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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ – UFC DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA HIDRÁULICA E AMBIENTAL CENTRO DE TECNOLOGIA DISCIPLINA DE HIDRÁULICA APLICADA VERTEDOUROS COMOMEDIDORES DE VAZÃO ( PARSHALL E VERTEDOUROS CALIBRADOS ) Equipe: Francisco Elismar Pereira Mendes – 537163 João Pedro Barbosa Pontes - 537699 Moisés Braga Martins - 538583 Victório Pereira Lemos - 538680 Vinícius Abas de Campos - 536301 Curso: Engenharia Civil. Turma: TD0926 - (2024.2 - T02). Professora: Samiria Maria Oliveira da Silva. Fortaleza - CE 2025 1 2 1. INTRODUÇÃO............................................................................................................................................. 4 1.1. Objetivos................................................................................................................................................4 1.2. Justificativa............................................................................................................................................ 4 1.3. Metodologia...........................................................................................................................................4 1.3.1. Pesquisa Bibliográfica..................................................................................................................4 1.3.2. Equações e Parâmetros.................................................................................................................5 1.3.3. Desenvolvimento de Modelo Computacional..............................................................................5 1.3.4. Análise Prática............................................................................................................................. 5 2. DESENVOLVIMENTO................................................................................................................................6 2.1. Conceitos e Classificação de Vertedores............................................................................................... 6 2.1.1. Calha Parshall...............................................................................................................................7 2.1.2. Vertedouro Retangular................................................................................................................. 9 Aplicações:.......................................................................................................................................... 10 Vantagens:...........................................................................................................................................10 2.1.3. Vertedouro Triangular (V-notch)................................................................................................10 Aplicações:.......................................................................................................................................... 10 Vantagens:...........................................................................................................................................11 2.1.4. Vertedouro de Crista Larga.........................................................................................................11 Aplicações:.......................................................................................................................................... 12 Vantagens:...........................................................................................................................................12 2.1.5. Vertedouro Cipolletti..................................................................................................................12 Aplicações:.......................................................................................................................................... 12 Vantagens:...........................................................................................................................................13 2.1.6. Resumos dos tipos......................................................................................................................13 2.2. Equações e Parâmetros Hidráulicos.....................................................................................................13 2.2.1. Vertedouro Parshall (Calha Parshall)......................................................................................... 13 Equação Geral:.................................................................................................................................... 