Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

<p>Raquete</p><p>Prof.ª Tailine Lisboa</p><p>PRescRição e</p><p>tReinamento dos</p><p>esPoRtes de</p><p>Indaial – 2022</p><p>1a Edição</p><p>Impresso por:</p><p>Elaboração:</p><p>Prof.ª Tailine Lisboa</p><p>Copyright © UNIASSELVI 2022</p><p>Revisão, Diagramação e Produção:</p><p>Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech</p><p>Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI</p><p>Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI</p><p>L769p</p><p>Lisboa, Tailine</p><p>Prescrição e treinamento dos esportes de raquete. / Tailine Lisboa</p><p>– Indaial: UNIASSELVI, 2022.</p><p>224 p.; il.</p><p>ISBN 978-85-515-0479-6</p><p>1. Esportes de raquete. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo</p><p>da Vinci.</p><p>CDD 796</p><p>Olá, acadêmico! Seja bem-vindo ao Livro Didático Prescrição e Treinamento dos</p><p>Esportes de Raquete! O Tênis, Tênis de Mesa, Badminton, Squash, Padel e Beach Tennis,</p><p>são algumas das modalidades esportivas que utilizam de uma raquete para a sua prática.</p><p>Os Esportes de Raquete são considerados jogos dinâmicos de incisivo. Eles envolvem</p><p>questões técnicas e táticas que precisam passar por uma série de etapas e adaptações</p><p>para se obter a prática do esporte em suas diferentes dimensões. O conhecimento</p><p>adquirido através desta disciplina possibilitará aos estudantes (e futuros profissionais)</p><p>de Educação Física importantes subsídios para orientar e promover o treinamento dos</p><p>Esportes de Raquete.</p><p>De modo geral, o conteúdo apresentado neste caderno irá proporcionará ao</p><p>acadêmico as formas de desenvolver e planejar treinos para as modalidades esportivas</p><p>com uso de raquete nos aspectos físicos, técnicos (fundamentos) e táticos (sistemas de</p><p>jogo). Para contemplar a proposta de estudo desta disciplina, esse caderno está dividido</p><p>em 3 Unidades.</p><p>A Unidade 1 refere-se à introdução aos Esportes de Raquete. Para isso, serão</p><p>apresentados os conceitos relevantes das modalidades, em suas diferentes concepções</p><p>de prática. Abordaremos as modalidades Olímpicas: Tênis, Tênis de Mesa e Badminton,</p><p>e as não Olímpicas: Beach Tennis, Squash, Padel e outras modalidades que utilizam de</p><p>Raquete para a realização do Jogo. Na Unidade 2, trabalharemos a iniciação esportiva e</p><p>aspectos técnicos dos Esportes de Raquete. Sendo assim, serão abordados os conceitos</p><p>e aplicações da aprendizagem motora e da pedagogia do esporte para o processo de</p><p>treinamento dos Esportes de Raquete. Nessa Unidade também veremos os aspectos</p><p>técnicos dos principais fundamentos desse esporte, como: empunhaduras, saque,</p><p>forehand, backhand etc. Por fim, na Unidade 3, o enfoque será a Preparação Esportiva.</p><p>Deste modo, serão abordados os conhecimentos acerca dos princípios e aplicações</p><p>do processo de treinamento esportivo, contemplando as preparações física, técnica</p><p>e tática.</p><p>Esperamos que os conteúdos abordados, junto aos materiais selecionados,</p><p>estimulem sua leitura e conhecimentos sobre estas modalidades, sendo uma ferramenta</p><p>útil e relevante em sua aprendizagem e formação profissional.</p><p>Bons Estudos!</p><p>Prof.a Tailine Lisboa</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você –</p><p>e dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR</p><p>Codes completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite</p><p>que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para</p><p>utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois,</p><p>é só aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos.</p><p>GIO</p><p>Olá, eu sou a Gio!</p><p>No livro didático, você encontrará blocos com informações</p><p>adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento</p><p>acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender</p><p>melhor o que são essas informações adicionais e por que você</p><p>poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações</p><p>durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais</p><p>e outras fontes de conhecimento que complementam o</p><p>assunto estudado em questão.</p><p>Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos</p><p>os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina.</p><p>A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um</p><p>novo visual – com um formato mais prático, que cabe na</p><p>bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada</p><p>também digital, em que você pode acompanhar os recursos</p><p>adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo</p><p>deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura</p><p>interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no</p><p>texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que</p><p>também contribui para diminuir a extração de árvores para</p><p>produção de folhas de papel, por exemplo.</p><p>Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente,</p><p>apresentamos também este livro no formato digital. Portanto,</p><p>acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com</p><p>versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.</p><p>Preparamos também um novo layout. Diante disso, você</p><p>verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses</p><p>ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos</p><p>nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos,</p><p>para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os</p><p>seus estudos com um material atualizado e de qualidade.</p><p>QR CODE</p><p>Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um</p><p>dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de</p><p>educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar</p><p>do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem</p><p>avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo</p><p>para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira,</p><p>acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!</p><p>ENADE</p><p>LEMBRETE</p><p>Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma</p><p>disciplina e com ela um novo conhecimento.</p><p>Com o objetivo de enriquecer seu conheci-</p><p>mento, construímos, além do livro que está em</p><p>suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem,</p><p>por meio dela você terá contato com o vídeo</p><p>da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-</p><p>res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de</p><p>auxiliar seu crescimento.</p><p>Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que</p><p>preparamos para seu estudo.</p><p>Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!</p><p>SUMÁRIO</p><p>UNIDADE 1 — INTRODUÇÃO AOS ESPORTES DE RAQUETE ................................................ 1</p><p>TÓPICO 1 — CONTEXTUALIZAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DOS ESPORTES</p><p>DE RAQUETE ......................................................................................................3</p><p>1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................................3</p><p>2 CONCEITUAÇÃO SOBRE OS ESPORTES DE RAQUETE .....................................................3</p><p>3 ESPORTES DE RAQUETE E SUAS CONCEPÇÕES ESPORTIVAS ......................................8</p><p>3.1 ESPORTE EDUCACIONAL ...................................................................................................................8</p><p>3.2 ESPORTE PARTICIPAÇÃO ................................................................................................................... 9</p><p>3.3 ESPORTE RENDIMENTO .................................................................................................................... 10</p><p>3.4 ESPORTE FORMAÇÃO ........................................................................................................................ 11</p><p>4 PROPOSTA INTERACIONISTA APLICADA AOS ESPORTES DE RAQUETE ..................... 12</p><p>4.1 JOGO COMO FOCO PRINCIPAL ........................................................................................................ 14</p><p>4.2 O ENSINO PELAS SIMILARIDADES ................................................................................................. 14</p><p>4.3 ADAPTAÇÃO DE REGRAS ESPAÇOS E MATERIAIS ..................................................................... 15</p><p>4.4 ESTIMULAÇÃO POR RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS ................................................................... 16</p><p>4.5 DIÁLOGO CONSTANTE ......................................................................................................................</p><p>de todas as idades e habilidades. Além</p><p>disso a entidade é responsável por organizar as três maiores competições de tênis do</p><p>mundo. A Copa Davis, destinada a apenas competidores homens, a Fed Cup que é uma</p><p>competição com exclusividade feminina e a Hopman Cup, que acaba mesclando as</p><p>equipes, tanto masculina quanto feminina (ITF, 2021).</p><p>O Tênis possui verdadeiros fenômenos ao longo de sua história.</p><p>Nomes recentes como Nadal, Federer, Djokovic e Selena Williams</p><p>fizeram com que o esporte se tornasse ainda mais popular em todo</p><p>o mundo.</p><p>É possível conferir todos os Ranking do Circuito Mundial de Tênis</p><p>no site da IFT: https://www.itftennis.com/en/rankings/womens-world-</p><p>tennis-tour-rankings/</p><p>INTERESSANTE</p><p>2.1.1 Tênis nas Olimpíadas</p><p>O tênis de Campo faz parte do Quadro Olímpico desde a primeira edição da Era</p><p>Moderna, em Atenas 1896. O Grande vencedor dessas olimpíadas foi o irlandês John</p><p>Boland, campeão tanto do torneio simples quando do em dupla. A participação feminina</p><p>só ocorreu nos jogos seguintes, Paris 1990, consagrando a inglesa Charlotte Cooper</p><p>como campeã olímpica (COLLI, 2000).</p><p>Por mais que o tênis esteja entre os esportes que integraram as primeiras</p><p>edições olímpicas, de 1928 a 1984, a modalidade não fez parte do quadro Olímpico</p><p>esportivo. Apenas em 1988 o tênis volta a ser disputado nas olimpíadas, com a</p><p>participação de jogadores profissionais (COLLI, 2000). Desde então, o tênis segue como</p><p>esporte Olímpico, tendo como potências do Esportes os Estados Unidos e Reino Unido.</p><p>Mesmo não chegando próximo à quantidade de medalhas Olímpicas das potências</p><p>24</p><p>Mencionadas, outros países que figuram entre os maiores medalhistas do mundo são</p><p>França, Rússia, África do Sul, Espanha, Alemanha, Suíça, Chile e Austrália (ESCOLA</p><p>GUGA, 2021).</p><p>Um dos Motivos dos Estados Unidos e Reino Unido estarem no topo do quadro</p><p>de medalhas olímpicas são os atletas Venus Williams e Reginald Doherty. A norte-</p><p>americana Venus Williams conquistou cinco medalhas olímpicas, destas quatro de ouro</p><p>e uma de prata. Nas competições em Dupla, junto com sua irmã mais nova Serena</p><p>Williams, Venus foi campeã em Sydney 2000, Pequim 2008 e Londres 2012, já no</p><p>torneio simples foi ouro em Sydney 2000 e vice-campeã no Rio 2016. Reginald Doherty,</p><p>britânico, foi o destaque entre os homens com três medalhas de ouro, sendo duas em</p><p>Paris 1900 (dupla masculina e dupla mista) e uma em Londres 1908. Doherty também foi</p><p>medalhistas de prata no torneio simples em Paris 1900.</p><p>FIGURA 3 – VENUS WILLIAMS NA OLIMPÍADAS DO RIO 2016</p><p>FONTE: <https://bit.ly/3O6e8oQ>. Acesso em: 11 abr. 2022.</p><p>2.1.2 Tênis no Brasil</p><p>O Tênis de campo foi introduzido no Brasil por volta de 1880 no Rio de Janeiro-</p><p>RJ. O esporte foi trazido ao país pelos ingleses que atuaram na construção das estradas</p><p>de ferro. No início as práticas eram adaptadas em quadras e gramados, sendo que a</p><p>primeira quadra esportiva para o tênis foi construída em 1889, em Niterói-RJ. A partir</p><p>disso a prática de tênis começou sua expansão e o desenvolvimento em outros clubes</p><p>do Rio de Janeiro (CTB, 2021).</p><p>O esporte foi se disseminado por todo o país, e o primeiro Clube fundado</p><p>exclusivamente para a prática de tênis foi fundado em 1889, em Porto Alegre - RS,</p><p>chamado Club Walhalla. Subsequente a isso, forma fundados diversos clubes pelo</p><p>país, assim como a inserção da prática do tênis em clubes de renome no Brasil. Com a</p><p>expansão dos ambientes para a prática e o número de tenistas, gerou a necessidade</p><p>25</p><p>de organizar entidades que administrassem a prática. Sendo assim, na década de 1920</p><p>marca o início da institucionalização do tênis no Brasil, sendo foram criadas federações,</p><p>ligas e a Confederação Brasileira de Tênis (CBT).</p><p>De esporte amador, o tênis começou a ter elances com a prática profissional.</p><p>Isso fez com que na década de 60, o Brasil ganhasse destaque no cenário mundial do</p><p>tênis, tendo como principal nome Maria Esther Bueno. A atleta é considerada a maior</p><p>tenista Brasileira de todos os tempos, devido à conquista de 19 títulos de Grand Slams</p><p>ao longo da sua carreira. A primeira Vitória no Grand Slams veio em 1964 aos 19 anos de</p><p>idade. Não foi só esse evento fez com que ela fosse destaque do esporte, visto que ao</p><p>longo da sua carreira ela acumulou 589 títulos, entrando para o hall da fama do esporte</p><p>em 1973 (GLOBOESPORTE, 2018).</p><p>Posteriormente, outros atletas brasileiros se destacaram no esporte, como</p><p>Fernando Meligeni, Jaime Oncins, Flavio Saretta e Gustavo Kuerten. O último, também</p><p>conhecido como Guga, foi o tenista número 1 (um) do Ranking mundial do tênis em no</p><p>ano 2000. Devido a isso, o atleta ganhou destaque na mídia nacional, levando também</p><p>destaque ao esporte. Isso porque, inúmeras reportagens datavam os feitos de Guga,</p><p>buscam, com narrativas, desconstruir a imagem tradicional do tênis, visto por muitos</p><p>como um esporte de elite, gerando interesse para a população em geral (BARTHOLO;</p><p>SOARES, 2006).</p><p>Dois nomes têm ganhado destaque nas mídias voltados o tênis,</p><p>a dupla Laura Pigossi e Luiza Stefani, medalhistas da Olimpíadas</p><p>Tóquio, realizada em 2021. Para saber um poco mais sobre as</p><p>atletas veja a reportagem do Jornal o Globo: http://glo.bo/3juIX8i.</p><p>INTERESSANTE</p><p>2.2 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS E REGRAS DA</p><p>MODALIDADE</p><p>A IFT é o órgão máximo do Tênis, desta tem responsabilidade de deveres frente</p><p>a determinação das regras do esporte. No Brasil, a instituição superior da Modalidade, a</p><p>CBT segue diretrizes determinadas pela IFT. Diante disso, ao considerar que o objetivo</p><p>do tênis é marcar pontos na quadra adversária ao golpear a bola com a ajuda de uma</p><p>raquete, é necessário a compreensão das regras gerais da modalidade.</p><p>26</p><p>2.2.1 Materiais e Estrutura da Quadra</p><p>O jogo de tênis é realizado em uma quadra retangular de 23,77 m de comprimento</p><p>por 8,23 m de largura, para os jogos de simples, e para jogos de duplas e quadra deve</p><p>medir 10,97 m de largura, mantendo-se o comprimento. A quadra é dividida ao meio por</p><p>uma rede suspensa, ligada a dois postes de 1,07 m de altura. A altura da A altura da rede</p><p>no centro da mesma deve ser de 0,914 m, a qual deve estar presa no centro por uma</p><p>faixa da cor branca (CBT, 2021).</p><p>A quadra é dividida por linhas, sendo que as linhas no final da quadra são</p><p>chamadas de linhas de base e as linhas nas laterais da quadra são chamadas de linhas</p><p>laterais. Há duas linhas ser estendidas entre as linhas laterais da quadra, medindo 6,40</p><p>m de cada lado da rede paralelas com a rede, chamadas de Estas linha de serviço. Em</p><p>cada lado da rede, as áreas entre a linha de serviço e a rede são divididas em duas</p><p>partes iguais, que são as áreas de serviço, divididas por uma linha central, a qual é</p><p>estendida paralelamente com as linhas laterais da quadra de simples e estar no meio</p><p>delas. Cada linha de base deve ser dividida ao meio por uma marca central de 10 cm de</p><p>comprimento, a qual deve ser estendida dentro da quadra paralela com as linhas laterais</p><p>da quadra (CBT, 2021).</p><p>FIGURA 4 – QUADRA DE TÊNIS</p><p>FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/tennis-court-111347336>. Acesso em: 11 mar. 2022.</p><p>A bola deve ter uma superfície externa composta por tecido uniforme, exceto</p><p>para as bolas de espuma da Etapa 3 (vermelhas). Se houver qualquer emenda, deve</p><p>ser sem costura. Os organizadores do evento devem anunciar antes de começar as</p><p>disputas: O número de bolas em jogo (2, 3, 4 ou 6). A política de troca de bolas se</p><p>houver. As especificações da bola de Tênis são descritas no Quadro 2.</p><p>27</p><p>QUADRO 2 – ESPECIFICAÇÕES BOLA DE TÊNIS</p><p>FONTE: (CBT, 2021, p. 15)</p><p>Tipo 1 (rápida) Tipo 2 (média) Tipo 3 (lenta) Altitude</p><p>Peso (massa) 56.0 – 59.4 g 56.0 – 59.4 g 56.0 – 59.4 g 56.0 – 59.4 g</p><p>Tamanho 6.54 – 6.86 cm 6.54 – 6.86 cm 7.00 – 7.30cm 6.54 – 6.86 cm</p><p>Rebote 135 -147 cm 135 -147 cm 135 -147 cm 135 -147 cm</p><p>Deformação a Frente 0.50- 0.60 cm 0.56- 0.74 cm 0.56- 0.74 cm 0.56- 0.74 cm</p><p>Deformação a trás 0.67 -0.91 cm 0.80 – 1.08 cm 0.80 – 1.08 cm 0.80 – 1.08 cm</p><p>Cor</p><p>Branca ou</p><p>amarela</p><p>Branca</p><p>ou</p><p>amarela</p><p>Branca ou</p><p>amarela</p><p>Branca ou</p><p>amarela</p><p>A estrutura da raquete de tênis é constituída por um cabo e uma cabeça, e</p><p>pode também ter um “sulco”. A cabeça é definida como a parte da raquete onde a corda</p><p>está colocada. O cabo é definido como a parte da raquete conectada a cabeça que o</p><p>jogador segura para jogar. O “sulco” (coração), quando existir, é a parte que liga a cabeça</p><p>ao cabo da raquete. A superfície de contato de uma raquete, definida como a área</p><p>principal do padrão de encordoamento rodeada pelos pontos de entrada das cordas na</p><p>cabeça ou pelos pontos de contato das cordas com a cabeça, o que for menor, deve ser</p><p>plana e consiste em um padrão de cordas cruzadas ligadas a um aro e alternadamente</p><p>entrelaçadas onde cruzam. A raquete deve ser desenhada e encordoada de forma que</p><p>as características de jogo sejam idênticas em ambos os lados (CBT, 2021).</p><p>FUGURA 5 – RAQUETE DE TÊNIS</p><p>FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/new-tennis-racket-isolated-on-white-471436889>.</p><p>Acesso em: 11 mar. 2022.</p><p>2.2.2 Estrutura de Jogo e Sistema de Pontuação</p><p>O jogo de tênis pode ser jogado em melhor de três sets (o jogador/time precisa</p><p>vencer dois sets para ganhar a partida) ou melhor de cinco sets (o jogador/time precisa</p><p>vencer três sets para ganhar a partida). Existem diferentes métodos de contagem no</p><p>set. Os dois principais são o set longo (Advantage Set) e o set com “Tie-Break” (Tie-</p><p>Break Set) (CBT, 2021).</p><p>28</p><p>• Set longo: o primeiro jogador/time que ganhar seis games ganha o “Set”, desde que</p><p>tenha uma margem de dois games sobre o seu oponente. Se necessário, o “Set” deve</p><p>continuar até esta margem ser atingida.</p><p>• Set com “Tie-break”: o primeiro jogador/time que ganhar seis games ganha o “Set”,</p><p>desde que tenha uma margem de dois games sobre seu oponente. Se a contagem</p><p>chega a seis games iguais, um “Tie-Break” deve ser jogado.</p><p>Os games seguem uma contagem padrão. Essa contagem e sempre chamada</p><p>com os pontos do sacador primeiro:</p><p>Sem ponto - “Zero”</p><p>Primeiro ponto - “15”</p><p>Segundo ponto - “30”</p><p>Terceiro ponto - “40”</p><p>Quarto ponto - “Game”</p><p>Se ambos os jogadores ou time ganharam três pontos, a contagem é “Iguais”.</p><p>Após “Iguais”, a contagem é “Vantagem” para o jogador ou time que ganhar o próximo</p><p>ponto. Se o mesmo jogador ou time ganhar o próximo ponto, então ele ganha o “Game”,</p><p>se o oponente vier a ganhar este próximo ponto, então a contagem é novamente “Iguais”.</p><p>Sendo assim, o jogador/time precisa ganhar dois pontos consecutivos para ganhar o</p><p>“Game” (CBT, 2021).</p><p>Em caso de Tie-Break, os pontos são chamados assim: “Zero”, “1”,</p><p>“2”, “3” etc. O jogador ou time que ganhar primeiro sete pontos</p><p>ganha o game e o set, desde que tenha uma margem de dois</p><p>pontos sobre o seu oponente. Se necessário, o Tie-Break continua</p><p>até que esta margem seja atingida.</p><p>NOTA</p><p>Os jogadores/duplas ficam em lados opostos da quadra. O sacador é o jogador</p><p>que coloca a bola em jogo primeiro. Enquanto o recebedor é o jogador que está pronto</p><p>para retornar à bola sacada pelo sacador. Ao final de cada game, o recebedor então</p><p>será o sacador e o sacador será o recebedor do próximo game. Imediatamente antes de</p><p>começar o serviço, o sacador deve posicionar-se com ambos os pés atrás da linha de</p><p>base (ou seja, quanto mais longe a partir da rede) e entre a linha imaginária da marca de</p><p>centro e a linha lateral. O sacador deve lançar a bola com a mão em qualquer direção e</p><p>golpear a bola com a raquete antes que ele toque o solo. Considera-se que o serviço foi</p><p>completado quando a raquete do jogador golpear a bola ou mesmo passe por ela (não</p><p>acertando a bola) (CBT, 2021).</p><p>29</p><p>Em duplas, a equipe que está ao serviço no primeiro game de cada</p><p>set decidirá qual dos dois jogadores sacará naquele respectivo game.</p><p>Similarmente, antes do segundo game começar, seus oponentes</p><p>devem decidir qual deles deve executar o serviço para aquele game.</p><p>O parceiro do jogador que sacou no primeiro game deverá sacar no</p><p>terceiro game e o parceiro do jogador que sacou no segundo game</p><p>deverá sacar no quarto game.</p><p>NOTA</p><p>De acordo com as regras, um jogador perde o ponto se:</p><p>a) O jogador serve duas faltas consecutivas; ou</p><p>b) O jogador não consegue retornar a bola em jogo antes que ela quique duas vezes</p><p>consecutivamente; ou</p><p>c) O jogador retorna a bola em jogo e ela toca o solo ou um objeto fora da quadra correta; ou</p><p>d) O jogador retorna a bola e, antes que ela quique, ela toca um acessório fixo</p><p>permanente; ou</p><p>e) O recebedor devolve o saque antes que toque o solo; ou</p><p>f) O jogador deliberadamente toca ou apanha a bola em jogo com sua raquete ou</p><p>deliberadamente toca com sua raquete mais de uma vez na bola; ou</p><p>g) O jogador ou sua raquete, na sua mão ou não, ou qualquer coisa que ele use ou</p><p>carregue toque a rede, os postes da rede, os paus de simples, corda ou cabo de</p><p>metal, faixa ou banda, ou a quadra de seu oponente em qualquer tempo enquanto a</p><p>bola esteja em jogo; ou</p><p>h) O jogador golpeia a bola antes que ela passe a rede; ou</p><p>i) A bola em jogo toca o jogador ou qualquer coisa que ele esteja usando ou carregando,</p><p>exceto sua raquete; ou</p><p>j) A bola em jogo toca a raquete quando o jogador não está segurando-a;</p><p>k) O jogador deliberadamente e materialmente muda a forma de sua raquete enquanto</p><p>a bola esteja em jogo; ou</p><p>l) Em duplas, ambos os jogadores tocam na bola na tentativa de retorná-la.</p><p>3 TÊNIS DE MESA</p><p>O Tênis de mesa é um dos esportes de raquete mais conhecidos. Criado na</p><p>Inglaterra, tem como principal característica o uso de uma mesa como equipamento</p><p>de jogo ao invés de um campo ou quadra. Segundo a Confederação Brasileira de</p><p>Tênis de Mesa (CBTM, 2020), o dentre os esportes de raquete, o tênis de mesa pode</p><p>ser considerado o mais praticado no mundo, contando com cerca de 300 milhões de</p><p>praticantes.</p><p>30</p><p>Confira a dinâmica de um Jogo de Tênis de Mesa.</p><p>• Simples: https://www.youtube.com/watch?v=4OfnYMIye6w</p><p>• Dupla: https://www.youtube.com/watch?v=_fA3tV7AIRE</p><p>DICA</p><p>3.1 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO TÊNIS DE MESA</p><p>Acredita-se que o Tênis de Mesa surgiu em meados do século XIX, na Inglaterra</p><p>como uma adaptação do dos esportes relacionados ao Tênis de Campo. Há várias</p><p>hipóteses sobre o surgimento da modalidade, todavia a mais aceita é que o Tênis de</p><p>Mesa tenha sido originário de um passatempo em dias de chuva e frio, iniciado por</p><p>estudantes universitários, utilizando de com livros dispostos no lugar da rede e como</p><p>raquetes, em mesas de bilhar com apropria bola de tênis (COLLI, 2000).</p><p>Como na maioria dos esportes, o inicio do tênis de mesa contava com materiais</p><p>de jogo bem primitivos. As raquetes podiam ser de madeira, papelão ou tripa de animal,</p><p>cobertas algumas vezes por cortiça, lixa ou tecido. As bolas, de cortiça ou borracha. As</p><p>redes, de diferentes alturas – algumas vezes constituídas de um simples fio e mesa de</p><p>diferentes tamanhos (CBTM, 2021)</p><p>No século XIX, James Gibb convenceu John Jaques, um fabricante de artigos</p><p>esportivos a registrar o Gosiima, jogo que seria a primeira versão oficial do tênis de mesa.</p><p>Com isso, James também identificou que as bolas de celuloide de brinquedo poderiam</p><p>ser úteis para este jogo. Devido ao som produzido pelo encontro da bola com raquete</p><p>oca, de cabo longo e feita de pele de carneiro, então bastante popular, associou os</p><p>sons produzidos pela bola na raquete com o som” pingue-pongue”. Esse período foi um</p><p>importante marco para a popularização da modalidade, sendo que ao início do século</p><p>XX o esporte já era jogado por toda a Europa e América (CBTM, 2020; COLLI, 2000).</p><p>Os primeiros torneiros foram realizados a partir de 1901. Já em 1902 artigos</p><p>publicados pela impressa americana, dão mais visibilidade a modalidade e dão base para</p><p>a transformação do jogo, com a descrição de aspectos técnicos e sugestões de tática</p><p>e materiais para o jogo. Nesse mesmo período, é criado a Ping-Pong Association”, que é</p><p>substituída em 1922 pela “Table Tennis Association”, e em 1926 Federação internacional</p><p>de Tênis de Mesa (FITM). Com a evolução</p><p>do esporte, a ITTF buscou regular o uso de</p><p>equipamentos para garantir o equilíbrio e a saúde dos atletas (CBTM, 2020; COLLI, 2000).</p><p>31</p><p>Por mais que o pingue-pongue faça parte da origem do tênis</p><p>de mesa, atualmente considera-se que são coisas diferentes.</p><p>Essa diferença está nas regras. O  tênis de mesa  é considerado</p><p>um esporte e é jogado com regras oficiais, enquanto o pingue-</p><p>pongue pode ser jogado com regras combinadas no momento,</p><p>por ser uma atividade recreativa.</p><p>NOTA</p><p>3.1.1 Tênis de Mesa nas Olimpíadas</p><p>A inserção do tênis de mesa nos Jogos Olímpicos ocorreu na Edição de 1988</p><p>de Seul. A estrutura inicial de competições incluía disputas individuais e em duplas,</p><p>separada por sexo. A partir das Olimpíadas de Pequim (2008), os jogos de duplas foram</p><p>substituídos pelas disputas por equipe. Desde o início do esporte em Jogos Olímpicos,</p><p>os asiáticos são considerados potências do Esporte, em especial a China. Isso porque,</p><p>desde que entrou no programa olímpico, de 115 medalhas distribuídas na modalidade,</p><p>60 são de atletas chineses. Quando se trata de medalhas de ouro, o aproveitamento é</p><p>ainda maior, sendo que a China tem 32 vitórias Olímpicas, seguida por duas da Coreia,</p><p>uma do Japão e 1 uma da Suécia.</p><p>3.1.2 Tênis de Mesa no Brasil</p><p>Segundo Azevedo (2021), os primeiros indícios de prática do Tênis de Mesa</p><p>no Brasil ocorreram em meados de 1900. Conhecido ainda como Pingue-Pongue, há</p><p>registro que o esporte era praticado em clubes de São Paulo/SP e do Rio de Janeiro/</p><p>RJ, vindo como um jogo da considerado “da moda” na Inglaterra. A oficialização do</p><p>esporte ocorrei na década de 1940, com a filiação da Federação Metropolitana de Tênis</p><p>de Mesa, do Rio de Janeiro, à Confederação Brasileira de Desportos (CBD) em 1942;</p><p>com a realização do primeiro Campeonato Brasileiro de Tênis de Mesa, em 1946 e com e</p><p>a primeira participação em mundiais, em 1949 na Suécia, com quatro brasileiros: Mario</p><p>Joffre, Dagoberto Midosi, Ivan Severo e Antonio Correa.</p><p>Apenas em 1979 que é fundada dê a Confederação Brasileira de tênis de Mesa</p><p>(CBTM). A CBTM levou independência o tênis de mesa, sendo que a entidade elevou</p><p>o nível do esporte como para a realização do Mundialito no Rio de Janeiro, em 1984,</p><p>com a vinda de atletas de referência global naquela época, passando pelas conquistas</p><p>nas Américas de Hugo Hoyama e sua relevância para a ampliação da notoriedade do</p><p>tênis de mesa no Brasil, e a integração do segmento paralímpico à entidade em 2007,</p><p>ampliando o universo de atuação da entidade (AZEVEDO, 2021).</p><p>32</p><p>Em 1988, Claudio Kano e Carlos Kawai representam o Brasil na estreia do tênis de</p><p>mesa nos Jogos Olímpicos. Os mesmos atletas tiveram representação significativa no Sul-</p><p>Americanos, fazendo com que o Brasil ganhasse cinco medalhes de ouro, com as atletas</p><p>Carla Tibério e Mônica Doti e Hugo Hoyama. Em 1996, Hugo Hoyama dá ao Brasil o melhor</p><p>resultado de sua história em Jogos Olímpicos, ao alcançar as oitavas de final em Atlanta,</p><p>nos Estados Unidos, quando eliminou o então campeão mundial Jorgen Persson (Suécia)</p><p>(CBTM, 2021). Outro importante nome do esporte foi Hugo Calderano, tendo como primeiro</p><p>grande conquista a medalhe de bronze no Mundial Cadete em 2011.</p><p>Em 2016, Hugo Calderano iguala a marca de Hugo Hoyama de melhor campanha</p><p>em Jogos Olímpicos ao alcançar as oitavas de final da Rio 2016. O atleta ainda faz história</p><p>ao conquistar a prata no torneio individual do Aberto da Áustria, além do ouro nas duplas</p><p>no Aberto da Suécia, ao lado de Gustavo Tsuboi. Ambas as etapas major do circuito. Em</p><p>2018 Hugo Calderano torna-se o primeiro brasileiro a ser finalista de uma etapa Platinum</p><p>do Circuito Mundial, no Aberto do Catar. No final do ano, conquista a medalha de bronze</p><p>no ITTF Grand Finals, em torneio que reuniu os 16 melhores mesa-tenistas do mundo.</p><p>De quebra, Calderano alcançou o Top-10 do ranking mundial  individual e se tornou o</p><p>melhor atleta das Américas desde a criação do ranking mundial. Em dezembro, bate o</p><p>número 1 do mundo, o chinês Fan Zhendong, nas quartas de final do ITTF Grand Finals</p><p>(CBTM, 2021).</p><p>FIGURA 5 – HUGO CALDERANO NO MUNDIAL DE TÊNIS DE MESA EM 2016</p><p>FONTE: <https://www.hugocalderano.com/en/clipping-3/>. Acesso em: 11 abr. 2022.</p><p>3.2 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS E REGRAS DA</p><p>MODALIDADE</p><p>O tênis de mesa tem como objetivo que os jogadores golpeiem uma bola com</p><p>ajuda de uma raquete a fim de dificultar a recepção do adversário. Tendo como principal</p><p>característica o uso de uma mesa em vez de uma quadra ou campo, o jogador marca</p><p>ponto quando o adversário não consegue fazer a devolução da bola antes do segundo</p><p>quique.</p><p>33</p><p>3.2.1 Materiais e Estrutura para o Jogo</p><p>As partidas de tênis de mesa são disputadas sobre a superfície superior de uma</p><p>mesa, denominada superfície de jogo. A mesa tem 2,74m de comprimento e 1,525mm</p><p>de largura e 76cm de altura, podendo ser feita de qualquer material, na cor escura e</p><p>fosca. Ao centro da mesa encontra-se a rede, que se estende por 15,25cm além das</p><p>bordas laterais da mesa e tem 15,25cm de altura, devendo ser de cor escura com a sua</p><p>parte superior branca (CBTM, 2021)</p><p>FIGURA 6 – QUADRA DE TÊNIS DE MESA</p><p>FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/table-tennis-ping-pong-97123232>.</p><p>Acesso em: 11 mar. 2022.</p><p>Para o jogo, são necessárias raquetes, que podem ser de qualquer tamanho,</p><p>forma ou peso e constituída de madeira natural em 85% do material. O lado usado para</p><p>bater na bola deve ser coberto com borracha com pinos para fora tendo uma espessura</p><p>máxima de 2mm, ou por uma borracha "sanduíche" com pinos para fora ou para dentro,</p><p>tendo uma espessura máxima de 4mm. O lado não usado para bater na bola deve ser</p><p>manchado de cor diferente da borracha e só deve ser vermelho vivo ou preto. Já a bola</p><p>deve ser feita de celuloide ou plástico similar, nas cores branca ou laranja e fosca, pesar</p><p>2,7g e ter diâmetro de 40mm (CBTM, 2021).</p><p>FIGURA 7 – RAQUETE DE TÊNIS DE MESA</p><p>FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/two-ping-pong-rackets-isolated-</p><p>on-1604582350>. Acesso em: 11 mar. 2022.</p><p>34</p><p>FIGURA 8 – BOLA DE TÊNIS DE MESA</p><p>FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/pingpong-ball-isolated-on-white-98222948>.</p><p>Acesso em: 11 mar. 2022.</p><p>3.2.2 Estrutura de Jogo e Sistema de Pontuação</p><p>O Jogo de tênis de mesa constitui-se de sets de 11 (onze) pontos. Em caso de</p><p>empate de 10 (dez) pontos, o vencedor do set será quem fizer dois pontos consecutivos</p><p>primeiro. Fica a critério do campeonato o número de sets jogados, desde que sejam</p><p>estipulados sets ímpares ao total (o jogador precisa vencer mais da metade dos sets</p><p>para ser ganhador). O atleta que atua o 1º set num lado é obrigado a atuar no lado</p><p>contrário no set seguinte. Na partida quando houver empate de sets final (Exemplo 1 a 1,</p><p>2 a 2 ou 3 a 3), os atletas devem mudar de lado logo que o atleta consiga cinco pontos</p><p>(CBTM, 2021).</p><p>As jogadas iniciam com o saque. Para isso, a bola deve ser lançada para cima</p><p>(16cm no mínimo), da palma da mão livre na vertical e, na descida, deve ser batida de</p><p>forma que ela toque primeiro no campo do sacador, passe sobre a rede sem tocá-la e</p><p>toque no campo do recebedor. O saque deve ser dado atrás da linha de fundo ou numa</p><p>extensão imaginária desta. O sacador deverá sacar e retirar o braço da mão livre da</p><p>frente da bola de modo que nada esteja entre a bola e o adversário a não ser a rede</p><p>e suportes. Cada atleta tem direito a dois saques, mudando sempre quando a soma</p><p>dos pontos seja dois ou seus múltiplos. Ex.: 2 a 2 = 4 = 6 a 6 = 12 4 - Com o placar 10-</p><p>10, a sequência de sacar e receber deve ser a mesma, mas cada atleta deve produzir</p><p>somente um saque até o final do jogo (CBTM, 2021).</p><p>Um atleta perde ponto quando: (1) Errar o saque; (2) Errar a resposta; (3) Tocar na</p><p>bola duas vezes consecutivas; (4) A bola tocar em seu campo duas vezes consecutivas;</p><p>(5) Bater com o lado de madeira da raquete; (6) Movimentar a mesa de jogo; (7) Ele ou</p><p>a raquete tocar a rede ou seus suportes (8) Sua mão livre (que não está segurando</p><p>a</p><p>raquete) tocar a superfície da mesa durante a sequência (CBTM, 2021).</p><p>35</p><p>A partida deve ser interrompida quando: 1 - O saque "queimar" a rede.</p><p>2 - O adversário não estiver preparado para receber o saque (e desde</p><p>que não tenha tentado rebater a bola). 3 - Houver um erro na ordem do</p><p>saque, recebimento ou lado. 4 - As condições de jogo forem perturbadas</p><p>(barulho etc.).</p><p>NOTA</p><p>Para jogos em duplas, valem as mesmas regras. Contudo são estabelecidos</p><p>para o saque que tem que ser feito do lado direito do sacador para o lado direito do</p><p>recebedor. Cada atleta só pode bater uma só vez na bola, sendo que a ordem do saque</p><p>é estabelecida no início do jogo e a sequência será natural (Atleta A saca para o X; Atleta</p><p>X saca para o B; Atleta B saca para o Y; Atleta Y saca para o A que, saca para o X e assim,</p><p>sucessivamente). No empate 10-10, cada um só dá 1 saque por vez (CBTM, 2021).</p><p>No saque, tanto em jogos simples como no em dupla, se um atleta der um ou</p><p>mais saques além dos dois de direito, a ordem será restabelecida assim que for notado,</p><p>tendo o adversário que completar o múltiplo de dois. Se no último set possível, os</p><p>atletas não trocarem de lado quando deveriam fazê-lo, deve trocar, imediatamente,</p><p>assim que se perceba o erro. A contagem será aquela mesma de quando a sequência</p><p>foi interrompida. Em hipótese alguma haverá volta de pontos. Todos os pontos contados</p><p>antes da descoberta do erro deverão ser confirmados (CBTM, 2021).</p><p>4 BADMINTON</p><p>Por mais que o Badminton não seja tão conhecido no Brasil, ele é apontado como</p><p>o segundo esporte de raquete mais praticado no mundo. Todavia, sua popularidade é</p><p>centrada em países asiáticos e europeus, tento uma recente expansão para os outros</p><p>continentes (MARQUES, 2021). Com o uso de uma raquete com o cabo mais alongado</p><p>para rebater uma espécie de peteca, o Badminton é o esporte de mais velocidade entre</p><p>as modalidades com o uso de Raquete. Em cerca de 20 segundos, chega-se a bater na</p><p>peteca entre 40 e 50 vezes (FEBASP, 2021).</p><p>Se você ainda não conhece o Badminton, confira os links a seguir</p><p>e veja um pouco da dinâmica do jogo.</p><p>Simples: https://www.youtube.com/watch?v=4v2QkCy7sB0.</p><p>Dupla: https://www.youtube.com/watch?v=EcENXl4bU4s.</p><p>DICA</p><p>36</p><p>4.1 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO BADMINTON</p><p>Por mais que não se haja uma exatidão na origem do badminton, acredita-se</p><p>que o esporte teve origem na China no século V a.C., derivado dos esportes Ti Jian Zi e</p><p>Shuttlecok Kincking. Já a versão moderna do esporte teve início na Índia, a partir de um</p><p>jogo chamado Poona. O batismo para o nome atual ocorreu no século XVII, quando a</p><p>Ìndia foi colonizada pela Inglaterra, incorporando o jogo na cultura inglesa. A prática do</p><p>jogo na Inglaterra se deu pela primeira vez na Badminton House, propriedade do Duque</p><p>de Beaufort, que resultou na alteração do nome (COLLI, 2000; MARQUES, 2021).</p><p>Devido a sua popularidade na Índia e na Inglaterra, em 1875 foi fundado o primeiro</p><p>clube britânico de Badminton. Em 1877 foram consideradas as primeiras regras oficiais</p><p>regidas pelo coronel inglês H. O Selby. Essas regras foram revisadas em 1877 e 1890 que</p><p>servem de estrutura para as regras atuais. Em 1893 nasceu a Associação de Badminton</p><p>na Inglaterra, após uma reunião com os principais clubes ingleses (COLLI, 2000).</p><p>Com o tempo, a popularidade do badminton culminou em sua esportivização.</p><p>Todavia até 1939 o esporte não era considerado um esporte internacional, apesar de já</p><p>ser praticado em diversos países pelo mundo. Para tomá-lo mundialmente conhecido em</p><p>1943 foi criado a Federação Internacional de Badminton. Esse órgão, que atualmente se</p><p>chama Federação Mundial de Badminton (FWB), se tornado o principal órgão responsável</p><p>pela regulamentação do esporte em nível internacional (COLLI, 2000; MARQUES, 2021).</p><p>FIGURA 9 – TAI TZU-YING, ATLETA Nº 1 DO RANKING DE BADMINTON EM 2021</p><p>FONTE: <https://bit.ly/3xkXXhp>. Acesso em: 11 mar. 2022.</p><p>4.1.1 Badminton nas Olimpíadas</p><p>A inserção do Badminton em Olímpiadas é considerada recente, uma vez que</p><p>a primeira edição oficial com status de esporte Olímpico foi apenas em 1992. Nessa</p><p>edição, a Indonésia conquistou três medalhas de ouro, com os atletas Susi Susanti,</p><p>no feminino, Allan Budi Kusuma, no masculino e a dupla Ardy Wiranata e Allan Budi</p><p>Kusuma. Nas disputas em duplas feminina, a vitória ficou com os coreanos Kim Moon-</p><p>soo e Park Joo-bong (COLLI, 2000).</p><p>37</p><p>Na Olimpíadas seguinte, em Atlata 1996, a China já começa a se destacar no</p><p>esporte, por mais que o país não tenha sido a principal medalhinha da modalidade</p><p>naquele ano. Sua grande ascensão veio mesmo em Sydney 2000, quando a China</p><p>conquistou 4 (quatro) medalhas de ouro, 1 (uma) de prata e 3 (três) de Bronze. Desde</p><p>então a China é a principal potência do esporte, que de 121 medalhas distribuídas da</p><p>modalidade, 47 pertencem a atletas chineses (COLLI, 2000).</p><p>4.1.2 Badminton no Brasil</p><p>Os primeiros registros de badminton no Brasil são datados em 1938, com a</p><p>prática do esporte no Santos Atlético Clube. A primeira competição brasileira foi a Taça</p><p>São Paulo, em 1984, organizada pela Associação Paulista de Badminton  (APB) com o</p><p>apoio da Secretaria Municipal de Esportes de São Paulo. Nesse mesmo ano, o Brasil</p><p>participou no I Campeonato Sul-Americano em Buenos Aires. Já 1985, o Brasil foi</p><p>campeão do II Campeonato Sul-Americano e em 1987, o Brasil estreou em Lima (Peru)</p><p>no Campeonato Pan-Americano de Badminton (AZEVEDO, 2021).</p><p>Em 1992 foi fundada a Confederação Brasileira de Badminton (CBBd). Já em 1993,</p><p>o Brasil ganha a primeira medalha para o Badminton em um Campeonato Sul-americano.</p><p>Um marco para o badminton brasileiro foi a classificação para os Jogos Olímpicos de</p><p>Verão, no Rio 2016, pela primeira vez. Embora o Brasil tivesse direito a duas vagas por</p><p>convite, por sediar o evento, os atletas Ygor Coelho (como 29º do ranking olímpico) e</p><p>Lohaynny Vicente (como 35ª do ranking olímpico) conquistaram as vagas por estarem</p><p>entre os 38 melhores do mundo. Outro marco importante foi a medalha de bronze de</p><p>Jaqueline Lima nos Jogos Olímpicos da Juventude (Youth Olympic Games), em 2018</p><p>(AZEVEDO, 2021). Ygor Coelho também participou da Olimpíadas de Tóquio, realizadas</p><p>em 2021, o qual teve um feito histórico ao conquistou para o país a primeira vitória da</p><p>modalidade em Jogos Olímpicos.</p><p>FIGURA 10 – YGOR COELHO NA OLIMPÍADAS DE TÓQUIO</p><p>FONTE: <https://istoe.com.br/wp-content/uploads/sites/14/2021/07/ygor-coelho-1-1280x720.jpg>.</p><p>Acesso em: 11 abr. 2022.</p><p>38</p><p>4.2 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS E REGRAS DA</p><p>MODALIDADE</p><p>O Badminton é esporte que utiliza de raquetes menores que um de tênis para</p><p>rebater um birdle (objeto semelhante a uma peteca). Ao ser enviado para o outro lado da</p><p>quadra, passando por uma rede o birdle é devolvido pelos adversários, sucessivamente</p><p>até que um dos jogadores cometa um erro (COLLI, 2000).</p><p>4.2.1 Materiais e Estrutura da Quadra</p><p>A quadra de Badminton será um retângulo de 13,40 metros de comprimento</p><p>e largura da de 5,18 metros para jogos de Simples e 6,10 metros para jogos de Duplas.</p><p>Suas linhas, com espesso de 40 mm, são facilmente distinguíveis e preferencialmente</p><p>de cor branca ou amarela. Ao centro da quadra, encontra-se a rede de 760mm de</p><p>altura e pelo menos 6,1 metros de largura. No topo da rede terá uma fita dupla de pano</p><p>branco de 75mm dobrada sobre uma corda ou cabo passando dentro da fita. A rede é</p><p>estendida e presa a dois postes de 1.55 metros de altura a partir da superfície da quadra</p><p>e permanecerão verticais (CBBd, 2021).</p><p>FIGURA 11 – QUADRA DE BADMINTON</p><p>FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/visual-drawing-badminton-court-green-</p><p>concept-1334612528>. Acesso em: 11 mar. 2022.</p><p>A raquete terá um corpo não excedendo 680mm no comprimento total e</p><p>230mm na largura total constituída das principais partes: (1) empunhadura, que refere-</p><p>se à parte da raquete onde o jogador deve segurá-la; (2) A área encordoada, que é a</p><p>parte da raquete com a qual o jogador deve golpear a peteca; (3) cabeça, qual restringe</p><p>a área</p><p>encordoada; (4) O cabo, local que liga a empunhadura à cabeça; e (5) garganta,</p><p>que liga o cabo à cabeça (CBBd, 2021).</p><p>39</p><p>FIGURA 12 – RAQUETE DE BADMINTON</p><p>FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/yellow-graphite-badminton-racket-isolated-</p><p>on-762467137>. Acesso em: 11 mar. 2022.</p><p>As petecas são feitas de materiais naturais e/ou sintéticos com uma base de</p><p>cortiça coberta por uma camada fina de couro, com 16 penas fixadas em sua base. Essas</p><p>penas terão um comprimento uniforme entre 62mm e 70mm quando medidas da ponta</p><p>até o topo da base, que em sua pontas das penas formarão um círculo com um diâmetro</p><p>entre 58mm e 68mm. A base terá um diâmetro entre 25mm e 28mm e será arredondada</p><p>em baixo. A peteca pesará entre 4.74 e 5,50 gramas (CBBd, 2021).</p><p>FIGURA 13 – RAQUETE DE BADMINTON</p><p>FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/feather-badminton-shuttlecock-isolated-on-</p><p>white-1247340658>. Acesso em: 11 mar. 2022.</p><p>A Federação Internacional de Badminton (BWF) é a autoridade que</p><p>decidirá a conformidade com as especificações em qualquer questão</p><p>de raquete, peteca ou equipamento ou qualquer protótipo utilizado</p><p>ao jogar badminton. Tal autoridade pode ser tomada por iniciativa</p><p>da Federação ou por qualquer parte com um interesse bona fide (de</p><p>boa-fé), inclusive qualquer jogador, juiz, fabricante de equipamento</p><p>ou Associação Federada ou membro desta.</p><p>NOTA</p><p>40</p><p>4.2.2 Estrutura de Jogo e Sistema de Pontuação</p><p>As competições são divididas em duas categorias simples, a masculina e a</p><p>feminina (disputadas por dois jogadores adversários), e em três categorias de duplas (a</p><p>masculina, a feminina e a mista). O serviço inicia com um saque deve ser realizado em</p><p>diagonal, em direção à área oposta àquela em que o jogador se posiciona para realizá-lo.</p><p>O ponto é contabilizado quando a peteca toca o solo, a rede ou o corpo dos jogadores,</p><p>ou quando é rebatida para fora dos limites da quadra (MARQUES, 2021).</p><p>Uma partida será constituída de o melhor de três “games”. O primeiro jogador</p><p>ou dupla que fizer 21 pontos será declarado vencedor do game. Se um jogador ou dupla</p><p>cometer uma “falta” ou se a peteca estiver fora de jogo, pois tocou a superfície da</p><p>quadra, o lado opositor marca um ponto. Quando chegar 20 a 20, o lado que primeiro</p><p>fizer uma diferença de dois pontos será o vencedor do game. Se a pontuação chegar</p><p>em 29 a 29, quem fizer o 30º ponto ganha o game. O lado que vencer o “game” serve</p><p>primeiro no próximo (CBBd, 2021).</p><p>O início do serviço ocorre quando os jogadores estiverem prontos e o primeiro</p><p>movimento para a frente da raquete será considerado o início. Uma vez iniciado o serviço,</p><p>ele será considerado se a peteca for batida pela raquete ou ao tentar servir o servidor</p><p>errar a peteca. Num jogo de duplas, durante a realização do serviço os parceiros podem</p><p>tomar quaisquer posições que não tirem a visão do servidor ou recebedor oponente</p><p>(CBBd, 2021).</p><p>São considerados serviços corretos: (1) nenhum lado causar atraso indevido</p><p>no serviço uma vez que o servidor e o recebedor tomarem suas posições respectivas;</p><p>(2) o servidor e o recebedor ficarão dentro de áreas de serviço diagonalmente opostas</p><p>sem tocar as linhas limites destas áreas de serviço; (3) alguma parte de ambos os pés</p><p>do servidor e do recebedor permanecerá em contato com a superfície da quadra em</p><p>posição estacionária a partir do início do serviço até o serviço ser feito; (4) a raquete</p><p>do servidor inicialmente tocará na base da peteca; (5) a peteca inteira ficará abaixo da</p><p>cintura do servidor no instante em que é golpeada pela raquete do servidor. A cintura</p><p>será considerada uma linha imaginária em torno do corpo que deverá ter o mesmo</p><p>nível com a parte mais baixa da última costela; (6) o cabo da raquete do servidor no</p><p>instante em que a peteca é golpeada apontará para baixo; (7) o movimento da raquete</p><p>do servidor continuará para frente a partir do início do serviço até o final do serviço; (8) o</p><p>voo da peteca será para cima a partir da raquete do servidor passando por cima da rede,</p><p>e se não interceptada, irá cair dentro da área de serviço do recebedor (isto é, dentro das</p><p>linhas limites ou em cima delas) (CBBD, 2021).</p><p>41</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• Os Jogos Olímpicos de verão são o maior evento esportivo do mundo, sendo que,</p><p>fazer parte deste evento eleva o nível de exposição esportiva para as modalidades</p><p>com uso de raquetes, como: Tênis, Tênis de mesa e Badminton.</p><p>• O Tênis de Campo é considerado a modalidade mais famosa dentre os Esportes de</p><p>Raquete.</p><p>• De origem inglesa, o tênis é disputado em quadras de superfície sintética, cimento,</p><p>saibro ou relva, sendo jogado por dois oponentes (jogos simples) ou por duas duplas</p><p>de oponentes (jogos em duplas)</p><p>• O tênis de Campo faz parte do Quadro Olímpico desde a primeira edição da Era</p><p>Moderna, em Atenas 1896.</p><p>• Os principais nomes do Tênis no Brasil foram Maria Ester Bueno e Gustavo Kuerten.</p><p>• O jogo de tênis, pode ser jogado em melhor de 3 sets (o jogador/time precisa vencer 2</p><p>sets para ganhar a partida) ou melhor de 5 sets (o jogador/time precisa vencer 3 sets</p><p>para ganhar a partida).</p><p>• Criado na Inglaterra, o tênis de mesa tem como principal característica o uso de uma</p><p>mesa como equipamento de jogo ao invés de um campo ou quadra.</p><p>• A inserção do tênis de mesa nos Jogos Olímpicos ocorreu na edição de 1988, em</p><p>Seul, tendo como principal potência mundial a China.</p><p>• Primeiros indícios de prática do Tênis de Mesa no Brasil ocorreram em meados de 1900.</p><p>• O jogo de tênis de mesa constitui-se de sets de 11 (onze) pontos.</p><p>• As jogadas de tênis de mesa iniciam com o saque. Para isso, a bola deve ser lançada</p><p>para cima da palma da mão livre na vertical e, na descida, deve ser batida de forma</p><p>que ela toque primeiro no campo do sacador, passe sobre a rede sem tocá-la e toque</p><p>no campo do recebedor.</p><p>• Por mais que o Badminton não seja tão conhecido no Brasil, ele é apontado como o</p><p>segundo esporte de raquete mais praticado no mundo.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>42</p><p>• Badminton é o esporte de mais velocidade entre as modalidades com o uso de</p><p>Raquete.</p><p>• A inserção do Badminton em Olímpiadas é considerada recente, uma vez que a</p><p>primeira edição oficial com status de esporte Olímpico foi apenas em 1992. Desde</p><p>então, a China é a principal potência do esporte</p><p>• Os primeiros registros de badminton no Brasil são datados em 1938.</p><p>• O Badminton é esporte que utiliza de raquetes menores que um de tênis para rebater</p><p>um birdle (objeto semelhante a uma peteca).</p><p>• O serviço inicia com um saque deve ser realizado em diagonal, em direção à área</p><p>oposta àquela em que o jogador se posiciona para realizá-lo.</p><p>43</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 (IESES, 2015) O sistema de marcação de pontos do tênis subdivide o jogo em games</p><p>e sets. Um game é constituído por um conjunto de pontos, sendo a contagem desses</p><p>feita por:</p><p>FONTE: <https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/42596/ieses-2015-ifc-sc-educacao-fisica-</p><p>prova.pdf?_ga=2.31250619.541349984.1648507640-1698435069.1648507640>. Acesso em: 28</p><p>mar. 2022.</p><p>a) ( ) 1, 3, 5 e set.</p><p>b) ( ) 15, 30, 40 e game.</p><p>c) ( ) 1, 2, 3, 4, 5 e set.</p><p>d) ( ) 15, 30, 45 e game.</p><p>e) ( ) 1, 15, 30, 45 e game</p><p>2 Badminton é um esporte dinâmico praticado entre dois ou quatro jogadores. Ainda</p><p>que seja semelhante aos demais esportes de raquete, que usa raquetes e está dividido</p><p>por uma rede, ele possui suas peculiaridades, principalmente quanto à estrutura e</p><p>tempo de jogo, e utilizar de uma peteca ao invés de uma bola. Desta forma, ao se</p><p>tratar do jogo do badminton e as regras oficiais, analise as sentenças a seguir:</p><p>I- Os jogos são disputados num total três games. O vencedor é o que ganhar dois</p><p>games primeiro.</p><p>II- Apenas nas modalidades individuais os games são de 21 pontos.</p><p>III- Se houver empate em 20 pontos, vencerá aquele que abrir 2 pontos de vantagem.</p><p>Havendo empate em 29, vencerá aquele que fizer 30 pontos.</p><p>IV- O jogador que perdeu o primeiro game serve primeiro do outro lado da quadra no</p><p>novo</p><p>game.</p><p>V- Sempre que o 1º jogador/dupla atingir 11 pontos um tempo de 60 segundo é</p><p>concedido.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.</p><p>b) ( ) As sentenças I, III e V estão corretas.</p><p>c) ( ) As sentenças I, IV e V estão corretas.</p><p>d) ( ) As sentenças II, III e IV estão corretas.</p><p>44</p><p>3 Tênis e badminton são esportes de raquete, o que significa que os jogadores usam</p><p>raquetes para rebater um objeto (uma bola e uma peteca, respectivamente). Ambos</p><p>os esportes são jogados tradicionais e trazem milhões de fãs ao redor do mundo. No</p><p>entanto, embora o objetivo dos dois é que a bola ou a peteca através da rede, esses</p><p>esportes são jogados de forma muito diferente. Essas diferenças, estão também</p><p>voltadas na técnica de jogo. Sobre o exposto, analise as sentenças a seguir:</p><p>I- Os jogadores de tênis cobrem uma área menor que os jogadores de badminton.</p><p>II- O tênis é jogado mais lentamente que o badminton.</p><p>III- Os jogadores de tênis utilizam raquete mais pesada equilibrada.</p><p>IV- A quadra de badminton e maior que a de tênis</p><p>V- No badminton as jogadas são realizadas mais próximo a rede que no tênis</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.</p><p>b) ( ) As sentenças I, III e V estão corretas.</p><p>c) ( ) As sentenças I, IV e V estão corretas.</p><p>d) ( ) As sentenças II, III e V estão corretas.</p><p>4 A  raquete  é um equipamento para diferentes esportes e cada um deles exige</p><p>qualidades específicas do atleta e de seus acessórios. Alguns necessitam de</p><p>raquetes maiores, enquanto outros podem precisar de modelos menores, sem contar</p><p>os diferentes materiais com que podem ser confeccionadas.