Pré-hospitalares e outros materiais 
e condutas específicas do GESAR, formada em 03 de agosto de 2018. 
 
O kit de atendimento pré-hospitalar policial deve ser pessoal e é classificado em 03 
(três) níveis, a saber: 
 
1. Nível Básico (Para Policiais Militares Convencionais, para uso no dia - a -dia): 
• 04 unidades de Luvas de Procedimento; 
• 01 Torniquete de Combate; 
• 01 Tesoura ponta romba; 
• Ataduras (3 unidades – tamanhos diversos); 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
13 
• Gazes (4 pacotes); 
• Fita adesiva com 5 cm de largura; 
• (Bornau) Bolsa de equipamento de carga leve modular com cordão de retenção. 
 
 
2. Nível Intermediário (Para Policiais Militares de Unidades Especializadas que 
tenham realizado treinamento de APH Tático): 
 
• 04 unidades de Luvas de Procedimento; 
• 01 Torniquete de Combate; 
• Manta Térmica; 
• 01 Gaze de combate (impregnada com agente hemostático); 
• 02 Israeli Bandages (Bandagens Israelenses); 
• 01 Curativo Oclusivo Valvulado; 
• 01 Tesoura ponta romba; 
• Ataduras (3 unidades – tamanhos diversos); 
• Gazes (4 pacotes); 
• Fita adesiva com 5 cm de largura; 
• Pequena Mochila Tática. 
 
 
3. Nível Avançado (Grupamento de Ações Pré -Hospitalares): 
• 06 unidades de Luvas de Procedimento; 
• 01 Torniquete de Combate; 
• Manta Térmica; 
• 01 Gaze de combate (impregnada com agente hemostático); 
• 02 Israeli Bandages (Bandagens Israelenses); 
• 01 Curativo Oclusivo Valvulado; 
• 01 Tesoura ponta romba; 
• Ataduras (6 unidades – tamanhos diversos); 
• Gazes (10 pacotes); 
• Fita adesiva com 5 cm de largura; 
• Conjunto de Talas; 
• Mochila Tática. 
 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
14 
ATENDIMENTO A PROFISSIONAIS DE SEGURANÇA PÚBLICO FERIDOS 
EM OCORRÊNCIAS 
 
O Atendimento Pré-Hospitalar Tático (APH-T) compreende o suporte o ferido em 
cenário de confronto armado, em que são aliados conhecimentos operacionais de conduta de 
táticas e as técnicas de atendimentos pré-hospitalares voltadas ao ambiente operacional, 
considerando a localização e gravidade das lesões sofridas em confronto. O APH-T é dividido 
em três principais fases: 
 
 
1ª Fase: Atendimento sob Confronto 
Armado; 2ª Fase: Atendimento em Campo 
Tático; e 
3ª Fase: Atendimento em Evacuação Tática. 
 
 
 
A 1ª fase do atendimento, denominada Atendimento sob Confronto Armado, 
corresponde ao momento em que as manobras são realizadas sob risco intenso, pois o 
confronto armado está ocorrendo. Essa fase do atendimento deve priorizar a supressão da 
injusta agressão e a movimentação para abrigo seguro. Nesta fase a única intervenção a ser 
realizada, se possível, é a aplicação de torniquete emergencial (alto e apertado), sendo 
priorizada a autoaplicação pelo operador ferido. 
 
Controlada a ameaça, remove-se o operador ferido para uma área relativamente 
protegida, onde o atendimento prossegue. Esta 2ª fase, chamada de “Atendimento em Campo 
Tático”, prioriza o atendimento dos feridos com base na ordem de gravidade das lesões 
eventualmente sofridas pelo agente, prevendo a avaliação e conduta voltadas para a seguinte 
ordem de importância clínica: Controle de Sangramento Maciço (M), Controle das Vias Aéreas 
(A), Manutenção da Respiração (R), Manutenção da Circulação e Avaliação do Choque (C) e 
Prevenção da Hipotermia (H). (NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL 
TECHNICIANS, 2019) 
 
O acrônimo M.A.R.C.H. é um esquema mnemônico utilizado mundialmente que poderá 
facilitar a recordar os passos iniciais e a continuidade do atendimento do ferido. (KOSEQUAT 
et al.,2017). 
 
A sistematização do atendimento e avaliação desta forma prioriza a intervenção de 
lesões que mais rapidamente podem levar o ferido à morte, de acordo com os protocolos 
atuais. (CALLAWAY, 2015) 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
15 
A utilização deste tipo de metodologia já é consagrada redutora de mortalidade em 
trauma durante missões operacionais e é reconhecida por instituições como: American College 
of Surgeons (ACS), Comitê Tactical Combat Casualty Care (CoTCCC), National Association of 
Emergency Medical Technicians (NAEMT), Special Operations Medical Association (SOMA), 
entre outras. É importante frisar que durante a fase de Atendimento em Campo Tático, novas 
ameaças e confrontos podem surgir, devendo os operadores de segurança pública estar 
sempre em condições de responder às adversidades. 
 
