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'10.37885/230312532
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A S P E C T O S P R I N C I P I O L Ó G I C O S 
D A A D M I N I S T R A Ç Ã O P Ú B L I C A E 
CONTEMPORANEIDADE: BREVES APORTES 
DOUTRINÁRIOS 
Adilson Pires Ribeiro
Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
Ellen Prim Campos
Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI
Giglione Edite Zanela Maia
Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI
https://dx.doi.org/10.37885/230312532
RESUMO
Objetivo: O objetivo deste artigo é apresentar referencial teórico sobre os aspectos princi-
piológicos da administração pública. Métodos: A pesquisa se subdividiu em cinco objetivos 
e etapas específicas. Primeiramente, disporá sobre os aspectos que rodeiam o interesse 
público e a Administração Pública. Na sequência, adentrará nos princípios norteadores do 
direito administrativo, em especial da supremacia e indisponibilidade do interesse público, 
LIMPE e o paradoxo entre legalidade e gestão decorrente do princípio constitucional ad-
ministrativo da eficiência. Para a abordagem e procedimento, foi utilizado o método deduti-
vo. Já as técnicas de suporte adotadas compreendem o uso de legislação, doutrinas, artigos 
e revistas. Por fim, a presente pesquisa se encerra com as considerações finais, nas quais 
serão apresentados pontos conclusivos destacados nos próprios textos normativos e dou-
trinários abordados ao longo da pesquisa. Resultados: O estudo projetado contribuiu para 
o conhecimento, pesquisa e extensão por meio da compreensão dos principais princípios 
que regem a administração pública. É importante dizer que, em certas tomadas de decisões 
frente ao gerenciamento das políticas públicas, alguns entendimentos dos mecanismos de 
controle se tornam adversos, comprometendo, assim, a eficiência administrativa. Daí porque 
a importância de princípios norteadores da atuação administrativa, seja para evitar eventual 
prejuízo ao agente público, seja para lhe permitir um melhor direcionamento da tomada 
de decisão. Conclusão: O ordenamento jurídico brasileiro apresenta um rico arcabouço 
teórico e a CRFB/1988, por consequência, traz ao seu conteúdo um leque significativo de 
avanços no que tange os princípios amplamente discutidos ao longo da investigação cien-
tífica. É importante dizer que, em certas tomadas de decisões frente ao gerenciamento das 
políticas públicas, alguns entendimentos dos mecanismos de controle se tornam adversos, 
comprometendo, assim, a eficiência administrativa. Daí porque a importância de princípios 
norteadores da atuação administrativa, seja para evitar eventual prejuízo ao agente público, 
seja para lhe permitir um melhor direcionamento da tomada de decisão.
Palavras-chave: Direito Administrativo, Princípios, Agente Público.
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Direito e Práxis: interfaces entre a norma jurídica e a realidade social - ISBN 978-65-5360-311-0 - Vol. 1 - Ano 2023 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
INTRODUÇÃO
A promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, sabidamente 
de notória importância para a consolidação dos entes de controle administrativo, se reveste 
do caráter protetivo das ações da administração pública e o gestor, por muitas vezes, no afã 
de atingir a eficiência administrativa, acaba no limbo da responsabilização pessoal. Esse 
movimento acabou por trazer à tona o chamado “apagão das canetas”, tendo em vista o 
medo da responsabilização pelos entes de controle administrativo. Muitas vezes, os agentes 
públicos enfrentam problemas que requerem uma decisão imediata, contudo, no exercício 
dessas medidas, encontram barreiras e entendimentos diversos que os responsabilizam na 
esfera penal, civil e/ou administrativa.
Por esse motivo, torna-se imperioso pesquisar a temática atrelada à teoria dos princí-
pios que envolvem a administração pública. O objetivo deste artigo é apresentar referencial 
teórico sobre os aspectos principiológicos da administração pública, bem como os princípios 
implícitos e explícitos constitucionais, com ênfase para o princípio da eficiência. A pesquisa 
adentrará nas principais concepções atreladas aos aspectos principiológicos da Administração 
Pública, abordando conceitos sobre a base do direito administrativo, especialmente quanto 
ao princípio da eficiência, perpassando, em seguida, pelas suas origens, conceitos e prin-
cipais características. 
