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09 - Direito das sucessões - introdução 1 Direito das sucessões - introdução Direito das Sucessões é o ramo do Direito Civil, tratado nos arts. 1.784 a 2.027 do Código Civil, cujas normas regulam a transferência do patrimônio do morto ao herdeiro, em virtude de lei ou de testamento. A palavra sucessão significa substituir uma pessoa por outra, que vai assumir suas obrigações e adquirir seus direitos. 2 Termos Introdutórios: “Saisine”: é a transferência automática dos bens do de cujus para os seus sucessores. “De Cujus”: é o sinônimo de falecido. “Ab Intestato”: Ocorre sempre que o de cujus não deixar testamento. 3 Conceitos Introdutórios: Herdeiro Necessário: Os herdeiros necessários são aqueles que têm direito à parte legítima da herança. São herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o cônjuge (art. 1.845 do Código Civil). A parte legítima equivale a 50% dos bens do testador, do qual os herdeiros necessários não podem ser privados. 4 Herdeiro Colateral: Herdeiros colaterais herdam na falta dos herdeiros necessários (descendentes, ascendentes e cônjuge/companheiro) do falecido devendo ser chamados os colaterais até o 4° grau Legatário: Legado é a disposição testamentária de última vontade que nomeia o legatário para um bem ou para um conjunto de bens certos e determinados dentro da herança. Logo, não há legado se não houver testamento. 5 Testamenteiro (quando há testamento): Testamenteiro é a pessoa que o testador escolhe em testamento para fazer cumprir suas disposições de última vontade. Herança: é o conjunto de bens, direitos e deveres que alguém deixa ao falecer. 6 Espólio: é a reunião de bens deixados (herança), que farão parte do processo de sucessão (inventário ou arrolamento) que oficializa a passagem de bens para os herdeiros. O patrimônio do falecido (ativo e passivo), ou seja, o espólio, é uma massa patrimonial administrada pelo inventariante, sob condomínio dos herdeiros. Inventário: Inventário é um documento contabilístico que consiste em uma listagem de bens que pertencem a uma pessoa, entidade ou comunidade, culminando com a partilha dos bens, quando houver. 7 Arrolamento: Arrolamento, previsto no art. 659 do CPC, dispensa o inventário quando os herdeiros são todos capazes e celebram partilha amigável; não importa o valor do patrimônio do extinto, cabe o arrolamento sumário se não houver incapazes e nem brigas entre os herdeiros. Aplica-se também em caso de herdeiro único. O arrolamento é um processo mais simples do que o inventário. 8 Observações Introdutórias: Observação: Sempre que houver testamento, necessariamente deverá haver inventário; Observação: É comum ter sucessão por duplo título, ou seja, a mesma pessoa pode ser herdeiro e receber um legado. Observação: O momento da abertura da sucessão é no exato momento da morte (art. 1.784 do Código Civil). 9 Observação: Inventário Negativo é aquele inventário “preventivo”, que ocorre sempre que o de cujus só tiver deixado dividas. Observação: O Prazo para começar o inventário é de 2 meses (artigo 611, CPC) (não se aplica o artigo 1796, CC). Observação: O local do inventário será em regra o último domicilio do de cujus (art. 48 CPC). Observação: O ITCMD é sempre do local onde está o imóvel (município). Observação: O arrolamento poderá ser feito no tabelião, sendo indispensável o patrocínio por advogado. 10 Aceitação e Renúncia da Herança (arts. 1.804-13) Aceitação: A aceitação da herança ocorre quando o herdeiro aceita receber a herança deixada pelo falecido. A aceitação da herança pode ser de forma expressa ou tácita. Aceitação expressa: A aceitação expressa ocorre quando por escrito o herdeiro declara sua vontade em receber a herança, mediante declaração pública ou declaração particular. 11 Aceitação tácita: É resultado de atos praticados pelo herdeiro, como por exemplo: constituir advogado para representação do inventário, administrar os bens que fazem parte do acervo hereditário e assim por diante, demonstram que o herdeiro aceitou a herança. Na aceitação tácita o importante não é tanto a vontade pessoal do herdeiro, mas sim o ato que praticou demonstrando que aceita. 