Prévia do material em texto
DIREITO PROCESSUAL CIVIL – NCPC/2015 –
AÇÃO E PROCESSO
Sumário
TEORIA DA AÇÃO 3
1. Ação 3
1.1. Matriz constitucional do direito de ação 3
1.2. Ação de direito material (autotutela) x Ação de direito processual 4
1.3. Teoria da Asserção (teoria della prospetazione) 5
1.4. Direito processual de ação 5
1.4.1. Condições da ação 6
1.4.2. Interesse processual 6
1.4.3. Legitimidade ad causam (art. 18 CPC) 8
1.4.4. Ainda existem as condições da ação no novo CPC? 9
1.5. Elementos (identificadores) da ação 9
1.6. Processo 12
PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS 18
1. Pressupostos processuais de existência 19
1.1. Jurisdição 19
1.2. Existência de demanda 19
1.3. Capacidade de ser parte 19
1.4. Citação do réu 20
2. Pressupostos processuais de validade 20
2.1. Petição inicial apta 20
2.2. Juiz competente e juízo imparcial 21
2.3. Capacidade ad processum 21
2.4. Legitimação pra agir e interesse processual 30
2.5 Pressupostos processuais negativos 32
3. Pressupostos objetivos e subjetivos 33
3.1. Pressupostos processuais subjetivos (juiz) 33
3.2. Pressupostos processuais subjetivos (partes) 33
3.3. Pressupostos processuais objetivos 33
4. Regime jurídico dos pressupostos processuais 34
4.1. Não havendo a correção do vício (alguns são possíveis, outros não), a ausência poderá acarretar em remessa do caso ou em extinção do processo sem julgamento do mérito. 35
4.2. Questões de ordem pública (Arts. 337, §5º e 485, §3º, CPC) 35
DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO 35
BIBLIOGRAFIA UTILIZADA 35
ATUALIZADO EM 29/05/2022[footnoteRef:1] [1: ]
TEORIA DA AÇÃO[footnoteRef:2] [2: Por Tássia Neumann Hammes.]
1. Ação:
1.1. Matriz constitucional do direito de ação (art. 5º, XXXV, CF):
Ninguém nega que o direito de ação é uma garantia constitucional, porque existe uma disposição na Constituição Federal (art. 5º, XXXV, CF), nos seguintes termos: Art. 5º. XXXV - A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
Essa disposição é repetida no art. 3º do NCPC: Art. 3º. Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
A ideia de ter o direito de ação constitucionalizado é de permitir o acesso à justiça, tanto que alguns doutrinadores chamam o art. 5º, XXXV da CF de princípio do acesso à justiça.
#OUSESABER: Como se sabe, o art. 5º, XXXIV, “a”, da CF garante que a todos são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder. Assim sendo, o direito de petição, presente em todas as Constituições brasileiras, qualifica-se como importante prerrogativa de caráter democrático, consistente na possibilidade de qualquer cidadão de apresentar queixas ou reclamações ao Estado, bem como de receber a devida resposta. Segundo Artur Cortez Bonifácio, o direito de petição é “o direito-garantia subjetivo público que as pessoas individuais ou coletivas têm de interpor aos poderes públicos pedidos, reclamações, representações, sugestões, reivindicações, em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder, em favor de interesses particulares ou do interesse público”. Trata-se assim de instrumento jurídico-constitucional posto à disposição de qualquer interessado – mesmo daqueles destituídos de personalidade jurídica –, com a explícita finalidade de viabilizar a defesa, perante as instituições estatais, de direitos ou valores revestidos tanto de natureza pessoal quanto de significação coletiva.
#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: Algumas observações sobre o direito de petição podem ser extraídas da jurisprudência do STF, quais sejam: a) a existência do direito de petição não exige a necessidade de esgotamento da via administrativa para se poder levar questões ao Judiciário; b) O direito de petição não pode ser invocado genericamente para exonerar qualquer dos sujeitos processuais do dever de observar as exigências que condicionam o exercício do direito de ação em juízo; c) inconsistente a postulação que, apoiada no direito de petição, formula pedido que constitui, na realidade, verdadeiro sucedâneo, legalmente não autorizado, da ação rescisória, eis que já transitada em julgado a decisão impugnada; d) o direito de petição não assegura, por si só, a possibilidade de o interessado – que não dispõe de capacidade postulatória – ingressar em juízo, para, independentemente de advogado, litigar em nome próprio ou como representante de terceiros. Vale afirmar que correlato ao tema foi editada pelo STF a Súmula Vinculante 21: “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo”. Os recursos administrativos são desdobramentos do direito de petição, por isso, é incompatível a exigência de depósito prévio como condição de admissibilidade de recursos administrativos.
#ATENÇÃO: Há diferença entre direito de petição e o direito de ação? O direito de petição não se confunde com a prática de peticionar na Justiça. O direito de petição está historicamente ligado ao peticionamento à Administração Pública. Classicamente, difere-se o direito de petição por serem pedidos ou queixas dirigidos à Administração Pública e o direito de ação ser destinado ao Judiciário. Couture, todavia, chega a afirmar que o direito de ação é uma espécie qualificada de direito de petição. Assim, a diferença é que o direito de ação é específico dos pedidos ao Judiciário e o direito de petição é genérico. Destinado à Administração Pública em geral.
1.2. Ação de direito material x Ação de direito processual:
Devemos fazer uma distinção fundamental entre a ação de direito material e a ação de direito processual.
Em algumas hipóteses excepcionais, o nosso sistema permite aquilo que é denominada ação de direito material, também conhecida como autotutela. São as hipóteses em que a legislação permite que a parte solucione os conflitos pela própria razão, isto é, ela não pede a intervenção estatal para a solução dos conflitos dela.
Ex: desforço possessório imediato.
Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado.
§ 1o O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força, contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do indispensável à manutenção, ou restituição da posse.
1.3. Teoria da Asserção (teoria della prospetazione):
De acordo com essa teoria, o interesse de agir e a legitimidade devem ser aferidos pelo juiz apenas a partir do que foi alegado pelas partes. Se houver necessidade de provas entre eles, a questão será de mérito.
Sendo possível para o juiz, mediante cognição sumária, perceber a ausência de uma ou mais condições da ação, ele deve aplicar o art. 485, VI do NCPC para evitar o desenvolvimento de uma atividade inútil.
Precisando o juiz de uma cognição mais aprofundada do caso para saber se estão ou não presentes as condições da ação, estar-se-á diante de uma análise de mérito. Assim, uma profunda cognição do caso, passa a ser matéria de mérito, gerando uma sentença de rejeição do pedido do autor, com base no art. 487, inciso I, do NCPC, fazendo coisa julgada material.
O que a define, portanto, não é o momento de avaliação das condições da ação e sim a produção ou não de prova. Se positivo o juízo de admissibilidade, tudo o mais seria decisão de mérito. Se tudo o que estiver sendo dito for verdade, estão presentes as condições da ação? Se houver necessidade de produzir provas para a análise das condições da ação, o problema já é de mérito.
1.4. Direito processual de ação:
#01MINUTODEPAUSA #JUROQUEVAISERÁRÁPIDO #RECORDARÉVIVER:
Para o CPC/73, eram condições da ação a POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO, o INTERESSE DE AGIR e a LEGITIMIDADE AD CAUSAM. Assim, o processo era extinto sem resolução de mérito quando ausente alguma condição da ação (art. 267, VI).
A doutrina criticava: a questão é de mérito ou é de admissibilidade. O NCPC NÃOMENCIONA MAIS A CATEGORIA ‘CONDIÇÃO DA AÇÃO’. Isso não quer dizer que não haja nenhuma análise sobre o que correspondia à possibilidade jurídica do pedido, o interesse de agir e a legitimidade ad causam. Essas questões são analisadas, mas não mais dentro do assunto ‘condições da ação’, agora inexistente.
O NPCP NÃO MENCIONA MAIS A POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO. A questão passa a ser examinada como hipótese de IMPROCEDÊNCIA LIMINAR DO PEDIDO.
Nota-se, então, que as antigas condições da ação ‘interesse de agir’ e ‘legitimidade ad causam’ agora permitem decisão de inadmissibilidade. Mas, não são mais chamadas de ‘condições da ação’. Também não se fala mais em ‘carência de ação’. Na verdade, a legitimidade e o interesse passarão a constar da exposição sistemática dos pressupostos de validade: O INTERESSE, COMO PRESSUPOSTO DE VALIDADE OBJETIVO EXTRÍNSECO; A LEGITIMIDADE, COMO PRESSUPOSTO DE VALIDADE SUBJETIVO RELATIVO ÀS PARTES.
