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1 CEDERJ – CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DE AULA PARA EAD CURSO: Ciências Contábeis DISCIPLINA: Contabilidade Avançada 1 CONTEUDISTA: Marcello Sartore de Oliveira. DI: Luciana Brito. AULA 6–Patrimônio Líquido - continuação META Discutir as contas do Patrimônio Líquido que não foram apresentadas no último material, identificado como material aula 5, que são as Reservas de Lucro, Ações em Tesouraria e a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados. OBJETIVOS Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de: 1. Identificar e discutir a constituição das reservas de lucro; 2. Reconhecer as peculiaridades das contas Ações em Tesouraria e Lucros ou Prejuízos Acumulados. 2 PRÉ-REQUISITOS Para se sair bem nesta aula, você precisará ter estudado o material Aula 5. 1. Introdução Em atenção à planejamento da produção do material didático, iremos tratar nesta aula das contas do patrimônio líquido que não foram discutidos na última semana. Analisaremos as reservas de lucros, que correspondem as Reserva Legal, Reservas Estatutárias, para Contingências, de Incentivos Fiscais, de Retenção de Lucros, de Lucros a Realizar, e a Reserva Especial para dividendos Obrigatórios não Distribuídos. Outro ponto interessante que estudaremos nesta aula se refere às Ações em Tesouraria, conta classificado no Patrimônio Líquido, mas, por se tratar de uma conta retificadora, possui saldo devedor. Desse modo, vale muito a pena estudarmos esses assuntos já as regras atuais. 3. Reservas de Lucro As reservas de lucros são recursos cuja origem se dá pelo resultado positivo do exercício, com finalidade de se preservar o Patrimônio Líquido de uma organização. Quando ocorre o resultado positivo do exercício, esses recursos serão transferidos para a conta “Lucros Acumulados” e, posteriormente, serão repassados a outras contas, dependendo do interesse da organização. Boxe verbete A Lei 11.941/09 não extinguiu a conta “Lucros Acumulados”, apenas vedou a sua apresentação no Balanço Patrimonial de encerramento do exercício. Dessa forma, essa conta, ao longo de todo o exercício social, receberá recursos oriundos do resultado do exercício, dos ajustes de exercícios 3 anteriores, das reversões de determinadas reservas, para, no encerramento do exercício, distribuir todo o seu saldo, entre outras destinações, para reservas de lucros. Fim do Boxe O artigo 182, § 4º, da Lei 6.404/76, menciona que serão classificados como reservas de lucros as contas constituídas pela apropriação de lucros da companhia. Ao final do Exercício Social, caso haja saldo na conta “Lucros Acumulados”, esses recursos poderão ter quatro destinos: Em relação à proposta de destinação do lucro, o art. 192 da Lei 6.404/76 determina que juntamente com as demonstrações financeiras do exercício, os órgãos da administração da companhia apresentarão à assembleia-geral ordinária, observado o disposto nos artigos 193 a 203 e no estatuto, proposta sobre a destinação a ser dada ao lucro líquido do exercício. Quando não se tratar de sociedades por ações, a destinação do lucro será dada pelos sócios. Boxe verbete A diferença entre Reservas de Capital e Reservas de Lucros se dá especialmente pelo fato de estas, como a própria denominação aponta, terem Saldo na Conta Lucros Acumulados Conta: Dividendos a Pagar Conta: Reservas de Lucros Aumentar o Capital Social Absorver prejuízos acumulados Destinada aos sócios Destinada a própria Organização Reserva Legal 4 origem no lucro da organização. Já as Reservas de Capital não têm início no Resultado do Exercício. Fim do Boxe Contribuindo para a afirmação de que a conta “Lucros Acumulados” deve ser “zerada” no final do exercício social, ou seja, ter todo o seu saldo transferido a outras contas, o § 6º do artigo 202 da Lei das S/A dispõe que os lucros não