MÉTODOS
A pesquisa se subdividiu em cinco objetivos e etapas específicas. Primeiramente, dis-
porá sobre os aspectos que rodeiam o interesse público e a Administração Pública. Na se-
quência, adentrará nos princípios norteadores do direito administrativo, em especial da 
supremacia e indisponibilidade do interesse público, LIMPE e o paradoxo entre legalidade 
e gestão decorrente do princípio constitucional administrativo da eficiência. Para a aborda-
gem e procedimento, foi utilizado o método dedutivo. Já as técnicas de suporte adotadas 
compreendem o uso de legislação, doutrinas, artigos e revistas. Por fim, a presente pesquisa 
se encerra com as considerações finais, nas quais serão apresentados pontos conclusivos 
destacados nos próprios textos normativos e doutrinários abordados ao longo da pesquisa.
RESULTADOS
O estudo projetado contribuiu para o conhecimento, pesquisa e extensão por meio da 
compreensão dos principais princípios que regem a administração pública. É importante 
dizer que, em certas tomadas de decisões frente ao gerenciamento das políticas públicas, 
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alguns entendimentos dos mecanismos de controle se tornam adversos, comprometendo, 
assim, a eficiência administrativa. Daí porque a importância de princípios norteadores da 
atuação administrativa, seja para evitar eventual prejuízo ao agente público, seja para lhe 
permitir um melhor direcionamento da tomada de decisão.
INTERESSE PÚBLICO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: NOÇÕES INTRODUTÓRIAS 
O entendimento dos conceitos relativos ao Direito Público, em especial do interesse 
público e da Administração Pública, perpassa pelo estudo teórico de importantes autores 
com distintos recortes. Por essa razão, a compreensão da origem dos conceitos, desde sua 
abrangência mais incipiente até sua completa abordagem, mostra-se imperativa, conforme 
passa-se a expor. O conceito de interesse público contempla as prerrogativas reconheci-
das e protegidas pelo próprio Direito Constitucional, na medida em que respeita as garan-
tias fundamentais e os direitos humanos. Por assim dizer, nas palavras de Celso Antônio 
Bandeira de Mello:
Ao se pensar em interesse público, pensa-se, habitualmente, em uma categoria 
contraposta à de interesse privado, individual, isto é, ao interesse pessoal de 
cada um. Acerta-se em dizer que se constitui no interesse do todo, ou seja, 
do próprio conjunto social, assim como acerta-se também em sublinhar que 
não se confunde com a somatória dos interesses individuais, peculiaridades 
de cada qual. Dizer isto, entretanto, é dizer muito pouco para compreender-se 
verdadeiramente o que é interesse público (MELLO, 2012, p. 59).
O autor resume a complexidade e, ao mesmo tempo, compreende que há uma ne-
cessidade de se estabelecer um conceito determinado sobre o interesse público. Pois, 
compreender a essência do conceito é fundamental já que o direito público, assim como o 
direito administrativo, se ocupa do interesse público (MELLO, 2012).
Atrelado ao conceito de interesse público há que se pensar que não se está levando 
em consideração tão somente o direito da maioria, já que isso acarretaria a destruição do 
interesse das minorias. Assim, o autor Marçal Justem Filho descreve que em um Estado 
Democrático de Direito a gestão pública precisa estar atenta à tutela dos interesses das 
maiorias como das minorias. Neste sentido, conceitua que: 
A vontade da maioria é preponderante dentro de certos limites, eis que também 
se protegem os interesses da minoria, tudo segundoparâmetros constitucio-
nalmente fixados. Ou seja, o conceito de interesse público não se vincula a 
questões apenas quantitativas (JUSTEN FILHO, 2015, p. 139).
Nesta perspectiva, continua o autor com o seguinte exemplo: “suponha-se que a maioria 
do povo brasileiro seja aficionada por futebol. Daí não pode ser extraído que o futebol deva 
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subordinar-se ao regime de direito público” (JUSTEN FILHO, 2015, p. 139), já que não há 
interesse público numa simples partida de futebol, ainda que esta seja a paixão da maioria 
dos brasileiros. Portanto, conceituar o interesse público como sendo os interesses comuns 
de uma maioria é notadamente incorreto (JUSTEN FILHO, 2015). 
Umberto Abreu Noce, por exemplo, aponta ser o interesse público “o interesse de 
toda uma sociedade e, ao indivíduo, pôr a ela pertencer, cabe a resignação quando seus 
interesses são coletivamente confrontados” (NOCE, 2020, p. 1). Em termos conceituais e 
objetivos, o interesse público diz respeito aos interesses coletivos gerais que a sociedade 
confia ao Estado “para que ele os satisfaça, através da ação política juridicamente embasada 
ou através de ação jurídica politicamente fundada” (CASTRO, 2021, p. 87174).