1.4.1. Condições da ação:[footnoteRef:3] [3: (CESPE - 2018 - STJ - Técnico Judiciário - Administrativa): Julgue o item a seguir, a respeito das ações no processo civil. O código de processo civil estabelece duas condições para se postular em juízo: o interesse de agir e a legitimidade da parte. CERTO!]
(i) Interesse de agir (ou interesse processual);
(ii) Legitimidade ad causam.
Art. 17. Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade.
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: (...) VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual;
1.4.2. Interesse processual:
Deve ser analisado de acordo com três requisitos/elementos:
(i) Necessidade/utilidade:
Está diretamente associada à prestação jurisdicional que se pretende obter. Cabe ao autor demonstrar que o provimento jurisdicional pretendido será capaz de lhe proporcionar o bem jurídico pleiteado, isto é, uma melhora em sua situação fática. O provimento deve ser necessário é útil.
Durante muito tempo, no Brasil, prevaleceu o entendimento de que o prévio requerimento administrativo não era requisito para afirmar o interesse processual. Esse entendimento está “em superação” em matéria previdenciária, DPVAT, exibição de documento bancário. Nesses exemplos, tem prevalecido o entendimento que é necessário o requerimento administrativo. Só teremos necessidade do pronunciamento do judiciário, isto é, ter interesse processual, na situação em que houver a negativa do INSS, do DPVAT, do banco em fornecer o documento.
#OLHAOGANCHO #CONCURSOSFEDERAIS: EM REGRA, é indispensável o prévio requerimento administrativo do benefício no INSS (não é necessário o esgotamento da via administrativa). Caso contrário, não há, em regra, interesse de agir, já que havia a possibilidade de seu pedido ter sido atendido pelo INSS na via administrativa.
Assim, dispensou-se o prévio requerimento administrativo nas seguintes hipóteses:
a) Tese jurídica notoriamente rejeitada pelo INSS;
b) Negativa comprovada de protocolo do pedido administrativo;
c) Nas ações de revisão de benefício previdenciário, salvo se depender de dilação probatória a cargo do segurado ou de seu dependente;
d) Apresentação de contestação de mérito pelo INSS resistindo à pretensão deduzida em Juízo;
e) Extrapolação do prazo para tomada da decisão administrativa na Agência do INSS (45 dias);
f) Ações judiciais propostas nos Juizados Itinerantes.
#CASCADEBANANA #OUSESABER #NÃOCONFUNDIR: No julgado acima mencionado, a 1a Turma do STJ aderiu ao posicionamento firmado pelo STF no RE 631.240-MG, no qual o Supremo, sob o regime de repercussão geral, decidiu que a concessão de benefícios previdenciários depende de requerimento do interessado, não se caracterizando ameaça ou lesão a direito antes de sua apreciação e indeferimento pelo INSS, ou se excedido o prazo legal para sua análise. Para o STF, a exigência de prévio requerimento não se confunde com o exaurimento das vias administrativas, contudo, não deve prevalecer quando o entendimento da Administração for notória e reiteradamente contrário à postulação do segurado. Assim, o STJ sedimentou a tese: "A concessão de benefícios previdenciários depende, via de regra, de prévio requerimento administrativo do interessado perante o INSS".
(ii) Adequação:
Para que seja recebida a tutela jurisdicional, terá que valer da via adequada eleita pelo sistema. Ex.: O mandado de segurança sem prova pré-constituída também é exemplo de via inadequada. Como consequência, julga-se o processo extinto sem resolução do mérito for falta da condição da ação interesse processual na faceta adequação.
#ATENÇÃO: Possibilidade jurídica do pedido:
A possibilidade jurídica do pedido no CPC/2015 não figura mais entre as condições da ação. Para alguns, passou a ser matéria de mérito e, como tal, leva à improcedência do pedido (e não à extinção de mérito). Para outros, equivale ao interesse de agir/adequação, de modo que, constatada logo no início do processo, autoriza o indeferimento da inicial (art. 330, III, do CPC).
Ex: Impossibilidade de cobrança de dívida de jogo: A impossibilidade aqui é da causa de pedir. A impossibilidade jurídica está dentro da falta de interesse de agir. A possibilidade jurídica do pedido é a inexistência de vedação legal a parte, ao pedido ou a causa de pedir. Art. 814 do CC: As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento; mas não se pode recobrar a quantia, que voluntariamente se pagou, salvo se foi ganha por dolo, ou se o perdente é menor ou interdito.
(*) ATUALIZADO EM 15/12/2021: #DEOLHONAJURIS: Na vigência do CPC/2015, remanesce o interesse de agir do inventariante na ação de prestação de contas, mantido o caráter dúplice da demanda. O inventariante não pode encerrar seu mister sem que antes apresente as contas de sua gestão. Essa prestação de contas é, portanto, uma atribuição imposta pela lei ao inventariante, razão pela qual possui interesse de agir para ajuizar a presente ação autônoma de prestação de contas. Vale ressaltar, inclusive, que esse interesse de agir é presumido. STJ. 4ª Turma. REsp 1707014/MT, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 02/03/2021 (Info 687).
1.4.3. Legitimidade ad causam:
É a relação que deve existir entre as partes e o direito material em debate. Com isso, teremos a legitimidade para a causa, ou seja, legitimidade ad causam.
Assim, só têm legitimidade ad causam os verdadeiros sujeitos da obrigação, sendo seus eventuais sucessores ilegítimos até que se opere a sucessão processual inter vivos (cessão de crédito) ou causa mortis (morte).
Essa legitimidade pode ser dividida em duas:
(i) Ordinária (regra geral do sistema): Ela apenas pode defender direito próprio em nome próprio. Cada um cuida do que é seu. Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico[footnoteRef:4]. [4: (CESPE - 2017 - TRF - 1ª REGIÃO - Técnico Judiciário - Área Administrativa): A respeito de aspectos relativos à ação, julgue o item a seguir. Ninguém poderá pleitear, em seu próprio nome, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. CERTO!]
(ii) Extraordinária (substituição processual): É aquela em que o indivíduo defende direito alheio em nome próprio.
A legitimação extraordinária é excepcional, isto é, precisa de autorização legal. É o que consta no art. 18, parágrafo único do NCPC:
Art. 18 (...) Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como assistente litisconsorcial.
#OBS. Para a maioria da doutrina, a legitimação extraordinária é sinônimo de substituição processual. Mas para alguns autores só tem substituição processual quando quem não está no processo não puder defender o seu interesse ou não for co-parte.
(*)ATUALIZADO EM 15/12/2021: Outras classificações da Legitimação trazidas pela doutrina:
Legitimação Autônoma: É da parte.
Legitimação Subordinada: É do assistente.
Legitimação Exclusiva: Quando somente um sujeito é considerado legitimado para compor um dos polos do processo.
Legitimação Concorrente (Colegitimação): Existe mais de um sujeito legitimadoa compor um dos polos do processo.
Legitimação Isolada ou Disjuntiva (Simples): Permite que o legitimado esteja sozinho no processo.
Legitimação Conjunta (Complexa): Exige a formação de litisconsórcio entre todos ou alguns legitimados (litisconsórcio necessário).
Legitimação Total: Quando se refere a todo o processo.
Legitimação Parcial: Quando referente somente a determinados atos, como ocorre nos incidentes processuais.
*#ATENÇÃO #NOVIDADELEGISLATIVA: foi publicada a lei nº 13.806/2019 - que altera a Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, para atribuir às cooperativas a possibilidade de agirem como substitutas processuais de seus associados.
Art. 88-A. A cooperativa poderá ser dotada de legitimidade extraordinária autônoma concorrente para agir como substituta processual em defesa dos direitos coletivos de seus associados quando a causa de pedir versar sobre atos de interesse direto dos associados que tenham relação com as operações de mercado da cooperativa, desde que isso seja previsto em seu estatuto e haja, de forma expressa, autorização manifestada individualmente pelo associado ou por meio de assembleia geral que delibere sobre a propositura da medida judicial.
