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Profª Simone Dallegrave Marchesini Psicofarmacologia Aula 1 Farmacologia e psicologia Origem da psicologia: estudo da natureza humana por meio de especulações, intuições e generalizações (Platão, Aristóteles e outros filósofos) Processos como memória, aprendizagem, motivação, pensamento, percepção, comportamentos e suas alterações Psicologia moderna: aplicação do método científico para responder a questões filosóficas – observação e experimentação Psicologia e farmacologia Psicologia experimental: com Wilhelm Wundt (1832-1920) – 1879 Laboratório na Universidade de Leipzig: uma das mais antigas da Europa – 1409, na Alemanha França – psicologia de natureza filosófica, introspectiva e especulativa até o positivismo de Augusto Comte no final de 1800 – explicações científicas Inglaterra: evolucionismo de Darwin Não surgiu com a indústria farmacêutica Desde Claudius Galeno (129-200 d.C.) O poder curativo das plantas O primeiro a refletir sobre a base teórica da farmacologia Experiência e sistematização do uso de substâncias químicas naturais ou sintéticas no funcionamento dos organismos vivos Farmacologia Psicofarmacologia: ramo da farmacologia dedicado ao estudo, à sistematização e à classificação das substâncias químicas naturais e sintéticas que interferem no funcionamento do sistema nervoso Fisiologista alemão Johannes Müller (1801-1858) da Universidade de Berlim Desenvolveu uma teoria sobre a energia específica dos nervos – importante para a farmacologia e para psicologia Psicofarmacologia Transtornos psiquiátricos Primeiro hospício registrado no mundo 1247 – Inglaterra, onde hoje é a Estação de Londres Contexto que influenciou o passado da psicologia e da psiquiatria Asilo como depósito de inadequados sociais Zeitgeist: o clima intelectual e cultural, o espírito da época, que influenciou os conceitos e definições dos transtornos mentais Baloncici /SHUTTERSTOCK I Wei Huang /SHUTTERSTOCK Hospital Colônia: o maior hospício do Brasil (1903) Mais tarde, tornou-se o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena Mais de 60 mil pessoas morreram nesse hospício, no século passado Livro: Holocausto Brasileiro, Daniela Arbex No Brasil Paulo Nabas /SHUTTERSTOCK Trepanação Sangria Isolamento Coma induzido por insulina, coma por indução de febre (Prêmio Nobel em 1927, em Viena) Contenção no leito Stefano Chiacchiarini /SHUTTERSTOCK t iko_photographer /SHUTTERSTOCK Alvaro German Vilela /SHUTTERSTOCK Cadeira bergônica Eletroconvulsoterapia Exposição ao sereno Lobotomia frontal em 1935 – médico português Egas Moniz – rendeu a ele o prêmio Nobel em 1945: Orifício e injeção de etanol para destruir as fibras que conectavam o lobo frontal a outras partes do cérebro Gaia Conventi /SHUTTERSTOCK Somente em 1795 o psiquiatra Philippe Pinel (1745-1826) libertou os insanos do asilo de Salpêtrière, em Paris Início dos anos 1920 – Otto Loewi, professor de farmacologia da Universidade de Graz, isolou o primeiro neurotransmissor Em 1926, foi estabelecido o papel da acetilcolina na transmissão do impulso nervoso de um nervo para o outro wantanddo /SHUTTERSTOCK Emil Kraepelin (1899) – responsável por diferenciar a esquizofrenia da doença bipolar Método descritivo das doenças mentais Observava fatores hereditários e a presença de excitações e inibições Foi o primeiro a desenvolver o modelo de doença em psiquiatria por observação e descrição Emil Kraepelin 1856-1926 C. Schulz-CC/PD Karl Jaspers criou a concepção de psicopatologia como ciência e desenvolveu o estudo da sua prática O tema da psicopatologia para ele está relacionado ao homem como um todo em sua enfermidade A ciência exige pensamento conceitual rigoroso e sistemático, capaz de comunicar sem enganos Na prática, o ser humano não pode ser reduzido a conceitos psicopatológicos Karl Jaspers (1883-1969) German Vizulis/SHUTTERSTOCK Descrição, definição e classificação de sinais, sintomas e síndromes do setor da saúde mental Observação das experiências subjetivas e dos comportamentos que resultam da subjetividade sem buscar causas Tópicos da psicopatologia descritiva: níveis de