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Resumo de aula – Prof. Odair José Torres de Araújo 
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DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de Teoria Geral do Estado. São Paulo: Saraiva, 2005. 
 
CAPITULO III: ESTADO E DIREITO 
 
Personalidade Jurídica do Estado 
 
A concepção do Estado como pessoa jurídica promove a conciliação do político com o jurídico. 
Origem dessa concepção: contratualistas. 
Desenvolvimento dessa concepção: publicistas alemães no século XIX. 
De acordo com Dallari a concepção do Estado como pessoa jurídica se divide em duas correntes de 
pensamento: ficcionistas e realistas. 
FICCIONISTAS: 
De acordo com Dallari, Savigny entende que “embora dotados de personalidade jurídica própria, que 
não se confunde com a de seus componentes, as pessoas jurídicas são sujeitos artificiais, criados pela 
lei. E entre as pessoas jurídicas se acha o Estado, cuja personalidade é também produto da mesma 
ficção” (p. 122). 
Hans Kelsen também concebe a personalidade jurídica do Estado como um artifício, uma convenção, 
assim, afirma Dallari, Kelsen entende \que o “Estado é a personificação da ordem jurídica” (p. 122). 
REALISTAS: 
Essa corrente pensa o Estado como um organismo físico. 
“A visão realista e de cunho científico do Estado como pessoa jurídica é criação dos publicistas alemães, 
numa linha que passa por Albrecht, Gerber, Gierke, Laband e Jellinek” (p. 122). 
Considerações dos autores acerca do Estado conforme interpretação de Dallari (p. 123-124): 
Albrecht (1987): “ainda nos veremos obrigados a representar o Estado como uma pessoa jurídica”. 
Gerber (organicismo ético): “o Estado é um organismo moral, pensado personalisticamente, existente 
por si e não como simplescriação conceitual”. 
Gierke: “O Estado-pessoa jurídica é um organismo, e através de órgãos próprios atua sua vontade. Esta 
se forma e se externa por meio das pessoas físicas que agem como órgãos do Estado”. 
Laband: “O Estado é visto como uma unidade organizada, uma pessoa que tem vontade própria (...). 
Assim, os direitos e deveres do Estado são distintos dos direitos e deveres de seus cidadãos”. 
Jellinek: “Se o Estado é uma unidade coletiva, uma associação, e esta unidade não é uma ficção, mas 
uma forma necessária de síntese de nossa consciência que, como todos os fatos desta, forma a base de 
nossas instituições, então tais unidades coletivas não são menos capazes de adquirir subjetividade 
jurídica que os indivíduos humanos”. 
A obra de desse autor consolida de vez a defesa do Estado como pessoa jurídica. Ainda sobre essa 
questão, Dallari nos apresenta o pensamento de outro autor: 
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Groppali: “a vontade de um sujeito que não tem vida física, mas é cirado pelo direito, sem ser concebida 
em sentido antropomórfico como vontade desse sujeito, deve ser considerada como a vontade das 
pessoas físicas que constituem seus órgãos e que se põe como sua vontade direta”. 
Se por lado a personalidade jurídica do Estado é defendida por alguns estudiosos do tema seja como 
ficção, seja como uma realidade, por outro lado existem aqueles que ainda consideram que o Estado 
não poderia ser considerado como detentor de tal personalidade. Entre esses pensadores, Dallari 
destaca (p. 125): 
Max Seydel: “Não existe vontade do Estado, mas vontade sobre o sobre o Estado, sendoeste apenas 
objeto de direito daquela vontade superior”. 
Donati: “a personalidade real do estado é a personalidade dos governantes”. 
Duguitr refuta Donati: o Estado é “uma relação de subordinação, entre os que mandam e os que são 
mandados, ou, então, como uma cooperação de serviços públicos organizados e dirigidos pelos 
governantes. Essa relação jamais poderia ser transformar em pessoa”. 
Após apresentar essas diferentes visões acerca da personalidade jurídica do Estado, Dallari procura 
enquadrar seu pensamento acerca do tema em uma das correntes abordadas. Para o autor, “as pessoas 
físicas, quando agem como órgãos do Estado, externam uma vontade que só pode ser imputada a este e 
que não se confunde com as vontades individuais (...). Para que o Estado tenha direitos e obrigações, 
deve ser reconhecido como pessoa jurídica (...). É por meio da noção do Estado como pessoa jurídica, 
existindo na ordem jurídica e procurando atuar segundo o direito, que se estabelecem limites jurídicos 
eficazes à ação do Estado, no seu relacionamento com os cidadãos. Se, de um lado, é inevitável que o 
Estado se torne titular de direitos que ele próprio cria por meio de seus órgãos, há, de outro, a 
possibilidade de que os cidadãos possam fazer valer contra ele suas pretensões jurídicas, o que só é 
concebível numa relação entre pessoas jurídicas” (p. 126). 
 
