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16 Coleção Estudo • Desenvolvimento industrial. O Estado promoveu uma industrialização de acordo com seus interesses. As áreas industriais que mais tiveram investimentos foram a siderúrgica, a bélica, a petroquímica e a aeroespacial. A indústria de bens de consumo não recebeu grandes investimentos, o que provocou, com o tempo, uma crise de abastecimento na URSS. Apesar do isolacionismo pregado por Stálin, é importante ressaltar que, após a Segunda Guerra, a União Soviética conseguiu, através da atuação do Komintern – criado para apoiar os partidos comunistas internacionais –, expandir o sistema socialista para outros países. A grande influência da URSS no Oriente, entretanto, contribuiu para o acirramento das rivalidades entre as duas superpotências da época, Estados Unidos e União Soviética, no processo conhecido como Guerra Fria. O cartaz faz uma clara apologia à figura de Stálin, colocando-o em um plano central e destacado. Em virtude de autopropagandas como essa e da vitória obtida pela URSS na Segunda Guerra, a figura de Stálin acabou imortalizada entre os soviéticos. Com a morte de Stálin em 1953, Nikita Khrushchev, seu sucessor no comando da União Soviética, passou a denunciar os seus crimes. Com medo de que esse processo se estendesse para a China, Mao Tsé-Tung alegou que a União Soviética estaria traindo os ideais revolucionários, ocasionando, na década de 1960, o Rompimento Sino-Soviético. Os Estados Unidos, interessados no enfraquecimento do bloco socialista, estimularam essa disputa, que acabou sendo determinante para o enfraquecimento da URSS, fragmentada definitivamente em 1991. REFLEXOS NO BRASIL Inspirado na Revolução Russa de 1917, foi criado no Brasil, em 1922, o Partido Comunista do Brasil (PCB), que pretendia implantar o socialismo no país e que pouco depois da sua criação foi colocado na ilegalidade. Ainda assim, o socialismo não se enfraqueceu, passando a disputar influência dentro do movimento operário brasileiro com as ideologias do anarquismo e do anarcossindicalismo. Com a morte de Lênin, que conseguiu agregar várias nações na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), teve início uma disputa pelo poder entre Stálin e Trotsky, que tinham projetos políticos distintos. O primeiro, secretário-geral do Partido Comunista, defendia o socialismo em um só país, ou seja, pretendia consolidar o socialismo na URSS para depois estudar sua expansão. Já o segundo, que era criador e comandante do Exército Vermelho, defendia a expansão imediata do socialismo. Para Trotsky, ou o socialismo era levado a todos os cantos do planeta ou as potências capitalistas se uniriam e acabariam com ele. Stálin venceu a luta pelo poder, uma vez que suas ideias representavam a paz; já as ideias de Trotsky representavam a continuação da guerra para o povo. Buscando eliminar a resistência ao seu governo, Stálin expulsou Trotsky do Partido, depois, do país e, em 1940, mandou um agente da KGB, o serviço secreto soviético, assassiná-lo no México, onde se encontrava exilado. Com a vitória de Stálin, iniciou-se o período conhecido como stalinismo. STALINISMO Stálin exerceu um dos governos mais violentos da História Contemporânea. Assim que assumiu o poder, o líder soviético passou a perseguir seus inimigos políticos. A exemplo de Trotsky, milhares de pessoas foram exiladas, presas ou mortas no que se convencionou chamar de expurgos soviéticos. O novo líder promoveu ainda a consolidação do socialismo na Rússia, já que, quando assumiu o poder, existia um misto de socialismo e capitalismo. Para isso, Stálin implantou metas a serem atingidas de 5 em 5 anos. Os Planos Quinquenais, que representaram um importante passo para a transformação da Rússia em um Estado socialista e autoritário, previam reformas como: • Fundação do Gosplan e do Gosbank, órgãos criados para planificar a economia russa. O primeiro era o Ministério do Planejamento e o segundo, o Banco Central russo. Com uma economia planificada, o Estado passou a exercer um rigoroso controle sobre os meios de produção. • Fim dos Kulacs, médios proprietários agrícolas, fortalecidos durante a NEP. Para Stálin, eles representavam uma burguesia no campo e uma ameaça ao sistema socialista. A expropriação das terras acabou por enfraquecer a economia, visto que desestimulava a produção agrícola. • Criação dos Kolkhozes e dos Sovkhozes. Os primeiros eram cooperativas nas quais