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EXPOSIÇÃO SOBRE A CULPABILIDADE E CAUSAS QUE A EXCLUEM 9.j) Culpabilidade: - É um juízo de censura ou de reprovação sobre a conduta do agente. A teoria da culpabilidade mais aceita na Europa, chamada de moderna teoria da culpabilidade, é aquela que contém formas e elementos (a que adveio com a teoria social da ação); - Menoridade Penal (ou Maioridade Penal) = 18 anos – art. 228 da C.F./88: . Renê Ariel Dotti = cláusula pétrea; . Miguel Reale Júnior = não é uma cláusula pétrea. - Doenças e Distúrbios Mentais: . Inimputável = sentença absolutória imprópria (porque absolve, mas aplica uma medida de segurança = periculosidade [não culpabilidade] do réu); . Semi-imputável (fronteiriço) = sentença condenatória com pena diminuída (grau menor de culpabilidade); o Juiz poderá substituir a pena diminuída por uma medida de segruança vicariante = sistema vicariante (de “vicarius”, que em latim quer dizer “substituto”). 9.j.1) Embriaguez: ⇨ Espécies: . Embriaguez Preordenada = o agente bebe para cometer o crime = é a verdadeira “actio libera in causa” = o agente é culpável, porque ele era livre para parar de beber até o momento anterior à embriaguez; . Embriaguez Dolosa = o agente bebe para ficar bêbado = responsabilidade penal objetiva (art. 28, inciso II, do C.P.); . Embriaguez Culposa = o agente não quer ficar bêbado, mas exagera na bebida = responsabilidade penal objetiva (art. 28, inciso II, do C.P.); . Embriaguez Fortuita = exclui a imputabilidade ao tempo da embriaguez (para aquele ato cometido sob ela) = esta é, portanto, uma causa dirimente da culpabilidade. Observação => concluindo: as três primeiras espécies de embriguez não excluem a culpabilidade do réu. ⇨ “Actio Libera in Causa” e Sono: . Situação de sono preordenada (o agente se coloca em uma situação preordenada de sono, quando tem o dever de não dormir durante o seu trabalho, já com o fim de cometer o crime) = conforme ocorre na embriaguez preordenada, o indivíduo responde por crime doloso; . Nas demais situações, em que o agente não preordenou o seu estado de sono, já para cometer o crime = há que se analisar caso a caso, a fim de se verificar se o indivíduo agiu com dolo eventual ou com culpa consciente. 9.j.2) Coação Irresistível: . Coação Física Irresistível: “coactus non agit, sed agitur” = a pessoa coacta não age, mas é “agida” = não há conduta por parte do coacto; . Coação Moral Irresistível: “coactus sed agit” = embora coagida, a pessoa coacta age (também) = há um resquício de vontade por parte da pessoa coagida (entre fazer o que o coator lhe manda ou sofrer uma perda, a pessoa coacta prefere fazer aquilo que o coator lhe determinou) = assim, o coacto pratica uma conduta típica e antijurídica (um injusto penal), mas não culpável; o culpável é apenas o coator (teoria do domínio do fato). 9.j.3) Erro de Proibição: Nesta espécie de erro, o indivíduo não atinge, no caso concreto, a consciência da antijuridicidade do fato por ele praticado; em outras palavras: o indivíduo crê erroneamente que o fato por ele cometido é permitido em face de uma norma que ele não ignora (ou seja: ele pensa que o fato, do jeito que ocorreu, não se encontra dentro da esfera de proibição da norma); cuida-se do "Verbotsirrtum" do Direito Penal alemão. Se se tratar de erro de proibição invencível, este exclui a culpabilidade como um todo ao agente (ele comete uma conduta típica e antijurídica, mas não é culpável); se se tratar de erro de proibição vencível (aquele que poderia ser evitado com o uso da cautela comum), a culpabilidade é atenuada (a pena é diminuida – art. 21 do Cód. Penal). Exemplo (de Welzel): um jovem camponês, praticamente sem cultura, mantém relação sexual, sem violência ou ameaça, com uma mulher que ele sabe ser portadora de algum distúrbio mental, mas que foi esterilizada (conhecendo ele também esta última circunstância). Fazendo-se a transposição para o Direito brasileiro, ele pensa que a sobredita mulher não se enquadra no âmbito de proteção da norma insculpida no art. 217-A, § 1º, do Cód. Penal, em razão da ter sido esterilizada. EM RESUMO: - Excluem a Imputabilidade: . A menoridade penal; . As doenças e distúrbios mentais; . A embriaguez fortuita. - Excluem a consciência potencial da ilicitude: . O erro de proibição; . A descriminante putativa derivada de erro de proibição. - Excluem a exigibilidade de conduta diversa: . A coação moral irresistível; . A obediência a ordem de superior hierárquico não manifestamente ilegal.