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Brazilian Journal of Development 
 
Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 8, p.58843-58854 aug. 2020. ISSN 2525-8761 
 
 
58843 
Fatores de risco para doença cardiovascular em adultos jovens sedentários 
 
Risk factors for cardiovascular disease in sedentary young adults 
 
DOI:10.34117/bjdv6n8-337 
 
Recebimento dos originais:08/07/2020 
Aceitação para publicação:19/08/2020 
 
Ezequiel Benedito Avelino 
Pós-graduando em Fisioterapia em Ortopedia e Desportiva pelo Centro Universitário de João 
Pessoa - UNIPÊ 
Instituição: Centro Universitário de João Pessoa-PB 
Endereço: BR 230 KM 22, João Pessoa – PB, Brasil 
ezequielpb29@hotmail.com 
Pollyana Soares de Abreu Morais 
Pós-doutora em Ciências da Reabilitação pela Universidade de São Paulo – USP 
Instituição: Centro Universitário de João Pessoa-PB 
Endereço: BR 230 KM 22, João Pessoa – PB, Brasil 
polla_abreu@yahoo.com.br 
 
Andrea Carla Brandão da Costa Santos 
Doutora em Saúde Materno Infantil pelo IMIP-PE 
Instituição: Centro Universitário de João Pessoa-PB 
Endereço: BR 230 KM 22, João Pessoa – PB, Brasil 
andreacbsantos238@gmail.com 
 
Ana Carolina Nunes Bovi 
Mestre em Fisiopatologia Médica pelo Departamento de Fisiopatologia Médica da Universidade 
Estadual de Campinas - UNICAMP 
Instituição: Centro Universitário de João Pessoa-PB 
Endereço: BR 230 KM 22, João Pessoa – PB, Brasil 
bovifisio@gmail.com 
Natália Herculano Paz 
Doutoranda do Programa Associado de Pós-graduação em Educação Física – UFPB/UPE 
Instituição: Centro Universitário de João Pessoa-PB 
Endereço: BR 230 KM 22, João Pessoa – PB, Brasil 
natalia.herculano@hotmail.com 
Alinie Lígia da Silva Santos 
Pós-graduanda em Fisioterapia Dermatofuncional pelo Centro Universitário de João Pessoa – 
UNIPÊ 
Instituição: Centro Universitário de João Pessoa-PB 
Endereço: BR 230 KM 22, João Pessoa – PB, Brasil 
alinieligia@hotmail.com 
 
José Heriston de Morais Lima 
Pós-doutor em Ciências da Reabilitação pela Universidade de São Paulo – USP 
Instituição: Universidade Federal da Paraíba – UFPB 
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Endereço: Cidade Universitária, João Pessoa – PB, Brasil 
joseheristonlima@yahoo.com.br 
 
RESUMO 
Objetivo: Avaliar os fatores de risco para doença cardiovascular em adultos jovens sedentários. 
Metodologia: Tratou-se de um estudo de caráter transversal, descritivo, com abordagem 
quantitativa, realizado na clínica escola de fisioterapia do UNIPÊ, com 30 indivíduos na faixa etária 
entre 20 e 24 anos. Foi utilizado um roteiro de entrevista semiestruturado, contendo variáveis 
sociodemográficas, dados clínicos, fatores de risco e conhecimento acerca dos fatores de risco e das 
medidas preventivas. Os dados foram analisados através da estatística descritiva, com cálculo de 
média, desvio padrão para variáveis numéricas e proporção para variáveis nominais, sendo atendida 
a Resolução 466/12. Resultados: Os resultados revelaram que 86,67% (n=26) era sexo feminino e 
13,33% (n=4) do sexo masculino, com média de idade de 21,63 ± 1,30 anos, e diagnóstico de 
hipertensão arterial autorreferido em 20% (n=6) das pessoas. Constatou-se como fatores de risco 
mais prevalentes os psicossociais e obesidade. Os entrevistados possuíam conhecimento sobre os 
fatores de risco e como prevenir as doenças cardiovasculares, porém apenas 26,6% (n=8) 
desenvolviam hábitos de vida saudável. Com relação a análise do IMC, 43,3% (n=13) apresentaram 
sobrepeso ou obesidade, e sobre a RCQ 84,62% (n=22) do sexo feminino e 75% (n=3) no sexo 
masculino, apresentaram resultados elevados. Conclusão: Diante do exposto, observa-se a 
necessidade da identificação e controle dos fatores de risco para que estratégias de promoção de 
saúde sejam desenvolvidas e que minimize o risco do desenvolvimento de cardiopatias. 
 