1.4.4. Ainda existem as condições da ação no novo CPC? #APROFUNDANDO
Há duas posições:
a) Posição Minoritária (só o Fredie Didier): Para essa posição não existe mais as condições da ação. Era também a posição defendida por Ovídio Baptista. No novo CPC elas são pressupostos processuais de validade. Em suma, para Fredie Didier existe o binômio da ação: os pressupostos processuais e o mérito.
b) Posição Majoritária (Alexandre Câmara, Talimini, Theodoro Jr, entre outros): Para essa posição continuam existindo as condições da ação, a única diferença é que a possibilidade jurídica do pedido é expressamente inserida dentro do interesse processual. Se olharmos o art. 17 do NCPC, para postular em juízo deve existir interesse processual e legitimidade. A fim de afirmar a existência dessas condições, há também o art. 485, inciso VI do NCPC. Para a maioria, se fala em trinômio da ação: pressupostos processuais, condições da ação e mérito.
1.5. Elementos (identificadores) da ação:
*ATUALIZADO EM 15/12/2021: Nas palavras de Marcus Vinícius6, “os elementos servem para identificar a ação, funcionam como uma espécie de carteira de identidade. É por meio deles que, comparando duas ações, será possível verificar se são idênticas, caso em que haverá litispendência ou coisa julgada; se são semelhantes, caso em que poderá haver conexão ou continência; ou se são completamente diferentes. Os elementos da ação são três: as partes, o pedido e a causa de pedir. Se modificarmos qualquer um deles, alteraremos a ação, o que é de grande relevância porque o juiz, ao prolatar a sua sentença, fica adstrito ao que foi postulado na petição inicial, não podendo julgar nem diferente do que foi pedido, nem a mais. Se o fizer, sua sentença será extra petita ou ultra petita e inválida.”
É adotada a Teoria da Tríplice identidade (tríplice eadem) (art. 337, § 2º, CPC), sendo os elementos:
a) Partes (ativa e passiva):
Em geral, são partes principais o autor e o réu. Parte é quem pede e contra quem se pede algo no exercício do direito de ação.
Existe processo sem uma das partes? É muito raro, mas existe. Como exemplos, temos as ações de controle de constitucionalidade e também as algumas ações de jurisdição voluntária entre as quais se destacam os alvarás (art. 725 e seguintes do NCPC).
Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar:
(...)
§ 2o Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido.
Art. 725. Processar-se-á na forma estabelecida nesta Seção o pedido de:
VII - expedição de alvará judicial;
b) Pedido:
(i) Imediato (pretensão processual - provimento jurídico desejado):
É a pretensão processual, é o provimento jurídico desejado. Na verdade, é o tipo de providência que se requer do judiciário. Tipo de sentença/desejo
Exemplo1: ação de cobrança – pedido imediato: sentença condenatória.
Exemplo2: ação de divórcio – pedido imediato: sentença desconstitutiva (extinção da relação jurídica).
Exemplo3: Entrada de pedido de execução – pedido imediato: penhora de bens.
(ii) Mediato (pretensão material – bem da vida):
É o exercício da pretensão material.
O que nos mundos dos fatos, no mundo da vida, é o que você quer: quero R$ 500,00; quero carro; quero a casa; quero divisão do patrimônio; quero pensão, etc. Em última análise, trata-se do bem da vida.
c) Causa de pedir (teoria da substanciação):
São os fundamentos (narrativa) de fato e de direito do pedido.
#OBS. O Brasil adotou a teoria da substanciação. De acordo com essa teoria, não basta apenas expor os fundamentos jurídicos, é necessário que se haja a exposição dos fundamentos de fato do pedido para saber o alcance da fundamentação jurídica.
(i) Fundamentos jurídicos (causa de pedir próxima): são os fundamentos jurídicos do pedido.
Ex: ação de cobrança:
· Pedido imediato: sentença condenatória.
· Pedido mediato: R$ 500,00 (bem da vida)
· Causa de pedir próxima: inadimplemento (fundamento jurídico)
· Causa de pedir remota: é a história do fato, isto é, a relação fática (fundamentos de fato)
(ii) Fundamentos de fato (causa de pedir remota): são os fatos do processo.
#DEOLHONATABELA #TABELALOVERS¹:
Causa de pedir próxima
Causa de pedir remota
É a lesão ou ameaça a tal direito que foi conferido ao autor. Ex.: na ação de cobrança de dívida a causa de pedir remota é o empréstimo (ato constitutivo do seu crédito) e a causa de pedir próxima é lesão ao seu crédito
É o fato constitutivo do direito do autor, é aquilo que confere ao autor um direito
è O contrário da teoria da substanciação é a teoria da individuação: Para a teoria da individuação, a causa de pedir só precisa ter os fundamentos jurídicos (causa de pedir próxima). O Brasil não adota essa teoria.
è Fundamento jurídico é diferente de fundamento legal: Na ação o agente está obrigado a dizer o porquê do processo, isto é, o fundamento jurídico (ex: inadimplemento). O fundamento legal é o artigo de lei.
Fundamento legal
Fundamento jurídico
É a indicação do artigo de lei no qual se fundamenta a decisão; esse fundamento legal é dispensável e não vincula o autor ou o juiz, não fazendo parte da causa de pedir.
É o liame jurídico entre os fatos e o pedido, ou seja, é a explicação à luz do ordenamento jurídico do porquê o autor merecer o que está pedindo diante dos fatos que narrou.
1.6. Processo[footnoteRef:5]: [5: ]
Processo é o instrumento pelo qual o Estado exerce a jurisdição; o autor, o direito de ação; e o réu, o direito de defesa.
Ação não se confunde com processo. Ação é o direito público, subjetivo e abstrato, de pedir a tutela (proteção) ao Estado (juiz). Processo é o instrumento para o exercício do direito de ação, o modo de exercitá-lo perante o Estado.
a) Classificação das ações:
1) Ações reais e pessoais: a ação é real quando a relação jurídica (causa de pedir próxima) for um direito real. Quando for um direito pessoal, a ação será pessoal. Essa classificação leva em conta o direito afirmado. DEPENDE DO DIREITO (real ou pessoal).
2) Ações mobiliárias ou imobiliárias: a ação será mobiliária quando tiver como objeto de pedido um móvel, e imobiliária quando tiver como objeto um imóvel. DEPENDE DO OBJETO (móvel ou imóvel).
- Uma ação mobiliária ou imobiliária pode ter como causa de pedir tanto um direito real como um direito pessoal. Existem direitos reais sobre móveis e direito reais sobre imóveis, e direitos pessoais sobre móveis e direitos pessoais sobre imóveis. Temos a tendência de pensar que os direitos reais são sempre para bens imóveis. O despejo, por exemplo, é fundado num direito pessoal, mas o objeto é um imóvel.
#OBS: Tal classificação reflete na competência (domicílio do réu – ações mobiliárias - ou situação do imóvel – ações imobiliárias).3) Ação de conhecimento, ação cautelar e ação de execução: Depende do tipo de tutela jurisdicional pretendido: certificação de direito (conhecimento), efetivação de direito (execução) ou proteger a efetivação de um direito (cautelar). A classificação perdeu importância porque as demandas têm assumido natureza sincrética (fases processuais) e servindo a vários tipos de tutela e propósitos.
4) Ações dúplices: no sentido processual, ação dúplice é sinônimo de pedido contraposto. Nos Juizados Especiais, o réu pode formular um pedido contra o autor no bojo da contestação.
#OLHAOGANCHO: A ação possessória é uma ação duplamente dúplice (em ambos os sentidos): o réu, além de se defender do pleito possessório (no qual já afirmará sua posse, ou seja, o seu próprio direito – materialmente dúplice), poderá formular um pedido de indenização contra o autor, no bojo da contestação (pedido contraposto – processualmente dúplice).
b) Observações:
· Diferentemente do direito a uma prestação, o DIREITO POTESTATIVO É O DIREITO QUE ALGUÉM TEM DE SUBMETER OUTREM À ALTERAÇÃO, CRIAÇÃO OU EXTINÇÃO DE SITUAÇÕES JURÍDICAS (“ESTADO DE SUJEIÇÃO”).
· O direito potestativo efetiva-se NORMATIVAMENTE: basta a decisão judicial para que ele se realize, sem qualquer ato material. Exatamente por operarem no mundo jurídico, não precisam de execução, pois não há prestação devida. Não há ato material a ser praticado, não há prestação (conduta) do sujeito passivo. Por isso, são direitos que não podem ser violados e inadimplidos. Ex.: direito à invalidação do ato jurídico, direito ao divórcio, à resolução do negócio, direito de decidir uma sentença, direito de casar.
· Os direitos potestativos submetem-se, se houver previsão legal, a prazos decadenciais.
· AÇÃO CONSTITUTIVA é a demanda que tem o objetivo de obter a certificação e efetivação de um direito potestativo.