12 Nos atos exemplificados abaixo não indicam aceitação tácita da herança: · Atos oficiosos: de caráter espontâneo, solidário e afetivo, como o funeral do falecido; · Atos meramente conservatórios: necessários e imediatos a fim de preservar a herança; · Atos de administração e guarda provisória: em caráter de urgência, como cobrança e pagamento de dívidas; 13 Aceitação presumida: Quando houver ausência de qualquer manifestação do herdeiro dentro do prazo para se manifestar sobre a herança. O interessado em que o herdeiro declare se aceita ou não a herança, poderá, vinte dias após aberta a sucessão, requerer ao juiz prazo razoável, não maior de trinta dias, para que o herdeiro se pronuncie. Se esse não se manifestar, ficará entendido a aceitação da herança 14 Renúncia da Herança: A renúncia é um ato de vontade através do qual o herdeiro recusa a vocação sucessória. O ato de renúncia da herança deve ser sempre expresso, por meio de instrumento público ou termo judicial. Efeitos da renúncia: Na sucessão legítima, a parte da herança que o herdeiro renunciou é acrescida a parte dos demais herdeiros. 15 Ninguém pode suceder, representando herdeiro que renunciou à herança. Caso não haja outros herdeiros, ou se os demais herdeiros também renunciaram a herança, poderão os filhos vir à sucessão. Por exemplo: se o único filho ou todos os filhos renunciarem a herança, extingue-se esta classe e passa-se a seguinte (netos). Quando o herdeiro prejudicar seus credores, renunciando a herança, esses poderão com autorização do juiz aceitá-la em nome do renunciante. Os atos de aceitação ou de renúncia de herança são irrevogáveis. 16 Herança Jacente e Herança Vacante (arts. 1.819-23 Código Civil e 738- 743, CPC) Herança Jacente: Ocorre a herança jacente quando alguém falece não deixando testamento, nem cônjuge sobrevivente e nem parente conhecido para sucedê-lo. O pedido para declaração da herança jacente deverá ser formulado pela Fazenda Pública, Ministério Público e/ou interessado por meio de advogado, instruído com a certidão de óbito. 17 Declaração: O juiz, por meio de decisão simples, declarará a herança jacente, diante do não comparecimento de herdeiros nomeará curador. Sendo declarada a herança como jacente, o juiz da comarca de domicílio do falecido procederá a arrecadação de todos os bens. Curador: A herança jacente ficará sob guarda, conservação e administração de um curador (pessoa responsável pelos bens) até a respectiva entrega ao sucessor legalmente habilitado, ou até a declaração de vacância. Sendo declarada vacância os bens serão incorporados ao domínio da União, do Estado ou Município. 18 Obrigações do curador: São obrigações do curador: · Representar a herança em juízo ou fora dele, com assistência do Ministério Público; · Ter em boa guarda e conservação os bens arrecadados e promover a arrecadação de outros porventura existentes; · Executar as medidas conservatórias dos direitos da herança; · Apresentar mensalmente ao juiz um balancete da receita e da despesa; · Prestar contas ao final de sua gestão. 19 Procedimentos: Após a escolha do curador, o juiz, acompanhado do escrivão, do curador e de um representante da Fazenda Pública e do Ministério Público, comparecerá na residência do falecido e mandará descrever os bens e o estado em que se encontram. Esse processo de descrição dos bens deverá ser feito na presença de duas testemunhas. 20 O juiz examinará papéis, livros, documentos e verificando não serem de importância no processo mandará empacotar e lacrar para entregar aos sucessores do falecido ou queimados quando os bens forem declarados vacantes. Os bens que estiverem em local distante, deverão ser arrecadados e descritos por autoridade policial a pedido do juiz. Durante esse processoo juiz fará perguntas aos moradores da vizinhança, buscando informações sobre possíveis sucessores do falecido e endereço. 21 Não será realizado o processo de arrecadação e descrição de bens ou suspensão deste, se alguém se apresentar para reclamar os bens. Neste caso podendo ser o cônjuge, herdeiro ou testamenteiro, desde que reconhecidos e não houver oposição do curador, do órgão do Ministério Público ou do representante da Fazenda Pública. Terminada a arrecadação, o juiz mandará publicar edital três vezes com intervalos de trinta dias para cada um, no órgão oficial e na imprensa da comarca. 22 Comparecendo algum sucessor e sendo reconhecido como tal, a arrecadação será convertida por decisão do juiz em inventário. Passado um ano da publicação do primeiro edital e não comparecendo nenhum herdeiro pedindo habilitação do processo ou comparecendo algum herdeiro fazendo o pedido, mas ser julgado improcedente, a herança será declarada vacante. 23 Herança Vacante: Herança vacante é aquela que foi declarada de ninguém. Como nenhum herdeiro compareceu para reclamar seus direitos, a herança será entregue ao poder público. 