Palavras-chave: Doença Cardiovascular, Fatores de Risco, Sedentarismo. 
 
ABSTRACT 
Objective: To assess risk factors for cardiovascular disease in sedentary young adults. Methodology: 
This was a cross-sectional, descriptive study, with a quantitative approach, carried out at the UNIPÊ 
physiotherapy school clinic, with 30 individuals aged between 20 and 24 years. A semi-structured 
interview script was used, containing sociodemographic variables, clinical data, risk factors and 
knowledge about risk factors and preventive measures. The data were analyzed using descriptive 
statistics, with calculation of average, standard deviation for numerical variables and proportion for 
nominal variables, in compliance with Resolution 466/12. Results: The results revealed that 86.67% 
(n = 26) were female and 13.33% (n = 4) male, with a mean age of 21.63 ± 1.30 years, and diagnosed 
with hypertension self-reported arterial pressure in 20% (n = 6) of people. The most prevalent risk 
factors were psychosocial and obesity. Respondents had knowledge about risk factors and how to 
prevent cardiovascular diseases, however only 26.6% (n = 8) developed healthy lifestyle habits. 
Regarding the analysis of the BMI, 43.3% (n = 13) were overweight or obese, and on the WHR 
84.62% (n = 22) were female and 75% (n = 3) were male high results. Conclusion: Given the above, 
there is a need for the identification and control of risk factors for health promotion strategies to be 
developed and to minimize the risk of developing heart diseases. 
 
Keywords: Cardiovascular Disease, Risk factors, Sedentary lifestyle. 
 
1 INTRODUÇÃO 
A doença cardiovascular (DCV) designa uma ampla quantidade de doenças que afetam o 
coração e o sistema circulatório, tendo como principais manifestações clínicas, a doença arterial 
coronariana, a doença vascular periférica e as doenças cerebrovasculares, configurando-se, nos dias 
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atuais, como uma das maiores causas de mortalidade mundial. No Brasil, estas patologias 
representam complicações de grave extensão e são a principal causa de óbitos, correspondendo a 
cerca de um terço do número de mortes1,2. 
Os principais fatores de risco dessas complicações podem ser divididos em dois tipos: os 
fatores de risco imutáveis, tais como: sexo, idade e hereditariedade; e os fatores de risco mutáveis, 
que estão relacionados aos hábitos de vida, como: sedentarismo, obesidade, hipertensão arterial 
sistêmica, estresse e ansiedade, diabetes mellitus, dislipidemias, tabagismo e alcoolismo. O 
organismo quando suscetível aos fatores de risco cardiovascular tende a favorecer o surgimento de 
disfunção endotelial3. 
Por muitos anos estes fatores de risco cardiovascular foram considerados importantes apenas 
em indivíduos com idade avançada. Entretanto, ultimamente, estudos têm revelado que estes são 
uma realidade frequente entre adultos jovens. A exposição aos fatores de risco mutáveis tem início 
na infância e adolescência e se consolida na vida adulta, onde experiência e exposições nessa faixa 
etária acarretam consequências a longo prazo e podem contribuir para desigualdades em saúde na 
vida adulta e idosa4. 
A elevada prevalência das doenças cardiovasculares e dos fatores de risco mutáveis surge 
como um reflexo da mudança nutricional, sendo definida pela redução dos casos de desnutrição e a 
elevação dos casos de excesso de peso, notório no mundo todo, e que ocorre também no Brasil. Essa 
transformação no caráter nutricional dos indivíduos é decorrente da falta de atividade física e de 
alterações no padrão alimentar, determinada pela elevação da ingestão de gorduras, sacarose e 
alimentos refinados, e diminuição do consumo de carboidratos importantes e de fibras5. A prevenção 
com investigação, identificação precoce e manuseio dos fatores de risco é uma grande sugestão para 
evitar ou diminuir a progressão das DCV e suas complicaçõesde uma forma menos nociva e com 
maior eficácia6. 
Levando-se em consideração o crescimento exponencial das doenças cardiovasculares na 
população mundial e brasileira, o presente estudo buscou evidenciar a presença de fatores de risco 
em adultos jovens e o conhecimento acerca dos mesmos, com o intuito de demonstrar a importância 
de medidas preventivas para o desenvolvimento dessas doenças. Assim, o objetivo foi avaliar a 
prevalência de fatores de risco para doença cardiovascular em adultos jovens sedentários. 
 
