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CENTRO UNIVERSITÁRIO FAEMA - UNIFAEMA ARQUITETURA E URBANISMO KARINY DANIELLY SILVA NUNES KARINA MAIA PONTES MOREIRA RELATÓRIO DE CONSERVAÇÃO E RESTAURO EDIFICAÇÃO RESIDENCIAL Ariquemes, RO, Brasil 2022 Kariny Danielly Silva Nunes Karina Maia Pontes Moreira RELATÓRIO DE CONSERVAÇÃO E RESTAURO EDIFICAÇÃO RESIDENCIAL Relatório de conservação e restauro apresentada ao curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário FAEMA - UNIFAEMA como requisito parcial para obtenção da aprovação na disciplina de Técnicas Retrospectivas. Orientadora: Prof.ª Joani Paulus Covaleski Ariquemes, RO, Brasil 2022 Sumário 1.0. Identificação do bem----------------------------------------------------------------------------5 1.1. Pesquisa histórica-----------------------------------------------------------------------------5 1.2. Levantamento Cadastral---------------------------------------------------------------------8 1.3. Documentação fotográfica-----------------------------------------------------------------11 1.4. Análise Tipológica, identificação de materiais e sistemas construtivos--------11 1.5. Prospecções Arquitetônicas---------------------------------------------------------------19 1.6. Mapeamento de danos e análise do estado de conservação---------------------20 2.0. Diagnóstico---------------------------------------------------------------------------------------24 2.1. Mapeamento de Danos----------------------------------------------------------------------25 2.2. Análise do estado de conservação-------------------------------------------------------30 2.3. Estudos Geotécnicos-------------------------------------------------------------------------32 3.0. Referências--------------------------------------------------------------------------------------34 3.1. Apêndice A-------------------------------------------------------------------------------------35 3.2. Apêndice B-------------------------------------------------------------------------------------40 3.3. Apêndice C-------------------------------------------------------------------------------------42 Identificação do bem A etapa de identificação do bem, inicia-se primeiro, com o primeiro contato com a edificação. A identificação é realizada antes da avaliação de diagnóstico e intervenção. Nessa etapa, são feitas as análises das características da edificação, chamada reconhecimento do bem. São muitas investigações que são feitas no local. Dessa forma, foram feitos alguns eixos de investigação, como: o histórico, o levantamento cadastral, a análise tipológica, identificação de materiais e sistema construtivo, onde está contida uma breve explanação da prospecção arquitetônica. pesquisa histórica A pesquisa histórico-documental deste relatório foi concentrada na história da cidade de Ariquemes, isso se justifica haja vista que pouco foi encontrado no que diz respeito à história do imóvel. O imóvel, foi construído em 1994, pelo casal, na rua Teófilo Otoni, no setor 9 de cima, em Ariquemes,RO. O nome Ariquemes é uma homenagem a tribo indígena Arikemes, habitante original dessa região. A tribo foi extinta, mas gravou seu nome na história de Ariquemes. Imagem 1: Localização de Ariquemes no mapa de Rondônia Fonte: Researchgate. Por volta de 1794, o Vale do Jamari, onde surgiu o Núcleo que deu origem ao município de Ariquemes, era conhecido pela abundância de suas especiarias nativas, destacando o cacau e o látex da seringueira. A região habitada por extrativistas e índios possuía vários seringais, principalmente o Seringal Papagaios. Nessa época, a região amazônica era desconhecida. A ocupação do Vale do Jamary ocorreu por volta de 1900, principalmente durante o primeiro ciclo da borracha, mas sua ocupação efetiva ocorreu a partir de 1909 com a construção da linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antônio do Rio Madeira. Uma maratona de muito trabalho e sacrifício, cuja expedição era chefiada pelo Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon em sua terceira viagem pela Amazônia. Imagem 2: Foto da época mostrando o Marechal Rondon. Fonte: Câmara de Ariquemes Em 1915, essa região foi delimitada pela resolução nº 735, de 06 de outubro, e denominada 