24 Efeitos: Após a declaração da herança vacante, os herdeiros como irmãos, sobrinhos, tios e primos, ficam excluídos do direito a sucessão. Já os herdeiros diretos (ascendentes e descendentes) e o cônjuge tem ainda o prazo de cinco anos contados da abertura da sucessão para dar início a ação de petição de herança. Caso nenhum herdeiro der início a ação e passar o prazo de cinco anos da abertura da sucessão, o acervo hereditário será em definitivo do poder público 25 INDIGNIDADE E DESERÇÃO (arts. 1.814-8 e 1.962-3) Indignidade é pena civil cominada ao herdeiro ou legatário ingrato, consistente na perda da herança ou legado. 26 Casos de indignidade A lista das hipóteses de indignidade, que é taxativa, consta no art. 1.814 do Código Civil. Basicamente, são os atentados dolosos contra a vida, a honra e a liberdade de testar do de cujus. 27 28 A primeira causa de indignidade é o homicídio doloso, consumado ou tentado, cometido pelo herdeiro ou legatário contra o autor da herança, seu ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro. O Código antigo limitava-se a considerar indignidade apenas o atentado contra a vida do autor da herança. A postura do novo Código propicia o denominado “efeito cascata” da indignidade. De fato, o filho que mata o pai, além de ser indigno em relação à herança de seu pai, pode ainda ser considerado indigno quanto à herança de sua mãe, de seu avô e até de seu irmão. Portanto, um único homicídio pode gerar várias indignidades*. *É sustentável, porém, admitir que tal disposição tem constitucionalidade discutível, uma vez que viola, de certa forma, o princípio da intransmissibilidade da pena (art. 5º, XLV). 29 É necessário, porém, que sejam ajuizadas as respectivas ações de indignidade. O reconhecimento da indignidade não depende de condenação criminal. A prova da indignidade pode ser feita no juízo cível. A eventual sentença criminal absolutória, por negativa de autoria ou inexistência do fato, porém, impede o reconhecimento da indignidade no juízo cível, por força do art. 935 do Código Civil. Não haverá também indignidade quando o autor do homicídio estiver acobertado por alguma causa de justificação (legítima defesa, estado de necessidade, exercício regular do direito e estrito cumprimento do dever legal). Igualmente, quando se tratar de morte culposa ou preterdolosa, porque ausente o animus necandi. 30 Sobre o homicídio praticado por herdeiro menor de 18 anos, o Código é silente acerca da caracterização da indignidade. Crê-se que não deva ser considerado indigno, pois a responsabilidade civil do menor só é admitida nos casos expressos em lei. Além disso, no Código atual, ao contrário do anterior, o menor púbere não é equiparado ao maior em relação aos atos ilícitos que pratica. 31 A segunda causa de indignidade consiste na denunciação caluniosa ou prática de crime contra a honra, cometido pelo herdeiro ou legatário contra o autor da herança, seu cônjuge ou companheiro. O dispositivo em apreço prevê duas hipóteses: denunciação caluniosa e crime contra a honra*. A denunciação caluniosa é um delito previsto no art. 339 do CP. *Aqui previstos a injúria, a calúnia e a difamação. 32 Finalmente, a terceira e última causa de indignidade ocorre quando o herdeiro ou legatário utiliza-se de violência ou fraude para inibir o de cujus de livremente dispor de seus bens em testamento ou codicilo, ou então obsta a execução dos atos de última vontade. Exemplos: destruição, ocultação e falsificação do testamento do de cujus; coagir o de cujus a testar ou então impedi-lo de revogar o testamento anterior. 33 Ação de indignidade A ação de indignidade só pode ser ajuizada por quem tem interesse na sucessão, isto é, por quem obtém um ganho com a exclusão do indigno. O credor deste herdeiro também pode ajuizar a ação. O Município também, desde que a herança se torne jacente com a exclusão do indigno. Se ninguém propuser a ação, o indigno herda, sendo vedado no Ministério Público propô-la, uma vez que o interesse é eminentemente privado. 34 A morte do indigno impede a propositura da ação: se morrer no curso do processo, esse deve ser extinto sem resolução do mérito, pois a indignidade é uma pena e não deve passar além do criminoso. Ademais, trata-se de ação personalíssima. 