 
Estado, Direito e Política 
 
O conjunto das relações, normas, interesses e situações implicam na necessidade de se ver o Estado 
como sendo dotado, ao mesmo tempo, de indissociável conteúdo jurídico e político, essa é a visão de 
Dalmo Dallari. 
Para Miguel Reale, o Estado apresenta ao mesmo tempo três faces: social, “relativa à sua formação e ao 
seu desenvolvimento em razão de fatores sócio-econômicos”; jurídica, “que é a que se relaciona com o 
Estado enquanto ordem jurídica”; política, “onde aparece o problema das finalidades do governo em 
razão de diversos sistemas de cultura” (p. 127). 
Dallari entende que “toda fixação de regras de comportamentos se prende a fundamentos e finalidades, 
enquanto que a permanência de meios orientados para certos fins depende de sua inserção em normas 
jurídicas” (p. 128). 
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“Enquanto sociedade política, voltada para fins políticos, o estado participa da natureza política, que 
convive com a jurídica, influenciando-a e sendo por ela influenciada, devendo, portanto, exercer um 
poder político” (p. 128). 
Algumas considerações acerca do tema são trazidas por Dallari a partir da interpretação que desenvolve 
do pensamento dos autores abaixo (p. 129): 
Neumann: “o poder político é o poder social que se focaliza no Estado, tratando da obtenção do 
controle dos homens para o fim de influenciar o comportamento do Estado”. 
Cassirer: considera política como a “arte de unificar e organizar as ações humanas e dirigi-las para um 
fim comum”. 
Max Weber: conceitua o Estado “uma comunidade humana que, dentro dos limites de determinado 
território, reivindica o monopólio do uso legítimo da violência física”. 
Para Dallari, “o caráter político do Estado lhe dá a função de coordenar os grupos e os indivíduos em 
vista de fins a serem atingidos, impondo a escolha dos meios adequados”. Contudo, a consecução desse 
objetivo implica em três dualismos: 
Necessidade e possibilidade: identificar necessidades de um povo de um determinado Estado e verificar 
os meios disponíveis que possibilitem alcançar tais necessidades. 
Indivíduo e coletividade: não se pode anular o indivíduo dando precedência sistemática à coletividade, 
mas também será inadequada a preponderância automática do individual, daí a necessidade de se 
conciliar num Estado os interesses do indivíduo e os da coletividade. 
Liberdade e autoridade: ao mesmo tempo em que Estado Democrático e de Direito se baseia na 
liberdade dos indivíduos, não pode, contudo, abrir mão da autoridade, sem a qual a ordem pública se 
torna impraticável. Por tudo isso há que conciliar a liberdade (indivíduo) e autoridade (Estado). 
 