3º Distrito do município de Santo Antônio do Rio Madeira. Período de grande migração nordestina, com os imigrantes ocupando terras e extraindo as riquezas naturais, especialmente o látex da borracha, de grande procura internacional. Com as altas produções de borracha da Malásia, os seringais amazônicos entraram em decadência somente vindo a recuperar-se com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, fazendo com que os aliados perdessem os seringais do oriente. A Amazônia via-se envolvida num conflito em função da borracha, iniciando o segundo ciclo econômico com reflexos em todos os seringais já existentes. Novos imigrantes nordestinos surgiram na Amazônia para contribuir com o trabalho na guerra que se desenrolava na Europa e no Oriente. Em 13 de setembro de 1943, o Presidente Gertúlio Vargas, por meio do Decreto Lei nº 5912, cria o Território Federal do Guaporé, e a região passou a fazer parte do município de Porto Velho como Distrito de Ariquemes. Houve um fluxo migratório de nordestinos que se transformaram em seringueiros, formando um exército de "Soldados da Borracha". Terminado o conflito mundial, diminuiu o interesse pela borracha Amazônica. Em 1958 com a descoberta da cassiterita, minério de estanho, novos contingentes migratórios ocorreram vindos de diversos pontos do país. Os garimpeiros se estabeleceram em volta do campo de pouso de aeronaves que escoavam a produção do minério, centralizaram suas moradias e os estabelecimentos comerciais. Em fevereiro de 1960, o então Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, determinou ao Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (DNER), a abertura e construção da estrada que acabou se tornando o leito da BR 364. No dia 15 de abril de 1970, o Ministério das Minas e Energia, por meio de portaria, proibiu a lavra manual de garimpagem da cassiterita sob argumento de ser predatória, determinando que a exploração das jazidas minerais fossem mecanizadas através de empresas. A partir daí, Ariquemes passou a ser apenas ponto de parada ao longo da BR 364. Em 1972, começaram os estudos realizados pelo INCRA nas áreas desapropriadas, que resultaram nos projetos de assentamento "Burareiro" e "Marechal Dutra". A partir de 1975, esses projetos entram em fase de implantação. O crescimento populacional é sentido e envolve a ação conjunta do INCRA, Governo do Território e Prefeitura Municipal de Porto Velho na criação de um planejamento urbano, com vista, a ocupação racional e planejada da área. O Prefeito de Porto Velho, determinou a transferência da sede do Distrito, localizada às margens do rio Jamari, onde atualmente se localiza o bairro Marechal Rondon, para outra localidade próxima a BR 364, onde foi instalada a cidade planejada dividida em setores: Institucional, Industrial, Comercial e Residencial. No dia 11 de fevereiro de 1976, a primeira árvore foi derrubada surgindo a Nova Ariquemes. A vila passou a ser chamada de Vila Velha. Houve tentativa de erradicação do vilarejo inicial, visto ser ele cortado ao centro pela BR 364, que lhe servia de eixo. Apesar das tentativas, o povo ali residiu e ocupou, em grande parte, a área atualmente incluída no plano histórica do município. Ainda hoje, pode se encontrar alguns pioneiros da imigração nordestina e seus descendentes do segundo ciclo da borracha, ruínas da instalação do posto telegráfico, o mastro, além de alguns móveis, constituindo-se em memória viva daquela época. Imagem 3: Setor Institucional no ano de 1977. Fonte: Câmara de Ariquemes Imagens 4: Setor 1 em 1978.Imagem 5: Abertura para instalação da linha telegráfica Fonte: Câmara de Ariquemes. Fonte: Câmara de Ariquemes. LEvantamento Cadastral O levantamento cadastral se inicia para compreender a residência, com coleta de dados da estrutura, e fotografias do espaço. Se iniciou com a observação e o levantamento de informações técnicas do local, foi realizada visita técnica na casa, utilizando os seguintes materiais de levantamento: prancheta, canetas, papéis, trenas, réguas e celulares para fotografias. e foram feitas medições de toda a residência, todos os ambientes interiores e exteriores com suas medidas, marcações de portas, janelas e vãos. Foi coletadas fotos de todos os ambientes da residência, incluindo