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ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 0 ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 1 AUTORIDADES Governador do Estado do Rio de Janeiro Exmº. Sr. Cláudio Bomfim de Castro e Silva Secretário de Estado de Polícia Militar Exmº. Sr. Coronel PM Luiz Henrique Marinho Pires Subsecretário de Estado de Polícia Militar Ilmº. Sr. Coronel PM Carlos Eduardo Sarmento da Costa Diretor-Geral de Ensino e Instrução Ilmº. Sr. Coronel PM Marcelo André Teixeira da Silva Comandante do CFAP 31 de Voluntários Ilmª. Sra. Coronel PM Simone Duque Romeu Comandante do Centro de Educação a Distância da Polícia Militar Ilmº. Sr. Tenente-Coronel PM Alexandre Moreira Soares ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 2 APRESENTAÇÃO Prezados alunos, ao longo de sua carreira e de atuação enquanto agente de segurança pública, o Policial Militar tem a oportunidade de colocar em prática seus conhecimentos profissionais. Deste modo, o Curso Especial de Formação de Sargentos - CEFS é um curso de aperfeiçoamento profissional do Praça Policial Militar, tendo em vista que o Sargento PM possui uma posição específica e responsabilidades próprias que deverão ser observadas no exercício de sua função. Nesta direção, sendo o Policial Militar elemento fundamental na execução da política de segurança pública do nosso Estado, o CEFS apresenta-se como um momento interessante para a retomada da sua qualificação, agora podendo compartilhar e aperfeiçoar sua experiência profissional ao longo dos anos de atução policial na corporação. Não obstante, sendo o CEFS na modalidade de ensino a distância, o Sgt PM consegue usufruir da flexibilidade oferecida por essa modalidade, podendo adequar sua rotina ao cronograma do curso. Assim, é fundamental o seu empenho, prezado aluno, pois na modalidade de ensino a distância, será necessário disciplina e dedicação para o êxito dessa jornada, pois alcançar o sucesso depende do seu esforço individual. Convém destacar que na era da informação e da tecnologia, é necessário aprimoramento constante a fim de garantir uma tropa consciente, respeitosa, pautada em valores morais e institucionais, permitindo assim o cumprimento de suas funções com dignidade e excelência. Esperamos que nossos policiais sejam cada vez mais qualificados, bem treinados e especializados, para cumprirmos nossa missão, buscando cada vez mais a excelência de nossas ações. Por fim, desejamos que você aproveite ao máximo os conhecimentos construídos ao longo do curso e busque uma reflexão acerca de suas funções diante da sociedade e seus companheiros de profissão e seu papel e lugar estratégico dentro da estrutura hierárquica da Secretaria de Estado de Polícia Militar. Que seja um momento de repensar as práticas e fortalecer seu vínculo profissional, ampliando cada vez mais seus conhecimentos para lidar com as particularidades de ser um Policial Militar no Estado do Rio de Janeiro. Bons estudos! Marcelo André Teixeira da Silva – Coronel PM Diretor-Geral de Ensino e Instrução Simone Duque Romeu – Coronel PM Comandante do CFAP ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 3 DESENVOLVEDORES CFAP Supervisão e Coordenação pedagógica CAP PM Ped Priscila Medeiros Moura de Lima CB PM Cíntia Andrade de Araújo CB PM Fernanda Belísio Oliveira dos Santos CB PM Layla Simões da Silva CB PM Eduarda Vasconcellos Dias de Oliveira Conteudistas MAJ PM Enf. Vanessa de Freitas Marçolla CAP PM Enf. Felipe Brumana Lopes SUBTEN PM Alexandro Marçal Gomes 3º SGT PM Luiz Fernandes Dias Júnior 3º SGT PM Thiago de Oliveira Duarte da Silva França CB PM Alex Moreira Alves CB PM Thiago Barros Sessa CEADPM Supervisão Geral EAD TEN CEL PM Rodrigo Fernandes Ferreira Equipe Técnica SUBTEN PM Willian Jardim de Souza 1º SGT PM Edson dos Santos Vasconcelos CB PM Lucas Almeida de Oliveira CB PM Diogo Ramalho Pereira Diagramação 1º SGT PM Alan dos Santos Oliveira SD PM Daniel Moreira de Azevedo Júnior SD PM Alexandre Leite da Silva SD PM David Wilson Côrtes da Silva Design Instrucional CAP PM Ped Vânia Pereira Matos da Silva Designer Gráfico SD PM Alexandre Leite da Silva Filmagem e Edição de Vídeo CB PM Renan Campos Barbosa SD PM Alexandre dos Reis Bispo Suporte ao Aluno 3º SGT PM Tainá Pereira de Pereira ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 4 SUMÁRIO CONTEXTO HISTÓRICO E AMPARO LEGAL DO APH- TÁTICO ........................................................................ 5 1ª FASE - ATENDIMENTO SOB CONFRONTO ARMADO ......................................................................................... 16 2ª FASE – ATENDIMENTO EM CAMPO TÁTICO ...................................................................................................... 21 3ª FASE - ATENDIMENTO EM EVACUAÇÃO TÁTICA ............................................................................................. 32 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................................................ 36 ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 5 CONTEXTO HISTÓRICO E AMPARO LEGAL DO APH- TÁTICO Caro Policial, considerando a possibilidade de haver confronto com marginais da lei e diversos elementos de risco a integridade física e mental do policial, tais como: estresse, esgotamento físico, injustas agressões por parte de criminosos, exposição às intempéries da natureza e, sobretudo, exposição ao perigo nas missões que executa, em razão da potencial ameaça a vida do policial diante de possíveis confrontos com grupos criminosos, conclui-se que, entre outros conhecimentos é crucial que este operador seja capacitado e qualificado a resgatar um ferido/atingido. Assim deve ser capaz de promover correta evacuação de feridos, a fim de maximizar a sobrevida e minimizar as sequelas dos ferimentos oriundos de ambientes adversos, durante as ações que fazem parte do cotidiano policial. Não obstante os frequentes acidentes que vitimizam não apenas policiais, como parte da população todos os dias, o Pronto Socorro imediato pode ser a centelha de esperança que garantirá a vida do cidadão. ORIGEM E EVOLUÇÃO Reduzir a vitimização policial, que constatou que em 23 anos, entre 1994 e 2016, a PMERJ teve 3.234 mortos e 14.452 feridos, por causas não naturais, totalizando 17.686 baixas, considerando um efetivo de 90.000 homens que serviram na Corporação. Ressalte-se, ainda, que, segundo essa análise, foi mais arriscado estar na PMERJ nos últimos 23 anos do que servindo na FEB ou nas forças armadas norte-americanas em qualquer guerra do século XX, incluindo as I e II Guerras Mundiais. Como exemplos extremos, a chance de ser ferido aqui foi mais de setecentos e sessenta e cinco vezes (765,07) superior à de estando na Guerra do Golfo Pérsico (Kuwait), e a de ser morto foi mais de três vezes (3,77) a de estando na Guerra da Coréia, e três vezes (3,67) a de ter servido na Guerra do Vietnã. ADEQUAÇÃO PARA O USO NA SEGURANÇA PÚBLICA Toda atuação dos profissionais de Segurança Pública perante a sociedade exige uma forma sistematizada que envolve todo planejamento estratégico diante das ações pedagógicas criativas e dinâmicas. Possibilitando a construção de competências com foco nas abordagens cruciais existentes no ambiente de trabalho. ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 6 Você sabia que a história deste grupamento, se inicia em 20 de fevereiro de 1995, quando o então 1º Ten Médico Abouch Krimchantowski, numa ação pioneira, corajosa, inovadora, pautada na visão de futuro e na expertise em pronto socorrismo tático adquirida no Brasil e nos EUA, cria um grupamento de policiais militares do quadro de combatentes no BOPE, com alguns conhecimentosem enfermagem, designado como GPAO-RS (Grupamento de Paramédicos de Apoio Operacional - Resgate e Salvamento), com o objetivo de dar apoio às operações policiais militares, prestando um primeiro socorro ao policial vitimado ainda na cena da operação, com remoção imediata do mesmo ao hospital mais próximo, proporcionando maior possibilidade de êxito no atendimento aumentando as chances de salvamento, pois sabemos que nestas situações, minutos podem fazer a diferença entre a vida e a morte. Em 1997, o então Capitão PM André Vidal assume o comando do grupamento e amplia sua atuação na Corporação em tamanho e complexidade, passando a apoiar a PMERJ em diversas situações distintas. O GPAO-RS ganha um curso formal de Pronto Socorristas (o primeiro de vários) com carga horária e treinamento muito intensos, compatíveis com os demais cursos especiais da corporação e incorpora atendimentos e apoio a cursos, solenidades, atividades e teste físicos, treinamentos operacionais, manifestações, presença nos estádios de futebol, sepultamentos, além de apoiar operações policiais e onde mais a presença dos paramédicos se fizesse necessária, passando também a contribuir e compor com os hospitais da corporação na realização de transporte de pacientes, com suas viaturas próprias, quando os hospitais não tivessem condições de realizar tais remoções. Em 1996, para se adequar às normas e legislação vigentes em nosso País, o GPAO- RS passa a se chamar GESAR, pois a terminologia paramédico e consequentemente a atuação profissional destes, ainda não é reconhecida no Brasil. Sendo assim, seguindo um padrão internacional de nomenclatura, onde a sigla “SAR” é usada para designar os grupos que fazem resgate e salvamento em todo o mundo, a exemplo do Para-SAR da FAB, o GPAO- RS muda sua denominação para GESAR (Grupamento Especial de Salvamento e Ações de Resgate). ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 7 Em 2011, vivemos o momento mais triste de nossa história recente, pois o GESAR foi desconstruído, com seu efetivo tendo sido desmembrado, além da perda de vários socorristas para outras unidades da corporação e para a Força Nacional. Destes grupos, um foi destacado para compor o grupamento de paramédicos de combate do BOPE e o outro grupo, para compor o GRH (Grupamento de Remoção Hospitalar). Desta forma, o antes independente GESAR, diretamente subordinado a DGS, passa a ser denominado GRH, subordinado ao HCPM e com a função de realizar apenas remoções hospitalares. No entanto, o GRH permaneceu sendo solicitado por todas as Unidades da PMERJ, para realizar as mesmas funções que realizava em sua época de GESAR, deixando de cumprir muitas destas solicitações, pois contava com menos da metade de seu efetivo original, além da grande depreciação das suas bases, das ambulâncias e grave redução do quantitativo destas viaturas em condições de utilização, sem vislumbre de renovação da frota. Ademais, a ideia e a concepção restrita de "remoção hospitalar" mostrou- se muito aquém da demanda que a corporação exigia do grupamento, quando as atribuições e capacitação estavam muito além da simples "remoção hospitalar". Em 25 de Setembro de 2014, assume o comando do GRH o Major Médico Eduardo Nogueira, sendo o Grupamento repensado e reestruturado, visando atender de forma completa todas as demandas relacionadas a atendimento pré-hospitalar da corporação, adequando-se a formação e a legislação brasileira que determinam o funcionamento de qualquer sistema de atendimento pré-hospitalar do país. Em 30/12/2015 o Grupamento foi refundado como GAPH (Grupamento de Ações Pré-Hospitalares), nome identificado com a atividade que realizávamos e com as normais legais vigentes à época. Finalmente, após vivermos a expectativa de termos nosso Grupamento reconhecido como unidade de Saúde Operacional independente, condição compatível com nossa complexidade e as funções nas quais somos diariamente demandados, em 16 de novembro de 2017, foi criada pela Resolução SESEG nº 1126, a Unidade de Apoio de Saúde GAPH, como o braço operacional da Saúde. Entretanto, o GAPH, que alcançou o objetivo há muito ansiado por todos através da criação e legitimação da nossa Unidade de Saúde, ainda não atendia plenamente à todas as demandas da PMERJ, tais como o apoio às operações policiais no cenário de combate e as Instruções (Estágios e Cursos). E para que esta conquista fosse concretizada, faltavam ainda o restabelecimento e melhorias da nossa área na Base Choque e na Base CFAP, a recomposição do efetivo, a aquisição de ambulâncias novas, equipamentos médicos e de instrução, pintura da fachada, a nossa heráldica completa e o retorno do nome GESAR (Grupamento Especial de Salvamento e Ações de Resgate), o qual resume tudo isso. ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 8 Assim, em 16 de novembro de 2018, O Gabinete de Intervenção Federal publicou a mudança da nossa denominação de volta para GESAR, resgatando nossa identidade, durante o Comando da Ten Cel PM Méd Myrian Broitman Santos Barros, sendo o reinício para as mudanças tão almejadas. No final do ano de 2018 foi efetivada no Plano Anual de Ensino da Diretoria Geral de Ensino da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro a criação do Estágio de Socorrista Tático que a partir do ano de 2019 tornou-se referência em todo o Brasil, seguindo os protocolos mundiais utilizados para Medicina de Guerra e a Legislação do Ministério da Defesa brasileiro, adequando-se ao combate diuturno contra a criminalidade no Estado do Rio de Janeiro, capacitando multiplicadores de conhecimento em APH Tático, contribuindo diretamente para a redução da mortalidade do Policial Militar em 60%. Em face da preocupação do Comando da Corporação com o aumento do número de baixa de policiais em combate. Este grupamento recebeu a incumbência de Capacitar e treinar os policiais das Tropas Convencionais e Operacionais para o atendimento pré-hospitalar tático nos inúmeros cenários de confrontos urbanos. Nesse passo, o GESAR padronizou os Kits APH em 3 níveis, reestruturou administrativa e operacionalmente todo o Grupamento, compondo uma equipe forte de Oficiais de Saúde e Combatentes e Praças extremamente motivados. A chegada da nova frota de ambulâncias UTI e Básicas, de viaturas operacionais, a aquisição de equipamentos médicos e de resgate de alta complexidade, além de materiais de instrução de tecnologia avançada, tudo isso aliado às reformas físicas da Base Choque, além das melhorias para a Base CFAP, e principalmente a especialização, o treinamento e a profissionalização de toda a tropa em vários setores, mostra um novo GESAR completamente atualizado e cada vez mais atuante na sua missão de salvar vidas. Ressaltamos sempre que a força, a tenacidade, a perseverança, a união e a esperança da tropa foram sempre o grande diferencial, pois mesmo diante de todas as dificuldades e percalços, jamais desistimos de lutar pela Unidade que hoje, 25 anos após sua criação, tem a honra de fazer parte do Planejamento Estratégico da PMERJ para 2020-2024, com a implementação de nossas Bases Avançadas em Niterói, Baixada Fluminense e na Invernada dos Afonsos, já em curso, após 2 anos de acompanhamento dos estudos da Mancha Criminal (IspGEO) e da Comissão de Vitimização do Policial Militar. Desta forma, podemos afirmar que o GESAR, é uma Unidade estratégica dentro do contexto da Corporação, pois possui a característica de conjugar combatentes com profissionais da saúde da PMERJ, onde o branco da saúde, o azul da tropa e o laranja, cor universal do resgate, se unem na farda e em suas habilidades específicas para o resguardar o bem maior tutelado, que é a vida dos policiais militares. ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 9 A presença de uma ambulância com o símbolo da ESTRELA DA VIDA na retaguarda da tropa é o primeiro, e em muitas situações,o maior ativo que o quadro de saúde da PMERJ tem para oferecer nos momentos críticos vividos por nossos policiais. Essa presença e sensação de segurança originadas pelas ambulâncias e por nossos profissionais especializados são motivos de orgulho e elogios a esta importante e valorosa Unidade de Saúde da PMERJ. A estrutura hierárquica do GESAR é composta: Comandante, Subcomandante Administrativo, Subcomandante Operacional e a Seção de Instrução Especializada (SIEsp). Atualmente o GESAR tem sua Base Sede no Batalhão de Polícia de Choque e com quatro bases avançadas: Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças - CFAP, 20º BPM, 12º BPM e no Comando de Operações Especiais (COE). Todas as bases são distribuídas de forma estratégica para o desempenho do serviço na Corporação. Missões do GESAR: Operações Policiais; Ensino e Instrução; Apoio a Eventos; Transporte Inter-Hospitalar; Apoio a Cursos; Resgate e Diversos. Contando com mais de 10 ambulâncias para prestação de serviços a Secretaria de Estado de Polícia Militar (SEPM). Nesse contexto, a SEPM alinhada ao Plano de Redução de Letalidade bem como a ADPF 635, adquire, de forma inédita e inovadora no contexto das forças de segurança pública, os dois Veículos Blindados de Operações de Resgate (VBOR). São duas ambulâncias blindadas que podem ser configuradas como UTIs Móveis de forma a executar um resgate in loco, de forma segura, técnica, garantindo ao policial militar a assistência de saúde em tempo zero. Vale salientar que o período pré-hospitalar é o momento mais importante e crítico para cuidar de qualquer acidente de combate, a fim de evitar baixas que poderiam ser evitadas e reduzir a gravidade das lesões, onde o Socorrista promove intervenção direta e adequada nas feridas / lesões, antes da evacuação das vítimas até os locais de atendimento especializado. Olhando por dentro, as ambulâncias são semelhantes às UTIs móveis utilizados em resgates de acidentados ou em casos de mal súbito grave. Possuem todos os itens necessários para um atendimento de emergência de última geração. Externamente, as duas ambulâncias têm configuração semelhante aos novos veículos blindados de transporte de tropa que passaram a ser utilizados este ano pela Polícia Militar. São capazes de suportar impactos produzidos por armas de fogo de grosso calibre e de explosivos utilizados por criminosos. A entrega foi realizada pelo Secretário de Estado de Polícia Militar em 29/12/2022. A frota da Polícia Militar do Rio de Janeiro passa a contar com duas ambulâncias blindadas para resgatar policiais feridos em áreas conflagradas. A nossa equipe especializada do Grupamento Especial de Salvamento e Ações de Resgate (GESAR) já está pronta para atuar em apoio à tropa. Estamos agora aptos a prestar o primeiro socorro ao nosso policial no local do evento, em tempo praticamente zero. O atendimento rápido e adequado reduzirá muito o índice de letalidade e de lesões graves em nossa tropa e atende o plano do Supremo Tribunal Federal ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 10 na Ação de Descumprimento de preceito legal (ADPF 635) visando o controle de violações de direito humanos pelas forças de segurança fluminense que contenha medidas objetivas e cronogramas específicos para prover ambulância com equipe de saúde em todas as operações policiais. Nenhuma outra força de segurança que atue em áreas urbanas no mundo possui um veículo de resgate com essa configuração. Afim de, trazer uma sensação de conforto para a tropa operar e pode contar caso necessário, tenha qualquer intercorrências de pessoas feridas no confronto. O APH-T é o atendimento prestado por profissionais treinados e capacitados para prover os cuidados iniciais a vítima, de forma organizada e sistematizada, seguindo de transporte até o serviço de saúde para o tratamento definitivo. O socorro em ambiente tático consiste na avaliação da cena e a segurança de toda equipe, onde suas ações diferem do atendimento pré-hospitalar no cenário civil. Alguns fatores são determinantes no sucesso da missão, levando em consideração os extremos ambientais que vivenciamos durante o serviço policial e no atendimento direto a vítima nestes cenários. Por isso, a importância das boas práticas médicas com boas táticas, elencando o conhecimento de saúde baseado em evidências científicas e as práticas de técnicas operacionais aplicadas no terreno. A capacitação em APH-T tem como referências os Protocolos de Medicina de Guerra e os conflitos urbanos no âmbito nacional. Conforme o Amparo Legal e a Diretriz do APH-T. Portaria Conjunta SENASP/SEOPI/SEGEN nº 20, de 3 de agosto de 2022. Aprova o Nível Básico de Atendimento Pré-Hospitalar Tático para profissionais de Segurança Pública, em complementação às disposições da Diretriz Nacional de APH-Tático. Ministério da Justiça e Segurança Pública – MJSP, 2022. PORTARIA Nº 98, DE 01 DE JULHO DE 2022. Diário Oficial da União – Seção 1 – Nº 124 de 04 de Julho; Ministério da Justiça e Segurança Pública – MJSP; Brasília, DF. Art. 1º Fica criada a Diretriz Nacional de Atendimento Pré- Hospitalar Tático para Profissionais de Segurança Pública - APH-Tático. Parágrafo único. Esta Diretriz dispõe sobre a uniformização de procedimentos, equipamentos, instrumentos e insumos pré-hospitalares empregados na salvaguarda da vida dos profissionais de segurança pública feridos no exercício do cargo ou função, ou em razão desses, ausentes recursos regulares de suporte à vida e à saúde. Transcrita no BOL PM Nº 119, 04 DE JULHO 2022. Secretaria de Estado de Polícia Militar - SEPM. O resgate, competência exclusiva de policiais e bombeiros, é a retirada de vítimas dos “locais ou situações que impossibilitam o acesso da equipe de saúde” (BRASIL, 2006, p. 92). O resgate tático, contudo, é um gênero à parte dentro do hiperônimo “resgate”. A competência se diz tática por ocorrer em ambientes civis sujeitos a combate e ao uso diferenciado da força, o que exclui os bombeiros. Dessa forma, em tais cenários, os policiais, ou excepcionalmente os ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 11 militares das Forças Armadas escalados para missões de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), são únicos habilitados a atuar no resgate e socorro imediato às vítimas de violência, aos próprios agentes legais feridos em combate e, até mesmo, aos agressores neutralizados. No Ambiente tático-militar, na fase preliminar de avaliação da biossegurança: analisar a situação; identificar os níveis de ameaças; estabelecer rotas de acesso ou zona de reunião; aplicar as técnicas de ações imediatas; estabelecer os números de vítimas e comunicação com o escalão superior. Já na etapa de resgate, deve escolher a técnica de retirada de acordo com o ambiente operacional e realizar as técnicas de transportes de emergência. Por fim, na fase de atendimento propriamente dito, compete-lhe conter hemorragias, avaliar e desobstruir vias aéreas e estabilizar as lesões (BRASIL, 2018). Durante o Atendimento Tático de Campo, os policiais-socorristas põem em prática o mnemônico M.A.R.C.H. O Tactical Combat Casualty Care (TCCC), em tradução livre, seria o Atendimento às Vítimas de Combate Tático. A técnica diz respeito basicamente a condutas específicas, baseadas na situação de combate, de acordo com zonas de operação e com fases de atendimento (PHTLS, 2020). Diante das impossibilidades de manobras convencionais a serem aplicadas em cenários conflagrados, precisamos diferenciar ações das equipes de saúde que não atuarão sobre fogo hostil necessitando de manobras táticas considerando os extremos ambientais, os equipamentos limitados e os diferentes tipos de feridas. Houve a necessidade da Seção de Instrução Especializada (SIEsp) do GESAR desenvolver através de estudos e das experiências práticas vivenciadas pelos nossos policiais no terreno: o Procedimento OperacionalPadrão (P.O.P) – Arrastar, Tratar e Transportar (A.T.T.) que consiste em um conjunto de técnicas e procedimentos de Saúde Operacional fundamentado nas diversidades e particularidades dos Ambientes Táticos que são apresentados para o Atendimento Pré-Hospitalar quando há um Operador Ferido. O P.O.P - A.T.T. tem a finalidade de instrumentalizar os agentes de Segurança Pública na execução do atendimento pré-hospitalar policial, aprimorar a qualidade dos serviços oferecidos pelos socorristas táticos e minimizar a ocorrência de desvios na execução das tarefas, conforme publicação em BOL PM nº 234 de 21 de dezembro de 2022. ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 12 MONTAGEM E COMPOSIÇÃO DO KIT INDIVIDUAL DE APH-TÁTICO Você sabe o que significa a sigla IFAK? IFAK é uma sigla em inglês que quer dizer “Individual First Aid Kit” ou, em tradução livre, kit individual de primeiros socorros, no entanto, chamaremos para fins desta doutrina nacional de “kit individual de APH-Tático". O kit individual de APH-Tático Nível Básico deve conter algum tipo de sinalização (ex. cruz vermelha) que o identifique facilmente e que deve ser posicionado em local de fácil acesso pelo policial com qualquer uma das mãos. Se for conveniente à operacionalidade de cada força, é interessante que o equipamento esteja dentro do campo de visão do portador. Devido à sua importância, o torniquete deve ser mais facilmente acessível, podendo estar acondicionado em algum anexo da bolsa que contenha o kit, ou em local próprio, seguindo a mesma regra de estar com acesso fácil a ambas as mãos. Ainda que eventualmente o operador utilize seu kit individual de APH-Tático em outro ferido, por tratar-se de um Equipamento de Proteção Individual (EPI), seu uso é individual, devendo ser preservado para utilização em si mesmo por ele próprio ou por outro agente, conferindo a importância de que cada operador tenha o seu e composto com os materiais mínimos especificados para o Nível Básico. A padronização da localização e itens do kit de APH-Tático entre os membros da equipe é importante, pois permitirá que outro membro da unidade localize com maior facilidade os itens em caso de necessidade. A montagem do Kit Individual de APH-Tático dependerá do nível de treinamento do operador, assim como respeitar as características locais e operacionais. Dessa forma, entendemos que o kit individual de APH-Tático Nível Básico deverá conter minimamente os itens determinados pela Comissão de Padronização de Kits Pré-hospitalares e outros materiais e condutas específicas do GESAR, formada em 03 de agosto de 2018. O kit de atendimento pré-hospitalar policial deve ser pessoal e é classificado em 03 (três) níveis, a saber: 1. Nível Básico (Para Policiais Militares Convencionais, para uso no dia - a -dia): • 04 unidades de Luvas de Procedimento; • 01 Torniquete de Combate; • 01 Tesoura ponta romba; • Ataduras (3 unidades – tamanhos diversos); ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 13 • Gazes (4 pacotes); • Fita adesiva com 5 cm de largura; • (Bornau) Bolsa de equipamento de carga leve modular com cordão de retenção. 2. Nível Intermediário (Para Policiais Militares de Unidades Especializadas que tenham realizado treinamento de APH Tático): • 04 unidades de Luvas de Procedimento; • 01 Torniquete de Combate; • Manta Térmica; • 01 Gaze de combate (impregnada com agente hemostático); • 02 Israeli Bandages (Bandagens Israelenses); • 01 Curativo Oclusivo Valvulado; • 01 Tesoura ponta romba; • Ataduras (3 unidades – tamanhos diversos); • Gazes (4 pacotes); • Fita adesiva com 5 cm de largura; • Pequena Mochila Tática. 3. Nível Avançado (Grupamento de Ações Pré -Hospitalares): • 06 unidades de Luvas de Procedimento; • 01 Torniquete de Combate; • Manta Térmica; • 01 Gaze de combate (impregnada com agente hemostático); • 02 Israeli Bandages (Bandagens Israelenses); • 01 Curativo Oclusivo Valvulado; • 01 Tesoura ponta romba; • Ataduras (6 unidades – tamanhos diversos); • Gazes (10 pacotes); • Fita adesiva com 5 cm de largura; • Conjunto de Talas; • Mochila Tática. ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 14 ATENDIMENTO A PROFISSIONAIS DE SEGURANÇA PÚBLICO FERIDOS EM OCORRÊNCIAS O Atendimento Pré-Hospitalar Tático (APH-T) compreende o suporte o ferido em cenário de confronto armado, em que são aliados conhecimentos operacionais de conduta de táticas e as técnicas de atendimentos pré-hospitalares voltadas ao ambiente operacional, considerando a localização e gravidade das lesões sofridas em confronto. O APH-T é dividido em três principais fases: 1ª Fase: Atendimento sob Confronto Armado; 2ª Fase: Atendimento em Campo Tático; e 3ª Fase: Atendimento em Evacuação Tática. A 1ª fase do atendimento, denominada Atendimento sob Confronto Armado, corresponde ao momento em que as manobras são realizadas sob risco intenso, pois o confronto armado está ocorrendo. Essa fase do atendimento deve priorizar a supressão da injusta agressão e a movimentação para abrigo seguro. Nesta fase a única intervenção a ser realizada, se possível, é a aplicação de torniquete emergencial (alto e apertado), sendo priorizada a autoaplicação pelo operador ferido. Controlada a ameaça, remove-se o operador ferido para uma área relativamente protegida, onde o atendimento prossegue. Esta 2ª fase, chamada de “Atendimento em Campo Tático”, prioriza o atendimento dos feridos com base na ordem de gravidade das lesões eventualmente sofridas pelo agente, prevendo a avaliação e conduta voltadas para a seguinte ordem de importância clínica: Controle de Sangramento Maciço (M), Controle das Vias Aéreas (A), Manutenção da Respiração (R), Manutenção da Circulação e Avaliação do Choque (C) e Prevenção da Hipotermia (H). (NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, 2019) O acrônimo M.A.R.C.H. é um esquema mnemônico utilizado mundialmente que poderá facilitar a recordar os passos iniciais e a continuidade do atendimento do ferido. (KOSEQUAT et al.,2017). A sistematização do atendimento e avaliação desta forma prioriza a intervenção de lesões que mais rapidamente podem levar o ferido à morte, de acordo com os protocolos atuais. (CALLAWAY, 2015) ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 15 A utilização deste tipo de metodologia já é consagrada redutora de mortalidade em trauma durante missões operacionais e é reconhecida por instituições como: American College of Surgeons (ACS), Comitê Tactical Combat Casualty Care (CoTCCC), National Association of Emergency Medical Technicians (NAEMT), Special Operations Medical Association (SOMA), entre outras. É importante frisar que durante a fase de Atendimento em Campo Tático, novas ameaças e confrontos podem surgir, devendo os operadores de segurança pública estar sempre em condições de responder às adversidades. Figura 1 - Acrônimo MARCH. Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública.1 1Mapa mental que visa facilitar a memorização da ordem de procedimentos a serem realizados em atendimentos. ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 16 Realizados os procedimentos descritos acima, inicia-se a programação para retirada do ferido direcionando-o ao serviço médico escolhido, entretanto, enquanto o transporte não ocorre, é necessário reavaliar repetidamente as condições apresentadas pelo ferido e a manutenção dos cuidados já realizados, o transporte para o centro médico especializado, consiste na 3ª fase chamada de Evacuação Tática, que compreende técnicas específicas para transferência adequada de lesionados, minimizando os riscos durante o transporte enquanto a equipe restante mantém a capacidade de resposta a eventual novo confronto. 