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Saúde Coletiva: Indicadores e Transição Demográfica

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SUMÁRIO
1. Medidas de saúde coletiva ..................................... 3
2. Indicadores de saúde .............................................11
3. O sistema único de saúde (sus) .........................21
4. Lei orgânica da saúde 8080/90 
e princípios do sus ........................................................50
5. Lei orgânica da saúde 8142/90 e 
participação social ........................................................63
Referências bibliográficas ........................................67
3SAÚDE COLETIVA
1. MEDIDAS DE SAÚDE 
COLETIVA
Transição demográfica
A teoria da transição demográfica, 
proposta nas primeiras décadas do 
século XX, relaciona o crescimen-
to populacional com o desenvolvi-
mento sócio-econômico. Segundo 
essa teoria, com o desenvolvimento 
econômico e o processo de moderni-
zação, as sociedades, que eram rurais 
e tinham altas taxas de natalidade 
e mortalidade, se tornariam urba-
nas e teriam essas respectivas taxas 
diminuídas. 
Ainda segundo a teoria da transi-
ção demográfica, essa mudança não 
aconteceria rapidamente, existindo 
um processo de transição, com um 
desequilíbrio demográfico e um des-
compasso entre as taxas de mortali-
dade e natalidade. Esse desequilíbrio 
é devido a uma redução precoce da 
primeira em relação à segunda, acar-
retando em um ritmo acelerado de 
crescimento populacional. O equilí-
brio seria retomado apenas em um 
momento posterior, com a redução da 
taxa de natalidade, provocando então 
uma redução no ritmo de crescimento 
populacional.
Essa teoria se mostrou verdadeira, 
ainda que hoje tenha sido constata-
do que a transição demográfica não 
ocorra da mesma maneira em todas 
as sociedades, pois múltiplos fatores 
podem influenciar nas taxas supraci-
tadas, fazendo com que o equilíbrio 
demográfico seja alcançado em sé-
culos ou em décadas apenas.
A transição demográfica brasileira 
iniciou na segunda metade do sécu-
lo XX, mais especificamente entre as 
décadas de 50 e 60, com o descenso 
da mortalidade combinado com a ma-
nutenção de níveis elevados de nata-
lidade e de fecundidade, resultando 
nas taxas de crescimento populacio-
nal mais elevadas na história do país: 
3,1 e 2,9% ao ano, respectivamente. 
Nesse momento, a pirâmide etária 
não sofreu muita transformação: a 
população permaneceu muito jovem, 
com idade média de 18 anos.
4SAÚDE COLETIVA
A partir de 1970, o Brasil experimen-
ta uma verdadeira revolução demo-
gráfica com uma diminuição nos indi-
cadores de natalidade e fecundidade 
(ainda que tenham se mantido muito 
altos). Os níveis de mortalidade con-
tinuaram em queda e observou-se o 
início do processo de envelhecimen-
to populacional: a idade mediana au-
mentou para 19 anos e a proporção 
de idosos superou 5,0%. 
A pirâmide populacional de 1990 
revelou grandes mudanças, com 
uma diminuição drástica nos indica-
dores de natalidade, fecundidade e 
mortalidade. Nesse período, a estru-
tura etária continuou seu processo de 
envelhecimento, conforme mostrou 
o Censo de 1991: a idade mediana 
aumentou para 22 anos e o índice 
de envelhecimento alcançou 20,9%, 
duas vezes maior do que o valor ob-
servado em 1950. 
Em 2010, a idade mediana aumen-
tou para 27 anos, apenas 1 em cada 
4 habitantes tinham idade inferior a 
15 anos e 10,8% tinham 60 anos ou 
mais de idade. O índice de envelhe-
cimento aumentou para 44,8%: para 
cada 100 jovens, havia 45 idosos.
PIRÂMIDE ETÁRIA BRASILEIRA
1950 - 1960
Figura 1. Fonte: www.populationpyramid.net
5SAÚDE COLETIVA
SAIBA MAIS! CENSO DEMOGRÁFICO 
O censo demográfico é a principal fonte de referência para o conhecimento das condições 
de vida da população em todos os municípios do país e em seus recortes territoriais internos, 
tendo como unidade de coleta a pessoa residente, na data de referência, em domicílio do 
Território Nacional. Ele tem como objetivo contar os habitantes do território nacional, identifi-
car suas características e revelar como vivem os brasileiros, produzindo informações impres-
cindíveis para a definição de políticas públicas e a tomada de decisões de investimentos da 
iniciativa privada ou de qualquer nível de governo. 
A periodicidade da pesquisa é decenal, excetuando-se os anos de 1910 e 1930, em que o 
levantamento foi suspenso, 1990, quando a operação foi adiada para 1991 e em 2020, que 
ele acaba de ser adiado para 2021 devido a pandemia de COVID-19.
generalizados, entretanto as regiões 
Sul e Sudeste sempre estavam “um 
passo à frente” das demais regiões 
praticamente em uma década, con-
forme pode-se perceber com a tabela 
abaixo. 
PIRÂMIDE ETÁRIA BRASILEIRA
1990-2010
Figura 2. Fonte: www.populationpyramid.net
Ainda que na década de 70 todas 
as regiões brasileiras se encontras-
sem em processo de transição, essa 
transição não foi uniforme. A queda 
dos níveis de mortalidade (especial-
mente infantil) e o consequente au-
mento da esperança de vida eram 
6SAÚDE COLETIVA
Indicadores de estrutura etária, fecundidade e mortalidade nas grandes regiões. Brasil, 1970 a 2010. Fonte: VAS-
CONCELOS, Ana Maria Nogales; GOMES, Marília Miranda Forte. Transição demográfica: a experiência brasileira. 
Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 21, n. 4, p. 539-548, 2012. 
7SAÚDE COLETIVA
Analisando então as pirâmides etá-
rias de 1950 até 2010, podemos 
perceber que o Brasil teve seu per-
fil demográfico totalmente trans-
formado: de uma sociedade majo-
ritariamente rural e tradicional, com 
famílias numerosas e risco de morte 
na infância elevado, à uma sociedade 
predominantemente urbana, com ar-
ranjos familiares diversos e com risco 
de morte na infância reduzido. 
As mudanças continuam acontecen-
do e, certamente, no Censo de 2021, 
teremos a confirmação da projeção 
do IBGE, com uma pirâmide com a 
base mais estreita do que as demais 
e a expectativa de vida crescente.
Transição epidemiológica
As mudanças que ocorrem em uma 
sociedade normalmente ocorrem em 
conjunto, ou seja, não se muda as ca-
racterísticas econômicas de uma po-
pulação sem mudar o seu modo de 
pensar e de se organizar. 
Por isso, a transição demográfica, ex-
plicada acima, geralmente está asso-
ciada a uma transição epidemiológica, 
ou seja, existem também nessa so-
ciedade modificações nos padrões 
de morbidade, invalidez e morte. 
Wood & Carvalho, em 1988, escre-
veram que “os modos de produção 
econômica e de reprodução humana 
interagem para determinar a estru-
tura econômica e demográfica (fer-
tilidade, mortalidade e migração) de 
uma população. Além disso, fatores 
ambientais e sócio-culturais devem 
ser considerados, não sendo possível, 
portanto, separar o nível de mortali-
dade de sua estrutura e de sua rela-
ção com fatores históricos, sócio-eco-
nômicos, demográficos e ambientais”.
Nos últimos 60 anos, a população 
brasileira tem experimentado a tran-
sição epidemiológica, onde ela está 
saindo de um perfil de alta mortalida-
de por doenças infecciosas para um 
outro onde predominam os óbitos por 
doenças cardiovasculares, neopla-
sias, causas externas e outras doen-
ças crônico-degenerativas.
No Brasil, a taxa geral de mortalida-
de decresceu de 18/1000, em 1940, 
PIRÂMIDE ETÁRIA BRASILEIRA
2020
Figura 3. Fonte: www.ibge.gov.br
8SAÚDE COLETIVA
para uma taxa de 6/1000 em 2015, 
segundo o IBGE. Já a expectativa de 
vida ao nascer, que era de apenas 
45,5 anos em 1940, subiu para 76 
anos em 2017.
TAXA BRUTA DE MORTALIDADE POR MIL HABITANTES
2000-2015
EXPECTATIVA DE VIDA AO NASCER (EM ANOS)
1940-2017
Figura 4. Fonte: IBGE, Projeção da População do Brasil - 2013.
Figura 4. Fonte: IBGE
A quantidade de crianças, a cada mil, 
que nasceram vivas mas morreram 
antes de completar um ano (taxa de 
mortalidade infantil), também mudou 
bastante de 1940 à 2017: 146,6 e 
12,8 respectivamente.
9SAÚDE COLETIVA
Em 1930, as doenças infecciosas 
e parasitárias (DIP) representavam 
45,7% do total de óbitos ocorridos no 
país, entretanto, em 1999, esse per-
centual caiu para apenas 5,9% dos 
óbitos com causas definidas. Enquan-
to isto, as Doençasaquilo que a união gasta, pelo menos 
15% deve ser gasto com a saúde.
Fonte de recursos
• Contribuição Provisória so-
bre Movimentação Financeira 
(CPMF): foi um imposto que inci-
diu sobre todas as movimentações 
bancárias (exceto nas negocia-
ções de ações na Bolsa, saques de 
aposentadorias, seguro-desem-
prego, salários e transferências 
entre contas correntes de mesma 
titularidade) e vigorou no Brasil por 
11 anos, sendo extinto em 1994. 
Uma parcela desse valor reco-
lhido era destinada ao SUS.
• Contribuição para o Financia-
mento da Seguridade Social 
(COFINS): é um tributo federal 
que incide sobre a receita bruta 
das empresas e pessoas jurídicas. 
Criado em 1991, o imposto surgiu 
com o objetivo de financiar o siste-
ma de seguridade social brasileiro.
• Contribuição Social sobre o 
Lucro Líquido das Empresas 
(CSLL): é um tributo federal que 
incide sobre todas as Pessoas Ju-
rídicas (PJ) domiciliadas no Brasil. 
Seu objetivo é o de apoiar finan-
ceiramente a Seguridade Social.
• Seguridade Social: Conjunto de 
políticas sociais cujo fim é amparar 
e assistir o cidadão e a sua família 
em situações como a velhice, a do-
ença e o desemprego, e cujo princí-
pio fundamental é a solidariedade.
FONTE DE 
RECURSOS
CPMF CSLL Seguridade Social COFINS
Tributo federal 
que incidiu sobre 
quase todas as 
movimentações 
bancárias e 
vigorou no Brasil 
por 11 anos, sendo 
extinto em 1994.
 Criado em 1991, é 
um tributo federal que 
incide sobre a receita 
bruta das empresas e 
pessoas jurídicas.
Tributo federal que 
incide sobre todas as 
Pessoas Jurídicas (PJ) 
domiciliadas no Brasil.
Conjunto de políticas 
sociais cujo fim é 
amparar e assistir o 
cidadão e a sua família 
em situações como a 
velhice, a doença e o 
desemprego, e cujo 
princípio fundamental é 
a solidariedade
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cidad%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Velhice
https://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a
https://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a
https://pt.wikipedia.org/wiki/Desemprego
47SAÚDE COLETIVA
Como devem ser aplicados os 
recursos
A Portaria nº 3.992, de 28 de dezem-
bro de 2017, dispõe sobre o financia-
mento e a transferência dos recursos 
federais para as ações e os serviços 
públicos de saúde do Sistema Único 
de Saúde, onde informa que os re-
cursos do Fundo Nacional de Saúde, 
destinados a despesas com ações e 
serviços públicos de saúde, a serem 
repassados na modalidade fundo a 
fundo aos Estados, ao Distrito Federal 
e aos Municípios serão organizados e 
transferidos na forma de blocos de 
financiamento.
Esses blocos são divididos em:
• Bloco de Custeio das Ações e 
Serviços Públicos de Saúde: são 
recursos transferidos de forma re-
gular e automática para uma conta 
específica, para a manutenção das 
ações dos serviços que estão em 
funcionamento. 
É vedado utilizar esses recursos 
para:
◊ Servidores ou gratificações, a 
menos que esses servidores 
tenham sido contratados ex-
clusivamente para as ações e 
serviços e que isso esteja no 
plano de saúde do Município. 
◊ Assessorias ou consultorias
◊ Obras
• Bloco de Investimento na Rede 
de Serviços Públicos de Saúde: 
são recursos que devem ser apli-
cados em ações e serviços públi-
cos de saúde relacionados ao pró-
prio bloco, como a construção de 
novos investimentos, a realização 
de obras.
É vedado utilizar esses recursos 
para:
◊ Órgãos e unidades voltadas 
para atividades administrativas
◊ Assessorias ou consulto
SE LIGA! Essa portaria modificou o que 
ocorria antes, que eram vários blocos 
diferentes. Por exemplo, o município re-
cebia recursos para aplicar em locais es-
pecíficos, não podendo modificar o pla-
nejamento. Planejamento esse que era 
feito sem levar em consideração as ne-
cessidades de cada Município. Ou seja, 
essa portaria leva em conta a descentra-
lização, um dos princípios do SUS.
Lei Complementar nº141, de 13 de 
Janeiro de 2012
É a lei que, entre outras ações, regu-
lamenta o § 3o do art. 198 da Cons-
tituição Federal para dispor sobre os 
valores mínimos a serem aplicados 
anualmente pela União, Estados, Dis-
trito Federal e Municípios em ações 
e serviços públicos de saúde e es-
tabelece os critérios de rateio dos 
recursos de transferências para a 
saúde e as normas de fiscalização, 
avaliação e controle das despesas 
48SAÚDE COLETIVA
com saúde nas 3 (três) esferas de 
governo.
