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R ep ro du çã o pr oi bi da .A rt .1 84 do C ód ig o P en al e Le i 9 .6 10 de 19 de fe ve re iro de 19 98 . 379Capítulo 17 • POLÍMEROS SINTÉTICOS Nesse exemplo, o valor de n pode variar de 2.000 a 100.000, dependendo das condições em que a reação é feita. Assim, as massas moleculares do polímero variam de 56.000 u a 2.800.000 u. Como em determinada porção de polímero há moléculas de tamanhos diferentes, sempre devemos falar em mas- sa molar média ao nos referirmos a um polímero. Devido ao seu tamanho avantajado, a molécula de um polímero é chamada de macromolécula. A reação que produz o polímero é denominada reação de polimerização. Nessa reação, a molé- cula inicial (monômero) vai, sucessivamente, se unindo a outras, dando o dímero, o trímero, o tetrâmero e o polímero. Aparentemente, o processo poderia prosseguir, sem parar, até produzir uma molécula de tamanho “infinito”. No entanto, reações das extremidades da macromolécula com impurezas da pró- pria matéria-prima (inclusive com a água, presente na forma de umidade) acabam impedindo a conti- nuação indefinida da reação. Passemos, agora, ao estudo das principais classes de polímeros sintéticos. 2 POLÍMEROS DE ADIÇÃO É o caso mais simples, em que o polímero é a “soma” de moléculas pequenas (monômeros), todas iguais entre si. Simbolicamente podemos imaginar o monômero como sendo o elo de uma corrente, e o polímero como sendo a própria corrente: Isso pode ser traduzido numa equação química do tipo: n CH2 CH2 ( CH2 CH2 )n O polietileno é o plástico mais usado atualmente e se presta à fabricação de objetos domésticos, de brinquedos, de garrafas plásticas e de filmes utilizados na produção de toalhas, cortinas, sacolas plásticas etc. É preparado pela reação: O polipropileno tem alta resistência à tração. Por isso é usado na fabricação de pára-choques, cordas etc. É produzido pela reação: n CH2 CH2 ( CH2 CH2 )n Etileno Polietileno P,T Catalisadores n CH3 CHn CH2 CH2CH CH3 P,T Catalisadores Propileno Polipropileno O cloreto de polivinila (PVC, do inglês, polyvinyl chloride) é usado na fabricação de tubos para encanamento, de sapatos plásticos, de filmes para embalagens etc. Sua preparação se dá pela reação: n CH2 CH Cl Cloreto de vinila CHCH2 Cl Cloreto de polivinila (PVC) n P,T Catalisadores Recipientes como estes, para acondicionar mostarda e ketchup, são feitos de polipropileno. C ID Capitulo 17A-QF3-PNLEM 11/6/05, 12:52379 R ep ro du çã o pr oi bi da .A rt .1 84 do C ód ig o P en al e Le i9 .6 10 de 19 de fe ve re iro de 19 98 . 380 A TOXIDEZ DOS PLÁSTICOS O objeto plástico que você segura em suas mãos não é uma substância pura, representada pelas fórmulas químicas que estamos apresentando. Na verdade, o “plástico” é uma mistura que contém, por exemplo, plastificantes (produtos que melhoram sua resistência e flexibilidade), estabilizadores (que melhoram sua resistência à luz e às oxidações), fillers (materiais de “enchimento”, que aumen- tam sua resistência ao atrito e lhe dão maior estabilidade térmica e dimensional), retardadores de chama (que lhe proporcionam maior resistência ao fogo), corantes (que lhe conferem vasta gama de cores), e assim por diante. Pois bem, freqüentemente surgem desconfianças de que esses aditivos colocados nos plásticos possam ser nocivos à nossa saúde. A preocupação maior é com as crianças, que têm bastante contato com o plástico nos brinquedos. CH n n CH2 CH2CH Estireno Poliestireno P,T Catalisadores O poliestireno é usado para fabricar pratos, xícaras