 
Estado e Nação 
 
Estado e Nação apresentam conceitos diferentes, contudo já houve momento em que se tentou unificar 
esses dois conceitos, os interesses envolvidos foram de ordem ideológica. 
“Como pura criação artificial, o conceito de nação, seria largamente explorado no século XVIII para levar 
a burguesia à conquista do poder político (...). Com a Revolução Americana e a Revolução Francesa, a 
Nação, em cujo nome se pretendia o governo do Estado, passa a ser identificada com o próprio Estado” 
(p. 132). 
A distinção entre Estadoe Nação é definida por Dallari a partir da Sociologia de Ferdinand Tonnies, 
considerando, para tanto, a distinção entre Sociedade e Comunidade. Desse modo, Estado é entendido 
como sociedade política e nação como comunidade. 
“As sociedades se formam por atos de vontade, não se exigindo que os seus membros tenham 
afinidades espirituais ou psicológicas (...). A comunidade se coloca num outro plano, independente da 
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vontade, existindo como fato mesmo antes que os seus membros tomem consciência de que ela existe” 
(p. 134). 
As relações entre os membros de uma comunidade se caracterizam pela existência de simpatia, 
confiança e vínculos de sentimentos entre eles. A natureza dessas relações se dá desse modo em 
conseqüência das afinidades psicológicas e espirituais existentes entre os membros, algo que, embora 
possa existir, é dispensável para a existência de uma sociedade. 
Algumas diferenças importantes: 
a) Sociedade: agrupa homens em função de um objetivo/finalidade; comunidade é um fato que 
independe da vontade, cuja aspiração se limita a preservação da própria comunidade. 
b) Sociedade: ligação dos membros por vínculos jurídicos; comunidade liga os membros por 
sentimentos comuns. 
c) Sociedade: existência de poder social, ordenação jurídica; comunidade não há ordenação 
jurídica, nem poder central, quando muito ocorrem centros de influência. 
Sendo assim, o Estado é visto como uma sociedade (política) e a nação como uma comunidade (não 
possui caráter jurídico). 
“Para obter maior integração de seu povo, e assim reduzir as causas de conflito, os Estados procuram 
criar uma imagem nacional, simbólica e de efeitos emocionais, a fim de que os componentes da 
sociedade política se sintam mais solidários”. 
Obs.: Ao se analisar a realidade social é possível verificar a existência de sociedades que apresentam 
características de comunidade, isso ocorre em função dos elementos que ligam os seus membros, do 
mesmo modo, uma comunidade pode evoluir à condição de sociedade e ainda assim preservar os 
elementos característicos da sua anterior condição. 
 
 
Mudanças do Estado por reforma e revolução 
 
Para Dallari todo e qualquer Estado convive constantemente com a necessidade de conciliar ordem e 
dinâmica social. Os equívocos em relação a esse aspecto se dão muitas vezes por se entender o Estado e 
o próprio direito como instituições estáticas. 
Sob influência de Miguel Reale, Dallari considera: 
1º. O Direito é dinâmico e por isso exige constantes atualizações a fim de adequá-lo às condições de 
convivência social; 
2º. Os conflitos são normais e são produtos de necessidades naturais das pessoas. Num mesmo Estado 
convivem muitas vontades; 
3º. Em qualquer meio social, há que se considerar uma multiplicidade de valores que convivem 
mutuamente. 
Dallari considera que essas condições acima descritas provocam mudanças no Estado. Essas mudanças, 
por sua vez, podem se dá por duas vias distintas: reforma ou revolução. 
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Mudança por reforma: gradual, acontece em conformidade com a ordem jurídica. 
Mudança por revolução: pode ser abrupta, provoca uma ruptura com a ordem jurídica. 
Contudo, governos totalitários podem se utilizar de mecanismos constitucionais a fim de dá legalidade 
aos atos arbitrários cometidos e, ao mesmo tempo impedir que mudanças possam ocorrer. Diante de tal 
possibilidade, as mudanças tendem a ocorrer apenas pela via revolucionária. Segundo Goffredo Telles Jr, 
citado por Dallari, a revolução pode apresentar três características: legitimidade, quando ocorre de real 
necessidade, ou seja, quando há um profundo desacordo da ordem jurídica; utilidade, quando se 
processa de maneira eficaz e apropriada e com capacidade para atingir os objetivos almejados; 
finalmente a proporcionalidade, quando ocorre a preocupação em não se cometer males maiores do 
que aqueles que se pretende corrigir.

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