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LÍNGUA PORTUGUESA 19 O que de mais saboroso provei por lá, contudo, não foi fast-food nem era uma especialidade local. Trata-se de um vegetal. Ou, para ser mais exato, um fruto: uma dádi- va dos deuses que, infelizmente, não a encontramos por aqui. Chama-se tomate. Assemelha-se bastante, por fora, àquele fruto ao qual, em nosso país, também damos o nome de tomate, mas uma vez que seus dentes penetram a carne macia, o suco abundante escorre pelo queixo e o doce naturalmente se mescla ao sal em sua língua, você entende que está diante de um alimento completamente diferente. Acontece que a qualidade do tomate está ligada, entre outros fatores, à quantidade de água nele contida. Quanto mais líquido, mais macio e saboroso. O problema é que a maior presença de suco aumenta o sabor na mesma medi- da em que reduz a durabilidade. Os agricultores, pensan- do mais na performance de seu produto dentro dos cami- nhões do que em cima dos pratos, passaram a priorizar os frutos mais “secos”, foram cruzando-os e manipulando suas características até que os transformaram nesse tími- do vegetal que aguenta todos os trancos da estrada, dura séculos na geladeira e quase chega a ser crocante em nos- sos dentes. Dou-me conta de que há questões mais urgentes a serem tratadas em nosso país: levar água encanada para cinquenta milhões de pessoas, criar escolas que ensinem a ler e escrever de verdade, evitar que a gente morra de bala perdida ou picada de mosquito. Mas queria pedir às au- toridades competentes, sejam elas públicas ou privadas, que, depois de resolvidos os pepinos e descascados os abacaxis, ajudem a plantar tomates de verdade no Brasil. A vida é curta, meus caros, e não podemos medir esforços para deixá-la mais doce, macia e suculenta. (Antonio Prata. Fruto proibido. www.estadao.com.br, 13.12.2010. Adaptado) Encontra-se em conformidade com a norma-padrão da língua quanto à colocação dos pronomes a seguinte frase: (A) … uma dádiva dos deuses que, infelizmente, não encontramos-a por aqui. (B) … o suco abundante escorre pelo queixo e o doce naturalmente mescla-se ao sal em sua língua. (C) … manipulando suas características até que trans- formaram- nos nesse tímido vegetal… (D) Me dou conta de que há questões mais urgentes a serem tratadas em nosso país… (E) A vida é curta, meus caros, e não podemos medir esforços para a deixar mais doce… 29. VUNESP - Esc (AVAREPREV)/AVAREPREV/2020 Assunto: Colocação pronominal Leia o texto para responder à questão. Os resistentes Não sucumbi ao telefone celular. Não tenho e nunca terei um telefone celular. Quando preciso usar um, uso o da minha mulher. Mas segurando-o como se fosse um grande inseto, possivelmente venenoso, desconhecido da minha tribo. Sei que alguns celulares ronronam e vibram discreta- mente, em vez de desandarem a chamar seus donos com música. Infelizmente, os donos nem sempre mostram a mesma discrição. Não é raro você ser obrigado a ouvir alguém tratando de detalhes da sua intimidade ou dos furúnculos da tia Djalmira a céu aberto, por assim dizer. Não dá para negar que o celular é útil, mas no caso a própria utilidade é angustiante. O celular reduziu as pes- soas a apenas extremos opostos de uma conexão, pontos soltos no ar, sem contato com o chão. Onde você se en- contra se tornou irrelevante, o que significa que, em bre- ve, ninguém mais vai se encontrar. Não tenho a menor ideia de como funciona o besouro maldito. E chega um momento em que cada nova perple- xidade com ele se torna uma ofensa pessoal, ainda mais para quem ainda não entendeu bem como funciona uma torneira. Ouvi dizer que o celular destrói o cérebro aos poucos. Vejo a nós – os que não sucumbiram, os últimos resisten- tes – como os únicos sãos num mundo imbecilizado pelo micro-ondas de ouvido, com o qual as pessoas trocarão grunhidos pré-históricos, incapazes de um raciocínio ou de uma frase completa, mas ainda conectadas. Seremos poucos, mas nos manteremos unidos, e trocaremos infor- mações. Usando sinais de fumaça. (Luis Fernando Veríssimo [org. Adriana Falcão e Isabel Falcão], “Os resistentes”. Ironias do tempo, 2018. Adapta- do.) Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de colocação pronominal. (A) Nos manteremos unidos e trocaremos informa- ções, embora seremos poucos. (B) Eu não sucumbi ao telefone celular. Não tenho e certamente nunca terei-o. (C) Infelizmente tudo expõe-se pelo celular, sem que haja discrição das pessoas. (D) As pessoas usam o celular e ele tem reduzido-as a extremos opostos de uma conexão. (E) Verdadeiramente nos vejo – os resistentes – como os únicos sãos nesse mundo confuso. LÍNGUA PORTUGUESA 20 30. VUNESP - Prof (Pref Cananéia)/Pref Cananéia/Educação em Creche/2020 Assunto: Colocação pronominal Leia a tira para responder à questão. (Mort Walker, “Recruta Zero”. Em: https://cultura.estadao.com.br/quadrinhos, 06.11.2019. Adaptado) Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas dos quadrinhos devem ser preenchidas, respectivamente, com: (A) Os coloque ... coloque-os (B) Coloque eles ... coloque eles (C) Lhes coloque ... coloque-lhes (D) Coloque-os ... os coloque (E) Coloque-lhes ... lhes coloque 31. VUNESP - Ag (Pref M Agudo)/Pref Morro Agudo/Comunitário de Saúde/2020 Assunto: Colocação pronominal Doenças crônicas mentem Percepções inadequadas de enfermidades silenciosas podem trazer danos Julio Abramczyk A percepção inadequada pelos pacientes de uma doença crônica que atinge de 2% a 4% dos adultos nos Estados Unidos e no Reino Unido é o tema de editorial da revista The Lancet Rheumatology deste mês. O editorial aborda o desafio da doença denominada gota, inflamação nas articulações causada por depósitos de cristais de urato produzidos pelo organismo do paciente. As taxas de prescrição de remédios para manter níveis normais do ácido úrico no sangue são baixas, assim como a adesão dos pacientes ao remédio. A adesão à terapia, principalmente quando a doença parece inativa, diz o editorial, é influenciada pelo grau de con- fiança do doente em seu médico, que deve insistir na manutenção do tratamento mesmo na ausência de dor. A crise de gota, desencadeada por dor no local da inflamação, interfere na ação da articulação e diminui a qualidade de vida do paciente. No Brasil, V. Feijó Azevedo e colaboradores da Universidade Federal do Paraná abordam, na Revista Brasileira de Reumatologia, a importância da campanha “Sua gota mente”. Eles afirmam que, apesar do tratamento nas crises dolorosas com anti-inflamatórios acabar momentaneamente com a dor, os cristais de urato responsáveis pela dor continuam presentes. E, a longo prazo, podem provocar tofos e graves danos nas articulações. Também assinalam a importância de os médicos contribuírem para o conhecimento do paciente sobre a doença para bons resultados a longo prazo. (Julio Abramczyk, Doenças crônicas mentem, Folha de S.Paulo, 25.10.2019. Acesso em 04.11.2019) Assinale a alternativa que apresenta livre reescrita de um trecho do texto de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa quanto ao emprego e à colocação do pronome. (A) Quanto a uma parte dos adultos nos Estados Unidos e no Reino Unido, atinge-lhes uma doença crônica. (B) A gota tem relação com os cristais de urato. Os produzem, o organismo do paciente. (C) As baixas taxas de adesão dos pacientes ao tratamento não produzem-lhes resultados mais efetivos.