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177 Q U ES TÕ ES C O M EN TA DA S P F- PR F NOÇÕES DE DIREITO PENAL 1. Resposta: Errado - O Direito Penal Brasileiro reco- nhece o Direito Penal do fato, levando-se em considera- ção o fato para o juízo de culpabilidade, sendo o direito penal do autor, aquele que leva em consideração o au- tor do fato e não o fato em si, proibido. 2. Resposta: Errado - A pena de multa, tal como a pena de reclusão e detenção, devem ser cumpridas pelo acusado, não podendo alcançar terceiros. Consta escla- recer que o perdimento de bens é um efeito da con- denação, podendo refletir nos sucessores do apenado. Ressalta-se, ainda, que o perdimento pode ser feito até o limite da herança deixada pelo acusado. 3. Resposta: Certo - Para a concretização do arrepen- dimento eficaz não se faz necessária a demonstração do fato que o ensejou, podendo ser reconhecido apenas com o arrependimento antes da consumação do crime, independente de motivação. 4. Resposta: Errado - A teoria extrema da culpabilida- de entende que o erro sobre pressuposto fático é sempre erro de proibição, sem exclusão do dolo. A teoria adota- da pela questão é a Teoria Limitada da Culpabilidade, com a situação do erro de tipo permissivo. 5. Resposta: Certo - A autoria por convicção se ca- racteriza pelas “hipóteses em que o agente conhece efetivamente a norma, mas a descumpre por razões de consciência, que pode ser política, religiosa, filosófica, etc. (GRECO, Rogério. Código Penal Comentado, Editora Impetus, 2013, p. 97). 6. Resposta: Certo - Pela teoria causal, o dolo causalis- ta é conhecido como dolo normativo, por ter elementos normativos em conjunto com elementos psicológicos. 7. Resposta: Certo - Conforme artigo 92, inciso II do Código Penal, a perda do poder familiar só ocorre em crimes dolosos com previsão de pena de reclusão. Des- te modo, no caso, não se aplica, tendo em vista que o crime de lesão corporal de natureza leve tem pena de detenção. 8. Resposta: Errado - João incorre no excesso extensi- vo, que tem duração desproporcional. O excesso inten- sivo ocorre quando o objeto (meio) é desproporcional. 9. Resposta: Errado - Segundo a doutrina, interrom- per-se-á o prazo prescricional quando sua publicação ocorrer em cartório e não a partir da sua publicação no órgão oficial de imprensa. A publicação da sentença torna o ato público, não podendo confundir esta com a publicação na imprensa oficial ou intimação pessoal do réu ou defensor. 10. Resposta: Certo - Alguns doutrinadores, ao ana- lisarem as causas interruptivas da prescrição (art. 117 do CP), esclarecem que “a interrupção da prescrição (da pretensão punitiva), em relação a qualquer dos autores, estende-se aos demais”, sendo certo que, “nas hipóteses dos incisos V (início ou continuação do cumprimento da pena) e VI (reincidência), a interrupção da prescrição não produz efeitos relativamente a todos os autores do crime (cf. CP, art. 117, §1º, 1ª parte)”. Dispõe o art. 117, §1º, do CP, que “excetuados os casos dos incisos V e VI deste artigo (que tratam de hipóteses relativas à interrupção da prescrição da pretensão exe- cutória), a interrupção da prescrição produz efeitos re- lativamente a todos os autores do crime”. Desse modo, e a contrario sensu, as hipóteses de interrupção da pres- crição da pretensão executória, de fato, não produzem efeito em relação aos demais coautores.” (http://www. cespe.unb.br/concursos/DPF_12_DELEGADO/arquivos/ DPF_DELEGADO_JUSTIFICATIVAS_DE_ALTERA____ES_ DE_GABARITO.PDF) 11. Resposta: Errado - A detração vale somente com o trânsito em julgado da sentença, relacionando-se, as- sim, com a prescrição da pretensão executória. 