 
Figura 1 - Acrônimo MARCH. 
 
 
Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1Mapa mental que visa facilitar a memorização da ordem de procedimentos a serem realizados em atendimentos. 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
16 
Realizados os procedimentos descritos acima, inicia-se a programação para retirada do 
ferido direcionando-o ao serviço médico escolhido, entretanto, enquanto o transporte não 
ocorre, é necessário reavaliar repetidamente as condições apresentadas pelo ferido e a 
manutenção dos cuidados já realizados, o transporte para o centro médico especializado, 
consiste na 3ª fase chamada de Evacuação Tática, que compreende técnicas específicas para 
transferência adequada de lesionados, minimizando os riscos durante o transporte enquanto a 
equipe restante mantém a capacidade de resposta a eventual novo confronto. 
 
1ª FASE - ATENDIMENTO SOB CONFRONTO ARMADO 
 
SEGURANÇA DAEQUIPE E AS ORIENTAÇÕES AO FERIDO 
 
No Atendimento sob Confronto Armado tem como procedimento tático inicial a 
Resposta à Agressão Armada potencialmente letal. Para tanto, entende-se por Resposta à 
Agressão Armada, ou supremacia de fogo, a busca por abrigo (assim evitando novos feridos) e 
interrupção da agressão (do fato gerador da injusta agressão) causada pela rendição, fuga, 
lesão ou neutralização da ameaça contrária à intervenção policial.Neste instante são aplicadas 
as Técnicas de Arrasto sincronizadas com as Táticas Operacionais de Progressão em Terreno 
Hostil. 
 
APLICAÇÃO DA TÉCNICA DE ARRASTO NO ATENDIMENTO SOB 
CONFRONTO ARMADO 
 
Você já parou para pensar que há situações em que seja necessário mover o ferido 
para o lugar seguro mais próximo? Elas costumam exigir técnicas de arrasto, afim de realizar 
um primeiro atendimento. Assim, após as ações imediatas, o operador poderá avançar para um 
local mais adequado. Essa sucessão de ações compõem uma premissa encarada 
fundamentalmente como o “simples que funciona”. Remover o ferido da zona conflagrada o 
mais rápido possível e comum a relativa segurança é a prioridade de transporte durante esta 
fase. 
TÉCNICA DE ARRASTO COM 01 OPERADOR 
 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
17 
POR INTERMÉDIO DE ALGUNS TIPOS DE PEGADAS: 
 
 
PUNHO COM PUNHO 
 
 
 
 
MÃO EM GARRA 
 
 
 
 
LUTADOR 
 
 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
18 
PUNHOS CRUZADOS 
 
 
 
 
PUNHOS PARALELOS 
 
 
 
 
TÉCNICA DE ARRASTO COM 02 OPERADORES 
 
 
 
Neste sentido, de forma didática, cumpre elencar os principais procedimentos e ordem 
de ações durante a Resposta à Agressão Armada: 
 
Procedimento 1 - Ao ocorrer um disparo, antes de buscar identificar feridos ou realizar 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
19 
algum resgate, procure um abrigo ou, em ambiente rural, utilize a doutrina local, como se 
afastar e diminuir a silhueta e responda à injusta agressão (resposta de fogo).Entenda o local 
onde esteja o operador ferido como um grande alvo, isto é, um espaço no qual o opositor já 
dispõe de uma visada favorável, podendo, desta forma, alcançar novos feridos. Trata-se e uma 
área com um grande “X” marcado. Assim, é imperioso que os outros membros da equipe 
procurem abrigo efetivo. Permanecer no “X” não é um ato de heroísmo, mas de ausência de 
conhecimento. O confrontante que se deslocar para o “X” no intuito de proteger o companheiro 
possivelmente se tornará outro ferido e, comisso, trará um novo problema para a guarnição. 
Se, por exemplo, a equipe for composta por dois policiais, e em uma eventualidade o segundo 
operador for lesionado, a possibilidade de sobrevivência de ambos será drasticamente 
impactada. (Figura 2) Analogicamente, valemo-nos do exemplo das máscaras de oxigênio em 
aeronaves: antes de ajudar o próximo é preciso estar vivo. Nunca se esqueça: policial seguro, 
local seguro, ferido seguro. 
 
Figura 2 – Sequência de imagens reais ocorrida em uma patrulha durante a operação 
"IraqueFreedom"em Fallujah 
 
Cena1 Cena 2 Cena 3 Cena 4 Cena 5 
 
Enquanto está sob O sargento Shane Outro militar chega Sargento Shane O sargento 
fogo e sem sua entra no "X" tenta para ajudar na (esquerda) é Shane, no chão à 
arma, o Sargento puxar um militar extração. atingido por esquerda, passa a 
de Artilharia Ryan ferido fatalmente. disparo realizado se tornar mais 
P. Shane corre por ameaça umo ferido 
para o armada. durante o 
sargento Lonnie Atendimento sob 
Wells, para puxá-lo Confronto 
para segurança Armado. 
durante as 
operações de 
confronto da USMC 
em Fallujah. 
Fonte:NATIONAL ARCHIVES CATALOG NATIONAL ARCHIVES CATALOG, 2004.Disponível 
em. Acesso em: 22 jun. 2023. 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
20 
Procedimento 2 - Assim que possível, solicite apoio externo. O operador deverá 
utilizar o rádio ou outro meio de comunicação disponível para solicitar apoio operacional. 
Essa conduta será, em muitos casos, o diferencial entre viver e morrer. Assim, mesmo em 
meio ao caos instalado, é imprescindível que se tente informar que já existe um policial 
baleado, o número de agressores e o local da ocorrência–são informações elementares e 
necessárias. 
 