• Ela estabelece que a União deve-
rá aplicar anualmente, em ações 
e serviços públicos de saúde, o 
montante correspondente ao valor 
empenhado no exercício financeiro 
anterior, acrescido de, no mínimo, 
o percentual correspondente à va-
riação nominal do Produto Interno 
Bruto (PIB) ocorrida no ano ante-
rior ao da lei orçamentária anual.
• Os Estados e o Distrito Federal 
deverão aplicar anualmente, em 
ações e serviços públicos de saú-
de, no mínimo, 12% da arrecada-
ção dos impostos a que se refere 
o art. 155 e dos recursos de que 
tratam o art. 157, a alínea “a” do 
inciso I e o inciso II do caput do 
art. 159, todos da Constituição 
Federal, deduzidas as parcelas que 
forem transferidas aos respectivos 
Municípios.
• Os Municípios e o Distrito Fede-
ral deverão aplicar anualmente em 
ações e serviços públicos de saú-
de, no mínimo, 15% da arrecada-
ção dos impostos a que se refere o 
art. 156 e dos recursos de que tra-
tam o art. 158 e a alínea “b” do in-
ciso I do caput e o § 3º do art. 159, 
todos da Constituição Federal. 
• O Distrito Federal aplicará, anual-
mente, em ações e serviços públi-
cos de saúde, no mínimo, 12% do 
produto da arrecadação direta dos 
impostos que não possam ser se-
gregados em base estadual e em 
base municipal. 
LEI C
OMPLEMENTAR 141
União
Estados
Distrito Federal
Municípios
Nas três esferas 
de governo
 Valor do exercício financeiro 
anterior + percentual 
correspondente à variação do 
PIB ocorrida no ano anterior
12% da arrecadação de 
impostos pré-estabelecidos
Mesmos percentuais do 
Estado + Municípios + 
12% de impostos que não 
tenham sido contemplados
15% da arrecadação de 
impostos pré-estabelecidos
Em ações e 
serviços em saúde
Dispõe sobre 
valores mínimos 
a serem aplicados 
anualmente por
Regulamenta as 
normas de fiscalização, 
avaliação e controle das 
despesas com saúde
Estabelece os critérios 
de rateio dos recursos 
de transferências para a 
saúde
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art155
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art157
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art159ia
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art159ia
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art159ii
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art159ii
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art159ii
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art156
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art158
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art159ib
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art159ib
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art159%C2%A73
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art159%C2%A73
49SAÚDE COLETIVA
Essa lei também informa que não 
constituirão despesas com ações e 
serviços públicos de saúde, aquelas 
decorrentes de: 
• Pagamento de aposentadorias e 
pensões.
• Pessoal ativo da área de saúde 
quando em atividade alheia à re-
ferida área. 
• Assistência à saúde que não aten-
da ao princípio de acesso universal. 
• Merenda escolar e outros progra-
mas de alimentação, ainda que 
executados em unidades do SUS 
(exceto o disposto no inciso II do 
art. 3º
• Saneamento básico.
• Limpeza urbana e remoção de 
resíduos.
• Preservação e correção do meio 
ambiente.
• Ações de assistência social.
• Obras de infraestrutura.
• Ações e serviços públicos de saú-
de custeados comrecursos distin-
tos dos especificados na base de 
cálculo definida nesta Lei Com-
plementar ou vinculados a fundos 
específicos distintos daqueles da 
saúde.
SE LIGA! Emenda Constitucional nº86, 
de 17 de Março de 2015: informa que 
a União não mais aplicaria um valor fixo 
anual em saúde, mas sim um valor gra-
dual para que, em cinco anos, chegasse 
nos 15% previstos na Constituição de 
1988 .
Emenda Constitucional nº95, de 2016: 
revoga a emenda supracitada e decre-
ta que o repasse da união para a saúde 
será o valor do ano anterior, acrescido da 
inflação do ano anterior.
Financiamento da atenção básica
Resumidamente, pois já falamos so-
bre o financiamento da Atenção Bási-
ca acima, ele é feito através de pisos 
fixos e variáveis.
O Piso da Atenção Básica Fixo (PAB 
Fixo) é o valor que o Município rece-
be, que deve ser gasto com a Aten-
ção Básica, baseado na quantidade 
de pessoas per capita. As variáveis 
sociais de cada Município determina 
qual o valor per capita.
O Piso da Atenção Básica Variável 
(PAB Variável) é o valor que o Muni-
cípio recebe para realizar estratégias 
específicas.
50SAÚDE COLETIVA
4. LEI ORGÂNICA DA 
SAÚDE 8080/90 E 
PRINCÍPIOS DO SUS
Esta lei regula, em todo o território na-
cional, as ações e serviços de saúde e 
confirma, como previsto na Constitui-
ção de 1988 que a saúde é um direito 
LEIS 
ORGÂNICAS 
DA SAÚDE
Lei 8080/90 Lei 8192/90
Princípios e Diretrizes Participação da 
Comunidade
Participação 
da Comunidade na 
gestão do SUS
Transferências 
intergovernamentais 
de recursos financeiros 
na área da saúde
Estado Saúde =
Formulação e execução de políticas 
econômicas e sociais que visem à redução 
de riscos de doenças e de outros agravos 
e no estabelecimento de condições que 
assegurem acesso universal e igualitário 
às ações e aos serviços para a sua 
promoção, proteção e recuperação.
fundamental do ser humano, deven-
do o Estado prover as condições in-
dispensáveis ao seu pleno exercício, 
sem excluir o dever das pessoas, da 
família, das empresas e da sociedade.
51SAÚDE COLETIVA
SAIBA MAIS! 
O equilíbrio saúde-doença é determinado por uma multiplicidade de fatores de origem social, 
econômica, cultural, ambiental e biológica/genética conhecidos no mundo inteiro e que nem 
sempre foram incluídos na formulação de políticas de saúde. Entretanto, a Lei 8080 informa, 
em seu Artigo 3º que os níveis de saúde expressam a organização social e econômica do 
País, tendo a saúde como determinantes e condicionantes.
Hoje sabe-se que os determinantes da saúde são os fatores que influenciam, afetam e/ou 
determinam a saúde dos povos e cidadãos. Os vários determinantes influenciam a saúde de 
diferentes formas, mas nem todos são igualmente importantes. 
Dos objetivos
O SUS objetiva identificar e divulgar 
os fatores condicionantes e deter-
minantes da saúde, pois entende 
que conhecer é a melhor forma para 
modificar a situação das pessoas.
Ademais, formula políticas de saúde 
destinadas a promover os campos 
econômico e social, com atividades 
integradas, assistindo às pessoas 
com ações de promoção, proteção e 
recuperação de saúde.
CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS, CULTURAIS E AMBIENTAIS GERAIS
https://bit.ly/3gOh7l3
Estilo de vida dos indivíduos
IDADE, SEXO E FATORES 
HEREDITÁRIOS
Redes sociais e comunitárias
Condições de vida e de trabalho
Produção agrícola 
e de alimentos
Educação
Ambientes de trabalho
Desemprego
Água e esgoto
Serviços sociais e de saúde
Habitação
52SAÚDE COLETIVA
O SUS atua na execução de ações 
da vigilância sanitária, vigilância 
epidemiológica, saúde do trabalha-
dor e assistência terapêutica inte-
gral (inclusive farmacêutica). 
Ele atua nessas esferas participando 
na formulação da política e na execu-
ção de ações de saneamento básico, 
na ordenação da formação de recur-
sos humanos na área de saúde, na 
vigilância nutricional e na orientação 
alimentar, na colaboração na prote-
ção do meio ambiente, na formulação 
da política de medicamentos, equi-
pamentos, imunobiológicos e outros 
insumos de interesse para a saúde e 
a participação na sua produção. Além 
disso, também participa no controle 
e na fiscalização de serviços, produ-
tos e substâncias de interesse para a 
saúde, na fiscalização e na inspeção 
de alimentos, água e bebidas para 
consumo humano, entre outros.
Identificação e 
divulgação dos 
condicionantes e 
determinantes da 
saúde
Formulação 
de políticas de 
saúde nos campos 
econômico e 
social
Ações de 
promoção, 
proteção e 
recuperação da 
saúde
OBJETIVOS E ATRIBUIÇÕES
VIGILÂNCIA 
SANITÁRIA
Conjunto de ações capaz de eliminar, 
diminuir ou prevenir riscos à saúde e 
de intervir nos problemas sanitários 
decorrentes do meio ambiente, da produção 
e circulação de bens e da prestação de 
serviços de interesse da saúde
Controle da prestação de serviços 
que se relacionam direta ou 
indiretamente com a saúde
Controle de bens de consumo 
que, direta ou indiretamente, se 
relacionem com a saúde
53SAÚDE COLETIVA
Vigilância 
Epidemiológica
Conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer 
mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a 
finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos
Vítima de acidentes de trabalho ou portador de doença profissional e do trabalho
Saúde do 
trabalhador
Conjunto de atividades que se destina, através das 
ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção da 
saúde dos trabalhadores, assim como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos 
trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho
Participação em estudos, pesquisas, avaliação e controle dos riscos e agravos potenciais à saúde 
existentes no processo de trabalho
Normatização, fiscalização e controle das condições de produção, extração, armazenamento, 
transporte, distribuição e manuseio de substâncias, de produtos, de máquinas e de 
equipamentos que apresentam riscos à saúde do trabalhador
Avaliação do impacto que as tecnologias provocam à saúde
Interdição de máquina, de setor de serviço ou de todo ambiente de trabalho, quando houver 
exposição a risco iminente para a vida ou saúde dos trabalhadores
Riscos e Agravos
54SAÚDE COLETIVA
Dos princípios e diretrizes
As diretrizes do SUS se encontram 
na Constituição de 1988 e são elas 
a descentralização, o atendimento 
integral e a participação da comu-
nidade. Entretanto, o SUS também 
funciona seguindo alguns princípios, 
que muitas vezes são descritos como 
princípios doutrinários e princípios 
organizativos.
É importante salientar que nem a 
Constituição e nem a Lei 8080 di-
videm os princípios dessa maneira; 
além disso, o princípio da equidade só 
aparece tempos depois, após discus-
sões acerca do que era pretendido al-
cançar com o SUS.
Princípios doutrinários
• Universalidade de acesso aos 
serviços de saúde em todos os ní-
veis de assistência, sem distinção 
de idade, gênero, raça/cor, etnia, 
crença, nacionalidade, orientação 
sexual, identidade de gênero, es-
tado de saúde, condição socioe-
conômica, escolaridade, limitação 
física, intelectual, funcional etc.
SE LIGA! O princípio da Universalidade 
preza pela igualdade da assistência à 
saúde, sem preconceitos ou privilégios 
de qualquer espécie, de modo que todo 
brasileiro tenha direito ao acesso à saú-
de e à informação sobre a sua saúde e 
sobre políticas públicas. O cumprimento 
deste princípio preserva autonomia das 
pessoas na defesa de sua integridade 
física e moral.
• Integralidade de assistência, en-
tendida como conjunto articulado 
e contínuo das ações e serviços 
preventivos e curativos, individu-
ais e coletivos, exigidos para cada 
caso em todos os níveis de com-
plexidade do sistema. Além da in-
tegração em nível executivo das 
ações de saúde, meio ambiente e 
saneamento básico.
• Equidade, como uma adaptação 
da norma geral a situações especí-
ficas,tendo em vista que uma nor-
ma genérica quando empregada 
literalmente, sem se levar em con-
ta as especificidades de diferen-
tes situações, poderia produzir in-
justiça. Assim, esse princípio atua 
como uma intervenção situacional, 
ou seja, de acordo com cada caso.
55SAÚDE COLETIVA
Doutrinários
Princípios 
do SUS
Organizativos
Universalidade
Integridade
Equidade
Participação Social
Complementaridade 
do setor privado
Regionalização
Resolubilidade
Descentralização
Hierarquização
SE LIGA! A equidade é uma prática in-
dispensável para se chegar ao ideal de 
justiça e de cidadania plena, capazes de 
garantir o gozo de uma situação de igual 
bem-estar para todos os cidadãos.
Princípios organizativos
• Participação social
• Resolubilidade em todos os níveis 
de assistência, utilizando a epide-
miologia para o estabelecimento de 
prioridades, a alocação de recursos 
e a orientação programática.
• Conjugação dos recursos finan-
ceiros, tecnológicos, materiais e 
humanos da União, dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municí-
pios na prestação de serviços de 
assistência à saúde da população, 
com complementaridade do setor 
privado.
• Descentralização político-adminis-
trativa, com direção única em cada 
esfera de governo, com ênfase na 
descentralização dos serviços para 
os municípios.
• Regionalização e hierarquização 
da rede de serviços de saúde.
SE LIGA! LEI 13.427 DE 30 DE MARÇO 
DE 2017
“Organização de atendimento público 
específico e especializado para mulhe-
res e vítimas de violência doméstica em 
geral, que garanta, entre outros, atendi-
mento, acompanhamento psicológico e 
cirurgias plásticas reparadoras”
Esta lei, incluída na lei 8080, como um 
princípio do SUS, garante o atendimento 
público específico e especializado para 
mulheres e vítimas de violência domés-
tica em geral.