12. Resposta: Errado - A legítima defesa sucessiva ocorre quando há uma repulsa ao excesso injusto, ou seja, a legítima defesa sucessiva ocorre contra o excesso de legítima defesa. 13. Resposta: Errado - O crime de falsa atribuição de identidade tem forma livre, podendo ser por escrito ou oral. 14. Resposta: Errado - A questão mistura os conceitos do crime de INSERÇÃO de dados falsos e de MODIFICA- ÇÃO de dados em sistema. No primeiro o funcionário público tem que ser o auto- rizado a fazer a devida inserção, já no segundo não é obrigado que o funcionário público que realizou a mo- dificação seja o autorizado para tanto. (MELO, Éwerton. https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/ questao/cdff209d-10, 2013). 15. Resposta: Errado - O crime, doutrinariamente fa- lando, não pode ser considerado de ação múltipla, ten- do em vista que há somente uma conduta típica, ou seja, o de privar alguém de sua liberdade. 16. Resposta: Certo - A Lei de crimes hediondos (Lei nº 8.072/90) prevê de modo taxativo os crimes hediondos, não constando nesse rol o crime de lavagem de capitais (Artigo 1º da Lei nº 8.072/90). 17. Resposta: Certo - O crime de lavagem de capitais é formal, não se exigindo a ocorrência das três fases (colocação, dissimulação e integração) para a consu- mação. As três fases são independentes. 18. Resposta: Errado - O artigo 12 da Lei 8.137/90 observa que o crime cometido por servidor público so- mente terá aumento de pena se o crime for cometido no exercício de suas funções de servidor público. Ademais, o artigo 12 da Lei 8.137/90 não inclui em suas hipóte- ses de aumento de pena o artigo 3º da mesma lei. 178 Q U ES TÕ ES C O M EN TA DA S P F- PR F 19. Resposta: Certo - O artigo 33, §3º da Lei 11.343/06 prevê pena de detenção de 1 a 3 anos para quem: “Ofe- recer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu relacionamento, para juntos consumi- rem” 20. Resposta: Certo - Somente o Poder Judiciário pode determinar interceptação telefônica, com fulcro no artigo 5º, XII, da CF, enquanto para uma comissão parlamentar mista de inquérito cabe somente a quebra do sigilo telefônico, com lista de números chamados e recebidos. 21. Resposta: Errado - Ao semi-imputável cabe redu- ção da pena em 1/3 a 2/3 (artigo 26 do Código Penal) ou substituição da pena por medida de segurança, não sendo possível cumulação dos dois benefícios. 22. Resposta: Errado - O excesso de defesa ocorre quando a vítima utiliza desnecessariamente ou sem moderação certo meio, objeto, com a finalidade de cau- sar resultado mais grave ao agressor, fora da razoabili- dade que exigia a circunstância. 23. Resposta: Certo - A culpa inconsciente ocorre quando o sujeito não prevê o resultado, embora previ- sível, enquanto na culpa consciente o agente acredita que o resultado não ocorrerá, embora o preveja. 24. Resposta: Certo - Trata a questão de matéria re- lacionada à aplicação da lei penal e seus princípios. A Assertiva aduz que no curso de inquérito policial, nova lei foi editada deixando de considerar a conduta, objeto da investigação policial, como delituosa, asseverando que, em casos tais, o inquérito policial deve ser imedia- tamente encerrado, porquanto se opera a extinção da punibilidade do autor. O art. 2º, caput, do Código Penal, assegura que “ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtu- de dela a execução e os efeitos penais da sentença con- denatória”. No mesmo sentido, assevera a Constituição Federal em seu artigo 5º, XL, ao afirmar que a lei penal só retroagirá para beneficiar o acusado. (http://www. cespe.unb.br/concursos/DPF_12_ESCRIVAO/arquivos/ DPF_ESCRIV__O_JUSTIFICATIVAS_DE_ALTERA____ES_ DE_GABARITO.PDF) 25. Resposta: Errado - A medida de segurança não constitui pena, mas medida terapêutica ou pedagó- gica destinada aos inimputáveis e, excepcionalmente, aos semi-imputáveis, autores de fatos típicos e ilícitos. Aplicam-se a medida de segurança os princípios da le- galidade, anterioridade e jurisdicionalidade. 