Prévia do material em texto
Parasitologia TRICURÍASE https://www.jaleko.com.br/ • INTRODUÇÃO A tricuríase ou tricocefalíase é causada pelo verme nematelminto Trichuris trichiura, que habita preferencialmente a região do ceco do ser humano. Esse agente possui a seguinte classificação científica: Reino – Animalia, Filo – Aschel- minthes, Classe – Nematoda, Ordem – Trichuroidea, Família – Trichuridae, Gê- nero – Trichuris e Espécie – Trichuris trichiura. • EPIDEMIOLOGIA Trata-se de uma parasitose intestinal cosmopolita, ou seja, pode ser en- contrada em praticamente qualquer lugar do mundo Possui alta prevalência nos países em desenvolvimento, onde existem condições socioeconômicas desfavo- ráveis e saneamento básico precário, nas áreas tropicais e subtropicais. Sobre- tudo em regiões onde as fezes humanas são usadas como adubo para planta- ções e onde os indivíduos têm como hábito defecarem no solo, como nos ambi- entes rurais. É a terceira infecção parasitária mais frequente no mundo e está relacio- nada à Ascaridíase, sendo uma Geohelmintíase – doença intestinal causada por parasita que acomete o homem e necessita passar por pelo menos 1 etapa do ciclo de vida fora do organismos hospedeiro, acarretando a contaminação do solo, água e alimentos com os ovos do parasita. Sendo, portanto, de transmissão fecal-oral. Atualmente, estima-se que existam cerca de 800 milhões de pessoas in- fectadas pelo Trichuris. As crianças na faixa etária de 5 a 14 anos são as mais acometidas e também, o grupo de consumidores de vegetais crus e frutas culti- vados rasteiramente no solo adubado com esgoto. https://www.jaleko.com.br/ Mobile User • TRANSMISSÃO E CICLO BIOLÓGICO O Trichuris trichiura possui duas formas evolutivas: Ovo e Verme adulto. O ovos são a forma ambiental de resistência do parasita, com formato de barril ou bola de futebol americano ou limão, com formato ovoide, operculados nas extremidades, embrionados, com tamanho variável (45 a 65µm de comprimento e 20 a 29µm de largura), podendo sobreviver até 5 anos no ambiente com con- dições ideias de temperatura (20 a 30ºC) e umidade. Os vermes adultos possuem o corpo cilíndrico, com dimorfismo sexual (macho e fêmea), conhecido como “lombriga chicote”, possuindo uma extremidade mais afilada com a boca sem lábios seguida de esôfago delgado e uma extremidade mais grossa com o sis- tema reprodutor simples e intestino. A principal via de transmissão da Tricuríase é a fecal-oral, pela ingestão de água e alimentos contaminados por fezes contendo os ovos maduros, con- tendo as larvas do parasita. E, também, pelo contato direto da mão contaminada com a mucosa oral. A transmissão mecânica por moscas e formigas também deve ser considerada, uma vez que esses animais carreiam aderidos às suas pa- tas os ovos maduros do trichuris, após pousarem ou passarem por ambientes contaminados por fezes. O ciclo biológico do Trichuris trichiura é monoxêmico, contando com ape- nas um hospedeiro para se completar – no caso, o ser humano (reservatório). Os ovos ainda imaturos são liberados no ambiente e levam de 2 a 3 semanas para se tornarem infectantes. Podendo permanecer no ambiente externo até 5 anos. Ao serem ingeridos pelo homem, os ovos embrionados terão suas cascas dissol- vidas pelos sucos entéricos e as larvas serão liberadas nas últimas porções do intestino delgado, já próximas ao ceco. Essas larvas vão penetrar nas criptas pre- sentes nas glândulas cecais, permanecendo na mucosa intestinal. Passarão por fases de maturação até se tornarem vermes adultos. Esses ficarão aderidos à https://www.jaleko.com.br/ Mobile User Mobile User Mobile User mucosa pela porção anterior, causando traumas constantes na região e se ali- mentando diariamente do sangue do hospedeiro humano. Machos e fêmeas per- manecerão com as porções posteriores no lúmen intestinal e irão acasalar. Sendo assim, a fêmea fará a oviposição e os ovos imaduros serão eliminados junta- mente às fezes humanas (5.000 ovos por grama de fezes, por