etc. Quando aquecido com substâncias que produzem gases, incha, dando origem ao isopor, que é extremamente leve e ótimo isolante térmico. O poliestireno é produzido pela reação: O poliacetato de vinila (PVA, do inglês, polyvinyl acetate) é usado em gomas de mascar, tintas, adesivos (colas comuns usadas nas escolas e nos escritórios). É produzido pela reação: O teflon tem as seguintes características: alta resistência ao calor e aos reagentes químicos; boa resistência mecânica e baixo coeficiente de atrito; é um bom isolante de eletricidade. Por tudo isso, o teflon é usado em equipamentos químicos, em revestimento de frigideiras e panelas, em engrenagens, mancais e gaxetas, em isolamento elétrico etc. É produzido pela reação: n CH2 CH OOCCH3 OOCCH3 n CHCH2 Poliacetato de vinila (PVA)Acetato de vinila P,T Catalisadores n CF2 CF2 ( CF2 CF2 )n Tetraflúor-etileno Teflon Os polímeros apresentados até aqui são chamados de polímeros vinílicos, pois todos apresentam o grupo vinila (CH2 CH ), variando-se apenas a ramificação presente, como foi destacado nas fórmulas desta página e da anterior, pelos retângulos coloridos. Detalhando melhor, temos: OBSERVAÇÃO CH2 CH CH3 CH2 CH Cl CH2 CH PVC Parte variável Parte comum Polipropileno Poliestireno JA V IE R JA IM E /C ID P,T Catalisadores Capitulo 17A-QF3-PNLEM 11/6/05, 12:52380 R ep ro du çã o pr oi bi da .A rt .1 84 do C ód ig o P en al e Le i 9 .6 10 de 19 de fe ve re iro de 19 98 . 381Capítulo 17 • POLÍMEROS SINTÉTICOS O polimetacrilato de metila (chamado comercialmente de plexiglás ou lucite) é o vidro plás- tico comum, usado em óculos, anúncios luminosos, globos para lâmpadas, domos de iluminação etc. É produzido pela reação: A poliacrilonitrila (chamada comercialmente de orlon, darlon etc.) é a lã sintética, usada em cobertores, carpetes, forração de móveis, bichos de pelúcia etc. É pro- duzida pela reação: n CH2 C COOCH3 COOCH3 CH3 n CH3 CCH2 Polimetacrilato de metilaMetil-acrilato de metila P,T Catalisadores Os dois últimos polímeros mencionados acima pertencem ao grupo dos polímeros acrílicos, pois seus monômeros derivam do ácido acrílico (CH2 CH COOH). De fato, o metil-acrilato de metila é um éster metílico, e a acrilonitrila é a nitrila correspondente ao ácido acrílico. n CH2 CH CN CN n CHCH2 Acrilonitrila Poliacrilonitrila P,T Catalisadores OBSERVAÇÃO Nos polímeros diênicos, o isopreno se polimeriza de acordo com a seguinte equação: O poliisopreno formado tem exatamente a mesma estrutura da borracha natural. Evidentemente, nas árvores que produzem a borracha, as reações são muito mais complexas do que a equação acima. No entanto, os químicos conseguiram realizar não só a reação acima, mas também uma série de reações análogas, como, por exemplo: n CH2 CH3 C CH2 n CCH2 CH3 CH2CH CH 2-metil-buta-1,3-dieno (isopreno) Poliisopreno P,T Catalisadores n CH2 CH CH CH2 ( CH2 CH CH CH2 )n P,T buta-1,3-dieno Catalisadores Polibutadieno n CH2 Cl C CH2 n CCH2 Cl CH2CH CH Policloropreno ou neoprenoCloropreno P,T Catalisadores Esses polímeros são denominados polímeros diênicos porque seus monômeros têm a estrutura de um dieno conjugado (CH2 CH CH CH2). Todos têm propriedades elásticas semelhantes às da borracha natural, sendo por esse motivo denominados borrachas sintéticas ou elastômeros. TR E C E P O R D IE C IO C H O /C ID Capitulo 17A-QF3-PNLEM 11/6/05, 12:52381 R ep ro du çã o pr oi bi da .A rt .1 84 do C ód ig o P en al e Le i9 .6 10 de 19 de fe ve re iro de 19 98 . 