</p><p>Algumas destas modalidades esportivas estão entre os jogos que rendem medalhas</p><p>nas Olimpíadas. Sendo assim, apresente semelhanças e diferenças entre os Esportes</p><p>de Raquete Olímpicos.</p><p>5 Sabemos que a raquete de tênis faz toda diferença ao jogar. Isso porque, se</p><p>você não souber como escolher raquete de tênis, o seu jogo pode ficar errado,</p><p>independentemente do quanto você se esforce. Alguns precisam de potência,</p><p>outros de precisão e tem até aqueles que precisam de ambos. Além disso, todas as</p><p>raquetes contam com diferentes tamanhos de cabeça, o que dificulta saber como</p><p>escolher raquete de tênis. Mesmo que características pontuais devam ser levadas em</p><p>consideração para a escolha da raquete, alguns elementos devem ser obrigatórios</p><p>seguindo as regras da Federação Internacional de Tênis (IFT).</p><p>Diante do exposto apresente, as regras especificas destinadas a estrutura da raquete</p><p>de tênis.</p><p>45</p><p>TÓPICO 3 —</p><p>ESPORTES DE RAQUETE NÃO OLÍMPICOS</p><p>UNIDADE 1</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Não é só o tênis, tênis de mesa e badminton que formam os esportes de raquete.</p><p>Segundo Aburachid e Jiménez (2021), há mais de 26 modalidades esportivas que se</p><p>enquadram na classificação de esportes de raquete. Todavia, de maneira geral, o esporte</p><p>é uma manifestação cultural, que deve ser entendido como resultado de um processo</p><p>de desenvolvimento social que ocorre diferentemente nas diversas regiões do mundo,</p><p>em função da história de cada lugar (STUCCHI, 2021). Isso influencia no conhecimento,</p><p>evolução e prática destas modalidades.</p><p>No Brasil dois fatores são de grande importância para a aderência aos esportes</p><p>de Raquete: nossa localização geográfica, o interesse das classes dominantes. Nesse</p><p>sentido, Stucchi (2021) apresenta que muitos esportes sofrem influência na colonização</p><p>do nosso país, feita por imigrantes europeus, que trouxeram suas práticas físicas voltadas</p><p>aos jogos de raquete permaneceram aos ambientes da elite por muito tempo. Outro</p><p>fator é a relação geográfica, no qual o Brasil apresentando um clima que sugere mais</p><p>atividades físicas ao ar livre durante grande parte do ano, assim, algumas modalidades</p><p>de esporte não foram favorecidas como em outros países. É o caso do tênis de mesa e</p><p>do badminton.</p><p>Todavia, com o avanço da comunicação e mídia esportiva, levando o acesso a</p><p>comunidade geral outras modalidades com o uso de Raquete foram ganhando espaço</p><p>no Brasil. Dentre essas, o Beach Tennis, o Padel e o Squach ganham destaque. Vamos</p><p>compreender melhor ao longo deste tópico. Aqui também faremos uma breve descrição</p><p>de outras modalidades de esportes de raquete praticado no Brasil.</p><p>Para conhecer um pouco mais sobre os diferentes esportes de</p><p>raquetes e suas possibilidades, uma indicação é o livro:</p><p>BELLI, T. CHIMINAZZO, J. G. C. Esportes de raquete. Santana de</p><p>Parnaíba: Editora Manole, 2021.</p><p>DICA</p><p>46</p><p>2 BEACH TENNIS</p><p>De origem italiana, podendo ser jogado individual ou em duplas, o Beach Tennis</p><p>tem como principal característica ser jogado em ambiente areoso. Segundo Evangelista</p><p>(2012), acredita-se que o sucesso do Beach Tennis se deve à facilidade com que uma</p><p>pessoa aprende a jogar e pela diversão que ela proporciona, mesmo para aqueles sem</p><p>qualquer experiência na areia ou nas quadras de tênis. Além disso, é uma excelente</p><p>opção para quem quer melhorar o condicionamento físico e cuidar da saúde. Segundo</p><p>a Federação Internacional de Tênis (ITF), ele é praticado por mais de 500 mil pessoas</p><p>espalhadas em todos os continentes, independentemente de sexo e idade.</p><p>Se você está curioso para saber como é um jogo de Beach Tennis,</p><p>no link a seguir você pode conferir um jogo desta modalidade:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=1XfDn72_slY</p><p>DICA</p><p>2.1 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO BEACH TENNIS</p><p>O Beach tennis é um esporte relativamente novo, uma vez que teve início em</p><p>1970, na Itália. O esporte originalizou-se como uma adaptação e mistura do Tênis de</p><p>Campo, Vôlei de Praia e Badminton, praticado como uma atividade de lazer. Já em</p><p>1996, o esporte passa a delimitar regras de prática, levando a um patamar de esporte</p><p>competitivo o qual é regido pela ITF.</p><p>O domínio do Beach Tennis, como entidade máxima pela ITF, ocorreu apenas em</p><p>2008. Até então a principal entidade e organizadora do esporte era a Federação Italiana</p><p>de Tênis. Sendo assim, a partir de 2008 se tem início ao circuito profissional mundial de</p><p>Beach tennis, conhecido como ITF BT tour. Desde então o número de torneios profissionais</p><p>e amadores disputados só tem aumentado, sendo que atualmente O ITF Beach Tennis</p><p>World Tour compreende mais de 300 torneios em 37 países, com as competições carro-</p><p>chefe do esporte, incluindo o ITF Beach Tennis World Championships e a ITF Beach</p><p>Tennis World Cup, bem como campeonatos regionais na Europa, África e nas Américas</p><p>(ITF, 2021).</p><p>47</p><p>2.1.1 Beach Tennis no Brasil</p><p>A modalidade chegou ao Brasil em 2008 no estado do Rio de Janeiro, sendo</p><p>um dos principais polos no país. Outra importante cidade para o esporte é a cidade de</p><p>Santos-SP, que junto com o Rio de Janeiro-RJ em 2012 ofereciam mais de 60 quadras</p><p>e contava com aproximadamente 700 praticantes aos fins de semana (EVANGELISTA,</p><p>2012). Apesar de as duas cidades estarem localizadas no litoral, a modalidade conquistou</p><p>muitos praticantes também em cidades que estão distantes das praias. Atualmente</p><p>entre os locais onde há um maior número de praticantes incluem também, Fortaleza,</p><p>Vitória, Florianópolis, Porto Alegre, Mogi das Cruzes, Guarujá, João Pessoa, Salvador,</p><p>Campina Grande, Cachoeira de Itapemirim, Novo Hamburgo, Natal, Brasília, Maringá e</p><p>São Paulo (CBT, 2021).</p><p>Hoje, segundo a ITF, o Brasil é a segunda maior força do mundo neste esporte,</p><p>atrás apenas da Itália, o país criador da modalidade (CBT, 2021). Mas esse crescimento</p><p>exponencial iniciou já em 2008, com a criação da a Federação de Beach Tennis do</p><p>Estado do Rio de Janeiro (FBTERJ). Com a entidade diversos estados intensificaram o</p><p>desenvolvimento do Beach Tennis, que também promoveu a organização de associações</p><p>em diversas cidades. Até então não se tinha caráter oficial, seu principal objetivo é reunir</p><p>praticantes de Beach Tennis, disponibilizando quadras e oferecendo assistência a seus</p><p>membros.</p><p>No entanto, com o aumento da prática, houve também o aumento de</p><p>competições de Beach Tennis. Com isso, ficou evidente a necessidade de</p><p>se criar uma</p><p>entidade responsável pela modalidade, levando com que em 2009 fosse estabelecida</p><p>a Confederação Brasileira de Beach Tennis (CBBT). Assim como a CBBT tornou-se</p><p>responsável por organizar e receber torneios da IFBT, a partir de 2009 a Confederação</p><p>Brasileira de Tênis (CBT) passou a ser a entidade encarregada pelos torneios da ITF.</p><p>O primeiro torneio de Beach Tennis realizado no Brasil, pela CBT foi na cidade</p><p>de Florianópolis em dezembro de 2010, com 36 tenistas inscritos. Na semana seguinte,</p><p>o Rio de Janeiro foi sede do segundo campeonato em solo brasileiro. com o passar dos</p><p>anos o número de competições só aumentou (CBT, 2021).</p><p>2.2 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS E REGRAS DA</p><p>MODALIDADE</p><p>O Beach Tennis se caracteriza pela realização de um jogo em Ambiente areoso,</p><p>que em muitos casos é praticado na praia. Formado pela combinação de princípios</p><p>técnicos de outras modalidades do Beach Tennis tem regras semelhante do Tênis</p><p>convencional e ao badminton. Todavia importantes características e regras são aplicadas</p><p>apenas a o Beach Tennis devido a sua particularidade ambiental.</p><p>48</p><p>2.2.1 Materiais e Estrutura da Quadra</p><p>O Beach Tennis é jogado em um terreno deve ser composto de areia nivelada,</p><p>o mais plana e uniforme possível, livre de pedras, conchas e quaisquer outros objetos</p><p>irregulares. A quadra tem comprimento 16 metros. Quanto à largura, ela de diferencia</p><p>entre partidas simples e em duplas, com medidas de 4,5 e 8 metros, respectivamente.</p><p>A quadra será dividida no meio por uma rede suspensa por um cordão ou cabo de metal</p><p>que deverá passar por cima ou ser preso a dois postes de rede, cada um a uma altura</p><p>mínima de 1,70 m, para mulheres e 1,80 me para homens (CBT, 2021).</p><p>A raquete de Beach Tennis não deve exceder 50 cm de comprimento, da ponta</p><p>da alça até a ponta da raquete cabeça e a 26 cm de largura. Os orifícios com mais de</p><p>13 mm de diâmetro não devem se estender mais de 40 mm a partir da borda da raquete,</p><p>com exceção dos orifícios que fazem parte da garganta (CBT, 2021). Quanto à bola, ela</p><p>deve seguir as especificações apontadas no quadro 3:</p><p>QUADRO 3 – ESPECIFICAÇÕES BOLA DE BEACH TENNIS</p><p>FONTE: (CBT, 2021, p. 19)</p><p>Elementos Padrão</p><p>Massa (peso) 36,0 - 46,9 gramas</p><p>Tamanho 6.00 – 6.86 cm</p><p>Rebound 105 -102 cm</p><p>Deformação 1.40 – 1.65 cm</p><p>cor Laranja e Amarela</p><p>FIGURA 14 – RAQUETE E BOLA DE BEACH TENIS</p><p>FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/black-professional-beach-tennis-racket-</p><p>ball-2070724307>. Acesso em: 11 mar. 2022.</p><p>49</p><p>2.2.2 Estrutura de Jogo e Sistema de Pontuação</p><p>A partida pode ser disputada com o melhor de três sets (um jogador/dupla</p><p>precisa vencer dois sets para vencer a partida). Como no tênis de campo a pontuação</p><p>em um set deve ser feita usando o método "Tie-break Set". O primeiro jogador/dupla a</p><p>vencer seis games vence esse "Set", desde que haja uma margem de dois games sobre</p><p>o oponente. Se o placar atingir todos os seis games, um tie break será disputado.</p><p>Um jogo padrão é pontuado da seguinte forma: Nenhum ponto – “zero". Primeiro</p><p>ponto - "15". Segundo ponto - "30". Terceiro ponto - "40". Quarto ponto - "Game". Exceto</p><p>que, se cada equipe ganhar três pontos cada, a pontuação é "Iguais" e um ponto decisivo</p><p>será jogado. A equipe que vencer o ponto decisivo vence o "game". Caso haja um tie</p><p>break, os pontos são marcados como "Zero", "1", "2", "3" etc. O primeiro jogador / dupla a</p><p>vencer sete pontos vence o game e o set, desde que haja uma margem de dois pontos</p><p>sobre os oponentes). Se necessário, tie break deve continuar até que essa margem seja</p><p>alcançada.</p><p>Os jogadores ou duplas devem ficar em lados opostos da rede. O Sacador é o</p><p>jogador que coloca a bola em jogo para o primeiro ponto, já o recebedor é o jogador</p><p>que está pronto para devolver a bola sacada pelo sacador. Quando se trata do saque,</p><p>o sacador pode escolher qualquer lugar atrás da linha do fundo de quadra para sacar</p><p>(desde que não invada a quadra ou pise na linha). O serviço do Beach Tennis pode ser</p><p>feito por cima ou por baixo, com exceção ao saque do homem durante o jogo de dupla</p><p>mista, que deve ser efetuado sempre por baixo. Não existe a falta no Beach Tennis,</p><p>sendo, se o sacador errar a tentativa de saque, será ponto do adversário.</p><p>No Beach Tennis, na devolução, o recebedor deve rebater a bola antes que ela</p><p>toque o chão. Sendo assim, são fatores que o ponto será perdido se: (1) O sacador saca</p><p>uma falta; (2) A bola atinge o chão dentro da área da quadra do seu lado da rede; (3) Um</p><p>jogador / membro de uma dupla retorna a bola em jogo para que ela atinja o chão, ou um</p><p>objeto, fora da quadra correta; (4) Um jogador / membro de uma dupla retorna a bola em</p><p>jogo para que, antes de atingir o chão, atinge um elemento permanente ou o poste da</p><p>rede; (5) Um jogador / membro de uma dupla carrega ou pega deliberadamente a bola</p><p>em jogo na raquete ou deliberadamente toca com a raquete mais de uma vez; (6) Um</p><p>jogador / membro de uma dupla ou raquete, na mão de um jogador ou não, ou qualquer</p><p>coisa que o jogador esteja usando ou carregando toque na rede, postes de rede, cordão</p><p>ou cabo ou faixa de metal, ou o (s) oponente (s) a qualquer momento enquanto a bola</p><p>estiver em jogo; (7) Um jogador / membro de uma dupla bate na bola antes de passar</p><p>pela rede; (8) A bola em jogo toca um jogador / membro de uma dupla ou qualquer coisa</p><p>que esse jogador esteja vestindo ou carregando, exceto a raquete; (9) A bola em jogo</p><p>toca uma raquete quando um jogador não a segura; (10) Ambos os membros de uma</p><p>dupla tocam a bola ao devolvê-la; (11) Um jogador da equipe recebedora ou sacadora</p><p>toca qualquer parte da quadra dentro da Zona Proibida de Retorno de Serviço antes que</p><p>a bola esteja em jogo.</p><p>50</p><p>Tênis de areia? Frescobol com rede? Não, o jogo é Beach Tennis.</p><p>Esse é o título de uma reportagem feita para a revista Tênis, vale</p><p>a pena conferir, pelo link:</p><p>https://revistatenis.uol.com.br/artigo/tenis-de-areia-frescobol-</p><p>com-rede-nao-o-jogo-e-beach-tennis_8514.html</p><p>DICA</p><p>3 SQUACH</p><p>O Squach é um dos quatros esportes de raquete mais populares. Sua peculiaridade</p><p>frente os outros Esportes de Raquete é o fato que não ser jogado com a passagem da bola</p><p>por uma rede, e sim a utilização de uma parede. O esporte já pertence as modalidades</p><p>incluídas nos Jogos Pan-Americanos, isso leva a uma forte intenção em se tornar esporte</p><p>Olímpico. Além disso, Segundo a Word Squash Federation (WSF), possui mais de 20 milhos</p><p>de praticantes de Squach em 190 países.</p><p>Confira como é uma partida de Squach no link:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=-RG9Yaisbi4.</p><p>DICA</p><p>3.1 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO SQUACH</p><p>A versão mais aceita do surgimento do Squash é que o jogo começou a ser</p><p>praticado no século XIX, por reclusos de uma prisão inglesa. Na ocasião, alguns presos</p><p>usavam pedaços de madeira ou raquetes para rebater uma bola de borracha contra os</p><p>muros da prisão. Acredita-se também que a prática deste jogo era realizada em uma</p><p>renomada escola Britânica, Harrow Scholl, quando os alunos de descobriram que uma</p><p>bola furada do jogo de Rackets, quando espremida pelo impacto com a parede, produzia</p><p>muito mais variedade de trajetórias, e requeria um esforço muito maior para se jogar</p><p>(SQUASHISTAS, 2020).</p><p>Com essa configuração encontrada na Horow, os jogadores não podiam</p><p>simplesmente esperar a bola voltar, como no jogo de Rackets. Esta variante foi muito</p><p>bem aceita. Por isso, em 1864, então, a primeira quadra de Squash foi construída na</p><p>própria instituição escolar. Com isso, o Squash foi oficialmente fundado, que rapidamente</p><p>51</p><p>cresceu fundando algumas organizações foram criadas para gerenciar o  esporte em</p><p>cada país. Dentre as instruções criadas, considera-se que as primeiras foram a United</p><p>States Squash Racquets Association (USSRA) em 1907 e a Canadian Squash Racquets</p><p>Association em 1911 (SQUASHISTAS, 2020).</p><p>Em 1928, foi fundada a Squash Rackets Association (SRA), na Inglaterra. Até</p><p>então, o Squash era vinculado à Tennis and Rackets Association. O primeiro campeonato</p><p>profissional de</p><p>Squash foi realizado em 1920, na Inglaterra, no qual C.R. Read foi o</p><p>campeão do evento. Isso fez com que posteriormente outros grandes nomes do esporte</p><p>foram surgindo, como o grande jogador egípcio Amr Bey, que em 1993 conquistou o</p><p>primeiro de British Open (era referenciando como o Campeonato Mundial da época).</p><p>Mais adiante, possivelmente os jogadores que propiciaram o maior desenvolvimento do</p><p>Squash foram o irlandês Jonah Barrington e australiano Geoff Hunt. Eles dominaram o</p><p>Squash entre o final dos anos 1960 e o início dos anos 1980 (SQUASHISTAS, 2020).</p><p>3.1.1 Squash no Brasil</p><p>Devido a sua origem, o Squash chega ao Brasil por influência dos ingleses. Diante</p><p>disso, a surgiu no início do século XX nas minas de ouro de Nova Lima/MG. No entanto,</p><p>pode-se dizer que a história do Squash no Brasil ganhou força no final da década de</p><p>1970 e início de 1980, quando houve a construção de quadras em clubes e academias</p><p>de São Paulo e Rio de Janeiro. Consequentemente, no final de 1980 novas quadras</p><p>foram construídas no Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais e em Belém do Pará.</p><p>Após esse crescimento, oportunidade de prática e necessidade de uma</p><p>entidade regulamentadora para o Esporte, em 1985 é fundada a Confederação Brasileira</p><p>de Squach. Desde então, nomes no esporte brasileiro vem se destacando e dando visão</p><p>ao esporte. Dentre esses, Kiko Frisoni, de São Paulo, dominou o Squash Brasileiro e sul-</p><p>americano desde seu início, que com Paulo Troyano, também de São Paulo, liderou o</p><p>Squash sul-americano até o final da década de 1980. Na década de 2000, o destaque</p><p>passa a ser de Rafael Alarcon. No feminino, Denise Pastore foi diversas vezes campeã</p><p>brasileira e sul-americana. Em 1988 A mineira Flavia Roberts foi a melhor brasileira</p><p>classificada no ranking mundial (décimo sétimo lugar).</p><p>A história do Squash no Brasil ganhou um novo capítulo em 2016. Portanto,</p><p>com o surgimento do “Novo Squach Brasil”, uma competição que foi o marco inicial para</p><p>reunir os atletas profissionais em competições ao longo do ano. Além do ótimo nível</p><p>técnico na competição, as etapas têm se distribuído em várias localidades do Brasil. Por</p><p>isso, contribui para a divulgação do esporte e envolvimento dos atletas.</p><p>52</p><p>3.2 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS E REGRAS DA</p><p>MODALIDADE</p><p>Segundo a CBS (2021), O Squash é disputado em um espaço confinado,</p><p>normalmente em alta velocidade. Para isso, as entidades reguladoras da modalidade,</p><p>indicam dois princípios que são essenciais para o bom andamento do jogo: Segurança</p><p>e Fair Play. No que diz respeito à segurança, os Jogadores devem sempre colocar a</p><p>segurança em primeiro lugar e não ter qualquer atitude que possa colocar o seu</p><p>adversário em perigo. Quanto ao Fair Play, os jogadores devem respeitar os direitos do</p><p>seu adversário e jogar com honestidade.</p><p>3.2.1 Materiais e Estrutura para o Jogo</p><p>O jogo de Squash pode ser jogado na modalidade simples ou em dupla. A</p><p>Quadra de Squash pode ser construída de inúmeros materiais, permitindo que tenha um</p><p>rebote da bola característico e seja segura para jogar; entretanto, a WSF publica uma</p><p>especificação de quadras de squash que contêm padrões recomendados. Como podem</p><p>ser vistos a seguir:</p><p>FIGURA 15 – ESPECIFICAÇÕES QUADRA DE SQUASH JOGO SIMPLES</p><p>FONTE: (CBS, 2021, p. 16)</p><p>53</p><p>FIGURA 16 – ESPECIFICAÇÕES QUADRA DE SQUASH JOGO EM DUPLA</p><p>FONTE: (CBS, 2021, p. 16)</p><p>Quantos às especificações do tipo de Bola, a CBS (2021) apresenta padrões de</p><p>bola para competições e para clubes. Esses padrões são especificados no quadro a seguir.</p><p>QUADRO 4 – ESPECIFICAÇÕES BOLA DE SQUASH</p><p>FONTE: (CBS, 2021, p. 17)</p><p>Padrão de bola (competição)</p><p>Diâmetro 40.0 + ou – 0.5</p><p>Peso 24.0+ ou – 1.0</p><p>Dureza 3.2 + ou – 0.4</p><p>Resistência 6.0 mínimo</p><p>Capacidade de Rebote Lançada de 254 cm acima do solo</p><p>Quanto à raquete, ela deve ter as máximas de comprimento de 686 mm,</p><p>espessura da capa de 215 mm, cordas de 390mm e área de 500 cm². Nesse sentido,</p><p>a cabeça da raquete é definida como a parte da raquete contendo ou circundada pela</p><p>área encordoada, já a cordas e os finais da corda devem estar dentro da cabeça da</p><p>raquete, e os protetores da cabeça devem ser feitos de um material flexível que não</p><p>tenham e nem criem pontas afiadas após contatos com o piso ou paredes. As cordas</p><p>54</p><p>devem ser de tripa, nylon ou um material substituto, desde que não seja de metal. A</p><p>construção total da raquete incluindo a cabeça deve ser simétrica no centro da raquete</p><p>em uma linha desenhada verticalmente através da cabeça e cabo e está sendo olhada</p><p>para a sua face.</p><p>FIGURA 17 – RAQUETE E BOLA DE SQUASH</p><p>FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/white-squash-racket-ball-on-</p><p>wooden-627797735>. Acesso em: 11 mar. 2022.</p><p>3.2.2 Estrutura de Jogo e Sistema de Pontuação</p><p>A contagem oficial da WSF é de 11 pontos sem vantagem, melhor de três ou</p><p>cinco games. Ao vencer um rally, o jogador ou dupla marca um ponto. Quando a equipe</p><p>sacadora vence o rally, o sacador mantém o saque. Quando a equipe recebedora vence</p><p>o rally, o saque muda para a equipe adversária. Para o saque ser bom, é preciso acertar</p><p>acima da linha de saque e abaixo da linha que delimita a quadra, caindo dentro do</p><p>quadrante oposto do fundo da quadra. Além disso, o sacador precisa ter pelo menos um</p><p>dos pés dentro do quadrado do saque. Se pisar na linha na hora que estiver sacando,</p><p>perde o saque (CBS, 2021).</p><p>Depois do saque, os jogadores alternam o direto de bater na bola até um deles</p><p>errar. A bola precisa bater obrigatoriamente na parede frontal, acima da lata e abaixo da</p><p>linha delimitadora. Para chegar à parede frontal, a bola pode bater nas outras paredes,</p><p>mas sem bater no chão antes. A bola não pode quicar mais de uma vez no chão. O</p><p>jogador ganha o ponto quando: (1) o adversário erra o saque ou o retorno dele; (2) se</p><p>antes do jogador bater na bola, ela tocar no corpo ou raquete do adversário; (3) Se a</p><p>bola bate no adversário ou raquete antes de chegar na parede da frente; (4) Se a bola</p><p>estava indo diretamente para a parede da frente é Stroke; (5) se o jogador impede que</p><p>o oponente possa rebater uma bola vencedora; (6) se o jogador impede que o oponente</p><p>possa jogar a bola diretamente na parede frontal (CBS, 2021).</p><p>55</p><p>4 PADEL</p><p>De origem inglesa, e expansão rápida por toda o mundo, o Padel tem ganhado</p><p>cada vez mais adeptos. O esporte tem características comum ao tênis de campo e</p><p>a Squach, uma vez que buscasse superioridade quanto ao adversário, repassando a</p><p>bolinha pela rede, mas, para isso, os jogadores podem usar de rebatidas nas paredes. O</p><p>diferencial do Padel para outros esportes de raquete é a interação das paredes, uma vez</p><p>que elas recolocam a bola em jogo, dando mais emoção e dinamismo à disputa de um</p><p>ponto. Sendo assim, considera-se que o Padel é de fácil aprendizado, uma vez a raquete</p><p>menor e pais próxima a mão, e o uso de paredes para controlar o tempo de bola, faz com</p><p>que o processo de aprendizagem seja facilitado (DREWS; SCHIVIACOWSKY, 2016).</p><p>Para conferir como ocorre o jogo de Padel, confira o link a seguir:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=P6yfa7rfc6o.</p><p>DICA</p><p>4.1 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO PADEL</p><p>O surgimento do Padel é datado por volta de 1890, realizado com uma adaptação</p><p>ao tênis, nos espaços de navios ingleses. Por isso, no início de sua prática o esporte</p><p>era conhecido com tênis de alto mar. Em 1924, o Padel passou a ser praticado em terra,</p><p>após o norte americano Frank Beal, improvisar quadras em parques de Nova Iorque,</p><p>desta forma, a modalidade esportiva passou a se chamar Padel-tennis. A primeira</p><p>quadra construída exclusivamente para a prática de Padel foi em 1969, em um hotel</p><p>em Acapulco, no México. O idealizador e provedor da construção da Quadra Enrique</p><p>Corcuera, quem definiu as dimensões de quadra e o regulamento que rege o esporte</p><p>mundialmente (COBRAPA, 2021).</p><p>Na Europa, o príncipe espanhol Afonso de Hohenlohen foi um importante</p><p>entusiasta do esporte. Isso fez com que o nobre levasse para a expansão do Padel para</p><p>outros países europeus. Com o crescimento</p><p>do esporte, veio a necessidade da criação</p><p>de uma Federação Internacional de Padel. A FIP foi criada em Madrid, em 1991 e no</p><p>ano seguinte foi realizado, na Espanha, o primeiro Campeonato Mundial de Padel, com</p><p>a participação de 11 países americanos e europeus. Em 1993, o Padel foi reconhecido</p><p>como modalidade desportiva pelo Conselho Superior de Desportos. entidade que conta</p><p>com 15 associados, e 34 países com entidades atreladas, nos quais se destacam o</p><p>Brasil, Argentina, México e a Espanha. Além disso, a FIP é integrante do GAISF e aspira</p><p>ser admitida no COI nos próximos 3 anos, sendo que a França requisitou formalmente</p><p>às autoridades olímpicas que o Padel seja o esporte de demonstração na olimpíada de</p><p>Paris, em 2024 (COBRAPA, 2021).</p><p>56</p><p>4.1.1 Padel no Brasil</p><p>A história do Padel no Brasil começou pela região Sul, trazido por uruguaios e</p><p>argentinos, devido à proximidade regional. Sendo assim, em 1988, foram construídas</p><p>as primeiras quadras de Padel nas cidades gaúchas de Jaguarão e em Livramento. Em</p><p>1991, outros clubes como o Okinawa, de Porto Alegre, a Sociedade Aliança, de Novo</p><p>Hamburgo, e o Cepel, de Pelotas, aderiram ao esporte. Em 1992, foi fundada a Federação</p><p>Gaúcha de Padel, a primeira do país, na Sociedade Aliança em Novo Hamburgo. A partir</p><p>disso, o esporte se difundiu por outros estados brasileiros, com destaque para Santa</p><p>Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. A difusão do esporte por</p><p>outros estados do brasileiro foi tão expressiva que, em 1994, surgiu a Confederação</p><p>Brasileira de Padel (COBRAPA), que atualmente é a entidade responsável por organizar</p><p>as principais competições no país.</p><p>4.2 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS E REGRAS DA</p><p>MODALIDADE</p><p>Uma das principais características do Padel é que ele é sempre jogado em</p><p>duplas, o que limita a área a ser coberta por cada um dos jogadores e diminui o esforço</p><p>físico. Com uma raquete mais resiste, e utilizando da mesma bolinha do tênis de campo,</p><p>exige menos força para devolver a bola para o outro lado da quadra. O uso das paredes</p><p>laterais permite mais dinamismo as rebatidas e jogadas.</p><p>4.2.1 Materiais e Estrutura da Quadra</p><p>A área de jogo para o Padel trata-se de um retângulo de 10 metros de largura por</p><p>20 metros de comprimento, dividido na sua metade por uma rede, formando em cada</p><p>lado um quadrado de 10 x 10 metros. Cada lado desse quadrado será demarcado, à 7</p><p>metros da rede e paralela a esta, uma linha denominada “linha da área de saque”. Desta</p><p>linha até a rede está compreendida a “área de recepção de saque”, que será dividida ao</p><p>meio por uma linha perpendicular até a rede, denominada “linha central”.</p><p>57</p><p>FIGURA 18 – QUADRA DE PADEL</p><p>FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/isometric-padel-court-illustration-white-</p><p>background-1927579775>. Acesso em: 11 mar. 2022.</p><p>A quadra será cercada em sua totalidade. Os fundos têm paredes de três metros</p><p>de altura, complementadas por tela metálica de um metro de altura. Nas laterais, tem-se</p><p>paredes e telas metálicas em variações aceitas pela FIP. As paredes, as telas e os postes</p><p>de sustentação (de formato circular para evitar acidentes) serão construídos/fixados no</p><p>limite externo da área de jogo. As “paredes” diz respeito a estruturas em alvenaria, vidro</p><p>ou outro material que não modifique a essência do jogo.</p><p>No Padel, a raquete será de material que apresente superfície plana e sem</p><p>rugosidade exagerada. Tem-se como medidas máximas de 0,455 metros (45,5 cm.) de</p><p>cumprimento e 0,26 metros (26 cm.) de largura e 0,050m (50mm) de espessura. Além</p><p>disso, possui um cordão de segurança, de uso obrigatório.</p><p>FIGURA 19 – RAQUETE E BOLA DE PADEL</p><p>FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/paddle-tennis-still-life-145421689>.</p><p>Acesso em: 11 mar. 2022.</p><p>58</p><p>4.2.2 Estrutura de Jogo e Sistema de Pontuação</p><p>Cada disputa durante o jogo, iniciada com o saque e terminada com o erro de</p><p>alguma das duplas, receberá o nome de “ponto”. Assim como, como no tênis, o primeiro</p><p>“ponto” obtido por cada dupla será contado como “quinze”, o segundo como “trinta”, o</p><p>terceiro “quarenta” e o quarto como “game”. A dupla que primeiro fizer quatro pontos terá</p><p>vencido o game, desde que o faça com diferença de dois pontos sobre o adversário. Se</p><p>houver empate em “quarenta” a pontuação recebe o nome de “iguais” . O ponto seguinte</p><p>“vantagem a favor” ou “vantagem contra”, sob a ótica do sacador. A seguir, dependendo</p><p>de quem vencer o “ponto”, a contagem volta para “iguais” ou declara-se “game”.</p><p>A dupla que primeiro somar seis “games”, desde que o faça também com diferença</p><p>de dois “games”, terá vencido um “set”. No caso de as duplas chegarem empatadas em</p><p>seis “games” o desempate será decidido na modalidade de “tie-break”, que consiste</p><p>num sistema de desempate onde ganha a dupla que primeiro chegar a sete “pontos”,</p><p>observada a diferença de dois sobre o adversário. No “tie-break” o primeiro ponto obtido</p><p>pela dupla denomina-se “um”, o segundo “dois” e assim sucessivamente.</p><p>Durante o jogo, a bola deverá ser lançada sobre a rede para o campo adversário,</p><p>onde não poderá quicar mais de uma vez no piso. O jogador poderá rebater a bola sem</p><p>que esteja pique no seu piso (exceto a oriunda do saque) ou após picar no seu piso, vier</p><p>a bater em uma ou mais paredes e/ou telas metálicas do seu campo. O jogador também</p><p>poderá devolver a bola para o campo do adversário com a utilização das paredes desde</p><p>que, após este recurso, a bola não toque no seu campo e nem nas telas metálicas.</p><p>No Padel, uma importante diferença dos demais esportes de raquete é o</p><p>saque. O saque consiste em o jogador, da sua “área de saque” (direita ou esquerda),</p><p>lançar a bola por cima da rede na “área de recepção de saque” (direita ou esquerda) do</p><p>adversário localizada na sua diagonal. No momento do saque, o jogador deverá bater</p><p>na bola em altura abaixo da sua cintura e ter pelo menos um dos pés em contato com</p><p>o piso. O saque deverá ser realizado sob a concordância tácita do recebedor. Caso este</p><p>não esteja preparado e não esboce nenhuma resposta, o sacador deverá efetuar novo</p><p>saque, ainda que seu serviço tenha sido incorreto.</p><p>5 OUTRAS MODALIDADES DE ESPORTE DE RAQUETE</p><p>A evolução dos esportes de raquete permitiu o surgimento de novas modalidades.</p><p>Por mais que as mais conhecidas ainda sejam o Tênis, tênis de Mesa, Badminton, Padel,</p><p>Squash e Beach tennis, esses esportes foram evoluindo e com o tempo, surgindo novos</p><p>tipos e/ou modalidades esportivas que vão de acordo com as características dos locais</p><p>em que eles foram criados. Serão citadas mais cinco modalidades, mas sabe-se que</p><p>existem outras possibilidades, sendo que Aburachid e Jiménez (2021) já identificaram</p><p>26 possíveis esportes com o uso de raquetes.</p><p>59</p><p>5.1 RAQUETEBOL</p><p>Raquetebol é o esporte que unifica as regras do tênis e do squash, com sua</p><p>prática tendo sido iniciada a partir de 1920, nos EUA. O espaço de jogo ocupa uma sala</p><p>com quatro paredes, assemelhando-se à do squash, porém um pouco maior. A bola é</p><p>a mesma do frescobol e raquete bem leve que e possui um aro em forma de 'gota'. A</p><p>prática exige que os esportistas fiquem de frente para uma parede e arremessem a bola</p><p>na mesma com raquete. O objetivo é evitar que ela, ao retornar, toque no chão duas</p><p>vezes. Como em seu esporte de origem, os jogos podem ir até o terceiro set – ganha o</p><p>atleta que vencer dois (IRF, 2020).</p><p>Conheça o Raquetebol:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=VDhg05kLsCo.</p><p>DICA</p><p>5.2 PICKLEBALL</p><p>Criado em 1965 nos EUA, o Pickleball possui elementos do tênis, badminton e</p><p>tênis de mesa. A quadra do esporte tem as dimensões do badminton e uma rede de</p><p>tênis ligeiramente modificada. As raquetes se aproximam da raquete do Beach Tennis,</p><p>sem cordas, e a bola é plástica e contém furos. A modalidade pode ser jogada em duplas</p><p>ou simples (USAPICKLEBALL, 2021).</p><p>Atualmente, o esporte do Pickleball está explodindo em popularidade. Existem</p><p>agora quase 8.500 locais para a prática Pickleball. A disseminação do esporte é atribuída</p><p>a sua popularidade nos centros</p><p>comunitários, aulas de educação física, instalações da</p><p>YMCA e comunidades de aposentados. O esporte continua a crescer em todo o mundo</p><p>também com a formação de muitos novos clubes internacionais e órgãos reguladores</p><p>nacionais agora estabelecidos em vários continentes (USAPICKLEBALL, 2021).</p><p>Conheça o Pickleball no vídeo:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=fJJxoKbU4ic.</p><p>DICA</p><p>60</p><p>5.3 BALL BADMINTON</p><p>Originário da Índia, o Ball Badminton é disputado em duplas, duplas mistas</p><p>ou em cinco jogadores de cada lado (forma mais usual). Jogo é muito semelhante ao</p><p>badminton convencional, tanto que utiliza da mesma quadra. Todavia é jogado com uma</p><p>bola de lã, e para vencer o jogo a equipe deve alcançar os 35 pontos (BALL BADMINTON</p><p>FEDERATION OF INDIA, 2020).</p><p>Conheça o Ball Badminton no vídeo:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=sEEWrVgdn-E.</p><p>DICA</p><p>5.4 QIANBALL</p><p>Criado na China, porém muito popular na Dinamarca, o Qianball pode ser jogado</p><p>de forma simples ou em dupla. Os jogadores dividem o mesmo campo e o objetivo é</p><p>rebater a bola, que é presa a uma corda elástica, para o outro lado da rede e fazê-la</p><p>voltar para o campo de jogo até que um dos jogadores erre.</p><p>Conheça o Qianball no vídeo:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=e2LG8IEeacg.</p><p>DICA</p><p>5.5 SPEEDBALL</p><p>De origem francesa, Speedball adveio do Espirobol (com as mãos), utilizando</p><p>raquetes pequenas. O jogador que saca deve rebater a bola para que ela se enrole até</p><p>tocar no poste e seu adversário deve mudar o sentido da translação da bola, presa por</p><p>uma corda, para atingir o mesmo objetivo. Também pode ser é praticado em simples</p><p>com objetivo realizar o número máximo de rebatidas por tempo.</p><p>Conheça o Speedball no vídeo:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=Anr-7UbKdl0.</p><p>DICA</p><p>61</p><p>5.6 MODALIDADES ADAPTADAS</p><p>Dentre os esportes adaptados para pessoas com deficiência, os mais difundidos</p><p>são as modalidades paralímpicas: parabadminton, tênis de mesa e o tênis de cadeira</p><p>de rodas. O parabadminton é o badminton estruturado para pessoas com deficiências físicas</p><p>e teve a sua estreia nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. Esses atletas em cadeira de</p><p>rodas e andantes utilizam uma raquete para golpear uma peteca na quadra dos adversários</p><p>competindo em provas individuais, duplas (masculinas e femininas) e mistas em seis classes</p><p>funcionais diferentes.</p><p>No tênis de mesa, participam atletas do sexo masculino e feminino com paralisia</p><p>cerebral, amputados e cadeirantes. As competições são divididas entre mesatenistas</p><p>andantes e cadeirantes, com jogos individuais, em duplas ou por equipes. Já o tênis em</p><p>Cadeira de rodas, á semelhanças com o esporte convencional, mas existe a chamada</p><p>regra dos dois quiques, que determina que o atleta cadeirante precisa mandar a bola</p><p>para o outro lado antes que ela toque no chão pela terceira vez. As cadeiras utilizadas</p><p>também são esportivas, com rodas adaptadas para um melhor equilíbrio e mobilidade.</p><p>Não há diferença em relação às raquetes e às bolas.</p><p>Além das modalidades paralímpicas, outras possibilidades de esportes de</p><p>raquete podem ser adotadas para pessoas com diferentes deficiências. Esses esportes</p><p>são apresentados por Strapassom e Lopes (2021), explanados no Quadro 5, especificando</p><p>o nome da modalidade para cada tipo de deficiência:</p><p>QUADRO 4 – ESPORTES DE RAQUETE ADAPTADOS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA</p><p>FONTE: Strapasso e Lopes (2021, p. 149)</p><p>Física Intelectual Visual Surdez</p><p>Parabadminton Badminton Os surdos podem</p><p>praticar qualquer</p><p>esporte de raquete</p><p>com pequenas</p><p>adaptações,</p><p>por exemplo:</p><p>substituição de</p><p>marcações sonoras</p><p>por luzes, bandeira</p><p>e gestos</p><p>Tênis em Cadeira de Rodas Tênis Blind Tennis</p><p>Tênis de Mesa Tênis de mesa Showdown</p><p>Polybat Polybat Polybat</p><p>Takkyu volley Takkyu volley Takkyu volley</p><p>Pelota basca Pelota basca</p><p>Raquetebols</p><p>62</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>TREINADORES E TREINADORAS DE ESPORTES DE RAQUETE NO BRASIL:</p><p>POSSIBILIDADES DE FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL</p><p>Larissa Rafaela Galatti</p><p>Caio Corrêa Cortela</p><p>Vitor Ciampolini</p><p>Alexandre Vinícius Bobato Tozetto</p><p>Michel Milistetd</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>A formação e o desenvolvimento profissional de treinadores esportivos são</p><p>reconhecidos como um processo que se desenvolve ao longo da vida (TOZETTO et</p><p>al., 2018) e se manifesta em sua atuação, cuja qualidade está relacionada à aplicação</p><p>consistente e integrada de conhecimentos profissionais, intrapessoais e interpessoais</p><p>para incrementar a capacidade de praticantes de relacionar-se com o fenômeno esporte</p><p>em diferentes contextos (CÔTÉ, GILBERT, 2009; GALATTI et al., 2019).</p><p>Ao considerar os diferentes contextos e categorias de atuação de treinadores</p><p>esportivos, o termo “treinador ou treinadora de excelência” normalmente é interligado</p><p>ao esporte de  performance  (PERONDI et al., 2020). Entretanto, Gilbert e Côté (2013)</p><p>lembram que a excelência de treinadores deve ser avaliada pela forma como o</p><p>profissional articula seus conhecimentos durante as interações com atletas de diversos</p><p>contextos, ou seja, pela qualidade de sua intervenção profissional (REVERDITO et al.,</p><p>2020). Na expectativa de estabelecer os cenários de atuação dos treinadores, nos quais</p><p>a busca da atuação de excelência é sempre desejada, Côté e Gilbert (2009) propõem</p><p>quatro contextos de atuação profissional: 1) treinador de participação para crianças, 2)</p><p>treinador de participação para adolescentes e adultos, 3) treinador de alto rendimento</p><p>para jovens, 4) treinador de alto rendimento para jovens adultos e adultos.</p><p>Se no esporte de forma geral a atuação de treinadores tende a se especializar</p><p>para a participação ou alto rendimento, nos esportes de raquete é corriqueiro que</p><p>treinadores transitem por diferentes contextos, atuando com atletas que buscam a</p><p>melhor  performance  em competições de abrangência desde local até  internacional,</p><p>assim como atuam com praticantes que focam a participação em práticas de caráter</p><p>mais recreativo. Ao compreender que treinadores são profissionais responsáveis pela</p><p>integração e desenvolvimento de indivíduos de diversas faixas etárias e objetivos de</p><p>prática, destacamos a necessidade de uma qualificação adequada, com conhecimentos</p><p>atualizados ao longo de toda a carreira, de modo a capacitá-los para atuar de maneira</p><p>63</p><p>ética, profissional e competente. Para Milistetd et al. (2016), esse processo formativo</p><p>deve considerar toda a complexidade da atividade e envolve diferentes entidades que</p><p>podem mediar esse processo.</p><p>Para treinadores de esportes de raquete no Brasil, faculdades e universidades</p><p>são responsáveis pela formação inicial, habilitando a filiação ao Conselho Regional de</p><p>Educação Física (CREF) e ao exercício profissional (BRASIL, 1998). Paralelamente, e a partir</p><p>dessa formação, ao longo da carreira, treinadores acumulam experiências que moldam</p><p>sua identidade e a sua forma de atuação profissional. Essas experiências ocorrem em</p><p>contextos diversos e se diferenciam na forma como os indivíduos interagem com a</p><p>informação que recebem do ambiente externo (TOZETTO et al., 2018). Especificamente</p><p>no campo esportivo, Nelson et al. (2006) descrevem três contextos de aprendizagem,</p><p>nos quais os treinadores esportivos frequentemente estão envolvidos:</p><p>• Contexto formal de aprendizagem:  aprendizagens que ocorrem em ambientes</p><p>institucionalizados, estruturados e que incluem programas de ensino de longa</p><p>duração, como cursos de graduação e pós-graduação.</p><p>• Contexto não formal de aprendizagem: oportunidades de aprendizagem voltadas</p><p>para uma população específica. Nesses contextos se incluem propostas formativas</p><p>e cursos de curta duração, como minicursos,  workshops, clínicas, seminários,</p><p>conferências, organizados por universidades, federações, clubes, entre outras</p><p>organizações esportivas.</p><p>• Contexto informal de aprendizagem: ambientes normalmente desprovidos de</p><p>uma sistematização do processo de aprendizagem, nos quais a busca e as estratégias</p><p>implementadas para a aquisição dos novos conhecimentos e competências são</p><p>gerenciadas pelo próprio profissional. Essas oportunidades</p><p>16</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 ......................................................................................................... 17</p><p>AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................18</p><p>TÓPICO 2 — ESPORTE DE RAQUETE OLIMPICOS ............................................................... 21</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 21</p><p>2 TÊNIS DE CAMPO .............................................................................................................. 21</p><p>2.1 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO TÊNIS ................................................................................22</p><p>2.1.1 Tênis nas Olimpíadas .................................................................................................................23</p><p>2.1.2 Tênis no Brasil .............................................................................................................................24</p><p>2.2 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS E REGRAS DA MODALIDADE ................................................25</p><p>2.2.1 Materiais e Estrutura da Quadra ............................................................................................26</p><p>2.2.2 Estrutura de Jogo e Sistema de Pontuação ..................................................................... 27</p><p>3 TÊNIS DE MESA ................................................................................................................ 29</p><p>3.1 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO TÊNIS DE MESA ..............................................................30</p><p>3.1.1 Tênis de Mesa nas Olimpíadas .................................................................................................31</p><p>3.1.2 Tênis de Mesa no Brasil .............................................................................................................31</p><p>3.2 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS E REGRAS DA MODALIDADE ................................................32</p><p>3.2.1 Materiais e Estrutura para o Jogo .........................................................................................33</p><p>3.2.2 Estrutura de Jogo e Sistema de Pontuação .....................................................................34</p><p>4 BADMINTON ..................................................................................................................... 35</p><p>4.1 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO BADMINTON ....................................................................36</p><p>4.1.1 Badminton nas Olimpíadas ......................................................................................................36</p><p>4.1.2 Badminton no Brasil ................................................................................................................. 37</p><p>4.2 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS E REGRAS DA MODALIDADE ................................................38</p><p>4.2.1 Materiais e Estrutura da Quadra ............................................................................................38</p><p>4.2.2 Estrutura de Jogo e Sistema de Pontuação .................................................................... 40</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 ......................................................................................................... 41</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 43</p><p>TÓPICO 3 — ESPORTES DE RAQUETE NÃO OLÍMPICOS ................................................... 45</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 45</p><p>2 BEACH TENNIS ................................................................................................................. 46</p><p>2.1 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO BEACH TENNIS ...............................................................46</p><p>2.1.1 Beach Tennis no Brasil .............................................................................................................. 47</p><p>2.2 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS E REGRAS DA MODALIDADE ................................................ 47</p><p>2.2.1 Materiais e Estrutura da Quadra ........................................................................................... 48</p><p>2.2.2 Estrutura de Jogo e Sistema de Pontuação .....................................................................49</p><p>3 SQUACH ............................................................................................................................ 50</p><p>3.1 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO SQUACH ...........................................................................50</p><p>3.1.1 Squash no Brasil ..........................................................................................................................51</p><p>3.2 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS E REGRAS DA MODALIDADE ................................................52</p><p>3.2.1 Materiais e Estrutura para o Jogo .........................................................................................52</p><p>3.2.2 Estrutura de Jogo e Sistema de Pontuação .....................................................................54</p><p>4 PADEL ............................................................................................................................... 55</p><p>4.1 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO PADEL ...............................................................................55</p><p>4.1.1 Padel no Brasil .............................................................................................................................56</p><p>4.2 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS E REGRAS DA MODALIDADE ................................................56</p><p>4.2.1 Materiais e Estrutura da Quadra ............................................................................................56</p><p>4.2.2 Estrutura de Jogo e Sistema de Pontuação .....................................................................58</p><p>5 OUTRAS MODALIDADES DE ESPORTE DE RAQUETE .................................................... 58</p><p>5.1 RAQUETEBOL .......................................................................................................................................59</p><p>5.2 PICKLEBALL .........................................................................................................................................59</p><p>5.3 BALL BADMINTON ..............................................................................................................................60</p><p>5.4 QIANBALL .............................................................................................................................................60</p><p>5.5 SPEEDBALL .........................................................................................................................................60</p><p>5.6 MODALIDADES ADAPTADAS ............................................................................................................61</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................................ 62</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................................ 66</p><p>AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................67</p><p>REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 69</p><p>UNIDADE 2 — INICAÇÃO ESPORTIVA E ASPECTOS TÉCNICOS DOS ESPORTES</p><p>DE RAQUETE .................................................................................................73</p><p>TÓPICO 1 — PERFORMACE MOTORA APLICADA AOS ESPORTES DE RAQUETE ..............75</p><p>1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................75</p><p>2 EXIGÊNCIAS DA HABILIDADE DE REBATIDA ..................................................................76</p><p>2.1 DIMENSÕES DA HABILIDADE ..........................................................................................................</p><p>incluem orientação</p><p>informal, recursos materiais, experiências dentro e fora do esporte, assim como</p><p>interações com os outros (treinadores adversários, profissionais das demais áreas –</p><p>nutricionistas, psicólogos, atletas, entre outros).</p><p>Na sequência deste capítulo, trataremos de oportunidades de aprendizagem</p><p>para treinadores e treinadoras de esportes de raquete, tendo por referência esses</p><p>diferentes contextos.</p><p>CONTEXTO FORMAL, TREINADORES E TREINADORAS DE ESPORTES DE RAQUETE</p><p>No cenário brasileiro, diferentemente de outros países, a atuação como treinador</p><p>ou treinadora de esportes de raquete é possível a partir da graduação em educação física.</p><p>No entanto, em uma análise mais detalhada de 20 cursos de bacharelado em educação</p><p>física, Milistetd (2015) mostrou que, apesar de os currículos estarem de acordo com as</p><p>estruturas recomendadas pelas normas que os regem, as horas curriculares destinadas</p><p>à formação para atuar como treinador esportivo são limitadas. Especificamente com</p><p>relação aos esportes de raquete, o autor verificou que apenas em dois cursos a disciplina</p><p>de tênis é ofertada, e em outros quatro cursos os conteúdos relacionados são diluídos</p><p>com outros esportes individuais.</p><p>64</p><p>Em um estudo recente, que analisou a presença da disciplina tênis em 75 cursos</p><p>presenciais de graduação em educação física (licenciatura/bacharelado), oferecidos por</p><p>instituições de ensino superior do estado do Paraná (públicas ou privadas), a situação</p><p>se mostrou semelhante à descrita anteriormente. Oito cursos apresentaram a disciplina</p><p>em seus documentos orientadores, a maior parte (n = 5) voltada ao bacharelado (GESAT</p><p>et al., 2020). Outros 12 cursos ofertavam a disciplina esportes de raquete, com carga</p><p>horária média de 61 ± 18,6 horas. Apesar de fazer parte da Base Nacional Comum</p><p>Curricular (BNCC), os autores observaram que esse agrupamento de modalidades se</p><p>encontra ainda mais distante da formação dos profissionais licenciados, com apenas</p><p>três cursos ofertando essas disciplinas (GESAT et al., 2020).</p><p>Além da baixa inserção dos esportes de raquete no meio acadêmico, as</p><p>oportunidades de aprendizagem em contexto formal recebem menor valorização</p><p>por parte dos treinadores esportivos em geral (HE et al., 2018). Especificamente com</p><p>treinadores de tênis, o estudo de Cortela et al. (2020a) apresenta resultados similares,</p><p>indicando menor atribuição de importância às aprendizagens formais, principalmente</p><p>entre os treinadores mais experientes. Mesmo não podendo generalizar de forma direta</p><p>esses resultados para os esportes de raquete, a similaridade dos desafios encontrados</p><p>nesse agrupamento de modalidades e os resultados observados para os treinadores</p><p>em geral sugerem um cenário semelhante. O distanciamento entre o que é aprendido</p><p>nesse contexto e o que é requerido para a intervenção profissional e o papel passivo</p><p>desempenhado durante essas aprendizagens são as críticas mais recorrentes às</p><p>oportunidades presentes nesse contexto (MALLET et al., 2009; RODRIGUES et al., 2016;</p><p>GALATTI et al., 2017).