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Livros contábeis: conceitos, legislação, escrituração (SPED) e arquivo
Introdução
Os livros contábeis acompanharão você em sua carreira profissional de técnico em contabilidade!
Os livros contábeis registram toda a movimentação de caráter econômico e financeiro da empresa. Por meio deles, é possível ter controle de faturamento, de valores em caixa, de vendas e de estoque, por exemplo. Mas, além dessa funcionalidade, os livros contábeis são de uso obrigatório e instituídos por lei.
Antes de saber mais sobre os principais livros contábeis utilizados pelas empresas, é importante que você saiba que existem também os livros fiscais e sociais.
Livros Fiscais
São aqueles exigidos pelo Fisco federal, estadual ou municipal, nos quais são registradas as informações fiscais da empresa. Entre esses livros estão: registro de entradas, registro de saídas, registro de inventário, registro de impressão de documentos fiscais, livro de apuração do lucro real (Lalur), entre outros. Existem livros fiscais específicos de acordo com o regime tributário e a atividade da empresa, e eles devem seguir um padrão de formatação, com numeração, identificação, termo de abertura, termo de encerramento, assinatura do responsável pela empresa e assinatura do contador habilitado, além de serem encadernados.
Livros Sociais
São aqueles que trazem os registros dos atos societários de companhias, sejam elas de capital aberto ou fechado, conforme estabelecido na Lei n.º 6.404/1976. Entre os exemplos estão: livro de registro de ações nominativas, livro de atas das assembleias gerais, livro de transferências de ações nominativas, livro de atas das reuniões de diretoria e outros. Nesses exemplos podem ser incluídos também o livro de inspeção do trabalho (mesmo que não haja empregados) e o livro de registro de empregados, pois toda empresa deve conter tais livros.
De acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade, não há um prazo para a guarda dos livros. No entanto, o artigo 1.194 do Código Civil prevê que as empresas são obrigadas a guardar e conservar toda a escrituração, as correspondências e os demais papéis referentes à sua atividade enquanto não ocorrer prescrição ou decadência.
Conceito de livros contábeis
São aqueles que trazem os registros das operações realizadas pela empresa, utilizados pelo setor de contabilidade, ou seja, destinam-se à escrituração contábil. Todas as empresas, com exceção dos microempreendedores individuais (MEI), devem realizar a escrituração contábil, de acordo com os artigos 1.179 a 1.195 do Código Civil. Entre os exemplos desses livros estão o livro diário, livro razão, livro caixa, livro balancetes diários e balanços, entre outros, e eles devem seguir um padrão de formatação, com numeração, identificação, termo de abertura, termo de encerramento, assinatura do responsável pela empresa e assinatura do contador habilitado, além de serem encadernados e registrados na junta comercial ou no órgão competente.
De acordo com o Código Civil Brasileiro, em seus artigos 1.179 a 1.194, o empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Além disso, a Interpretação Técnica Geral, ITG 2000 (R1) – Escrituração Contábil, do Conselho Federal de Contabilidade, publicada em 2011, estabelece critérios e procedimentos a serem adotados pela entidade para a escrituração contábil de seus fatos patrimoniais.
Baixe no botão a seguir o arquivo em PDF que contém o texto na íntegra da ITG 2000 (R1) – Escrituração Contábil:
ITG 2000 (R1) – IMPRESSO
Dos vários livros utilizados pelas empresas, serão destacados apenas os utilizados pela contabilidade para registro dos atos e fatos administrativos. Os principais são:
Livro diário
O diário, é um livro obrigatório, nele constam todas as movimentações contábeis em ordem cronológica, ou seja, as movimentações financeiras que possam modificar a situação patrimonial da empresa. Esses registros devem respeitar a ordem de ocorrência no tempo e estar datados; neles devem constar a conta debitada e a conta creditada, o histórico e valor, estando sujeitos às formalidades legais extrínsecas e intrínsecas.