O que se pode concluir é que existe, de um lado, os interesses individuais, atinentes a 
cada ser particular e as suas conveniências que lhe são próprias, além dos interesses igual-
mente pessoais, que podem ser destas mesmas pessoas ou grupos, mas que se revestem 
da característica da coletividade na qual estão inseridos (MELLO, 2012), estabelecendo uma 
conexão direta com o agir da Administração Pública (SIQUEIRA, 2014). 
O autor Aloísio Zimmer Junior, assim leciona: “o agir administrativo deve orientar-se 
pela consciência de que o interesse público não possui outra titularidade real senão aquela 
representada pelo conjunto de todos os cidadãos” (ZIMMER JÚNIOR, 2009, p. 94). E vai 
além, quando afirma que não cabe à administração dispor desse interesse público ao seu 
próprio interesse: “na verdade, e esse é o sentido do princípio, do interesse público o Estado 
não pode dispor, salvo as exceções encontradas na lei” (ZIMMER JÚNIOR, 2009, p. 94).
Nota-se que o interesse público abordado preliminarmente e a Administração Pública, 
ora em destaque, possuem uma ligação umbilical, sem a qual uma não se dissocia da outra. 
Por isso a importância de se tratar ambas as noções introdutórias no mesmo eixo, pois a 
submissão da Administração Pública ao interesse público é a nota característica do regime 
jurídico administrativo (FAZZIO JÚNIOR, 2003). A CRFB/1988, em seu artigo 37, se refere 
à Administração Pública, direta ou indireta, de qualquer dos poderes da União, dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios (TAVARES, 2017). 
Todavia, embora a CRFB/1988 ofereça uma noção orgânica da Administração Pública, 
esta não se resume em si mesma, já que é mais que um singelo conjunto de órgãos e en-
tidades administrativas. Para Waldo Fazzio Júnior, “envolve um complexo diversificado de 
atividades desempenhadas imediatamente pelo Poder Público, em todos os níveis, com 
escopo de satisfazer a necessidades públicas” (FAZZIO JÚNIOR, 2003, p. 17). 
Quando se fala em Administração Pública, a primeira ideia que vem à mente é aquela 
inerente ao Poder Executivo, já que o Poder Executivo tem a função precípua de exercer 
a Administração Pública (FARIA, 2004). Essa identificação é correta, mas não é completa, 
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pois não é só no âmbito do Poder Executivo que se pratica a Administração Pública, como 
também no Poder Legislativo e no Poder Judiciário, ainda que essa não seja a função pri-
mordial (FAZZIO JÚNIOR, 2003).
Feita essa breve explanação sobre a definição mais ampla da Administração Pública, 
mostra-se imperioso trazer as distinções entre os conceitos subjetivo, objetivo e formal, bem 
como a diferença entre Administração Pública direta e indireta. Todavia, como o presente 
estudo não pretende aprofundar um desses temas em específico, urge tão somente uma 
explanação de cada característica, para que se compreenda a dimensão conceitual do tema. 
Para Aloísio Zimmer Júnior, a administração direta tem como principal função a “pres-
tação de serviço público e o exercício do poder de polícia (polícia administrativa, polícia 
judiciária e polícia ostensiva)” (ZIMMER JÚNIOR, 2009, p. 231). É revestido de autonomia 
política, administrativa e financeira distribuídas entre seus órgãos com um conjunto de com-
petências irrenunciáveis (ZIMMER JÚNIOR, 2009). Já a administração indireta:
Nasce da transferência da titularidade e da execução do serviço público por 
lei (ou outorga legal). [...] as entidades da administração indireta possuem as 
seguintes características: autonomia administrativa e financeira; algumas delas 
podem exercer poder de polícia (as autarquias, as fundações e as associações 
públicas, porque pessoas jurídicas de direito público); sujeitam-se a controle 
externo e aos princípios administrativos; todavia, diferentemente dos órgãos 
públicos da administração direta, apresentam personalidade jurídica de direito 
público ou privado (ZIMMER JÚNIOR, 2009, p. 243). 
Nessa cognição, seria possível concluir que a administração direta está representada 
pela União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios que se subdividem em órgãos 
com atribuições específicas para gerir a máquina pública. Por outro lado, quando há uma 
descentralização das atribuições com surgimento de uma personalidade jurídica própria, 
se consolida a administração indireta, que corresponde às autarquias, fundações públicas, 
empresas de economia mista e empresas públicas (CHAVES, 2019).