1ª FASE - ATENDIMENTO SOB CONFRONTO ARMADO SEGURANÇA DAEQUIPE E AS ORIENTAÇÕES AO FERIDO No Atendimento sob Confronto Armado tem como procedimento tático inicial a Resposta à Agressão Armada potencialmente letal. Para tanto, entende-se por Resposta à Agressão Armada, ou supremacia de fogo, a busca por abrigo (assim evitando novos feridos) e interrupção da agressão (do fato gerador da injusta agressão) causada pela rendição, fuga, lesão ou neutralização da ameaça contrária à intervenção policial.Neste instante são aplicadas as Técnicas de Arrasto sincronizadas com as Táticas Operacionais de Progressão em Terreno Hostil. APLICAÇÃO DA TÉCNICA DE ARRASTO NO ATENDIMENTO SOB CONFRONTO ARMADO Você já parou para pensar que há situações em que seja necessário mover o ferido para o lugar seguro mais próximo? Elas costumam exigir técnicas de arrasto, afim de realizar um primeiro atendimento. Assim, após as ações imediatas, o operador poderá avançar para um local mais adequado. Essa sucessão de ações compõem uma premissa encarada fundamentalmente como o “simples que funciona”. Remover o ferido da zona conflagrada o mais rápido possível e comum a relativa segurança é a prioridade de transporte durante esta fase. TÉCNICA DE ARRASTO COM 01 OPERADOR ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 17 POR INTERMÉDIO DE ALGUNS TIPOS DE PEGADAS: PUNHO COM PUNHO MÃO EM GARRA LUTADOR ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 18 PUNHOS CRUZADOS PUNHOS PARALELOS TÉCNICA DE ARRASTO COM 02 OPERADORES Neste sentido, de forma didática, cumpre elencar os principais procedimentos e ordem de ações durante a Resposta à Agressão Armada: Procedimento 1 - Ao ocorrer um disparo, antes de buscar identificar feridos ou realizar ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 19 algum resgate, procure um abrigo ou, em ambiente rural, utilize a doutrina local, como se afastar e diminuir a silhueta e responda à injusta agressão (resposta de fogo).Entenda o local onde esteja o operador ferido como um grande alvo, isto é, um espaço no qual o opositor já dispõe de uma visada favorável, podendo, desta forma, alcançar novos feridos. Trata-se e uma área com um grande “X” marcado. Assim, é imperioso que os outros membros da equipe procurem abrigo efetivo. Permanecer no “X” não é um ato de heroísmo, mas de ausência de conhecimento. O confrontante que se deslocar para o “X” no intuito de proteger o companheiro possivelmente se tornará outro ferido e, comisso, trará um novo problema para a guarnição. Se, por exemplo, a equipe for composta por dois policiais, e em uma eventualidade o segundo operador for lesionado, a possibilidade de sobrevivência de ambos será drasticamente impactada. (Figura 2) Analogicamente, valemo-nos do exemplo das máscaras de oxigênio em aeronaves: antes de ajudar o próximo é preciso estar vivo. Nunca se esqueça: policial seguro, local seguro, ferido seguro. Figura 2 – Sequência de imagens reais ocorrida em uma patrulha durante a operação "IraqueFreedom"em Fallujah Cena1 Cena 2 Cena 3 Cena 4 Cena 5 Enquanto está sob O sargento Shane Outro militar chega Sargento Shane O sargento fogo e sem sua entra no "X" tenta para ajudar na (esquerda) é Shane, no chão à arma, o Sargento puxar um militar extração. atingido por esquerda, passa a de Artilharia Ryan ferido fatalmente. disparo realizado se tornar mais P. Shane corre por ameaça umo ferido para o armada. durante o sargento Lonnie Atendimento sob Wells, para puxá-lo Confronto para segurança Armado. durante as operações de confronto da USMC em Fallujah. Fonte:NATIONAL ARCHIVES CATALOG NATIONAL ARCHIVES CATALOG, 2004.Disponível em. Acesso em: 22 jun. 2023. ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 20 Procedimento 2 - Assim que possível, solicite apoio externo. O operador deverá utilizar o rádio ou outro meio de comunicação disponível para solicitar apoio operacional. Essa conduta será, em muitos casos, o diferencial entre viver e morrer. Assim, mesmo em meio ao caos instalado, é imprescindível que se tente informar que já existe um policial baleado, o número de agressores e o local da ocorrência–são informações elementares e necessárias. Procedimento 3 - Já a brigada, a equipe deverá verificar se existem outros feridos não identificados previamente. Procedimento 4 - Antes da ação de resgate buscando a extração do ferido para local abrigado, deve-se tentar o atendimento remoto, chamando o policial lesionado, verificando se ele consegue buscar abrigo próximo e através do auto atendimento, realizar a própria (auto) aplicação do torniquete tático, colocando-o na ``raiz do membro``, o que foi denominado emergencial ou ``alto e apertado``. Por vezes o ferido pode entrar em um estado psicológico tal de incapacidade, que o simples fato de ser chamado ou orientado a realizar os procedimentos pode trazê-lo de volta à realidade. Estando o operador consciente e havendo condições físicas para tal, é primordial que busque proteção e, dentro das suas possibilidades, inicie o seu próprio atendimento, respondendo ao fogo inimigo de acordo com a situação tática. É importante que entendamos que a perda de sangue pode levar à inconsciência rapidamente, impedindo o auto-atendimento e consequente adequada resposta à ameaça (legítima defesa). Dessa forma, se o policial estiver demasiadamente exposto, a superioridade de fogo(repelir a injusta agressão) pode ser a primeira, e talvez única opção, enquanto os demais membros estão impossibilitados de ir aos encontros. Procedimento 5 - Deve-se atentar para a segurança do local mesmo que a agressão esteja supostamente finalizada. Embora o agressor ou grupo de agressores possa ter sido neutralizado, rendido ou em fuga, ele pode estar dissimulando suas intenções, possivelmente retornando a representar uma ameaça. Há, ainda, a possibilidade de novas ameaças se apresentarem, logo: mantenha-se sempre atento a novas ameaças! O USO DO TORNIQUETE TÁTICO NO ATENDIMENTO SOB CONFRONTO ARMADO Ainda no atendimento sob confronto armado, a aplicação de torniquete é a única manobra plenamente eficaz de atendimento médico passível de ser aplicada (seja pelo próprio ferido ou por outro membro da equipe), tendo em vista sua facilidade e rápida execução. A contenção de sangramento maciço em membros inferiores e superiores no Atendimento Pré- ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 21 Hospitalar Tático dá-se com a utilização correta do torniquete tático nomembro lesionado. Porém, destaca-se que todo atendimento sob confronto armado acarreta grande risco ao operador de APH-Tático, sendo um procedimento prioritariamente executado pelo próprio ferido. A aplicação emergencial do Torniquete Tático é realizada quando for identificado o sangramento maciço em extremidade lesionada, antes do uso dele, o operador de APH- Tático deve checar se não há nenhum material ou equipamento que ficará entre o torniquete e o membro, para que nada atrapalhe sua mecânica de funcionamento, tendo em vista que o equipamento deve ser empregado em contato direto com oferido. Itens com o coldre, bornal, celular, canivete, canetas, etc entre o torniquete e o membro podem diminuir ou impedir a constrição daquela estrutura e consequentemente o processo de controle da perda sanguínea; logo, devem ser removidos. Contudo, as vestimentas regulares, sem objetos extras, não atrapalham o funcionamento do equipamento e não é interessante perder tempo com a retirada ou corte do tecido das vestes para a aplicação do torniquete. 