As formalidades extrínsecas requerem que o livro seja encadernado e tenha suas páginas numeradas em sequência, também contenha os termos de abertura e encerramento, a assinatura do representante da empresa e do contador e seja registrado no órgão competente do Registro do Comércio (junta comercial) e, quando for sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos, de acordo com o artigo 71 da Lei n.º 3.470/1958 e o artigo 5.º, parágrafo 2.º, do Decreto-Lei n.º 486/1969.
As formalidades intrínsecas dizem que a escrituração do diário deve ser realizada em idioma e moedas nacionais, em forma mercantil, com clareza e individualização, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, não podendo haver rasuras, emendas ou borrões.
De acordo com o artigo 1.180 do Código Civil, o diário pode ser substituído por fichas em caso de escrituração mecanizada ou eletrônica.
Além disso, o Decreto n.º 9.580/2018 indica, no artigo 273, que o diário deverá ser entregue por meio digital ao Sistema Público de Escrituração Digital (SPED). Já o seu parágrafo 3.º autoriza a escrituração resumida do livro diário, com totais que não excedam trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados.
Para que você entenda melhor, observe esse exemplo de diário dos primeiros lançamentos da empresa JC Comércio e Serviços Eletrônicos Ltda.:
DIÁRIO
JC COMÉRCIO E SERVIÇOS ELETRÔNICOS LTDA.
As datas estão em sequência, o número dos lançamentos também. É importante que sejam inseridos o código da conta e o nome, e, no histórico, o máximo de informações sobre o registro, como números de notas fiscais, recibos etc. Para finalizar, aparecem as colunas do débito e crédito.
Baixe no botão a seguir o arquivo em PDF que contém o livro diário completo do exercício realizado no vídeo do conhecimento Débito e crédito: método das partidas dobradas (fórmulas e lançamentos) e escrituração (manual e digital).
LIVRO DIÁRIO – IMPRESSO
Livro razão
Do ponto de vista legal, o razão é um livro facultativo pela legislação comercial, mas é obrigatório para as empresas que tributam com base no lucro real. Observe o artigo 274 do Decreto n.º 9.580/2018, que fala sobre a pessoa jurídica tributada com base no lucro real.
Art. 274. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e de acordo com as normas contábeis recomendadas, livro-razão para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no livro diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, caput).
[...]
§ 2º A não manutenção do livro-razão, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, parágrafo único).
§ 3º O livro-razão deverá ser entregue em meio digital ao SPED (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 7º, § 6º).
Assim como o livro diário, o livro razão deve conter as informações em ordem cronológica, datadas e com histórico para os lançamentos a débito e a crédito, além dos termos de abertura e encerramento, bem como as assinaturas do responsável pela empresa e do contador. Dessa forma, é possível controlar a movimentação de cada conta em determinado período. Observe o exemplo a seguir do livro razão da conta do caixa:
RAZÃO
JC COMÉRCIO E SERVIÇOS ELETRÔNICOS LTDA.
Todas as informações, como data, número do lançamento, código, histórico e os valores de débito e crédito são transcritos do livro diário. Cada conta é individualizada e traz no final o saldo atual. Em nosso exemplo, no dia 04/10 entrou R$2 mil no caixa que ficou com um saldo de R$ 2 mil, já que não existia saldo anterior. No dia 11/10/2021 a empresa pagou R$ 300,00 de despesas, por isso encerrou com um saldo de R$ 1.700,00.
Se compararmos esses dois principais livros da contabilidade, observamos que no livro razão podemos acompanhar todas as alterações ocorridas nas contas, de forma individual, já o livro diário registra todas as movimentações de todas as contas em um determinado lançamento.
Então, pode-se afirmar que esses são os principais livros contábeis e que eles envolvem diretamente as rotinas do profissional de contabilidade, pois através destas informações e controles o contador e o empresário poderão realizar os planejamentos financeiros, bem como acompanhar a saúde financeira da empresa.