#ESQUEMATIZANDO¹ #APROFUNDANDO:
Direitos a uma prestação
Direitos potestativos
Poder de exigir de outrem uma prestação: prestação sempre é uma conduta de fazer, de não fazer ou de dar dinheiro ou de dar uma coisa que não é dinheiro;
É o direito que alguém tem de interferir na esfera jurídica de outra pessoa, significando: criar, alterar ou extinguir situações jurídicas (competência, direitos e obrigações). É o direito de mudar o mundo jurídico (das ideias e não mundo físico), não tendo relação com deveres respectivos.
Relacionam-se com a figura da prescrição: perda do poder de exigir a prestação de outrem;
Relacionam-se com a figura da decadência: perda do próprio direito.
*#OUSESABER: É possível haver direito potestativo sem prazo decadencial? SIM! Ao contrário das pretensões condenatórias, que, em regra, estão submetidas a prazos prescricionais, o direito potestativo pode não estar submetido a qualquer prazo decadencial, sendo, assim, exercido a qualquer tempo. É o caso, por exemplo, do divórcio: trata-se de direito potestativo que qualquer dos cônjuges pode exercer quando bem pretender.
São os únicos direitos que podem ser adimplidos. Logo, o inadimplemento, a lesão e a violação só podem ocorrer nos denominados direitos a uma prestação;
Considerando que não há relação com o dever, não se pode falar em adimplemento.
O prazo de prescrição começa a correr, logo após, o inadimplemento.
São direitos que precisam de uma efetivação material. Se a conduta humana não for realizada, o direito a uma prestação não se efetiva.
O nome técnico dessa efetivação é “execução”: realizar a prestação devida.
Logo, a execução é um fenômeno exclusivo dos direitos a uma prestação. Por isso, existe execução de fazer, execução de não fazer, execução de dar dinheiro, execução de dar coisa diversa.
A execução pressupõe o inadimplemento.
a) A execução pode ser: voluntária ou forçada. A primeira é quando o próprio devedor cumpre a prestação. A segunda ocorre perante o Poder Judiciário, cumprindo-se a obrigação mesmo sem a vontade do devedor.
b) A execução pode ser: fundada em título judicial ou extrajudicial.
c) A execução pode ser: execução em processo autônomo e execução em processo sincrético (cognição + execução. Serve para executar, mas não exclusivamente).
d) A execução pode ser: direta e indireta.
A direta se realiza sem a participação do executado (o Estado-Juiz se sub-roga na posição do devedor e faz o que ele deveria ter feito. Logo, a execução feita diretamente pelo Estado). Ela é considerada uma execução ‘visualmente’ mais violenta. Ex: realização de penhora.
#CUIDADO: Não se pode confundir isso com a arbitrariedade. Apesar de ser aparentemente mais violenta, existe a observância dos princípios constitucionais.
Já a indireta, o Estado força, psicologicamente, o devedor a cumprir a obrigação. O Estado tenta convencer o devedor a fazer isso. Em regra, é uma execução ‘invisível’, pois a pressão se dá na mente. É considerada uma execução mais econômica para o Estado. Pode-se pressionar pelo medo ou pelo estímulo. Neste último caso, surge a figura da “sanção premial”.
Exemplos clássicos: cumprir decisão, sob pena de multa (astreintes), prisão civil de alimentos, cumprir obrigação de não fazer.
#CUIDADO: Não há hierarquia entre elas. Uma não pressupõe a outra.
Exemplos Clássicos: Direito a rescisão de uma sentença; Direito ao divórcio; Direito de anular um contrato; Direito de dividir um condomínio; Direito de revogar um mandato.
Por um ato, há mudança apenas no mundo jurídico e não no mundo dos fatos.
As transformações jurídicas se dão por palavras, não necessitando de efetivação material, como nos direitos a uma prestação.
Portanto, não geram execução!
· Na AÇÃO DECLARATÓRIA pede-se o reconhecimento da existência, da inexistência de uma relação jurídica ou o modo de ser dessa relação ou a declaração de autenticidade ou da falsidade de documento. Não se busca a efetivação de direito algum, nem direito à prestação, nem direito potestativo.
Vejamos o que o NCPC diz sobre a ação declaratória:
Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração:
I - da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica[footnoteRef:6]; [6: (CESPE - 2017 - TRF - 1ª REGIÃO - Analista Judiciário - Área Judiciária): Conforme o Código de Processo Civil vigente, julgue o item seguinte, a respeito da função jurisdicional, dos deveres das partes e de procuradores, do litisconsórcio e da assistência. O modo de ser de uma relação jurídica pode ser objeto de ação declaratória. CERTO!]
II - da autenticidade ou da falsidade de documento.
#SELIGANASÚMULA: Súmula 181 do STJ: É admissível ação declaratória, visando a obter certeza quanto à exata interpretação de cláusula contratual.
· Também é admitida a ação declaratória para interpretar decisão judicial.
· Exemplos de ações declaratórias: ADC (ação declaratória de constitucionalidade), ação de usucapião, ação declaratória de inexistência de relação jurídica tributária, ação declaratória de inexistência de união estável, consignação em pagamento etc.
· Exatamente porque se busca a mera certeza de uma relação, e não a prestação de um direito (prescrição) ou a afirmação de um direito potestativo (decadência), não se submetem a prazos.
· O art. 20 do NCPC repete o art. 4º do CPC antigo, vejamos:
Art. 20. É admissível a ação meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação do direito.
#ATENÇÃO: O direito à declaração não prescreve, mas o direito à prestação corresponde sim. Ação meramente declaratória ajuizada quando já poderia ter sido ajuizada uma ação condenatória não interrompe a prescrição. Isso porque não houve comportamento do credor que revelasse a sua vontade de buscar a efetivação da prestação. E todos os fatos interruptivos da prescrição se justificam em um comportamento do credor direcionado ao cumprimento da prestação pelo sujeito passivo. Na ação declaratória, o demandante não anuncia o desejo de efetivar o seu direito após a certificação judicial. É diferente do que ocorre na ação condenatória, em que o comportamento do credor direciona-se ao cumprimento da prestação pelo sujeitopassivo. Distinguir 3 situações:
AÇÃO DECLARATÓRIA SEM QUE TENHA HAVIDO LESÃO
AÇÃO DECLARATÓRIA QUANDO HOUVE
LESÃO (ART. 20)
AÇÃO CONDENATÓRIA
Não há prescrição, pois não houve violação do direito.
Há prescrição, pois a violação do direito já ocorreu.
O despacho que ordena a citação não interrompe a prescrição, pois não há pretensão à efetivação.
Há prescrição, que é interrompida pele o despacho que ordena a citação.
Os efeitos da sentença declaratória são ex tunc (só declara o que já existe). Exceção: art. 27 da Lei 9.868/99, que permite a modulação temporal dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade.
#SELIGA: É possível a execução de sentença declaratória, caso presentes os elementos necessários à execução, como exigibilidade, liquidez e certeza da obrigação.
è Nosso sistema oferece ao jurisdicionado dois veículos para o exercício do direito de ação, a depender da pretensão dele.
O principal é o processo de conhecimento, utilizado toda vez em que se pretende a declaração de um direito.
Já o processo de execução não tem índole declaratória. Trata-se de veículo colocado à disposição do jurisdicionado para obrigar o condenado a satisfazer forçadamente o direito previamente declarado.
O procedimento, por sua vez, não é o veículo do exercício do direito de ação, e sim a maneira como os atos processuais, dentro de cada um dos processos, são concatenados do início ao fim.
#MAISUMATABELA
PROCESSO DE CONHECIMENTO
PROCESSO DE EXECUÇÃO
Procedimento comum (arts. 318 e ss., CPC)
Procedimentos comuns:
a) Execução por quantia certa contra devedor solvente (arts. 824 e ss., CPC);
b) Execução para entrega de coisa certa ou incerta (arts. 806 e ss., CPC);
c) Execução de fazer e não fazer (arts. 814 e ss., CPC).
Procedimentos especiais (arts. 539 e ss., CPC)
Procedimentos especiais:
a) Execução por quantia contra devedor insolvente (art. 1052, CPC);
b) Execução contra a Fazenda Pública (art. 910, CPC);
c) Execução de alimentos (arts. 911 e ss., CPC)
PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS
Os pressupostos processuais são todos os elementos de existência, os requisitos de validade e as condições de eficácia do procedimento.
Para que a relação jurídica processual exista (pressupostos de existência), basta que alguém (capacidade de ser parte) postule (demanda) perante um órgão investido de jurisdição (juiz).
