Prévia do material em texto
1 ALGETEC – SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS EM EDUCAÇÃO CEP: 40260-215 Fone: 71 3272-3504 E-mail: contato@algetec.com.br | Site: www.algetec.com.br LABORATÓRIO DE GENÉTICA FORENSE SEQUENCIAMENTO AUTOMÁTICO DE DNA SEQUENCIAMENTO AUTOMÁTICO DE DNA As primeiras técnicas de sequenciamento de DNA foram criadas na década de 1970, por Maxam e Gilbert, e demandavam marcação radioativa das extremidades do DNA com fósforo-32 e posterior purificação do segmento a ser sequenciado, sendo o sequenciamento limitado a um tamanho de 100 bases, devido à resolução proporcionada pelo gel de poliacrilamida. Somente no início da década 1980, com um método criado por Sanger e colaboradores, o sequenciamento de DNA se tornou popular e foi considerado um avanço tecnológico marcante nos estudos genéticos e genômicos. Nessa técnica, um segmento de DNA é sintetizado em milhares de fitas-filhas, apresentando, entre elas, uma diferença de tamanho de um nucleotídeo; essas fitas-filhas são marcadas com uma substância fluorescente em uma das extremidades. A determinação da sequência completa de nucleotídeos do genoma de uma espécie permite que, posteriormente, os pesquisadores encontrem qualquer sequência específica com grande rapidez e precisão, utilizando computadores e algoritmos. A disponibilidade de grande quantidade de sequências genômicas possibilitou a busca precisa de cópias de sequências associadas nos organismos e entre organismos in silico. Para ser sequenciado, o segmento de DNA em questão deve estar disponível em grande quantidade e, por isso, é necessária uma prévia amplificação do segmento por clonagem ou reação em cadeia da polimerase (PCR). Da mesma forma que na reação de PCR comum, no sequenciamento a DNA polimerase é utilizada para copiar a sequência de DNA de interesse. O precursor normal da síntese do DNA é o desoxirribonucleosídeo trifosfatado (dNTP), que apresenta uma hidroxila na posição 3’, a partir da qual a fita nascente é estendida. Já para a técnica de sequenciamento, é utilizado um tipo diferente de nucleotídeo, denominado dideoxirribonucleosídeo trifosfatado (ddNTP), o qual não mailto:contato@algetec.com.br 2 ALGETEC – SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS EM EDUCAÇÃO CEP: 40260-215 Fone: 71 3272-3504 E-mail: contato@algetec.com.br | Site: www.algetec.com.br LABORATÓRIO DE GENÉTICA FORENSE SEQUENCIAMENTO AUTOMÁTICO DE DNA contém a hidroxila na posição 3’ e, portanto, quando incorporado a uma fita de DNA, interrompe a incorporação de outros nucleotídeos a partir de sua posição. Uma vez o ddNTP marcado por radiação ou fluorescência, a fita interrompida se tornará radioativa ou fluorescente, podendo ser detectada. À medida que os ddNTPs vão sendo incorporados, a reação para nesse ponto e a fita não cresce mais; portanto, ao final do ciclo de reações, são produzidos novos segmentos de diferentes comprimentos, contendo o análogo didesoxi na extremidade 3’. Esses segmentos podem, então, ser separados por eletroforese em gel de poliacrilamida ou no interior de capilares, conforme o método utilizado para a revelação da sequência de interesse. No sequenciamento manual, a mesma amostra de DNA é submetida a reações de sequenciamento que ocorrem simultaneamente em quatro tubos diferentes, cada um contendo um dos quatro ddNTPs, marcados com substâncias radioativas. Esse conjunto de segmentos é desnaturado e submetido a eletroforese em gel de acrilamida, e a sequência de bases do DNA é lida em chapas de autorradiografia. Por empregar substâncias radioativas, ser trabalhosa e demorada, essa técnica foi quase completamente substituída por métodos automatizados. No sequenciamento automático, os sequenciadores analisam as fitas de DNA previamente amplificadas e marcadas com fluoróforos diferentes para cada ddNTP. Posteriormente, a mistura de segmentos contida na reação de sequenciamento é aplicada em um gel de acrilamida ou no interior