Baixe no botão a seguir o arquivo em PDF que contém o livro razão referente ao exercício realizado no vídeo do conhecimento Débito e crédito: método das partidas dobradas (fórmulas e lançamentos) e escrituração (manual e digital).
LIVRO RAZÃO – IMPRESSO
Legislação
De acordo com o artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 1.598/1977, a pessoa jurídica deve manter toda a escrituração, observando as leis comerciais e fiscais.
O artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 486/1969 destaca a obrigação da pessoa jurídica em seguir uma ordem de escrituração, mecanizada ou não, com a utilização dos livros e papéis adequados, sendo que o número e espécie ficam a critério da empresa.
O artigo 1.179 da Lei n.º 10.406/2002, do Código Civil Brasileiro, dispõe que as empresas são obrigadas a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, tendo como base a documentação utilizada para a escrituração dos livros, levantando anualmente o resultado econômico e o balanço patrimonial.
O artigo 2.º da Lei n.º 2.354/1954 e o artigo 25 da Lei n.º 9.249/1995 destacam que na escrituração deverão constar todas as movimentações do contribuinte, entre elas a apuração dos resultados de suas atividades no território nacional e no exterior.
Se a pessoa jurídica contiver filiais, sucursais ou agências, é facultativo manter a contabilidade não centralizada.
Na contabilidade não centralizada, cada filial, por exemplo, tem seus centros de custo na estruturação da matriz, na qual cada uma pode realizar seus lançamentos contábeis e depois incorporá-los na contabilidade da matriz no final de cada mês (Lei n.º 2.354/1954, artigo 2.º).
Às pessoas jurídicas que têm filiais, sucursais, agências ou representações no Brasil, mas cuja sede é no exterior, são aplicadas as mesmas disposições que destacadas anteriormente, devendo o representante escriturar os seus livros comerciais, demonstrando os rendimentos e a apuração dos lucros reais nas operações de conta alheia, em cada período (Lei n.º 2.354/1954, artigo 2.º, e Lei n.º 3.470/1958, artigo 76 e parágrafo 1.º).
Escrituração (SPED) e arquivo
Como já estão sendo abordados os livros contábeis, é importante destacar que muitas empresas já utilizam o módulo de ECD disponível pelo sistema SPED para o envio dos livros.
De acordo com o artigo 2.º da Instrução Normativa da RFB n.º 2.003/2021, os livros contábeis podem ser escriturados com a utilização de um sistema de processamento de dados chamado Escrituração Contábil Digital (ECD), ou SPED-Contábil, sendo que esses livros devem ser assinados digitalmente por meio do certificado digital. Veja essas disposições, de acordo com a Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, no site do governo federal:
Art. 2º A ECD compreenderá a versão digital dos seguintes livros:
I - Diário e seus auxiliares, se houver;
II - Razão e seus auxiliares, se houver; e
III - Balancetes Diários e Balanços, e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos.
Parágrafo único. Os livros contábeis e documentos mencionados no caput devem ser assinados digitalmente, com certificado digital emitido por entidade credenciada pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), a fim de garantir a autoria, a autenticidade, a integridade e a validade jurídica do documento digital.
A ECD faz parte do SPED e tem como objetivo substituir a escrituração em papel pelo arquivo, ou seja, é uma versão digital.
Quais empresas estão obrigadas a adotar a ECD?
Consulte o artigo 3.º da Instrução Normativa RFB nº 2.003/2021, para encontrar detalhadamente quais empresas estão obrigadas e quais estão dispensadas da entrega dessa declaração. Destaca-se que as sociedades simples e as microempresas e empresas de pequeno porte que são optantes pelo Simples Nacional estão dispensadas, podendo entregar a declaração de modo facultativo, já que, futuramente, com a tendência da informatização, todos serão obrigados a essa entrega.