destinados nos termos dos arts. 193 a 197 deverão ser distribuídos como dividendos. As reservas de lucros são as seguintes: Reserva Legal (Art. 193 da Lei das S/A); Reservas Estatutárias (Art. 194 da Lei das S/A); Reservas para Contingências (Art. 195 da Lei das S/A); Reserva de Incentivos Fiscais (Art. 195-A da Lei das S/A); Reservas de Lucros a Realizar (Art. 197 da Lei das S/A); Reservas de Retenção de Lucros (Art. 196 da Lei das S/A); Reserva Especial para Dividendo Obrigatório Não Distribuído (Art. 202, §4º e 5º da Lei das S/A); Reserva Específica de Prêmio na Emissão de Debêntures (Art. 31, Lei 12.973/14). 3.1- Limite de Saldo das Reservas de Lucros De acordo com o art. 199 da Lei 6.404/76, o saldo das Reservas de Lucros, exceto as para Contingências, de Incentivos Fiscais, de Lucros a Realizarnão poderá ultrapassar o capital social. Cabe destacar que o artigo 31, da Lei 12.973/14, em seu parágrafo 4º, determina que a reserva de lucros específica a que se refere o inciso II do caput (aqui se refere a “Reserva Específica de Prêmio na Emissão de Debêntures”), para fins do limite de que trata o art. 199 da Lei no 6.404 (conforme se observa no parágrafo anterior), terá o mesmo tratamento dado à reserva de lucros prevista no art. 195-A (artigo esse referente à “Reserva de Incentivos Fiscais”) da referida Lei. 5 Dessa maneira, não resta dúvida de que Reserva Específica de Prêmio na Emissão de Debêntures, por ter o mesmo tratamento da Reserva de Incentivos Fiscais, engloba o rol de exceções do artigo 199 da Lei das S/A. Portanto, caso o saldo das reservas de lucro, (exceto para Contingências, de Incentivos Fiscais, de Lucros a Realizar, Reserva Específica de Prêmio na Emissão de Debêntures), supere o saldo de Capital Social, a assembleia decidirá acerca da aplicação do excesso na integralização ou no aumento do capital social ou na distribuição de dividendos. Boxe verbete Reservas (Legal + Estatutárias + de Retenção de Lucros + Especial para Dividendo Obrigatório Não Distribuído) ≤ Capital Social Se somatório dos saldos das Reservas acima for maior que o saldo de Capital Social: Fim do Boxe 3.1.1Dedução de Prejuízos e Imposto sobre a Renda Conforme determina a Lei 6.404/76, em seu artigo 189, do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o Imposto sobre a Renda. O parágrafo único do mesmo artigo prescreve que o prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem. Boxe verbete Fim do Boxe Excesso Para Distribuição de Dividendos (sócios) Vai para Capital Social OU Prejuízo do Exercício 1º Lucros Acumulados 2º Reservas de Lucros 3º Reserva Legal 6 3.1.2. Contabilização das Reservas de Lucros O lançamento contábil a ser realizado na constituição das reservas é o seguinte: Lançamento da destinação de lucros a reservas: D - Lucros Acumulados C - Reserva de Lucros Lançamento referente à reversão das reservas de lucro: D - Reserva de Lucros C - Lucros cumulados 3.2. Reserva Legal Prevista no artigo 193 da Lei das S.A, que preceitua que: Do lucro líquido do exercício, 5% (cinco por cento) serão aplicados, antes de qualquer outra destinação, na constituição da reserva legal, que não excederá de 20% (vinte por cento) do capital social. Boxe verbete Percebe-se aqui uma contradição, tendo em vista que o artigo 193 dispõe que do lucro líquido, antes de qualquer outra destinação, 5% serão destinados à Reserva Legal. Já o parágrafo único do artigo 189 prescreve que, o prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas delucros e pela reserva legal, nessa ordem. Entretanto, o entendimento predominante é que antes de qualquer destinação (com exceção da compensação do prejuízo acumulado, caso ocorra), devemos destinar 5% do Lucro Líquido para a constituição da Reserva Legal. Portanto, inicialmente devemos compensar o prejuízo existente!!! Fim do Boxe 7 A Reserva Legal tem por finalidade assegurar a integridade do capital social e somente poderá ser utilizada para compensar prejuízos ou aumentar o capital. Boxe verbete Reserva Legal Finalidade: Assegurar a integridade do Capital Social Utilizada para: a)Compensar Prejuízo b)Aumentar o Capital Fim do Boxe Outra observação interessante que é, conforme sua própria denominação, dentre as reservas de lucro, é a única obrigatória (legal). 