2ª FASE – ATENDIMENTO EM CAMPO TÁTICO M - CONTROLE DE SANGRAMENTO MACIÇO Você sabia que a fase de atendimento em campo tático ocorre em área abrigada, assegurada, após fazer cessar a ameaça direta? Neste momento,o operador de APH-Tático, dispõe de maior tempo e segurança, assim pode ter disponível, maiores condições para identificar lesões graves, que podem causar risco de morte ao operador vítima, e também contar com o equipamento de uso individual do mesmo, para tratamento mais pormenorizado. Deve-se então, realizar uma avaliação primária do ferido, seguindo uma sequência de prioridades de acordo com as lesões mais graves e que representem maior risco de morte. Tamanha importância nos faz novamente redigir que o atendimento dos feridos deve ser prestado seguindo a ordem de gravidade das lesões eventualmente sofridas pelo agente, prevendo a avaliação e conduta voltadas para a seguinte ordem de importância clínica: Controle de Sangramento Maciço (M), Manutenção das Vias Aéreas (A), Manutenção da Respiração (R), Manutenção da Circulação e Avaliação do Choque (C) e Prevenção da Hipotermia (H). O acrônimo M.A.R.C.H. poderá facilitar a recordar os passos iniciais e continuar o atendimento do ferido. ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 22 A perda maciça de sangue é o processo decorrente de ferimento em confronto que mais rápido leva a óbito um vitimado. Algumas características contidas na cena e no ferido poderão determinar se o extravasamento sanguíneo observado é de fato maciço, tais como: poça de sangue, uniforme empapado de sangue, ferimento pulsan do sangue e alteração do nível de consciência do operador ferido, sem trauma de crânio ou a constatação do torniquete aplicado na 1ª fase de cuidados sob confronto. Para identificar o sangramento avaliamos primeiramente os membros e as áreas juncionais. A depender da análise feita pela equipe da condição de segurança do cenário que abriga os operadores, da condição do ferido e das variáveis que envolvem a evacuação, a aplicação do torniquete pode ser feita de duas formas: a) Emergencial, que preza pela velocidade da aplicação, uma vez que é instalado no membro ferido o mais alto possível sobre as vestes. b) Controlado, que depende da visualização do ferimento para que seja aplicado 04(quatro) dedos acima do ferimento. Imagem do torniquete Combat Application Tourniquet (CAT) Gen 7 Fonte: Site Deployed Medicine2 2 Disponível em: . Acesso em 22 jun. 2023. Em nenhuma hipótese o torniquete deve ser aplicado sobre articulações/regiões juncionais. APLICAÇÃO DO TORNIQUETE 1- Torniquete Emergencial (Alto e Apertado) O torniquete emergencial é o principal procedimento no atendimento pré- hospitalar aplicado na fase de cuidado sob confronto armado. Por essa razão, didaticamente deixamos sua descrição e explicação no capítulo anterior desta obra. Para maior aprofundamento, sugerimos o retorno à leitura do tópico no capítulo de cuidados sob confronto armado. ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 23 Nesta fase, cabe ao operador de APH-Tático, checar se a aplicação já realizada está correta e cumpriu seu objetivo, ou seja, controlou a hemorragia. Caso não esteja correta, o operador deverá aplicar torção adicional na haste do torniquete ou recomeçar sua aplicação, quando possível, podendo ser inclusive, necessário a aplicação de um segundo torniquete, lado a lado, com as hastes desalinhadas. Nesta fase de cuidados, o operador deve se lembrar de anotar o horário em que foi realizado o procedimento, no local apropriado do torniquete, podendo ainda em último caso anotar no próprio corpo do ferido. 2 - Torniquete Controlado Para a aplicação do torniquete controlado, o operador de APH-Tático seguirá a seguinte sequência após localizado o membro ferido ou suspeito de assim estar: ➢ Inicialmente o operador de APH-Tático deve cortar a vestimenta do ferido e buscar pela ferida com sangramento maciço; ➢ Encontrado o ferimento, mensurar um intervalo de 05 a 07 cm, cerca de 04(quatro) dedos acima da ferida, de forma proximal, entendendo como “proximal”, em direção ao tronco do ferido. ATENÇÃO: Uma vez aplicado o torniquete emergencial, este não deve ser afrouxado ou retirado pelo operador de APH-Tático nível básico. CONTENÇÃO DE SANGRAMENTO MACIÇO EM REGIÕES JUNCIONAIS A contenção de sangramento maciço em regiões juncionais (axilas, ombros, pescoço e região do quadril) será realizada com gaze para preenchimento de feridas, seguida depressão direta sobre os vasos lesionados. Não pode ser aplicado em regiões que possuem cavidade natural, tais como tórax, abdômen e crânio, pois nas duas primeiras não seria eficiente por não atingir os vasos lesionados e no crânio geraria danos à sua estrutura interna. GAZE PARA PREENCHIMENTO DE FERIDAS A fim de preencher o ferimento para controlar sangramento maciço é possível a utilização de materiais estéreis e não elásticos impregnados ou não com agentes coagulantes, sendo recomendado o uso de produtos desenvolvidos para esta finalidade. Os materiais sem agentes hemostáticos atuam de forma mecânica, fazendo um bloqueio para o fluxo de sangue no ferimento, diminuindo assim a intensidade e concentrando as plaquetas num local mais próximo à lesão, auxiliando na formação do coágulo. Ex.: gaze de metro(gaze tipo “queijo”, gaze de rolo e etc.) (TJARDES e LUECKING,2018). ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 24 Os materiais com agentes hemostáticos (coagulantes) além de também atuarem de forma mecânica, visam a diminuir o tempo de formação do coágulo, favorecendo um processo de coagulação mais rápido. A ação pode ser química, acelerando o processo da cadeia de formação do coágulo (caolin), ou física, intensificando a barreira mecânica que se molda ao ferimento e obstruindo o fluxo de sangue por tamponamento (quitosana). (TJARDES e LUECKING,2018) Gaze hemostática Combat Gauze (CG) Z-Fold (QuikClot Combat Gauze) Fonte: Site Deployed Medicine5 5 Disponível em: . Acesso em 22 jun. 2023. Gaze hemostática Celox Gauze, Z-Fold 5' Fonte: Site Deployed Medicine6 6 Disponível em: . Acesso em 22 jun. 2023. ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 25 TÉCNICA DE EMPREGO DA GAZE DE PREENCHIMENTO Ao localizar o ferimento, após a varredura, o operador de APH- Tático deverá: a) O preenchimento deve ser executado inicialmente visando a direção do coração; b) Continuará preencher o ferimento com a gaze, mas sem perder a pressão sobre o material; c) O preenchimento deve ocupar toda cavidade da lesão; d) Após preencher toda a cavidade da lesão e sem remover a pressão colocada inicialmente, deve-se juntar a sobra de material e acumular sobre o ferimento mantendo a pressão no local entre 01 a 10 minutos a depender do material utilizado. Gazes com agente hemostático, conforme orientação dos seus respectivos fabricantes, podem conter sangramentos em um tempo que varia de 01 a 03 minutos; já as sem o hemostático, necessitarão de cerca de 10 minutos de pressão direta. EMPACOTAMENTO Após a realização do preenchimento com controle efetivo da hemorragia, deve-se proteger e manter a gaze sob pressão utilizada no local, fazendo uso de material como as bandagens táticas, ataduras elásticas ou ataduras convencionais para manter a ferida empacotada. Bandagem tática é o material mais adequado, pois conta com dispositivos que proporcionam pressão sobre o ferimento e rápida finalização, devendo ser a opção preferível ao operador na montagem do kit individual. Bandagem do modelo Emergency Bandage (Israeli bandage) Fonte: Site Deployed Medicine8 8 Disponível em: . Acesso em 22 jun. 2023. ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO –CEFS 26 A – CONTROLE DAS VIAS AÉREAS INSPEÇÃO DAS VIAS AÉREAS Você sabia que após a abertura das vias aéreas deve-se inspecionar a boca do ferido para verificar se há algo obstruindo a passagem? Secreções como vômitos, muco ou sangue, corpos estranhos como comida, sujeira, gomas de mascar, assim como dentes e peças bucais deslocadas, podem bloquear a via aérea superior do ferido. Após o controle de hemorragias maciças o operador de APH-Tático deve estabelecer e manter as vias aéreas pérvias. O nível de intervenção será de acordo com o grau de habilitação do operador socorrista, nível de consciência, integridade anatômica e funcional das vias aéreas e a situação dentro do campo tático. Importante salientar que não se deve realizar intervenção em vias aéreas se o paciente estiver consciente e respirando satisfatoriamente. Se o ferido estiver consciente e capaz de seguir comandos, deixe que ele encontre uma posição de conforto, seja ela sentado ou deitado. Não se deve forçá-lo a assumir uma posição desconfortável. (NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, 2019) ELEVAÇÃO DE QUEIXO E /OU TRAÇÃO MANDIBULAR O esforço inicial do operador de APH-Tático deve ser voltado para a abertura e manutenção das vias aéreas através das manobras clínicas emergenciais de elevação de queixo ou realização da tração mandibular. A manobra de elevação do queixo é usada para liberar as vias aéreas obstruídas em pacientes que estão respirando espontaneamente. O queixo e os incisivos inferiores são segurados e então puxados para cima. (NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, 2019) ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 27 APLICAÇÃO DA CÂNULA NASOFARÍNGEA A cânula nasofaríngea é um dispositivo destinado a manter pérvia a via aérea superior evitando que a queda da língua obstrua a passagem de ar pela faringe. (NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, 2019) Cânula Nasofaríngea Fonte: Site Deployed Medicine11 11 Disponível em: . Acesso em 22 jun. 2023. A cânula nasofaríngea deve ser aplicada sempre que o ferido estiver inconsciente ou com alteração do estado mental, ou ainda se o ferido tiver que permanecer sem supervisão. Após sua aplicação, ela pode ser mantida até que chegue ao ambiente hospitalar. Este dispositivo tem a vantagem de ser mais bem aceito do que a cânula orofaríngea (também denominada cânula de Guedel), não gerando estímulo de vômito caso o ferido recupere a consciência. A cânula nasofaríngea deve ser aplicada com utilização de lubrificante acessível (lubrificante aquoso, ou na ausência, sangue, saliva, etc) antes de inseri-la. Este passo facilita a introdução do dispositivo e reduz a chance de traumatizar a via aérea do paciente. As principais contra indicações para a aplicação da cânula nasofaríngea são fraturas de base de crânio ou traumas maxilofaciais graves. Na prática não é indicada a aplicação da cânula nasofaríngea em lesões de face acima do ângulo da mandíbula. (NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, 2019) ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 28 O procedimento para introdução da cânula nasofaríngea: a) Lubrificá-la com lubrificante disponível, antes da inserção; b) Inseri-la na narina em direção perpendicular (ângulode90º) com a face em direção à orelha. Evitar dirigir a cânula para cima em direção ao topo da cabeça; c) Inseri-la até o flange da cânula; d) Senão for possível inserir a cânula em uma narina, retire-a e insira na outra narina; e) Verifique a passagem de ar e o posicionamento da cânula através de escuta e sensação da passagem de ar; f) Se o ferido apresentar espasmo de tosse, isto pode ser um sinal de que a extremidade da cânula está em contato com a epiglote e deve ser levemente retraída até que a tosse cesse; g) Após certificar-se do correto posicionamento a cânula deverá ser fixada. R - MANUTENÇÃO DA RESPIRAÇÃO Você já parou para pensar que ferimentos no tórax podem resultar em um pneumotórax aberto quando o orifício é grande o suficiente para não fechar ao menos parcialmente a ferida durante a inspiração/expiração? Pois é, isto leva a entrada podendo dificultar a saída de ar pelo ferimento dependendo do tamanho do orifício, causando dificuldade para a respiração. Em feridas maiores pode haver um ruído audível (sibilos) quando o ar passa pela parede torácica, sendo chamada de ferida torácica" aspirativa ou soprante”. (NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, 2019). Os pacientes com ferimento no tórax geralmente apresentam desconforto respiratório, estando tipicamente ansiosos e taquipneicos(respirando rapidamente).Geralmente o pulso está fraco e com a frequência cardíaca elevada. (NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, 2019). ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 29 Todos os ferimentos torácicos abertos devem ser abordados, devendo o operador de APH-Tático remover o colete balístico do ferido e efetuar uma busca por ferimentos no tórax com mãos em forma de garras, utilizada principalmente em situações de baixa luminosidade (NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, 2019). A conduta inicial para o tratamento do pneumotórax aberto envolve a oclusão da abertura na parede torácica. A passagem de ar pelo ferimento pode ser evitada pela aplicação de um selo de Tórax. Existem diversos modelos de dispositivos oclusivos comerciais, válvula dos ou não-valvulados. Recomenda-se a utilização de selos válvula dos devido ao risco de evolução para pneumotórax hipertensivo. (NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, 2019). Selo de tórax modelo SAM Chest Seal® Fonte: Site Deployed Medicine16 16 Disponível em: . Acesso em 22 jun. 2023. Selo de tórax modelo Hyfin Chest Seal® Fonte: Site Deployed Medicine17 17 Disponível em: . Acesso em 22 jun. 2023. ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 30 C - MANUTENÇÃO DA CIRCULAÇÃO E AVALIAÇÃO DO CHOQUE Caro Policial, você sabe o que é choque hemorrágico? O choque hemorrágico é a falta generalizada de perfusão tecidual resultante da perda de sangue, causando, assim, a hipóxia (falta de oxigenação) celular, levando ao metabolismo anaeróbico e diminuição da produção de energia celular. Estes efeitos, por sua vez, podem conduzir a uma disfunção metabólica generalizada e à morte. Esta é a causa mais comum de morte potencialmente evitável no campo tático. (KRAGH et al.,2008). Podemos destacar que os sinais clínicos indicativos e mais úteis para o operador de APH-Tático identificar o choque hemorrágico no ambiente tático são: • Perfusão capilar digital que leve mais de 02 segundos para retorno à coloração normal. Esse achado é observado ao comprimir a polpa do dedo contra a unha até esta ficar branca e libertar a pressão. Essa técnica somente deve ser aplicada na mão de membros superiores que não tenha o torniquete aplicado; • Pulsação radial com frequência maior que 100 vezes por minuto e/ ou imperceptíveis. Essa técnica somente deve ser aplicada na mão de membros superiores que não tenha o torniquete aplicado; • Níveis de consciência comprometidos (confuso ou sonolento -excluindo-se os efeitos do traumatismo craniano ou administração de medicamentos). Quando identificados conjuntamente, os feridos nessa condição têm prioridade de atendimento e evacuação em relação a os que não apresentem estes sinais. Sendo assim, é o critério objetivo para indicar a gravidade do quadro, classificando o ferido em estado graveindicando que houve sangramento importante, anotando risco de morte, e a necessidade de chegada a uma instalação médica adequada de forma emergencial. Na fase denominada atendimento em campo tático, as ações de controle de hemorragias maciças realizadas ainda no início do atendimento devem ser reavaliadas. Torniquetes podem se soltar durante o arrasto de feridos, mesmo após colocação correta inicial, além de frequentemente necessitar de novos apertos adicionais da haste, devido ao seu ajuste junto ao tecido. ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 31 LIMPEZA DEFERIMENTO E CONTROLE DE SANGRAMENTO NÃO MACIÇO As gazes comuns podem ser utilizadas no APH-Tático para a limpeza de pequenos ferimentos e no auxílio da compressão de ferimentos com sangramentos não maciços. H - PREVENÇÃO DA HIPOTERMIA REALIZAÇÃO DE TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS PARA EVITAR PERDA DE CALOR CORPORAL A perda de calor corpóreo, pode levar oferido à hipotermia, que é a diminuição da temperatura corporal. Somada a outros acometimentos, esse processo poderá comprometer a qualidade da coagulação sanguínea. (LEGOME e SHOCKLEY,2011) A temperatura corporal do ferido deve ser mantida e para isso deve-se retirar todo e qualquer material (vestes e equipamentos) que estejam molhados ou embebidos em sangue, uma vez que líquidos são potencializadores da perda de calor corpóreo. Outra atitude primordial é evitar o contato com objetos “frios”, com os pisos cerâmicos e metais. Dentro dos equipamentos, o colete balístico merece atenção especial no julgamento sobre sua retirada ou não, levando em consideração o contexto tático. Outro ponto importante para evitar a perda de calor por convecção é minimizar o esfriamento do ar, desligando aparelhos de ar-condicionado, ventiladores e fechando as janelas das viaturas ou meios de transporte, devendo-se, inclusive, utilizar o aquecimento do ar sempre que possível. No intuito de minimizar a perda de calor, podemos lançar mão da utilização de materiais aplicáveis em ambiente tático, como manta térmica e fontes externas de calor artificiais e instantâneas, como veremos a seguir. APLICAÇÃO DA MANTA ALUMINIZADA O operador de APH-Tático poderá utilizar meios acessórios para a manutenção da temperatura como a manta para criar um invólucro do tronco e recobrimento da cabeça do ferido, minimizando a sua perda de calor. ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 32 APLICAÇÃO DE FONTE DE CALOR INSTANTÂNEO Fontes externas de calor instantâneo podem ser colocadas sobre áreas específicas do corpo do ferido para elevar a temperatura corporal. Existem produtos que geram calor por meio de reação química, com o bolsas emantas de calor instantâneo. Estas áreas são ponto sem que selo calizam importantes vasos sanguíneo os e consequentemente a passagem de grande fluxo de sangue. Assim, estaremos aquecendo o sangue e este será distribuído a todo o corpo do ferido de forma aquecida. Os locais prioritários em que se deve colocar as fontes de calor são axilas, tórax e virilhas. 3ª FASE - ATENDIMENTO EM EVACUAÇÃO TÁTICA MÉTODOS DE TRANSPORTE DE FERIDOS Caro Policial, o transporte do ferido é muitas vezes o aspecto mais problemático do atendimento tático. O transporte inicial é complexo devido a vários fatores. Dentre eles destacam-se o equipamento limitado, geografia do local, pessoal disponível e o risco de lesões adicionais devido a fogo hostil. São realizados por intermédio de métodos eficazes: MÉTODO BOMBEIRO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 33 MÉTODO MOCHILA MÉTODO CADEIRA MÉTODO SEALS ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 34 MÉTODO COM MACA TÁTICA OU CESTA ALPINA Caro policial, todos os métodos mencionados acima precisam ser aplicados levando em consideração cada tipo de ferimento apresentado no cenário tático, com base no ferimento será utilizado um método ideal para que não agrave o quadro clínico da vítima. Após a fase de atendimento em campo tático, inicia-se a fase de evacuação tática. Deve ser feito o transporte de feridos do abrigo provisório a um abrigo em que se consiga ficar até a chegada de apoio. O ferido deverá ser embarcado em uma viatura para o transporte à unidade hospitalar, procedimento chamado de evacuação tática. Em ambiente tático temos 02 (dois) tipos de evacuação: CASEVAC e MEDEVAC. O CASEVAC (Casualty Evacuation) consiste na extração da vítima utilizando viaturas com armamento defensivo ou veículos inapropriados para transporte de feridos. Veículos não projetados especificamente para esse fim. O ferido pode ou não receber tratamento básico durante a evacuação. O MEDEVAC (Medical Evacuation) consiste na extração da vítima utilizando aeronaves ou outros veículos próprios (Ambulâncias e Veículo Blindado de Operações de Resgate – VBOR) para este fim. Veículos com equipe médica com equipamentos dedicados ao socorro, sendo a continuidade do tratamento da vítima de forma especializada (médico/enfermeiro). Durante a evacuação tática, teremos o transporte do primeiro abrigo temporário, após a realização do primeiro atendimento inicial, até o abrigo onde se passará maior tempo (seja aguardando apoio ou alguma mudança do cenário de confronto) ou até a viatura. É fundamental que durante todos esses tempos o ferido seja constantemente reavaliado, sendo verificado o que já foi feito e se existem novos achados clínicos, sendo uma boa ideia manter contato verbal como ferido. ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 35 Através de estudos e experiências dos policiais no cenário tático do Rio de Janeiro. O Grupamento especial de Salvamento e Ações de Resgate através da sua Seção de Instrução Especializada desenvolveu uma Técnica de EMBARQUE E DESEMBARQUE DE VÍTIMAS EM VEÍCULOS. ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR TÁTICO – CEFS 36 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS. Advanced Trauma LifeSupport :StudentCourse Manual.Tenth ed. Chicago IL: American CollegeofSurgeons; 2018. 2. BRASIL. Ministério da Defesa. Portaria Normativa Nº 16/MD, de 12 de abril de 2018. Aprova a Diretriz de Atendimento Pré-Hospitalar Tático do Ministério da Defesa para regular a atuação das classes profissionais, a capacitação, os procedimentos envolvidos e as situações previstas para a atividade. Brasília, 2018. Disponível em: https://mdlegis.defesa.gov.br/norma_pdf/?NUM=16&ANO=2018&SER=A. Acesso em: 22 out. 2022. 3. BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Portaria Conjunta SENASP/SEOPI/SEGEN nº 20, de 3 de agosto de 2022. Aprova o Nível Básico de Atendimento Pré-Hospitalar Tático para profissionais de Segurança Pública, em complementação às disposições da Diretriz Nacional de APH-Tático. Brasília, 2022 Disponível em: https://dspace.mj.gov.br/handle/1/7417. Acesso em: 22 out. 2022. 4. BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Portaria Nº 98, de 1º de julho de 2022. Cria a Diretriz Nacional de Atendimento Pré-Hospitalar Tático para Profissionais de Segurança Pública - APH-Tático. Brasília, 2022. Disponível em: https://dspace.mj.gov.br/handle/1/7758. Acesso em: 22 out. 2022. 5. BUTLER, Frank K.; HAGMANN, John; BUTLER, E. George. Tactical combatcasualtycare in specialoperations. Military medicine, v. 161, n. suppl_1, p. 3- 16,1996.Disponívelem:https://academic.oup.com/milmed/article/161/suppl_1/3/4931168?login=f alse. Acesso em: 22 out. 2022. 6. NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS (U.S.). Phtls: Prehospital Trauma Life Support. Ninthedition. Military ed. Burlington: Jones & Bartlett Learning; 2019. 7. PINTO, Pedro Pinheiro Doria, SANTANA, Yago Rhaynan Rodrigues Amorim e SANTOS, Rodrigo Batista. Manual de Resgate e Atendimento Pré-Hospitalar Tático. PMBA- Salvador; 2020. 8. POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.PORTARIA No. 98 DE 01 DE JULHO DE 2022. Cria a Diretriz Nacional de Atendimento Pré Hospitalar Tático para Profissionais de Segurança Pública - APH-Tático. BOL PMERJ 119, datado de 04 de julho de 2022. 9. POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Adequação dos materiais contidos nos kits de atendimento pré-hospitalar. BOL PMERJ 049, datado de 18 de março de 2019. 10. POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Plano Estratégico da Secretaria de Estado da Polícia Militar (SEPM) 2020-2024. Rio de Janeiro. http://warfare.com.br/wtm/edicao-105/aph-tatico.html.Acesso 31 mai 2022. www.editoracientifica.com.br. 11. ESTÁGIO DE SOCORRISTA TÁTICO – PROJETO INSTITUCIONAL DE CAPACITAÇÃO PARA REDUÇÃO DA VITIMIZAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SEGURANÇA PÚBLICA. O cuidado em saúde baseado em evidências - ISBN 978-65- 5360-315-8 - Vol. 1 - Ano 2023 - Editora Científica Digital. http://warfare.com.br/wtm/edicao-105/aph-tatico.html.Acesso%2031%20mai%202022 http://www.editoracientifica.com.br./