a fachada, que é uma única fachada, a frontal. Também recebemos informações de técnicas construtivas dos moradores, estes que nos auxiliou no levantamento, dando as informações necessárias. Tudo o que foi anotado gerará as representações gráficas. Croquis da planta baixa e sala Croquis quarto 1 e área externa Croqui portão Croquis banheiro 1 e cozinha Croquis quarto 2 e lavanderia documentação fotográfica A documentação fotográfica que foi realizada, é importante para visualizar bem a edificação, entender melhor os espaços do interior e exterior, e observar todas as suas características de construção atuais. Foram feitos registos fotográficos de toda a residência, os registros de todos os ambientes da casa, além da fachada. As fotografias são apresentadas no Apêndice B deste documento. Analise tipologica, identificação de materiais e sistemas construtivos A residência se encontra localizada na rua Teófilo Otoni, no setor 9 de cima, nº 4002, em Ariquemes, Rondônia. O setor em que está localizado não é tão antigo no município, quanto os setores 1, 3, 4 e Marechal Rondon, que foram os primeiros a surgirem casas no início da cidade. O setor 9 foi surgindo anos depois. Imagem 6: Fachada da casa em estudo. Fonte: Autoras. A residência foi construída dentro dos limites do terreno, há apenas uma fachada, a frontal, pois as laterais e o fundo são paredes e meias com outras casas. O imóvel não utiliza o terreno todo da frente para a casa em si, há um pequeno espaço na frente que utilizam para jardim e área. Já ao fundo, é utilizado todo o terreno, no fundo fica a cozinha, quartos, lavanderia e depósitos, o terreno mede 30 m de comprimento por 10 m de frente. A casa divide-se em: área externa, jardim, sala, cozinha, quarto 1, quarto 2, jardim de inverno, banheiro 1 e banheiro 2, lavanderia, depósito 1 e depósito 2. Na casa moram o casal, que construíram a casa. Segue abaixo a planta baixa. O estilo arquitetônico usado nos anos de 1994 era o pós-moderno, porém os moradores não seguiram algum tipo de estilo arquitetônico específico, apenas fizeram uma casa tradicional brasileira. Imagem 7: Planta baixa da casa. Fonte: Autoras. A estrutura é de alvenaria tradicional, os telhados são do tipo aparente, feito com telhas de barro americana, o que é comum. O telhado possui 3 águas, e a cobertura é com beiral. A fachada é composta por duas janelas do tipo arco viradas para a rua pintadas em cor verde água, a porta de entrada em madeira escura fica na lateral. O material predominante das paredes é reboco com pintura, a tinta é no tom azul claro, no exterior da casa. Os muros são em alvenaria, parte rebocada e pintada e parte chapiscada trabalhada com concreto armado. Entrando no quintal, é a área externa e jardim, o jardim ainda não foi feito, está na terra. O piso é do tipo cerâmico de cor branca, as paredes são rebocadas e pintadas com tinta cor azul clara. O muro, do lado externo, está sem reboco, e do lado interno também. A cerca é de madeira, na cor verde água, e o portão de metal, de correr, também nessa cor. Imagem 8: Área externa. Imagem 9: Sala vista 1 Entrando na casa, o primeiro ambiente é a sala, o piso é cerâmico em tons branco e verde, as paredes são rebocadas e pintadas na cor branca. O Forro do teto é de PVC em tom branco. A sala dá acesso ao restante da casa por meio de um vão aberto em forma de arco, os ambientes mais próximos são quarto 1, banheiro 1 e cozinha. Os rodapés da casa são em piso cerâmico tom preto. Imagem 10: Sala vista 2 Imagem 11: Sala vista 3 O próximo ambiente é o quarto 1, que é o quarto do casal que vive ali, o piso é cerâmico, o mesmo da sala. O teto é de PVC, as paredes são rebocadas sem tinta. Imagem 12: Quarto 1 do casal Imagem 13: quarto 1 vista 2. O próximo ambiente é a cozinha da família, o acesso se dá pela sala. O piso é do tipo cerâmico igual ao da sala, as paredes são rebocadas sem tinta, e o teto é de PVC. As janelas são do tipo arco em tom branco. Imagem 14: Cozinha A cozinha dá acesso ao jardim de inverno, ao banheiro 1, ao quarto 2, e a lavanderia. O jardim de inverno possui uma janela de vidro do tipor correr, que foi colocada recente, e eles entram por ela. No momento não há plantas, mas a intenção é para ser um jardim de inverno. O