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G EO G R A FI A 109Editora Bernoulli Portanto, o maior perigo da Al-Qaeda hoje não é a organização em si, mas a influência dessas “franquias” que atuam sob seu espectro. Capilaridade Simpatizantes da Al-Qaeda podem receber treinamento com aliados da Al-Qaeda, como o Talebã paquistanês ou o grupo afegão liderado pelo ex-líder militar Jalaluddin Haqqani. Há anos a Al-Qaeda abandonou um modelo hierárquico altamente centralizado – no qual os líderes supervisionavam diretamente todo o recrutamento, o treinamento e a distribuição das missões – para se transformar em algo muito mais amorfo e impalpável. Ahmed Rashid No Paquistão, o grupo facilitador tem sido o Lashkar-e-Taiba, uma organização militar que atua no lado indiano da região fronteiriça da Caxemira. Depois de 11 de setembro de 2001, o grupo ajudou a esconder muitos líderes do alto escalão da Al-Qaeda, possivelmente até Bin Laden. Mas as autoridades paquistanesas relutam em combater o Lashkar-e-Taiba porque o grupo mantém proximidade com os serviços de inteligência paquistaneses. Além disso, o Paquistão também tem deixado à solta grupos como os liderados por Haqqani, porque atuam no Afeganistão. Na Europa, antes de 11 de Setembro não havia células da Al-Qaeda, exceto por uma na cidade alemã de Hamburgo, que esteve envolvida nos ataques às Torres Gêmeas. Hoje, porém, cada um dos países europeus tem uma célula ligada à rede. Centenas de muçulmanos com passaportes europeus são treinados no Paquistão e reenviados de volta a solo europeu. Na semana passada, três cidadãos marroquinos foram presos na Alemanha sob acusação de planejar atentados a bomba em espaços públicos. As autoridades admitiram que mais de 200 cidadãos alemães foram treinados nas áreas tribais do Paquistão e que muitos destes voltaram para a Alemanha. Células “adormecidas” em situação semelhante se espalham por Grã-Bretanha, Escandinávia, França, Espanha e Itália. Neste momento, o temor de um atentado suicida em estações de trens e metrôs nos Estados Unidos e na Europa é particularmente alto, assim como em alvos militares e embaixadas ocidentais no Oriente Médio, que já são um alvo frequente do extremismo. Também é preocupante a possibilidade de ataques aleatórios, por exemplo, um militante que instale uma bomba em um supermercado. Alguns ataques podem ser realizados por jihadistas de longa data infiltrados nas sociedades ocidentais, segundo planos que podem estar sendo aperfeiçoados há anos. Nos Estados Unidos, as autoridades conseguiram impedir, no último minuto, diversos ataques desta natureza, realizados por indivíduos treinados nas áreas tribais do Paquistão. Risco asiático Afeganistão, Paquistão e Índia também estão particularmente sob risco de ataques organizados. No Afeganistão, há o risco representado por grupos como o de Haqqani. No Paquistão, os últimos acontecimentos mostraram que a Al-Qaeda está bem estabelecida, apesar da negativa de várias autoridades paquistanesas, agora de forma comprovadamente infundada. Em memória a Bin Laden, a Al-Qaeda estará determinada a lançar uma campanha de ataques no Paquistão junto com seus grupos aliados. Isto elevará as tensões no país, que já passa por dificuldades econômicas e sofre com cortes no fornecimento de energia elétrica. Além disto, grupos aliados da rede podem avaliar que este é o momento mais apropriado para traçar uma divisão mais profunda entre a Índia e o Paquistão, lançando um novo ataque em território indiano semelhante ao de Mumbai, em novembro de 2008. Tal ataque poderia tirar o ímpeto da busca por membros da Al-Qaeda no Paquistão. Por fim, as