Prévia do material em texto
Discentes:Pedro Henrique de Sousa Gois; DeniceBarroso; Suzane Freitas; Manoel Eduardo; Leon Oliveira; Pedro Henrique. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE TUCURUÍ FACULDADE DE ENGENHARIA MECÂNICA Propriedade Mecânica dos Materiais Tucuruí - 2024 Introdução A compreensão das propriedades mecânicas dos materiais é crucial para a engenharia. Ao estudar como materiais reagem a diferentes forças, os engenheiros podem projetar estruturas seguras e eficientes. Propriedades como resistência, dureza, ductilidade e rigidez são essenciais para garantir que componentes como asas de aviões e eixos de carros não falhem sob carga. Para determinar essas propriedades, são realizados testes de laboratório que simulam as condições reais de uso. Ao conhecer as características dos materiais, os engenheiros podem otimizar projetos e evitar acidentes. 2 Conceitos de Tensão e Deformação Discordâncias são defeitos cristalinos que permitem a deformação plástica dos metais. Ao se moverem através de planos específicos do cristal, as discordâncias facilitam o escorregamento atômico. A mobilidade das discordâncias é influenciada por diversos fatores e pode ser manipulada para controlar as propriedades mecânicas do material. Além disso, as discordâncias afetam outras propriedades, como a condutividade elétrica em semicondutores. A deformação plástica geralmente ocorre através do movimento de discordâncias em sistemas de escorregamento, que são definidos por planos e direções de maior densidade atômica no cristal. 3 Deformação elástica A Lei de Hooke descreve a relação linear entre tensão e deformação em materiais elásticos. Quando um material é submetido a uma tensão de tração, ele se deforma proporcionalmente até um certo limite. Essa proporcionalidade é representada pela constante de elasticidade, ou módulo de Young (E). O gráfico dessa relação é uma linha reta, indicando que a deformação é elástica. Isso significa que o material retorna à sua forma original quando a tensão é removida. 4 A Lei de Hooke é uma aproximação para pequenas deformações. Embora seja útil para descrever o comportamento elástico de muitos materiais, ela tem suas limitações. A deformação elástica é reversível, ou seja, o material retorna à sua forma original após a remoção da carga. Em nível atômico, a deformação elástica envolve pequenas alterações nas ligações interatômicas. O módulo de elasticidade, que relaciona tensão e deformação, é maior para cerâmicas e menor para polímeros, devido aos diferentes tipos de ligações atômicas. Além disso, a temperatura afeta o módulo de elasticidade. A lei de Hooke também se aplica a tensões compressivas, de cisalhamento e torcionais, com diferentes constantes de proporcionalidade. A deformação por cisalhamento, por exemplo, é relacionada à tensão de cisalhamento pelo módulo de cisalhamento (G). 5 Deformação plástica A deformação plástica ocorre quando um material metálico é deformado além de seu limite elástico. Nesse ponto, a relação linear entre tensão e deformação (Lei de Hooke) não é mais válida, e a deformação se torna permanente, ou seja, o material não retorna ao seu estado original após a remoção da carga. A deformação plástica envolve a quebra e a formação de novas ligações atômicas, resultando em uma mudança permanente na estrutura do material. Em materiais cristalinos, esse processo ocorre principalmente através do movimento de discordâncias, defeitos cristalinos que permitem o escorregamento de planos atômicos. 6 Tensão nominal e deformação nominal. Em ensaios de tração, a tensão e a deformação nominais são calculadas com base na área inicial do corpo de prova, assumindo que ela permanece constante durante todo o teste. Essa simplificação é utilizada porque a medida da área da seção transversal diminui à medida que o material se alonga, dificultando a obtenção de valores precisos da tensão real. A tensão nominal é calculada dividindo a força aplicada pela área inicial, enquanto a deformação nominal é determinada pela razão entre o alongamento e o comprimento inicial. Embora essa abordagem seja simplificada, ela fornece uma boa aproximação do comportamento do material, especialmente na região elástica. 7 Ensaio de tração O ensaio de tração é um teste mecânico fundamental para determinar as propriedades de materiais. Um corpo de prova com seção transversal uniforme é submetido a uma carga crescente até a fratura. Durante o ensaio, a deformação se concentra na região central do corpo de prova, enquanto as extremidades são fixadas. Uma máquina de ensaio aplica a carga e mede continuamente a força e o alongamento. Esse teste fornece informações cruciais sobre as características mecânicas do material, como resistência à tração, limite elástico e ductilidade, e é essencial para o projeto de componentes mecânicos. 8 Em ensaios de tração, a tensão nominal é calculada utilizando a área da seção transversal inicial do corpo de prova, mesmo que durante o teste essa área diminua devido ao alongamento. Essa simplificação é feita para facilitar os cálculos e a análise dos resultados. A tensão nominal, obtida pela divisão da força aplicada pela área inicial, é então plotada em um gráfico contra a deformação nominal para gerar a curva tensão-deformação. Essa curva fornece informações importantes sobre o comportamento do material, como o limite elástico e a resistência à tração. 9 Resistência à fratura A tenacidade é a capacidade de um material resistir à fratura, absorvendo energia antes de se romper. É como se fosse a "resistência à quebra" do material. Essa propriedade é medida pela área sob a curva tensão-deformação em um ensaio de tração, representando a energia total absorvida até a fratura. Materiais tenazes possuem tanto alta resistência (dificuldade de deformar) quanto alta ductilidade (capacidade de deformar antes de fraturar). A ductilidade é fundamental para a tenacidade, pois permite que o material dissipe energia através da deformação plástica antes de fraturar. Em geral, materiais dúcteis são mais tenazes que materiais frágeis. 