de um capilar e a migração, então, ocorre até passar pelo detector do equipamento, que capta a emissão de luz em comprimentos de onda específicos oriunda dos fluoróforos, quando excitados por um feixe de laser. O sequenciador, por sua vez, interpreta o sinal e o transforma em um espectro gráfico denominado eletroferograma (Figura 1), que demonstra a sequência de DNA identificada por meio de picos nos quais cada uma das bases apresenta uma cor diferente, facilitando a leitura e a análise da sequência. O que antigamente era limitado a 100 bases, atualmente passou para até 700 bases com alta qualidade, existindo equipamentos capazes de realizar 96 sequenciamentos a cada duas horas e equipamentos contendo 384 colunas diferentes de fracionamento, as quais, mailto:contato@algetec.com.br 3 ALGETEC – SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS EM EDUCAÇÃO CEP: 40260-215 Fone: 71 3272-3504 E-mail: contato@algetec.com.br | Site: www.algetec.com.br LABORATÓRIO DE GENÉTICA FORENSE SEQUENCIAMENTO AUTOMÁTICO DE DNA teoricamente, podem gerar cerca de 200 mil nucleotídeos (200kb) de sequências brutas de DNA em poucas horas. Figura 1 – Eletroferograma de uma sequência de DNA obtida por meio de sequenciamento automático. As primeiras 30 a 50 bases do sequenciamento não apresentam interpretação confiável porque, comumente, a eletroforese nessa região está contaminada com reagentes e restos de fluoróforos da reação. Deve-se atentar, também, para a interpretação do sequenciamento após 600 a 700 bases, uma vez que, após essa região, e dependendo das condições de sequenciamento, a eletroforese fica bastante lenta e o computador associado ao equipamento pode interpretar os dados de maneira incorreta (duplicando bases e sobrepondo picos, por exemplo). Picos duplos significam população dupla e, conforme o objetivo do sequenciamento, é possível identificar uma mutação em que uma base foi trocada, inserida ou deletada em um dos alelos, além de ser possível a detecção de subtipos virais e pools de plasmídeos diferentes, dentre outras aplicações. mailto:contato@algetec.com.br 4 ALGETEC – SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS EM EDUCAÇÃO CEP: 40260-215 Fone: 71 3272-3504 E-mail: contato@algetec.com.br | Site: www.algetec.com.br LABORATÓRIO DE GENÉTICA FORENSE SEQUENCIAMENTO AUTOMÁTICO DE DNA Caso a reação gere um sinal muito baixo (por exemplo, por falta de primer ou de DNA molde, perda do produto durante a precipitação ou exposição dos reagentes fluorescentes à luz), o ruído de fundo tende a se misturar com o sequenciamento e, consequentemente, a diminuir sua confiabilidade. Dependendo da aplicação destinada ao sequenciamento e do grau de interferência, o sequenciamento deve ser desconsiderado. Ainda, grandes conjuntos de timina (T) são capazes de interromper o sequenciamento. Também é necessário cautela na hora de escolher a posição para os primers, pois, se uma sequência dessas estiver antes da região-alvo, o sequenciamento não alcançará o objeto de análise. mailto:contato@algetec.com.br 5 ALGETEC – SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS EM EDUCAÇÃO CEP: 40260-215 Fone: 71 3272-3504 E-mail: contato@algetec.com.br | Site: www.algetec.com.br LABORATÓRIO DE GENÉTICA FORENSE SEQUENCIAMENTO AUTOMÁTICO DE DNA REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS GUIMARÃES, G. S. Sequenciamento de DNA. In: CARVALHO, C. V.; RICCI, G.; AFFONSO, R. (orgs.). Guia de práticas em Biologia Molecular. 2. ed. São Caetano do Sul: Yendis, 2014. p. 147-158. MARTINS, A. F.; FIEGENBAUM, M.; RUPPENTHAL, R. D. Sequenciamento de DNA. In: MARTINS, A. F.; FIEGENBAUM, M.; RUPPENTHAL, R. D. Biologia Molecular: aplicando a teoria à prática laboratorial. 2. ed. Porto Alegre: Sulina, 2014. p. 82-91. WATSON, J. D. et al. Técnicas de Biologia Molecular. In: WATSON, J. D. et al. Biologia molecular do gene. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. p. 660-667. mailto:contato@algetec.com.br