13 Coeficiente de Descarga (Cd):............................................................................................................. 14 Influência dos Parâmetros:................................................................................................................. 14 2.2.2. Vertedouro Retangular (Borda Delgada)....................................................................................14 Equação Geral:.................................................................................................................................... 14 Coeficiente de Descarga (Cd):............................................................................................................. 15 Influência dos Parâmetros:................................................................................................................. 15 2.2.3. Vertedouro Triangular (V-notch)................................................................................................15 Equação Geral:.................................................................................................................................... 15 Coeficiente de Descarga (Cd):............................................................................................................. 16 Influência dos Parâmetros:................................................................................................................. 16 2.2.4. Vertedouro de Crista Larga........................................................................................................ 16 Equação Geral:.................................................................................................................................... 16 Fortaleza - CE 2025 2 3 Coeficiente de Descarga (Cd):............................................................................................................. 17 Influência dos Parâmetros:................................................................................................................. 17 2.2.5. Conclusão sobre Coeficientes de Descarga e Parâmetros..........................................................17 2.3. Aplicações, Vantagens, Limitações e Critérios de Projeto - Detalhamento........................................ 18 2.3.1. Vertedouro Retangular (Borda Delgada)....................................................................................18 Aplicações:.......................................................................................................................................... 18 Vantagens:...........................................................................................................................................18 Limitações:.......................................................................................................................................... 19 Critérios de Projeto:............................................................................................................................ 19 2.3.2. Vertedouro Triangular (V-notch)................................................................................................19 Aplicações:.......................................................................................................................................... 19 Vantagens:...........................................................................................................................................19 Limitações:..........................................................................................................................................20 Critérios de Projeto:............................................................................................................................ 20 2.3.3. Vertedouro Parshall (Calha Parshall)......................................................................................... 20 Aplicações:.......................................................................................................................................... 20 Vantagens:...........................................................................................................................................21 Limitações:.......................................................................................................................................... 21 Critérios de Projeto:............................................................................................................................ 22 2.3.5. Vertedouro de Crista Larga........................................................................................................ 