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Hematúria glomerular Proteinúria glomerular Glomerular X urológica: Glomerular: presença de dismorfismo eritrocitário e/ou cilindros hemáticos; associação com proteinúria Proteinúria > 1 g acompanhada de hematúria ou proteinúria nefrótica. Doenças GlomerularesNefrologia 1. IntroduçãoGlomérulo:Glomérulo: Alterações urinárias:Alterações urinárias: Emaranhado de capilares especializados Função primordial: filtração A BARREIRA DE FILTRAÇÃO GLOMERULAR: Componentes: Endotélio Membrana basal glomerular Pedicelos Duas propriedades: Tamanho Carga Proteinúria acima de 3,5 g/dia no adulto, ou acima de 50 mg/kg/dia na criança, ou, ainda, com mais de 3+ na fita do exame de urina, é chamada de nefrótica e é sinônimo de lesão glomerular. Abaixo desses valores, é chamada de subnefrótica Síndromes glomerulares:Síndromes glomerulares: Biópsia renal:Biópsia renal: Diagnóstico definitivo das glomerulopatias Guiado por USG ou TC Principais indicações: Síndrome nefrótica no adulto Hematúria glomerular (dismórfica) associada a proteinúria > 0,5 a 1 g/dia ou piora da função renal Proteinúria acima de 1g/dia persistente sem etiologia definida Lesão renal aguda sem etiologia definida 3 análises: Microscopia óptica (MO) Imunofluorescência (IF) Microscopia eletrônica (ME) DOENÇA DA MEMBRANA FINA SÍNDROME DE ALPORT 2. Alteração Urinária Assintomática Definição: presença de hematúria glomerular microscópica e/ou proteinúria, na ausência de hipertensão, edema ou piora da função renal. Hematúria benigna familiar Excelente prognóstico renal Herança genética: Mutação em um alelo que codifica as cadeias alfa-3 e alfa-4 do colágeno tipo IV História familiar: Homens ou mulheres da família com hematúria Biópsia renal: Afilamento da MBG MO normal! Tratamento: Não há tratamento específico Herança genética: Mutação ligada ao X Cadeia alfa-3 do colágeno tipo IV História familiar: Homens da família com hematúria Biópsia renal: Espessamento irregular e lamelação da MBG Quadro clínico: Surdez neurossensorial adquirida Alterações oftalmológicas Manchas (“flecks”) na retina; e Lenticone anterior (cristalino) Glomerulopatia QUADRO CLÍNICO-LABORATORIAL ETIOLOGIAS: TABELA-RESUMO Etiologia Características mais relevantes Consumo de complemento Glomerulonefrite pós- -estreptocócica (GNPE) Ocorre após infecção estreptocócica; ASLO e/ou Anti-DNAse B positivos; e Síndrome nefrítica com boa evolução. C3 Nefropatia por IgA / Doença de Berger Hematúria macroscópica após infecções de vias aéreas superiores ou hematúria microscópica persistente como um achado laboratorial; e Imunofluorescência com predomínio de IgA. Não há consumo Nefrite lúpica Mulher jovem, artralgia, rash malar, anemia hemolítica, FAN e anti-DNA positivos; e Imunofluorescência “full house”. C3 e C4 Glomerulonefrite membranoproliferativa Presença de causa secundária, como doenças infecciosas, neoplasias sólidas ou hematológicas e doenças autoimunes. C3 e C4 Vasculites ANCA- -associadas Idade mais avançada, acometimento de via aérea superior ou pulmonar, positividade do ANCA; e Imunofluorescência negativa. Não há consumo Crioglobulinemia Associação com HCV, sinais de vasculites de pequenos vasos. C3 e C4 3. Síndrome Nefrítica A síndrome nefrítica é o resultado de doenças que causam inflamação no glomérulo. Podem estar presentes também: Leucocitúria (reflete a inflamação glomerular) Proteinúria subnefrótica Piora da creatinina e redução do débito urinário GLOMERULONEFRITE PÓS-ESTREPTOCÓCICA (GNPE) Principal causa de síndrome nefrítica em crianças Gatilho: infecção por um estreptococo ß-hemolítico do grupo A de Lancefield Vias do complemento: A ativação da via alternativa do complemento leva ao consumo da fração C3! Quadro clínico e laboratorial: Surgimento súbito