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Parasitologia 
TRICURÍASE 
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• INTRODUÇÃO 
A tricuríase ou tricocefalíase é causada pelo verme nematelminto Trichuris 
trichiura, que habita preferencialmente a região do ceco do ser humano. Esse 
agente possui a seguinte classificação científica: Reino – Animalia, Filo – Aschel-
minthes, Classe – Nematoda, Ordem – Trichuroidea, Família – Trichuridae, Gê-
nero – Trichuris e Espécie – Trichuris trichiura. 
• EPIDEMIOLOGIA 
Trata-se de uma parasitose intestinal cosmopolita, ou seja, pode ser en-
contrada em praticamente qualquer lugar do mundo Possui alta prevalência nos 
países em desenvolvimento, onde existem condições socioeconômicas desfavo-
ráveis e saneamento básico precário, nas áreas tropicais e subtropicais. Sobre-
tudo em regiões onde as fezes humanas são usadas como adubo para planta-
ções e onde os indivíduos têm como hábito defecarem no solo, como nos ambi-
entes rurais. 
É a terceira infecção parasitária mais frequente no mundo e está relacio-
nada à Ascaridíase, sendo uma Geohelmintíase – doença intestinal causada por 
parasita que acomete o homem e necessita passar por pelo menos 1 etapa do 
ciclo de vida fora do organismos hospedeiro, acarretando a contaminação do 
solo, água e alimentos com os ovos do parasita. Sendo, portanto, de transmissão 
fecal-oral. 
Atualmente, estima-se que existam cerca de 800 milhões de pessoas in-
fectadas pelo Trichuris. As crianças na faixa etária de 5 a 14 anos são as mais 
acometidas e também, o grupo de consumidores de vegetais crus e frutas culti-
vados rasteiramente no solo adubado com esgoto. 
 
 
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• TRANSMISSÃO E CICLO BIOLÓGICO 
 O Trichuris trichiura possui duas formas evolutivas: Ovo e Verme adulto. 
O ovos são a forma ambiental de resistência do parasita, com formato de barril 
ou bola de futebol americano ou limão, com formato ovoide, operculados nas 
extremidades, embrionados, com tamanho variável (45 a 65µm de comprimento 
e 20 a 29µm de largura), podendo sobreviver até 5 anos no ambiente com con-
dições ideias de temperatura (20 a 30ºC) e umidade. Os vermes adultos possuem 
o corpo cilíndrico, com dimorfismo sexual (macho e fêmea), conhecido como 
“lombriga chicote”, possuindo uma extremidade mais afilada com a boca sem 
lábios seguida de esôfago delgado e uma extremidade mais grossa com o sis-
tema reprodutor simples e intestino. 
A principal via de transmissão da Tricuríase é a fecal-oral, pela ingestão 
de água e alimentos contaminados por fezes contendo os ovos maduros, con-
tendo as larvas do parasita. E, também, pelo contato direto da mão contaminada 
com a mucosa oral. A transmissão mecânica por moscas e formigas também 
deve ser considerada, uma vez que esses animais carreiam aderidos às suas pa-
tas os ovos maduros do trichuris, após pousarem ou passarem por ambientes 
contaminados por fezes. 
 O ciclo biológico do Trichuris trichiura é monoxêmico, contando com ape-
nas um hospedeiro para se completar – no caso, o ser humano (reservatório). Os 
ovos ainda imaturos são liberados no ambiente e levam de 2 a 3 semanas para 
se tornarem infectantes. Podendo permanecer no ambiente externo até 5 anos. 
Ao serem ingeridos pelo homem, os ovos embrionados terão suas cascas dissol-
vidas pelos sucos entéricos e as larvas serão liberadas nas últimas porções do 
intestino delgado, já próximas ao ceco. Essas larvas vão penetrar nas criptas pre-
sentes nas glândulas cecais, permanecendo na mucosa intestinal. Passarão por 
fases de maturação até se tornarem vermes adultos. Esses ficarão aderidos à 
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mucosa pela porção anterior, causando traumas constantes na região e se ali-
mentando diariamente do sangue do hospedeiro humano. Machos e fêmeas per-
manecerão com as porções posteriores no lúmen intestinal e irão acasalar. Sendo 
assim, a fêmea fará a oviposição e os ovos imaduros serão eliminados junta-
mente às fezes humanas (5.000 ovos por grama de fezes, por dia). 