Da organização e da gestão
As ações e serviços de saúde execu-
tados pelo SUS são organizadas de 
forma regionalizada e hierarqui-
zada em níveis de complexidade 
crescente, com a sua direção exerci-
da, em cada esfera de governo, pelos 
seguintes órgãos:
56SAÚDE COLETIVA
Os municípios poderão se organizar 
em distritos de forma a integrar e ar-
ticular recursos, técnicas e práticas 
voltadas para a cobertura total das 
ações de saúde, podendo constituir 
consórcios para desenvolver em con-
junto essas ações.
O Conselho Nacional de Saúde tem 
comissões intersetoriais subordina-
das a ele, que têm a finalidade de 
articular políticas e programas de in-
teresse para a saúde, abrangendo as 
atividades de alimentação e nutrição, 
saneamento e meio ambiente, vigi-
lância sanitária e farmacoepidemiolo-
gia, recursos humanos, ciência e tec-
nologia e saúde do trabalhador.
As Comissões Permanentes deve-
rão integrar os serviços de saúde e 
as instituições de ensino profissio-
nal e superior, tendo como finalidade 
propor prioridades, métodos e estra-
tégias para a formação e educação 
continuada dos recursos humanos do 
SUS.
Das competências e das 
atribuições
Das atribuições comuns
São 21 as atribuições administrativas 
que competem tanto à União, quanto 
aos Estados, Distrito Federal e Muni-
cípios, podendo ser divididas em seis 
grupos:
Controle e avaliação:
Cabe às três instâncias a organização 
e coordenação de todo o sistema de 
informação de saúde, com elabora-
ção de normas técnicas e estabele-
cimento de padrões de qualidade e 
parâmetros de custos que caracteri-
zam a assistência à saúde. Para tal, 
é necessário definir as instâncias e 
mecanismos de controle, avaliação e 
de fiscalização das ações e serviços 
de saúde para realizar o acompanha-
mento, avaliação e divulgação do ní-
vel de saúde da população e das con-
dições ambientais.
União Ministério da Saúde 
Estados e Distrito Federal Secretaria de Saúde ou órgão equivalente
Municípios Secretaria de Saúde ou órgão equivalente
57SAÚDE COLETIVA
Gestão de Recursos:
Administração dos recursos orça-
mentários e financeiros destinados à 
saúde, elaborando uma proposta or-
çamentária do SUS e realização de 
operações externas de natureza fi-
nanceira de interesse da saúde. Além 
de terem o poder de requisitar bens e 
serviços para atendimento de neces-
sidades decorrentes de situações de 
perigo iminente, de calamidade públi-
ca ou de irrupção de epidemias.
Saúde do trabalhador:
Promoção da saúde do trabalhador.
Meio ambiente:
Formulação da política e da execução 
das ações de saneamento básico e 
colaboração na proteção e recupe-
ração do meio ambiente, juntamente 
com a formação de convênios, acor-
dos e protocolos internacionais re-
lativos à saúde, saneamento e meio 
ambiente.
Sistema Nacional de Sangue:
Implementação do Sistema Na-
cional de Sangue, Componentes e 
Derivados.
Padrões éticos:
Definição e controle dos padrões éti-
cos para pesquisa, ações e serviços 
de saúde e realizar pesquisas e estu-
dos na área de saúde.
Competências da união
Quanto à União, são 19 as compe-
tências administrativas, entretanto, 
as suas atividades são, em sua maio-
ria, de elaborar e definir ações ou 
planejamentos: 
• Formular, avaliar e apoiar políticas, 
normas, critérios e padrões de nu-
trição, controle das agressões ao 
meio ambiente (que tenham reper-
cussões na saúde humana), sane-
amento básico e relativas às con-
dições dos ambientes de trabalho 
(e saúde do trabalhador);
• Definir e coordenar os sistemas de 
redes integradas de assistência de 
alta complexidade, de laboratórios 
de saúde pública, de vigilâncias 
epidemiológica e sanitária. Além 
de estabelecer critérios, parâme-
tros e métodos para o controle da 
qualidade sanitária de produtos, 
substâncias e serviços de consu-
mo e uso humano.
SE LIGA! A União poderá executar 
ações de vigilância epidemiológica e 
sanitária em circunstâncias especiais, 
como na ocorrência de agravos inusi-
tados à saúde, que possam escapar do 
controle da direção estadual do SUS ou 
que representem risco de disseminação 
nacional.
58SAÚDE COLETIVA
Cabe também à União promover ar-
ticulação com os órgãos educacio-
nais e de fiscalização do exercício 
profissional, bem como com entida-
des representativas de formação de 
recursos humanos na área de saúde; 
normatizar e coordenar nacionalmen-
te o Sistema Nacional de Sangue, 
Componentes e Derivados; as rela-
ções entre o SUS e os serviços priva-
dos contratados de assistência à saú-
de; e a execução da política nacional e 
produção de insumos e equipamen-
tos para a saúde, em articulação com 
os demais órgãos governamentais.
Em cooperação com os Estados e Mu-
nicípios, a União deverá promover a 
descentralização, acompanhar, contro-
lar e avaliar as ações e os serviços de 
saúde, elaborar o Planejamento Estra-
tégico Nacional no âmbito do SUS, es-
tabelecer o Sistema Nacional de Audi-
toria e coordenar a avaliação técnica e 
financeira do SUS, Além de identificar 
os serviços estaduais e municipais de 
referência nacional para o estabeleci-
mento de padrões técnicos de assistên-
cia à saúde, controlando e fiscalizando 
procedimentos, produtos e substâncias 
de interesse para a saúde.
Competências do estado
À direção estadual do SUS com-
pete auxiliar e coordenar ações e 
serviços: 
Para os Municípios, cabe ao Estado 
promover a descentralização serviços 
e das ações de saúde, prestar apoio 
técnico e financeiro e executar suple-
tivamente ações e serviços de saúde.
Acompanhar, controlar e avaliar as 
redes hierarquizadas do SUS, identifi-
cando estabelecimentos hospitalares 
de referência e rede estadual de la-
boratórios de saúde pública e hemo-
centros e gerindo sistemas públicos 
de alta complexidade, de referência 
estadual e regional. 
O Estado também participa das ações 
de controle e avaliação das condições 
e dos ambientes de trabalho e acom-
panha, avalia e divulga os indicadores 
de morbidade e mortalidade no âmbi-
to da unidade federada.
Quanto ao meio ambiente, compete 
ao estado participar do controle dos 
agravos que tenham repercussão na 
saúde humana, além de participar da 
formulação da política e daexecução 
de ações de saneamento básico.
SE LIGA! O Estado coordena as ações 
e serviços de vigilância epidemiológica, 
vigilância sanitária, alimentação, nutri-
ção e saúde do trabalhador; entretanto, 
em caráter complementar, ele pode exe-
cutar também ações e serviços referen-
tes à esses setores, especialmente ao 
executar, juntamente com a União, a vi-
gilância sanitária em portos, aeroportos 
e fronteiras. 
Em caráter suplementar, o Estado 
pode formular, executar, acompa-
nhar e avaliar a política de insumos e 
59SAÚDE COLETIVA
equipamentos para a saúde; estabe-
lecer normas para o controle e avalia-
ção das ações e serviços de saúde; 
formular normas e estabelecer pa-
drões de procedimentos de controle 
de qualidade para produtos e subs-
tâncias de consumo humano;
Competências do município
Ao Município, compete basicamente 
participar e executar o que foi ela-
borado pela União e pelo Estado, 
como:
• Participação de planejamentos e 
execução de ações e os serviços 
de saúde; da rede regionalizada e 
hierarquizada do SUS; das condi-
ções e ambientes de trabalho.
• Executar os serviços de vigilância 
epidemiológica, vigilância sanitá-
ria (incluindo auxiliar na vigilância 
de portos, aeroportos e fronteiras), 
alimentação, nutrição, saneamento 
básico e saúde do trabalhador. 
Além de executar a política de in-
sumos e equipamentos para a 
saúde.
• Atuar em conjunto com a União e 
o Estado para colaborar na fiscali-
zação das agressões ao meio am-
biente que tenham repercussão 
sobre a saúde humana.
• Compete aos Municípios gerirem 
os serviços públicos de saúde, os 
laboratórios públicos de saúde e 
hemocentros.
• Celebrar contratos e convênios 
com entidades prestadoras de 
serviços privados de saúde (con-
trolando e fiscalizando os procedi-
mentos) e formar consórcios admi-
nistrativos intermunicipais.
SE LIGA! Ao Distrito Federal competem 
as atribuições reservadas aos Estados e 
aos Municípios.
60SAÚDE COLETIVA
Controle e 
avaliação
ATRIBUIÇÕES E 
COMPETÊNCIAS
Comuns União Estados Municípios
Gestão de recursos
Saúde do 
trabalhador
Meio ambiente
Sistema Nacional 
de Sangue
Padrões éticos
Promover 
descentralização
Elaborar 
planejamentos
Executar vigilância 
(portos, aeroportos 
e fronteiras)
Executar ações 
de vigilância em 
circunstâncias 
especiais
Descentralização 
para municípios
Apoio técnico 
e financeiro para 
o município
Gerar sistemas 
públicos de alta 
complexidade
Coordenar rede 
de laboratórios e 
hemocentros
Coordenar ações 
de vigilâncias 
epidemiológica e 
sanitária, alimentação e 
saúde do trabalhador
Em caráter 
suplementar, 
formular e 
estabelecer normas
Gerir e executar 
os serviços 
públicos de saúde
Participar 
do planejamento 
de ações
Executar serviços 
de vigilâncias 
epidemiológica, 
sanitária, alimentação e 
saúde do trabalhador
Executar políticas 
de insumos
Controlar e 
fiscalizar o 
setor privado
61SAÚDE COLETIVA
Subsistemas
A Lei 8080 traz, como peculiaridade, 
o fato de não utilizar o termo “equi-
dade”, conforme dito acima; entretan-
to, os capítulo V, VI e VI, ao tratarem 
sobre os subsistemas, reconhece que 
existem populações que necessi-
tam de atendimento diferenciado, 
de acordo com as suas particularida-
des, realizando, portanto, o princípio 
da equidade.
Subsistema de atenção à saúde 
indígena
Estabelece que a União deverá finan-
ciar esse subsistema e que compete ao 
SUS articular a abordagem diferencia-
da à essa população, tendo em vista a 
realidade local e as especificidades da 
cultura dos povos indígenas. Ou seja, o 
modelo a ser adotado para a atenção 
à saúde indígena deve ser pauta-
do por uma abordagem diferen-
ciada e global, contemplando os 
aspectos de assistência à saú-
de, saneamento básico, nutrição, 
habitação, meio ambiente, demarcação 
de terras, educação sanitária e integra-
ção institucional.
Subsistema de atendimento e 
internação domiciliar
Estabelece que, caso haja indicação 
médica, o SUS deverá prover proce-
dimentos médicos, de enfermagem, 
fisioterapêuticos, psicológicos e de 
assistência social, entre outros ne-
cessários ao cuidado integral dos pa-
cientes em seu domicílio. 
Subsistema de acompanhamento 
durante o trabalho de parto, parto 
e pós parto imediato
Estabelece que a parturiente tem direi-
to a um acompanhante durante o tra-
balho de parto, parto e pós parto ime-
diato e isso deverá estar escrito em 
um local onde todos os usuários 
do SUS possam ler nos hospi-
tais e estabelecimentos que re-
alizem esse serviço.
SUBSISTEMAS
ATENÇÃO À 
SAÚDE INDÍGENA
ATENDIMENTO E 
INTERNAÇÃO DOMICILIAR
ACOMPANHAMENTO 
DURANTE O TRABALHO 
DE PARTO, PARTO E 
PÓS PARTO IMEDIATO
 União deverá financiar esse 
subsistema e que compete ao 
SUS articular a abordagem 
diferenciada à essa população, 
tendo em vista a realidade 
local e as especificidades da 
cultura dos povos indígenas.
Caso haja indicação médica, 
o SUS deverá prover 
procedimentos médicos, de 
enfermagem, fisioterapêuticos, 
psicológicos e de assistência 
social, entre outros necessários 
ao cuidado integral dos 
pacientes em seu domicílio. 
 A parturiente tem direito 
a um acompanhante 
durante o trabalho de parto, 
parto e pós parto imediato.
62SAÚDE COLETIVA
Hierarquização dos 
níveis de atenção
Consórcios 
intermunicipais
Comissões e 
Conselhos
LEI 8080
Disposição Preliminar
Assistência terapêutica 
e incorporação de 
tecnologias em saúde
Princípios e Diretrizes Organização, 
Gestão e Direção
Disposições Gerais
Objetivos e 
Atribuições
Subsistemas
Competências e 
Atribuições
Acompanhamento 
ao trabalho de 
parto, parto e 
pós parto imediato
Atendimento e 
internação domiciliar
Saúde do Indígena
Atribuições Comuns
União
Estados
Municípios
Elabora e define
Auxilia e coordena
Participa e executa
Controle e avaliação, 
gestão de recursos, 
saúde do trabalhador, 
meio ambiente, Sistema 
nacional de sangue, 
padrões éticos
63SAÚDE COLETIVA
5. LEI ORGÂNICA DA 
SAÚDE 8142/90 E 
PARTICIPAÇÃO SOCIAL
Esta lei, de 20 de dezembro de 1990, 
assim como a lei 8080/90, tem o ob-
jetivo de organizar o SUS. Ela dispõe 
sobre a participação da comunida-
de na gestão do Sistema Único de 
Saúde (SUS) e sobre as transferên-
cias intergovernamentais de recur-
sos financeiros na área da saúde.
A Conferência de Saúde se reúne 
a cada 4 anos, tendo 50% dos seus 
componentes usuários do SUS (re-
presentação paritária de usuários) e 
os outros 50% são compostos por 
profissionais, gestores políticos etc. 