#SELIGA: Os pressupostos processuais constituem matéria de ordem pública, que deve ser examinada pelo Juiz de ofício, enquanto não houver trânsito em julgado[footnoteRef:7]. Vale mencionar que a ausência de alegação, pelas partes, não torna preclusa a matéria, que pode ser examinada e reexaminada a qualquer tempo. Só não mais se poderá conhecer de ofício da falta de condições da ação ou dos pressupostos processuais em recurso especial ou extraordinário, que exigem que o assunto tenha sido prequestionado. [7: (CESPE - 2017 - TRF - 1ª REGIÃO - Técnico Judiciário - Área Administrativa): A respeito de aspectos relativos à ação, julgue o item a seguir. Os vícios relativos ao interesse de agir e à legitimidade podem ser reconhecidos a qualquer tempo, mesmo após o trânsito em julgado da ação. ERRADO!]
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: (...) IV - verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo;
§ 3o O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado.
#RESUMINDO
EXISTÊNCIA
VALIDADE
NEGATIVOS
Petição inicial (demanda)
Petição inicial apta (arts. 319/320)
Coisa julgada (art. 337, §§, CPC)
Capacidade postulatória (arts. 103 e ss., CPC)
Capacidade ad processum (capacidade de estar em juízo)
Litispendência (art. 337, §§, CPC)
Jurisdição
Jurisdição absolutamente competente e imparcial
Perempção (art. 486, §3º, CPC)
Citação
Citação válida
Convenção de arbitragem (art. 3º, Lei 9.307/96)
1. Pressupostos processuais de existência:
1.1. Jurisdição:
Os atos processuais que só podem ser praticados por um Juiz são tidos por ineficazes se praticados por quem não está investido da função. Serão considerados ineficazes, por exemplo, os atos determinados por um juiz já aposentado, ou por um que ainda não tenha tomado posse de suas funções.
1.2. Existência de demanda:
Como a jurisdição é inerte, reputa-se ineficaz aquilo que for decidido pelo Juiz na sentença, sem que tenha havido pedido. É ineficaz a sentença extra petita, porque terá decidido algo que não foi pedido. Da mesma forma, poderá ser declarada a ineficácia da sentença ultra petita, naquilo que efetivamente extrapolar o pedido.
#OLHAOGANCHO: São defeitos relacionados especificamente ao art. 492 do CPC: São três defeitos:
a) Sentença Extra petita (fora do que foi pedido): cabe apelação. Regra geral, o Tribunal anulará a sentença.
b) Sentença Ultra petita (para além do que foi pedido): cabe apelação. Regra geral, o Tribunal readequará a sentença aos estritos limites do pedido.
c) Sentença Citra ou infra petita (não aprecia todos os pedidos): cabem embargos de declaração. Regra geral, o julgador suprirá a omissão.
1.3. Capacidade de ser parte:
Trata-se da aptidão genérica e absoluta dos sujeitos de direitos para ser sujeito de uma relação jurídica ou assumir uma situação jurídica processual. Em suma, é a personalidade judiciária, que independe da personalidade jurídica.
Em regra, todos possuem essa capacidade de direito. A capacidade de ser parte (personalidade judiciária ou personalidade jurídica) diz respeito à capacidade do sujeito de gozo e exercício de direitos e obrigações (art. 1.º do CC), existindo para as pessoas físicas, pessoas jurídicas, pessoas formais (art. 75 do Novo CPC), e para a maioria dos entes despersonalizados.
1.4. Citação do réu:
Mesmo antes de o réu ser citado, já existe um processo incompleto, que tem a participação apenas do autor e do Juiz. A citação é necessária para que ele passe a existir em relação ao réu e se complete a relação processual.
Sem citação, o réu não tem como saber da existência do processo, nem oportunidade de se defender. Se for proferida sentença sem citação, que acabe por produzir efeitos, o réu, para afastá-los, deve valer-se da declaratória (querela nullitatis).
2. Pressupostos processuais de validade:
2.1. Petição inicial apta:
A inépcia da petição inicial impede o desenvolvimento válido e regular do processo. As hipóteses de inépcia estão previstas no art. 330, § 1º, do NCPC.
#CASCADEBANANA: Há um caso de inépcia que não resultará em invalidade, mas em ineficácia do processo. Trata-se da falta de pedido, mencionada no inciso I. Nas demais, haverá apenas nulidade. Art. 330. (...) § 1o Considera-se inepta a petição inicial quando: I - lhe faltar pedido ou causa de pedir;
Art. 330. A petição inicial será indeferida quando:
I - for inepta;
II - a parte for manifestamente ilegítima;
III - o autor carecer de interesse processual;
IV - não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321.
§ 1o Considera-se inepta a petição inicial quando:
I - lhe faltar pedido ou causa de pedir;
II - o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite o pedido genérico;
III - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão;
IV - contiver pedidos incompatíveis entre si.
§ 2o Nas ações que tenham por objeto a revisão de obrigação decorrente de empréstimo, de financiamento ou de alienação de bens, o autor terá de, sob pena de inépcia, discriminar na petição inicial, dentre as obrigações contratuais, aquelas que pretende controverter, além de quantificar o valor incontroverso do débito.
§ 3o Na hipótese do § 2o, o valor incontroverso deverá continuar a ser pago no tempo e modo contratados.
2.2. Juízo competente e juiz imparcial:
Há dois graus de parcialidade: o impedimento e a suspeição. Somente aquele gerará nulidade e ensejará a ação rescisória (art. 966, II, do CPC). A incompetência relativa e a suspeição devem ser alegadas no momento oportuno e tornam-se preclusaspara os litigantes que não o fizerem a tempo.
#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA IMPORTANTE: A declaração pelo magistrado ("auto declaração") de suspeição por motivo superveniente não tem efeitos retroativos, não importando em nulidade dos atos processuais praticados em momento anterior ao fato ensejador da suspeição. STJ. 1ª Seção. PET no REsp 1.339.313-RJ, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. para acórdão Min. Assusete Magalhães, julgado em 13/4/2016 (Info 587).
#SELIGA: A doutrina e jurisprudência consideram o rol de impedimentos taxativo e o de suspeição exemplificativo!
2.3. Capacidade ad processum:
São três as espécies de capacidade no processo civil. A postulatória, a de ser parte e a processual, também chamada capacidade para estar em Juízo.
CAPACIDADE PROCESSUAL
CAPACIDADE DE SER PARTE
ESTAR EM JUÍZO – PESSOALMENTE OU ATRAVÉS DE PESSOAS INDICADAS PELA LEI
GENÉRICA E ABSOLUTA
(PERSONALIDADE JUDICIÁRIA)
CAPACIDADE DE SER PARTE
CAPACIDADE PROCESSUAL
LEGITIMIDADE AD CAUSAM
Pressuposto de EXISTÊNCIA genérico e abstrato.
Requisito de VALIDADE subjetivo.
Requisito de VALIDADE objetivo extrínseco positivo.
É a PERSONALIDADE JURIDICIÁRIA:
Aptidão genérica a absoluta dos sujeitos de direito para ser sujeito de uma relação jurídica ou assumir uma situação jurídica processual.
É a capacidade para ESTAR EM JUÍZO: toda pessoa que se acha no exercício dos seus direitos tem capacidade para estar em juízo (art. 70).
É a pertinência subjetiva da ação: capacidade para CONDUZIR UM PROCESSO em que se discuta uma determinada relação jurídica.
É ABSOLUTA, não depende do que está sendo discutido em juízo.
Depende do que está sendo discutido em juízo. Pode existir para um ato e não existir para outro.
Depende do que está sendo discutido em juízo (vínculo entre os sujeitos do processo e a situação jurídica afirmada).
Polo ativo (a incapacidade de ser parte do réu é caso de formulação incorreta da demanda).
Polos ativo e passivo.
Pode ser suprida pela representação e curadoria especial.
Polo ativo e passivo.
A legitimidade pode ser ORDINÁRIA ou EXTRAORDINÁRIA (substituição processual).
a) Capacidade de ser parte ou de direito: Trata-se da aptidão genérica e absoluta dos sujeitos de direitos para ser sujeito de uma relação jurídica ou assumir uma situação jurídica processual. Em suma, é a personalidade judiciária, que independe da personalidade jurídica.
#OBS: Têm personalidade judiciária: pessoas físicas, pessoas jurídicas, condomínio, massa falida, espólio, nascituro, nondum conceptus (prole eventual), sociedade de fato, comunidades indígenas, sociedades irregulares, órgãos públicos como o MP, o Tribunal de Contas e a Defensoria Pública etc.