os camponeses recebiam do Estado sementes e ferramentas para produzirem. Os segundos eram fazendas estatais em que os camponeses trabalhavam como assalariados do Estado. Frente A Módulo 22 H IS TÓ R IA 17Editora Bernoulli LEITURA COMPLEMENTAR Texto I A Rússia tradicional Ao ingressar na 1ª Guerra Mundial, a Rússia não era uma nação industrial e desenvolvida segundo os padrões ocidentais, pois a agricultura pré-capitalista continuava sendo o setor mais significativo de sua economia, a qual absorvia em 1913 dois terços da população e 45% da renda nacional. Além disso, o país abarcava um território gigantesco, de dimensões continentais, em sua maior parte inóspito e com comunicações extremamente precárias. As riquezas naturais ainda se encontravam em grande parte inexploradas ou mesmo desconhecidas. Este imenso território era ocupado por uma população desigualmente distribuída, com uma média demográfica extremamente baixa e dividida em mais de uma centena de povos distintos. O czarismo, regime absolutista russo, apresentava-se altamente centralizado, burocratizado e repressivo, apoiando-se na nobreza fundiária, na Igreja Ortodoxa, na burocracia, no Exército e na Okhrana, uma polícia secreta que foi a matriz das modernas polícias políticas, cujo modelo logo foi adotado em outros países. Este Estado forte foi forjado ao longo de séculos de luta contra o domínio e ameaça estrangeiros (tártaro- mongóis, cavaleiros teutônicos, turcos, poloneses e suecos, entre outros). A configuração social e geográfica reforçou e consolidou as características desse Estado. Esta estrutura política sobrepunha-se a um povo de características místicas e sentimentais muito peculiares, cuja aparente debilidade era ocasionalmente quebrada por violentas revoltas. A servidão do camponês foi implantada na Rússia em fins da Idade Média como resultado da nova inserção do país na divisão internacional do trabalho, que acompanhou a emancipação dos servos na Europa Ocidental. A abolição da servidão na Rússia em 1861 representou uma tentativa de impulsionar o desenvolvimento capitalista nesta nação. Devido ao processo ter sido desencadeado em proporções modestas, a questão da propriedade da terra continuou a ser o grande problema social da Rússia czarista. VIZENTINI, Paulo F.; RIBEIRO, Luiz Dario T.; LOPEZ, Luiz Roberto; COHEN, Vera R. de Aquino. A Revolução Soviética. Rio de Janeiro: Ed. Record, 1989. Texto II A tragédia de um povo “Não acredito que em pleno século XX haja algum povo traído”, escreveu Gorki a Romain Rolland, em 1922. “Isso é uma lenda. Mesmo na África, onde ainda existem povos não organizados, seria mais justo conceituá-los como politicamente impotentes.”. Na opinião do romancista, a tragédia da Revolução Russa advinha do legado cultural da sua população atrasada, nada tendo a ver com os malefícios eventualmente causados por um ou outro bolchevique “alienígena”. Os russos não foram vítimas, mas protagonistas do próprio infortúnio – uma lição dolorosa, sem dúvida, mas que eles terão de aprender. Há quem suponha que setenta anos de opressão comunista lhes assegurou o direito de serem tratados com misericórdia. Todavia, o futuro do país enquanto nação democrática depende, em grande medida, da sua capacidade em confrontar a história recentemente vivida, reconhecendo que, embora a maioria tenha sofrido opressão, o sistema soviético nasceu e fincou raízes no solo russo. Conseqüência de séculosde servidão e governo autocrático, que mantiveram a gente comum impotente e passiva, foi a fraqueza da cultura democrática russa que permitiu ao bolchevismo prosperar. “O povo permaneceu em silêncio” – diz um provérbio russo, quiçá descrevendo boa parte da história russa e sinalizando o caráter não espontâneo dos padecimentos que o atormentaram, que ele ajudou a criar, prisioneiro de uma tirania secular. “A escravidão decorre da nossa incapacidade de conquistar a liberdade”, sentenciou Herzen. Isso se aplica bem ao povo russo: fez a revolução, mas não conseguiu se emancipar. Livrou-se dos imperadores, mas não chegou a assumir seu destino político, nem estabeleceu a cidadania. O discurso de Kerensky, em 1917, no qual ele alvitrou a hipótese de o povo russo constituir-se de “escravos rebeldes”, assombraria a revolução ao longo dos anos. Destruído, o velho sistema projetou sua imagem e semelhança no que se forjou. Nenhuma das organizações democráticas anteriores a outubro de 1917 sobreviveu, desaparecendo