Essa reunião tem o objetivo de avaliar 
a situação de saúde e propor as di-
retrizes para a formulação da política 
de saúde nos níveis correspondentes. 
As Conferências de Saúde são con-
vocadas pelo poder executivo, mas 
os Conselhos de Saúde podem con-
vocá-las extraordinariamente, caso 
haja necessidade.
Os Conselhos de Saúde são um ór-
gãos compostos por representantes 
do governo, prestadores de serviço, 
profissionais de saúde e usuários, 
que se reúnem mensalmente. Assim 
como ocorre com as Conferências 
de Saúde, os Conselhos deverão ser 
compostos 50% por usuários. Eles 
atuam na formulação de estratégias e 
no controle da execução da política de 
saúde na instância correspondente, 
inclusive nos aspectos econômicos e 
financeiros.
SE LIGA! A Conferência de Saúde 
e o Conselho de saúde são as duas 
principais formas de participação da 
comunidade.
Dentre os conselhos de saúde, em 
âmbito nacional, temos o Conselho 
Nacional de Saúde, que terá repre-
sentação do CONASS (Conselho Na-
cional de Secretários de Saúde, com 
representantes estaduais) e o CO-
NASEMS (Conselho Nacional de Se-
cretários Municipais de Saúde, com 
representantes municipais). Além 
disso, 50% dos participantes deste 
conselho, assim como nos demais, 
serão usuários do SUS. 
Fundo nacional de saúde (FNS)
O FNS é o local onde fica a verba des-
tinada para:
• Despesas de custeio e de capital 
(constantes e mensais) do Minis-
tério da Saúde
• Despesas com investimentospre-
vistos em lei orçamentária e no 
Plano Quinquenal do Ministério da 
Saúde.
• Despesas com a cobertura das 
ações e serviços de saúde a serem 
implementados pelos Municípios, 
Estados e Distrito Federal, com 
64SAÚDE COLETIVA
repasse regular e automático, sen-
do 70% destinados apenas aos 
Municípios.
SE LIGA! O Plano Quinquenal era um 
plano de governo do ex presidente Fer-
nando Collor, para o desenvolvimento 
do Brasil em 5 anos, incluindo planos 
para a implantação do SUS.
Critérios para cálculo do repasse
Para o cálculo do valor a ser recebi-
do pelo Fundo Nacional de Saúde aos 
Estados, Distrito Federal e Municí-
pios, será utilizada a combinação dos 
seguintes critérios:
• Perfil demográfico da região.
• Perfil epidemiológico da população 
a ser coberta.
• Características quantitativas e 
qualitativas da rede de saúde na 
área.
• Desempenho técnico, econômico 
e financeiro no período anterior.
• Níveis de participação do setor 
saúde nos orçamentos estaduais e 
municipais.
• Previsão do plano quinquenal de 
investimentos da rede.
• Ressarcimento do atendimento a 
serviços prestados para outras es-
feras de governo.
Critérios para recebimento
Para receberem os recursos, os Mu-
nicípios, os Estados e o Distrito Fe-
deral deverão contar com um Fundo 
de Saúde; um Conselho de Saúde; 
um plano de saúde; relatórios de ges-
tão; contrapartida de recursos para a 
saúde no respectivo orçamento; Co-
missão de elaboração do Plano de 
Carreira, Cargos e Salários (PCCS), 
previsto o prazo de dois anos para 
sua implantação.
Caso não apresentem os requisitos, 
os recursos serão administrados pe-
los Estados ou pela União.
65SAÚDE COLETIVA
Local onde fica a 
verba destinada à
Distrito Federal
Estados
Municípios
O cálculo do repasse é 
realizado com base em
Critérios para recebimento 
(é necessário ter)
Despesas de custeio 
e capital do MS
Investimentos previstos 
em lei orçamentária
Investimentos previstos 
no Plano Quinquenal
Cobertura de ações 
e serviços de saúde 
implementados por
Perfis demográfico e 
epidemiológico
Características 
quantitativas e qualitativas 
da rede de saúde
Desempenho técnico, 
econômico e financeiro 
no período anterior
Nível de participação do setor 
de saúde nos orçamentos 
estaduais e municipais
Previsão do 
Plano Quinquenal
Ressarcimento do atendimento 
a serviços prestados para 
outras esferas do governo
Plano de Saúde
Fundo de Saúde
Conselho de Saúde
Relatórios de Gestão
Contrapartida de 
recursos para a saúde no 
respectivo orçamento
Comissão de 
elaboração do Plano de 
Carreira, Carlos e Salários
FUNDO 
NACIONAL 
DE SAÚDE
66SAÚDE COLETIVA
LEI 8192
O SUS contará com Dispões sobre
Participação da comunidade 
na gestão do SUS
Transferências 
intergovernamentais de 
recursos financeiros na saúde
Outras atribuiçõesConferência de Saúde Conselho de Saúde
50% de usuários
Reuniões mensais
Representantes do 
governo, prestadores de 
serviço, profissionais 
de saúde e usuários
Formulação de estratégias
Controle da execução da 
política de saúde
Reunião a cada 4 anos
Representação de vários 
segmentos sociais
Avaliar a situação da saúde
Propor e formular 
políticas de saúde
Convocada pelo 
poder executivo
Extraordinariamente 
pelos Conselhos
67SAÚDE COLETIVA
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69SAÚDE COLETIVACardiovasculares 
(DCV), seguindo uma tendência in-
versa, aumentaram sua participação 
de 11,8% para 31,3% do total dos 
óbitos ocorridos no mesmo período, 
corroborando com a teoria da transi-
ção epidemiológica.
TAXA DE MORTALIDADE INFANTIL
1940-2017
Figura 5. Fonte: IBGE
EVOLUÇÃO DA MORTALIDADE POR CAUSA
1930-1999
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10SAÚDE COLETIVA
Mortalidade por causas
As estatísticas de mortalidade cons-
tituem instrumento fundamental em 
saúde pública, representando uma 
das principais fontes de informações 
para numerosos tipos de estudos epi-
demiológicos. Tendo em vista essa 
informação, o Ministério da Saúde de-
senvolveu em 1975 o Sistema de In-
formação Sobre Mortalidade (SIM), 
produto da unificação de mais de 40 
modelos de instrumentos utilizados, 
ao longo dos anos, para coletar dados 
sobre mortalidade no país. 
Os óbitos podem ser analisados quan-
to ao número e em relação a algumas 
variáveis, dentre outras, sexo, idade, lo-
cal, tempo etc., constituindo, entretanto, 
a sua causa o aspecto mais importante.
No Brasil, segundo o Departamento 
de Análise de Saúde e Vigilância de 
Doenças não Transmissíveis, da Se-
cretaria de Vigilância em Saúde, as 
principais causas de óbito são a do-
ença isquêmica do coração, seguida 
pela doença cerebrovascular e, em 
terceiro lugar, a Doença de Alzhei-
mer e outras demências (os dados 
mais atuais datam do ano de 2016). 
MORTALIDADE POR CAUSAS
2000-2016
Figura 7. Fonte: http://svs.aids.gov.br/dantps/
Ao compararmos os dados de 2000 
com os de 2016, percebemos uma 
variação grande no escore das cau-
sas, onde a Doença de Alzheimer e 
outras demências, que ocupavam o 
8º lugar, subiram para 3º. Já as compli-
cações neonatais no parto pré-termo, 
que se encontravam na 9ª colocação, 
não se encontram mais entre as 10 
causas que mais matam no Brasil.
As neoplasias vêm ocupando espaço 
no ranking geral de mortalidade do 
ano de 2016, com as neoplasias de tra-
queia, brônquios e pulmão em 10º lugar, 
que não apareciam em 2000. De acor-
do com o site do Instituto Nacional do 
Câncer (INCA), no ano de 2018, o cân-
cer matou 117.477 homens e 107.235 
mulheres e a mortalidade de acordo 
11SAÚDE COLETIVA
com a localização primária do tumor 
está demonstrada nas tabelas abaixo.
MORTALIDADE CONFORME LOCALIZAÇÃO PRI-
MÁRIA DO TUMOR (2018) - SEXO MASCULINO
Localização Primária Óbitos %
Traqueia, brônquios e pulmões 16.371 13,9
Próstata 15.576 13,3
Cólon e Reto 9.608 8,2
Estômago 9.387 8,0
Esôfago 6.756 5,8
Fígado e vias biliares 
intra-hepáticas
6.181 5,3
Pâncreas 5.497 4,7
Cavidade Oral 4.974 4,2
Sistema Nervoso Central 4.803 4,1
Laringe 3.859 3,3
Todas as neoplasias 117.477 100
Tabela 1. Fonte: MS / SVS/DASIS/CGIAE/Sistema de 
Informação sobre Mortalidade, 2020. MS / INCA / Coor-
denação de Prevenção e Vigilância / Divisão de Vigilân-
cia e Análise de Situação, 2020
MORTALIDADE CONFORME LOCALIZAÇÃO PRI-
MÁRIA DO TUMOR (2018) - SEXO FEMININO
Localização Primária Óbitos %
Mama 17.572 16,4
Traqueia, brônquios e pulmões 12.346 11,5
Cólon e Reto 9.995 9,3
Colo do útero 6.526 6,1
Pâncreas 5.601 5,2
Estômago 5.374 5,0
Sistema Nervoso Central 4.506 4,2
Fígado e vias biliares 
intra-hepáticas
4.369 4,1
Ovário 3.984 3,7
Leucemias 3.316 3,1
Todas as neoplasias 107.235 100
Tabela 2. Fonte: MS / SVS/DASIS/CGIAE/Sistema de 
Informação sobre Mortalidade, 2020. MS / INCA / Coor-
denação de Prevenção e Vigilância / Divisão de Vigilân-
cia e Análise de Situação, 2020
A incidência estimada conforme loca-
lização primária do tumor, ainda se-
gundo o INCA, segue o mesmo pa-
drão da mortalidade, conforme o sexo, 
estando nas três posições, no sexo 
masculino, próstata, cólon e reto e 
traqueia, brônquios e pulmões res-
pectivamente. Já no sexo feminino, 
as três neoplasias mais incidentes 
são: mama, cólon e reto e colo do 
útero.
SE LIGA! Os gráficos e tabelas do INCA 
não levam em consideração o câncer 
de pele não melanoma, pois essa é a 
neoplasia mais incidente em ambos 
os sexos, mas apresenta uma baixa 
morbimortalidade.
2. INDICADORES DE 
SAÚDE
Os indicadores de saúde são medi-
das-síntese que contêm informação 
relevante sobre determinados atri-
butos e dimensões do estado de 
saúde, bem como do desempenho 
do sistema de saúde. 
Quando analisados em conjunto, os 
indicadores devem refletir a situação 
sanitária de uma população e servir 
para a vigilância das condições de 
saúde, além de auxiliar a distribuição 
de renda entre os Estados e Municí-
pios. A construção de um indicador é 
um processo cuja complexidade pode 
variar desde a simples contagem di-
reta de casos de determinada doença, 
12SAÚDE COLETIVA
até o cálculo de proporções, razões, 
taxas ou índices mais sofisticados.
A capacidade de medir o que se pre-
tende (validade) e a capacidade de 
se reproduzir os mesmos resultados 
quando aplicado em condições simi-
lares (confiabilidade) medem o grau 
de excelência de um indicador. E a 
validade geralmente é determinada 
pela sensibilidade e especificidade.
CONCEITO: Sensibilidade: capacidade 
de detectar o fenômeno analisado.
Especificidade: capacidade de detectar 
apenas o fenômeno analisado.
Ademais, espera-se que os indica-
dores possam ser analisados e inter-
pretados com facilidade por qualquer 
usuário da informação.
Indicadores de morbimortalidade
Tendo em vista que os indicadores re-
fletem as situações demográfica, so-
cial e sanitária de uma população, os 
indicadores de morbidade e mor-
talidade traduzem diretamente as 
condições de saúde (ou falta dela).
Coeficientes são as medidas do 
tipo proporção em que, em geral, 
os eventos do numerador repre-
sentam um risco de ocorrência em 
relação ao denominador (numerador 
≠ denominador). 
SE LIGA! Os coeficientes de morbimor-
talidade expressam a probabilidade de 
adoecer ou morrer por determinada cau-
sa em uma determinada população em 
um espaço de tempo definido.
Esses eventos podem ser detectados 
em duas perspectivas diferentes: a 
primeira, em um momento e com base 
numa única aferição: a prevalência. 
A segunda corresponde à detecção 
da ocorrência de eventos ou mudan-
ças de status ao longo de períodos 
variáveis de tempo de observação 
ou acompanhamento, implicando, às 
vezes, mais de duas mensurações: a 
incidência.
Em ambos os casos, o resultado da 
divisão representa uma quantia adi-
mensional que corresponde à fração 
de indivíduos com o atributo do nu-
merador, que pode ser expressa de 
várias maneiras - em percentual, por 
mil, por cem mil etc. - dependendo da 
frequência do evento. 
Em epidemiologia, podemos elabo-
rar dois tipos de indicadores, utili-
zando coeficientes para mensura-
ção de eventos de prevalência e de 
incidência.
13SAÚDE COLETIVA
SE LIGA! A incidência e a prevalência 
são diretamente proporcionais, ou seja, 
quanto mais casos novos de uma doen-
ça eu tenho, mais casos dessa doença 
eu tenho no total. 
Fatores que alteram a prevalência
Entre os fatores que influenciam a 
prevalência de um agravo à saúde, 
excluída a migração, estão a incidên-
cia, as curas e os óbitos.