piso é rebocado sem tinta e as paredes também. A janela é de correr, em tom branco. Imagem 15: Jardim de Inverno Imagem 16: Jardim de Inverno interior. O proximo ambiente é o banheiro 1, que é o banheiro do casal. O piso é do tipo cerâmico em tom branco e verde. Imagem 17: Banheiro 1 Imagem 18: Banheiro 1 A cozinha dá acesso ao quarto 2, por meio de um vão. No quarto 2, o ambiente é separado em dois pisos diferentes, um mais antigo e outro mais recente. No inicio do quarto, o piso é do tipo cerâmico igual ao do resto da casa, mais antigo. E onde ficam as camas, o piso é do tipo cerâmico em tom branco, o mais recente. Imagem 19: Entrada do quarto 2 Imagem 20: Quarto 2 As paredes são rebocadas e pintadas na cor branca, a janela não é igual as outras da casa, ela é reta, de correr do tipo “raio de sol” como é popularmente chamada. O forro é de PVC em tom branco, como no restante da residência. Imagem 21: Quarto 2 O quarto dá acesso ao banheiro 2, o piso dele é do tipo cerâmico em tom branco, as paredes também são do mesmo piso. Os sanitários são em cerâmica na cor branca. A porta em madeira cor clara, janela basculante e um pequeno cobogó de tijolo. Imagem 22: Banheiro 2 Imagem 23: Banheiro 2 Voltando a cozinha, ela dá acesso a lavanderia, do lado de fora da casa. O piso é cerâmico mosaico, as paredes são rebocadas sem tinta, as janelas são do tipo arco pintadas de branco. A lavanderia dá acesso aos depósitos da casa, onde guardam materiais de construção e outros objetos. Imagem 24: Lavanderia Imagem 25: Acesso aos depósitos Imagem 26: Depósito 1 Imagem 27: Depósito 2 Imagem 28: Entrada do Depósito 2 Nos depósitos, os pisos são do tipo cerâmico mosaico de várias cores, vários pedaços de pisos diferentes foram unidos formando o chão. As paredes do deposito 1 são com reboco sem tinta, e com teto sem forro, e do deposito 2 são pintadas de branco, com teto de PVC branco. As portas em madeira do tipo abrir, e as janelasno modelo raio de sol, de correr. Todas as iluminações são em cor branca, do tipo de lâmpada comum, a incandescente. Os telhados apresentam madeiramento estrutural abaixo das telhas de barro americana. Na lavanderia e depósitos é possível vê-los. Prospecções arquitetônicas As prospecções arquitetônicas são feitas para a identificação dos materiais construtivos, elas contribuem para a identificação de intervenções posteriores à construção inicial, nos revestimentos e servem para orientar os trabalhos e propostas de restauração. Na residência em questão, os métodos de prospecções foram feitos com os registros fotográficos do momento atual da casa, em agosto de 2022. Imagem 29: Volumetria da fachada A residência da família foi construída em 1994, uma única casa dentro de um terreno, a casa inicialmente era toda de madeira, construída na frente do quintal para o fundo, deixando espaço vazio no fundo do quintal. Foi construída pela própria família. Com o passar dos anos foram fazendo alvenaria. Começando pela fachada da casa, vemos que a volumetria, principalmente do telhado é de duas águas, pelas prospecções é possível perceber que é de um tipo que era muito usada pelos moradores a muitos anos atrás, onde não havia modernidade na construção, como o uso de platibandas por exemplo. Outra observação feita, é de que o muro e composto por uma cerca de madeira em toda a sua extensão, mais uma característica de um imóvel antigo. Pois as casas modernas ou contemporâneas de hoje em dia, o muro e apenas um muro, totalmente fechado sem qualquer tipo de cerca. Então pode-se concluir que realmente a casa é antiga, pode-se observar na área externa, sala e cozinha, o tipo de janela em forma de arco, de correr. Também muito usado antigamente, na casa traz aquela sensação de nostalgia. Chega-se a conclusão de que estes foram colocados no início das construções, nos anos 90. Imagem 30: Obs. Piso, teto e janela. O piso cerâmico usado nesses ambientes internos também parece ser antigo, já o piso cerâmico branco da área externa, parece que foi posto recente, por estar em ótimas condições, talvez no mesmo período que fizeram o muro e pintaram a casa de azul, 2012, aproveitaram e trocaram o piso antigo. O teto de pvc não esta em boas condições em alguns ambientes, esta aberto, o que leva