Procedimento 3 - Já a brigada, a equipe deverá verificar se existem outros 
feridos não identificados previamente. 
 
Procedimento 4 - Antes da ação de resgate buscando a extração do ferido para 
local abrigado, deve-se tentar o atendimento remoto, chamando o policial lesionado, 
verificando se ele consegue buscar abrigo próximo e através do auto atendimento, realizar 
a própria (auto) aplicação do torniquete tático, colocando-o na ``raiz do membro``, o que foi 
denominado emergencial ou ``alto e apertado``. Por vezes o ferido pode entrar em um 
estado psicológico tal de incapacidade, que o simples fato de ser chamado ou orientado a 
realizar os procedimentos pode trazê-lo de volta à realidade. Estando o operador 
consciente e havendo condições físicas para tal, é primordial que busque proteção e, 
dentro das suas possibilidades, inicie o seu próprio atendimento, respondendo ao fogo inimigo 
de acordo com a situação tática. É importante que entendamos que a perda de sangue 
pode levar à inconsciência rapidamente, impedindo o auto-atendimento e consequente 
adequada resposta à ameaça (legítima defesa). Dessa forma, se o policial estiver 
demasiadamente exposto, a superioridade de fogo(repelir a injusta agressão) pode ser a 
primeira, e talvez única opção, enquanto os demais membros estão impossibilitados de ir 
aos encontros. 
 
Procedimento 5 - Deve-se atentar para a segurança do local mesmo que a 
agressão esteja supostamente finalizada. Embora o agressor ou grupo de agressores 
possa ter sido neutralizado, rendido ou em fuga, ele pode estar dissimulando suas 
intenções, possivelmente retornando a representar uma ameaça. Há, ainda, a possibilidade 
de novas ameaças se apresentarem, logo: mantenha-se sempre atento a novas 
ameaças! 
 
O USO DO TORNIQUETE TÁTICO NO ATENDIMENTO SOB CONFRONTO 
ARMADO 
 
Ainda no atendimento sob confronto armado, a aplicação de torniquete é a única 
manobra plenamente eficaz de atendimento médico passível de ser aplicada (seja pelo próprio 
ferido ou por outro membro da equipe), tendo em vista sua facilidade e rápida execução. A 
contenção de sangramento maciço em membros inferiores e superiores no Atendimento Pré-
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
21 
Hospitalar Tático dá-se com a utilização correta do torniquete tático nomembro lesionado. 
Porém, destaca-se que todo atendimento sob confronto armado acarreta grande risco ao 
operador de APH-Tático, sendo um procedimento prioritariamente executado pelo próprio 
ferido. 
 
A aplicação emergencial do Torniquete Tático é realizada quando for identificado o 
sangramento maciço em extremidade lesionada, antes do uso dele, o operador de APH- Tático 
deve checar se não há nenhum material ou equipamento que ficará entre o torniquete e o 
membro, para que nada atrapalhe sua mecânica de funcionamento, tendo em vista que o 
equipamento deve ser empregado em contato direto com oferido. Itens com o coldre, bornal, 
celular, canivete, canetas, etc entre o torniquete e o membro podem diminuir ou impedir a 
constrição daquela estrutura e consequentemente o processo de controle da perda sanguínea; 
logo, devem ser removidos. Contudo, as vestimentas regulares, sem objetos extras, não 
atrapalham o funcionamento do equipamento e não é interessante perder tempo com a retirada 
ou corte do tecido das vestes para a aplicação do torniquete. 
 
2ª FASE – ATENDIMENTO EM CAMPO TÁTICO 
 
 
 
M - CONTROLE DE SANGRAMENTO MACIÇO 
 
 
Você sabia que a fase de atendimento em campo tático ocorre em 
área abrigada, assegurada, após fazer cessar a ameaça direta? 
 