revoltas no mundo árabe representam um desafio e uma oportunidade para a Al-Qaeda no Oriente Médio. Por um lado, diversos analistas viram as revoltas do mundo árabe como um enfraquecimento da Al-Qaeda, tornando-a mais irrelevante na cena política. Por outro lado, as oportunidades estão abertas na medida em que a Al-Qaeda permanece a influenciar e a ganhar prestígio entre uma nova geração de líderes políticos que emergiram na Tunísia, no Egito, na Síria e nos Estados do Golfo Pérsico. Esta tarefa será muito mais difícil agora, com a morte do maior símbolo da rede. A organização extremista não desaparecerá da noite para o dia. É o futuro das “franquias” da Al-Qaeda que determinará se as ideias de Osama Bin Laden sobreviverão à sua morte. Disponível em: . Acesso em: 02 mai. 2011. Focos de tensão: Oriente Médio II 110 Coleção Estudo EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 01. (FGV-SP–2007) Em julho de 2006, tropas israelenses iniciaram uma grande ofensiva no Líbano. Entre as justificativas do governo israelense para essa ação, pode-se citar A) o desmantelamento da estrutura mil itar e administrativa do Hamas, na cidade litorânea de Tiro. B) a destruição das células do Al Qaeda, ligadas ao terrorista Bin Laden, localizadas em território libanês. C) a retomada das fazendas de Chebaa, ainda sob controle libanês, porém reconhecidas pela ONU como pertencentes a Israel. D) a destruição do poder militar do grupo Hezbollah que, a partir do sul do Líbano, atacava cidades e postos militares de Israel. E) a captura de terroristas do grupo Fatah, escondidos entre os civis palestinos dos campos de refugiados de Sabra e Chatila. 02. (UNIFESP–2007) COURRIER INTERNACIONAL, n. 66, 2006. A charge, publicada em 07 de julho 2006, faz alusão à A) ocupação, por militares dos Estados Unidos, do Iraque, acusado de manter armas nucleares. B) contraofensiva de Israel ao Líbano, em resposta a agressões promovidas pelo Hezbollah. C) presença militar do Ocidente no Oriente Médio, para garantir o acesso a recursos energéticos. D) rejeição às forças de paz da ONU, que não evitaram a eclosão de novos conflitos árabe-israelenses. E) ação militar de Israel em reação às lideranças do Hamas, que exercem o poder na Palestina. 03. (UFLA-MG) A recente guerra entre EUA e Inglaterra contra o Iraque fez lembrar a Guerra do Golfo Pérsico de 1991, após o Iraque ter invadido e anexado o Kuwait. As alternativas seguintes descrevem uma etapa da Guerra do Golfo de 1991, EXCETO A) Envio de tropas dos EUA para a região do Golfo Pérsico. B) Renúncia do Xá Reza Pahlevi, a pedido dos EUA, para evitar maiores constrangimentos. C) Decretação do boicote econômico ao Iraque pela ONU. D) Ataques a Israel e Arábia Saudita promovidos pelo Iraque. E) Rendição do Iraque. 04. (PUCPR) [...] milhares de libaneses tomaram as ruas de Beirute para exigir a renúncia do governo imposto pela Síria, a própria retirada das tropas sírias estacionadas no país desde 1976 e justiça para os assassinos de Rafik Hariri, cuja morte num atentado tem todo o jeito de ter sido arquitetada em Damasco [...] A resposta começou a ser formulada nas ruas de Beirute, agitando bandeiras, meio milhão de libaneses tomou as mesmas ruas centrais da cidade da manifestação anterior, mas desta vez para demonstrar apoio à Síria e detratar Israel e Estados Unidos. VEJA, 16 mar. 2005. No complexo contexto geopolítico do Oriente Médio – a reportagem anterior mostra um Líbano dividido entre apoiar ou não a presença militar dos sírios no país –, constituem análises corretas sobre o papel desempenhado pela Síria, EXCETO A) Durante a invasão do Iraque, em 2003, a