Como ocorre essa operacionalização da ECD?
A partir do sistema de contabilidade utilizado pelas empresas, é gerado um arquivo digital. Esse arquivo passa pelo programa validador e assinador fornecido pelo SPED.
Conheça agora um pouco mais sobre esse sistema chamado SPED.
O SPED, instituído pelo Decreto n.º 6.022, de 22 de janeiro de 2007, trouxe facilidade ao cumprimento de algumas exigências, pois ele possibilita que informações comerciais, previdenciárias, fiscais e contábeis sejam entregues em formato de arquivo digital. Ou seja, o SPED é uma solução tecnológica que o governo criou para fiscalizar e monitorar mais rápida e eficazmente as empresas, mas que, por outro lado, desburocratizou muitos processos que tomavam tempo e que tinham custos, como a impressão de todos os livros, a entrega, a conferência e o arquivo dos blocos de notas, além do trabalho administrativo envolvido para isso.
Ele iniciou com a ECD, a Escrituração Fiscal Digital (EFD) e a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e). Desde sua inserção no mercado, o SPED foi adicionando novos módulos e funcionalidades. Segundo o site da Receita Federal, o SPED integra atualmente diversos sistemas importantes, informatizando várias áreas diferentes. A imagem a seguir traz os principais módulos:
· NF-e: Nota Fiscal Eletrônica
· NFC-e: Nota Fiscal do Consumidor Eletrônica
· MDF-e: Manifesto de Documentos Fiscais Eletrônicos
· e-Social: Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas
· EFD-Reinf: Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais
· e-Financeira: Escrituração Fiscal Digital para Instituições Financeiras
· EFD-Contribuições: Escrituração Fiscal Digital de Contribuições para o PIS e Cofins
· EFD ICMS IPI: Escrituração Fiscal Digital de ICMS e IPI
· ECD: Escrituração Contábil Digital
· ECF: Escrituração Contábil Fiscal
· CT-e: Conhecimento de Transporte Eletrônico
· NFs-e: Nota Fiscal de Serviço Eletrônica
Com o SPED, tarefas de emissão de notas fiscais até manutenção das obrigações trabalhistas deixaram de ser realizadas manualmente e passaram a ser realizadas pela Internet. Para a utilização do sistema, é necessário ter um certificado digital.
O certificado digital poderá ser obtido junto a uma autoridade certificadora (AC), que assemelha-se a um cartório digital. Existem várias ACs no mercado e todas elas são subordinadas ao ICP-Brasil.
Arquivo
Os arquivos deverão ser assinados digitalmente e transmitidos via Internet. Eles são submetidos ao programa validador e assinador (PVA) fornecido pelo SPED.
Para cada módulo, existe um processo de envio: na ECD, por exemplo, a partir do sistema de contabilidade utilizado, a empresa gera um arquivo digital em formato específico. Esse arquivo pode ser tratado por livro diário digital, Escrituração Contábil Digital ou Escrituração Contábil em modo eletrônico.
Para saber mais sobre o SPED, ouça o podcast a seguir
Áudio 1
Olá, aluno! Tudo bem?
Meu nome é Cristiano Suppi da Rosa e sou tutor daqui do Senac EAD. Hoje vou conversar com vocês a respeito do Sistema Público de Escrituração Digital, o SPED.
Por que esse programa, ou esse banco de dados, como também é chamado, é tão importante a ponto de termos um assunto exclusivo só sobre ele?
Vou mostrar para você alguns pontos, principalmente o início do SPED, o que ele representa e por que ele éde suma importância para você, que vai atuar como técnico em contabilidade em um escritório ou em uma empresa.
Áudio 2
Para que eu possa falar um pouco do SPED, preciso antes explicar a você qual é a principal função do contador aqui no Brasil.