de uma síndrome nefrítica HIPERTENSÃO: 2-4 semanas OLIGÚRIA: primeira semana HEMATÚRIA GLOMERULAR: 1 ano FUNÇÃO RENAL: 4 semanas CONSUMO DE C3: 8 semanas Diagnóstico: Quadro clínico compatível: síndrome nefrítica em criança + consumo de C31. Timing adequado 2. Faringoamigdalite: latência de 1 a 3 semanas (média de 2) Pele: latência de 3 a 6 semanas (média de 3) Comprovação de contato com estreptococo:3. Antiestreptolisina O (não se eleva após quadros cutâneos), Anti-DNAse B, Anti-hialuronidase A biópsia renal não é necessária para o diagnóstico da GNPE! Tratamento: Não há tratamento específico! Euvolemia - restrição hídrica, de sal e uso de diuréticos de alça (furosemida) Antibiótico (penicilina benzatina IM): não interfere no surgimento nem na gravidade da GNPE. Indicação formal: suspeita de infecção ativa. Seguimento: A dosagem de C3 é o principal exame laboratorial usado no seguimento, com valor prognóstico! NEFROPATIA POR IGA / DOENÇA DE BERGER GNPE Nefropatia por IgA Latência das infecções Semanas (tipicamente 2 ou 3) antes Dias (2 ou 3) antes ou concomitante Natureza das infecções Bacteriana Viral Consumo de complemento Sim (C3 e CH50) Não Faixa etária típica Crianças Adultos jovens Evolução para doença renal crônica Rara Até 25% dos pacientes Apresentação clínica mais comum Edema, hipertensão e hematúria *Hematúria macroscópica isolada *Hematúria microscópica persistente Glomerulopatia primária mais comum do mundo Predomínio no sexo masculino; 10 a 40 anos Apresentação clínica bastante polimórfica Principais formas de apresentação: Hematúria glomerular macroscópica recorrente Hematúria glomerular microscópica persistente Não cursa com consumo de complemento Diagnóstico definitivo é feito com a biópsia renal – imunofluorescência: depósitos de IgA no mesângio Diferenciando: GNPE vesus Nefropatia por IgA NEFRITE LÚPICA CLASSIFICAÇÃO: QUANDO PENSAR? Nefrite em qualquer mulher na idade fértil Diagnóstico prévio de LES Histologia Alterações urinárias Alterações clínico/laboratoriais I. Mesangial mínima Glomérulos normais, mas com depósitos de imunoglobulinas Nada significativo Sem alterações relevantes II. Proliferativa mesangial Proliferação mesangial *Hematúria dismórfica *Proteinúria subnefrótica (pode estar ausente no estágio II) Sem alterações relevantes III. Proliferativa focal Proliferação endocapilar em menos de 50% dos glomérulos Consumo de complemento/ Anti-DNA positivo Piora de função renal (principalmente na classe IV)IV. Proliferativa difusa Proliferação endocapilar em mais de 50% dos glomérulos. Pode haver crescentes V. Membranosa Espessamento da membrana basal com depósitos sub- epiteliais de imunoglobulinas Proteinúria nefrótica *Edema *Hipoalbuminemia *Dislipidemia VI. Esclerosante Esclerose glomerular em > 90% da amostra Hematúria residual Proteinúria subnefrótica Doença renal em estágio terminal Anti-DNA, FAN, anti-SM Consumo de C3 e C4: ativação da via clássica QUADRO CLÍNICO-LABORATORIAL MORBIDADES RELACIONADAS À SÍNDROME NEFRÓTICA 4. Síndrome Nefrótica Apesar de não estarem na definição, a dislipidemia e a lipidúria são bastante frequentes! Adultos Crianças Proteinúria nefrótica > 3,5 g/dia > 50 mg/kg/dia HipoalbuminemiaComo reduzir? Tratando a doença de base Drogas antiproteinúricas: iECA ou BRA A síndrome nefrítica é o resultado de doenças que causam lesão na barreira de filtração. Valores de diagnósticos:Valores de diagnósticos: DOENÇA DE LESÕES MÍNIMAS Epidemiologia: Principal causa de síndrome nefrótica na população pediátrica (1 a 10 anos): 80-85% dos casos Pico de incidência: 2 a 3 anos Fisiopatologia: Podocitopatia -> Neutralização da carga da membrana basal glomerular -> proteinúria seletiva Manifestações clínico-laboratoriais: síndrome nefrótica pura Instalação insidiosa: edema, proteinúria