Síria foi acusada pelos países da coalizão que derrubou Saddam Hussein de ter abrigado em seu território muitos membros do governo do ex-ditador iraquiano. B) A Síria está envolvida numa disputa territorial com o estado de Israel que, na Guerra dos Seis Dias, lhe tomou as Colinas de Golã e nunca mais daí se retirou. C) A Síria foi uma das mais importantes aliadas soviéticas no Oriente Médio durante o período da chamada Guerra Fria. D) O governo sírio possui boas relações com a milícia islâmica doHezbollah, que atua no sul do Líbano e sempre lutou contra o Estado de Israel. E) A Síria é o país árabe que possui as mais sólidas relações com os EUA, sendo um fiel representante dos interesses norte-americanos na região. Frente C Módulo 12 G EO G R A FI A 111Editora Bernoulli 05. (UFES) Aproveite a crítica do filme Tempo de embebedar cavalos e observe a situação política e os desdobramentos geográficos para os quais ela aponta. Tempo de embebedar cavalos O filme faz uma abordagem lírica do tema: fome e falta de perspectiva de um povo. A história se passa em um pequeno vilarejo, na fronteira entre o Iraque e o Irã, e apresenta ao mundo um recorte do cotidiano da maior nação sem Estado do planeta. Aponta muitos dos problemas enfrentados pelo seu povo, que se encontra espalhado por alguns países, como a Turquia, o Irã, a Síria [...] Com língua e cultura próprias, ele vem sendo rechaçado da região, principalmente quando o seu país deixou de existir nos mapas. Praticamente, o único trabalho disponível em certas regiões é o de contrabando de mercadorias entre o Irã e o Iraque. Além dos riscos dessa atividade ilegal, os habitantes sofrem com a enorme quantidade de minas enterradas nos locais onde transitam. O estranho título vem do hábito de darem vodca aos animais, para que eles possam aguentar o frio intenso e as longas viagens que têm de fazer. FRANZOIA, A. P. Época, 14 set. 2001. p. 11 (Adaptação). O filme discute a questão curda. O comentário CORRETO sobre esse assunto é: A) A criação de um Estado é uma reivindicação dos curdos, que representam a maior nação do mundo sem um território definido. B) A cultura local é influenciada pela altitude, pelo frio e pela formação florestal densa, que exigem o uso de cavalos. C) A questão curda é idêntica à dos palestinos, dos judeus e dos bascos, porque possuem língua, cultura, governo nacional, mas falta-lhes o país. D) A supressão do Estado curdistão permitiu ao Líbano, à Armênia, à Síria e ao lraque a ampliação de seus territórios. E) O principal motivo da luta dos curdos contra o lraque e o Irã está relacionado à exploração econômica do petróleo nacional. EXERCÍCIOS PROPOSTOS 01. (UNIT-SE–2011) TURISMOTURISMO – Simples! Vocês atravessam os cemitérios israelenses, depois, os túmulos palestinos, passam as cidades destruídas e, seguindo reto, chegam ao mar. Morto, é claro! A n g el i Sobre o conflito ao qual a charge faz uma alusão, é CORRETO afirmar: A) A Guerra dos Seis Dias foi um conflito no qual Israel perdeu território para os palestinos, antes pertencentes ao Egito, à Síria e à Jordânia. B) A ampliação do isolamento internacional a Israel deve-se ao fato de o país ter atacado a flotilha que pretendia romper o bloqueio à Faixa de Gaza. C) O marco desse conflito foi a guerra do Yom Kippur, durante a qual Israel atacou e derrotou o mundo árabe em represália à possível criação de um estado palestino. D) A paz entre esses dois povos ocorreu em um grande prazo de tempo, quando a OLP foi presidida por Yasser Arafat, que reconheceu a legitimidade do Estado de Israel, suspendendo os atos terroristas. E) O acordo de paz entre palestinos e israelenses está em fase final, visto que os palestinos desistiram da porção oriental de Jerusalém em troca da retirada dos assentamentos judeus da Cisjordânia. 