3.2.1. Limite Obrigatório e Limite Facultativo a) Limite Obrigatório: Artigo 193: Do lucro líquido do exercício, 5%serão aplicados, antes de qualquer outra destinação, na constituição da reserva legal, que não excederá de 20%do capital social Cálculo: Limite obrigatório:5% X Lucro Líquido do Exercício, limitado a 20% do Capital Social REALIZADO. Cabe destacar que, apesar de o artigo 193 se referir somente ao capital social, a doutrina entende que o limite se refere ao capital social realizado, e não ao subscrito, ou ao integralizar,... b) Limite Facultativo: Conforme o parágrafo 1º, do artigo 193, a companhia poderá deixar de constituir a reserva legal no exercício em que o saldo dessa reserva, acrescido do montante das reservas de capital de que trata o § 1º do artigo 182, exceder de 30% (trinta por cento) do capital social. Cálculo: Limite Facultativo: Reserva Legal + Reservas de Capital > 30% X CapitalSocial Realizado 8 Exemplo: 2014: Quadrix: CRM-PR: Contador) Determinada empresa, ao final do exercício social, apurou um lucro líquido de R$ 80.000,00. Qual deverá ser a postura da empresa com relação à constituição da reserva legal sabendo que o PL e constituído de: • Capital Social Realizado - R$ 500.000,00. • Reserva Legal - R$ 97.000,00. a) Não constituir Reserva Legal. b) Constituir Reserva Legal de R$ R$ 3.000,00.. c) Constituir Reserva Legal de R$ 8.000,00. d) Constituir Reserva Legal de R$ 4.000,00. e) Constituir Reserva Legal de R$ 5.000,00. Correção: Cálculo da Reserva Legal:5% X Lucro do Período (80.000,00) = R$4.000,00. Entretanto, o aluno tem que atentar para o limite da reserva legal, que é de 20% do Capital Social Realizado: 20% X 500.000 = 100.000,00. Sendo assim, o valor máximo que a conta Reserva Legal poderá ter é de R$100.000,00. Na questão há a informação de que o saldo anterior de Reserva Legal é de R$97.000,00. Dessa maneira, dos R$4.000,00, apenas R$3.000,00 podem ser destinados à Reserva Legal. A Reserva Legal será constituída, obrigatoriamente, pela companhia, até que seu valor atinja 20% do capital social realizado, quando então deixará de ser acrescida. Resposta: B Boxe Atenção Importante frisar que a obrigatoriedade da destinação do lucro da empresa para a reserva legal, mesmo não tendo alcançado o limite de 20% do capital social, não precisará ser sempre respeitada. 9 A empresa poderá deixar de destinar parte de seu lucro à reserva legal, mesmo que o limite de 20% do capital social não for atingido, quando o somatório da reserva legal com as demais reservas de capital superar 30% docapital realizado. Fimdo Boxe Cabe ainda destacar Ferreira (2014), que comenta que alguns contabilistas adotam a prática de lançar como reserva legal do exercício o valor necessário a que a reserva legal acrescida das reservas de capital seja igual a 30$ do capital social. Ou seja, somam a reserva legal existente com as reservas de capital e lançam na conta Reserva Legal o valor necessário para atingir os 30% do capital social. Esse é o método da complementação dolimite facultativo. 