• QUADRO CLÍNICO 
 O período de transmissibilidade da doença é de anos, num indivíduo sem 
tratamento. O período de incubação é de 40 a 60 dias. As manifestações clínicas 
vão depender do grau de infestação parasitária (quanto o maior o numero de 
vermes, maiores serão as chances de sintomas) e também do estado nutricional 
do indivíduo. 
 Na maior parte dos casos, a tricuríase será assintomática ou apresentará 
sintomas discretos, sem manifestações claras de infecção. Com a evolução da 
doença, sintomas mais característicos surgem relacionados aos mecanismos pa-
togênicos: inflamação da mucosa intestinal pela ação traumática do verme, au-
mento da motilade intestinal pela liberação de citocinas larvais, eosinofilia e au-
mento da permeabilidade celular. 
 As manifestações mais comuns são dor abdominal difusa, do tipo em có-
lica, flatulência, febre moderada e diarreia crônica com fezes pastosas ou líqui-
das. Por vezes, disenteria, anemia e anorexia. Em pacientes com uma grande 
quantidade de vermes parasitando o ceco, temos obrigatoriamente a tríade: en-
terorragia, diarreia crônica e anemia. 
 Nas crianças, mais habitualmente, podemos encontrar o sinal patogno-
mônico da tricuríase: o prolapso retal. Menos comumente, podemos encontrar 
quadros decorrentes da migração dos vermes, como apendicite e colecistite 
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aguda. Raramente, acontecem casos fatais. Diferente dos outros geohelmintos, 
o Thicuris trichiura não possui uma fase pulmonar. 
• DIAGNÓSTICO 
 Baseia-se na detecção de ovos do parasita nas fezes do hospedeiro e na 
visualização do verme adulto. O diagnóstico clínico não possui grande especifi-
cidade, uma vez que a sintomatologia é muito semelhante a outras parasitoses 
intestinais. A exceção é a visualização do prolapso retal nas crianças. 
 São utilizados métodos qualitativos (Lutz ou Hoffman; Faust) e quantita-
tivos (método de Kato-Katz) usando as fezes dos indivíduos com quadros sus-
peitos. Pelo hemograma, a anemia e a eosinofilia podem ser detectadas. 
 A retossigmoidoscopia pode ser utilizada para a visualização dos vermes 
adultos e assim, fazer o diagnóstico diferencial com doenças inflamatórias intes-
tinais. 
• TRATAMENTO 
 Como 1ª opção: Mebendazol 100mg (3 dias, após as refeições), pois tem 
a vantagem de poder se administrado sem cuidados prévios, independente da 
idade e do peso dos pacientes. Eventos adversos são quase nulos e o índice de 
cura é de 80 a 100% dos casos. 
 Como 2ª opção: ALbendazol 400mg / dia, 3 dias. Porém, deve ser evitado 
no primeiro trimestre da gestação e em crianças menores de 2 anos, a dose ad-
ministrada deve ser de 200mg. Por isso que para elas, recomenda-se o Meben-
dazol. 
Como 3ª opção e 4ª opção: Pamoato de Pirantel 250mg (10mg/kg), 3 dias; 
Invermectina 250mcg/kg, 3 dias (verificar cooinfecção com Loa Loa, pelo risco 
de reação grave). 
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Para o prolapso retal: regularização do funcionamento intestinal (com o 
tratamento da parasitose e eliminação dos vermes) e reintrodução do reto para 
dentro do ânus (manualmente ou cirurgicamente). 
O controle da cura deve ser realizado nos dias 7, 14 e 21 após o início do 
tratamento, realizando o método quantitativo de Kato-Katz. 
• VIGILÂNCIA E PROFILAXIA 
 Baseia-se em Medidas Gerais e Medidas Específicas. 
 As medidas gerais objetivam impedir a contaminação da água por meio 
de medidas de saneamento, educação em saúde, destino adequado das fezes 
humanas e controle e fiscalização dos indivíduos que manipulam alimentos (a 
cargo da vigilância sanitária) e investigação de fontes de infecção e portadores 
assintomáticos. 
 As medidas específicas visam evitar a transmissão dos ovos embrionados 
de Trichuris por meio dos hábitos individuais do ser humano, como: lavagem das 
mãos, lavagem dosalimentos com água potável e imersão em hipoclorito de só-
dio 2,5% por 30min, evitar o hábito de “chupar o dedo” nas crianças, proteger os 
alimentos expostos. 
 
 
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