CASOS NOVOS
(INCIDÊNCIA)
CURAS
ÓBITOS
CASOS EXISTENTES
(PREVALÊNCIA)
A incidência “alimenta” a prevalência, 
ou seja, quanto mais casos novos de 
um determinado agravo, mais casos 
se tem no total. Por outro lado, depen-
dendo do agravo à saúde, as pesso-
as podem se curar ou morrer. Quanto 
maior e mais rápida a cura, ou quan-
to maior e mais rápida a mortalidade, 
mais se diminui a prevalência.
Agora, com relação à migração, a pre-
valência aumenta quando imigram 
mais pessoas com uma determinada 
doença; entretanto, a prevalência di-
minui quando emigram mais pessoas 
com determinada doença.
Coeficientes 
de Morbidade
Probabilidade de adoecer Prevalência Incidência
14SAÚDE COLETIVACoeficiente de letalidade
É a proporção entre o número de óbi-
tos de uma determinada doença e o 
número total de doentes que sofrem 
dessa doença, ao longo de um deter-
minado período de tempo. Esse co-
eficiente define o impacto que essa 
doença tem na sociedade.
COEFICIENTE DE 
LETALIDADE
Define o impacto que essa 
doença tem na sociedade.
Nº de óbitos por doença 
Total de doentes
Coeficiente de mortalidade
Diferente do coeficiente de letalida-
de, o de mortalidade não considera 
as pessoas doentes, mas sim a po-
pulação em geral. É uma medida do 
número total de óbitos (geral ou por 
uma causa específica) em uma deter-
minada população em um período de 
tempo.
COEFICIENTE DE 
MORTALIDADE
Permite comparar o 
nível de saúde de diferentes 
regiões ao longo do tempo. 
Nº de óbitos (geral ou 
por causa específica)
População
Coeficiente de mortalidade 
materna
Morte materna, segundo o CID-10, 
é a “morte de uma mulher durante a 
gestação ou até 42 dias após o térmi-
no da gestação, independente da du-
ração ou da localização da gravidez, 
devida a qualquer causa relacionada 
com ou agravada pela gravidez ou 
por medidas em relação a ela, porém 
não devida a causas acidentais ou 
incidentais”.
Esse coeficiente estima a frequência 
de óbitos femininos em idade fértil 
atribuídos às causas ligadas a gra-
videz, parto e puerpério, em relação 
ao total de gestações. Ele reflete a 
qualidade da assistência à saúde da 
mulher.
15SAÚDE COLETIVA
Taxas elevadas desse coeficiente es-
tão associadas a uma prestação de 
serviços insatisfatórios a esse grupo.
Morte materna tardia tem o mesmo 
conceito de morte materna, entretan-
to, ocorre após 42 dias e em menos 
de 1 ano do parto. A morte materna 
por sequela de causa obstétrica dire-
ta é aquela que ocorre em um ano ou 
mais após o parto.
avaliação dos níveis de saúde e de 
desenvolvimento sócio econômico da 
população.
Assim como a mortalidade materna, 
a mortalidade nos recém nascidos e 
bebês também é dividida em mortali-
dade neonatal precoce, neonatal tar-
dia e pós neonatal.
COEFICIENTE DE 
MORTALIDADE 
MATERNA
Reflete a qualidade da 
assistência à saúde da mulher
Nº total de óbitos 
por causas maternas
Nascidos vivos
Coeficiente de mortalidade infantil
Esse coeficiente estima o risco de um 
indivíduo morrer em seu primeiro ano 
de vida, tem o potencial de subsidiar 
processos de planejamento, ges-
tão e avaliação de políticas e ações 
da atenção ao pré-natal e ao parto, 
sendo um indicador utilizado para a 
1
Coeficiente de 
mortalidade materna Morte materna tardia Morte materna por sequela 
de causa obstétrica direta
Morte de uma mulher 
durante a gestação ou até 
42 dias após o término da 
gestação, independente da 
duração ou da localização da 
gravidez, devida a qualquer 
causa relacionada com ou 
agravada pela gravidez ou 
por medidas em relação a ela, 
porém não devida a causas 
acidentais ou incidentais.
Apresenta o mesmo conceito 
de morte materna, entretanto, 
ocorre após 42 dias e em 
menos de 1 ano do parto.
É aquela que ocorre em um 
ano ou mais após o parto, 
porém não é devido a causas 
acidentais ou incidentais, mas 
sim a causas diretamente 
ligadas ao parto ou pós parto.
2 3
16SAÚDE COLETIVA
SAIBA MAIS! 
Há consistente tendência de redução da mortalidade infantil em todas as regiões brasilei-
ras, o que reflete a melhoria nas condições de vida, o declínio da fecundidade e o efeito de 
intervenções públicas nas áreas de saúde, saneamento e educação da mãe, entre outros as-
pectos. Os dados mais recentes de mortalidade infantil por causa no Brasil datam de 2015 e 
apontam que prematuridade é a principal causa de óbito em menores de cinco anos há, pelo 
menos, 15 anos. As anomalias congênitas correspondem à segunda causa de morte nesse 
período, seguido por asfixia e traumas no nascimento.
COEFICIENTE DE 
MORTALIDADE 
INFANTIL
Reflete as condições de 
desenvolvimento socioeconômico e 
infraestrutura ambiental e o acesso e 
a qualidade dos recursos disponíveis 
para atenção à saúde materna e da 
população infantil.
Nº total de óbitos em 
menores de 1 ano
Nascidos vivos
1
Morte neonatal precoce Morte neonatal tardia Morte pós neonatal
Acontece entre 0 e 
6 dias de vida.
Acontece entre 7 e 
27 dias de vida.
Acontece entre 28 e 
364 dias de vida.
2 3
17SAÚDE COLETIVA
2015
MUDANÇA 
% (TAXAS)POSIÇÃO - CAUSA DO ÓBITO N
TAXA POR 
1.000 NV
1 Prematuridade 9.588 3,18 -72
2 Anomalias congênitas 9.242 3,06 -7
3 Asfixia e trauma no nascimento 5.834 1,93 -49
4 Septicemia e outras infecções neonatais 5.112 1,69 -34
5 Insfecções do trato respiratório inferior 4.677 1,55 -81
6 Outras desordens neonatais 4.405 1,46 36
7 Doenças diarreicas 1.761 0,58 -95
8 Meningite 945 0,31 -79
9 Desnutrição 938 0,31 -87
10 Aspiração de corpo estranho 806 0,27 -34
11 Acidentes de trânsito 734 0,24 -63
12 Afogamento 417 0,14 -61
13 Homícidio 401 0,13 -40
14 Desordens endócrinas, metabólicas, sanguíneas e imunes 396 0,13 18
15 Cardiomiopatia e miocardite 371 0,12 -50
16 HIV/aids 368 0,12 29
17 Leucemia 322 0,11 -18
18 Outras doenças cardiovasculares 307 0,10 -56
19 Síndrome da morte súbita infantil 258 0,09 53
20 Outras neoplasias 235 0,08 -39
25 Doenças cerebrovasculares 211 0,07 -73
26 Sífilis 208 0,07 -87
27 Doenças hemolíticas e outras icterícias neonatais 199 0,07 -77
30 Queimaduras 170 0,06 -79
40 Coqueluche 80 0,03 -95
74 Sarampo 3 0,00 -100
Tabela 3. Ordenação segundo taxas das principais causas de mortalidade em menores de 5 anos por 1.000 
nascidos vivos (NV). Brasil, 2015. Fonte: FRANÇA, Elisabeth Barboza et al. Principais causas da mortalidade 
na infância no Brasil, em 1990 e 2015: estimativas do estudo de Carga Global de Doença. Revista brasileira 
de epidemiologia, v. 20, p. 46-60, 2017.
Já as principais causas de mortalidade perinatal estão associadas à prematuridade, à asfixia, 
às infecções intra-uterinas, à toxemia gravídica e às malformações múltiplas. Essas causas 
diferem das referidas ao período neonatal, cujas principais são as infecções agudas intra-u-
terinas, os problemas respiratórios, as malformações, a prematuridade e a infecção pós-natal. 
18SAÚDE COLETIVA
Índices
Os índices são medidas do tipo “pro-
porção”, ou seja, todas as unidades do 
numerador estão contidas em um deno-
minador mais amplo, isto é, o numera-
dor é um subconjunto do denominador.
Ora o termo índice é usado como si-
nônimo de indicador, ora com uma 
conotação mais abrangente expondo 
situações multidimensionais do pro-
blema estudado e incorporando em 
uma medida única, diferentes aspec-
tos ou diferentes indicadores.
Índice de envelhecimento
Um forma de aferir quantitativamente 
o envelhecimento populacional é por 
meio do Índice de Envelhecimento (IE), 
que mede a relação entre o número 
de pessoas de 60 e mais anos de 
idade, para cada 100 pessoas me-
nores de 15 anos de idade, na popu-
lação residente em determinado espa-
ço geográfico, no ano considerado. O 
processo de envelhecimento caminha 
a passos largos no Brasil e no mundo, 
conforme afirma a revisão de 2019 da 
Divisão de População da ONU. 
Essa mesma revisão informa que, glo-
balmente, o número de idosos, que 
atualmente é de 703 milhões, deverá 
mais do que dobrar nos próximos 30 
anos, atingindo 1,5 bilhão de pesso-
as em 2050. Como parcela da popu-
lação mundial, o número de pesso-
as com 65 anos ou mais e projetada 
para aumentar de 6% hoje para 16% 
até 2050. Regiões que se espera tes-
temunhar o maior número relativo
O aumento do número de idosos in-
clui o norte da África e a Ásia Ociden-
tal (+ 230%), a África Subsaariana (+ 
220%), Oceania (+ 190%), Ásia Cen-
tral e do Sul (+ 180%), América Latina 
e Caribe (+ 160%) e Leste e Sudeste 
da Ásia (+ 120%).
Esse índice, ao refletir o envelhecimento 
populacional, auxilia a formulação, ges-
tão e avaliação de políticas públicas nas 
áreas de saúde e de previdência social. 
Valores elevados desse índice indicam 
que a transição demográfica encontra-
-seem estágio avançado. 
ÍNDICE DE 
ENVELHECIMENTO
Reflete o envelhecimento 
populacional, auxiliando a 
formulação, gestão e avaliação 
de políticas públicas nas áreas de 
saúde e de previdência social. 
População ≥ 60 anos
Populaçãolegislações trabalhistas 
e previdenciárias. Em resposta a um 
longo processo de luta dos traba-
lhadores por melhores condições 
de vida e de trabalho, passou a se 
constituir um sistema previdenciário, 
caracterizado, inicialmente, pela cria-
ção das CAPS, pelas empresas para 
seus empregados, e que incluíam as 
assistências médica e farmacêutica 
entre os benefícios oferecidos.
23SAÚDE COLETIVA
SE LIGA! A lei de criação das Caixas de 
Aposentadorias e Pensões, de 1923, é 
considerada a primeira lei de previdên-
cia social. Também conhecida como Lei 
Elói Chaves, nome do autor do projeto, 
ela concedia aos trabalhadores associa-
dos às Caixas ajuda médica, aposenta-
doria, pensões para dependentes e au-
xílio funerário.
A criação das CAPs não era uma ini-
ciativa pensando na saúde pública. O 
grande exemplo disso é quando pen-
samos nos primeiros beneficiários: 
portuários e marítimos. Essas cate-
gorias eram essenciais, com isso, pre-
cisávamos deles saudáveis para que 
os produtos fossem exportados cor-
retamente, ou seja, era uma iniciativa 
econômica. 
Dada a insuficiência de recursos para 
a instalação e manutenção de redes 
próprias de serviços de saúde, as cai-
xas passaram, desde cedo, a comprar 
serviços da iniciativa privada, estimu-
lando o desenvolvimento de um setor 
empresarial médico. 
CAPS
Aposentadoria Ajuda médica Auxílio funerário Pensões para 
dependentes
Concedia aos 
trabalhadores 
associados
Criadas pela 
Lei Elói Chaves
Os primeiros 
beneficiários foram os 
portuários e marítimos
SE LIGA! Na República Velha, a população que não tinha 
acesso às Caixas de Aposentadoria e Pensões deixava a 
sua saúde à cargo das Santas Casas de Misericórdia e da 
Medicina Liberal, que ainda estava em vigor no país.
O Estado, nesse momento, era responsável pela vacinação 
da população e estava realizando o Saneamento do Porto 
de Santos, a diminuir a propagação de doenças nessa lo-
calização e, consequentemente, melhorar a economia.
24SAÚDE COLETIVA
Institutos de aposentadorias e 
pensões (IAPs)
A partir de 1930, durante o processo 
de centralização política e adminis-
trativa do primeiro Governo Vargas e 
do Estado Novo, o Estado começou a 
participar diretamente da saúde pú-
blica, ao criar os IAPs, que absorveram 
as CAPs. Diferentemente dos CAPs, 
que eram de empresas específicas, 
os IAPs eram relativos a categorias. 
Dessa forma, foi criado o Instituto de 
Aposentadoria e Pensões dos Marí-
timos (IAPM) em junho de 1933, ao 
qual se seguiram o dos Comerciários 
(IAPC) em maio de 1934, o dos Ban-
cários (IAPB) em julho de 1934, o dos 
Industriários (IAPI) em dezembro de 
1936, e os de outras categorias pro-
fissionais nos anos seguintes. Em fe-
vereiro de 1938, foi criado o Instituto 
de Previdência e Assistência aos Ser-
vidores do Estado (IPASE).