3.3 Reserva Estatutária As reservas estatutárias são reservas previstas no estatuto da companhia e constituídas com base no lucrolíquido da companhia. Em se tratando de sociedades por cotas de responsabilidade limitada, que são constituídas por contrato social, essas reservas são denominadas de reservas contratuais. Segundo o art. 194 da Lei 6.404/76, o estatuto poderá criar reservas desde que, para cada uma: I - indique, de modo preciso e completo, a sua finalidade; II - fixe os critérios para determinar a parcela anual dos lucroslíquidos que serão destinados à sua constituição; III - estabeleça o limite máximo da reserva. Como já apresentado nesta aula, somente a reserva legal é obrigatória. Sendo assim, a criação da reserva estatutária é facultativa. Boxe Atenção Moraes Júnior (2016) comenta que a constituição ou reversão desta reserva não pode afetar o cálculo do dividendo mínimo obrigatório. Fimdo Boxe 10 Quanto ao registro contábil, o lançamento de constituição desta reserva é o seguinte: Lucros ou Prejuízos Acumulados a Reserva Estatutária E os motivos da criação dessa reserva pela companhia podem ser os seguintes:resgate de debêntures, resgate de partes beneficiárias, aumentode capital social e amortização de ações etc. 3.4 Reserva para Contingências O artigo 195, da Lei das Sociedades por Ações, autoriza aassembléia- geral, por proposta dos órgãos da administração,a destinar parte do lucro líquido para formação de reserva para contingências, com o propósito de se compensar, em exercício futuro, a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável, desde que o valor desta perda possa ser estimado. Em seu parágrafo 1º, define que a proposta dos órgãos da administração deverá indicar a causa da perda prevista e justificar, com as razões de prudência que a recomendem, a constituição da reserva. Por fim, o parágrafo 2º do mesmo artigo dispõe que a reserva será revertida no exercício em que deixarem de existir as razões que justificaram a sua constituição ou em que ocorrer a perda. Essa reversão dessa reserva deverá ser realizada, obrigatoriamente, a crédito da conta lucros acumulados. Acima, comentamos o que a Lei 6.404/76 determina em relação a Reserva de Contingências. Mas, para que serve essa reserva? Qual o intuito, o propósito de a companhia criar essa reserva? Pode acontecer de a administração da companhia entender que, em exercício futuro, a empresa poderá sofrer perda significativa, gerando, assim, a necessidade de se recorrer a uma parcela maior de seu lucro. Assim, a 11 companhia cria essa reserva com o propósito de que parte do lucro, que seria distribuída aos sócios, por meio de dividendos, continue na empresa. Desse modo, a administração da companhia, com a aprovação da assembléia geral, fica autorizada a criar essa reserva, como meio de resguardar o seu patrimônio. Como exemplos de perdas significativas que podem afetar a companhia podemos citar: crise mundial, obsolescência de estoques em empresas de informática, secas, geadas, ou enchentes, de paralisações extraordinárias de longa duração, etc. O lançamento contábil é o seguinte: D – Lucros acumulados (PL) C – Reservas para contingências (PL) Já a reversão: D - Reservas para contingências C - Lucros acumulados Boxe verbete Não confundir Reserva para Contingências com Provisão para Contingências!!! Reserva para Contingências ≠Provisão para Contingências A provisão para contingência tem por objetivo dar cobertura aperdas ou despesas, cujo fato gerador já tenha ocorrido, mas ainda não houveocorrespondente desembolso ou perda. Configura como uma obrigação da empresa, sendo classificada no passivo exigível. Como exemplos podemos identificar a provisão para devedores duvidosos, provisão paracontingências fiscais ou trabalhistas,etc. Já a Reserva para Contingências, como já vimos nesta aula, leva em consideração fatos que poderão ocorrer em exercício futuro. Portanto, ainda não ocorreu o fato gerador. E, como também já tratamos, é classificada no Patrimônio Líquido, como espécie de reserva legal. Fimdo Boxe 12 3.5. Reserva de Incentivos Fiscais O artigo 195-A, da Lei 6.404/76, mais uma novidade trazida pela Lei 11.638/07,informa que aassembléia geral poderá, por proposta dos órgãos de administração, destinar para a reserva de incentivos fiscais a