Feitas essas ponderações, há que se considerar, para o desenvolvimento deste estu-
do, que a Administração Pública possui um arcabouço de prerrogativas com o objetivo de 
atender o interesse público, indistintamente, estando seus agentes na administração direta 
ou indireta. Para tanto, a organização do Estado precisa ser harmoniosa, mantendo-se a 
ordem interna e a garantia constitucional. Passa-se, assim, ao estudo dos princípios nor-
teadores do direito administrativo.
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PRINCÍPIOS NORTEADORES DO DIREITO ADMINISTRATIVO: BREVES APORTES 
TEÓRICOS
Nesta fase ainda preliminar do estudo, é importante destacar algumas definições gerais 
sobre princípios e regras, já que neste primeiro capítulo tratar-se-á de princípios essenciais 
para a Administração Pública. Primeiramente, deve-se ter em mente que tanto regras como 
os princípios são espécies de norma, de modo que a distinção entre regras e princípios cons-
titui uma diferença entre duas espécies de normas (SIVA, 2012). Mas o que efetivamente é 
uma norma? Miguel Reale esclarece: 
O que efetivamente caracteriza uma norma jurídica, de qualquer espécie, é o 
fato de ser uma estrutura proposicional enunciativa de uma forma de organi-
zação ou de conduta, que deve ser seguida de maneira objetiva e obrigatória. 
Esclareçamos melhor esta noção. Dizemos que a norma jurídica é uma estru-
tura proposicional porque o seu conteúdo pode ser enunciado mediante uma 
ou mais proposições entre si correlacionadas, sendo certo que o significado 
pleno de uma regra jurídica só é dado pela integração lógico-complementar das 
proposições que nela se contêm. Afirmamos que uma norma jurídica enuncia 
um dever ser porque nenhuma regra descreve algo que é, mesmo quando, 
para facilidade de expressão, empregamos o verbo ser. [...] Dizemos, outros-
sim, que a regra jurídica enunciaum dever ser de forma objetiva e obrigatória, 
porquanto, consoante já foi exposto em aulas anteriores, é próprio do Direito 
valer de maneira heterônoma, isto é, com ou contra a vontade dos obrigados, 
no caso das regras de conduta, ou sem comportar alternativa de aplicação, 
quando se tratar de regras de organização (REALE, 2002, p. 80).
A respeito, tem-se os ensinamentos de Paulo Bonavides: “tanto as regras como os 
princípios também são normas, porquanto ambos se formulam com a ajuda de expressões 
deônticas fundamentais, como mandamento, permissão e proibição” (BONAVIDES, 2015, 
p. 283). E continua a dizer que a diferença é, portanto, diferença entre duas espécies de 
normas (BONAVIDES, 2015). A CRFB/1988 consagra, em muitas oportunidades, não apenas 
os princípios, mas também as regras que dão um conteúdo mais determinado à disciplina 
constitucional. Marçal Justem Filho assim leciona:
A Constituição consagra o princípio de que todos devem ser tratados igual-
mente (art. 5º, caput e inc. I). Mas a Constituição também prevê uma regra 
no sentido de que “É vedado a União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos 
Municípios (...) III – criar distinções entre brasileiros...” (art. 19, inc. III)”. (JUS-
TEN FILHO, 2015, p. 201).
Pode-se conceber, portanto, que os princípios são espécies de normas dotados de alto 
grau de generalidade, ao passo que as regras, também consideradas espécies de normas, 
apresentam um grau relativamente baixo de generalidade (BONAVIDES, 2015). Nessa 
esteira, para ser compreendido, as regras contêm descrições objetivas de condutas; já os 
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princípios empregam valores ou metas a serem alcançados (ARAÚJO, 2018). E nesta relação 
conceitual, a conjunção entre princípios e regras acarreta à redução da autonomia quanto 
às legislações infraconstitucionais, já que precisam se submeter à solução constitucional 
predeterminada (JUSTEN FILHO, 2015).
Robert Alexy, em sua obra Teoria dos Direitos Fundamentais, se preocupa em esta-
belecer uma distinção entre regras e princípios, buscando clareza para a teoria dos direitos 
fundamentais. De antemão destaca, que ambos são reunidos sob o conceito de norma: 
“tanto regras quanto princípios são normas, porque ambos dizem o que deve ser” (ALEXY, 
2008, 88). A distinção entre regras e princípios, segue o autor, é, portanto, uma distinção 
entre duas espécies de normas. Seguindo uma linha de conceituação, Robert Alexy tam-
bém distingue regras e princípios pela característica da generalidade, como defende Paulo 
Bonavides. Todavia, provoca uma maior reflexão ao tema pelo distinto caráter prima facie 
das regras e dos princípios. Nesta linha, preceitua: 
Princípios exigem que algo seja realizado na maior medida possível dentro das 
possibilidades jurídicas e fáticas existentes. Nesse sentido, eles não contêm 
um mandamento definitivo, mas apenas prima facie. Já o caso das regras é 
totalmente diverso. Como as regras exigem que seja feito exatamente aquilo 
que elas ordenam, elas têm uma determinação da extensão de seu conteúdo 
no âmbito das possibilidades jurídicas e fáticas (ALEXY, 2008, p. 105).