382 3 COPOLÍMEROS É o caso em que o polímero é obtido a partir de dois (ou mais) monômeros diferentes. Simbolica- mente, podemos imaginar esse tipo de polímero como uma corrente formada por elos diferentes: Evidentemente, pode haver regularidade do tipo A B A B A ou não, como, por exemplo, A A A B B A A B B B B , fatos esses que modificarão as propriedades do polímero final. Três exemplos importantes de copolímero são: A buna-N e a buna-S são borrachas especiais, empregadas em pneus e mangueiras para líquidos corrosivos. Com o ABS são fabricados brinque- dos, componentes de geladeiras etc. x CH2 CN CH " CN y CH2 CH CH2 P,T Catalisadores x CHCH2CH Acrilonitrila buta-1,3-dieno CH(CH2 )yCH2CH Buna-N ou perbunan (Borracha sintética) x CH2 CH " y CH2 CH CH2 x CHCH2CH Estireno buta-1,3-dieno CH(CH2 CH2CH Buna-S ou borracha GRS P,T Catalisadores )y xCH2 CH CN " " z CH2 CHy CH2 CH CH2 x CH CN CH2 z CHCH2 CH Estireno buta-1,3-dieno Acrilonitrila CH(CH2 CH2)yCH Polímero acrilonitrila-butadieno-estireno (ABS) A buna-N e a buna-S são empregadas na fabricação de pneus de motocicletas. 4 POLÍMEROS DE CONDENSAÇÃO Os polímeros de condensação são obtidos pela reação de dois monômeros, com eliminação de uma substância mais simples (como, por exemplo, H2O, HCl, NH3 etc.) e, às vezes, por rearranjos entre as moléculas dos monômeros. FR A N C IS C O O R TE G R A Ñ E /C ID Capitulo 17A-QF3-PNLEM 11/6/05, 12:53382 R ep ro du çã o pr oi bi da .A rt .1 84 do C ód ig o P en al e Le i 9 .6 10 de 19 de fe ve re iro de 19 98 . 383Capítulo 17 • POLÍMEROS SINTÉTICOS A baquelite, o primeiro polímero de importância industrial, é um exemplo dessa classe, pois resul- ta da condensação de moléculas de fenol e de formaldeído, segundo a equação: Os poliésteres são polímeros obtidos pela reação de esterificação entre um poliácido e um poliálcool, repetida muitas vezes. Os poliésteres são usados na produção de varas de pescar, engrenagens e principalmen- te na fabricação de fibras têxteis, com os nomes comerciais de terilene, tergal etc. Um dos exemplos mais simples é o da reação entre o ácido 1,4-benzenodióico (ou ácido tereftálico) e o etileno-glicol: OH H H H H O C CH2 H2O OH H H " OH OH Baquelite P,T Catalisadores Os náilons resultam da condensação de diaminas com diácidos. Eles são usados na produção de engrenagens, linhas de pescar, fibras têxteis etc. Um exemplo importante é o do chamado náilon-66, resultante da reação entre uma diamina com 6 átomos de carbono e um diácido também com 6 átomos de carbono (daí a origem do número 66): Os poliésteres são utilizados na fabricação de fibras têxteis, como as desta roupa de tergal. OC COHO OH HO" COO CH2 CH2 OH H2O"OC CH2 CH2 O Ácido tereftálico Etileno-glicol Politereftalato de etileno (poliéster) P,T Catalisadores P,T Catalisadores O kevlar é uma fibra mais resistente do que o náilon e do que o aço, e pertence à classe das aramidas, nome dado às poliamidas aromáticas (ao contrário do náilon, que é uma poliamida alifática). O kevlar é usado em capacetes das forças armadas, em coletes à prova de balas, em roupas contra incêndio, em esquis esportivos especiais etc. É produzido pela reação: N H H "(CH2)6 (CH2)4N H H HOOC CO (CH2)6 NH H2O"CO OH NH (CH2)4OC Diamina Diácido Poliamida (náilon-66) P,T Catalisadores P,T Catalisadores C O CHO "OH CC NH Ácido tereftálico 1,4-diamino benzeno Kevlar Ácido tereftálico N H H O O C O CNH O O C O CHO" OH O N H H G A R C IA P E LA Y O /C ID B E R N A R D A N N E B IC Q U E /C O R B IS S Y G M A -S TO C K P H O TO S Vestimentas de kevlar utilizadas no combate a incêndios. Capitulo 17A-QF3-PNLEM 11/6/05, 12:53383