parcela do lucro líquido decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, que poderá ser excluída da base de cálculo do dividendo obrigatório. Para melhor visualizar esse tema, segue o exemplo abaixo: Vamos supor que a empresa MCGC Ltda recebera do governo municipal um terreno, no valor de R$100.000,00, para que seja instalada parte de seu imobilizado naquele município. Lançamento contábil: D – Terrenos C - Outras Receitas (Doações do Poder Público)......100.000,00 Se no final do exercício a MCGC Ltda tiver o saldo da conta lucros acumulados no valor de R$1.000.000,00, e se a empresa resolver constituir a reserva de incentivos fiscais, o lançamento seria: D – Lucros ou Prejuízos Acumulados C – Reserva de Incentivos Fiscais ...................100.000,00. Portanto, como se pode perceber, essa reserva irá reduzir diretamente o saldo da conta “Lucros ou Prejuízos Acumulados”. Para não ficarmos apenas na literalidade da lei, vamos analisar nesse momento qual o propósito da criação da Reserva de Incentivos Fiscais para as organizações. Boxe Atenção Qual o motivo de se criar essa reserva? Podemos afirmar, inicialmente, que seriam dois os motivos: a) Evitar que os valores recebidos do governo, a título de incentivo fiscal, sejam distribuídos aos acionistas na forma de dividendos; 13 b) Outro motivo, seria evitar a tributação desses valores recebidos pelo governo. Fim do Boxe 3.6 Reserva de Lucros a Realizar Na sequência da Lei das Sociedades Anônimas, em seu artigo 169, há a seguinte previsão: Art. 197. No exercício em que o montante do dividendo obrigatório, calculado nos termos do estatuto ou do art. 202, ultrapassar a parcela realizada do lucro líquido do exercício, a assembleia-geral poderá, por proposta dos órgãos de administração, destinar o excesso à constituição de reserva de lucros a realizar. Traduzindo o artigo acima, as Reservas de Lucros a Realizar têm como finalidade evitar que a companhia seja obrigada a distribuir dividendos sem terrecursos financeiros suficientes, em caixa, em decorrência deos lucrosapurados pelo regime de competência, serem oriundos de receitas ainda não financeiramente realizadas. Exemplificando, de forma bem didática, imagine uma empresa que realizou vendas no valor de R$500.000,00, em 2016, mas que somente receberá esses valores em 2017. Vamos supor também que ao longo de 2016 tenha despesas totais de R$300.000,00, tendo, ainda, que distribuir R$80.000,00 em dividendos. Em 2016 seu lucro será de R$200.000,00. E terá ainda que distribuir, em dinheiro, R$80.000 a título de dividendos. A empresa terá esse recurso, R$80.000,00 no final de 2016, em dinheiro, para distribuir aos acionistas? Não, não terá esses valores em dinheiro, pois suas vendas, ocorridas em 2016, somente serão recebidas em 2017. Portanto, esse é o propósito de se criar a Reserva de Retenção de Lucros! Mas a legislação não se limita às receitas realizadas e não recebidas no exercício, pois, em seu parágrafo 1º existe a seguinte previsão: 14 § 1o Para os efeitos deste artigo, considera-se realizada a parcela do lucro líquido do exercício que exceder da soma dos seguintes valores: I - o resultado líquido positivo da equivalência patrimonial (art. 248); e II -o lucro, rendimento ou ganho líquidos em operações ou contabilização de ativo e passivo pelo valor de mercado, cujo prazo de realização financeira ocorra após o término do exercício social seguinte. Pela análise do parágrafo acima, podemos afirmar que são considerados lucros não realizados financeiramente: “A”- O resultado líquido positivo da equivalência patrimonial. “B” - O lucro, ganho ou rendimento em operações cujo prazo de realização financeira ocorra após o término do exercício social seguinte. Boxe Atenção Lucros Realizados = Lucro Liquido do Exercício – Lucros Não Realizados(“A” e “B” do comentário anterior) Fimdo Boxe Boxe Atenção