2 METODOLOGIA 
Tratou-se de um estudo de caráter transversal, descritivo e com abordagem quantitativa, 
realizado na Clínica Escola de Fisioterapia do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ, 
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durante o período de agosto a outubro de 2018. A amostra, não probabilística, foi composta por 30 
estudantes do curso de fisioterapia do UNIPÊ, de ambos os sexos, sedentários, com idade entre 20 
e 24 anos, considerados adultos jovens pela Organização Mundial de Saúde7. 
Foi utilizado um roteiro de entrevista semiestruturado, desenvolvido pelo pesquisador, 
contendo variáveis sociodemográficas, dados clínicos (hipertensão, diabetes mellitus, entre outros), 
fatores de risco (dislipidemia, etilismo, tabagismo, HAS, diabetes, sobrepeso ou obesidade, fatores 
psicossociais) e conhecimento acerca dos fatores de risco cardiovascular e de medidas preventivas. 
Foi utilizado também um formulário de registro para os dados antropométricos e da mensuração da 
pressão arterial. 
 Para avaliação de sobrepeso ou obesidade foi utilizado o índice de massa corporal calculado 
pela relação de peso e altura ao quadrado. De acordo com a Associação Brasileira para o estudo da 
obesidade e da síndrome metabólica – ABESO, considera-se sobrepeso o IMC de 25 a 29,9 kg/m² 
e IMC maior ou igual a 30 kg/m², obesidade 8. O peso foi mensurado com auxílio de uma balança 
analógica marca Filizola®, sendo o indivíduo orientado a se posicionar o mais ereto possível e com 
os calcanhares unidos. A altura, por sua vez, foi obtida através do estadiômentro que se encontra 
presente na própria balança. Deste modo, foi pedido aos participantes que comparecessem no dia da 
avalição com roupas leves, e na hora da mensuração estivessem sem fazer uso de calçados, para não 
haver interferência no peso e estatura dos mesmos. 
Para a mensuração da circunferência abdominal foi utilizada uma fita métrica não elástica, 
sendo o local de medida a região mais estreita da cintura, entre a última costela e a cicatriz umbilical. 
Para a circunferência do quadril, o local de medida foi a sínfise púbica e a região glútea. A 
classificação da relação cintura-quadril medidas para homens é de baixo risco menor que 0,83 cm, 
entre 0,83 a 0,88 cm moderado, 0,89 a 0,94 cm considerado alto risco, e risco muito alto maior que 
0,94 cm. Já em relação classificação entre as mulheres esses valores são maiores que 0,71 cm baixo 
risco, entre 0,71 e 0,77 cm moderado, 0,78 a 0,82 cm alto risco, maior que 0,82 cm risco muito alto. 
Todos com idade de 20 a 29 anos tanto para homens quantos para mulheres9. 
Para a verificação da PA foi utilizado um esfigmomanômetro da marca Mikatos e o 
estetoscópio, marca premium. Conforme a VII Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, o 
procedimento foi explicado ao indivíduo e o mesmo foi deixado em repouso de 3 a 5 minutos em 
ambiente calmo. Foi instruído a não conversar durante a medição. A verificação da PA foi realizada 
em dois momentos: cinco minutos antes do início da entrevista e após 30 minutos da mesma10. 
Por se tratar de uma pesquisa com seres humanos, foram atendidas as exigências do 
Conselho Nacional de Saúde, resolução 466/12. Os participantes foram previamente informados 
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sobre o objetivo do estudo, do sigilo com relação a sua identidade e assinaram um termo de 
consentimento livre e esclarecido. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa com 
CAAE: 91393018.2.0000.5176. 
A análise dos dados foi realizada através da estatística descritiva, com cálculo de média, 
desvio padrão para variáveis numéricas e proporção para variáveis nominais. Foi utilizado o 
programa Statistical Package for Social Science for Windows (SPSS) for Windows versão 20.0, os 
resultados foram apresentados em tabelas. 
 