</p><p>No entanto, Mallet et al. (2009) reforçam que o acesso a especialistas, a</p><p>procedimentos contínuos de avaliação, a medidas de controle e garantia de qualidade do</p><p>ensino, e o reconhecimento dessas formações por meio de certificações, presentes</p><p>no contexto formal, podem contribuir de forma efetiva para o desenvolvimento do</p><p>treinador. No Brasil, estudos com treinadores de modalidades coletivas relataram</p><p>que as aprendizagens em contexto formal foram importantes para a aquisição dos</p><p>conhecimentos profissionais relacionados à didática e pedagogia e ao desenvolvimento</p><p>de conhecimentos de base sobre educação física e esporte – como pedagogia,</p><p>fisiologia, treinamento etc. (TOZETTO et al., 2017; VÍRGILIO et al., 2018; MOLETTA et al.,</p><p>2019). Cortela et al. (2017) também descreveram impactos positivos de experiências no</p><p>contexto formal nas aprendizagens de treinadores de tênis, verificando maior atribuição</p><p>de importância e autopercepção de domínio em conhecimentos e competências</p><p>profissionais diretamente relacionados à intervenção do treinador.</p><p>Em que pesem os desafios para que as aprendizagens possam ser potencializadas</p><p>no contexto formal, as oportunidades presentes nesse ambiente, como os projetos de</p><p>extensão universitária, tornam-se muitas vezes a primeira experiência do acadêmico da</p><p>graduação como treinador (ou treinador-assistente) de um esporte de raquete.</p><p>65</p><p>Como exemplo, citamos o Projeto de Extensão de Tênis de Mesa da Faculdade de</p><p>Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas (FCA/Unicamp), em Limeira-SP.</p><p>Oferecido à comunidade interna da universidade, o projeto visa ampliar o ensino da</p><p>modalidade para além das propostas metodológicas tradicionais, mais centradas na</p><p>repetição de técnicas. Logo, permite aos discentes do curso de Ciências do Esporte ousar</p><p>em propostas metodológicas pautadas nas tendências atuais em pedagogia do esporte,</p><p>que indicam o elemento tático como essencial, propondo um programa de iniciação</p><p>tardia (SILVA et al., 2010) em tênis de mesa a partir da concepção interdependente de</p><p>seus elementos tático-técnicos e tendo o jogo por principal estratégia pedagógica (BELLI</p><p>et al., 2017). Três docentes atuam no papel de facilitadores do processo, acompanhando</p><p>o planejamento, avaliando as aulas já ministradas, indicando leituras e estimulando a</p><p>reflexão sobre a ação, tendo por base metodologias ativas da educação (GALATTI et al.,</p><p>2017; 2019). A partir dessa experiência, consolidou-se o “Griper” – Grupo Interdisciplinar</p><p>de Pesquisa em Esportes de Raquete –, fundado em 2015, que amplia as possibilidades</p><p>de ensino, pesquisa e extensão nessas modalidades a partir da universidade. Detalhes</p><p>dessa experiência estão publicados em Galatti et al. (2017).</p><p>FONTE: GALATTI, L. R. et al. Treinadores e Treinadoras de Esportes de Raquete no Brasil: Possibilidades</p><p>de Formação e Desenvolvimento Profissional. In: BELLI, T. CHIMINAZZO, J. G. C. Esportes de raquete.</p><p>Santana de Parnaíba: Editora Manole, 2021.</p><p>66</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• Além das modalidades Olímpicas, outros esportes de raquete têm chamado a atenção</p><p>e ganhado adeptos por todo o mundo. Dentre esses, destaque para o Squash, Padel e</p><p>Beach Tennis.</p><p>• O Beach tennis, tem como principal característica ser praticado na área, isso leva</p><p>com que o esporte tenha dimensões e regras únicas devidos ao seu ambiente de</p><p>jogo.</p><p>• O Squash se caracteriza por não ser jogado com uma rede que divide os campos</p><p>dentre adversários.</p><p>• No Squash, a bola é jogada contra uma parede e os jogadores ocupam o mesmo</p><p>espaço.</p><p>• No Padel, os jogadores têm como objetivo rebater a bola para o campo do adversário</p><p>passando um uma rede em seu centro, todavia o principal elemento que caracteriza</p><p>o esporte é fato de que se pode usar das paredes em tono da quadra para controlar o</p><p>tempo de bola.</p><p>• Além das modalidades citadas, também se destacam entre os esportes de raquetes:</p><p>Raquetebol; Pickleball; Ball Badminton; Qianball; e Speedball.</p><p>• Os esportes de Raquete também incluem modalidades adaptadas para pessoas com</p><p>deficiências.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>67</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Observe as raquetes nas imagens a seguir, e responda o que se pede:</p><p>FONTE: Adaptado de <https://shutr.bz/37i9y6b>; <https://shutr.bz/3O9S50j>;</p><p><https://shutr.bz/37i9Ud1>; <https://shutr.bz/3M6cjXc>. Acesso em: 28 mar. 2022.</p><p>Sobre as raquetes expostas, assinale a alternativa CORRETA com a respectiva</p><p>modalidade de cada uma:</p><p>a) ( ) Tênis de Mesa; Beach tennis; Tênis de campo; Padel.</p><p>b) ( ) Tênis de Campo; Badminton; Padel; tênis de campo.</p><p>c) ( ) Beach tennis; Badminton; Padel; tenis de campo.</p><p>d) ( ) Padel; Squach; Beach tênis; tênis de campo.</p><p>2 Surgido por volta de 1890, o padel foi criado por tripulantes de navios ingleses que</p><p>fizeram uma adaptação do tênis para que este pudesse ser praticado em alto-mar.</p><p>O  padel  é um esporte bastante democrático, pois tem muitos adeptos de ambos</p><p>os sexos e todas as</p><p>idades e, por ser jogado em duplas, promove interação social.</p><p>Uma característica que diferencia o  padel  do tênis é que é possível a interação</p><p>com a parede, evitando que a bola saia de jogo, tornando-o mais fácil de aprender.</p><p>Geralmente, já na primeira experiência, um iniciante consegue disputar pontos e,</p><p>com a prática frequente do esporte, pode rapidamente ter grande evolução. Com</p><p>base nas regras do Padel, analise as sentenças a seguir:</p><p>I- A quadra será cercada em sua totalidade. Nos fundos por paredes de três metros</p><p>de altura, complementadas por tela metálica de 1 metro de altura. Nas laterais por</p><p>paredes e telas metálicas em variações aceitas pela FIP.</p><p>II- A expressão “paredes” diz respeito a estruturas em alvenaria, vidro ou outro material</p><p>que não modifique a essência do jogo.</p><p>III- O saque consiste em o jogador, da sua “área de saque” (direita ou esquerda), lançar</p><p>a bola por cima da rede na “área de recepção de saque” (direita ou esquerda) do</p><p>adversário localizada na sua paralela.</p><p>68</p><p>IV- A bola é específica para prática do Pádel, ou a mesma utilizada no jogo de tênis.</p><p>V- A rotina “Saque” implica na execução de uma única tentativa.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.</p><p>b) ( ) As sentenças I, II e IV estão corretas.</p><p>c) ( ) As sentenças I, IV e V estão corretas.</p><p>d) ( ) As sentenças II, III e V estão corretas.</p><p>3 Com o aumento do número de praticantes da modalidade, a demanda de pessoas</p><p>buscando aulas de beach tennis está em plena ascensão. Reflexo disso é a quantidade</p><p>de novas quadras que surgiram nos últimos tempos nas praias, em clubes, em</p><p>parques ou academias. Aparentemente, construir quadras tem se mostrado um bom</p><p>negócio. Todavia, os investidores estão com dificuldade para dar o passo seguinte:</p><p>contratar professores. A grande quantidade de alunos se confronta diretamente com</p><p>a baixa oferta de bons professores. Paralelamente a isso, temos no mercado muitos</p><p>professores de tênis que estão atuando há décadas e que se sentem pouco motivados</p><p>em sua profissão e veem no beach tennis uma nova oportunidade profissional.</p><p>FONTE: <http://revistatenis.uol.com.br/artigo/de-professor-de-tenis-professor-de-beach-tennis_14330.</p><p>html#ixzz5JIh8SDR2>. Acesso em: 11 mar. 2022.</p><p>Sobre o exposto, assinale a alternativa CORRETA sobre o que as aulas de beach tennis</p><p>proporcionam:</p><p>a) ( ) Os treinos primordialmente desenvolvimento técnico</p><p>b) ( ) Grande parte dos treinos são realizados individualmente.</p><p>c) ( ) Sensações positivas e negativas experimentadas em um torneio sempre serão</p><p>um complemento para sua aula, seja durante uma conversa com seu aluno, seja</p><p>na elaboração dos exercícios.</p><p>d) ( ) Não se utiliza de técnicas de empunhaduras para os golpes.</p><p>4 O desenvolvimento do esporte para deficientes está relacionado a fatos marcantes</p><p>da história. As primeiras competições esportivas de PD aconteceram em 1870,</p><p>para deficientes auditivos e, em 1907, para deficientes visuais, mas foram as duas</p><p>Guerras Mundiais que determinaram a introdução efetiva do esporte para pessoas</p><p>com Deficiências. Diante disso, indique ao menos cinco benefícios dos esportes de</p><p>raquete para pessoas com deficiências.</p><p>5 Aburachid e Jiménez (2021) apontam que os esportes de raquete mais conhecidos e</p><p>praticados no mundo, como tênis, tênis de mesa, badminton e squash, vêm elevando</p><p>seu status perante os demais 22 esportes de raquete identificados até o presente</p><p>momento. Todavia, outras modalidades vêm ganhando destaque, como o Beach Tênis</p><p>e o Padel, principalmente no Brasil. Diante disso, aponte as características dessas</p><p>duas modalidades que fizeram com que esses esportes ganhassem mais adeptos.</p><p>69</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ABURACHID, L. M. C.; JIMÉNEZ, F. J. A universalidade dos esportes de raquete: uma</p><p>análise à luz da lógica interna. In: BELLI, T. CHIMINAZZO, J. G. C. Esportes de raquete.</p><p>Santana de Parnaíba: Editora Manole, 2021.</p><p>BALDUÍNO, L.; AZEVEDO, A. G. P.; FONSECA, K. Confederações em esportes de</p><p>Raquete. In: BELLI, T. CHIMINAZZO, J. G. C. Esportes de raquete. Santana de</p><p>Parnaíba: Editora Manole, 2021. p. 1-16.</p><p>BBFI. Ball Badminton Federation of India. 2021. Disponível em: http://</p><p>ballbadmintonindia.com. Acesso em 20 mar. 2022.</p><p>BARTHOLO, T. L.; SOARES, A. J. A Transformação do Tênis em fenômeno midiático</p><p>no Brasil a partir de Guga. Esporte e Sociedade, n. 2, 2006. Disponível em: https://</p><p>periodicos.uff.br/esportesociedade/article/view/47975. Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>BELLI, T. CHIMINAZZO, J. G. C. Esportes de raquete. Santana de Parnaíba: Editora</p><p>Manole, 2021.</p><p>BENELI, L. M. et al. Proposta interacionista de ensino dos esportes de raquete. In:</p><p>BELLI, T. CHIMINAZZO, J. G. C. Esportes de raquete. Santana de Parnaíba: Editora</p><p>Manole, 2021. p. 1-16.</p><p>BRANDÃO, M. N. F. et al. A trajetória de tenistas infantojuvenis: idade de iniciação,</p><p>treinamento técnico, cargas, lesões e suporte parental. Revista da Educação Física/</p><p>UEM, v. 26, p. 31-42, 2015. Disponível em: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/</p><p>RevEducFis/article/view/24547. Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>BRASIL. Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998. Institui normas gerais sobre</p><p>desporto e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/</p><p>ccivil_03/leis/l9615consol.htm. Acesso em: 22 mar. 2022.</p><p>BUENO, L. Políticas públicas do esporte no Brasil: razões para o predomínio do</p><p>alto rendimento. São Paulo: Escola de Administração de Empresas de São Paulo da</p><p>Fundação Getúlio Vargas, 2008.</p><p>CBBD. Confederação Brasileira de Badminton. 2021. Disponível em: http://www.</p><p>badminton.org.br/. Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>CBS. Confederação Brasileira de Squash. 2021. Disponível em: http://cbsquash.</p><p>com.br/. Acesso em: 27 mar. 2022.</p><p>70</p><p>CBTM. Confederação Brasileira de Tênis de Mesa. 2021. Disponível em: http://cbtm.</p><p>org.br/. Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>CBT. Confederação Brasileira de Tênis. 2021. Disponível em: http://www.cbt-tenis.</p><p>com.br/. Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>COBRAPA. Confederação Brasileira de Padel. 2021. Disponível em: https://cobrapa.</p><p>com.br/. Acesso em: 20 mar. 2022</p><p>COLLI, E. Universo Olímpico: uma enciclopédia das Olimpíadas. São Paulo: Conex, 2000.</p><p>CORTELA, C. C et al. Iniciação esportiva ao tênis de campo: um retrato do programa</p><p>play and stay à luz da pedagogia do esporte. Conexões, v. 10, n. 2, p. 214-234, 2012.</p><p>CORTELA, C. C. et al. Aprendizagem profissional de treinadores de tênis: um ensaio</p><p>para primeiras aproximações com o contexto nacional de formação. Caderno de</p><p>Educação Física e Esporte, v 18, n 2, 2020.</p><p>DREWS, R. CHIVIACOWSKY, S. Aprendizagem motora e o ensino do Padel. In: TANI,</p><p>G.; CORRÊA, U. C. Aprendizagem motora e o ensino do esporte. São Paulo: Editora</p><p>Blucher, 2016.</p><p>ESCOLA GUGA. Tênis nos Jogos Olímpicos: História e Curiosidades. 2021.</p><p>Disponível em https://escolaguga.com.br/blog/tenis-nos-jogos-olimpicos-historia-e-</p><p>curiosidades/. Acesso em: 20 mar. 2022.</p><p>EVANGELISTA, M. Tênis de areia? Frescobol com rede? Não, o jogo é Beach</p><p>Tennis. 2012. Disponível em: https://revistatenis.uol.com.br/artigo/tenis-de-areia-</p><p>frescobol-com-rede-nao-o-jogo-e-beach-tennis_8514.html. Acesso em: 20 mar.</p><p>2022.</p><p>FEBASP. Federação de Badminton do Estado de São Paulo. 2021. Disponível em:</p><p>http://www.febasp.org.br/base.asp?cod=CURIOSIDADE. Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>FONTOURA, F. Tênis para todos. Canoas: ULBRA, 2003.</p><p>GINCIENE, G. et al. Primeiras aproximações para uma proposta de ensino dos jogos</p><p>de rede/parede: reflexões sobre o tênis de campo e o voleibol. Revista Brasileira de</p><p>Ciência e Movimento, Brasília, v. 27, n. 2, p. 121-32, 2019.</p><p>GLOBOESPORTE. Maior tenista da história do Brasil Maria Esther Bueno morre</p><p>aos 78 anos. 2018. Disponível em https://ge.globo.com/tenis/noticia/maior-tenista-</p><p>da-historia-do-brasil-maria-esther-bueno-morre-aos-78-anos.ghtml. Acesso em: 20</p><p>mar. 2022.</p><p>71</p><p>GONÇALVES, G. H. T. et al. Uma história do tênis no Brasil: apontamentos sobre os</p><p>clubes esportivos e seus métodos de ensino. Educación Física y Ciencia, v. 20, 2018.</p><p>Disponível</p><p>em: https://www.researchgate.net/publication/329229001_Uma_historia_</p><p>do_tenis_no_Brasil. Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>GONZÁLEZ, F. J. Sistema de classificação de esportes com base nos critérios:</p><p>cooperação, interação com o adversário, ambiente, desempenho comparado e</p><p>objetivos táticos da ação. Revista Digital-Buenos Aires, v. 10, n. 71, 2004. Disponível</p><p>em: https://www.efdeportes.com/efd71/esportes.htm. Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>HIRAMA, L. K et al. Propostas interacionistas em pedagogia do esporte: aproximações</p><p>e características. Conexões, v. 12, n. 4, p. 51-68, 2014. Disponível em: https://</p><p>www.researchgate.net/publication/325149567_Propostas_interacionistas_em_</p><p>pedagogia_do_esporte_aproximacoes_e_caracteristicas. Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>IRF. International Racquetball Federation. 2021. Disponível em: http://www.</p><p>internationalracquetball.com/. Acesso em 20 mar. 2022.</p><p>ITF. International Tennis Federation. 2021. Disponível em: https://www.itftennis.</p><p>com/en/. Acesso em: 20 mar. 2022</p><p>KREBS, R. J. et al. Disposição de adolescentes para a prática de esportes: um estudo</p><p>orientado pela teoria bioecológica de Bronfenbrenner. Motriz: Revista de Educação</p><p>Física, v. 17, p. 195-201, 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/motriz/a/</p><p>WHMSP3bDmBxqRPgJHpGxhmg/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>MACHADO, M. A.; SOUZA, R. R.; DA SILVA, S. A. Esportes de raquete, divulgação e</p><p>infraestrutura: influências sobre a prática. Caderno de Educação Física e Esporte, v.</p><p>17, n. 2, p. 177-183, 2019.</p><p>MARQUES, J. P. Badminton. Todo Estudo. s. d. Disponível em: https://www.</p><p>todoestudo.com.br/educacao-fisica/badminton. Acesso em: 8 nov. 2021.</p><p>MARQUES, R. F. R. O conceito de esporte como fenômeno globalizado: pluralidade e</p><p>controvérsias. Revista Observatório del deporte, p. 147-185, 2015. Disponível em:</p><p>http://revistaobservatoriodeldeporte.cl/gallery/11%20oficial%20articulo%20vol%201%20</p><p>num%201%202015%20rev%20odep.pdf. Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>PARLEBAS P. Juegos, deportes e sociedades: léxico de praxiologia motriz.</p><p>Badalona: Paidotribo, 2001</p><p>RAMOS A. M.; NEVES, R. L. R. A iniciação esportiva e a especialização precoce à luz da</p><p>teoria da complexidade – notas introdutórias. Pensar a Prática|, Goiânia, v. 11, n. 1,</p><p>p.1-8. jan./jul. 2008.</p><p>72</p><p>SQUASHISTAS. Resumo da História do Squash. 2020. Disponível em: https://</p><p>squashistas.com.br/historia/. Acesso em: 20 mar. 2022.</p><p>STRAPASSON. A. M; LOPES, M. C. Esportes de Raquete adaptados In: BELLI, T.</p><p>CHIMINAZZO, J. G. C. Esportes de raquete. Santana de Parnaíba: Editora Manole, 2021.</p><p>SILVA, J. V. P. da et al. Família dos jogos esportivos com raquetes: metodologia e</p><p>procedimentos pedagógicos. Rev. bras. ciênc. mov, p. 117-127, 2017. Disponível em:</p><p>https://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/view/8433. Acesso em: 14 mar.</p><p>2022.</p><p>STUCCHI, S. Esportes de Raquete e Lazer. In: BELLI, T. CHIMINAZZO, J. G. C. Esportes</p><p>de raquete. Santana de Parnaíba: Editora Manole, 2021. (133-142).</p><p>USAPICKLEBALL. What is Pickleball? 2021. Disponível em: https://usapickleball.org/</p><p>what-is-pickleball/. Acesso em: 20 mar. 2022</p><p>TUBINO, M. J. G. Estudos brasileiros sobre o esporte: ênfase no esporte-</p><p>educação. Maringá: Eduem, 2010.</p><p>73</p><p>INICAÇÃO ESPORTIVA E</p><p>ASPECTOS TÉCNICOS DOS</p><p>ESPORTES DE RAQUETE</p><p>UNIDADE 2 —</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• compreender os componentes da performace motora ao longo de todos os ciclo de</p><p>treinamento;</p><p>• entender os componentes da iniciação esportiva baseda em evidências solidas;</p><p>• analisar a relação de iniciação esportiva versus a especialização precoce;</p><p>• conhecer os componentes tecnicos dos esportes de raquete;</p><p>• analisar as propriedades e alterações mecânicas dos fundamentos técnicos dos</p><p>esportes de raquete.</p><p>Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará</p><p>autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – PERFORMACE MOTORA APLICADA AOS ESPORTES DE RAQUETE</p><p>TÓPICO 2 – A INICIAÇÃO ESPORTIVA NOS ESPORTES DE RAQUETE</p><p>TÓPICO 3 – ASPECTOS TÉCNICOS DOS ESPORTES DE RAQUETE</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure</p><p>um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>74</p><p>CONFIRA</p><p>A TRILHA DA</p><p>UNIDADE 2!</p><p>Acesse o</p><p>QR Code abaixo:</p><p>75</p><p>TÓPICO 1 —</p><p>PERFORMACE MOTORA APLICADA AOS</p><p>ESPORTES DE RAQUETE</p><p>UNIDADE 2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Um dos objetivos do treinamento esportivo voltado para os Esportes de raquete é</p><p>alcançar o elevado nível de rendimento por meio do planejamento e organização dos</p><p>componentes que estruturam a prática das modalidades (LAGE; BENDA, 2002). Para</p><p>a aquisição e o aprimoramento desses componentes, se requer a compreensão das</p><p>habilidades envolvidas no esporte. Sendo assim, Tani (2002) afirma que é essencial o</p><p>entendimento da relação dos componentes atuantes no sistema muscular (energia)</p><p>e sistema nervoso (informação). Diante disso, Lage e Benda (2002) ressaltam que</p><p>na formação e treinamento de atletas pode ocorrer um desequilíbrio no treinamento</p><p>se focar demasiadamente no aspecto energia, visto que ela só será eficaz quando é</p><p>controlada pelos processamentos da informação de forma adequada.</p><p>Frente aos apontamentos, justifica-se a necessidade de conhecer os aspectos</p><p>da performance motora no âmbito da aprendizagem motora. Para Schmidt e Lee</p><p>(2016), a aprendizagem motora refere-se às mudanças em processos internos que</p><p>determinam a capacidade de um indivíduo para produzir uma tarefa motora. Os autores</p><p>ainda afirmam que o nível de aprendizagem motora de um indivíduo aumenta com a</p><p>prática, e é frequentemente inferido pela observação de níveis relativamente estáveis</p><p>da performance motora. No que diz respeito à performance motora, essa pode ser</p><p>entendida como o nível que o indivíduo desempenha uma habilidade, ou seja, a tentativa</p><p>observável de uma pessoa para produzir uma ação voluntária suscetível a flutuações</p><p>em fatores temporais.</p><p>Ao estudar a performance e aprendizagem motora, Schmidt e Lee (2016) apontam</p><p>que é útil compreender o processo complexo de realizar uma habilidade. Desta forma,</p><p>nesse tópico serão abordados os aspectos inerentes à performance e à aprendizagem</p><p>de habilidades motoras nos Esportes de raquete. Diversas habilidades são trabalhadas</p><p>nessas modalidades, no entanto, o ponto que traz um diferencial para essa categoria de</p><p>esportes é a habilidade de rebater. Por sua vez, a rebatida será o assunto incialmente</p><p>abordada nesse tópico. Em seguida, serão contemplados os fatores que influenciam a</p><p>aquisição das habilidades motoras nos Esportes de raquete. Por fim, os elementos de</p><p>retenção das habilidades aplicadas aos Esportes de raquete.</p><p>76</p><p>Ao se usar do conceito aprendizagem motora, infelizmente, muitos</p><p>profissionais de educação física ainda associam o termo a um</p><p>conteúdo aplicado apenas a crianças ou para a educação física</p><p>escolar. No entanto, essa área científica aborda “um campo de</p><p>investigação cuja meta é o estudo dos mecanismos e processos</p><p>subjacentes às mudanças no comportamento motor de um indivíduo</p><p>como resultado da prática, e dos fatores que os influenciam”</p><p>(TANI; CORRÊA, 2016, p. 20). Sendo assim, Tani e Corrêa (2016)</p><p>reforçam que a compreensão e aplicação dos componentes de</p><p>estudo da aprendizagem motora permite importantes fontes</p><p>de informação que podem auxiliar o profissional de educação</p><p>física a interpretar comportamentos motores de seus aprendizes,</p><p>projetar novas metas e formular hipóteses operacionais para o</p><p>ensino-treinamento de habilidades motoras.</p><p>NOTA</p><p>2 EXIGÊNCIAS DA HABILIDADE DE REBATIDA</p><p>Muitas habilidades são exigidas na prática dos Esportes de raquete. Muitas</p><p>dessas habilidades são consideradas como habilidades motoras fundamentais de</p><p>desenvolvimento (correr, deslise lateral, saltar etc.). Segundo Gallahue, Ozmun e</p><p>Goodway (2013), o desenvolvimento das habilidades motoras fundamentais é essencial</p><p>para o alcance da proficiência</p><p>de vários esportes. Os autores ainda afirmam que essas</p><p>habilidades consistem em blocos básicos para um movimento eficiente e efetivo que</p><p>oferecem oportunidades de explorar o ambiente esportivo.</p><p>Desde a infância e durante toda a vida adulta, por meio da prática de Esportes</p><p>de raquete, os vários padrões de movimento são aprendidos, refinados e alterados,</p><p>sofrendo influência de diferentes fatores, que podem afetar a performance da habilidade.</p><p>Dentre as habilidades motoras utilizadas no esporte de raquete, são necessárias</p><p>habilidades locomotoras, que incluem todas as variações de deslocamentos; habilidades</p><p>estabilizantes, quando a situação requer certo grau de equilíbrio estático ou dinâmico</p><p>para alcançar precisão nos golpes; e habilidades manipulativas, que garantem o aspecto</p><p>motor mais marcante do esporte: a rebatida (BALBINOTTI, 2009).</p><p>As habilidades motoras são movimentos executados com uma meta</p><p>ambiental, envolvendo movimentos voluntários do corpo e/ou dos</p><p>membros para atingir um objetivo. Além disso, as habilidades motoras</p><p>são movimentos desempenhados voluntariamente e que precisam ser</p><p>aprendidos (SCHMIDT; LEE, 2016).</p><p>NOTA</p><p>77</p><p>O rebater é uma habilidade balística de propulsão. Habilidades balísticas são</p><p>aquelas que o indivíduo aplica força a um objeto a fim de projetá-lo, e propulsiva para</p><p>gerar deslocamento do objeto (HAYHOOD; GETCHELL, 2016). Nos esportes de raquete,</p><p>há diferentes formas de rebater. O tipo de rebatida escolhida é, em parte, afetada pelas</p><p>demandas da tarefa ou da modalidade, como a posição do objeto no ar, o tipo de raquete,</p><p>a direção que pretende atingir e outras restrições do ambiente e da tarefa (GALLAHUE;</p><p>OZMUN; GOODWAY, 2013).</p><p>Em uma relação com o desenvolvimento da habilidade, na sua forma primária,</p><p>as crianças mais jovens conseguem rebatem balões e bolas com raquetes de cabo</p><p>curto. À medida que progridem, aprendem a sofisticar a rebatida, facilitando o uso de</p><p>apenas uma das mãos, ampliando as dimensões das raquete e inserindo outras formas</p><p>de rebatidas esportivas (GALLHAUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). Vale ressaltar que a</p><p>consistência do indivíduo no desempenho da rebatida cada vez mais especializadas</p><p>está sustentada na qualidade com a qual as habilidades motoras fundamentais foram</p><p>aprendidas e refinadas.</p><p>O rebater é uma habilidade essencial em muitas atividades esportivas,</p><p>não só nos esportes de raquete. Por mais que se espere que</p><p>estudos sobre essa habilidade já estivessem avançados, na verdade</p><p>seu desenvolvimento é relativamente pouco estudado (GALLHAUE;</p><p>OZMUN; GOODWAY, 2013; HAYHOOD; GETCHELL, 2016).</p><p>NOTA</p><p>2.1 DIMENSÕES DA HABILIDADE</p><p>Segundo Gallahue, Ozmun e Gooday (2013), há vários fatores importantes</p><p>quando se trata do desenvolvimento da habilidade rebatida. Os autores destacam:</p><p>coordenação olho-mão e a lei da direção no desenvolvimento próximo-distal. A</p><p>coordenação olho-mão é essencial para capacidade envolvida de rastrear o objeto, com</p><p>os olhos, e interceptá-lo de modo consistente, por meio da rebatida. Quanto à direção</p><p>desenvolvimental próximo-distal, essa refere-se ao desenvolvimento físico e controle</p><p>corporal, que parte da linha média do corpo em direção a parte mais distante do corpo,</p><p>influenciando também na relação com a raquete. Ou seja, a criança aprende a controlar</p><p>o próprio corpo a partir da linha média. Sendo assim, a rebatida é realizada com a parte</p><p>mais distal do corpo, isso gera uma dificuldade em crianças mais jovem em controlar o</p><p>movimento e o implemento. Desta forma, justifica-se a adaptação das raquetes com</p><p>cabos mais curtos e mais leves, para facilitar o controle e melhor adaptar a habilidade.</p><p>Quando se chega a fases proficientes, os rebatedores são capazes de ajustar</p><p>a posição do corpo, do braço e da raquete a fim de tocar a bola ou peteca birdie que</p><p>chega. Além disso, o jogador deve aplicar uma quantidade específica de força ao objeto</p><p>78</p><p>para colocá-lo precisamente em determinado ponto da quadra. Para que isso aconteça,</p><p>é preciso domínios das três partes que integram as rebatidas proficientes à ação</p><p>preparatória, a ação de produção de força e a ação de finalização, tanto para a rebatida</p><p>lateral quanto para a rebatida por cima do ombro.</p><p>2.1.1 Rebatida Lateral</p><p>O rebater lateral é uma forma de rebater em que o braço permanece no mesmo</p><p>nível ou abaixo do nível do ombro. Entre os iniciantes, as primeiras tentativas para</p><p>rebater lateralmente, se assemelham com tentativas inábeis de arremesso sobre o</p><p>ombro (HAYHOOD; GETCHELL, 2016). Com frequência, os rebatedores iniciantes ficam de</p><p>frente para o objeto que vão rebater, apresentam um padrão de braço elevado, como na</p><p>cortada, e balançam o implemento de cima para baixo, com flexão e extensão do braço</p><p>e sem dar nenhum passo. Os braços e o punhos costumam ficar rígidos, dificultando</p><p>o ajuste do angulo da raquete em relação ao objeto que será́ rebatido (GALLHAUE;</p><p>OZMUN; GOODWAY, 2013). Diante a prática, o movimento vai se desenvolvendo em uma</p><p>sequência relativamente prevista, como apresentado no quadro 1, para iniciantes.</p><p>QUADRO 1 – SEQUÊNCIA DO DESENVOLVIMENTO PARA REBATER LATERAL</p><p>FONTE: Hayhood e Getchell (2016, p. 174)</p><p>AÇÃO</p><p>Componente de ação da raquete</p><p>Etapa I Cortada. A raquete é balançada no plano vertical.</p><p>Etapa II Somente balanço de braço. A raquete balança á frente do tronco.</p><p>Etapa III A raquete fica para trás. A raquete se atrasa em relação do tronco, mas se adianta</p><p>ao tronco na posição do corpo.</p><p>Etapa IV Atraso da raquete retardado. A raquete continua atrasada em relação ao tronco na</p><p>posição do corpo.</p><p>Componente de ação dos pés, tronco e braços</p><p>Etapa I Sem passo. A criança rebate a partir da posição inicial do pé.</p><p>Etapa II Passo ipsilateral. A criança dá um passo com o pé do mesmo lado que rebate.</p><p>Etapa III Passo curto contraleral. A criança dá um passo com o pé do lado oposto do braço</p><p>que rebate.</p><p>Etapa IV Passo longo contralateral. A criança dá um passo com o pé oposto, percorrendo</p><p>uma distância maior do que a metade de sua altura em pé.</p><p>Com o processo de desenvolvimento da habilidade, algumas mudanças</p><p>qualitativas na estrutura mecânica ocorrem para se chegar aos níveis proficientes. A</p><p>primeira mudança se dá quando um rebatedor se posiciona de lado para a bola que se</p><p>aproxima. Um rebatedor é capaz de melhorar as habilidades de rebater pela transferência</p><p>79</p><p>FIGURA 1 – PLANO DE OBSERVAÇÃO PARA O REBATER LATERAL</p><p>FONTE: Hayhood e Getchell (2016, p. 175)</p><p>de peso do corpo para o pé de trás, dando um passo à frente e transferindo seu peso</p><p>para a frente no contato. A segunda mudança benéfica é o uso da rotação de tronco.</p><p>Em uma sequência de desenvolvimento semelhante a do arremessar, os indivíduos</p><p>utilizam primeiro a rotação em bloco antes de avançar para a rotação diferenciada</p><p>(quadril, em seguida o ombro). Os rebatedores também mudam, aos poucos, o plano</p><p>de seus balanços, da cortada vertical para um plano oblíquo e, finalmente, para um</p><p>plano horizontal. Às vezes, eles obtêm um balanço mais longo, mantendo os cotovelos</p><p>afastados dos lados do tronco e estendendo seus braços momentos antes do contato</p><p>(HAYHOOD; GETCHELL, 2016).</p><p>Ao chegar na rebatida lateral proficiente, incorpora as características: (1) Dar</p><p>um passo em direção à batida, aplicando, portanto, força linear ao rebater, sendo que</p><p>a passada preparatória deveria ser lateral para permitir esse passo e o balanço lateral;</p><p>(2) Utilizar a rotação de tronco diferenciada para permitir um balanço mais amplo</p><p>e contribuir com mais força durante o movimento rotatório; (3) Balançar com uma</p><p>amplitude total de movimento para aplicar a maior força possível; (4) balançar em um</p><p>plano mais ou menos horizontal e estender os braços exatamente antes do contato;</p><p>(5) Ligar ou encadear os movimentos para produzir a maior força possível, utilizando da</p><p>sequência de balanço para trás e passo à frente, rotação pélvica, rotação da coluna e</p><p>balanço, extensão do braço, contato e balanço (HAYHOOD; GETCHELL, 2016).</p><p>80</p><p>2.1.2 Rebatida por cima do</p><p>ombro</p><p>A batida por cima do ombro é uma forma de rebater na qual o braço se</p><p>movimenta por sobre o nível do ombro. O rebatedor principiante apresenta movimento</p><p>pélvico e espinal limitado, balança com o cotovelo caído e balança o braço e a raquete</p><p>para a frente em uníssono. Se ele estiver recebendo uma bola lançada, o cotovelo caído</p><p>leva a um baixo ponto de contato entre a raquete e a bola. O padrão de movimento</p><p>do rebater sobre o ombro inicial, é semelhante ao do arremesso sobre o ombro e ao</p><p>do rebater lateral de um principiante (HAYHOOD; GETCHELL, 2016). No processo de</p><p>desenvolvimento da rebatida, sobre o ombro incluem a amplitude de movimento da</p><p>pelve, a amplitude de movimento espinal, o ângulo do cotovelo e a ação da raquete.</p><p>Essas sequências são apresentadas no Quadro 2.</p><p>QUADRO 2 – SEQUÊNCIA DO DESENVOLVIMENTO PARA REBATER SOBRE O OMBRO</p><p>FONTE: Hayhood e Getchell (2016, p. 178)</p><p>AÇÃO</p><p>Fase preparatória: ação do tronco</p><p>Etapa I Nenhuma ação de tronco ou flexão/extensão de tronco</p><p>Etapa II Rotação do tronco mínima (<180°)</p><p>Etapa III Rotação do tronco total (>180°)</p><p>Fase de contato com a bola: ação do cotovelo</p><p>Etapa I O ângulo é de 20° ou menos, ou maior do que 120°</p><p>Etapa II O ângulo é de 21° a 89°</p><p>Etapa III O ângulo é de 90 a 119°</p><p>Fase de contato com a bola: amplitude do movimento espinal</p><p>Etapa I A coluna (na altura dos ombros) gira menos de 45°</p><p>Etapa II A colina gira de 45 a 89°</p><p>Etapa III A colina gira mais de 90°</p><p>Fase de contato com a bola: amplitude do movimento da pelve</p><p>Etapa I A pelve (abaixo da cintura) ( ) gira menos de 45°</p><p>Etapa II A pelve gira de 45 a 89°</p><p>Etapa III A pelve gira mais de 90°</p><p>Fase de contato com a bola: ação da raquete</p><p>Etapa I Nenhum atraso da raquete</p><p>Etapa II Atraso da raquete</p><p>Etapa III Atraso da raquete retardado (e extensão para cima)</p><p>81</p><p>Ao se tornar habilidoso no rebater sobre o ombro, o rebatedor mostra três</p><p>características centrais: (1) gira a pelve e a coluna em mais de 90°; (2) mantém o cotovelo</p><p>em um ângulo que fica entre 90 e 119° no início do movimento para a frente; (3) deixa a</p><p>raquete se atrasar em relação ao braço durante o balanço para a frente. O processo de</p><p>rebatida iniciante e proficiente pode ser conferido na Figura 2.</p><p>FIGURA 2 – PLANO DE OBSERVAÇÃO PARA O REBATER SOBRE O OMBRO</p><p>FONTE: Hayhood e Getchell (2016, p. 177)</p><p>Por que ocorre o atraso na rebatida entre aprendizes dos</p><p>Esportes de raquete?</p><p>Segundo Hayhood e Getchell (2016), o atraso da raquete</p><p>na rebatida é consistente com o princípio de uma cadeia</p><p>cinética aberta, em que a força é gerada por uma sequência</p><p>de movimentos temporalmente correta. O atraso do úmero e</p><p>do antebraço é um exemplo de uma cadeia cinética aberta: o</p><p>úmero se atrasa em relação à rotação de tronco, o antebraço</p><p>se atrasa em relação ao úmero, e a raquete se atrasa em</p><p>relação ao antebraço, criando uma cadeia de movimentos</p><p>sequenciais.</p><p>INTERESSANTE</p><p>82</p><p>2.2 ESTÁGIOS DE APRENDIZAGEM DA HABILIDADE</p><p>À medida que os indivíduos aprenderem a execução da rebatida, certas</p><p>caraterísticas do seu movimento se modificam, passando por um processo hierárquico</p><p>de mudança do movimento. Nesse sentido, diferentes teóricos propõem conceituações</p><p>para diferenciar os estágios de aprendizagem de habilidades motoras, de forma</p><p>generalizada. Dentre essas conceituações, aplicada à habilidade rebatida, usaremos</p><p>o modelo de Pellegrini (2000), que faz uma leitura de vários teóricos, classificando os</p><p>indivíduos nos estágios: inexperiente, intermediário e avançado.</p><p>No estágio inexperiente, ocorrem as primeiras tentativas de experimentar a tarefa,</p><p>ou seja, o indivíduo busca identificar as variáveis e estrutura da rebatida. Nessa fase, o</p><p>executante parece descoordenado, com movimentos desnecessários e sem fluência,</p><p>levando a grande variabilidade de respostas nas rebatias. O aprendiz inexperiente não</p><p>consegue se atentar a detalhes das tarefas, tendo dificuldade de identificar estímulos</p><p>internos e externos da tarefa, levando a grande quantidade de erros e incertezas na</p><p>execução do movimento (PEREIRA; TEIXEIRA; CORRAZA, 2011).</p><p>No item 2.1, aprofundamos sobre a sequência para o desenvolvimento</p><p>da habilidade rebater. Essa sequência tem relação direta com os</p><p>estágios de aprendizagem da habilidade. No entanto, esses conteúdos</p><p>se diferem, visto que enquanto no item anterior falamos sobre as</p><p>estruturas e mudanças no padrão de movimentos. Nesse subtópico,</p><p>vamos falar sobre o processo de aprendizagem e como o aprendiz</p><p>da habilidade responde aos estímulos oferecidos pelo profissional</p><p>de educação física. Além disso, essa divisão em estágio permite ao</p><p>profissional de educação física desenvolver estratégias de feedback e</p><p>respeitar a progressão estrutural do movimento.</p><p>ATENÇÃO</p><p>Frente às características apontadas do estágio inexperiente, o profissional</p><p>atuante com o aprendiz da rebatida deve tomar algumas precauções para efetividade da</p><p>aprendizagem. Dentre os cuidados, deve-se evitar o excesso de informações introduzindo</p><p>somente os principais aspectos da habilidade, visto que nessa fase o processo é</p><p>essencialmente cognitivo, e o aprendiz precisa ter uma ideia geral da habilidade. Outro</p><p>fator importante é propiciar um ambiente agradável e sem cobranças, permitindo que o</p><p>aprendiz experimente a habilidade, favorecendo plenas oportunidades de exploração e</p><p>de autodescoberta dos seus elementos gerais, evitando situações que coloquem ênfase</p><p>no produto da performance, em vez disso focar o processo. Por fim, o profissional deve</p><p>dar ênfase na orientação, favorecendo feedback imediato, preciso e positivo, relativo</p><p>aos aspectos gerais da habilidade, proporcionar demonstrações visuais da habilidade</p><p>83</p><p>para promover a consciência cognitiva e, quando possível comparar a rebatida com</p><p>a raquete, com habilidades similares que o indivíduo pode estar familiarizado, como a</p><p>rebatida com as mãos, com bastão e até movimentos de arremesso.</p><p>O segundo estágio é denominado intermediário. Nesse estágio, a cada tentativa</p><p>se tem a eliminação de movimentos desnecessários, levando a descoberta de como</p><p>economizar energia e tempo. Assim, a sequência de movimento ganha progressividade,</p><p>fluência e harmonia. Isso ocorre devido ao rebatedor já conseguir dirigir sua atenção aos</p><p>estímulos relevantes, e se atentar a detalhes anteriormente não percebidos. Também</p><p>há a transição do controle visual, que vai dando lugar ao controle cinestésico. O padrão</p><p>motor tende a se estabilizar e a quantidade de erros tende a diminuir ao mesmo tempo</p><p>em que a confiança de como a tarefa deve ser executada aumenta (PEREIRA; TEIXEIRA;</p><p>CORRAZA, 2011).</p><p>Os técnicos que trabalham com indivíduos nesse estágio devem-se atentar a</p><p>fornecer feedbacks mais precisos e incentivar com que os alunos desenvolvam seu</p><p>feedback proprioceptivo. Para isso, é necessário ajudar o aprendiz a autoanalisar a</p><p>tarefa, planejando situações práticas, com foco progressivo no maior refinamento</p><p>das habilidades. Deve-se, também, incentivar o aprendiz a realizar movimentos mais</p><p>vigorosos, visto que ele já precisa de menor atenção para compreender a tarefa. Para</p><p>isso, tem-se como alternativa propiciar sessões práticas breves, em ritmos rápidos,</p><p>com intervalos frequentes antes de implementar sessões longas. Por se tratar de uma</p><p>habilidade motora aberta, as variações ambientais podem ser propostas com mais</p><p>frequência, explorando as numerosas oportunidades de prática.</p><p>Por fim, o estágio avançado refere-se a quando o executante tem certeza de</p><p>como alcançar a meta da ação, com o mínimo de energia e/ou tempo, com graça, beleza</p><p>e eficiência. Desta forma, o rebatedor precisa do mínimo de atenção para realizar a tarefa</p><p>(automação), possibilitando com que sua atenção seja destinada a outros elementos</p><p>do jogo, e não ao controle do movimento, isso porque o padrão motor é relativamente</p><p>estável. Vale lembrar que qualquer alteração no padrão de movimento implica no retorno</p><p>ao estágio intermediário (PEREIRA; TEIXEIRA; CORRAZA, 2011).</p><p>Dentre as orientações para os treinadores,</p><p>está o fato de que se deve incentivar</p><p>o rebatedor a ser mais autônomo, que esse possa detectar sozinho os erros de execução</p><p>do movimento. Para isso, o profissional de Educação Física deve oferecer sugestões</p><p>e indicações de estratégias para ajudar ao aprendiz a antecipar ações fornecendo e</p><p>sofisticando os feedbacks aumentados voltados a performance. No estágio avançado, o</p><p>treinamento físico pode ser o diferencial para a performance da habilidade, devendo-se</p><p>recorrer a estratégias de periodização de treino.</p><p>84</p><p>3 FATORES QUE INFLUENCIAM A AQUISIÇÃO DE</p><p>HABILIDADES MOTORAS DOS ESPORTES DE RAQUETE</p><p>O entendimento técnico de uma modalidade esportiva depende dos fatores que</p><p>afetam a aquisição de habilidades motoras. Esses fatores são diretamente manipulados</p><p>pelo profissional de educação física durante o processo treino-aprendizagem das</p><p>habilidades motoras. Diante disso, para facilitar o entendimento e estrutura das</p><p>habilidades envolvidas nos Esportes de raquete é primordial o conhecimento das</p><p>características comuns das habilidades, considerando: aspectos musculares; forma</p><p>organizada da tarefa, e; nível de previsão ambiental, apresentados no Quadro 3.</p><p>Aquisição refere-se a aprender algo novo ou realizar algo</p><p>diferente do que haviam feito anteriormente. Sendo assim,</p><p>a aquisição está envolvida de desde o ajuste a um padrão</p><p>simples de movimento nos temos que fazer um ajuste no</p><p>programa motor do indivíduo. Ou seja, vai fazer algo de</p><p>diferente do que havia feito anteriormente.</p><p>NOTA</p><p>QUADRO 3 – CLASSIFICAÇÃO GERAL DAS HABILIDADES ENVOLIDAS NOS ESPORTES DE RAQUETE</p><p>FONTE: A autora</p><p>Aspectos Musculares</p><p>Grossas</p><p>A maioria dos movimentos utilizam de grandes grupamentos musculares para a</p><p>execução das habilidades.</p><p>Forma organizada da tarefa</p><p>Discreta</p><p>As habilidades são de curta duração e apresentam distinção entre o início e o</p><p>fim dos movimentos</p><p>Nível de previsão ambiental</p><p>Aberta</p><p>O ambiente está em constante mudança durante a realização das habilidades,</p><p>exigindo adaptações de movimentos</p><p>O saque dos esportes de raquete também pode receber a</p><p>classificação de habilidade seriada (quanto à forma organizada</p><p>das tarefas), visto que a execução da habilidade requer uma</p><p>combinação de habilidades discretas; e como fechada (quanto</p><p>ao nível de previsão ambiental) pois o executante pode prever</p><p>quando e como executar o saque.</p><p>NOTA</p><p>85</p><p>Os Esportes de raquete consistem em atividades que variam de habilidades</p><p>simples a complexas. Segundo Catuzzo e Souza (2016), a complexidade refere-se à</p><p>quantidade de elementos e a interação entre eles, enquanto as habilidades simples</p><p>são aquelas que têm poucos componentes de movimento e requerem pouca tomada</p><p>de decisão, o que, sem dúvida, facilita o seu desempenho. Sendo assim, os autores</p><p>analisam isso no badminton, apresentando como exemplo que um saque no badminton</p><p>é relativamente simples, pois envolve um conjunto de movimentos com um nível</p><p>relativamente baixo de coordenação e pouca tomada de decisão, visto que o saque</p><p>parte da posição parada e algumas regras do jogo restringem os movimentos para o</p><p>saque fazendo com que a tomada de decisão é minimizada, uma vez que há poucas</p><p>variáveis fora do controle do sacador no momento do saque.</p><p>Como caso de habilidade complexa Catuzzo e Souza (2016) apontam o</p><p>movimento de rebatida de backhand. Isso porque esse golpe é composto de muitos</p><p>componentes cujo sucesso de execução depende da interação entre eles. Nesse</p><p>caso a passada correta é necessária para entrar na posição de backhand e, então,</p><p>executar o golpe propriamente dito, além da boa organização temporal (timing) entre os</p><p>movimentos sequenciais de membros superiores e inferiores, fazendo com que haja um</p><p>maior recrutamento de unidades motoras para produzir um golpe potente.</p><p>Mesmo que se tenha uma classificação entre habilidades simples e complexas,</p><p>há um pouco de simplicidade nas habilidades complexas e um pouco de complexidade</p><p>nas habilidades simples. Diante disso, Catuzzo e Souza (2016) sugerem que se as</p><p>habilidades deveriam ser classificadas como “mais simples” ou “mais complexas”, que</p><p>no caso do badminton podem ser conferidas essa variação na Figura 3.</p><p>FIGURA 3 – CLASSIFICAÇÃO DAS HABILIDADES SIMPLES OU COMPLEXAS, DENTRO DE UM CONTINUUM</p><p>FONTE: Catuzzo e Souza (2016, p. 100)</p><p>Com o entendimento das estruturas das habilidades, a intervenção profissional</p><p>deve ser otimizada com a utilização de fatores que afetam a aprendizagem motora.</p><p>Dentre esses fatores, pode-se destacar os estabelecimentos de metas, o fornecimento</p><p>de feedback e as estratégias de instrução e organização da prática e variabilidade da</p><p>prática. Marinovic (2003) afirma que apesar de reconhecidamente importantes em</p><p>diferentes momentos da prática, destaca-se que cada um desses fatores é capaz</p><p>de influenciar a aprendizagem, em menor ou maior grau, através do seu potencial</p><p>informacional e/ou motivacional.</p><p>86</p><p>3.1 ESTABELECIMENTO DE METAS</p><p>No processo de treinamento-aprendizagem de habilidades esportiva, o</p><p>estabelecimento de metas pode ser utilizado para delinear o critério ou referência</p><p>de intervenção e como estratégia motivacional (MARINOVIC, 2016). Sendo assim, o</p><p>estabelecimento de metas pode auxiliar de várias maneiras o processo de aprendizagem,</p><p>estando relacionado: aos aspectos temporais (metas de curto, médio e longo prazo);</p><p>à especificidade da meta (genérica ou específica); a sua dificuldade (metas fáceis,</p><p>moderadas ou difíceis) e; à procedência (pelo instrutor ou pelo próprio aprendiz).</p><p>Perante os apontamentos, Drews e Chiviacowsky (2016) analisaram a estratégias</p><p>do estabelecimento de metas para o processo de aprendizagem motora aplicado ao</p><p>Padel. Com isso, os autores destacam os seguintes fatores:</p><p>a) Deve-se estabelecer metas específicas, por exemplo, “acerte sete saques em dez</p><p>tentativas”, pode regular a ação mais precisamente do que estabelecer metas gerais,</p><p>tais como “faça o melhor possível”.</p><p>b) A utilização de metas de curto prazo, associadas às de longo prazo, podem também</p><p>levar a um melhor desempenho e aprendizagem, pois fornecem feedbacks progressivos</p><p>relativos à meta de longo prazo. Embora as metas de curto prazo sejam facilitadoras</p><p>da aprendizagem, vale lembrar que as metas de longo prazo são importantes, pois</p><p>auxiliam a manutenção do foco no objetivo final.</p><p>c) Estabelecer metas difíceis, porém realistas, pode levar a um melhor desempenho na</p><p>aquisição de uma habilidade motora em relação ao estabelecimento de metas fáceis.</p><p>Isso pode motivar mais os praticantes, estabelecer metas desafiadoras, por exemplo,</p><p>acertar um determinado número de bolas em um local específico da quadra.</p><p>d) As metas escolhidas pelos praticantes, denominadas como autoestabelecidas,</p><p>resultam em maiores benefícios na aprendizagem motora do que metas externamente</p><p>estabelecidas. Ao auto estabelecer suas próprias metas, o aprendiz assume um papel</p><p>ativo, exercendo controle sobre o seu processo de aprendizagem, o que resulta num</p><p>maior envolvimento, no aumento da motivação intrínseca, comprometimento e,</p><p>consequentemente, em um desempenho melhorado.</p><p>Drews e Chiviacowsky (2016) indicam efeitos positivos de certas manipulações</p><p>do estabelecimento de metas para o desempenho e a aprendizagem motora. Todavia,</p><p>para que haja uma otimização nesse processo, as metas devem ser estruturadas de</p><p>acordo com as restrições do indivíduo, do ambiente e da tarefa, e sua relação com a</p><p>organização da prática e com o fornecimento de feedbacks.</p><p>87</p><p>Ao longo do tópico sempre são mencionados os conceitos:</p><p>ambiente, indivíduo e tarefa. No aspecto do desenvolvimento e</p><p>da aprendizagem motora, esses conceitos são muito utilizados.</p><p>Isso porque fazem parte de um modelo para auxiliar na</p><p>inclusão de todos os fatores relevantes em nossa observação</p><p>do comportamento motor (HAYWOOD; GETCHELL, 2016).</p><p>Sendo assim, Karl Newell (1986 apud HAYWOOD; GETCHELL,</p><p>2016) sugere que os movimentos surgem das interações do</p><p>organismo, do ambiente no qual os movimentos ocorrem e</p><p>da tarefa a ser</p><p>executada. Se qualquer um desses três fatores</p><p>muda, o movimento resultante se altera.</p><p>NOTA</p><p>3.2 FORNECIMENTO DE FEEDBACK</p><p>Ao longo da prática de qualquer modalidade esportiva, uma ampla variedade</p><p>de informações pode ser recebida pelo aprendiz, durante ou após a execução de</p><p>movimentos. No conjunto dessas informações está o feedback, conhecido também</p><p>como retroalimentação, e refere-se à informação recebida pelo executante de uma</p><p>habilidade a qual possibilita identificar diferenças entre o desempenho desejado (meta)</p><p>( ) e o executado (SCHIMDT; LEE, 2016).</p><p>Para se estruturar o feedback é preciso compreender que ele se manifesta em</p><p>duas concepções: feedback intrínseco e feedback extrínseco. O feedback intrínseco</p><p>está relacionado às informações provindas dos órgãos e sentidos, e recebe essa</p><p>denominação por estar presente de forma relativamente automática, quando se</p><p>executa uma ação motora. Esse tipo de feedback surge como consequência natural da</p><p>produção de movimento e está diretamente, diretamente ligada com a propriocepção</p><p>e exterocepção.</p><p>Em diferentes situações, o praticante necessita de informações referentes ao</p><p>desempenho, para entender melhor o movimento que está executando, para corrigir</p><p>os erros, ou até mesmo para confirmar um bom desempenho. Diante disso, o feedback</p><p>extrínseco fornecido pelo técnico é uma informação que aumenta ou suplementa a</p><p>informação intrínseca naturalmente disponível (SCHMIDT; LEE, 2016). Sendo assim, o</p><p>feedback extrínseco, ou aumentado, que diz respeito à informação sensorial advinda de</p><p>uma fonte externa, somando-se àquelas que normalmente ocorre quando indivíduos</p><p>produzem movimentos (SCHIMDT; LEE, 2016).</p><p>88</p><p>O feedback usado de forma apropriada tem elevada contribuição para a</p><p>performance motora, sendo destacada com variável como indispensável na aquisição</p><p>e refinamento de habilidades motoras esportivas, incluindo os esportes de raquete</p><p>(DREWS; SCHIVIACOWSKY, 2016). Além disso, o feedback extrínseco tem se destacado</p><p>como um importante fator motivacional de aprendizagem/ treinamentos dessa</p><p>habilidade esportiva. Isso porque o feedback extrínseco pode fornecer as informações</p><p>sobre a qualidade de movimento recém realizado, sobre a adequação do deslocamento</p><p>em direção a bola, ou informações importantes sobre o resultado do movimento,</p><p>permitindo estabelecer relações entre os comandos motores necessários para a</p><p>resposta da habilidade de movimento. Sendo assim, Schmidt e Lee (2016) apresentam</p><p>as diversas possibilidades de fornecimento de feedback na Figura 4.</p><p>FIGURA 4 – ESQUEMA DE CLASSIFICAÇÃO DE FEEDBACK</p><p>FONTE: Adaptado de Schmidt e Lee (2016)</p><p>FONTE: Adaptado de Schmidt e Lee (2016)</p><p>Segundo Drews e Chiviacowsky (2016), a forma como o feedback extrínseco é</p><p>fornecido constitui uma preocupação central em situações reais de treino-aprendizagem,</p><p>podendo variar em relação a aspectos como: a frequência de fornecimento, o grau de</p><p>precisão, a complexidade da tarefa, o grau de eficiência das tentativas, assim como o grau</p><p>de suporte à autonomia do praticante. Como visto no item anterior, o fornecimento de</p><p>feedbacks varia de acordo com o estágio e características de aprendizagem do indivíduo.</p><p>Detalhando um pouco mais sobre o assunto, com relação à frequência, deve-se</p><p>ter cuidado com a quantidade de feedback extrínseco fornecida ao praticante (DREWS;</p><p>CHIVIACOWSKY, 2016). Sugere-se que o feedback não seja fornecido a todo momento,</p><p>89</p><p>a fim de não gerar a dependência de informação pelo aprendiz, ou sobrecarregá-lo de</p><p>estímulos, alternado seu foco atencional. Drews e Chiviacowsky (2016) apontam que</p><p>o feedback extrínseco muito frequente pode dificultar o processamento de feedback</p><p>intrínseco relacionado à percepção do aprendiz sobre seus movimentos, dificultando</p><p>a formação de uma memória motora eficiente relacionada à habilidade, capaz de ser</p><p>utilizada em situações futuras, na ausência de feedback extrínseco.</p><p>Quanto à precisão do feedback, indica-se que utilização de uma informação</p><p>mais geral e qualitativa para iniciantes e informações mais específicas e precisas para</p><p>praticantes mais habilidosos. A precisão, também inclui o fornecimento de feedback de</p><p>forma instantânea, a fim que o praticante tenha tempo de perceber o movimento recém</p><p>realizado conseguindo desenvolver sua capacidade de corrigir erros, sem que haja</p><p>chances de o indivíduo ter esquecido a ação realizada (DREWS; CHIVIACOWSKY, 2016).</p><p>FIGURA 5 – REPRESENTAÇÃO DE EXCESSO DE INFORMAÇÃO DURANTE O FEEDBACK</p><p>FONTE: Adaptado de Schmidt e Lee (2016)</p><p>Ok, eu quero que você se prepare para</p><p>golpear mais cedo, balanço de baixo para cima,</p><p>mantenha o pulso firme, gire seu quadril, faça o</p><p>contato na parte da frente, flexione seus joelhos</p><p>e mantenha seus olhos na bola. E lembre-se de</p><p>permanecer relaxada.</p><p>A precisão no feedback deve ser incluída conforme o avanço do nível de</p><p>habilidade do praticante. Quando se chega a níveis proficientes da habilidade, pode-se</p><p>atribuir informações relacionadas a posicionamentos em quadra, aplicação de força,</p><p>direção, angulação articular e até mesmos estratégias de variabilidade de golpes de</p><p>acordo com os adversários. Quando o praticante demostra sua habilidade em níveis</p><p>mais elevados do feedback autocontrolado, ou quando ao aprendiz é fornecida a</p><p>oportunidade de escolher quando quer receber essa informação, esta mostra-se como</p><p>uma estratégia mais eficiente.