e normotensão Gatilhos: infecções virais de vias aéreas superiores e vacinação Sinais de gravidade: restrição ventilatória, edema escrotal, hipotensão Diagnóstico: Crianças (1 a 10 anos): clínico-laboratorial Adolescente e adulto: biópsia renal Biópsia renal: MO: normal ME: apagamento / fusão dos processos podocitários Tratamento: Prednisona/prednisolona em monoterapia por 4 a 6 semanas Excelente resposta ao tratamento com corticoides: 90% de resposta em crianças e 80% em adultos Se ausência de resposta, ao menos parcial: corticorresistência GLOMERULOESCLEROSE SEGMENTAR FOCAL (GESF) Genéticas Infecções virais Situações mal adaptativas Drogas Mutações nos genes da nefrina, podocina, alfa- actinina-4 *HIV *Parvovírus B19 *Citomegalovírus *Redução da massa renal: rim único, prematuridade, displasia renal e nefropatia de refluxo *Aumento da sobrecarga renal: obesidade, hipertensão, diabetes, ateroembolismo, aumento de massa magra e anemia falciforme *Heroína *Pamidronato *Lítio *Anabolizantes Epidemiologia: Principal causa de síndrome nefrótica em adultos, sendo mais prevalente em adultos jovens e mais agressiva em negros Principal glomerulopatia que culmina em DRC-V Histologia: Fator circulante: lesão podocitária Segmentar (menos da metade do glomérulo) e focal (menos de 50% dos glomérulos amostrados ME: fusão dos processos podocitários Principal subtipo histológico: variante colapsante Manifestações clínicas: Síndrome nefrótica, hipertensão, alteração da função renal, hematúria microscópica Causas: Primárias (tratamento inicial com corticoide – prednisona oral) Secundárias (tratamento da causa de base): GLOMERULOPATIA MEMBRANOSA Epidemiologia: Principal causa de síndrome nefrótica na população idosa Importante glomerulopatia com causas secundárias Patogênese: Descobertas recentes sobre sua patogênese na forma primária – anticorpo antirreceptor da fosfolipase A2 (anti-PLA2r) Manifestações clínicas: Síndrome nefrótica; proteinúria nefrótica; manifestações de outras doenças sistêmicas; eventos tromboembólicos Causas: Primárias (tratamento com imunossupressão – OBS.: não tratar com prednisona em MONOTERAPIA) Secundárias (tratamento da causa de base): Neoplasias Infecções Drogas Autoimunes *Câncer de próstata *Carcinoma broncogênico *Câncer de mama *Leucemia linfocítica crônica *Sífilis *Hepatite B *Sais de ouro *Penicilamina *Anti- -inflamatórios não hormonais Lúpus eritematoso sistêmico – nefrite lúpica classe V Depósito de anticorpos na membrana basal glomerular Doença de Goodpasture Depósito de imunocomplexos em diversos locais do glomérulo Nefrite lúpica; Glomerulonefrites relacionadas a infecções; Crioglobulinemia; e Nefropatia por IgA. Mecanismo não mediado por deposição de anticorpos ou imunocomplexos Vasculites ANCA- -associadas LINEAR GRANULAR PAUCI-IMUNE Hematúria glomerular Piora rápida da função renal 5. Glomerulonefrite Rapidamente Progressiva Histologicamente, apresenta crescentes em mais de 50% dos glomérulos analisados: Síndrome glomerular definida pela presença de: DefiniçãoDefinição:: DOENÇA DE GOODPASTURE / DOENÇA ANTIMEMBRANA BASAL GLOMERULAR Epidemiologia: 10-20% das causas de Glomerulonefrite Rapidamente Progressiva (GNRP) Distribuição bimodal: 20-30 anos (homens); 50-60anos (mulheres) Patogênese: Formação de anticorpos contra a cadeia alfa-3 do colágeno tipo IV Manifestações clínicas: No rim: apenas GNRP Pulmão: hemorragia alveolar Síndrome pulmão-rim: forma clínica mais grave, com alta morbimortalidade Diagnóstico: Dosagem sérica do anticorpo anti-MBG Biópsia renal: GN crescêntica + IF linear Tratamento: Dois princípios: reduzir a formação de anticorpos e retirar os formados da circulação Pulsoterapia com metilprednisolona + ciclofosfamida IV Plasmaférese: indicacão clássica quando há hemorragia alveolar