Você já deve ter lido em algum material que, antigamente, o contador se chamava “guarda-livros”. Esse nome não é à toa, justamente porque havia bastante livros que o contador, principalmente o contador brasileiro, precisava preencher devido às inúmeras exigências que a Receita Federal, ou o governo em si, tinham com relação às empresas. O contador era o responsável por preencher esses documentos e livros que eram exigidos das empresas. Por isso o nome de “guarda-livros”.
Com os avanços da tecnologia e dos sistemas de informações, esse tipo de nomenclatura foi se perdendo aos poucos, já que toda a documentação que as empresas devem preencher se resume, atualmente, a documentos digitais e PDFs salvos em nuvem. Nesse ponto, foi fundamental que não somente o contador se atualizasse sobre essas novas ferramentas, mas também o governo pudesse iniciar o processo de troca dos documentos físicos ou dos livros por documentos digitais.
Anteriormente, os documentos eram separados e tinham declarações separadas para cada tipo de exigência do governo. Assim, os computadores ficavam cheios de programas, de ícones para declarações diversas, como as declarações de imposto de renda, de imóvel, entre outras, as quais as empresas tinham que entregar e o contador precisava manter no seu computador ou no seu smartphone.
Áudio 3
Portanto, por conta dessa modernização tecnológica das máquinas e dos equipamentos, o governo brasileiro instituiu então, pelo Decreto n.º 6.022, de 22 de janeiro de 2007, o Sistema Público de Escrituração Digital, ou seja, o SPED, que fez parte do Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal. O SPED consiste na modernização da sistemática de cumprimento das obrigações acessórias transmitidas pelo contribuinte aos órgãos tributários, aos órgãos fiscalizadores ou, até mesmo, ao Fisco. Nesse processo, o documento eletrônico é assinado por meio do sistema de certificado digital e depois encaminhado para esse grande banco de dados chamado SPED.
Em resumo, o SPED nada mais é do que um grande banco de dados para o qual as empresas encaminham todas aquelas obrigações acessórias, tanto as descritas nos livros quanto as descritas nos documentos, para que esse banco de dados transmita esses arquivos aos órgãos devidos, tais como as receitas federal, municipal e estadual. Ou seja, o SPED se torna um banco de dados que reúne todas as declarações, os livros e as obrigações acessórias.
Esse banco de dados, como vimos, foi criado em 2007 juntamente com outros programas que conhecemos, entre eles o da nota fiscal eletrônica (NF-e). Se você já comprou alguma mercadoria, por exemplo, em algum dos conhecidos sites de vendas de produtos variados, deve ter recebimento por e-mail a nota fiscal eletrônica, não é mesmo?
Essa nota faz parte do sistema SPED, porque todas as informações que se tem da nota fiscal eletrônica daquele produto que você comprou estão registradas nesse banco de dados, assim como outros tipos de declarações que as empresas precisam declarar, como o livro contábil, o diário e o livro razão, que são encaminhados via escrituração contábil digital, ou ECD. Todos eles vão para o banco de dados do SPED.
Outro grande marco que também temos no SPED é o eSocial. O eSocial é um programa pelo qual toda a folha de pagamento e os registros de funcionários são encaminhados também ao SPED. Ainda existem outros serviços, como a EFD-Contribuições, a EFD-Reinf, as notas fiscais de serviços eletrônicas (NFS-e) e a nota fiscal de consumidor eletrônica (NFC-e), que substituiu o cupom fiscal. Ou seja, todas as operações da empresa, os registros que elas têm de funcionários, tudo isso está sendo integrado no SPED.
Áudio 4
Portanto, o SPED tem três objetivos:
O primeiro é promover a integração dos fiscos mediante a padronização e o compartilhamento das informações contábeis e fiscais, respeitadas as restrições legais.
O segundo é racionalizar e uniformizar as obrigações acessórias para os contribuintes, com o estabelecimento de transmissão única de distintas obrigações acessórias de diferentes órgãos fiscalizadores.