SE LIGA! Como a expectativa de vida 
da população ainda era baixa, muitos 
dos contribuintes dos IAPs morriam 
ainda jovens, fazendo com que esses 
Institutos não tivessem muitos gastos 
com aposentadorias. Com o acúmulo de 
dinheiro, muitos IAPs criaram hospitais 
para atender as categorias, objetivando 
apenas a cura das doenças e manuten-
ção dos trabalhadores saudáveis sem a 
perda de mão de obra.
Após 1945, os Institutos de Aposen-
tadoria e Pensões expandiram suas 
áreas de atuação, que passaram a 
incluir serviços na área de alimenta-
ção, habitação e saúde. Essa amplia-
ção de funções, porém, não foi acom-
panhada da necessária reformulação 
da sua gestão financeira, o que acar-
retou sérios problemas posteriormen-
te. A falta de um planejamento central 
foi também responsável por graves 
disparidades na qualidade do atendi-
mento oferecido às diversas catego-
rias profissionais. Nesse período, as 
pessoas que não tinham acesso aos 
IAPs novamente ficavam a mercê das 
Santas Casas de Misericórdia. 
A saúde pública ainda estava foca-
da no combate às doenças trans-
missíveis, mas em 1953 é formado 
o Ministério da Saúde, dando uma 
maior esperança para a população 
necessitada. 
Instituto nacional de previdência 
social (INPS)
Em novembro de 1966, com a refor-
ma previdenciária, todos institutos 
que atendiam aos trabalhadores do 
setor privado (dos marítimos (IAPM), 
dos comerciários (IAPC), dos bancá-
rios (IAPB), dos industriários (IAPI), 
dos empregados em transportes e 
cargas (IAPETEC) e o dos ferroviá-
rios e empregados em serviços pú-
blicos (IAPFESP)) foram unificados 
no Instituto Nacional de Previdência 
Social (INPS). Todos os trabalhado-
res formais dessas categorias, que 
contribuíam, tinham acesso ao fundo 
25SAÚDE COLETIVA
do INPS; já os trabalhadores que não 
eram dessas categorias, só teriam 
acesso ao fundo do INPS se contribu-
íssem de forma dobrada.
Os benefícios do INPS consistiam em 
aposentadorias (por invalidez, ve-
lhice ou tempo de serviço), pensões, 
auxílios (natalidade, doença, funeral 
etc.), abonos, pecúlios, salários-fa-
mília, salários-maternidade e segu-
ros por acidente de trabalho.
Desde o seu início, o INPS apresentou 
uma política de assistência médica 
com prioridade para a contratação de 
serviços de terceiros, em detrimen-
to dos serviços médicos próprios da 
previdência social. O funcionamento 
dessa política privilegiava o setor pri-
vado, a partir do momento que eles fi-
nanciavam a construção de hospitais 
privados, credenciavam esses hospi-
tais para a compra de serviços pelo 
INPS e estabeleciam convênios com 
empresas, através do qual o INPS 
lhes devolvia parte de sua contribui-
ção previdenciária desde que elas as-
sumissem os encargos de assistência 
médica de seus empregados. 
A grande movimentação financei-
ra em torno do Estado e setor priva-
do resultou em investimentos fora 
da educação, como a construção da 
ponte Rio-Niteroi, além de diversos 
escândalos de fraude.
SAIBA MAIS! 
Foi somente com a constituição de 1988, ao destinar um orçamento próprio para a Segurida-
de Social, que a Assembleia Constituinte assegurou proteção jurídica contra a utilização de 
seus recursos para outros fins, impedindo assim o desvio de recursos destinados à Previdên-
cia Social.
“Artigo 167 / VIII - a utilização, sem autorização legislativa específica, de recursos dos orça-
mentos fiscal e da seguridade social para suprir necessidade ou cobrir déficit de empresas, 
fundações e fundos, inclusive dos mencionados no art. 165, § 5º”
Nestes termos, a Constituição Federal de 1988, proibiu a utilização de recursos da Segurida-
de Social para outros fins, salvo se houver, nesse caso, autorização do Congresso Nacional e, 
ainda assim, desde que não sejam utilizados recursos provenientes das contribuições sociais 
efetuadas pelas empresas sobre a folha de salários e pelos empregados.
26SAÚDE COLETIVA
INPS
Surgiram com a reforma 
previdenciária
Resultado da 
unificação dos IAPs
Concedia aos 
trabalhadores associados
Tinham acesso ao fundo Política de assistência médica 
priorizando o setor privado
Aposentadorias e pensões
Salário-família e 
salário-maternidade
Auxílios natalidade, 
doença, funeral etc.
Seguros por 
acidente de trabalho
Financiamento 
para a construção de 
hospitais privados
Credenciamento desses 
hospitais para a compra de 
serviços pelo INPS
Convênio com 
empresas privadas para 
troca de serviços
Trabalhadores formais 
das categorias atendidas
Trabalhadores formais de 
outras categorias
Contribuindo de 
forma dobrada
27SAÚDE COLETIVA
O instituto nacional de assistência 
médica da previdência social 
(INAMPS)
Com o desmembramento do Insti-
tuto Nacional de Previdência Social 
(INPS), que hoje é o Instituto Nacional 
de Seguridade Social (INSS), surgiu o 
INAMPS. O Instituto dispunha de es-
tabelecimentos próprios, mas a maior 
parte do atendimento era realizado 
pela iniciativa privada e os convê-
nios estabeleciam a remuneração 
por procedimento.
SE LIGA! O INAMPS representava uma 
política de saúde com viés econômico, 
que não visava o bem estar do cidadão 
brasileiro, já que ele surgiu, como os ou-
tros sistemas de saúdeaté então, a par-
tir da pressão de indústrias e grandes 
empresas do país para que seus funcio-
nários não perdessem dias de trabalho 
e que, caso doentes, pudessem retornar 
ao serviço com mais agilidade.
INAMPS
Modelo assistencialista Política de atendimento
Excludente
Hospitalocêntrico e curativista
Centralizado
Possuíam 
estabelecimentos próprios
Muitos atendimentos eram 
realizados através do setor privado
Estabeleciam convênios que 
remuneravam por procedimentos
Cada procedimento tinha 
um preço e um código
Realizavam pacotes 
de procedimentos
Utilizavam os códigos de 
procedimentos mais caros
O governo fazia pacotes de proce-
dimentos, por exemplo, ele poderia 
pagar por uma determinada quan-
tidade de radiografias e outra quan-
tidade de apendicectomias e esses 
procedimentos eram “lançados” no 
sistema através de um código. Esse 
tipo de sistema dava lugar a fraudes, 
onde um procedimento era realiza-
do, mas se utilizava o código de outro 
que o governo pagava um valor mais 
elevado.
Até esse momento, a atuação do Minis-
tério da Saúde se resumia às atividades 
de promoção de saúde e prevenção de 
doenças (por exemplo, campanhas de 
vacinação e controle de epidemias), re-
alizadas em caráter universal, e à assis-
tência médico-hospitalar para poucas 
28SAÚDE COLETIVA
doenças. Ou seja, não existia uma polí-
tica de saúde que atendia a população 
que não tinha acesso ao atendimen-
to pelo Instituto Nacional de Assis-
tência Médica da Previdência Social 
(INAMPS), criado em 1974, já que esse 
Instituto atendia somente a população 
formada por aqueles que trabalhavam 
em empregos formais e contribuíam 
com a Previdência Social.
SE LIGA! Em 1984, as pessoas desem-
pregadas representavam 7,1% da po-
pulação economicamente ativa. Essas 
pessoas não tinham acesso aos servi-
ços oferecidos pelo INAMPS e tinham 
que recorrer ao sistema privado ou aos 
poucos serviços municipais, estaduais 
e de instituições assistencialistas, como 
Santas Casas de Misericórdia ou hospi-
tais universitários.
Nessa época, Municípios e Estados 
que possuíam capacidade orçamen-
tária podiam atender a população 
por meio de seus próprios postos de 
saúde ou hospitais, além dos serviços 
básicos. Aqueles com menos dinhei-
ro ficavam limitados às campanhas 
financiadas pelo Governo Federal. 
A reforma sanitária brasileira
O movimento da Reforma Sanitária bra-
sileira se iniciou no início da década de 
70, como forma de oposição ao regime 
militar, no meio acadêmico, mas se es-
tendendo por outros setores da socie-
dade, incluindo o partido de oposição 
da época — o Movimento Democrático 
Brasileiro (MDB), atual Partido do Movi-
mento Democrático Brasileiro (PMDB). 
A crise do financiamento da previdên-
cia social repercutiu no INAMPS, que 
começou o seu declínio no final da dé-
cada de 80, especialmente por consti-
tuir um sistema com inúmeros casos 
de corrupção e fraudes de prestado-
res privados. Ao longo dessa década, 
o Instituto passou por sucessivas mu-
danças, com democratização e univer-
salização progressiva do atendimento, 
já em uma transição para o SUS.
Figura 12. Fonte: http://politicasemfake.blogspot.
com/2017/01/governo-itamar-franco.html
29SAÚDE COLETIVA
SE LIGA! As modificações ocorridas no INAMPS no 
final da década de 80 advinham da compreensão de 
que mesmo a população que não tem carteira assi-
nada paga impostos, com isso, essas pessoas devem 
ter acesso aos serviços públicos.
REFORMA 
SANITÁRIA
Movimento com ampla 
participação popular
Buscavam um novo 
modelo de saúde
Profissionais de saúde
Estudantes
Políticos
Universal
Visa a cura, mas 
também a prevenção
Descentralizado
Ampla participação popular
Saúde como um 
direito de todos
Cada região tem 
as suas demandas
Onde os usuários têm voz
O INAMPS foi extinto em 1993, com 
a Lei n° 8.689, em meio a um pro-
cesso gradual de implementação da 
saúde pública integral e universal que 
vinha sendo construída antes mesmo 
da criação do SUS.
8ª Conferência nacional 
de saúde
Figura 13. Fonte: http://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/reportagem/
oitava-conferencia-nacional-de-saude-o-sus-ganha-forma
A 8ª Conferência Nacio-
nal de Saúde (CNS) ocor-
reu entre 17 e 21 de mar-
ço de 1986, no mandato 
do presidente José Sarney, 
primeiro presidente do pós 
ditadura, sendo um marco 
importante na história do 
SUS e na propagação do 
movimento da Reforma 
Sanitária Brasileira.
30SAÚDE COLETIVA
SE LIGA! O relatório final da 8ª CNS 
aponta a importante conclusão de que 
as mudanças necessárias para a melho-
ria do sistema de saúde brasileiro não 
seriam alcançadas apenas com uma 
reforma administrativa e financeira. Era 
preciso que se ampliasse o conceito de 
saúde e se fizesse uma revisão da legis-
lação. Em outras palavras, era preciso 
implantar uma Reforma Sanitária.
Durante a 8ª CNS foram debatidos 
três temas principais: ‘A saúde como 
dever do Estado e direito do cida-
dão’, ‘A reformulação do Sistema 
Nacional de Saúde’ e ‘O financia-
mento setorial’; e o seu resultado foi 
a implantação do Sistema Unificado 
e Descentralizado de Saúde (SUDS), 
um convênio entre o INAMPS e os 
governos estaduais. Além disso, foi 
durante a conferência que foi criada a 
Comissão Nacional da Reforma Sani-
tária (CNRS), que funcionou de agos-
to de 1986 a maio de 1987, com a 
função de trabalhar tecnicamente em 
um documento para ser entregue à 
Assembleia Nacional Constituinte.
Foi através da CNRS que foi elabora-
do o documento com todo o arcabou-
ço técnico sobre a criação do SUS, 
que foi enviado à Comissão da Ordem 
Social e, de lá, foi para a Comissão de 
Sistematização, que era responsável 
por elaborar o projeto final da Consti-
tuição de 1988. 
A CONSTITUIÇÃO DE 1988
O direito à saúde foi inserido na 
Constituição Federal de 1988 no seu 
Art. 6º, onde ela estabelece a saúde 
como direito social fundamental:
“Art. 6º: São direitos sociais a educa-
ção, a saúde, a alimentação, o traba-
lho, a moradia, o transporte, o lazer, 
a segurança, a previdência social, a 
proteção à maternidade e à infância, 
a assistência aos desamparados, na 
forma desta Constituição.”
Em seguida, no Art. 196, a Consti-
tuição Federal de 1988 reconhece a 
saúde como direito de todos e de-
ver do Estado, garantido mediante 
políticas sociais e econômicas que 
visem à redução do risco de doença 
e de outros agravos e ao acesso uni-
versal e igualitário às ações e servi-
ços para sua promoção, proteção e 
recuperação.
Os artigos 197 e 198 também confir-
mam a criação do sistema público de 
saúde de que dispomos hoje. O Arti-
go 197 declara serem de relevância 
pública essas ações e serviços, ca-
bendo ao poder público dispor sobre 
sua regulamentação, execução e fis-
calização; e o Artigo 198 determina 
a organização das ações e serviços 
públicos de saúde por meio de uma 
rede regionalizada e hierarquizada, 
constituindo um sistema único, sob 
diretrizes de descentralização, aten-
dimento integral e participação da 
comunidade. 
31SAÚDE COLETIVA
SE LIGA! Através do site abaixo você 
terá acesso a toda a Constituição Bra-
sileira: http://www.planalto.gov.br/cci-
vil_03/constituicao/constituicao.htm
O sus hoje
Hoje, mais de 30 anos após a criação 
do SUS, temos um sistema de prote-
ção social de grande impacto; um dos 
maiores e mais complexos sistemas 
de saúde pública do mundo, abran-
gendo desde o simples atendimen-
to para avaliação da pressão arterial, 
por meio da Atenção Primária, até o 
transplante de órgãos, garantindo 
acesso integral, universal e gratuito 
para toda a população do país.