#CASCADEBANANA: NÃO SE EXIGE A CAPACIDADE DE SER PARTE DO RÉU. Como o processo nasce com a demanda, ele nasce sem a presença do réu em juízo. Diante da não indicação do réu, o juiz deve intimar para regularizar a petição inicial e, depois, se não o fizer, extinguirá o processo por defeito do instrumento da demanda.
#ATENÇÃO: Apenas excepcionalmente, quando houver previsão legal, os entes despersonalizados terão capacidade de ser parte.
#OLHAOGANCHO: Súmula 525, STJ: A Câmara de Vereadores não possui personalidade jurídica, apenas personalidade judiciária, somente podendo demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais.
b) Capacidade processual ou para estar em Juízo: É a aptidão para figurar como parte, sem precisar ser representado nem assistido. As pessoas naturais que têm capacidade de fato, que podem exercer, por si sós, os atos da vida civil, têm capacidade processual, pois podem figurar no processo sem serem representadas ou assistidas. O incapaz não tem capacidade processual. Mas passará a ter, por intermédio das figuras da representação e da assistência.
Vale destacar que a capacidade processual pressupõe a capacidade de ser parte. É possível ter capacidade de ser parte e não ter capacidade para estar em juízo, mas não é possível ter capacidade para estar em juízo e não ter capacidade de ser parte.
c) Representação processual: É uma forma de suprir a incapacidade processual. O art. 71 assim dispõe: Art. 71. O incapaz será representado ou assistido por seus pais, por tutor ou por curador, na forma da lei.
*(Atualizado em 29/05/2022)
Art. 75. Serão representados em juízo, ativa e passivamente:
I - a União, pela Advocacia-Geral da União, diretamente ou mediante órgão vinculado;
II - o Estado e o Distrito Federal, por seus procuradores;
III - o Município, por seu prefeito ou procurador;
III - o Município, por seu prefeito, procurador ou Associação de Representação de Municípios, quando expressamente autorizada; (Redação dada pela Lei nº 14.341, de 2022)
IV - a autarquia e a fundação de direito público, por quem a lei do ente federado designar;
V - a massa falida, pelo administrador judicial;
VI - a herança jacente ou vacante, por seu curador;
VII - o espólio, pelo inventariante;
VIII - a pessoa jurídica, por quem os respectivos atos constitutivos designarem ou, não havendo essa designação, por seus diretores;
IX - a sociedade e a associação irregulares e outros entes organizados sem personalidade jurídica, pela pessoa a quem couber a administração de seus bens;
X - a pessoa jurídica estrangeira, pelo gerente, representante ou administrador de sua filial, agência ou sucursal aberta ou instalada no Brasil;
XI - o condomínio, pelo administrador ou síndico.
§ 1o Quando o inventariante for dativo, os sucessores do falecido serão intimados no processo no qual o espólio seja parte.
§ 2o A sociedade ou associação sem personalidade jurídica não poderá opor a irregularidade de sua constituição quando demandada.
§ 3o O gerente de filial ou agência presume-se autorizado pela pessoa jurídica estrangeira a receber citação para qualquer processo.
§ 4o Os Estados e o Distrito Federal poderão ajustar compromisso recíproco para prática de ato processual por seus procuradores em favor de outro ente federado, mediante convênio firmado pelas respectivas procuradorias.
§ 5º A representação judicial do Município pela Associação de Representação de Municípios somente poderá ocorrer em questões de interesse comum dos Municípios associados e dependerá de autorização do respectivo chefe do Poder Executivo municipal, com indicação específica do direito ou da obrigação a ser objeto das medidas judiciais. (Incluído pela Lei nº 14.341, de 2022)
#ATENÇÃO: A INCAPACIDADE PROCESSUAL É SEMPRE SANÁVEL.
Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o vício.
§1º Descumprida a determinação, caso o processo esteja na instância originária:
I O processo será extinto, se a providência couber ao autor;
II O réu será considerado revel, se a providência lhe couber;
III O terceiro será considerado revel ou excluído do processo, dependendo do polo em que se encontre.
§2º Descumprida a determinação em fase recursal perante TJ, TRF ou Tribunal Superior, o relator:
- Não conhecerá do recurso, se a providência couber ao recorrente;
- Determinará o desentranhamento das contrarrazões, se a providência couber ao recorrido.
d) Restrição da capacidade processual das pessoas casadas: O regramento mudou muito pouco em relação ao CPC/73. Os art. 73 deve ser interpretado restritivamente, porque se trata de norma que limita o exercício de direitos. Vejamos:
Art. 73. O cônjuge necessitará do consentimento do outro para propor ação que verse sobre direito real imobiliário, salvo quando casados sob o regime de separação absoluta de bens.
§1º Ambos os cônjuges serão necessariamente citados para a ação:
I - Que verse sobre direito real imobiliário, salvo quando casados sob o regime de separação absoluta de bens;
II - Resultante de fato que diga respeito a ambos os cônjuges ou de ato praticado por eles;
III - Fundada em dívida contraída por um dos cônjuges a bem da família;
IV - Que tenha por objeto o reconhecimento, a constituiçãoou a extinção de ônus sobre imóvel de um ou de ambos os cônjuges.
§2º Nas ações possessórias, a participação do cônjuge do autor ou do réu somente é indispensável nas hipóteses de composse ou de ato por ambos praticado.
§3º Aplica-se o disposto neste artigo à união estável comprovada nos autos.
Art. 74. O consentimento previsto no art. 73 pode ser suprido judicialmente quando for negado por um dos cônjuges sem justo motivo, ou quando lhe seja impossível concedê-lo.
Parágrafo único. A falta de consentimento, quando necessário e não suprido pelo juiz, invalida o processo.
e) Curador especial: É um representante processual ad hoc. Age em nome alheio para a defesa de interesse alheio.
Art. 72. O juiz nomeará curador especial ao:
I - Incapaz, se não tiver representante legal ou se os interesses deste colidirem com os daquele, enquanto durar a incapacidade;
II - Réu preso revel, bem como ao réu revel citado por edital ou com hora certa, enquanto não for constituído advogado.
Parágrafo único. A curatela especial será exercida pela Defensoria Pública, nos termos da lei.
CURADOR ESPECIAL
INCAPAZ, SE NÃO TIVER REPRESENTANTE
LEGAL, OU SE OS INTERESSES DESTE COLIDIREM COM OS DAQUELE
RÉU PRESO REVEL E RÉU REVEL CITADO POR EDITAL OU COM HORA CERTA, ENQUANTO NÃO FOR CONSTITUÍDO ADVOGADO
A nomeação de curador especial não dispensa a intervenção do MP (art. 178, II, NCPC).
Incapazes em ambos os polos: um curador especial para cada.
A curatela especial aplica-se às pessoas jurídicas e aos entes formais, quando o órgão que a presente ou pessoa que a represente não puder praticar os atos processuais necessários à sua defesa.
A curatela é justificada pela ausência física do réu revel, seja porque foi citado fictamente, seja porque está preso (equilíbrio do contraditório).
Se o réu revel comparecer, cessa a atuação do curador.
Se a revelia decorreu de citação inválida, a atuação do curador especial não tem aptidão de corrigir o defeito, que poderá ser arguido por querela nullitatis.
Quanto ao réu revel preso, atenção à mudança: não basta estar preso, tem que estar revel. O CPC-73 não exigia a revelia do réu preso para a nomeação de curador especial.
Nos dois casos, se o revel tiver constituído advogado, cessam as funções do curador especial.
O curador é especial porque a representação se dá apenas naquele processo e enquanto durar a incapacidade. Também é chamado de curador à lide. Seu objetivo é suprir a incapacidade processual, por imposição legal. A falta de designação do curador implica nulidade do procedimento desde então.
A curatela especial é sempre temporária: no máximo, dura até o trânsito em julgado da decisão. Todavia, pode ocorrer um fato que encerre antes disso: cessação da incapacidade, nomeação do representante legal, aparecimento do réu revel, constituição de advogado, etc.
A curatela especial deve ser exercida prioritariamente pela Defensoria Pública. Se não houver, pode ser exercida por qualquer pessoa capaz, inclusive o advogado ou o MP. O exercício da curatela é um múnus público, do qual deve desincumbir-se o curador, sob pena de responsabilidade funcional. O juiz poderá, inclusive, designar outro curador especial, para substituir o primeiro que se comportar de maneira negligente.
Em regra, a curatela especial não supre a capacidade postulatória. Se o curador for defensor público (regra), MP ou advogado, a capacidade postulatória estará suprida. Se for outra pessoa capaz, deverá constituir advogado.