</p><p>90</p><p>Para auxiliar no feedback autocontrolado, utiliza-se da estratégia de apontar ao</p><p>praticante o conhecimento de resultado (CR) e o conhecimento de desempenho (CD). O</p><p>CR refere-se à informação apresentada externamente sobre o resultado do desempenho</p><p>de uma habilidade ou sobre a obtenção da meta do desempenho, por exemplo: acertar</p><p>ou não o saque de tênis, atingir a direção correta da bola no padel ou marcar o ponto</p><p>em um jogo de beach tennis. Já o CD diz respeito à informação sobre as características</p><p>do movimento responsáveis pelo resultado do desempenho, por exemplo: ajustes na</p><p>velocidade da rebatida do badminton, posição na quadra pare a recepção do saque de</p><p>tênis de mesa ou ajuste no ângulo do cotovelo durante um forehand no jogo de Tênis.</p><p>A orientação e o feedback, quase por definição, são eficazes para a performance</p><p>quando presentes durante a prática. Afinal, esses suplementos são projetados para</p><p>ajudar o executante a fazer a ação motora correta, evitar erros e ajudar na confiança.</p><p>Assim há a performance beneficia-se da orientação, desde que o treinador tenha</p><p>domínio dessas estratégias.</p><p>Como visto na figura 5, o mal fornecimento de feedback ao invés</p><p>de ser positivo ao praticante, torna-se um elemento negativo na</p><p>performa-se. Sendo assim, é de suma importância o profissional</p><p>de educação física compreender as estratégias de fornecimento</p><p>de feedback de acordo com bases científicas e das individualidades</p><p>de seu aluno/atleta.</p><p>ATENÇÃO</p><p>3.3 INSTRUÇÃO VERBAL E DEMONSTRAÇÃO PARA OS</p><p>ESPORTES DE RAQUETE</p><p>Instrução diz respeito à toda informação fornecida anterior ou concomitante</p><p>à execução de uma habilidade motora, de forma que o objetivo desta possa ser</p><p>eficientemente atingida. Desta forma, ela pode ser fornecida por meio da demonstração</p><p>da habilidade, pela descrição escrita ou verbal e em alguns casos até por meio de ajustes</p><p>táteis, por exemplo, quando um treinador que ajustar a altura do cotovelo durante um</p><p>backhand, em que, para isso, ele auxilia o praticante posicionando o braço dele na</p><p>posição adequada para o golpe.</p><p>Segundo Marinovic (2016), a instrução possui três funções básicas: (1) contribuir</p><p>para que o aprendiz compreenda o objetivo e as demandas da habilidade (informacional);</p><p>(2) direcionar a atenção para aspectos internos e externos à habilidade (atencional); e (3)</p><p>permitir que o aprendiz se mantenha em níveis elevados de motivação para a prática da</p><p>habilidade (motivacional). Desta forma, segue-se a mesma recomendação que quando</p><p>91</p><p>tratado do feedback, em que a instrução deve direcionar a atenção do aprendiz para aspectos</p><p>críticos</p><p>da tarefa, influenciando a seleção e a aplicação das estratégias para o alcance da</p><p>meta de acordo com o estágio de desenvolvimento de aprendizagem da habilidade.</p><p>Os técnicos dos Esportes de raquete têm a expectativas que, ao receber uma</p><p>descrição verbal e/ou observar a execução de uma habilidade, o aprendiz seja capaz</p><p>de extrair informações importantes que auxiliarão de alguma forma na organização</p><p>e execução de suas ações motoras. Nessa perspectiva, Drews e Chiacowsky (2016)</p><p>apresentam que a ciência em torno da aprendizagem motora salienta a importância da</p><p>instrução ou descrição verbal do que fazer, da demonstração/observação da ação, ou</p><p>mesmo do uso de uma combinação dessas duas formas de comunicação, ao ensinar</p><p>alguém a praticar uma habilidade motora específica.</p><p>Seguindo essa premissa, algumas recomendações podem ser utilizadas, quando</p><p>se trata de instruções de prática. As instruções verbais devem ser curtas e concisas,</p><p>como se fossem dicas, a fim de direcionar a atenção do aprendiz apenas para pontos</p><p>relevantes da habilidade. Dessa forma, tomando a instrução verbal, Marinovic (2016) traz</p><p>como exemplo, no tênis de mesa, as seguintes informações e orientações poderiam ser</p><p>fornecidas:</p><p>a) ( ) Segure o cabo da raquete como se fosse dar um “aperto de mão” em alguém</p><p>(empunhadura ortodoxa).</p><p>b) ( ) Para o forehand, rebata a bola com o lado do polegar (empunhadura ortodoxa).</p><p>c) ( ) Para o backhand, rebata a bola com o lado do indicador (empunhadura ortodoxa).</p><p>d) ( ) Envolva o cabo da raquete com o polegar e o indicador e apoie os outros dedos</p><p>contra as costas da raquete (empunhadura caneta).</p><p>Ressalva-se que as instruções para iniciantes devem conter elementos mais</p><p>gerais da habilidade, com o intuito de deixar os aprendizes “descobrirem” certos aspectos</p><p>do padrão de movimento, ao invés de ficarem “pensando” em como fazê-los. Além</p><p>disso, Drews e Chiacowsky (2016) sugerem que instruções induzindo um foco externo</p><p>de atenção (para os efeitos que os movimentos produzem no ambiente) beneficiam a</p><p>aprendizagem motora em comparação a instruções induzindo foco interno, ou seja, no</p><p>próprio corpo.</p><p>Para instruções visuais, ou seja, as demonstrações, estas devem ser para</p><p>direcionar a atenção para aspectos gerais do movimento e dos segmentos corporais que</p><p>constituem a habilidade. A demonstração pode ser considerada como uma das formas</p><p>de fornecer instruções antes da execução de uma habilidade motora, possibilitando que</p><p>o aprendiz obtenha informações sobre a natureza da tarefa a ser realizada. Seguindo</p><p>a abordagem da Aprendizagem Social, acredita-se que que essa teoria propõe que a</p><p>observação de um modelo permite que o aprendiz elabore referências, símbolos ou</p><p>representações na memória acerca da habilidade motora a ser aprendida (DREWS;</p><p>CHIACOWSKY; 2016).</p><p>92</p><p>Para o treinamento dos Esportes de raquete, a utilização tanto das instruções</p><p>verbais como da demonstração é de grande valia para vários aspectos da formação</p><p>do atleta, ou de eficiência na prática esportiva (DREWS; CHIACOWSKY; 2016). Esses</p><p>aspectos devem ser considerados auxiliar no desenvolvimento de intervenções</p><p>eficientes acompanhados de feedback sobre a podem ser igualmente efetivos para</p><p>a aprendizagem/treinamento. Assim, tanto a demonstração e informação verbal</p><p>fornecida pelo professor, técnico ou atleta, como a observação de um colega de jogo ou</p><p>treinamento, desde que acompanhado de feedback sobre os possíveis erros realizados,</p><p>podem auxiliar no processo.</p><p>3.4 VARIABILIDADE DE PRÁTICA DOS ESPORTES DE</p><p>RAQUETE</p><p>A prática é considerada como o fator mais importante para o processo de</p><p>aprendizagem de habilidades motoras. Assim, quanto maior a quantidade de prática,</p><p>maior o potencial para aprendizagem. Deve-se considerar a forma como a prática é</p><p>organizada e estruturada, pois esta interfere diretamente na qualidade e na quantidade</p><p>de informações que são recebidas, processadas e geradas pelo aprendiz (DREWS;</p><p>CHIACOWSKY; 2016).</p><p>A variabilidade de prática tem sido considerada um importante elemento no</p><p>processo de treinamento de habilidades motoras. Isso porque essa variabilidade permite</p><p>que estruturas cognitivas sejam enriquecidas, fortalecidas, diversificadas ou ajustadas</p><p>a determinadas condições de prática. A prática variada utilizando diferentes habilidades</p><p>pode ser estruturada por blocos (prática de todas as tentativas de uma habilidade motora,</p><p>para depois passar para outra), variada seriada (prática de várias habilidades motoras</p><p>em uma sequência preestabelecida, sem nunca realizar tentativas consecutivas de</p><p>uma habilidade, mas seguindo sempre a mesma ordem) e variada aleatória (variação</p><p>aleatória, também sem a realização de tentativas consecutivas das habilidades motoras</p><p>que estão sendo trabalhadas) (DREWS; CHIACOWSKY; 2016).</p><p>Para melhor compreender a estrutura da prática variada de acordo com a</p><p>classificação, utilizaremos o exemplo proposto por Marinovic (2016), para o Tênis de</p><p>Mesa. Para isso, a autora utiliza as habilidades de rebatida: V1- topspin; V2- backspin;</p><p>V3- sidespin.</p><p>• A prática constante é considerada a prática “sem variabilidade”, uma vez que envolve</p><p>a prática uma única versão da habilidade me todas as execuções realizada durante a</p><p>prática (V1, V1, V1, V1, V1, V1,......)</p><p>• A prática por blocos consiste na execução de blocos, ou conjuntos de tentativas em</p><p>cada uma das variações da habilidade motora, sendo que só se muda de uma versão</p><p>para outra quando todas as execuções de uma determinada versão é completada</p><p>(V1, V1 , V1 , V2 , V2 , V2 , V3 , V3 , V3 , V3).</p><p>93</p><p>• A prática seriada se assemelha com a prática aleatória, todavia, são realizadas em uma</p><p>sequência estabelecida, sem tentativas da mesma habilidade de forma consecutiva e</p><p>seguindo uma ordem determinada (V1, V2, V3, V1, V2, V3, V1, V2, V3....).</p><p>• A prática aleatória envolve as execuções de todas as versões da habilidade, mas</p><p>de modo que o aprendiz não possa prever qual variação será realizada na próxima</p><p>tentativa, ou seja, as versões são organizadas de forma aleatória, como a própria</p><p>denominação sugere (V1, V3, V2, V1, V2, V3, V1, V3, V2, V3....).</p><p>Pode-se pensar a variabilidade de prática como um contínuo de graus de</p><p>variabilidade limitado por dois extremos apresentado na Figura 6. Nesse contínuo, a</p><p>prática constante estaria localizada no extremo “sem variabilidade”. A prática aleatória</p><p>é aquela com maior grau de variabilidade, situando-se no extremo oposto à prática</p><p>constante no contínuo. Por proporcionar ao aprendiz esse elevado grau de variabilidade</p><p>e incerteza, essa forma de organizar a prática é a que mais se aproxima das condições</p><p>encontradas no jogo (MARINOVIC, 2016).</p><p>FIGURA 6 – PROCESSO CONTÍNUO DE VARIAÇÃO DA PRÁTICA</p><p>FONTE: A autora</p><p>Para otimizar a aprendizagem/treinamento de habilidade dos Esportes de</p><p>raquete, deve-se lembrar que estas habilidades são consideradas abertas quanto</p><p>as aspecto ambiental, visto que envolve constante modificação ou adaptações de</p><p>movimentos. Desta forma, sugere-se que inicialmente recorres a prática constante ou</p><p>em blocos pode auxiliar na estruturação do que está sendo aprendido. Como exemplo</p><p>no Padel, pode-se ter o enfoque no trabalho de fundamentos básicos como o forehand</p><p>e o backhande o voleio, através de repetições com colegas, professores ou com a</p><p>parede da quadra parece ser eficiente durante a fase inicial da aprendizagem (DREWS;</p><p>CHIACOWSKY; 2016). Assim que o praticante adquire a ideia de movimento de forma</p><p>mais precisa e correta, apresentando mais fluidez e definição na habilidade, ocorre a</p><p>introdução das formas mais complexas de prática variada (seriada ou aleatória).</p><p>Destaca-se que as variações da prática podem ocorrer tanto com relação</p><p>a diferentes golpes, quanto à característica de um mesmo golpe, como velocidade e</p><p>direção. Considera-se que a prática variada, embora exija maior esforço do aprendiz ao</p><p>elaborar diferentes movimentos ou versões de um mesmo movimento a cada tentativa</p><p>de prática, resulte em melhor consolidação</p><p>na memória das diferentes habilidades, ou</p><p>seja, aprendizagem mais eficiente a longo termo (DREWS; CHIACOWSKY; 2016).</p><p>94</p><p>“Um importante aspecto a se pensar ao escolher um tipo de prática diz respeito</p><p>a qual eles possibilitariam que o aprendiz executasse a habilidade sem exceder</p><p>sua capacidade para o movimento. Em outras palavras, o que aconteceria</p><p>com um aprendiz iniciante que praticasse as habilidades motoras do tênis de</p><p>mesa variando-as aleatoriamente? Provavelmente, ele não teria êxito,</p><p>porque não conseguiria associar as diferentes demandas (velocidade</p><p>e direção de deslocamento da bola, por exemplo) ao tipo de rebatida</p><p>mais adequado.</p><p>A decisão sobre o tipo de prática é dependente do estágio de aprendizagem</p><p>em que o aprendiz se encontra. Assim, a prática sem variabilidade ou com</p><p>grau intermediário parece ser mais lógica para aprendizes iniciantes que</p><p>necessitam compreender os tipos de movimentos e as condições em que</p><p>eles devem ser realizados no jogo. Após algum tempo de prática, não</p><p>haveria grandes dificuldades para executar rebatidas certeiras mesmo em</p><p>variações aleatórias.” (MARINOVIC, 2016, p. 315)</p><p>ATENÇÃO</p><p>4 RETENÇÃO DE HABILIDADE</p><p>Até então, foi tratado neste tópico o processo de aquisição das habilidades</p><p>motoras para os Esportes de raquete. Depois que se adquire uma habilidade, busca-se</p><p>reter o que foi adquirido. Diante disso, entende-se que a retenção se refere a potências</p><p>de demostrar um conhecimento ou comportamento adquirido após um tempo da</p><p>aquisição, ou seja, quando a aprendizagem para a memória a longo prazo.</p><p>Toda habilidade depois da aquisição será retida? A resposta para essa pergunta é</p><p>“não”. Como pode-se observar durante o cotidiano, algumas habilidades motoras nunca</p><p>são esquecidas, enquanto outras após um período sem prática gera o esquecimento</p><p>da habilidade. Esse período entre a aquisição por meio da prática e a retenção ou</p><p>esquecimento da habilidade é chamado de “intervalo de retenção” (SCHIMT; LEE, 2016).</p><p>O fator que leva a retenção de longo prazo depende de natureza da tarefa.</p><p>Schmidt e Lee (2016), ao analisar estudos sobre o tema, concluíram que tarefas com</p><p>componentes cognitivos relativamente grande, tendem a ser esquecidas relativamente</p><p>rápido, enquanto tarefas contínuas, são mantidas por muito mais tempos sem nenhuma</p><p>prática. Frente a isso, vale analisar que as habilidades dos Esportes de raquete, em sua</p><p>grande maioria são consideradas complexas e classificadas como habilidades discretas.</p><p>Sendo assim, essas modalidades tendem a não ser retidas tão facilmente. Todavia, a</p><p>quantidade de prática original terá muito a dizer sobre a quantidade relativa de retenção</p><p>para essas habilidades.</p><p>95</p><p>4.1 DECREMENTO DO AQUECIMENTO</p><p>Quando um atleta de Beach Tennis vai iniciar seu treinamento, suas primeiras</p><p>tentativas de rebatida acabam saindo desajustadas, mesmo que esse atleta já esteja</p><p>em um nível avançado de performance motora. Esse declínio de desempenho inicial da</p><p>atividade um tipo diferente de déficit de retenção. Essa perturbação da performance</p><p>é eliminada rapidamente após alguns ensaios de prática serem experimentados.</p><p>Ainda assim, esses decréscimos da performance aparecem em diferentes tarefas e</p><p>circunstancias, quando utiliza-se o termo “decremento do aquecimento” (SCHIMDT;</p><p>LEE, 2016).</p><p>O decremento de aquecimento é considerado um fator psicológico, provocado</p><p>pela passagem do tempo sem realizar uma tarefa, sendo eliminado quando o executante</p><p>novamente realizar algumas tentativas. Considera-se que o decremento do aquecimento</p><p>é resultado de uma perda de uma espécie de sintonização ou processo de ajuste não</p><p>relacionado com a memória para a tarefa em si. Essa sincronização tanto facilita a</p><p>performance antes do intervalo de retenção, como, depois de ter sido perdido durante</p><p>o intervalo de retenção, impede um retorno ao potencial máximo de performance por</p><p>um curto período. Esses decrementos têm um papel importante em tarefas para as</p><p>quais o executante deve responder tão bem quanto possível na primeira tentativa após</p><p>uma parada, seja entre um treino e uma competição, entre um set e outro do jogo</p><p>(SCHIMDT; LEE, 2016).</p><p>Considerando o decremento de aquecimento, o treinador deve</p><p>desenvolver estratégias para que a performance do seu aluno/atleta</p><p>não seja comprometida. Esse fator reforça também a necessidade</p><p>de periodização de treino, e do aquecimento, tanto em treino como</p><p>em competição, pensando não só nos aspectos fisiológicos, mas</p><p>também na estruturação motora das habilidades envolvidas.</p><p>ATENÇÃO</p><p>4.2 TRANSFERÊNCIA DE HABILIDADE</p><p>A transferência refere-se à ideia de que a aprendizagem adquira durante a prática</p><p>de uma determinada tarefa pode ser aplicada a ou transferida para outras situação de</p><p>jogo. Nesse caso, espera-se que o indivíduo seja capaz de generalizar a aprendizagem</p><p>específica para novas variação que enfrentará com o esporte (SCHIMDT; LEE, 2016).</p><p>Frente aos esportes de raquete, podemos levantar discussões quanto à transferência</p><p>entre as diferentes modalidades assim como dentro da mesma modalidade na variação</p><p>de golpes e suas especificidades.</p><p>96</p><p>O primeiro ponto levantado em discussão é que a transferência é definida como</p><p>o ganho ou perda da capacidade de executar uma tarefa como resultado da prática ou</p><p>experiência em outra tarefa. Ou seja, a transferência será positiva caso ajuda ou facilita</p><p>o desempenho de uma nova habilidade, e negativo quando a experiência com uma</p><p>habilidade impede ou interfere no desempenho da habilidade em um novo contexto ou</p><p>na aprendizagem de uma nova habilidade.</p><p>Como exemplo de transferência positiva, esta ocorre quando um aprendiz de</p><p>Padel tem facilidade para realizar o movimento de rebatida e conduzir o tempo de bola</p><p>devido a sua experiência com o Tênis de Campo. Por outro lado, esse mesmo jogador</p><p>pode ter dificuldade em lance que utilizam da parede no jogo, visto que os lances com</p><p>utilização da parede requerem ângulos menores e há diminuição da velocidade da</p><p>bola, e justamente devido à experiência anterior, que apresentava outras demandas de</p><p>execução da habilidade e uma relação mais direta de jogo, o atleta pode perder esse</p><p>tempo de bola, gerando uma transferência negativa.</p><p>Quando uma habilidade não gera interferência alguma sobre a aprendizagem</p><p>e aprimoramento de outras habilidade, denomina-se transferência neutra.</p><p>NOTA</p><p>Há dois pontos importantes que devem ser levados em consideração quando</p><p>se aborda o tema transferência de habilidades: (1) transferência e semelhança; (2)</p><p>transferência à medida que a aprendizagem evolui. Quanto à transferência e semelhança,</p><p>ideias antigas já intitulavam que a aprendizagem de uma nova tarefa aumenta à medida</p><p>que esse aprendiz já domine uma tarefa semelhante, uma vez que essas habilidades</p><p>tendem a usar dos mesmos elementos. Por mais que esse princípio siga uma lógica,</p><p>considerando o processo cognitivo de equivalência motora, essa transferência não é</p><p>tão simples. Schmidt e Lee (2016) então sugerem que para que a transferência para a</p><p>semelhança seja real, deve-se considerar a padronização fundamental do movimento,</p><p>os elementos perceptivos e as semelhanças estratégicas e conceituais.</p><p>No que diz respeito ao processo de transferência, à medida que a aprendizagem</p><p>evolui, Schmidt e Lee (2016) apontam que a transferência por semelhança se aplica</p><p>melhor no processo de aquisição de uma habilidade ou estágios iniciais de aprendizagem</p><p>e aprimoramento motor. Isso porque a transferência é pequena ou nula em casos</p><p>muito avançados de performance. Em determinadas situações, o nível automatizado</p><p>de determinados movimentos pode até gerar uma transferência negativa a novas</p><p>habilidades. Por exemplo, um jogador em nível avançado de tênis de campo poderá ter</p><p>muita dificuldade ao jogar badminton, isso porque esse jogador já desenvolveu padrões</p><p>97</p><p>motores automatizados para a empunhadura, golpes, posicionamento e controle de</p><p>bola. Ao se deparar com o badminton esses padrões já devem ser modificados, devido</p><p>à estrutura</p><p>do equipamento e jogo, dificultado o jogador da outra modalidade e fazer</p><p>esses ajustes por causa da sua elevada automação motora.</p><p>A transferência motora deve ser considerada também quando se</p><p>estrutura exercidos “educativos” ou fragmentados da habilidade como forma de</p><p>treinamento. No caso de habilidade de curta duração, quando habilidades muito</p><p>rápidas são divididas em partes arbitrárias, essas partes tornam-se alteradas a partir</p><p>das “mesmas” partes na tarefa integral de modo que a prática parcial contribui muito</p><p>pouco para o todo (SCHIMDT; LEE, 2016). Em tarefas como o forehand, por exemplo,</p><p>praticar separadamente cada ação motora do movimento muda a dinâmica da ação final</p><p>para o contato na bola, devido aos ajustes musculares, cujas propriedades semelhantes</p><p>moldam novas possibilidade de ativação com mais ou menos intensidade. Portanto,</p><p>praticar os movimentos pode eliminar a propriedade da habilidade integral.</p><p>Mesmo com ações muito rápidas, algumas práticas parcializadas podem ser</p><p>úteis, particularmente se os elementos da ação forem muitos em número e fornecerem</p><p>dificuldade inicial para o aprendiz sequenciá-lós de modo adequado. Para isso, a prática</p><p>parcial progressiva pode minimizar problemas de aprender ações que não transferem</p><p>para o todo. Nesse método, as partes de uma habilidade complexa são apresentadas</p><p>separadamente, mas as partes são integradas em partes cada vez maiores e por fim no</p><p>todo, assim que são adquiridas (SCHIMDT; LEE, 2016).</p><p>98</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• Para uma melhor performance nos esportes de raquete, é necessária a compreensão</p><p>das estruturas motoras e estratégias de estímulos das habilidades envidadas nas</p><p>modalidades.</p><p>• O sucesso na performance avançada dos esportes de raquete depende dos domínios</p><p>das habilidades motoras fundamentais. Dentre essas a habilidades, a rebatida é um</p><p>elemento de destaque para os esportes com o uso de raquete.</p><p>• O desenvolvimento da rebatida segue uma sequência estrutural, que envolve</p><p>componentes do organismo dos indivíduos, e principalmente a estruturação da</p><p>prática.</p><p>• Para se estruturar a prática das habilidades motoras envolvidas nos esportes de</p><p>raquete, deve se respeitar os estágios de aprendizagem da habilidade. Essa divisão</p><p>em estágio permite ao profissional de educação física desenvolver estratégias de</p><p>feedback e respeitar a progressão estrutural do movimento.</p><p>• O entendimento técnico de uma modalidade esportiva depende dos fatores que</p><p>afetam a aquisição de habilidades motoras. Diante disso, para facilitar o entendimento</p><p>das habilidades envolvidas nos esportes de raquete é necessário pontuar que a</p><p>maioria das habilidades são classificadas como grossa, abertas e discretas.</p><p>• A aquisição de habilidades motoras em seus mais variados níveis de desempenho</p><p>depende, portanto, de uma série de fatores que poderão impulsionar ou limitar o</p><p>desenvolvimento das formas complexas de movimento, ampliando ou restringindo a</p><p>aplicabilidade do repertório de combinações.</p><p>• Com o entendimento das estruturas das habilidades, a intervenção profissional deve</p><p>ser otimizada com a utilização de fatores que afetam a aprendizagem motora. Dentre</p><p>esses fatores, pode-se destacar os estabelecimentos de metas, o fornecimento de</p><p>feedback e as estratégias de instrução e organização da prática e variabilidade da</p><p>prática.</p><p>• Vários pontos devem ser considerados para o fornecimento de feedback extrínseco.</p><p>Todavia, ele deve ser um meio para que o jogador tenha autoconsciência do seu</p><p>movimento e leva e percepção natural de ajustes necessários para a tarefa.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>99</p><p>• Para o treinamento dos Esportes de raquete, a utilização tanto das instruções verbais</p><p>como da demonstração, são de grande valia para vários aspectos da formação do</p><p>atleta, ou de eficiência na prática esportiva.</p><p>• A prática é considerada como o fator mais importante para o processo de</p><p>aprendizagem de habilidades motoras. Assim, quanto maior a quantidade de prática,</p><p>maior o potencial para aprendizagem, para tanto, deve-se estruturar a variabilidade</p><p>prática.</p><p>• Por mais que o indivíduo já tenha retido a habilidade, esse declínio de desempenho</p><p>inicial da atividade um tipo diferente de déficit de retenção denominado termo</p><p>“decremento do aquecimento”. Sendo assim, o treinador deve desenvolver estratégias</p><p>para que a performance do seu aluno/atleta não seja comprometida, no treino ou</p><p>competição.</p><p>• A transferência refere-se à ideia de que a aprendizagem adquira durante a prática</p><p>de uma determinada tarefa pode ser aplicada a ou transferida para outras situação</p><p>de jogo. Frente aos esportes de raquete, podemos levantar discussões quanto</p><p>à transferência entre as diferentes modalidades assim como dentro da mesma</p><p>modalidade na variação de golpes e suas especificidades.w</p><p>100</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Nos esportes de raquete, ser competente na habilidade de rebater é uma das</p><p>principais exigências desses esportes. Nessa perspectiva, sabe-se que a rebatida</p><p>é uma habilidade balística de propulsão, que tem formas variadas em diversos</p><p>esportes, podendo rebater com o braço na lateral, com o braço abaixado e com</p><p>o braço levantado, com uma da mão ou com ambas as mãos. O tipo de rebatida</p><p>escolhida é, em parte, afetado pelas demandas da tarefa, como a posição do objeto</p><p>no ar e outras restrições do ambiente e da tarefa. Sobre a habilidade de rebatida,</p><p>analise as sentenças a seguir:</p><p>FONTE: GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês,</p><p>crianças, adolescentes e adultos. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.</p><p>I- Os rebatedores proficientes são capazes de ajustar a posição do corpo, do braço e</p><p>do implemento (raquete) a fim de tocar o objeto que chega, conectar-se com ele e</p><p>aplicar uma quantidade específica de força ao objeto para colocá-lo precisamente</p><p>em determinado ponto do campo ou quadra.</p><p>II- Com frequência os rebatedores iniciantes ficam de frente para o objeto que vão</p><p>rebater, apresentam um padrão de braço elevado, como na cortada, e balançam</p><p>o implemento de cima par abaixo, com flexão e extensão dos braços e sem dar</p><p>nenhum passo.</p><p>III- Uma criança no início da fase motora fundamental, já tem o desenvolvimento</p><p>das capacidades motoras necessárias para realizar a rebatida no estágio motor</p><p>proficiente.</p><p>IV- Na rebatida lateral a ação de produção de força conta com a combinação do</p><p>balanceio para trás, passo, rotação pélvica, rotação do tronco, balanceio do braço,</p><p>toque na bola e Follow-through (terminação) para maximizar as forças.</p><p>V- A rebatida no plano horizontal, no estágio proficiente não inclui movimentos de</p><p>balanceio da raquete.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.</p><p>b) ( ) As sentençasI, III e IV estão corretas.</p><p>c) ( ) As sentenças I, II e IV estão corretas.</p><p>d) ( ) As sentenlças II, III e IV estão corretas.</p><p>101</p><p>2 Em 1972,  Gallahue e colaboradores propuseram um modelo de aprendizagem de</p><p>habilidade de movimento, com base em elementos de outros modelos já conhecidos</p><p>na época. A visão de Gallahuem sobre o aprendizado de uma nova habilidade de</p><p>propõem ações apropriadas por parte do instrutor, que devem ser um facilitador</p><p>do aprendizado da nova habilidade de movimento nos níveis: iniciante/novato;</p><p>intermediário/ prático; e avançado/refinado. Sobre esse modelo teórico no ensino</p><p>dos esportes de raquete, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) No primeiro contato que o aprendiz tem com o esporte ele estará no estágio de</p><p>combinação de habilidades, dando menos atenção consciente a seus elementos.</p><p>b) ( ) Uma criança depois de anos jogando badminton passa para o estágio de</p><p>consciência, buscando saber como o corpo deve se movimentar.</p><p>c) ( ) O aprendiz de tênis que sabe o que fazer, mas não é capaz de fazê-lo de forma</p><p>consistente encontra-se no estágio de performance.</p><p>d) ( ) O atleta de alto nível de tênis de mesa já se encontra no estágio individualizado,</p><p>onde busca a performance fina refinada, baseada</p><p>77</p><p>2.1.1 Rebatida Lateral ..........................................................................................................................78</p><p>2.1.2 Rebatida por cima do ombro ................................................................................................. 80</p><p>2.2 ESTÁGIOS DE APRENDIZAGEM DA HABILIDADE ........................................................................82</p><p>3 FATORES QUE INFLUENCIAM A AQUISIÇÃO DE HABILIDADES MOTORAS DOS</p><p>ESPORTES DE RAQUETE ................................................................................................. 84</p><p>3.1 ESTABELECIMENTO DE METAS ........................................................................................................86</p><p>3.2 FORNECIMENTO DE FEEDBACK ......................................................................................................87</p><p>3.3 INSTRUÇÃO VERBAL E DEMONSTRAÇÃO PARA OS ESPORTES DE RAQUETE ...................90</p><p>3.4 VARIABILIDADE DE PRÁTICA DOS ESPORTES DE RAQUETE ..................................................92</p><p>4 RETENÇÃO DE HABILIDADE .......................................................................................... 94</p><p>4.1 DECREMENTO DO AQUECIMENTO ..................................................................................................95</p><p>4.2 TRANSFERÊNCIA DE HABILIDADE .................................................................................................95</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................................ 98</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................100</p><p>TÓPICO 2 — A INICIAÇÃO ESPORTIVA NOS ESPORTES DE RAQUETE ............................103</p><p>1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................103</p><p>2 INICIAÇÃO ESPORTIVA...................................................................................................103</p><p>2.1 INICIAÇÃO ESPORTIVA UNIVERSAL ..............................................................................................105</p><p>2.2 JOGOS DE TOMADA DE DECISÃO .................................................................................................108</p><p>2.3 JOGOS REDUZIDOS ..........................................................................................................................110</p><p>3 TREINAMENTO ESPORTIVO NA INFÂNCIA .....................................................................111</p><p>3.1 CARACTERITICAS FÍSIOLOGIAS DA CRIANÇA .............................................................................112</p><p>3.2 SELEÇÃO DE TALENTOS ESPORTIVOS .........................................................................................114</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................... 116</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 118</p><p>TÓPICO 3 — ASPECTOS TÉCNICOS DOS ESPORTES DE RAQUETE ................................ 121</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 121</p><p>2 ESTRUTURA TÉCNICA DOS ESPORTES DE RAQUETE .................................................122</p><p>3 EMPUNHADURA ..............................................................................................................123</p><p>3.1 TÊNIS .................................................................................................................................................... 123</p><p>3.2 TÊNIS DE MESA ................................................................................................................................. 126</p><p>3.3 BADMINTON ....................................................................................................................................... 127</p><p>4 SAQUE .............................................................................................................................129</p><p>4.1 TÊNIS .................................................................................................................................................... 129</p><p>4.2 TÊNIS DE MESA ................................................................................................................................. 132</p><p>4.3 BADMINTON ....................................................................................................................................... 133</p><p>5 REBATIDAS .....................................................................................................................133</p><p>5.1 FOREHAND ............................................................................................................................................134</p><p>5.2 BACKHAND......................................................................................................................................... 135</p><p>5.3 SMASH ................................................................................................................................................ 136</p><p>5.4 SLICE ................................................................................................................................................... 137</p><p>5.5 EFEITOS ..............................................................................................................................................138</p><p>5.6 GOLPES BADMINTON .....................................................................................................................138</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................. 140</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................................146</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 147</p><p>REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 151</p><p>UNIDADE 3 — PROCESSOS DE TREINAMENTO ................................................................155</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 157</p><p>2 CONCEITO E PRINCÍPIOS GERAIS DO TREINAMENTO ESPORTIVO ............................ 157</p><p>TÓPICO 1 — PROCESSOS DE TREINAMENTO ................................................................... 157</p><p>2.1 PROCESSO DE TREINAMENTO ....................................................................................................... 159</p><p>2.2 CARACTERIZAÇÃO DO JOGO OU MODELO DE JOGO .............................................................. 162</p><p>2.3 SISTEMA DE TREINO: COMPONENTES DAS CARGAS DE TREINO VERSUS</p><p>CARGAS DE JOGO ............................................................................................................................ 163</p><p>3 ESPORTES DE RAQUETE E BIOMECÂNICA ................................................................... 167</p><p>3.1 ALAVANCAS MECÂNICAS E ANATÔMICAS NOS ESPORTES DE RAQUETE ......................... 169</p><p>3.2 CINEMÁTICA DOS ESPORTES DE RAQUETE .............................................................................. 170</p><p>4 DOMÍNIO DE TÉCNICAS AVANÇADAS DOS ESPORTES DE RAQUETE ......................... 174</p><p>4.1 UTILIZAÇÃO DAS TÉCNICAS AVANÇADAS EM COMPETIÇÕES ...............................................177</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................... 179</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 181</p><p>TÓPICO 2 — PREPARAÇÃO FÍSICA ....................................................................................185</p><p>1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................185</p><p>nos atributos e limitações</p><p>pessoais.</p><p>3 Com a aprendizagem motora, o treinador de Padel verifica em seu aluno que o</p><p>movimento se torna menos sujeito ao controle cognitivo e há a transferência de</p><p>controle dos movimentos dos centros mais elevados do sistema nervoso central para</p><p>os centros mais baixos, liberando o sistema de processamento central.  Esse estado</p><p>alcançado é uma característica de qual fase?</p><p>a) ( ) Inicial</p><p>b) ( ) Cognitiva.</p><p>c) ( ) Associativa.</p><p>d) ( ) Avançado.</p><p>4 O uso do  feedback  (ou retroalimentação) tem  funções importantes relacionadas</p><p>à aprendizagem dos Esportes de raquete. Ele assume, no contexto relacional,</p><p>a condição de uma ferramenta indispensável ao processo. Segundo Schmidt</p><p>(2001), feedback é a informação recebida pelo executante, após a realização de um</p><p>movimento ou habilidade motora. Tem a função de  informar, reforçar e motivar. É</p><p>transmitido comumente através de símbolos, gestos, imagens e voz. O feedback ajuda</p><p>ou colabora no desenvolvimento das habilidades técnicas e motoras, podendo</p><p>ser fornecido através de fontes externas (feedback  extrínseco) ou fontes internas</p><p>(feedback  intrínseco). Diante do apontamento, descreva um caso em que o uso</p><p>feedback extrínseco proporciona o desenvolvimento do feedback intrínseco.</p><p>102</p><p>5</p><p>FONTE: FONTE: Gallahue, Ozmun e Goodway (2013, p. 22)</p><p>A imagem apresentada reflete a visão transacional da relação causal no desenvolvimento</p><p>motor, no entanto, essa mesma relação é utilizada para compreensão de aspectos de</p><p>aprendizagem e aprimoramentos de fatores motores e técnicos nos esportes de raquete.</p><p>Sendo assim, nos esportes de raquete ao preparar seu plano de treino, o profissional</p><p>de educação física considera: QUEM, O QUE e ONDE vai ensinar, para potencializar os</p><p>elementos técnicos do esporte. Diante disso, no processo de aprendizagem do saque</p><p>do badminton, para uma criança de 10 anos, quais fatores individuais, da tarefa e do</p><p>ambiente devem ser considerados para o planejamento e aprimoramento técnico deste</p><p>elemento? Justifique.</p><p>TAREFA</p><p>Fatores Físicos</p><p>e Mecânicos</p><p>INDIVIDUAL</p><p>Hereditariedade,</p><p>Biologia,</p><p>Natureza e</p><p>Fatores Intrínsecos</p><p>AMBIENTE</p><p>Experiência,</p><p>Aprendizado,</p><p>Encorajamento e</p><p>Fatores Extrínsecos</p><p>103</p><p>A INICIAÇÃO ESPORTIVA NOS</p><p>ESPORTES DE RAQUETE</p><p>UNIDADE 2 TÓPICO 2 —</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Como mencionada na Unidade anterior, os Esportes de raquete são modalidades</p><p>que tem ganhado muitos adeptos a prática e ao esporte competitivo. Esse esporte requer</p><p>exigências motoras específicas, levando a necessidade de definição de mecanismos</p><p>para o seu treinamento/aprendizagem em relação ao esporte. Sendo assim, os primeiros</p><p>contatos com o esporte podem definir a continuação no esporte. Isso leva a necessidade</p><p>de estruturar de forma consistente o processo de iniciação esportiva.</p><p>Muitos fatores devem ser considerados na escolha do método mais adequado de</p><p>treino de modalidades esportivas com o uso de raquetes. No entanto, a escolha apropriada</p><p>das estratégias pedagógicas esportivas deve considerar aspectos do indivíduo, do</p><p>ambiente e das tarefas e as contínuas alterações que ocorrem no comportamento dos</p><p>praticantes. Sendo assim, na iniciação esportiva, deve propiciar adaptações a faixa</p><p>etária e nível de desenvolvimento além utilizar de propostas alternativas que explorem</p><p>as diferentes demandas do esporte.</p><p>Diante disso, para contemplar a temática relacionada à iniciação esportiva,</p><p>neste tópico será trabalhado elementos da iniciação esportiva universal, da importância</p><p>e estratégias dos jogos de tomada de decisão e jogos reduzidos voltados aos esportes de</p><p>raquete. Em seguida será abordada discussões acerca da iniciação precioso dentro das</p><p>modalidades. Por fim, são apontados elementos do treinamento esportivo na infância.</p><p>2 INICIAÇÃO ESPORTIVA</p><p>A iniciação esportiva pode ser definida como o contato inicial e adaptação de</p><p>aluno/praticante à uma modalidade esportiva (RAMOS; NEVES, 2008). Por mais que a</p><p>iniciação esportiva esteja, muitas vezes, atrelada a infância, esse processo pode ser</p><p>aplicado para jovens, adultos e até mesmo idosos. Para isso, Ramos e Neves (2008)</p><p>sugerem que a adaptação e indicação ao esporte deve tem a orientação profissional</p><p>adequada que respeitem os fatores limitantes e potencializadores de cada indivíduo.</p><p>104</p><p>Para compreender essa estrutura metodológica, Greco, Silva e Aburachid</p><p>(2011) apresentam os métodos de aprendizagem/treinamento pode ser classificados</p><p>em: (1) Passivos ou tradicionais (método analítico e método global); e (2) Ativos ou</p><p>contemporâneos – métodos incidentais e métodos formais (intencionais). Todavia, Paula</p><p>e Balbinotti (2009) afirmam que a iniciação esportiva no tênis, que se assemelha muito</p><p>com dos demais Esportes de raquete, frequentemente é entendida e orientada pelo</p><p>ensino convencional dos fundamentos técnicos do esporte. No entanto, ao considerar</p><p>a necessidade do indivíduo, principalmente na infância quando se tem a maior</p><p>incidência de iniciação ao esporte, é preciso analisar suas capacidades reais da etapa</p><p>de desenvolvimento e romper com a metodologia de treino unicamente mecanicista,</p><p>caracterizada por exercícios repetitivos.</p><p>O uso comum de metodologias tradicionais, como a analítica, abre mão de</p><p>aspectos lúdicos dos esportes, em busca do desenvolvimento de uma técnica considerada</p><p>perfeita. Essas metodologias são baseadas em exercícios descontextualizados e</p><p>fundamentados em um elevado número de repetições, tendo como referência padrões</p><p>de técnicas apresentados por atletas de alto nível (CORTELA et al., 2012). Contudo, no</p><p>tópico anterior foi enfatizada a necessidade de respeitar os estágios de desenvolvimento</p><p>e de aprendizagem das habilidades que compões os Esportes de raquete. Sendo assim,</p><p>a utilização das metodologias analíticas voltadas à performance técnica promove</p><p>a exclusão de indivíduos menos habilidosos e ocasiona a perda de motivação para a</p><p>continuidade na modalidade esportiva, devido ao insucesso nos domínios dos gestos</p><p>técnicos (PAULA; BALBINOTTI, 2009).</p><p>Segundo Cortela et al. (2011), a utilização dessas metodologias tradicionais</p><p>também contribui para a baixa taxa de inserção do tênis e das demais modalidades com</p><p>uso de raquetes entre brasileiros. Isso porque esse modelo não permite a participação</p><p>simultânea de diversos participantes em uma mesma sessão de prática, o que acaba</p><p>elevando os custos das aulas das modalidades dos Esportes de raquete.</p><p>Para suprir esse modelo comumente empregado, autores têm buscado</p><p>contextualizar o jogo enquanto elemento lúdico e capaz de auxiliar a formação dos</p><p>praticantes das modalidades esportivas (CORTELA et al., 2011; BALBNOTTI, 2006). Desta</p><p>forma, os modelos centrados em jogos enfatizam a participação de todos, reduzindo</p><p>os fatores de exclusão e favorecendo a participação de todos, além e desenvolver os</p><p>componentes técnicos e táticos esportivos. Dentre essas possibilidades, destaca-se a</p><p>Iniciação Esportiva Universal, os jogos de tomada de decisão e os jogos reduzidos.</p><p>105</p><p>O termo especialização precoce não é sinônimo de iniciação e de encaminhamento</p><p>no esporte. Esse termo trata-se de um modelo de preparação dirigida para o</p><p>aperfeiçoamento das capacidades competitivas em ciclos de médio e longo prazo.</p><p>”Esse processo, se não apresentar uma característica</p><p>de desenvolvimento de trabalhos multilaterais, em que</p><p>o aprendizado técnico possa ocorrer acompanhando</p><p>o crescimento motor, ao invés de dar ênfase no</p><p>aperfeiçoamento das capacidades motoras (físicas), pode</p><p>apresentar problemas futuros e não constitui a melhor</p><p>forma de se aumentar as cargas de treinamento durante a</p><p>vida desportiva” (GOMES, 2009, p. 233).</p><p>INTERESSANTE</p><p>2.1 INICIAÇÃO ESPORTIVA UNIVERSAL</p><p>A Iniciação Esportiva Universal é uma proposta idealizada para auxiliar o</p><p>treinamento/aprendizagem dos esportes, diminuindo a complexidade de jogo e</p><p>favorecendo o desenvolvimento dele. Essa abordagem destaca a importância da ação</p><p>de jogar, dos jogos e das brincadeiras de rua, do jogar</p><p>para aprender e do aprender</p><p>jogando; o que favorece o desenvolvimento de habilidades esportivas diversas e</p><p>aprendizagem de fundamentos importantes (SODRÉ, 2020).</p><p>Para a Iniciação Esportiva Universal o processo de aprendizagem/treinamento</p><p>apresenta uma sequência organizacional. Sendo assim, Greco, Silva e Aburachid (2011)</p><p>apontam que, inicialmente, é oferecida variadas e múltiplas aquisições de experiências</p><p>por meio dos jogos, a fim de superar desafios táticos, de forma concomitante a atividades</p><p>coordenativas e habilidades técnicas. Posteriormente, direciona-se o treinamento</p><p>para os aspectos éticos e técnicos do jogo. Os autores reforçam a importância de o</p><p>conhecimento tático ser oferecido antes das habilidades técnicas, devido ao fato de que</p><p>as técnicas específicas devem ser introduzidas quando o praticante aprendiz entender</p><p>“o que fazer”, ao mesmo tempo em que ele compreenda “quando” e “por quê” se utiliza</p><p>de uma ou de outra técnica. Sendo assim, ao analisar qual a melhor resposta para os</p><p>problemas táticos, o indivíduo estará não só desenvolvendo a estratégia de jogo, mas</p><p>também sua construção cognitiva.</p><p>Deve-se tem claro que os Esportes de raquete consistem em jogos dinâmicos</p><p>e requerem do praticante conhecimento tático e proficiência técnica. Pensando no</p><p>processo de iniciação esportiva na infância, a metodologia de aprendizagem/treinamento</p><p>desses esportes deve atender esses dois elementos. Sendo assim, a metodologia da</p><p>Iniciação Esportiva Universal, aplicada aos Esportes de raquete tem como objetivo</p><p>oportunizar o desenvolvimento da capacidade de jogo do indivíduo e promover sua</p><p>formação integral (GRECO; SILVA; ABURACHID, 2011). Sendo assim, recomenda-se o</p><p>processo sistemático metodológico de treinamento:</p><p>106</p><p>Da aprendizagem tática ao treinamento tático:</p><p>• capacidades táticas (dos 6 aos 10 anos);</p><p>• jogos para desenvolver a inteligência tática (dos 8 anos em diante);</p><p>• estruturas funcionais (dos 8 anos em diante).</p><p>Da aprendizagem motora ao treinamento técnico:</p><p>• capacidades coordenativas (dos 4 anos em diante);</p><p>• habilidades técnicas (dos 6 aos 10 anos).</p><p>Durante o processo de aprendizagem tática, paralelamente ocorre a busca por</p><p>soluções para os problemas de jogo. Desta forma, o aprendiz terá a necessidade de</p><p>executar ações motoras e consequentemente realizar habilidades técnicas específicas,</p><p>que se apoiem nas capacidades coordenativas. Entende-se que o planejamento do</p><p>processo de aprendizagem motora se fundamenta no desenvolvimento das capacidades</p><p>coordenativas. Isso justifica a utilização de jogos e atividade com e sem bola (ou birdie)</p><p>que proporcionem de forma sistematizada a uma ampla vivência de movimentos com</p><p>diversos tipos de materiais (raquetes de diferentes formatos, bastões, bola variadas</p><p>etc.) (GRECO, SILVA; ABURACHID, 2011). Diante disso, no Quadro 4, é possível conferir</p><p>problemas táticos a serem solucionados no jogo de tênis, e no Quadro 5 alguns jogos</p><p>que podem ser vir a estimular essa noção tática.</p><p>QUADRO 4 – PROBLEMAS TÁTICOS E EXEMPLOS PRÀTICOS NO TÊNIS</p><p>FONTE: Greco, Silva e Aburachid (2011, p. 84)</p><p>Problemas táticos do Jogo Exemplos práticos</p><p>M</p><p>a</p><p>rc</p><p>a</p><p>r</p><p>p</p><p>o</p><p>n</p><p>to</p><p>s</p><p>(A</p><p>TA</p><p>Q</p><p>U</p><p>E</p><p>)</p><p>• Iniciar o ataque para criar</p><p>espaços no lado oponente.</p><p>• Vencer o ponto.</p><p>• Atacar em dupla</p><p>• Golpear a bola acertando os espaços na quadra</p><p>distantes do adversário.</p><p>• Manter o adversário atrás da linha de fundo</p><p>aprofundando os golpes.</p><p>• Dominar a quadra e ganhar espaços para subir</p><p>à rede mantendo oadversário no fundo.</p><p>• Manter o adversário distante do centro da</p><p>quadra com golpes angulados para dificultar e</p><p>encurtar a devolução.</p><p>P</p><p>re</p><p>ve</p><p>n</p><p>ir</p><p>p</p><p>o</p><p>n</p><p>to</p><p>s</p><p>(D</p><p>E</p><p>F</p><p>E</p><p>S</p><p>A</p><p>)</p><p>• Defender os espaços no seu lado</p><p>da rede.</p><p>• Defendê-los contra um ataque.</p><p>Defendê-los em dupla.</p><p>• Golpear a bola no centro da quadra sobre o corpo</p><p>do adversário para evitar que ele tenha ângulos</p><p>para rebater a bola.</p><p>• Manter o adversário distante do centro da</p><p>quadra com golpes angulados para facilitar o</p><p>retorno ao centro da quadra.</p><p>• Realizar cobertura com o colega quando se</p><p>recebe um lob ofensivo.</p><p>107</p><p>QUADRO 5 – EXEMPLOS DE ATIVIDADES PARA DESENVOLVER A CAPACIDADE TÁTICA</p><p>FONTE: Adaptado de Greco, Silva e Aburachid (2011)</p><p>Características do Jogo Descrição do Jogo Variações</p><p>Nome: Guerra de equipes</p><p>Faixa etária: 6 a 8 anos</p><p>Parâmetro tático: acertar</p><p>o alvo.</p><p>Descrição: Divide-se a quadra em três</p><p>campos e coloca-se a rede de forma</p><p>longitudinal na largura da quadra. Dessa</p><p>forma, tem-se seis equipes jogando</p><p>simultaneamente. Cada setor tem duas</p><p>equipes, uma de cada lado da rede, com</p><p>o mesmo número de jogadores. Nos três</p><p>campos, existem vários alvos distribuídos</p><p>aleatoriamente. Ao rebater a bola, os</p><p>alunos devem acertá-la com a raquete</p><p>nos alvos do campo adversário, somando</p><p>pontos, e continuar a tarefa com as bolas</p><p>que veem da equipe adversaria. Vence</p><p>a equipe que acertar o maior número de</p><p>alvos durante um minuto.</p><p>Rebater com bastão</p><p>de espuma. Rebater</p><p>uma vez para o chão</p><p>antes de acertar os</p><p>alvos.</p><p>Nome: Tênis-vôlei</p><p>Faixa etária: 10 a 12 anos</p><p>Parâmetro tático: Ataque,</p><p>defesa e contra-ataque,</p><p>variações das situações de</p><p>complexidade, diversidade</p><p>e complexidade da</p><p>atenção/ percepção.</p><p>Duas equipes de dois a quatro jogadores</p><p>em posse de raquetes jogam em um</p><p>campo dividido por uma rede ou corda</p><p>que deve ficar a uma altura aproximada</p><p>de 180 cm, considerando crianças de</p><p>estatura de 150 cm. Cada equipe deve</p><p>dar, no mínimo, dois passes antes que</p><p>a bola seja passada para o campo</p><p>adversário por cima da rede. A bola deve</p><p>quicar no chão antes dos passes.</p><p>A bola não deve</p><p>quicar no chão</p><p>antes dos passes. As</p><p>equipes diminuem o</p><p>número de raquetes.</p><p>Uma linha de 3 m é</p><p>criada, e apenas um</p><p>jogador, após o 1º</p><p>passe, pode entrar</p><p>na área para dar o</p><p>2º passe.</p><p>Nome: Quatro bases</p><p>Faixa etária: a partir dos</p><p>14 anos</p><p>Parâmetro tático: Ataque</p><p>e defesa, variações das</p><p>situações de complexidade,</p><p>diversidade e complexidade</p><p>da atenção/percepção.</p><p>O jogo se assemelha ao “bents altas”, ou</p><p>“taco”. A diferença é que, em vez de se</p><p>ter duplas, um joga contra os demais.</p><p>Em um campo delimitado por quatro</p><p>cones e por uma base central, uma</p><p>equipe de quatro jogadores disputa a</p><p>bola contra um jogador (4x1) que tem</p><p>a função de rebatedor. Este rebate a</p><p>bola e deve percorrer as quatro bases</p><p>enquanto os adversários alcançam a</p><p>bola e devolvem-na ao seu lançador na</p><p>base central. Após a chegada da bola,</p><p>o rebatedor soma o número de bases</p><p>que percorreu. Se ele percorreu todas</p><p>as bases antes de a bola ter chegado ao</p><p>lançador, seus pontos são dobrados</p><p>(p. ex., de quatro para oito pontos).</p><p>Trocam-se o lançador e o rebatedor</p><p>para que todos vivenciem as posições.</p><p>Quando o primeiro rebatedor voltar a</p><p>rebater, seus pontos serão somados aos</p><p>pontos anteriores.</p><p>A cada rodada, um</p><p>jogador se torna o</p><p>rebatedor.</p><p>108</p><p>Ao analisar o conteúdo dos quadros 4 e 5, é possível identificar que os as</p><p>atividades com características lúdicas contemplam as demandas táticas do Tênis. A</p><p>identificação dos parâmetros táticos do tênis é oportunizada por meio de experiências</p><p>de movimentos de forma incidental para descobrir qual é a lógica para compreender a</p><p>tática do jogo. Isso forma a base para o desenvolvimento posterior do Esporte e obter</p><p>melhores tomadas de decisões em jogo.</p><p>2.2 JOGOS DE TOMADA DE DECISÃO</p><p>A tomada de decisão pode ser definida como a capacidade para analisar</p><p>múltiplas alternativas e escolher um curso ideal para a ação. Sendo assim, considera-se</p><p>que a tomada de decisão é estruturada por processos cognitivos, como percepção, o</p><p>processamento de informações, o conhecimento prévio e a memória (TEOLDO; CARDOSO,</p><p>2017). A ideia central dos jogos de tomada de decisão é estimular e desenvolver no</p><p>praticante a adaptação a ambientes abertos, onde a variabilidade proposta pelo jogo</p><p>determinará as ações ofensivas e defensivas por parte dos jogadores. Greco e Benda</p><p>(1998) apresentam que os jogos de tomada de decisão</p><p>são jogos táticos-técnicos, que</p><p>buscam desenvolver as ações do “o que fazer?” e o “como fazer?” durante as demandas</p><p>do jogo.