3 RESULTADOS 
A amostra foi composta por um total de 30 indivíduos jovens sedentários, estudantes de 
fisioterapia do UNIPÊ. Dentre estes, 86,67% (n=26) pertenciam ao sexo feminino e 13,33% (n=4) 
ao sexo masculino. A média de idade foi 21,63 ± 1,30 anos e 56,67% (n=17) relataram ser de cor 
parda (Tabela 1). 
 
Tabela 1- Distribuição de estudantes quanto ao sexo, idade etnia e estado civil do curso de fisioterapia do UNIPÊ (João 
Pessoa, 2018). 
Variáveis N % 
Sexo 
Feminino 26 86,67 
Masculino 04 13,33 
Total 30 100 
Etnia 
 
 
Branco 09 30,0 
Negro 04 13,33 
Pardo 17 56,67 
Indígena 0 0,00 
Total 30 100 
Estado Civil 
Solteiro 28 93,33 
Casado 02 6,67 
Total 30 100 
Fonte: Dados da pesquisa, 2018. 
 
Durante a entrevista foi questionado aos participantes sobre as enfermidades autodeclaradas. 
Dentre as respostas obtidas 80% (n=24) relataram não ter nenhuma doença diagnosticada, seguido 
de 20% (n=6) das pessoas que informaram ser hipertensas. 
Com relação aos fatores de risco cardiovascular, os resultados encontrados revelaram que os 
fatores tabagismo e diabetes não foram citados, entretanto, os fatores psicossociais foram os mais 
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relatados, especificamente o estresse e ansiedade com 70%, seguido de sobrepeso e obesidade com 
40%. Estes resultados estão dispostos na tabela 2. 
 
Tabela 2 – Distribuição dos fatores de risco cardiovascular encontrados na pesquisa (João Pessoa, 2018). 
Fatores de risco N % 
Dislipidemia 3 23,3 
Etilismo 11 36,7 
HAS 6 20,0 
Sobrepeso/Obesidade 12 40,0 
Fatores Psicossociais 
(Estresse/Ansiedade/Depressão) 
 
 
21 
 
70,0 
 
Nenhum 10 33.3 
Fonte: Dados da pesquisa, 2018. 
 
Os participantes da pesquisa foram questionados se tinham algum conhecimento sobre os 
fatores de risco para doenças cardiovasculares e todos os voluntários alegaram conhecer os fatores 
de risco, além das medidas preventivas para doença cardiovascular. No que diz respeito a realização 
de medida preventiva foi possível constatar que 73,33% (n=22) não desenvolviam nenhum tipo de 
medida preventiva. Dentre os 26,67% (n=8) que praticavam alguma medida de prevenção, 16,67% 
(n=5) relataram adotar alimentação saudável, 6,67% (n=2) realizavam exames de rotina e 3,33% 
(n=1) realizava caminhada esporádica. 
A tabela 3 mostra os resultados sobre os dados antropométricos. Com relação aos dados do 
IMC encontrados no estudo, resultados do sexo feminino mostram que 50,0% (n=15) estavam com 
peso normal, 29,67% (n=9) apresentaram sobrepeso ou obesidade, e do sexo masculino revelam que 
13,3% (n=4) estavam com sobrepeso ou obesidade. 
 