consciência; estados da memória; condições dos pensamentos; estados da linguagem; intensidade da vontade; apresentação da psicomotricidade (Cheniaux, 2005) Abordagem descritiva Foi na segunda metade do século XX que houve demanda de sistematização Categorizar os diagnósticos referentes às patologias mentais Objetivo: consenso terminológico 1952: Associação Americana de Psiquiatria (APA) – primeira versão do DSM, com 106 categorias, com enfoque predominantemente psicanalítico Diagnóstico CRÉDITO- Editora : Artmed; 5ª edição (12 de maio de 2014) Em 1980, o DSM-III foi publicado com 265 categorias, fundamentadas em critérios da medicina baseada em evidências Abordagem: diagnóstico-descritiva, tratamento farmacológico do sofrimento Ênfase na nosologia Marketing – campanha com psiquiatras de nome, termos específicos e amostras grátis para angariar pacientes megaflopp/SHUTTERSTOCK Psicoterapia Final dos anos 1950 e início de 1960: Aaron Beck concluiu, por meio da revisão do histórico de pacientes, que a teoria da melancolia de Freud não era consistente Separou temas comuns desses pacientes e verificou padrões de pensamento Terapia cognitivo-comportamental: abrange várias abordagens que derivam de um modelo cognitivo A cognição afeta o comportamento A cognição é passível de ser mudada O comportamento pode ser mudado por meio da mudança da cognição Protótipo das terapias cognitivo-comportamentais Interação entre cognição, emoção e comportamento Vulnerabilidade cognitiva Psicopatologia Cada transtorno tem um processamento cognitivo específico Pensamentos automáticos Pressupostos subjacentes Ideias e conceitos Aprendizagem Reforço das experiências Crenças nucleares Desamparo Desamor Desvalor Estrutura do pensamento Sobre si mesmo Sobre os outros Sobre o mundo Farmacoterapia Vertente química dos tratamentos para os males humanos Controle dos sintomas de doenças por meio de substâncias químicas Farmacoterapia 5point6/SHUTTERSTOCK Aplicação das drogas com fins de tratamento para alterar humor, percepção, pensamento e comportamento Psicofarmacoterapia Originalmente, a fenotiazina se desenvolveu como um corante sintético no ano de 1883 Henri Laborit: cirurgião que percebeu nos pacientes uma reação de indiferença depois de receberem fenotiazina As fenotiazinas eram usadas na anestesia para neutralizar os efeitos do “choque cirúrgico” A descoberta da clorpromazina, o primeiro antipsicótico Crédito: Dino Fracchia / Alamy / Fotoarena John F. J. Cade, na Austrália, considerou a possibilidade de a psicose maníaco-depressiva ser um desequilíbrio de um estado metabólico Mania: excesso de algum metabólito tóxico Depressão: uma privação Lítio e seu uso na medicina Youjin Jung/shutterstock 1922: o lítio já era usado como tranquilizante Estabilizador do humor - 1970: aprovação pelo FDA (U.S. Food and Drug Administration) Lítio e seu uso na medicina Laboratórios Roche (1963) – entraram no comércio após oito anos de pesquisas e US$ 17 milhões Medicação conhecida por provocar tolerância – tende a fazer com que a pessoa aumente a dose em busca do mesmo efeito desejado anteriormente Diazepam – Valium (1954) Causa impacto sobre memória, atenção e concentração Antes dele, somente os sedativos hipnóticos como meprobamato: Miltown (uso 1 em 20) Diazepam – Valium (1954) Testado pela primeira vez como tratamento para pressão alta, tendo funcionado em alguns animais Como agente antiobesidade, não se sustentou Piorou o quadro de pacientes psicóticos hospitalizados com depressão (virada maníaca) Depressivos leves, sem potencial para virada do humor se beneficiaram do Prozac Prozac PixelSquid3d/SHUTTERSTOCK Julho de 1990 Patrocinado pelo congressistaSilvio de Conti Assinado pelo ex- presidente dos EUA George H. W. Bush – Proclamação da Década do Cérebro 1990-1999: a década do cérebro Yurchanka Siarhei/SHUTTERSTOCK Aos poucos, a neuroplasticidade foi sendo admitida e comprovada Admitiu-se também que estímulos sociais interferem na genética 1990-1999: a década do cérebro ANTIDEPRESSIVOS ESTABILIZADOR DO HUMOR ANTICONVULSIVANTES ESTABILIZADORES DO HUMOR IMIPRAMINA (TOFRANIL, MADALON) CARBONATO DE LÍTIO (CARBOLITIUM) VALPROATO