a crer que já faz tempo que esta ali, talvez mais ou menos uns 20 anos ou um pouco menos, porque o forro de pvc dura muito, mas depois de alguns anos de uso ele começa a abrir, como mostra na foto. O muro da fachada da casa foi feito e pintado mais ou menos em 2012, então não são tão antigos. Em algumas partes da casa, tem muitas manchas de reboco, como se tivesse fechado portas e janelas e aberto outras em outros locais, por exemplo na cozinha, onde fecharam uma porta, e abriram em outro lugar. Como pode-se ver na cozinha. O piso da lavanderia parece ser muito antigo, é do tipo que as famílias costumavam fazer antigamente, juntando vários pedaços aleatórios de outras cerâmicas e juntando tudo na massa encaixando e formando o piso, pode-se observar que este nunca foi trocado. Imagem 31 e 32 : Marcas de parede removida na cozinha Observando essas imagens, dá para perceber que havia uma parede no meio da cozinha na imagem 31 e 32, mas foi tirada para obter mais espaço de circulação, e ter acesso ao quarto 2 e banheiro 2, que pelas informações colhidas com o senhor morador, foi feito um “puxado” para o fundo, para uma das filhas morar. Imagem 33: Quarto 2 Conclui-se que, a casa mudou bastante de 1994 para hoje em dia, foram feitas paredes de alvenaria, colocadas janelas, pisos e portas daquela época dos anos 90. Em algumas partes da casa, já em outras é possível notar, que foram substituídas por peças novas, por tintura nova, e feito novos ambientes para abrigar mais pessoas da família. Então há uma mistura de épocas na residência da família dos Maia, que vieram do Ceará para Rondônia. Mapeamento de danos e análise do estado de conservação O Mapa de Danos é usado para apresentar uma lista detalhada dos problemas de cada edificação que ajudará no projeto de restauro. Não existe um padrão ou uma metodologia específica, ou mais adequada ou mais correta para a elaboração dos Mapas de Danos. A Carta de Atenas mostra que cada caso é um caso único, os materiais usados são flexíveis, adaptando-se as necessidades especificas de cada projeto. O Mapa de Danos é ainda, um ponto que fica entre o levantamento de dados e projeto de restauração. Recomenda-se que a ação de intervenção seja feita imediatamente após a criação do mapa de danos, para evitar continuidade da deterioração e, por conseguinte a piora do estado de conservação. Já que esse documento é um retrato do imóvel em um determinado momento no tempo. A Análise do Estado de Conservação são as considerações feitas sobre o estado geral do ambiente estudado, suas condições atuais identificando o grau de deterioração, também a representação das patologias através do Mapa de Danos. Um dos aspectos mais importantes na conservação de bens imóveis de qualquer natureza é o seu uso. A residência estudada, onde alguns ambientes tem traços antigos e outros recentes, possui muitas patologias nas paredes e teto. Começando pela fachada, a pintura da casa no exterior e no muro e portão são dos anos 2000, acredito que seja em 2012, que foi um período onde estavam fazendo o muro, então está em boas condições. Os pisos provavelmente foram trocados, da área exterior. Pois são diferentes do resto da casa, são maiores e brancos, os do resto da casa são cerâmicas pequenas e de cor diferente, e a da lavanderia é típica de casas antigas, um mosaico de cerâmicas diferentes. Todos estão em boas condições. As janelas da lavanderia e depósitos são diferentes do resto da casa, os depósitos parecem ser os ambientes mais recentes da residência, as janelas são do tipo “raio de sol”, parecem ser mais recentes, de depois dos anos 2000, diferente das outras da casa, que são em forma de arco, e parecem ser antigas, antes dos anos 2000 ou início, do tempo da construção. Todas estão em boas condições. Nas paredes da sala, quarto 1, área externa, banheiro 2 estão todas em boas condições, pintadas e sem muitas patologias. Já no quarto 2, cozinha, lavanderia estão com muitas patologias nas paredes, como fissuras, e outros tipos. Imagem 34: Patologias nas paredes do quarto 2 Imagem 35: fissuras no quarto 2 Imagem 36: Eflorescência na área externa Imagem 37: fissuras no quarto 2 Imagem 38: Umidade e mofo no jardim de inverno. 