dia). • QUADRO CLÍNICO O período de transmissibilidade da doença é de anos, num indivíduo sem tratamento. O período de incubação é de 40 a 60 dias. As manifestações clínicas vão depender do grau de infestação parasitária (quanto o maior o numero de vermes, maiores serão as chances de sintomas) e também do estado nutricional do indivíduo. Na maior parte dos casos, a tricuríase será assintomática ou apresentará sintomas discretos, sem manifestações claras de infecção. Com a evolução da doença, sintomas mais característicos surgem relacionados aos mecanismos pa- togênicos: inflamação da mucosa intestinal pela ação traumática do verme, au- mento da motilade intestinal pela liberação de citocinas larvais, eosinofilia e au- mento da permeabilidade celular. As manifestações mais comuns são dor abdominal difusa, do tipo em có- lica, flatulência, febre moderada e diarreia crônica com fezes pastosas ou líqui- das. Por vezes, disenteria, anemia e anorexia. Em pacientes com uma grande quantidade de vermes parasitando o ceco, temos obrigatoriamente a tríade: en- terorragia, diarreia crônica e anemia. Nas crianças, mais habitualmente, podemos encontrar o sinal patogno- mônico da tricuríase: o prolapso retal. Menos comumente, podemos encontrar quadros decorrentes da migração dos vermes, como apendicite e colecistite https://www.jaleko.com.br/ Mobile User aguda. Raramente, acontecem casos fatais. Diferente dos outros geohelmintos, o Thicuris trichiura não possui uma fase pulmonar. • DIAGNÓSTICO Baseia-se na detecção de ovos do parasita nas fezes do hospedeiro e na visualização do verme adulto. O diagnóstico clínico não possui grande especifi- cidade, uma vez que a sintomatologia é muito semelhante a outras parasitoses intestinais. A exceção é a visualização do prolapso retal nas crianças. São utilizados métodos qualitativos (Lutz ou Hoffman; Faust) e quantita- tivos (método de Kato-Katz) usando as fezes dos indivíduos com quadros sus- peitos. Pelo hemograma, a anemia e a eosinofilia podem ser detectadas. A retossigmoidoscopia pode ser utilizada para a visualização dos vermes adultos e assim, fazer o diagnóstico diferencial com doenças inflamatórias intes- tinais. • TRATAMENTO Como 1ª opção: Mebendazol 100mg (3 dias, após as refeições), pois tem a vantagem de poder se administrado sem cuidados prévios, independente da idade e do peso dos pacientes. Eventos adversos são quase nulos e o índice de cura é de 80 a 100% dos casos. Como 2ª opção: ALbendazol 400mg / dia, 3 dias. Porém, deve ser evitado no primeiro trimestre da gestação e em crianças menores de 2 anos, a dose ad- ministrada deve ser de 200mg. Por isso que para elas, recomenda-se o Meben- dazol. Como 3ª opção e 4ª opção: Pamoato de Pirantel 250mg (10mg/kg), 3 dias; Invermectina 250mcg/kg, 3 dias (verificar cooinfecção com Loa Loa, pelo risco de reação grave). https://www.jaleko.com.br/ Mobile User Para o prolapso retal: regularização do funcionamento intestinal (com o tratamento da parasitose e eliminação dos vermes) e reintrodução do reto para dentro do ânus (manualmente ou cirurgicamente). O controle da cura deve ser realizado nos dias 7, 14 e 21 após o início do tratamento, realizando o método quantitativo de Kato-Katz. • VIGILÂNCIA E PROFILAXIA Baseia-se em Medidas Gerais e Medidas Específicas. As medidas gerais objetivam impedir a contaminação da água por meio de medidas de saneamento, educação em saúde, destino adequado das fezes humanas e controle e fiscalização dos indivíduos que manipulam alimentos (a cargo da vigilância sanitária) e investigação de fontes de infecção e portadores assintomáticos. As medidas específicas visam evitar a transmissão dos ovos embrionados de Trichuris por meio dos hábitos individuais do ser humano, como: lavagem das mãos, lavagem dosalimentos com água potável e imersão em hipoclorito de só- dio 2,5% por 30min, evitar o hábito de “chupar o dedo” nas crianças, proteger os alimentos expostos. https://www.jaleko.com.br/ Mobile User Mobile User Mobile User