O terceiro objetivo é tornar mais célere, ou mais rápida, a identificação de ilícitos tributários – ou seja, de fraudes de sonegação de impostos – com a melhoria do controle do processo e a rapidez no acesso às informações, assim como com a fiscalização mais efetiva das operações, o cruzamento de dados e a auditoria eletrônica.
Percebemos então que o principal foco do SPED é justamente melhorar a transmissão dos dados que a empresa tem sobre os seus movimentos gerais, como faturamentos, compras, aquisições, registros de empregados, entre outros. Tudo isso é feito por meio do SPED, que pode ser auditado, isto é, os dados podem ser verificados pelos fiscais da própria instituição ou do próprio órgão para o qual são enviados. Assim, a documentação é agilmente verificada pelo SPED, que é um sistema robotizado e desempenha não somente a função de ser um banco de dados, mas também a de integrar os dados entre si. Desse modo, se você precisa fazer a entrega de uma declaração, o SPED pode automaticamente verificá-la, a exemplo do arquivo da EFD-Contribuições. Isso facilita muito a fiscalização e o seu prazo, e, mais do que isso, a relação entre o contribuinte e o governo em si.
Mas como tudo isso era feito antigamente?
Antes, a empresa precisava encaminhar uma declaração para cada órgão de governo, ou seja, estado, Receita Federal do Brasil, Banco Central do Brasil – conhecido como Bacen –, município, junta comercial, entre outros. Agora, com o SPED, a empresa encaminha todas as informações em um único programa, para que sejam transmitidas a outros órgãos que também estão vinculados a esse programa.
Praticamente todos os órgãos de fiscalização no Brasil estão apoiados na ferramenta SPED. Quando você encaminha, por exemplo, uma nota fiscal eletrônica, ela automaticamente vai para o controle do estado e para a Receita Federal a fim de ser fiscalizada. Isso também confirma a informação prestada do contribuinte ao determinado órgão.
Áudio 5
Observamos que houve uma mudança no encaminhamento de documentações e principalmente no modo como são transmitidos os documentos, as declarações ou os livros pelo SPED ao governo. O contribuinte, ou a empresa, vai precisar ter um sistema que é conhecido como ERP – traduzido em português para sistema de gestão integrado. Esse sistema vai ter a integração de todas as informações da empresa, tais como faturamento, nota fiscais emitidas, aquisição de mercadorias, entre outras.
Além de seu próprio banco de dados, esse sistema deve ter também o layout específico para transmitir as informações ao SPED. A transmissão dos dados que a empresa fornece, ou que o contribuinte fornece, é feita justamente por meio de um programa validador, ou PVA, como costumamos chamar. O PVA deve estar conectado à Internet para que seja feita a transmissão ao SPED com assinatura eletrônica do contribuinte.
Mas o que é assinatura eletrônica? É justamente o certificado digital. O contribuinte precisa tê-lo, além do sistema com layout voltado ao SPED em um computador conectado à Internet, para poder encaminhar as informações. Cada uma das informações que devem ser encaminhadas tem prazos estipulados pelo governo. As declarações, por exemplo, têm um prazo específico, como é o caso da nota fiscal eletrônica, que deve ser transmitida ao governo, via SPED, em no máximo uma hora. Após esse prazo, não é mais possível emitir a nota fiscal.
Quando encaminhadas essas informações ao SPED, elas são repassadas para outros órgãos, como a secretaria da Receita Federal, ou Receita Federal, a secretaria da fazenda do estado ou dos municípios, o Bacen, entre outros. Todos eles terão acesso ao SPED e àqueles dados que o contribuinte informou. Assim, o SPED se torna também um intermediárioeficaz para o contribuinte e para os órgãos governamentais na fiscalização tributária.
Áudio 6
Desse modo, podemos ver que o SPED tem muitos benefícios, principalmente em relação aos documentos que o próprio governo fornece.