2.0 DIAGNÓSTICO Abrange o processo de identificação e análise de anomalias e falhas construtivas, além de buscar entender a causa da origem dessas falhas e suas manifestações patológicas, o conceito tradicional da engenharia faz uma analogia com a medicina. 2.1. MAPEAMENTO DE DANOS Mapas de danos são documentos gráficos que sintetizam informações a respeito do estado de conservação geral de um edifício por meio da representação das alterações sofridas por seus materiais e estruturas ao longo do tempo seu desenvolvimento, consiste no registro criterioso das patologias. Abaixo está a tabela descrevendo algumas das patologias encontradas, o conjunto do mapeamento de danos da residência e as fotos incluídas nele. Tabela de patologias existentes Fonte: Autoras. 4 Mapa de Danos com fotografias, pág. 1. Mapa de Danos com fotografias, pág. 2. Mapa de Danos com fotografias, pág. 3. Mapa de Danos com planta baixa. 2.2. Análises do Estado de Conservação Feito o levantamento, originou-se as análises do estado de conservação para que com todas as informações colhidas na etapa e identificação do bem. I. Avaliação do Estado de Conservação dos Materiais –É o processo que faz as considerações sobre todas as patologias e materiais utilizados, localizando-as nas alvenarias, revestimentos, pisos, forros, cobertura, esquadrias e ferragens, pintura e outros detalhes. Observando todos os ambientes da casa onde foi feito o levantamento, observa-se que as patologias nas paredes não estão graves, é possível ver pelas fotos que são fissuras comuns, trincas pequenas, desagregação leve, eflorescência, e a presença de mofo nas pinturas por causa da umidade do ambiente, por exemplo o quarto 2, onde não possui janela, somente a porta, é o ambiente onde mais tem mofo, tem mofo nos cantos das paredes, onde tem mais umidade, e próximo a parede do banheiro 2. Seria preciso alguma abertura para a entrada de luz natural no quarto, pois o mofo se piorado, pode causar problemas respiratórios. Uma boa solução para isso, seria fazer a raspagem da parede para retirada do mofo, já que ele não e tão sério a ponto de quebrar a parede. E também uma boa aplicação de várias demãos de impermeabilizante específico para paredes internas de uma casa. Não pode usar um que não seja feito para paredes internas, assim como no uso de tinta para pintar as paredes, tem que ser, no caso desse quarto, uma tinta específica para parede interna. E sobre as fissuras e trincas, poderiam tampá-las com massa, se elas forem incômodas para o casal morador. E se for de interesse deles, seria uma boa ideia passar impermeabilizante nas áreas que não tem tinta, apenas reboco, principalmente perto do piso. E pintar essas paredes. Os forros de pvc em alguns ambientes, não estão em boas condições, alguns estão abrindo devido ao longo tempo de uso. Poderiam fazer a manutenção dos forros. Os pisos cerâmicos estão em boas condições. II. Avaliação do Estado de Conservação do Sistema Estrutural – Processo que verifica o comportamento estrutural da edificação, nos seus diversos componentes: fundação, pilares, vigas, paredes, sistema de contraventamento, vínculos, sistema de cobertura e outros. Todos esses componentes da parte estrutural da casa estão em boas condições. O senhor que mora na casa, é pedreiro desde jovem, então ele sempre fez as manutenções na casa. Uma boa ideia seria colocar teto de forro de pvc, ou outro material existente para cobrir os tetos dos ambientes que não tem forro. Pois também se torna uma questão de segurança, além da estética. III. Identificação dos Agentes Degradadores – Processo que identifica todos os agentes de degradação, quais sejam: agentes externos – fenômenos físicos, químicos, biológicos e humanos; agentes inerentes à edificação – decorrentes do projeto e da sua execução; e os decorrentes do uso e da manutenção. Analisando as patologias que foram encontradas, foi visto inúmeras fissuras nas paredes, poucas trincas, de fenômeno biológico há a presença de mofo, no quarto 2 há muito mofo, por que a janela que tinha foi coberta com forro de pvc, e agora não há janelas lá. E há a eflorescência. O surgimento da eflorescência se dá em materiais porosos (como concreto, argamassa, tijolo, pedra e cerâmica) e pode ser explicado de maneira simples: quando a água se