23 Aplicações:.................................................................................................................................................23 Vantagens:...........................................................................................................................................24 Limitações:.......................................................................................................................................... 24 Critérios de Projeto:............................................................................................................................ 24 2.4. Exemplos Numéricos...........................................................................................................................25 Fonte: autores........................................................................................................................................... 25 Explicação:.................................................................................................................................................25 Explicação:.................................................................................................................................................27 Resultados Esperados:...............................................................................................................................28 3. CONCLUSÃO............................................................................................................................................. 29 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................................................... 30 Fortaleza - CE 2025 3 4 1. INTRODUÇÃO 1.1. Objetivos O presente trabalho tem como objetivo entender os conceitos, operações, aplicações e critérios utilizados em projetos de vertedouros como medidores de vazão. 1.2. Justificativa Os dispositivos em estudo são essenciais para operações hidráulicas, pois medem com precisão o fluxo de água de forma simples e com baixo custo financeiro. Vale ressaltar que o campo de atuação não se restringe apenas a obras hidráulicas de engenharia, por exemplo, barragens, mas também em torno da área ambiental, como o saneamento. Logo, percebe-se a importância em estudá-los. 1.3. Metodologia Busca apresentar de forma prática, direta, sucinta e completa o funcionamento e aplicabilidade dos vertedouros utilizados como medidores de vazão, baseados em estudos teóricos, cálculos matemáticos, etc. A análise se fomentou em pesquisas bibliográficas, normas técnicas, artigos, sites educacionais e implementos mediantes códigos computacionais. 1.3.1. Pesquisa Bibliográfica Leitura realizada da literatura para compreender os fundamentos teóricos básicos, as equações relevantes e as aplicações dos vertedouros e orifícios. As principais fontes incluem: ➢ Livros acadêmicos de mecânica dos fluidos e hidráulica, como Hidráulica Básica de Rodrigo de Melo Porto, 2ª edição. ➢ Artigos científicos disponíveis em bases de dados de instituições de ensino, como USP. Fortaleza - CE 2025 4 5 ➢ Normas técnicas como a ISO 1438, que fornece diretrizes sobre o uso e calibração desses dispositivos. 1.3.2. Equações e Parâmetros Os vertedouros foram analisados considerando suas equações principais de vazão, com destaque para os seguintes pontos: ➢ Determinação do coeficiente de descarga para cada dispositivo. ➢ Estudo das variáveis envolvidas, como altura da lâmina d’água, área do orifício e ângulo do vertedouro. ➢ Verificação das condições ideais de instalação e operação, como regime de escoamento e critérios de projeto. 1.3.3. Desenvolvimento de Modelo Computacional Foi implementado um programa em Python para realização de simulações das vazões em diferentes tipos de vertedouros. O modelo computacional foi desenvolvido em etapas: ➢ Implementação das fórmulas hidráulicas para cálculo da vazão em função das variáveis de entrada. ➢ Geração de gráficos para representar a relação entre altura da lâmina d'água e vazão. ➢ Testes do modelo com diferentes configurações para validar os resultados. 