Reserva de Lucros a Realizar = Dividendo Mínimo Obrigatório – Lucros Realizados Fimdo Boxe Quanto ao lançamento de constituição da reserva: D – Lucros Acumulados C – Reservas de Lucros a Realizar 3.7 Reserva Especial p/ Dividendo Obrigatório Não Distribuídos Regra geral, as companhias devem realizar a distribuição de dividendos ao final de cadaexercício social. Entretanto, podem ocorrer períodos em que a situação financeira da companhia seja incompatível com a distribuição desses dividendos -como exemplo, quando asociedade estar em recuperação judicial, ou ainda, a empresa ter um volume considerável de empréstimos a serem pagos. Sendo 15 assim, os dividendos podem deixar de ser distribuídos, através da constituição da “Reserva Especial para Dividendo Obrigatório não Distribuído”. Com essa reserva, os lucros não seriam distribuídos aos sócios no exercício de sua constituição e, quando a situação financeira da empresa se restabelecer, e não sendo caso de utilização para compensar prejuízos futuros, os lucros não distribuídos, serão distribuídos aos acionistas. Lançamento da reserva especial: D – Lucros Acumulados C – Reserva Especial para Dividendos Obrigatórios Não Distribuídos 3.8. Reserva Específica de Prêmio na Emissão de Debêntures (REPED) De antemão cabe lembrar que com o advento da Lei 11.638/2007 o prêmio na emissão de debêntures deixou de ser reservas de capital, pasaando a ser classificado como Receita Diferida do Passivo Não Circulante: e as subvenções para investimentos O Prêmio na Emissão de Debêntures que era tratado como Reserva de Capital, com a edição das Leis 11.638/2007 e 11.941/2009, passou a ser classificado no PNC, como uma “receita diferida”, Boxe verbete Debêntures são títulos de crédito de longo prazo emitidos pelas companhias de capital aberto e que conferem a seus detentores, - debenturistas - direitos contra a companhia emitente. Entre esses direitos, podemos apontar juros, participações nos lucros, prêmio de reembolso e conversibilidade em ações. Mas qual o motivo de as Sociedades Anônimas emitirem esses títulos? A idéia é de conseguir recursos junto ao público, evitando, assim, a ter que se submeter às taxas exorbitantes dos empréstimos bancários. 16 Desta forma, a debênture é um título de crédito privado em que os debenturistas são CREDORES, e NÃO SÓCIOS, da companhia e esperam receber juros periódicos e pagamento do principalno vencimento do título. Fim do Boxe Vamos recorrer agora a um exemplo, com a finalidade de se melhor explicar esse tema. Ex.:A Cia MCGC lançou debêntures no mercado com o valor nominal de R$ 1,00, na quantidade de 2.000 debêntures, com prazo de resgate de 5 anos. Investidores resolveram pagar R$1,10 pela debênture. Lançamento: D – Caixa.......................2.200 (1,10 x 2.000) C - Debêntures a resgatar (Passivo Não Circulante)...........2.000 (1,00 x 2.000) C - Receitas recebidas antecipadamente (Receitas diferidas) ...200,00 (0,10 x 2000) Boxe Atenção OVALOR QUE EXCEDER o valor nominal será denominado “PRÊMIO NA EMISSÃO DE DEBÊNTURES”, e será classificado como PNC – Receitas Diferidas. Fimdo Boxe Ao final de cada exercício social, em respeito ao Princípio da Competência, a Receita Recebida Antecipadamente (R$200,00)deve ser apropriada ao Resultado do Período. Como o prazo de resgate é de 5 anos, e o valor da receita diferida de R$200,00, devemos apropriar em cada ano, o valor de R$40,00. Lançamento: D - Receitas recebidas antecipadamente (Receitas diferidas) C - Receitas financeiras (Conta de Resultado) .....40,00 Observem que até agora não fizemos algum registro referente à “Reserva Específica de Prêmio na Emissão de Debêntures”. 