Sob essa perspectiva, as reflexões demonstram que regras e princípios possuem 
naturezas distintas, na qual “princípios são sempre razões prima facie e regras são, se não 
houver o estabelecimento de alguma exceção, razões definitivas” (ALEXY, 2008, p. 107).
Em linhas gerais, os princípios e as regras norteiam todo o ordenamento jurídico pátrio, 
na medida que formam uma estrutura de organização e conduta das ações. Por esta razão, 
tratar-se-á de forma mais detalhada dois princípios administrativos implícitos na CRFB/1988, 
quais sejam, os princípios da supremacia e da indisponibilidade do interesse público.
SUPREMACIA E INDISPONIBILIDADE DO INTERESSE PÚBLICO: PRINCÍPIOS 
ADMINISTRATIVOS IMPLÍCITOS NA CRFB/1988 
Conceitualmente, o princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse pri-
vado é princípio geral de Direito Administrativo. É a sua própria condição de existência e sua 
principal essência, na medida que se coloca como um princípio de observação obrigatória por 
parte da Administração Pública, ao passo que as ações devem atender aos fins do interesse 
geral que compreendam o interesse público, ou seja, da coletividade (MEIRELLES, 2014). 
Celso Antônio Bandeira de Mello ensina que o princípio da supremacia do interesse 
público não se radica em dispositivo específico na CRFB/1988, ainda que inúmeros façam 
referências concretas dele “como, por exemplo, os princípios da função social da propriedade, 
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da defesa do consumidor, do meio ambiente (art. 170, III, V e VI), ou tantos outros”(MEL-
LO, 2012, p. 99). Diógenes Gasparini pondera que “no embate entre o interesse público e 
o particular há de prevalecer o interesse público”. E complementa afirmando que seria im-
possível imaginar o contrário, onde o interesse de um, ou de um grupo, pudesse sobrepor 
ao interesse de todos (GASPARINI, 2012). Percebe-se, nessa linha, que a supremacia do 
interesse público serve como um manto com o qual o Estado se reveste para inserir ações 
em nome do interesse público (FERREIRA, 2013).
Uma vez observado, o princípio da supremacia do interesse público deve estar presente 
tanto no momento da elaboração da lei como no momento da sua execução em concreto 
pela Administração Pública, ou seja, ele norteia a ação do legislador e vincula totalmente 
a ação da autoridade administrativa (DI PIETRO, 2015). Nesses termos, é seguro afirmar 
que a supremacia do interesse público deve ser interpretada de acordo com a sua supe-
rioridade sobre os demais princípios existentes na sociedade e que norteiam a ação da 
Administração Pública.
Ligada a esta mesma ideia, indiscutivelmente, o princípio da indisponibilidade do inte-
resse público tem estreita relação com o princípio da supremacia (FILHO, 2022). Segundo 
este princípio, é vedado à gestão da Administração Pública deixar de tomar providências ou 
retardar providências que são relevantes ao atendimento do interesse público, em virtude 
de qualquer outro motivo (JUSTEN FILHO, 2015).
Para Hely Lopes Meirelles a Administração Pública não pode dispor do interesse pú-
blico, tão pouco renunciá-lo, “mesmo porque ela não é a titular do interesse público, cujo 
titular é o Estado, como representante da coletividade, e, por isso, só ela, pelos seus repre-
sentantes eleitos, mediante lei, poderá autorizar a disponibilidade ou a renúncia”(MEIREL-
LES, 2014, p. 110).
No mesmo entendimento, Diógenes Gasparini destaca que segundo este princípio, os 
bens, direitos, interesses e serviços públicos não se encontram à disposição dos órgãos da 
Administração Pública, sendo que a estes cabem tão somente a sua gestão, pois “o detentor 
desta disponibilidade é o Estado” (GASPARINI, 2012, p. 72).
A indisponibilidade do interesse público indicaria, portanto, a impossibilidade de sacri-
fício ou transigência quanto ao interesse público, configurando-se como resultado de sua 
supremacia (JUSTEN FILHO, 2015, p. 132).