O seu impacto tem relação com a 
atenção integral à saúde, e 
não somente aos cuidados 
assistenciais; com o foco na 
saúde com qualidade de vida; 
com a prevenção e promoção 
de saúde e com o seu caráter 
universal, sendo um direito de 
todos os brasileiros.
O Programa Nacional de 
Imunização (PNI), reconheci-
do internacionalmente, é res-
ponsável por 98% do merca-
do de vacinas do país. O Brasil 
garante à população acesso gratuitoa todas as vacinas recomendadas 
pela Organização Mundial de Saúde 
(OMS), disponibilizando 17 vacinas 
para combater mais de 20 doenças, 
em diversas faixas etárias, na rede 
pública de todo o país. Há ainda ou-
tras 10 vacinas especiais para grupos 
em condições clínicas específicas, 
como portadores de HIV, disponíveis 
nos Centros de Referência para Imu-
nobiológicos Especiais (CRIE).
Entretanto, falta de leitos hospitalares, 
insatisfação dos profissionais com as 
condições de trabalho, insatisfação 
da população com a dificuldade do 
acesso e escassez de recursos cons-
tituem o cenário de grande parte do 
Sistema Único de Saúde. 
O SUS, assim como outros setores, é 
passível de fraudes e corrupção que 
permitem esse cumprimento desfa-
vorável dos direitos assegurados pela 
Constituição brasileira.
Figura 14. Fonte: https://www.acritica.com/channels/cotidiano/
news/consultas-e-exames-pelo-sus-criam-filas-virtuais
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
32SAÚDE COLETIVA
Atenção primária
Através da Portaria nº 2.436, de 21 
de setembro de 2017, o Ministério da 
Saúde aprova a Política Nacional de 
Atenção Básica - PNAB, com vis-
tas à revisão da regulamentação de 
implantação e operacionalização vi-
gentes, no âmbito do Sistema Único 
de Saúde (SUS), estabelecendo-se as 
diretrizes para a organização do com-
ponente Atenção Básica, na Rede de 
Atenção à Saúde (RAS).
Figura 15. Fonte: http://g1.globo.com/sp/mogi-das-cruzes-suzano/noticia/2013/03/medica-do-samu-e-detida-com-
-seis-dedos-de-silicone-em-ferraz.html
33SAÚDE COLETIVA
CONCEITO: Os termos Atenção Básica 
(AB) e Atenção Primária à Saúde (APS) 
são termos equivalentes!
ATENÇÃO 
BÁSICA
Conjunto de ações de saúde 
individuais, familiares e coletivas
Práticas de cuidado integrado
Gestão através de uma 
equipe multiprofissional
Política de territorialização
Visam a
Promoção
Prevenção
Proteção
Diagnóstico
Tratamento
Reabilitação
Redução de danos
Cuidados paliativos
Vigilância em saúde
Segundo a portaria, a Atenção Básica 
é o “conjunto de ações de saúde indivi-
duais, familiares e coletivas que envol-
vem promoção, prevenção, proteção, 
diagnóstico, tratamento, reabilitação, 
redução de danos, cuidados paliativos 
e vigilância em saúde, desenvolvida 
por meio de práticas de cuidado inte-
grado e gestão qualificada, realizada 
com equipe multiprofissional e dirigida 
à população em território definido, so-
bre as quais as equipes assumem res-
ponsabilidade sanitária.”
A Atenção Básica orienta-se pe-
los princípios e diretrizes do SUS, 
a partir dos quais assume funções e 
características específicas. Considera 
as pessoas em sua singularidade e 
inserção sociocultural, buscando pro-
duzir a atenção integral, por meio da 
promoção da saúde, da prevenção de 
doenças e agravos, do diagnóstico, do 
tratamento, da reabilitação e da redu-
ção de danos ou de sofrimentos que 
possam comprometer sua autonomia.
Princípios da atenção básica
São três os princípios da atenção bá-
sica e eles são os mesmos do SUS e 
da RAS:
• Universalidade: corresponde ao 
princípio que possibilita o acesso 
34SAÚDE COLETIVA
universal e contínuo a serviços de 
saúde de qualidade e resolutivos. 
A atenção básica é a principal por-
ta de entrada e centro de comu-
nicação da RAS, com o caráter de 
acolher a população sem distinção 
de idade, gênero, raça/cor, etnia, 
crença, nacionalidade, orientação 
sexual, identidade de gênero, es-
tado de saúde, condição socioe-
conômica, escolaridade, limitação 
física, intelectual, funcional etc. 
• Equidade: corresponde a oferta de 
cuidado, entendendo que todo ser 
humano é único, com suas diferen-
ças de condições de vida e saúde, 
sendo assim apresentam neces-
sidades diferentes. Esse princípio 
considera que o direito à saúde 
passa pelas diferenciações sociais 
e deve atender à diversidade, a fim 
de minimizar desigualdades, evi-
tar exclusão social de grupos que 
possam vir a sofrer estigmatização 
ou discriminação; de maneira que 
impacte na autonomia e na situa-
ção de saúde.
• Integralidade: esse princípio exis-
te para que não esqueçamos que o 
indivíduo é um ser biopsicossocial 
e integral, ou seja, ele precisa ser 
atendido não somente para tratar 
doenças físicas, mas sim ter um 
atendimento que cubra as suas 
necessidades biológicas, psico-
lógicas, ambientais e sociais. Ou 
seja, corresponde ao conjunto de 
serviços executados pela equipe 
de saúde que atendam às neces-
sidades da população adscrita nos 
campos do cuidado, da promoção 
e manutenção da saúde, da pre-
venção de doenças e agravos, da 
cura, da reabilitação, redução de 
danos e dos cuidados paliativos. 
PRINCÍPIOS 
DA ATENÇÃO 
BÁSICA
Universalidade Equidade Integralidade
A saúde é um direito de 
cidadania de todas as pessoas 
e cabe ao Estado assegurar 
este direito, sendo que o acesso 
às ações e serviços deve ser 
garantido a todas as pessoas, 
independentemente de sexo, raça, 
ocupação ou outras características 
sociais ou pessoais.
Apesar de todas as pessoas 
possuírem direito aos serviços, 
as pessoas não são iguais e, por 
isso, têm necessidades distintas. 
Em outras palavras, equidade 
significa tratar desigualmente os 
desiguais, investindo mais onde a 
carência é maior.
Este princípio considera 
as pessoas como um todo, 
atendendo a todas as suas 
necessidades. Para isso, é 
importante a integração de 
ações, incluindo a promoção da 
saúde, a prevenção de doenças, o 
tratamento e a reabilitação.
35SAÚDE COLETIVA
Diretrizes da atenção básica
• Regionalização e Hierarquiza-
ção: como dito anteriormente, a 
atenção básica é a principal porta 
de entrada e comunicação da RAS. 
As regiões de saúde são um recor-
te espacial estratégico para fins de 
planejamento, organização e ges-
tão de redes de ações e serviços de 
saúde em determinada localidade, 
e a hierarquização como forma de 
organização de pontos de atenção 
da RAS entre si, com fluxos e refe-
rências estabelecidos.
ALTA 
COMPLEXIDADE
MÉDIA 
COMPLEXIDADE
ATENÇÃO 
BÁSICA
• Territorialização e Adstrição: cor-
responde à demarcação de limites 
das áreas de atuação dos serviços, 
reconhecimento do ambiente, po-
pulação e dinâmica social de forma 
a permitir o planejamento, a pro-
gramação descentralizada e o de-
senvolvimento de ações setoriais e 
intersetoriais com foco em um ter-
ritório específico, com impacto na 
situação, nos condicionantes e de-
terminantes da saúde das pesso-
as e coletividades que constituem 
aquele espaço e estão, portanto, 
adstritos a ele. Território é então 
uma unidade geográfica única, 
de construção descentralizada do 
SUS na execução das ações es-
tratégicas destinadas à vigilância, 
promoção, prevenção, proteção e 
recuperação da saúde. 
• População Adscrita: população 
que está presente no território da 
UBS, de forma a estimular o de-
senvolvimento de relações de vín-
culo e responsabilização entre as 
equipes e a população, garantindo 
a continuidade das ações de saúde 
e a longitudinalidade do cuidado e 
com o objetivo de ser referência 
para o seu cuidado.
36SAÚDE COLETIVA
SAIBA MAIS! As diferenças entre UBS, ESF e UPA!
As Unidades Básicas de Saúde (UBS), popularmente conhecidas como postos de saúde, 
são locais onde o cidadão pode receber os atendimentos gratuitos essenciais em saúde da 
criança, da mulher, do adulto e do idoso, além de odontologia, requisições de exames por 
equipes multiprofissionais e acesso a medicamentos. Na UBS, o clínico geral também pode 
marcar consultas para procedimentos eletivos e exames mais específicos com especialistas 
da rede pública ou em clínicas credenciadas à Prefeitura por meio de licitação.
As Unidades de Saúde da Família (USF) tem seu atendimento voltado para a atenção pri-
mária, assim como na UBS e realiza acompanhamento de pessoas com doenças crônicas, 
como diabetes e hipertensão. Uma USF realiza estratégias de promoção de saúde com gru-
pos de moradoresde cada território, por meio de agentes comunitários e assistentes sociais. 
As UBS e USF, juntas, resolvem grande parte dos problemas de saúde da população do zo-
neamento que está sob sua responsabilidade. 
As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) reorganizam a urgência e a emergência dos 
hospitais do SUS, sendo responsáveis por prestar atendimento de média complexidade. Em 
uma UPA, um paciente consegue ter, muitas vezes, atendimento sem a necessidade de en-
caminhamento ao pronto-socorro hospitalar. Nessas unidades, o usuário é avaliado de acor-
do com a classificação de risco, podendo ser liberado ou permanecer em observação por até 
24 horas ou, se preciso, ser referenciado ao hospital de referência.
Figura 17. Fonte: https://www.novohamburgo.rs.gov.br/noticia/entenda-diferencas-ubsusf-upa
conduz o paciente para um trata-
mento mais adequado, deixando 
então o sistema de saúde mais 
eficiente, reduzindo filas desne-
cessárias nos estabelecimentos de 
saúde. Os governantes, profissio-
nais de saúde e outros profissio-
nais buscam melhorar a qualidade 
• Cuidado Centrado na Pessoa: 
significa que os serviços da saú-
de devem estar voltados para as 
necessidades específicas de cada 
um, trazendo benefícios como agi-
lidade para estabelecer a sua saú-
de. O profissional da saúde tem 
agilidade no seu atendimento, 
37SAÚDE COLETIVA
dos serviços ofertados. O cuidado 
centrado na pessoa auxilia essas 
pessoas a desenvolverem os co-
nhecimentos, aptidões, competên-
cias e a confiança necessária para 
gerir e tomar decisões embasa-
das sobre sua própria saúde e seu 
cuidado de saúde de forma mais 
efetiva. 
• Resolutividade: a Atenção básica 
deve ser capaz de resolver a gran-
de maioria dos problemas de saú-
de da população, coordenando o 
cuidado do usuário em outros pon-
tos da RAS, quando necessário. O 
sistema deve articular diferentes 
tecnologias de cuidado individual 
e coletivo, por meio de uma clínica 
ampliada capaz de construir víncu-
los positivos e intervenções clínica 
e sanitariamente efetivas, centra-
da na pessoa, na perspectiva de 
ampliação dos graus de autonomia 
dos indivíduos e grupos sociais.
• Longitudinalidade do cuidado: 
pressupõe a continuidade da rela-
ção de cuidado, com construção de 
vínculo e responsabilização entre 
profissionais e usuários ao longo 
do tempo e de modo permanente 
e consistente, acompanhando os 
efeitos das intervenções em saú-
de e de outros elementos na vida 
das pessoas, evitando a perda de 
referências e diminuindo os riscos 
de iatrogenia que são decorrentes 
do desconhecimento das histórias 
de vida e da falta de coordenação 
do cuidado.
Cuidado
Profissional 
de Saúde
Pessoa e 
Família
Longitudinalidade 
do cuidado
• Coordenar o cuidado: A Atenção 
Básica atua como o centro de co-
municação entre os diversos pon-
tos de atenção, responsabilizando-
-se pelo cuidado dos usuários em 
qualquer destes pontos através de 
uma relação horizontal, contínua e 
integrada, com o objetivo de pro-
duzir a gestão compartilhada da 
atenção integral. Tem a missão de 
elaborar, acompanhar e organizar 
o fluxo dos usuários entre os pon-
tos de atenção das RAS.
• Ordenar as redes: reconhecer as 
necessidades de saúde da popu-
lação sob sua responsabilidade, 
organizando as necessidades des-
ta população em relação aos ou-
tros pontos de atenção à saúde, 
38SAÚDE COLETIVA
contribuindo para que o plane-
jamento das ações, assim como, 
a programação dos serviços de 
saúde, parta das necessidades de 
saúde das pessoas.
• Participação da comunidade: es-
timular a participação das pesso-
as, a orientação comunitária das 
ações de saúde na Atenção Básica 
e a competência cultural no cui-
dado, como forma de ampliar sua 
autonomia e capacidade na cons-
trução do cuidado à sua saúde e 
das pessoas e coletividades do 
território. 