26. Resposta: Errado - Embora inequívocos e revelado- res da intenção de matar, percebe-se que os atos desen- volvidos pelo agente JOÃO foram meramente prepa- ratórios, não tendo sido produzido nenhum ato idôneo para a consumação do delito.Para a caracterização da tentativa, de acordo com o critério lógico-formal ado- tado pelo ordenamento jurídico brasileiro, a atividade executiva é típica e, portanto, o princípio da execução tem de ser compreendido como início de uma atividade típica. Para que haja a tentativa é necessário que haja correspondência formal dos atos executados com a rea- lização parcial do correspondente tipo penal, o que, no caso vertente, não ocorreu. Ressalvadas as hipóteses de punição de atos preparatórios como infrações autôno- mas, estes, assim como a cogitação, não são puníveis. À vista disso, prevalece o gabarito oficial assinalado para a questão. (http://www.cespe.unb.br/concursos/ DPF_12_ESCRIVAO/arquivos/DPF_ESCRIV__O_JUSTIFI- CATIVAS_DE_ALTERA____ES_DE_GABARITO.PDF) 27. Resposta: Certo - Pela teoria da actio libera in causa o indivíduo se coloca em estado de inimputabili- dade, conscientemente, sendo previsível o cometimento de uma infração penal. Neste caso, não se pode alegar inconsciência do ilícito no momento do fato, tendo em vista que o agente tinha consciência antes de se colocar em estado de inimputabilidade. 28. Resposta: Certo - Crime funcional impróprio ou misto é aquele que, caso não seja praticado pelo fun- cionário público, opera uma atipicidade relativa (o fato enquadra-se em outro tipo penal), a exemplo do pecu- lato que só pode ser cometido por funcionário público, todavia, se praticado em outro âmbito, por particular, a conduta pode ser tipificada como furto ou apropriação indébita. Assim, não há que se falar em crime próprio, pois este só pode ser cometido por funcionários públicos e a au- sência de tal qualidade torna a conduta atípica (ex: prevaricação - art. 319). Já nos crimes funcionais im- próprios ou mistos, repita-se, a ausência dessa qualida- de faz com que o fato seja enquadrado em outro tipo penal. À vista disso, prevalece o gabarito oficial assina- lado para o item. (http://www.cespe.unb.br/concursos/ DPF_12_ESCRIVAO/arquivos/DPF_ESCRIV__O_JUSTIFI- CATIVAS_DE_ALTERA____ES_DE_GABARITO.PDF) 29. Resposta: Errado - Nos termos do artigo 10 do Código Penal, o dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário comum. Para efeito da decadência os pra- zos são contados de acordo com a regra do artigo 10, diferente da contagem do prazo processual, em que se exclui o dia do começo e se este for domingo ou fe- riado o início do prazo será o dia útil imediatamente subsequente. (http://www.cespe.unb.br/concursos/ DPF_12_ESCRIVAO/arquivos/DPF_ESCRIV__O_JUSTIFI- CATIVAS_DE_ALTERA____ES_DE_GABARITO.PDF) 30. Resposta: Certo - O fenômeno jurídico pelo qual a lei regula todas as situações ocorridas durante seu pe- ríodo de vida, isto é, de vigência, denomina-se ativida- de. A atividade da lei é a regra e, sob a fundamentação na denominada “teoria da ação”, tem inteira aplica- ção para a fixação do tempo do crime e da lei aplicá- vel. Conforme literatura especializada: “é no momento da ação que o imperativo da norma pode atuar como motivo no processo psicológico da própria ação.” Nos termos do art. 5º, XL, da CF, a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu, o que vale dizer que a lei