</p><p>Há diversos modelos para explicar o processo de tomada de decisão na prática</p><p>esportiva, dentre esses o modelo de Tennebaum e Lindor (2005 apud TEOLDO; CARDOSO,</p><p>2017) apresenta uma sequência de processos cognitivos perceptivos associados</p><p>a tomada de decisão. Sendo assim, o primeiro processo refere-se à escolha de uma</p><p>estratégia visual, esta escolha é modulada pelo uso da atenção seletiva e da alternância</p><p>da atenção. Em seguida, há o processo de análises de sinais, o qual o ambiente contém</p><p>sinais que são mais ou menos relevantes, o que leva ao jogador a selecionar aqueles</p><p>que julgar mais adequado. O terceiro processo diz respeito à elaboração de respostas</p><p>por meio das experiências e conhecimento declarativo processual. O último processo,</p><p>ou seja, a decisão final, é o momento que o jogador escolhe o “que fazer” e como “fazer”,</p><p>executando a resposta selecionada, ao mesmo tempo que está alerta para as novas</p><p>decisões necessárias (Figura 7).</p><p>109</p><p>FIGURA 7 – MODELO SEQUENCIAL DE TOMADA DE DECISÃO</p><p>FONTE: Teoldo e Cardoso (2017, p. 34)</p><p>Vale ressaltar que na iniciação esportiva, os jogos de tomada de decisão devem</p><p>ser abordados de forma lúdica e divertida. É essencial enfatizar aspectos básicos para</p><p>que as atividades sejam realmente significativas para o processo de iniciação esportiva.</p><p>Diante disso, pode-se considerar ao elaborar e propor jogos de decisão:</p><p>• Equilibrar equipes ou parear jogadores a fim de criar um ambiente de igualdade de</p><p>condições para jogar e competir.</p><p>• Cuidar para que todos participem efetivamente do jogo</p><p>• Orientar e dar atenção, principalmente, para os praticantes com maior dificuldade.</p><p>• Estimular a bilateralidade, dentro das atividades propostas.</p><p>• Restringir alguma ação de jogo, para evitar o individualismo quanto à performance</p><p>• Variar o número e a características das bolas e raquetes</p><p>• Adequar os espaços, de acordo com as características de cada jogo.</p><p>• Utilizar dos jogos de tomada de decisão, para aproximar o iniciante das regras dos</p><p>Esportes de raquete</p><p>• Propiciar atividades com um nível de complexidade compatível com as capacidades</p><p>motoras e cognitivas dos participantes.</p><p>110</p><p>2.3 JOGOS REDUZIDOS</p><p>Umas das formas de trabalhar os Esportes de raquete seguindo a Iniciação</p><p>Esportiva Universal é por meio dos jogos reduzidos, visto que se trata de uma maneira e</p><p>treino que favorece o aprendizado, modificando as regras, jogadores (em alguns casos).</p><p>Com isso, o grau de dificuldade e a variabilidade do jogo é aumentada gradativamente. Os</p><p>pequenos jogos, são considerados com um modelo baseado na interação do indivíduo</p><p>com o esporte. Desta forma, desenvolve de forma gradativa e consistente a correta</p><p>percepção e compreensão do jogo (GRECO, SILVA; ABURACHID, 2011).</p><p>Os reduzidos são considerados uma das principais alternativas para o processo</p><p>de iniciação esportiva. Todavia, Frank (2018) sugere que o profissional que esteja atuando</p><p>nessa prática deve levar em consideração alguns itens para sua correta aplicação: (1)</p><p>Diminuir a complexidade do jogo, mas manter os objetivos e os elementos estruturais</p><p>indispensáveis do jogo formal; (2) Evidenciar a ligação entre ataque e defesa, propiciando</p><p>a continuidade ao jogo; (3) Não determinar totalmente as tarefas, para dar liberdade aos</p><p>praticantes estimular a tomada de decisões.</p><p>Na iniciação esportiva, o aperfeiçoamento das habilidades motoras fundamentais</p><p>deve ser priorizado por meio de atividades em grupos (FRANK, 2018). Com isso, a redução</p><p>do jogo, permite a inclusão de tarefas complexas e focando também na técnica motora,</p><p>tendo em vista que explora o desenvolvimento de habilidades abertas. Consequentemente</p><p>é essencial analisar sistematicamente o feito do número de jogadas nas tarefas, de acordo</p><p>com os objetivos táticos/técnicos para ações defensivas ou ofensivas.</p><p>Dentre as propostas de jogos reduzidos se tem o minitênis. Essa possibilidade</p><p>consiste no ensino do tênis no espaço reduzido da quadra, conhecido como T, pode ser</p><p>realizado com a adaptação do movimento de rebater a bola com uma raquete, que pode</p><p>ser de madeira, pingue-pongue, beach tennis ou algo que se assemelha a uma raquete.</p><p>As bolas também não precisam, necessariamente, ser oficiais do esporte, podem ser</p><p>bolas maiores, ou a altura das redes podem ser manipuladas. Desta forma, é possível</p><p>adaptar a prática do tênis a diversas realidades a fim de torná-lo mais acessível e popular</p><p>(SILVA; ARAÚJO; SOARES, 2017).</p><p>FIGURA 8 – QUADRA ADPTADA PARA MINI TÊNIS</p><p>FONTE: A autora</p><p>111</p><p>Além do minitênis, o Badminton também tem sua versão reduzida, o Mini</p><p>Badminton. Essa versão também sobre adaptação do Badminton convencional e em</p><p>toda sua estrutura de espaço, equipamento de jogo, não só para o processo de formação</p><p>motora, mas também a introdução a versão competitiva do esporte.</p><p>Nos links a seguir, é possível conhecer um pouco mais sobre as versões</p><p>reduzidas dos esportes.</p><p>Tênis: http://www.cbt-tenis.com.br/teniskids.php?cod=2.</p><p>Badminton:https://fpbadminton.pt/wp-content/uploads/Regulamento-</p><p>Mini-Badminton-Portugal-2020_Versao-Final.pdf.</p><p>DICA</p><p>3 TREINAMENTO ESPORTIVO NA INFÂNCIA</p><p>O conceito de iniciação esportiva na infância tem ganhado status de uma</p><p>iniciativa louvável, uma vez que está envolvida no processo de formação global do</p><p>indivíduo. Por outro lado, o treinamento esportivo precoce envolve uma série de debates</p><p>quantos aos possíveis prejuízos que podem ocorrer ao jovem, de forma imediata ou na</p><p>futura, no ponto de vista psicomotor. Todavia, o treinamento esportivo com uma visão</p><p>multilateral do desenvolvimento fisiológico contínuo e gradual das capacidades motoras,</p><p>realizado de forma adequada para cada jovem praticante pode ser um importante aliado</p><p>no processo de sucesso da iniciação esportiva e de outras áreas do desenvolvimento</p><p>físico (GOMES, 2009).</p><p>O treinamento esportivo, para seja efetivo, não pode se confundir com</p><p>treinamentos genéricos sem objetivos. Isso porque os trabalhos devem estar bem</p><p>estruturados para atender às fases do desenvolvimento motor do indivíduo. Seguindo a</p><p>preparação multilateral, os objetivos de treino são diversos e organizados por faixa etária</p><p>de acordo com a maturação biológica e os processos de desenvolvimento motor. Isso</p><p>faz com que a atuação do treinador envolva conhecimento de várias áreas da atividade</p><p>humana (GOMES, 2009).</p><p>Não há uma faixa etária ótima pré-determinada para atingir os altos níveis de</p><p>resultado no esporte. Em consequência a isso, de forma errônea, alguns técnicos forçam</p><p>a preparação dos seus atletas para levá-los ao alto rendimento já na idade juvenil sem</p><p>pensar no futuro do atleta, quando chegar a passagem para as categorias adultas. O</p><p>alcance de resultados na idade infantil e na juvenil, em muitos casos, não garante que</p><p>o indivíduo irá progredir posteriormente. Desta forma, o critério principal para o trabalho</p><p>do treinador em categorias de base dos Esportes de raquete, é o resultado a longo prazo</p><p>que se obtém com esse jovem (GOMES, 2009).</p><p>112</p><p>Nessa perspectiva, Simões e Balbinotti (2009) indicam que a relação entre a</p><p>preparação física e a longevidade esportiva ainda não está́ claramente estabelecida,</p><p>mas a manutenção da carreira esportiva além dos 30 anos de idade no tênis já é uma</p><p>realidade aprovada. Todavia, há casos de tênis acometidos por lesões recorrentes, que</p><p>são forçados a abandonar o esporte prematuramente. Os autores trazem apontamentos</p><p>sobre o tênis, todavia, esses dados podem ser expandidos para as outras modalidades</p><p>dos Esportes de raquete.</p><p>Por outro lado, sabe-se que a preparação física desde a infância exerce um</p><p>papel determinante na performance do tênis, uma vez que se trata os aspectos gerais</p><p>e específicos do rendimento esportivo. Sendo assim, ao longo da carreira do tênis (ou</p><p>de outro esporte com o uso da raquete), a interação entre tais aspectos da modalidade</p><p>e a preparação física desde</p><p>a base, determina as possibilidades e os riscos relativos às</p><p>lesões oriundas ou a otimização do desempenho (GOMES, 2009).</p><p>No caso do esporte infanto-juvenil, a preparação esportiva traduz em um</p><p>conjunto de atividades desenvolvidas com o intuito de induzir adaptações no âmbito</p><p>das qualidades físicas relacionadas à performance imediata ou futura em um esporte</p><p>específico. Além disso, a estimulação das qualidades físicas serve de suporte para a</p><p>manutenção da saúde e da capacidade de rendimento (GOMES, 2009).</p><p>3.1 CARACTERITICAS FÍSIOLOGIAS DA CRIANÇA</p><p>Os esportes de raquete, dentro de suas individualidades, requerem uma série</p><p>de exigências física para a sua execução. Quando praticado por crianças e jovens,</p><p>deve-se respeitar os limites maturacionais e as diferenças fisiológicas causada por esse</p><p>processo. Sendo assim, compreender as características fisiológicas, o compartimento</p><p>das valências físicas durante a infância e adolescências, possibilita ao profissional de</p><p>educação física tomar decisões assertivas para estruturar as sessões de treino.</p><p>Dentre as características citadas, destaca-se que crianças apresentam</p><p>menor volume sanguíneo e um coração menor que de adultos. Isso significa que,</p><p>durante o exercício, o coração de uma criança transporta menor volume de sangue</p><p>para os músculos ativos. Como compensação, a frequência cardíaca para uma mesma</p><p>intensidade de exercício é maior em crianças, em comparação com adultos. Outro</p><p>fenômeno que ocorre nas crianças consiste em um maior redirecionamento de sangue</p><p>para os músculos ativos durante o exercício e uma maior diferença arteriovenosa (SILVA;</p><p>ARAÚJO; SOARES, 2012).</p><p>O menor volume cardíaco e as demandas associadas justifica o fato das sessões</p><p>de treino, e tempo de competições sejam adaptados para a infância. A aumento de</p><p>tempo de sessão ou competição deve ser gradual com o processo de crescimento</p><p>físico, concomitante ao crescimento do coração. Isso por que o débito cardíaco do</p><p>adolescente se iguala ao do adulto quando da cessação de seu crescimento (SILVA;</p><p>ARAÚJO; SOARES, 2012).</p><p>113</p><p>A capacidade aeróbica tem relação direta com o volume circulatório e tamanho</p><p>do coração. No entanto, a capacidade aeróbica costuma ser bem desenvolvida em</p><p>crianças, levando a ser a capacidade a qual as crianças e os adolescentes estão bem</p><p>adaptados para treinamentos de longa duração. Além disso, as crianças apresentam</p><p>maior lipólise (mobilização de tecido adiposo para uso como fonte de energia) do que</p><p>os adultos. O treinador deve estar atento à cinética da evolução da capacidade aeróbica</p><p>para potencializar o máximo essa qualidade física. No entanto, deve ser lembrado que,</p><p>embora essa capacidade física se mostre em evolução desde as idades mais tenras,</p><p>devem ser evitados exercícios com volumes elevados antes da adolescência (SILVA;</p><p>ARAÚJO; SOARES, 2012).</p><p>Quando se trata da capacidade anaeróbia crianças apresentam menor</p><p>capacidade anaeróbica, e essa qualidade física é menos treinável até que ocorra a</p><p>maturação biológica. A capacidade anaeróbica é fortemente determinada pela atividade</p><p>da enzima fosfofrutoquinase, que não está bem desenvolvida em crianças. Todavia,</p><p>Silva, Araújo e Soares (2012) afirmam que é comum ver crianças serem treinadas</p><p>com grande volume e intensidade para a capacidade anaeróbica. Por mais que esse</p><p>procedimento resulte em melhoria do desempenho, ele também abrevia a vida atlética,</p><p>bem como compromete o teto genético das potencialidades de desempenho. Portanto,</p><p>esses dados fisiológicos confirmam a premissa de que, pelo menos até a metade da</p><p>adolescência (em torno dos 15 anos de idade), não é recomendado o treinamento</p><p>de alta intensidade, o qual explora muito a capacidade anaeróbica (SILVA; ARAÚJO;</p><p>SOARES, 2012).</p><p>A força aumenta, de modo a acompanhar o aumento na massa muscular. No</p><p>entanto, além da massa muscular, a maturação neural contribui para a evolução a força,</p><p>principalmente em virtude da mielinização das fibras nervosas. Todavia, a maturação</p><p>neural completa só ocorre após a maturação sexual. Desta forma, o treinamento de</p><p>força não é capaz de promover nas crianças o mesmo aumento da massa muscular</p><p>observado nos adultos. Isso perdura pelo menos até que as alterações hormonais da</p><p>puberdade aconteçam. Entretanto, a força aumenta (ainda que em níveis inferiores aos</p><p>observados em adultos), como resultado do treinamento de força em crianças (SILVA;</p><p>ARAÚJO; SOARES, 2012).</p><p>Quando se fala em treinamento de força e de resistência anaeróbia, durante a</p><p>infância e adolescência, nos esportes de raquete deve-se priorizar para que aconteça</p><p>de forma concomitante com o treinamento de aprimoramento da habilidade. Isso</p><p>porque ao executar as habilidades como rebatidas, saltos e esquivas, essas valências</p><p>são altamente exigidas, levando com que a mudança as alterações e maiores exigências</p><p>para a performance motora, também potencialize as capacidades física de forma mais</p><p>natural e respeitando as fases desenvolvimentais. Após a puberdade, quando já pode-se</p><p>explorar mais tanto a resistência quanto à força, o treinador pode inserir treinos isolados</p><p>para a preparação física, a fim de elevar o nível dos golpes, por exemplo, a fim de gerar</p><p>mais potência, precisão etc., que são demandas além do padrão motor da habilidade.</p><p>114</p><p>3.2 SELEÇÃO DE TALENTOS ESPORTIVOS</p><p>A relação do desempenho esportivo futuro por meio da formação de talentos</p><p>requer a utilização de procedimentos multivariados. Todavia, o que se sabe é que a</p><p>formação de futuras gerações para ao alto nível dos Esportes de raquete depende o</p><p>treinamento a longo prazo ao qual os jovens atletas são submetidos, de forma planejada</p><p>e sistematizada (BÖHME, 2000).</p><p>Existem três aspectos relacionados com o desenvolvimento do talento esportivo:</p><p>a detecção, a seleção e promoção de talentos esportivos. Detectar, refere-se a buscar</p><p>ou procurar crianças e/ou adolescentes com disposição e prontidão para participar de</p><p>um programa de formação esportiva. A etapa de seleção diz respeito aos meios de</p><p>identificar, entre o grupo de praticantes dos esportes, aqueles que se destacam dos</p><p>demais. Por fim, a promoção é o conjunto de procedimentos (treinamento, estrutura,</p><p>assistência) que servem como base para que os atletas alcancem um ótimo desempenho</p><p>esportivo (SOARES, 2014).</p><p>No entanto, Soares (2014) afirma que o maior obstáculo no desenvolvimento</p><p>está na falta de estudos sobre como predizer a natureza dos processos de detecção,</p><p>seleção e promoção de talentos. Isso faz com que, na atuação prática, ainda seja comum</p><p>que esses processos sejam norteados apenas pela própria experiência e intuição dos</p><p>técnicos esportivos. Isso cria-se um referencial de escolha que corre o risco de estar</p><p>sendo atrelado apenas à consciência empírica de cada técnico, livre de qualquer padrão</p><p>ou procedimento fundamentado, consistente, de acompanhamento cíclico, contínuo e</p><p>em longo prazo, sujeito, portanto, a interpretações equivocadas.</p><p>Mesmo com a falta de subsídios teóricos para o desenvolvimento de talentos,</p><p>Soares (2014) aponta evidencias que incorpora neste delineamento, além da preparação</p><p>esportiva do âmbito físico, observações acerca de observações psicológicas, sociais</p><p>e, até mesmo, relativas a aspectos como a inteligência e a técnica específica para o</p><p>desempenho esportivo. Desta forma, deve-se se considerar o fenômeno de maneira</p><p>global sendo preciso investigar e conhecer as variáveis intervenientes na promoção do</p><p>talento, como a iniciação esportiva e na qualidade do treinamento.</p><p>Seguindo a perspectiva mencionada, Soares (2014) apresenta que a International</p><p>Society of Sport Psychology assume uma posição favorável a diversificar a prática na</p><p>iniciação esportiva. Para compreender essa posição, o autor trás as possibilidades</p><p>de formação esportiva apresentado pela Development Model of Sport Participation:</p><p>diversificação precoce ou a especialização precoce.</p><p>A diversificação precoce se baseia na prática de vários esportes de maneira</p><p>divertida, informal, sem controle</p><p>rígido. Quando as atividades são escolhidas pela criança</p><p>e não impostas, é promovido o surgimento de uma motivação intrínseca para a prática.</p><p>Com a grande diversificação é possível vivenciar e desenvolver muitas habilidades</p><p>115</p><p>motoras e mentais que serão utilizadas mais à frente na carreira do atleta. O atleta que</p><p>inicia desse modo tem maiores chances de seguir uma carreira longa no esporte. Já a</p><p>especialização precoce caracteriza-se pela prática de um esporte apenas, de maneira</p><p>estruturada, exige esforço físico e mental e busca melhora da performance. Atletas que</p><p>iniciam desse modo têm maiores chances de abandonar o esporte. De acordo com os</p><p>resultados dos estudos, a diversificação precoce favorece o alcance do esporte de elite,</p><p>como no caso dos Esportes de raquete.</p><p>Atletas que nasceram no mesmo ano competem na mesma</p><p>categoria das modalidades com uso de raquetes! Mas será que</p><p>o processo de desenvolvimento gera as mesmas oportunidades</p><p>para quem nasceu em por exemplo no início e no final do mesmo</p><p>ano? Para refletir um pouco mais sobre o assunto, confira no</p><p>link a seguir uma reportagem da Revista Tênis que traz algumas</p><p>disfunções sobre o assunto.</p><p>https://revistatenis.uol.com.br/artigo/nascido-no-mesmo-ano-</p><p>mas-mais-velho_10369.html.</p><p>DICA</p><p>116</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• A iniciação esportiva pode ser definida como o contato inicial e adaptação de aluno/</p><p>praticante a uma modalidade esportiva. Os primeiros contatos com o esporte podem</p><p>definir a continuação no esporte.</p><p>• Métodos de aprendizagem/treinamento para os esportes de raquete podem ser</p><p>classificados em: (1) Passivos ou tradicionais (método analítico e método global); e (2)</p><p>Ativos ou contemporâneos – métodos incidentais e métodos formais (intencionais).</p><p>• Os modelos centrados em jogos enfatizam a participação de todos, reduzindo os</p><p>fatores de exclusão e favorecendo a participação de todos, além e desenvolver os</p><p>componentes técnicos e táticos esportivos.</p><p>• A Iniciação Esportiva Universal é uma proposta idealizada para auxiliar o treinamento/</p><p>aprendizagem dos esportes, diminuindo a complexidade de jogo e favorecendo o</p><p>desenvolvimento dele.</p><p>• A identificação dos parâmetros táticos do tênis é oportunizada por meio de</p><p>experiências de movimentos de forma incidental para descobrir qual é a lógica para</p><p>compreender a tática do jogo. Isso forma a base para o desenvolvimento posterior do</p><p>Esporte e obter melhores tomadas de decisões em jogo.</p><p>• A tomada de decisão pode ser definida como a capacidade para analisar múltiplas</p><p>alternativas e escolher um curso ideal para a ação. Na iniciação esportiva para os</p><p>Esportes de raquete, os jogos de tomada de decisão devem ser abordados de forma</p><p>lúdica e divertida.</p><p>• O sistema de jogos reduzidos contempla uma maneira e treino que favorece o</p><p>aprendizado, modificando as regras e jogadores. Os pequenos jogos são considerados</p><p>com um modelo baseado na interação do indivíduo com o esporte.</p><p>• O treinamento esportivo com uma visão multilateral do desenvolvimento fisiológico</p><p>contínuo e gradual das capacidades motoras, realizado de forma adequada para cada</p><p>jovem praticante, pode ser um importante aliado no processo de sucesso da iniciação</p><p>esportiva.</p><p>• No esporte infanto-juvenil, a preparação esportiva traduz em um conjunto de</p><p>atividades desenvolvido com o intuito de induzir adaptações no âmbito das qualidades</p><p>físicas relacionadas à performance imediata ou futura em um esporte específico.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>117</p><p>• A formação de futuras gerações para ao alto nível dos esportes de raquete depende</p><p>o treinamento a longo prazo ao qual os jovens atletas são submetidos, de forma</p><p>planejada e sistematizada, entre os aspectos de detecção, seleção e promoção de</p><p>talentos esportivos.</p><p>118</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 No processo de seleção de talentos para esportes de raquetes duas fases são</p><p>destacadas quanto à capacidade dos indivíduos, a fase de revelar as capacidades</p><p>motoras e a fase de diagnóstico da capacidade de jogos. Referente à fase de revelar</p><p>as capacidades motoras, analise as asserções a seguir, e a relação proposta entre</p><p>elas:</p><p>I- Apenas as crianças mais dotadas devem participar desta etapa.</p><p>PORQUE</p><p>II- Apenas elas terão a possibilidade de se tornar atletas.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.</p><p>b) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.</p><p>c) ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.</p><p>d) ( ) As asserções I e II são proposições falsas.</p><p>2 “Atividade esportiva”. A expressão é repetida incessantemente e é frequentemente</p><p>associada com saúde e bem-estar. Sobre os benefícios do esporte e, em particular,</p><p>dos esportes de raquete para crianças, analise as sentenças a seguir:</p><p>I- Desenvolvimento de coordenação e habilidades motoras.</p><p>II- Desenvolvimento neuromuscular.</p><p>III- Um impulso psicológico e social.</p><p>IV- Maturação biológica.</p><p>V- Crescimento somático.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.</p><p>b) ( ) As sentenças I, II e V estão corretas.</p><p>c) ( ) As sentenças I, IV e V estão corretas.</p><p>d) ( ) As sentenças II, III e V estão corretas.</p><p>3 Desde a iniciação esportiva até o rendimento, o processo de preparação deve ser</p><p>contínuo considerando os elementos de variabilidade do jogo. Sendo assim, o método</p><p>de ensino-aprendizagem-treinamento deverá propiciar ao jogador o exercício da</p><p>leitura de jogo, da tomada de decisão e da constante adaptação ao ambiente, que</p><p>119</p><p>se modifica a todo momento. Para isso, durante a iniciação esportiva, os jogos e</p><p>brincadeiras são uma importante estratégia para se desenvolver as habilidades</p><p>necessárias para a prática dos Esportes de raquete. Diante do exposto, sobre os</p><p>jogos e brincadeiras na iniciação esportiva, analise as sentenças a seguir:</p><p>I- Deve-se priorizar o uso da metodologia analítica para o ensino dos Esportes de</p><p>raquete</p><p>II- A participação em Esportes de raquete na infância pode gerar a necessidade futura</p><p>de participar do Esporte na perspectiva do lazer e da qualidade de vida sendo um</p><p>trato da dimensão procedimental.</p><p>III- Dever ser feita a fragmentação do jogo como um processo de progressão pedagógica</p><p>ou aprimoramento técnico, para a compreensão do movimento isso permite alguns</p><p>feedbacks pontuais na execução da habilidade motora.</p><p>IV- Introduzir jogos e brincadeiras populares na Iniciação Esportiva, é considerá-los</p><p>importantes conteúdos presentes na diversidade do Esporte</p><p>V- Na iniciação esportiva deve-se distinguir as características do esporte e do</p><p>jogo, especificamente conhecer as diferentes formas de organização do espaço,</p><p>dos recursos materiais, das regras e das formas de organização, conforme as</p><p>necessidades do grupo.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.</p><p>b) ( ) As sentenças II, III e IV estão corretas.</p><p>c) ( ) As sentenças III, IV e V estão corretas.</p><p>d) ( ) As sentenças II, IV e V estão corretas.</p><p>4 Ana, de 12 anos, tem fundamentos técnico do tênis de forma precisa e consistente.</p><p>Ao realizar análise cinemáticas e biomecânicas das técnicas de Ana, observa-se que</p><p>ela está muito acima da média, quando comparada a jogadoras de sua idade. Todavia,</p><p>em situações de jogo, com intensa dinâmica de golpes, Ana não consegue responder</p><p>as expectativas e executar os fundamentos com precisão. Diante do caso exposto,</p><p>como o treinador deve intervir e quais atividades deve priorizar no treinamento de</p><p>Ana? Justifique.</p><p>5 João foi convidado para assumir a equipe de base de badminton de um famoso</p><p>clube. Dentre seus atletas estão jovens de 12 a 16 anos. Dentre suas principais</p><p>funções como técnico da equipe está o trabalho com a preparação física. No entanto,</p><p>essa preparação não pode ser a mesma que de um adulto, devido às diferenças</p><p>nos aspectos fisiológicos desses atletas juvenis. Sendo assim, apresente quais as</p><p>diferenças</p><p>fisiológicas de João devem consideraram para elabora a preparação física</p><p>de seus atletas.</p><p>120</p><p>121</p><p>TÓPICO 3 —</p><p>ASPECTOS TÉCNICOS DOS</p><p>ESPORTES DE RAQUETE</p><p>UNIDADE 2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>As modalidades que contemplam os esportes de raquete envolvem, em grande</p><p>parte, condutas de habilidades abertas, ou seja, o ambiente é imprevisível e a técnica</p><p>deve ser aplicada em função de resolver problema motor. Portanto, os jogadores</p><p>buscam a melhor execução de um determinado gesto motor durante a execusão dos</p><p>fundamentos/golpes, com a máxima economia de energia possível. Isso leva com que</p><p>o somatório da inteligência do jogador com um repertório técnico e a condição física,</p><p>definam o sucesso ou não da ação.</p><p>Antes de discutir sobre os atributos técnicos dos esportes de raquete , é de suma</p><p>importâcia compreender o conceito de técnica. Para Greco e Brenda (1998), a técnica</p><p>pode ser conceituada como a interpretação, no tempo, espaço e situação, do meio</p><p>instrumental operativo inerente à con-cretização da resposta para a solução de tarefas</p><p>ou problemas motores. Tani, Santos e Meira (2006, p. 4) conceituam a técnica como</p><p>“uma informação disponivel de antemão sobre a maneira de realizar um movimento</p><p>específico” ou “uma informação disponivel de antemão acerca do meio de alcançar um</p><p>objeto no meio ambiente externo, com eficiencia”. Já Bayer (1986) define a técnica como</p><p>todo um repertório de gestos, desenvolvidos individualmente, que de acordo com a</p><p>especificidade da ação no jogo é fruto da história e da evolução de cada jogo esportivo,</p><p>esses gestos são baseados na experiência acumulada e continuamente enriquecida</p><p>pelas gerações precedentes de desportistas.</p><p>Ainda nessa pespectiva, Grosser e Neumaier (1996) apresentam que técnica</p><p>é o modelo ideal de um movimento relativo à disciplina esportiva. Esse “movimento</p><p>ideal” pode ser descrito baseado nos conhecimentos científico atuais e nas experiências</p><p>práticas, sendo definido como uma informação disponível sobre a forma de executar um</p><p>determinado comportamento específico em busca de alcançar um determinado objetivo.</p><p>Partindo disso, neste tópico, serão trabalhados os principais elementos técnicos dos</p><p>esportes de raquete, assim como possíveis recomendações.</p><p>122</p><p>2 ESTRUTURA TÉCNICA DOS ESPORTES DE RAQUETE</p><p>Os Esportes de raquete consistem em atividades complexas. Isso porque</p><p>são compostos por vários elementos motores essenciais para o desempenho e</p><p>aprendizagem. Dentre esses elementos, ao longo da prática, a raquete é incorporada ao</p><p>plano motor: o sistema nervoso central passa a “representar” a raquete como parte do</p><p>corpo, de forma que os movimentos com a raquete estão integrados aos movimentos</p><p>do corpo como um todo (CATUZZO; SOUZA, 2011).</p><p>Para um desempenho satisfatório na prática, é importante a obtenção de um</p><p>repertório de movimentos eficaz, com o objetivo de melhorar resultados, permitindo</p><p>ações mais econômicas e efetivas (DREWS; CHIVIACOWSKY, 2011). Desta forma, fez</p><p>se necessário o conhecimento acerca das habilidades específicas que compõem a</p><p>modalidades de Esportes de raquete. Vale ressaltar que mesmo com muitas semelhanças,</p><p>as diferenças entre as modalidades na questão estrutural os definem como esporte</p><p>contrários uns dos outros, assim como os vai diferenciar em suas técnicas.</p><p>Dentre as semelhanças, pode-se destacar a estrutura sequencial de habilidades</p><p>que os componentes dos esportes de raquete (figura 9). O primeiro fundamento seria a</p><p>empunhadura na raquete que dá sequência aos demais elementos, o saque e os golpes.</p><p>Por sua vez as rebatidas golpes, apresentam uma diversidade de variações de acordo</p><p>com a direção, lado, ângulo de movimento, e modalidades esportivas.</p><p>FIGURA 9 – HABILIDADES COMPONENTES DOS ESPORTES DE RAQUETE</p><p>FONTE: Adaptado Marinovic (2016)</p><p>123</p><p>3 EMPUNHADURA</p><p>A manipulação da raquete é uma das habilidades básicas para os jogadores de</p><p>qualquer um dos Esporte de Raquete, pois determina a eficiência dos golpes. Desta forma, a</p><p>empunhadura refere-se à ligação do corpo com a raquete. Como para cada modalidade de</p><p>se utiliza de uma raquete diferente, cada esporte terá suas características específicas.</p><p>3.1 TÊNIS</p><p>Os diferentes tipos de golpes e estilo de jogo no tênis exigem empunhaduras</p><p>específicas. O manejo na raquete vai depender da estrutura dela. O cabo da raquete,</p><p>onde ocorre a pegada, é chanfrada, ou seja, é a forma de octógono com oito lados. Além</p><p>de aumentar a tração do jogador, os chanfros servem como guias de referência para</p><p>os tipos de empunhadura, sendo rotulada de 1(um) a 8 (oito) em sentido horário, como</p><p>mostra na figura 10. Esse “rotulo” é usado para guiar o posicionamento da articulação</p><p>inferior do dedo indicador, de acordo com o tipo de empunhadura, antes de envolve</p><p>totalmente a mão no cabo da Raquete.</p><p>FIGURA 10 – RÓTULO REFERÊNCIA PARA CHANFROS DA RAQUETE</p><p>FONTE: A autora</p><p>Mesmo que os chanfros sejam o principal guia para ajudar a entender e</p><p>guiar o tipo de empunhadura, os jogadores costumam usar pequenas</p><p>modificações com base no que lhe é mais agradável.</p><p>NOTA</p><p>São conhecidos três tipos de empunhaduras para o tênis: Continental, Western</p><p>e Eastern. Dentre essas, a empunhadura a continental, pode-se dizer, é a mais antiga,</p><p>visto que no início do esporte era a mais identificada. Todavia, acredita-se que ela tenha</p><p>entrado em desuso no tênis competitivo atual para o golpe de forehand. Quem utiliza a</p><p>pegada continental geralmente utiliza com mais frequência a rebatida de slice.</p><p>124</p><p>Para formar a posição de empunhadura continental, deve-se colocar o lado da</p><p>palma da articulação inferior do dedo indicado contra o segundo chanfro. Dentre as</p><p>vantagens da pegada continental está o fácil manuseio em bolas baixa e o fato de se</p><p>ter pouca ou nenhuma necessidade de alteração de empunhadura entre os golpes. Por</p><p>outro lado, aponta-se como desvantagem menor potência, não forma topspin e dificulta</p><p>em lidar com bolas altas.</p><p>A empunhadura Eastern é considera uma das empunhaduras mais fáceis de ser</p><p>utilizada. Por isso, tende a ser a primeira que o tenista aprende quando começa a jogar.</p><p>Para formar a empunhadura Eastern deve-se colocar o lado da palma da junta inferior</p><p>do dedo indicador contra o terceiro chanfro, para forehand, ou no primeiro chanfro para</p><p>backhand, em seguida posiciona-se a ponta do punho da raquete na base da palma da</p><p>mão e passa os dedos ao redor do punho. Essa é a empunhadura utilizada para produzir</p><p>topspin, com o ponto de contato na linha da cintura e no ombro. Também tem como</p><p>vantagem a possibilidade de trocas rápidas de empunhadura, bom funcionamento de</p><p>quadra mais rápida, e ser mais fácil para iniciantes aprenderem. No entanto, dificulta lidar</p><p>com bolas quicando mais altas e não é o ideal para jogo de linha de base agressivo.</p><p>Uma dica para ter certeza de que encaixou corretamente a</p><p>empunhadura: coloque a palma da mão sob as cordas e desça</p><p>reto até o cabo fechando a empunhadura.</p><p>DICA</p><p>A empunhadura Western tender a ser utilizada apenas por alguns jogadores,</p><p>em sua maioria tenistas especialistas em saibro. Para formar essa empunhadura, deve-</p><p>se colocar o lado da palma da articulação inferior do dedo indicador contra o quanto</p><p>chanfro, em seguida posicionar a ponta do punho da raquete na base da palma da</p><p>mão e passe dos dedos ao redor do punho. Dentre as vantagens dessa pegada está a</p><p>possibilidade de realizar topspin máximo, além se ideal para golpes de linha de base e</p><p>adequado para bolas altas, fazendo com que seja uma empunhadura que funciona bem</p><p>para superfícies de quadra mais lenta. No entanto, esse tipo de manipulação também</p><p>apresenta como desvantagem a dificuldade de troca de empunhadura rapidamente,</p><p>difícil para controlar bolas baixas e contra-atacar e difícil para iniciantes aprenderem.</p><p>Também existe a variação de empunhadura Semi-Western. Provavelmente é a</p><p>mais utilizada nos torneios atualmente, principalmente entre tenistas que gostam de</p><p>trocar bolas de fundo de quadra. Para formar a empunhadura Semi-Western, coloca-</p><p>se o</p><p>lado da palma da articulação inferior do dedo indicador contra o quarto chanfro</p><p>125</p><p>para forehand ou no oitavo chanfro para backhand, em seguida posiciona-se a ponta</p><p>do punho da raquete na base da palma da mão e passa os dedos ao redor do punho.</p><p>Dentre suas vantagens, possibilidade essa empunhadura de mudanças rápidas de</p><p>empunhadura, permite defesas contra bolas quicando mais altas e ideal para jogos de</p><p>base e para todos os tipos de quadra. Todavia, para a rebatida de backhand, fica mais</p><p>complicada quando é preciso devolver bolas mais altas.</p><p>FIGURA 11 – TIPOS DE EMPUNHADURA DE RAQUETE NO TÊNIS</p><p>FONTE: Adaptado de <https://revistawinner.com.br/tatica/empunhadura/>. Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>O Padel, Beach Tennis e Squach utilizam as mesmas empunhaduras</p><p>que o tênis, fazendo ajustes pontuais nas características da raquete.</p><p>ATENÇÃO</p><p>126</p><p>3.2 TÊNIS DE MESA</p><p>No tênis de mesa, a empunhadura vai ditar não só o tipo de pegada, mas também</p><p>o estilo de raquete a ser utilizada. Sendo assim, são utilizados três forma de empunhadura:</p><p>clássica; caneta e classineta. A clássica, como seu nome já diz, foi o primeiro estilo</p><p>conhecido e até hoje e o mais utilizado. Nessa empunhadura a mesatenista segura a</p><p>raquete como se ela fosse uma raquete de tênis de quadra. Sendo assim, o jogador</p><p>segura a raquete pelo cabo com o indicador sobre uma das borrachas (figura 12). Utilizar</p><p>do estilo clássico permite produzir bons golpes de backhand, mas oferece dificuldade</p><p>para transição de forehand para backhand. Normalmente, essa empunhadura é a mais</p><p>indicada para iniciantes.</p><p>A segunda empunhadura mais conhecida é a caneta. O estilo recebe esse nome</p><p>devido à pegada lembra como se segura uma caneta, de modo que o polegar e o indicador</p><p>ficam na parte da frente da raquete e os outros três dedos na parte de trás (figura 12).</p><p>Devido ao tipo de pegada o jogador golpeia a bola apenas com um dos lados da raquete.</p><p>Quem joga no estilo caneta japonesa normalmente tem um saque muito mais forte que</p><p>o jogador clássico, porém não tem a mesma facilidade de atacar as bolas que vão na</p><p>esquerda da mesa, e para produzir bons golpes de forehand com a empunhadura caneta</p><p>exige do jogador um bom footwork, que é o trabalho de perna em sua movimentação.</p><p>A última empunhadura é a classineta. Considerada a mais nova empunhadura tem</p><p>ganhado popularidade pelo mundo. Trata-se de uma mistura do estilo clássico e caneta.</p><p>Sendo assim, a pegada é similar ao de caneta, mas com uma liberdade de movimento que</p><p>se aproxima da clássica. Esse estilo permite manter potência para determinados golpes</p><p>ao mesmo tempo que gera facilidade de mudanças de forehand e backhand.</p><p>FIGURA 12 – TIPOS DE EMPUNHADURA DE RAQUETE NO TÊNIS</p><p>FONTE: <https://bit.ly/3ElS597>. Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>127</p><p>Para cada empunhadura há um estilo de raquete adequado. Na empunhadura</p><p>clássica o modelo de raquete tem duas borrachas sendo sempre uma preta e a outra</p><p>vermelha seguindo as regras da ITTF, com um cabo maior em relação aos outros dois</p><p>modelos.   As raquetes de estilo caneta japonesa normalmente tem o formato mais</p><p>quadrado, possuindo apenas uma borracha na parte da frete e tendo a parte de trás</p><p>pintada na cor oposta da borracha para estar dentro do padrão de regras da ITTF. Já para</p><p>a classineta o formato da raquete é arredondado como a raquete clássica, porém possui</p><p>um cabo menor, igual ao da raquete caneta japonesa e outro detalhe está no formato</p><p>do cabo mais redondo e mais baixo para dar um conforto melhor de empunhadura ao</p><p>mesatenista além de deixar a raquete mais leve (figura 13).</p><p>FIGURA 13– TIPOS RAQUETE NO TÊNIS DE MESA</p><p>FONTE: <https://cdnstatic8.com/clicktenisdemesa.com.br/wp-content/uploads/2018/04/empunhadura-</p><p>caneta-japonesa-tenis-de-mesa-768x310.jpg>. Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>Nos links a seguir, é possível conferir as diferentes empunhaduras</p><p>do tênis de mesa:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=hRHJt4nfF6o.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=uAR56MhfI5U.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=kBLxkxPMyB4&t=1s.</p><p>DICA</p><p>3.3 BADMINTON</p><p>No badminton, a empunhadura da raquete não deve ser muito rígida, de modo</p><p>a permitir as mudanças rápidas nos padrões de preensão. Pode-se dizer que há três tipos</p><p>de empunhadura para o esporte: neutra, de direita (forehand), também conhecida como</p><p>universal e de esquerda (backhand).</p><p>A empunhadura neutra permite fazer a transição da forehand para a backhand.</p><p>Essa troca é realizada girando a raquete e posicionado a mão para as outras duas</p><p>empunhaduras. Na pegada de forehand, o dedo indicador fica mais avançado que o</p><p>polegar, apontado ligeiramente para baixo, fazendo contato com o dedo médio, e o dedo</p><p>128</p><p>indicador e o polegar formam um V; essa preensão vai colocar a cabeça da raquete em</p><p>posição perpendicular em relação ao solo; é semelhante à ação de cumprimentar uma</p><p>pessoa (figura 14).</p><p>Na empunhadura de backhand, o polegar pode ou não participar da pressão.</p><p>Essa pegada deve permitir que a mão vire ligeiramente, colocando o dedão contra as</p><p>costas do punho da raquete (CATTUZO; SOUZA, 2011). Nos golpes de backhand a peteca</p><p>deve entrar em contato com o lado oposto da cabeça da raquete. Ao segurar a raquete,</p><p>deve manter o pulso e o braço esticados e tencionados. Quanto à posição da raquete,</p><p>procura-se mantenha a cabeça da raquete bem para cima e pronta para qualquer tipo</p><p>de golpe (figura 14).</p><p>FIGURA 14 – EMPUNHADURAS BADMINTON</p><p>FONTE: Adaptado de Catuzzo e Souza (2016)</p><p>Nos links a seguir, é possível conferir as diferentes empunhaduras</p><p>do badminton:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=hQSt4Q1EOZs.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=0M9R4wHgoRs.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=IpOPyKQeBg0.</p><p>DICA</p><p>129</p><p>4 SAQUE</p><p>O saque é um dos golpes mais importantes dos esportes de raquete. O saque</p><p>tornou-se uma verdadeira arma porque pode ditar muito do que acontece no ponto</p><p>subsequentemente disputado. Nos Esportes de raquete, o atleta não deve conhecer</p><p>apenas a execução técnica do saque, mas também deve saber identificar que saque o</p><p>adversário está usando. Isso permite melhorar a recepção de saque. Vale lembrar que</p><p>além de aspectos mecânicos a técnica do saque deve respeitar as regras específicas</p><p>da modalidade.</p><p>4.1 TÊNIS</p><p>No tênis, além se ser um elemento técnico, o tipo de saque escolhido gera uma</p><p>perspectiva de estratégia tática. Independentemente do tipo de saque, os segredos</p><p>para que ele seja bem-sucedido são velocidade, rotação e colocação. Os melhores</p><p>sacadores combinam os três componentes. No jogo moderno, vê-se duas formas de</p><p>sacar: o saque com a técnica foot-up e o saque com a técnica foot-back. Geralmente,</p><p>o jogador escolhe o tipo de saque que vai usar baseado em sua preferência e estilo</p><p>pessoais (ROETER; KOVCS, 2015).</p><p>A execução do saque tem três fases principais: flexão máxima dos joelhos,</p><p>aceleração e follow-through (terminação). Durante a fase de flexão máxima dos joelhos,</p><p>o indivíduo acumula energia. A fase de aceleração é quando se libera a energia até o fim</p><p>do contato com a bola. A última fase, o follow-through, requer grande força excêntrica</p><p>para ajudar a controlar a desaceleração das partes superior e inferior do corpo (ROETER;</p><p>KOVCS, 2015).</p><p>No saque foot-up, o pé de trás geralmente começa na mesma posição que no</p><p>saque foot-back. Contudo, durante o arremesso na fase de preparação, o pé de trás</p><p>desliza para se juntar ao pé da frente. Isto permite mais transferência de peso dianteiro e</p><p>habilidade para abrir o quadril mais facilmente durante o a fase de aceleração. A posição</p><p>de foot-back permite uma posição de equilíbrio ligeiramente melhor e possivelmente</p><p>mais produção de força ascendente (vertical) (ROETER; KOVCS, 2015).</p><p>130</p><p>FIGURA 15 – MOVIMENTAÇÃO SAQUE DE TÊNIS</p><p>FONTE: <https://image.shutterstock.com/image-photo/professional-tennis-player-doing-kick-</p><p>600w-484095187.jpg>. Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>Independente da técnica utilizada, o jogador escolhe o tipo de saque que vai</p><p>usar, baseado em sua preferência e estilo pessoais podendo ser: Chapado, Slice ou Spin.</p><p>No saque</p><p>chapado a bola é acertada por trás, e viaja em uma direção em linha reta e</p><p>após bater no chão segue pela mesma direção. Nesse tipo de saque, por ter um caminho</p><p>reto, a bola chega ao destino mais rápido, quicando para o ponto de contato na altura</p><p>da cintura, gerando efeito mínimo ou inexistente. Além disso, com esse saque pode-se</p><p>obter maior velocidade de bola.</p><p>Pela sua característica o saque chapado passa com menos margem sobre a</p><p>rede fazendo com que seja mais arriscado. Todavia, o saque chapado funciona bem</p><p>em qualquer tipo de superfície, com algumas ressalvas. Em quadras duras, o saque</p><p>chapado será muito rápido e eficaz, já em quadras de saibro a bola toca o chão e perderá</p><p>um pouco a velocidade. Para executar esse saque a bola tem que ser jogada o mais alto</p><p>possível, portanto o vento também pode influenciar.</p><p>O saque Slice (que envolve o efeito gerado na rotação da bola) é aquele que quica</p><p>baixo e quando ele tem mais efeito ainda a bola quica para o lado esquerdo da quadra</p><p>se você for destro. Com este saque, o que se pretende é deslocar o oponente para que</p><p>perca a posição na quadra. É um saque em que a bola não precisa ser lançada tão alto,</p><p>por isso, para dias com um tempo adverso, vai funcionar bem, e é eficiente em todos os</p><p>tipos de superfície (dura, saibro ou grama) porque a bola, mal toca a superfície, e já vai</p><p>deslizar em contato com o solo. Isso faz com que não pegue muita altura, dificultando,</p><p>assim, o golpe do oponente. Além disso, é dos tipos de saque não muito agressivo nos</p><p>movimentos das costas e articulações em geral. Esse tipo de saque é efetivo para cruzar</p><p>próximo da linha, assim o efeito de quique da bola vai empurrar o receptor para fora do</p><p>quadro. Por isso, é um dos tipos de saque que vamos ver em muitos dos clubes de tênis.</p><p>131</p><p>Por fim, o saque Spin é aquele onde a bola é atingida atrás e de baixo para</p><p>cima. O saque Spin quica mais alto do que o saque Chapado e saque Slice. A bola de</p><p>um saque Spin viaja sob um arco no ar, ela não segue em uma linha mais reta como a</p><p>do saque chapado, após bater no chão ela tende a subir mais do que o normal já que</p><p>o arco a faz cair na quadra de uma altura maior. O ângulo da raquete no momento do</p><p>contato vai estar mais inclinado do que o da raquete no contato do saque Slice ou a</p><p>do saque chapado. Para aplicar um saque Spin com muito efeito sem ir para o efeito</p><p>de Slice, o Toss da bola não pode ser tão baixo, ele terá que ter uma altura um pouco</p><p>maior para possibilitar a aplicação do efeito de quique alto.  É um dos tipos de saque</p><p>que faz com que a bola, mal tenha tocado o solo, saia como um “tiro” para cima. Isso</p><p>vai forçar o adversário a responder  com a bola na altura do ombro, ou seja, de uma</p><p>forma muito desconfortável ou terá que recuar para poder receber na altura da cintura.</p><p>Desta forma, com este saque, faz com que o jogador perca a posição na quadra desde</p><p>o início do ponto, uma vantagem para o jogador que está servindo. Este saque é muito</p><p>eficaz, especialmente na quadra de saibro.</p><p>FIGURA 16 – TIPOS DE SAQUE DE TÊNIS</p><p>FONTE: Adaptado de <https://shutr.bz/3OhQDsR>; <https://bit.ly/38Nrvd9>; <https://bit.ly/3OmjwUI>.</p><p>Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>Chapado Slice Spin</p><p>O Padel e Squach utilizam do saque semelhantes ao do tênis</p><p>fazendo ajustes pontuais às características da raquete. O Beach</p><p>tennis também se recorre a esse tipo de jogada, exceto para</p><p>duplas mistas que os homens só podem fazer saque por baixo.</p><p>ATENÇÃO</p><p>132</p><p>4.2 TÊNIS DE MESA</p><p>Segundo a regra do Tênis de Mesa, no saque a bola deve ser lançada para cima</p><p>(16 cm no mínimo), da palma da mão livre na vertical e, na descida deve ser rebatida de</p><p>forma que ela toque primeiro no campo sacador, passe sobre a rede sem tocá-la e toque</p><p>no campo receptor. Essa regra já prediz muitos aspectos da técnica do saque.</p><p>A ação técnica do saque corresponde ao executante segurando a bola com</p><p>a mão “livre”, que estará aberta e acima da superfície da mesa. O polegar deve estar</p><p>destacado e os demais dedos estendidos, de forma que a bola não fique em posição</p><p>irregular. A bola deve ser, então, lançada verticalmente para cima, e só poderá ser batida</p><p>na sua descendente, sempre atrás da linha de fundo da mesa ou do seu prolongamento</p><p>imaginário, de maneira que toque primeiro no campo do sacador, ante de ir para o campo</p><p>do adversário.</p><p>A variedade dos saques no tênis de mesa depende de diversos fatores, dentre</p><p>esses pode-se destacar o ângulo de entrada. Quanto mais inclinado, mais a bolinha</p><p>sobre, quanto mais deitado, mais baixa a bolinha vai. Esse não pode ser muito alto se</p><p>não a bola sai muito alta e nem muito baixa, no caso não passa a rede. Por exemplo,</p><p>no saque com efeito para baixo, ao jogar a bolinha para cima, o contato para rebatida na</p><p>fase de descida deve ser por baixo da bolinha, deixando a raquete em um ângulo menos</p><p>90 graus com relação à mesa.</p><p>Para o saque também é importante utilizar do punho nos movimentos. Para isso,</p><p>as mão e punho devem ficar relaxados, para que na hora do contato ele dê a direção</p><p>da rebatida. A Rebatida devem ser realizados como se fosse uma raspada na bola. A</p><p>velocidade e a direção imposta nos movimentos também irão influenciar no resultado</p><p>do saque.</p><p>Nos links a seguir é possível conferir algumas dicas para os saques</p><p>no tênis de mesa:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=xcLXcGSBalk.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=DjD95bvNvT8.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=DjD95bvNvT8.</p><p>DICA</p><p>133</p><p>4.3 BADMINTON</p><p>Segundo as regras da Federação Internacional de Badminton, os saques sempre</p><p>devem ser realizados na diagonal. Devido ao saque iniciar pelo lado direito da quadra, o</p><p>sacador deve lançar a peteca para a esquerda da quadra adversária. Desta forma, para</p><p>começar o saque o jogador deve ficar do lado direito da quadra, dentro da área de saque.</p><p>Ambos os pés devem estar parados no chão até encostar na peteca. Para execução do</p><p>saque o atleta deve acertar a peteca sobre a rede para a quadra de forma diagonal. O</p><p>movimento de braço deve ser contínuo para frente.</p><p>Os saques podem ser descritos como curtos, longo ou diretos. No saque curto,</p><p>o objetivo é imprimir na peteca uma trajetória baixa, de forma a passar junto à rede e</p><p>cair dentro da área de serviço, perto da linha mais próxima da rede. O saque longo tem</p><p>como o objetivo imprimir na peteca uma trajetória alta e profunda de modo que este</p><p>caia perto da linha final do campo adversário, dentro da área de serviço diagonalmente</p><p>oposta (figura 17). Já o saque direto é baixo, plano e dirigido para o lado esquerdo do</p><p>oponente; sua vantagem é a velocidade.</p><p>FIGURA 17 – TIPOS DE SAQUE BADMINTON QUANTO TRAGETÓRIA</p><p>FONTE: Adaptado de Catuzzo e Souza (2016)</p><p>5 REBATIDAS</p><p>As rebatidas caracterizam-se como as ações mais executadas nos jogos dos</p><p>Esportes de raquete. Para essas modalidades os movimentos específicos de rebatidas</p><p>realizados com as raquetes são denominados Golpes. Entende-se que cada atleta,</p><p>dentro das especificidades da modalidade, pode possuir o seu estilo próprio para</p><p>execução do fundamento, tendo suas particularidades individuais, utilizando de efeitos</p><p>134</p><p>e potências diferentes. Para uma análise dos fundamentos, faz se o uso da biomecânica,</p><p>de uma maneira multidisciplinar ou interdisciplinar fundamentando-se em conceitos e</p><p>metodologias próprias para interpretação do movimento humano (SILVA; LEMOS, 2014).</p><p>5.1 FOREHAND</p><p>O Forehand, também conhecido como golpe de direita, é a rebatida movimentando</p><p>a raquete com a palma da mão voltada para a frente (figura 18). Dentre os esportes</p><p>de raquete, o forehand é o golpe mais utilizado, no tênis, por exemplo, a maioria dos</p><p>pontos são definidos com um bom golpe de forehand (SILVA; LEMOS, 2014). Esse</p><p>golpe, juntamente com o backhand, representam aproximadamente 67% dos golpes</p><p>executados durante um jogo de tênis.</p><p>FIGURA 18 – FOREHAND</p><p>FONTE: <https://image.shutterstock.com/image-photo/tennis-player-man-playing-forehand-</p><p>600w-2038996511.jpg>. Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>Além de serem os golpes mais utilizados</p><p>no tênis, são de difícil execução, pois</p><p>dependem de uma perfeita sincronização temporal entre o movimento da raquete e</p><p>a trajetória da bola. A técnica do forehand, assim como a de outros golpes, sofreu</p><p>mudanças ao longo dos tempos. Um dos fatores responsáveis por estas mudanças é o</p><p>aumento da velocidade da bola, devido à evolução dos equipamentos, do treinamento</p><p>físico específico para atletas, entre outros fatores (SILVA; LEMOS, 2014).</p><p>Para o tênis e as modalidades com estrutura técnica similar, a cadeia cinética</p><p>aplicada ao forehand reforça que o posicionamento dos pés durante a preparação</p><p>do forehand é fundamental para gerar potência, por meio do apoio, que aumenta o</p><p>momento de inércia. Sendo assim, na fase de preparação do golpe, na qual o atleta a</p><p>concentra o peso do corpo sobre o pé direito (para tenistas destros), flexiona os joelhos</p><p>e realiza rotação do quadril para trás, posicionando-se de lado para a rede. Então inicia</p><p>a condução da raquete em direção à bola com a extensão dos joelhos. Em seguida,</p><p>executa a rotação do quadril para frente e depois a rotação dos ombros. O braço e a</p><p>raquete são os últimos componentes a serem acionados.</p><p>135</p><p>Em cada posição do corpo para a realização do forehand, são necessários</p><p>diferentes mecanismos das partes superior e inferior do corpo. Em todas as posturas</p><p>empregadas para os movimentos, se utiliza de uma combinação de movimento angular</p><p>e linear para potencializar o golpe. Segundo Roetert e Kovacs (2015), o momento linear</p><p>é um produto de massa e velocidade e pode ser gerado tanto na direção vertical como</p><p>na horizontal. O momento angular refere-se ao componente rotacional do golpe e leva</p><p>em conta tanto o momento de inércia sobre um eixo (resistência à rotação sobre aquele</p><p>eixo) quanto à velocidade angular sobre aquele eixo. Tanto o momento linear quanto</p><p>o angular são fundamentais para o sucesso na geração de potência do forehand. O</p><p>montante de momento linear criado afeta a quantidade de força rotacional que é gerada</p><p>sobre cada segmento do corpo.