17 Entretanto, se a companhia resolver constituir a reserva específica de prêmio naemissão de debêntures, o lançamentoserá o seguinte: ´ D – Lucros ou Prejuízos Acumulados C – Reserva Específica de Prêmio na Emissão de Debêntures .....40,00 Percebam que a companhia pode utilizar o valor apropriado ao resultado como “reserva específica de prêmio na emissão de debêntures”. E qual seria o motivo de a companhia criar essa reserva? A resposta está no artigo 31 da Lei 11.973/2014, quando diz que: Art. 31. O prêmio na emissão de debêntures não será computado na determinação do lucro real, desde que: I - a titularidade da debênture não seja de sócio ou titular da pessoa jurídica emitente; e II - seja registrado em reserva de lucros específica, que somente poderá ser utilizada para: a) absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou b) aumento do capital social. Esmiuçando o artigo acima, a empresa poderá retirar da base de cálculo do Lucro Real (portanto, deixará de pagar tributos) o valor da REPED, desde que o titular da debênture não seja sócio da empresa, e que a reserva seja destinada para absorver prejuízos ou aumento de capital. Boxe Atenção A REPED é interessante para evitar a tributação do IRPJ e da CSLL. Se não constituir, em conformidade ao artigo 31, da Lei 11973/14, o valor do Prêmio na Emissão de Debêntures será tributado. Fimdo Boxe 3.9. Reserva de Retenção de Lucro Essa reserva também é conhecida como ReservaOrçamentária, Reserva de Investimentos ou Reserva de Expansão. 18 De acordo com a Lei das S/A, em seu artigo 196, a assembleia-geral poderá, porproposta dos órgãos da administração, deliberar reter parcela do lucro líquidodo exercício prevista em orçamento de capital por ela previamente aprovado,para aplicar nos planos de expansão e investimentos da empresa. A Reserva de Retenção de Lucros terá o prazo de duração de até 5 anos e indicação de todas as fontes e aplicações de recursos. Boxe Atenção O Objetivo da Reserva de Retenção de Lucros é financiar projetosde investimentos. Fimdo Boxe 4. Ações em Tesouraria Ações em Tesouraria são ações da empresa adquiridas pela própria empresa emantidas na tesouraria, e deverão constar no balanço patrimonial como redutora da conta do PL. A empresa que adquire ações de si mesma (ações em tesouraria) não possui direito a receber dividendos e nem direito a voto, referente a essas ações. Portanto, ações em tesouraria não dão direito a dividendos e nem a voto!! Boxe de Verbete O limite do saldo da conta ações em tesourariaé o saldo de lucrosacumulados e reservas, exceto a reserva legal, de lucros a realizar e a especial para dividendos obrigatórios não distribuídos. Fimdo Boxe Boxe Atenção Ações em Tesouraria ≤ Lucros Acumulados + Reservas (exceto Legal, Lucros a Realizar e Especial para Dividendos Obrigatórios não Distribuídos). Fimdo Boxe 19 O item 9, do Pronunciamento CPC 08,dispõe que os custos de transação incorridos com a aquisição das Ações em Tesouraria devem ser incorporados ao custo de aquisição das mesmas, reduzindo, assim, o lucro ou aumentando o prejuízo de uma futura venda. Como custos de transações, podemos citar gastos com publicidade; com elaboração de relatórios; com remuneração de serviços de terceiros (contadores, auditores, consultores, advogados etc); com taxas e comissões;custos de registro. Para melhor compreensão, segue o exemplo abaixo: a) A empresa MCGC S/A comprou suas próprias ações, (ações em tesouraria), pagando o valor de R$200.000,00, tendo incorrido custos nessa aquisição no valor de R$20.000,00. Lançamento contábil: D – Ações em Tesouraria (PL retificadora) C -BCM (AC)....220.000,00 Caso a empresa venha a alienar essas ações em tesouraria por um valor a maior, por exemplo a R$250.000,00, a diferença será tratada como Reserva de Capital (Ágio na Emissão de Ações em Tesouraria). Lançamento contábil: D – BCM..........250.000,00 C – Ações em Tesouraria ......220.000,00 C – Ágio na Emissão de Ações em Tesouraria (Reserva de Capital PL).........30.000,00 E se porventura alienar por um valor menor que o da compra, como por