Por tudo isso, é irrefragável compreender que a soma do princípio da indisponibili-
dade, com os compromissos que daí resultam (dever), com o princípio da supremacia do 
interesse público (poder), compõem a síntese do regime jurídico administrativo. Em outras 
palavras, “o poder-dever ou o dever-poder de o Estado realizar o interesse público” (ZIMMER 
JUNIOR, 2009, p. 100).
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Esses elementos remontam ao entendimento, portanto, que o princípio da indisponi-bilidade possui importante função no direcionamento da atividade administrativa, ao passo 
que age como um freio aos excessos indesejáveis que a Administração poderia cometer, ao 
mesmo tempo em que serve como uma baliza jurídica a fim de alcançar os objetivos deli-
neados pela CRFB/1988 (FARIA, 2020). Portanto, irrefutável a importância dos princípios da 
supremacia e da indisponibilidade do interesse público, mesmo que sejam princípios admi-
nistrativos implícitos, ao passo que devem servir de baliza da Administração Pública. E, sob 
este direcionamento devem ser compreendidos os princípios administrativos explícitos, que 
se passa a expor. 
LIMPE - OS PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS EXPLÍCITOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 
A norma pátria inovou ao trazer expressamente alguns princípios a que se submete 
a Administração Pública direta e indireta. Dentre esses, a saber: LIMPE - legalidade, im-
pessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Todos abarcados pelo artigo 37, caput, 
com redação dada pela Emenda Constitucional n. 19/1998, na qual passa-se a desenhar.
O princípio da legalidade, no Brasil, segundo Celso Antônio Bandeira de Mello, dispõe 
que “a Administração nada pode fazer senão o que a lei determina”. Ao contrário dos parti-
culares, que podem fazer tudo o que a lei não proíbe, a Administração só pode fazer o que 
a lei autoriza. Por essa razão, é que se pode afirmar que administrar é prover aos interesses 
públicos, assim previstos em lei, em conformidade aos meios e formas nela estabelecidos 
ou particularizados (MELLO, 2012). E, complementa o autor que “o princípio da legalidade 
é o da completa submissão da Administração às leis” (MELLO, 2012, p. 114).
Uma vez previsto no normativo constitucional, a Administração Pública tem o dever 
de aplicar a lei, bem como o dever de zelar pelo seu cumprimento. Por esta medida, fica 
impedida de atuar contra legem ou praeter legem, ao mesmo tempo em que não pode des-
cumprir o mandamento legal. Fica sujeita ao controle jurisdicional quanto a sua atuação; 
assim como sujeita à fiscalização legislativa referente aos seus atos. Como consequência 
imperativa, deverá anular os atos ilegais que praticar; e poderá revogar seus atos discricio-
nários inconvenientes ou inoportunos (FAZZIO JÚNIOR, 2003). Diante dessas acepções 
pode-se afirmar que o princípio da legalidade torna ilegal todo e qualquer ato administrativo 
que não tiver respaldo em lei, ficando a Administração Pública adstrita a ela. É a limitação 
e a vinculação de toda atividade administrativa à lei, como medida de exercício do poder 
(FAZZIO JÚNIOR).
De seu turno, o princípio da impessoalidade, enquanto princípio decorrente da igual-
dade, se traduz na ideia de que a Administração deve tratar todos os administrados sem 
distinções ou privilégios. Cuida-se, segundo Celso Antônio Bandeira de Mello, de um princípio 
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que afasta o favoritismo e as perseguições. Assim, afirma o autor que “simpatias ou animo-
sidades pessoais, políticas ou ideológicas não podem interferir na atuação administrativa 
e muito menos interesses sectários, de facções ou grupos de qualquer espécie”(MELLO, 
2012, p. 117). O princípio em causa não é senão o próprio princípio da igualdade, sem que 
haja distinção, discriminação ou favorecimento entre seus administradores e administrados. 
Neste entendimento, não há espaço para privilégios.
Diógenes Gasparini defende a ideia desse princípio como um freio do velho costume do 
atendimento ao administrado por ter certo prestígio ou porque o agente público deva alguma 
obrigação. Para o autor, o princípio da impessoalidade deve afastar os benefícios dirigidos 
a uma pessoa ou empresa e, em havendo, os casos típicos de pessoalidade devem sofrer 
sanções (GASPARINI, 2012).