</p><p>5.2 BACKHAND</p><p>O backhand é o golpe de rebatida movimentando a raquete com a palma da</p><p>mão voltada para trás (figura 19). O backhand pode ser mais potente que o forehand,</p><p>pelo conjunto de músculos acionados durante a execução, mas pelo ângulo do braço</p><p>em relação à bola ou peteca, todavia, é comum que seja menos preciso. Desta forma,</p><p>quando bem dominado tem efeitos sólidos e poderosos no jogo. Esse golpe envolve a</p><p>soma de forças similares às do forehand, mas há também diferenças importantes. A</p><p>força e a resistência muscular dos extensores do punho são importantes para o sucesso</p><p>da execução sequencial do backhand.</p><p>FIGURA 19 – BACKHAND</p><p>FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/full-length-portrait-young-woman-</p><p>playing-114579055>. Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>136</p><p>Uma boa execução de backhand está na liberdade de movimento, com uma</p><p>continuação longa. Sendo assim, na sua execução o ombro dominante fica em frente</p><p>ao corpo, sendo que geralmente esse golpe usa menos o corpo, inclui rotação de ombro</p><p>e antebraço. Força e flexibilidade, particularmente dos músculos da parte superior das</p><p>costas e posterior dos ombros, são essenciais.</p><p>Devido ao fato de no backhand o atleta segurar a raquete pelo braço que está a</p><p>frente o ombro, fica mais difícil dobrar o cotovelo pera retificar o ponto de contato com</p><p>a bola. Por isso é comum o backhand com o uso das duas mãos, para o tênis e seus</p><p>derivados, principalmente entre crianças. Por muito tempo acreditou que o backhand</p><p>com duas mãos era para quem não aguentava o peso da raquete. Todavia, atualmente</p><p>é utilizado para quem quer bater mais forte, visto que bater com uma mão demora mais</p><p>para calibrar o movimento.</p><p>No tênis de mesa, a estrutura do forehand e backhand segue o</p><p>mesmo princípio técnico mencionado. No entanto, o antebraço tem</p><p>um papel fundamental nos golpes de tênis de mesa, além disso,</p><p>ângulos rotacionais são mais próximos ao centro do corpo. Outro</p><p>ponto é o posicionamento do joelho, que antes do contato com a</p><p>bola deve-se flexionar e na hora exata do impacto esticar.</p><p>NOTA</p><p>5.3 SMASH</p><p>O smash é um golpe derivado do movimento realizado com forehand ou backhand,</p><p>com mais força, que geralmente é utilizado para finalizar um ponto. A execução dos</p><p>smash se assemelha muito com a técnica do saque do tênis, sendo assim, tem três</p><p>fases principais: flexão máxima dos joelhos, aceleração e terminação.</p><p>No smash o envolvimento muscular é o mesmo que para o saque. Contudo, o</p><p>padrão de movimento, especialmente na fase de preparação, pode encurtar suavemente</p><p>por causa das restrições de tempo em relação ao movimento de saque. O smash com</p><p>chute tesoura (Figura 20) tem um padrão de movimento similar para a parte superior do</p><p>corpo, mas a ação da parte inferior do corpo inclui uma decolagem com a perna de trás</p><p>e uma aterrissagem com a perna oposta depois que a bola é atingida. A ação de chute</p><p>tesoura produz força e ajuda com o alcance e o equilíbrio durante e depois do golpe.</p><p>137</p><p>FIGURA 20 – SMASH</p><p>FONTE: <https://image.shutterstock.com/image-photo/one-caucasian-man-playing-tennis-</p><p>600w-627157430.jpg>. Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>5.4 SLICE</p><p>O Slice, trata-se de um rebatida com movimento descendente. Esse golpe se</p><p>assemelha a uma cortada na bola, sendo que a raquete fica quase na horizontal e a</p><p>bolinha parece flutuar em quadra. Os tenistas usam para fazer a aproximação de rede</p><p>ou simplesmente para quebrar o ritmo do adversário. Também pode ser utilizado para</p><p>efetuar a recepção de saque e evitar o ataque do adversário.</p><p>FIGURA 21 – SLICE</p><p>FONTE: <https://image.shutterstock.com/image-photo/female-tennis-player-performing-drop-</p><p>600w-299509619.jpg>. Acesso em: 14 mar. 2022.</p><p>138</p><p>5.5 EFEITOS</p><p>Além de técnicas próprias para jogar de maneira mais confortável, ou obter</p><p>melhores resultados dos golpes, nos esportes de raquete é possível realizar alguns</p><p>efeitos, para que a jogada seja melhor sucedida de a bola faça o trajeto esperado. Há</p><p>três efeitos principais:</p><p>1- Backspin ou “para baixo”: para esse tipo de efeito, o jogador deve rebater na bola</p><p>raspando-a na parte inferior, com movimento descendente da raquete.</p><p>2- Topspin ou “para cima”: para esse tipo de efeito, o jogador deve rebater a bola de</p><p>modo a raspá-la na parte superior, com movimento ascendente da raquete.</p><p>3- Sidespin ou “lateral”: para esse tipo de efeito, o jogador deve rebater a bola raspando</p><p>a parte lateral (direita ou esquerda).</p><p>Esses efeitos podem ser combinados (lateral para a direita e para cima, lateral</p><p>para a esquerda e para baixo, entre outros). Utilizar desses efeitos significa produzir</p><p>rotação e/ou desaceleração da bola. Todavia, para empregá-los é necessário que o</p><p>jogador já demostre um nível técnico bom. Além disso, para utilizá-los é necessário</p><p>saber escolher o melhor efeitos de acordo com a situação.</p><p>5.6 GOLPES BADMINTON</p><p>O badminton por ter um especificidade nos equipamentos, a estutura técnica</p><p>se diferncia dos demais esportes de raquete, que facilmente podem derivar do tênis.</p><p>Sendo assim, além dos golpes já mencionados alguns outros golpes fazem parte do</p><p>repertório do esporte. No badminton, os golpes podem vir de movimentos da direita ou</p><p>da esquerda (forehand e backhand, respectivamente), acima da cabeça (overhand) ou</p><p>abaixo da cintura (underhand) (Figura 22).</p><p>Um golpe muito utilizado é o clear, que é uma rebatida alta e longa, efetuada</p><p>por cima da cabeça. Esse golpe tem como objetivo colocar a peteca na área de fundo</p><p>até a linha final do campo adversário. Outro golpe é o lob, sendo também um golpe alto,</p><p>mas a peteca é golpeada abaixo do nível da rede e junto a esta; tem por objetivo colocar</p><p>a peteca, por meio de uma trajetória ascendente e alta, na linha de fundo da quadra</p><p>adversária. O golpe denominado curto é efetuado acima da cabeça e tem por objetivo</p><p>colocar a peteca, por meio de uma trajetória descendente, o mais próximo possível</p><p>da rede, na quadra adversária. Por fim, o direto é executado ao lado do tronco,</p><p>batido</p><p>geralmente numa zona compreendida entre o meio e o fundo da quadra, junto às linhas</p><p>laterais; o objetivo é enviar a peteca, que se encontra mais ou menos ao nível da rede.</p><p>139</p><p>FIGURA 22 – POSIÇÃO BÁSICA E DAS DIREÇÕES DOS GOLPES DO BADMINTON</p><p>FONTE: Adaptado de Catuzzo e Souza (2016)</p><p>Os links a seguir apresentam os principais golpes das diferentes modalidades</p><p>de esportes de raquete, visto que de acordo com a especificada de cada</p><p>esporte, algumas alterações motoras são necessárias.</p><p>Tênis: https://www.youtube.com/watch?v=kHcX1CXhn9o.</p><p>Tênis de Mesa: https://www.youtube.com/watch?v=jtACaiMmCTk.</p><p>Padel: https://www.youtube.com/watch?v=L5XAZXWn0jQ.</p><p>Badminton: https://www.youtube.com/watch?v=Nu2t3eAXCso.</p><p>Beach Tennis: https://www.youtube.com/watch?v=78uubHNtmaI.</p><p>DICA</p><p>140</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>PEDAGOGIA DO ESPORTE E TÊNIS DE MESA: NOVAS PERSPECTIVAS PARA O</p><p>ENSINO-TREINO DO EFEITO NA INICIAÇÃO ESPORTIVA TARDIA</p><p>Taisa Belli</p><p>Guy Ginciene</p><p>Lívia Bernardes de Castro</p><p>Kelly Calheirana Soati</p><p>Milton Shoiti Misuta</p><p>Larissa Rafaela Galatti</p><p>TENDÊNCIAS ATUAIS NO ENSINO DOS ESPORTES DE RAQUETE</p><p>Pensando em metodologias, a abordagem tradicional para o ensino do tênis de</p><p>mesa não difere dos demais esportes de rede divisória, em especial os de raquete, ou seja:</p><p>a abordagem é centrada no ensino da técnica; os movimentos são fracionados durante</p><p>o processo de aprendizagem até que o aluno consiga executar o todo; as aulas são</p><p>baseadas na repetição de movimentos; o aluno aprende o “como fazer” (técnica) antes</p><p>do “o que fazer” (tática) (BOLONHINI; PAES, 2009; CAMARGO; MARTINS, 1999; GARCÍA,</p><p>2009; MARINOVIC; IIZUKA; NAGAOKA, 2006; UNIERZYSKI; CRESPO, 2007; VALENTINI</p><p>et al., 2009). O grande problema desse tipo de abordagem tradicional é o ensino</p><p>descontextualizado do jogo e de sua lógica. Além disso, nesse tipo de abordagem, o</p><p>aluno apenas executa o que lhe é determinado, por meio da demonstração do professor,</p><p>cabendo aos alunos apenas reproduzi-las (SCAGLIA; REVERDITO; GALATTI; 2014), em</p><p>um formato no qual o professor desempenha um papel central durante o processo de</p><p>ensino (DYSON; GRIFFIN; HASTIE, 2004; SCAGLIA, 2003; REVERDITO; SCAGLIA, 2007;</p><p>LEONARDO; REVERDITO; SCAGLIA, 2009).</p><p>No meio acadêmico, poucas são as pesquisas sobre Pedagogia do Esporte</p><p>voltadas às modalidades individuais (HARVEY; JARRETT, 2013; RUFINO; DARIDO, 2011).</p><p>Em uma revisão da literatura internacional sobre as produções científicas voltadas</p><p>às abordagens centradas nos jogos (tendências atuais), poucos foram os estudos</p><p>encontrados sobre esportes individuais, em especial sobre as modalidades de rede</p><p>divisória (que incluem os esportes de raquete) (HARVEY; JARRETT, 2013). Com relação</p><p>a essas abordagens, o Teaching Games for Understanding (TGfU) (THORPE; BUNKER;</p><p>ALMOND, 1986), cuja primeira publicação é de 1982, é o mais conhecido. A partir dele,</p><p>surgem diversas variações como: Play Practice (PP), de Launder (2001); Tactical Games</p><p>Model (TGM), de Mitchell, Oslin e Griffin (2006); Game Sense (GS), de Light (2004)</p><p>(HARVEY; JARRETT, 2013).</p><p>141</p><p>Essas abordagens são voltadas aos esportes de uma maneira geral e algumas</p><p>apresentam orientações específicas para os esportes de raquete, tendo o tênis de</p><p>campo como exemplo mais comum (CORTELA et al., 2012). As primeiras experiências</p><p>que originaram o TGfU, inclusive, surgiram das inquietações de Rod Thorpe com a</p><p>forma de ensinar tênis de campo (THORPE; BUNKER; ALMOND, 1986). Os esportes</p><p>não especificados nessas abordagens, como é o caso do tênis de mesa, seguem as</p><p>orientações gerais para o ensino dos esportes de mesma lógica. No caso do tênis de</p><p>mesa, por exemplo, sua lógica se encaixa na mesma dos esportes de rede divisória</p><p>(GONZÁLEZ; DARIDO; OLIVEIRA, 2014; MITCHELL; OSLIN; GRIFFIN, 2013), que é: passar a</p><p>bola para o outro lado da rede, de forma que o adversário não consiga devolver. É a partir</p><p>dessa ideia que ocorre a sistematização das etapas de aprendizagem dos esportes de</p><p>rede divisória, incluindo os de raquete, respeitando sempre as intenções táticas e as</p><p>particularidades de cada modalidade.</p><p>De uma maneira geral, as tendências atuais voltadas ao ensino dos esportes de</p><p>raquete têm como objetivo fazer com que os alunos compreendam o jogo. Compreender</p><p>o jogo nada mais é do que entender “o que” se deve fazer antes do “como” fazer. Nessa</p><p>perspectiva, os alunos vão atrás desse conhecimento por meio de um processo de</p><p>solução de problemas guiados pelo próprio jogo, por exemplo:</p><p>Problema: Como ganhar o ponto?</p><p>Solução: Jogando a bola de forma que o adversário não consiga devolver.</p><p>Problema: Onde devo jogar a bola?</p><p>Solução: Nos espaços vazios da mesa.</p><p>Problema: Quais são os espaços vazios?</p><p>Solução: As laterais.</p><p>Problema: Como jogar nas laterais?</p><p>Solução: Direcionando a bola durante minha rebatida.</p><p>Nesse processo, o professor não “dá a resposta”, dizendo como e quando</p><p>rebater cruzadas e paralelas. A ideia é que, por meio desse processo de solução de</p><p>problemas, característico do próprio jogo, o aluno chegue a essas soluções, desenvolva</p><p>as intenções táticas e as habilidades para isso.</p><p>Entretanto, a literatura ainda carece de discussões que sigam essa linha para</p><p>o ensinotreino do tênis de mesa. Nos últimos anos, algumas propostas começaram a</p><p>despontar a fim de suprir essa carência, a exemplo do conjunto de planos de aula para</p><p>tênis de mesa apresentadas por Ginciene e Deprá (2014) e da implantação de um projeto</p><p>de extensão universitária em tênis de mesa para iniciação esportiva tardia da modalidade</p><p>por meio de jogos (SOATI et al., 2015), ambos pautados nas tendências atuais da</p><p>Pedagogia do Esporte. Na intenção de aprofundar essas discussões, trataremos neste</p><p>artigo das especificidades do ensino-treino do efeito no tênis de mesa, compreendendo</p><p>sua grande importância estratégicotática numa partida de tênis de mesa.</p><p>142</p><p>O ENSINO-TREINO DO EFEITO NO TÊNIS DE MESA</p><p>São duas as maneiras de golpear a bola: no centro ou em suas extremidades.</p><p>Quando o golpe é realizado em direção ao centro, recebe o nome de “bola chapada”</p><p>(sem efeito), entretanto, quando o golpe é realizado próximo a sua extremidades, é</p><p>provocado algum tipo de giro/rotação na bola, denominado de efeito. Existem diversos</p><p>tipos de efeitos durante uma partida, os simples (por baixo, por cima, para a direita</p><p>e para a esquerda) e a combinação entre eles (por baixo e para a direita, por cima e</p><p>para a esquerda etc.). Quando o golpe é realizado com algum efeito, é possível notar</p><p>a trajetória curvilínea da bola no ar, ocasionada pela resistência do ar, ou seja, quanto</p><p>maior o número de rotações aplicados na bola, maior será o grau da sua curvatura, por</p><p>cima, por baixo, à direita ou à esquerda, pois a rotação cria maior resistência com o ar,</p><p>fazendo com que a bola se mova pela área de menor resistência (McAFEE, 2009).</p><p>Para executá-lo, exige-se uma motricidade fina do atleta, na qual o ajuste no</p><p>instante em que a bola toca na raquete necessita ser preciso, pois é nele que será</p><p>definido se o golpe terá êxito ou não (NAKASHIMA; NAKASHIMA, 2006). Para isso</p><p>acontecer, é indispensável a angulação da raquete quando ocorre o contato com a</p><p>bola, que determinará que tipo de efeito será exercido. Para realizá-los são necessários</p><p>ajustes, como a regulação da raquete para aniquilar, reverter ou rotacionar ainda mais os</p><p>diferentes efeitos imprimidos, dificultando o nível de cada jogada (IINO; KOJIMA, 2009).</p><p>Os efeitos podem ser executados em qualquer momento do jogo e são</p><p>determinados pelo próprio jogador, de acordo com a intenção tática durante os pontos.</p><p>Eles têm o objetivo de dificultar a devolução adversária (IINO; KOJIMA, 2009). Assim, o</p><p>mesatenista pode tentar ludibriar o outro por meio das combinações de efeito e, quanto</p><p>maior o número de rotações na bola, maior a chance de o adversário não se adequar</p><p>ao efeito e jogar a bola para fora ou não conseguir alcançá-la (TANG; MIZOGUCHI;</p><p>TOYOSHIMA, 2002).</p><p>Nessa perspectiva, percebemos que o efeito é um recurso muito</p><p>2 VALÊNCIAS FÍSICAS NOS ESPORTES DE RAQUETE ....................................................186</p><p>2.1 FORÇA .................................................................................................................................................. 187</p><p>2.2 VELOCIDADE E AGILIDADE ............................................................................................................189</p><p>2.3 RESISTÊNCIA .....................................................................................................................................189</p><p>2.4 FLEXIBILIDADE ..................................................................................................................................190</p><p>2.5 COORDENAÇÃO ................................................................................................................................191</p><p>3 A INTERLIGAÇÃO ENTRE A PREPARAÇÃO FÍSICA E O TREINAMENTO</p><p>TÉCNICO-TÁTICO ............................................................................................................ 191</p><p>4 ASPECTOS FISIOLÓGICOS NOS ESPORTES DE RAQUETE ..........................................192</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................194</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................195</p><p>TÓPICO 3 — PREPARAÇÃO TÁTICA ...................................................................................199</p><p>1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................199</p><p>2 TÁTICAS NOS ESPORTES DE RAQUETE ........................................................................199</p><p>2.1 ESTRATÉGIA VERSUS TÁTICA ........................................................................................................ 202</p><p>2.2 TÁTICA INDIVIDUAL VERSUS TÁTICA DE JOGOS EM DUPLA ............................................... 203</p><p>3 TÁTICAS ESPECÍFICAS DA MODALIDADE .................................................................... 204</p><p>3.1 TÊNIS ................................................................................................................................................... 204</p><p>3.2 TÊNIS DE MESA ................................................................................................................................ 206</p><p>3.3 BADMINTON .......................................................................................................................................207</p><p>3.4 BEACH TENNIS .................................................................................................................................208</p><p>3.5 SQUASH ............................................................................................................................................. 209</p><p>3.6 PADEL ...................................................................................................................................................211</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................212</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................................218</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................219</p><p>REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 223</p><p>1</p><p>UNIDADE 1 —</p><p>INTRODUÇÃO AOS</p><p>ESPORTES DE RAQUETE</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• conhecer quais modalidades esportivas são consideradas como Esportes de Raquete;</p><p>• entender as concepções esportivas dos Esportes de Raquete;</p><p>• compreender a Estrutura, História e Regras dos Esportes de Raquete Olímpicos;</p><p>• analisar a Estrutura, História e Regras dos Esportes de Raquete não inclusos em</p><p>Olímpiadas;</p><p>• conhecer a proposta Interacionista de jogo aplicada aos Esportes de Raquete.</p><p>Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará</p><p>autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – CONTEXTUALIZAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DOS ESPORTES DE RAQUETE</p><p>TÓPICO 2 – ESPORTES DE RAQUETE OLÍMPICOS</p><p>TÓPICO 3 – ESPORTES DE RAQUETE NÃO OLÍMPICOS</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure</p><p>um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>2</p><p>CONFIRA</p><p>A TRILHA DA</p><p>UNIDADE 1!</p><p>Acesse o</p><p>QR Code abaixo:</p><p>3</p><p>CONTEXTUALIZAÇÃO E CARACTERÍSTICAS</p><p>DOS ESPORTES DE RAQUETE</p><p>TÓPICO 1 — UNIDADE 1</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>São conhecidos como Esportes de Raquete as modalidades quais se rebate um</p><p>implemento (bola ou peteca), com uma raquete. Dentre os esportes da categoria mais</p><p>conhecidos se tem o Tênis, o Tênis de Mesa, o Badminton, o Squash e o Beach Tennis.</p><p>Todavia, devido à crescente visibilidade desses esportes, outras modalidades com o uso</p><p>de raquetes têm ganhado mais adeptos e praticantes. Mesmo havendo um amplo rol</p><p>de esportes de raquete, essas modalidades ainda apresentam um número restrito de</p><p>praticantes no Brasil. Frente aos apontamentos, o profissional de educação física deve</p><p>oportunizar o conhecimento sobre as possibilidades, ações e expectativas sobres as</p><p>diferentes possibilidades em torno dos Esportes de Raquete.</p><p>Segundo Cortela et al. (2020), a trajetória dos esportes de raquete no Brasil</p><p>é marcada pelas práticas predominantemente em clubes e associações privadas. No</p><p>que se refere ao campo acadêmico e profissional, o autor reforça a necessidade de</p><p>que especificidades desse agrupamento de modalidades, esteja associada ao processo</p><p>de formação acadêmica, a fim de formar novos treinadores e pesquisadores. No</p><p>entanto, o campo de investigação e desenvolvimento profissional para trabalhar com</p><p>as modalidades no país é frutífero e tem espaço para contribuições de diferentes linhas</p><p>de pesquisa e profissionais, que podem encontrar nessas modalidades um espaço para</p><p>contribuições inéditas e de impacto.</p><p>Para contemplar essas expectativas, nesse tópico abordaremos os aspectos</p><p>conceituais e estruturais dos Esportes de Raquete, assim como as perspectivas das</p><p>modalidades com o uso de raquetes nas diferentes concepções esportivas. Ao final,</p><p>abordaremos a concepção da proposta interacionista aplicada aos Esportes de Raquete.</p><p>Esses elementos são primordiais para a compreensão dos demais tópicos e Unidades</p><p>de estudo.</p><p>2 CONCEITUAÇÃO SOBRE OS ESPORTES DE RAQUETE</p><p>O esporte tem uma grande diversificação de possibilidades, modalidades</p><p>e práticas. Para isso, busca-se classificar as modalidades esportivas de acordo com</p><p>as suas características como: esportes individuais ou coletivos, esportes de contato,</p><p>atividades aquáticas etc. (MACHADO; SOUZA; SILVA, 2019). Essa classificação permite</p><p>que seja possível identificar elementos estruturais e funcionais comuns, que podem</p><p>4</p><p>orientar processos de treinamento para esse conjunto de modalidades (ABURACHID;</p><p>JIMÉNEZ, 2021). Nesse sentido, os esportes que utilizam de uma raquete, com um</p><p>implemento para a execução de suas modalidades, são denominados Esportes de</p><p>Raquete.</p><p>A aproximação e o distanciamento dos jogos em classificações específicas</p><p>ocorrem por intermédio dos índices de regularidades como ambiente físico, disposição</p><p>dos jogos, objeto de intermediação, acordos entre os jogadores, regras, habilidades</p><p>motoras específicas e atitudes e representações simbólicas (SILVA et al., 2017). Nesse</p><p>sentido, os esportes que utilizam de uma raquete, com um implemento para a execução</p><p>de suas modalidades, são denominados Esportes de Raquete.</p><p>Para Cabelo (2000 apud ABURACHID; JIMÉNEZ, 2021), os Esportes de Raquete</p><p>são caracterizados pela ação de golpear um objeto móvel com uma raquete, a fim de</p><p>ultrapassar uma demarcação em busca de ganhar a jogada. Esses esportes acontecem</p><p>eficaz para</p><p>determinada intenção tática, que está diretamente ligada à lógica interna do tênis de</p><p>mesa, ou seja, rebater a bola para o outro lado de forma que o adversário não consiga</p><p>ou tenha dificuldades em devolver. Sendo assim, o efeito é uma etapa de grande</p><p>importância para o processo de aprendizagem da modalidade.</p><p>O Quadro a seguir apresenta dois jogos que têm como objetivo o ensino do efeito</p><p>no tênis de mesa, tendo suas características principais divididas em três categorias:</p><p>estruturais, funcionais e normativas (BETTEGA et al., 2015). Na iniciação tardia do tênis</p><p>de mesa, muitos alunos trazem uma experiência prévia no pingue-pongue e, com</p><p>isso, um olhar estratégico-tático que contribui para o sucesso ao jogar tênis de mesa</p><p>(VINCENTIS et al., 2016). No entanto, um aspecto limitante na prática prévia do pingue-</p><p>pongue consiste no uso de raquetes que restringem muito a possibilidade de imprimir</p><p>rotação na bola. Dessa maneira, esses alunos apresentam um repertório limitado acerca</p><p>143</p><p>do uso do efeito no jogo de tênis de mesa. Juntamente com esse aspecto, a bola de</p><p>dimensão pequena pode alcançar cerca de 50 rotações/segundo (3000 rpm) (QUN et</p><p>al., 1992), sendo difícil visualizar qual tipo de efeito foi imposto pelo adversário para</p><p>interagir adequadamente. Diante do exposto, o primeiro jogo ocorre com bolas de</p><p>dimensões maiores até chegar na bola de tênis de mesa para permitir a percepção por</p><p>parte do aluno sobre a complexidade do jogo associado às noções básicas de efeito.</p><p>Aqui a ênfase está no aluno aprender a lidar com as várias formas de efeito, desde</p><p>aplicar o efeito até realizar sua leitura em um cenário mais amplo. Já o segundo jogo</p><p>está estruturado no contexto de explorar os efeitos a fim de devolver a bola para o outro</p><p>lado da rede, de forma a dificultar a devolução adversária, isto é, associando diretamente</p><p>o efeito com intenção tática no jogo de tênis de mesa.</p><p>QUADRO− JOGOS PARA O ENSINO-TREINO DO EFEITO NO TÊNIS DE MESA</p><p>Jogos Principais objetivos Características</p><p>Jogo 1</p><p>Promover a interação do</p><p>aluno com os diferentes</p><p>tipos de efeitos no tênis</p><p>de mesa (por cima, por</p><p>baixo, laterais e possíveis</p><p>combinações). Desenvolver</p><p>a habilidade de aplicar</p><p>efeitos na bola bem como</p><p>de ler e interpretar os</p><p>efeitos do adversário.</p><p>Estruturais: espaço amplo com delimitações de</p><p>parede, bola suíça, bola de voleibol, bola de tênis de</p><p>mesa e raquete.</p><p>Funcionais: os atletas dispostos em duplas utilizam</p><p>a bola suíça inicialmente. A tarefa é lançar a bola</p><p>para a dupla, aplicando os diversos tipos de efeito</p><p>de maneira que a bola quique uma vez no solo. O</p><p>oponente na dupla terá que ler, interpretar e dizer qual</p><p>efeito foi aplicado. O jogo segue de maneira alternada</p><p>entre os jogadores. Na segunda rodada, substitui-se</p><p>a bola suíça pela bola de voleibol e, na última rodada,</p><p>pela bola e pela raquete oficial da modalidade. A lógica</p><p>do jogo como um todo é variar os diferentes tipos de</p><p>efeitos para surpreender e ludibriar o adversário.</p><p>Variação: neste jogo, o solo representa a superfície</p><p>da mesa. Uma variação consiste em o jogador</p><p>lançar a bola contra uma parede, a qual representa</p><p>uma raquete parada na posição de golpe chapado</p><p>(sem efeito). A trajetória da bola após tocar nessas</p><p>superfícies (solo/parede) contribui para a leitura</p><p>do efeito.</p><p>Normativas: o jogador da dupla ganha um ponto</p><p>a cada vez que acerta o efeito imprimido pelo seu</p><p>oponente. Se ele errar a indicação do efeito, o ponto</p><p>é computado para seu adversário. O vencedor será</p><p>aquele que tiver marcado mais pontos ao final do jogo.</p><p>144</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>No tênis de mesa, o mesatenista empunhando sua raquete entra em interação</p><p>com a bola, a mesa, com seu adversário, consigo mesmo, com os árbitros, treinadores e</p><p>torcida, tendo por objetivo vencer o jogo. Assim, esse atleta precisa dominar um amplo</p><p>conjunto de habilidades tático-técnicas integradas, a fim de alcançar o sucesso em</p><p>uma partida. Nesse cenário, discutimos neste estudo o ensino-treino tático-técnico do</p><p>efeito no tênis de mesa, contextualizado com a lógica interna do esporte e pautado nas</p><p>tendências atuais da Pedagogia do Esporte, visando contribuir para superar o cenário</p><p>ainda vigente de ensino do tênis de mesa, baseado no método tradicional.</p><p>Um dos problemas ao ensinar os efeitos em um modelo tradicional é que o</p><p>aluno aprende “como” executá-lo, mas não necessariamente aprende “o que” fazer com</p><p>ele. No contexto da lógica do jogo de tênis de mesa, o importante é utilizar o efeito para</p><p>dificultar a devolução adversária e não simplesmente fazer a bola “girar” em qualquer</p><p>momento do jogo, sem nenhuma intenção tática.</p><p>Jogo 2</p><p>Devolver a bola com</p><p>rotação/efeito (por cima,</p><p>por baixo, laterais e possíveis</p><p>combinações) para o outro</p><p>lado da rede, de forma</p><p>a dificultar a devolução</p><p>adversária.</p><p>Estruturais: Espaço no solo demarcado com linhas</p><p>laterais e de fundo e com uma linha ou rede divisória</p><p>baixa ao meio. Cada meia quadra é subdivida em</p><p>9 quadrantes iguais, seguindo o mapa estratégico</p><p>proposto por Fei et al (2010). Bola de voleibol.</p><p>Funcionais: Os alunos formam duas equipes, cada uma</p><p>disposta em uma quadra. Cada integrante da equipe</p><p>deve ocupar um quadrante e, ao final de cada ponto</p><p>disputado, ocorre um rodízio dos alunos, ocupando</p><p>novos quadrantes. A lógica do jogo é lançar a bola</p><p>com rotação, quicando uma vez na quadra adversária,</p><p>de maneira a colocar o adversário para fora do seu</p><p>quadrante e/ou da quadra como um todo.</p><p>Normativas: Cada equipe terá dois saques alternados,</p><p>realizados pelo membro do quadrante 9, e o jogo será</p><p>disputado até 11 pontos, similar ao jogo oficial. Perde-</p><p>se o ponto se lançar a bola sem rotação ou com o</p><p>primeiro quique fora da quadra adversária e se receber</p><p>a bola pisando para fora do quadrante, sem a bola ter</p><p>quicado uma vez ou após o seu segundo quique.</p><p>145</p><p>Além disso, no modelo tradicional de ensino, o aluno aprende a manter seu</p><p>foco na execução do movimento, enquanto o importante é que mantenha seu foco</p><p>no contexto do jogo, de modo a tomar boas decisões sobre qual efeito utilizar em cada</p><p>situação, buscando criar situações de vantagem para si e problemas ao adversário. A</p><p>fim de ilustrar o proposto, foram apresentados dois jogos neste artigo, nos quais o aluno</p><p>compreende o objetivo de cada tipo de efeito (para que possa tomar boas decisões</p><p>sobre quando utilizá-los), aprende como se portar diante de bolas vindas com efeito</p><p>(leitura de jogo para desenvolver habilidade de leitura e antecipação de jogo) e, ainda,</p><p>explora os efeitos associados à intenção tática no jogo.</p><p>Na perspectiva das tendências atuais da Pedagogia do Esporte, proliferam</p><p>propostas teóricas e começam a emergir práticas que trazem para o centro do processo</p><p>o praticante, no nosso caso, quem joga tênis de mesa. Para avançar cientificamente e</p><p>na prática pedagógica do esporte, urge no momento tratar cientificamente as novas</p><p>proposições – processo iniciado neste artigo –, a fim de contribuir para o constante</p><p>avanço da Pedagogia do Esporte, na teoria e na prática.</p><p>FONTE: BELLI, T. et al. Pedagogia do Esporte e Tênis de Mesa: Novas Perspectivas no Ensino-Treino do</p><p>Efeito na Iniciação Esportiva Tardia. Pensar a Prática, v. 20, n. 2, 2017</p><p>146</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• A empunhadura da raquete é uma das habilidades básicas para os jogadores de</p><p>qualquer um dos Esporte de Raquete, pois determina a eficiência dos golpes.</p><p>• O cabo da raquete de tênis é chanfrado, ou seja, é a forma de octógono. Os chanfros</p><p>servem como guias de referência para os tipos de empunhadura.</p><p>• São conhecidos três tipos de empunhaduras para o tênis: Continental, Western e</p><p>Eastem. Há também a variação da Western denominada Semi-Western.</p><p>• No tênis de mesa, a empunhadura vai ditar não só o tipo de pegada, mas também</p><p>o estilo de raquete a ser utilizada. Sendo assim, são utilizados três forma de</p><p>empunhadura: clássica; caneta e classineta.</p><p>• No badminton, a empunhadura</p><p>da raquete não deve ser muito rígida. Pode-se dizer</p><p>que há três tipos de empunhadura para o esporte: neutra, de direita e de esquerda.</p><p>• No tênis, além se ser um elemento técnico, o tipo de saque escolhido gera uma</p><p>perspectiva de estratégia tática. Sendo assim, há duas formas de sacar: o saque com</p><p>a técnica foot-up e o saque com a técnica foot-back.</p><p>• No tênis, independente da técnica utilizada, o jogador escolhe o tipo de saque que vai</p><p>usar, baseado em sua preferência e estilo, podendo ser: Chapado, Slice ou Spin.</p><p>• No saque no tênis de mesa, a bola deve ser lançada para cima (16 cm no mínimo),</p><p>da palma da mão livre na vertical e, na descida, deve ser rebatida de forma que ela</p><p>toque primeiro no campo sacador, passe sobre a rede sem tocá-la e toque no campo</p><p>receptor.</p><p>• No badminton, para execução do saque, o atleta deve acertar a peteca sobre a rede</p><p>para a quadra de forma diagonal. O movimento de braço deve ser contínuo para</p><p>frente. Os saques podem ser descritos como curtos, longo ou diretos.</p><p>• Os movimentos específicos de rebatidas realizados com as raquetes são denominados</p><p>golpes.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>147</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Duas das técnicas mais importantes no Tênis de Mesa são o saque e a recepção. São</p><p>importantes ferramentas para que o atleta consiga um bom desempenho no jogo. Se</p><p>tratando especificamente do saque, analise as sentenças a seguir:</p><p>I- O saque deve ser enganoso, o adversário deve ter dúvida sobre o efeito exercido</p><p>quando o sacador tocou a bola.</p><p>II- É importante que o sacador consiga combinar uma grande variedade de efeitos e</p><p>velocidade.</p><p>III- O saque deve ser cruzado apenas nos jogos em duplas, sendo realizado do lado</p><p>direito do sacador para o lado direito da mesa do recebedor.</p><p>IV- O jogador deve lançar a bolinha para cima, de modo que ela atinja uma altura de, no</p><p>mínimo 16 cm e golpeá-la na descida.</p><p>V- A bolinha após der golpeada pelo sacador deve passar diretamente por cima da</p><p>rede, para a quadra adversária.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.</p><p>b) ( ) As sentenças I, III e IV estão corretas.</p><p>c) ( ) As sentenças I, IV e V estão corretas.</p><p>d) ( ) As sentenças II, III e IV estão corretas.</p><p>2 O atleta e seu técnico, para se prepararem para uma partida importante de tênis,</p><p>devem montar uma estratégia de jogo. Para isso, ele deve levar em consideração</p><p>a pegada (empunhadura) do adversário, o tipo de jogador a qual vai enfrentar, a</p><p>movimentação de jogo, a potência de golpes, direção de golpes, erros cometidos e</p><p>aspectos mentais. Diante do exposto, analise as sentenças a seguir:</p><p>I- Quem utiliza a pegada westem enviará bolas altas, o que torna difícil rebatê-las,</p><p>sugere-se então atraia-o adversário para a rede, pois é provável que não seja bom</p><p>volteador devido à pegada Western.</p><p>II- Ao jogar contra adversários que enviam bolas fortes, a melhor solução para bloquear</p><p>seu estilo de jogo é tirar o peso da bola.</p><p>III- A estratégia de jogo deve considerar apenas os erros cometidos pelo adversário.</p><p>IV- A estratégia mental consiste exclusivamente em desestabilizar o adversário.</p><p>V- Ao jogar com oponentes velozes, uma estratégia é jogar bolas variadas e atacar com</p><p>bolas curtas.</p><p>148</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.</p><p>b) ( ) As sentenças I, III e IV estão corretas.</p><p>c) ( ) As sentenças I, II e V estão corretas.</p><p>d) ( ) As sentenças II, III e IV estão corretas.</p><p>3 A imagem a seguir apresenta o principal golpe do tênis, também utilizados em outros</p><p>esportes de raquete. Sua nomenclatura não tem uma tradução ao pé da letra, mas</p><p>como se fosse a palma da mão, é o único golpe que é igualmente importante tanto</p><p>no ataque quanto na defesa. Como ele é chamado?</p><p>FONTE: < http://bemestaremovimento.blogspot.com/2018/>. Acesso em: 15 mar. 2022.</p><p>a) ( ) Forehand.</p><p>b) ( ) Backhand.</p><p>c) ( ) Smach.</p><p>d) ( ) Saque.</p><p>4 Há mais de 30 anos, quando o beach tennis surgiu nas areias da Itália, tratava-se</p><p>de uma atividade recreativa e voltada à socialização dos praticantes. Entretanto,</p><p>desde 1996, a partir da introdução de algumas regras semelhantes às aplicadas no</p><p>tênis, da regulamentação das dimensões da quadra e da fundação da International</p><p>Federation Beach Tennis (IFBT), a modalidade se modernizou e deu seus primeiros</p><p>passos em direção à profissionalização. Nesse sentido, Todos os golpes usados</p><p>no  beach  tennis  são herdados do tênis. O serviço é considerado fundamental.</p><p>Referente ao serviço/saque no beach tennis, aponte suas características técnicas.</p><p>FONTE: <http://revistatenis.uol.com.br/artigo/conheca-mais-sobre-o-beach-tennis_8641.</p><p>html#ixzz5JIc11fM1>. Acesso em: 15 mar. 2022.</p><p>149</p><p>5 A manipulação da raquete é uma das habilidades básicas para os jogadores de</p><p>qualquer um dos Esporte de Raquete, pois determina a eficiência dos golpes. Desta</p><p>forma, a empunhadura refere-se à ligação do corpo com a raquete. Como para cada</p><p>modalidade se utiliza de uma raquete diferente, cada esporte terá suas características</p><p>específicas. Dentre as modalidades, há diferentes tipos de empunhadura, no entanto,</p><p>algumas são mais indicadas para os jogadores iniciantes. Nesse sentido, apresente</p><p>a empunhadura ideal para ensinar a jogadores iniciantes de Tênis, Tênis de Mesa e</p><p>Badminton, e justifique a escolha.</p><p>150</p><p>151</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BALBINOTTI, C. O ensino do tênis de campo: o processo de aprendizagem progressiva.</p><p>In: TANI, G.; BENTO, J. O.; PETERSEN, R. D. S. Pedagogia do desporto. Rio de</p><p>Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. p. 399-407</p><p>BALBINOTTI, C. O ensino do tênis: novas perspectivas de aprendizagem. Porto Alegre:</p><p>Artmed Editora, 2009.</p><p>BÖHME, M. T. S. Treinamento a longo prazo e o processo de detecção, seleção e</p><p>promoção de talentos esportivos. Revista Brasileira de ciências do esporte, v. 21,</p><p>n. 2, 2010. Disponível em: http://revista.cbce.org.br/index.php/RBCE/article/view/775.</p><p>Acesso em: 15 mar. 2022.</p><p>CATUZZO, M. T.; SOUZA, C. J. F. de. Aprendizagem motora e o ensino do Badminton. In:</p><p>TANI, G.; CORRÊA, U. C. Aprendizagem motora e o ensino do esporte. São Paulo:</p><p>Editora Blucher, 2016.</p><p>CORTELA, C. C. et al. Iniciação esportiva ao tênis de campo: um retrato do programa</p><p>play and stay à luz da pedagogia do esporte. Conexões, v. 10, n. 2, p. 214-234, 2012.</p><p>Disponível em: https://mid.curitiba.pr.gov.br/2016/00179445.pdf. Acesso em: 15 mar.</p><p>2022.</p><p>DREWS, R.; CHIVIACOWSKY, S. Aprendizagem motora e o ensino do Padel. In: TANI, G.;</p><p>CORRÊA, U. C. Aprendizagem motora e o ensino do esporte. São Paulo: Editora</p><p>Blucher, 2016.</p><p>FRANKE. R. A. Metodologia do Handebol. São Paulo: ABDR, 2018.</p><p>GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o</p><p>desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. São Paulo: AMGH</p><p>Editora, 2013.</p><p>GOMES. Treinamento desportivo: estruturação e periodização. 2a. ed. Porto Alegre:</p><p>Artmed; 2009.</p><p>GRECO, P. J.; BRENDA, R. N. Iniciação esportiva universal: da aprendizagem motora</p><p>ao treinamento técnico. Belo Horizonte: UFMG, 1998.</p><p>GRECO, J. P.; SILVA, S. A.; ABURACHID, L. C. Iniciação esportiva universal: uma</p><p>escola da bola aplicada ao tênis. In: BALBINOTTI, C. et al. O ensino do tênis: novas</p><p>perspectivas de aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2011a. p. 80-97</p><p>152</p><p>HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento Motor ao Longo da Vida. 6. ed.</p><p>São Paulo: Artmed Editora, 2016.</p><p>LAGE, G. M.; BENDA, R. N. Treinamento técnico: Uma revisão sobre a aplicação do</p><p>princípio da interferência contextual no processo ensino-aprendizagem de habilidades</p><p>esportivas. In: Temas atuais em educação física e esportes VII. Belo Horizonte:</p><p>Health, p. 255-270, 2002.</p><p>MARINOVIC, W. Aprendizagem motora e o ensino do Tênis de Mesa. In: Aprendizagem</p><p>motora e o ensino do esporte. São Paulo: Editora Blucher, 2016.</p><p>MARINOVIC, W Efeito da restrição da tarefa na organização do movimento de</p><p>rebatida de forehand em mesa-tenistas habilidosos. Dissertação (Mestrado). São</p><p>Paulo: Universidade de São Paulo, Escola de Educação Física e Esporte, 2003.</p><p>PAULA, P. R; BALBINOTTI, C. Iniciação ao Tenis Na Infância: Os primeiros contatos</p><p>com a bola e a raquete. In: BALBINOTTI, C. O ensino do tênis: novas perspectivas de</p><p>aprendizagem. Porto Alegre: Artmed Editora, 2009.</p><p>PELLEGRINI, A. M. A aprendizagem de Habilidades Motoras I: o que muda com a</p><p>prática? Revista Paulista de Educação Física, supl.3, 2000. p. 29-34. Disponível em:</p><p>https://www.revistas.usp.br/rpef/article/view/139610. Acesso em: 28 mar. 2022.</p><p>PEREIRA, É. F.; TEIXEIRA, C. S.; CORAZZA, S. T. A estrutura do movimento e a</p><p>aprendizagem das habilidades motoras. Atividade física, lazer e qualidade de vida</p><p>– revista de educação física, v. 2, n. 2, p. 43-57, 2011.</p><p>RAMOS, A. M.; NEVES, R. L. R. A iniciação esportiva e a especialização precoce à luz da</p><p>teoria da complexidade – notas introdutórias. Pensar a prática, Goiânia, v. 11, n. 1, p.</p><p>1-8, 2008. Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/fef/article/view/1786. Acesso</p><p>em: 23 mar. 2022.</p><p>ROETERT, E.; KOVACS, M. S. Anatomia do tênis: guia ilustrado para o aumento de</p><p>força, velocidade, potência e agilidade no tênis. Tamboré: Editora Manole, 2015.</p><p>SCHMIDT, R. A.; LEE, T. D. Aprendizagem e Performance Motora. 5. ed. São Paulo:</p><p>Artmed Editora, 2016.</p><p>SILVA, F. M.; ARAÚJO, R. F. D.; SOARES, Y. M. Iniciação esportiva. MedBook Editora,</p><p>2012.</p><p>SILVA, G.; LEMOS, D. A. Os fundamentos forehand, backhand e saque do tênis: uma</p><p>abordagem teórica. Revista Didática Sistêmica, v. 16, n. 1, p. 128-145, 2014. Disponível</p><p>em: https://periodicos.furg.br/redsis/article/view/5124. Acesso em: 15 mar. 2022.</p><p>153</p><p>SIMÕES, D. P. BALBINOTTI, C. As qualidades físicas no tênis considerações teóricas e</p><p>práticas. In: BALBINOTTI, C. O ensino do tênis: novas perspectivas de aprendizagem.</p><p>Porto Alegre: Artmed Editora, 2009.</p><p>SOARES, Y. M. Treinamento esportivo. Rio de Janeiro: MedBook Editora, 2014.</p><p>SODRÉ, G. T. B. O ensino do tênis na iniciação esportiva: uma revisão. 2020. 21f.</p><p>TCC (Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso) – Especialização</p><p>em Preparação Física e Esportiva, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo</p><p>Horizonte. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/37102/1/</p><p>Gisele%20Teles%20Bastos%20Sodr%C3%A9%20_final.pdf. Acesso em: 15 mar. 2022.</p><p>TANI, G. Aprendizagem motora e esporte de rendimento: um caso de divórcio sem</p><p>casamento. In: BARBANTI, V.J.; BENTO, J.O.; MARQUEZ, A.T. Esporte e atividade</p><p>física: interação entre rendimento e saúde. Barueri: Manole, p.145-62, 2002.</p><p>TANI, G.; CORRÊA, U. C. Aprendizagem motora e o ensino do esporte. São Paulo:</p><p>Editora Blucher, 2016.</p><p>TANI, G.; SANTOS, S.; JÚNIOR, C. de M. M. O ensino da técnica e a aquisição de</p><p>habilidades motoras no desporto. 2006. Disponível em: http://each.uspnet.usp.br/</p><p>cmj/wp-content/uploads/2012/05/Tani_MeiraJrSantos_2006_tecnicadesporto.pdf.</p><p>Acesso em: 15 mar. 2022.</p><p>TEOLDO, I.; CARDOSO, F. S. L. Tomada de decisão no contexto esportivo. In: Congresso</p><p>internacional dos jogos desportivos coletivos. Revista Portuguesa de Ciências do</p><p>Desporto, Porto, v. 1. p. 309-323, 2017.</p><p>154</p><p>155</p><p>PROCESSOS DE</p><p>TREINAMENTO</p><p>UNIDADE 3 —</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• compreender os processos de Treinamentos voltados aos Esportes de raquete;</p><p>• entender a aplicar os componentes das cargas de treino para os Esportes de raquete;</p><p>• conhecer os aspéctos biomecânicos aplicados aos Esportes de raquete;</p><p>• analisar aos aspectos inerentes à preparação física dos Esportes de raquete;</p><p>• compreender os componetes táticos dos Esportes de raquete.</p><p>Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará</p><p>autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – PROCESSOS DE TREINAMENTO</p><p>TÓPICO 2 – PREPARAÇÃO FÍSICA</p><p>TÓPICO 3 – PREPARAÇÃO TÁTICA</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure</p><p>um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>156</p><p>CONFIRA</p><p>A TRILHA DA</p><p>UNIDADE 3!</p><p>Acesse o</p><p>QR Code abaixo:</p><p>157</p><p>TÓPICO 1 —</p><p>PROCESSOS DE TREINAMENTO</p><p>UNIDADE 3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Os Esportes de raquete fazem parte de um fenômeno histórico-cultural, o qual</p><p>tem assumido novos significados, sendo parte da vida de diversas pessoas e elemento</p><p>integrador do tecido social. Desta forma, independe da modalidade ou do tipo de</p><p>prática (formação, lazer ou rendimento), os conhecimentos dos métodos de treino e a</p><p>capacitação para esses métodos favorecem o trabalho efetivo e o desenvolvimento das</p><p>modalidades.</p><p>Para a prática dos Esportes de raquete é preciso desenvolver condições físicas</p><p>e motoras que são importantes para seu desempenho durante uma partida. Além disso,</p><p>as modalidades esportivas exigem dos jogadores a capacidade para analisar múltiplas</p><p>alternativas e escolher um curso ideal para a ação. Desta forma a preparação esportiva</p><p>envolve uma série de considerações sobre o treinamento esportivo devendo abranger</p><p>tanto aspectos da preparação física, quanto a técnica e tática para o jogo.</p><p>Considerando a abrangência de preparação esportiva, se tem a necessidade de</p><p>compreender o processo de treinamento para os Esportes de raquete. Segundo Roschel,</p><p>Tricoli e Ugrinowtsch (2011), o treinamento é caracterizado como um processo repetitivo</p><p>e sistemático composto por exercícios progressivos que visam o aperfeiçoamento</p><p>do desempenho. Nesse sentido, uma das preocupações, sobre os procedimentos</p><p>de treinamento, é quais estímulos proporcionar em uma aprendizagem específica</p><p>e constante. Para considerar essas expectativas, neste tópico serão abordados os</p><p>princípios gerais do treinamento esportivo, os aspectos de carga de treino versus a</p><p>carga de competição e os aspectos biomecânicos aplicado aos esportes de raquete.</p><p>2 CONCEITO E PRINCÍPIOS GERAIS DO TREINAMENTO</p><p>ESPORTIVO</p><p>O treinamento esportivo refere-se ao processo organizado de aperfeiçoamento</p><p>no esporte conduzido com base em princípios científicos. Desta forma, por meio do</p><p>treinamento se estimula modificações funcionais e morfológicas no organismo,</p><p>influenciando significativamente na capacidade de rendimento do esportista</p><p>(BARBANTI, 1997). Para Gomes (2011) o treinamento esportivo, sob a orientação de</p><p>princípios científicos, pode ser subdividido em dois grupos fundamentais: (1) gerais e</p><p>(2) específicos.</p><p>158</p><p>O primeiro grupo representa todo o processo pedagógico, como: atitude,</p><p>consciência, caráter, personalidade do atleta etc. O segundo grupo está́ relacionado</p><p>diretamente com a especificidade do treinamento desportivo, que reflete as características</p><p>essenciais inerentes à modalidade desportiva. Pode-se disser, então, que a formação</p><p>por inteiro do atleta dentre os Esportes de raquete vai ocorrer na integração entre a</p><p>preparação física, técnica e tática (figura 1). A preparação nos diferentes domínios, pode</p><p>ser trabalhada de forma isolada ou em atividades que associa os três elementos, isso</p><p>vai depender das demandas do jogador, cabendo ao treinado tomar as decisões sobre</p><p>o processo de treinamento, considerando aos aspectos do indivíduo, do ambiente e</p><p>da tarefa.</p><p>FIGURA 1 – INTEGRAÇÃO DA PREPARAÇÃO TÉCNICA, TÁTICA E FÍSICA PARA A FORMAÇÃO DO ATLETA</p><p>FONTE: A autora</p><p>Segundo Chiminazzo e Miranda (2021), a preparação técnica refere-se</p><p>aos treinamentos das habilidades motoras específicas, ou seja, a execução dos</p><p>fundamentos técnicos. Sendo assim, por meios do treinamento, busca-se a máxima</p><p>eficiência do movimento, com menor gasto energético e no menor tempo possível. A</p><p>preparação tática, consiste na organização das razões que orientam a ação. Esse tipo</p><p>de preparação se destina ao desenvolvimento dos sistemas complexos (tanto ofensivo</p><p>quanto defensivo) por intermédio das estratégias de ação. Por fim, a preparação física</p><p>se refere a prática sistemática de exercícios que visão melhorar a aptidão física.</p><p>A preparação esportiva busca a formação integral do atleta. Mas esse processo</p><p>não está reservado somente ao</p><p>alto rendimento. Independente do contexto, seja</p><p>iniciação, prática deliberada ou a performance esportiva, os treinamentos terão como</p><p>função tanto a melhora do desempenho no jogo, quanto a oferta de uma prática segura</p><p>e ser riscos (CHIMINAZZO; MIRANDA, 2021).</p><p>159</p><p>Diante dos apontamentos, para os Esportes de raquete, entende-se que a</p><p>melhora no desempenho, deve-se a oferta de uma prática segura e com estruturas.</p><p>Assim, é importante que sejam consideradas e respeitadas as características e</p><p>individualidades de cada contexto, levando em conta a mutua relação entre os</p><p>princípios do treinamento esportivo, enfatizando os aspectos científicos para trabalhar</p><p>os requisitos físicos-motores. Com isso o atleta desenvolve a capacidade biofisiológica</p><p>para um bom desempenho em competições ou para desempenhar a prática de forma</p><p>deliberada dos Esportes de raquete (LIMA; JÚNIOR; BANDERIA, 2020).</p><p>Frente aos apontamentos, o sistema de preparação esportiva envolve todo</p><p>o complexo conjunto de fatores que levam à concretização dos objetivos do Esporte</p><p>(figura 2). Para isso deve-se contemplar os sistemas de competição (oficiais ou não</p><p>oficiais), o sistema de treino e o sistema de fatores complementares, o qual envolve</p><p>todos aqueles aspectos e princípios apresentados (CHIMINAZZO; MIRANDA, 2021).</p><p>Contudo, para isso, é necessário compreender as especificidades e as características</p><p>dos esportes dos quais se busca a preparação.</p><p>FIGURA 2 – ESQUEMA DE FATORES A CONSIDERAR PARA A PREPARAÇÃO DOS ESPORTES DE RAQUETE</p><p>FONTE: Adaptado de Treuherz (2005, p. 45)</p><p>2.1 PROCESSO DE TREINAMENTO</p><p>O treinamento esportivo deve ser visto como um processo, ou seja, uma ação</p><p>contínua, encadeada e prolongada que visa a um objetivo final. Para isso, é preciso</p><p>estabelecer os meios e métodos de treino. Meios refere-se a tudo o que diz respeito à</p><p>maneira de treinar, aos recursos, às ferramentas e aos implementos utilizados para o</p><p>desenvolvimento de um conteúdo de treino. De forma pontual, os meios de treino são os</p><p>exercícios e atividades aplicados ao treino. Esses exercícios podem ser caracterizados</p><p>160</p><p>como gerais, os quais não possuem um componente característico do jogo, por exemplo,</p><p>a corrida para praticantes dos Esportes de raquete. Existem os exercícios específicos,</p><p>que são aqueles que possuem estrutura parcial ou totalmente semelhante à estrutura</p><p>do jogo – por exemplo, os exercícios dos golpes da base (forehand e backhand) no tênis</p><p>(CHIMINAZZO; MIRANDA, 2021).</p><p>O método é tudo aquilo que compreende a forma como as ferramentas de treino</p><p>são utilizadas, ou seja, é a maneira como se utiliza o meio para alcançar os resultados</p><p>desejados na preparação, a partir de um planejamento que objetiva elevar os níveis</p><p>de conhecimento, as habilidades, capacidades e hábitos dos atletas (CHIMINAZZO;</p><p>MIRANDA, 2021). O método de preparação desportiva está diretamente ligado ao objetivo</p><p>pretendido, o qual representa um sistema estável de ações consecutivas direcionadas</p><p>para a solução de tarefas programadas anteriormente (GOMES, 2011).</p><p>Assim, os treinos não podem acontecer de forma isolada. Deve haver uma</p><p>relação entre o meio de treino e o método, com foco no objetivo final. Nesse processo,</p><p>Chiminazzo e Miranda (2021) destacam que algumas ações são fundamentais e devem</p><p>ser destacadas: avaliação, planejamento, execução e monitoramento/controle.</p><p>A etapa de avaliação envolve verificar o nível dos componentes do desempenho</p><p>esportivo ou estado de condicionamento do atleta. Para isso aplica-se testes</p><p>diagnósticos, que direciona todo o planejamento futuro, e atente as características</p><p>únicas do indivíduo. A avaliação ajudará a identificar possíveis deficiências e elementos</p><p>potenciais no atleta em qualquer componente do treino (CHIMINAZZO; MIRANDA, 2021).</p><p>Por exemplo, se um atleta de Beach Tennis, apresenta pouca mobilidade de ombro,</p><p>isso pode prejudicar a execução de alguns golpes, sendo necessário trabalhar tal</p><p>componente físico para ajudar no elemento técnico. Já outro atleta que tem potência</p><p>em rebatida, pode-se explorar como uma estratégia tática, explorando essa potência</p><p>em contragolpes.