Neste momento,o operador de APH-Tático, dispõe de maior tempo e segurança, assim 
pode ter disponível, maiores condições para identificar lesões graves, que podem causar risco 
de morte ao operador vítima, e também contar com o equipamento de uso individual do 
mesmo, para tratamento mais pormenorizado. Deve-se então, realizar uma avaliação primária 
do ferido, seguindo uma sequência de prioridades de acordo com as lesões mais graves e que 
representem maior risco de morte. Tamanha importância nos faz novamente redigir que o 
atendimento dos feridos deve ser prestado seguindo a ordem de gravidade das lesões 
eventualmente sofridas pelo agente, prevendo a avaliação e conduta voltadas para a seguinte 
ordem de importância clínica: Controle de Sangramento Maciço (M), Manutenção das Vias 
Aéreas (A), Manutenção da Respiração (R), Manutenção da Circulação e Avaliação do Choque 
(C) e Prevenção da Hipotermia (H). O acrônimo M.A.R.C.H. poderá facilitar a recordar os 
passos iniciais e continuar o atendimento do ferido. 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
22 
A perda maciça de sangue é o processo decorrente de ferimento em confronto que 
mais rápido leva a óbito um vitimado. Algumas características contidas na cena e no ferido 
poderão determinar se o extravasamento sanguíneo observado é de fato maciço, tais como: 
poça de sangue, uniforme empapado de sangue, ferimento pulsan do sangue e alteração do 
nível de consciência do operador ferido, sem trauma de crânio ou a constatação do torniquete 
aplicado na 1ª fase de cuidados sob confronto. 
Para identificar o sangramento avaliamos primeiramente os membros e as áreas 
juncionais. A depender da análise feita pela equipe da condição de segurança do cenário que 
abriga os operadores, da condição do ferido e das variáveis que envolvem a evacuação, a 
aplicação do torniquete pode ser feita de duas formas: 
 
a) Emergencial, que preza pela velocidade da aplicação, uma vez que é instalado 
no membro ferido o mais alto possível sobre as vestes. 
b) Controlado, que depende da visualização do ferimento para que seja aplicado 
04(quatro) dedos acima do ferimento. 
 
Imagem do torniquete Combat Application Tourniquet (CAT) Gen 7 
 
Fonte: Site Deployed 
Medicine2 2 Disponível em: . Acesso em 
22 jun. 2023. 
 
Em nenhuma hipótese o torniquete deve ser aplicado sobre articulações/regiões 
juncionais. 
 
APLICAÇÃO DO TORNIQUETE 
 
1- Torniquete Emergencial (Alto e Apertado) 
 
O torniquete emergencial é o principal procedimento no atendimento pré- hospitalar 
aplicado na fase de cuidado sob confronto armado. Por essa razão, didaticamente 
deixamos sua descrição e explicação no capítulo anterior desta obra. Para maior 
aprofundamento, sugerimos o retorno à leitura do tópico no capítulo de cuidados sob confronto 
armado. 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
23 
Nesta fase, cabe ao operador de APH-Tático, checar se a aplicação já realizada está 
correta e cumpriu seu objetivo, ou seja, controlou a hemorragia. Caso não esteja correta, o 
operador deverá aplicar torção adicional na haste do torniquete ou recomeçar sua aplicação, 
quando possível, podendo ser inclusive, necessário a aplicação de um segundo torniquete, 
lado a lado, com as hastes desalinhadas. Nesta fase de cuidados, o operador deve se lembrar 
de anotar o horário em que foi realizado o procedimento, no local apropriado do torniquete, 
podendo ainda em último caso anotar no próprio corpo do ferido. 
 
2 - Torniquete Controlado 
 
Para a aplicação do torniquete controlado, o operador de APH-Tático seguirá a 
seguinte sequência após localizado o membro ferido ou suspeito de assim estar: 
 
➢ Inicialmente o operador de APH-Tático deve cortar a vestimenta do ferido e buscar 
pela ferida com sangramento maciço; 
➢ Encontrado o ferimento, mensurar um intervalo de 05 a 07 cm, cerca de 04(quatro) 
dedos acima da ferida, de forma proximal, entendendo como “proximal”, em 
direção ao tronco do ferido. 
 
ATENÇÃO: Uma vez aplicado o torniquete emergencial, este não deve ser afrouxado 
ou retirado pelo operador de APH-Tático nível básico. 
 
CONTENÇÃO DE SANGRAMENTO MACIÇO EM REGIÕES JUNCIONAIS 
 
A contenção de sangramento maciço em regiões juncionais (axilas, ombros, pescoço e 
região do quadril) será realizada com gaze para preenchimento de feridas, seguida depressão 
direta sobre os vasos lesionados. Não pode ser aplicado em regiões que possuem cavidade 
natural, tais como tórax, abdômen e crânio, pois nas duas primeiras não seria eficiente por não 
atingir os vasos lesionados e no crânio geraria danos à sua estrutura interna. 
 
GAZE PARA PREENCHIMENTO DE FERIDAS 
 
A fim de preencher o ferimento para controlar sangramento maciço é possível a 
utilização de materiais estéreis e não elásticos impregnados ou não com agentes coagulantes, 
sendo recomendado o uso de produtos desenvolvidos para esta finalidade. 
 