10 Dureza A dureza é a resistência de um material à deformação plástica localizada. Inicialmente medida pela capacidade de riscar outros materiais, hoje é quantificada por ensaios que indentam a superfície com um penetrador. A profundidade ou tamanho da marca indica a dureza: quanto menor a marca, maior a dureza. Os valores de dureza são relativos e dependem do método de ensaio. A dureza está relacionada a outras propriedades como resistência à abrasão e resistência à penetração. 11 Ensaios de dureza Rockwell & Brinell • Os ensaios Rockwell são uma ferramenta valiosa para avaliar a dureza de materiais, fornecendo resultados precisos e confiáveis de forma rápida e simples. A escolha do tipo de ensaio e do penetrador depende das características do material a ser testado. • Os ensaios de dureza Brinell fornecem uma medida da resistência de um material à penetração. A escolha entre os ensaios Brinell e Rockwell depende de diversos fatores, como o tipo de material, a espessura da amostra e a precisão desejada. 12 Ensaios de microdureza Knoop e Vickers O ensaio de dureza Vickers é um método padrão para determinar a dureza de materiais, especialmente em aplicações que exigem alta precisão e pequenas cargas. A geometria precisa do penetrador e a possibilidade de utilizar cargas baixas tornam esse ensaio ideal para uma variedade de materiais, desde metais muito duros até materiais cerâmicos e plásticos. 13 Resistência ao cisalhamento e à torção O comportamento de metais sob cargas cisalhantes e torcionais é similar ao observado em testes de tração. Inicialmente, o material se deforma elasticamente de forma proporcional à carga aplicada. Ao ultrapassar o limite elástico, a deformação se torna permanente (plástica). A magnitude dessa deformação varia com o material.Ao atingir a tensão de ruptura, o material se rompe. Assim como na tração, a curva tensão-deformação apresenta uma região elástica inicial, seguida por uma região plástica e, finalmente, a ruptura. A forma exata da curva depende das propriedades específicas de cada material. 14 Fluência A fluência é uma deformação plástica lenta e gradual que ocorre em materiais sob tensão constante, especialmente em altas temperaturas. Essa deformação é causada pelo movimento de defeitos cristalinos e é influenciada significativamente pela temperatura. Metais diferentes apresentam diferentes resistências à fluência. Materiais utilizados em altas temperaturas, como turbinas e caldeiras, necessitam de alta resistência à fluência para garantir sua integridade estrutural ao longo do tempo. Os ensaios de fluência simulam as condições reais de serviço, permitindo avaliar a resistência de materiais a longos períodos de exposição a altas temperaturas e cargas constantes. Pequenas variações de temperatura podem causar grandes diferenças na taxa de fluência, como demonstrado no exemplo do aço carbono. 15 Fadiga A fadiga é um fenômeno que leva à falha de materiais sob cargas cíclicas repetidas, mesmo que essas cargas sejam inferiores ao limite de resistência do material. Essa falha é iniciada por pequenas descontinuidades na microestrutura, como grãos de cristal, inclusões ou trincas iniciais. A não homogeneidade dos materiais e a presença de tensões concentradas aceleram o processo de fadiga. Em materiais dúcteis, a fadiga se inicia por deslizamento nos planos cristalinos, enquanto em materiais menos dúcteis, a falha se concentra em defeitos preexistentes. A propagação da trinca de fadiga ocorre de forma gradual, deixando marcas características na superfície de fratura. A natureza da fratura final pode ser dúctil ou frágil, dependendo da geometria da peça, das condições de carregamento e das propriedades do material. A compreensão da fadiga é crucial para o projeto e a análise de componentes mecânicos sujeitos a cargas cíclicas, como eixos, molas e componentes de aeronaves. 16 Conclusão • A compreensão das propriedades mecânicas dos materiais é fundamental para o desenvolvimento de engenharias e tecnologias modernas. Ao estudar como os materiais se deformam e falham sob diferentes condições de carga, os engenheiros podem projetar estruturas e componentes mais seguros e eficientes, otimizando o uso de recursos e garantindo a durabilidade dos produtos. • As propriedades mecânicas dos materiais são influenciadas por diversos fatores, como a composição química, a microestrutura, a temperatura e o tipo de carregamento. Defeitos cristalinos, como as discordâncias, desempenham um papel crucial na deformação plástica dos metais, afetando suas propriedades mecânicas. • Os ensaios mecânicos são ferramentas essenciais para caracterizar os materiais e avaliar seu comportamento sob diferentes condições. Esses testes permitem determinar propriedades como resistência, ductilidade, tenacidade, dureza e fadiga, que são fundamentais para o projeto de componentes mecânicos. • A lei de Hooke descreve o comportamento elástico dos materiais, enquanto a deformação plástica envolve a quebra e a formação de novas ligações atômicas. A fluência e a fadiga são fenômenos que ocorrem em condições de carga específicas e podem levar à falha do material ao longo do tempo. 17 Referencia CALLISTER, W. D. JR. Ciência de Engenharia de Materiais: uma Introdução. 5. ed. 18 Slide 1 Slide 2 Slide 3: Conceitos de Tensão e Deformação Slide 4: Deformação elástica Slide 5 Slide 6: Deformação plástica Slide 7: Tensão nominal e deformação nominal. Slide 8: Ensaio de tração Slide 9 Slide 10: Resistência à fratura Slide 11: Dureza Slide 12: Ensaios de dureza Rockwell & Brinell Slide 13: Ensaios de microdureza Knoop e Vickers Slide 14: Resistência ao cisalhamento e à torção Slide 15: Fluência Slide 16: Fadiga Slide 17: Conclusão Slide 18: Referencia