02. (Mackenzie-SP–2010) MAR NEGRO MAR CÁSPIO M A R V ER M ELH O 248 km0 GOLFO DE OMÃ GOLFO DE ÁDEN MAR DA ARÁBIA OCEANO ÍNDICO 1 2 3 N Focos de tensão: Oriente Médio II 112 Coleção Estudo Observando o mapa, assinale a alternativa CORRETA. A) O país de número 1 é uma monarquia islâmica e corresponde ao maior exportador de petróleo para os EUA; o de número 2, uma república teocrática na qual o clero xiita exerce grande influência nas decisões do país, inclusive no programa nuclear; o de número 3, um território ocupado por forças lideradas pelos EUA, que inclui membros da OTAN, como Reino Unido, França e Alemanha. B) O país de número 1 tem sido pressionado pelos EUA a rever seu programa nuclear; o de número 2 é um aliado estratégico e um grande fornecedor de petróleo para os EUA; o de número 3 está sob ocupação militar dos EUA e do Reino Unido, além de outros aliados, desde 2003. C) O país de número 1 está ocupado por forças militares dos EUA e Reino Unido desde 2003; o de número 2 tem maioria xiita e luta contra o separatismo do povo curdo ao norte; o de número 3 tem maioria sunita e tem sido aliado dos EUA nas últimas 3 décadas, sobretudo na de 1990. D) O país de número 1 foi invadido pelos EUA em 1991; o de número 3 foi um importante aliado militar do país de número 1, durante o período de ameaças dos EUA, entre 1980 e 1988; o país de número 3 tem maioria sunita, sendo uma monarquia teocrática. 03. (UFRN–2009) Observe o mapa a seguir, que representa uma área do Oriente Médio, onde ocorrem grandes tensões geopolíticas. N LÍBANO ISRAEL JORDÂNIA SÍRIA Mar Mediterrâneo Jerusalém R io J or d ão 0 50 km MAGNOLI, Demétrio; ARAÚJO, Regina. Projeto de Ensino de Geografia: natureza, tecnologias e sociedade. São Paulo: Moderna, 2000. p. 277 (Adaptação). As áreas destacadas no mapa correspondem à A) Cisjordânia e à Península do Sinai, territórios devolvidos aos palestinos após a Guerra do Canal de Suez, em 1956. B) Faixa de Gaza e às Colinas de Golã, territórios anexados ao Estado de Israel após a Guerra da Partilha, em 1948. C) Cisjordânia e à Faixa de Gaza, territórios anexados ao Estado de Israel após a Guerra dos Seis Dias, em 1967. D) Península do Sinai e às Colinas de Golã, territórios devolvidos aos palestinos após a Guerra do Yom Kippur, em 1973. 04. (UNEB-BA–2009) A partir da análise do mapa e dos conhecimentos sobre a Questão da Palestina, pode-se afirmar: Após a Guerra dos Seis Dias Mar Mediterrâneo Colinas de Golã Cisjordânia Faixa de Gaza SinaiEGITO SÍRIA JORDÂNIA ISRAEL ARÁBIA SAUDITA Haifa Tel Aviv Jerusalém Rio Jordão Mar Morto Mar da Galileia Golfo de Suez Golfo de Acaba Estado judeu Território conquistado por Israel 1967-1979 A) Os atuais conflitos que eclodem na região se relacionam ao fato de Israel ter construído um muro na Cisjordânia, impedindo ataques terroristas a Israel. B) A Faixa de Gaza, onde vive a população de refugiados palestinos, fazia parte do Egito antes de Israel declarar sua independência. C) O Estado de Israel tem sua origem no movimento sionista, cujo objetivo é estabelecer um “lar nacional” para o povo judeu. D) A ação do Hamas contra o povo judeu vincula-se ao fato de Israel ter anexado definitivamente o Sinai ao seu território durante a Guerra dos Seis Dias. E) O descumprimento do governo Sírio em romper com o Hamas e o Hezbollah levou Israel a um novo bloqueio de suprimentos e de combustíveis nas Colinas de Golã, território devolvido à Síria após a Guerra do Yom Kippor. Frente C Módulo 12