1.3.4. Análise Prática A metodologia inclui um estudo de caso ou simulação prática: ➢ Escolha de tipos de vertedouros (triangular, retangular ou Parshall, por exemplo) para simular uma situação real de medição de vazão em um canal aberto. ➢ Aplicação de dados reais ou fictícios para verificar a precisão e a aplicabilidade dos cálculos. ➢ Comparação dos resultados simulados com valores esperados ou dados experimentais, quando disponíveis. Fortaleza - CE 2025 5 6 2. DESENVOLVIMENTO 2.1. Conceitos e Classificação de Vertedores Definição de vertedores Segundo Porto (1999), vertedor é um dispositivo usado para medir e/ou controlar a vazão em escoamento por um canal, isto é, é um orifício de grandes proporções com aresta de topo suprimida, assim, a veia líquida superior se faz em contato com pressão atmosférica, nada mais é que uma um “paredão” com uma abertura para produzir uma lâmina sobre um obstáculo. Classificação dos vertedores ➢ Quanto à forma geométrica da abertura: retangulares, triangulares, trapezoidais, circulares, parabólicos. ➢ Quanto à altura relativa da soleira: descarga livre se P > P' (são os mais usados) e descarga submersa se P 2/3 h. ➢ Quanto à largura relativa da soleira: sem contrações laterais se a largura da soleira for igual à largura do canal de chegada, L = b, e com contrações laterais se a largura da soleira for inferior à largura do canal de chegada, Lé usado para calcular a vazão por meio de fórmulas calibradas. Fortaleza - CE 2025 7 8 Imagem 02- Esquema de uma calha de Parshall. Fonte: FAO. Aplicações: ● Amplamente utilizada em estações de tratamento de água e esgoto, medição de vazão em canais de drenagem ou irrigação. Vantagens: ● Padrões estabelecidos que garantem medições confiáveis, requer pouca manutenção e possui alta precisão para uma faixa ampla de vazões. Fortaleza - CE 2025 8 9 Imagem 03 - Calha de Parshall. Fonte: Flickr 2.1.2. Vertedouro Retangular ● Um vertedouro com uma abertura retangular definida sobre a qual o fluxo ocorre. A vazão é calculada com base na altura da lâmina d’água sobre a borda do retângulo e na largura da abertura. Fortaleza - CE 2025 9 10 Imagem 04 - Vertedouro retangular. Fonte: USP. Aplicações: ● Usado em canais laboratoriais e experimentais e controle de vazão em sistemas agrícolas. Vantagens: ● Simples de construir e operar e adequado para fluxos baixos a moderados. 2.1.3. Vertedouro Triangular (V-notch) Fortaleza - CE 2025 10 11 ● Um vertedouro com abertura em forma de triângulo invertido. A vazão depende da altura da lâmina d’água sobre a crista e do ângulo da abertura. Ideal para medir pequenas vazões com alta precisão. Aplicações: ● Monitoramento de pequenos cursos d’água e medição de vazão em experimentos de laboratório. Imagem 05 - Aplicação de vertedouro triangular. Fonte: Guven Saneamento. Vantagens: ● Alta sensibilidade a pequenas mudanças na vazão e adequado para canais com fluxos baixos. Fortaleza - CE 2025 11 12 2.1.4. Vertedouro de Crista Larga ● Um vertedouro com uma borda horizontal extensa, onde o fluxo ocorre em regime crítico. A vazão é determinada pela altura da lâmina d’água sobre a crista, considerando os efeitos do atrito. Aplicações: ● Monitoramento de grandes fluxos em reservatórios e barragens e controle de vazão em obras hidráulicas. Vantagens: ● Menor suscetibilidade a variações rápidas no fluxo e boa precisão para fluxos moderados a altos. 2.1.5. Vertedouro Cipolletti ● Similar ao vertedouro retangular, mas com bordas inclinadas em 4:1 (horizontal:vertical). As bordas inclinadas corrigem efeitos de contração lateral, proporcionando medições mais precisas. Imagem 05 - Vertedor Cipolletti Fonte: FAO. Fortaleza - CE 2025 12 13 Aplicações: ● Usado em irrigação e canais agrícolas. Vantagens: ● Combina simplicidade do vertedouro retangular com maior precisão. 2.1.6. Resumos dos tipos Tabela 01 - Comparação entre vertedouros. TIPO VAZÃO APLICAÇÃO VANTAGENS DESVANTAGENS PARSHALL PEQUENA A ALTA SANEAMENTO PADRÃO CONSTRUÇÃO NORMATIVA RETANGULAR PEQUENA A MÉDIA LABORATÓRIOS EXECUÇÃO SIMPLES MENOR SENSIBILIDADE TRIANGULAR PEQUENA CURSOS D’ÁGUA SENSÍVEIS IMPRÓPRIAS PARA ELEVADAS VAZÕES CRISTA LARGA MÉDIA A ALTA BARRAGENS ESTÁVEIS PRECISÃO AFETADA EM FLUXOS BAIXOS CIPOLLETTI PEQUENA A MÉDIA IRRIGAÇÃO REDUZ CONTRAÇÃO REDUZ A PEQUENAS VAZÕES Fonte: autores. Fortaleza - CE 2025 13 14 2.2. Equações e Parâmetros Hidráulicos 2.2.1. Vertedouro Parshall (Calha Parshall) Equação Geral: A equação do vertedouro Parshall é uma função empírica que relaciona a altura da lâmina d'água (H) na garganta e o coeficiente de descarga (Cd): 𝑄 = 𝐶𝑑 × 𝐻3 Parâmetros: ● Q: Vazão volumétrica (m³/s). ● Cd: Coeficiente de descarga (adimensional), que depende das características geométricas da calha e da água que passa através dela. ● H: Altura da lâmina d'água sobre a crista (m). Coeficiente de Descarga (Cd): ➢ O coeficiente de descarga para a calha Parshall é determinado por testes experimentais e varia dependendo da calibragem do dispositivo. Em termos gerais, é um valor ajustado empiricamente para cada tipo de calha Parshall e sua aplicação. Influência dos Parâmetros: ➢ Altura do nível d'água (H): A altura da lâmina d'água acima da garganta é um parâmetro crucial para o cálculo da vazão. ➢ Aceleração da gravidade (g): Como o vertedouro Parshall tem uma geometria fixada, a gravidade (g) não entra diretamente na fórmula, mas é implicitamente considerada na calibração do coeficiente de descarga Cd. Fortaleza - CE 2025 14 15 2.2.2. Vertedouro Retangular (Borda Delgada) Equação Geral: Para um vertedouro retangular com borda delgada, a fórmula para a vazão é dada por: Q=⅔*Cd*b*(2g)^0,5*H^3/2 Parâmetros: ● Q: Vazão volumétrica (m³/s). ● Cd: Coeficiente de descarga (adimensional), que depende das condições do escoamento e das características geométricas da abertura. ● b: Largura da abertura do vertedouro (m). ● g: Aceleração da gravidade (9,81 m/s²). ● H: Altura da lâmina d'água sobre a borda do vertedouro (m). Coeficiente de Descarga (Cd): ➢ O coeficiente de descarga Cd pode variar entre 0,6 e 0,65 para vertedouros retangulares. Ele depende de fatores como o formato da borda e as condições de escoamento, que influenciam a quantidade de água que flui através da abertura. Influência dos Parâmetros: ➢ Altura do nível d'água (H): A altura da lâmina d'água sobre a borda do vertedouro tem uma relação diretamente proporcional à vazão, elevada à potência 3/2, o que significa que pequenas variações na altura da lâmina podem resultar em grandes variações na vazão. ➢ Largura da abertura (b): A largura da abertura é uma medida direta da capacidade de drenagem do vertedouro, afetando linearmente a vazão. ➢ Aceleração da gravidade (g): A aceleração da gravidade influencia a relação entre a altura do fluido e a vazão, refletindo no impacto da força gravitacional no escoamento. Fortaleza - CE 2025 15 16 2.2.3. Vertedouro Triangular (V-notch) Equação Geral: Para o vertedouro triangular (V-notch), a equação para a vazão é dada por: Q=8/15*Cd⋅θ⋅(2g)^0,5⋅H^5/2 Parâmetros: ● Q: Vazão volumétrica (m³/s). ● Cd: Coeficiente de descarga (adimensional), que depende das dimensões do vertedouro e da natureza do fluxo. ● θ: Ângulo do vértice do triângulo (em radianos) — típico para um vertedouro V-notch, geralmente com um valor de 90° ou 60°. ● g: Aceleração da gravidade (9,81 m/s³). ● H: Altura da lâmina d'água sobre a crista do vertedouro (m). Coeficiente de Descarga (Cd): ➢ O coeficiente Cd para um vertedouro triangular geralmente varia entre 0,6 e 0,75, dependendo da calibração do dispositivo. Esse coeficiente reflete a eficiência com que o vertedouro converte a altura do fluido em vazão. Influência dos Parâmetros: ➢ Altura do nível d'água (H): A altura da lâmina d'água tem um impacto muito grande na vazão, já que está elevada à potência 5/2. Isso significa que pequenos aumentos na altura podem resultar em grandes aumentos na vazão. ➢ Ângulo do vértice (θ): O ângulo do vértice do triângulo afeta diretamente o valor da vazão, com ângulos menores (como 60°) resultando em vazões mais altas para uma mesma altura da lâmina d'água. Fortaleza - CE 2025 16 17 ➢ Aceleração da gravidade (g): Assim como nos outros tipos de vertedouros, g afeta diretamente a vazão. No entanto, a sua influência é mais sutil em comparação com a altura da lâmina d'água. 2.2.4. Vertedouro de Crista Larga Equação Geral: A equação para um vertedouro de crista larga, quando o fluxo é subcrítico (não há submersão total), é dada por: Q=Cd⋅L⋅(2g)^0,5⋅H^3/2 Parâmetros: ● Q: Vazão volumétrica (m³/s). ● Cd: Coeficiente de descarga (adimensional), que depende das características do vertedouro e do escoamento. ● L: Comprimento da crista do vertedouro (m). ● g: Aceleração da gravidade (9,81 m/s²). ● H: Altura da lâmina d'água sobre a crista (m). Coeficiente de Descarga (Cd): ➢ O coeficiente de descarga Cd para vertedouros de crista larga geralmente varia entre 0,7 e 0,85. Esse valor depende do formato da crista e das condições de fluxo, e é ajustado com base em testes empíricos. Influência dos Parâmetros: ➢ Altura do nível d'água (H): A altura da lâmina d'água tem um impacto direto na vazão, similar aos outros tipos de vertedouros, com um aumento na vazão conforme H^3/2. Fortaleza- CE 2025 17 18 ➢ Comprimento da crista (L): O comprimento da crista do vertedouro determina a quantidade de água que pode passar por ele. Quanto maior for o comprimento da crista, maior será a capacidade do vertedouro de liberar água. ➢ Aceleração da gravidade (g): A aceleração gravitacional afeta a dinâmica do escoamento, como em outros casos. 