durante os primeiros tempos do domínio bolchevique. Em 1921, se não antes, a revolução já fechara o cerco e uma nova autocracia fora imposta à Rússia. Sob muitos aspectos, similar à antiga. FIGES, Orlando. A tragédia de um povo. Rio de Janeiro: Ed. Record, 1999. A maior influência socialista no Brasil se deu durante a década de 1930, quando muitos dos tenentes do Exército se deslocaram ideologicamente para o socialismo. Em 1935, ocorreu a chamada Intentona Comunista, quando alguns tenentes, liderados por Luiz Carlos Prestes, tentaram tomar o poder e implantar um regime socialista no Brasil. O movimento foi duramente reprimido pelo governo de Getúlio Vargas, que se aproveitou dessa situação para aplicar um golpe de Estado e implantar o Estado Novo. Revolução Russa 18 Coleção Estudo A sequência CORRETA de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é A) V F V F V. B) F F F V F. C) V F F V V. D) F V V F V. E) V V F V F. 03. (UFMG) Durante a Revolução de 1917, quase todas as nacionalidades da Rússia enxergaram na queda do czarismo e, depois, na do governo provisório a oportunidade para recuperarem sua liberdade. FERRO, Marc. História das colonizações: das conquistas às independências – séculos XVIII a XX. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. Todas as alternativas apresentam afirmações corretas sobre a questão das nacionalidades na URSS, EXCETO A) A tese da revolução mundial promoveu uma revisão pelos Bolcheviques do princípio da autodeterminação dos povos. B) Lênin, enquanto líder expressivo da Revolução Russa, sempre se manifestou contra o princípio da autodeterminação dos povos. C) O direito à autodeterminação dos povos, embora proclamado pelos revolucionários de 1917, nunca foi efetivamente praticado. D) O fracasso na resolução do problema das nacionalidades pelo governo comunista ficou evidente no momento da fragmentação da antiga URSS. 04. (UFVJM-MG–2009) Leia os textos I e II. Texto I O povo russo nutria um tal ódio contra seus dirigentes que derrubar o czarismo era para ele um dever tão sagrado como a defesa da pátria. FERRO, Marc. A Revolução Russa. São Paulo. Texto II [...] na URSS e em outras formações sociais semelhantes, o Estado, obviamente, não começou a definhar e, ao inverso, continuou a se expandir como uma poderosa força independente, acima da sociedade [...] MANDEL, Ernest. Marx e Engels: A produção de mercadorias e a burocracia. EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 01. (UFJF-MG) Sobre o contexto social da Rússia, anterior à Revolução Bolchevique de 1917, é INCORRETO dizer que A) a grande massa da população era camponesa, reflexo das condições econômicas e sociais anteriores, havendo grande concentração fundiária nas mãos de poucos. B) a industrialização estava restrita a poucas cidades, como Moscou e São Petersburgo, e fora financiada, em grande parte, pelo capital europeu ocidental. C) apresentava uma burguesia forte e organizada, com um projeto revolucionário amadurecido, que defendia, entre outros aspectos, a criação de uma República no lugar do governo czarista. D) o proletariado enfrentava péssimas condições de vida nas cidades, fruto dos baixos salários, mas dispunha de um certo grau de organização política, que possibilitava sua mobilização. E) após o fim da servidão, houve uma intensa migração do campo em direção à cidade, contribuindo para o aumento da mão de obra disponível, que seria direcionada, em grande parte, para a indústria. 02. (UFRGS) Assinale com V (VERDADEIRO) ou F (FALSO) as seguintes afirmações, referentes à Revolução Russa. ( ) Ela resultou na formação do primeiro Estado socialista do mundo, provocando uma ruptura no sistema capitalista mundial e influenciando os movimentos revolucionários no Pós-Guerra. ( ) Ela foi fundamentada nas Teses de Abril, de Lênin, em que este defendia a aliança do proletariado com a burguesia e a formação de um governo de conciliação de classes como forma de derrotar os setores aristocráticos. ( ) Ela teve, no Ensaio Geral, apesar da derrota, um importante acúmulo de experiência revolucionária, particularmente com o surgimento dos primeiros sovietes. ( ) A intensa luta pelo poder entre Lênin e Trotsky impediu a tomada do poder pelos Bolcheviques, em fevereiro de 1917, postergando o avanço revolucionário até outubro do mesmo ano. ( ) Os sovietes foram o núcleo propulsor da articulação das forças revolucionárias lideradas pelos Bolcheviques. Frente A Módulo 22