Os materiais sem agentes hemostáticos atuam de forma mecânica, fazendo um 
bloqueio para o fluxo de sangue no ferimento, diminuindo assim a intensidade e concentrando 
as plaquetas num local mais próximo à lesão, auxiliando na formação do coágulo. Ex.: gaze de 
metro(gaze tipo “queijo”, gaze de rolo e etc.) (TJARDES e LUECKING,2018). 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
24 
Os materiais com agentes hemostáticos (coagulantes) além de também atuarem de 
forma mecânica, visam a diminuir o tempo de formação do coágulo, favorecendo um processo 
de coagulação mais rápido. A ação pode ser química, acelerando o processo da cadeia de 
formação do coágulo (caolin), ou física, intensificando a barreira mecânica que se molda ao 
ferimento e obstruindo o fluxo de sangue por tamponamento (quitosana). (TJARDES e 
LUECKING,2018) 
 
Gaze hemostática Combat Gauze (CG) Z-Fold (QuikClot Combat Gauze) 
 
 
Fonte: Site Deployed 
Medicine5 5 Disponível em: . Acesso em 
22 jun. 2023. 
Gaze hemostática Celox Gauze, Z-Fold 5' 
 
 
Fonte: Site Deployed 
Medicine6 6 Disponível em: . Acesso em 
22 jun. 2023. 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
25 
TÉCNICA DE EMPREGO DA GAZE DE PREENCHIMENTO 
 
Ao localizar o ferimento, após a varredura, o operador de APH- Tático deverá: 
 
a) O preenchimento deve ser executado inicialmente visando a direção do coração; 
b) Continuará preencher o ferimento com a gaze, mas sem perder a pressão 
sobre o material; 
c) O preenchimento deve ocupar toda cavidade da lesão; 
d) Após preencher toda a cavidade da lesão e sem remover a pressão colocada 
inicialmente, deve-se juntar a sobra de material e acumular sobre o ferimento 
mantendo a pressão no local entre 01 a 10 minutos a depender do material 
utilizado. Gazes com agente hemostático, conforme orientação dos seus 
respectivos fabricantes, podem conter sangramentos em um tempo que varia de 
01 a 03 minutos; já as sem o hemostático, necessitarão de cerca de 10 minutos 
de pressão direta. 
 
EMPACOTAMENTO 
 
Após a realização do preenchimento com controle efetivo da hemorragia, deve-se 
proteger e manter a gaze sob pressão utilizada no local, fazendo uso de material como as 
bandagens táticas, ataduras elásticas ou ataduras convencionais para manter a ferida 
empacotada. Bandagem tática é o material mais adequado, pois conta com dispositivos que 
proporcionam pressão sobre o ferimento e rápida finalização, devendo ser a opção preferível 
ao operador na montagem do kit individual. 
 
Bandagem do modelo Emergency Bandage (Israeli bandage) 
 
 
 
Fonte: Site Deployed 
Medicine8 8 Disponível em: . Acesso em 
22 jun. 2023. 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO –CEFS 
26 
 
 
A – CONTROLE DAS VIAS AÉREAS 
 
INSPEÇÃO DAS VIAS AÉREAS 
 
 
Você sabia que após a abertura das vias aéreas deve-se 
inspecionar a boca do ferido para verificar se há algo obstruindo a 
passagem? 
 
 
 
Secreções como vômitos, muco ou sangue, corpos estranhos como comida, sujeira, 
gomas de mascar, assim como dentes e peças bucais deslocadas, podem bloquear a via aérea 
superior do ferido. Após o controle de hemorragias maciças o operador de APH-Tático deve 
estabelecer e manter as vias aéreas pérvias. O nível de intervenção será de acordo com o grau 
de habilitação do operador socorrista, nível de consciência, integridade anatômica e funcional 
das vias aéreas e a situação dentro do campo tático. 
 
Importante salientar que não se deve realizar intervenção em vias aéreas se o paciente 
estiver consciente e respirando satisfatoriamente. 
 
Se o ferido estiver consciente e capaz de seguir comandos, deixe que ele encontre 
uma posição de conforto, seja ela sentado ou deitado. Não se deve forçá-lo a assumir uma 
posição desconfortável. (NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL 
TECHNICIANS, 2019) 
 
ELEVAÇÃO DE QUEIXO E /OU TRAÇÃO MANDIBULAR 
 
O esforço inicial do operador de APH-Tático deve ser voltado para a abertura e 
manutenção das vias aéreas através das manobras clínicas emergenciais de elevação de 
queixo ou realização da tração mandibular. 
 
A manobra de elevação do queixo é usada para liberar as vias aéreas obstruídas 
em pacientes que estão respirando espontaneamente. O queixo e os incisivos inferiores 
são segurados e então puxados para cima. (NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL 
TECHNICIANS, 2019) 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
27 
 
APLICAÇÃO DA CÂNULA NASOFARÍNGEA 
 
A cânula nasofaríngea é um dispositivo destinado a manter pérvia a via aérea 
superior evitando que a queda da língua obstrua a passagem de ar pela faringe. (NATIONAL 
ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, 2019) 
 
Cânula Nasofaríngea 
 
 
Fonte: Site Deployed Medicine11 
 
11 Disponível em: . 
Acesso em 22 jun. 2023. 
 
A cânula nasofaríngea deve ser aplicada sempre que o ferido estiver inconsciente ou 
com alteração do estado mental, ou ainda se o ferido tiver que permanecer sem supervisão. 
Após sua aplicação, ela pode ser mantida até que chegue ao ambiente hospitalar. Este 
dispositivo tem a vantagem de ser mais bem aceito do que a cânula orofaríngea (também 
denominada cânula de Guedel), não gerando estímulo de vômito caso o ferido recupere a 
consciência. 
 