DE SÓDIO (DEPAKENE) CLOMIPRAMINA (ANAFRANIL, CLO) Potencializa a ação do antidepressivo. Tem ação regenerativa e diminui a apoptose DIVALPROATO DE SÓDIO (DEPAKOTE) AMITRIPTILINA (TRIPTANOL, NEUROTRYPT) CARBAMAZEPINA (TEGRETOL) DESIPRAMINA (NORPRAMIN) OXCARBAZEPINA (TRILEPTAL) NORTRIPTILINA (PAMELOR) LAMOTRIGINA (LAMICTAL) DOXEPINA (APONAL, SINEQUAL) TOPIRAMATO (AMATO, TOPAMAX) TRAZODONA (DONAREN) PREGABALINA (LYRICA, PROLEPTOL) AGOMELATINA (VALDOXAN) GABAPENTINA (NEURONTIN) ANTIDEPRESSIVOS ESTABILIZADORES DO HUMOR (atpc típicos) DULOXETINA (CYMBALTA®, CYMBI®) CLORPROMAZINA (AMPLICTIL®) FLUVOXAMINA (ZOLOFT®, REVOC®) HALOPERIDOL (ALDOL®) MIRTAZAPINA (REMERON®, MENELAT®) FENOTIAZINAS Exercem efeito sedativo e miorrelaxante, bloqueiam a neurotransmissão de serotonina e dopamina no sistema nervoso central DIBENZODIAZEPÍNICO TRICÍCLICO ANTIPSICÓTICO CLOZAPINA(LEPONEX®) REBOXETINA (PROLIFT®) FLUFENAZINA (PERMITIL®, PROLIXIM®) VORTIOXETINA (BRINTELLIX®) PIMOZIDA (ORAP®) T. tique - não usar com recap. de serotonina BUPROPIONA (WELLBUTRIM®, SETH®) CLORPROMAZINA Sedativo QUETAMINA (ESKETAMINE®) ZUCLOPENTIXOL CLOPIXOL (Lundbeck); CLOPIXOL ACUPHASE (Lundbeck) VILAZODONA (VIIBRYD®) AMISULPRIDA Sedativo Usados em depressão atípica Fobia social Fibromialgia Efeitos colaterais específicos: ganho de peso, insônia e hipotensão ortostática Alimentos ricos em tiramina devem ser evitados (envelhecidos, apodrecidos ou secos) IMAOs IMAOs Hidrazina Fenelzina Tranilcipromina Parnate® Moclobemida Aurorix® ANTIDEPRESSIVOS ESTABILIZADORES DO HUMOR ANTIPSICÓTICOS BENZODIAZEPÍNICOS FLUOXETINA (PROZAC®, VEROTINA®) AMISULPRIDA (SOCIAN®) Alprazolam (Frontal®, Apraz®) Bromazepam (Lexotam®) Clordiazepóxido (Libriurm®, Psicosedim®) Clobazepam (Frisium, Urbanil®) Clonazepam (Rivotril®) Cloxazolam (Olcadil®) Clorazepato (Tranxilene®) Diazepam (Valium®, Ansilive®) Flurazepam* (Dalmadorm®) Flunitrazepam* (Rohypnol®) Lorazepam (Lorax®) Midazolam* (Dormonid®) Oxazepam (Serax®) Triazolam* (Halcion®) PAROXETINA (PONDERA®, PAXIL®) AZENAPINA (SAPHRIS®) SERTRALINA (SERENATA®, TOLREST®) ZUCLOPENTIXOL (CLOPIXOL®) CITALOPRAM (CIPRAMIL®, PROXIMAX®) LURAZIDONA (LATUDA) ESCITALOPRAM (LEXAPRO®, RECONTER®) PALOPERIDONA (INVEGA®) DESVENLAFAXINA (PRISTIQ®, ELIFORE®) ARIPIPRAZOL (ABILIFY®) RISPERIDODA (RISPERDAL®) OLANZAPINA (ZYPREXA®) QUETIAPINA (SEROQUEL®) MEDICAMENTOS RECOMENDADOS EM CONSENSOS DE ESPECIALISTAS NOME QUÍMICO NOME COMERCIAL PRIMEIRA ESCOLHA: ESTIMULANTES (em ordem alfabética) Lisdexanfetamina Venvanse® Metilfenidato (ação curta) Ritalina® Metilfenidato (ação prolongada) Concerta® Ritalina LA SEGUNDA ESCOLHA: caso o primeiro estimulante não tenha obtido o resultado esperado, deve-se tentar o segundo estimulante TERCEIRA ESCOLHA Atomoxetina Strattera® QUARTA ESCOLHA: antidepressivos Estimulantes do sistema nervoso Medicação e medicalização Diagnósticos baseados em sintomas e respostas medicamentosas Foco na população controlável: crianças e idosos Depressão – década de 1980 Em 2007, os antidepressivos passaram a ser as drogas mais prescritas Pânico – década de 1990 Bipolaridade – 2000 Agressividade ou euforia (virada maníaca) Medicalização da indiferença e do sofrimento TDAH 2011-2014 Em 2014: 62 toneladas de medicamentos fabricados 2016: 74 toneladas fabricadas No Brasil: dose diária de 0,57 de cloridrato de metilfenidato por mil habitantes Organização das Nações Unidas (2018) TEA ±2015 Cerca de 1 a cada 68 crianças no mundo é autista (Organização Mundial de Saúde, 2016) O transtorno do espectro autista engloba vários distúrbios e atrasos do desenvolvimento Infância e adolescência: transtorno de ansiedade (mais comum), transtornos comportamentais (53%), transtorno de humor e transtorno de abuso de substância – explosões de raiva – bipolaridade Idosos: o envelhecimento virou doença – "antipsicóticos" para demência, delírio, psicose, agitação e transtornos do humor – neozine e benzodiazepínicos para insônia (parkinsonismo) Prescrição banalizada: crianças, adolescentes e idosos Mulheres: ansiedade/depressão - a cada três prescrições, duas para mulheres: calmantes para mães, antidepressivos para a menopausa etc.