exemplo, R$180.000,00? Moraes Júnior (2016, p. 621) infere que haverá um prejuízo na venda, que também não poderá passar pelo resultado do período. Nessa situação, o prejuízo na venda será absorvido por alguma reserva de lucro. D – Bancos Conta Movimento...180.000,00 D – Reservas Estatutárias (PL).......40.000,00 20 C – Ações em Tesouraria.......220.000,00 5.Lucros ou Prejuízos Acumulados Para Ferreira (2020), a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados é uma só, variando sua denominação de acordo com a natureza do saldo. Se o saldo for credor, ela será denominada Lucros Acumulados, se devedor, Prejuízos Acumulados. A nova redação da Lei 6.404/76, após alteração trazida pela Lei 11.638/2007, não mais mencionando a conta Lucros Acumulados em seu artigo 178, parágrafo 2º, inciso III, como integrante do Patrimônio Líquido. Boxe Verbete A legislação vigente eliminou do Balanço Patrimonial das Sociedades Anônimas a conta Lucros Acumulados! Fimdo Boxe Boxe Atenção Percebam que a legislação eliminou a conta Lucros Acumulados do BP das S/A. Assim, a conta Lucros Acumulados deixou de existir somente no Balanço Patrimonial de Encerramento de Exercício, e no caso das Sociedades Anônimas! Desse modo, essa conta continua existindo, apenas não pode ter saldo no encerramento do exercício. E outro detalhe relevante é que no caso das demais sociedades (exceto as S/A), a conta Lucros Acumulados pode constar, inclusive, no BP de encerramento de exercício! Fimdo Boxe A conta lucros acumulados continua recebendo o resultado líquido do exercício durante o exercício. Entretanto, no caso de no final do exercício social essa conta possuir saldo positivo (credor), deverá o valor ser integralmente destinado para formação de reservas e para distribuição de dividendos, ficando, assim, a conta lucros acumulados com saldo zerado. 21 O Artigo 202, § 6º da Lei das SA, determina que os lucros sem destinação específica devam ser distribuídos na forma de dividendo complementar. Exemplo:A empresa MCGC S/A resolve destinar de seu lucro do período de R$100.000,00, R$40.000,00 para Reservas de Lucros e R$50.000,00 para dividendos. Antes da alteração da lei, a conta Lucros acumulados ficaria com um saldo, no BP, de R$10.000,00 (100 – (50+40)). Entretanto, atualmente, o saldo que porventura sobre, será obrigatoriamente destinado a dividendo complementar. Boxe Atenção Assim:Lucro do Período (100.000) Reservas de Lucros (50.000) Saldo final = ZERO Dividendos (40.000) Dividendos Complementares (10.000) Fim do Boxe Já em relação à conta Prejuízos Acumulados, a Lei 11.638/07 dispõe que será registrado no Patrimônio Líquido da entidade e que registrará os prejuízos do período e de períodos anteriores. 4 - CONCLUSÃO Prezados alunos, nesta aula, estudamos as regras gerais aplicadas ao Patrimônio Líquido, em especial as normas voltadas para a constituição das Reservas. Novamente, vimos a necessidade de o profissional contábil de estudar e se atualizar de forma constante, já queas leis, e os pronunciamentos contábeis, estão sempre em transformação e revisão. 5 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FERRARI, Ed Luiz. Contabilidade Geral.13. ed. Niterói: Editora Impetus, 2013. 22 FERREIRA. Ricardo J. Contabilidade Básica. 11.ª ed. Rio de Janeiro: Editora Ferreira, 2014. FERREIRA. Ricardo J. Contabilidade Básica. 17.ª ed. Rio de Janeiro: Editora Ferreira, 2020. IUDÍCIBUS, Sérgio;. MARTINS, Eliseu.; GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (aplicável às demais sociedades). 6. ed. São Paulo: Atlas, 2003. MATARAZZO, Dante Carmine. Análise Financeira de Balanços: Abordagem Básica e Gerencial. 7 ed., São Paulo: Atlas, 2010. NEVES, Silvério das. VICECONTI, Paulo E.V. Contabilidade Avançada. 18 ed. São Paulo: Frase, 2018. OLIVEIRA, Justino. Contabilidade Geral para Concursos Públicos. 1ª. ed. Niterói: Editora Impetus, 2013.