A cânula nasofaríngea deve ser aplicada com utilização de lubrificante acessível 
(lubrificante aquoso, ou na ausência, sangue, saliva, etc) antes de inseri-la. Este passo facilita 
a introdução do dispositivo e reduz a chance de traumatizar a via aérea do paciente. 
 
As principais contra indicações para a aplicação da cânula nasofaríngea são fraturas 
de base de crânio ou traumas maxilofaciais graves. Na prática não é indicada a aplicação da 
cânula nasofaríngea em lesões de face acima do ângulo da mandíbula. (NATIONAL 
ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, 2019) 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
28 
O procedimento para introdução da cânula nasofaríngea: 
 
a) Lubrificá-la com lubrificante disponível, antes da inserção; 
b) Inseri-la na narina em direção perpendicular (ângulode90º) com a face em 
direção à orelha. Evitar dirigir a cânula para cima em direção ao topo da 
cabeça; 
c) Inseri-la até o flange da cânula; 
d) Senão for possível inserir a cânula em uma narina, retire-a e insira na outra 
narina; 
e) Verifique a passagem de ar e o posicionamento da cânula através de escuta e 
sensação da passagem de ar; 
f) Se o ferido apresentar espasmo de tosse, isto pode ser um sinal de que a 
extremidade da cânula está em contato com a epiglote e deve ser levemente 
retraída até que a tosse cesse; 
g) Após certificar-se do correto posicionamento a cânula deverá ser fixada. 
 
 
R - MANUTENÇÃO DA RESPIRAÇÃO 
 
 
Você já parou para pensar que ferimentos no tórax podem 
resultar em um pneumotórax aberto quando o orifício é grande o 
suficiente para não fechar ao menos parcialmente a ferida 
durante a inspiração/expiração? 
 
 
Pois é, isto leva a entrada podendo dificultar a saída de ar pelo ferimento dependendo 
do tamanho do orifício, causando dificuldade para a respiração. Em feridas maiores pode haver 
um ruído audível (sibilos) quando o ar passa pela parede torácica, sendo chamada de ferida 
torácica" aspirativa ou soprante”. (NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL 
TECHNICIANS, 2019). 
 
Os pacientes com ferimento no tórax geralmente apresentam desconforto respiratório, 
estando tipicamente ansiosos e taquipneicos(respirando rapidamente).Geralmente o pulso está 
fraco e com a frequência cardíaca elevada. (NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY 
MEDICAL TECHNICIANS, 2019). 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
29 
Todos os ferimentos torácicos abertos devem ser abordados, devendo o operador de 
APH-Tático remover o colete balístico do ferido e efetuar uma busca por ferimentos no tórax 
com mãos em forma de garras, utilizada principalmente em situações de baixa luminosidade 
(NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, 2019). 
 
A conduta inicial para o tratamento do pneumotórax aberto envolve a oclusão da 
abertura na parede torácica. A passagem de ar pelo ferimento pode ser evitada pela aplicação 
de um selo de Tórax. Existem diversos modelos de dispositivos oclusivos comerciais, válvula 
dos ou não-valvulados. Recomenda-se a utilização de selos válvula dos devido ao risco de 
evolução para pneumotórax hipertensivo. (NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY 
MEDICAL TECHNICIANS, 2019). 
 
Selo de tórax modelo SAM Chest Seal® 
 
 
 
Fonte: Site Deployed Medicine16 
16 Disponível em: . Acesso 
em 22 jun. 2023. 
 
 
Selo de tórax modelo Hyfin Chest Seal® 
 
 
 
Fonte: Site Deployed Medicine17 
17 Disponível em: . Acesso em 
22 jun. 2023. 
 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
30 
 
 
C - MANUTENÇÃO DA CIRCULAÇÃO E AVALIAÇÃO DO CHOQUE 
 
Caro Policial, você sabe o que é choque hemorrágico? 
 
 
 
O choque hemorrágico é a falta generalizada de perfusão tecidual resultante da perda 
de sangue, causando, assim, a hipóxia (falta de oxigenação) celular, levando ao metabolismo 
anaeróbico e diminuição da produção de energia celular. Estes efeitos, por sua vez, podem 
conduzir a uma disfunção metabólica generalizada e à morte. Esta é a causa mais comum de 
morte potencialmente evitável no campo tático. (KRAGH et al.,2008). 
 