35 O prazo para propositura da ação é de quatro anos, a contar da abertura da sucessão. Com o trânsito em julgado da sentença de reconhecimento da indignidade, operam-se os seguintes efeitos: a. o indigno é excluído da sucessão e obrigado a restituir os frutos percebidos da herança; 36 b. se o indigno for herdeiro legítimo, seus descendentes herdarão por representação, como se morto fosse. Trata-se de um resquício de morte civil. A lei não prevê, porém, a sucessão do cônjuge, ascendente e colaterais do indigno. Assim, se não houver descendentes, a quota do indigno irá para os demais herdeiros da mesma classe; 37 c. se o indigno for herdeiro testamentário ou legatário, não haverá direito de representação em prol de seus descendentes. O seu quinhão será repartido aos demais herdeiros testamentários ou legatários, por força do direito de acrescer, se o testador não especificou a quota de cada um; se especificou, a parte do indigno irá para os herdeiros legítimos do testador; 38 d. o indigno não terá direito ao usufruto e à administração dos bens que a seus filhos couberem na herança, ou à sucessão eventual desses bens. 39 Os bens excluídos do indigno são chamados ereptícios. Diz a doutrina que a sentença de indignidade é meramente declaratória, tendo em vista a retroatividade de seus efeitos (ex tunc). Anote-se, porém, que o indigno tem o direito à indenização pelas despesas feitas para a conservação dos bens. 40 Reabilitação do indigno Reabilitação é o perdão do indigno pelo autor da herança. Trata-se de ato solene, pois deve ser feito por testamento ou documento autêntico, como, por exemplo, escritura pública. Pode ser feito por instrumento particular, desde que autenticado. Não pode ser verbal. 41 O perdão deve ser expresso. Não se admite o perdão tácito ou presumido, exceto na hipótese de o testador, após tomar ciência da causa de indignidade, premiar o indigno no testamento. Em tal situação, ocorre o perdão tácito, mas restrito à gratificação constante no testamento, remanescendo a indignidade quanto aos demais bens da herança. O perdão é irretratável, porque a retratação é imoral. 42 Distinção entre indignidade e deserdação A indignidade é extensiva a qualquer herdeiro, legítimo ou testamentário, e também aos legatários, ao passo que a deserdação é restrita apenas aos herdeiros necessários (descendentes e ascendentes). Embora seja herdeiro necessário, a lei não prevê a deserdação do cônjuge. A indignidade é cominada pela própria lei; a deserdação depende de testamento, sendo, pois, um atode vingança do testador. 43 Tanto a indignidade quanto a deserdação, porém, dependem de sentença judicial. O testamento, por si só, é insuficiente para deserdar o herdeiro necessário. É necessário que, após a morte do testador, dentro do prazo de quatro anos, a contar da abertura do testamento, os interessados ou herdeiros testamentários proponham a ação de deserdação, demonstrando a veracidade da causa constante no testamento. 44 Todas as causas de indignidade também são causas de deserdação, sendo certo, porém, que, para deserdar, há ainda outras causas previstas em lei. Embora a matéria volte a ser estudada em capítulo oportuno, o da deserdação, apresenta-se prático quadro que poderá facilitar a compreensão do assunto: Diferenças: 45 Indignidade Deserdação As causas são expressamente previstas pela lei; É o de cujus quem de alguma forma aplica uma reprimenda a um de seus herdeiros necessários, por meio de disposição testamentária; Constam como causas da indignidade aquelas previstas no art. 1.814 do Código Civil; Suas causas encontram-se arroladas nos arts. 1.814, 1.962 e 1.963 do Código Civil; Constitui instituto da sucessão legítima, podendo alcançar também o legatário; É própria da sucessão testamentária (art. 1.964 do Código Civil); Pode alcançar todos os sucessores, sejam eles legítimos ou testamentários, inclusive os legatários. Atinge os herdeiros necessários (descendentes, ascendentes e cônjuge), de modo que esses só assim podem ser privados do direito à legítima. 46 Direito de Representação (arts. 1.851-6): De acordo com a regra, os herdeiros de graus mais próximos excluem os de graus mais remotos. Por isso, se uma pessoa falece deixando filhos, todos vivos, os netos e bisnetos, que também são descendentes, não são contemplados com a herança. Todos os filhos herdam por direito próprio e recebem quinhões idênticos. 47 Há, entretanto, exceção a essa regra. Na linha reta descendente, se, p. ex., um dos filhos do autor da herança é pré-morto, seus descendentes poderão representá-lo na sucessão, recebendo a cota que àquele caberia (art. 1851 do CC). Nesse caso, herdam por representação (estirpe). A lei, portanto, admite, em situações como essa, que herdeiros da mesma classe e de graus distintos percebam a herança simultaneamente. 