2.2.5. Conclusão sobre Coeficientes de Descarga e Parâmetros ➢ Coeficiente de Descarga (Cd): Este coeficiente é essencial para ajustar a equação do vertedouro à realidade prática, levando em conta os efeitos de turbulência, resistência e formato da borda. Ele é determinado experimentalmente para cada tipo de vertedouro e suas condições específicas de operação. ➢ Altura do nível d'água (H): A altura da lâmina d'água é o parâmetro mais influente no cálculo da vazão. Uma variação na altura da lâmina pode causar grandes mudanças na vazão, especialmente em vertedouros que envolvem potências altas como H^(3/2) ou H^(5/2). ➢ Área da Abertura: Nos vertedouros retangulares, a área da abertura (largura b) é diretamente proporcional à vazão. Em dispositivos como o V-notch, o ângulo do triângulo também é um fator significativo. ➢ Aceleração da Gravidade (g): Embora o valor da gravidade seja constante (9,81 m/s²), sua presença nas equações garante que o efeito da gravidade sobre o escoamento da água seja corretamente considerado. Fortaleza - CE 2025 18 19 2.3. Aplicações, Vantagens, Limitações e Critérios de Projeto - Detalhamento 2.3.1. Vertedouro Retangular (Borda Delgada) Aplicações: ➢ Controle de vazão em barragens e represas: Usado em grandes volumes de água, sendo muito eficiente para canais largos e de grande vazão. ➢ Sistemas de irrigação: Mede a quantidade de água que flui através dos canais de irrigação. ➢ Estações de tratamento de água: Medição de vazões em estações que regulam a entrada e saída de água. Vantagens: ➢ Simplicidade de construção e instalação: O vertedouro retangular é de fácil construção e instalação em grandes obras. ➢ Alta capacidade de escoamento: Pode lidar com grandes vazões devido à sua geometria. ➢ Versatilidade: Adaptável a diferentes tipos de fluxos e amplamente utilizado em práticas industriais e de engenharia civil. Limitações: ➢ Dependência da largura da abertura: O cálculo da vazão depende diretamente da largura da abertura, o que limita sua aplicação em canais muito estreitos. ➢ Menos preciso em fluxos pequenos: Para vazões muito pequenas, a precisão do cálculo da vazão diminui. Quanto maior a vazão mais precisos serão os resultados Critérios de Projeto: ➢ Largura da abertura (b): Deve ser projetada de acordo com a capacidade máxima de vazão do sistema. ➢ Altura do nível d’água (H): A medição da altura da lâmina d'água deve ser precisa para garantir a exatidão da vazão calculada. Fortaleza - CE 2025 19 20 ➢ Coeficiente de descarga (Cd): Esse valor deve ser ajustado para a geometria do vertedouro e suas condições de operação, como o regime de escoamento. 2.3.2. Vertedouro Triangular (V-notch) Aplicações: ➢ Medição de vazões pequenas: Usado para medir fluxos pequenos em sistemas de drenagem, laboratórios e estudos hidrológicos. ➢ Monitoramento em sistemas ambientais: Em estações de monitoramento de cursos d’água de pequeno porte. ➢ Controle de pequenas descargas em reservatórios: Quando a vazão a ser medida é muito pequena, o vertedouro V-notch é ideal. Vantagens: ➢ Alta precisão para fluxos baixos: O vertedouro V-notch é altamente preciso para medições de vazões pequenas. ➢ Facilidade de calibração: Este tipo de vertedouro é fácil de calibrar para fluxos de baixo volume. ➢ Estrutura simples: O formato triangular permite uma construção simples e eficiente. Limitações: ➢ Capacidade limitada para grandes fluxos: Não é adequado para grandes volumes de água devido à sua geometria, que limita a capacidade de escoamento. ➢ Sensibilidade à obstrução: O entupimento ou obstrução na abertura pode afetar drasticamente as medições. Critérios de Projeto: ➢ Ângulo do vértice (θ): O valor do ângulo deve ser escolhido conforme a faixa de vazão a ser medida (geralmente, usa-se 90° ou 60°). Fortaleza - CE 2025 20 21 ➢ Precisão da altura d’água (H): A precisão da medição da altura da lâmina d’água é crucial, pois pequenas variações têm grande impacto na vazão, dada a potência H^5/2. ➢ Material e resistência: O vertedouro deve ser feito de materiais resistentes à erosão e à obstrução por sedimentos. ➢ 2.3.3. Vertedouro Parshall (Calha Parshall) Aplicações: Imagem 06- Calha de Parshall. Fonte : https://www.digitalwater.com.br/calha-parshall/ ➢ Monitoramento de canais abertos em sistemas de irrigação e drenagem: Ideal para medições precisas de vazões em canais de pequeno e médio porte. ➢ Estações de monitoramento de água: Utilizado em estações de controle de qualidade de água, como estações de bombeamento. ➢ Projetos hidráulicos de médio porte: Usado em obras de engenharia hidráulica, como canais de irrigação, onde há necessidade de medições contínuas de vazão. Fortaleza - CE 2025 21 22 Vantagens: ➢ Alta precisão e confiabilidade: Fornece medições precisas de vazão em uma ampla gama de fluxos. ➢ Construção compacta: Sua forma geométrica permite instalação em espaços relativamente pequenos. ➢ Fácil manutenção: A calha Parshall exige baixa manutenção e, por ser autolimpante, reduz a