Em resumo, o SPED traz muitas vantagens, como o desenvolvimento da consciência ambiental, diminuindo também o custo da empresa na utilização de papel; a redução de ações fraudulentas, facilitando a realização de uma auditoria mais eficaz das informações repassadas ao governo; a agilidade no acesso à troca de informações; a redução do tempo de verificação das informações da empresa por parte do governo, auxiliando no combate à sonegação; a disponibilidade de cópias autenticadas e válidas de escrituração para os distintos; entre outros tantos benefícios.
O SPED também traz algumas premissas fundamentais, como melhorar o ambiente empresarial no país, diminuir a concorrência desleal e, em contrapartida, aumentar a competitividade entre as empresas. No SPED, também é gerado um documento eletrônico que tem validade jurídica. Isso é importante porque, embora você tenha um documento em PDF emitido como recibo de entrega ou até mesmo como nota fiscal, ele possui uma validade jurídica. Assim, você pode acessar o site de verificação de nota fiscal ou do recibo para encontrá-lo em forma digital, além de ter também aplicativos necessários para realizar a emissão e a transmissão das escriturações digitais.
Para obter uma nota fiscal eletrônica ou alguns outros documentos, o próprio governo pode disponibilizá-los para você sem a necessidade de um sistema, principalmente no caso de MEI, ou seja, microempreendedor individual. O acesso ao eSocial é um dos exemplos, pois é possível acessá-lo sem que você tenha um sistema todo informatizado. Isso auxilia na competitividade e favorece quem precisa ou está começando um negócio e não tem condições financeiras para um grande investimento em equipamentos com acesso aos programas.
Áudio 7
No entanto, são necessários alguns cuidados com relação ao SPED. Considerando a empresa que você for abrir ou gerenciar, você vai precisar observar o cumprimento das obrigações, das datas e de tudo o que for exigido pelo governo. A implementação do SPED não está relacionada a uma nova legislação, mas sim ao auxílio no envio e na verificação de dados e documentos legais da empresa. Sendo assim, é a empresa que precisa se adaptar ao SPED.
Você, futuro técnico em contabilidade, deve ter cuidado com o sistema utilizado em sua empresa para o envio correto das informações ao SPED. É possível que o seu sistema não esteja adaptado e, desse modo, vão ser necessárias atualizações ou adaptações para o encaminhamento da documentação.
Não esqueça, portanto, que as declarações têm prazo. As informações que devem ser repassadas ao SPED têm um prazo específico, um vencimento específico. Por exemplo, se você tentar encaminhar uma escrituração contábil fiscal, conhecida como ECF, depois do prazo de entrega, que é sempre no final do mês de julho, a empresa deverá pagar uma multa que pode variar de mil a 3 mil reais. Esse valor pode ser ainda maior, considerando também o tipo de informação errada transmitida ao governo pelo SPED, ou se a informação foi omitida.
Participe de cursos, palestras ou assista vídeos sobre as novidades do SPED para estar sempre informado a respeito das atualizações. Por exemplo, atualmente se cogita a possibilidade de a declaração de imposto de renda de pessoa física ser feita via SPED. Por isso, esteja sempre preparado para as atualizações.
Áudio 8
Essas são algumas informações que eu gostaria de trazer a você sobre o SPED. Ele compreende muitas situações e necessidades. Se você tiver interesse em continuar aprendendo mais sobre o assunto, atualize-se sempre e procure se qualificar principalmente nessa ferramenta, pois isso pode ser o seu diferencial para o mercado de trabalho. Caso você mesmo queira ser um empreendedor, saiba que todas as informações a serem declaradas devem estar totalmente legais. Evite suprimir informações ou fazer qualquer tipo de encaminhamento de dados ilegais, porque, com o SPED, grande parte das informações está conectada, dificultando inúmeros tipos de fraudes. Além disso, é uma atitude antiética.
Então essas são minhas dicas se você tiver alguma dúvida com relação a esta ferramenta entre em contato conosco.
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