Podemos destacar que os sinais clínicos indicativos e mais úteis para o operador de 
APH-Tático identificar o choque hemorrágico no ambiente tático são: 
 
• Perfusão capilar digital que leve mais de 02 segundos para retorno à coloração 
normal. Esse achado é observado ao comprimir a polpa do dedo contra a unha até 
esta ficar branca e libertar a pressão. Essa técnica somente deve ser aplicada 
na mão de membros superiores que não tenha o torniquete aplicado; 
• Pulsação radial com frequência maior que 100 vezes por minuto e/ ou 
imperceptíveis. Essa técnica somente deve ser aplicada na mão de membros 
superiores que não tenha o torniquete aplicado; 
• Níveis de consciência comprometidos (confuso ou sonolento -excluindo-se os 
efeitos do traumatismo craniano ou administração de medicamentos). 
 
Quando identificados conjuntamente, os feridos nessa condição têm prioridade de 
atendimento e evacuação em relação a os que não apresentem estes sinais. Sendo assim, é o 
critério objetivo para indicar a gravidade do quadro, classificando o ferido em estado graveindicando que houve sangramento importante, anotando risco de morte, e a necessidade de 
chegada a uma instalação médica adequada de forma emergencial. 
 
Na fase denominada atendimento em campo tático, as ações de controle de 
hemorragias maciças realizadas ainda no início do atendimento devem ser reavaliadas. 
Torniquetes podem se soltar durante o arrasto de feridos, mesmo após colocação correta 
inicial, além de frequentemente necessitar de novos apertos adicionais da haste, devido ao seu 
ajuste junto ao tecido. 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
31 
LIMPEZA DEFERIMENTO E CONTROLE DE SANGRAMENTO NÃO 
MACIÇO 
 
As gazes comuns podem ser utilizadas no APH-Tático para a limpeza de pequenos 
ferimentos e no auxílio da compressão de ferimentos com sangramentos não maciços. 
 
 
 
 
 
 
 
H - PREVENÇÃO DA HIPOTERMIA 
 
REALIZAÇÃO DE TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS PARA EVITAR PERDA 
DE CALOR CORPORAL 
 
A perda de calor corpóreo, pode levar oferido à hipotermia, que é a diminuição da 
temperatura corporal. Somada a outros acometimentos, esse processo poderá comprometer a 
qualidade da coagulação sanguínea. (LEGOME e SHOCKLEY,2011) 
 
A temperatura corporal do ferido deve ser mantida e para isso deve-se retirar todo e 
qualquer material (vestes e equipamentos) que estejam molhados ou embebidos em sangue, 
uma vez que líquidos são potencializadores da perda de calor corpóreo. Outra atitude 
primordial é evitar o contato com objetos “frios”, com os pisos cerâmicos e metais. Dentro dos 
equipamentos, o colete balístico merece atenção especial no julgamento sobre sua retirada ou 
não, levando em consideração o contexto tático. 
 
Outro ponto importante para evitar a perda de calor por convecção é minimizar o 
esfriamento do ar, desligando aparelhos de ar-condicionado, ventiladores e fechando as 
janelas das viaturas ou meios de transporte, devendo-se, inclusive, utilizar o aquecimento do ar 
sempre que possível. 
 
No intuito de minimizar a perda de calor, podemos lançar mão da utilização de 
materiais aplicáveis em ambiente tático, como manta térmica e fontes externas de calor 
artificiais e instantâneas, como veremos a seguir. 
 
APLICAÇÃO DA MANTA ALUMINIZADA 
 
O operador de APH-Tático poderá utilizar meios acessórios para a manutenção da 
temperatura como a manta para criar um invólucro do tronco e recobrimento da cabeça do 
ferido, minimizando a sua perda de calor. 
 
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32 
APLICAÇÃO DE FONTE DE CALOR INSTANTÂNEO 
 
Fontes externas de calor instantâneo podem ser colocadas sobre áreas específicas do 
corpo do ferido para elevar a temperatura corporal. Existem produtos que geram calor por meio 
de reação química, com o bolsas emantas de calor instantâneo. Estas áreas são ponto sem 
que selo calizam importantes vasos sanguíneo os e consequentemente a passagem de grande 
fluxo de sangue. Assim, estaremos aquecendo o sangue e este será distribuído a todo o corpo 
do ferido de forma aquecida. Os locais prioritários em que se deve colocar as fontes de calor 
são axilas, tórax e virilhas. 
 
3ª FASE - ATENDIMENTO EM EVACUAÇÃO TÁTICA 
 
MÉTODOS DE TRANSPORTE DE FERIDOS 
 
Caro Policial, o transporte do ferido é muitas vezes o aspecto mais problemático do 
atendimento tático. O transporte inicial é complexo devido a vários fatores. Dentre eles 
destacam-se o equipamento limitado, geografia do local, pessoal disponível e o risco de lesões 
adicionais devido a fogo hostil. São realizados por intermédio de métodos eficazes: 
 
MÉTODO BOMBEIRO 
 
 
 
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MÉTODO MOCHILA 
 
 
 
 
MÉTODO CADEIRA 
 
 
 
MÉTODO SEALS 
 
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MÉTODO COM MACA TÁTICA OU CESTA ALPINA 
 
 
 
Caro policial, todos os métodos mencionados acima precisam ser aplicados levando 
em consideração cada tipo de ferimento apresentado no cenário tático, com base no ferimento 
será utilizado um método ideal para que não agrave o quadro clínico da vítima. Após a fase de 
atendimento em campo tático, inicia-se a fase de evacuação tática. Deve ser feito o transporte 
de feridos do abrigo provisório a um abrigo em que se consiga ficar até a chegada de apoio. 
 