necessidade de intervenções frequentes. Limitações: ➢ Requer calibração cuidadosa: A precisão da medição depende de uma calibração cuidadosa, especialmente para fluxos muito pequenos ou muito grandes. ➢ Custos iniciais: O custo inicial pode ser mais elevado em comparação com outros tipos de vertedouros, devido à sua geometria complexa. ➢ Sensível a variações no fluxo: Mudanças rápidas no fluxo podem afetar a precisão das medições. Critérios de Projeto: ➢ Ajuste do coeficiente de descarga (Cd): O coeficiente de descarga deve ser calibrado com base no tipo de fluido, e as características geométricas da calha devem ser mantidas. ➢ Formato da garganta: A seção estreita (garganta) deve ser projetada com precisão para garantir medições confiáveis. ➢ Manutenção de condições de escoamento: A calha deve ser projetada para manter o fluxo livre de obstruções. Fortaleza - CE 2025 22 23 2.3.4. Vertedouro Cipolletti Aplicações: Imagem 07 - Vertedouro Cipolletti Fonte : https://pt.slideshare.net/slideshow/apresentao-vertedores/29125858 ➢ Irrigação e drenagem agrícola: Ideal para canais de irrigação e drenagem, onde o controle de vazão precisa ser preciso e eficiente. ➢ Monitoramento de vazões em projetos hidráulicos: Usado em obras de engenharia civil que requerem controle preciso de vazão em sistemas de médio porte. Vantagens: ➢ Correção de contração lateral: O vertedouro Cipolletti corrige o problema de contração lateral, proporcionando medições mais precisas do que um vertedouro retangular convencional. ➢ Simplicidade de construção: Apesar das bordas inclinadas, sua construção é relativamente simples, sendo uma solução mais barata em comparação com outros tipos de vertedouros mais complexos. ➢ Precisão: Oferece uma medição confiável de vazão, especialmente em sistemas de irrigação. Fortaleza - CE 2025 23 24 Limitações: ➢ Menos eficaz para grandes vazões: Sua eficácia é limitada a vazões médias e pequenas, não sendo ideal para grandes volumes de água. ➢ Necessidade de calibração: Como todos os vertedouros, precisa ser calibrado corretamente para garantir a precisão das medições. Critérios de Projeto: ➢ Inclinação das bordas: A inclinação das bordas deve ser precisa (geralmente 4:1) para que o dispositivo funcione corretamente e forneça medições precisas. ➢ Precisão da altura da lâmina d’água (H): Como no vertedouro retangular, a precisão da altura da lâmina d’água sobre a borda é essencial para o cálculo correto da vazão. ➢ Coeficiente de descarga (Cd): A calibração do coeficiente de descarga é fundamental, pois ele afeta diretamentea medição da vazão. 2.3.5. Vertedouro de Crista Larga Aplicações: Imagem 08- Vertedouro de Crista Larga. Fonte : https://ponce.sdsu.edu/canalemlinha14.php ➢ Grande vazão em barragens e represas: Ideal para controle de grandes volumes de água em estruturas como barragens, reservatórios e canais de drenagem. Fortaleza - CE 2025 24 25 ➢ Contenção de inundações: Usado em sistemas de controle de vazões de grandes corpos d'água, como rios e grandes canais de drenagem. Vantagens: ➢ Alta capacidade de escoamento: O vertedouro de crista larga é projetado para lidar com grandes vazões de água. ➢ Baixa suscetibilidade a obstruções: A geometria ampla da crista ajuda a minimizar os problemas causados por obstruções. ➢ Eficiência em grandes sistemas hidráulicos: Ideal para aplicações em grandes infraestruturas, como represas e barragens. Limitações: ➢ Complexidade no projeto: Exige um planejamento mais detalhado, incluindo a medição de grandes fluxos. ➢ Custo elevado: A construção de um vertedouro de crista larga pode ser cara devido ao tamanho e complexidade do projeto. ➢ Espaço necessário: Requer um grande espaço físico devido à largura da crista, o que pode não ser viável em locais com restrições de espaço. Critérios de Projeto: ➢ Comprimento da crista (L): O comprimento da crista deve ser projetado de acordo com a capacidade máxima de vazão do sistema. ➢ Resistência dos materiais: A crista deve ser projetada para resistir à erosão e ao desgaste causado pelo escoamento de grandes volumes de água. ➢ Ajuste do coeficiente de descarga (Cd): O valor de Cd deve ser calibrado conforme as condições de escoamento e a geometria do vertedouro. Fortaleza - CE 2025 25 26 2.4. Exemplos Numéricos Imagem 09 - Vazão vs Altura da Lâmina d’água para Diferentes Tipos de Vertedouros Fonte: autores. Explicação: Constantes: ➢ A aceleração da gravidade é definida como g=9.81 m/s². ➢ Os coeficientes de descarga Cd são definidos com valores típicos para cada tipo de vertedouro (Retangular, V-notch, Parshall, Crista Larga e Cipolletti). Funções: ➢ Cada tipo de vertedouro tem uma