Tabela 3 – Distribuição dos alunos do curso de fisioterapia do UNIPÊ quanto ao índice de massa corporal (João Pessoa, 
2018). 
IMC Feminino Masculino 
 N % N % 
Abaixo do peso 2 6,67 - - 
Peso normal 15 50,0 - - 
Sobrepeso 7 23,3 2 6,67 
Obesidade grau 1 - - 2 6,67 
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Obesidade grau 3 2 6,67 - - 
Total 26 86,7 4 13,3 
Fonte: Dados da pesquisa, 2018. 
 
Os resultados da relação cintura quadril, apontaram que15,38% (n=4) das mulheres 
apresentaram índice de baixo risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, 42,31% 
(n=11) apresentaram índice de risco moderado, 34,62% (n=9) demonstraram um alto risco, e 7,69% 
(n=2) risco muito alto. Para o sexo masculino, apontaram com 25% (n=1) classificado como baixo 
risco, e 75% (n=3) estão no índice de risco moderado (Tabela 4). 
 
Tabela 4 – Dados (RCQ) dos alunos de fisioterapia do UNIPÊ (João Pessoa, 2018) 
RCQ Feminino Masculino 
RISCO N % N % 
Baixo 4 15,38 1 25 
Moderado 11 42,31 3 75 
Alto 9 34,62 - - 
Muito alto 2 7,69 - - 
TOTAL 26 100 4 100 
Fonte: Dados da pesquisa, 2018. 
 
Sobre a medida da pressão arterial 20% (n=6) dos entrevistados, sendo cinco do sexo 
feminino e um do sexo masculino, apresentaram elevação da pressão arterial no início da pesquisa. 
Após 30 minutos, 16,67% (n=5) apresentaram pressão arterial elevada, sendo quatro do sexo 
feminino e um do sexo masculino, continuaram com níveis pressóricos elevados. Estes dados estão 
dispostos na tabela 5. 
 
Tabela 5 – Mensuração da Pressão Arterial dos participantes do estudo – (João Pessoa, 2018) 
PA N % 
PA Inicial 
Elevação dos Níveis Pressóricos 06 20,0 
Normal 24 80,0 
Total 30 100 
PA após 30 minutos de repouso 
Elevação dos Níveis Pressóricos 05 16,67 
Normal 25 83,33 
Total 30 100 
Fonte: Dados da pesquisa, 2018. 
 