O ferido deverá ser embarcado em uma viatura para o transporte à unidade hospitalar, 
procedimento chamado de evacuação tática. Em ambiente tático temos 02 (dois) tipos de 
evacuação: CASEVAC e MEDEVAC. 
 
O CASEVAC (Casualty Evacuation) consiste na extração da vítima utilizando viaturas 
com armamento defensivo ou veículos inapropriados para transporte de feridos. Veículos não 
projetados especificamente para esse fim. O ferido pode ou não receber tratamento básico 
durante a evacuação. 
 
O MEDEVAC (Medical Evacuation) consiste na extração da vítima utilizando aeronaves 
ou outros veículos próprios (Ambulâncias e Veículo Blindado de Operações de Resgate – 
VBOR) para este fim. Veículos com equipe médica com equipamentos dedicados ao socorro, 
sendo a continuidade do tratamento da vítima de forma especializada (médico/enfermeiro). 
 
Durante a evacuação tática, teremos o transporte do primeiro abrigo temporário, após a 
realização do primeiro atendimento inicial, até o abrigo onde se passará maior tempo (seja 
aguardando apoio ou alguma mudança do cenário de confronto) ou até a viatura. É 
fundamental que durante todos esses tempos o ferido seja constantemente reavaliado, sendo 
verificado o que já foi feito e se existem novos achados clínicos, sendo uma boa ideia manter 
contato verbal como ferido. 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
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Através de estudos e experiências dos policiais no cenário tático do Rio de Janeiro. O 
Grupamento especial de Salvamento e Ações de Resgate através da sua Seção de Instrução 
Especializada desenvolveu uma Técnica de EMBARQUE E DESEMBARQUE DE VÍTIMAS EM 
VEÍCULOS. 
 
 
 
 
 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
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regular a atuação das classes profissionais, a capacitação, os procedimentos envolvidos 
e as situações previstas para a atividade. Brasília, 2018. Disponível em: 
https://mdlegis.defesa.gov.br/norma_pdf/?NUM=16&ANO=2018&SER=A. Acesso em: 22 out. 
2022. 
 
3. BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Portaria Conjunta 
SENASP/SEOPI/SEGEN nº 20, de 3 de agosto de 2022. Aprova o Nível Básico de 
Atendimento Pré-Hospitalar Tático para profissionais de Segurança Pública, em 
complementação às disposições da Diretriz Nacional de APH-Tático. Brasília, 2022 
Disponível em: https://dspace.mj.gov.br/handle/1/7417. Acesso em: 22 out. 2022. 
 
4. BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Portaria Nº 98, de 1º de julho de 
2022. Cria a Diretriz Nacional de Atendimento Pré-Hospitalar Tático para Profissionais de 
Segurança Pública - APH-Tático. Brasília, 2022. Disponível em: 
https://dspace.mj.gov.br/handle/1/7758. Acesso em: 22 out. 2022. 
 
5. BUTLER, Frank K.; HAGMANN, John; BUTLER, E. George. Tactical 
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alse. Acesso em: 22 out. 2022. 
 
6. NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS (U.S.). 
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7. PINTO, Pedro Pinheiro Doria, SANTANA, Yago Rhaynan Rodrigues Amorim e SANTOS, 
Rodrigo Batista. Manual de Resgate e Atendimento Pré-Hospitalar Tático. PMBA- Salvador; 
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8. POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.PORTARIA No. 98 DE 01 
DE JULHO DE 2022. Cria a Diretriz Nacional de Atendimento Pré Hospitalar Tático para 
Profissionais de Segurança Pública - APH-Tático. BOL PMERJ 119, datado de 04 de julho 
de 2022. 
 
9. POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Adequação dos materiais 
contidos nos kits de atendimento pré-hospitalar. BOL PMERJ 049, datado de 18 de março 
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10. POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Plano Estratégico da 
Secretaria de Estado da Polícia Militar (SEPM) 2020-2024. Rio de Janeiro. 
http://warfare.com.br/wtm/edicao-105/aph-tatico.html.Acesso 31 mai 2022. 
www.editoracientifica.com.br. 
 
 
11. ESTÁGIO DE SOCORRISTA TÁTICO – PROJETO INSTITUCIONAL DE 
CAPACITAÇÃO PARA REDUÇÃO DA VITIMIZAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE 
SEGURANÇA PÚBLICA. O cuidado em saúde baseado em evidências - ISBN 978-65-
5360-315-8 - Vol. 1 - Ano 2023 - Editora Científica Digital. 
http://warfare.com.br/wtm/edicao-105/aph-tatico.html.Acesso%2031%20mai%202022
http://www.editoracientifica.com.br./

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