</p><p>Para a avaliação deve-se utilizar sempre os testes com evidências</p><p>de validações científicas, ou seja, testes que já foram analisados</p><p>quanto à validade, objetividade e fidedignidade. Ao aplicar um teste,</p><p>é preciso que se saiba interpretar seus resultados e determinar</p><p>a importância ou o valor da informação coletada. Com base nos</p><p>testes, você indicará se os objetivos estão ou não sendo atingidos,</p><p>se o sistema de treino está sendo satisfatório, fará comparação com</p><p>algum padrão (escalas, médias, desvios padrões, percentuais etc.),</p><p>entre outros. Seguindo essas orientações, deve-se ter atenção, por</p><p>exemplo, para não utilizar valores de referência de atletas adultos</p><p>profissionais para classificar crianças e adolescentes amadores</p><p>(CHIMINAZZO; MIRANDA, 2021).</p><p>IMPORTANTE</p><p>161</p><p>Após realizar a avaliação, se tem a etapa de planejamento. Nessa etapa os</p><p>objetivos são determinados e os meios, ações e/ou estratégias são definidos para que</p><p>esses objetivos sejam alcançados. É no momento da elaboração de um planejamento</p><p>que será delineada a forma de trabalho e o modo que os treinos físicos vão ser</p><p>estruturados para que se melhorem a mobilidade de ombro e sua aplicação nos golpes,</p><p>ou as estratégias de jogo para explorar a potência dos golpes, nos casos dos exemplos</p><p>anteriores. Ou seja, pode-se dizer quais meios e métodos de treinamento serão</p><p>escolhidos para atingir esse objetivo.</p><p>A fase de execução consiste em realizar o treino da melhor forma possível, sempre</p><p>em consonância com o objetivo proposto. É a fase em que se coloca em ação o que foi</p><p>planejado na etapa anterior. É crucial que seja feito um relatório da sessão de treino, sendo</p><p>este um documento padronizado no qual se registra o treino executado com as devidas</p><p>cargas e qualquer ocorrência que possa ter havido. Isso já faz um link com o monitoramento/</p><p>controle do treino, que está relacionado ao acompanhamento do processo de forma segura,</p><p>garantindo o melhor rendimento do atleta ao longo dessa prática e prevenindo lesões. O</p><p>monitoramento da carga de treino pode ser um indicador de que o atleta está progredindo</p><p>de forma segura e adequada (CHIMINAZZO; MIRANDA, 2021).</p><p>Para saber mais sobre o monitoramento de carga de treino o estudo elaborado por</p><p>Gomes (2014) teve como ponto central a investigação do método de percepção</p><p>subjetiva de esforço para a quantificação de carga interna de treino, descrição do</p><p>padrão de distribuição da intensidade utilizada por tenistas na pré-temporada e</p><p>no início competitivo e a avaliação do programa de treinamento periodizado sobre</p><p>a dinâmica da carga interna de treino. Diante disso a leitura da tese na</p><p>integra permite aprofundar sobre a temática, e identificar a modificação</p><p>do processo de treino sobre tenistas, a fim de reproduzir e adaptar para a</p><p>prática com treinador dos Esportes de raquete.</p><p>FONTE: GOMES, R. V. Monitoramento da carga interna de treinamento</p><p>no tênis: validação e aplicações do método da percepção subjetiva da</p><p>sessão. 2014. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo.</p><p>DICA</p><p>O planejamento dos treinos deverá ser executado sempre</p><p>previamente pelo profissional responsável e deve considerar</p><p>o seguinte: análise e conhecimento do sistema de competição;</p><p>sistema de fatores complementares; conhecimento sobras as</p><p>demandas e exigências físicas, técnicas e tática; e, definição das</p><p>metas individuais/calendário competitivo. Assim, chegar-se-á à</p><p>estruturação e ao registro da periodização com suas respectivas</p><p>fases do treinamento (CHIMINAZZO; MIRANDA, 2021).</p><p>ATENÇÃO</p><p>162</p><p>As estratégias e métodos de treino integram o processo de preparação do atleta</p><p>em sua atividade motora inclusa no sistema geral das possíveis influências pedagógicas</p><p>orientadas para a solução das tarefas de preparação do atleta. Juntamente com as</p><p>ações motoras, a utilização orientada de diferentes meios determina a eficiência</p><p>da</p><p>preparação do atleta. Sendo assim, Gomes (2021) apresenta que na qualidade de meios</p><p>de preparação do atleta, devem ser considerados:</p><p>• Equipamentos: material desportivo, as instalações desportivas, os aparelhos de treino</p><p>desportivos, entre outros.</p><p>• Fatores da natureza: a influência do ar, radiação solar, condições climáticas, altitude</p><p>etc.</p><p>• Condições sociais e ecológicas de vida dos atletas: as condições de vida cotidiana, o</p><p>regime de sono, os estudos, o trabalho, os fatores social, econômico e cultural etc.</p><p>• Alimentação do atleta: deve ser vista como fator importante na preparação; o que</p><p>determina, no organismo, a recepção das quantidades necessárias de nutrientes,</p><p>água, vitaminas e sais.</p><p>• Fatores de recuperação: a massagem, os preparados farmacológicos, a fisioterapia, a</p><p>sauna etc.</p><p>• Influências informativas: a informação verbal e visual do técnico, a observação como</p><p>forma de obter dados etc.</p><p>Com base nos apontamentos, percebe-se que o processo de treinamento</p><p>esportivo é multifatorial. Por mais que alguns pontos indispensáveis na construção de</p><p>um processo de preparação dos Esportes de raquete foram levantados, são necessários</p><p>avanços científicos na busca de mais informações consistentes, para que as decisões na</p><p>formulação de uma preparação esportiva sejam pautadas em dados precisos e seguros.</p><p>2.2 CARACTERIZAÇÃO DO JOGO OU MODELO DE JOGO</p><p>O primeiro elemento para inserir o processo de preparação esportiva é a</p><p>compreensão da estrutura do esporte, ou do modelo de Jogo. Assim, as informações</p><p>e características do jogo vão servir para referenciar o processo de preparação (CHIMINAZZO;</p><p>MIRANDA, 2021). Por exemplo, ao quantificar durante uma partida de tênis qual o golpe</p><p>é executado com maior frequência, o técnico pode estabelecer estratégia para trabalhar</p><p>a musculatura envolvida do fundamento e assim envidar a fadiga precoce. Ao verificar</p><p>qual é o tempo médio de rally em uma partida de Padel, é possível predizer a intensidade</p><p>e volume de treino pensando em uma competição.</p><p>Esses exemplos e demais variáveis dos esportes são compreendidas a partir</p><p>da realidade do jogo. Ou seja, a partir das demandas do jogo que se pode conduzir o</p><p>processo de preparação esportiva. Sendo assim, o principal objetivo dos Esportes de</p><p>raquete é rebater uma bola ou peteca em direção a quadra adversária, fazendo com que</p><p>o jogador(es) oponente(s) não alcance ou não consiga devolver com sucesso esse objeto</p><p>163</p><p>rebatido. Sendo assim, os Esporte de Raquete apresentam componentes invariantes,</p><p>como raquete, bola (ou peteca), espaço e obstáculos, que juntamente com as regras da</p><p>modalidade, resultarão na prática do jogo (CHIMINAZZO; MIRANDA, 2021).</p><p>As regras das modalidades, são essenciais na busca da compreensão dos</p><p>Esportes de raquete, uma vez as informações desses esportes são pautadas nas regras.</p><p>Por exemplo, ao saber o tempo de intervalo entre os sets no jogo de Tênis, o técnico pode</p><p>preparar mecanismos para recuperação do atleta e incorporar exercícios de pré ativação</p><p>das habilidades para que não haja decremento do aquecimento.</p><p>As características e regras das modalidades que compõem os Esportes de</p><p>raquete já foram apresentadas na Unidade 1. Sendo assim vale retomar</p><p>os estudos para estruturar as estratégias de preparação esportiva.</p><p>ATENÇÃO</p><p>O reconhecimento das ações motoras também é primordial para a dinâmica do</p><p>treinamento. A diversidade das situações de jogo exige independência na escolha das</p><p>soluções mais eficazes das tarefas motoras (GOMES, 2011). Isso porque as habilidades</p><p>envolvidas nos esportes de raquete apresentam-se como discretas, assim os jogos</p><p>possuem uma característica intermitente, com estímulos de alta intensidade e de</p><p>curta duração. Quantificar essas exigências, permite uma abordagem específica nos</p><p>programas de treinamento, otimizando a preparação do atleta/praticante (CHIMINAZZO;</p><p>MIRANDA, 2021).</p><p>2.3 SISTEMA DE TREINO: COMPONENTES DAS CARGAS DE</p><p>TREINO VERSUS CARGAS DE JOGO</p><p>No esporte competitivo, objetiva-se otimizar o desenvolvimento das capacidades</p><p>do atleta. Com isso, se tem o incremento máximo de cargas de treinamento e de</p><p>competições, que leva a complexidade no processo de preparação esportiva. Assim,</p><p>as etapas de organização, planejamento e estruturação do processo de preparação</p><p>esportiva são fundamentais na execução de qualquer tipo de trabalho, não só em</p><p>temporadas competitivas, mas em todo o processo de formação do atleta (BORIN;</p><p>GOMES; LEITE, 2007).</p><p>Para Borin, Gomes e Leite (2007), três sistemas compõem o processo de</p><p>preparação esportiva: competição, treinamento e fatores complementares. Esses</p><p>sistemas devem atuar de maneira conjunta para auxiliar na preparação do atleta.</p><p>164</p><p>Considerando essa relação, Chiminazzo e Miranda (2021) apontam que todo o trabalho</p><p>executado em uma partida recebe o nome de carga de jogo, já os estímulos que são</p><p>aplicados durante os processos de treino são conhecidos como cargas de treino.</p><p>Essas cargas referem-se a todos os componentes de preparação esportiva</p><p>(física, técnica e tática). Assim a aplicação da carga de treino está orientada em uma série</p><p>de pressupostos e princípios que auxiliam no delineamento do processo pedagógico do</p><p>treinamento (CHIMINAZZO; MIRANDA, 2021). É importante que alguns aspectos sejam</p><p>considerados, desta forma, Tubino (1984) apresenta cinco princípios do treinamento</p><p>esportivo: o Princípio da Individualidade Biológica, o Princípio da Adaptação, o Princípio</p><p>da Sobrecarga, o Princípio da Continuidade e o Princípio da Interdependência Volume-</p><p>Intensidade.</p><p>O Princípio da Individualidade Biológica, é baseada na variabilidade entre</p><p>elementos da mesma espécie, fazendo com que não exista pessoas iguais entre</p><p>si (TUBINO, 1984). Com isso, esse princípio enfatiza que cada ser humano é único,</p><p>constituído por genótipo e fenótipo, que vão lhe atrelar a características específicas.</p><p>Destaca-se, nesse princípio, a individualização do treinamento, visto que um</p><p>mesmo treino, pode não surgir efeito em atletas diferentes, devidos suas características</p><p>individuais, como o tipo de fibra muscular, dimensões corporais, tipo de aprendizagem,</p><p>entre outros (LIMA; JÚNIOR; BANDEIRA, 2020).</p><p>Relacionado ao princípio anterior, tem-se o Princípio da Adaptação. Esse, está</p><p>relacionado com capacidade de se adaptar frente a estímulos advindos dos exercícios</p><p>e cargas de treinamento. Nesse sentido, as a adaptações biológicas no esporte, estão</p><p>ligadas as alterações do organismo decorrente de um ‘estresse’ originário a atividade</p><p>exercida. Portanto o atleta necessita se adaptar ao treinamento, pois sem adaptação não</p><p>há evolução. Esse princípio aponta a importância da dosagem de diferentes estímulos</p><p>e exercícios sobre o atleta, sendo que Lima, Júnior e Bandeira (2020, p. 3), apontam</p><p>que “tais dosagens representam, de modo informal, acostumar o indivíduo à carga do</p><p>treinamento de modo progressivo, evitando lesões, de modo que se faz necessária a</p><p>correta prescrição do exercício”.</p><p>Considerando o processo de adaptação é necessário que o estímulo seja</p><p>trabalhado de modo crescente, ou seja, a evolução do rendimento segue do mais leve,</p><p>ao moderado para, na sequência, o mais intenso. Isso porque a falta de estímulo acarrear</p><p>em estagnação ou declino do desempenho. Por outro lado, o estímulo excessivo pode</p><p>provocar lesões, fadiga etc., que levam a má adaptação ao processo de treinamento</p><p>(LIMA; JÚNIOR; BANDERIA, 2020).</p><p>165</p><p>A adaptação não deve ser vista apenas na perspectiva Biológica. O critério</p><p>adaptação pode ser estendido a vários outros fatores. Aspectos emocionais,</p><p>ambientais envolvem necessidade de adaptação.</p><p>NOTA</p><p>O Princípio da Sobrecarga refere-se à capacidade do organismo de restituir as</p><p>energias gastas no treinamento para uma nova etapa de estimulo. Dantas (1995), afirma</p><p>que no emprego imediato de uma carga de trabalho, há uma recuperação do organismo,</p><p>a fim de restabelecer a homeostase. Desta forma as mudanças funcionais ocorrem</p><p>somente quando as cargas de</p><p>treinamento são suficientes para causar ativações no</p><p>sistema biofisiológico (LIMA; JÚNIOR; BANDERIA, 2020).</p><p>O quarto princípio, está intimamente ligado à adaptação e sobrecarga. O</p><p>Princípio da Continuidade ressalta que as modificações induzidas pelo treinamento</p><p>são passageiras. Sendo assim é necessário a continuidade ao longo do tempo para que o</p><p>organismo, progressivamente, se adapte. Sendo assim, dois aspectos são fundamentais</p><p>para o Princípio da continuidade: a interrupção e duração de treino.</p><p>Os aspectos mencionados, estão atrelados com a regularidade da prática de</p><p>treinamento para o desenvolvimento das capacidades motoras. Assim há sempre a</p><p>necessidade de manutenção do treinamento, em níveis contínuos, para a manutenção</p><p>de um estado de treinamento mais elevado (LIMA; JÚNIOR; BANDERIA, 2020). Isso leva</p><p>com que se mantenha os níveis já adaptados de desempenho.</p><p>Por fim, o Princípio da Interdependência Volume-Intensidade, é pautado na</p><p>boa adequação de ambos. Isso porque os êxitos de atletas de alto rendimento estão</p><p>relacionados à grande quantidade (volume) e uma alta qualificação (intensidade) no</p><p>trabalho (TUBINO, 1984). Destaca-se que estas duas variáveis deverão sempre estar</p><p>adequadas às fases de treinamento. Isso porque, um organismo submetido ao trabalho</p><p>muito intenso, somente poderá executar o exercício em um curto espaço de tempo.</p><p>Quando há um aumento no tempo de exercício, ou seja, o aumento de volume, é</p><p>necessário diminuir a intensidade. Se a intensidade aumenta, o volume diminui; e se o</p><p>volume aumenta, a intensidade diminui (LIMA; JÚNIOR; BANDERIA, 2020).</p><p>Fazendo um apanhado sobre os princípios do treinamento esportivo, Chiminazzo</p><p>e Miranda (2021), apontam que o emprego dos estímulos deve ser contínuo (princípio</p><p>da continuidade) e crescente (princípio da sobrecarga). Isso leva o rompimento da</p><p>homeostase, provocando adaptação do corpo (princípio da adaptação), restabelecendo</p><p>o equilíbrio corporal, que gera a dinâmica de estresse/estímulo e readaptação/</p><p>recuperação fazendo a performance esportiva melhorar. Para isso, os estímulos devem</p><p>166</p><p>ser específicos, respeitando as características da modalidade praticada e aplicados sob</p><p>medida para cada indivíduo (princípio da individualidade biológica), com planejamento</p><p>da relação entre volume e intensidade da carga.</p><p>Respeitando esses princípios, constitui-se o controle de carga de treino.  Roschel</p><p>et al. (2011 apud CHIMANAZO; MIRANDA, 2021) definem a carga interna como a</p><p>alteração dos parâmetros fisiológicos decorrente de determinada dose de treino. O</p><p>controle de carga pode de ser decorrência interna, verificada a partir de parâmetros,</p><p>como lactato sanguíneo, frequência cardíaca e percepção subjetiva de esforço, ou em</p><p>decorrência externa que diz respeito às variáveis consideradas para a prescrição do</p><p>treino, independentemente das respostas que serão geradas, como controle de volume</p><p>(número de séries, tempo de atividade) e de intensidade (velocidade, percentual de</p><p>carga, frequência de golpe) (CHIMANAZO; MIRANDA, 2021).</p><p>Sabendo que a carga de treino corresponde a um estímulo adicional em relação</p><p>ao nível habitual da pessoa, ou seja, é o estresse que provocará adaptações positivas</p><p>no organismo, diferentes componentes dessa carga precisam ser considerados no</p><p>planejamento de treino. Com a manipulação dessas variáveis nas modalidades de</p><p>esportes de raquete é possível elaborar treinos e montar um planejamento eficiente</p><p>para a melhora do desempenho esportivo.</p><p>Aplicando os levantamentos teóricos, Chimanazo e Miranda (2021) trazem o</p><p>exemplo voltado ao Badminton. Nesse esporte, cada partida pode variar de 40 a 90 min,</p><p>sendo dividida em três games (que se deve atingir 21 pontos). Nesse tempo, estímulos</p><p>são de alta intensidade e de curta duração, também conhecidos por rally, e intercalados</p><p>com momentos de pausa, o que caracteriza uma modalidade intermitente. A média de</p><p>duração dos rallies é de até 10 segundos e a média do tempo de pausa entre os rallies</p><p>é de aproximadamente 30 segundos. Todavia o tempo de duração dos rallies não é</p><p>uniforme, podendo variar de alguns segundos (maior frequência) até rallies superiores a</p><p>40 segundos (menor frequência). Ainda, é interessante destacar que, do total do tempo</p><p>de jogo no badminton, apenas 30% são de tempo efetivo de jogo, o restante é tempo em</p><p>que o atleta não está em disputa do ponto.</p><p>Essas informações são dadas importante no que diz respeito ao volume</p><p>e intensidade de uma partida de badminton. O atleta deverá estar apto a suportar</p><p>tanto  rallies  curtos quanto  rallies  longos, considerando as exigências metabólicas</p><p>da modalidade. Para isso deve-se planejar os treinos com estímulos semelhantes,</p><p>atendendo às demandas específicas, tanto no aspecto técnico e tático quanto no</p><p>aspecto físico. Vale lembrar que as referências do jogo podem variar de acordo com</p><p>diferentes contextos, como categoria, sexo, provas, para elaborar os treinos.</p><p>167</p><p>3 ESPORTES DE RAQUETE E BIOMECÂNICA</p><p>Biomecânica é uma ciência que estuda o movimento humano. Desta forma,</p><p>quando aplicada aos Esportes de raquete propõem identificar características mecânicas</p><p>que podem afetar o desempenho, bem como, prevenir lesões. Na perspectiva da</p><p>preparação esportiva, a biomecânica é útil tanto para apontar os aspectos em torno do</p><p>movimento, assim como, para avaliação de técnicas associadas às habilidades do atleta.</p><p>Quanto a abordagem mecânica do movimento, Junior (2021) aponta que as</p><p>três leis de Newton estão sempre presentes nos movimentos corporais e em todos os</p><p>esportes, uma vez que são leis universais da mecânica clássica. Com isso, é possível</p><p>analisar os aspetos do movimento envolvido nos Esportes de raquete. Para isso, é</p><p>preciso compreender e aplicar as leis de Newton sob a visão na modalidade esportiva.</p><p>A primeira Lei de Newton refere-se à Lei da Inércia. Esta tem como princípio</p><p>de que toda massa (exemplo, corpo, seguimento corporal, raquete, bola) apresenta</p><p>tendência a permanecer em seu estado de repouso ou movimento, a menos que</p><p>uma força externo resultante atue sobre ela. Nos esportes de raquete, Junior (2021)</p><p>apresenta duas aplicações dessa lei.</p><p>O primeiro exemplo é quando a bola de tênis é golpeada pela raquete, ela vai</p><p>possuir uma velocidade que tende a se manter, no entanto, à medida que ela desloca</p><p>forças externas, como resistência do ar, peso da bola, força gravitacional e força de</p><p>sustentação que atuam sobre a bola levando com que ela reduza sua velocidade. Outro</p><p>exemplo, é aplicado ao badminton, quando um atleta ao executar um smash, tende a</p><p>manter o movimento curvilíneo da raquete, mesmo após a perda de contato da raquete</p><p>com a peteca. Isso ocorre devido ao atleta freia o movimento da raquete ao exercer</p><p>forças com a musculatura do braço, antebraço e cintura escapular.</p><p>A segunda lei de Newton, que refere ao princípio fundamental da dinâmica,</p><p>aponta que quanto maior a força resultante que atua sobre a massa, maior será sua</p><p>aceleração. Como exemplo, Junior (2021) aponta que no tênis de mesa, quanto maior a</p><p>resultante que atua sobre a bola, maior serão a deformação e a aceleração dela, fazendo</p><p>com que aumente a complexidade da execução dessa tarefa, uma vez que com a maior</p><p>aceleração que atua sobre a bola, maior será sua velocidade levando a uma possível</p><p>dificuldade no controle neuromotor do movimento.</p><p>168</p><p>A chamada parametrização de variáveis biomecânicas envolvidas nos ajustes dos</p><p>movimentos é dependente da capacidade de controle neuromotor do sujeito. Por</p><p>exemplo, a força aplicada sobre a raquete exige do jogador habilidoso uma elevada</p><p>capacidade de ajustes finos durante o contato da bola ou peteca. Tal contato dura</p><p>frações de segundo, mas é nessa finalização que o atleta, ao realizar uma pequena</p><p>pronação/supinação do antebraço, pode ter sucesso em um lance, produzindo um</p><p>efeito rotacional na bola/peteca (efeito Magnus), capaz de surpreender o adversário.</p><p>Essa capacidade de ajuste dos movimentos envolvidos é fruto da prática</p><p>sistemática</p><p>e com grande variabilidade de situações inerentes aos esportes com raquete, ou</p><p>seja, para que a aprendizagem motora e o controle neuromotor sejam aprimorados</p><p>em qualquer esporte, é necessário que o atleta vivencie o mais amplo e diferente</p><p>repertório de situações presentes no jogo, para conseguir realizar tais movimentos</p><p>com elevada eficiência (alta precisão, menor tempo de execução e menor dispêndio</p><p>de energia). Vale esclarecer que falar em eficiência biomecânica do gesto</p><p>esportivo exige a compreensão de seu controle neuromotor, uma vez</p><p>que a melhoria do rendimento técnico pressupõe uma fina sintonia</p><p>entre aspectos biomecânicos e a capacidade funcional do sistema</p><p>nervoso central (SNC). Hoje a ciência do movimento humano tem</p><p>claro que biomecânica e controle neuromotor são indissociáveis.</p><p>Em uma metáfora: é bastante improvável que um campeão</p><p>olímpico de levantamento de peso seja eficiente no tênis de</p><p>mesa e vice-versa, ou seja, ambos os atletas (o levantador e o</p><p>mesatenista) desenvolveram, ao longo de anos, adaptações</p><p>biomecânicas e neurais altamente especializadas e diferentes</p><p>para esses esportes (JUNIOR, 2021, p. 16).</p><p>FONTE: JUNIOR, G. de B. V. Esportes de raquete e biomecânica.</p><p>In: BELLI, J. G. C. C. T. Esportes de raquete. São Paulo: Manoele</p><p>LTDA., 2021. p. 16.</p><p>INTERESSANTE</p><p>Por fim, a terceira lei de Newton, também conhecida como lei da ação e reação,</p><p>aponta que quando um copo X exerce uma força ou ação sobre um corpo Y, este exerce</p><p>sobre o corpo X uma força de reação de mesma intensidade e direção, mas com sentido</p><p>contrário. Por exemplo, quando a peteca de badminton é golpeada pela raquete com</p><p>uma força X, esta será igual ou contrária à aplicada sobre o objeto. Isso exerce uma força</p><p>de reação de mesma intensidade e sentido contrário sobre os pés do jogador.</p><p>A área de biomecânica com possibilidades para avaliação de técnicas associadas</p><p>às habilidades do atleta utiliza de diferentes ferramentas. Dentre essas, pode-se destacar</p><p>a cinemetria, eletromiografia, dinamometria e antropometria. Em especial, a cinemetria</p><p>é uma metodologia biomecânica voltada à obtenção de variáveis cinemáticas para a</p><p>descrição de movimentos, útil para a preparação esportiva, voltada às modalidades com</p><p>uso de raquetes (MISUTA; SARRO; MOURA, 2021).</p><p>169</p><p>As informações apresentadas mostram a relevância da biomecânica, podendo</p><p>auxiliar em quais quer fases do desenvolvimento dos Esportes de raquete. Seja ajudando</p><p>mesa tenistas que nunca praticaram a modalidade, apresentando composições</p><p>técnicas e evitando desenvolver vícios. Já com jogadores em níveis mais avançados,</p><p>pode ser útil de duas formas, na questão da performance, que é com melhorar o golpe</p><p>e para prevenção de lesões. Entretanto, para isso, sugere-se conhecer a estrutura do</p><p>movimento humano.</p><p>3.1 ALAVANCAS MECÂNICAS E ANATÔMICAS NOS</p><p>ESPORTES DE RAQUETE</p><p>As alavancas mecânicas e anatômicas são cruciais para uma boa performance</p><p>nos Esportes de raquete. Alavanca refere-se a um dispositivo relativamente rígido, que</p><p>pode girar ao redor de um eixo pela aplicação de força. Aplicado ao movimento humano,</p><p>quando os músculos contraem, tracionado os ossos para manter ou movimentar a</p><p>resistência criada pelo peso dos seguimentos corporais, é possível pelo peso de uma</p><p>carga adicional, os músculos e o osso funcionam mecanicamente como uma alavanca</p><p>(HALL, 2020).</p><p>Para os Esportes de raquete, diferem-se entre alavanca mecânicas e alavancas</p><p>anatômicas. As alavancas mecânicas são aquelas as quais a raquete é um elemento</p><p>constituinte. Já as alavancas anatômicas são as alavancas internas, oriundas das forças</p><p>exercidas pelos músculos com os tendões, fáscias nos ossos do aparelho locomotor</p><p>(JUNIOR, 2021).</p><p>Para Hall (2020), uma alavanca é com uma barra rígida que gira ao redor de</p><p>um eixo ou fulcro. A força aplicada à alavanca desloca a resistência. No corpo humano</p><p>o osso atua como essa barra rígida, a articulação como eixo ou fulcro, e os músculos</p><p>aplicam força. Desta forma, Junior (2021) afirma que a “vantagem mecânica” é um</p><p>importante conceito voltado ao estudo das alavancas, visto que pode ser obtida pela</p><p>razão entre o braço da força e o braço da resistência, onde braço de uma alavanca é a</p><p>menor distância entre o eixo de rotação (articulação o apoio) e a linha de ação da força</p><p>ou resistência considerada.</p><p>Fulcro refere-se ao ponto de apoio, ou eixo, ao redor do qual se</p><p>pode fazer uma alavanca gira.</p><p>NOTA</p><p>170</p><p>Para Hall (2020), as alavancas podem ser divididas em três classes. Nas</p><p>alavancas de primeira classe, a força paliada e a resistência estão localizadas em lados</p><p>opostos do eixo. Um exemplo é a ação simultânea de grupos musculares agonistas e</p><p>antagonistas em lados opostos de um eixo articular. Assim, os agonistas fornecem a</p><p>força aplicada; e os antagonistas fornecem a força de resistência. Em uma alavanca de</p><p>primeira classe, a força e a resistência aplicadas podem estar a distâncias iguais do eixo</p><p>ou uma pode estar mais afastada do eixo do que a outra (HALL, 2020).</p><p>Na alavanca de segunda classe, a força aplicada e a resistência estão do mesmo</p><p>lado e mais próximas do eixo. Um exemplo desse tipo de alavanca é o movimento do</p><p>joelho. Já a alavanca de terceira classe refere-se à quando a força e a resistência estão</p><p>do mesmo lado do eixo, A maioria dos sistemas de alavanca músculo-osso do corpo</p><p>humano também é de terceira classe para contrações concêntricas, com os músculos</p><p>fornecendo a força aplicada e se fixando ao osso a uma curta distância do centro</p><p>da articulação em comparação com a distância em que atua a resistência fornecida</p><p>pelo peso do segmento corporal ou aquele de um segmento corporal mais distante</p><p>(HALL, 2020).</p><p>FIGURA 3 – EXEMPLOS DE CLASSES DE ALAVANCAS</p><p>FONTE: Hall (2020, p. 331)</p><p>3.2 CINEMÁTICA DOS ESPORTES DE RAQUETE</p><p>A cinemática é o estudo da descrição do movimento, considerando espaço</p><p>e tempo. Nos esportes de raquete, a cinemática é utilizada para o aprimoramento da</p><p>técnica voltada ao movimento habilidoso, com eficiência e menor dispêndio de energia,</p><p>no menor tempo, com alta margem de acertos e que minimize as chances de lesões dos</p><p>jogadores (JUNIOR, 2021).</p><p>171</p><p>Nessa perspectiva, uma revisão sistemática realizada em 2014, mostrou 22</p><p>estudos que utilizam da análise cinemática para o saque do tênis. Dentre o que se buscava</p><p>investigar nesses estudos, foram três grupos principais: desempenho, ferramenta de</p><p>análise e prevenção de lesões. Alinhado a esses objetivos, os estudos também dividiam</p><p>a análise por seguimentos corporais, sendo que os membros superiores eram a região</p><p>com mais estudos (LONGHI et al., 2014).</p><p>O uso de raquetes aumenta os braços das alavancas envolvidas desenvolvendo</p><p>elevadas forças, torques, velocidades e acelerações. Conhecer e compreender tais</p><p>variáveis nos esportes com raquetes pode auxiliar os profissionais da área (atletas,</p><p>preparadores físicos, treinadores, biomecânicos, professores, ortopedistas, dentre</p><p>outros) a melhorar o exercício de seus ofícios (JUNIOR, 2021). Assim sendo, o</p><p>conhecimento das termologias da biomecânica e referências dos padrões de movimento</p><p>articular, é essencial para que o técnico seja capaz de descrever o movimento humano</p><p>de maneira precisa. Com isso, vem a capacidade de analisar o movimento, que requer o</p><p>conhecimento de suas características (HALL, 2020).</p><p>A análise do movimento é útil para compreender o propósito específico da</p><p>habilidade a partir de uma perspectiva biomecânica. O objetivo geral de um jogador de</p><p>Padel que está sacando é projetar corretamente a bola por sobre a rede na direção da</p><p>quadra oposta. Especificamente, isso requer uma soma coordenada de forças produzidas</p><p>pela rotação do corpo, extensão do ombro, extensão do cotovelo e translação anterior</p><p>do centro de gravidade do corpo, bem como o contato da bola em altura e ângulo</p><p>apropriados. Assim, para a análise do movimento humano pode-se recorrer a estratégias</p><p>quantitativas (que envolve medidas) ou qualitativas (que descreve as características</p><p>do</p><p>movimento sem fazer ordem de números) (HALL, 2020).</p><p>De maneira geral, ao analisar as habilidades envolvidas nos Esportes de</p><p>raquete, os técnicos podem ter dificuldade em identificar os fatores com contribuem</p><p>ou dificultam o desempenho, levando a uma interpretação errônea das observações</p><p>feitas. Hall (2020) afirma que para analisar de fato uma habilidade motora, o técnico</p><p>precisa ser capaz de identificar a causa de um erro da técnica e não o traço do erro</p><p>ou o desempenho específico do indivíduo. O autor traz como exemplo treinadores de</p><p>tênis inexperientes. Esses podem focar para que o atleta demonstre uma finalização</p><p>apropriada do movimento após atingir a bola. Todavia, a finalização inadequada é</p><p>meramente um sintoma de um erro de desempenho, que pode ser uma falha em iniciar</p><p>o golpe ou movimento com rotação suficiente do tronco e inclinação do corpo para trás,</p><p>ou falha em movimentar a raquete com velocidade suficiente.</p><p>A capacidade de identificar a causa de um erro de desempenho depende da</p><p>compreensão da biomecânica da habilidade motora. Sendo assim a primeira etapa em</p><p>qualquer análise é identificar o ponto principal de interesse. Por exemplo, por que um</p><p>jogador de badminton tem dificuldade de atacar para o outro lado da quadra? O que</p><p>poderia estar causando a dor no ombro de um tênis? O forehand está sendo realizado</p><p>172</p><p>de modo mais efetivo possível? Esses tipos de perguntar podem ajudar a focar na análise</p><p>e estabelecer os critérios para deter a atenção nos elementos cruciais do movimento</p><p>avaliado (HALL, 2020).</p><p>Após estabelecer os perguntas e critérios de análise, o técnico deve determinar</p><p>a estratégia de observação. Por exemplo, na realização de um backhand no tênis o</p><p>movimento ocorre em mais de um plano, com isso o observador pode precisar assistir</p><p>ao movimento a partir de mais de uma perspectiva a fim de estudar todos os aspectos</p><p>críticos de interesse. Para isso área de pesquisa em biomecânica tem a disposição uma</p><p>ampla gama de equipamentos para estudo da cinemática do movimento humano.</p><p>Segundo Hall (2020), as análises cinemáticas podem ser realizadas por meio de</p><p>fotos ou vídeos. No entanto atualmente para os Esportes de raquete prioriza-se o uso</p><p>de análise de vídeo. Os analistas de movimento atuais dispõem de uma ampla gama</p><p>de tipos de câmeras. O tipo de movimento e as necessidades da análise determinam</p><p>em grande parte a câmera e o sistema de análise escolhidos. Para Ackland e Pandy</p><p>(2011), os dados de vídeo podem ser coletados de perspectivas que presentam planos</p><p>anatômicos de movimento – sagital (de lado), horizontal (vista de cima), frontal (pela</p><p>frente ou por trás) – ou por uma combinação de vistas de câmera relevantes para o</p><p>movimento.</p><p>Para a análise, seja qualitativa ou quantitativa, o fator de maior importância</p><p>é a velocidade da câmera é a definição das imagens capturadas. É a velocidade do</p><p>diafragma que permite ao usuário controlar o tempo de exposição ou o intervalo de</p><p>tempo que o diafragma fica aberto durante cada registro em vídeo. Quanto mais rápido</p><p>for o movimento analisado, menor tempo de exposição será necessário para prevenir</p><p>que a imagem capturada borre (HALL, 2020).</p><p>As variáveis cinemáticas são de grandezas vetoriais. Ou seja, para a análise</p><p>é preciso compreender integralmente a velocidade e aceleração do corpo, segmento</p><p>corporal ou do implemento, direção de movimento e sentido de movimento. Nessa</p><p>perspectiva, Júnior (2021, p. 16) aponta o seguinte exemplo: “Uma bola lançada com</p><p>velocidade de 4 m/s em um lance no squash não nos permite compreender como ela</p><p>foi lançada. No entanto, existem infinitos possíveis vetores nas coordenadas espaciais</p><p>X, Y, Z que compõem o espaço tridimensional, para que fique claro e preciso para onde</p><p>a bola foi lançada”.</p><p>Por meio do exemplo mencionado, verifica a necessidade de conhecer alguns</p><p>conceitos básicos cinemáticos apresentados por Júnior (2021):</p><p>•	 Espaço	percorrido	linear	(∆S)	e	angular	(∆j):  ∆S é a distância percorrida por um</p><p>objeto; pelo corpo do sujeito (ou segmento corporal) em determinado intervalo de</p><p>tempo, medido linearmente, ou seja, em metros no Sistema Internacional (SI). Trata-</p><p>se da variação entre a posição final e inicial de um ponto anatômico de interesse,</p><p>173</p><p>da raquete ou da bola/peteca. Quando tais movimentos são medidos em relação</p><p>aos ângulos realizados em associados a um ponto de referência (usualmente, em</p><p>biomecânica, um complexo articular), trata-se do espaço percorrido angular medido</p><p>em radianos no SI, e da diferença entre a posição final e inicial.</p><p>•	 Velocidade	média: é a razão entre o espaço percorrido por um corpo qualquer e</p><p>o tempo gasto para percorrê-lo. É medida, no Sistema Internacional (SI), em m/s</p><p>(linear) e rad/s (angular), entretanto é comum encontrar velocidades expressas em</p><p>km/h; milhas/h; pés/s; graus/s, dentre outros. Quando considerado um intervalo</p><p>de tempo muito pequeno (tempo infinitesimal), diz-se que a velocidade é a primeira</p><p>derivada da posição em função do tempo.</p><p>•	 Aceleração: é a medida da variação da velocidade de um corpo em um intervalo</p><p>de tempo. Medida em m/s2  (linear) e rad/s2  (angular). Quando fruto da atração</p><p>gravitacional do planeta terra, trata-se da aceleração da gravidade  g, cujo valor</p><p>numérico é de aproximadamente 9,82 m/s2 na maior parte das cidades do mundo.</p><p>Além dos conceitos mencionados, nos Esportes de raquete, o profissional de</p><p>Educação Física, deve ser consciência sobre a definição, diferença e aplicabilidade dos</p><p>termos: força, torque e impulso. Para Junior (2021) força é um agente físico capaz de</p><p>acelerar e/ou deformar uma massa qualquer. O autor traz como exemplo a deformação</p><p>que a bola de tênis sofre ao ser golpeada em um saque, e explica que ao sofrer</p><p>essa deformação, a bola armazena energia potencial elástica, que será rapidamente</p><p>convertida em energia cinética, e esta é projetada em alta velocidade para o adversário,</p><p>porque uma força foi aplicada sobre ela.</p><p>Já o termo torque diz respeito à tendência rotacional que a massa possui</p><p>em relação ao eixo de rotação, diretamente proporcional à força e à menor distância</p><p>que separa desse eixo. Nesse caso, Júnior (2021), traz como exemplo a ação durante</p><p>o saque, em que a otimização entre os ângulos articulares do ombro, cotovelo,</p><p>punho e alinhamento vertical da raquete são decisivos para um bom saque, pois,</p><p>biomecanicamente, uma grande alavanca (tronco, braço, antebraço, mão e raquete) é</p><p>constituída e, portanto, um elevado torque transferirá grande quantidade de energia</p><p>para a bola.</p><p>Por fim, o conceito de impulso, para a biomecânica, se refere à quando uma</p><p>força é aplicada sobre um corpo, o movimento resultante deste depende não somente</p><p>da magnitude da força aplicada, mas também da duração da aplicação da força, ou</p><p>seja, é o produto da força e o tempo, (HALL, 2020). Assim, entende-se que o impulso</p><p>é a medida da variação da velocidade que o corpo (segmento corporal, raquete e</p><p>bola/peteca) sofre. Associando o termo, tem-se a grandeza vetorial, que é quando se</p><p>gera impulso com o corpo em todas as direções e sentidos (JUNIOR, 2021).</p><p>Com base nos apontamentos, entendemos que a complexidade das técnicas</p><p>esportivas leva à necessidade de uma boa visão da análise técnica para que o desempenho</p><p>seja otimizado. Uma boa análise, por meio da cinemática, deve considerar o raciocínio</p><p>174</p><p>de ordem mais elevada, dominando os preceitos da biomecânica. A análise técnica</p><p>altamente eficaz deve avaliar o movimento para que sejam identificados as virtudes e os</p><p>defeitos e, em seguida, seja diagnosticado o desempenho para se prescrever a devida</p><p>intervenção (ACKLAND; PANDY, 2011).</p><p>4 DOMÍNIO DE TÉCNICAS AVANÇADAS DOS ESPORTES</p><p>DE RAQUETE</p><p>Tradicionalmente, a técnica no âmbito do desempenho esportivo está associada</p><p>ao meio mais eficiente para determinada ação. Quando se trata de técnicas avançadas,</p><p>relaciona-se com a função de articular fundamentos técnicos básicos já consolidados</p><p>com modelos estratégicos-táticos da modalidade</p><p>esportiva. Isso porque, quando</p><p>se passa para a especialização esportiva, busca-se consistência nos fundamentos</p><p>técnicos básicos e, assim, a possibilidade de desenvolver capacidade de aplicação</p><p>da técnica de acordo com diferentes situações de jogos, e com rápidas tomadas de</p><p>decisões (BALBINOTTI; MOTTA, 2011).</p><p>Algumas das técnicas básicas dos esportes de raquete já foram</p><p>apresentadas na Unidade 2, Tópico 3.</p><p>ATENÇÃO</p><p>Ressalta-se que, para se chegar a técnicas avançadas, precisa-se da</p><p>experiência motora adquirida durante os fundamentos básicos do esporte. Essa</p><p>base vem com a estruturação e progressão da de treino, alancando uma progressão</p><p>pedagógica para elevar o nível de dificuldade com componentes do esporte, respeitando</p><p>o processo maturacional (idade biológica) e potenciais para captar estímulos. Assim se</p><p>tem condições de controlar a técnica e incorporá-la ao modelos estratégicos-táticos.</p><p>Assim as técnicas avançadas vão permitir encontrar caminhos mais eficientes para a</p><p>otimização da performance esportivas (Figura 4).</p><p>175</p><p>FI</p><p>GU</p><p>RA</p><p>4</p><p>–</p><p>PR</p><p>IN</p><p>CI</p><p>PA</p><p>IS</p><p>F</p><p>AT</p><p>O</p><p>RE</p><p>S</p><p>A</p><p>S</p><p>ER</p><p>EM</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>SI</p><p>D</p><p>ER</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>N</p><p>A</p><p>F</p><p>AS</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>TÉ</p><p>CN</p><p>IC</p><p>AS</p><p>A</p><p>VA</p><p>N</p><p>ÇA</p><p>DA</p><p>S</p><p>FO</p><p>N</p><p>TE</p><p>: B</p><p>al</p><p>bi</p><p>no</p><p>tt</p><p>i e</p><p>M</p><p>ot</p><p>ta</p><p>(2</p><p>01</p><p>1,</p><p>p</p><p>. 1</p><p>42</p><p>)</p><p>176</p><p>Como pode ser visto no esquema apresentado na Figura 4, a técnica esportiva</p><p>não representa um fim em si própria, mas um processo intencional que visa soluções</p><p>adequadas de um dado problema. Desta forma, deve-se considerar os princípios da</p><p>individualidade pautando, as estratégias em avanços graduais de exigências. Assim, a</p><p>fase das técnicas avançadas se diferencia da etapa de aprendizagem e desenvolvimento</p><p>dos fundamentos básicos das técnicas dos Esportes de raquete. Na fase de técnicas</p><p>avançadas, recomenda-se o aumento no volume de trabalho representando pelo</p><p>número de repetições dos gestos técnicos esportivos específicos da modalidade, a fim</p><p>de cumprir vários objetivos (Figura 5).</p><p>FIGURA 5 – OBJETIVOS DA FASE DE TÉCNICAS AVANÇADAS</p><p>FONTE: Balbinotti e Motta (2011, p. 145)</p><p>Devido ao fato de que na fase especializada dos Esportes de raquete há</p><p>a aplicação da técnica com a estratégia e tática, o foco principal do processo de</p><p>treinamento das técnicas avançadas é a combinação de golpes efetuados em sequência.</p><p>Assim são estabelecidas as principais jogadas que são indispensáveis para responder as</p><p>exigências competitivas. Com isso a estruturação de treinamento deve ser organizada</p><p>no direcionado as potencialidades ou as deficiências do atleta considerando elementos,</p><p>tipo e o calendário esportivo.</p><p>Para a performance das técnicas deve-se levar em consideração a aplicação</p><p>adequada da relação entre controle, precisão e potência na execução dos golpes, ou</p><p>seja, é preciso ter uma regularidade no controle da bola combinado com a precisão</p><p>e potência necessárias para dificultar ao máximo a recepção por parte do adversário.</p><p>Considerando a evolução progressiva de técnicas, primeiramente o atleta deve aprender</p><p>a controlar a bola na quadra com regularidade, isso porque nessa fase os golpes têm</p><p>menos pretensão quanto à precisão e potência (BALBINOTTI; MOTTA, 2011).</p><p>Depois de adquirida a regularidade no controle de bola, o passo seguinte é a</p><p>obtenção de mais precisão em relação à profundidade dos golpes. Após a aquisição do</p><p>controle e da precisão dos golpes, o outro quesito crucial a ser agregado ao sistema de jogo</p><p>177</p><p>é a potência. É possível golpear com potência durante o processo de desenvolvimento</p><p>do controle e da precisão, dependendo do plano individual de treinamento (BALBINOTTI;</p><p>MOTTA, 2011).</p><p>Considerando os apontamos, o equilíbrio entre os componentes das técnicas</p><p>avançadas com os golpes constitui-se a principal atividade do treino técnico-esportivo.</p><p>Desta forma, os gestos motores utilizado para otimizar a performance técnica dos atletas</p><p>deve ser amplamente desenvolvida no processo de aprendizagem e de aperfeiçoamento das</p><p>técnicas avançadas. Isso permite aplicação de desempenho satisfatório nas competições.</p><p>4.1 UTILIZAÇÃO DAS TÉCNICAS AVANÇADAS EM</p><p>COMPETIÇÕES</p><p>O objetivo principal de uma competição é a vitória. Para os jogadores dos</p><p>Esportes de raquete vão procurar por utilizar de suas jogadas mais eficientes para se</p><p>sobressair sob seus adversários. Ao mesmo tempo o adversário também utilizará de</p><p>seus melhores recursos em busca da vitória. Assim ocorre uma bipolaridade estimulada</p><p>pelas competições. No entanto isso não está presente da mesma maneira no processo</p><p>multilateral de treinamento, pois algumas lacunas só podem ser encontradas na</p><p>competição (BALBINOTTI; MOTTA, 2011).</p><p>É na competição que o desenvolvimento das técnicas avançadas permite o</p><p>exercício sistemático das jogadas de melhor qualidade do atleta. Ao mesmo tempo as</p><p>maiores deficiências desse atleta são colocadas em pauta, principalmente quando o</p><p>adversário é tecnicamente superior. Por isso não é formado um atleta de sucesso com</p><p>longa jornada de treino sem participar de competições, assim como não há como ter</p><p>sucesso em competições sem uma estruturada jornada de treino. O desequilíbrio entre</p><p>esses dois fatores pode custar a carreira do atleta. Se ele treinar muito e competir pouco,</p><p>haverá́ uma lacuna em sua performance, e o mesmo ocorrerá se acontecer o contrário</p><p>(BALBINOTTI; MOTTA, 2011).</p><p>FIGURA 6 – EQUILÍBRIO NO TREINAMENTO DAS TÉCNICAS AVANÇADAS</p><p>FONTE: Balbinotti e Motta (2011, p. 159)</p><p>Sistema de</p><p>Treinamento</p><p>Sistema de</p><p>competição</p><p>178</p><p>O planejamento dos treinos e das competições deve considerar o desenvolvimento</p><p>equilibrado das técnicas avançadas com situações adversas. No entanto, sabe-se que os</p><p>atletas apresentam performances distintas de sua técnica entre competições e treinos.</p><p>Mas é preciso alcançar o máximo equilibro entre as potencialidade e limitações. Para</p><p>isso, depende-se do treino equilibrado de todas a jogadas responsáveis pela formação</p><p>das técnicas avançadas, contempladas no treino em uma perspectiva a de rendimento</p><p>a longo prazo, com as competições, que desenvolve e requer os principais grupos de</p><p>fundamentos integrantes nas técnicas avanças.</p><p>179</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• A formação integral do atleta dentre os Esportes de raquete vai ocorrer na integração</p><p>entre a preparação física, técnica e tática.</p><p>• Preparação técnica refere-se aos treinamentos das habilidades motoras específicas,</p><p>ou seja, a execução dos fundamentos técnicos.</p><p>• A preparação tática consiste na organização das razões que orientam a ação.</p><p>• A preparação física se refere à prática sistemática de exercícios que visão melhorar a</p><p>aptidão física.</p><p>• O treinamento esportivo deve ser visto como um processo, ou seja, uma ação</p><p>contínua, encadeada e prolongada que visa a um objetivo final, estabelecendo os</p><p>meios e métodos de treino.</p><p>• O processo de preparação esportiva deve considerar as ações: avaliação, planejamento,</p><p>execução e monitoramento/controle.</p><p>• O primeiro elemento para inserir o processo de preparação esportiva é a compreensão</p><p>da estrutura do esporte, ou do modelo de Jogo.</p><p>• Três sistemas compõem o processo de preparação esportiva, competição, treinamento</p><p>e fatores complementares.</p><p>• A preparação esportiva deve considerar os cinco princípios do treinamento esportivo:</p><p>o Princípio da Individualidade Biológica, o Princípio da Adaptação, o Princípio da</p><p>Sobrecarga, o Princípio da Continuidade e o Princípio da Interdependência Volume-</p><p>Intensidade.</p><p>• As alavancas mecânicas e anatômicas são cruciais para uma boa performance nos</p><p>Esportes de raquete, sendo que alavancas mecânicas são aquelas quais a raquete é</p><p>elemento constituinte, já a alavanca anatômica são as alavancas internas, oriundas</p><p>das forças exercidas pelos músculos com os tendões, fáscias nos ossos do aparelho</p><p>locomotor</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>180</p><p>• A cinemática é o estudo da descrição do movimento, considerando espaço e tempo,</p><p>sendo utilizada nos Esportes de raquete para o aprimoramento da técnica, voltada ao</p><p>movimento habilidoso</p><p>com eficiência e menor dispêndio de energia, no menor tempo,</p><p>com alta margem de acertos e que minimize as chances de lesões dos jogadores.</p><p>• Técnicas avançadas, relacionam-se com a função de articular fundamentos técnicos</p><p>básicos já consolidados com modelos estratégicos-táticos da modalidade esportiva.</p><p>• É necessário o equilíbrio ente treino e competição, visto que não é formado um atleta</p><p>de sucesso com longa jornada de treino sem participar de competições, assim como</p><p>não há como ter sucesso em competições sem uma estruturada jornada de treino.</p><p>181</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 A figura a seguir mostra o ciclo e elementos para o treinamento de esportes de raquete.</p><p>FONTE: A autora</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) Os itens circulados devem ser treinados isoladamente para o sucesso do treino</p><p>b) ( ) Estratégia e tática de jogos podem ser consideradas sinônimos, uma vez que</p><p>estão voltados ao planejamento de jogo.</p><p>c) ( ) As capacidades físicas são base do treinamento, pois partir desse elemento se</p><p>tem subsídios para as demais etapas do treino.</p><p>d) ( ) Esses fatores acabam definindo o estilo de jogo, o qual é característico de todos</p><p>os atletas de alto nível, pois são excelentes em todos os elementos anteriores.</p><p>2 (Adaptado de Prefeitura de Resende-RJ, 2010) A preparação esportiva nos esportes</p><p>de raquete deve considerar os cinco princípios do treinamento proposto por Tubino</p><p>(1984). Sobre os princípios do treinamento desportivo, associe os itens, utilizando o</p><p>código a seguir:</p><p>I- Também denominado de Princípio da Generalidade, encontra-se fundamentado na</p><p>ideia do Treinamento Total, ou seja, no desenvolvimento global, o mais completo</p><p>possível, do indivíduo. Para isso, deve-se utilizar das mais variadas formas de</p><p>treinamento.</p><p>II- Neste princípio, cabe ao treinador verificar as potencialidades, necessidades e</p><p>fraquezas de seu atleta para o treinamento ter um real desenvolvimento.</p><p>III- A aplicação deste princípio de treinamento evita que o treinador subtraia etapas</p><p>importantes na formação atlética de um esportista.</p><p>182</p><p>( ) Princípio da variabilidade.</p><p>( ) Princípio da individualidade biológica.</p><p>( ) Princípio da continuidade.</p><p>FONTE: <https://bit.ly/3L0iL1x>. Acesso em: 6 abr. 2022.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) I – II – II.</p><p>b) ( ) I - III - II.</p><p>c) ( ) II - III - I.</p><p>d) ( ) II - I - III.</p><p>3 (ENADE, 2016) Tendo o texto como referência e considerando a relação entre as</p><p>etapas da preparação física e o desempenho competitivo, avalie as asserções a</p><p>seguir e a relação proposta entre elas:</p><p>Periodização é os planejamentos do tempo disponível para o treinamento, de acordo</p><p>com os objetivos intermediários estabelecidos, respeitando-se os princípios científicos</p><p>do treinamento desportivo. O modelo tradicional de periodização dos treinamentos foi</p><p>proposto e estabelecidos na década de 1950, com fundamento na teoria da síndrome</p><p>da adaptação geral, e é referência entre os treinadores até os dias de hoje. Esse modelo,</p><p>caracterizado pela variação ondulante das cargas de treianemno, divide-se em períodos:</p><p>de preparação, competição e de transição.</p><p>FONTE: DANTAS, E. H. et al. Adequabilidade dos principais modelos de periodização do treinamento</p><p>esportivo. Rev. Bras. Ciênc. Esporte, Porto Alegre, v. 33, n. 2, p. 483-494, jun. 2011.</p><p>I- A variação ondulante das cargas é importante para a adequação do volume e da</p><p>intensidade do programa de treinamento, de acordo com o período de preparação do</p><p>atleta.</p><p>PORQUE</p><p>II- Cada um dos períodos do modelo tradicional de periodização do treinamento, requer</p><p>um dimensionamento específico da carga de treinamento para que o atleta atinja o</p><p>pico de performance no período de preparação.</p><p>FONTE: <https://download.inep.gov.br/educacao_superior/enade/provas/2016/educacao_fisica.pdf>.</p><p>Acesso em: 6 abr. 2022.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>FONTE: DANTAS, E. H. et al. Adequabilidade dos principais modelos de periodização do treinamento</p><p>esportivo. Rev. Bras. Ciênc. Esporte, Porto Alegre, v. 33, n. 2, p. 483-494, jun. 2011.</p><p>183</p><p>a) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.</p><p>b) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa</p><p>correta da I.</p><p>c) ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.</p><p>d) ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.</p><p>4 Os ossos do corpo humano são estruturas sólidas que se apresentam conectados</p><p>por articulações flexíveis, funcionando mecanicamente como alavancas. A ação da</p><p>alavanca ocorre quando os músculos produzem uma tensão e força sobre os ossos,</p><p>permitindo assim a movimentação do corpo. Considerando esta temática, elabore</p><p>um texto dissertativo-argumentativo, abordando as estruturas que participam do</p><p>processo de alavanca e os locais onde podemos encontrá-las. Apresente também</p><p>argumentos para justificar a importância dessas estruturas para a movimentação do</p><p>nos esportes de raquete.</p><p>FONTE: <https://www.kenhub.com/en/library/anatomy/atlanto-occipital-joint>. Acesso em: 6 mar. 2022.</p><p>5 Pode-se dizer que a formação por inteiro do jogador de Beach Tenis vai ocorrer na</p><p>integração entre a preparação física, técnica e tática. A preparação nos diferentes</p><p>domínios pode ser trabalhada de forma isolada, como em atividades que associa os</p><p>três elementos. Isso vai depender das demandas do jogados, cabendo ao treinado</p><p>tomar as decisões sobre o processo de treinamento, considerando aos aspectos do</p><p>indivíduo, do ambiente e da tarefa. Diante disso, apresente quais exercícios trabalham</p><p>os componentes da preparação esportiva de forma combinada.</p><p>184</p><p>185</p><p>PREPARAÇÃO FÍSICA</p><p>UNIDADE 3 TÓPICO 2 —</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>A preparação física diz respeito à prática sistemática de exercícios que visam</p><p>a melhora da aptidão física. Aplicada aos Esportes de raquete a preparação física está</p><p>atrelada à busca que praticantes tenham uma ótima velocidade de deslocamento e</p><p>agilidade para conseguirem chegar a todos os objetos e efetuar os golpes; ou, ainda,</p><p>terem uma boa resistência para suportar uma partida completa sem haver queda de</p><p>desempenho (CHIMINAZZO; MIRANDA, 2021).