O princípio da moralidade administrativa, pelas palavras do doutrinador Celso Antônio 
Bandeira de Mello, acha-se protegido no art. 5º, inciso LXXIII, da CRFB/1988, na medida 
que prevê o cabimento de ação popular para anulação de “ato lesivo ao patrimônio público 
ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente (...) 
etc” (MELLO, 2012, 123). Este princípio, ainda que por vezes criticado por não configurar um 
princípio jurídico, mas sim de cunho moral e ético (ARAÚJO, 2012), dá um realce ao dever 
de probidade do administrador público, a partir de pressupostos que atendam a honestidade.
Ou seja, o autor tratou de abarcar o ensinamento de Celso Antônio Bandeira de Mello 
quando exemplifica a possibilidade de utilizar o princípio da moralidade na Ação Popular, 
somado ao posicionamento de Edmir Netto de Araújo conceituando-o como princípio jurí-
dico indeterminado. De toda sorte, Diógenes Gasparini esclarece que o art. 37, caput, da 
CRFB/1988 menciona, dentre outros, o princípio da moralidade, tendo hoje, portanto, status 
constitucional (GASPARINI, 2012).
Por oportuno, frente ao princípio da moralidade, a Administração e seus agentes de-
vem atuar em conformidade aos princípios éticos, pois “violá-los implicará violação ao pró-
prio Direito” MELLO, 2012, p. 122). Em resumo, sempre que se verificar no âmbito da 
Administração Pública um comportamento, ainda que seja em consonância com a lei, mas 
que ofenda a moral, os bons costumes, os princípios de justiça e de equidade, a ideia comum 
de honestidade, existirá ofensa ao princípio da moralidade administrativa (DI PIETRO, 2015).
Já o princípio da publicidade, determina que os atos administrativos sejam públicos. 
Significa dizer que administrar pressupõe agir com transparência e dar ciência de seus 
atos a todos (FAZZIO JÚNIOR, 2003). Edimur Ferreira de Faria lembra que o art. 5, inciso 
XXXIII, da CRFB/1988, garante a todos os cidadãos o direito de obter informações dos ór-
gãos públicos, sejam eles de interesse próprio ou de interesse geral, “ressalvados os casos 
cujo sigilo for necessário à segurança da sociedade e do Estado”(FARIA, 2004, p. 37). Dar 
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publicidade não significa fazer propaganda, promover e promover-se. Dar publicidade é a 
síntese de três verbos: informar, orientar e educar (FAZZIO JÚNIOR, 2003). Abrange toda 
atuação da Administração Pública, devendo utilizar-se dos meios e instrumentos legítimos 
para o cumprimento deste dever (MEIRELLES, 2014).
Por fim, o princípio da eficiência abarcado na CRFB/1988, por meio da Emenda 
Constitucional n. 19/1998, diz que a administração deve atuar em observância a máxima 
custo/benefício (FARIA, 2004). Feita essas primeiras considerações sobre a LIMPE - lega-
lidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência - passa-se a uma melhor com-
preensão do princípio administrativo constitucional da eficiência, na medida que precisa ser 
compreendido em sua totalidade para posterior entendimento do estudo inicialmente proposto. 
PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL ADMINISTRATIVO DA EFICIÊNCIA: O PARADOXO 
ENTRE LEGALIDADE E GESTÃO
A atuação da Administração Pública, sem prejuízo da necessária observância à legali-
dade, é pautada, sobretudo, na harmonização dos princípios da impessoalidade, moralidade, 
publicidade e eficiência. E essa harmonia se exorta na imprescindibilidade de consecução 
do objetivo maior da Administração Pública: atender o interesse público.
Conceitualmente, o princípio da eficiência impõe à Administração Pública direta e in-
direta a obrigação de realizar suas atribuições com rapidez, perfeição e rendimento, sob a 
luz do princípio da legalidade (GASPARINI, 2012).
Emerson Gabardo, em sua obra, reforça que “não há como aceitar a tese de 
que o princípio da eficiência é meramente decorativo, não possuindo força 
normativa” já que sua natureza se altera a partira vontade da Constituição, 
na figura de um princípio jurídico expresso (GABARDO, 2002). É corriqueiro 
afirmar, e as leituras tendem a essa concepção, que o princípio da eficiência 
fora inserido na CRFB/1988 pela Emenda Constitucional n. 19/1998. Errado 
não está, já que a promulgação deste pergaminho acrescentou a eficiência 
no rol dos consignados no art. 37, caput, da CRFB/1988 (FARIA, 2004). To-
davia, segundo pesquisa intitulada “Notas para um debate sobre o princípio 
da eficiência”, de autoria de Paulo Modesto (MODESTO, 2020), o princípio já 
estava, ainda que implicitamente, no texto constitucional, a saber, por exemplo, 
pelo art. 74, inciso II: 
Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, 
sistema de controle interno com a finalidade de:
[...]
II - Comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiên-
cia, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades 
da administração federal, bem como da aplicação de recursos públicos por 
entidades de direito privado; (grifou-se) (BRASIL, 1988).
Diante dessas significações, pode-se admitir que o princípio da eficiência, embora 
não diretamente tratado pela CRFB/1988, já recebia sua importância. Entretanto, ainda que 
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não seja novo no sistema jurídico brasileiro, recebeu uma nova roupagem com a Emenda 
Constitucional n. 19/1998, ao passo que galgou de um princípio implícito para um princípio 
explícito no texto constitucional. Passa a exercer a característica de norma-princípio, na 
medida em que deixa de figurar no campo da mera conduta ética para se tornar uma norma 
cogente de observância obrigatória no âmbito da atividade administrativa (SOARES, 2017).
Em complemento, Hely Lopes Meirelles segue, igualmente, a linha pela qual o princípio 
da eficiência deve ser exercido com presteza, perfeição e rendimento funcional. Ao que se 
verifica, segundo seu entendimento, “é o mais moderno princípio da função administrativa, 
que já não se contenta em ser desempenhada apenas com legalidade, exigindo resultados 
positivos para o serviço público e satisfatório atendimento das necessidades da comunida-
de”(MEIRELLES, 2014, p. 102).
Não se pode olvidar que diante de um Estado Democrático de Direito e frente a um 
regime jurídico-administrativo, a eficiência sempre estará subordinada à legalidade. Não 
que a legalidade se sobreponha aos demais princípios, mas por considerar os ditames 
legais estabelecidos pelo legislador. Consequentemente, o princípio da eficiência jamais 
será absoluto (FILHO, 2022). Em breve síntese, seria como dizer: “os dois princípios cons-
titucionais da Administração devem conciliar-se, buscando esta atuar com eficiência, dentro 
da legalidade”(MEDAUAR, 2011, p. 137).
É possível observar que embora o princípio da eficiência tenha sido expressamente 
inserido na CRFB/1988 apenas em 1998, o fato é que sua essência já fazia parte do direito 
administrativo. Emerson Gabardo destaca que causa certo espanto este atraso considerá-
vel da constitucionalização de um princípio de tamanha relevância, que de tão óbvio, quiçá 
precisasse ser inserido de forma expressa, pois ao que se infere, à Administração Pública 
sempre lhe coube agir com eficiência (GABARDO, 2002).
Diante desse cenário, o que a Administração Pública almeja alcançar com o princípio 
da eficiência? Responde à questão Francisco Alves Gomes quando afirma que “quando se 
fala em eficiência administrativa, possivelmente estão se referindo a racionalização, produ-
tividade, economicidade e celeridade” (GOMES, 2022, p. 53). A existência dos princípios 
administrativos constitucionais, sejam eles implícitos ou explícitos, demonstram uma preo-
cupação da CRFB/1988 em fazer com que a Administração Pública, de um lado, execute 
com presteza as atribuições que lhe são impostas, a fim de atender o interesse público e, 
de outro lado, que entregue um serviço eficiente, racional, econômico e célere dentro dos 
parâmetros permitidos.
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CONCLUSÃO
O ordenamento jurídico brasileiro apresenta um rico arcabouço teórico e a CRFB/1988, 
por consequência, traz ao seu conteúdo um leque significativo de avanços no que tan-
ge os princípios amplamente discutidos ao longo da investigação científica. Além disso, 
a CRFB/1988 demonstra uma real preocupação em fazer com que os agentes públicos 
executem suas atribuições, que lhe são impostas pelo Estado de Direito, com o objetivo de 
oportunizar políticas públicas adequadas e juridicamente possíveis, dentro de uma razão 
de eficiência e controle administrativo, sem que isso denote em responsabilização pelo co-
metimento de qualquer infração de direito.
É importante dizer que, em certas tomadas de decisões frente ao gerenciamento das 
políticas públicas, alguns entendimentos dos mecanismos de controle se tornam adversos, 
comprometendo, assim, a eficiência administrativa. Daí porque a importância de princípios 
norteadores da atuação administrativa, seja para evitar eventual prejuízo ao agente público, 
seja para lhe permitir um melhor direcionamento da tomada de decisão. Assim, é preciso 
levar em consideração a ponderação de valores entre eficiência e controle, para que se con-
sidere a autonomia dos agentes públicos em situações que vão desde questões corriqueiras 
a tomadas de decisão de grande impacto na sociedade.
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