Nomeado um advogado, nada impede que ele substabeleça as tarefas de advogado a outro patrono. Não poderá delegar a função de curador especial (indelegável, função pública).
Na remota hipótese de a curatela especial ser exercida pelo MP, dois promotores devem atuar no feito, um para ser curador especial e outro para ser fiscal da lei (função imparcial).
O CURADOR ESPECIAL PODE...
O CURADOR ESPECIAL NÃO PODE...
Contestar e recorrer;
Impetrar mandado de segurança contra ato judicial;
Embargar a execução;
Promover chamamento ao processo.
SÃO ATOS DE DEFESA: PODE!
Propor reconvenção;
Formular pedido contraposto;
Promover denunciação da lide nos casos de evicção;
Transigir, renunciar ou reconhecer a procedência do pedido (dispor do direito material).
SÃO ATOS POSTULATÓRIOS: NÃO PODE!
Assim como ocorria no CPC/73, o curador especial não tem o ônus da impugnação especificada dos fatos afirmados na petição inicial, podendo formular defesa genérica:
Art. 314, parágrafo único. O ônus da impugnação especificada dos fatos não se aplica ao defensor público, ao advogado dativo e ao curador especial.
Oferecida a contestação, o autor não poderá, sem o consentimento do réu, desistir da ação (art. 485, §4º, NCPC). Assim, é imprescindível o consentimento do réu, representado pelo curador especial, à proposta de revogação da demanda feita pelo autor.
Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o vício.
§ 1o Descumprida a determinação, caso o processo esteja na instância originária:
I - o processo será extinto, se a providência couber ao autor;
II - o réu será considerado revel, se a providência lhe couber;
III - o terceiro será considerado revel ou excluído do processo, dependendo do polo em que se encontre.
§ 2o Descumprida a determinação em fase recursal perante tribunal de justiça, tribunal regional federal ou tribunal superior, o relator:
I - não conhecerá do recurso, se a providência couber ao recorrente;
II - determinará o desentranhamento das contrarrazões, se a providência couber ao recorrido.
f) Capacidade postulatória: Em regra, as partes deverão ser assistidas por um advogado devidamente habilitado pela Ordem dos Advogados do Brasil, ou seja, as partes deverão ter capacidade postulatória. Por vezes, a capacidade postulatória é dispensada, como ocorre nos Juizados Especiais, Justiça Trabalhista, no HC e na ADIn/Adecon.
#ATENÇÃO: Nos Juizados Especiais Cíveis, regulados pela Lei 9.099/1995, a dispensa de advogado atinge somente as causas com valor inferior a 20 salários mínimos, de forma que naquelas que tenham o valor compreendido entre 20 e 40 salários mínimos a capacidade postulatória é pressuposto de validade do processo. Já nos Juizados Especiais Federais e da Fazenda Pública a dispensa de advogado atinge todas as causas, ou seja, causas com valor inferior a 60 salários mínimos.
#CASCADEBANANA¹: Nos Juizados Especiais a dispensa da capacidade postulatória, quando admitida, é afastada para a interposição de recursos, quando se exige a presença de advogado (art. 41, § 2.º, da Lei 9.099/1995).
#CASCADEBANANA²: Interessante consignar que o Supremo Tribunal Federal entende que no habeas corpus a dispensa de advogado também atinge o agravo interno quando a ação é julgada monocraticamente.
A falta de capacidade postulatória é caso de nulidade do ato. Se for relativa ao autor, implica extinção do processo; se for relativa ao réu, o prosseguimento do processo à sua revelia; se for relativa a terceiro, a sua revelia ou exclusão da causa, a depender do polo em que se encontra.
No caso de ato praticado por advogado sem procuração, não há incapacidade postulatória (o ato foi praticado por um advogado). O que não há é a prova da representação voluntária. Nesse caso, o ato não é nulo. Trata-se de ato cuja eficácia em relação ao suposto representado submete-se a uma condição legal suspensiva, passível de ratificação.
É a única hipótese, juntamente com a hipótese do art. 115, inciso II, do NCPC, em que há previsão expressa de ineficácia. O art. 104, § 2º, do CPC aduz que o ato processual praticado por quem não tem capacidade postulatória, se não ratificado no prazo, será havido por ineficaz. Foi com base nesse dispositivo que parte da doutrina passou a admitir a categoria “ineficácia” em nosso ordenamento.
#ATENÇÃO: O vício só será reconhecido se o ato não for ratificado, oportunamente, por quem tem capacidade postulatória!
§2o Oato não ratificado será considerado ineficaz relativamente àquele em cujo nome foi praticado, respondendo o advogado pelas despesas e por perdas e danos.
#ATENÇÃO: Os advogados públicos estão dispensados de apresentação da procuração, pois a representação judicial lhes é conferida pela lei que fixou as funções do seu cargo. No mesmo sentido, o defensor público está autorizado a postular sem procuração, ressalvada a prática de atos que exijam poderes especiais (art. 44, XI, LC 80/1994).
Art. 103. A parte será representada em juízo por advogado regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil.
Parágrafo único. É lícito à parte postular em causa própria quando tiver habilitação legal.
Art. 104. O advogado não será admitido a postular em juízo sem procuração, salvo para evitar preclusão, decadência ou prescrição, ou para praticar ato considerado urgente.
§1º Nas hipóteses previstas no caput, o advogado deverá, independentemente de caução, exibir a procuração no prazo de 15 dias, prorrogável por igual período por despacho do juiz. §2º O ato não ratificado será considerado INEFICAZ relativamente àquele em cujo nome foi praticado, respondendo o advogado pelas despesas e por perdas e danos.
Art. 105. A procuração geral para o foro, outorgada por instrumento público ou particular assinado pela parte, habilita o advogado a praticar todos os atos do processo, exceto receber citação, confessar, reconhecer a procedência do pedido, transigir, desistir, renunciar ao direito sobre o qual se funda a ação, receber, dar quitação, firmar compromisso e assinar declaração de hipossuficiência econômica, que devem constar de cláusula específica.
§1º A procuração pode ser assinada digitalmente, na forma da lei.
§2º A procuração deverá conter o nome do advogado, seu número de inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil e endereço completo.
§3º Se o outorgado integrar sociedade de advogados, a procuração também deverá conter o nome dessa, seu número de registro na Ordem dos Advogados do Brasil e endereço completo.
§4º Salvo disposição expressa em sentido contrário constante do próprio instrumento, a procuração outorgada na fase de conhecimento é eficaz para todas as fases do processo, inclusive para o cumprimento de sentença.
Art. 106. Quando postular em causa própria, incumbe ao advogado:
I - Declarar, na petição inicial ou na contestação, o endereço, seu número de inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil e o nome da sociedade de advogados da qual participa, para o recebimento de intimações;
II - Comunicar ao juízo qualquer mudança de endereço.
§1º Se o advogado descumprir o disposto no inciso I, o juiz ordenará que se supra a omissão, no prazo de 5 dias, antes de determinar a citação do réu, sob pena de indeferimento da petição.
§2º Se o advogado infringir o previsto no inciso II, serão consideradas válidas as intimações enviadas por carta registrada ou meio eletrônico ao endereço constante dos autos.
Art. 107. O advogado tem direito a:
I - Examinar, em cartório de fórum e secretaria de tribunal, mesmo sem procuração, autos de qualquer processo, independentemente da fase de tramitação, assegurados a obtenção de cópias e o registro de anotações, salvo na hipótese de segredo de justiça, nas quais apenas o advogado constituído terá acesso aos autos;
II - Requerer, como procurador, vista dos autos de qualquer processo, pelo prazo de 5 dias
III - Retirar os autos do cartório ou da secretaria, pelo prazo legal, sempre que neles lhe couber falar por determinação do juiz, nos casos previstos em lei.
§1º Ao receber os autos, o advogado assinará carga em livro ou documento próprio.
§2º Sendo o prazo comum às partes, os procuradores poderão retirar os autos somente em conjunto ou mediante prévio ajuste, por petição nos autos.
§3º Na hipótese do §2º, é lícito ao procurador retirar os autos para obtenção de cópias, pelo prazo de 2 a 6 horas, independentemente de ajuste e sem prejuízo da continuidade do prazo.
§4º O procurador perderá no mesmo processo o direito a que se refere o §3º se não devolver os autos tempestivamente, salvo se o prazo for prorrogado pelo juiz.