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4 DISCUSSÃO 
Os dados apontam maior prevalência do sexo feminino em estudantes de fisioterapia, 
corroborando com dados da Wolrd Conferation for Physical Therapy, que mostraram que em 2015, 
no Brasil, 70% dos profissionais de fisioterapia eram do sexo feminino. Estes resultados também 
concordam com estudos de Wermelinger et al., que ao analisarem os dados censitários do Brasil 
relativo à força de trabalho em saúde, observaram a feminização no setor da saúde, e reforça que o 
contingente feminino tem se tornado amplamente majoritário nesse ramo da economia, 
especificamente no período pós-setenta, quando essa participação passou a ser mais expressiva e 
progressivamente maior11, 12. 
Com relação a faixa etária, o estudo foi realizado com adultos jovens sedentários entre 20 e 
24 anos, concordando com os estudos de Gama et al., que avaliaram a determinação do risco 
cardiovascular em adultos jovens universitários com idade entre 20 e 30 anos, evidenciando a 
presença de níveis baixos e intermediários de risco cardiovascular na população estudada no período 
de 10 anos, e enfatizando a necessidade da adoção de medidas de intervenção, uma vez que a 
exposição cada vez mais antecipada a estes fatores tornam este grupo alvo imediato de ações 
preventivas13. 
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, quase metade dos 
adultos no Brasil são sedentários, somando 46% da população, essa mesma pesquisa, no mesmo 
ano, apontou que 67,2 milhões de pessoas não faziam exercício físico14. A ideia equivocada de que 
os fatores de risco cardiovasculares e as doenças cardiovasculares só venham a surgir em fases mais 
avançadas da vida, faz com que a existência destas doenças ocorra em fases mais jovens, com 
destaque para a aterosclerose já na idade adulta jovem, compreendida entre os 20 e 40 anos15. 
A enfermidade relatada pela população do estudo foi a hipertensão arterial, sendo prevalente 
entre as mulheres, fato semelhante ao que fora encontrado nos dados do IBGE que avaliou a saúde 
dos adultos brasileiros, onde 21,4% (31,3 milhões) das pessoas com 18 anos ou mais de idade 
referiram o diagnóstico médico de hipertensão arterial, com maior proporção entre as mulheres do 
que entre os homens14. Talvez, a presença de hipertensão entre as mulheres no estudo por ora 
apresentado seja devido a prevalência do sexo feminino, como já relatado. 
Os fatores de risco de maior prevalência encontrados no estudo foram o estresse e a 
ansiedade. A associação entre os fatores psicossociais e as doenças cardiovasculares não é recente 
e surgiu dos malefícios causados pelo estresse, não apenas em pessoas com doenças cardíacas, mas, 
de igual forma, em indivíduos saudáveis. Quanto mais avançada é a fase do estresse, maior a 
intensidade e a gravidade dos sintomas físicos e psicológicos apresentados. Da mesma forma, maior 
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é a probabilidade do surgimento de doenças, principalmente as cardiovasculares, associadas ao 
estresse e ao estilo de vida16. Embora haja evidências sobre os fatores psicossociais, estudo realizado 
com o objetivo de avaliar a associação entre a atividade física e fatores de risco cardiovascular em 
indivíduos de um programa de reabilitação cardíaca, pontuou que o estresse foi um dos fatores de 
risco de menor incidência, contradizendo aos achados desse estudo17. 
Com relação a ansiedade, os resultados corroboram com os estudos de Pacheco e Santos, 
que avaliou a depressão em pessoas com doenças cardíacas, relacionando com a ansiedade e o 
controlo percebido, onde a maior parte da população de estudo apresentou ansiedade, evidenciando 
que a presença de fatores de sofrimento emocional, como a ansiedade e a depressão podem ter 
consequências negativas no efetivo controle e gestão da doença por parte do indivíduo, aumentando 
a morbidade e mortalidade18. Estudos epidemiológicos demonstram que os ataques de pânico 
aumentam o risco de ocorrência de distúrbios cardiovasculares, enquanto ansiedade e fobia podem 
piorar a evolução das doenças cardiovasculares já diagnosticadas19. 
A vida moderna pode ser prejudicial à saúde cardiovascular, onde a população 
constantemente exposta a fatores de risco como estresse e ansiedade podem desenvolver doenças 
cardiovasculares no futuro, sendo de extrema importância o controle destes fatores como medida 
para prevenir ou controlar surgimento de eventos cardiovasculares. 
Os participantes da pesquisa afirmaram ter conhecimento sobre os fatores de risco e sobre 
as medidas preventivas das doenças cardiovasculares. Estudos indicam que pacientes com maior 
nível de conhecimento sobre a doença e seu tratamento têm melhores índices de adesão ao 
tratamento e de qualidade de vida, resultando em menores taxas de internação hospitalar e redução 
de custos relacionados ao tratamento20. 
Os dados sobre medidas preventivas demonstraram que a maioria não desenvolvia nenhum 
tipo de prevenção. A falta de atividade física e alimentação inadequada podem levar a 
consequências, como o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis. Mesmo com o 
conhecimento sobre os fatores de riscos para doenças cardiovascular, e sabendo-se sobre os 
benefícios de uma alimentação adequada, rica em frutas, hortaliças, cereais integrais e fibras, como 
também da importância da prática regular de atividade física para a promoção da saúde, prevenção 
e controle das doenças cardiovasculares, muitas pessoas apresentam dificuldades em desenvolver 
estilo de vida saudável21. 
 Dentre as pessoas que relataram desenvolver algum tipo de medida de prevenção, uma 
delas afirmou que realizava caminhada esporadicamente, entretanto, cabe ressaltar que para ser 
considerada atividade física regular, de acordo com o United State Department of Health and 
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Human Services, os adultos devem fazer atividade física por pelo menos 150 a300 minutos por 
semana de intensidade moderada ou 75 a 150 minutos por semana de atividade física aeróbica de 
intensidade vigorosa, ou uma combinação equivalente de atividade aeróbica de intensidade 
moderada e vigorosa, distribuindo essas atividades durante a semana22. O que mostra o equívoco 
acerca de prevenção por parte do inidvíduo do estudo. 
Sobre a avaliação do IMC os resultados se assemelham aos dados da pesquisa de Pires e 
Mussi que avaliaram o excesso de peso em universitários ingressantes e concluintes de um curso de 
enfermagem, onde revelou 30,5% dos entrevistados com sobrepeso ou obesidade, evidenciando alta 
prevalência de taxas elevadas da circunferência da cintura e razão cintura-quadril, como também do 
sobrepeso, enfatizando a importância de desenvolver estratégias para combater o excesso de peso 
junto à comunidade acadêmica23. 
Os dados também corroboram com estudo realizado para avaliar a associação entre fatores de 
risco cardiovascular e indicadores antropométricos de obesidade em universitários de São Luís no 
Maranhão, onde os indicadores que mais se associaram a fatores de risco cardiovascular foram o 
índice de massa corporal, circunferência da cintura e relação cintura quadril em mulheres, 
evidenciando elevada frequência de importantes fatores de risco cardiovascular e medidas 
antropométricas elevadas na população estudada4. 
Com relação a medida da cintura-quadril, a maior parte da amostra apresentou risco elevado 
para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Os resultados são de grande importância 
porque um amplo número dos entrevistados, mesmo sendo pessoas consideradas saudáveis, estão 
em situação de risco para o desenvolvimento dessas doenças e necessitam de uma mudança de 
hábitos para prevenir o surgimento das mesmas. Os dados apoiam estudo de Fogaça et al. que 
avaliaram a razão cintura-quadril de 30 indivíduos cardiopatas, e observaram como resultado 
predominante que a maior parte dos participantes, 73,3%, apresentaram índices elevados24. 
Os resultados obtidos através da verificação da PA após 30 minutos de repouso, confirmam 
os resultados da entrevista, com relação ao diagnóstico autorrelatado no estudo, onde seis pessoas 
afirmaram ser hipertensas. Estes resultados se assemelham com os estudos de Barros et al., que 
avaliaram as alterações do nível pressórico e fatores de risco em universitários, e encontraram 
resultados de PA alterada em 7,5% dos alunos entrevistados, evidenciando que a população estudada 
é jovem e o índice de HA é baixa nessa faixa etária25. A verificação da PA é de grande importância 
para um diagnóstico precoce de hipertensão arterial, visto que danos à saúde podem ser evitados, 
através do tratamento adequado e hábitos de vida e alimentação saudável10. 
 