</p><p>Para a preparação física dos Esportes de raquete a análise da conduta motora</p><p>durante as partidas é um aspecto primordial. A compreensão dos gestos específicos,</p><p>como se manifestam, a que intensidade, durante quanto tempo é o primeiro elemento a</p><p>ser considerado. É importante salientar que todas as condutas motoras se manifestam</p><p>como respostas a outras variáveis do jogo: companheiros, adversários, bola, raquete,</p><p>espaço e tempo. É preciso realizar ajustes constante aos estímulos do meio.</p><p>As qualidades condicionantes que permitem maior disponibilidade motora são:</p><p>força, velocidade e resistência. Um incremento dos níveis dessas qualidades causará</p><p>maior e melhor rendimento dos gestos específicos dos Esportes de raquete. Com</p><p>relação a gestos específicos, não podemos esquecer da flexibilidade da coordenação</p><p>motora e do equilíbrio. Essas valências são qualidades físicas amplamente utilizadas e</p><p>combinadas durante o jogo de qualquer modalidade com o uso de raquetes.</p><p>O treinamento das referidas capacidades motoras é um componente importante</p><p>do desempenho físico e, desenvolvimento do condicionamento físico específico dos</p><p>jogadores. Assim, para os Esportes de raquete, necessita-se de uma sequência de</p><p>atividades que solicitam o metabolismo anaeróbio e aeróbio de forma determinante.</p><p>Sendo estes sistemas também solicitados em maior grau nas situações decisivas do jogo.</p><p>Considerando só aspectos da preparação física para os Esportes de raquete,</p><p>neste tópico, serão abordadas as demandas das valências físicas nas modalidades. Para</p><p>isso serão divididas entre valências centrais e complementares para a performance</p><p>esportiva. Em seguida será apontado a interligação entre a preparação física e o</p><p>treinamento técnico-tático. Por fim alguns indicadores dos aspectos fisiológicos</p><p>em um ambiente demarcado, com dimensões e superfícies variadas de acordo com</p><p>a modalidade. São inúmeras as possibilidades de práticas que podem ser realizadas</p><p>com o uso de uma raquete, gerando assim diferentes possibilidades para essa categoria</p><p>de esporte.</p><p>Além das características comuns anteriormente citadas, Aburachid e Jiménez</p><p>(2021) sugerem que os Esportes de Raquete podem ser divididos quanto à trajetória do</p><p>implemento como: transportados sobre a rede sem quique, transportados sobre a rede</p><p>com quique, transportados sobre a rede e com uso de paredes laterais, para atingir a</p><p>parede frontal e a fim de atingir um alvo (Quadro 1).</p><p>QUADRO 1 – CLASSIFICAÇÃO DOS JOGOS DE RAQUETE QUANTO TRAJETÓRIA DO IMPLEMENTO</p><p>FONTE: Aburachid e Jiménez (2021, p. 59)</p><p>Rede Parede Alvo</p><p>transportados</p><p>sobre a rede</p><p>sem quique</p><p>transportados</p><p>sobre a rede</p><p>com quique</p><p>transportados</p><p>sobre a rede</p><p>e com uso de</p><p>paredes laterais</p><p>Atingir a</p><p>parede Frontal</p><p>Atingir a área</p><p>sem quique</p><p>Ball Badminton Pickieball Padel Frontenis Speedball</p><p>Badminton Tênis Platfrom tennis Paleta Frontón Speedminton</p><p>Airbadminton Tênis de mesa Real tennis Raquetebol Frescobol</p><p>Beach tennis Touchtennis Stické Racquets 360ball</p><p>- Sofft Tennis - Squash -</p><p>- Qianball - Squash tennis -</p><p>- - - Hardball squash -</p><p>5</p><p>Nos esportes que envolvem a transposição da rede, dentre o objetivo de jogo</p><p>está obter vantagem sobre a área do adversário, ultrapassando uma rede. Isso pode ser</p><p>realizado com a obrigatoriedade e um quique no solo ou não. Há a obrigatoriedade que</p><p>ocorra um quique no solo após a efetivação do serviço. Nos esportes de transposição da</p><p>rede e uso das paredes laterais, essas paredes podem servir de auxílio para o controle e</p><p>condução da bola, todavia não há obrigatoriedade de seu uso.</p><p>Nos esportes que se utiliza da parede frontal, não há translocação por uma rede.</p><p>Em vez disso, os jogadores devem direcionar a bola, na parede, a fim de obter vantagem</p><p>sobre seu adversário. O adversário, por sua vez, buscará evitar defendendo o serviço e</p><p>elaborando um contra-ataque. Já nas modalidades como alvo, o objetivo gira em torno</p><p>na manutenção dinâmica das jogadas, de acordo com o alvo estabelecido.</p><p>Devido às regras das modalidades esportivas, cria-se um conjunto de obrigações</p><p>que os jogadores devem seguir referente ao modo de interação entre os participantes,</p><p>espaços de prática, equipamentos e sistema de pontuação. Esses fatores vão</p><p>caracterizar os espaços e a forma de participação entre companheiros e/ou adversários.</p><p>No que diz respeito ao espaço, Aburachid e Jiminez (2021) propuseram uma estrutura</p><p>de classificação das modalidades, com base na praxiologia motriz de Parlebas (2001),</p><p>apresentado na Figura 1. Como é possível identificar, as modalidades de Esportes de</p><p>Raquete podem ocorrer em espaços separados, ou seja, cada jogador fica em sua área</p><p>de jogo, ou em espaço comum, que os jogadores dividem o mesmo ambiente de jogo.</p><p>FIGURA 1 – CLASSIFICAÇÃO CONFORME AS ESTRUTURAS DO JOGO</p><p>FONTE: Aburachid e Jiménez (2021, p. 56)</p><p>6</p><p>Vale ressaltar que a modalidade solo do speedball não se adéqua a</p><p>nenhum dos critérios de participação, pois o participante assume</p><p>uma intervenção solitária, golpeando uma bola, presa por uma corda</p><p>elástica, a maior quantidade de vezes no tempo de um minuto, o</p><p>que a diferencia das modalidades simples e duplas do  speedball.</p><p>(ABURACHID; JIMÉNEZ, 2021).</p><p>NOTA</p><p>A maioria dos Esportes de Raquete, em suas ações motoras, exige a participação</p><p>de outros indivíduos, sejam companheiros ou adversários. Diante disso, deve-se</p><p>considerar para a ação motora de jogo essa interação, denominda por Aburachid</p><p>e Jiménez (2021), como situações sociomotoras. Ao considerar essas as situações</p><p>sociomotoras, um novo rol de critérios se abre para subclassificações, sendo:</p><p>Situações de cooperação ou comunicação motora: a cooperação</p><p>nesses esportes é visível dada a participação de pelo menos um</p><p>companheiro na tentativa de alçar o objetivo comum. Como único caso,</p><p>temos o frescobol, chamado de matkot em Israel, seu país de origem.</p><p>Situações de oposição ou contra comunicação motora:  a</p><p>interação se dá perante um adversário que se opõe ao objetivo ou</p><p>tarefa motora. Nos esportes de raquete essa oposição é instrumental,</p><p>pois se utiliza a raquete como um equipamento extracorporal e não</p><p>corporal (é o caso de vários esportes de luta). Nesse critério constam</p><p>as modalidades com jogos de simples ou individuais, por se tratar de</p><p>confrontos de 1 × 1.</p><p>Situações de cooperação-oposição: nestas situações configuram-</p><p>se as modalidades de duplas (2 × 2) presentes em vários esportes de</p><p>raquete. Os jogadores contam com a colaboração de seu companheiro</p><p>e sofrem pressão da oposição de dois adversários. Porém, ressalta-</p><p>se que existem vários esportes em que há modalidades de simples,</p><p>assim como de duplas. Contido nesse critério está o ball badminton,</p><p>criado na Índia, que é praticado, além de duplas, também entre duas</p><p>equipes compostas por cinco participantes, dispostas em cada campo</p><p>separado pela rede (5 × 5), lembrando a ideia de um badminton por</p><p>equipe (sua forma mais habitual de disputa) (ABURACHID; JIMINEZ,</p><p>2021, p. 60).</p><p>Por mais que os Esportes com Raquete, em sua maioria, apresentem variabilidade</p><p>na prática, devido à interação com companheiros e adversários, as modalidades nesta</p><p>classificação esportiva, quanto aos critérios de incerteza, são consideradas com</p><p>situações em meio estável. Isso porque os jogos são executados em um meio sem</p><p>incerteza, pois o campo de jogo (marcações) e a rede são fixos. Sendo assim, Aburachid</p><p>e Jiménez (2021) analisam os esportes de raquete quanto aos critérios companheiro-</p><p>adversário-incerteza, apostatando quatro categorias que enquadram os Esportes de</p><p>Raquete: (1) Esportes de situações psicomotoras, com ausência de companheiros/</p><p>adversários e estabilidade do meio físico, (2) Esportes de situações sociomotoras</p><p>7</p><p>de cooperação, com a presença de companheiro(s) e estabilidade do meio físico; (3)</p><p>Esportes de situações sociomotoras de oposição, com a presença de adversário(s) e</p><p>estabilidade do meio físico; (4) Esportes de situações sociomotoras de cooperação/</p><p>oposição, com a presença de companheiro(s) e adversário(s), e estabilidade do meio</p><p>físico (Figura 2).</p><p>FIGURA 2 – CLASSIFICAÇÃO DOS ESPORTES DE RAQUETE CONFORME A INTERAÇÃO ENTRE</p><p>COMPANHEIRO-ADVERSÁRIO-INCERTEZA</p><p>FONTE: Aburachid e Jiméne (2021, p. 63)</p><p>FONTE: Aburachid e Jiméne (2021, p. 63)</p><p>Importante frisar que as modalidades existentes em cada esporte</p><p>podem ser praticadas conforme o gênero, sendo masculino,</p><p>feminino ou misto. Também pode-se considerar os implementos</p><p>de equipamentos utilizados nas modalidades. Outro indicador</p><p>que permitiria uma classificação mais precisa é a identificação</p><p>do objetivo motor prioritário em cada esporte (ABURACHID;</p><p>JIMÉNEZ, 2021). Esses fatores serão apresentados de forma mais</p><p>precisa ao longo dos próximos Tópicos e Unidades.</p><p>ESTUDOS FUTUROS</p><p>8</p><p>3 ESPORTES DE RAQUETE E SUAS CONCEPÇÕES</p><p>ESPORTIVAS</p><p>O esporte é um fenômeno histórico-cultural considerado com elemento</p><p>integrador do tecido social, devido aos seus significados atribuídos frente as suas</p><p>manifestações sociais. O esporte pode ser considerado a atividade humana a qual as</p><p>pessoas mais se dedicam de maneira espontânea e descompromissada, sendo um</p><p>fenômeno remoto (KREBS et al., 2011). Com a ascensão dos meios de comunicação,</p><p>o fenômeno esportivo assumiu novos papeis, com funções atreladas desde o praticante</p><p>ao espectador, gerando maior consumo de esporte e elevando sua representação frente</p><p>à economia mundial (MARQUES, 2015).</p><p>Os grandes eventos esportivos passaram a ser acompanhados por bilhões de</p><p>pessoas por todo o mundo. Isso fez com que em grande parte desses espectadores se</p><p>desperte a necessidade e o direito de participação na prática esportiva. Sendo assim,</p><p>no Brasil, em 1985, Manuel Tubino buscou ampliar a perspectiva do esporte. Desde</p><p>então foi incorporada na realidade esportiva as concepções</p><p>nos</p><p>Esportes de raquete.</p><p>186</p><p>2 VALÊNCIAS FÍSICAS NOS ESPORTES DE RAQUETE</p><p>O perfil das exigências físicas durante os jogos e as competições determina</p><p>grande parte do direcionamento da preparação física. Além das demandas associadas</p><p>à competição é fundamental considerar as demandas associadas ao treinamento e à</p><p>evolução de suas fases (SIMÕES; BALBINOTTI, 2011). Sendo assim a determinação dos</p><p>conteúdos a serem desenvolvidos nas sessões de treinamento físico devem proporcionar</p><p>a performance esportiva. A preparação física trata-se de possibilitar ao atleta não só</p><p>suportar as elevadas demandas das sessões de treinamento técnico tático, mas também</p><p>responder a esses componentes com qualidade (SIMÕES; BALBINOTTI, 2011b).</p><p>Considerando os apontamentos, sabe-se que a preparação física com</p><p>incremento para a performance dos Esportes de raquete deverá envolver as qualidades</p><p>físicas específicas das Modalidades. Com isso, será utilizado como guia de compreensão</p><p>as qualidades físicas do tênis proposto por Simões e Balbinot (2011b), apresentados no</p><p>Quadro 1:</p><p>QUADRO 1 –CARACTERIZAÇÃO DAS QUALIDADES FÍSICAS NECESSÁRIAS PARA A PRÁTICA DO TÊNIS</p><p>FONTE: Simões e Balbinot (2011b, p. 228)</p><p>Preparação</p><p>Física</p><p>Características Qualidades físicas</p><p>Qualidades</p><p>físicas</p><p>específicas</p><p>• Determinação dos níveis máximos de</p><p>performance conforme as ações de jogo</p><p>• Condicionamento das possibilidades de opções</p><p>de jogo do tenista</p><p>• Manutenção dos níveis de performance em</p><p>intensidade elevada, fazendo com que a curva de</p><p>declínio da performance seja menos acentuada</p><p>• Escolhas estratégico-táticas decorrentes de</p><p>análises das competições</p><p>• Resistência básica</p><p>• Resistência especial</p><p>• Velocidade especial</p><p>• Agilidade</p><p>• Força especial</p><p>Qualidades</p><p>físicas</p><p>complementares</p><p>• Condicionamento das possibilidades de</p><p>adaptação do organismo aos estímulos</p><p>específicos do treinamento</p><p>• Alargamento do repertório motor, visando</p><p>a estimular os grupos musculares menos</p><p>solicitados na prática do tênis</p><p>• Diminuição dos desequilíbrios e encurtamentos</p><p>musculares, reduzindo os problemas posturais e</p><p>os riscos de lesões.</p><p>• Flexibilidade</p><p>• Força geral</p><p>• Habilidades</p><p>coordenativas</p><p>187</p><p>O Quadro 1 apresenta um sugestões teórica que aplicada ao</p><p>tênis. No entanto essas qualidades podem ser transferidas para</p><p>os demais Esportes de raquete, pela estrutura funcional das</p><p>modalidades que se assemelham. Assim, serão apresentadas nesta</p><p>unidade as valências Força, Velocidade e Agilidade, Resistência,</p><p>flexibilidade e capacidade coordenativa.</p><p>ATENÇÃO</p><p>2.1 FORÇA</p><p>A força trata-se de uma qualidade física determinante para a realização de</p><p>habilidades esportivas. Desta forma, seu desenvolvimento tem objetivos além de tornar</p><p>o indivíduo mais forte, visto que por meio da força é possível satisfazer as necessidades</p><p>específicas de um determinado esporte, de modo a elevar seu desempenho na</p><p>modalidade esportiva e manter este desempenho. (SIMÕES; BALBINOTTI, 2011).</p><p>Segundo a American College of Sports Medicine – ACSM (RIEBE, 2018) força</p><p>muscular pode ser definida como a capacidade do músculo de exercer uma força máxima</p><p>em dada ocasião. Nesse sentido, uma importante interação da força nos esportes de</p><p>raquete ocorre em relação à técnica esportiva. Pensando no tipo de aplicação de força</p><p>para os esportes com uso de Raquetes Simões e Balbinot (2011), apontam que há duas</p><p>categorias de força para se analisar: a força especial e a força geral.</p><p>A força especial é destinada a distinguir a força relacionada aos aspectos</p><p>específicos dos esportes. Pode-se dizer então que esse tipo de força está associado</p><p>à execução dos gestos técnicos (imprimindo potência aos golpes); capacidade de</p><p>deslocamento e mudança de direção (associada à velocidade); disponibilização de</p><p>suporte ao organismo, estabilizando-o e proporcionando a transferência de forca entre</p><p>os segmentos corporais (SIMÕES; BALBINOTTI, 2011).</p><p>FIGURA 7 – MANIFESTAÇÃO DA FORÇA ESPECIAL</p><p>FONTE: Simões e Balbinot (2021a, p. 205)</p><p>188</p><p>O Treinamento da força especial nos Esportes de raquete deve respeitar as</p><p>especificardes de adaptações. Essas adaptações ocorrer de acordo com: (1) tipo de</p><p>contração; (2) padrão de movimento executado; e (3) velocidade de contração utilizada.</p><p>Com isso o planejamento das atividades deve se adequar ao grau de especificidade da</p><p>força, considerando o período de formação e fase competitiva (SIMÕES; BALBINOTTI, 2011).</p><p>Considerando as demandas dos esportes de raquete, trabalhos de força para</p><p>membros superior devem ser explorados. Diversos exercícios podem ser executados para</p><p>esse trabalho, dentre esses pode-se destacar atividades que incluam o arremesso, uma vez</p><p>que envolve estruturas motoras semelhantes. Essas atividades favorecem o fortalecimento</p><p>da musculatura do tronco e a transferência de força entre os segmentos corporais.</p><p>A força explosiva também é um componente que deve ser levado em</p><p>consideração para o desenvolvimento da força especial. Isso porque a força explosiva</p><p>de membros superiores é considerada relevante para a aceleração, mudanças de</p><p>direção e a potência dos golpes. Desta forma uma estratégia muito utilizada para o</p><p>trabalho de potência é são atividades de saltos, uma vez que a velocidade de contração</p><p>é fundamental para tal. Para esse tipo de atividade deve-se considerar a progressão</p><p>gradual da sobrecarga e adequação do volume, além da necessidade de um trabalho de</p><p>força geral concomitante (SIMÕES; BALBINOTTI, 2011).</p><p>A força geral, por sua vez, é importante para o desenvolvimento físico. Ela refere-</p><p>se ao aumento de resistência muscular, melhora no controle de movimento, aumento</p><p>de coordenação geral, aumento de densidade óssea e redução de risco de lesões. Dos</p><p>aspectos citados, um dos mais importantes é o que se refere à prevenção de lesões no meio</p><p>do trabalho, procurando minimizar o desequilíbrio muscular (SIMÕES; BALBINOTTI, 2011).</p><p>O equilíbrio da musculatura ocorre quando as forças dos grupos agem em</p><p>igualdade, sem diferenças entre as partes e sem sobrecarregar nenhuma delas. Sendo</p><p>assim, o trabalho para a ação conjunta de músculos, tendões, articulações e demais</p><p>estruturas conjuntivas do musculo tende a evitar lesões. Nessa perspectiva, outra</p><p>maneira pela qual a força geral pode favorecer uma menor incidência de lesões é o</p><p>aumento da resistência muscular localizada. Dessa forma, o desgaste durante os jogos</p><p>e os treinamentos pode ser minimizado, o que consequentemente diminui o risco de</p><p>ocorrência de lesões musculares.</p><p>Para o desenvolvimento da força geral, é importante considerar o fortalecimento</p><p>muscular dos membros e tronco e atividades de cunho postural. Para isso, os métodos</p><p>de treinamento incluem exercícios realizados contra a resistência oferecida pelo peso</p><p>corporal, bem como atividades com sobrecarga auxiliar. As atividades isométricas</p><p>também podem ser utilizadas para o reforço da musculatura de maneira geral,</p><p>entretanto, é necessário considerar, nesse caso, a especificidade das adaptações</p><p>(SIMÕES; BALBINOTTI, 2011).</p><p>189</p><p>2.2 VELOCIDADE E AGILIDADE</p><p>Velocidade é definida com a capacidade de realizar um movimento dentro de</p><p>um curto período. Já a agilidade tem como definição capacidade de mudar a posição do</p><p>corpo no espaço com velocidade e precisão (RIEBE, 2018). Essas qualidades físicas são</p><p>amplamente utilizadas nos Esportes de raquete, uma vez que as trocas de direções e a</p><p>necessidade de deslocamento preciso e rápido para defender a bola é constantemente</p><p>utilizado nos jogos.</p><p>O desenvolvimento de atividades para a estimulação das diferentes</p><p>manifestações da velocidade e agilidade deve considerar a variação dos meios de</p><p>treinamento. Isso é considerado uma maneira de evitar a estagnação das qualidades</p><p>físicas. Outro aspecto relevante do desenvolvimento da velocidade e da agilidade nos</p><p>Esportes de raquete é a aproximação com as demandas da modalidade esportiva. Essa</p><p>aproximação inclui o tipo de deslocamento, a complexidade da tomada de decisão e o</p><p>piso onde se desenvolve a atividade</p><p>e manifestações: Esporte</p><p>Performance, Esporte Participação e Esporte Educação (TUBINO, 2010). Com base</p><p>nas concepções propostas por Tubino, em 1998, ao ser instaurada a Lei nº 9.615/98 na</p><p>Constituição Brasileira, em seu Capítulo III artº 3º, inclui também como manifestação</p><p>esportiva o Esporte Formação. Entretanto, como aplicar essas concepções esportivas</p><p>no Esportes de Raquete? É sobre isso que vamos discorrer nos tópicos a seguir.</p><p>Você pode acessar a Lei nº 9.615/98 na Constituição Brasileira no link:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9615consol.htm.</p><p>DICA</p><p>3.1 ESPORTE EDUCACIONAL</p><p>Segundo Manuel Tubino (2001), o esporte educacional representa a dimensão</p><p>socioeducacional do esporte. Para o autor, essa concepção é entendida no processo</p><p>educacional, de formação pessoal, devendo considerar a utilização do esporte para o</p><p>exercício pleno da cidadania no futuro do indivíduo das pessoas. Por isso, o Esporte</p><p>Educacional é “praticado nos sistemas de ensino e em formas assistemáticas de</p><p>educação, evitando-se a seletividade, a hiper competitividade de seus praticantes, com</p><p>a finalidade de alcançar o desenvolvimento integral do indivíduo e a sua formação para</p><p>o exercício da cidadania e a prática do lazer” (BRASIL, 1998).</p><p>9</p><p>O esporte educacional tem seu principal eixo no âmbito escolar.</p><p>Diante disso, não vamos nos aprofundar sobre essa concepção</p><p>neste caderno didática. Todavia, independente a área de formação,</p><p>e de suma importância reconhecer como o esporte educacional</p><p>é fundamental para o desenvolvimento tanto das modalidades</p><p>esportivas quanto da sociedade em geral.</p><p>IMPORTANTE</p><p>3.2 ESPORTE PARTICIPAÇÃO</p><p>Segundo a Lei nº 9.615/98 da Constituição brasileira, o esporte participação</p><p>compreende nas “modalidades desportivas praticadas com a finalidade de contribuir</p><p>para a integração dos praticantes na plenitude da vida social, na promoção da saúde</p><p>e educação e na preservação do meio ambiente”. Essa perspectiva esportiva reforça a</p><p>ideia de que estimular o movimento do corpo, pensar em seus significados, entender e</p><p>aceitar as relações entre o indivíduo e as instituições, são diretrizes da prática esportiva</p><p>(STUCCH, 2021).</p><p>O esporte participação engloba atividades com características formais ou</p><p>informais. A participação é deliberada a população em geral, sem o compromisso da</p><p>competição e tende a estar diretamente relacionado ao uso do tempo livre e ao conceito</p><p>de bem-estar físico e psicológico. Nesse sentido, muitos profissionais defendem o</p><p>esporte participação como um importante componente para a saúde pública. Portanto,</p><p>se tem como objetivo a diversão, o relaxamento, a desconcentração, a interação social</p><p>e mais recentemente a interação com a natureza, despertando a consciência ecológica</p><p>na população (BUENO, 2008).</p><p>O esporte participação tem como seus princípio a prática deliberada. Nessa</p><p>perspectiva, os fatores que levam a tal prática permeiam por fatores históricos, sociais,</p><p>econômicos, ambientais e culturais relacionados ao esporte. Por exemplo, o Beach</p><p>Tennis é uma modalidade que iniciou no Brasil nas Praias do Rio de Janeiro, e teve</p><p>uma expansão rápida por todo o litoral brasileiro, uma vez que a modalidade depende</p><p>de um solo arenoso para sua prática. Não há local melhor que a praia, para ambientar</p><p>a pratica da modalidade. Com o aumento do interesse de prática na região litorânea, a</p><p>modalidade acabou sendo expandida para outras regiões e sendo criados clubes para a</p><p>prática de Beach Tennis.</p><p>Outro exemplo da prática esportiva ter referência social foi a vitória de Gustavo</p><p>Kuerten, no Master Cup, em 2000, que levou ao topo do ranking mundial do tênis. A</p><p>visibilidade do atleta na modalidade fez com que as quadras de tênis pelo Brasil se</p><p>10</p><p>multiplicassem, assim como o interesse pela modalidade. Em uma entrevista, realizada</p><p>em 2020, Guga afirmou que seus feitos no esporte foi um divisor de águas para a</p><p>modalidade, uma vez que pessoa começaram a jogar tênis em todas as partes do país</p><p>e de todas as classes sociais.</p><p>Para saber mais da entrevista mencionada, você pode encontrá-la no link:</p><p>https://ge.globo.com/tenis/noticia/guga-exalta-importancia-de-numero-1</p><p>-para-o-tenis-brasileiro-foi-um-divisor-de-aguas.ghtml.</p><p>INTERESSANTE</p><p>3.3 ESPORTE RENDIMENTO</p><p>O Esporte Rendimento é “praticado segundo normas gerais e regras de prática</p><p>desportiva, nacionais e internacionais, com a finalidade de obter resultados e integrar</p><p>pessoas e comunidades do País e estas com as de outras nações” (BRASIL, 1998). O</p><p>propósito fundamental do esporte de rendimento é a busca pela superação, recorde</p><p>e vitória, o que exige muita dedicação. Nessa classificação esportiva, se exige muita</p><p>dedicação do atleta, isso implica na busca pelo profissionalismo, contando geralmente</p><p>com atletas com remuneração.</p><p>O interesse pela competitividade do alto rendimento é entendido como</p><p>maior fator responsável pela expansão do fenômeno esportivo e de sua crescente</p><p>popularização em todo o mundo. Desta forma, essa classificação esportiva tem o</p><p>sustendo baseado no espetáculo comercial produzido pelos atletas. Isso faz com que</p><p>seja seletivo e excludente, tanto em termo de prática como e seu consumo. Sendo</p><p>assim, o movimento olímpico é o mais completo paradigma desta categoria esportiva,</p><p>fazendo com que tenha importância política na esfera das relações internacionais</p><p>(BUENO, 2008).</p><p>O esporte de alto rendimento é produzido, gerenciado, organizado e desenvolvido</p><p>por estruturas internacionais e nacionais, hierarquizadas em comitês, confederações,</p><p>federações e ligas que juntas constituem o sistema esportivo dos países, regiões,</p><p>estados e mesmo municípios. Nessa perspectiva, são estruturadas as Federações,</p><p>Confederações ou Associações Esportiva, que representam as organizações não</p><p>governamentais, recebidas pela entidade maior do esporte, muitos casos o Comitê</p><p>Olímpico Internacional. Essas entidades têm como responsabilidade administrar e</p><p>monitorar os esportes que representam.</p><p>11</p><p>Dentre os esportes de Raquete, no Brasil como principais entidades</p><p>regulamentadoras: Confederação Brasileira de Tênis (CBT); Confederação Brasileira de</p><p>Tênis de Mesa (CBTM); Confederação Brasileira de Badminton (CBBd); Confederação</p><p>Brasileira de Beach Tennis (CBBT); Confederação Brasileira Padel (COBRAPA);</p><p>Confederação Brasileira de Squash (CBS).</p><p>Conheça algumas das principais entidades que regem as modalidades de Esportes</p><p>de Raquete:</p><p>• Badminton: https://bwfbadminton.com/.</p><p>• Ball badminton: http://www.ballbadmintonindia.com/.</p><p>• Beach tennis: https://www.itftennis.com/en/.</p><p>• Frontenis: https://fipv.net/es/.</p><p>• Padel: https://www.padelfip.com/.</p><p>• Platform tennis: http://www.platformtennis.org/.</p><p>• Pickleball: https://www.ifpickleball.org/.</p><p>• Raquetebol: https://www.internationalracquetball.com/.</p><p>• Squash: https://www.worldsquash.org/.</p><p>• Tênis: https://www.itftennis.com/en/.</p><p>• Tênis de Mesa: https://www.ittf.com/.</p><p>INTERESSANTE</p><p>3.4 ESPORTE FORMAÇÃO</p><p>A Constituição Brasileira, sob a Lei nº 9.615/98, caracteriza o esporte formação</p><p>como o “fomento e aquisição inicial dos conhecimentos desportivos que garantam</p><p>competência técnica na intervenção desportiva, com o objetivo de promover o</p><p>aperfeiçoamento qualitativo e quantitativo da prática desportiva em termos recreativos,</p><p>competitivos ou de alta competição” (BRASIL, 1998). Essa concepção esportiva engloba</p><p>a iniciação esportiva, a qual pode ser definida como o contado e adaptação a uma</p><p>modalidade esportiva (RAMOS; NEVES, 2008).</p><p>No que se refere a formação esportiva na infância, entende-se que é um período</p><p>que a se inicia a prática regular e orientada das modalidades esportiva. Sendo assim o</p><p>objetivo imediato é dar continuidade ao seu desenvolvimento de forma integral, não</p><p>só empregando competições regulares (RAMOS; NEVES, 2008). Nesse sentido, muitas</p><p>discussões têm sido levantadas em torno do esporte formação, para que ele não se</p><p>confunda com a especialização esportiva precoce.</p><p>12</p><p>Assim, Ramos e Neves (2008, p. 2) afirmam que:</p><p>pode-se entender que a iniciação esportiva é o período em que a</p><p>criança começa a aprender, de forma específica e planejada, a prática</p><p>esportiva. Contudo, é necessário que se conheçam e respeitem suas</p><p>características para que ela não seja transformada em um miniadulto.</p><p>Todavia, nas modalidades de esportes de Raquete ainda há uma carência de</p><p>modelos referenciais que possam auxiliar os treinadores na elaboração de treinamentos</p><p>para atletas em fase de formação esportiva (BRANDÃO et al., 2015). Nesse sentido, o</p><p>processo de ensino-aprendizagem de treinamentos dos esportes de raquetes requer</p><p>um leque de conhecimentos de áreas correlatas ao profissional e educação física, como</p><p>fisiologia do exercício, biomecânica, desenvolvimento humano e motora, aprendizagem</p><p>motora e pedagogia do esporte.</p><p>Mesmo que ainda careça de estudo no tênis, a Federação Internacional</p><p>de Tênis propôs um método progressivo e estrutura para iniciação ao</p><p>esporte. O método Play and Stay traz a ideia de aprender enquanto se</p><p>pratica e se brinca, por isso, é de extrema importância que o professor</p><p>tenha um acompanhamento de perto ao aluno para que assim possa</p><p>fazer as devidas correções ao longo das aulas. Saiba mais no link:</p><p>https://revistatenis.uol.com.br/artigo/importancia-do-sistema-play-and-</p><p>stay-ensino-tenis-para-criancas_14130.html.</p><p>DICA</p><p>4 PROPOSTA INTERACIONISTA APLICADA AOS</p><p>ESPORTES DE RAQUETE</p><p>Anteriormente, abordamos as diferentes concepções esportivas que são</p><p>contempladas pelos Esportes de Raquete. Independente de qual manifestação esportiva</p><p>ou modalidade, o profissional que irá intervir deve ter um método de treinamento coeso e</p><p>consistente. Todavia, segundo Beneli et al. (2021), no Brasil, os profissionais de educação</p><p>física que trabalham com as modalidades utilizando de Raquete, em sua predominância,</p><p>apresentam um conhecimento superficial ou baseiam sua prática prioritariamente em</p><p>experiências como praticantes.</p><p>Esse perfil dos instrutores faz com que a visão de treinamento da modalidade</p><p>seja estruturada em atividades analíticas direcionada ao ensino da técnica (GINCIENE et</p><p>al., 2019). Todavia, nos Esportes de Raquete, há situações ou tarefas com necessidade</p><p>de superar exigências e condições do ambiente, que se modifica constantemente. Isso</p><p>porque há um jogador opoente e, em determinados casos, o jogador companheiro,</p><p>13</p><p>fazendo que seja variável e imprevisível as ações de jogo. Desta forma, deve-se abordar</p><p>a variabilidade de situações e demandas de jogo, permitindo ganho de inteligência</p><p>motora e resolução de problemas pelos praticantes, que não pode ser obtido com</p><p>treinamento exclusivamente analítico.</p><p>Entende-se que os esportes de raquete podem ser desenvolvidos com a</p><p>utilização de metodologias adequadas. Diante disso, Beneli et al. (2021) sugerem que por</p><p>mais que a técnica dos gestos motores são elementos essenciais para o aprendizado</p><p>e prática dos esportes de raquete, o treinamento não se deve estringir apenas a isso.</p><p>Os autores apontam que se deve ampliar a diversidade de estímulos enfatizando</p><p>o planejamento e o entendimento do jogo e o comportamento diante de situações-</p><p>problema durante a prática. Desde a iniciação esportiva até ao rendimento, o processo</p><p>de preparação deve ser contínuo considerando os elementos de variabilidade do jogo.</p><p>Para dar continuidade em nossos estudos, é necessário compreender os Esportes</p><p>de Raquete em seu sentido mais amplo. Isso irá possibilitar não restringir o processe</p><p>de treinamento na execução técnica, mas sim proporcionar a vivência ou treinamento</p><p>possibilitando ao praticante tomar decisões diante dos problemas inerentes à prática</p><p>esportiva (BENELI et al., 2021). Desta forma, ao trazer a abordagem interacionista para</p><p>a discussão dos Esporte de Raquete, permite um analise sobre os pontos chaves para</p><p>a intervenção profissional, justificando os conteúdos abordados ao longo dos próximos</p><p>Tópicos e Unidades.</p><p>Segundo Hirama et al. (2014), a proposta interacionista vem sendo desenvolvida</p><p>desde o final do século passado, em diferentes países com diferentes denominações e</p><p>concepções. Essa proposta tem como objetivo oferecer alternativas de treinamento do</p><p>esporte como oposição aos métodos tradicionais, que dentre inúmeros benefícios e</p><p>discussões, permite a melhor compreensão das modalidades esportivas o que permite o</p><p>profissional subsídios para o trabalho com o esporte formação, educacional, participação</p><p>ou rendimento.</p><p>Para sugerir o processo de iniciação esportiva, aspectos Técnicos e</p><p>preparação esportiva, temas abordados nas próximas Unidades,</p><p>seguiremos a abordagem interacionista. A escolha dessa abordagem</p><p>de se dá em virtude de explorar o processo de treinamento</p><p>dos esportes de raquete, como um todo, fornecendo subsídios</p><p>fundamentos em evidências para o Profissional de Educação Física.</p><p>ESTUDOS FUTUROS</p><p>14</p><p>4.1 JOGO COMO FOCO PRINCIPAL</p><p>As propostas interacionistas defendem que o foco principal de treinamento é o</p><p>jogo, ou seja, o aprendizado começa a partir do todo. Nesse sentido, Beneli et al. (2021)</p><p>apontam que o principal objetivo do treinador é estimular em seus alunos a compreensão</p><p>da dinâmica da modalidade para posteriormente seguirem o detalhamento de suas</p><p>partes, fundamentos, técnicas e regras específicas. Para Hirama et al. (2014), trabalhar</p><p>a aprendizagem ou aperfeiçoamentos por meio do jogo, significa que o esporte será</p><p>apresentado na sua dinâmica geral.</p><p>A partir desse entendimento do todo, se estimula o aprendizado das partes</p><p>do jogo (fundamentos, técnica, tática, preparação física). Isso porque por meio do</p><p>treinamento com jogo é possível ter maior entendimento da necessidade dos domínios</p><p>técnicos, uma vez que ao se compreender a dinâmica da modalidade, os praticantes</p><p>percebem quais habilidade e aspectos físicos precisão ser mais refinados para o melhor</p><p>desempenho no próprio jogo. Caso a estimulação seja realizada de forma contrária a esta</p><p>lógica mencionada, alguns problemas podem surgir (HIRAMA et al., 2014). As técnicas</p><p>são movimentos que permitem resolver de forma eficiente as tarefas que o jogo solicita,</p><p>ou seja, a técnica não se separa da tática.</p><p>4.2 O ENSINO PELAS SIMILARIDADES</p><p>Ao estimular jogos da mesma categoria, pode-se entender as similaridades entre</p><p>as diferentes modalidades, transferindo conhecimentos sejam motores ou cognitivos</p><p>entre as práticas. Pensado nisso, Beneli et al. (2021, p. 4) trazem o exemplo o jogo de</p><p>peteca no ensino de badminton:</p><p>podemos citar o jogo de peteca, que apresenta uma dinâmica semelhante à</p><p>do badminton e pode auxiliar no entendimento de seus sentidos quanto ao espaço a ser</p><p>defendido e atacado, às movimentações necessárias, aos fundamentos utilizados, e às</p><p>percepções acerca do jogo, para que possam buscar respostas, a fim de obter sucesso</p><p>na situação vivenciada.</p><p>O processo de similaridade enfatiza a necessidade de valorizar o conhecimento</p><p>do aluno e/ou atleta. Para Hirama et al. (2014), é por meio da maneira que o praticante</p><p>resolve os problemas apresentados ao longo do jogo que se construirá sua prática.</p><p>Mesmo que as habilidades apresentadas não forem conforme a necessidade do gesto</p><p>técnico, é por meio delas que será estruturado a mediação para a construção da técnica</p><p>mais adequada.</p><p>15</p><p>Na Unidade 2, vamos tratar um pouco sobre o processo de</p><p>transferência de habilidades. Esse tópico da aprendizagem</p><p>motora é de suma importância para a compreensão da</p><p>similaridade para o processo de treinamento dos esportes</p><p>de raquete.</p><p>ESTUDOS FUTUROS</p><p>4.3 ADAPTAÇÃO DE REGRAS ESPAÇOS E MATERIAIS</p><p>A adaptação de regras, espaços e matérias para atletas iniciantes tem como</p><p>finalidade facilitar o jogo e diminuindo a velocidade dele, proporcionando maior tempo</p><p>para a reflexão e maior possibilidade de sucesso (GRIFFIN, 1996 apud BENELI et al.,</p><p>2021). Segundo Hirama et al. (2014), as adaptações concentram na necessidade de</p><p>modificar o ritmo de jogo de forma que ele seja possível de acontecer, mas não deve</p><p>mudar sua dinâmica central. Ou seja, as</p><p>adaptações levam a simplificação do jogo, como</p><p>a diminuição do tamanho da quadra, da altura da rede, ou facilitar as estratégias de</p><p>cobertura de bola/volantes nos jogos.</p><p>As adaptações não são necessariamente para tornar o jogo mais fácil. Em casos</p><p>que se busca o aprimoramento do esporte, como estimular uma situação que necessita</p><p>desenvolver no praticante/atleta as adaptações podem elevar o nível de dificuldade,</p><p>para estimular respostas rápidas e precisas durante o jogo. Por exemplo, se o jogador</p><p>de tênis precisa melhorar seu contra-ataque, pode-se colocar dois jogadores contra um</p><p>para um para aumentar a variação das jogadas e criar maior incerteza.</p><p>As regras em todos os esportes são estabelecidas para garantir</p><p>uma disputa justa entre competidores e promover um ambiente de</p><p>boa esportividade. É de vital importância que todos os jogadores</p><p>e técnicos, obtenham os recursos que precisam para aprender as</p><p>regras e aderir a elas.</p><p>IMPORTANTE</p><p>16</p><p>Durante o jogo, constantemente o praticante é estimulado a elaborar respostas</p><p>com o intuito de resolver as situações estabelecidas. Esses problemas podem ser</p><p>referentes à seleção de respostas adequadas ou relativos à realização a ação motora.</p><p>Sendo assim a função do profissional de educação física é ser um mediador e</p><p>problematizador. A atuação profissional concentra-se em oferecer e mediar situações e</p><p>soluções que seu atleta aplique na prática esportiva, ou seja desenvolver a inteligência</p><p>de jogo. Nesse sentido, o termo mediador é o que melhor se aplica, pois o profissional</p><p>vai gerar estímulos para que os próprios jogadores percebam as estratégias a serem</p><p>seguidas, não ficando dependentes das instruções do técnico (HIRAMA et al., 2014).</p><p>Se o problema deve ser resolvido através da compreensão e</p><p>raciocínio do próprio praticante, é necessário que o técnico</p><p>valorize o conhecimento que ele já traz, pois será a partir dele</p><p>que irá buscar suas resoluções.</p><p>NOTA</p><p>4.5 DIÁLOGO CONSTANTE</p><p>Para Beneli et al. (2021), a proposta interacionista se pauta na necessária</p><p>comunicação constante durante todo o treino. Os compartilhamentos de ideia,</p><p>informações e mediação de possíveis soluções é o que permite a construção da</p><p>compreensão de jogo. Os autores sugerem que enquanto a conversa inicial permite</p><p>a compreensão do objetivo do treino, a conversa final gera uma reflexão sobre as</p><p>estratégias, e ressignificação das ações realizadas. Dessa forma, “é possível o ensino</p><p>pautado no desenvolvimento de alunos/atletas mais críticos em relação à prática</p><p>esportiva, levando em consideração sua abrangência de componentes e conteúdo”</p><p>(BENELI et al., 2021, p. 6).</p><p>Além da reflexão crítica, o diálogo constante permite ao atleta um feedabck</p><p>intrínseco do seu movimento. As orientações quanto a aspectos técnicos serão efetivas</p><p>apenas nos momentos que o próprio praticante tiver autonomia sobre o seu movimento,</p><p>desta forma, a forma e sequencia que o profissional oferece essas orientações e de</p><p>suma importância para a construção do desempenho técnico do atleta.</p><p>4.4 ESTIMULAÇÃO POR RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS</p><p>17</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• Os Esportes de Raquete são os esportes que utilizam de uma raquete, com um</p><p>implemento para a execução de suas modalidades.</p><p>• Os Esportes de Raquete podem ser divididos quanto à trajetória do implemento,</p><p>como: transportados sobre a rede sem quique, transportados sobre a rede com</p><p>quique, transportados sobre a rede com uso de paredes laterais, para atingir a parede</p><p>frontal e para atingir um alvo.</p><p>• Os esportes de Raquete também podem ser classificados de acordo com a estrutura</p><p>de jogo, considerando espação, adversário e incertezas.</p><p>• Os esportes de Raquete são aceitos e devem ser abordados nas diferentes concepções</p><p>esportivas: esporte educação, esporte participação, esporte rendimento e esporte</p><p>formação.</p><p>• A abordagem interacionista permite um processo de ensino-aprendizagem em</p><p>treinamentos coeso e consistente, pautado no jogo como foco principal, no ensino,</p><p>pelas singularidades, na adaptação de regras e materiais, na estimulação por</p><p>resolução de problemas e no diálogo constante.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>18</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 O esporte como fenômeno social tem importante papel na sociedade visto que</p><p>ele abrange vários setores, sendo bastante relevante na área da saúde, educação,</p><p>turismo, entre outros. A prática deste envolve a aquisição de habilidades físicas e</p><p>sociais, valores, conhecimentos, atitudes e normas. Envolvendo todas as classes</p><p>sociais este fenômeno é capaz de promover a socialização, a cooperação, e</p><p>transmissão de valores. Isso se aplica diretamente aos Esportes de Raquete. Sendo</p><p>assim, o profissional de educação física, deve conhecer as possibilidades de atuação</p><p>dos esportes de Raquete. O Decreto nº 7.984, de 8 de abril de 2013, regulamenta a Lei</p><p>nº 9.615, de 24 de março de 1998 e institui normas gerais sobre o desporto, com quais</p><p>características?</p><p>FONTE: BRASIL. Decreto nº 7.984, de 8 de abril de 2013. Regulamenta a Lei nº 9.615, de 24 de março de</p><p>1998, que institui normas gerais sobre desporto. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_</p><p>ato2011-2014/2013/decreto/d7984.htm . Acesso em: 27 mar. 2022</p><p>a) ( ) Desporto educacional ou esporte-educação; desporto de participação e desporto</p><p>de rendimento.</p><p>b) ( ) Desporto não profissional; desporto recreativo e de lazer e desporto profissional.</p><p>c) ( ) Desporto escolar; desporto recreativo e de lazer e desporto de rendimento.</p><p>d) ( ) Desporto educacional; desporto não profissional e desporto profissional.</p><p>2 (IBFC-2013) Considere o texto a seguir e responda à questão a seguir.</p><p>Tênis X Frescobol</p><p>(Rubem Alves)</p><p>O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela</p><p>no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro</p><p>errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário</p><p>– e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada – palavra muito sugestiva, que</p><p>indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis</p><p>se encontra, portanto, justamente quando o jogo não pode mais continuar porque o</p><p>adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza</p><p>de outro.</p><p>O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só</p><p>que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta,</p><p>a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la</p><p>19</p><p>gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque</p><p>não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém</p><p>fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um,</p><p>no frescobol, é um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso</p><p>mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas, e o que provocou</p><p>o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso</p><p>jogo em que ninguém marca pontos...</p><p>A crônica de Rubem Alves contextualiza duas práticas da cultura de movimento no qual</p><p>a competição se desenvolve em perspectivas diferentes. O tênis da forma apresentada</p><p>pelo autor pode ser associado à dimensão “rendimento” e o frescobol à dimensão</p><p>“educação”. Relacione as colunas de acordo, associando os tipos de esporte às suas</p><p>respectivas características.</p><p>FONTE: <https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/33113/ibfc-2013-ebserh-profissional-de-</p><p>educacao-fisica-prova.pdf?_ga=2.169004769.1741280399.1648387746-553354164.1648387746>.</p><p>Acesso em: 28 mar. 2022.</p><p>Assinela alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) I - A, B; D; II - C, E.</p><p>b) ( ) I - B, C; II - A, D, E.</p><p>c) ( ) I - C, D, E; II - A, B.</p><p>d) ( ) I - A, E; II - B, C, D.</p><p>3 Os esportes podem ser classificados levando-se em consideração diversos critérios,</p><p>como a quantidade de competidores, a relação com</p><p>os companheiros de equipe, a</p><p>interação com o adversário, o ambiente, o desempenho comparado e os objetivos</p><p>táticos da ação. Nos esportes que envolvem a transposição da rede, dentre o objetivo</p><p>de jogo está obter vantagem sobre a área do adversário, ultrapassando uma rede.</p><p>Isso pode ser realizado com a obrigatoriedade e um quique no solo ou não. Sobre</p><p>exemplos dessa categoria, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) Ball badminton; Padel; Frontenis.</p><p>b) ( ) Badminton; Beach tennis; Padel.</p><p>c) ( ) Raquetebol; Frescobol; Tênis.</p><p>d) ( ) Real tennis; Squash tennis; Speedball.</p><p>I– Esporte Rendimento</p><p>II– Esporte Formação</p><p>A- Objetiva o máximo desempenho.</p><p>B- Visa à aprendizagem e orienta-se para a generalidade</p><p>C- Enfatiza o processo.</p><p>D- Preocupa-se com a pessoa comum e é inclusivo.</p><p>E- Orienta-se para a especificidade</p><p>20</p><p>4 Considere o texto a seguir e responda a questão a seguir. Ora, se a proposta se</p><p>concentra a partir do entendimento da dinâmica do jogo, é possível pensar em</p><p>uma lógica dos jogos de raquete? A resposta é positiva e colocada de forma</p><p>a reunir diferentes modalidades em categorias, no caso, os jogos de rede ou</p><p>parede. Segundo Werner et al. (1996 apud BENELLI et al., 2021), ao se estimular</p><p>jogos da mesma categoria, as crianças podem entender as similaridades entre as</p><p>diferentes modalidades, transferindo conhecimentos construídos em sua prática e,</p><p>principalmente, compreendendo seus sentidos.</p><p>Light (2007 apud BENELLI et al., 2021) esclarece que o ensino por meio do jogo possibilita</p><p>o desenvolvimento da percepção, da resolução de problemas estabelecidos pela prática,</p><p>além da tomada de decisão e das respostas às informações do ambiente no qual os</p><p>participantes estão inseridos.</p><p>FONTE: BENELI, L. M. et al. Proposta interacionista de ensino dos esportes de raquete. Esportes de raquete.</p><p>São Paulo: Manoele Ltda, 2021 (1-16)</p><p>Com base na informação, escolha duas modalidades dentre os esportes de raquete a</p><p>aponte suas similaridades e diferenças.</p><p>5 Devido às regras das modalidades esportivas, cria um conjunto de obrigações que</p><p>os jogadores devem seguir referente ao modo de interação entre os participantes,</p><p>espaços de prática, equipamentos e sistema de pontuação. Esses fatores vão</p><p>caracterizar os espaços e a forma de participação entre companheiros e/ou</p><p>adversários. Apresente as possíveis diferenças que se tem entre os espaços de jogo.</p><p>21</p><p>ESPORTE DE RAQUETE OLIMPICOS</p><p>UNIDADE 1 TÓPICO 2 —</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>O ambiente esportivo permite a atletas, treinadores e pesquisadores o contato</p><p>com todas as dimensões do treinamento relacionadas ao desempenho: físico, técnico,</p><p>tático e psicológico. Nesse sentido, é necessário tratar sobre os princípios básicos do</p><p>esporte. Para isso, iniciaremos nossos estudos com o histórico e origem dos Esportes</p><p>de Raquetes inclusos no quadro olímpico. Isso nos permitirá compreender a evolução e</p><p>como o esporte é estruturado atualmente.</p><p>O entendimento histórico de modalidades esportivas nos permitirá relacionar</p><p>a prática com aspectos de lazer, formação e desempenho. Entretanto, quais são os</p><p>elementos básicos para compreender o jogo? Para responder a essa pergunta, nesse</p><p>tópico também abordaremos as principais regras e os fundamentos dos Esportes de</p><p>Raquetes Olímpicos. As  regras em todos os esportes são estabelecidas para garantir</p><p>uma disputa justa entre competidores e promover um ambiente de boa esportividade.</p><p>Desta forma, é de vital importância que todos os jogadores e treinadores de dos Esportes</p><p>de Raquete as conheçam e dominem os elementos básicos para o desenvolver da</p><p>modalidade.</p><p>Pensando então nas modalidades esportivas com uso de Raquete, as que fazem</p><p>parte do quadro de esportes Olímpicos: Tênis, Tênis de Mesa e Badminton, são as de</p><p>maior destaque. Os Jogos Olímpicos de verão são o maior evento esportivo do mundo,</p><p>sendo que, fazer parte deste evento eleva o nível de exposição esportiva, gerando mais</p><p>recursos e investimentos, assim como a tendência a mais participantes. Frente aos</p><p>apontamentos, neste tópico abordaremos o contexto histórico (mundial, olímpico e no</p><p>Brasil) as principais características e regras do Tênis, tênis de Mesa e Badminton.</p><p>2 TÊNIS DE CAMPO</p><p>De origem inglesa, o tênis de campo, ou apenas tênis, é disputado em quadras</p><p>de superfície sintética, cimento, saibro (terra batida) ou relva (grama), sendo jogado por</p><p>dois oponentes (jogos simples) ou por duas duplas de oponentes (jogos em duplas).</p><p>Com o uso da Raquete o objetivo do jogo é rebater uma pequena bola para além da</p><p>rede, para a meia-quadra adversária, antes ou depois dela pingar uma única vez.</p><p>Para isso, os jogadores precisam se movimentar praticamente durante toda as trocas</p><p>de bola, utilizando de golpes com muita demanda física. Além disso, as tomadas de</p><p>decisões e planos técnicos de jogo levam a uma grande demanda de trabalho mental.</p><p>22</p><p>O Tênis de Campo é considerado a modalidade mais famosa dentre os Esportes</p><p>de Raquete. Segundo Balduíno, Azevedo e Fonseca (2021), no Brasil, cerca 2,2 milhões</p><p>de pessoas praticam a modalidade com alguma assiduidade, dentre esses 20 mil são</p><p>filiados a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) para participar de competições que</p><p>levam a chancela dessa entidade máxima da modalidade no país.</p><p>Confira como ocorre uma Partida de tênis nos links a seguir:</p><p>• Simples: https://www.youtube.com/watch?v=kZhIOt3pCk4.</p><p>• Dupla: https://www.youtube.com/watch?v=-VRXC6F6yuY.</p><p>DICA</p><p>2.1 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO TÊNIS</p><p>Não há um consenso sobre a origem do tênis, mas o que se tem em comum é</p><p>que os primeiros indícios do jogo que originou o tênis, não utilizavam de uma raquete.</p><p>Dentre os esportes que possivelmente deram origem ao tênis tem-se o haspatum,</p><p>modalidade da Grécia antiga, que se aproximava muito do jogo de Squash, uma vez que</p><p>seus jogadores batiam na bola com a mão contra uma parede. Em meados do século</p><p>VII, surgiu o Paume, no qual a bola, ainda rebatida com as mãos, se direcionava a uma</p><p>quadra dividida ao meio por uma corda (FONTOURA, 2003). Já no século XII, identificou-</p><p>se uma versão mais parecido com o tênis moderno, onde monges praticavam um jogo</p><p>similar, ainda utilizando apenas nos braços e mãos para rebater a bola, mas com quadras,</p><p>delimitações e espaços de jogo semelhante a estrutura atual (COLLI, 2000).</p><p>Acredita-se que a implementação da raquete ocorreu em meados do século</p><p>XVI, com um jogo chamado Palheta. Esse jogo também introduziu a contagem de</p><p>pontos do tênis (15-30-40-60). Com o passar dos séculos, outras modalidades também</p><p>foram dando forma ao tênis moderno, como a Pelota Basca da Espanha, o Jeu de</p><p>Paume e o Jogo da Palmade da França. Todavia foi com um jogo chamado Shpairistike</p><p>que se originou o termo tênis. Isso porque os jogadores falavam o termo “tennez”, que</p><p>significa atenção no momento de bater na bola, levando com que todos chamassem a</p><p>modalidade por este nome (COLLI, 2000; FONTOURA, 2003).</p><p>Nos séculos XVII e XVII surgiram o Field-tennis, Real Tennis, Rakets, Squash e</p><p>Fives, que contribuíram para a estrutura atual do tênis de Campo. Todavia, em 1875, com</p><p>o surgimento do Lawn-Tennis, a modalidade ganhou espaço na sociedade britânica.</p><p>Já em 1876 foi fundada e Law Tennis Association e em 1877 foi disputado o primeiro</p><p>campeonato com as regras do que teria marcado o esporte com Tênis (COLLI, 2000).</p><p>23</p><p>A grande ascensão do tênis ocorreu com a primeira disputa da Copa Davis em</p><p>1900. O evento organizado pelo americano Dwigh F. Davis, foi uma proposta de disputa</p><p>entre os melhores jogadores dos Estados Unidos e da Inglaterra. O evento então só</p><p>foi crescendo, sendo em já em 1904 já contava com 8 países participando, e até hoje</p><p>o campeonato se vigora e se sobressi no cenário do tênis mundial (GONÇALVES et al.,</p><p>2018). Em 1913, foi fundada a Federação Internacional de Tênis – ITF, após a reunião da</p><p>Sociedade Francesa de Esportes Atléticos.</p><p>Atualmente, a ITF realiza seis tours, com 3.000 eventos por ano, proporcionando</p><p>oportunidades competitivas para jogadores</p>

Mais conteúdos dessa disciplina