função que recebe a altura da lâmina d'água H e calcula a vazão usando a respectiva fórmula. Para o vertedouro V-notch, o ângulo do vértice é fixado em 90°, mas pode ser alterado. Fortaleza - CE 2025 26 27 Geração de Dados: ➢ A variável H_values é uma lista de valores de altura de lâmina d'água variando de 0,1 m até 5 m, para o qual as vazões são calculadas. Cálculos de Vazão: ➢ As vazões para cada tipo de vertedouro são calculadas usando as funções previamente definidas. Gráfico: ➢ O gráfico resultante mostra a relação entre a altura da lâmina d'água e a vazão para os quatro tipos de vertedouros. Cada linha no gráfico corresponde a um tipo diferente de vertedouro. Imagem 10 - Relação entre altura da lâmina d’água e a vazão para os quatro tipos de vertedouros Fonte: autores. Fortaleza - CE 2025 27 28 Explicação: Funções para Cálculo de Vazão: ➢ Cada função (vertedouro_retangular, vertedouro_vnotch, vertedouro_parshall, vertedouro_crista_larga) calcula a vazão em função da altura H (e, para alguns tipos de vertedouros, a largura da abertura L ou o ângulo θ) usando as equações específicas de cada tipo de vertedouro. Geração de Grade de Parâmetros: ➢ Usamos a função np.meshgrid para criar um grid de valores de altura (H) e largura (L) para simular os efeitos desses parâmetros na vazão. ➢ A altura varia de 0,1 a 5 metros e a largura para os vertedouros retangulares e de crista larga varia de 1 a 10 metros. Cálculo da Vazão para Cada Tipo de Vertedouro: ➢ Para cada tipo de vertedouro, calculamos a vazão usando a grade de altura e largura. ➢ No caso do vertedouro V-notch, apenas a altura é necessária, enquanto os vertedouros retangulares, Parshall e de crista larga também dependem da largura L. Mapa de Calor: ➢ Utilizamos plt.contourf para criar um mapa de calor para cada tipo de vertedouro. A função colorbar adiciona uma barra de cores que indica os valores de vazão. ➢ Cada gráfico mostra como a vazão varia com a altura e, onde aplicável, a largura da abertura. Layout e Exibição: ➢ A função plt.tight_layout() ajusta o layout dos sub gráficos para que não se sobreponham, e plt.show() exibe o gráfico. Fortaleza - CE 2025 28 29 Resultados Esperados: Vertedouro Retangular: ➢ O mapa de calor para o vertedouro retangular mostra como a vazão aumenta com a altura da lâmina d'água e a largura da abertura. Vertedouro Triangular (V-notch): ➢ O mapa de calor para o vertedouro V-notch mostra como a vazão varia com a altura. O ângulo do vértice (aqui fixado em 90°) afeta a vazão para a mesma altura. Vertedouro Parshall: ➢ O mapa de calor para o vertedouro Parshall mostra a vazão em função da altura da lâmina d'água. Neste caso, a largura não afeta diretamente, mas o coeficiente de descarga Cd pode ser ajustado. Vertedouro de Crista Larga: ➢ O mapa de calor para o vertedouro de crista larga mostra a vazão em função da altura e da largura da abertura. Fortaleza - CE 2025 29 30 3. CONCLUSÃO Os vertedouros desempenham um papel essencial na medição de vazão em canais abertos. Eles são amplamente utilizados em sistemas hidráulicos e ambientais, incluindo barragens, irrigação, controle de cheias e monitoramento de cursos d'água. A escolha do tipo de vertedouro a ser utilizado depende das características do fluxo, do tamanho do canal, da precisão necessária e das condições ambientais. As equações hidráulicas associadas a cada tipo de vertedouro fornecem uma base teórica robusta para calcular a vazão com precisão. No entanto, é importante considerar os parâmetros específicos de cada vertedouro, como o coeficiente de descarga (Cd) e a altura da lâmina d’água (H), para garantir que o dispositivo funcione adequadamente nas condições de operação previstas. O uso de modelos computacionais e simulações para prever a vazão e analisar o desempenho dos vertedouros em diferentes condições de escoamento tem se mostrado uma ferramenta valiosa para engenheiros e pesquisadores. Estes modelos permitem otimizar projetos e implementar soluções mais eficazes e econômicas. Fortaleza - CE 2025 30 31 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS PORTO, Rodrigo de Melo. Hidráulica Básica. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1999. SILVA, José Carlos. "Estudo Experimental de Vertedouros e Orifícios". Revista Brasileira de Engenharia Hidráulica, v. 34, n. 2, p. 112-124, 2018. ISO 1438. Measurement of Flow in Open Channels. Genebra: International Organization for Standardization, 1996. USP. "Vertedouros e Orifícios em Engenharia Hidráulica". Instituto de Ciências Exatas, Universidade de São Paulo. Disponível em: https://www.ige.usp.br/vertedouros. Acesso em: 24 dez. 2024. Fortaleza - CE 2025 31