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5 CONCLUSÃO 
Com base nos resultados obtidos com esta investigação concluiu-se que parte dos 
entrevistados apresentavam fatores de risco para doenças cardiovasculares, como: dislipidemias, 
hipertensão arterial, etilismo, obesidade, ansiedade e estresse. A presença desses fatores demonstra 
que, cada vez mais, pessoas jovens estão susceptíveis a desenvolverem doenças cardiovasculares, 
decorrente de maus hábitos alimentares e falta de atividade física regular. É de grande importância 
que estes jovens passem a adotar hábitos de vida saudáveis para impedir o aparecimento de 
enfermidades futuras. 
Sobre o conhecimento acerca dos fatores de risco cardiovascular, embora os entrevistados 
tenham relatado conhecê-los, não se pode configurar como satisfatório, uma vez que eles não têm 
consciência da do valor da adoção de medidas preventivas. 
Mediante o exposto, observa-se a necessidade de uma mudança nos hábitos de vida da 
população, para que venham a desenvolver uma alimentação equilibrada e saudável, além da prática 
de atividade física regular. É de fundamental importância ressaltar que o presente estudo pôde 
contribuir para o maior conhecimento e conscientização da população acerca dos riscos envolvidos 
no que diz respeito às doenças cardiovasculares, assim como, dar vazão a ações preventivas para 
melhoria da qualidade de vida. 
 
 
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