48 O direito de representação existe na linha reta descendente; na ascendente, não, quando a sucessão se dá por linhas (arts. 1.836-7). E, para a aplicação do instituto, é necessário que o representando seja pré-morto em relação ao autor da herança ou, ao menos, que tenham ambos morrido no mesmo instante (comoriência). 49 Na linha colateral (também chamada de transversal), o direito de representação defere-se apenas ao filho de irmão. Nos demais casos não há representação. É importante notar que, na linha reta, defere-se o direito de herdar por estirpe aos descendentes (expressão genérica), enquanto na colateral apenas ao filho do irmão (espécie restrita de descendente). 50 Se um herdeiro renuncia à herança, é como se nunca tivesse existido. Logo, seus descendentes não podem representá-lo. Apenas herdam por direito próprio se não houver outros sucessores do mesmo grau do renunciante. Diferentemente, se um herdeiro é excluído por indignidade (ou deserdado), é como se fosse pré-morto e, nesse caso, são convocados os descendentes do indigno para representá-lo (art. 1816 do CC), porque os efeitos de tal exclusão são pessoais. 51 Além disso, se os representantes do excluído por indignidade forem incapazes (por falta de idade ou de discernimento), o indigno não terá direito ao usufruto (usufruto legal) ou à administração dos bens que forem destinados a seus descendentes, tampouco à sua sucessão. Mesmo que conserve intacto o poder familiar sobre os filhos menores, ou seja curador de um descendente eventualmente interditado. Por fim, não há direito de representação na sucessão testamentária. Se um herdeiro testamentário é pré-morto em relação ao autor da herança (testador), os bens a ele destinados devem ser revertidos a outra pessoa indicada no testamento, ou no silêncio do ato de última vontade, aos herdeiros legítimos. 52 Efeitos do Direito da Representação Dentre os efeitos produzidos pelo direito de representação, pode-se citar que os representantes, alocados no lugar do representado, herdam exatamente o que a ele caberia se vivo estivesse e sucedesse, possibilitando, assim, ao representante, a participação em uma herança da qual seria excluído, em decorrência dos postulados emanados pelo princípio de que o parente mais próximo afasta o mais remoto. “Essas pessoas passam a ocupar a posição de herdeiro que substituem, com os mesmos direitos e encargos, agrupadas, porém, numa unidade inorgânica”. Outro efeito a ser mencionado está relacionado ao fato de o representante, parente o autor da herança em grau mais remoto, herde como se fosse do mesmo grau do representado, afastando outros parentes que sejam de grau mais próximo do que o seu. 53 A quota-parte hereditária dos que herdam por direito de representação não respondem pelos débitos do representado, mas sim pelos do autor da herança. Ao lado disso, o quinhão do representado será dividido em partes iguais entre os representantes, logo, se o de cujus deixou um filho vivo e três netos de outro filho premorto, será a herança dividida em duas partes iguais, sendo que uma caberá ao filho sobrevivo e a outra partilhada igualmente entre os netos filhos do premorto. “Como se vê, na sucessão por estirpe não se pode dividir o acervo hereditário pelo número de pessoas que irão recebê-lo, pois a ideia central da representação é a partilha da herança em tantas porções quantas forem as estirpes”, sendo que, dentro de cada estirpe, será a quota subdividida pelo número de representantes, igualmente. 54 Observação: É permitido ao renunciante da herança de uma pessoa representá-la na sucessão de outra, logo, se um dos filhos do autor da herança repudiar a herança, seus descendentes não herdarão por representação, eis que o renunciante é tido como estranho à herança. Todavia, o renunciante poderá representar o de cujus na sucessão de terceira pessoa, eis que o repúdio não é extensivo a outra herança, não mencionada expressada pelo renunciante. O direito de representação só tem assento na sucessão legítima, nunca relativamente à testamentária. Referências 55 PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil: Direito de Família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Editora Forense 2020. TARTUCE, Flávio. Direito Civil: Direito de Família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Editora Forense 2021. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: Família e Sucessões. Vol. 5. São Paulo: Editora Forense, 2021. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Direito das Sucessões. Vol. 7. São Paulo: Saraiva Jur, 2020. image1.jpeg image2.png