2.4 Legitimação para agir e interesse processual:
São requisitos de validade objetivo extrínseco e positivo, ou seja, devem existir para que a instauração do processo seja válida.
a) LEGITIMAÇÃO PARA AGIR: nada mais é que a legitimidade ad causam ou pertinência subjetiva da ação: Capacidade para conduzir um processo em que se discuta uma determinada relação jurídica, tanto no referente ao POLO ATIVO como ao POLO PASSIVO (bilateral). Parte processual é aquela que se encontra em posição processual coincidente com a situação legitimadora (vínculo entre os sujeitos do processo e a situação jurídica afirmada). É AFERIDA DIANTE DO OBJETO LITIGIOSO (DEPENDE DO QUE ESTÁ SENDO DISCUTIDO EM JUÍZO). Ex.: se alguém pretende obter uma indenização de outrem, é necessário que o autor seja aquele que está em posição jurídica de vantagem e o réu seja o titular, ao menos em tese, do dever de indenizar.
É importante, no estudo da legitimação para agir, diferenciar a legitimação ordinária da extraordinária:
Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico.
Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como assistente litisconsorcial.
#RECORDARÉVIVER²:
LEGITIMIDADE ORDINÁRIA
LEGITIMIDADE EXTRAORDINÁRIA
O legitimado está em juízo em nome próprio defendendo interesse próprio.
O legitimado está em juízo em nome próprio defendendo interesse alheio. É a chamada SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL.
São exemplos de casos de legitimação extraordinária que decorre de lei:
a) Legitimação para as ações coletivas (art. 5º da Lei 7.347/85 - ACP);
b) Legitimação para a propositura de ADI (art. 103, CF/88);
c) Legitimação do denunciado à lide para defender os interesses do denunciante em relação ao adversário comum (arts. 127-128 do CPC);
d) Legitimação para impetração de habeas corpus (art. 654 do CPP) etc.
Vale destacar que o legitimado extraordinário atua no processo na qualidade de PARTE, e não de representante. É em relação a ele (legitimado extraordinário ou substituto processual) que se examina o preenchimento dos requisitos processuais subjetivos. Contudo, a imparcialidade do juiz pode ser averiguada em relação a ambos (substituído e substituto).
b) INTERESSE DE AGIR: é um INTERESSE INSTRUMENTAL, DE NATUREZA PROCESSUAL (alguns chamam de interesse processual, é o processo que tem que ser útil e necessário). Deve ser AFERIDO DIANTE DO OBJETO LITIGIOSO, EM CONCRETO. Tem por objeto o provimento que se pede ao juiz como meio para obter a satisfação de um interesse primário lesado.
#JACAIU: O Interesse deve estar presente para propor e para contestar a ação.
Duas dimensões: UTILIDADE e NECESSIDADE da tutela jurisdicional.
Haverá utilidade sempre que o processo puder propiciar ao demandante o resultado favorável pretendido. O alto custo do processo, em relação ao benefício, pode indicar a ausência de interesse. O processo por capricho (quando se busca apenas o prejuízo do réu), também. Há falta de interesse processual quando não for mais possível a obtenção do resultado almejado (“perda do objeto” da causa). Ex.: o cumprimento da obrigação se deu antes da citação do réu.
O processo deve ser necessário ao que se busca. Por isso, é preciso esperar, muitas vezes, o resultado de um processo administrativo (ex.: é necessário o prévio requerimento administrativo antes de o segurado recorrer à justiça para a concessão de benefício previdenciário – STF, RE 631.240). - A propositura de ação cautelar de exibição de documentos bancários (cópias e segunda via de documentos) é cabível como medida preparatória a fim de instruir a ação principal, bastando a demonstração da existência de relação jurídica entre as partes, a comprovação de prévio pedido à instituição financeira não atendido em prazo razoável e o pagamento do custo do serviço conforme previsão contratuale normatização da autoridade monetária (STJ, REsp 1.349.453-MS).
2.5. Pressupostos processuais negativos:
Todos os pressupostos acima estudados são positivos, requisitos que o processo deve preencher, que devem estar presentes para que ele tenha um desenvolvimento válido e regular. Os pressupostos negativos indicam circunstâncias que devem estar ausentes, para a validade do processo, como a litispendência, a coisa julgada, a perempção e o compromisso arbitral.
#AMAMOSTABELAS #TABELASALVANDOVIDAS:
EXISTÊNCIA
VALIDADE POSITIVOS
VALIDADE NEGATIVOS
Demanda (autor)
Demanda apta (art. 319)
Litispendência (art. 337, §1º)
Jurisdição
Jurisdição competente e imparcial
Coisa julgada (art. 337, § 2º)
Citação (réu-oportunidade)
Citação válida
Perempção (art. 486, §3º)
-
Capacidade de ser parte e ad processum (estar em juízo)
Convenção de arbitragem (art. 3º, Lei 9.307/96)
-
Capacidade postulatória (art. 104, §2º)
-
-
Caução ou requisito específico (art. 73)
-
-
Legitimidade e Interesse de agir
-
3. Pressupostos objetivos e subjetivos:
Há autores que classificam os pressupostos em objetivos e subjetivos. Os subjetivos são direcionados aos sujeitos do processo; já os objetivos, são relacionados ao pedido.
3.1. Pressupostos processuais subjetivos (juiz):
a) Investidura: o Estado investe um determinado sujeito – o juiz de direito – do Poder jurisdicional, para que possa exercê-lo por meio desse sujeito.
b) Imparcialidade: a ideia de um terceiro imparcial, desinteressado diretamente no conflito de interesses que irá julgar, é essencial para a regularidade do processo.
3.2. Pressupostos processuais subjetivos (partes):
a) Capacidade de ser parte;
b) Capacidade de estar em juízo;
c) Capacidade postulatória.
3.3. Pressupostos processuais objetivos:
a) Pressupostos processuais objetivos extrínsecos: são analisados fora da relação jurídica processual.
(i) Coisa julgada material;
(ii) Litispendência;
(iii) Perempção;
(iv) Transação;
(v) Convenção de arbitragem;
(vi) Ausência de pagamento de custas processuais em demanda idêntica extinta anteriormente por sentença terminativa (art. 268 do CPC/1973, correspondente ao artigo 486, §2º do CPC/2015).
b) Pressupostos processuais objetivos intrínsecos: são analisados na própria relação jurídica processual.
(i) Demanda;
(ii) Petição inicial apta;
(iii) Citação válida;
(iv) Regularidade formal.
REQUISITOS DE VALIDADE DO PROCESSO OBJETIVOS
INTRÍNSECO
EXTRÍNSECOS
Respeito ao formalismo processual.
#OBS: O formalismo processual compreende não só a forma, mas especialmente a delimitação dos poderes, faculdades e deveres dos sujeitos processuais, coordenação da sua atividade, ordenação do procedimento e organização do processo, com vistas a que sejam atingidas as suas finalidades primordiais. Exemplos: petição inicial apta, comunicação dos atos processuais, respeito ao princípio do contraditório, escolha correta do procedimento etc. O desrespeito ao formalismo processual implica invalidade do ato jurídico processual ou do procedimento. Contudo, é difícil imaginar uma hipótese em que o desrespeito a esses requisitos importe imediatamente a extinção do processo. Submetidos que estão ao sistema de invalidades, sempre deverá buscar-se o aproveitamento dos atos processuais ou a sanação do vício. Somente se impossível a correção ou o aproveitamento é que o ato não deve ser aceito e, se for o caso, o processo ser extinto.
Inexistência de perempção, litispendência, coisa julgada ou convenção de arbitragem (NEGATIVOS);
Interesse de agir (POSITIVO).
4. Regime jurídico dos pressupostos processuais:
4.1. Não havendo a correção do vício (alguns são possíveis, outros não), a ausência poderá acarretar em remessa do caso ou em extinção do processo sem julgamento do mérito:
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
I - indeferir a petição inicial;
IV - verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo;
V - reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada;
4.2. Questões de ordem pública (Arts. 337, §5º e 485, §3º, CPC):
O juiz pode, de ofício, a qualquer momento e grau de jurisdição, reconhecer o vício.
Art. 337, §5º. Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo.
Art. 485, §3º, CPC: O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado.
IV - verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo;
V - reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada;
VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual;
IX - em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição legal; e
Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe:
IX - determinar o suprimento de pressupostos processuais e o saneamento de outros vícios processuais;
DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO
DIPLOMA
DISPOSITIVO
Código de Processo Civil
Art. 16 a 20
Art. 17 a 20; Art. 70 a 76 e art. 103 a 112
image3.png
image4.png
image1.jpeg
image2.jpeg