POPULAÇÃO ADSCRITA
LONGITUDINALIDADE
DO CUIDADO
CUIDADO CENTRADO
NA PESSOA
COORDENAÇÃO
DO CUIDADO
RESOLUTIVIDADE
REGIONALIZAÇÃO
E HIERARQUIZAÇÃO
ORDENAÇÃO DA REDE PARTICIPAÇÃO
DA COMUNIDADE
TERRITORIALIZAÇÃO
DIRETRIZES
Características da atenção básica
A Atenção Básica é conhecida pelo 
seu trabalho multidisciplinar, 
onde cada unidade tem uma equipe 
estabelecida.
• Equipe de Saúde da Família 
(eSF) e equipe de Atenção Bási-
ca (eAB): são equipes compostas, 
no mínimo, por médico (preferen-
cialmente da especialidade me-
dicina de família e comunidade), 
enfermeiro (preferencialmente es-
pecialista em saúde da família), au-
xiliar e/ou técnico de enfermagem 
e agente comunitário de saúde 
(ACS) (cada equipe é responsável 
por por uma média de 2000-3500 
pessoas). Podendo fazer parte da 
equipe o agente de combate às 
endemias (ACE) e os profissionais 
de saúde bucal: cirurgião-dentis-
ta (preferencialmente especialista 
em saúde da família) e auxiliar ou 
técnico em saúde bucal. O núme-
ro de ACS por equipe deverá ser 
definido de acordo com base po-
pulacional, critérios demográficos, 
epidemiológicos e socioeconômi-
cos, de acordo com definição local 
39SAÚDE COLETIVA
(cada ACS não pode ultrapassar o 
número de 750 pessoas).
• Equipe de Saúde Bucal (eSB): Os 
profissionais de saúde bucal que 
compõem as equipes de Saúde da 
Família (eSF) e de Atenção Básica 
(eAB) e de devem estar vinculados 
à uma UBS ou a Unidade Odonto-
lógica Móvel, podendo se organi-
zar nas seguintes modalidades:
◊ Modalidade I: Cirurgião-den-
tista e auxiliar em saúde bu-
cal (ASB) ou técnico em saúde 
bucal (TSB) e;
◊ Modalidade II: Cirurgião-den-
tista, TSB e ASB, ou outro TSB.
• Equipe do Núcleo Ampliado de 
Saúde da Família e Atenção Bá-
sica (Nasf-AB): é formada por 
diferentes ocupações (profissões 
e especialidades) da área da saú-
de, atuando de maneira integrada 
para dar suporte (clínico, sanitário 
e pedagógico) aos profissionais 
das equipes de Saúde da Família 
(eSF) e de Atenção Básica (eAB).
Núcleo ampliado de saúde da 
família e atenção básica (Nasf-AB)
Os Nasf-AB não se constituem como 
serviços com unidades físicas inde-
pendentes ou especiais e não são 
de livre acesso para atendimento 
individual ou coletivo (estes, quan-
do necessários, devem ser regulados 
pelas equipes que atuam na Atenção 
Básica). Devem, a partir das deman-
das identificadas no trabalho conjun-
to com as equipes, atuar de forma in-
tegrada à Rede de Atenção à Saúde 
e seus diversos pontos de atenção, 
além de outros equipamentos so-
ciais públicos/privados, redes sociais 
e comunitárias.
SE LIGA! O Nasf-AB não é porta de en-
trada para a Rede de Atenção à Saúde!
Competências do Nasf-AB:
• Participar do planejamento con-
junto com as equipes que atuam 
na Atenção Básica à que estão 
vinculadas.
• Contribuir para a integralidade do 
cuidado aos usuários do SUS prin-
cipalmente por intermédio da am-
pliação da clínica, auxiliando no au-
mento da capacidade de análise e 
de intervenção sobre problemas e 
necessidades de saúde, tanto em 
termos clínicos quanto sanitários.
• Realizar discussão de casos, aten-
dimento individual, compartilhado, 
interconsulta, construção conjunta 
de projetos terapêuticos, educa-
ção permanente, intervenções no 
território e na saúde de grupos po-
pulacionais de todos os ciclos de 
vida, e da coletividade, ações in-
tersetoriais, ações de prevenção e 
promoção da saúde, discussão do 
40SAÚDE COLETIVA
processo de trabalho das equipes 
dentre outros, no território.
Poderão compor os Nasf-AB: Mé-
dico Acupunturista; Assistente Social; 
Profissional/Professor de Educação 
Física; Farmacêutico; Fisioterapeuta; 
Fonoaudiólogo; Médico Ginecologista/
Obstetra; Médico Homeopata; Nutri-
cionista; Médico Pediatra; Psicólogo; 
Médico Psiquiatra; Terapeuta Ocu-
pacional; Médico Geriatra; Médico 
Internista (clinica médica), Médico do 
Trabalho, Médico Veterinário, profis-
sional com formação em arte e edu-
cação (arte educador) e profissional 
de saúde sanitarista.
SAÚDE MENTAL
SAÚDE DA CRIANÇA, 
ADOLESCENTE E JOVEM
SAÚDE DA MULHER
ATIVIDADES FÍSICAS E 
PRÁTICAS CORPORAIS
ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
PRÁTICASINTEGRATIVAS E 
PRÁTICAS COMPLEMENTARES
REABILITAÇÃO SERVIÇO SOCIAL
ASSISTÊNCIA 
FARMACÊUTICA
NASF-AB
Financiamento da atenção 
básica
O financiamento da Atenção Bási-
ca é tripartite, com detalhamento 
apresentado pelo Plano Municipal 
de Saúde garantido nos instru-
mentos conforme especificado no 
Plano Nacional, Estadual e Munici-
pal de gestão do SUS. 
No âmbito federal, o montante de 
recursos financeiros destinados à 
viabilização de ações de Atenção 
Básica à saúde compõe o bloco de 
financiamento de Atenção Básica.
ESTADO
FINANCIAMENTO 
DA ATENÇÃO BÁSICA 
(TRIPARTITE)
01
0203
MUNICÍPIO UNIÃO
41SAÚDE COLETIVA
Os repasses dos recursos da Atenção 
Básica aos municípios são efetuados 
em conta aberta especificamente 
para este fim, de acordo com a nor-
matização geral de transferências de 
recursos fundo a fundo do Ministério 
da Saúde com o objetivo de facilitar 
o acompanhamento pelos Conselhos 
de Saúde no âmbito dos municípios, 
dos estados e do Distrito Federal.
O financiamento federal para as 
ações de Atenção Básica deverá ser 
composto por:
• Recursos per capita, que levem em 
consideração aspectos sociode-
mográficos e epidemiológicos: são 
transferido mensalmente, de for-
ma regular e automática, do Fun-
do Nacional de Saúde aos Fundos 
Municipais de Saúde e do Distrito 
Federal com base num valor multi-
plicado pela população do Municí-
pio (definida pelo IBGE).
• Recursos que estão condiciona-
dos à implantação de estratégias e 
programas da Atenção Básica: os 
valores dos incentivos financeiros 
para as equipes de toda a Atenção 
Básica serão prioritários e superio-
res, transferidos a cada mês, tendo 
como base o número de equipes 
registrados no sistema de Cadas-
tro Nacional vigente no mês ante-
rior ao da respectiva competência 
financeira.
• Recursos condicionados à abran-
gência da oferta de ações e 
serviços.
• Recursos condicionados ao de-
sempenho dos serviços de Aten-
ção Básica com parâmetros, apli-
cação e comparabilidade nacional, 
tal como o Programa de Melhoria 
de Acesso e Qualidade.
• Recursos de investimento.
SAIBA MAIS! 
Densidade tecnológica versus Complexidade tecnológica
Quando estamos lidando com as RAS, costumamos definir a Atenção Básica como uma rede 
de baixa complexidade e a Atenção Terciária, como de alta complexidade.
Isso é um erro, tendo em vista o conceito do termo “complexidade”, que significa, “conheci-
mento necessário” para realizar alguma tarefa.
Como na Atenção Básica o atendimento é realizado de crianças à idosos, o “conhecimento 
necessário”, a complexidade, é alta! O que difere essas duas redes são as suas densidades 
tecnológicas.
A densidade é um termo utilizado para se referir à equipamentos tecnológicos que a unidade 
dispõe. Com isso, o que a Atenção Terciária tem de diferente da Atenção Primária é a densi-
dade tecnológica.
42SAÚDE COLETIVA
Ferramentas de gestão clínica
Correspondem a um conjunto de tec-
nologias de microgestão do cuidado 
destinado a promover uma atenção à 
saúde de qualidade. Para a utilização 
dessas ferramentas, deve-se con-
siderar a clínica centrada nas pes-
soas, que seja efetiva, estruturada 
com base em evidências científi-
cas, segura, eficiente, oportuna e 
equitativa.
São exemplos dessas ferramentas 
protocolos e diretrizes clínicas, planos 
de ação, linhas de cuidado, projetos 
terapêuticos singulares, genograma, 
ecomapa, gestão de listas de espera, 
auditoria clínica, indicadores de cui-
dado, entre outras. 
Genograma: facilita a visualização 
do contexto familiar e de suas princi-
pais características, reunindo maiores 
possibilidades de detecção dos as-
pectos psicossociais. Nele são regis-
trados dados de importância para o 
indivíduo, tais como separações, do-
enças, mortes, acidentes, cirurgias e 
internações. Um cronograma familiar, 
com uma lista de eventos importan-
tes que se deseja destacar é coloca-
do ao lado do genograma, para evitar 
excesso de dados no gráfico. Como 
uma radiografia, o genograma permi-
te a leitura rápida e abrangente da or-
ganização familiar em uma única fo-
lha de papel, facilitando a percepção 
da situação psicossocial pelos profis-
sionais de saúde.
SÍMBOLOS UTILIZADOS NO GENOGRAMA
Figura 18. Fonte: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022009000100010
43SAÚDE COLETIVA
Figura 18. Fonte: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022009000100010
LINHAS DE RELACIONAMENTO E MORADIA
LINHAS DE RELACIONAMENTO E MORADIA
Figura 19. Fonte: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022009000100010
44SAÚDE COLETIVA
Ecomapa: é um desenho complemen-
tar ao genograma na compreensão 
da composição e estrutura relacional 
da família. Consiste na representação 
gráfica dos contatos dos membros da 
família com os outros sistemas so-
ciais, incluindo a rede de 
suporte sócio-sanitário.
Pode representar a pre-
sença ou ausência de re-
cursos sociais, culturais e 
econômicos, sendo emi-
nentemente, um retrato 
de um determinado mo-
mento na vida dos mem-
bros da família e, portanto, 
dinâmico.
Entende-se que uma família que tem 
poucas conexões com a comunida-
de, e também entre seus membros, 
necessita de maior investimento 
da enfermagem, para melhorar seu 
bem-estar.
EXEMPLO DE GENOGRAMA E SUA LEITURA INTERPRETATIVA
Figura 20. Fonte: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022009000100010
SERVIÇOS DA 
COMUNIDADE
INDIVÍDUO 
OU FAMÍLIA
CENTRO DE SAÚDE
RELAÇÕES 
SIGNIFICATIVAS
TRABALHO
GRUPOS SOCIAIS
FAMÍLIA EXTENSA LAZER
45SAÚDE COLETIVA
Financiamento do sus
O SUS tem uma clientela potencial de 
quase 200 milhões de pessoas, ten-
do em vista a consagração do acesso 
gratuito à saúde para toda a popula-
ção, através da Constituição de 1988. 
Hoje sabemos que em torno de 70% 
da população brasileira depende 
do SUS como único meio de acesso 
aos serviços de Saúde, cabendo ao 
setor privado atender os outros 30%.
O tamanho da clientela nos dá a di-
mensão da responsabilidade social do 
SUS e, ao mesmo tempo, do desafio de 
financiar o sistema. Desde 1988, o sis-
tema de Saúde brasileiro experimen-
tou diversos mecanismos de financia-
mento, entretanto ainda persistem as 
dificuldades para atingir o volume de 
recursos necessários à melhoria dos 
serviços ofertados à população. Nesse 
período, o sistema conviveu com per-
da de recursos e graves crises.
O Artigo 198 da Constituição de 
1988, parágrafos (§) 1 e 2, discorrem 
sobre o financiamento do SUS, con-
forme descrito abaixo:
§ 1º O sistema único de saúde será 
financiado, nos termos do art. 195, 
com recursos do orçamento da segu-
ridade social, da União, dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios, 
além de outras fontes.
§ 2º A União, os Estados, o Distri-
to Federal e os Municípios aplicarão, 
anualmente, em ações e serviços 
públicos de saúde recursos mínimos 
derivados da aplicação de percentu-
ais calculados sobre:
I - no caso da União, a receita corren-
te líquida do respectivo exercício fi-
nanceiro, não podendo ser inferior a 
15% (quinze por cento);
II - no caso dos Estados e do Distrito 
Federal, o produto da arrecadação dos 
impostos a que se refere o art. 155 e 
dos recursos de que tratam os arts. 157 
e 159, inciso I, alínea a, e inciso II, de-
duzidas as parcelas que forem trans-
feridas aos respectivos Municípios;
III - no caso dos Municípios e do Dis-
trito Federal, o produto da arrecada-
ção dos impostos a que se refere o art. 
156 e dos recursos de que tratam os 
arts. 158 e 159, inciso I, alínea b e § 3º.
Financiamento 
do SUS
Seguridade Social
Estados
Distrito Federal
Municípios
Outras Fontes
União
O que isso tudo quer dizer? Resumida-
mente, significa que o financiamento 
46SAÚDE COLETIVA
das ações e serviços públicos de saú-
de é de responsabilidade das três es-
feras de gestão do Sistema Único 
de Saúde que, de um orçamento total, 
com todos os gastos, existe um per-
centual que deve ser destinado para a 
saúde. Por exemplo, a União: de tudo

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