infiltra, ela acaba dissolvendo sais presentes no cimento e na cal – principalmente o hidróxido de cálcio. É possível ver nas fotos que há esse tipo de problema nas paredes da área externa, onde há umidade. Há formas de evitar isso, como usar impermeabilizantes que fazem com que a argamassa e o concreto absorvam menos água e realizar manutenções preventivas para trocar rejuntes fissurados e juntas de movimentação danificadas. Uma maneira simples de resolver o problema já existente é usar ácidos (como o sulfâmico e o acético) para remover as manchas, em seguida, lavar o local com bastante água após o processo também é fundamental para que o resultado saia conforme o planejado. IV. Caracterização dos Danos de Fundação e Danos Estruturais – Processo que verifica os danos de fundação e estruturais, observando-se os esforços e cargas a que estão submetidos, identificando os problemas de estabilidade e suas causas determinantes. Observando a residência, a casa e bastante estável, desde quando foi construída, não se encontrou dano algum de caráter estrutural, somente fissuras e trincas pequenas na parede, mas sem gravidade. 2.3. ESTUDOS GEOTÉCNICOS A necessidade dos estudos geotécnicos é decorrente das análises preliminares e das hipóteses levantadas nesta etapa de diagnóstico e objetiva fornecer elementos precisos para identificação das causas dos danos verificados da edificação. Começando pela análise das fissuras e trincas, as causas são patologias nas estruturas de edificações. Sua ocorrência pode interferir tanto na estética como, principalmente, na segurança da estrutura e sua durabilidade. Fissura Trinca Essas patologias são originadas quando as solicitações são maiores do que a capacidade de resistência dos materiais empregados. Portanto, pode-se dizer que ela é uma maneira que a estrutura encontra para aliviar as tensões originadas dos esforços. Os fatores externos originam as fissuras devido, principalmente, a movimentações térmicas, higroscópicas (habilidade que o material tem de absorver a água do ambiente). Já os fatores internos estão ligados a retração dos produtos à base de cimento e as alterações químicas dos materiais de construção. É possível que seja isso. As causas da eflorescência são: materiais com alto teor de sais solúveis e/ou excesso de água, ambiente quente e úmido, impurezas na areia, dentre outros. É possível que seja pela umidade e infiltração, no caso da área externa da casa. Também a temperatura quente da cidade. Eflorescência Já a desagregação, é a destruição da pintura, que se esfarela, destacando-se da superfície com partes do reboco. Este problema acontece quando a tinta é aplicada antes do reboco estar curado ou pela presença de umidade negativa na superfície. Desagregação Este problema também ocorrer quando o traço da argamassa/reboco é fraco, e não possui uma boa coesão, ou e umidade mesmo. O mofo é causado pela combinação de umidade e falta de luz solar e arejamento, pode ocasionar a presença desses fungos, comprometendo a estrutura do ambiente. Como foi citado anteriormente, tem muito mofo no quarto 2, por causa da falta de luz solar e ventilação. Mofo Referências Igarassu. Projeto de Conservação e Restauro – Volume 1. SETUR – Secretaria Estadual de Turismo. Disponível em Acesso em: 17 DE SET. DE 2022. Ariquemes. Município de Ariquemes - RO. Câmara Municipal de Ariquemes. Disponível em: Acesso em: 17 DE SET. DE 2022. Ariquemes. Histórico - História e Fotos. IBGE, 2017. Disponivel em: Acesso em: 17 DE SET. DE 2022. levantamento arquitetônico DOCUMENTAÇÃO FOTOGRÁFICA Mapa de fotografias Apêndice C - Anexo inventário do patrimônio image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.png image26.png image27.png image28.png image29.png image30.png image31.png image32.png image33.png image34.png image35.png image36.png image37.png image38.png image39.png image40.png image41.png image42.png image43.png image44.png image45.png image46.png image47.png image48.png image49.png image50.png image51.png image52.png image53.png image54.png image55.png image56.png image57.png image58.png image59.png image60.png image61.png image62.png image63.png image64.pngimage65.png image66.png image67.png image68.png image69.png image70.png image71.png image72.png